UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO DOCÊNCIA DO ENSINO SUPERIOR MARIA DE LOURDES LABUTO

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1 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO DOCÊNCIA DO ENSINO SUPERIOR MARIA DE LOURDES LABUTO UNIVERSIDADE SEMI-PRESENCIAL PARA PESSOAS DE TERCEIRA IDADE ORIENTADOR PROFESSOR VILSON SÉRGIO DE CARVALHO UCAM / AG.VITÓRIA

2 MARIA DE LOURDES LABUTO UNIVERSIDADE SEMI-PRESENCIAL PARA PESSOAS DE TERCEIRA IDADE Trabalho de conclusão da Pós-Graduação em Docência do Ensino Superior, realizado sob a orientação do Professor Vilson Sérgio de Carvalho e apresentado à Universidade Candido Mendes, como requisito para obtenção do título de Pós- Graduada em Docência do Ensino Superior, VITÓRIA - ES

3 RESUMO Analisou-se a possibilidade de uma Universidade para pessoas de terceira idade em regime semi-presencial, sem exigências de vestibular e com livre escolha curricular, tendo por base o Capítulo V da Lei N.º , de 01/10/2003, do Art.20 ao Art.25, do Estatuto do Idoso. A Pesquisa foi realizada com cinco indivíduos, com idade entre 45 e 53 anos, sem distinção de sexo, raça, religião ou etnia, tendo como características comuns, residirem no Bairro de Andorinhas e ter escolaridade correspondente ao 2º Grau. Para coleta dos dados foram utilizadas entrevistas com roteiro semi-estruturado com 10 perguntas fechadas e 15 abertas e que deram suporte para a análise de conteúdo, partindo de temas que enfocavam a problemática, agrupados em categorias. Considerou-se modificações subjetivas e objetivas na Universidade para os indivíduos de terceira idade, que não tem, por condições várias, analisadas nessa pesquisa, de assumir uma assiduidade às aulas; e, ainda, que o Poder Público apoia legalmente tal direcionamento em relação à educação do idoso, a existência de uma Universidade Semi-presencial para essas pessoas talvez fosse o móbile que impulsionaria o progresso sociocultural em sua totalidade, abrindo campo para novas pesquisas que possam gerar projetos que viabilizem, de fato, melhor qualidade de vida para os indivíduos de terceira idade. 11

4 SUMÁRIO Resumo Sumário Introdução Capítulo I : Caracterização do Bairro Pesquisado...08 Capítulo II: O Enfrentamento de Barreiras Sócio-Econômicas que Dificultam a Conclusão do Estudo Superior para a Pessoa de Terceira Idade Experiências na Modalidade de Ensino Semi-Presencial para Indivíduos de Terceira Idade...15 Capítulo III: Apoio do Grupo de Pertença...18 Capítulo IV: Procedimentos...23 Capítulo V: Análise dos Dados e Resultados Encontrados Considerações a Cerca do Mercado de Trabalho Para Pessoas de 3ª Idade Conseqüências Decorrentes da Presença de Auto-Estima no Indivíduo de 3ª Idade A Pessoa de Terceira Idade e o Difícil Acesso a Universidades...39 Conclusão...40 Anexos Agradecimentos Pessoais...44 Agradecimentos Gerais Referências Bibliográficas

5 INTRODUÇÃO Tudo se encontra no estado mental, porque muitas corridas têm-se perdido, antes sequer de haver ocorrido; E muitos covardes têm fracassado, antes de ter seu trabalho começado. Pensa grande e teus feitos crescerão; pensa pequeno e ficarás atrás; pensa que podes e poderás; Tudo está no estado mental (Claude Bernard) Esta pesquisa tem como objetivo identificar a viabilidade de uma Universidade Semi-presencial para indivíduos de terceira idade. Conforme ÂNGULO (1979), para a Organização Mundial de Saúde, o limite inicial da velhice, é a idade de 65 anos. Tal valor cronológico é, também, um referencial em documentos estatísticos da Geriatria. No entanto, na atualidade, é bastante discutível essa correspondência cronológica quando a mesma é relacionada com a idade fisiológica real de grande número de indivíduos. Segundo AIDA (1983), existem algumas controvérsias no enquadramento de uma pessoa na categoria de velho ou não. Algumas pessoas, aos 60 anos, já se sentem muito mais velhas que as outras com 70 e 80 anos. (p. 7) Ainda, de acordo com AIDA (1983), é bastante relativo considerar, no Mundo Moderno, que alguns indivíduos com 50, 60 ou 70 anos sejam velhos. Para a OMS (Organização Mundial de Saúde), o indivíduo dos 45 aos 59 anos é uma pessoa de idade média ou mediana; dos 60 aos 74 anos, o indivíduo é um idoso; dos 75 aos 90 anos, a pessoa é considerada um ancião; e, a partir dos 90 anos, o indivíduo é considerado uma pessoa de velhice extrema. Não existe uma literatura que estabeleça, de fato, a idade inicial para o indivíduo ser uma pessoa de terceira idade. Para DEBERT (1998), e de acordo com citação feita por LABUTO (2000), a velhice não é um período naturalmente determinado na existência de um indivíduo, mas sim uma categoria produzida pela sociedade e que varia de acordo com os diferentes contextos histórico-culturais (p.7, p.39). 13

6 Segundo Labuto (2000), o Jornal A Folha de São Paulo, em um artigo sobre terceira idade, menciona que a expressão terceira idade, teve sua origem na França, em 1970, com o advento das Universités de Troisième Age (Universidades da Terceira Idade). A aplicabilidade da expressão terceira idade não tem conotação depreciativa do indivíduo. Mas, sim, como um tratamento não depreciativo, caracterizador de indivíduos com idade cronologicamente mais avançada, Ainda segundo DEBERT (1998), em todas as sociedades é possível observar a presença de grades de idades e cada cultura tende a elaborar grades específicas. (p.7) Ou seja, os indivíduos tendem a criar produtos sociais determinadores de parâmetros que englobem etapas de vida, tais como, infância, adolescência, juventude, terceira idade etc. Tomando por base todos esses dados sobre o indivíduo considerado de terceira idade e, também, devido à dificuldade de existir pessoas adultas que tivessem cursado o Segundo Grau, estabelecemos, como critério dessa pesquisa, a idade de 45 anos para os indivíduos de terceira idade. E, por termos conhecimento que um grande número de pessoas de terceira idade não concluiu o Curso Superior, fato muitas vezes provocador de baixa estima e elemento que dificulta o tão desejado acesso ao mercado de trabalho pelo indivíduo ao atingir o ápice de sua vida, considerou-se a possibilidade de superação desses obstáculos, através de cursos que atendessem à ânsia do saber cultural desses indivíduos, em uma Universidade Semi-presencial, e em cumprimento da Lei N.º , de 1º de Outubro de 2003, que regulamenta o Estatuto do Idoso e que em seu Capítulo V, que trata da Educação, Cultura, Esporte e Lazer, em seu Art.21, assegura que O Poder Público criará oportunidade de acesso do idoso à educação, adequando currículos, metodologias e material didático aos programas educacionais a ele destinados. Poder-se-ia perguntar a esses indivíduos se gostariam de cursar uma Universidade e quais disciplinas seriam interessantes para que tivessem um aprendizado de nível superior. Ou que cargas horárias de seu ocioso tempo 14

