Mesas Redondas (106)

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1 Mesas Redondas (106) Mesa 1 O amor e seus transtornos na clínica e na cultura (Love and its disorders in clinical practice and in culture) Coordenação: Cynthia Baldi (Universidade Federal do Rio de Janeiro, RJ/Br.) - A perversão na mulher: esse obscuro objeto do desejo (Perversion in women: this obscure object of desire) André Avelar (Universidade Federal do Rio de Janeiro, RJ/Br.) O propósito deste trabalho é fazer, a partir de um caso clínico, uma breve investigação a respeito do tema da perversão na mulher. Ao contrário do sujeito neurótico, o perverso irá negar o confronto com a castração, recorrendo à instituição do objeto fetiche. Porém, tal percurso torna-se mais problemático no tocante à mulher, pois esta não empreendeu o mesmo percurso que o homem na dialética edipiana. Freud salientou que na mulher a castração seria primária, anterior às suas aspirações edípicas, levando-a assim a não entrar em confronto a dimensão da falta a partir do signo da ameaça, como ocorre no percurso masculino. Isso nos confronta com algumas questões: se a instituição do objeto fetiche tem a função de evitar o confronto com a castração, podemos pensar em uma prática eminentemente fetichista na mulher? Ou seria mais razoável pensar em uma mulher perversa fetichizada ao invés de fetichista? São estas algumas das questões que pretendo abordar neste trabalho. - Ensaio sobre a liberdade e teoria psicanalítica (Essay on freedom and psychoanalytic theory) Bárbara Breder (Universidade Federal Fluminense, RJ/Br.) Este trabalho traz como questionamento se há possibilidade de liberdade para o sujeito aprisionado no registro simbólico pelos meandros das palavras. Tendo em vista seu nascimento cativo ao lugar simbólico ofertado pela cultura. Freud afirmou que a civilização não comporta a liberdade do homem da mesma maneira que as satisfações pulsionais são impedidas de encontrarem plena realização. E apresenta o conceito de clichê esteriotípico como um modelo a partir do qual o sujeito se orienta em sua vida amorosa, estando fadado a viver a cada nova experiência comparada as do passado. Revelando certa fixidez humana a permanecer nostálgico em relação a sua história pregressa. A determinação simbólica, aliada às identificações imaginárias, estabelecem um círculo fechado de determinação da qual não se pode libertar? Ou há algo de inovador, uma abertura de possibilidade para que pudéssemos nos posicionar de forma outra frente ao nosso passado e lançar sobre o futuro novas formas de tecer nossa história? - Excessos indizíveis a escuta do horror do incesto (Unspeakable excesses - listening about the horror of incest) Débora Dantas (Universidade Federal do Rio de Janeiro, RJ/Br.) A questão que se coloca é a de como acompanhar na clínica a ocorrência do incesto, diante do excesso e do horror gerados como conseqüências do mesmo, para toda uma família? Partindo da escuta analítica, considerarei e darei ênfase à questão do incesto, na dinâmica familiar e nos desdobramentos suscitados para, então, tê-los como base numa reflexão teórica. Em um primeiro momento, parece imperativo acompanhar o pensamento freudiano para, em seguida, considerar temas como a constituição da sexualidade, o complexo de Édipo, a interdição, a dinâmica pulsional, o sentimento de culpa, a vergonha, a reparação, o desamparo e a relação entre mãe e filha da maneira com que foram surgindo no decorrer de análise. Por fim, ponderarei sobre as impossibilidades clínicas que se fizeram transparecer diante da fragilidade manifesta fazendo uma articulação com os conceitos de sentir com de Sandor Ferenczi e de uso do objeto de Donald W. Winnicott. 1

2 Mesa 2 O amor sem fim ao amor do palhaço (From unending love to love by the clown) Coordenação: Heloisa Caldas (Universidade do estado do Rio de Janeiro, RJ/Br./EPB) - Amor sem limites: sobre a devastação na relação mãe e filha e na parceria amorosa (Love unlimited: on devastation in the relationship between mother and daughter and in romantic liaisons) Fernanda Samiko Küpper (Universidade Severino Sombra em Vassouras, RJ/Br.) A questão da devastação é sempre atual na clínica com mulheres. Sabemos com Freud e Lacan que, no momento da incidência da castração pela descoberta de uma falta articulada ao significante, uma mulher reedita seu vínculo pré-edipiano com o Outro materno e apela por um significante que a represente como mulher. Este apelo se reatualiza durante toda a sua vida e torna nebulosa a distância a ser construída e mantida entre demanda e desejo, o que problematiza a assunção do desejo como separado do desejo do Outro materno. Lacan nomeia de devastação à persistência deste endereçamento de demanda infinita de amor. Para as mulheres, amor e devastação possuem estreito parentesco porque ambos estão sob o registro do sem limite e da falta de significante no Outro. Diante desse gozo, fora da lógica fálica e da falta de um significante que defina o que é uma mulher, a devastação se apresenta como resposta no relacionamento entre mãe e filha e nas parcerias amorosas, podendo ser pensada como uma patologia do amor. - O supereu na demanda de amor insaciável das mulheres (The superego in the demand for insatiable love in women) Daniela de Oliveira Martins Mendes Daibert (Universidade Estadual do Rio de Janeiro, RJ/Br.) Para as mulheres o amor é necessário ao gozar. Elas gozam das palavras, pois não se pode amar sem falar, demandando, assim, a fala de amor. O que alimenta essa fala é a pulsão, por estrutura insaciável, que passa pela demanda. Se articularmos o supereu à gulodice da pulsão, podemos pensar sua presença na demanda infinita de amor feita pelas mulheres? Freud assinala que o supereu é mais característico nos homens do que nas mulheres. No entanto, ele não deixa de se perguntar o que quer uma mulher?, marcando que é impossível de satisfazer às mulheres. Com Lacan, podemos localizar o supereu em conexão com o gozo fálico, do lado masculino, a exigir mais do mesmo; por outro lado, o supereu também pode ser pensado na demanda infinita de amor insaciável das mulheres. Nesse caso, essa demanda se articularia ao Outro gozo, aquele que escapa e difere do gozo fálico. Tal demanda não exige o mesmo, porém mais e mais de outra coisa. Gostaríamos então de pensar essas questões em relação aos males do amor causados pelas exigências de amor das mulheres. - O amor do palhaço (Love by the clown) Ameli Gabrieli Batista Fernandes (Universidade Estadual do Rio de Janeiro,RJ/ Br.) Definido pelos estudiosos da palhaçaria como ridículo, o palhaço almeja ser amado enquanto tal. O palhaço Jango, afirma que quando [...] olha para a platéia está dizendo: olhem como sou, vocês me amam mesmo assim? O riso é a aceitação. Esta atitude não se refere à benevolência cristã ou compaixão, pois o clown não se sente melhor ou pior por ser ridículo e não o é para causar piedade. Ele já se apresenta ridículo logo, ao pedir para ser amado, aferindo de saída que o amor não cabe na idealização. O amor que visa tamponar a falta acaba por fazê-la eclodir. Ao contrário, um amor que não nega o real, é capaz de lhe fazer borda. Fazendo uso do humor e do chiste, o palhaço contorna a falta em seu impossível de ser dito e consegue assim transmiti-la. No campo do amor, isso se manifesta permitindo que este seja desfrutado como ele é, desobrigado de trazer felicidade plena através do encontro com o parceiro ideal. Este trabalho pretende exemplificar e compreender com a palhaçaria uma forma de amor capaz de dar lugar à falta. 2

3 Mesa 3 Destinos do amor: fantasia, luxúria e delírio (Destinies of love: fantasy, lust and delusion) Coordenação: Ademir Pacelli Ferreira (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, RJ/Br./AUPPF) - O delírio e o discurso amoroso (Delusions and the amorous discourse) Heloisa Caldas (Universidade do estado do Rio de Janeiro, RJ/Br./EPB) O objetivo desse trabalho é percorrer alguns pontos da teoria freudiana e lacaniana sobre o amor para demonstrar que seu caráter delirante não se restringe à psicose, podendo ser encontrado no amor da vida cotidiana. Tomamos como ponto de partida a proposta avançada do ensino de Lacan de que o delírio é um discurso e que todo mundo delira. Cabe, portanto, pensar como o delírio se apresenta na neurose. O significante primordial da fantasia poderia ser comparado ao fenômeno elementar a partir do qual se constrói o delírio das psicoses? Na experiência amorosa, a fantasia desempenha um papel nodal. O discurso amoroso surge em torno de um encontro que causa o desejo e mobiliza o gozo. Essa causa enigmática não se constata facilmente. O discurso amoroso serve para justificar a necessidade lógica do amor e dar sentido à experiência amorosa. E acaba por constituir sua essência. O amor, assim, é um discurso delirante. - O Amor em Lust, de Elfriede Jelinek, e o sintoma (Love in Elfriede Jelinek s novel Lust, and the symptom) Sonia Alberti (Universidade do estado do Rio de Janeiro, RJ/Br.) A partir de um texto desenvolvido em 2006, sobre o livro da Prêmio Nobel de Literatura de 2004, retomo o tema, agora na articulação entre sujeito e falaser, verificando de que maneira podemos aí abordar o amor. Tomarei o caso Gerti, do livro Lust, na tensão assim definida pela autora: o que vive perturba e é perturbado. Ocasião também para examinar um tipo de amor entre homem e mulher no contexto do capitalismo, tantas vezes estudado sob o prisma do que provoca novas formas de gozo, formas de amor no homem e na mulher. Por outro lado, o caso não deixa de fora as referências universais, ou seja, determinadas pelo saber inconsciente e pelos mitos da cultura. Sintoma porque amarra sujeito e falaser, ou seja, o gozo, o corpo e o inconsciente, no ato final da estória de Gerti. Do princípio do prazer ao gozo, o caso assim estudado demonstra, mais uma vez, como o artista produz, a partir do insabido, o que o psicanalista tem o dever de questionar a partir de sua experiência: do sujeito ao falaser, o amor em Lust. - Amor Repetição e Morte em Leila, de Dariush Merjui (Love, repetition and death in Dariush Merjui s film Leila ) Doris Rinaldi (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, RJ/Br./AUPPF) Tomando como referência a trajetória de um personagem feminino, masgistralmente traçada por Dariush Merjui no filme Leila (Irã, 1997), pretende-se discutir os destinos do amor entre um homem e uma mulher, em uma sociedade fortemente marcada pela tradição. Entre a Mãe e a mulher, Leila nos ensina sobre o investimento feminino no amor, o gozo masoquista e a devastação, na repetição que confina com a morte. Nos fracassos que permeiam o filme se evidencia a impossibilidade de satisfazer o desejo da Mãe, que não é outra coisa do que o impossível da relação sexual, que o amor busca encobrir. Mesa 4 Gêmeos: um amor duplicado? (Twins: duplicated love?) Coordenação: Adela Judith Stoppel de Gueller (Instituto Sedes Sapientiae, SP/Br., Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, SP/Br./AUPPF) 3

