O Rio Amazonas: colonização e conquista na visão de Américo Santa Rosa

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1 O Rio Amazonas: colonização e conquista na visão de Américo Santa Rosa Elson Luiz Rocha Monteiro * Resumo: O autor analisa a partir de uma visão inicial e poética a lendária descoberta do rio Amazonas e a sua denominação por Vicente Yanes Pinzón, através do texto de Américo Santa Rosa que aborda a conquista e a colonização das margens do grandioso rio, cuja abordagem descreve a sua geografia e a sua geologia, assim como apresenta uma etnografia, das paisagens, dos povos que habitavam suas margens e da presença europeia na sua colonização, relacionando à tese deste autor. Palavras-chave: Amazonas, Conquista, Colonização. Abstract: The author examines the text written by Américo Santa Rosa about the conquest and colonization of the river margin from a poetical initial view of the legendary discovery and denomination of the Amazon River by Vicente Yáñes Pinzón. The description of the landscape and of the people which lived in its riverbanks, as well as the european presence in its colonization, are related to the thesis supported by the author of this article about Freemasonry, power and sociality in the State of Pará during the 19th century. Keywords: Amazon, Conquest, Colonization. Revista Estudos Amazônicos vol. VIII, nº 2 (2012), pp

2 A frota com audazes aventureiros singrava pelas águas barrentas do Mar Dulce, cercado pela floresta tropical, calor e beleza misturavam-se ao brilho da Serra da Lua, ao penetrar no belo Sapucuá. Os marinheiros, sedentos e famintos, intentavam aproximar-se das margens, quando então viram uma tribo de mulheres guerreiras, de pele de cobre, saírem das matas com uma habilidade que surpreendeu até os mais hábeis arqueiros da frota, atacaram os bergantins, obrigando-os a afastarem-se das margens. Os aventureiros se Perguntavam: quem seriam aquelas mulheres de longos cabelos trançados e de pele bronzeada, com os seios morenos a mostra, valentes, audazes, que colocavam os guerreiros alvos, como a lua que brilhava na serra, a afastarem-se de suas terras. Imaginaram então, que poderia ser aquilo que lhes fora contado em sua infância, nas terras distantes de onde vieram. Das terras de onde vieram, frias e sem a exuberância do verde e do sol que queimava as suas peles claras, suas avós contavam a lenda de uma tribo de mulheres guerreiras, hábeis cavaleiras, precisas com seus arcos que disparavam flechas mortais. Suas avós diziam que se tratava das terríveis amazonas da Capadócia, mulheres guerreiras que defendiam seu território dos invasores, as quais foram cantadas em prosa e verso por gregos e romanos. E aquelas mulheres que habitavam este imenso rio que chamavam de Mar Dulce, quem seriam? Suas mentes não esqueceriam mais. E, ao singrar aquelas águas novamente, sabiam que estavam Revista Estudos Amazônicos 191

3 navegando no que agora passaram a chamar de Rio das Amazonas. Dos incidentes da viagem narrados por Orelhana, mais impressionara a referência a um combate que tivera de travar, em fins de julho de 1542, com uma legião de bellas mulheres semi-nuas, robustas e varonis, com os longos cabelos trançados ao redor da cabeça, que recurvando grandes arcos, faziam chover mortíferas flechas sobre os míseros soldados. Orelhanna, vendo caírem cinco dos seus companheiros, ordenou que o bergantin se approximasse da terra, protegendo a retirada das canoas. Esta manobra e a violência do ataque dos arcabuzes não demoveram as irritadas guerreiras das suas primitivas posições, sem que o número de mortas e feridas lhes parecesse espanto. O audaz capitão hespanhol, que dera antes o seu nome ao rio, cuja correnteza o conduzia a tão estranhas aventuras, chamou-o então Rio das Amazonas, em lembrança da valente hoste que tão denodadamente buscara tolher-lhe os passos 1. Desta forma lendária e poética, começa a História do Rio Amazonas, que no dizer de Gonçalves Dias, em sua Confederação dos Tamoios, é visto como a: Baliza natural que ao norte avulta O das águas gigante caudaloso Que pela terra alarga-se vastíssimo; Do oceano rival, o rei dos rios, Si é que o nome de rei o não abate; Pois mais que o rei supera em pompa e brilho. O rio-mar das amazonas, rio de encantos e poesias, do boto e da Iara, que as crianças aprendiam desde tenra idade como sendo, 192 Revista Estudos Amazônicos