7 poderiam ser direcionadas para o seu aprimoramento cultural. Ou então, quais benefícios poderiam advir para eles, se trocassem os seus certificados de nível de escolaridade de segundo grau por certificados de escolaridade de nível superior. Sabemos o quanto o indivíduo de terceira idade é discriminado no âmbito social e no mercado de trabalho. Ao diplomar-se em um curso superior, o que isso significaria em seu devir. Considerando que pudesse vir a ocorrer modificações subjetivas e objetivas nesses indivíduos, e que tais modificações trouxessem uma melhoria na sua qualidade de vida; e que o indivíduo de terceira idade não tem, muitas vezes, condições várias, analisadas no decorrer dessa pesquisa, de assumir uma assiduidade às aulas; e, ainda, que o Poder Público apoia legalmente tal direcionamento em relação à educação do indivíduo de terceira idade, a existência de uma Universidade Semi-presencial para essas pessoas talvez fosse o móbile que impulsionaria, mais ainda, o progresso cultural e social em sua totalidade. Após aplicarmos o Pré-teste em um indivíduo de terceira idade, entrevistarmos outros cinco indivíduos, também de terceira idade, residentes no Bairro Andorinhas. O Bairro Andorinhas foi escolhido para essa pesquisa, por ser o bairro da Cidade de Vitória, Espírito Santo, onde se situa a Faculdade Cândido Mendes, onde é parceira no Movimento Comunitário. Aplicamos o Roteiro Semi-Estruturado de Entrevista, e, através de estudo bibliográfico específico, construímos o Capítulo VII que trata da Apresentação e Análise dos Dados e os seus Sub-itens Considerações a Cerca do Mercado de Trabalho para Pessoas de 3ª Idade, Conseqüências Decorrentes da Presença de Autoestima no Indivíduo de 3ª Idade e A Pessoa de Terceira Idade e o Difícil Acesso a Universidades, o que nos deu embasamento para as Considerações Finais da Pesquisa. 15

8 CAPÍTULO I CARACTERIZAÇÃO DO BAIRRO PESQUISADO Quando se sonha sozinho é um sonho, Quando sonhamos juntos começamos uma nova realidade Dom Helder Câmara CAPÍTULO I 16

9 CARACTERIZAÇÃO DO BAIRRO PESQUISADO BAIRRO ANDORINHAS 1.1 Localização O Bairro Andorinhas pertence ao Município de Vitória, Espírito Santo e possui uma área de, aproximadamente, m² e está localizado na Região II da grande Maruípe, à nordeste da ilha de Vitória, às margens do mangue do Canal de Camburi, próximo à Ponte da Passagem. 1.2 População A população do Bairro Andorinhas é de, aproximadamente, habitantes. E, com relação à organização da população, o bairro possui Movimento Comunitário, Associação de Moradores e Grupo de 3ª Idade. Além disso, há no âmbito religioso, diversas igrejas e congregações religiosas. 1.3 Características Gerais Com relação às características sócio-econômicas, as principais atividades desenvolvidas pela comunidade são autônomas, que vão desde o comércio até às de mão-de-obra (pedreiros, empregados domésticos e lavadeiras), além de funcionários públicos e militares. No entanto, a escolaridade predominante na população ainda é o primeiro grau. Daí a importância do estímulo do Movimento Comunitário através de cursos de alfabetização de adultos da 1ª à 4ª série, de Ensino Médio e de Cursos de Capacitação Profissional. Além disso, o Movimento Comunitário procura incentivar cursos de nível superior, através da realização de convênios com algumas Faculdades, dentre elas, a Faculdade Cândido Mendes. O bairro possui, também, uma creche, uma pré-escola e uma escola de 1º Grau, que atendem, satisfatoriamente, as necessidades da população. Com relação à saúde, a Unidade de Saúde (US) Andorinhas oferece os serviços básicos à população. É na US Andorinhas que a maioria das pessoas do sexo feminino recebem atendimento pré-natal e as crianças são agendadas para acompanhamento. Os Agentes de Saúde da US Andorinhas desempenham um 17

10 atendimento fundamental na área da saúde da população, inclusive com campanhas direcionadas para educação e prevenção em diversas doenças, dentre elas, a Diabetes Mellitus, DSTs e a Dengue que tanto tem afligido a população brasileira nos últimos tempos. 1.4 Histórico O nome do bairro surgiu em função da existência de uma pedra onde, freqüentemente, pousavam andorinhas. O local onde, atualmente, se situa o Bairro Andorinhas, era mangue. Embora sem nenhum planejamento, o mangue foi invadido pelos primeiros moradores do bairro e, posteriormente, com o apoio municipal, foi urbanizado. Na atualidade, com o Projeto Terra atuando nos limites da Poligonal 11, o Bairro Andorinhas recebeu uma enorme melhoria em sua urbanização. Tais melhorias vão desde a ciclovia e o calçadão, que unem a Av. Serafim Derenze, no Bairro Joana D Arc, à Ponte da Passagem, no final do Bairro Andorinhas, à notada melhoria na infra-estrutura do bairro. O Projeto Terra trouxe para o Bairro Andorinhas a eliminação das palafitas substituídas por casas de alvenaria no Bairro Joana D Arc; a construção de casas de alvenaria onde eram simples casas de madeira; a doação de Módulos Sanitários a residências que não possuíam sanitários; as Melhorias Habitacionais (telhados, rebocos externos e internos e pisos) em residências de alvenaria; a construção de galerias de esgoto, de asfaltamento de ruas e de becos e servidões; parques, praças, jardins, alambrados, quiosques etc; enfim, um aparato sem igual, voltado para a melhoria da qualidade de vida da população dos bairros da área denominada Poligonal 11 (Andorinhas, Joana D Arc e Santa Marta) e para o advento de um desenvolvimento sustentável, de fato, não só para o Bairro Andorinhas e os demais bairros da Poligonal 11, mas para o Planeta Terra, em sua totalidade. Paralelamente a isso, o Bairro Andorinhas recebeu, através das ações integradas da Prefeitura Municipal de Vitória, o apoio das Secretarias Municipais de educação, saúde, cultura, esportes, ação social, habitação, geração de rendas, turismo, segurança etc. 18

