PLANEJAMENTO 1. Emilia Peixoto Vieira 2

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1 PLANEJAMENTO 1 Emilia Peixoto Vieira 2 - Por que fazer? Como? Para quê? - concretização do plano de curso; o que deu certo? O que precisa melhorar? O que foi feito? Planejamento: O planejamento propicia a reflexão e o debate de alguns aspectos essenciais da escola e da prática dos professores. Reforça a necessidade de que seja organizado e subsidiado por materiais que contribuam com o trabalho que será desenvolvido coletivamente pela equipe da escola. Assim, abordaremos questões como concepção de planejamento, quem somos e o que queremos com o nosso trabalho; quem são os nossos alunos e como a escola se organiza para trabalhar com o conhecimento. Nesse sentido, o planejamento pretende ser instrumento subsidiário do seu trabalho, no dia a dia da Escola. É preciso entender primeiro que o planejamento escolar ao longo dos últimos anos vem sofrendo um desgaste, culminando numa situação de descrédito e total burocratização desta atividade, gerando uma situação na qual os professores fingem que planejam e a escola e diretorias de ensino fazem de conta que o planejamento ocorreu. Tal fato provoca a entrada de professores em sala de aula, num novo ano letivo, sem terem tido as condições necessárias para planejar, pelo menos, o primeiro bimestre letivo. Acrescentese a isto as dúvidas relacionadas ao trabalho pedagógico, trabalho com sala ambiente, avaliação e, mais: acertar e organizar a distribuição das aulas com o conteúdo a ser dado. Apesar de todas as dificuldades, acreditamos que é possível reverter tal situação e mudar essa realidade, fazendo com que o planejamento vá ganhando um novo significado na vida da escola, dos educadores e dos educandos. Visando contribuir para a melhoria do planejamento, estimular a reflexão e criação de compromissos que caminhem na direção de um ensino comprometido com a formação da cidadania do educando e com a perspectiva de melhores condições de trabalho para os professores, estamos apresentando aos educadores dessa Escola subsídios teórico-práticos que os auxiliem na construção do planejamento para o ano Texto produzido para palestra de planejamento da Escola Linus Pauling Mestre em Educação USP. Professora e Pedagoga da Educação Básica. 1

2 O Planejamento escolar: revendo práticas e concepções O planejamento constitui-se num momento privilegiado para a reflexão coletiva sobre as ações educacionais e de integração da equipe de trabalho. É quando podemos analisar o que desenvolvemos até a presente data e então, traçar metas para a atuação da escola e para cada um de nós, quanto à formação dos nossos alunos, e a transformação da realidade escolar. O planejamento embasa a elaboração, o desenvolvimento e a avaliação de planos de ensino e o preparo de aulas. Traduz-se numa atitude e vivência crítica permanente diante do trabalho pedagógico que a escola desenvolve, possibilitando ao conjunto da equipe de profissionais da escola conhecer, se apropriar e participar do projeto educacional em desenvolvimento. Nesse sentido, é preciso superar a visão tecnicista do planejamento e assumir uma nova prática reflexiva. Essa nova prática traduz-se durante todo o ano letivo, com a equipe escolar diagnosticando, analisando, decidindo, agindo, avaliando e revendo o processo de ensino-aprendizagem desenvolvido pela escola. Assim, planejar as nossas ações coletivamente é o caminho para se combater as atividades desarticuladas e casuístas, caminhando na construção de práticas educativas sintonizadas com as atuais necessidades dos nossos alunos. Quem somos? E o que queremos com o nosso trabalho? Refletir sobre quem somos e nossos objetivos remete-nos a pensar sobre nossa identidade como pessoa, como profissional e como coletivo. Sabemos que nossas práticas são marcadas por especificidades decorrentes do jeito de ser de cada um de nós, uma vez que nossas características pessoais e nossas vivências profissionais são únicas e intransferíveis. É como nos diz Antonio Nóvoa: "Não é possível separar o eu pessoal do eu profissional, sobretudo numa profissão fortemente impregnada de valores, ideais e muito exigente do ponto de vista do empenhamento e da relação humana. (...) Ser professor obriga a opções constantes, que cruzam a nossa maneira de ser com a nossa maneira de ensinar, e que desvendam na nossa maneira de ensinar a nossa maneira de ser" (Vidas de Professores, 1992, p. 7-9) Diante disso é preciso questionar sempre o percurso que nos permite sermos o professor que somos hoje. De que maneira nossa atuação 2

