ASPECTO NUTRICIONAL EM CRIANÇAS PORTADORA DE SINDROME DE DOWN

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1 ASPECTO NUTRICIONAL EM CRIANÇAS PORTADORA DE SINDROME DE DOWN Jaqueline de Sousa Lima 10, Helder Cardoso Tavares, Patrícia, Rita de Cássia Alves Silvestre, Milana Drumond Ramos Santana 11. Correspondência para: Palavras-chave: nutrição, criança, síndrome de Down. 1 INTRODUÇÃO A síndrome de Down (SD) é uma condição genética, na qual o portador ao invés de apresentar 46 cromossomos por célula, agrupados em 23 pares, apresenta 47 cromossomos, um a mais no par de número 21, desta forma, chamados de trissomia do cromossomo 21(MOREIRA et al, 2007). A SD pode ser associada a uma variedade de complicações, apresentando por sua vez, características metabólicas que os tornam mais vulneráveis ao aparecimento de doenças relacionadas principalmente ao seu estado nutricional. Estudos evidenciam maior prevalência de sobrepeso e obesidade em crianças e adolescentes portadores de SD (ELLIS et al., 2008). Uma das causas pode ser decorrente do fato que esses indivíduos possuem diminuição na taxa metabólica basal e, consequentemente, redução do gasto de energia do organismo. Normalmente, os pais de crianças com SD buscam compensar seu erro cromossômico através da liberdade irrestrita de suas vontades, onde o ato de comer pode assumir gigantescas proporções de contribuição para o sobrepeso e a obesidade (GHIORZI, 2004). 10 Discentes da Faculdade de Juazeiro do Norte (FJN) 11 Docente da Faculdade de Juazeiro do Norte (FJN)

2 A tendência à obesidade nesses indivíduos é uma característica predominante e se inicia entre os três e os seis anos de idade, acentuando-se na adolescência e dificultando a manutenção de um peso ou massa corporal adequada. Tal fato, juntamente com a preferência por alimentos de fácil mastigação e alto teor calórico, aspecto preponderante na alimentação de pessoas com SD, podem favorecer o desequilíbrio nutricional, com insuficiente ingestão de vitaminas, minerais e fibras, desta forma, constitui fator de risco para que enfermidades como as cardiovasculares e os distúrbios metabólicos, venham a acometer esse grupo populacional (VIEIRA apud CRONCK, 2005). Os indivíduos que apresentam a SD possuem características muito semelhantes: a ponta nasal é achatada e as fissuras palpebrais são delicadas, estreitas e oblíquas, isto é, inclinadas no sentindo látero-superior. É comum a presença de pregas epicânticas, que são pregas cutâneas da pálpebra superior (que se estende do nariz até a parte interna da sobrancelha) cobrindo o canto interno do olho. O estrabismo também é uma característica comum, assim como os dentes pequenos e, frequentemente, de alinhamento anormal. O encurtamento nas extremidades é típico naqueles com SD: as mãos são curtas e largas e os dedos são mais curtos. Os pés caracterizam-se por serem curtos, largos e grossos (RAMOS et al., 2002). Portadores desta síndrome apresentam maior probabilidade da disfunção da tireoide, o hipotireoidismo, que pode ser a causa de obesidade e sobrepeso ou por consequência da taxa metabólica basal ser mais lenta, ou ainda, por compulsão alimentar pela dificuldade na mastigação, a hipotonia geral dos músculos, incluindo aqueles envolvidos na digestão por serem flácidos, tais músculos não dão a sensação de saciedade após uma refeição e os portadores desta síndrome tendem a comer sem saber quando parar (FUNDAÇÃO SÍNDROME DE DOWN, 2009). Sendo assim, este estudo objetivou apresentar uma revisão de literatura sobre os aspectos nutricionais de crianças portadoras de síndrome de Down, como também, os valores e crenças familiares associados.

3 2 MATERIAIS E MÉTODOS O processo de elaboração da revisão integrativa de literatura em que analisa estudos científicos relevantes para melhorar a prática clínica oferece informações sobre um tema, além de demonstrar falhas no conhecimento que necessitam ser corrigidas e esclarecidas com a possibilidade de novas pesquisas (MENDES, 2008). Para guiar a revisão integrativa, formulou-se a seguinte questão: qual a importância do cuidado com o aspecto nutricional de uma criança que apresenta síndrome de down? Para a seleção dos artigos foram utilizadas palavras-chave contidas no portal de Descritores em Ciências da Saúde, a saber, Nutrição Criança - Síndrome de Down." Seus equivalentes em inglês, que por sua vez, foram alocados nas bases de dados SciELO e Pubmed. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO A busca eletrônica resultou em um total de 25 referências. Entre estas referências, a primeira eliminação resultou na exclusão de 13 títulos e resumos, que não eram claramente relacionadas com o objetivo da revisão resultando em 12 artigos para a construção desta revisão. A SD não é uma doença, mas sim uma alteração cromossômica numérica que ocorre na formação do indivíduo durante a divisão celular do embrião (MOREIRA e GUSMÃO, 2002). A tendência à obesidade nesses indivíduos é uma característica predominante e se inicia entre os três e os seis anos de idade, acentuando-se na adolescência e dificultando a manutenção de um peso ou massa corporal adequada. Tal fato, juntamente com a preferência por alimentos de fácil mastigação e alto teor calórico, aspecto preponderante na alimentação de pessoas com SD, podem favorecer o desequilíbrio nutricional, com insuficiente ingestão de vitaminas, minerais e fibras, desta forma, constitui fator de risco para que enfermidades como as cardiovasculares e