11 Dessa forma, o Bairro Andorinhas que teve seu princípio numa pedra habitat de pássaros, torna-se um bairro cada vez mais bonito e valorizado. Um bairro onde a sua população busca não só o crescimento cultural, o esportivo e o religioso, mas, também, o aumento de condições que a coloque em posição de destaque no competitivo mercado de trabalho. 19

12 CAPÍTULO II O ENFRENTAMENTO DE BARREIRAS SÓCIO-ECONÔMICAS QUE DIFICULTAM A CONCLUSÃO DO ESTUDO SUPERIOR PARA A PESSOA DE TERCEIRA IDADE A batalha da vida, nem sempre a ganha o homem mais forte ou o mais ligeiro; Porque, cedo ou tarde, o homem que ganha é aquele que acredita poder fazê-lo Claude Bernard CAPÍTULO II 20

13 O ENFRENTAMENTO DE BARREIRAS SÓCIO-ECONÔMICAS QUE DIFICULTAM A CONCLUSÃO DO ESTUDO SUPERIOR PARA A PESSOA DE TERCEIRA IDADE Num sentido amplo, estamos chamando de barreiras sócio-econômicas todos os obstáculos de ordem social e econômica, de caráter permanente ou transitório, que dificultam ou impedem ao indivíduo concretize seus sonhos de vida. De acordo com FRANKEL e KOMBLT (1989), ao ser realizado estudos enfocando o nível social do indivíduo, ficou constatado que, o que mais afeta a sociedade em geral, tornando-a vulnerável até mesmo às enfermidades, são os problemas de ordem sócio-econômicas, de habitação, de instrução, de estabilidade no emprego, etc. (tradução nossa). E essas barreiras sócioeconômicas, segundo VIEIRA (1996), são criadas pelo ser humano e é ele quem deve aboli-las. As barreiras de ordem social desestruturam o indivíduo pelas suas próprias diferenças em relação à universalidade, afetando-o física, psíquica e emocionalmente. Para VIEIRA (1996), É muito comum o idoso sentir-se uma pessoa marginal à sociedade que, geralmente está voltada para interesses diferentes do seu. A dificuldade de inserção grupal leva o idoso a se fechar em seus pares ou isolar-se socialmente evitando os conflitos que possam surgir desta diversidade de interesses e hábitos entre ele e as gerações mais novas. (p. 152) Atualmente, esta visão da sociedade de estar excluindo o idoso, está se modificando, talvez devido ao crescente aumento da população idosa no mundo, e, também, pelo reconhecimento que os idosos tem adquirido na busca dos seus direitos de cidadãos. No Brasil já existem grupos de idosos em várias cidades. Os grupos do município de Vitória, no Espírito Santo, tem sido destaque no Estado devido à repercussão que esse trabalho tem tido na vida 21

14 dos idosos, que, segundo afirma Vieira (1996), já estavam excluídos do mercado de trabalho e consequentemente da sociedade. É muito comum em nossa sociedade a não valorização do idoso, ao encerrar sua vida produtiva no mercado de trabalho. Passa a ser visto de forma ignorada até mesmo pela própria família, o que faz com que o idoso se sinta excluído por não exercer mais a atividade que exercia, passando, quase sempre, a ter uma vida sedentária, o que pode lhe causar, entre outros problemas, o estresse, devido à falta de atividade, fazendo-se necessário que haja algum local que integre este idoso sem nenhuma discriminação, onde ele possa se sentir importante. Um dos lugares em que isso vem ocorrendo com freqüência, tem sido os grupos de 3ª idade, onde os idosos se reúnem para troca de informações, além de desenvolverem atividades culturais, artísticas e de lazer, possibilitando a sua reinserção social de modo tão relevante que eles não mais se acostumam à vida de isolamento, delegada aos mesmos, anteriormente. A sociedade impõe ao indivíduo de terceira idade uma barreira preconceituosa através da discriminação com a sua atividade no mundo do capital. O progresso tecnológico traz no seu arcabouço a caixa de ferramentas da Qualidade Total e a ênfase aos paradigmas do capital pós-modernidade, através da exaltação de modelos intrínsecos à era da moderna automação e da robótica. Numa conjuntura social assim, mal há lugar para o cidadão jovem. O cidadão de terceira idade tem aí uma barreira que afeta tanto o psicossocial do indivíduo, como também, o econômico. E, para que esse cidadão tenha melhor qualidade de vida, tanto social como economicamente falando, é fundamental que a sociedade perceba que o maior problema não está na idade do indivíduo, pois envelhecer faz parte da evolução natural do ser e ocorre com todos. O problema está verdadeiramente na não compreensão social e legal de que todos são iguais perante a lei. Apesar da Constituição Federal defender a garantia dos direitos de igualdade, nem todos cidadãos recebem um tratamento igualitário em nossa sociedade, talvez porque a mesma aprendeu a valorizar as pessoas mais pelo lado material do que pelo lado humano, próprio de cada um. 14

15 A maioria das pessoas se aposenta após os 45 anos de idade. E sabemos o quanto os aposentados estão sendo massacrados pelo sistema econômico dos nossos governos. Um indivíduo de terceira idade e aposentado tem, realmente, muita dificuldade para arcar com despesas de uma Faculdade particular. A barreira econômica é, indubitavelmente, de grande negatividade financeira, o que faz com que muitas pessoas que gostariam de concluir seus estudos, não tenham disponibilidade econômica que viabilizem a realização de seus sonhos. 2.1 EXPERIÊNCIAS NA MODALIDADE DE ENSINO SEMI-PRESENCIAL PARA INDIVÍDUOS DE TERCEIRA IDADE Academia Cultural para a Terceira Idade - Oeiras Portugal Na cidade de Oeiras, Portugal, existe uma Faculdade para pessoas de terceira idade, denominada Academia Cultural para a Terceira Idade. Segundo Moura (2003), a Academia situada à Rua Mouzinho de Albuquerque, acolhe centenas de pessoas de terceira idade, promovendo a troca de conhecimentos. Conforme Moura (2003), alguns dos objetivos da Academia Cultural da Terceira Idade são atrasar o envelhecimento, através da promoção da cultura, da alegria e do bem-estar dos seus sócios. Essa faculdade já existe há 10 anos. Nela são administrados cursos diversos, dentre eles: Pintura a Óleo, Atelier de Leitura, Informática, Biologia, Genética, Italiano, Antigüidade Oriental. Os horários de funcionamento são de acordo com a disponibilidade de tempo dos alunos. Na sexta-feira, por exemplo, há menos atividades na Faculdade para que as pessoas possam viajar nos finais de semana, pois muitos dos alunos são avós. Segundo Mesquita, Presidente da Faculdade, durante as férias escolares dos netos, a Faculdade encerra seu expediente. 15