3 educacional é influenciada pelas nossas características pessoais e pelo caminhar profissional que vimos trilhando? É por aí que podemos perceber a importância que nossa atuação pode ter para os demais professores da escola, bem como identificarmos as contribuições que esse coletivo tem na constituição de nossa identidade. É fundamental os professores terem consciência dessa via de mão dupla, compreenderem os processos vividos e se apropriarem dos saberes que foram desenvolvendo ao longo da vida, procurando ampliar suas bases teóricas e conceituais. É nesse percurso que se constroem as identidades. Ainda conforme Nóvoa: "A identidade não é um dado adquirido, não é uma propriedade, não é um produto. A identidade é um lugar de lutas e conflitos, é um espaço de construção de maneira de ser e de estar na profissão. Por isso, é mais adequado falar em processo identitário, realçando a mescla dinâmica que caracteriza a maneira como cada um se sente e se diz professor. A construção de identidades passa sempre por um processo complexo graças ao qual cada um se apropria do sentido da sua história pessoal e profissional. É um processo que necessita de tempo. Um tempo para refazer identidades, para acomodar inovações, para assimilar mudanças". (Vidas de Professores, 1992, p. 16). Por isso, no momento de planejamento é preciso garantir o espaço para que o conjunto dos professores apresentem-se (no sentido profundo do termo) como pessoas e como profissionais, identificando suas concepções, seus objetivos. É a partir desse quadro real que se torna possível identificar e construir os elementos comuns, capazes de assegurar a base coletiva para o trabalho pedagógico. Para que serve a escola em nossa sociedade? Refletir sobre quem somos e quais são nossos objetivos envolve também pensarmos quem somos enquanto escola, enquanto organismo social. Nos últimos 30 anos desfez-se o consenso social a respeito dos objetivos da escola e dos valores que ela deve fomentar ao promover a integração das crianças e dos jovens na cultura dominante. Ao mesmo tempo a escola tem sido chamada a desempenhar tarefas educacionais básicas para compensar as carências do meio social de origem dos alunos, o que se traduz numa 3

4 desafiante diversificação das funções docentes e no aumento das contradições vividas pelos professores. A escola também já não é vista como garantia de promoção social para os mais desfavorecidos, o que contribui para a diminuição do seu respaldo social. E por força de interpretações simplistas, os professores acabam sendo considerados como responsáveis pelos fracassos dos sistemas escolares, perdendo prestígio e reconhecimento. Diante de um quadro tão complexo, responder quem somos e o que queremos constitui um desafio, pois exige repensar o papel da escola e sua relação com o conhecimento e com a sociedade. Para contribuir nesse enfrentamento trazemos, dentre as muitas leituras a respeito do papel da escola, a formulada por Selma Garrido Pimenta. Diz ela que: "O papel da escola é garantir o acesso ao conhecimento de qualidade por parte de todas as crianças e jovens a fim de que se situem no mundo, um mundo que é rico em avanços civilizatórios. Em decorrência, apresenta imensos problemas de desigualdade social, econômica e cultural. De valores. De finalidades. A tarefa da escola é inserir as crianças e os jovens, tanto no avanço como na problemática do mundo de hoje, através da reflexão, do conhecimento, da análise, da compreensão, da contextualização, do desenvolvimento de habilidades e de atitudes. A identidade da escola nesse processo é garantir que as crianças e os jovens sejam capazes de pensar e gestar soluções para que se apropriem da riqueza da civilização e dos problemas que essa mesma civilização produziu. É nessa contradição que se define a identidade da escola hoje" (Educação e Formação, UNITAU, 1998, p.50). Grande parte dessas atribuições pressupõe uma clara compreensão do papel do conhecimento no mundo contemporâneo e de como nossa sociedade lida com ele. Vejamos como a autora trata da questão: "Conhecimento não se reduz à informação. Esta é um primeiro estágio daquele. Conhecer implica em um segundo estágio, o de trabalhar com as informações classificando-as, analisando-as e contextualizando-as. O terceiro estágio tem a ver com a inteligência, a consciência ou sabedoria. Inteligência tem a ver com a arte de vincular conhecimento de maneira útil e pertinente, isto é, de produzir novas formas de progresso e desenvolvimento. 4

