TRIPs, antes durante e depois. Narrativa de um discurso internacionalizante

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1 TRIPs, antes durante e depois Narrativa de um discurso internacionalizante

2 Quem & onde Rua do Ouvidor 121/6o. Rio de Janeiro

3 Entre o desenvolvimento e a internacionalização

4 As constantes da história brasileira de PI Interesse social Desenvolvimento nacional Acesso ao conhecimento Patrimonialismo Internacionalismo Proteção ao investimento

5 As constantes da história brasileira de PI A dinâmica na economia política internacional pode ser captada melhor se olharmos, não para os regimes que aparecem, mas para o que esta por baixo, isto é, as barganhas e os processos de negociação sobre as quais se baseiam. E essas barganhas não são apenas entre estados, mas sim entre estados e empreendimentos, ou entre empreendimentos e finanças, ou entre empreendimentos e sindicatos de trabalhadores, ou, ainda, entre grupos políticos em busca de poder. Marisa Galdeman A Economia Política do Capitalismo Cognitivo: Desmaterialização do Trabalho, do Valor e do Poder na Sociedade do Conhecimento Tese de Doutorado

6 Uma proposta de desenvolvimento NACIONAL

7 Uma proposta de desenvolvimento NACIONAL É no pensamento econômico e na obra de José da Silva Lisboa, futuro Barão e Visconde de Cairu, que Clóvis da Costa Rodrigues vai procurar as origens e a inspiração do parágrafo sexto do Alvará de Nascido em Salvador, no ano de 1756, o político, publicista e jurisconsulto de formação coimbrã onde se graduou bacharel em Direito Canônico e Filosofia galgou carreira destacada dentro da aparelhagem burocrática bragantina, ocupando durante o período joanino cargos importantes como o de Desembargador do Tribunal da Relação da Bahia, Desembargador da Mesa do Desembargo do Paço e da Mesa de Consciência e Ordens, Censor Régio, membro da Junta Administrativa da Imprensa Régia e Deputado do Tribunal da Junta do Comércio do Rio de Janeiro.

8 Uma proposta de desenvolvimento NACIONAL Circulando nos estratos mais altos da burocracia joanina e considerado como o principal introdutor das ideias de Adam Smith no Brasil tendo por isso recebido, como graça de D. João, a cátedra da aula de Economia Política criada pelo Príncipe Regente logo por ocasião de sua chegada ao Brasil, ainda durante sua estada na Bahia, Silva Lisboa, de fato, foi o único contemporâneo luso-brasileiro a se propor a discutir o tema das patentes de maneira aprofundada, dedicando parte significativa de seus escritos a considerações acerca do papel exercido pelos incentivos aos inventores na promoção do progresso das atividades fabris na colônia.

9 Uma proposta de desenvolvimento NACIONAL bbd/handle/1918/ # page/1/mode/1up Observações sobre a franqueza da indústria, e estabelecimento de fábricas no Brasil por José da Silva Lisboa Visconde de Cairu, José da Silva Lisboa sf/bitstream/handle/id/1032/ pdf?sequence=4

10 Fontes Nuno Pires de Carvalho, As Origens do sistema Brasileiro de Patentes: o Alvará de 28 de abril de 1809 na confluência de políticas públicas divergentes, Rev. ABPI no. 91 e 92. DBB, 185 anos de incentivos fiscais (1993) (Palestra na Confederação Nacional da Indústria), DBB, O Impasse em Nairóbi, Marcas, Patentes e a nova Ordem Econômica Mundial (Jornal do Brasil de 26 de setembro de 1981). Clóvis Costa Rodrigues, A Inventiva Brasileira, vol. 2, 1973.