16 Mas isso não implica na existência da disciplina própria de qualquer estabelecimento de nível superior. Há limite de faltas e se esse limite for ultrapassado, o aluno deverá justificar, inclusive com atestado médico. Essa tolerância se dá pelo fato de que a Faculdade é direcionada para pessoas de terceira idade. Devido à idade, essas pessoas, às vezes não tem vontade de sair de casa. Muitas pessoas de terceira idade, ao se aposentarem, perdem a noção do tempo. Além disso, na Academia Cultural para a Terceira Idade, não existe vestibular. As únicas condições exigidas para ingresso nessa Faculdade, são ter mais de 45 anos e querer saber mais. E comenta Mesquita, os nossos alunos são pessoas com preocupações intelectuais. São pessoas que não se coadunavam com o lar. Existem outras pessoas, ou porque estão muito cansadas, ou porque os seus objetivos e competências são outras, que se sentem felizes a cuidar dos netos, a ver televisão, a ir ao cinema. Nós, não. (Mesquita, 2003, p. 61). A Academia é subsidiada pela Câmara Municipal de Oeiras. E, além das aulas teóricas, há aulas de ginástica e de dança de salão. A Presidente da Academia, é professora há 36 anos, licenciada pela Universidade de Coimbra. Com seus 65 anos de idade, Mesquita não pensa em se aposentar. Para ela, a profissão de professora não deixa ninguém envelhecer. E acrescenta: Já contactei com tantas gerações e convivi com tantas mentalidades que sinto realmente que não posso envelhecer. A Faculdade tem 420 alunos matriculados e quando é feito a rematricula o aluno ficam muito ansiosos porque são eles que escolhem as disciplinas que vão estudar. E, ainda de acordo com Mesquita (2003), apesar da Academia Cultural para a Terceira Idade oferecer uma enorme variedade e quantidade de aulas há sempre algumas que são mais procuradas pelos alunos. Devido a isso, é realizada uma seleção aonde os alunos mais antigos têm preferência para estudarem as disciplinas mais procuradas. 16

17 Mas a Academia Cultural para a Terceira Idade, além de promover cursos de teatro, realiza viagens culturais todos os anos com seus alunos á capitais da Europa. E, ao busca promover o intercâmbio com a comunidade de Oeiras, a Academia Cultural para a Terceira Idade faz com que a camada jovem se interesse socialmente pelos idosos. 17

18 CAPÍTULO III APOIO DO GRUPO DE PERTENÇA 18

19 CAPÍTULO III APOIO DO GRUPO DE PERTENÇA De acordo com GOLDSTEIN (In NERI, 1995), as pessoas não mantêm padrões de comportamento estático por toda a sua existência, mudando de comportamento para fazer frente às demandas da vida que se alteram ao longo do seu curso de vida. Para TAJFEL (1982), A experiência social de um indivíduo modificará suas atitudes, bem como, suas atitudes modificarão suas percepções sociais. Sendo assim, as atitudes podem mudar ou serem mudadas de diferentes maneiras, dependendo da informação e experiência que uma pessoa adquire, bem como da possibilidade de mudança em seu grupo de pertença. Vivemos em um meio social em permanente mudança. Muito do que acontece tem a ver com as atitudes dos grupos a que pertencemos ou não, e a mudança das relações entre grupos exige reajustamentos permanentes da nossa compreensão dos acontecimentos e constantes atribuições causais sobre o porque e o como das condições de mudança da nossa vida (Tajfel apud Baiôco, 1995, p.9) O Ser Humano por ser um Ser passível de mudança pode ser influenciado pela sociedade a qual pertence, de forma a modificar suas atitudes, bem como transformar o meio em que vive. Para melhor analisar os nossos pesquisados, foram feitas as seguintes perguntas a eles: Para os Sr (a) estudar pode propiciar o quê para uma pessoa de 3ª Idade? E se esta pessoa participa de um Grupo de 3ª Idade, o que isso pode representar para o grupo? 19

20 O que o (a) Sr. (a) acha de um curso universitário para pessoas de 3ª Idade, sem exigência de vestibular, com aulas semi-presenciais (isto é, com ida à faculdade apenas em alguns dias na semana), com disciplinas escolhidas pelo (a) Sr. (a)? Se houvesse um Curso Universitário da modalidade acima descrita, o (a) Sr. (a) gostaria de continuar os estudos cursando uma Faculdade? Para o (a) Sr. (a), uma pessoa de 3ª idade que conclui seus estudos universitários tem possibilidades de aumentar o seu re-ingresso no mercado de trabalho? Por que? Para OLIVEIRA, ao analisar-se o indivíduo Sob o ponto de vista psicossocial, podemos dizer que ao atribuir uma identidade a um indivíduo, isto é, ao se categorizar um indivíduo e lhe conferir atributos de valor, a relação interpessoal se estabelece com base em suposições a respeito do indivíduo. Passa-se a tratá-lo como se ele fosse aquilo que se supõe: seus comportamentos passam a ser decodificados como reafirmações de suposta identidade que lhe foi, a priori, atribuída. Por sua vez, o indivíduo passa a se comportar de acordo com as expectativas que os outros tem dele e com suas próprias expectativas, as quais são influenciadas pelas dos outros. (Oliveira, 1995: p.22) O Ser Humano é um Ser social. Portanto, a sua vivência está ligada à sociedade, onde encontra os seus pares. Sejam eles de um Grupo de 3ª Idade, sejam de um grupo religioso ou do grupo familiar, sejam colegas de uma Faculdade ou de trabalho. Enfim, o Ser Humano vive em uma variedade de grupos, condizentes com as diferentes situações do seu devir, De acordo com LANE (1981) A reflexão sobre a própria existência está vinculada à existência do outro, uma vez 20