4 o maior rio do mundo em volume d`água. E, hoje, com a descoberta de nascentes mais longínquas, alguns o consideram o maior rio do mundo em comprimento, superando o lendário Nilo, berço da civilização egípcia. É desse rio de tantos encantos que Santa Rosa desenvolveu sua tese que resultou na bela História do Rio Amazonas, com sua minuciosa história geográfica e geológica do belo rio e a narrativa de sua conquista e de seu povoamento. A História do Rio Amazonas, de Santa Rosa, é um belíssimo trabalho, que como é descrito no parecer final de aprovação de sua tese, defendida no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, relata o assumpto com ampla informação, estudando em primeiro logar a Geographia physica da região banhada pelo - rio por excellencia, glória do nosso planeta - como o qualificou o eminente Elisée Reclus - para passar em seguida à história do descobrimento, por Vicente Yanez Pinzon, nos dias iniciais do século XVI, às empresas trágicas ou malogradas de Pizarro e Orellana, de Úrsua e de Aguirre, no correr do mesmo século, às aventuras dos que buscavam o El-Dorado e dos que procuravam colonizar as terras, até a expedição famosa de Pedro Teixeira realizada na primeira metade do século seguinte, às missões de catequese, às viagens de caracter comercial e as explorações scientificas, que veem de Humboldt, Spix e Martius, aos naturalistas e viajantes do Museu Goeldi 2. A monumental obra começa falando da possível existência do lendário continente da Atlântida, descrito por Platão em Timeu e Revista Estudos Amazônicos 193

5 Crítias. O gigantesco continente, que segundo o autor, teria existido na época devônica e que se rompendo, ao tempo do devonio superior, deixaria... separados os dois continentes da era paleozoica mais recente, o da Atlanta, ao norte e o de Gondwana, ao sul. 3 Não entraremos na descrição fantástica que faz fez Santa Rosa sobre os aspectos geográficos e geológicos do grande rio que nasce nos contrafortes dos Andes peruanos e que tem uma história geológica proveniente da época devônica, mas procuraremos destacar ao longo deste trabalho, os aspectos políticos e históricos que envolveram esta história, misto de lenda e realidade, destacando principalmente a importância do Amazonas na integração da região norte do Brasil, o qual serve de estrada natural, como a veia principal de um sistema arterial que engloba os seus irmãos grandiosos, como o Madeira, o Purus, o belo e o misterioso rio Negro, bem como o encantador Tapajós, o Tocantins, em cujas águas deságua o Araguaia e o Itacaiúnas. No Amazonas desaguam, também, pequenos rios poéticos e cheios de magia como o Surubiú, que banha a bucólica Alenquer. Amazonas de tantas lendas, de distâncias gigantescas, cuja medição de tempo é feita em dias e não em horas para calcular o seu percurso. Fala-se em distâncias amazônicas, em tempos amazônicos e a terra em sua volta povoada de Iaras e Botos, encantados e encantarias, de um caboclo remador e cantador, como cantava o maestro Waldemar Henrique. Região que já foi 194 Revista Estudos Amazônicos