11 Mas será realmente que o Cayru foi responsável? Ou o Conde de Linhares? Oi Denis, Quanto ao Cairu, a minha sincera impressão é que se tende a exagerar o seu papel de "mentor" do liberalismo no Brasil. É muito possível que os irmãos Sousa Coutinho tenham tido mais influência do que Cairú, pela simples razão de que tinham mais poder. Nuno

12 Ou o Marques de Belas? D. António Maria de Castelo-Branco ( ), 7ª conde de Pombeiro, senhor de Belas, senhor de Pombeiro e senhor do Morgado de Castelo Branco. Schultz, Kirsten, Tropical Versailles, Routledge 2001

13 Ou o Marques de Belas?

14 Ou o Marques de Belas?

15 PI como desenvolvimento Lei de patentes de 28 de abril de 1809, um Alvará de D. João VI aplicável somente ao Estado do Brasil 4ª Lei do mundo Parte de um pacote de desenvolvimento Sem patente para estrangeiro não investidor.

16 ALVARÁ DE 28 DE ABRIL - UM PAC DE 1809 ALVARÁ DE 28 DE ABRIL DE Isenta de direitos as matérias primas do uso das fábricas e concede outros favores aos fabricantes e da navegação nacional. Eu o Príncipe Regente faço saber aos que o presente Alvará com força de lei virem, que sendo o primeiro e principal objeto dos meus paternais cuidados o promover a felicidade pública dos meus fiéis Vassalos ( ) I. Todas as matérias primas que servirem de base a qualquer manufatura serão isentas de pagar direitos alguns de entrada em todas as Alfândegas dos meus Estados, quando o fabricante as comprar para gasto de sua fábrica ( ) II. Todas as manufaturas necessárias serão isentas de pagar direitos alguns na sua exportação para fora dos meus Estados ( ) III. Para promover e adiantar a Marinha mercantil dos meus fiéis Vassalos: hei por bem determinar que paguem só metade dos direitos estabelecidos em todas as Alfândegas dos meus Estados, todos os gêneros e matérias primas, de que possam necessitar os donos de novos navios para a primeira construção e armação deles

17 ALVARÁ DE 28 DE ABRIL - UM PAC DE 1809 ALVARÁ DE 28 DE ABRIL DE I. Todos os fardamentos das minhas tropas serão comprados às fábricas nacionais do Reino e às que se houverem de estabelecer no Brasil II. sou servido ordenar que da Loteria Nacional do Estado, que anualmente quero se estabeleça, se tire em cada ano uma soma de sessenta mil cruzados, que se consagre, ou toda junta, ou separadamente, a favor daquelas manufaturas e artes, que mais necessitarem deste socorro, particularmente das de lã, algodão, seda e fábricas de ferro e aço

18 ALVARÁ DE 28 DE ABRIL - UM PAC DE 1809 ALVARÁ DE 28 DE ABRIL DE 1809 Eu o Príncipe Regente faço saber aos que o presente Alvará com força de lei virem, que sendo o primeiro e principal objeto dos meus paternais cuidados o promover a felicidade pública dos meus fiéis Vassalos I. Sendo muito conveniente que os inventores e introdutores de alguma nova máquina e invenção nas artes gozem do privilégio exclusivo, além do direito que possam ter ao favor pecuniário, que sou servido estabelecer em benefício da indústria e das artes, ordeno que todas as pessoas que estiverem neste caso apresentem o plano de seu novo invento à Real Junta do Comércio; e que esta, reconhecendo-lhe a verdade e fundamento dele, lhes conceda o privilégio exclusivo por quatorze anos, ficando obrigadas a fabricá-lo depois, para que, no fim desse prazo, toda a Nação goze do fruto dessa invenção.

19 ALVARÁ DE 28 DE ABRIL - UM PAC DE 1809 ALVARÁ DE 28 DE ABRIL DE I. Ordeno, outrossim, que se faça uma exata revisão dos que se acham atualmente concedidos, fazendo-se público na forma acima determinada e revogando-se todas as que por falsa alegação ou sem bem fundadas razões obtiveram semelhantes concessões.