4 - Do imperativo da reprodução assistida à contingencia da humanização (From assisted reproduction to the contingency of humanization) Ada Morgenstern (Instituto Sedes Sapientiae, SP/Br.) Como bem mostram os mitos, a gemelaridade é um tema recorrentemente referido na cultura, fazendo alusão a uma certa estranheza, a um só tempo, apontando para o fascínio e para o horror. Curiosamente, como produto da contemporaneidade (pósmoderna?) a proporção de nascimentos múltiplos tem crescido geometricamente, o que de uma certa forma, vai retirando a gemelaridade desse lugar de exceção. Sabemos que esse fenômeno vem ocorrendo não por questões genéticas e, sim, pela intervenção de técnicas reprodutivas da Medicina. Se costumamos pensar como sendo da ordem do natural as múltiplas crias dos animais, cabe indagar, nesses nossos tempos, sobre as condições de possibilidade do processo de sujetivação, quando nasce mais de um filhote humano. Pais fascinados e horrorizados com a gemelaridade, não raramente se encontram em significativas dificuldades para exercerem suas funções. A introdução no seio das famílias dessa problemática exige questionamentos a partir de procedimentos médicos que naturalizam o complexo processo de humanização do bebê. Além da gestação múltipla, esses recursos da Medicina têm sido buscados por novas configurações familiares, produtoras de subjetivações a serem ainda estudadas pela Psicanálise. Em muitos casos, quando as gestações dispensam o papel do homem como genitor, o médico ou a Medicina são referidos como tal. Que conseqüências isso pode gerar? E será nesse território do intra e do intersubjetivo que a Psicanálise poderá oferecer suas fecundas contribuições. Contribuições para a não-natural, mas contingente humanização. - Maternidade múltipla: um subestimado excesso (Multiple maternity: underestimated excess) Adela Judith Stoppel de Gueller (Instituto Sedes Sapientiae, SP/Br., Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, SP/Br./AUPPF) Se todo parto é da ordem do trauma a ser metabolizado, a proposta é pensar na particularidade da resposta materna quando, na impossibilidade de gestar, a mulher concorda em se submeter a procedimentos médicos que ultrapassam seu desejo de filho, ofertando-lhe a alta probabilidade de gestação múltipla. Sabemos que o instinto materno é um mito e que em seu lugar é necessário todo um árduo e demorado processamento psíquico para que a relação mãe-bebê se estabeleça de modo satisfatório. Algo de um excesso adicional se impõe para a mãe numa gestação múltipla, para além do trabalho de elaboração psíquica inerente a toda maternidade. O que é necessário para que uma mãe possa subjetivar mais de um filho simultaneamente? O que requer dela para erotizar mais de um corpo? Se a mãe precisa acreditar, nos primeiros tempos da relação mãe-bebê, que o filho é o falo que lhe falta, o que acontece quando esse lugar tenta ser ocupado por mais de um? Será que, na filiação gemelar, a necessária ilusão de unidade narcísica que se produz entre a mãe e o filho é deslocada para a relação entre os irmãos? Se esse for o caso, qual a particularidade da função paterna? Haveria uma premência e prevalência de sua incidência sobre a relação incestuosa entre os irmãos do que sobre a relação mãe-filhos? - Do trabalho suplementar na constituição subjetiva dos irmãos gêmeos (Supplementary work in the subjective constitution of twins) Marcia Porto Ferreira (Instituto Sedes Sapientiae, SP/Br.) Como conseqüência dos avanços da medicina da reprodução recebemos, cada vez com maior freqüência, pacientes que tem irmãos gêmeos. Ainda que as queixas e os sintomas sejam próprios da idade e similares a qualquer sujeito, deparamo-nos com características particulares tais como uma circulação dos sintomas entre eles ou a retirada de um em benefício do outro. (Freud, 1920). O complexo fraterno passa, então, a ter um relevo particular: quais as dificuldades ao longo do processo de subjetivação que os irmãos gêmeos encontram para separar-se desse outro tão próximo? O que acontece quando se convive com um espelho vivente? A constituição do narcisismo e do duplo; a quebra da gemelaridade especular; o trabalho para conquistar uma singularização parecem requerer um trabalho suplementar na constituição subjetiva dos gêmeos. E se falta esse suplemento instala-se o ódio mortífero, a anulação de um dos irmãos ou o aprisionamento numa língua privada (uma versão da língua materna mais desprovida da instancia paterna). Nossa proposta nesse trabalho é refletir sobre esse labor suplementar, que pode fazer necessária a intervenção de um psicanalista. 4

5 Mesa 5 Psicopatologia Fundamental, Psicanálise e Medicina: paixão [im]possível? (Fundamental psychopathology, psychoanalysis and medicine: passion (im)possible?) Coordenação: Ana Cleide Guedes Moreira (Universidade Federal do Pará, PA/Br./AUPPF) - Porque as brasileiras não dizem não a AIDS? Pourquoi pas? (Why don't Brazilian women say "no" to Aids? Pourquoi pas?) Ana Cleide Guedes Moreira (Universidade Federal do Pará, PA/Br./AUPPF), Paulo de Tarso Ribeiro de Oliveira (Universidade Federal do Pará, PA/Br.), Helena Melo Dias (Universidade do estado do Pará, PA/Br.) e Jacqueline Orengel Dias (Instituto Sedes Sapientiae, SP/Br.) Este estudo realiza uma análise comparativa entre a contaminação por HIV-aids no Brasil, que não cessa de crescer desde o início da epidemia e a estabilização da curva epidemiológica na França, colocando em relevo os modos de subjetivação feminina nos dois países frente à misoginia. - Tratamento Psicológico hospitalar: intensidades afetivas e contratransferência (Psychological hospital treatment: emotional intensities and countertransference) Helena Melo Dias (Universidade do estado do Pará, PA/Br.) e Cassandra Regina de Amorim Pamplona (Universidade Federal do Pará, PA/Br.) Ao nos inserirmos no campo que investiga e problematiza a inserção da Psicanálise em instituição hospitalar, vimos observando a questão do excesso de afeto, tanto no sentido de um intenso sentimento de desamparo, no qual o paciente se abandona no estado de depressão, e aí é indispensável a presença segura de um cuidador para que o paciente possa viver sua depressividade e encontrar forças internas movidas por Eros- pulsão de ligação; quanto de um profundo sentimento de ódio e revolta, no qual o paciente desloca seu movimento pulsional destruitivo aos cuidadores profissionais, médico, psicólogo, enfermeiro, e outros, e não adere ao tratamento médico e psicológico. Essas variações afetivas e seus efeitos contratransferenciais é que desejamos investigar neste trabalho. Para tanto, nos fundamentamos na metapsicologia freudiana do psiquismo e sua dinâmica pulsional-afetiva articulada ao caso clínico de uma paciente, portadora de HIV-aids, interna na enfermaria de um hospital público. - Risco e vulnerabilidade: um olhar psicopatológico (Risk and vulnerability: a psychopathological look) Vívian Anijar Fragoso Rei (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, SP/Br.) A temática do risco e da vulnerabilidade é amplamente abordada na atualidade nas ciências sociais, onde se avalia as diversas situações e os fatores os quais oferecem ameaça à integridade humana. Apesar da relevância destas proposições, questões psíquicas envolvidas em tais situações são pouco consideradas. Diante disto, este trabalho tem por objetivo abordar a vulnerabilidade dentro de uma perspectiva psicopatológica, a qual é caracterizada pela impossibilidade de se defender e proteger frente à ação virulenta interna e externa. Para tanto, fundamentando-se na psicopatologia fundamental, será utilizado um caso clínico atendido em uma instituição hospitalar, o qual narra o percurso clínico de Sara, diagnosticada como HIV positivo e que, afetada pelo excesso, manifestou-se vulnerável frente a este. Neste relato destaca-se, também, a vulnerabilidade psíquica que afeta o clínico o qual se dispõe a escutar o pathos do paciente. Mesa 6 Algumas propostas a partir da psicanálise para o trabalho em equipe na atenção psicossocial (Proposals based on psychoanalysis for teamwork in psychosocial treatment) Coordenação: Ana Cristina Costa de Figueiredo (Instituto de Psiquiatria IPUB da Universidade Federal do Rio de Janeiro, RJ/Br./AUPPF) 5

