Kátia Lima Profª. Drª. da Escola de Serviço Social e do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFF. Apresentação

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "Kátia Lima Profª. Drª. da Escola de Serviço Social e do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFF. Apresentação"

Transcrição

1 6 O. COLÓQUIO INTERNACIONAL MARX E ENGELS GT 2 - OS MARXISMOS A Obra Sociológica de Florestan Fernandes: Capitalismo Dependente e Contrarrevolução Preventiva Kátia Lima Profª. Drª. da Escola de Serviço Social e do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFF. Apresentação Este trabalho tem como objetivo examinar a teorização de Florestan Fernandes sobre o capitalismo e o desenvolvimento capitalista no Brasil a partir de dois eixos teóricos: o conceito de capitalismo dependente e o conceito de contrarrevolução preventiva e prolongada. Em um primeiro momento, o texto analisa a construção dos conceitos de capitalismo dependente e padrão compósito de hegemonia burguesa. Partindo destas considerações, indica a recuperação do conceito marxista de contrarrevolução burguesa, realizada ao longo de sua obra, ressaltando que Florestan apreende a contrarrevolução como um processo permanente, que ora se materializa em práticas repressivas e ora se recicla via projetos de democracia restrita, de acordo com as configurações históricas da luta de classes. Por fim, o trabalho considera a relevância da obra teórica de Florestan Fernandes sobre o desenvolvimento capitalista dependente dos países latinoamericanos, reafirmando a atualidade do conceito marxista de revolução socialista e a necessidade de uma profunda análise crítica das ações burguesas que procuram impedir e esvaziar a capacidade organizativa da classe trabalhadora para sua autoemancipação. O desenvolvimento do capitalismo no Brasil e a construção do conceito de capitalismo dependente A construção do conceito de capitalismo dependente é, certamente, uma das mais importantes contribuições da obra teórica de Florestan Fernandes para análise do desenvolvimento do capitalismo nos países latinoamericanos, particularmente no Brasil. A construção deste conceito ocorre através da retomada dos conceitos marxistas de desenvolvimento desigual da economia e de desenvolvimento combinado. A partir da lei do desenvolvimento desigual, enunciada por Lênin em O desenvolvimento do capitalismo na Rússia 1, Trotski elabora o conceito de desenvolvimento combinado, elemento político fundamental de sua obra. Este conceito evidencia-se como 1 Vladímir Ilitch Lênin, O desenvolvimento do capitalismo na Rússia. Nova Cultural, São Paulo, 1982.

2 2 instrumental analítico para apreensão das determinações inerentes ao imperialismo 2, constituindo-se em uma importante referência para as análises das formações econômicosociais situadas na periferia do capitalismo, abrangendo as contradições econômicas, políticas e socioculturais constitutivas do próprio imperialismo. No volume 1 da História da Revolução Russa, Trotsky afirma que: a desigualdade do ritmo, que é a lei mais geral do processo histórico, manifesta-se com o máximo de vigor e de complexidade nos destinos dos países atrasados. Sob o açoite de necessidades exteriores, a vida retardatária é constrangida a avançar por saltos. Desta lei universal da desigualdade dos ritmos decorre uma outra lei que, na falta de uma denominação mais apropriada, chamamos de lei do desenvolvimento combinado, no sentido de reaproximação de diversas etapas, da combinação de fases distintas, do amálgama de formas arcaicas com as mais modernas. 3 No bojo da crítica ao desenvolvimento desigual da economia mundial capitalista - pelas relações estabelecidas entre os países imperialistas e os países periféricos e ao desenvolvimento combinado pela associação entre elementos arcaicos e modernos no desenvolvimento econômico e social dos países periféricos, é que Florestan constrói o conceito de capitalismo dependente. Sob o capitalismo dependente, a persistência de formas econômicas arcaicas não é uma função secundária e suplementar. A exploração dessas formas, e suas combinações com outras, mais ou menos modernas e até ultramodernas, fazem parte do cálculo capitalista do agente econômico privilegiado. 4 Contraditoriamente, o padrão de desenvolvimento capitalista inerente ao capitalismo monopolista implica novas relações na luta de classes, criando as condições materiais para a organização da classe trabalhadora e por sua autoafirmação como classe. Diante destas disputas, as relações patrimonialistas e o uso autocrático das instituições oligárquicas serão reorganizados para viabilizar a associação das oligarquias com os setores intermediários em formação e com o imperialismo, constituindo, como identifica Florestan, um padrão compósito de hegemonia burguesa. Por isso tal padrão de hegemonia burguesa anima uma racionalidade extremamente conservadora, na qual prevalece o intento de proteger a ordem, a propriedade individual, a iniciativa privada, a livre empresa e a associação dependente, vistas como fins instrumentais para a perpetuação do superprivilegiamento econômico, sociocultural e político. 5 2 Vladímir Ilitch Lênin, O imperialismo. Fase superior do capitalismo. 5 a ed. São Paulo, Global, Leon Trotsky, História da Revolução Russa. A queda do Tzarismo, Primeiro Volume. 3ª ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1980, p Florestan Fernandes, Sociedade de classes e subdesenvolvimento. Rio de Janeiro, Zahar, 1968, p Florestan Fernandes, Capitalismo dependente e classes sociais na América Latina. 2 a ed. Rio de Janeiro, Zahar, 1975, p. 108.

3 3 Neste quadro a burguesia brasileira associa-se conscientemente à burguesia internacional para a manutenção de seus interesses econômicos e políticos, bem como, limita a participação dos trabalhadores com vistas a impedir qualquer possibilidade de construção de uma revolução contra a ordem, ou mesmo uma revolução dentro da ordem que não fosse controlada e consentida por seus quadros dirigentes. O primeiro conceito, revolução contra a ordem, indica, conforme analisa Florestan 6, a construção de uma revolução anticapitalista e antiburguesa, isto é, a transformação estrutural da sociedade capitalista, objetivando sua superação e a construção do socialismo, tarefas que só podem ser realizadas pela classe trabalhadora. O segundo, identifica, na ótica do capital, a realização de um conjunto de ações que, circunscritas à reforma do capitalismo, reproduza e legitime, em última instância, seu projeto de sociabilidade. Na ótica do trabalho, a revolução dentro da ordem possibilita um processo, instrumental e conjuntural, de ampliação da participação política da classe trabalhadora na sociedade burguesa e de construção de condições objetivas e subjetivas com vistas à superação da ordem burguesa através da revolução socialista 7. O conceito marxista de contrarrevolução burguesa É nesse quadro analítico que Florestan utiliza o conceito de contrarrevolução burguesa. Os conceitos de revolução e contrarrevolução são fundamentais na teoria marxista. Ao longo das suas obras, Marx e Engels formulam um conjunto de análises sobre a revolução como um fenômeno da luta de classes. O desenvolvimento do capitalismo está associado ao papel revolucionário assumido pelo padrão clássico de revolução burguesa, como ruptura radical com as antigas relações de produção, ou pelo papel conciliador assumido pelo padrão capitalista dependente de revolução burguesa. Importante registrar, inclusive, o que me parece ser uma recuperação do conceito leninista de via prussiana realizada por Florestan Fernandes para analisar o processo não clássico de transição para o capitalismo 8. Em Lênin a análise trata do processo de transição para o capitalismo no campo, onde são conservadas formas précapitalistas. Essa transformação histórica da burguesia em classe dominante e dirigente impõe o debate sobre as ações contrarrevolucionárias que ela executa historicamente e em cada formação econômico-social, inicialmente para configurar o sistema capitalista e, 6 Florestan Fernandes, O que é revolução. São Paulo, Brasiliense, 1981, (Coleção Primeiros Passos). 7 Idem, ibidem. 8 Vladímir Ilitch Lênin. O Programa Agrário da Social Democracia na Primeira revolução Russa. SP: Ciências Humanas, 1980.