6 chamada de planície, mas que as descobertas posteriores revelaram tratar-se de um vale, tendo à sua direita, o Planalto Central Brasileiro e à sua esquerda, o Planalto das Guianas, entre um e outro, exibe o vale em volta do Grande Rio. Em suas terras e floresta espalham-se tribos, guerreiras no passado, domesticadas e em extinção no presente, que desaparecem do mesmo modo que os animais amazônicos pela atividade predatória de um capitalismo que, na ânsia do lucro, destrói e não sustenta os homens e a natureza. Tal é o rio que Elysée Reclus denominou o rio por excelência, a glória do nosso planeta tal é a região privilegiada, por ele, na qual, na opinião de Humboldt mais cedo ou mais tarde se há de concentrar a civilização do globo. 4 A conquista do Amazonas reporta a viagem de Vicente Yanez Pinzon, comandante de uma das caravelas de Colombo, que retornou à América e bordejando desde a América Central, seguindo a costa, se viu, dias depois, tomado de surpresa, ao notar que, se achavam sulcando um mar de águas doces, deante do qual como que haviam recuado as águas do oceano. 5 Era a foz do Amazonas, adentrada a primeira vez pelos europeus que registrariam seu feito, denominando o grande rio de águas doces de Santa Maria de La Mar Dulce. As tribos selvagens, na linguagem europeia, que habitavam esta vasta região, são descritas no trabalho de Santa Rosa como vindas do grande tronco tupiguarani e, em alguns casos do tronco gê. Tribos estas que não Revista Estudos Amazônicos 195

7 possuíam o nível de civilização das tribos que os espanhóis encontraram no outro lado dos Andes, como perceberam ao deparar-se com o grandioso Império Inca e ao norte, com o majestoso Império Asteca. A descrição desse mosaico tribal é um dos pontos grandiosos do trabalho de Santa Rosa, o qual descreve minuciosamente os grupos tribais existentes e as regiões que lhe serviam de habitat. Não cabendo aqui adentrar nesta detalhada descrição, mas é importante ressaltar quão grandioso é esse trabalho de Santa Rosa, na descrição geográfica, geológica e humana da calha do Amazonas, discutindo as origens da formação geológica e do povoamento das terras amazônicas. Nessa fase inicial de desbravamento e tomada de conhecimento da região, Santa Rosa destaca o papel de Pedro Martyr d`anghiera que apresentou na corte da rainha Izabel de Castela, uma narração detalhada da viagem e das descobertas de Pinzon: É ainda Anghiera quem, em 1514, no livro IX 2ª década, faz a descrição do rio Maranon, designando os nomes das terras adjacentes - Marinatambalo, Camamoro e Paricura, como as descrevera Pinzon. Pela primeira vez se encontra o nome de Maranon, que alguns atribuem a informações de Estevam Fróes 6. O Amazonas que de Mar Dulce passou a Maranon, ainda assim é chamado até entrar no Brasil, quando toma o nome de Solimões 196 Revista Estudos Amazônicos

8 e, ao encontrar-se com o rio Negro, à altura de Manaus, recebe então o nome pelo qual é mais conhecido, Amazonas. As expedições de Pinzon e Orellanna não deram continuidade à exploração e povoamento imediato do Amazonas, porque aquelas terras novas eram consideradas de exclusivo direito de domínio de Portugal e nelas se encontravam as extensões de terras descobertas por Pinzon. O litígio resultante da disputa entre portugueses e espanhóis, no dizer de Santa Rosa, desde 1542 sucessivas Bullas Pontifícias vinham assegurando a Portugal o direito de conquista das regiões dos infiéis, a descobrir ao Sul e a Leste do Cabo Bojador até às Índias 7, que continuou afirmando: Para solução do litígio, resolveram Portugal e Hespanha assignar, em 7 de junho de 1494, o célebre Tratado de Tordesilhas, pelo qual foi convencionada uma nova linha de limites entre os seus domínios, fixando a divisória por um meridiano a 270 legoas a oeste do archipelago de Cabo Verdxe, sanccionada pelo Papa Julio II, em 24 de janeiro de Assim sendo, a colonização das terras da Amazônia pelos espanhóis foi prejudicada pelo Tratado aludido. Os portugueses, por sua vez, se despreocuparam com a colonização destas terras, assim como do Brasil de um todo, pelo fato de encontrarem na Índia uma estrutura de produção das chamadas especiarias, que lhe trouxera lucros imediatos, dando-lhe, com aquisição a baixo preço de artigos de luxo, como perfumes, seda, tapetes e etc., uma enorme receita, eliminando a concorrência das cidades italianas, Revista Estudos Amazônicos 197