5 Consciência e sabedoria envolvem reflexão, isto é, capacidade de produzir novas formas de existência, de humanização. E é nessa trama que se pode entender as relações entre conhecimento e poder" (Educação e Formação, UNITAU, 1998, p.52). Quem são os alunos da nossa Escola? A escola é um espaço de convivência dos alunos. É por eles que ela existe. Já imaginaram uma escola sem alunos? Apesar da obviedade desta afirmação, o sistema educacional, em geral, tem considerado os alunos apenas como um dado burocrático. Talvez esta seja uma das explicações de porque os alunos se rebelam disciplinarmente. Superar isso supõe incorporá-los no projeto político-pedagógico da escola. Fazer da escola um espaço de desenvolvimento da personalidade pessoal, social, comunicacional, emocional, cultural e cidadã dos alunos. Estabelecer com eles um contrato coletivo das ações necessárias para isso. É preciso que se sintam participantes, que sintam que são efetivamente a razão de a escola existir. Para isso, é importante que se reconheçam, que tenham clareza de sua identidade na escola. E criemos as condições para que isso ocorra. Como? Começando, nós próprios, a olharmos para nossos alunos, perguntarmos quem são, de onde vêm, o que querem, o que pensam, sentem, sonham... Muita coisa já sabemos. No entanto é importante a cada ano/semestre atualizarmos nosso conhecimento sobre os nossos alunos. O que já sabemos? O que daquilo que sabemos precisa ser aprimorado? Às vezes 'sabemos' preconceituosamente, sem dados da realidade. Às vezes sabemos por intuição (que é uma forma de saber), mas é preciso aprofundar e alargar nosso conhecimento. Discutindo e assumindo compromissos de mudança Realizar o planejamento segundo a concepção aqui apresentada envolve o posicionamento individual e coletivo dos professores e da escola. Temos a clareza do que queremos mudar na escola e em que direção pretendemos fazêlo é, sem dúvida, o elemento diferenciador da qualidade do trabalho a ser desenvolvido. Esses três dias de planejamento serão propícios para a integração e troca de experiências acumuladas. Também será o momento de que todos sejam acolhidos no ambiente escolar integrados numa dinâmica voltada à 5

6 busca de estratégias para a organização do trabalho, que em breve se iniciará na escola. Bom trabalho. Boas vindas! O ano 2002 com a nossa organização e luta, será com certeza um ano de grandes conquistas! REFERÊNCIA BARBOSA, José P. & NASCIMENTO, Aurélio E. Trabalho, história e tendências. São Paulo, Ática, MARQUES, Maria O. da S. Juventude, escola e sociabilidade. In: Pimenta, Selma G. (org.). Saberes pedagógicos e atividade docente. São Paulo, Cortez, FARIA, Wilson de. Aprendizagem e planejamento do ensino. São Paulo, Ática, FERREIRA, Francisco W. Planejamento Sim ou Não. Rio de Janeiro, Paz e Terra, FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo, Cortez, FUSARI, José C. O Planejamento educacional e a prática dos educadores. Revista da ANDE (8) FUSARI, José C. O Planejamento escolar não é um ritual burocrático. Sala de aula. São Paulo, GENTILINI, João augusto. Planejamento educacional e descentralização: aspectos teóricos e metodológicos. In: GENTILINI, João augusto (org.). Política educacional, planejamento e gestão. São Paulo, Araraquara: FCL/Laboratório Editorial/UNESP, p LIBÂNEO, José C. Didática. São Paulo, Cortez, NÓVOA, Antonio. Vidas de Professores. Dom Quixote, Lisboa- Portugal PIMENTA, Selma G. Projeto pedagógico e identidade da escola. Revista Educação e Formação. UNITAU, SANTOS NETO, Elydio. O projeto político-pedagógico da escola: caminho para organização e articulação. Revista Educação e Formação, UNITAU, VIANNA, Ilca O. de A. Planejamento participativo na escola. São Paulo, EPU,

7 PLANO DE UNIDADE Escola: Disciplina: Data: Série: Ano: PROFESSOR (A): UNIDADE DIDÁTICA:... HORAS PREVISTAS:... OBJETIVOS ESPECÍFICOS SUB-UNIDADES E SEUS CONTEÚDOS Nº HORAS PROCEDIMENTOS DE ENSINO (ESTRATÉGIAS) RECUSROS AVALIAÇÃO 7

8 PLANO DE AULA Escola: Disciplina: Data: Série: Ano: PROFESSOR (A): UNIDADE DIDÁTICA:... HORAS PREVISTAS:... OBJETIVOS ESPECÍFICOS CONTEÚDOS Nº AULAS DESENVOLVIMENTO METODOLÓGICO 8