4 os distúrbios metabólicos, venham a acometer esse grupo populacional (VIEIRA apud CRONCK, 2005). Gomes e Amorim (2000) pesquisando a incidência de sobrepeso e obesidade em crianças com SD constataram que 83% de crianças com idades entre 2 e 6 anos estão dentro dos padrões da normalidade para peso e 17% estão com sobrepeso ou obesidade. Estes achados reforçam os resultados encontrados em outros estudos de crianças e adolescentes com SD que demonstraram um aumento na prevalência de obesidade desde a primeira infância (CRONK, 1998). Portanto, para que uma criança com SD chegue à fase adulta saudável, sem sobrepeso e obesidade, é necessário um apoio educativo, no sentido de um trabalho integrado entre a família, o nutricionista e a equipe interdisciplinar. Somado ao fato de que crianças com Síndrome de Down necessitam de calorias idênticas às crianças que não têm a Síndrome, vem reforçar a importância do acompanhamento nutricional desde a idade nesta população, para prevenir o aparecimento do sobrepeso e da obesidade (FERNAHALL, 2005). O ambiente familiar é de fundamental importância para a educação nutricional, é nele que se formam os hábitos alimentares desde a infância, criam se vínculos, estabelece o aprendizado de hábitos sociais e comportamentais. Desta forma, a intervenção nutricional deve começar com os familiares (MUSTACCHI, 2002; CLARETTA; CHIORZI, 2009). Segundo Ghiorzi et al (2001) o individuo com SD possui autonomia e uma independência relativa para fazer a sua escolha alimentar. Uma família transmite seus valores e crenças, dita as normas do certo e do errado, mas cabe a cada um de seus membros a escolha de seu destino. A importância de conhecer o consumo alimentar prende-se ao fato de existir correlação positiva entre dieta e risco de morbimortalidade. As dietas inadequadas, com elevado teor de lipídios, energia e carboidratos simples, podem ser consideradas fatores de risco para doenças crônicas e obesidade (GARCIA et al, 2003). O consumo alimentar está relacionado não somente quanto ao volume da ingestão alimentar, mas também à composição e qualidade da dieta. Além disso, os padrões alimentares mudaram,

5 explicando, assim, em parte, o contínuo aumento da adiposidade nas crianças (TICHES et al, 2005). 4 CONCLUSÕES Constatou-se a influência do contexto externo nos hábitos alimentares. O desejo de comer alimentos extremamente calóricos, ricos em gordura e açúcares, pela maioria dos participantes, agrava ainda mais o atual biótipo deles. Deve-se ressaltar a grande importância de uma boa educação alimentar desde a primeira infância, tornando-se, portanto, essencial o acompanhamento do nutricionista. REFERÊNCIAS CLARETTA, A.; CHIORZI, A. R. O ato de comer e as pessoas com Síndrome de Down. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v.62, n.3, p , CRONK, C. Growth charts for children with Down syndrome: 1 month to 18 years of age. Pediatrics; v.81, p , ELLIS, J.M, et al..supplementation with antioxidants and folinic acid for children with Down s syndrome: randomized controlled trial. BMJ.; v. 336 n.7644, p.594-7, FERNAHAL, L. B. Resting Metabolic Rate is not Reduced in ObeseIndividuals with Down Syndrome. Mental Retardation; v.43, n.6, p , 2005 GARCIA, G. C. B; GAMNARDELLA, A. M. D; Frutuoso, M. F. P. Estudo nutricional e consumo alimentar de adolescentes de um centro de juventude da cidade de são Paulo. Ver Nutr; v.16, n.1, p.41-50, GHIORZI, A. Entre o dito e o não-dito: da percepção à expressão comunicacional. Florianópolis: UFSC; 2004.

6 GOMES, A. F; AMORIM, S. T. S. Consumo alimentar e avaliação nutricional das crianças com Síndrome de Down em idade préescolar. In: 3 Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down; 2000; Curitiba (PR), Brasil. Curitiba: Associação Reviver Down: p GOMES, A. F; AMORIM, S. T. S. Consumo alimentar e avaliaçãonutricional das crianças com Síndrome de Down em idade pré-escolar. In: 3 Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down; 2000; Curitiba (PR), Brasil. Curitiba: Associação Reviver Down; p MAFFESOLI, M. O instante eterno: o retorno do trágico nas sociedades pós-modernas. Paris: Zouk; MOREIRA, G. C; RAIMUNDO, D. F; OLIVEIRA, C. G; NETTO, M. P. Avaliação do Estado Nutricional de Crianças com Síndrome de Down da APAE/E.E Walter Vasconcelos de crianças especiais do município de Muriaé/MG. Revista Científica da FAMINAS; v.3, n.1, p. 29, GUSMÃO, F. e MOREIRA, L. Aspectos genéticos e sociais da sexualidade em pessoas com Síndrome de Down. Rev. Bras. Psiquiatr. vol 24, n.2, p , MUSTACCHI, Z. Curvas padrão pôndero-estatural de portadores de Síndrome de Down procedentes da região urbana da cidade de São Paulo f. Tese (Doutorado) Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Universidade de São Paulo, São Paulo, TICHES, R. M; GIUGLIANI, E. J. Obesidade, práticas alimentares e conhecimento denutrição em escolares. Rev Nutr.v.16, n.1, p.41-50, 2003.

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