4 4 posteriormente, para sair de suas crises; reconstituir constantemente suas margens de lucro e reproduzir seu projeto de sociabilidade. A teoria marxista identifica, portanto, o caráter revolucionário e contrarrevolucionário assumido historicamente pela burguesia. O capitalismo como contradição em processo, e revolução e contrarrevolução como elementos correlatos expressam a manifestação histórica da luta de classes. Marx escreve em 1848 o artigo A burguesia e a contrarrevolução 9, no qual elabora uma análise da revolução alemã, indicando o procedimento contrarrevolucionário que caracterizou a política conciliadora da burguesia por meio do estabelecimento de acordos com as forças conservadoras da monarquia para divisão do poder político. Também analisa, em As lutas de classes na França 10 e em O Dezoito Brumário de Luís Bonaparte 11, o papel da contrarrevolução na França, demonstrando como a burguesia de classe revolucionária convertia-se rapidamente em classe contrarrevolucionária e em breve demonstraria, no esmagamento da Comuna de Paris, do que era capaz 12. Na mesma direção política estão as várias publicações de Lênin, entre elas, O Estado e a revolução 13 e Que fazer? 14. A primeira analisa as principais tarefas do proletariado na construção do processo revolucionário, e a segunda apresenta a síntese dos avanços realizados pela luta dos socialistas na Rússia e os embates com as forças contrarrevolucionárias institucionalizadas em um regime opressor e cruel. Rosa Luxemburgo também participa efetivamente dos debates e da luta do movimento socialista em oposição à contrarrevolução burguesa, identificando como o processo revolucionário e essas ações contrarrevolucionárias espalham-se pela Europa. Rosa critica severamente o papel do revisionismo socialdemocrata que, retirando da pauta a revolução socialista, substituída por um conjunto de reformas pontuais, fortalece essas ações contrarrevolucionárias e o esmagamento da organização e das lutas socialistas. Esse debate está presente especialmente em Reforma ou revolução? Karl Marx, A burguesia e a contrarrevolução. São Paulo, Ensaio, Karl Marx, As lutas de classe na França de 1848 a In Obras Escolhidas. Volume 1. SP: Editora Alfa- Omega, Karl Marx, O Dezoito Brumário de Luis Bonaparte. In: Karl Marx; Friedrich Engels. Textos v. III. São Paulo, Edições Sociais, 1977, p Florestan Fernandes, Em busca do socialismo: últimos escritos e outros textos. São Paulo, Xamã, 1995, p Vladímir Ilitch Lênin, O Estado e a revolução, o que ensina o marxismo sobre o Estado e o papel do proletariado na revolução. São Paulo, Hucitec, 1987, (Coleção Pensamento Socialista). 14 Vladímir Ilitch Lênin, Que fazer? A organização como sujeito político. São Paulo, Hucitec, Rosa Luxemburgo, Reforma ou revolução. São Paulo, Expressão Popular, 2005.

5 5 Trotski é outro importante marxista que problematiza essa temática em várias publicações. Destaco especialmente Revolução e contrarrevolução na Alemanha 16 e o segundo volume de A história da Revolução Russa: a tentativa de contrarrevolução 17, nos quais Trotski analisa esse padrão totalitário de defesa dos interesses conservadores no contexto das lutas socialistas na Alemanha, bem como a ação contrarrevolucionária em meio ao processo de conquista de poder pelos bolcheviques. Recuperando esse conceito como profícuo instrumental para a análise do padrão de hegemonia burguesa no Brasil, Florestan aborda como a burguesia brasileira atua de forma diferenciada, em termos do padrão clássico de revolução burguesa. Esses processos de transição não-clássicos ao capitalismo combinam uma burguesia sem perfil revolucionário, uma classe trabalhadora ainda em processo de organização de um projeto contra a ordem burguesa, a intervenção decisiva do Estado espaço de disputas entre e intraclasses e a ação diretiva do imperialismo. A burguesia não assumiu seu papel como classe revolucionária, na medida em que a conformação da ordem capitalista no Brasil não implicou uma ruptura com a ordem rural, mas foi sendo efetivada a partir de um conjunto de composições entre os estratos sociais de origem oligárquica e os emergentes interesses industrial e financeiro de um lado, e, de outro, os países imperialistas. Sua ação estará circunscrita a essas composições e à aceleração do padrão dependente de desenvolvimento capitalista. Nesse sentido, Florestan Fernandes identifica a contrarrevolução burguesa de duas formas: a quente e a frio. A primeira expressa uma ação violenta, associada à ditadura militar e ao Estado autocrático burguês. O regime vigente, instituído em 1964 através de um golpe militar e em nome de ideais revolucionários, constitui, de fato, uma contrarrevolução. Seu caráter contrarrevolucionário se evidencia de modo específico, tanto em termos do seu significado interno, quanto à luz da situação mundial. 18 A segunda forma de identificação da contrarrevolução burguesa está articulada com a existência de fases seguras e construtivas da contrarrevolução 19. Com a situação sob controle, a defesa a quente da ordem pode ser feita sem que os organismos de segurança necessitem do suporte tático de um clima de guerra civil, embora este se mantenha, através da repressão policial-militar e da compressão 16 Leon Trotski, Revolução e contrarrevolução na Alemanha. São Paulo, Ciências Humanas, Leon Trotski, A história da Revolução Russa: a tentativa de contrarrevolução. 3 a ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, Florestan Fernandes, Brasil em compasso de espera. São Paulo, Hucitec, 1980, p Florestan Fernandes, A revolução burguesa no Brasil. Ensaio de interpretação sociológica. 2ª ed. Rio de Janeiro, Zahar, 1975, p. 347.

6 6 política. Em consequência, a contrarrevolução preventiva, que se dissipa ao nível histórico das formas diretas de luta de classes, reaparece de maneira concentrada e institucionalizada, como um processo social e político especializado, incorporado ao aparato estatal. 20 O conceito de contrarrevolução burguesa é utilizado para identificar ações autocráticas de defesa da ordem do capital, bem como, ações relativas às práticas formais da democracia restrita, ou seja, institucionalizada através de um conjunto de relações jurídicas e políticas. Isso faz com que a intolerância tenha raiz e sentido político; e que a democracia burguesa, nessa situação, seja de fato uma democracia restrita, aberta e funcional só para os que têm acesso à dominação burguesa 21. O desdobramento do processo contrarrevolucionário nestas fases foi e é possível na medida em que a burguesia combina repressão com ampliação da participação política da classe trabalhadora, mas uma ampliação nos limites de uma igualdade jurídica e política formal que convive com os antagonismos entre capital e trabalho. Nestas fases, ao lado dos controles inibitórios e destrutivos que persistem, aparece um esforço mais profundo e amplo, que busca a eficácia da contrarrevolução, a estabilidade da dominação burguesa e o engrandecimento do poder burguês. A esse esforço se prende a criação e a aplicação de novas estruturas jurídicas e políticas, a modernização de estruturas jurídicas e políticas preexistentes, a renovação e a racionalização da maquinaria de opressão e de repressão do Estado e a adaptação de todo o aparato ideológico e utópico da burguesia a uma situação contrarrevolucionária que pretende vir para ficar. 22 O refluxo da contrarrevolução a quente está articulado com a expansão da contrarrevolução a frio. Para a realização dessas ações contrarrevolucionárias, as nações hegemônicas e sua superpotência adotaram uma estratégia de contrarrevolução preventiva generalizada 23, na qual três aspectos são fundamentais: 1) o estabelecimento de um pacto de dominação entre as frações da burguesia; 2) a constituição de alianças com a classe trabalhadora; 3) o estímulo à ampliação de um processo de socialdemocratização das lutas dos trabalhadores, limitando-as à ação constitucional e parlamentar e estimulando o emburguesamento de suas burocracias sindicais e partidárias. Em relação ao primeiro aspecto, as disputas estabelecidas entre as frações de classe articuladas aos interesses imperialistas e as frações intermediárias e mais fracas que lutam 20 Idem, ibidem, p Idem, ibidem, p Idem, ibidem, p Fernandes, Brasil em compasso de espera. cit., p. 39.

7 7 pela liberdade de competir indicam a necessidade de acordos e pactos que estimulem a solidariedade da classe e a defesa, em última instância, da ordem burguesa. Nessa mesma direção, propõe uma política de conciliação de classes, por meio da realização de alianças com a classe trabalhadora. A composição com frações hegemônicas da burguesia estimularia o emburguesamento das burocracias partidárias e sindicais da classe trabalhadora, que passam a identificar o alargamento da participação política dos trabalhadores na democracia burguesa como o horizonte político de suas ações. Os métodos pacíficos de luta e os meios democráticos de negociação 24 levam essa burocracia sindical e partidária a assumir uma política de conciliação, negligenciando a ruptura com a ordem burguesa. A democracia, por isso, não pode ser representada como um valor em si e, muito menos, como um valor absoluto 25. A recuperação da análise sobre a concepção de democracia nos marcos da luta de classes rompe com a possibilidade de uma democracia representativa gerida pelas classes privilegiadas, com respaldo das classes médias e das massas populares: um populismo redentor, como poderia ser uma versão cabocla da socialdemocracia 26. A luta da classe trabalhadora pelo alargamento democrático dentro da ordem deve ser, portanto, tática e não estratégica. A democracia representativo-parlamentar, nos marcos da revolução dentro da ordem, deve estar direcionada para o acúmulo de forças em direção à revolução contra a ordem burguesa. A ocupação do poder institucionalizado e a execução de um conjunto de reformas políticas não podem ser colocadas como o horizonte da luta, sob o risco de incorporação subordinada da classe trabalhadora ao projeto burguês e, em última instância, de seu apoio direto ou indireto às posições substancialmente contrarrevolucionárias. Esse alargamento democrático dentro da ordem burguesa, fruto das lutas históricas da classe trabalhadora, contraditoriamente constitui-se em uma eficaz estratégia da contrarrevolução burguesa, com o apoio das burocracias sindical e partidária da classe trabalhadora. No Brasil, historicamente, a contrarrevolução burguesa apresenta as duas faces: quente ou fria 27. Por intermédio dessas ações, a burguesia limita o campo de luta na esfera parlamentar. O radicalismo burguês da contrarrevolução a quente é substituído pelo reformismo das burocracias sindicais e partidárias que se vergam à contrarrevolução 24 Idem, ibidem, p Fernandes, Em busca do socialismo, cit, p Fernandes, Brasil em compasso de espera, cit., p Fernandes, A Revolução Burguesa no Brasil, cit., p. 362.