9 que adquiriam esses produtos a alto preço dos árabes, em Bizâncio. O que desencadearia a colonização da região seria a ocupação do Maranhão pelos franceses, comandados por Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardiére, ao fundar a cidade São Luís e tentar iniciar uma colônia a qual deu o nome de França Equinocial, fato que obrigou o governo de Madri (na época Portugal estava sob o domínio espanhol), a organizar uma expedição sob o comando dos portugueses, Jerônimo de Albuquerque e Diogo Moreno, cuja expedição não obteve o sucesso esperado. Então, em 1615, uma nova expedição comandada por Alexandre de Moura, conquistou São Luís e obrigou os franceses a retirarem-se definitivamente da região, acabando assim o sonho da França Equinocial. A partir desse fato teve início a colonização do Amazonas com o envio da expedição de Francisco Caldeira Castelo Branco à foz desse rio, pois, no dizer de Santa Rosa, vencidos e expelidos os invasores, removido estava o obstáculo para que chegassem ao Amazonas os expedicionários da colonisação (mantida a grafia original) do extremo norte, em conformidade das ordens da metrópole. 9 Assim descreveu Santa Rosa sobre a fundação de Belém: Benevolamente acolhido pelos índios tupynambás, que habitavam as margens do rio Pará onde penetrou, poude assim Castelo Branco installar-se, sem demora, em uma ponta de terra sobre a Bahia 198 Revista Estudos Amazônicos

10 do Guajará, que lhe pareceu mais favorável, e a que deu o nome de Feliz Lusitânia, construindo o seu abarracamento provisório e um forte de madeira a que chamou Presepio, para recordar o dia da partida da expedição. 10 Assim foram lançados os fundamentos da cidade de Santa Maria de Belém do Grão-Pará, a Belém de hoje. Estava também lançada a pedra fundamental da conquista do Amazonas que teve início com a expedição de Pedro Teixeira e com a posterior pacificação dos indígenas através dos aldeamentos jesuíticos e dos governamentais. Exploração e conquista do Amazonas A efetiva conquista do Amazonas se dará com a expedição de Pedro Teixeira ainda no período de domínio espanhol. Os portugueses, após a fundação de Belém, tiveram de expulsar os piratas e os aventureiros, os contrabandistas, os ingleses, os holandeses e os franceses que buscavam assentar-se na foz do Amazonas. Para isto, os portugueses alicerçaram suas bases no Forte do Presépio, posteriormente chamado de Castelo, em Belém e, principalmente, no Forte de Gurupá. Franceses e ingleses renunciaram logo às suas tentativas de colonização da área, mas os holandeses, através da poderosa Companhia das Índias Ocidentais, ainda tentariam, por volta de 1639, ocupar a região compreendida pela bacia do Amazonas, mas a expedição para isso enviada às águas do rio-mar, teve de experimentar completa Revista Estudos Amazônicos 199

11 derrota, que lhe infligiu João Pereira de Cáceres, vindo do forte de Gurupá. 11 Nesse mesmo ano, 1639, retornava a expedição de Pedro Teixeira, que havia saído de Belém, dois anos antes, em 1637, para explorar o grande rio. Em 1637, chegaram dois religiosos espanhóis que tinham vindo de Quito e relataram que haviam atravessado toda a região ao navegar pelo Amazonas. Estando Portugal e suas colônias sob o domínio espanhol, não havia problema de organizar-se uma expedição para explorar o grande rio, pois, nesse momento, não haveria violação do Tratado de Tordesilhas. Para isto foi preparada uma grande expedição, por recomendação de Portugal, para explorar o Amazonas até o Peru. Segundo Santa Rosa, Iniciada na referida data, com 47 canoas, 2500 almas, 60 soldados, frei Domingos de La Brieba e os officiais Felippe de Mattos Cotrim, Pedro Favella e Pedro Baião de Abreu, foi certamente, essa expedição um dos factos mais memoráveis do periodo colonial do Amazonas. 12 A partir desse momento teve início a colonização a partir da submissão e da catequese dos índios, feita em grande parte pelas missões fundadas por ordens religiosas, como os capuchos, os carmelitas e principalmente pelos jesuítas; esta tarefa completavase com os estudos de naturalistas, de geógrafos e com os estudiosos que abriram caminho para o conhecimento maior da região. 200 Revista Estudos Amazônicos