20 ALVARÁ DE 28 DE ABRIL - UM PAC DE 1809 os inventores e introdutores de alguma nova máquina e invenção nas artes gozem do privilégio exclusivo, além do direito que possam ter ao favor pecuniário,.. privilégio exclusivo por quatorze anos, ficando obrigadas a fabricá-lo depois, para que, no fim desse prazo, toda a Nação goze do fruto dessa invenção

21 Nossa história Lei de 1830 Art. 10. Toda a patente cessa, e é nenhuma: ( ) 4º. Se o descobridor, ou inventor, obteve pela mesma descoberta, ou invenção, patente em paiz estrangeiro. Neste caso porém terá, como introductor, direito ao premio estabelecido no art. 3º. Art. 3º. Ao introductor de uma industria estrangeira se dará um premio proporcionado á utilidade, e difficuldade da introducção.

22 PI como desenvolvimento A lei de 28 de agosto de 1830, na prática só ao inventor nacional era deferida a patente; se ficasse provado que o inventor havia obtido, pelo mesmo invento, patente no exterior, a concessão brasileira ficaria nula. Para os "introdutores de indústria estrangeira", ou seja, quem se estabelecesse no Brasil com tecnologias novas para o país, a lei previa um subsídio, não um monopólio;

23 Nossa história Mas nunca foi votada verba necessária, o que levou os ministros da área a passar a conceder patentes a estrangeiros, ad referendum do poder legislativo. Assim, apesar da proibição, em 1878, foi concedida uma patente a Thomaz Edison para "uma máquina denominada fonógrafo".

24 A internacionalização da PI

25 Uma Internacionalização necessária?

26 A internacionalização necessária Se há um sistema de propriedade dos bens intelectuais, ele deve ser, necessariamente, internacional. O país que concede um monopólio de exploração ao titular de um invento está em desvantagem em relação aos que não o outorgam: seus consumidores sofreriam um preço monopolista, enquanto os demais teriam o benefício da concorrência, além de não necessitarem alocar recursos para a pesquisa e desenvolvimento.

27 A internacionalização necessária De outro lado, a internacionalização da propriedade da tecnologia tem a vantagem de racionalizar a distribuição física dos centros produtores. Se em determinado país a nova tecnologia pode ser melhor explorada com a qualidade da mão-de-obra local, com o acesso mais fácil ao capital financeiro e à matériaprima, para produzir bens que serão vendidos, com exclusividade, em todo mundo, o preço e a qualidade serão os melhores possíveis «PENROSE, E. (1973) La Economía del Sistema Internacional de Patentes. México, Ed. Siglo Vinteuno.

28 A CUP

29 Internacionalização como escolha consciente A entrada na CUP foi uma decisão informada e consciente do Estado brasileiro O Visconde de Villeneuve, dono do Jornal O Visconde de Villeneuve, dono do Jornal de Comércio, foi designado embaixador extraordinário para a Convenção

30 Nossa história Parecia, aos olhos de então, justificado o ponto-de-vista do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras públicas de 1876, ao propor a elaboração da nova lei: "Nação nova, dotada de grandes e variados elementos de riqueza, oferecendo tantas facilidades para a aquisição dos meios de subsistência, o Brasil não pode contar tão cedo, para o progresso de sua indústria, com o espírito de invenção que, como é sabido, somente na luta da necessidade contra os elementos encontra condições de vida e estímulos para seu desenvolvimento."

31 Nossa história Votados, pela geográfica, ao subdesenvolvimento, só uma legislação liberal que protegesse os monopólios de importação poderia assim nos fornecer objetos novos da tecnologia mundial. D. Barbosa, O Impasse em Nairóbi, Marcas, Patentes e a nova Ordem Econômica Mundial (Jornal do Brasil de 26 de setembro de 1981).

32 Nossa história Quando terminaram as negociações da Convenção de Paris, já havia uma nova lei, tão afeiçoada aos fluxos tecnológicos internacionais que nenhuma adaptação se precisou fazer após a assinatura do tratado. O resultado foi imediato: enquanto nos oito anos finais da lei de 1830 foram concedidos 434 privilégios (33% de estrangeiros em 1882_, nos oito anos da lei de 1882 o foram 1 mil 178 (66% de estrangeiros em 1889).