21 que, eu só sou na relação com o outro no mundo. O viver em grupos permite o confronto entre as pessoas e cada um vai construindo o seu eu neste processo de interação, através da constatação de diferenças e semelhanças entre nós e os outros.(lane apud Oliveira, 1995, p.22) Na tentativa de reforçar a nossa auto-estima e a nossa auto-imagem, buscamos o aperfeiçoamento cultural muitas vezes inspirados na valorização dos aspectos positivos que visualizamos no outro. Na atual conjuntura mundial, onde o capital reina absoluto e a mais-valia é cada vez mais usurpada do indivíduo, o mesmo sente pesar sobre sua identidade uma cobrança constante de produção da sua energia, quer física, quer mental. Para Salgado (1990), A perda da juventude é um dos principais estigmas com que se avalia a velhice. Na atualidade, é comum uma grande valorização da juventude, sempre tomada como sinônimo de força, competência e produtividade.(p.158) Isso nos faz pensar que ao atingir a terceira idade, o indivíduo vê, quase sempre, ameaçada a sua cidadania, tornando-se alvo de discriminação econômica e social. A situação de maior proximidade da finalização de suas existências, podem provocar conseqüências capazes de bani-los do cotidiano de uma sociedade capitalista que considera o idoso incapacitado para o mercado de trabalho. O fantasma da marginalização e do desemprego permeia a vida do idoso que não possui recursos ou que recebe apenas um salário mínimo de aposentadoria. E, muitas vezes é esse idoso quem arca com o sustento de toda uma família, devido ao alto índice de desemprego. Observou-se que apenas a minoria dos indivíduos não considera a idade como agravante influenciável na sua vivência. Para desmistificar isso, é necessário que os indivíduos reforcem a sua autoestima, conscientizando-se de que são merecedores de uma vida plena no exercício de suas funções vitais, sejam elas relacionadas com o trabalho ou em uma faculdade para a terceira idade, ou, ainda, na sua vida em sociedade. 21

22 Para alguns teóricos, o processo de envelhecimento fisiológico tem inicio no nascimento do embrião e, quando houver conscientização de que é um fato irreversível para toda a Humanidade, a velhice será considerada como fase natural do existir de cada um e de todos nós. Uma grande parcela dos indivíduos, principalmente nos países do Terceiro Mundo, tem embutida na sua concepção de velhice, conceitos discriminatórios que nada tem a ver com a realidade do idoso. Segundo SALGADO, (1992), é costume da sociedade ressaltar apenas as perdas no velho e nunca enaltecer as conquistas, sobretudo as de ordem psico-emocional e cultural, características da maturidade adquiridas através da história de vida do indivíduo. No entanto, uma nova concepção de velhice surge na atualidade, desmistificando todo conceito tido até então a respeito do idoso. Uma Universidade para Terceira Idade deve motivar os alunos de tal modo que eles sintam, no aprendizado, algo prazeroso. Segundo MOURA (2003), os procedimentos metodológicos utilizados pela Academia Cultural da Terceira Idade, motivam seus alunos de tal forma, que eles vêm de longe, várias vezes por semana para assistirem as aulas. Para os indivíduos de terceira idade, da Cidade de Oeiras, Portugal, ir à Academia Cultural é motivo de alegria e bem-estar. E, ao mesmo tempo em que afastam a solidão, enriquecem a mente. 22

23 CAPÍTULO IV PROCEDIMENTOS É preciso livrar-se do compromisso com o êxito para poder criar. O êxito como objetivo é castrador da criatividade e pode até significar concessão à mediocridade (autor ignorado) 23

24 CAPÍTULO IV PROCEDIMENTOS Utilizamos, nessa pesquisa, de procedimentos exploratórios que, segundo SELTIZ et all: Enfatiza a descoberta de idéias e discernimentos. (In MARCONI et all, 1995, p.19). E, após delimitarmos o objeto e formularmos hipóteses sobre o que queríamos pesquisar, buscamos fundamentar os estudos exploratórios na teoria. Iniciamos, então, a pesquisa bibliográfica com a finalidade de obtermos maior quantidade de informações sobre o assunto pesquisado. Segundo Marconi e Lakatos, citado por Labuto M. L. (1998), A pesquisa bibliográfica é um apanhado geral sobre os principais trabalhos já realizados, revestidos de importância, por serem capazes de fornecer dados atuais e relevantes relacionados com o tema. O estudo da literatura pertinente pode ajudar a planificação do trabalho, evitar duplicações e certos erros, e, representa uma fonte indispensável de informações, podendo até orientar as indagações. (1995, p.24) Elegemos o Bairro de Andorinhas, Município de Vitória, Espírito Santo, para obtermos a amostra dessa pesquisa, por ser o bairro onde se situa a Faculdade Cândido Mendes, nessa cidade. Essa delimitação não implica na abrangência da pesquisa que pode ser, posteriormente, utilizada para a comunidade em geral. Para uma maior caracterização do Bairro Andorinhas, visitamos o bairro com freqüência quase diária, fato esse facilitado pelo nosso trabalho de Assistente Social do Projeto Terra, na Poligonal 11, que é composta por parte dos bairros Andorinhas, Joana D Arc e Santa Marta. Selecionamos, então, para a amostra dessa pesquisa, seis indivíduos maiores de 45 anos de idade, sem distinção de sexo, raça, religião ou etnia e que tivessem, como característica comum, nível de escolaridade similar ao 24

25 Segundo Grau completo. Essa amostra teve natureza simbólica, não representando, em absoluto, a totalidade da população do Bairro Andorinhas. Os indivíduos da amostra foram indicados por Agentes de Saúde, residentes no Bairro Andorinhas. Aplicamos o Pré-teste em um desses indivíduos, em seu próprio domicílio, e consideramos as modificações necessárias à aplicabilidade do questionário, enquanto elemento essencial para coleta de dados para realização dessa pesquisa. O questionário foi composto por perguntas fechadas para identificação do pesquisado e de perguntas abertas que pudessem referenciar o assunto que trata essa pesquisa. No Pré-teste, o questionário era composto de 14 questões fechadas e 10 questões abertas. Após realizarmos as devidas alterações no questionário, o mesmo continuou com o mesmo número de questões fechadas e questões abertas. No entanto, o enunciado de algumas foi modificado de modo a melhor atender à pesquisa. Aplicamos, então, o questionário aos outros cinco indivíduos, quatro em seus domicílios e um em seu local de trabalho. As entrevistas duraram, aproximadamente, 30 minutos. Aproveitamos a oportunidade para oferecer, ler e analisar juntamente com os indivíduos, a cópia do Capítulo V da Lei N.º , de 1º de Outubro de 2003, do Art.20 ao Art.25, do Estatuto do Idoso, que trata da Educação, Cultura, Esporte e Lazer. (anexo). Após realizarmos a pesquisa de campo, organização e análise dos dados coletados, buscamos suporte em pesquisa bibliográfica, pautada nas apostilas do Curso à Distância de Docência do Ensino Superior da Faculdade Cândido Mendes e em literatura afinizada com o assunto e o indivíduo pesquisado, a fim de obtermos um maior embasamento teórico. Utilizando de um estilo sóbrio e preciso, de modo a facilitar o raciocínio do leitor, iniciamos a redação contextual de nossa pesquisa que, conforme SEVERINO (1996), A fase de redação consiste na expressão literária do raciocínio desenvolvido no trabalho. Guiando-se pelas exigências próprias da construção lógica, o autor redige o texto, confrontando as fichas de documentação, criando o texto redacional em que vão inserir-se (p. 83) 25

