Terceiro Milênio: Revista Crítica de Sociologia e Política. Ano I Volume 1 Número 1 Julho a Dezembro/2013 ISSN

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1 Terceiro Milênio: Revista Crítica de Sociologia e Política Ano I Volume 1 Número 1 Julho a Dezembro/2013 ISSN

2 Terceiro Milênio: Revista Crítica de Sociologia e Política Publicação Semestral Ano I Volume 1 Número 1 Julho a Dezembro/2013 Projeto Gráfico João Baptista Pinto Editoração Eletrônica Luiz Guimarães Revisão Dos Autores Edição e Produção Letra Capital Editora Telefax: (21) /

3 Terceiro Milênio: Revista Crítica de Sociologia e Política Revista do Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política (PPGSP) da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) em parceria com a Fundação Darcy Ribeiro (FUNDAR) Coordenação Editorial Sergio de Azevedo (UENF) Yolanda Lima Lôbo (UENF) Comissão Editorial Paulo de F. Ribeiro (Presidente da Fundação Darcy Ribeiro, RJ, Brasil) Lana Lage da Gama Lima (UENF) Hugo Alberto Borsani Cardozo (UENF) Denise Cunha Tavares Terra (UENF) Conselho Editorial Afrânio Raul Garcia Júnior (EHESS-FR) Alzira Alves de Abreu (FUNDAR) Antonio Octávio Cintra (UFMG) Bernardo Sorj Iudcovsky (UFRJ) Carlos A. de Mattos (Pontificia Universidad Católica de Chile-UCC) Ermínia Terezinha Menon Maricato (USP) Fábio Wanderley Reis (UFMG) Helgio Henrique Casses Trindade (UFRGS) Jairo Cesár Marconi Nicolau (UFRJ) José Carlos Gomes dos Anjos (UFRGS) José Ricardo Garcia Pereira Ramalho (UFRJ) José Vicente Tavares dos Santos (UFRGS) Lucia Maria Machado Bógus (PUC/SP) Luciana Teixeira de Andrade (PUC/MG) Luiz Antônio Machado da Silva (IESP/UERJ) Luiz César de Queiróz Ribeiro (UFRJ) Gláucio Ary Dillon Soares (IESP/UERJ) Manuel Villaverde Cabral (Universidade de Lisboa/ICSUL) Marcos André Barreto Campelo de Melo (UFPE) Maria do Livramento Miranda Clementino (UFRN) Maria Stella Faria de Amorim (FUNDAR) Marta Teresa da Silva Arretche (USP) Michel Misse (UFRJ) Renato Raul Boschi (IESP/UERJ) Roberto Kant de Lima (UFF)

4 MISSÃO O periódico Terceiro Milênio: Revista Crítica de Sociologia e Política é uma publicação semestral conjunta bilíngüe (português e castelhano) do Programa de Sociologia Política (PPGSP) da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) e da Fundação Darcy Ribeiro tendo por finalidade tratar de forma pluralista temas atuais e polêmicos da sociologia e da política. A RCSP inspirou-se em uma publicação denominada 3 MILÊNIO: Revista da Universidade Estadual do Norte Fluminense, organizada por Darcy Ribeiro por ocasião da criação da UENF, que pretendia discutir temas estratégicos a serem enfrentados pela Universidade. Essa iniciativa teve vida curta, não alcançando mais do que três edições. Trata-se, pois, de uma homenagem ao Cientista Social, Educador e Político que buscou ao longo de sua trajetória compatibilizar politics e policies. Nesse sentido, a Revista se propõe a incentivar debates acadêmicos capazes de fornecerem subsídios para aprofundamento das discussões entre pesquisadores, bem como atingir um público mais amplo, interessado em temas sociais e políticos. Em cada número da RCSP haverá um dossiê sobre um tema polêmico, envolvendo dois ou mais autores de diferentes posições ou de abordagens teóricas distintas. A revista priorizará artigos científicos que utilizem pesquisas empíricas, ainda que possa, em casos pontuais, aceitar ensaios inovadores ( position papers ), com potencialidades de abrir novas frentes de pesquisa. Além disso, encontra-se aberta para publicação de resenhas de livros, bem como de documentos originais de interesse da área.