8 8 burguesa. Essa face da contrarrevolução expressa a ação política da burguesia no sentido de responder à ampliação das desigualdades socioeconômicas na atual configuração do capitalismo e restringir ao máximo as pressões de setores combativos e classistas da classe trabalhadora por revoluções dentro da ordem e, principalmente, contra a ordem ; enfim, trata-se da configuração de uma etapa fundamental da luta de classes. A contrarrevolução burguesa preventiva, entretanto, não responde necessariamente a um contexto de efervescência revolucionária, de um nível de organização da classe trabalhadora que indique que a destruição da ordem existente e a construção da sociedade socialista já estejam, em curto prazo, no horizonte político. Mesmo assim, a contrarrevolução burguesa a frio ou preventiva deve ser considerada como um processo permanente e prolongado. Essa ação política permanente da burguesia, que atravessa e constitui a configuração atual do capitalismo, ocorre por meio do fenômeno que Florestan identificou como revolução das técnicas da contrarrevolução : A burguesia aprendeu a usar globalmente as técnicas que lhe são apropriadas de luta de classes e ousou incorporar essas técnicas a uma gigantesca rede institucional, da empresa ao sindicato patronal, do Estado às organizações capitalistas continentais e de âmbito mundial. Enquanto o movimento socialista e o movimento comunista optaram por opções táticas e defensivas, a burguesia avançou estrategicamente, ao nível financeiro, estatal e militar, e procedeu a uma verdadeira revolução das técnicas de contrarrevolução. Inclusive, abriu novos espaços para si própria, explorando as funções de legitimação do Estado para amarrar as classes trabalhadoras à segurança da ordem e soldar sindicatos ou os partidos políticos aos destinos da democracia. 28 [Grifos no original] Na atualidade, novas potencialidades estão em jogo para garantir a autodefesa e o autoprivilegiamento da burguesia. Esta está tentando se reorganizar, por trás do Estado de direito, dos direitos humanos (naturalmente para os mais humanos), das salvaguardas, da democracia forte etc. 29. Diante dessas novas potencialidades, a burguesia internacional realiza, por meio da contrarrevolução preventiva, ações sistemáticas de reorganização de suas ofensivas para enfrentar suas crises e conformar mentes e corações ao seu projeto de sociabilidade. É desta forma, portanto, que a contrarrevolução prolongada atinge cada vez mais a consciência proletária e a solidariedade ativa do proletariado na luta de classes Fernandes, Brasil em compasso de espera, cit., p Idem, ibidem, p Fernandes, O que é revolução, cit., p. 102.

9 9 A título de conclusão Apesar de atingir profundamente a consciência proletária, a contrarrevolução burguesa não retira da pauta política a construção do processo revolucionário. Pelo contrário. Reafirma a atualidade do conceito marxista de revolução socialista e a necessidade de uma profunda análise crítica das ações burguesas que procuram impedir e esvaziar a capacidade organizativa da classe trabalhadora para sua autoemancipação. As análises de Florestan demonstram que a contrarrevolução preventiva em escala mundial 31, com sua revolução das técnicas da contrarrevolução 32, está em curso. O neoliberalismo caracteriza-se como sua face atual, uma resposta à crise do capital aprofundada nos anos de 1970, que indica novas configurações na luta de classes ao mesmo tempo em que reafirma a atualidade do sonho de construção da revolução socialista, pois Quanto ao sonho, o que se deve dizer é que sem sonhos políticos realistas não existem nem pensamento revolucionário nem ação revolucionária. Os que não sonham estão engajados na defesa passiva da ordem capitalista ou na contrarrevolução prolongada. 33 É no centro deste debate e das ações políticas para a reorganização da classe trabalhada em tempos de contrarrevolução neoliberal que está inscrita a atualidade da obra de Florestan Fernandes. Recuperar seu legado intelectual militante para análise das ações contrarevolucionárias conduzidas pela burguesia e pela burocracia sindical e partidária convertida ao capital é tarefa urgente e necessária na construção da revolução contra a ordem. 31 Fernandes, Brasil em compasso de espera, cit., p Idem, ibidem, p Fernandes, O que é revolução, cit., p. 111.

Katia Luciana Sales Ribeiro Keila de Souza Almeida José Nailton Silveira de Pinho. Resenha: Marx (Um Toque de Clássicos)

Katia Luciana Sales Ribeiro Keila de Souza Almeida José Nailton Silveira de Pinho. Resenha: Marx (Um Toque de Clássicos) Katia Luciana Sales Ribeiro José Nailton Silveira de Pinho Resenha: Marx (Um Toque de Clássicos) Universidade Estadual de Montes Claros / UNIMONTES abril / 2003 Katia Luciana Sales Ribeiro José Nailton

Leia mais

Principais Sociólogos

Principais Sociólogos Principais Sociólogos 1. (Uncisal 2012) O modo de vestir determina a identidade de grupos sociais, simboliza o poder e comunica o status dos indivíduos. Seu caráter institucional assume grande importância

Leia mais

Governança Sustentável nos BRICS. Resumo executivo

Governança Sustentável nos BRICS. Resumo executivo Governança Sustentável nos BRICS Resumo executivo Sumário executivo A rapidez com que, nos últimos anos, as economias emergentes do Brasil, da Rússia, da Índia, da China e da África do Sul vêm se aproximando

Leia mais

NOVAS CONFIGURAÇÕES DA LUTA DE CLASSES E REFUNDAÇÃO DO PROJETO BURGUÊS DE SOCIABILIDADE

NOVAS CONFIGURAÇÕES DA LUTA DE CLASSES E REFUNDAÇÃO DO PROJETO BURGUÊS DE SOCIABILIDADE NOVAS CONFIGURAÇÕES DA LUTA DE CLASSES E REFUNDAÇÃO DO PROJETO BURGUÊS DE SOCIABILIDADE Kátia Lima i katiaslima@globo.com Apresentação Este artigo tem como objetivo analisar a reestruturação econômica

Leia mais

A ideologia alemã. Karl Marx e Friedrich Engels

A ideologia alemã. Karl Marx e Friedrich Engels A ideologia alemã Karl Marx e Friedrich Engels Percurso Karl Marx (1817-1883) Filho de advogado iluminista Formou-se em Direito, Filosofia e História pela Universidade de Berlim; não seguiu carreira acadêmica

Leia mais

CLASSES SOCIAIS, CAPITALISMO DEPENDENTE E EDUCAÇÃO SUPERIOR NO BRASIL

CLASSES SOCIAIS, CAPITALISMO DEPENDENTE E EDUCAÇÃO SUPERIOR NO BRASIL CLASSES SOCIAIS, CAPITALISMO DEPENDENTE E EDUCAÇÃO SUPERIOR NO BRASIL Viviane de Souza Rodrigues 1 José Renato Bez de Gregório 2 Resumo O presente trabalho apresenta alguns traços estruturais do desenvolvimento

Leia mais

SÉCULO XIX NOVOS ARES NOVAS IDEIAS Aula: 43 e 44 Pág. 8 PROFª: CLEIDIVAINE 8º ANO

SÉCULO XIX NOVOS ARES NOVAS IDEIAS Aula: 43 e 44 Pág. 8 PROFª: CLEIDIVAINE 8º ANO SÉCULO XIX NOVOS ARES NOVAS IDEIAS Aula: 43 e 44 Pág. 8 PROFª: CLEIDIVAINE 8º ANO 1 - INTRODUÇÃO Séc. XIX consolidação da burguesia: ascensão do proletariado urbano (classe operária) avanço do liberalismo.