6 - Escrita, leitura e contação de histórias como construção de si: um dispositivo para o trabalho em equipe (Writing, reading and storytelling as a construction of oneself: a possibility for teamwork) Analice de Lima Palombini (Universidade Federal do Rio Grande do Sul,/Br./APPOA) e Sandra Djambolakjan Torossian (Universidade Federal do Rio Grande do Sul,/Br./APPOA.) A partir dos efeitos produzidos em uma oficina de escrita com trabalhadores de residenciais terapêuticos onde a escrita da experiência e sua leitura compartilhada se realizam como construção coletiva de si operando transformações no modo de exercício das práticas de cuidado, propomos estender seu uso na relação com as equipes dos Centros de Atenção Psicossocial, como dispositivo que pode ser incluído no âmbito da supervisão clínicoinstitucional e de outras experiências de educação permanente, favorecendo a construção do caso mediante o compartilhamento da palavra escrita, a circulação de textos e o sucessivo deslocamento dos lugares de saber. - Supervisão e conversação: ensaios para uma nova prática (Supervision and conversation: essays for new forms of supervision of teams) Juliana Meirelles Motta (Instituto Metodista Izabela Hendrix, MG/Br., Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, MG/Br. e Centro Universitário Newton Paiva, MG/Br.) A supervisão na rede de saúde mental enfrenta uma realidade específica, e deve articular o discurso clínico com as orientações da política de saúde mental como humanização e acolhimento, conceito de rede, hierarquização de atendimentos e matriciamento. Seguindo a orientação psicanalítica, o supervisor deve articular os significantes da clínica, como transferência, sintoma, diagnóstico e projeto terapêutico com os conceitos que fundamentam a política do SUS. Nos impasses advindos de um trabalho tão contemporâneo e novo em seu método, como as supervisões nas equipes de Saúde, a proposta das Conversações com grupo de trabalho em questão, parece produzir efeitos de mudanças de posições dentro da equipe. Nas conversações, privilegia-se a enunciação coletivizada pelos participantes sendo capaz de produzir um efeito de saber. O efeito de sua instalação é "a mobilização de uma posição sintomática" que libera um agir na direção de uma abertura para o novo, para uma idéia original ou para algo diferente, destituindo assim as identificações imaginárias e paralisadoras do processo de trabalho clínico da equipe. - Tecendo a Rede na cidade (Establishing a local network in mental health) Zaeth Aguiar do Nascimento (Universidade Federal da Paraíba, PB/Br.), Ana Carolina Amorim da Paz (CAPS I e CAPSad de Cabedelo, PB/Br.) e Vaneide Delmiro Neves (CAPS I Cabedelo, PB/Br.) A experiência de estágio, pesquisa e extensão com alunos de psicologia da UFPB tem possibilitado a reflexão a respeito do lugar da psicanálise nos serviços substitutivos numa dimensão extra-muros. Entre as modalidades de intervenção clínica no CAPS estão as oficinas terapêuticas. O trabalho subjetivo produzido nelas possibilita dar significado àquilo que o sujeito não consegue simbolizar psiquicamente, permitindo então a elaboração e o exercício do laço social, aspectos refratários na psicose. Essa estratégia tem conseguido reduzir significativamente as internações hospitalares, porém tem colocado uma série de desafios na medida em que não se constitui num trabalho isolado, mas em equipes multiprofissionais. O trabalho que se iniciou no espaço do CAPS I em Cabedelo/PB tem extrapolado os muros do serviço e as oficinas passaram a incluir parceiros da comunidade, buscando articular a rede de saúde mental na intersetorialidade. Apresentaremos alguns momentos deste trabalho desenvolvido com a psicanálise na cidade. Mesa 7 O amor e suas versões (Love and its versions) Coordenação: Ana Maria Rudge (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, RJ/Br./AUPPF) - As surpresas do amor. Relato de um caso clínico 6

7 (Surprises about "love." The account of a clinical case) Eliane Mendlowicz (Sociedade de Psicanálise Iracy Doyle, RJ/Br.) Cláudio rompe uma relação apaixonada com Maria, dado o sofrimento que ela estava lhe infligindo. Apesar de amá-lo, ela não suportava o fato de Claudio ser 24 anos mais velho e não querer constituir família. Logo após, inicia uma relação com Rafael, sujeito famoso, e engravida em 3 meses; uma gravidez carregada de ambivalência e angústia. Um casamento de cinco anos com Rafael, atravessado por insatisfações sexuais, afetivas e intelectuais. Presa muito mais à imagem do casamento, de seu triunfo, do que propriamente à relação de amor em si, Maria luta para que a família se mantenha constituída, realizando seu sonho de dar a filha o que nunca teve, ou seja, um lar seguro e estável, abrigado pelo amor tranqüilo. A separação se torna iminente; Maria, sentindo-se sempre pouco amada, pouco desejada, acaba por concordar em se separar provisoriamente. Sozinha, recupera seu bem estar e fica feliz com a decisão tomada. Atropelada pelo marido que decide pela separação definitiva tem um colapso psíquico, desenvolvendo uma angústia excessiva que atribui à perda do amor do marido. Dilaceração da imagem, eclosão do mais além, intrusão do gozo masoquista que rouba a cena e fulgura como personagem principal da trama. - O Amor na Cavalaria (Love in the Christian cavalry) José Durval C Cavalcanti de Albuquerque (Sociedade de Psicanálise Iracy Doyle, RJ/Br.) D. Quixote, O Cavaleiro de Triste Figura, enlouquecido pela leitura dos romances da Cavalaria Cristã, parte para suas aventuras a serem ofertadas à sua Dama, Doña Dulcinea Del Toboso. Campo poético onde o objeto feminino é esvaziado de toda a sua substância real, tal qual a Beatriz, paixão de Dante por ele levada à equivalência de uma filosofia e até mesmo de uma ciência sagrada. Por outro lado, segundo Denis de Rougemon, o herói cervantino se torna grotesco por querer imitar uma ascese na qual não estava iniciado e por querer sugerir uma via que a desgraça do tempo tornara totalmente impraticável. O melhor partido, com o triunfo da Igreja romana, seria o do realismo de Sancho Pança. Deste modo, Cervantes estaria ridicularizando a literatura cortês com a Dulcinéia do manchego. O amor cortês e seus poetas surgem por volta do sec. XI, até o primeiro terço do sec.xiii. O prólogo do Primeiro Livro sobre o inusitado cavaleiro surge em 1600 e seu epílogo em O autor pretende, partindo da leitura de D. Quixote de La Mancha de Miguel de Cervantes, abordar o amor cortês estabelecendo um paralelo com a assertiva de que este, tal com era vivido na Idade Media, é continuado no ocaso da Contra Reforma permanecendo na modernidade. - Voz do amor (The voice of love) Ana Maria Rudge (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, RJ/Br./AUPPF) O que o amor deve à constituição pulsional é o tema dessa apresentação. Sabe-se que Lacan valorizou dois novos objetos pulsionais, o olhar e a voz. Por um lado, a ligação desses objetos causa de desejo com o amor é clara. A expressão tão batida "amor à primeira vista", por exemplo, já insinua o vínculo do amor com o olhar. Qual o lugar da voz, como objeto da pulsão invocante, no amor? Freud advertiu sobre a complexidade da relação entre o amor e a sexualidade, mostrando que o amor não se equipara ao campo das pulsões, visto que não compartilha da vocação destas para a parcialidade: O caso do amor e do ódio adquire um interesse particular pela circunstância de que é refratário a se ordenar em nossa exposição das pulsões. O vínculo mais íntimo une esses dois sentimentos opostos com a vida sexual; não podemos duvidar disso, mas naturalmente relutamos em conceber o amar como se fosse uma pulsão parcial da sexualidade entre outras. Preferiríamos discernir no amar a expressão da aspiração sexual como um todo. A voz tem tanto um lugar na constituição do eu, como um "espelho acústico", como se furta a nele se apresentar, em sua face de objeto pulsional. Mesa 8 A inclusão em Saúde Mental: singularidade, desinserção e relação sujeito-outro como novos operadores balizados pela psicanálise (Inclusion and mental health: singularity, de-insertion and the relationship between the subject and the Other as new operators based on psychoanalysis) 7

