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1 Correio Braziliense 13/03/2004 Política Notas MANAUS Prefeito interino durante 30 dias O presidente da Câmara dos Vereadores de Manaus, Luiz Alberto Carijó (PL), assumiu ontem interinamente a prefeitura da cidade, em substituição a Alfredo Nascimento (PL), que renunciou ao cargo para ocupar, na segunda-feira, o Ministério dos Transportes. Com a publicação da renúncia de Nascimento no Diário Oficial e a assinatura do decreto de vacância, o prefeito interino terá agora 30 dias para convocar eleições indiretas para o cargo. 1

2 Jornal do Brasil 13/03/2004 Editorial Falta de Execução Em nova demonstração de respaldo ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, o presidente Lula voltou a garantir, desta vez durante a última reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, que não fará mudanças na política econômica. E desafiou o setor produtivo: ''Não há hipótese de a economia não crescer este ano. Mesmo a companhia do empresário mais pessimista crescerá, desde que ele não atrapalhe''. O apoio de Lula a Palocci é oportuno, já que justamente o mais eficiente ministro do atual governo voltou à linha de tiro da cúpula do PT e de alguns colegas de ministério. Dispensável e distanciada da realidade, porém, é a cobrança de confiança e o puxão de orelhas nos empresários pessimistas. Em lugar de recriminar a atitude cautelosa desses empresários, o presidente deveria olhar melhor para o desempenho de seu governo. Conta também o risco de perda de densidade política que pode ter sido sofrida pelo ministro José Dirceu, importantíssimo avalista da eficiência governamental. Não está em discussão a prioridade atribuída à estabilidade e ao combate à inflação. Mas o Brasil tem diante de si oportunidade única de reduzir as explosivas taxas de juros. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária será realizada em momento de calmaria. No cenário externo tem-se a convicção de que o Federal Reserve não aumentará taxas de juros até a disputa eleitoral americana. Na frente interna, está claro que não há risco de retomada da inflação. Não existe demanda nem renda nem emprego que sancionem tentativas de alta dos preços. Seria inadmissível não reduzir os juros. Mas não custa advertir que a queda dos juros, por si só, não vai reduzir a angústia e os temores do meio empresarial - na verdade, justos. O que mais pesa no ânimo dos investidores, hoje, é a visível paralisia do governo Lula. Nesses 15 meses de exercício do poder, não apresentou à sociedade nada de concreto. Não foi além das idéias e das atitudes. Medidas microeconômicas, anunciadas há muito tempo, como a nova Lei de Falências e a autonomia do Banco Central, continuam a aguardar na fila. O marco regulatório para investimentos em infra-estrutura também se transformou-num pastelão. Ao discutir a questão, o governo mostrou-se mais preocupado em fortalecer o papel do Estado do que em atrair recursos externos, como se o país fosse rico. O Brasil, porém, não dispõe de fundos para cobrir as despesas com saneamento, transportes e energia. No entanto, dá-se ao luxo de elaborar legislação que afugenta os investidores estrangeiros. O governo Lula não tem por que reclamar do setor produtivo. Se os empresários estão retraídos, não lhes faltam motivos. O governo poderia ter feito muito nos primeiros meses do ano. Mas os pôs a perder. Basta ver os descaminhos em que se embrenhou o Ministério dos Transportes. Os investimentos no setor - que também dependem de novo marco regulatório - são essenciais para a manutenção e ampliação da malha rodoviária, sem a qual o escoamento da safra agrícola sofre enorme prejuízo. O ministério, entretanto, ficou à matroca, nas mãos de um ministro enfraquecido, à espera do substituto. Outro problema para o qual o governo não dá a devida atenção é a excessiva carga tributária. As discussões que prometiam aliviar a vida dos contribuintes marcharam 2

3 em direção oposta. Ao fim e ao cabo, o que se viu foi o aumento das alíquotas do Cofins. O Estado só pensar em garantir o seu lado e, sôfrego, aumenta a arrecadação sem parar, em prejuízo da poupança privada. Os burocratas parecem esquecer que os impostos, ao gravar a produção, podem ser foco de inflação. Como já advertiu a Confederação Nacional da Indústria, não escapa sequer a renovação dos bens de capitais, sem os quais não haverá desenvolvimento. À exceção da estabilidade da economia, o governo não exibe resultados. O presidente Lula diz que sofre o ônus dos planos econômicos do passado que deram errado. E afirma que seu governo não precisa de um plano. De fato, um plano pode não ser necessário. A sociedade quer saber, apenas, qual é o norte do governo Lula. Para onde pretende avançar. Se é que vai avançar. No momento, o Executivo está sem ação. Pede mais iniciativa aos empresários mas não demonstra a menor intimidade com os mecanismos de mercado. Age como um cachorro correndo atrás do próprio rabo. Não é possível que o governo não consiga pôr a máquina estatal em movimento. No ano passado, até que foi bem ao dar seqüência à agenda de reformas. De repente, porém, perdeu o foco e o pé da situação. O tempo passa. E se o governo perder mais um ou dois meses, vítima da inação, pagará conta salgada em eleições futuras. O PT será castigado nas urnas por absoluta incapacidade administrativa. 3