33 A CUP Logo á primeira vista, nota-se completa anarchia nas relações internacionaes ácerca da propriedade industrial, e depara-se a mais clamórosa antinomia entro as diversas dispozições promulgadas nos differentes Estados. Vè-se que cada um delles legislou em épocas mais ou menos remotas, sem curar das legislações estrangeiras. (Relatório do Visconde de Villeneuve, encontrado em

34 A CUP Em 1873, por occasião da Exposição Universal de Vienna, o problema foi ventilado. N'um congresso que deixou após si luminosos vestigios, varios delegados de Estados differentes aventaram o projecto de uma União internacional, destinada a proteger de modo uniforme a propriedade industrial.

35 A CUP Embora só em principio de outubro me chegasse a noticia dessa lisongeira commissão, achando-me então na Baviera, dei-me pressa em partir para Paris, com a conveniente anticipação. Compulsando as legislações estrangeiras sobre a materia, observei logo que a nossa legislação accerca de tão importante assumpto era pouco ou mal conhecida, e que não havia ainda sido traduzida em sua integra. Portanto, reuni á pressa os documentos que V. Exa se dignara remetter-me, e fi-los publicar vertidos em francez, para distribuir aos meus collegas.

36 A CUP Marcas de fabrica ou de commercio - Quasi todos os Estados civilisados têm legislado sobre a materia, e, especialmente desde 1857, data da promulgação da lei franceza sobre as marcas, a Europa e as duas Americas começaram a protegel-as por leis especiaes. O impulso dado pela França, que já nesse ponto tinha sido precedida pela Hespanha (decreto de 2O de novembro de 185O), foi logo seguido e a Austria-Hungria legislou no anno seguinte (1858), sobre as marcas; a Russia, a Italia e o Canadá fizeram. outro tanto em 1868; os Estados- Unidos imitaram o exemplo em 187O, e a Turquia em 1871 ; d'ahi a 3 annos, em 1874, o Imperio Allemão e a Republica do Chile- promulgaram leis analogas; em 1875, o Brazil fez lambem uma lei, apenas dous mezes depois da lei da Inglaterra ; em 1876, a Republica Argentina, e, no anno seguinte, a Republica Oriental do Uruguay seguiram as nossas pisadas, etc.

37 A CUP Desenhos e modelos industriaes- A nossa legislação até hoje não regulou a proteção devida a este ramo importante da propriedade industrial. Com effeito, a natureza do direito dos autores de desenhos e modelos industriaes tem dado azo a tantas discussões intrincadas; a definição desta forma de propriedade é tão difficil de estabelecer, torna-se tão árduo distinguil-a das obras artitiscas propriamente ditas, que muitos paízes, taes como a França, a Bélgica e a Suissa, ainda não possuem legislação privativa sobre o assumpto.

38 A CUP Patentes de invenção. -Reina absoluta anarchia na legislação internacional quando se trata de diversas questões que Se colligam com este assumpto, como, por exemplo, quando se trata da duração da patente ou da natureza do. exame a que fica sujeito o requerimento das pessoas que desejam conseguir qualquer privilegio. No Império Allemão, o privilegio requerido é submettido a exame que versa não só sobre a regularidade do requerimento, mas ainda sobre o caracter e novidade da invenção. ( ) Na Austro Hungria, assim como na França, a competente repartição só examina si foram observadas pelo requerente as formalidades exigidas pela lei, mas nunca o governo se occupa da novidade da invencão. Na Bélgica também não existe exame prévio.

39 A CUP Patentes de invenção. -Existem outras muitas anomalias. Com tudo, as legislações concordam, e muito sabiamente, em limitar o direito exclusivo dos inventores. Dest'arte dá-se-lhes satisfação sem que d'ahi resulte prejuizo ao dominio publico e ao interesse social. O inventor gosa exclusivamente da sua descoberta por algum tempo, aias, ao cabo de um prazo previamente determinado, cahe a descoberta no dominio publico, de sorte que outros têm possibilidade de fazer progredir a mesma invenção, servindo-se de elementos já conhecidos.