5 Sumário ARTIGOS Abdias Nascimento e as políticas afirmativas... 9 Elisa Larkin Nascimento O mito e o valor da democracia racial...20 Fábio Wanderley Reis Racismo e discriminação religiosa em Campos dos Goytacazes: as dificuldades na aplicação da Lei Caó...33 Lana Lage da Gama Lima, Bernardo Berbert Molina, Leonardo Vieira Silva Educação Quilombola: novos contextos Maria Clareth Gonçalves Reis Por que seria eu? O caso Cássio: racismo e discriminação em Campos dos Goytacazes...64 Luciane Soares da Silva Individualismo transgresor e instituciones públicas: la democratización de la cultura oligárquica en América Latina...77 Bernardo Sorj As Olgas Benário que não fazem chorar: a maternidade na prisão Maria Helena Petrucci Política urbana, moradia e desenvolvimento econômico: reflexões em torno da experiência do Programa de Aceleração do Crescimento PAC no Brasil Ana Cláudia Duarte Cardoso, Maria Dulce P. Bentes Sobrinha, Orlando Alves dos Santos Junior Tendências no estudo sobre avaliação de políticas públicas Marta T. S. Arretche RESENHA Institutions, institutional change and economic growth Rafael Pinheiro Caetano Damasceno DOCUMENTOS Correspondência entre Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro (1960 a 1966) Yolanda Lôbo Terceiro Milênio: Revista Crítica de Sociologia e Política Ano i nº 01 Julho a Dezembro/2013 5

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7 ARTIGOS

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9 Abdias Nascimento e as políticas afirmativas Elisa Larkin Nascimento RESUMO A autora revê o contexto histórico do primeiro projeto de lei sobre políticas afirmativas, PL 1.331/1983 do então deputado federal Abdias Nascimento, a posterior evolução da proposta e os argumentos a respeito. Assim introduz o texto do prefácio escrito em 2008, por ela e Abdias Nascimento, ao Manifesto a Favor das Cotas (2006), que recebeu mais de quatro mil assinaturas. Palavras Chaves: Abdias Nascimento, Políticas Afirmativas e Manifesto. ABSTRACT The author reviews the historical context of the first bill of law on affirmative antidiscrimination policies in Brazil, PL 1.331/1983, by Congressman Abdias Nascimento. She looks at the ongoing evolution of such policy and the arguments about it, introducing the preface that she and Abdias Nascimento wrote in 2008 for the Manifesto in Favor of Quota Policy (2006), signed by more than four thousand people. Keywords: Abdias Nascimento, Affirmative Policies, Manifest. No seu Projeto de Lei 1.332, de 1983, o então deputado federal Abdias Nascimento propôs um conjunto de políticas públicas de ação compensatória visando à implantação do princípio da isonomia social do negro, em relação aos demais segmentos étnicos da população brasileira, conforme direito assegurado pelo Art. 153, para. 1º da Constituição da República. Entre as medidas propostas estavam cotas para homens negros e para mulheres negras, assegurando-lhes acesso ao ensino público e privado de todos os níveis e ao emprego nas empresas do setor privado e nos quadros do funcionalismo público; bolsas de estudo em todos os níveis do ensino; remuneração igual para trabalho equivalente; ensino da história e cultura africana e diaspórica com revisão dos currículos; cursos de orientação antirracista no treinamento para policiais; levantamento de dados desagregados nas pesquisas do IBGE e do Ministério do Trabalho; acompanhamento da execução das medidas, em conjunto com a sociedade civil. Naquele momento, há trinta anos, a proposta parecia simplesmente absurda. A ideia de políticas públicas de promoção da igualdade racial não estava em debate; prevalecia a negação pura e simples do racismo em favor de um problema exclusivamente social. Terceiro Milênio: Revista Crítica de Sociologia e Política Ano i nº 01 Julho a Dezembro/2013 9