4 O Estado de S.Paulo 13/03/2004 XColuna Direto da fonte Ipea e a redução dos juros O Ipea reduziu esta semana sua projeção para o IPCA de ,1% para 5,7%. Ou seja, bem próxima da meta de 5,5% para o ano. Um dos fatores que levaram a isso foi a constatação de que a alta do IPCA de fevereiro esteve bastante concentrada em um único item: educação. Isso aumenta a probabilidade de a taxa de inflação vir para um nível mais baixo no curto prazo, uma vez passados os impactos dos reajustes sazonais tanto do Grupo Educação quanto o de Transportes (afetado pelo fim da isenção do IPI para os automóveis), no ver do economista Eduardo Velho, consultor econômico do GAC-Ipea. Para quem teme os preços do atacado, Velho sugere uma avaliação mais criteriosa. Deve-se olhar não só para a trajetória do IPA-industrial, mas também a do IPA- Agrícola, que tem registrado deflação no IGP-DI: -0,34% em janeiro e -0,76% em fevereiro. "Vale lembrar que são coletados preços de tabela das indústrias que não são necessariamente os preços negociados com o varejo." No curto prazo, a estabilidade do câmbio deve amenizar o impacto da alta dos preços das commodities não agrícolas sobre os preços internos e da atividade econômica sobre os preços. Velho acha que os indicadores de núcleo (que, de uma maneira geral recuaram em fevereiro comparativamente ao mês anterior) são positivos para uma retomada da queda da taxa de juros a partir de abril. O núcleo do IPCA apurado pelo Ipea passou de 0,68% em janeiro para 0,45% em fevereiro. "A elevação do núcleo por exclusão (exclui administrados e produtos alimentícios) para 1% em fevereiro de 2004 deve ser relativizada, pois incorpora a variação do Grupo Educação, que contribuiu com 0,31 ponto porcentual do índice cheio, ou seja, 51% da variação total do IPCA." E, seguindo o mesmo raciocínio, ele não incorpora a queda significativa da inflação dos preços administrados e a desaceleração mais acentuada dos preços da alimentação verificada nas últimas semanas. Segundo o economista do Ipea, o IPCA de março pode recuar para algo entre 0,35% e 0,40%. "É certo que a inflação acumulada no primeiro bimestre, de 1,37%, é elevada, considerando a meta de 5,5%, mas sua tendência é de queda, em ritmo aparentemente mais elevado que as atuais expectativas do mercado." O engenheiro Mauro Marques, que já havia sido superintendente da Companhia Docas, assumiu ontem o cargo de diretor- geral da Codesp, empresa que administra o Porto de Santos. Seu principal desafio será dar urgência às obras de infra-estrutura do porto - pleito antigo dos usuários -, que precisam estar concluídas até o fim deste ano. Com foco em três frentes principais: avenidas perimetrais, dragagem e segurança. "O desafio é grande, mas apenas este ano o governo deve liberar R$ 3 bilhões para resolver as principais dificuldades técnicas", confirma Marques. Online Registrado. O mundo reagiu com menos ênfase aos ataques em Madri. O mercado financeiro ontem acreditava que os atentados já estão precificados, mesmo com a quase certeza de que a Al-Qaeda está de volta. Agora, caso surjam novos ataques, a situação será outra. Nesse caso, para o Brasil, o aumento certeiro da aversão 4

5 externa ao risco e potenciais impactos sobre o balanço de pagamentos do Brasil seria preocupante, visto que o governo Lula nem sequer consegue aproveitar a boa maré de liquidez intensa dos mercados externos. Sem contato A Abinee reclama: burocracia e Tecnologia da Informação não podem caminhar juntas. A entidade enviou inúmeras correspondências ao Ministério de Ciência e Tecnologia pedindo a liberação de cerca de 60 portarias de PPBs (processos produtivos básicos) referentes a produtos amparados pela Lei de Informática, que não podem ser fabricados sem a assinatura do ministro. Desde janeiro, os processos estão empacados no gabinete do ministro. Andando Além da Losango, a Arapuã fechou contrato com a Credial e o Banco Panamericano para aumentar a oferta de crédito ao consumidor em suas lojas. As três financeiras devem movimentar R$ 150 milhões na rede até o fim deste ano. Tudo a ouvir Karl Falkenberg, negociador-chefe da União Européia, reúne-se hoje no Hotel Sofitel, em São Paulo, a convite da Eurocâmaras, com os presidentes das Câmaras Européias e CEOs. Traz notícias quentes das negociações ocorridas durante a 12.ª Reunião do Comitê de Negociações Multilaterais Mercosul-União Européia, que se realizou em Buenos Aires, esta semana. Ajuda O Santander Banespa fechou parceria com o Estado de São Paulo para recuperação do Parque Ecológico do Tietê. O patrocínio soma R$ 2,46 milhões. Marcando posição Para Adriano Londres, da Associação Nacional de Hospitais Privados, o decreto da Casa Civil que deu à Geap (Fundação de Seguridade Social) o monopólio da prestação de serviços de saúde aos servidores públicos federais e dos Estados é um retrocesso no setor. E não coloca o usuário como o principal beneficiado. Inovação A Itaú Vida e Previdência lançou esta semana, comemorando o Dia Internacional da Mulher, o Itauvida Mulher. A apólice permite resgate em vida em caso de incidência de câncer de mama ou de colo do útero. LINHA DIRETA O Banco Santos aparece em sexto lugar no ranking do BC dos maiores bancos do País. Um degrau acima da lista do ano passado. A queda da Bovespa na quarta e quinta-feira, que somou 8,8%, acabou esvaziando a tradicional briga entre comprados e vendidos para o vencimento de opções que ocorre na segunda-feira. Algumas opções acabaram virando pó. A Gradiente foi premiada pela Wal-Mart como melhor fornecedor de 2003 na sua categoria. 5

6 Correio Braziliense 14/03/2004 Política Oposição parte para a revanche Antes das denúncias que abalam o Palácio do Planalto, os adversários de Lula julgavam impossível evitar a sua reeleição. Agora, avaliam, o quadro mudou. E preparam ações conjuntas para desgastar o governo Eumano Silva e Denise Rothemburg Da equipe do Correio A crise de governo provocada pelas acusações contra Waldomiro Diniz fez a oposição antecipar as estratégias para as eleições municipais e presidenciais. Até o início do ano, PFL e PSDB tinham poucas esperanças de retornar logo ao Palácio do Planalto. As denúncias contra o homem de confiança do ministro José Dirceu, da Casa Civil, colocaram obstáculos inesperados no caminho da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula a Silva. Os depoimentos dos diretores da empresa Gtech na sexta-feira animaram ainda mais os oposicionistas. O presidente nacional do PSDB, José Serra, e o líder do partido no Senado, Arthur Virgílio (AM), vão procurar hoje ou amanhã o ex-governador do Rio Leonel Brizola, comandante do PDT. Querem estabelecer ações conjuntas de atuação contra o governo. Brizola apoiou Lula no segundo turno da disputa de 2002, mas logo se afastou da administração federal petista. A estratégia dos tucanos prevê ataques cerrados ao governo petista nos quesitos ''ética'' e ''gestão pública''. ''Não adianta tapar o sol com a peneira, mais hora menos hora aparece um novo Eriberto'', afirmou Virgílio, referindo-se a Eriberto França, o motorista que em 1992 revelou as entranhas da corrupção no governo do então presidente Fernando Collor de Mello. ''Caiu a máscara de vestal do PT'', comemora o líder do PFL no Senado, José Agripino (RN). Comparações Nas campanhas eleitorais, o PSDB pretende apresentar os êxitos do partido nas administrações estaduais em comparação aos erros do PT no governo federal. ''Nenhum mero assessor teria poder para adiar a assinatura de um contrato de R$20 milhões'', disse o líder tucano. José Serra ainda avalia se será candidato à prefeitura de São Paulo este ano. Talvez opte por disputar o governo do Estado em Na corrida pelo Palácio do Planalto, por enquanto o nome mais bem posicionado é o do governador paulista Geraldo Alckmin, que não pode se reeleger para o cargo atual e conta com altos índices de aceitação nas pesquisas de opinião. As denúncias abriram um flanco inesperado para a oposição. ''A maior muralha para nós era o discurso da ética do PT, mas agora ficou vulnerável'', analisou o líder do PFL na Câmara, José Carlos Aleluia (BA), reconduzido na função com apoio da ala oposicionista do partido. ''E a maior deficiência continua sendo o conjunto da política econômica'', completa. O aumento do desemprego no governo Lula será um dos pontos mais explorados pelos pefelistas. Até agora, o prefeito do Rio, César Maia, é o político do partido favorito na corrida para o Planalto. Um dos mais experientes políticos do partido, o deputado Luís Carlos Santos (SP), avalia que o desgaste do governo em grande parte se deve ao comportamento de Lula 6