12 Ressalte-se em relação à viagem de Pedro Teixeira, que houve um interesse de Portugal na exploração e ocupação dessas terras, pois, em 1637, já havia um clima de agitação em Portugal pela restauração da independência do país, do domínio espanhol, o que ocorreria em 1640, porém Portugal já tinha deixado seu marco na fronteira onde terminava a colonização espanhola a oeste, em Iquitos e Letícia. Já prevendo a restauração, cuidaram os portugueses com a viagem de Pedro Teixeira, de ocupar o espaço da área compreendida entre o último reduto espanhol na Amazônia, na atual fronteira do Peru e a região que ia deste ponto até a foz, no Pará. Posteriormente, o outro grande momento da história colonial do grande rio se daria com o governo de Mendonça Furtado, no século XVIII, quando, impulsionada pelo progressismo da era pombalina, a região conheceria uma reforma administrativa e uma modernização que lançaram as bases para a ocupação definitiva da região, e em seguida passaria a viver a agitação da independência. Ao longo do século XIX, uma das questões centrais ligadas ao Gigantesco rio Amazonas, foi a abertura do grande rio à navegação internacional, defendida por brasileiros e estrangeiros. Estes com a ideia de penetrar através do mesmo para explorar e verificar as riquezas da floresta, assim como colocar no horizonte a perspectiva de colonização posterior, como a que se buscou desenvolver na região de Santarém com a vinda dos confederados americanos. Aqueles, os brasileiros defensores da abertura do Revista Estudos Amazônicos 201

13 Amazonas à navegação internacional, com a ideia de progresso e desenvolvimento da região, que este fato poderia trazer, assim como o de ampliar a colonização com a vinda dos povos europeus. É este fato que nos coloca numa relação com o texto de Santa Rosa, através de nosso trabalho sobre a maçonaria paraense no século XIX, e ao falar sobre este tema não podemos deixar de abordar sobre a figura de Aureliano Cândido Tavares Bastos, o apóstolo do progresso do Brasil, no dizer de David Gueiros Vieira 13. Neste sentido, A figura de Aureliano Cândido Tavares Bastos é considerada de extraordinária importância no contexto brasileiro e paraense do século XIX, pois foi um erudito conhecido e importante nacionalmente, deputado do Partido Liberal, era um homem de ideias progressistas e a razão de ele estar presente neste trabalho, é o fato de ter se envolvido profundamente na discussão sobre a abertura do Amazonas à navegação internacional, assunto que foi tema de um dos grandes debates dos meados do século XIX no Brasil e especialmente no Pará. Aureliano Cândido Tavares Bastos foi um Homem de ideias liberais, libertárias, próimigração, está entre os que chamo de amigos do progresso 14. O debate sobre a abertura do Amazonas à navegação internacional envolvia aspectos ligados à liberdade de comércio, à penetração de novas ideias, inclusive no plano religioso, com a abertura para a imigração protestante. Essas ideias tiveram em Tavares Bastos um ferrenho defensor que participava ativamente 202 Revista Estudos Amazônicos