9 PLANO DE CURSO ESCOLA: LOCALIDADE: CURSO: SÉRIE: TURMA: DISCIPLINA (OU ÁREA DE ESTUDO): PROFESSOR (A): ANO: DISTRIBUIÇÃO DO TEMPO:... horas semanais... horas anuais - 20% horas anuais Fevereiro:... horas-aulas Agosto:... horas-aulas Março:... horas-aulas Setembro:... horas-aulas Abril:... horas-aulas Outubro:... horas-aulas Maio:... horas-aulas Novembro:... horas-aulas Junho:... horas-aulas Dezembro...horas-aulas Julho:......horas-aulas CARACTERÍSITCAS DO GRUPO: Nº de alunos: masculino:... feminino:... Total:... Procedências: Nível sócio-econômico: I) OBJETIVOS GERAIS: II) III) IV) METODOLOGIA (Esboço Geral) AVALIAÇÃO (Esboço Geral) BIBLIOGRAFIA (Esboço Geral) 9

10 PARA REFLETIR E DISCUTIR EM GRUPOS: O PLANEJAMENTO EM NOSSA ESCOLA. 1. Que concordância e discordância temos sobre a concepção de planejamento apresentado? 2. Quais são nossas expectativas em relação ao trabalho de planejamento deste ano? 3. Qual tem sido a sistemática de planejamento vivenciada na nossa escola? Que problemas identificamos? 4. O que precisamos e queremos modificar nessa prática? PARA REFLETIR E DISCUTIR EM GRUPOS: A CARACTERIZAÇÃO DO CORPO DOCENTE DA NOSSA ESCOLA. 1. Quem somos nós? Quantos somos? 2. Quais são as nossas concepções e experiências? 3. Quais são as expectativas de cada um em relação: ao ensino? aos colegas? aos alunos? à direção da escola? aos supervisores e a equipe pedagógica? PARA REFLETIR E DISCUTIR EM GRUPOS: O PAPEL SOCIAL E POLÍTICO DA ESCOLA NA ATUAL SOCIEDADE BRASILEIRA. 1. Será que a escola, da forma como está organizada, dá conta de responder a esse desafio? O que precisa mudar? 2. Como nós professores nos posicionamos diante desse conjunto de mudanças que se faz necessário? Em que eu posso contribuir? 3. Em que e como essa reflexão pode nos ajudar a reorientar o trabalho de planejamento? E nossos planos de ensino? 4. Como essa reflexão pode ajudar cada um de nós a repensar seu relacionamento com os alunos e seus pais; os demais membros da escola inclusive a administração? 10

11 PARA REFLETIR E DISCUTIR EM GRUPOS: UM TRABALHO DE CONHECIMENTO DOS ALUNOS. Sugerimos um roteiro (a ser melhorado e ampliado pelos professores) para ser respondido pelos alunos, individualmente ou em pequenos grupos. Eles próprios poderiam fazer a tabulação dos dados e mesmo discutirem em sala. Poderia ter questões sobre os seguintes aspectos: Na escola: o que gosto, o que eu mudaria, tenho amigos (que também são meus amigos fora da escola). O que é a escola para mim e o que eu gostaria que ela fosse? O que é a escola para os demais alunos? Participo de algum grupo? (fanfarra, banda, teatro, jornal, ciências, história, poesia, etc.) Gostaria de participar? Se eu não estivesse na escola onde estaria? Em casa: costumo ajudar? Em que? Trabalho? Em que? Gosto do que faço? Costumo brincar? Em que e onde? Assisto TV? O que? Quantas pessoas moram em minha casa? Quantos trabalham fora? Há quanto tempo moro neste bairro? Sobre violência: Você já passou por alguma situação de violência? Por parte de quem: pais, irmãos, vizinhos, desconhecidos, outros? O lugar onde você mora e onde se situa a escola é violento? Como você lida com ela? Como você escapa das situações? PARA REFLETIR E DISCUTIR EM GRUPOS: COMPROMISSOS DE MUDANÇA 1. Que queremos e precisamos mudar na nossa escola e nas nossas aulas? 2. Quais as mudanças que são necessárias no coletivo dos professores e no plano individual? 3. Quais as condições que necessitamos para realizar um bom trabalho pedagógico na escola? 4. Como podemos nos organizar e nos mobilizar para realizar um bom trabalho pedagógico na escola? 5. O que precisamos reivindicar da direção, da equipe pedagógica e da administração? 11

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