26 Para maior esclarecimento dos dados pesquisados, compomos a pesquisa, em 8 Capítulos, assim denominados: Caracterização do Bairro pesquisado, O Indivíduo de 3ª Idade, Experiências na Modalidade de Ensino Semi-Presencial para Indivíduos de Terceira Idade, Barreiras Sócio-Econômicas que Dificultam a Conclusão do Estudo Superior para a Pessoa de Terceira Idade, Apoio do Grupo de Pertença, Procedimentos, Apresentação e Análise dos Dados, Resultados com os sub-itens: Considerações a Cerca do Mercado de Trabalho para Pessoas de 3ª Idade ; Conseqüências Decorrentes da Presença de Autoestima no Indivíduo de 3ª Idade ; A Pessoa de Terceira Idade e o Difícil Acesso à Universidades. Dessa forma, tentou-se obter uma resposta para a temática que se propôs estudar. 26

27 CAPÍTULO V ANÁLISE DOS DADOS E RESULTADOS ENCONTRADOS Visão sem ação não passa de um sonho. Ação sem visão é só um passatempo. Visão com ação pode mudar o mundo Joel Arthur Barker 27

28 CAPÍTULO V ANÁLISE DOS DADOS E RESULTADOS ENCONTRADOS A metodologia adotada para a análise dos dados, consistiu na Análise de Conteúdo. Segundo DIÁZ (1992), FRANCO (1986) e TRIVINOS (1987) (Apud CADE, 1996, p. 43), a análise de conteúdo pode ser compreendida como um método usado com o intuito de desvendar a mensagem contida nas comunicações, na expressão dos indivíduos. E, para BARDIN (1994), a intenção da análise de conteúdo é compreender o sentido da comunicação, desviando o olhar para uma outra significação de natureza psicológica, sociológica, política e histórica.(bardin apud Cade, 1996 p.43) Para realizar a análise de conteúdo, utilizamos categorias de modo que nos possibilitasse decodificar as falas dos indivíduos, isolando temas principais dos secundários, de modo a facilitar a compreensão do caminho traçado. As respostas das 10 questões abertas foram agrupadas em itens e sub-itens, desenvolvidos ao longo da pesquisa. Como suporte para a análise de conteúdo, utilizamos os dados contidas nas perguntas fechadas referentes à idade, escolaridade, sexo, estado civil, situação empregatícia na atualidade, renda pessoal, composição familiar, renda familiar e se o pesquisado freqüentava ou não Grupos de 3ª Idade. No decorrer da análise dos dados, à medida que se fazia necessário, era realizado um retorno ao texto de origem para constatarmos o sentido verdadeiro das falas dos indivíduos. Durante a análise, observamos que o universo das respostas ultrapassou em alguns casos o número de indivíduos devido às perguntas abertas darem margem a mais de uma resposta. A partir do momento que os dados foram trabalhados buscou-se analisá-los à luz de embasamento teórico específico para cada item e sub-item. Para reforçar os dados coletados, apresentamos recortes das respostas dos 28

29 indivíduos, expondo as nossas considerações sobre Universidade Semipresencial para Pessoas de Terceira Idade. Após análise dos dados, iniciou-se a apresentação dos resultados obtidos das falas dos entrevistados e embasados em teoria específica para o assunto pesquisado que é Universidade Semi-presencial para indivíduos de 3ª Idade. E os Resultados Encontrados estão bastante explorados em três sub-itens: Considerações a Cerca do Mercado de Trabalho para Pessoas de 3ª Idade ; Conseqüências Decorrentes da Presença de Auto-estima no Indivíduo de 3ª Idade ; A Pessoa de Terceira Idade e o Difícil Acesso a Universidades. Dentre os dados analisados, observou-se que três pesquisados eram do sexo masculino e dois do sexo feminino. No entanto, isso não interferiu nos resultados que se quis obter. Também, com relação à pergunta: O Sr (a) freqüenta o Grupo de 3ª Idade?, as respostas obtidas não interferiram nos resultados da pesquisa porque nenhum dos pesquisados pertence a Grupos de 3ª Idade. Tal fato foi constatado nessa pesquisa, ao observar-se a quase inexistência de pessoas com nível de escolaridade de 2º Grau no Grupo de 3ª Idade do Bairro Andorinhas. No entanto, ao insistir-se na pergunta: E se esta pessoa participa de um Grupo de 3ª Idade, o que acha que isso pode representar para ela perante o grupo? (Referindo-se a uma pessoa de um grupo que concluísse o nível superior em escolaridade), as respostas foram as seguintes: Seria considerada uma pessoa que estava se reintegrando à sociedade. (Pesquisado Letra A). Seria alguém que estava exercendo a cidadania. Lutando pelos direitos do idoso, integrando-se à sociedade e no nosso Brasil a terceira idade está crescendo cada vez mais e o cidadão tem que estar preparado para este momento. (Pesquisado Letra B). Representaria uma pessoa com garra, que tem vontade de vencer, iria valorizar mais a pessoa e incentivar as outras a estudar" (Pesquisado Letra C). Muitos iriam incentivar e outros iriam criticar. (Pesquisado Letra D) 29

30 Só iria trazer coisas boas. É um desafio para aprender coisas novas e estar inserido na sociedade com gente mesmo. (Pesquisado Letra E). Tais respostas apontaram para um dado que poderia originar outra pesquisa social, pois é notório o número de pessoas de terceira idade que, ou não possuem estudo regular ou não completaram o estudo do segundo grau. Talvez isso se deva ao fato de que, até mesmo entre os pesquisados, nenhum havia lido o Estatuto do Idoso e o que reza em seu Capítulo V, a respeito da Educação, Cultura, Esporte e Lazer (Veja Anexos). Os demais dados foram analisados e expostos nos sub-itens 8.1 Considerações a Cerca do Mercado de Trabalho para Pessoas de 3ª Idade, 8.2 Conseqüências Decorrentes da Presença de Auto-Estima no Indivíduo de 3ª Idade e 8.3 A Pessoa de Terceira Idade e o Difícil Acesso a Universidades. E, para expressar a finalização dos Resultados obtidos com a Análise dos Dados dessa pesquisa, colocaremos as Considerações Finais, onde tentaremos expor, de maneira clara e precisa, a pesquisa que se propôs fazer. 5.1 CONSIDERAÇÕES A CERCA DO MERCADO DE TRABALHO PARA PESSOAS DE 3ª IDADE Os avanços científicos têm propiciado o aumentando do tempo de vida das pessoas. E, com a diminuição da natalidade, o Mundo está deixando, cada vez mais de ser um mundo de jovens. Conforme RIBEIRO (1995), estamos assistindo, na atualidade, a uma revolução que está demolindo o antigo modelo de velhice. As pessoas com 60 anos ou mais, não mais aceitam ser consideradas idosas. As mudanças nessas pessoas, não são apenas em suas atitudes e maneiras de vestir. Mas, também, cuidam de sua saúde, desmistificando a associação feita, até bem pouco tempo, de que velhice era sinônimo de doença. A OMS (Organização Mundial da Saúde), conforme citação em RIBEIRO (1995), deixou de considerar saúde como ausência de doenças e sim, como um estado de bem-estar bio-psicossocial. 30