14 do embate no âmbito intelectual e político. Em suas Cartas do Solitário, Tavares Bastos receitava o remédio para todas as mazelas do Brasil..., está, o estabelecimento da mais ampla liberdade de comércio... e a abertura do Amazonas e de outros grandes rios brasileiros aos navios de todas as nações. 15 A partir deste discurso, percebe-se que Esse debate era importante e envolveria os diversos segmentos organizados da sociedade brasileira, resultando em um embate do qual participariam os partidos no parlamento, a maçonaria, a Igreja católica, os positivistas, os republicanos e etc. Tavares Bastos estava no meio deste redemoinho. O Brasil não devia ter receio da competição e do mercado livre, escreveu Tavares Bastos. Na sua opinião, o impedimento dos maiores rios do Brasil, ou a entrega da sua navegação aos monopólios brasileiros era um estorvo ao comércio livre e uma barreira ao progresso. A exigência egoísta de monopólios, afirmou o jovem deputado, era um veneno que estava destruindo o país.... O Brasil, a fim de alcançar o estágio de desenvolvimento real, tinha de abraçar o verdadeiro evangelho, ponderava Tavares Bastos. Esse verdadeiro evangelho era cosmopolita, colaborava fraternalmente para a produção do mundo, e explicava que era para a riqueza, para a iluminação, para o progresso, para a moralidade, para o bem estar dos povos. 16 Na verdade, este debate decorria em função do avanço e do desenvolvimento do capitalismo internacional, que na segunda metade do século XIX começava a transformar-se, do antigo capitalismo das pequenas empresas para o capitalismo Revista Estudos Amazônicos 203

15 monopolista-financeiro, dos grandes grupos econômicos que passaram a ter uma atuação em escala mundial, pois o mundo entrava em uma nova era no setor de transportes, com os grandes navios de ferro que irão singrar os mares, explorando todos os recantos da terra e, desta forma, o debate da abertura do Amazonas à navegação internacional se inseriu nesse contexto, associado à ideia de progresso, ardorosamente defendida por positivistas, pelos maçons e por pensadores progressistas como Tavares Bastos. Nesse período surgiu a proposta de criação de uma linha de navegação a vapor New York-Rio de Janeiro, cuja ideia era de uma linha de vapores que, partindo de New York, seguisse pela Costa Atlântica da América do Sul até sua extremidade. 17 Nesta contenda, tanto o Imperador como o Ministro das Relações Exteriores, o Visconde do Rio Branco, ressalte-se, Grão Mestre da Maçonaria Brasileira, discordavam do então jovem deputado Tavares Bastos, que queria que a navegação costeira fosse aberta à competição estrangeira. Ambos estavam convencidos de que o Amazonas, mais cedo ou mais tarde, deveria ser aberto aos navios estrangeiros, entretanto, não antes de estarem suas margens colonizadas por brasileiros. 18 A questão da abertura do Amazonas à navegação estrangeira mobilizou os políticos liberais da região amazônica, como o deputado paraense do Partido Liberal e maçom, Tito Franco de Almeida, que em 1860, discursava na câmara, pedindo a abertura 204 Revista Estudos Amazônicos

16 do Amazonas à navegação estrangeira e o estabelecimento de uma linha de vapores dos Estados Unidos ao Brasil. 19 Seguindo este mesmo raciocínio, para o jovem deputado Tavares Bastos, a visão de progresso para o Brasil demandava uma frota completa de vapores elegantes cruzando a baía de Guanabara, ou subindo o Amazonas, o São Francisco e o Paraná, espalhando civilização e o evangelho do trabalho árduo e da abundância. Tito Franco de Almeida compartilhava inteiramente deste sonho de Tavares Bastos. 20 O deputado paraense idealizava para isto o belo futuro, da seguinte maneira:...quando as águas do Amazonas gemerem ao roncar de milhares de quilhas, pejadas de produtos a espalharem e acumularem riquezas; quando estas lindíssimas margens contiverem cidades, alimentadas por centenares de fábricas, a vomitarem o fumo do cavalo mecânico, quando...o vale do Amazonas for o coração do mundo a distribuir todas as aortas da indústria, comércio e civilização. 21 Como se vê, o belo Amazonas, de tantas lendas, depois de seu defloramento nos idos coloniais, agitava homens e ideias no século XIX, diante do avanço inexorável do capitalismo avassalador da segunda metade do século XIX, articulando-se tal debate com os grandes embates da época, que envolveram as instituições políticas e sociais, onde as ideias de progresso e de civilização, assim Revista Estudos Amazônicos 205