7 durante a crise. ''O presidente deveria ter feito como o bispo Edir Macedo, que afastou o Bispo Rodrigues de imediato'', afirmou Santos, com a autoridade de quem foi líder do governo e ministro da Coordenação Política na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso. A ala oposicionista do PMDB, agora reforçada com a adesão do ex-governador do Rio Anthony Garotinho - potencial candidato ao Palácio do Planalto, também ganhou força com as denúncias. ''Levei o Garotinho para um encontro no Rio Grande do Sul e ele foi aplaudido por uma multidão'', conta satisfeito o deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS), ministro dos Transportes no governo FHC. Dentro do partido, Garotinho terá de disputar espaço com o governador do Paraná, Roberto Requião, também interessado em disputar a eleição presidencial. A movimentação dos oposicionistas faz lembrar uma frase dita na brincadeira pelo deputado Paulo Delgado (PT-MG) no início da década de 1990, quando o partido comandava as denúncias contra o governo Collor e os parlamentares envolvidos com denúncias de desvio de verbas do orçamento. ''Esse negócio de ética ainda vai acabar com o PT'', dizia Delgado. As palavras ditas em tom de brincadeira adquiriram caráter de profecia nos dias de hoje. 7

8 O Globo 14/03/2004 Capa/Rio União libera verbas para rodovia no Rio Maiá Menezes O caminho do desenvolvimento Um convênio entre o governo do estado e a União prevê a pavimentação, nos próximos dois anos, do caminho para a entrada de cerca de R$ 3 bilhões na economia do Rio. O Ministério dos Transportes investirá R$ 610,5 milhões na construção dos 145 quilômetros do anel rodoviário do estado - o que, calcula o governo, atrairá empreendimentos imobiliários, postos de gasolina e supermercados. Ao governo estadual cabe a elaboração do projeto de viabilidade e de modelagem da rodovia, que cortará a Baixada Fluminense, passando pelos municípios de Itaguaí, Seropédica, Japeri, Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Magé, Guapimirim e Itaguaí. O projeto começou a ser delineado em 1978, quando o Departamento de Estradas de Rodagem fez estudos de engenharia para interligar rodovias federais que cortam o estado. Em 2001, o DER preparou um estudo sobre a viabilidade técnica, econômica, financeira e institucional visando à implantação do anel metropolitano, rebatizado de anel rodoviário. No dia 27 de fevereiro, o Diário Oficial do estado publicou decreto da governadora Rosinha Matheus liberando R$ 5,2 milhões para a contratação da empresa que fará o projeto executivo dos trechos da BR-493 e do entroncamento entre a BR-040 e a BR-116, atravessando Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Japeri, Seropédica e Itaguaí. O estado elaborará o projeto executivo, cuidará da licença ambiental e fará a avaliação de desapropriações de 77 quilômetros do arco. Ficará por conta do governo federal a mesma função em 51 quilômetros de vias. Entre essas ações estão previstas a duplicação da BR-493 (trecho Manilha-Santa Guilhermina) e da BR-101/RJ Sul, no trecho Avenida Brasil-Itacuruçá. Anel aliviará tráfego da Ponte Rio-Niterói A construção do anel rodoviário reduzirá o tráfego de caminhões na Avenida Brasil e na Ponte Rio-Niterói, prevê o secretário de Integração Governamental, Luiz Rogério Magalhães, que assinou o convênio juntamente com o ministro dos Transportes, Anderson Adauto. - Isso é mais do que uma estrada. É um eixo de desenvolvimento para o Rio. É a primeira vez na história que uma obra federal vai ser projetada pelo governo do estado - afirmou o secretário. O anel rodoviário terá uma rodovia em pista dupla, composta de quatro segmentos. A obra ligará os trechos do chamado segmento C, entre a BR-040 (Rio-Juiz de Fora), a BR-465 (antiga Rio-São Paulo), a BR-116 (trecho da Via Dutra), a BR-101 (Rio-Santos) e o Porto de Sepetiba, numa extensão de 76 quilômetros. Dois trechos - o da rodovia BR-493, entre o entroncamento com a BR-101, em Manilha, e o entroncamento com a BR-116, em Santa Guilhermina; e o da rodovia BR- 116, entre o entroncamento com a BR-493, em Santa Guilhermina, e o entroncamento com a BR-040, em Saracuruna, num total de 47 quilômetros - serão duplicados. O trecho da BR-101 entre Itacuruçá e a Avenida Brasil será explorado sob regime de concessão. 8