31 E em busca desse estado de bem-estar bio-psicossocial é que, segundo RIBEIRO (1995), nos últimos anos,..., uma legião de pessoas, em sua maioria mulheres, de idades variadas (entre 40 e 80 anos), resolveu desafiar os modelos existentes. De acordo com RIBEIRO, essas pessoas Saíram de suas casas, muitas vezes contra a vontade de seus familiares ou sob o olhar desconfiado dos amigos para freqüentar os bancos escolares nas Faculdades Abertas à Terceira Idade. Resolveram tornar-se agentes dos acontecimentos: arregaçaram as mangas, armaram-se de conhecimentos e foram em frente, pois se acreditaram capazes de ajudar na construção de um país melhor. (Ribeiro, 1995: p. 209). E, paralelamente ao seu bem-estar bio-psicossocial, essas pessoas, como um grande número de pessoas em faixa etária similar, estão buscando, também, o seu bem-estar econômico e de seus familiares. Na Assembléia Geral das Nações Unidas (Resolução 46/91) de 16 de Dezembro de 1991, os Princípios das Nações Unidas foram adaptados em favor das pessoas idosas. A ONU conclamou, então, que os governos incorporassem esses princípios em seus programas governamentais, na medida do possível. E, dentre esses princípios, destacamos o que diz que as pessoas idosas deverão ter oportunidade de trabalho ou ter acesso a outras possibilidades de obter rendas.(cartilha Terceira Idade A Melhor Idade, 1999). Para Maria Emília Mesquita, Presidente da Academia Cultural para a Terceira Idade, Oeiras, Portugal, e professora há 36 anos, a sua idade de 65 anos não faz com que ela se sinta uma pessoa idosa. E em pleno auge de sua carreira profissional, Mesquita afirma que já contactei com tantas gerações e convivi com tantas mentalidades que sinto realmente que não posso envelhecer.(revista Câmara Municipal de Oeiras, 2003). Talvez a garra com que a pessoa de 3ª idade demonstre ao assumir uma posição no mercado de trabalho, tenha sua gênese na vontade de não querer 31

32 realmente envelhecer. Ou, talvez, esteja também, na necessidade premente de ser, ela própria, enquanto idosa, arrimo de família. De fato, as estatísticas afirmam que, na atualidade, existem inúmeros casos que filhos, genros, noras e, até mesmo netos, que sobrevivem da aposentadoria de uma pessoa idosa. Paralelamente a isso, essas pessoas encontram entre os demais membros dos Grupos de 3ª Idade um reforço especial, psíquico, social, e, muitas vezes, cultural. Dessa forma, o indivíduo de 3ª idade ao se sentir fortalecido pelo apoio de seus pares, busca adquirir maiores conhecimentos para enfrentar o mundo do trabalho. As estatísticas apontam que um grande número de idosos, após a aposentadoria, voltam ao mercado de trabalho. O indivíduo de terceira idade vem participando ativamente do mercado trabalho como não apenas como mão de obra. Mas, também, como consumidor em potencial. É notório, na atualidade, que o mercado está buscando no indivíduo de terceira idade, um consumidor há muito tempo esquecido. Prova disto está na mídia, tanto televisiva quanto jornalística, onde bancos e organizações várias, públicas e privadas, oferecem aos aposentados, linhas especiais de crédito, sem quaisquer burocracias para liberação de empréstimos bancários, exigidas, rigorosamente, para outras clientelas. O despertar do mercado para a importância desse consumidor tem muito a ver com a valorização da mão-de-obra dessas pessoas. Isso porque, além de suas aposentadorias, os indivíduos de terceira idade ao voltarem ao mercado de trabalho têm a sua renda aumentada. Nessa pesquisa, observou-se que 80% dos pesquisados trabalham e que apenas 20% está aposentado. A renda pessoal varia de R$810,00 a R$390,00. Observou-se, também, que 80% dos pesquisados tem familiares que trabalham ou que recebem aposentadoria. Devido a isso, a renda familiar varia de R$1.300,00 a R$450,00. No entanto, 40% dos pesquisados têm familiares 32

33 desempregados ou menores, que dependem financeiramente de seus salários para o sustento vital. Isso faz com que a renda per-capta sofra uma redução. Com relação à pergunta Para o (a) Sr. (a), estudar pode propiciar o quê para uma pessoa de 3ª idade? 100% relacionou os estudos como uma necessidade financeira para todos, na atualidade. Vejamos o Gráfico N.º 01: Para o (a) Sr. (a), estudar pode propiciar o quê para uma pessoa de 3ª Idade? 100 % Melhoria Financeira Direito de Cidadania Inserção na Sociedade 0 20 Reforço Moral e Espiritual E 40%, considera que, além disso, estudar, para uma pessoa de terceira idade é um direito de cidadania, algo que insere o idoso na sociedade que tantas vezes o discrimina. Vejamos algumas dessas respostas: É um desafio para sempre, aprender coisas novas. Estar inserido na sociedade como gente, mesmo (Pesquisado letra E). Exercer a cidadania, lutar pelos direitos do idoso, integrar-se à sociedade. E, no nosso Brasil a terceira idade está crescendo cada vez mais e o cidadão tem que estar preparado para este momento. (Pesquisado letra B) E, 20% considera que estudar para uma pessoa de terceira idade é um elemento de reforço moral e espiritual. De fato, estudar para qualquer pessoa é realmente tudo isso. E, para um indivíduo que não teve a oportunidade de estudar em sua juventude, mas que ao chegar à maturidade enfrenta os bancos escolares com garra, como um 33