17 como o de democracia marcavam esse tempo. E, nesse contexto, apareceram os liberais, os maçons, os católicos, os protestantes e etc., pois a discussão da abertura do Amazonas passava também pelo fato de a Igreja católica sentir-se ameaçada pela penetração do capitalismo americano com sua ética protestante, assim como houve o fluir das ideias liberais e das positivistas, as quais eram vistas, muitas vezes, como parte da conspiração maçônica que avançava sobre os estados pontifícios da Itália. Nesse sentido, o texto de Santa Rosa se interpenetra com a questão colocada em nosso projeto de estudar a maçonaria paraense no século XIX, onde esses debates se fizeram presentes nas publicações da época, maçônicas ou profanas (termo como os maçons se referem aos nãos maçons), permeando também os debates no Parlamento brasileiro, onde muitos dos deputados liberais eram também maçons e positivistas, como Tito Franco, Lauro Sodré, Serzedelo Corrêa, Dr. Assis, etc. Tavares Bastos, com o apoio dos senadores nortistas Visconde Sousa Franco, Francisco José Furtado e Leitão da Cunha, assim como pelo deputado Tito Franco de Almeida, que apresentou em 8 de julho de 1862, um projeto à Câmara que objetivava abrir o Amazonas e subsidiar uma linha de vapores que atendesse o trecho New York-Rio. 22 Neste contexto, é Importante ressaltar o papel do pastor norteamericano James Cooley Fletcher, que exerceu enorme influência junto a Tavares Bastos, bem como junto a outros diversos 206 Revista Estudos Amazônicos

18 parlamentares no Rio de Janeiro, com foi enfatizado por David Gueiros Vieira 23. Em 31 de agosto de 1864, o gabinete Zacarias foi derrubado. Tito Franco de Almeida, no seu relato do evento, declarou claramente que ele e seus colegas liberais haviam derrubado Zacarias por causa da questão da abertura do Amazonas e do subsídio à linha de vapores. O gabinete caído foi sucedido pelo 20º gabinete, encabeçado pelo líder maçônico paraense, Senador Francisco José Furtado, amigo e protetor de Tito Franco de Almeida. O subsídio à linha New York-Rio foi aprovado sob a liderança deste Gabinete. Sobre esse assunto, Simonton assim escreveu ao Conselho da Missão: O projeto da linha de vapores foi aprovado em ambas as casas e aqui já é lei. Mr. Fletcher tem sem dúvida, uma maravilhosa influência no Brasil.... Espero que essa linha venha a ser um grande sucesso, mas não posso sentir-me confiante disto. 24 Neste momento estava chegando ao fim a Guerra de Secessão nos Estados Unidos e para Tavares Bastos a companhia de vapores promoveria a imigração americana para o progresso e a elevação moral do Império. A guerra de Secessão nos Estados Unidos terminara, e a linha de navegação quase realizou o sonho dos seus fundadores, quando milhares de confederados empobrecidos expressaram o desejo de ir para o Brasil. Desse Revista Estudos Amazônicos 207