8 Coordenação: Andréa Máris Campos Guerra (Universidade Federal de Minas Gerais, MG/Br.) - Doente mental e sociedade: da impotência à impossibilidade (The mental patient and society: from impotence to impossibility) Oswaldo França Neto (Universidade Federal de Minas Gerais, MG/Br.) Para a psicanálise, o resto (objeto a) é aquilo que causa, que coloca em movimento. E ele faz isso por forçar a apresentação, no universal aceito, de uma hiância fundamental, algo que coloca em xeque as referências básicas deste universal, exigindo assim sua (re)construção. Na civilização capitalista-democrática ocidental nós também encontramos nossos restos. Seriam os excluídos, significante que se tornou elemento importante em qualquer discussão que tenha conotações humanitárias. Busca-se sempre, nessas discussões, re-incluir este resto, absorvendo-o na rede do sistema. Essa forma de lidar com o resto retira dele toda sua força. Ao tratá-lo como impotência e não como impossibilidade, o resto é esvaziado de seu valor de verdade. Entendendo os doentes mentais como um dos restos de nossa civilização, este texto visa problematizar os termos inclusão e exclusão, e algumas conseqüências de seus usos. - A inclusão social pensada a partir da desinserção: uma contribuição da psicanálise ao campo da Saúde Mental (Social inclusion from the perspective of de-insertion: a contribution by psychoanalysis to the field of mental health) Andréa Máris Campos Guerra (Universidade Federal de Minas Gerais, MG/Br.) Contrapondo a desinserção à inclusão social, pensaremos os modos de habitação de portadores de transtornos mentais graves no campo da Saúde Mental, a partir de casos clínicos. Com a psicanálise, aprendemos que cada sujeito é único e inominável, e o modo de se alienar de sua exceção constitutiva é se arranjar com o Outro, partilhando sentidos que o singularizam no universo simbólico oferecido pelo discurso social que o constitui. Assim, quando algo do singular - do que não se inclui ou se insere - se fixa, o sujeito encontra seu modo de funcionamento no laço social. O sujeito encontra um modo de saber fazer com sua ausência no Outro - seu sintoma -, e ali constrói sua morada simbólica. A inclusão, nesse sentido, teria que considerar o ponto de exceção que inclui o sujeito na ordem das coisas o que não se confunde nem com desadaptação, nem com exclusão. Ao contrário, sua desinserção se constitui como solução - dimensão positiva, que causa trabalho de enlaçamento a partir da exceção que singulariza seu modo de estar no mundo. - No litoral entre o tratamento e o cuidado leigo: sobre a inclusão do sujeito no encaminhamento para os Serviços Residenciais terapêuticos (On the borderline between treatment and lay care: on the inclusion of the subject when referring a patient to a therapeutic residence) Ana Paola Frare (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, RJ/Br.) A partir de uma política de cuidado em saúde mental que faz a aposta da vida na cidade como estatuto imprescindível para o tratamento, o Serviço Residencial Terapêutico tem se consistido como estratégia fundamental da Reforma Psiquiátrica Brasileira. Localizado no litoral entre o tratamento e o cuidado leigo termos a serem interrogados convoca a questionar suas diferentes potencialidades e concepções. Dentre as principais questões circunscrevemos a avaliação de pacientes para ingresso nos serviços estabelecidos. Como promover a inclusão no serviço, ou calcular as horas e as especificidades do cuidado que um sujeito precisa para morar em uma residência terapêutica? Que implicações podemos recolher do uso de conceitos como autonomia e territorialidade que em geral são utilizados na determinação da moradia do paciente de longa internação? A partir de vinhetas de casos, pretendemos indicar outros pontos de balizamento para tal avaliação, considerando a relação sujeito/outro como ponto de partida para pensar as estratégias de cuidado no serviço residencial. Mesa 9 Do amor conjugal ao amor parental: reflexões sobre o sofrimento psíquico (From conjugal love to parental love: reflections on mental suffering) 8

9 Coordenação: Andrea Seixas Magalhães (Pontifícia Universidade católica do Rio de Janeiro, RJ/Br.) - Atravessamentos do amor na conjugalidade e na parentalidade (Encounters between love in conjugality and love in parenthood) Andrea Seixas Magalhães (Pontifícia Universidade católica do Rio de Janeiro, RJ/Br.) e Terezinha Féres-Carneiro (Pontifícia Universidade católica do Rio de Janeiro, RJ/Br./AUPPF) A partir da modernidade, a conjugalidade fundamenta-se na tendência à privatização das relações e na idealização do sentimento amoroso. A conjugalidade surge do entrelaçamento de dois eus, de duas subjetividades, na direção de um terceiro eu, de uma identidade compartilhada, que envolve o passado geracional dos parceiros e a projeção do futuro familiar, expressos no projeto conjugal. A parentalidade é uma dimensão central do projeto conjugal. Na clínica com famílias, o analista deve intervir na direção da demarcação das dimensões da conjugalidade e da parentalidade, com o objetivo de promover a circulação dos afetos, favorecendo as trocas intersubjetivas na família. Neste trabalho, são discutidos os atravessamentos do amor na conjugalidade e na parentalidade, a partir de resultados preliminares de uma pesquisa que está sendo realizada com famílias atendidas no Serviço de Psicologia Aplicada da Universidade Católica do Rio de Janeiro. - Os desatinos da paixão (Folly in falling in love) Lidia Levy (Pontifícia Universidade católica do Rio de Janeiro, RJ/Br.) e Isabel Cristina Gomes (Universidade de São Paulo, SP/Br.) Neste trabalho, partimos da constatação freudiana de que a angústia experimentada pela mulher está referida à perda do amor por parte do objeto. O medo de ser abandonada pelo parceiro e perder seu amor tem sido considerado por alguns autores como uma invariável na vida psíquica feminina. Para a mulher é preciso ser amada para ser, de modo que a saída pela vertente do ter não lhe oferece uma solução e o abandono pode ser vivenciado como uma devastação. Pretendemos abordar situações nas quais ocorre um enlouquecimento da mulher diante da perda do amor, com reflexos tanto na relação com o parceiro quanto no lugar que ocupa como mãe. Com este objetivo, utilizamos um fragmento clínico e o relato de um crime passional retirado da mídia para reflexão. Em seu enlouquecimento, a mulher exige do parceiro provas de amor que transcendem os limites da lei. Recorremos a contribuições de psicanalistas que utilizam o mito de Medeia como designativo da verdadeira mulher, ou seja, aquela que coloca o amor de um homem acima da maternidade. - O complexo da mãe morta: sobre os transtornos do amor na relação mãe-bebê (The dead mother complex: on disorders of love in the mother-baby relationship) Issa Damous (Pontifícia Universidade católica do Rio de Janeiro, RJ/Br.) Tendo como referência Winnicott e André Green, propomos uma articulação das falhas dos cuidados ambientais fundamentalmente ao complexo da mãe morta enquanto metáfora de um desinvestimento central amoroso por parte da mãe caracterizado pelo abandono, ausência ou simplesmente distância afetiva. Neste percurso, discutimos as dificuldades na experiência de diferenciação do objeto primário estruturante do psiquismo, o luto inelaborável ou branco que se configura nesse contexto e as defesas suscitadas. Clinicamente, pensamos sobretudo nas patologias narcísicas que, embora muitas vezes não apresentem imediatamente uma sintomatologia depressiva clara, trazem a depressão como uma configuração central, geralmente submersa em meio a outros sintomas. Mesa 10 Olhares sobre a perversão (Looking at perversion) Coordenação: Betty Bernardo Fuks (Universidade Veiga de Almeida, RJ/Br./AUPPF) - O desmentido na cultura e sobre como ler um crime (Denial in culture and how to read a "crime ") 9

10 Betty Bernardo Fuks (Universidade Veiga de Almeida, RJ/Br./AUPPF) O mecanismo do desmentido é um dos processos que coloca em jogo a problemática da castração. Em 1927 Freud o descreve a partir do feiticismo. Entre observa, a partir da leitura do Êxodo e da literatura histórica especializada, o modo como a Verleignung opera na cultura. O trabalho freudiano a cerca do desmentido da origem egípcia de Moisés, exige desvendá-lo de modo detetivesco, para tratar a questão da identidade cultural como uma estratificação de identificações. - Perversão e impessoalidade (Perversion and impersonality) Francisco Martins (Universidade de Brasília, DF/Br.) A violência não se faz somente em atuações que rompem a estrutura material do ser do outro, quebrando regras ou irrompendo a agressividade sem mediação. Ela se efetiva na linguagem como principal meio e instrumento. A violência pode vir acompanhada do tratamento do outro no impessoal. O pronome ele é a marca do impessoal. Do impessoal e com os concomitantes dêiticos o sujeito pode ser degradado a alguém, alguns dentre nós, até o ninguém. Mais além do ninguém encontram-se as figuras de não pessoa, um ente pertencente a natureza, indo para o insensível que se apresenta na forma do termo ' é um nada', inexiste como ser. Ato continuado, articulamos criticamente a esta designação deformatória da realidade com cenas da vida brasileira moderna, no caso, a morte do índio Galdino. Evidencia-se que a posição de ser tomado como ninguém, quiçá um ente foi o desencadeador da brincadeira grosseira delituosa. A violência neste caso é analisada a partir das teses freudianas onde a linguagem está sempre presente como elemento estruturante da situação e também como veiculo e meio onde a violência se faz. - Questões clínicas atuais sobre a perversão feminina (Current clinical questions on perversion in women) Denise Teles Freire Campos (Pontifícia Universidade Católica de Goiás, GO/Br.) O presente trabalho tem por objetivo discutir a perversão feminina no campo da psicanálise e sua relação com o laço social face às transformações da cultura na atualidade, sobretudo a feminização do corpo social e o declínio da função paterna. O texto retoma os fundamentos da perversão como modo de economia do desejo, a formulação freudiana do fetiche como o substituto do falo materno e a permanência de uma identificação primária com a mãe, para afirmar a existência de uma vertente perversa em mulheres. A idéia de um mundo perverso é uma metáfora má para o entendimento da perversão feminina. O que nos propomos a discutir é como, para algumas mulheres, no processo de identificação (Freud, 1905; 1921), a lógica da identificação como internalização dos atributos do objeto, então na dialética do Ser o objeto, é trocada pela lógica do Ter o objeto (lógica da identificação como posse do objeto e tentativa de permanecer na posição de falo do Outro), instalando a voracidade do gozo neste Ter. Mesa 11 Aquém do amor materno: limites e derivações (Short of maternal love: limits and derivations) Coordenação: Cassandra Pereira França (Universidade Federal de Minas Gerais, MG/Br./AUPPF) - Identificação masculina (Male identification) Cristiana de Amorim Mazzini (Universidade Federal de Minas Gerais, MG/Br.) O percurso teórico a ser desenvolvido no trabalho Identificação masculina será iniciado com uma breve exposição sobre a constituição do eu e sua estreita relação com os fenômenos identificatórios e o recalcamento originário. Após esse momento, serão enfocadas tanto a identificação de gênero quanto a escolha de objeto e suas respectivas articulações com o recalcamento secundário. Essa exposição servirá de embasamento para a discussão sobre o caminho percorrido pelos meninos para se tornarem masculinos e a maior dificuldade 10