9 - O morador da Baixada vai poder chegar ao Centro do Rio em vinte minutos - calcula Luiz Rogério. O acordo entre União e governo do estado tem duração de um ano e poderá ser prorrogado. Uma das principais expectativas do estado em relação à construção do anel é a possibilidade de aumentar a exploração do potencial do Porto do Sepetiba. A obra deverá transformar a Região Metropolitana do estado num dos maiores centros mundiais de distribuição de contêineres, porque facilitará o transporte entre quatro portos, dois aeroportos e os entroncamentos das principais rodovias do país. O estado estima para dezembro de 2006 a conclusão das obras. O Estudo de Impacto Ambiental da obra deverá ser concluído em julho deste ano e o projeto executivo, em dezembro. O antagonismo político entre o governo Rosinha Matheus e o governo federal não impediu a assinatura do convênio. Há uma semana, ao assumir a presidência regional do PMDB, o secretário de Segurança, Anthony Garotinho, voltou a fazer duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e já se lançou pré-candidato do partido à Presidência da República, em Na avaliação do secretário Luiz Rogério Magalhães, as críticas do governo a Lula são conjunturais, e dizem respeito à construção do oleoduto no estado. O governo Rosinha também pressiona Lula para que instale no Rio uma refinaria. - Não há crítica alguma do governo do estado à negociação para a construção do anel, apesar de sabermos que a negociação foi lenta. Esse acordo poderia ter saído dois meses depois de iniciado o governo Lula - afirmou Luiz Rogério. Mais 30 por cento de investimentos O Rio ganhou um olhar mais atento do governo federal este ano, quando estará em jogo a sucessão municipal. O relator do orçamento de 2004 foi o deputado federal Jorge Bittar, pré-candidato do PT à prefeitura do Rio. O estado terá um aumento, este ano, de cerca de 30% no volume de investimentos federais em relação ao ano passado. No orçamento deste ano há reservados recursos (estimados em R$ 40 milhões) para a construção de trechos da BR-040, que liga o Rio a Juiz de Fora (MG), para o Porto de Sepetiba e para a duplicação da BR-101, Rio-Santos, entre Santa Cruz, na Zona Oeste, e Itacuruçá, no litoral Sul do estado. Os estudos de viabilidade O INÍCIO: O projeto começou a ser elaborado em 1978, quando o Departamento de Estradas e Rodagem (DER) preparou estudos de engenharia para a criação de uma ligação entre as rodovias federais. A interligação coincidiu com o traçado da rodovia RJ-109. ELO: Em 1999, estudos dos eixos nacionais de integração e desenvolvimento identificaram um elo entre o porto de Sepetiba e as rodovias BR-116 e BR-040. ESTUDOS FEDERAIS: Em 2001, o Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DER) preparou um estudo de pré-viabilidade técnica, econômica, financeira e institucional para a implantação do anel metropolitano, rebatizado de anel rodoviário. DUPLICAÇÃO DA BR-101: Em 2002, é divulgado o estudo de duplicação da BR- 101 (Rio-Santos), entre o entroncamento com a Avenida Brasil e o acesso a Itacuruçá, com 22 km de extensão, e o projeto em pista dupla de um novo acesso ao Porto de Sepetiba, com aproximadamente 6 km de extensão. LIGAÇÕES: O anel rodoviário ligará as seguintes rodovias: BR-101/Sul (Rio- Santos), BR-116 (Rio-São Paulo), BR-465 (antiga Rio-São Paulo), BR-040 (Rio-Juiz de Fora), BR-116 (Rio-Bahia), BR-101/Norte (Rio-Vitória). 9

10 CUSTOS: Os custos das obras serão divididos, de acordo com o projeto, da seguinte forma: os projetos de engenharia, viabilidade técnico-econômico-financeiro, estudos ambientais e assessoria para audiência pública custarão R$ 9,2 milhões; supervisão das obras, R$ 12,2 milhões; e execução, R$ 581,1 milhões. 10

11 O Estado de S.Paulo 14/03/2004 Nacional Adauto investiu, mas rodovias continuam ruins BRASÍLIA - O ministro dos Transportes, Anderson Adauto, passa amanhã o cargo para o prefeito de Manaus, Alfredo Nascimento, com pouco para mostrar. Ele foi o primeiro ministro do governo a sofrer o desgaste de ser considerado quase ex-ministro. Com menos de um mês na pasta, foi acusado de envolvimento com um esquema de corrupção na prefeitura de Iturama (MG) e o governo se viu obrigado a divulgar sucessivos desmentidos de sua demissão. A primeira iniciativa do ministro foi em fevereiro do ano passado, quando lançou um plano para recuperar estradas. Segundo o ministério, em 2003 foram investidos R$ 800 milhões, mas a situação das rodovias federais continua muito ruim. Tanto que, na semana passada, Adauto anunciou a ampliação do orçamento de 2004 de R$ 1,5 bilhão para R$ 1,96 bilhão. A duplicação das Rodovias Fernão Dias e Régis Bittencourt e do corredor do Mercosul (BR-101), relacionada como prioridade em 2003, foi adiada para este ano. Interrompido desde o início do governo, o programa de concessão de rodovias só deve ser retomado em junho. O próprio ministério admite que a principal obra realizada pelo ministro "não foi física, mas sim de gestão e comportamento", referindo-se a uma redução média de 25% nos custos das obras das novas licitações. O Ministério destaca ainda a implantação do Programa de Fiscalização e Controle de Projetos, que prevê mais rigor no controle de qualidade das obras. Assinou, ainda, convênio para reduzir em até 12% o custo de contratos com empreiteiras. (G.M.) 11

12 O Estado de S.Paulo 14/03/2004 Nacional Delúbio: doação de campanha não cria compromisso O tesoureiro do PT, Delúbio Soares, afirmou que já pediu dinheiro a mais de 7 mil empresas para as campanhas do PT. Em entrevista publicada pela revista Época, Delúbio disse que a doação feita por uma empresa para as campanhas do PT "não significa compromissos posteriores". E completou: "Mas depois as pessoas podem conversar com o governo". Ele explicou como recolhia dinheiro para a campanha presidencial: "Dizíamos apenas que o PT tinha chance de ganhar. Se não quisessem, também, não tinha problema, não ficaríamos com raiva de ninguém. O que não podíamos era aceitar que dessem 5 para nós e 90 para o outro candidato. " Segundo Delúbio, o PT aceitou colaborações de todas as pessoas e empresas que quiseram participar, "desde que não tivessem ligação com bingo, com narcotráfico ou com trabalho degradante". A entrevista não explica se outros colaboradores do PT seguiam o mesmo princípio. Delúbio também não viu problemas em sua freqüente presença no Palácio do Planalto e na rotineira agenda que cumpre em ministérios. "Política no Brasil é partidária", disse, concluindo que "a experiência do PT mostra que onde há sintonia fina a coisa funciona melhor". Ele não vê nenhum problema nos quinze encontros que teve com o ministro dos Transportes, Anderson Adauto, de quem se disse "grande amigo". "Tratávamos sempre de assuntos que nos interessavam", concluiu. 12