19 modo, No Brasil, Fletcher imaginara que eles seriam os propagandistas da cultura americana e do protestantismo. 25 A questão da imigração foi um dos temas que agitou o Brasil no XIX, pois as correntes mais progressistas da sociedade brasileira defendiam a substituição do braço escravo pelo trabalho livre do imigrante, assim como a ocupação dos chamados espaços vazios do sul do Brasil, e um dos empecilhos para isto foi o fato de que a religião católica era a religião de Estado no Brasil, situação que representava um entrave para a imigração de pessoas oriundas das regiões protestantes da Europa, como da Suíça e do norte da Alemanha, as quais pretendiam povoar áreas do sudeste e do sul do Brasil. A grande imigração, a secularização dos cemitérios, a documentação civil, resumido tudo isso na discussão sobre a separação da Igreja, do Estado, este foi um dos grandes embates de intelectuais e de parlamentares no período. Na polêmica sobre a abertura do Amazonas à navegação internacional, todas essas questões se colocavam e chamavam para a arena do debate, os maçons, os católicos, os liberais, os republicanos positivistas e outros. A Igreja com fundamento na reforma pretendida pelos ultramontanos 26 fizera forte oposição a essas iniciativas como afirmou Vieira: É digno de nota que o grande temor que os ultramontanos brasileiros tinham do protestantismo cobria tanto o seu aspecto religioso como cultural. 27 E, continuava adiante dizendo: A crise políticoreligiosa de resultou num endurecimento de atitudes, da 208 Revista Estudos Amazônicos

20 parte dos ultramontanos brasileiros, e reafirmação de valores mais antigos e de um conceito de brasilidade mais de acordo com a tradição ibérica. 28 Como vimos, a História do Rio Amazonas, de Américo Santa Rosa, perpassou no século XIX, pelas grandes questões da época que envolveram aspectos relacionados ao nosso trabalho, o qual se propôs a estudar a Maçonaria Paraense no Século XIX. Instituição esta que participou dos grandes debates do século, onde a abertura do Amazonas à navegação internacional foi um dos temas mais presentes, no qual se envolveram maçons paraenses como os deputados Tito Franco de Almeida, o senador José Francisco Furtado e outros, ressaltando que a maçonaria atuava de encontro às ideias progressistas da época, as quais passavam pelas grandes proposições que iriam ser posteriormente implementadas pela República. Artigo recebido em agosto de 2013 Aprovado em setembro de 2013 Revista Estudos Amazônicos 209

21 NOTAS * Professor Adjunto IV, da Universidade Federal do Pará. 1 VIANNA, Arthur. O Pará em 1900-Notícias Históricas. In: SANTA ROSA, Henrique A. A História do Rio Amazonas. Belém/Pará: Officinas Graphicas do Instituto Lauro Sodré, 1926, p RUCH, Gastão; GARCIA, Rodolpho; BITTENCOURT, Feijó; MAIA FORTE, J. Mattoso. Parecer. In: SANTA ROSA, A História do Rio Amazonas, pp. 3 e 4. 3 SANTA ROSA A História do Rio Amazonas, p Idem, p Idem, p Idem, p Idem, p Idem, p Idem, p Idem, p Idem, pp Idem, p VIEIRA, David Gueiros. O Protestantismo, A Maçonaria e a Questão Religiosa no Brasil. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 1981, p Ibidem. 15 Idem, pp Idem, p ALBERDI, Juan Batisti, The Life andthe Industrial Labor of William Wheelwright in South America. Calleb Cushing. Trad. (Boston: A. Williams e Co.,1877), p. 23. In: VIEIRA, O Protestantismo, A Maçonaria e a Questão Religiosa no Brasil, p VIEIRA, O Protestantismo, A Maçonaria e a Questão Religiosa no Brasil, p Idem, p Ibidem. 21 Idem, pp MONTEIRO, Elson Luiz Rocha. A Maçonaria e a Campanha Abolicionista no Pará: São Paulo: Ed. Madras, VIEIRA, O Protestantismo, A Maçonaria e a Questão Religiosa no Brasil, p Idem, p Idem, pp Ultramontanos, corrente que surge na Igreja católica no século XIX, que dava apoio ao ponto de vista dos papas, que considerava as ideias progressistas serem elementos errôneos e tendências perigosas dentro da religião e da sociedade civil. 27 VIEIRA, O Protestantismo, A Maçonaria e a Questão Religiosa no Brasil, p Idem, p Revista Estudos Amazônicos

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