Leia mais

IDEOLOGIA, EDUCAÇÃO E EMANCIPAÇÃO HUMANA EM MARX, LUKÁCS E MÉSZÁROS

IDEOLOGIA, EDUCAÇÃO E EMANCIPAÇÃO HUMANA EM MARX, LUKÁCS E MÉSZÁROS IDEOLOGIA, EDUCAÇÃO E EMANCIPAÇÃO HUMANA EM MARX, LUKÁCS E MÉSZÁROS Maria Teresa Buonomo de Pinho * O objetivo deste artigo é examinar o caráter de ideologia da práxis educativa e o papel relativo que

Leia mais

Economia popular solidária: Uma perspectiva anticapitalista

Economia popular solidária: Uma perspectiva anticapitalista Economia popular solidária: Uma perspectiva anticapitalista Sérgio Kapron A Economia Popular Solidária, e todo universo ainda não muito preciso que ela envolva, tem ocupado um espaço crescente entre militantes

Leia mais

Democracia ou Socialismo? Resumo

Democracia ou Socialismo? Resumo 1 Democracia ou Socialismo? Estudantes de graduação do 6 o. período do curso de História da UFV 1 Gustavo Bianch, Paulo Santana, Bolívar Dias Jr., Carlos Henrique de Oliveira, Luiz Fernando Lopes, João

Leia mais

GRAMSCI E A PRÁTICA PEDAGÓGICA DO CENTRO DE TRABALHO E CULTURA

GRAMSCI E A PRÁTICA PEDAGÓGICA DO CENTRO DE TRABALHO E CULTURA GRAMSCI E A PRÁTICA PEDAGÓGICA DO CENTRO DE TRABALHO E CULTURA SPINELLI, Mônica dos Santos IE/PPGE/UFMT RESUMO O texto apresenta resultados parciais da pesquisa teórica sobre categorias conceituais em

Leia mais

PROVA DAS DISCIPLINAS CORRELATAS SOCIOLOGIA DO DIREITO

PROVA DAS DISCIPLINAS CORRELATAS SOCIOLOGIA DO DIREITO PROVA DAS DISCIPLINAS CORRELATAS SOCIOLOGIA DO DIREITO P á g i n a 1 Questão 1. Émile Durkheim demonstrou por meio de seus estudos a relação entre as manifestações de solidariedade existentes na sociedade

Leia mais

Karl Marx e a Teoria do Valor do Trabalho. Direitos Autorais: Faculdades Signorelli

Karl Marx e a Teoria do Valor do Trabalho. Direitos Autorais: Faculdades Signorelli Karl Marx e a Teoria do Valor do Trabalho Direitos Autorais: Faculdades Signorelli "O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém, desviamo-nos dele. A cobiça envenenou a alma dos homens,

Leia mais

Sociologia Organizacional. Aula 1. Contextualização. Organização da Disciplina. Aula 1. Contexto histórico do aparecimento da sociologia

Sociologia Organizacional. Aula 1. Contextualização. Organização da Disciplina. Aula 1. Contexto histórico do aparecimento da sociologia Sociologia Organizacional Aula 1 Organização da Disciplina Aula 1 Contexto histórico do aparecimento da sociologia Aula 2 Profa. Me. Anna Klamas A institucionalização da sociologia: August Comte e Emile

Leia mais

EMENTAS DAS DISCIPLINAS

EMENTAS DAS DISCIPLINAS EMENTAS DAS DISCIPLINAS CURSO DE GRADUAÇÃO DE SERVIÇO SOCIAL INTRODUÇÃO AO SERVIÇO SOCIAL EMENTA: A ação profissional do Serviço Social na atualidade, o espaço sócioocupacional e o reconhecimento dos elementos

Leia mais

Resenha. De forma sintética e competente, faz uma reconstituição histórica desde os processos de colonização que marcaram as sociedades latino-

Resenha. De forma sintética e competente, faz uma reconstituição histórica desde os processos de colonização que marcaram as sociedades latino- Revista Latino-americana de Estudos do Trabalho, Ano 17, nº 28, 2012, 229-233 Resenha O Continente do Labor, de Ricardo Antunes (São Paulo, Boitempo, 2011) Graça Druck A iniciativa de Ricardo Antunes de

Leia mais

ESTA PALESTRA NÃO PODERÁ SER REPRODUZIDA SEM A REFERÊNCIA DO AUTOR.

ESTA PALESTRA NÃO PODERÁ SER REPRODUZIDA SEM A REFERÊNCIA DO AUTOR. ESTA PALESTRA NÃO PODERÁ SER REPRODUZIDA SEM A REFERÊNCIA DO AUTOR. ÉTICA E SERVIÇO SOCIAL: Elementos para uma breve reflexão e debate. Perspectiva de Análise Teoria Social Crítica (Marx e alguns marxistas)

Leia mais

2. Capitalismo dependente e padrão compósito da hegemonia burguesa:

2. Capitalismo dependente e padrão compósito da hegemonia burguesa: CAPITALISMO DEPENDENTE E REFORMA UNIVERSITÁRIA CONSENTIDA : A CONTRIBUIÇÃO DE FLORESTAN FERNANDES PARA A SUPERAÇÃO DOS DILEMAS EDUCACIONAIS BRASILEIROS. LIMA, Kátia Regina de Souza UFF GT: Política de

Leia mais

Democracia Burguesa e Apatia Política. Se, como apontou Marx, existe uma relação entre o nível de participação

Democracia Burguesa e Apatia Política. Se, como apontou Marx, existe uma relação entre o nível de participação Democracia Burguesa e Apatia Política Luciano Cavini Martorano 1 Se, como apontou Marx, existe uma relação entre o nível de participação popular e a plenitude da transformação social, o socialismo deveria

Leia mais

AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL: ELEMENTOS PARA DISCUSSÃO 1

AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL: ELEMENTOS PARA DISCUSSÃO 1 AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL: ELEMENTOS PARA DISCUSSÃO 1 Sandra M. Zákia L. Sousa 2 As demandas que começam a ser colocadas no âmbito dos sistemas públicos de ensino, em nível da educação básica, direcionadas

Leia mais

UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS FACULDADE DE EDUCAÇÃO PESQUISA OBSERVATÓRIO DA EDUCAÇÃO REDE MUNICIPAL DA EDUCAÇÃO DE GOIÂNIA

UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS FACULDADE DE EDUCAÇÃO PESQUISA OBSERVATÓRIO DA EDUCAÇÃO REDE MUNICIPAL DA EDUCAÇÃO DE GOIÂNIA UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS FACULDADE DE EDUCAÇÃO PESQUISA OBSERVATÓRIO DA EDUCAÇÃO REDE MUNICIPAL DA EDUCAÇÃO DE GOIÂNIA ESCOLA MUNICIPAL JALLES MACHADO DE SIQUEIRA PROFESSORA BOLSISTA ROSA CRISTINA

Leia mais

Ementários de acordo com o Projeto Político Pedagógico do Curso de Serviço Social (2007).

Ementários de acordo com o Projeto Político Pedagógico do Curso de Serviço Social (2007). Anexo 1. Ementários de acordo com o Projeto Político Pedagógico do Curso de Serviço Social (2007). I. Disciplinas Obrigatórias SOCIOLOGIA CLÁSSICA Os paradigmas sociológicos clássicos (Marx, Weber, Durkheim).

Leia mais

THOMAS HOBBES LEVIATÃ MATÉRIA, FORMA E PODER DE UM ESTADO ECLESIÁSTICO E CIVIL

THOMAS HOBBES LEVIATÃ MATÉRIA, FORMA E PODER DE UM ESTADO ECLESIÁSTICO E CIVIL THOMAS HOBBES LEVIATÃ ou MATÉRIA, FORMA E PODER DE UM ESTADO ECLESIÁSTICO E CIVIL Thomas Hobbes é um contratualista teoria do contrato social; O homem natural / em estado de natureza para Hobbes não é

Leia mais

II - O DEBATE TEÓRICO E CONCEITUAL DA COOPERAÇÃO E A CONCEPÇÃO DO MST

II - O DEBATE TEÓRICO E CONCEITUAL DA COOPERAÇÃO E A CONCEPÇÃO DO MST TÍTULO: Elementos para um debate histórico e conceitual da cooperação no contexto das relações de produção capitalistas e a concepção do MST. NOME DO AUTOR: Michelly Ferreira Monteiro Elias. CONDIÇÃO:

Leia mais

Portfólio Easy to Learn SERVIÇO SOCIAL

Portfólio Easy to Learn SERVIÇO SOCIAL Portfólio Easy to Learn SERVIÇO SOCIAL ÍNDICE Pensamento Social...2 Movimentos Sociais e Serviço Social...2 Fundamentos do Serviço Social I...2 Leitura e Interpretação de Textos...3 Metodologia Científica...3

Leia mais

Universidade Estadual do Centro-Oeste Reconhecida pelo Decreto Estadual nº 3.444, de 8 de agosto de 1997

Universidade Estadual do Centro-Oeste Reconhecida pelo Decreto Estadual nº 3.444, de 8 de agosto de 1997 RESOLUÇÃO Nº 094/2015-CONSET/SEHLA/G/UNICENTRO, DE 11 DE AGOSTO DE 2015. Altera os Anexos I e II, da Resolução Nº 133/2012- CONSET/SEHLA/G/UNICENTRO, de 23 de novembro de 2012, e aprova o relatório final.