40 A CUP TRATAMENTO NACIONAL Primeiro que tudo, o art. II deu logar a longos debates, visto ser a base em que assenta todo o projecto, por isso que synthetisa a idéa de união, consagrando o direito conferido aos nacionaes e a faculdade para os estrangeiros de gearem desse direito do mesmo modo e nas mesmas condições que os nacionaes. É curioso que a Suíça, por exemplo, assinou a convenção de Paris em 1882 e só criou o seu próprio Sistema interno de Patentes no começo do século. Os nacionais suíços tinham todas as vantagens da Convenção nos outros países, e os nacionais de outros países e os suíços não tinham nenhum direito na Suíça. Isso é o que pode ser considerado um utilização inteligente do Sistema de Patentes.

41 A CUP PRIORIDADE art., IV tem por fim garantir, durante prazo determinado,os direitos de prioridade dos inventores ou dos individuos que registrarem regularmente dezenhos ou modelos industriaes, marcas de fabrica ou de commercio em qualquer dos Estados da união. Hoje em dia; quando um indivíduo obtem privilegio de invenção n'um paiz, ou quando registra marca ou desenho, resulta do farto daconcessãodapatenteoudoregistrodamarcaedodesenhouma publicidade de que outro individuo póde aproveitar-se indevidamente, dando-se pressa em adquirir a propriedade de patente idêntica, ou em registrar a mesma marca ou o mesmo desenho em outro paiz. O art. IV acaba com essa injustiça, e, alam disso, dispensa os inventores da onerosa obrigação de registrar os seus pedidos de patente em todos os Estados afim de resalvar os proprios direitos

42 A CUP USOEABUSODEPATENTES O art. V determina as condições em que os privilegiados poderão introduzir no paiz que concede a patente objectos fabricados em outros paizes da União. Como, porem, o privilegiado fica sujeito á obrigação de servir-se da patente na conformidade das leis do paiz para onde importar os objectos privilegiados, votei esse artigo, visto ficarem salvas assim as disposições da nossa legislação a tal respeito.

43 A CUP, criação brasileira MARCAS O art.vi foi incontestavelmenteoque quedeu logara mais detido exame e a mais porfiadas discussões no seio da conferencia. Já tive a honra de expôr minuciosamente, a V. Ex. as alterações introduzidas a minuciosamente, a V. Ex. as alterações introduzidas a esse artigo, sendo definitivamente adoptada a redacção que propuz, com uma pequena emenda que acceitei.

44 A CUP INDICAÇÕES DE PROCEDÊNCIA O art.x tem um duplo alcance : em primeiro logar, proteger as marcas de fábricas legítimas e legaes ; em segundo, impedir falsas indicações de procedencia. Com effeito, acontece todas os dias que uma firma imaginaria apresenta no mercado vinhos do Porto, por exemplo, como vindos daquela procedencia, e como si a firma indicada existisse realmente no Porto. O Projecto de convenção quiz, por Meio diste artigo, obstar essas grosseiras fraudes,

45 A CUP AS INTERNACIONALIZAÇÕES O art. I do Projecto adoptado implica revogação de todas as disposições Iegaes que não concedem aos estrangeiros tratamento identico ao dos reinicolas. Assim, por exemplo, o IV do art. X da nossa lei de 28 de agosto de 183O, relativa aos privilegios, declara nullo e sem effeito todo privilegio, si o inventor ou descobridor já tiver obtido privilegio em paiz estrangeiro para a mesma Invenção ou descoberta, embora nesse caso possa o introductor obter o premio de que trata o art. III da mesma lei. Semelhante disposição não existe no projecto de lei apresentado por V. Ex. em data de 26 de agosto no anno corrente, o qual, pelo contrario,reconheceformalmentenoseuart.iieno IIIdo art. IIIo principio adoptado pela Conferencia.