13 Folha de S.Paulo 14/03/2004 Capa/Brasil/ MARCHA LENTA Gasto com avião de Lula consome 75% do investido Avião de Lula consome 75% dos investimentos da União No ano da "virada", governo gasta R$ 46,9 mi com parcela de Airbus MARTA SALOMON DA SUCURSAL DE BRASÍLIA O pagamento de uma das prestações do novo avião presidencial -um Airbus personalizado- consumiu três de cada quatro reais investidos pelo governo federal neste ano até a última quinta-feira. A parcela de R$ 46,9 milhões representa quase 50 vezes a soma do valor já investido em segurança pública, transportes e organização agrária em 2004, ano que marcaria a "virada" do governo Luiz Inácio Lula da Silva, nas palavras do próprio presidente. O retrato da gestão Lula pode ser visto no Siafi, o sistema informatizado de acompanhamento de gastos federais. Os dados não contabilizam o pagamento de contas pendentes de 2003, os chamados "restos a pagar", que somam R$ 133 milhões, incluindo gastos de Legislativo e Judiciário. No mesmo período da pesquisa no Siafi -feita com apoio do gabinete do deputado Augusto Carvalho (PPS-DF)-, não há registro de investimento do Orçamento de 2004 pago até 11 de março em saneamento e habitação. O avião que levará Lula e sua comitiva nas viagens mais longas para outros países, um Airbus Corporate Jetliner, ainda está na linha de montagem e só deverá chegar ao Brasil no final do ano, prevê o Ministério da Defesa. O preço total: US$ 56,7 milhões ou R$ 166,7 milhões, de acordo com o câmbio da parcela paga em fevereiro. A compra da aeronave, acertada no final de 2003, é investigada pelo Ministério Público. "Com esses investimentos, estamos gerando empregos no exterior", ironiza Augusto Carvalho. O Ministério das Cidades, responsável pela maior parte dos investimentos em saneamento e habitação, alega que acaba de ser aberto o prazo para os prefeitos apresentarem projetos, por meio dos quais os municípios terão acesso ao dinheiro federal. Esses projetos serão avaliados até meados de abril. Restarão menos de três meses para a data fixada pela lei eleitoral para suspender a assinatura de convênios e o repasse de verbas (três meses antes das eleições de outubro). A pasta das Cidades foi a principal vítima do corte de gastos de R$ 6 bilhões no Orçamento, em fevereiro. Do R$ 1,098 bilhão autorizado pela lei orçamentária, R$ 814 milhões foram bloqueados. Na mais contundente defesa da atual política econômica, feita na quinta-feira, Lula insistiu em que os cortes atingiram apenas os acréscimos incluídos pelos congressistas no Orçamento e que haverá mais dinheiro para gastos do que em No caso das Cidades, o corte reduziu os investimentos a menos da metade. O ministério alega ainda que sua maior fonte de recursos para investimentos em saneamento está fora do Orçamento da União: é o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo 13

14 de Serviço). Estão previstos gastos de R$ 2,9 bilhões neste ano, e a liberação desse dinheiro está em fase de negociação. Outro alvo dos cortes, o Ministério dos Transportes já começou o ano atrás de dinheiro extra. A previsão de gastos com restauração de rodovias para garantir que as estradas federais estejam em bom estado num prazo de quatro anos -R$ 1,5 bilhão por ano- corresponde a quase tudo o que o ministério tem para investir em 2004 depois dos cortes. Para justificar o pedido de verba extra, o ministério argumenta que parte do dinheiro destinado às estradas usadas no escoamento da safra agrícola teve de ser usado em rodovias no Nordeste, esburacadas com as chuvas de verão. O investimento pago na área de transportes em 2004 (R$ 554 mil) é menos da metade do gasto feito até a mesma data em publicidade institucional, aquela que cuida da imagem do governo (R$ milhão), revela ainda o Siafi. A maior obra com que Lula gostaria de marcar seu mandato no Planalto -a transposição das águas do rio São Francisco- não terá início neste ano. A previsão de gastos em 2004, cerca de R$ 40 milhões, será suficiente só para os estudos prévios, segundo o Ministério da Integração Nacional. Corte sob revisão O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, disse que o governo analisa a possibilidade de reduzir o corte de R$ 6 bilhões no Orçamento, decretado em fevereiro. A liberação de recursos poderá beneficiar o Bolsa-Família, principal programa de transferência de renda aos pobres do governo federal, além da reforma agrária, adiantou. A decisão sobre a revisão dos cortes sairá só no mês que vem. Nos dois primeiros meses do ano, a Receita Federal arrecadou R$ 2 bilhões a mais que o previsto e tudo agora depende do ritmo de crescimento da economia. "O objetivo do governo é cumprir o superávit primário [receitas menos despesas, exceto pagamento de juros] de 4,25% do PIB [Produto Interno Bruto]. Se na reavaliação da programação financeira for observado um espaço adicional de gastos, nós vamos fazer a ampliação", disse Appy. Para levar adiante os investimentos necessários em infra-estrutura, sobretudo nas áreas de transportes e geração de energia, a principal aposta nessa área são as PPPs (Parcerias Público-Privadas). "O sistema permite investimentos e garante consistência fiscal de longo prazo para o país." Mas um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, vinculado ao Ministério do Planejamento, manifesta o receio de que as parcerias criem "um novo legado de esqueletos, ou seja, um desequilíbrio entre receitas e despesas de longo prazo". Colaborou SÍLVIA MUGNATTO, da Sucursal de Brasília DA SUCURSAL DE BRASÍLIA Social ainda discute espólio de 2003 Cinqüenta dias depois de criado para tocar o que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chama de "o maior programa social já visto na face da Terra", o Ministério do Desenvolvimento Social ainda se espalha por quatro prédios diferentes da Esplanada e 14