11 que eles apresentam, quando comparados às meninas, para adquirirem uma identidade de gênero masculina. A identificação feminina primária, à qual homens e mulheres estão submetidos durante os primórdios do desenvolvimento, será o fio condutor que alinhavará toda a discussão. - A construção da feminilidade em adolescentes vítimas de abuso sexual (The construction of femininity in adolescent girls, victims of sexual abuse) Izabela Dias Velludo Roman (Universidade Federal de Minas Gerais, MG/Br.) A adolescência se apresenta como um período marcado por intensas questões advindas, principalmente, da incidência da maturação genital e, consequentemente, da possibilidade de manutenção de relações sexuais características da sexualidade adulta. A adolescente, diante da exigência de construção de sua identidade sexual, precisa lidar com a feminilidade e seus aspectos: o sexo-buraco, a penetração, a passividade. Este trabalho tem como objetivo descrever os impasses vividos pelas adolescentes vítimas de abuso sexual no processo de construção de sua feminilidade. Com base no reconhecimento da identificação feminina primária, acreditamos que o abuso sexual sofrido na infância funciona como um entrave no processo de recalcamento secundário dessa feminilidade originária, tornando a luta que a menina precisa travar contra a angústia de penetração na adolescência, ainda mais trabalhosa e problemática. - Perversão, sedução, identificação: efeitos dos primeiros cuidados parentais no psiquismo do bebê (Perversion, seduction, identification: effects of early parental care on a baby's mental apparatus) Larissa Bacelete (Universidade Federal de Minas Gerais, MG/Br.) A assimetria fundamental existente entre adulto/criança é algo que produz efeitos progressivos no psiquismo do infante, como nos ensina Laplanche. A tradução dos conteúdos provenientes do outro será, para a criança, fonte de pulsão, impelindo-a ao desdobramento de tais mensagens enigmáticas a fim de construir seu próprio romance familiar. Se estas mensagens são portadoras de fantasias sexuais inconscientes dos pais, também são dotadas da capacidade de definir traços identificatórios que servirão de modelo ao sujeito em constituição. Mas como pensar os casos nos quais este processo de designação da criança pelo adulto parece fracassar, deixando uma lacuna na instância egóica? É a partir desta perspectiva que abordaremos o tema da perversão, partilhando da leitura de McDougall, segundo a qual a perversão deve ser entendida como um pilar que sustenta o Eu, aliviando-o da angústia de desmoronamento. Para tanto, voltaremos nossa atenção para as primeiras relações entre adulto e bebê, para a administração dos cuidados básicos com este ser em constituição, objetivando entender de que maneira se delineia, desde então, um caminho de sexualidade compulsiva e perversa para a criança. Mesa 12 Abuso sexual: as veredas do trauma no psiquismo infantil (Sexual abuse: paths of trauma in a child's mental apparatus) Coordenação: Cassandra Pereira França (Universidade Federal de Minas Gerais, MG/Br./AUPPF) - Algumas contribuições de Laplanche e de sua teoria da sedução generalizada para o debate sobre a violência sexual infantil (Contributions by Laplanche and his theory of generalized seduction to the debate on sexual violence toward children) Diego Henrique Rodrigues (Universidade Federal de Minas Gerais, MG/Br.) O atendimento psicanalítico a crianças vítimas de abuso sexual em uma instituição coloca o psicanalista diante das mesmas controvérsias que marcaram a ascensão e a queda da teoria da sedução apresentada por Freud no início de sua obra. Essas controvérsias são retomadas pelas elaborações de Laplanche que avançam no sentido de uma sedução restrita para uma sedução generalizada. Ao destacar o movimento presente na teoria de Freud e que passa da sedução infantil à sedução precoce e à sedução originária, este autor pensa o trauma e a sedução em três registros complementares: temporal, tópico e tradutivo. 11

12 Suas idéias, além de quebrarem a dicotomia entre fantasia ou acontecimento externo e entre realidade psíquica ou realidade material, levantam novas hipóteses sobre o papel do trauma e suas repercussões no psiquismo. Essas contribuições são analisadas a partir de uma discussão sobre as dificuldades impostas ao psicanalista no trabalho institucional com casos de violência sexual infanto-juvenil. - Repulsa ao Sexo: quando o excesso pulsional impede a operação de recalcamento (Repulsion toward sex: when overly strong drives block the operation of repression) Camila Ferreira Sales (Universidade Federal de Minas Gerais, MG/Br.) e Paula Paim de Almeida Lana (Universidade Federal de Minas Gerais, MG/Br.) O trabalho em questão visa investigar as relações existentes entre o aspecto traumático do abuso sexual e a constituição psíquica psicótica. Para tanto, utilizaremos as concepções freudianas acerca da psicose e as idéias de Jean Laplanche sobre a sedução generalizada. Partiremos da hipótese de que o excesso de excitação proveniente do abuso sexual em crianças de tenra idade transborda as possibilidades do trabalho de tradução. Em algumas crianças, a instância egóica - ainda em formação - fica incapaz de conter esse excesso pulsional pela via do recalcamento. As falhas nesse processo de defesa irão gerar impossibilidades de simbolização, como podemos ver em vários quadros clínicos de funcionamento psicótico e na ilustração cinematográfica dirigida por Roman Polanski e protagonizada por Catherine Deneuve, no filme Repulsa ao Sexo (1965). Buscaremos uma maior compreensão sobre a temática do abuso sexual e sua relação com a psicose à luz do filme em pauta. - Segredos de família e sua repercussão em psicanálise de crianças (Family secrets and their repercussion in the psychoanalysis of children) Renan Lacerda (Universidade Federal de Minas Gerais, MG/Br.) Na prática clínica com crianças e adolescentes vítimas de violência sexual observamos que as famílias envolvidas com freqüência apresentam dificuldades imensas em lidar com o segredo que se constrói ao redor do evento do abuso. No entanto, se é certo que este acontecimento está no foco das dificuldades, não temos certeza de que as compõe exclusivamente. Nesses casos, a cada vez que voltamos com os familiares ao assunto, o conteúdo total do segredo parece possuir raízes ainda mais profundas e carregar aspectos que não podem ser plenamente manifesto apenas em palavras. Sabemos que nosso ofício não pode se restringir às atividades com os pequenos clientes. Sobre ele vão interferir necessariamente também matérias de ordem familiar, muitas dessas com origens tão remotas que ganham conotação quase mítica e status de tabu. Sendo assim, como deve o psicanalista de crianças lidar com a profusão de segredos que tantas vezes encontramos em famílias de crianças e adolescentes violentados? Criar segredos é uma forma de preservar o psiquismo das vítimas ou, ao contrário, as expõe ainda mais? Quais efeitos têm para o sujeito ter tido uma vida infantil repleta de segredos? Estas são algumas questões que queremos investigar no texto. Mesa 13 Trabalho, Linguagem e Desejo: Premissas para uma articulação entre Psicanálise e Saúde Mental (Work, language and desire: premises for an articulation between psychoanalysis and mental health) Coordenação: Christian Ingo Lenz Dunker (Universidade de São Paulo, SP/Br./AUPPF) - Psicanálise e Patologias do Social (Psychoanalysis and pathologies in the social sphere) Christian Ingo Lenz Dunker (Universidade de São Paulo, SP/Br./AUPPF) Nossa hipótese, apoiada na combinação entre os últimos desenvolvimentos de Lacan sobre a teoria dos discursos e a lógica da sexuação, refere-se à possibilidade de estabelecer uma psicopatologia que renuncie ao ideal de sua própria totalidade. Isso significaria rever e reincorporar os deslocamentos e as apropriações que a filosofia do século XX fez da psicanálise de tal forma a reintroduzir os efeitos da utilização de conceitos, categorias e principalmente de formas de racionalidades no interior da prática clínica. Nesta comunicação 12

13 procuramos mostrar o papel metodológico fundamental desempenhado pelas idéias de alienação, fetichismo e reificação, no diagnóstico de formas de vida (compreendidas como articulação entre desejo, trabalho e linguagem), bem como da utilidade de distinguir sofrimento, mal-estar e sintoma na psicopatologia psicanalítica. - Revisitando o Caso das Irmãs Papin (Revisiting the case of the Papin sisters) Francisco Capoulade (Universidade Estadual de Campinas, SP/Br.) O objetivo deste trabalho é analisar as considerações de Jacques Lacan e Louis Le Guillant acerca dos motivos que culminaram no crime das irmãs Papin crime que mobilizou a opinião publica francesa. Enquanto Lacan primava por um diagnóstico que levasse em conta os aspectos estruturais, Le Guillant reivindicava a presença das questões sociais especificamente o fato das assassinas serem empregadas domésticas como o principal elemento patogênico em questão. Dois textos estarão no centro dessa análise, a saber, Motivos do crime paranóico: o crime das irmãs papin de Lacan publicado na revista Le Minotaure, em dezembro de 1933, meses após o crime, e o texto de Le Guillant chamado O caso das irmãs Papin publicado em 1963 na revista Les Temps modernes. O que permeia toda essa discussão é em que medida o papel das relações de trabalho podem ser consideradas no adoecimento de Christine e Léa Papin. A crítica apresentada por Le Guillant aponta uma possível falta dessa análise no texto de Lacan. Mas, teria Lacan ignorado as tensões sociais? - Saúde Mental Pública e Políticas do Corpo na Cartografia Paulistana (Public mental health and policies regarding the body in the cartography of the city of São Paulo) Wilson de Albuquerque Cavalcanti Franco (Universidade de São Paulo, SP/Br.) A proposta do presente trabalho é interrogar as potencialidades do campo da saúde mental pública por um lado e da saúde enquanto normatividade por outro tendo em vista o desenho e a cartografia de São Paulo. São Paulo tem uma urbanidade própria e, conseqüentemente, as formas de circulação, cidadania, moradia e pertencimento também são muito peculiares. A cidade é objeto de uma urbanização frenética ao longo de século XX e é pivô de uma série de investimentos maciços, por meio dos quais tem seu mapa, seus circuitos e seu plano habitacional revolucionados repetidamente. Tendo em vista essa problemática, o trabalho ressalta os aspectos em que São Paulo funciona como não-cidade. Este argumento serve como baliza para uma série de questionamentos em torno dos dois campos citados: a saúde mental pública e a normatividade; a psicanálise, pensada como aquilo que opera sobre os confins, cumpre papel central neste campo. Geografia urbana, psicopatologia, saúde pública e psicanálise são as balizas para o trabalho. Mesa 14 O amor, entre o desejo e o gozo: contribuições da clínica psicanalítica e da arte (Love, between desire and jouissance: contributions from the psychoanalytic clinic and from art) Coordenação: Claudia Escórcio Gurgel do Amaral Pitanga (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, RJ/Br.) - O amor do artista Alberto Giacometti (The artist s love - Alberto Giacommetti) Paulo Lisboa Proença (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, RJ/Br.) O escultor e pintor suíço Alberto Giacometti relata que, durante sua infância e primeira juventude, podia tudo desenhar, o lápis era sua arma, como ele dizia. Saía pelo campo e desenhava as árvores, os trabalhadores da terra, sua família, seus irmãos... Em 1925 algo acontece: ao retratar sua mãe, Anetta, ele não consegue (o que será a questão de sua vida) representar o que vê: A linha lembro-me muito bem a linha que vai da orelha ao queixo, compreendi que eu jamais poderia copiar isso tal qual eu via, para mim era da ordem de uma impossibilidade absoluta. O ponto aqui é a impotência do lápis de Giacometti frente ao modelo. Longe de se restringir ao problema, biográfico, do amor materno, sufocante e mortífero, pensa-se as vicissitudes desse amor pela via do sujeito, no amor do 13