10 ABDIAS NASCIMENTO E AS POLÍTICAS AFIRMATIVAS Abdias Nascimento empenhou, junto com o movimento negro, um esforço hercúleo para colocar a discriminação racial na pauta da política nacional. Encontrou poucos aliados, entre eles Leonel de Moura Brizola, fundador do Partido Democrático Trabalhista e então governador do Rio de Janeiro. A década dos 1990 testemunhou, efetivamente, a inserção da questão no debate político. O tricentenário de Zumbi dos Palmares, em 1995, marcou época com a realização da Marcha a Brasília Contra o Racismo e pela Vida. O seminário Multiculturalismo e Racismo: O Papel da Ação Afirmativa nos Estados Democráticos Contemporâneos teve lugar em Brasília, em 1996, organizado pela Secretaria dos Direitos da Cidadania do Ministério da Justiça, e em seguida o presidente Fernando Henrique Cardoso criou um grupo de trabalho interministerial coordenado pelo sociólogo Hélio Santos. Participando do referido seminário, tive ocasião de testemunhar o quadro de hierarquia racial que governava a academia e a estrutura estatal. Para analisar e refletir sobre a questão racial, intelectuais e especialistas brancos se dirigiam a uma plateia formada quase inteiramente por ativistas e intelectuais negros 1. Ouvimos declarações como a do renomado antropólogo que reconhecia a existência da discriminação e do racismo e dirigindo-se, repito, a uma plateia majoritariamente negra afirmava que, mesmo assim, a noção da democracia racial tinha ainda o seu valor, porque afinal, todos nós, brasileiros, temos ao menos um amigo negro. Presume-se aí que o protagonista do discurso qualificado o enunciador do sujeito nós brasileiro seja branco, por definição. Os ativistas negros podiam pedir a palavra desde o seu lugar na plateia, caso de Abdias Nascimento, professor emérito de universidade pública dos Estados Unidos com vários livros publicados, tendo exercido os cargos de senador, deputado federal, e secretário de governo estadual. O sujeito do discurso qualificado não seria aquele que, além de estudar, viveu na pele o problema, mas o especialista branco que o contemplava desde o seu lugar autorizado. Nos anos seguintes, pesquisas realizadas por institutos oficiais como o IPEA ajudaram a confirmar a existência e persistência das desigualdades raciais, reforçando a justificativa da necessidade de políticas públicas para dirimi-las. A partir do início do século XXI, com a 3ª Conferência Mundial contra o Racismo, a Xenofobia e outras formas de Intolerância, essas políticas começaram a se articular. Mas a polêmica sobre as cotas para admissão às universidades públicas persistiu e se intensificou, com a publicação de manifestos e campanhas promovidas por órgãos da imprensa. Um dos principais argumentos é de que a legislação criaria antagonismos ao estabelecer um critério racial genético-biológico que nunca existiu no Brasil. Tal argumento, pronunciado por cientistas sociais, exibe a precariedade de seu preparo ao ignorar uma premissa fundamental: a noção de raça, nesse contexto, não se baseia em critérios biológicos nem genéticos. Trata-se de uma construção social. Nas seguintes linhas escritas há mais de trinta anos, Abdias Nascimento realçou o imperativo da ênfase: Aviso aos intrigantes, aos maliciosos, aos apressados em julgar: o vocábulo raça, no sentido aqui 1 Os palestrantes negros, todos eles estrangeiros, eram os professores Kabengele Munanga (USP), Ronald Walters (Universidade de Maryland, EUA), e Angela Gilliam (Evergreen University, EUA). 10 Terceiro Milênio: Revista Crítica de Sociologia e Política Ano i nº 01 Julho a Dezembro/2013