15 convive com os fantasmas da política social errática do primeiro ano de administração petista. O principal deles são as estruturas montadas em quase metade dos municípios brasileiros: os comitês gestores e as Casas da Família. O ministro Patrus Ananias ainda não definiu o destino dos "espólios" deixados pelos ex-ministros Benedita da Silva (Assistência Social) e José Graziano (Segurança Alimentar). Por ora, está mantido o programa que dá até dois litros de leite por dia para famílias pobres, criado no final de 2003 por Graziano. Em ano eleitoral, a meta é distribuir 1 milhão de litros/dia, comprados de pequenos produtores. Os comitês gestores funcionam em municípios. Foram criados para fiscalizar a distribuição e o uso do Cartão-Alimentação, do Fome Zero, depois substituído pelo Bolsa-Família como carro-chefe dos programas sociais. A criação dos comitês no semi-árido está suspensa desde outubro. O programa Casa da Família foi marca da gestão de Benedita. Cada casa têm dois assistentes sociais (como a ex-ministra), dois psicólogos, um funcionário administrativo e estagiários. Benedita planejava pôr equipes em todas as cidades. Há quase 500 delas funcionando. Seu destino é incerto. No topo da agenda positiva divulgada após a crise Waldomiro Diniz, Lula antecipou a meta de beneficiar mais 901 mil famílias com a transferência entre R$ 15 e R$ 95 por mês do Bolsa-Família. Serão 4,5 milhões até julho, cerca de 40% da população considerada pobre. Provisoriamente, são pobres para o governo as famílias com renda mensal de até R$ 90 por pessoa. Lula anunciou que o programa deverá alcançar 6,5 milhões de famílias até o fim do ano. Reforma agrária Com cerca de 200 mil famílias acampadas à espera de terra e foco dos maiores conflitos sociais, a reforma agrária do governo ameaça viver repetição de Falta dinheiro para cumprir a meta de assentar 115 mil famílias até o fim do ano. O orçamento do Ministério de Desenvolvimento Agrário é R$ 1,05 bilhão, a terça parte do valor que os técnicos julgam necessário. "Esse é assunto do Ministério da Fazenda e da Casa Civil. Tenho de gastar logo e bem o que tenho", diz o presidente do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), Rolf Hackbart, que mantém promessa de assentar 47 mil famílias até junho. No final de 2003, para acalmar os sem-terra, o governo divulgou as metas do novo Plano Nacional de Reforma Agrária: 400 mil famílias assentadas até 2006 (115 mil delas até dezembro de 2004). À época, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) aplaudiu o governo, prometendo trégua nas invasões -o que tem cumprido. (MARTA SALOMON e EDUARDO SCOLESE) 15

16 Jornal de Brasília 14/03/2004 Coluna Cláudio Humberto À beira do caminho Engenheiro do Dnit (ministério dos Transportes), Sebastião dos Santos espera há quatro meses resposta da Corregedoria-Geral da União para o processo /99-69: compraram 12t de asfalto para não tapar buracos na BR-135, Maranhão. O buraco no Erário dura cinco anos. 16

17 O Globo 14/03/2004 Coluna Elio Gaspari Ceci Juruá (61 anos, economista) A senhora escreveu um artigo comparando os projetos de Parcerias Público- Privadas (PPP) ao sistema de concessões de ferrovias de D. Pedro II. Ele garantia aos empresários uma remuneração fixa sobre o capital investido. Coisa entre 5% e 7%. Tudo bem, mas desse sistema resultaram as ferrovias brasileiras. A garantia de juros dada pelo imperador aos investidores serviu para aniquilar financeiramente o Estado, criou uma dívida de 50 milhões de libras e deixou o Brasil com uma malha ferroviária de má qualidade. Os fazendeiros nacionais ficaram com mais lucros, os industriais ingleses com mais encomendas e os banqueiros Rothschild com mais dinheiro. O PPP é a terceirização do Estado. Eu me sinto à vontade para dizer essas coisas. Como diretora de transportes rodoviários do Rio de Janeiro, devolvi aos empresários as frotas de ônibus estatizadas. Devolvi porque o Estado prestava um serviço público de má qualidade. O PPP passa aos empresários um poder de decisão que é do Estado e que o povo delegou ao governo. É uma transferência de poder espúria, que acabará dando errado, como as ferrovias no modelo do imperador e no das privatizações de Fernando Henrique Cardoso. O governo diz que os PPP atrairão, numa primeira coleta, R$ 5 bilhões que, de outra maneira, não seriam investidos. Eu concordo com uma parceria na qual o governo planeje, decida e entregue as obras e a exploração às empresas privadas. O PPP que o governo quer passar pelo Congresso não é isso. É um sistema no qual o empresário decide de acordo com os seus interesses, o governo garante a remuneração e a sociedade garante o contrato. O que aconteceu com a ferrovias privatizadas pelos tucanos? Seus controladores dizem que as linhas estão dando prejuízo e pedem dinheiro do BNDES. Será que é prejuízo mesmo? Ou será que as ferrovias pertencem a empresas com interesses no transporte de certas cargas (digamos grãos) e dão prejuízo para que outro negócio (digamos soja) dê maiores lucros? A questão continua do mesmo tamanho. De onde sairá o dinheiro para os investimentos. Em saneamento, por exemplo? De uma economia que progrida, com juros baixos e normas para que o capital estrangeiro invista na produção, como faz na Ásia. Coisas como o PPP assentam-se na idéia falsa segundo a qual o mercado pode decidir onde se investe em saneamento. O mercado brasileiro é pobre. Aqui, a faixa dos 10% mais ricos começa com gente que tem R$ de renda mensais. São 900 euros, o salário-mínimo na Comunidade Européia. As multinacionais querem retorno para seus investimentos em transportes ou saneamento. Como o Brasil é pobre, pedem subsídios. A garantia dos juros de D. Pedro ou o PPP do atual governo. Quem decide onde saneia, como saneia e a que preço saneia? Quem determina o valor do subsídio? Essa decisão cabe ao Estado. O PPP delega-a às empresas. Se tivéssemos um plano de saneamento e chamássemos as empresas de acordo com as nossas prioridades, eu ficaria tranqüila. Isso não existe. Se as empresas determinarem as prioridades, as ferrovias atenderão aos interesses dos 17

18 produtores, o saneamento atenderá aos especuladores imobiliários. A nós caberá pagar a conta, como no tempo do imperador. O artigo de Ceci Juruá sobre os PPP está no seguinte endereço: Pavio aceso Vence no dia 1 de julho o prazo dado pela ONU (leia-se governo Bush) para que cerca de 200 terminais portuários brasileiros (e de outros 163 países) estejam nos conformes das exigências técnicas da segurança antiterrorista. Se o governo não correr atrás do serviço que não fez, surgirão restrições para a entrada de navios brasileiros. É possível que se consiga um refresco, mas é impossível que não se atenda ao arrocho da segurança. 18