14 artista, amor assumidamente fracassado mas insistente do artista. O mundo o espanta através do olhar: somente a vida me interessa, mesmo um copo sobre a mesa, o pé de uma cadeira... A questão é o poder desse fracasso ao forjar um discurso amoroso peculiar. Apenas o amor permite ao gozo condescender ao desejo, diz Lacan no seminário da Angústia, na medida em que o amor vem restabelecer a relação entre desejo e gozo. - Que amor na transferência? (What love happens in transference?) Ana Paula de Aguiar Barcellos (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, RJ/Br.) O sujeito no encontro com o analista reproduz o modo próprio de relação com seus objetos para elaborar a sua verdade. A transferência é um fenômeno universal, mas na análise ele assume status de conceito, sendo a mola mestra do tratamento, como indicou Freud (1912). Do lado do analisando é a transferência que permite a análise, porém o amor pode velar o desejo, já que no encontro com este impõe-se a falta, para a qual o amor pode fazer borda. E como um ganho secundário, o amor pode encobrir o desejo inconsciente. Desse modo que direção do tratamento é possível em psicanálise? Do lado do analista o que deve operar é o desejo do analista, que é o desejo advertido, caso contrário, o amor que ali surgir será excessivo, levando-o a resistir. É o desejo do analista que possibilita a escrita do sujeito da sua história. Para tal investigaremos a transferência como via de acesso ao inconsciente e trabalharemos um fragmento de caso clínico. - Megalomania: amor a si mesmo (Megalomania: love of oneself) Raquel Coelho Briggs de Albuquerque (Universidade do Estado do Rio de Janeiro, RJ/Br.) Uma vez que a clínica da paranóia é perpassada por inúmeros delírios megalomaníacos, objetiva-se abordar a função e as particularidades desse amor a si mesmo no delírio paranóico. Através de revisão bibliográfica e apresentação de fragmentos clínicos, pretende-se pesquisar a paranóia pelo viés da enfatuação do eu. Discutindo a função do narcisismo na constituição do sujeito, observa-se a importância do mesmo para tal constituição e as peculiaridades de tal estádio na estruturação paranóica, a saber: fixação em uma posição narcísica, na qual o sujeito é eleito, ele próprio, como objeto de amor o que corresponde, para Freud, à regressão ao narcisismo secundário. Com isso, pensa-se as possibilidades de relacionar a enfatuação do eu como modo de suplência à carência de significação fálica do sujeito psicótico. Questiona-se, ainda, se o delírio megalomaníaco se estruturaria de tal forma que o eu do sujeito seria tomado como encarnação de phallus. Mesa 15 Da impotência à (im)possibilidade do amor (From impotence to the (im)possibility of love) Coordenação: Cristina Moreira Marcos (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, MG/Br.) - Devastação e aniquilamento no filme Sonata de Outono de Bergman (Devastation and annihilation in Bergman's film "Autumn Sonata") Cristina Moreira Marcos (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, MG/Br.) Partimos da idéia de que a devastação do sujeito feminino, que Lacan menciona no Aturdido, se dá a ver no filme Sonata de Outono de Bergman. Freud abordou esta relação na última conferência de sua obra acerca do feminino, na qual sublinha a importância da relação precoce mãe-filha e afirma a ter subestimado em função do forte recalque que a mantém quase inacessível à análise. Lacan reformula a questão da relação primordial à mãe nos seguintes termos : trata-se de se tornar o ser desejado ou não. O sujeito busca saber o que orienta o desejo da mãe para encontrar aí seu lugar. O terceiro termo, o pai, é aquele que abre a possibilidade de um além da captação imaginária. Mantém-se a centralidade da reivindicação fálica na relação mãe-filha. Entretanto, resta-nos interrogar o que podemos chamar de devastação. A devastação leva-nos a uma zona de vacilação dos semblantes na qual um real insuportável ganha consistência. No outono de Bergman, assistimos a uma queda do falo na qual se exibe o que, da relação mãe-filha, escapa ao simbólico. 14

15 - A (im)possibilidade do amor no contexto atual (The (im)possibility of love in today's context) Carla Derzi (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, MG/Br.) O trabalho expõe o amor no contexto atual a partir das declinações do Nome-do-Pai. São necessários tanto uma retomada sobre o amor narcísico e o amor anaclítico em Freud quanto abarcar o amor no viés da impossibilidade, o amour-amur, trabalhado por Lacan no seminário XX. A declinação do Nome-do-pai torna-se pertinente não apenas para caracterizar o contexto atual na lógica do não-todo, mas também para alcançar o pai em sua paiversão. Ou melhor, trata-se de declinar o pai em uma versão sexuada, desejante, a fim de se deparar com o objeto a, objeto que lhe causa desejo, não incluído na fórmula da metáfora paterna. O pai no último ensino de Lacan possibilita sair da impotência do amor diante da impossibilidade de completude para a criação de uma possibilidade de amar que consente a impossibilidade. Isso ocorre pela via da invenção, onde o amor, senão como invenção, é condição desse novo amor no contexto atual. Assim sendo, o amor traz a marca da singularidade na medida em que o sujeito deve inventar a partir do que lhe falta. - A solidez do gozo no amor líquido (The solidity of jouissance in liquid love) Hélio Miranda (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, MG/Br.) A fragilidade das relações amorosas contemporâneas é tema recorrente e um dos autores mais lidos atualmente é sociólogo Bauman, autor da ideia de modernidade liquida. Para ele há uma contraposição entre o desejo como impulso de destruição relacionado ao apetite consumista contemporâneo, e o amor como vontade de exercer domínio e preservar o objeto do cuidado. Ao pensar o tema das relações amorosas a partir da psicanálise, podemos encontrar alguns pontos de reflexão em comum. Contudo, é justamente a diferença e a proximidade ruidosa entre o amor e o desejo, entre a pulsão e o significante, que pode nos auxiliar a entender aquilo que, em meio à inconstância das relações, repete-se no que não cessa de não se inscrever e opera o modo de gozo que transforma as relações amorosas em parcerias sólidas. T al solidez está presente em muitos casos de violência doméstica, disputas judiciais intermináveis e em outros casos nos quais o que é passional encontra forma de expressão possível. O conceito de gozo é útil na discussão sobre esta fragilidade. Mesa 16 Erotomania, filicídio e parricídio: os excessos trágicos nas relações amorosas (Erotomania, filicide and parricide: tragic excesses in relationships of love) Coordenação: Daphne de Castro Fayad (Universidade Positivo, PR/Br.) - O filicidio e os dramas de Medeia (Filicide and the dramas of Medea) Daphne de Castro Fayad (Universidade Positivo, PR/Br.) Na peça de Eurípedes, Medeia é a mulher-feiticeira que comete atrocidades para estar com Jasão, que termina por abandoná-la para casar-se com a filha do rei de Corinto. Expulsa, humilhada e temida por sua magia, Medeia arquiteta um plano de vingança que culmina na tragédia do filicídio. Seu caráter mágico, passional e irracional fica marcado nesta peça e faz pensar nas referências históricas, médicas e jurídicas que rondam a figura feminina, especialmente quanto às mães que matam seus bebês. Estas são usualmente enquadradas nas categorias puerperais depressão, psicose ou simplesmente estado puerperal. No tocante à agressividade materna, busca-se pensar para além dessas categorias, discutindo a suposta loucura feminina pelo viés das relações amorosas envolvidas na experiência da maternidade e do filicídio. Partindo então da saga de Medeia e de vinhetas clínicas, pretende-se abordar o tema do filicídio como uma saída trágica remetida a tramas amorosas costuradas muito particularmente no universo feminino. - A Erotomania (Erotomania) Dayse Stoklos Malucelli (Universidade Positivo, PR/Br. e Universidade Tuiuti do Paraná, PR/Br.) 15