Leia mais

Terceiro Setor - fator de confluência na ação social do ano 2000

Terceiro Setor - fator de confluência na ação social do ano 2000 Terceiro Setor - fator de confluência na ação social do ano 2000 Alceu Terra Nascimento O terceiro setor no Brasil, como categoria social, é uma "invenção" recente. Ele surge para identificar um conjunto

Leia mais

Movimentos Sociais: questões de gênero e educação na Experiência do MST

Movimentos Sociais: questões de gênero e educação na Experiência do MST Movimentos Sociais: questões de gênero e educação na Experiência do MST Djacira Maria de Oliveira Araujo 1 As relações de gênero decorrem de mudanças nas relações pessoais e embora as mudanças nas relações

Leia mais

DOCUMENTO 03 ENSINO SUPERIOR NO BRASIL

DOCUMENTO 03 ENSINO SUPERIOR NO BRASIL DOCUMENTO 03 ENSINO SUPERIOR NO BRASIL Com o advento da nova Constituição em 1988 e a promulgação e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional em fins de 1996, novas perspectivas foram colocadas

Leia mais

1. O pensamento marxista e o contexto contemporâneo

1. O pensamento marxista e o contexto contemporâneo Prof. Dr. Elydio dos Santos Neto AS CONTRIBUIÇÕES DE ANTONIO GRAMSCI PARA COMPREENDER A ESCOLA E O PROFESSOR NA ESTRUTURA DA SOCIEDADE CAPITALISTA 1. O pensamento marxista e o contexto contemporâneo No

Leia mais

CONCEITO DE ASSISTÊNCIA E ASSISTENCIALISMO

CONCEITO DE ASSISTÊNCIA E ASSISTENCIALISMO CONCEITO DE ASSISTÊNCIA E ASSISTENCIALISMO Solange Silva dos Santos Fidelis 1 Este trabalho foi elaborado no ano de 2004 como parte do trabalho de conclusão do curso de serviço social da Unioeste Campus

Leia mais

CONTEÚDOS DE SOCIOLOGIA POR BIMESTRE PARA O ENSINO MÉDIO COM BASE NOS PARÂMETROS CURRICULARES DO ESTADO DE PERNAMBUCO

CONTEÚDOS DE SOCIOLOGIA POR BIMESTRE PARA O ENSINO MÉDIO COM BASE NOS PARÂMETROS CURRICULARES DO ESTADO DE PERNAMBUCO CONTEÚDOS DE SOCIOLOGIA POR BIMESTRE PARA O ENSINO MÉDIO COM BASE NOS PARÂMETROS CURRICULARES DO ESTADO DE PERNAMBUCO GOVERNADOR DE PERNAMBUCO João Lyra Neto SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO E ESPORTES Ricardo Dantas

Leia mais

Tabela 1 Total da população 2010 Total de homens Total de mulheres Homens % Mulheres % Distrito Federal 2.562.963 1.225.237 1.337.

Tabela 1 Total da população 2010 Total de homens Total de mulheres Homens % Mulheres % Distrito Federal 2.562.963 1.225.237 1.337. PROGRAMA TÉMATICO: 6229 EMANCIPAÇÃO DAS MULHERES OBJETIVO GERAL: Ampliar o acesso das mulheres aos seus direitos por meio do desenvolvimento de ações multissetoriais que visem contribuir para uma mudança

Leia mais

Serviço Social e o Trabalho Social em Habitação de Interesse Social. Tânia Maria Ramos de Godoi Diniz Novembro de 2015

Serviço Social e o Trabalho Social em Habitação de Interesse Social. Tânia Maria Ramos de Godoi Diniz Novembro de 2015 Serviço Social e o Trabalho Social em Habitação de Interesse Social Tânia Maria Ramos de Godoi Diniz Novembro de 2015 Sobre o trabalho social O trabalho social nos programas de, exercido pelo (a) assistente

Leia mais

Fórum Social Mundial Memória FSM memoriafsm.org

Fórum Social Mundial Memória FSM memoriafsm.org Este documento faz parte do Repositório Institucional do Fórum Social Mundial Memória FSM memoriafsm.org CARTA DE PRINCÍPIOS DO FÓRUM SOCIAL MUNDIAL O Comitê de entidades brasileiras que idealizou e organizou

Leia mais

ANÁLISE DA PRÁTICA INSTITUCIONAL

ANÁLISE DA PRÁTICA INSTITUCIONAL ANÁLISE DA PRÁTICA INSTITUCIONAL Prof.ª Mônica Ferreira dos Santos José Augusto Guilhon de Albuquerque é sociólogo e professor da USP. No Serviço Social alguns autores já usaram seu referencial. Weisshaupt

Leia mais

Evolução do Pensamento

Evolução do Pensamento Unidade I Evolução do Pensamento Administrativo Prof. José Benedito Regina Conteúdo da disciplina EPA Parte 1 - Conceitos gerais da administração Parte 2 - Evolução histórica: Abordagens administrativas

Leia mais

PALAVRAS-CHAVE: GRAMSCI; SOCIEDADE CIVIL; HEGEMONIA A SOCIEDADE CIVIL EM GRAMSCI

PALAVRAS-CHAVE: GRAMSCI; SOCIEDADE CIVIL; HEGEMONIA A SOCIEDADE CIVIL EM GRAMSCI PALAVRAS-CHAVE: GRAMSCI; SOCIEDADE CIVIL; HEGEMONIA A SOCIEDADE CIVIL EM GRAMSCI Introdução O pensamento político moderno, de Hobbes a Hegel, caracteriza-se pela tendência a considerar o Estado ou sociedade

Leia mais

REFLEXÕES SOBRE A QUESTÃO SOCIAL

REFLEXÕES SOBRE A QUESTÃO SOCIAL TEORIA MARXISTA NA COMPREENSÃO DA SOCIEDADE CAPITALISTA Disciplina: QUESTÃO E SERVIÇO Professora: Maria da Graça Maurer Gomes Türck Fonte: AS Maria da Graça Türck 1 Que elementos são constitutivos importantes

Leia mais

A questão da classe subalterna na sociedade brasileira

A questão da classe subalterna na sociedade brasileira A questão da classe subalterna na sociedade brasileira Nádia Roque Soares (Graduanda Ciências Sociais/UEL); José Mário Angeli (Dep. Filosofia/UEL) nadiasoares2005@yahoo.com.br / angeli@imbrapenet.com Através

Leia mais

CURSO e COLÉGIO ESPECÍFICO Ltda

CURSO e COLÉGIO ESPECÍFICO Ltda CURSO e COLÉGIO ESPECÍFICO Ltda www.especifico.com.br DISCIPLINA : Sociologia PROF: Waldenir do Prado DATA:06/02/2012 O que é Sociologia? Estudo objetivo das relações que surgem e se reproduzem, especificamente,

Leia mais

Análise Sociológica do Filme -Notícias de Uma Guerra Particular [1999], (de Katia Lund e João Moreira Salles)

Análise Sociológica do Filme -Notícias de Uma Guerra Particular [1999], (de Katia Lund e João Moreira Salles) FACULDADE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE Curso de Bacharel em Direito Turma A Unidade: Tatuapé Ana Maria Geraldo Paz Santana Johnson Pontes de Moura Análise Sociológica do Filme -Notícias de Uma Guerra Particular

Leia mais

2. Projeto Ético-Político do Serviço Social

2. Projeto Ético-Político do Serviço Social Projeto Ético-político do Serviço Social: a passagem do âmbito da possibilidade ao âmbito da efetividade Cláudia Mônica dos Santos Discente: Janaina Menegueli Início: agosto de 2013. Objeto: Projeto Ético-político

Leia mais

CLASSES SOCIAIS E LUTA DE CLASSES

CLASSES SOCIAIS E LUTA DE CLASSES Secretaria Nacional de Formação Política do Partido Comunista Brasileiro Introdução CURSO DE INICIAÇÃO PARTIDÁRIA CLASSES SOCIAIS E LUTA DE CLASSES A definição de classe social fornecida por Lênin deixa

Leia mais

EDUCAÇÃO E DOMINAÇÃO EM KARL MARX

EDUCAÇÃO E DOMINAÇÃO EM KARL MARX EDUCAÇÃO E DOMINAÇÃO EM KARL MARX Maria Catarina Ananias de Araujo Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) Email: mariacatarinaan@gmail.com Prof.Dr. Valmir Pereira Universidade Estadual da Paraíba (UEPB)

Leia mais

balanço crítico Zulene Muniz Barbosa Universidade Estadual do Maranhão (UEMA)

balanço crítico Zulene Muniz Barbosa Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) 273 balanço crítico Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) Este artigo expõe algumas inquietações sobre o movimento sindical e a necessidade deste em explorar as suas vias de renovação, a partir das

Leia mais

ENSINO DE GEOGRAFIA, CULTURA POPULAR E TEMAS TRANSVERSAIS: uma proposta de transversalidade a partir dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN s)

ENSINO DE GEOGRAFIA, CULTURA POPULAR E TEMAS TRANSVERSAIS: uma proposta de transversalidade a partir dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN s) ENSINO DE GEOGRAFIA, CULTURA POPULAR E TEMAS TRANSVERSAIS: uma proposta de transversalidade a partir dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN s) Kálita Tavares da SILVA 1 ; Estevane de Paula Pontes MENDES