19 O Estado de S.Paulo 14/03/2004 Nacional Até agora, só 6% das verbas foram liberadas Lentidão tem frustrado as expectativas da base, já que montante é de R$ 9,3 bilhões SÉRGIO GOBETTI BRASÍLIA - A crise política em torno do caso Waldomiro Diniz praticamente paralisou a execução orçamentária de 2004, mas nas últimas duas semanas o governo começou a reagir e acelerou o ritmo de gastos. Até o dia 11, segundo dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), o governo havia empenhado - termo usado para a autorização prévia ao gasto - R$ 554 milhões em investimentos e pago efetivamente apenas R$ 61,6 milhões das despesas do ano. O montante empenhado representa 6% dos R$ 9,3 bilhões que ficaram livres do contingenciamento e é bem inferior às expectativas criadas na base no Congresso. Ao anunciar a programação financeira do ano, há um mês, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, chegou a prometer que as emendas individuais de deputados e senadores, num total de R$ 1,5 bilhão, já começariam a ser empenhadas em seguida. De acordo com o líder do governo no Congresso, senador Fernando Bezerra (PTB), a prioridade neste início de ano está sendo o pagamento das emendas já empenhadas em exercícios anteriores - os chamados restos a pagar. Pelo acordo firmado no final de 2003, o governo destinaria R$ 1,3 bilhão neste ano para pagar os projetos já empenhados dos parlamentares - R$ 2,2 milhões cada -, sem contar as propostas ao Orçamento de Combinado - Ao todo, os restos a pagar em investimentos dos anos anteriores somam R$ 5,3 bilhões. Até o dia 11, o governo já teria pago R$ 663 milhões das dívidas, sendo R$ 273,9 milhões neste mês. "Tudo que foi combinado será cumprido. Vamos encerrar os pagamentos de 2002 e 2003 e iniciar os de 2004", afirma o vice-líder do governo na Câmara, Professor Luizinho (PT-SP). Nos corredores do Congresso, entretanto, a insatisfação e a desconfiança são grandes. O principal temor é de que o governo não consiga empenhar as emendas parlamentares de 2004 até 30 de junho, prazo máximo permitido na lei eleitoral para que a União firme convênios com municípios prevendo liberação dos recursos. Como a maior parte das emendas se refere a pequenas obras realizadas por prefeituras, o empenho depende de assinatura prévia de convênios. "O governo quer receber tratamento de aliado fiel, mas em contrapartida trata seus pares como adversários", afirma o deputado Pauderney Avelino (PFL-AM), um dos mais atuantes na Comissão Mista de Orçamento. Carnaval - Além do atraso na liberação das emendas, o governo também enfrenta problemas para votar o Plano Plurianual devido às polêmicas sobre o superávit primário. Desde que o relator foi substituído, antes do carnaval, já se passaram três semanas, e nenhuma sessão foi até agora realizada na comissão responsável pela análise do novo parecer. 19

20 No ritmo em que se encontra, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) referente ao Orçamento de 2005 pode ser apresentada ao Congresso antes que o PPA tenha sido votado. O projeto de LDO tem de ficar pronto até 15 de abril. 20

21 O Estado de S.Paulo 14/03/2004 Economia Empreendimentos tropeçam no meio ambiente Vários projetos importantes estão parados, por falta de licença ambiental RENÉE PEREIRA Os problemas ambientais têm tirado o sono dos investidores. Grandes empreendimentos de infra-estrutura, de suma importância para o País e que representariam bilhões de reais para a economia, não conseguem sair do papel por causa de entraves ambientais. Alguns estão praticamente abandonados, como o caso da Hidrelétrica Santa Isabel, do consórcio formado por Votorantim e Companhia Vale do Rio Doce. Outros dependem de decisões judiciais para terem as obras retomadas ou de novos estudos que atendam as exigências dos órgãos ambientais. Com isso, inúmeros projetos estão paralisados. Uma situação preocupante para o País, que há anos não recebe investimento de peso em infra-estrutura. Oportunidades não faltam, mas empresas nacionais e estrangeiras não estão dispostas a injetar dinheiro no setor diante de tanta incerteza regulatória. Elas aguardam as novas regulamentações, como o modelo do setor elétrico e as diretrizes das Parcerias Público-Privadas (PPP) para tomarem alguma decisão. Juntase a isso o baixo desempenho da economia brasileira, com retração do mercado interno. Mas a perspectiva de crescimento econômico traz a preocupação de o setor não suportar o aumento da demanda e entrar em colapso por falta de investimento. O que eleva a importância de retomar os projetos já licenciados pelo governo. Por isso, a disputa entre empreendedores, órgãos ambientais e Ministério Público esquentou nos últimos meses. Segundo as empresas, além da demora, as licenças ambientais se tornaram instrumento político de alguns governos. Um exemplo é a briga entre a Petrobrás e o governo do Rio de Janeiro. O Estado estaria dificultando a concessão da licença ambiental para a construção de um oleoduto que escoará petróleo da Bacia de Campos até São Paulo. Essas barreiras seriam uma forma de pressão para a companhia construir uma refinaria no Rio. O projeto prevê investimentos de cerca de R$ 4,65 bilhões e vai gerar 34 mil empregos durante a obra. Problema semelhante atinge a Vale do Rio Doce. Segundo o diretor de meio ambiente da companhia, Maurício Reis, há um ano e meio a empresa tenta obter licença ambiental para a implantação do projeto da exploração da jazida de bauxita de Paragominas, no Pará, cujo investimento está estimado em US$ 271 milhões. "Infelizmente o governo está usando o licenciamento para barganhar outras medidas compensatórias não ligadas ao projeto. Isso é a politização do processo ambiental." Em São Paulo, as obras dos trechos do Rodoanel Leste, Sul e Norte, importantes para desafogar o tráfego da capital, também estão paradas. Várias liminares impediram a realização de audiências públicas para avaliar a obra. Além disso, há uma discussão judicial sobre quem deve avaliar o projeto, se o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), ou a secretaria estadual, que vinha dando andamento ao processo. Segundo o secretário de Estado do Transporte de São Paulo, Dario Rais Lopes, um novo estudo ambiental do trecho Sul será apresentado nos próximos meses. 21