11 empregado, se define somente em termos de história e cultura, e não em pureza biológica. Duas páginas à frente: Reitero aqui a advertência aos intrigantes, aos maliciosos, aos ignorantes, aos racistas: neste livro a palavra raça tem exclusiva acepção histórico-cultural. Raça biologicamente pura não existe e nunca existiu. Efetivamente, Abdias Nascimento e outros intelectuais negros do século XX, como W. E. B. Du Bois, anteciparam em décadas a formulação do conceito de construção social de raça hoje em voga nas ciências sociais. Em 2006, 740 pessoas subscreveram um manifesto, apresentado ao Senado, a favor das cotas e do Estatuto da Igualdade Racial, em resposta a carta de 113 cidadãos neoracistas contra as leis raciais. O texto desse manifesto continuava atual em 2010, quando o Estatuto da Igualdade Racial recebeu a sanção presidencial nos termos negociados naquele mesmo Senado. O seguinte ensaio é um prefácio, solicitado a Abdias Nascimento pelos organizadores da planejada edição desse Manifesto 2, cujo texto está reproduzido em seguida 33. Creio que o texto do prefácio continue atual hoje, pouco depois da promulgação da Lei de Cotas de ELISA LARKIN NASCIMENTO PELA AÇÃO EM DEFESA DA IGUALDADE RACIAL: REFLEXÕES A GUISA DE PREFÁCIO No momento em que escrevemos estas linhas, o Manifesto em favor da justiça e constitucionalidade das cotas conta com mais de quatro mil assinaturas de brasileiros comprometidos com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. É urgente a publicação e a ampla distribuição de seu texto, para ajudar a esclarecer a consciência de outros brasileiros ainda indecisos. A dúvida é compreensível, diante do bombardeio midiático de argumentos pretensamente científicos falaciosos, porém sedutores promovidos por poderosos setores da imprensa nacional contrários às ações afirmativas. No empenho de influenciar a opinião pública, esses argumentos manipulam o sentimento de rejeição ao racismo tão caro aos nossos compatriotas de boa fé. O texto do Manifesto mostra como tais argumentos se baseiam em raciocínios tendenciosos e em alegações enganosas de um suposto racismo às avessas. O texto revela, ainda, a pouca representatividade do conjunto de proponentes desses argumentos, oriundo em sua quase totalidade do mesmo eixo geográfico daqueles que tentaram sustentar os privilégios do regime escravocrata diante do desafio abolicionista do século XIX. Ao longo desses 120 anos, uma elite minoritária vem exercendo o monopólio do espaço político e dizendo representar os interesses da população discriminada. Mas quando essa população atua como protagonista de sua própria história, defendendo seus próprios interesses, surge logo a alegação de racismo às avessas. Conhecemos bem esse fato, e não é de hoje. O mesmo poderoso órgão da imprensa carioca que hoje ataca as políticas de igualdade, 2 O IPEAFRO tornou público o texto por meio de sua página na rede mundial de computadores: 3 Disponível online em acessado em Terceiro Milênio: Revista Crítica de Sociologia e Política Ano i nº 01 Julho a Dezembro/