46 Um pouco de história real Muito explorei a importância de Jules de Villeneuve, o Conde deste nome, que negociou pelo Brasil a Convenção de Paris e, segundo ele diz, foi o autor do art. VI do tratado - a parte de marcas. Sua biografia "oficial" pode ser lida aqui Mas o interessante é entender as motivações profundas desta importante ação da diplomacia brasileira, que tem tanta repercussão na história da Propriedade Intelectual. E como tantas vezes, vale a frase "cherchez la femme".

47 Um pouco de história real Bom, eis aí a Condessa de Villeneuve, que, entre 1881 até, pelo menos, 1884, era uma das namoradas de D. Pedro II. Exatamente quando seu marido labutava na Exatamente quando seu marido labutava na Convenção de Paris, as cartas com o Imperador, reveladas recentemente falavam dos encontros e do amor candente ("Que loucuras cometemos na cama de dois travesseiros!").

48 Um pouco de história real Numa delas, escritas em francês, comme il fallait, Pedro pede dela uma foto (em 01/05/1884), a qual - quem sabe -, é essa aí acima. No momento em que o diplomata - na verdade, diplomata ad hoc, pois na verdade dono do Jornal do Commercio, mandado para longe do Rio de Janeiro para servir melhor o Imperador -, discutia marcas e patentes, Pedro escreve à mulher dele "recriminando-a por não tê-lo encontrado no Rio de Janeiro". A moça, que tinha a fama de ser uma das mulheres mais lindas do Império, vinha de uma linhagem complexa, dos Calvacanti de Albuquerque, desde um Jacob de Holanda, judeu inconverso do sec. XVI, até seu descendente, o Príncipe Franz Wilhelm Otto Alfred Konstantin Emil zu Sayn-Wittgenstein-Berleburg, morto faz pouco, passando inevitavelmente por um remoto parentesco com esse bloggeiro, por efeito daquilo que minha sábia cozinheira e mãe suplente chamava "primos por parte de Adão e Eva".

49 A CUP A Convenção de Paris tem o nome oficial de Convenção da União de Paris para a Proteção da Propriedade Industrial [1]. Foi ela revista já sete vezes: em 1990, em Madri; em 1900, em Bruxelas; em 1911, em Washington; em 1925, em Haia, em 1934, em Londres; em 1958, em Lisboa; em 1967, em Estocolmo (em vigor no Brasil desde 1992) e teve novo processo de revisão iniciado em 1980, em Genebra [2]. [1] Decreto de 08/04/1975. [2] Seguimos, neste passo, a análise de G. Bordenhausen, Guide to the Paris Convention, Genebra, 1967, assim como do nosso Atos Internacionais Relativos à Propriedade Industrial e ao Comércio de Tecnologia (Revista da Sociedade Brasileira de Direito Nuclear, Dezembro de 1981). Por força do Decreto 635 de 21 de agosto de 1992, vigeria no Brasil a Convenção de Paris, na revisão de Estocolmo, de 1967; embora tal decreto mereça reparos quanto a sua juridicidade, levaremos em conta para esta análise o texto correspondente. Em outubro de 1994, novo decreto ratificou o anterior, pondo em vigor a totalidade do texto de Estocolmo.

50 Convenção de Berna

51 Quando se cria conhecimento nacional Lei de , que "Crêa os Cursos de sciencias jurídicas e sociaes, um na cidade de São Paulo e outro na cidade de Olinda". Depois de especificar as matérias a serem ensinadas "no espaço de cinco anos, e em nove cadeiras", de determinar que para a regência das mesmas nomeasse o Governo "nove Lentes proprietários", com o ordenado que tivessem os Desembargadores das Relações, e gozassem das mesmas honras, e cinco substitutos, vencendo o ordenado anual de 800$000, consignava: "Art Os Lentes farão a escolha dos compêndios da sua profissão, ou os arranjarão, não existindo já feitos, com tanto que as doutrinas estejam de acordo com o sistema jurado pela nação. Estes compêndios, depois de aprovados pela Congregação, servirão interinamente; submetendo-se porém a aprovação da Assembléia Geral, e o Governo fará imprimir e fornecer às escolas, competindo aos seus autores o privilégio exclusivo da obra por dez anos."