22 No Porto de Santos, dois terminais também aguardam o licenciamento ambiental. Um será voltado para veículos com destino à exportação e outro para grãos. O atraso no processo poderá representar problemas graves para as montadoras e empresas de agrobusiness. Segundo fontes, o projeto precisa ser concluído até o início do ano que vem para atender, por exemplo, a exportação do Fox. Outra obra importante é a duplicação da BR-116, a Régis Bittencourt, cujo processo de licenciamento foi prejudicado por decisão judicial. O Ibama conseguiu derrubar a liminar, mas a ação continua tramitando. Segundo o diretor-substituto de licenciamento e qualidade ambiental do Ibama, Luiz Felipe Kunz Jr., a viabilidade do projeto já foi aceita. Energia - Os maiores entraves no processo ambiental, no entanto, estão no setor de energia. As hidrelétricas são as mais afetadas pela demora no licenciamento. Das 31 usinas com o cronograma atrasado, 17 têm algum impedimento ambiental, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Além do aspecto ambiental, a inundação de grandes áreas também tem impacto social. Na maioria dos casos, as empresas precisam deslocar comunidades inteiras para construírem barragens e represas. Por isso, o objetivo do Ministério de Minas e Energia é dar a concessão de usinas com licença prévia. Na avaliação do responsável pelo meio ambiente da Alusa, Ruddi Pereira de Souza, hoje o maior desafio é conseguir encontrar um equilíbrio entre o progresso e a preservação do meio ambiente. "Com a escassez de recursos, a obtenção de licenças ambientais está cada vez mais difícil." A tarefa, no entanto, não é fácil. Alguns grupos estão praticamente desistindo de projetos por causa das dificuldades ambientais. O consórcio Gesai, formado por Votorantim, Camargo Corrêa, Alcoa, BHP Billiton e Vale, por exemplo, já pediu a devolução da concessão da hidrelétrica Santa Isabel, com capacidade para gerar megawatts (MW) de energia. Licitada em dezembro de 2001, até hoje a usina não conseguiu nenhuma licença ambiental. O projeto de Santa Isabel é bastante complexo. A usina foi originalmente planejada para produzir MW, mas acabou dividida em duas para diminuir os impactos ambientais. Apesar disso, a região inundada afeta áreas do parque estadual Serra dos Martírios. Segundo Kunz Jr., o projeto apresentado pelo consórcio não foi suficiente e, por isso, o órgão solicitou novos estudos. A Alcan também está com problemas de licenciamento. As obras da usina Candonga foram concluídas há dois meses, mas a empresa não consegue autorização para operação. Segundo o diretor de energia da Alcan, Cláudio Campos, o Ibama fez uma lista de exigências para encher o lago da usina. Para os órgãos ambientais, parte da culpa dos atrasos nas licenças é das empresas, que não preparam estudos com cautela. Segundo Kunz, os órgãos estão mudando suas estruturas para atender aos pedidos sem atrasos. "Mas a agilidade não pode sobrepor os cuidados diante dos impactos ambientais e sociais." As secretarias estaduais também estão melhorando seus sistemas para diminuir os prazos de licenciamento. Em meio aos inúmeros problemas, na quinta-feira a Justiça Federal conseguiu derrubar decisão judicial que impedia a continuidade das obras para a construção de duas barragens no Sistema Alto Tietê, na região de Mogi das Cruzes. 22

23 Folha de S.Paulo 14/03/2004 Brasil/ MARCHA LENTA Conflito na base petista tranca pauta no Congresso Projetos tidos como essenciais para a economia não decolam GUSTAVO PATÚ DA SUCURSAL DE BRASÍLIA Desarticulado e envolto em conflitos com a base petista, o governo não consegue fazer decolar no Congresso a sua pauta econômica, tida como essencial no programa elaborado pela equipe do ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho. Dois projetos prioritários e polêmicos, a reforma tributária e a nova Lei de Falências, caminham burocraticamente e correm o risco de não serem aprovados neste ano -em que as atenções dos parlamentares se voltarão, a partir do segundo semestre, às eleições municipais. O PPA (Plano Plurianual) para o período , que deveria, em tese, ter sido aprovado até julho do ano passado, está parado na Comissão Mista de Orçamento, onde o próprio PT encabeça a resistência às metas fiscais contidas no texto. Outros projetos da agenda deste ano nem sequer foram enviados até agora ao Congresso. Estão estacionados na Casa Civil a regulamentação do setor de saneamento, com o qual se pretende atrair investimentos, e a proposta de reformulação das agências reguladoras, aguardada por todo o setor empresarial. "A Casa Civil ficou de mandar o projeto de reformulação das agências até dezembro, depois até 15 de fevereiro e, até agora, nada. Não sei o que aconteceu", relata o deputado Ricardo Barros (PP-PR), coordenador da Frente Parlamentar em Defesa das Agências Reguladoras. Mesmo antes de ter sido atingido pelo caso Waldomiro Diniz, o governo já havia limitado bastante suas ambições legislativas para este ano. Foram adiados para 2005 os projetos de reforma trabalhista e de autonomia do Banco Central, ambos capazes de rachar a bancada petista. "Na economia, o governo tem suas urgências, que provocam "frisson", e suas importâncias. A fase das urgências passou; agora, estamos cheios de importâncias", diz o relator da reforma tributária, Virgílio Guimarães (PT-MG). O próprio deputado, porém, mostra o seu incômodo com os freqüentes adiamentos de decisões referentes à tramitação da "importância" tributária. "Após semanas sucessivas, adiamentos que não são graves podem se tornar um problema grave." O exemplo mais gritante é o do PPA, que, na teoria, deve balizar os Orçamentos do período o Orçamento deste ano, porém, já foi aprovado e está em execução, enquanto o PPA ainda é uma incógnita. Até agora, o feito mais importante do governo em relação ao projeto foi derrubar o relatório apresentado por um petista, Saturnino Braga (RJ), que propunha a redução gradual do superávit primário (a parcela das receitas destinada a pagar juros da dívida), de 4,25% para 3,25% do Produto Interno Bruto. Reação atrasada Na semana passada, o governo ensaiou uma reação contra a atual letargia: foi concluída a votação de duas medidas provisórias que regulamentam o setor elétrico e aberto o caminho para votar na Câmara, nesta semana ou na próxima, o projeto que 23

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