Leia mais

COLÉGIO VICENTINO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio Rua Rui Barbosa, 1324, Toledo PR Fone: 3277-8150

COLÉGIO VICENTINO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio Rua Rui Barbosa, 1324, Toledo PR Fone: 3277-8150 COLÉGIO VICENTINO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio Rua Rui Barbosa, 1324, Toledo PR Fone: 3277-8150 PLANEJAMENTO ANUAL DE HISTÓRIA 9º ANO PROFESSOR: MÁRCIO AUGUSTO

Leia mais

RESOLUÇÕES DO V ENCONTRO NACIONAL DO RAMO DA CONSTRUÇÃO E DO MOBILIÁRIO DA CTB

RESOLUÇÕES DO V ENCONTRO NACIONAL DO RAMO DA CONSTRUÇÃO E DO MOBILIÁRIO DA CTB RESOLUÇÕES DO V ENCONTRO NACIONAL DO RAMO DA CONSTRUÇÃO E DO MOBILIÁRIO DA CTB O Encontro Nacional do Ramo da Construção e do Mobiliário da CTB, este ano em sua 5ª edição, realizado nos dias 28 e 29 de

Leia mais

GESTÃO SOCIAL NA LÓGICA DA SOCIEDADE CIVIL. Profa. Sandra Silveira

GESTÃO SOCIAL NA LÓGICA DA SOCIEDADE CIVIL. Profa. Sandra Silveira GESTÃO SOCIAL NA LÓGICA DA SOCIEDADE CIVIL Profa. Sandra Silveira Conceitos - chaves Sociedade Civil Para Gramsc (1978), é constituída pelo conjunto de organizações responsáveis pela elaboração/difusão

Leia mais

Universidade Estadual de Londrina/Departamento de Serviço Social/Londrina, PR Ciências Sociais Aplicadas Ética e Serviço Social

Universidade Estadual de Londrina/Departamento de Serviço Social/Londrina, PR Ciências Sociais Aplicadas Ética e Serviço Social O materialismo-histórico dialético e o projeto ético-político do Serviço Social: algumas aproximações Emelin Caroline Tarantini Cremasco (PIBIC/CNPq-UEL), Olegna Souza Guedes (Orientadora), e-mail: olegnasg@gmail.com

Leia mais

RESENHA CADERNO PENSAR ESTADO DE MINAS 09/04/05. Universidade, Globalização e a Ecologia dos Saberes

RESENHA CADERNO PENSAR ESTADO DE MINAS 09/04/05. Universidade, Globalização e a Ecologia dos Saberes RESENHA CADERNO PENSAR ESTADO DE MINAS 09/04/05 Universidade, Globalização e a Ecologia dos Saberes Leonardo Avritzer O Professor Boaventura de Sousa Santos é autor de uma obra que tem se tornado uma das

Leia mais

NAPOLEÃO BONAPARTE. Pode-se dividir seu governo em três partes: Consulado (1799-1804) Império (1804-1815) Governo dos Cem Dias (1815)

NAPOLEÃO BONAPARTE. Pode-se dividir seu governo em três partes: Consulado (1799-1804) Império (1804-1815) Governo dos Cem Dias (1815) NAPOLEÃO BONAPARTE 1 Profª Adriana Moraes Destaca-se política e militarmente no Período Jacobino. DIRETÓRIO Conquistas militares e diplomáticas na Europa defesa do novo governo contra golpes. Golpe 18

Leia mais

1º ano. A reconquista ibérica e as grandes navegações Capítulo 10: Item 2 A revolução comercial Capítulo 12: Item 3 O Novo Mundo Capítulo 10: Item 2

1º ano. A reconquista ibérica e as grandes navegações Capítulo 10: Item 2 A revolução comercial Capítulo 12: Item 3 O Novo Mundo Capítulo 10: Item 2 1º ano O absolutismo e o Estado Moderno Capítulo 12: Todos os itens A reconquista ibérica e as grandes navegações Capítulo 10: Item 2 A revolução comercial Capítulo 12: Item 3 O Novo Mundo Capítulo 10:

Leia mais

A DIVISÃO DO TRABALHO: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DAS TEORIAS DE KARL MARX E EMILE DÜRKHEIM

A DIVISÃO DO TRABALHO: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DAS TEORIAS DE KARL MARX E EMILE DÜRKHEIM A DIVISÃO DO TRABALHO: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DAS TEORIAS DE KARL MARX E EMILE DÜRKHEIM Profa. Érika de Cássia Oliveira Caetano 1 - ÉMILE DÜRKHEIM: A DIVISÃO SOCIAL DO TRABALHO Assim como Auguste Comte,

Leia mais

Contribuição sobre Economia solidária para o Grupo de Alternativas econômicas Latino-Americano da Marcha Mundial das Mulheres Isolda Dantas 1

Contribuição sobre Economia solidária para o Grupo de Alternativas econômicas Latino-Americano da Marcha Mundial das Mulheres Isolda Dantas 1 Contribuição sobre Economia solidária para o Grupo de Alternativas econômicas Latino-Americano da Marcha Mundial das Mulheres Isolda Dantas 1 Economia solidária: Uma ferramenta para construção do feminismo

Leia mais

ONGs republicanas e democráticas em um novo cenário político

ONGs republicanas e democráticas em um novo cenário político ONGs republicanas e democráticas em um novo cenário político Silvio Caccia Bava Silvio Caccia Bava é sociólogo, coordenador executivo do Instituto Pólis e membro do Conselho Nacional de Segurança Alimentar

Leia mais

CONTEXTO HISTORICO E GEOPOLITICO ATUAL. Ciências Humanas e suas tecnologias R O C H A

CONTEXTO HISTORICO E GEOPOLITICO ATUAL. Ciências Humanas e suas tecnologias R O C H A CONTEXTO HISTORICO E GEOPOLITICO ATUAL Ciências Humanas e suas tecnologias R O C H A O capitalismo teve origem na Europa, nos séculos XV e XVI, e se expandiu para outros lugares do mundo ( Ásia, África,

Leia mais

Tempo e psicologia: a concepção de desenvolvimento na teoria de Wallon

Tempo e psicologia: a concepção de desenvolvimento na teoria de Wallon Tempo e psicologia: a concepção de desenvolvimento na teoria de Wallon Soraya Vieira SANTOS; Marília Gouvea de MIRANDA (PPGE/FE/UFG) soraya_vieira@hotmail.com marília.ppge@uol.com.br Palavras-chave: Wallon;

Leia mais

Page 1 of 8. http://www2.unifap.br/borges

Page 1 of 8. http://www2.unifap.br/borges Page 1 of 8 Universidade Federal do Amapá Pró-Reitoria de Ensino de Graduação Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia Disciplina: Filosofia da Educação I Educador: João Nascimento Borges Filho Gramsci

Leia mais

MATRIZ CURRICULAR CURRÍCULO PLENO 1.ª SÉRIE

MATRIZ CURRICULAR CURRÍCULO PLENO 1.ª SÉRIE MATRIZ CURRICULAR Curso: Graduação: Regime: Duração: BACHARELADO SERIADO ANUAL - NOTURNO 4 (QUATRO) ANOS LETIVOS Integralização: A) TEMPO TOTAL - MÍNIMO = 04 (QUATRO) ANOS LETIVOS - MÁXIMO = 07 (SETE)

Leia mais

Reforma gerencial do Estado, teoria política e ensino da administração pública

Reforma gerencial do Estado, teoria política e ensino da administração pública Artigo Especial Reforma gerencial do Estado, teoria política e ensino da administração pública Luiz Carlos Bresser-Pereira 1 1 Fundação Getúlio Vargas. Ministro da Fazenda (1987). Ministro da Administração

Leia mais

RELATÓRIO SÍNTESE DO IV SIMPÓSIO NACIONAL DO CEBES

RELATÓRIO SÍNTESE DO IV SIMPÓSIO NACIONAL DO CEBES RELATÓRIO SÍNTESE DO IV SIMPÓSIO NACIONAL DO CEBES O IV Simpósio Nacional do (Cebes), realizado no dia 31 de outubro de 2015, no Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), no Rio de Janeiro, teve como objetivo

Leia mais

Lista de exercícios Sociologia- 1 ano- 1 trimestre

Lista de exercícios Sociologia- 1 ano- 1 trimestre Lista de exercícios Sociologia- 1 ano- 1 trimestre 01-O homo sapiens moderno espécie que pertencemos se constitui por meio do grupo, ou seja, sociedade. Qual das características abaixo é essencial para

Leia mais

O marxismo heterodoxo de João Bernardo

O marxismo heterodoxo de João Bernardo O marxismo heterodoxo de João Bernardo João Alberto da Costa Pinto 1 Meu propósito neste colóquio é o de fazer uma rápida apresentação de alguns aspectos conceituais que considero fundamentais na proposta