52 Quando se cria conhecimento nacional O Código Criminal, Lei de , estatuiu pioneiramente na América Latina: "Art Imprimir, gravar, lithographar ou introduzir quaisquer escriptos ou estampas, que tiverem sido feitos, compostos ou traduzidos por cidadãos brazileiros, em quanto estes viverem, e dez annos depois da sua morte, se deixarem herdeiros. Penas. Perda de todos os exemplares para o autor ou traductor, ou seus herdeiros, ou, na falta d'eles, do seu valor e outro, e de multa igual ao tresdobro do valor dos exemplares. Se os escriptos ou estampas pertencerem a corporações, a prohibição de imprimir, gravar, lithographar ou introduzir durará somente por espaço de dez annos."

53 Pimenta no olho dos outros Carey, from Letters on International Copyright, 1853, 1868: What is called free trade looks to the maintenance of the foreign monopoly for supplying us with cloth and iron; and international copyright looks to continuing the monopoly which Britain has so long enjoyed of furnishing us with books; and both tend towards centralization.

54 Pimenta no olho dos outros [L]iterary privileges exist in virtue of grants from the people who own the materials out of which books are made; those privileges have been perhaps already too far extended; there exists not even a shadow of reason for any further extension; to grant what now is asked would be a positive wrong to the many millions of consumers, as well as an obstacle to be now placed in the road towards civilization (1853, 1868)

55 Pimenta no olho dos outros La legislación americana conservó durante largo tiempo, en relación con los extranjeros, un carácter de «exclusivismo absoluto». Esta carencia suscitó numerosas intervenciones frente al congreso norteamericano. Pero los extranjeros debieron esperar la ley del 3 de marzo de 1891 para obtener el reconocimiento de sus derechos. Jean Cavalli, Genesis del Convenio de Berna de 9/12/1886

56 Pimenta no olho dos outros Vemos así como los Estados Unidos conocieron una evolución legislativa que no se caracterizó por rasgos particulares, salvo en lo que concierne a la ausencia de protección de los autores extranjeros. Las razones de esta laguna son claras. En efecto, ese país -aún jovenhabía producido una literatura poco abundante a pesar de un número de lectores que aumentaba constantemente y una industria del libro en plena expansión. En razón de ese desequilibrio había que recurrir a la literatura extranjera, en especial a aquella de la madre patria» que tenía la ventaja de ser expresada en un lenguaje común. Dentro de ese contexto, los Estados Unidos, en donde la demanda de obras era muy superior a la oferta, no tenía gran interés en proteger contra la reproducción ilícita de obras extranjeras.

57 Pimenta no olho dos outros Desde esta perspectiva se pueden comparar las relaciones entre Estados Unidos y Gran Bretaña con aquellas existentes durante largo tiempo entre las regiones francófonas de Bélgica y Suiza de un lado y Francia del otro. Además, las obras literarias editadas sin el pago de derechos de autor habían adquirido gran popularidad. El poder político no consideraba por lo tanto oportuno oponerse a la vox populi'. Esta tendencia se agravaba con el hecho de la reciente independencia que incitaba a los americanos a no reconocer deudas en relación con el antiguo continente.

58 Pimenta no olho dos outros "In ratifying the Berne Convention, Congress determined to take a minimalist approach to compliance." [[ Margreth Brewer, Intellectual Property Emanuel Law Outline, Aspen Publishers, NY, 2008, p. 196} In both realms of moral rights and formalities (registration, notice, deposit), US law in the Implementation Act was limited. "The major concession was that the United States finally, reluctantly, did away with copyright formalities." [Edward Samuels, The Illustrated Story of Copyright, Thomas Dunne Publ., NY, 2000, pp ] That is to say, the US adoption of moral rights was very limited. And some formalities were kept, specifically "deposit" of a copy of the work with the Library of Congress, and some features of registration. Jane Ginsburg and Robert Kernochan, "One Hundred and Two Years Later: the US joins the Berne Convention," 13 Col. VLA J. Law and the Arts (1988)