34 desafio a vencer, como um direito de cidadania, estudar torna-se, também, um elemento de reforço moral e espiritual, além de ser uma necessidade financeira no mercado de trabalho do mundo moderno. Daí a nossa pergunta: Para o (a) Sr. (a), uma pessoa de 3ª Idade que conclui seus estudos universitários tem possibilidades de aumentar o seu re-ingresso no mercado de trabalho? 100% dos pesquisados respondeu que sim, que abre novas chances, em geral, Porque as empresas já estão convocando os aposentados que quiserem trabalhar e o mercado de trabalho neste campo está aumentando muito. (Pesquisado letra B). Observemos o Gráfico 02: Para o (a) Sr. (a), uma pessoa de 3ª Idade que conclui seus estudos universitários tem possibilidades de aumentar o seu re-ingresso no mercado de trabalho? % Sim, aumentam as chances Depende do próprio esforço E ao buscar saber o porque desse fato, 20% respondeu que para aumentar as possibilidades de re-ingresso ao mercado de trabalho não bastaria apenas voltar a estudar e sim, que dependeria também do esforço de cada pessoa. Na atual conjuntura econômica, onde a qualidade total é exaltada, se o indivíduo estudar apenas, mas não batalhar para que os conhecimentos adquiridos sejam aproveitados na profissão escolhida, a ascensão ao mercado financeiro torna-se, na maioria das vezes, muito mais problemática. Segundo Zandonadi (2001), aqui no Espírito Santo, foi incluída uma cláusula na convenção coletiva do Sindicomerciários e da Federação do Comércio que prevê a contratação de pessoas com mais de 60 anos de idade. 34

35 Essa convenção prevê que os idosos poderão ter um contrato de trabalho de R$244,86 durante um período de 6 meses. Só então, caso o empregador queira manter o contrato, é que o salário poderá superar o valor inicial. Já, se o indivíduo completar um curso superior, ele poderá habilitar-se, inclusive para o enfrentamento de concursos públicos, onde a idade mais avançada é constitucionalmente considerada como um diferencial a favor do concursado. 5.2 CONSEQUÊNCIAS DECORRENTES DA PRESENÇA DE AUTO-ESTIMA NO INDIVÍDUO DE 3ª IDADE Os indivíduos pesquisados têm idade que varia de 45 a 53 anos. Portanto pessoas que se enquadravam na faixa etária que nos propomos estudar e que consideramos como de terceira idade para a realização dessa pesquisa. Ao entrevistar os indivíduos, perguntou-se, a princípio, por que não concluíram os estudos, cursando uma Faculdade. Em 60% dos pesquisados, a resposta foi que não haviam concluído os estudos devido a dificuldades financeira, 20% informou que o cônjuge não permitiu que concluísse seus estudos e 20% disse que não sabia determinar o porquê de não ter cursado uma Faculdade durante a sua juventude. Perguntou-se, então, se achavam que havia limite de idade para alguém continuar os estudos. Em 100% dos pesquisados, todos foram unânimes em considerar que não havia limite de idade para estudar. E ao perguntar porque achavam que não poderia haver limites de idade para estudar, 80% respondeu que nunca é tarde para aprender coisas novas. Vejamos algumas respostas: Nunca é tarde para se atualizar, para não ficar para trás.(pesquisado letra C). Quanto mais a pessoa puder aprender é melhor. (Pesquisado letra D). De fato, o cérebro humano necessita trabalhar constantemente. E para que o nosso cérebro trabalhe, o maior combustível é o conhecimento adquirido e que se adquire quotidianamente. Seja o aprendizado algo simples ou seja ele, profundamente teórico. É como disseram os pesquisados, na vida: 35

36 O aprendizado é constante, é permanente. (Pesquisado letra E). ou, O Ser Humano é um Ser construtivo. (Pesquisado letra B). De fato, aprender é algo inerente ao Ser Humano. Já, para 20% dos pesquisados, estudar depende do querer, sim. Mas depende, também, do poder financeiro. No Estatuto do Idoso, Capítulo V, Art.20, o ensino gratuito é considerado um direito do cidadão. Vejamos o que diz a Lei: O idoso tem direito à educação, cultura, esporte, lazer, diversões, espetáculos, produtos e serviços que respeitem sua peculiar condição de idade. Para que a Lei seja cumprida, há que se criar condições para isso. Uma Universidade para pessoas de terceira idade deveria ser algo que os governos apoiassem, destinassem verbas específicas que propiciassem o direito a educação tão perfeitamente legalizado pelo Estatuto do Idoso. Buscou-se saber o que os pesquisados achavam de um curso universitário para pessoas de 3ª idade, onde não houvesse exigência de vestibular, com disciplinas escolhidas por eles próprios e aulas em apenas alguns dias da semana. Em 40% dos entrevistados foi considerado muito bom, 20% achou que seria ótimo e os outros 40%, que seria algo maravilhoso. Perguntamos, então, se houvesse um Curso Universitário na modalidade acima descrita, se gostariam de continuar os estudos, cursando uma Faculdade. 100% dos entrevistados respondeu afirmativamente que gostariam de cursar uma Faculdade para terceira idade com aulas semi-presenciais e com disciplinas previamente escolhidas e sem nenhuma exigência stressante dos vestibulares. Na Academia Cultural para a Terceira Idade, na Cidade de Oeiras, Portugal, segundo Ana Rita Moura (2003), as pessoas exibem o seu cartão de alunos com orgulho, vêm de longe várias vezes por semana. Afastam a solidão, enriquecem a mente. De Segunda a Sexta-feira, o edifício da Academia,..., acolhe centenas de associados e promove a troca de conhecimentos, Moura conta, ainda, que as pequenas salas da Academia Cultural para a Terceira Idade ficavam cheias e que as turmas de alunos cruzavam-se, nos 36

37 corredores, com um sorriso nos lábios. E que, segundo a Direção da Academia, muitos dos alunos são avôs e avós. Devido a isso, as férias escolares são determinadas pelas férias escolares dos netos. Na Academia Cultural para a Terceira Idade, dentre as várias disciplinas, destacam-se as aulas de educação artística, idioma português e idiomas estrangeiros, informática, biologia, genética, historia e geografia. Também os nossos pesquisados tiveram oportunidade de responderem a pergunta: Se houvesse uma Faculdade que possibilitasse este tipo de atendimento às pessoas de 3ª Idade, que disciplinas o (a) Sr. (a) gostaria de cursar? Como resposta, os desejos de aprendizado dos pesquisados variaram da forma exposta no Gráfico 03 da pergunta nº 07: Se houvesse uma Faculdade que possibilitasse este atendimento a pessoas de Terceira Idade, que disciplinas o (a) Sr.(a) gostaria de cursar? 40 % Matemática Informática 20 % Português 60 % Humanas 80 % Inglês Francês 20 % Outras Disciplinas Observou-se que 80% dos indivíduos pesquisados demonstrou interesse em estudar línguas estrangeiras, tais como o Inglês e o Francês; 60% se interessa por disciplinas da Área de Humanas: Pedagogia, Geografia etc; 40% gostaria 37

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