Leia mais

Serviço Social, trabalho e políticas públicas: os desafios do presente

Serviço Social, trabalho e políticas públicas: os desafios do presente 283 Serviço Social, trabalho e políticas públicas: os desafios do presente ALMEIDA, Ney Luiz Teixeira de; ALENCAR, Mônica Maria Torres de. Serviço Social, trabalho e políticas públicas. São Paulo: Saraiva,

Leia mais

A CONSTRUÇÃO DO MODELO SOVIÉTICO E O SEU IMPACTO NO MUNDO

A CONSTRUÇÃO DO MODELO SOVIÉTICO E O SEU IMPACTO NO MUNDO A CONSTRUÇÃO DO MODELO SOVIÉTICO E O SEU IMPACTO NO MUNDO Império russo (início do século a 1917) Território * Governo Maior império da Europa, estendendo-se da Ásia ao pacífico * Monarquia absoluta e

Leia mais

PSVS/UFES 2013 MATEMÁTICA 1ª QUESTÃO. O domínio da função real dada por 2ª QUESTÃO. Uma equação da reta tangente ao gráfico de no ponto é 3ª QUESTÃO

PSVS/UFES 2013 MATEMÁTICA 1ª QUESTÃO. O domínio da função real dada por 2ª QUESTÃO. Uma equação da reta tangente ao gráfico de no ponto é 3ª QUESTÃO MATEMÁTICA 1ª QUESTÃO O domínio da função real dada por 2ª QUESTÃO Uma equação da reta tangente ao gráfico de no ponto 3ª QUESTÃO A assíntota horizontal do gráfico de a reta de equação GRUPO 3 PROVA DE

Leia mais

PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO STRICTO SENSU EM POLÍTICAS PÚBLICAS, ESTRATÉGIAS E DESENVOLVIMENTO

PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO STRICTO SENSU EM POLÍTICAS PÚBLICAS, ESTRATÉGIAS E DESENVOLVIMENTO PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO STRICTO SENSU EM POLÍTICAS PÚBLICAS, ESTRATÉGIAS E DESENVOLVIMENTO LINHA DE PESQUISA: POLÍTICAS PÚBLICAS DE CULTURA JUSTIFICATIVA O campo de pesquisa em Políticas Públicas de

Leia mais

1. Conceito Guerra improvável, paz impossível - a possibilidade da guerra era constante, mas a capacidade militar de ambas potências poderia provocar

1. Conceito Guerra improvável, paz impossível - a possibilidade da guerra era constante, mas a capacidade militar de ambas potências poderia provocar A GUERRA FRIA 1. Conceito Conflito político, econômico, ideológico, cultural, militar entre os EUA e a URSS sem que tenha havido confronto direto entre as duas superpotências. O conflito militar ocorria

Leia mais

Acerca da Luta Armada

Acerca da Luta Armada VALOR E VIOLÊNCIA Acerca da Luta Armada Conferência Pronunciada no Anfiteatro de História da USP em 2011 Wilson do Nascimento Barbosa Professor Titular de História Econômica na USP Boa noite! Direi em

Leia mais

Unidade II FUNDAMENTOS HISTÓRICOS, TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DO SERVIÇO SOCIAL. Prof. José Junior

Unidade II FUNDAMENTOS HISTÓRICOS, TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DO SERVIÇO SOCIAL. Prof. José Junior Unidade II FUNDAMENTOS HISTÓRICOS, TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DO SERVIÇO SOCIAL Prof. José Junior O surgimento do Serviço Social O serviço social surgiu da divisão social e técnica do trabalho, afirmando-se

Leia mais

PROVA DAS DISCIPLINAS CORRELATAS TEORIA DO ESTADO

PROVA DAS DISCIPLINAS CORRELATAS TEORIA DO ESTADO P á g i n a 1 PROVA DAS DISCIPLINAS CORRELATAS TEORIA DO ESTADO 1. Na teoria contratualista, o surgimento do Estado e a noção de contrato social supõem que os indivíduos abrem mão de direitos (naturais)

Leia mais

1 A sociedade dos indivíduos

1 A sociedade dos indivíduos Unidade 1 A sociedade dos indivíduos Nós, seres humanos, nascemos e vivemos em sociedade porque necessitamos uns dos outros. Thinkstock/Getty Images Akg-images/Latin Stock Akg-images/Latin Stock Album/akg

Leia mais

COLÉGIO MARISTA - PATOS DE MINAS 3º ANO DO ENSINO MÉDIO - 2013 Professor (a): ROGÉRIO MANOEL FERREIRA. 2ª Recuperação Autônoma Questões de SOCIOLOGIA

COLÉGIO MARISTA - PATOS DE MINAS 3º ANO DO ENSINO MÉDIO - 2013 Professor (a): ROGÉRIO MANOEL FERREIRA. 2ª Recuperação Autônoma Questões de SOCIOLOGIA COLÉGIO MARISTA - PATOS DE MINAS 3º ANO DO ENSINO MÉDIO - 23 Professor (a): ROGÉRIO MANOEL FERREIRA 2ª Recuperação Autônoma Questões de SOCIOLOGIA Questão - Sobre o significado de consciência coletiva

Leia mais

OS FUNDAMENTOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS DO SERVIÇO SOCIAL NO SÉCULO XXI

OS FUNDAMENTOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS DO SERVIÇO SOCIAL NO SÉCULO XXI OS FUNDAMENTOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS DO SERVIÇO SOCIAL NO SÉCULO XXI Ariana Célis Leite Lívia Hernandes de Carvalho Lívia Moura Marinho Thiago Agenor dos Santos de Lima RESUMO: O presente artigo tem como

Leia mais

EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: O PILAR QUE SUSTENTA A FUNÇÃO SOCIAL DA UNIVERSIDADE. Laboratório de Extensão - LABEX

EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: O PILAR QUE SUSTENTA A FUNÇÃO SOCIAL DA UNIVERSIDADE. Laboratório de Extensão - LABEX EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: O PILAR QUE SUSTENTA A FUNÇÃO SOCIAL DA UNIVERSIDADE Laboratório de Extensão - LABEX Augusto Gomes Amado Júlia Mafra Letícia Nery de Figueiredo Juliana Westmann Del Poente Thaisa

Leia mais

REVOLUÇÃO FRANCESA. Por: Rodrigo A. Gaspar

REVOLUÇÃO FRANCESA. Por: Rodrigo A. Gaspar REVOLUÇÃO FRANCESA Por: Rodrigo A. Gaspar REVOLUÇÃO FRANCESA Influência dos valores iluministas Superação do Absolutismo monárquico e da sociedade estratificada Serviu de inspiração para outras revoluções,

Leia mais

Trabalho Sindical. Elementos categoriais

Trabalho Sindical. Elementos categoriais Trabalho Sindical Elementos categoriais O papel da Direção Executiva Trabalho sindical como trabalho ideológico Ação sobre o outro-de-classe visando mobilizar para a luta sindical) GIOVANNI ALVES - UNESP

Leia mais

AS ATUAIS POLÍTICAS DA REDE OFICIAL DE ENSINO BÁSICO DE SÃO PAULO: Membros de uma realidade perversa

AS ATUAIS POLÍTICAS DA REDE OFICIAL DE ENSINO BÁSICO DE SÃO PAULO: Membros de uma realidade perversa AS ATUAIS POLÍTICAS DA REDE OFICIAL DE ENSINO BÁSICO DE SÃO PAULO: Membros de uma realidade perversa Luís Fernando de Freitas Camargo Professor do Curso de Geografia e Especialização em PROEJA Centro Federal

Leia mais

Introdução à Sociologia Clássica 1

Introdução à Sociologia Clássica 1 Introdução à Sociologia Clássica 1 Eleandro Moi 2 A sociologia constitui um projeto intelectual tenso e contraditório. Para alguns ela representa uma poderosa arma a serviço dos interesses dominantes,

Leia mais

DESENVOLVIMENTO CAPITALISTA E AS PARTICULARIDADES DA FORMAÇÃO DO ESTADO BRASILEIRO

DESENVOLVIMENTO CAPITALISTA E AS PARTICULARIDADES DA FORMAÇÃO DO ESTADO BRASILEIRO DESENVOLVIMENTO CAPITALISTA E AS PARTICULARIDADES DA FORMAÇÃO DO ESTADO BRASILEIRO Silmai Lazaro Neves Dutra 1 Emilia Oliveira Rodrigues 2 Douglas Ribeiro Barboza 3 RESUMO: O desenvolvimento do capitalismo

Leia mais

Carta-Compromisso pela. Garantia do Direito à Educação de Qualidade. Uma convocação aos futuros governantes e parlamentares do Brasil

Carta-Compromisso pela. Garantia do Direito à Educação de Qualidade. Uma convocação aos futuros governantes e parlamentares do Brasil 1 Carta-Compromisso pela Garantia do Direito à Educação de Qualidade Uma convocação aos futuros governantes e parlamentares do Brasil Para consagrar o Estado Democrático de Direito, implantado pela Constituição

Leia mais

A PRÁTICA DE FORMAÇÃO DE DOCENTES: DIFERENTE DE ESTÁGIO Maria de Fátima Targino Cruz Pedagoga e professora da Rede Estadual do Paraná.