12 ABDIAS NASCIMENTO E AS POLÍTICAS AFIRMATIVAS O Globo, condenava a criação do Teatro Experimental do Negro em editorial publicado no dia 17 de outubro de Dizia não haver nada entre nós que justifique essas distinções..., [pois] sem preconceitos, sem estigmas, misturados e em fusão nos cadinhos de todos os sangues, estamos construindo a nacionalidade e afirmando a raça de amanhã. O Teatro Experimental do Negro, TEN, denunciava a discriminação contra personalidades negras de destaque, barradas por hotéis de prestígio nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. Essa ação assustou alguns, como Gilberto Freyre, que se dizia nosso aliado na defesa da democracia racial, mas revelou sua verdadeira opinião quando afirmou à Tribuna da Imprensa (19 de julho de 1950) que dois racismos estão repontando no Brasil, o racismo de arianistas (...) e o de um negro brasileiro caricaturado de norte-americano. Concordava com ele o autor de uma lei que se provou inócua, o então deputado Afonso Arinos:... o empenho em instituir entidades dos homens de cor é o reverso da medalha, pois será, em última análise, manifestação de racismo negro (Última Hora, 19 de julho de 1950). O TEN conviveu muito bem com artistas e intelectuais brancos, entre eles Albert Camus, Nélson Rodrigues, Enrico Bianco, Cacilda Becker, José Medeiros, Ítalo Campofiorito, Raquel de Queiróz, Roger Bastide, Artur Ramos, Florestan Fernandes. Para outros, a própria existência do Teatro Negro significaria a ameaça vislumbrada hoje por aqueles que hoje se opõem às ações afirmativas: o fantasma do racismo negro. E assim como não se admitia o negro protagonista nos palcos ou no espaço propositivo da ação política, tampouco se haverá de tolerá-lo nas universidades. O fato que salta aos olhos é que, ainda hoje, uma elite branca goza de hegemonia praticamente exclusiva no espaço físico e discursivo da academia brasileira, sobretudo na docência e na pós-graduação. Parte dessa elite articula uma reação contra a inclusão cujo tom e conteúdo revela como ela, a elite, julga essa hegemonia ser sua de direito, por mérito. Alguns de seus integrantes costumam lidar com o negro como objeto de suas pesquisas, realizadas com o beneplácito das agências financiadoras. Certa vez, em carta aberta dirigida à UNESCO, nós do TEN chegamos a questionar os procedimentos e a postura teórica de uma pesquisa sobre relações raciais pesquisa essa financiada por ela, a UNESCO. O sociólogo autor da pesquisa respondeu da seguinte forma: Duvido que haja biologista que depois de estudar, digamos, um micróbio, tenha visto esse micróbio tomar da pena e vir a público escrever sandices a respeito do estudo do qual participou como material de laboratório. Semelhante atitude caracteriza uma dimensão da reação contra as políticas de inclusão. Acostumados a exercer o monopólio do discurso e o poder de delimitar as áreas de conhecimento na academia, seus autores arrogam-se uma exclusiva postura antirracista, assumindo-se porta-vozes únicos da rejeição à noção de raça como fator de diferenciação de habilidades. Mas se o ingresso à universidade é resultado do mérito, como então explicar que esse mérito pertenceu apenas aos brancos durante toda a história da educação no Brasil? O quadro de exclusão se baseia num conceito social de raça construído em função do fenótipo e da ideologia que nega aos povos negros a capacidade histórica de construir 12 Terceiro Milênio: Revista Crítica de Sociologia e Política Ano i nº 01 Julho a Dezembro/2013

13 conhecimento e progresso tecnológico. A discriminação racial não depende de critérios genéticos, basta-lhe o da aparência. Ao negar suas benesses a uns e conferir privilégios a outros, a sociedade brasileira nunca precisou da ciência genética para saber quem é quem. As desigualdades amplamente comprovadas já significam a divisão da sociedade brasileira, fato que nada tem a ver com racismo negro nem com as políticas de igualdade, que vêm amenizar o quadro discriminatório. A melhor perspectiva que nos oferece a implantação das políticas de inclusão é o ganho da diversidade, que beneficia a todos. Essa diversidade enriquece a convivência e abre novas janelas de percepção, sensibilidade e subjetividade no âmbito universitário. A formação de novos protagonistas do discurso acadêmico pode levar à quebra do monopólio do poder de delimitação dos campos de conhecimento, o que abre perspectivas de inovação e criatividade. Romper limites foi sempre uma atribuição dos cientistas e intelectuais. A pluralidade de vozes e visões na academia favorece o diálogo e incentiva a abertura de novos vôos na produção do conhecimento. A academia, para não arriscar-se a representar a tribuna mumificada da mesmice, encastelada em estruturas de poder e prestígio, precisa se renovar. As políticas de inclusão contribuem eminentemente a esse objetivo, à medida que ajudam a superar o velho preconceito de que negro e índio produzem cultura, mas nunca produziram conhecimento. Sankofa, um dos ideogramas adinkra da África ocidental, ensina a referência ao passado como pedra fundamental da construção do futuro. Essa pedra africana, como também a indígena, está faltando ao tripé do conhecimento sobre o qual tentamos construir a identidade brasileira. Os intelectuais negros e índios haverão de garimpar e lapidar essas pedras. Antes objetos de um conhecimento elaborado a seu respeito por quem se julgava exclusivo dono do saber científico, os povos discriminados, ao exercer seu protagonismo na produção do conhecimento, poderão desenvolver novos referenciais teóricos e empíricos. Ao fazê-lo, estarão injetando cada vez mais vigor e força à academia. A confluência das políticas afirmativas com os novos contornos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional cimenta essa perspectiva com a obrigatoriedade do ensino das relações étnico-raciais e da história e da cultura indígenas, africanas e afro-brasileiras. A capacitação de professores exige do ensino superior o compromisso de desenvolver o conhecimento dessas matrizes formadoras de nossa nação. Para isso, não basta a tradicional objetividade do olhar de fora que analisa a experiência vital de outros povos à luz de paradigmas ocidentais. Esse olhar julga a cultura e a identidade brasileira algo diferente e contraditório à africana. O sujeito desse discurso no Brasil se nega a compreender um fato básico: não existe identidade brasileira sem a africana. Por exemplo, a língua portuguesa que nós falamos sofreu profundas transformações na sintaxe e no vocabulário. A língua brasileira se formou no colo das mulheres negras que criaram os filhos da elite dirigente que formularia políticas de estado objetivando, oficial e explicitamente, embranquecer a nação. Essas políticas implicavam em cotas de 100% para os brancos, ficando os negros excluídos até de espaços que antes ocupavam. Em uma caricatura de análise econômica, pensadores qualificados atribuíram a substituição da mão de obra escravizada em favor do ELISA LARKIN NASCIMENTO Terceiro Milênio: Revista Crítica de Sociologia e Política Ano i nº 01 Julho a Dezembro/