59 How TRIPs Got Legs: Copyright, Trade Policy, and the Role of Government in 19 th -Century American Economic Thought Stephen Meardon U.S. copyright law (1831) * 28 yrs., w/ 14 yrs. renewal * 0 yrs. for foreign authors TRIPs (1994) * copyright min. 50 yrs. Platt-Simmonds Act (1891) * same rights for domestic, foreign authors * works must be typeset in U.S. * no commercial importation FTAA Ch. XX (when?) * copyright min. 70 to 130 yrs. * anti-circumvention

60 A CUB Victor Hugo

61 Les Societés des auteurs Beaumarchais, Societé des auteurs et compositeurs dramatiques (1777) Balzac, Societé des gens de lettres, 1838 Congresso literário internacional, 1878 Alexandre Dumas, Alphonse Daudet, Hachette, Plon.

62 Les Societés des auteurs Demanda inaugural de proteção de exclusiva (sem tecnologias de reprodução) Beaumarchais: O Barbeiro de Sevilha, o Casamento de Figaro Autor burgues tipo, convertido Société des auteurs et compositeurs dramatiques (1777) Connaissant un vif succès avec Le Barbier de Séville, Beaumarchais s'interroge sur le montant de la rétribution minime versée par la Comédie- Française. Le 3 juillet 1777, il propose la fondation de la première société des auteurs dramatiques. Sa lutte aboutit à la reconnaissance légale du droit d auteur par l Assemblée constituante le 13 janvier 1791 (loi ratifiée le 19 janvier 1791 par Louis XVI). La première loi édictée dans le monde pour protéger les auteurs et leurs droits (Wikipedia)

63 A participação brasileira em 1878 Alemanha, Austria-Hungria, Baviera, Brasil, Chile, EL Salvador, Espanha, Estados Unidos, Portugal, San Marino e Uruguai

64 El congresso de Lisboa ) El caso de Brasil Resultaba natural que en Lisboa fuera tema de preocupación la situación de los autores en Brasil, en razón a la comunidad de idioma y de cultura entre este pais y el de reunion del Congreso. Brasil era conocido por su pirateria literaria. Especialmente porque los brasilehos utilizaban sin derecho el repertorio literario portugues. Los delegados portugueses senalaron clue la situación de su pais en relacion con Brasil era similar a aquella que habia existido durante mucho tiempo entre Francia y Belgica. Los congresistas se indignaron". Fue por este motivo que se aprobó una resolucion expresando el voto que el Imperio del Brasil, que ha abolido la trata y emancipado a los esclavos, continue su obra de honestidad y civilización, reconociendo los principios elementates de la propiedad literaria=". Jean Cavalli, Genesis del Convenio de Berna de 9/12/1886

65 Quem assinou Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Grã- Bretanha, Haiti, Itália, Libéria, Suíza, Tunis Brasil: February 9, 1922 Estados Unidos: March 1, 1989 (mas inventaram a Convenção Universal da Unesco de 1952)

66 O reconhecimento dos autores estrangeiros Foi complementada pela Lei n , de , que reconheceu o direito de autor às obras publicadas em países estrangeiros, qualquer que seja a nacionalidade de seus autores, desde que tenham aderido às convenções internacionais, ou assinado tratados com o Brasil.

67 Convenção de Berna (Direitos Autorais) Objetos de proteção O alcance objetivo da Convenção é o das obras literárias e artísticas, incluindo-se entre aquelas as de caráter científico - qualquer que seja seu modo de expressão. Assim, não só os livros e esculturas, objeto tradicional de proteção, mas o multimídia, produções a laser ou qualquer outra criação com auxílio em tecnologias futuras, cabe no âmbito da Convenção - desde que redutíveis à noção de artístico ou literário.

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