16 A partir de uma pergunta de Roland Gori em A lógica das paixões "É preciso ser louco para acreditar que alguém o ama?" este trabalho se desenvolve em direção a Clérambault e sua pesquisa sobre a Erotomania, percorrendo os seguintes aspectos: A psicose passional como uma manifestação muito exuberante do delírio da certeza de ser amado, sua etiologia, desenvolvimento e desdobramentos, como a estrutura paranóica nas erotomanias. A erotomania em Schereber - Freud, em Aimée - Lacan, seguindo a trajetória destes autores a partir de Clerambault, que nos aponta desta intensidade absolutamente desmedida da paixão, o transbordamento erótico e o paroxismo patológico que estes pacientes apresentam. O delírio erotomaníaco não existe em estado puro, mas sempre surge de modo súbito, preciso, pontual e inesperado e com características muito distintas das paixões neuróticas. Finalmente, alguns excertos clínicos que ilustram esta patologia. - A Interdição do Crime do Parricídio e a Constituição da Subjetividade (Interdicting the crime of parricide and constituting subjectivity) Débora Patrícia Nemer Pinheiro (Universidade Positivo, PR/Br.) A psicanálise freudiana fundamenta a constituição da subjetividade humana e da cultura em torno de duas interdições culturais: A Interdição do Incesto e a Interdição do Crime de Parricídio. Este trabalho tem por objetivo apresentar reflexões em torno da temática do parricídio. Em Freud resgatamos sua interpretação do mito de Édipo e os textos: Totem e Tabu, Dostoievski e o Parricídio e O Parecer do Perito no Caso Halsmann. Em Klein discutimos os textos: Sobre a Criminalidade e Tendências Criminosas em Crianças Normais. Em Lacan, selecionamos sua tese número 4 sobre a agressividade. Por fim, interrogamos a função de um Pai na constituição da subjetividade dialogando com o núcleo constitutivo que reside no habitat psíquico: a Morte e a Sexualidade, no enfoque freudiano e, a Morte, o Sexo, a Procriação e as Contingências do ser, para Lacan. Essa discussão está permeada pelo conceito de Pathos que determina a subjetividade humana naquilo que faz o sujeito exceder-se provocando sofrimento. Mesa 17 Psicanálise e as novas formas de subjetivação (Psychoanalysis and "new" forms of subjectivation) Coordenação: Denise Teles Freire Campos (Pontifícia Universidade Católica de Goiás, GO/BR.). - Vulnerabilidade psíquica e obesidade: articulação estrutural mania-depressão (Mental vulnerability and obesity: structural articulation of mania-depression) Denise Teles Freire Campos (Pontifícia Universidade Católica de Goiás, GO/BR.) Apesar do crescimento descontrolado do quadro da obesidade no mundo, o fenômeno deve ser investigado com rigor, distinguindo o que são transtornos alimentares ou maus-hábitos, do que é o necessário cuidado com o sofrimento psíquico que pode atravessar o corpo obeso. Como outras afecções corporais, ela aparece sob a máscara de fenômeno social produzido pela sociedade de consumo. O presente trabalho teve como objetivo explorar aspectos dinâmicos encontrados em pessoas obesas que procuraram atendimentos clínicos em consultório particular, segundo o modelo psicanalítico. O material clínico permite introduzir a hipótese de uma falha na articulação estrutural do par maniadepressão, em alguns casos de pessoas obesas, para além da noção de vulnerabilidade psíquica. Nos casos específicos estudados, o agir da obesidade se enquadra, em parte, no agir depressivo do melancólico, e, de outra parte, na mania. Uma falha no mecanismo de proteção parece impedir a regulação da angústia: diante da frustração de projetos idealizados e inatingíveis, a angústia é corporificada, e não simbolizada. - Fome do nada (Hunger for nothing) Anna Rogéria Nascimento de Oliveira (Université Du Québec à Trois-Rivières, Canadá/Pontifícia Universidade Católica de Goiás, GO/BR.) Hoje em dia, com freqüência, depara-se com referências as novas patologia, a anorexia, ou a toxicomania. Interessante observar que num primeiro momento, a anorexia 16

17 se veste com a máscara de um mal da comunicação social, ou seja, adolescentes presas de um ideal de magreza imposto pela mídia numa cultura da imagem, que impõem conceitos e valores sobre a estética onde o normal e o patológico se confundem. Todavia, esta visão da anorexia como uma patologia social é um engodo, pois o social exerce sua força a menos que encontre respaldo em poderosos subsídios inconscientes. A sociedade e a cultura podem provocar a emergência em forma de desajustes, de aspectos mal constituídos em nossas estruturas psíquicas. Não fossem esses aspectos mal constituídos do feminino, não haveria este poder. A abstinência alimentar da anoréxica deve assim ser ligada à abstinência de todo o desejo. Absorvida na contemplação do objeto, ela nele se perde e nele se aliena. Ela é literalmente uma consciência sem eu. - Toxicomania: uma demanda de amor? (Drug addiction: a demand for love?) Patrick de Oliveira Silva (NUPOL- Núcleo de Estudos e Práticas da Psicanálise de Orientação Lacaniana, GO/Br.) O presente trabalho constitui-se de um estudo teórico acerca da toxicomania. Parte do pressuposto teórico psicanalítico, onde procura-se articular toxicomania e suas relações com o sintoma presente no sujeito. A proposta é uma discussão que coloca em questão a toxicomania como demanda de amor, o que torna possível uma escuta outra, no processo de construção de vínculo (transferência), e da saída desse sujeito do sintoma da toxicomania pela relação de amor. Entende-se que a escuta do sujeito e não do seu sintoma, torna real a escuta dessa demanda (necessidade) de amor presente no sujeito toxicômano. Mesa 18 Diferentes formas de expressão do sofrimento (Different ways of expressing suffering) Coordenação: Denise Teles Freire Campos (Pontifícia Universidade Católica de Goiás, GO/BR.) - Diferentes formas de significação do sofrimento no grupo psicoterápico (Different ways of signifying suffering in group psychotherapy) Carlos Mendes Rosa (Pontifícia Universidade Católica de Goiás, GO/BR.) e Denise Teles Freire Campos (Pontifícia Universidade Católica de Goiás, GO/BR.) Este trabalho é uma reflexão acerca das diferentes formas de significação do sofrimento observadas nos atendimentos de um Grupo Psicoterápico que trabalha com neuróticos e psicóticos no contexto de um CAPS. O texto parte da concepção de Anzieu do grupo como um continente, um envelope, que se constitui no movimento da projeção que os indivíduos fazem sobre si mesmos e sobre o próprio grupo. Projeção permeada pelo fenômeno da mediação grupal. Contaminados pela Ilusão Grupal, que permite ao sujeito sentir-se amparado e acolhido pelo grupo, os paciente buscam condições de enfrentar seu próprio desamparo e lidar com as questões envolvidas com seu adoecimento. Na medida e que o singular evidencia o sofrimento vivido, este remonta ao desamparo social do louco, vivenciado por todos, promovendo acolhimento ou devastação na estrutura do grupo. O fantasma grupal, que se forma na conjugação das fantasias individuais e das expectativas dos membros do grupo, na medida em que o psicoterapeuta consegue apreendê-las, é o objeto último da análise e das suas pontuações. - O corpo e a identificação primária: um estudo de caso na relação mãe-filha (The body and primary identification: a case study in the mother-daughter relationship) Viviane Costa Barbosa (Pontifícia Universidade Católica de Goiás, GO/BR.) e Denise Teles Freire Campos (Pontifícia Universidade Católica de Goiás, GO/BR.) Esse trabalho tem como objetivo apresentar a constituição da subjetividade e do sofrimento psíquico associado à obesidade. São tecidas considerações sobre a relação da paciente com sua mãe e a identificação primária com o corpo materno. A discussão se fundamenta na perspectiva psicanalítica e na psicopatologia fundamental. O intuito é de promover uma escuta do sofrimento para além da queixa de obesidade, sendo que, este sujeito obeso traz consigo uma história singular, marcada de experiências repletas de 17

18 sofrimento, passividades e paixões. O método de coleta de dados foi a entrevista do tipo clínico. A obesidade parece ter sido o fio condutor entre o real e o simbólico no qual a paciente expressava suas inquietações pela infância perdida, fecundada em torno da falta de amor e falta de cuidado. Esse sofrimento permanece na fase adulta, pois ela identifica-se com a mãe, para se tornar mulher, e então o corpo reaparece como palco da dor, e a obesidade parece ser uma forma de se fazer espelho do corpo materno, que não é sentido como respondendo à demanda de amor. - Psicodinâmica do ato perverso de fazer sofrer (Psychodynamics of the perverse act of making another suffer) Mariellen Pereira (Pontifícia Universidade Católica de Goiás, GO/BR.) e Denise Teles Freire Campos (Pontifícia Universidade Católica de Goiás, GO/BR.) O presente trabalho tem por objetivo investigar a psicodinâmica de um crime sexual, cometido por quatro menores de 18 anos, a partir da análise psicanalítica dos conteúdos suscitados pelos arquétipos das pranchas do teste Rorschach. Este teste projetivo é um importante instrumento de investigação em psicopatologia, pois os arquétipos fazem função de resto diurno para as representações do inconsciente, dando a estas uma via de expressão. O que possibilita a compreensão do funcionamento normal e patológico. Método: foi aplicado o Psicodiagnóstico Rorschach de forma individual nos quatro jovens, seguindo os protocolos de aplicação determinados. O material levantado, após cotação formal, foi objeto de análise a partir da perspectiva psicanalítica. A análise das provas projetivas do caso estudado apontam para um flagrante psicológico; remontam a cena do crime e descortinam a dinâmica perversa da personalidade dos sujeitos envolvidos. O termo perversão aqui entendido como a estrutura na qual o outro é relegado à condição de objeto do gozo perverso. Mesa 19 Corpo: cenário de amor, gozo e sofrimento (Body: venue for love, jouissance and suffering) Coordenação: Edilene Freire de Queiroz (Universidade Católica de Pernambuco, PE/Br./AUPPF). - O gozo do corpo como alteridade radica (Jouissance of the body as radical otherness) Elizabete Regina Almeida de Siqueira (Universidade Católica de Pernambuco, PE/Br.) O objetivo deste trabalho é demonstrar, através do recurso a um depoimento de um sujeito que não pára de marcar seu corpo, que este pode ser tratado como um Outro, no sentido de alteridade radical, do qual se goza sadianamente, como se de um fora do corpo se tratasse, numa conjunção de morte com o superego, em atenção ao seu imperativo: goza, mais, mais, até não poder mais. Este sujeito vive seu corpo no registro real, como corpo que goza e do qual se goza. Esta dimensão se destaca e ganha primazia, em detrimento da vertente imaginária, unificadora do corpo e da vertente simbólica do corpo, como corpo designado e reconhecido pelo Outro simbólico. - Amor e compulsão: figuras contemporâneas do trabalho em jovens executivos (Love and compulsion: contemporary figures of work in young executives) Jorge Gomes da Silva Sobrinho (Universidade Católica de Pernambuco, PE/Br.) Este trabalho discute as formas contemporâneas de vinculação ao trabalho pela via da compulsão. O contexto hipermoderno mudou o conceito de trabalho. A origem da palavra está associada a sofrimento, pois vem do latim tripalium, instrumento que inflige dor ao outro. Ele foi reconhecido como labor ou atividade que corresponde ao processo biológico do corpo para dar conta das suas necessidades de sobrevivência; noutro momento, o trabalho foi associado à poiesis grega, que significava fazer ou criar um produto por técnica ou arte, bem ilustrado pelos artesãos do século XVII. Na hipermodernidade o trabalho está mais associado à ação e atividade que são bem representadas pelas figuras contemporâneas do workholic (viciados em trabalho) muito comum entre os jovens executivos que desde cedo mergulhados numa cultura digital usam todos os recursos da tecnologia para executar tarefas. Partimos da hipótese que a desmaterialização do trabalho é uma realidade e 18