A PRÁTICA DE FORMAÇÃO DE DOCENTES: DIFERENTE DE ESTÁGIO Maria de Fátima Targino Cruz Pedagoga e professora da Rede Estadual do Paraná. A PRÁTICA DE FORMAÇÃO DE DOCENTES: DIFERENTE DE ESTÁGIO Maria de Fátima Targino Cruz Pedagoga e professora da Rede Estadual do Paraná. O Curso de Formação de Docentes Normal, em nível médio, está amparado

Leia mais

Espaço Geográfico (Tempo e Lugar)

Espaço Geográfico (Tempo e Lugar) Espaço Geográfico (Tempo e Lugar) Somos parte de uma sociedade, que (re)produz, consome e vive em uma determinada porção do planeta, que já passou por muitas transformações, trata-se de seu lugar, relacionando-se

Leia mais

SOCIOLOGIA GERAL E DA EDUCAÇÃO

SOCIOLOGIA GERAL E DA EDUCAÇÃO SOCIOLOGIA GERAL E DA EDUCAÇÃO Universidade de Franca Graduação em Pedagogia-EAD Profa.Ms.Lucimary Bernabé Pedrosa de Andrade 1 Objetivos da disciplina Fornecer elementos teórico-conceituais da Sociologia,

Leia mais

I- SEMINÁRIO ESTADUAL DE SERVIÇO SOCIAL NA PREVIDÊNCIA SOCIAL

I- SEMINÁRIO ESTADUAL DE SERVIÇO SOCIAL NA PREVIDÊNCIA SOCIAL I- SEMINÁRIO ESTADUAL DE SERVIÇO SOCIAL NA PREVIDÊNCIA SOCIAL Seguridade Social e Projeto Ético Político Profissional: desafios aos Assistentes Sociais da Previdência Social Ana Maria Baima Cartaxo Professora

Leia mais

Marx, Durkheim e Weber, referências fundamentais

Marx, Durkheim e Weber, referências fundamentais INTRODUÇÃO À sociologia Marx, Durkheim e Weber, referências fundamentais introdução à S Maura Pardini Bicudo Véras O CIO LO GIA Marx, Durkheim e Weber, referências fundamentais Direção editorial Claudiano

Leia mais

A QUESTÃO DA POBREZA NA SOCIEDADE DE CLASSES E SEU ACIRRAMENTO NO NEOLIBERALISMO

A QUESTÃO DA POBREZA NA SOCIEDADE DE CLASSES E SEU ACIRRAMENTO NO NEOLIBERALISMO A QUESTÃO DA POBREZA NA SOCIEDADE DE CLASSES E SEU ACIRRAMENTO NO NEOLIBERALISMO Maria Cristina de Souza ¹ Possui graduação em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas -PUCCAMP(1988),

Leia mais

Ciências Humanas e Suas Tecnologias - Geografia Ensino Médio, 3º Ano Principais Conferências Internacionais sobre o Meio Ambiente

Ciências Humanas e Suas Tecnologias - Geografia Ensino Médio, 3º Ano Principais Conferências Internacionais sobre o Meio Ambiente Ciências Humanas e Suas Tecnologias - Geografia Ensino Médio, 3º Ano Principais Conferências Internacionais sobre o Meio Ambiente Prof. Claudimar Fontinele Em dois momentos a ONU reuniu nações para debater

Leia mais

1º - Foi um movimento liderado pela BURGUESIA contra o regime absolutista. 2º - Abriu espaço para o avanço do CAPITALISMO.

1º - Foi um movimento liderado pela BURGUESIA contra o regime absolutista. 2º - Abriu espaço para o avanço do CAPITALISMO. APRESENTAÇÃO Aula 08 3B REVOLUÇÃO FRANCESA Prof. Alexandre Cardoso REVOLUÇÃO FRANCESA Marco inicial da Idade Contemporânea ( de 1789 até os dias atuais) 1º - Foi um movimento liderado pela BURGUESIA contra

Leia mais

ORGANIZAÇÕES DA SOCIDEDADE CIVIL NO BRASIL. Um novo setor/ator da sociedade

ORGANIZAÇÕES DA SOCIDEDADE CIVIL NO BRASIL. Um novo setor/ator da sociedade ORGANIZAÇÕES DA SOCIDEDADE CIVIL NO BRASIL Um novo setor/ator da sociedade Emergência da Sociedade Civil Organizada I fase Séculos XVIII e XIX Entidades Assistenciais tradicionais Confessionais Mandato

Leia mais

A experiência brasileira em matéria de liberdade sindical à luz do pensamento de Maritain.

A experiência brasileira em matéria de liberdade sindical à luz do pensamento de Maritain. 1 A liberdade sindical como direito humano pela Declaração Universal dos Direitos do Homem da ONU e direito fundamental pela OIT a partir da visão de Jacques Maritain em suas obras Os direitos do homem

Leia mais

MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA MODERNA

MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA MODERNA MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DA EDITORA MODERNA Professor, nós, da Editora Moderna, temos como propósito uma educação de qualidade, que respeita as particularidades de todo o país. Desta maneira, o apoio ao

Leia mais

O TRABALHO COMO PRINCÍPIO EDUCATIVO NA EDUCAÇÃO AMBIENTAL E OS DESAFIOS PARA UMA PEDAGOGIA CRÍTICA DA SUSTENTABILIDADE

O TRABALHO COMO PRINCÍPIO EDUCATIVO NA EDUCAÇÃO AMBIENTAL E OS DESAFIOS PARA UMA PEDAGOGIA CRÍTICA DA SUSTENTABILIDADE O TRABALHO COMO PRINCÍPIO EDUCATIVO NA EDUCAÇÃO AMBIENTAL E OS DESAFIOS PARA UMA PEDAGOGIA CRÍTICA DA SUSTENTABILIDADE INTRODUÇÃO BATISTA, Erika IFSP_Campinas/Unesp erikkabatista@gmail.com DE BLASI, Jacqueline

Leia mais

A Sustentabilidade nos Sistemas Associativistas de Produção

A Sustentabilidade nos Sistemas Associativistas de Produção IV SIMPÓSIO BRASILEIRO DE AGROPECUÁRIA SUSTENTÁVEL IV SIMBRAS I CONGRESSO INTERNACIONAL DE AGROPECUÁRIA SUSTENTÁVEL A Sustentabilidade nos Sistemas Associativistas de Produção Prof. José Horta Valadares,

Leia mais

V Encontro das Agências no Brasil 18 e 19 de março de 2001. Mudanças na Cultura de Gestão

V Encontro das Agências no Brasil 18 e 19 de março de 2001. Mudanças na Cultura de Gestão 1 V Encontro das Agências no Brasil 18 e 19 de março de 2001. Painel: Desenvolvimento Institucional Mudanças na Cultura de Gestão Roteiro: 1. Perfil das organizações do PAD. 2. Desenvolvimento Institucional:

Leia mais

TEORIA DO CAPITAL HUMANO: CONCEITOS E POSTULADOS

TEORIA DO CAPITAL HUMANO: CONCEITOS E POSTULADOS CRÍTICAS À TEORIA DO CAPITAL HUMANO: UMA CONTRIBUIÇÃO À ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS EM EDUCAÇÃO Camila Fernandes da Costa UFRN - fernandes.camila23@yahoo.com.br Emerson Nunes de Almeida UFRN - nunespedagogo@yahoo.com.br

Leia mais

COLÉGIO VICENTINO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio Rua Rui Barbosa, 1324, Toledo PR Fone: 3277-8150

COLÉGIO VICENTINO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio Rua Rui Barbosa, 1324, Toledo PR Fone: 3277-8150 COLÉGIO VICENTINO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio Rua Rui Barbosa, 1324, Toledo PR Fone: 3277-8150 PLANEJAMENTO ANUAL DE HISTÓRIA 8º ANO PROFESSOR: MÁRCIO AUGUSTO

Leia mais

X I C O N G R E S S O B R A S I L E I R O D E S O C I O L O G I A G R U P O D E T R A B A L H O : P E N S A M E N T O S O C I A L N O B R A S I L

X I C O N G R E S S O B R A S I L E I R O D E S O C I O L O G I A G R U P O D E T R A B A L H O : P E N S A M E N T O S O C I A L N O B R A S I L X I C O N G R E S S O B R A S I L E I R O D E S O C I O L O G I A 1 A 5 D E S E T E M B R O D E 2 0 0 3, U N I C A M P, C A M P I N A S, S P G R U P O D E T R A B A L H O : P E N S A M E N T O S O C I

Leia mais