19 eliminou as fronteiras entre os espaços privados e organizacionais/públicos de tal forma que o sujeito tem dificuldade de se desconectar do trabalho. O trabalhador não é mais um produtor ele é um consumidor do trabalho do outro, mas principalmente de si mesmo. Deixamos de lado a siderurgia (foco na produção) para a semiurgia (foco no signo) onde cada vez menos o sujeito é convocado a produzir coisas concretas. Vive-se a dramaturgia do trabalho na qual se trabalha para gerar semblantes. Apresentaremos a análise de 10 edições de uma Revista Você S/A, publicadas no Brasil, destinadas a jovens executivos. Mostraremos as principais competências que são mensalmente apresentadas aos jovens executivos como promessa de gozo, colocando-os num circuito automático e compulsivo para corresponder a tais exigências. O trabalho como uma busca compulsiva ao gozo tornase uma força desvinculadora do amor ao trabalho e geradora de sofrimento aos jovens executivos. - Algumas reflexões sobre dor e gozo na perspectiva pulsional (Reflections on pain and jouissance from the perspective of the drives) Edilene Freire de Queiroz (Universidade Católica de Pernambuco, PE/Br./AUPPF) A partir da metade do século XIX, intensificaram-se os estudos da dor por fisiologistas, filósofos e psicólogos. Ela é considerada o sintoma predominante em 75% dos pacientes que procuram um hospital geral. A hipótese de que a dor decorria unicamente de uma lesão tecidual foi posta em dúvida por certos acontecimentos vividos pelos soldados em situação de guerra: a dor considerada o alarme do organismo, não sinalizava. Mesmo a dor física mais intensa deixa de existir quando há um desvio psíquico ocasionado por algum outro interesse. Mas fenômeno similar vê-se manifestar em alguns quadros psicóticos nos quais os sujeitos são capazes de decepar membros sem queixar-se de dor. Isso significa que a dor pressupõe uma função de reconhecimento e ela está a serviço da pulsão de vida; como a angústia ela é sinal de perigo. Nos casos em que a ação da pulsão de morte se sobrepõe a de vida, a dor tende a ser inócua. Pretendemos discutir, metapsicologicamente, esse fenômeno, considerando sua economia pulsional e sua relação como a experiência de prazer, de desprazer e de gozo. Mesa 20 A sensorialidade corporal da dor e do gozo (The physical sensoriality of pain and jouissance) Coordenação: Edilene Freire de Queiroz (Universidade Católica de Pernambuco, PE/Br./AUPPF) - A toxicomania e as suas incidências corporais (Drug addiction and its presence in and on the body) Joana Caldas Pinheiro Malta Pereira (Universidade Católica de Pernambuco, PE/Br.). Apesar de ser um fenômeno presente na história da humanidade, a toxicomania tem se apresentado como uma expressão das novas formas de sintomas que vem se constituindo na atualidade. É observável que a problemática atende a demanda do cenário atual, onde o prazeroso é aquilo que pode ser sensorialmente experimentado, e desta forma, o corpo dos sujeitos tomam lugar de destaque. A proposta do trabalho é compreender a relação que os sujeitos toxicômanos estabelecem com os seus corpos, considerando a ingestão da droga associada às marcações na pele. Na atualidade chama atenção a forma com que alguns indivíduos se relacionam com a introdução das marcas corporais, destituídos de caráter ritualístico. Nas clínicas de tratamento de dependência, é notável sujeitos com corpos depauperados pelo efeito dos tóxicos, observa-se nesses indivíduos a necessidade de adquirir consistências identitárias, e parece que a assimilação de substâncias psicoativas associada a marcação no corpo através da pele lhes fornecem a possibilidade de habitar um corpo. - Os efeitos do investimento amoroso materno no corpo em tempos de declínio da função paterna (The effects of maternal investment in the body in times of decline of the paternal function) Pedro Xavier de Morais Neto (Universidade Católica de Pernambuco, PE/Br.) 19

20 O investimento amoroso de uma mãe sobre o seu bebê, reatualização de seu narcisismo, como nos ensinou Freud, corresponde a um primeiro momento lógico do processo de emergência do sujeito. Se nos humanizamos por força da palavra, como expressão de seu dom, Lacan, leitor freudiano, não deixará de lembrar que o significante materno é o primeiro introduzido na simbolização. Em contrapartida, tal investimento deve ser dialetizado, pois, por si só, não é suficiente para garantir o nascimento do humano como um ser de desejo. Nesse sentido, tanto Freud quanto Lacan ressaltaram a importância da intervenção paterna, mais precisamente de sua função. Constatamos hoje, todavia, nesses tempos de mutação do laço social, justamente a falência das possibilidades operativas desta função, o que nos leva a refletir, neste trabalho, sobre a constituição dos sujeitos na contemporaneidade em sua relação com o amor materno. A hipótese que adotamos é a de que, dentre outros efeitos do atual estado de coisas na contemporaneidade, estamos vivenciando um momento em que, pelas razões ora nomeadas, houve uma mudança na prevalência de determinados tipos de sintomas corporais. - Reflexões sobre a melancolia e a depressão e suas relações com as dores corporais crônicas (Reflections on melancholia and depression and their relationships with chronic physical pain) Carolina Cavalcanti Henriques (Universidade Católica de Pernambuco, PE/Br.) Na contemporaneidade temos nos defrontado com novas modalidades de expressão do sofrimento, nas quais o corpo ganha destaque. A dor crônica é um fenômeno recorrente e preocupante que merece ser investigado como manifestação da depressão e melancolia na atualidade. Trata-se de um trabalho de pesquisa que se encontra na fase de elaboração das suas hipóteses, tomando o referencial teórico-clínico da psicanálise e da psicossomática. Mesa 21 Leituras psicanalíticas e psicossociológicas no mundo contemporâneo: vínculos amorosos e vínculos de trabalho (Psychoanalytic and psychosociological readings in today's world: bonds of love and bonds of work) Coordenação: Francisco Hashimoto (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho Assis, SP/Br.) - Vivências de perda em uma empresa familiar: um estudo psicossociológico (Experiences of loss in a family enterprise: a psychosociological study) Francisco Hashimoto (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho Assis, SP/Br.) Esta pesquisa consistiu em estudar os processos psíquicos envolvidos em situações de perda em uma empresa familiar de agronegócios, levando em conta a história de vida de seus membros e aspectos do mundo contemporâneo. Para atingir tal objetivo, procurou-se compreender a representação da figura paterna no contexto das relações de trabalho entre os membros dessa empresa. Buscou-se ainda analisar as relações entre a constituição do sujeito psíquico destes membros e a sua trajetória nessa organização. A pesquisa fundamentou-se no referencial teórico da psicanálise freudiana. O corpus de análise constou de relatos de três irmãos membros da empresa cuja sede era localizada na cidade de São Paulo e, ainda, de três irmãs que participaram da fase inicial da constituição da mesma. Os relatos foram obtidos por meio de entrevistas não diretivas, com sessões de cinqüenta minutos cada, e sua quantidade variou de quatro a oito. Os resultados mostram que a crise que levou ao fechamento de várias filiais da empresa teve como causa, entre outros fatores, a relação conflituosa que se estabeleceu no interior da família. A morte de um dos filhos, considerado importante na estrutura familiar, deu início a uma desorganização da empresa. A dificuldade de lidar com a perda provocou um processo melancólico na família. Além disso, outros problemas foram se acentuando, como a dificuldade de um dos filhos de ocupar o lugar do pai, levando-os à construção de espaços individuais fora da empresa. Enfim, a família buscou preencher o vazio do lugar do pai e da perda do filho e essa situação fez com que movimentos repetitivos que acabavam em fracasso se tornassem mecanismos para superar o sofrimento. - Raízes da vergonha: um estudo psicossociológico sobre a vivência de trecheiros (Roots of shame: a psychosociological study on the experience of tramps) 20

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