14 ABDIAS NASCIMENTO E AS POLÍTICAS AFIRMATIVAS imigrante branco a uma suposta insuficiência de operários, como se os negros não tivessem executado, durante quatro séculos de história do Brasil, todas as transformações tecnológicas da produção econômica do país. A tardia abolição da escravatura no Brasil foi uma vitória de personalidades como Luiz Gama, André Rebouças, José do Patrocínio, de seus aliados, e, sobretudo, da população negra organizada em quilombos país afora. Mas a elite dirigente traiu a essência libertária dessa vitória quando se dedicou ao ideal da eugenia e pôs o Estado a serviço das políticas de embranquecimento. Na primeira metade do século XX, a Frente Negra Brasileira e seus antecessores denunciaram a precariedade da abolição. Nas décadas de 1940, 1950 e 1960 o TEN e outras entidades clamaram por uma segunda e verdadeira abolição. Nos anos 1970, o movimento negro proclamou 20 de novembro como Dia Nacional da Consciência Negra; nos 1980, consolidou essa data. O centenário da abolição testemunhou a criação da Fundação Cultural Palmares e a desapropriação das terras da Serra da Barriga, sob a liderança do Memorial Zumbi. A década de 1990 trouxe amplo debate sobre a necessidade de políticas afirmativas. No novo milênio, a mobilização para a 3ª Conferência Mundial contra o Racismo provocou a criação de agências governamentais e de políticas voltadas à igualdade racial, inclusive as de acesso ao ensino superior. O Manifesto em favor da justiça e constitucionalidade das cotas foi entregue ao Supremo Tribunal Federal, então, no aniversário de 120 anos de uma abolição tardia e precária. As desigualdades atuais, amplamente comprovadas, indicam que a abolição continua inconclusa apesar de todos os avanços que o movimento social conseguiu impor. O agitado processo de construção das políticas afirmativas no Brasil reflete a gravidade desse fato: como observam os autores do Manifesto, raramente se viu um processo participativo de tão ampla repercussão e com tamanhas consequências sociais. Esse processo dá continuidade àquele que levou os ministros Joaquim Barbosa Gomes ao Supremo Tribunal Federal e Benedito Gonçalves ao Superior Tribunal de Justiça. Está na voz da advogada indígena Joênia Wapixana ao argüir, diante do Supremo Tribunal Federal, o direito dos povos indígenas às terras demarcadas. Certamente, as políticas afirmativas objetos deste Manifesto estão ajudando a pavimentar o caminho do futuro. MANIFESTO EM FAVOR DA LEI DE COTAS E ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL Aos deputados e senadores do Congresso Brasileiro A desigualdade racial vigente hoje no Brasil tem fortes raízes históricas e esta realidade não será alterada significativamente sem a aplicação de políticas públicas dirigidas a este objetivo. A Constituição de 1889 facilitou a reprodução do racismo ao decretar uma igualdade puramente formal entre todos os cidadãos. A população negra acabava de ser colocada em uma situação de completa exclusão em termos de acesso à terra, à renda, ao conjunto de direitos sociais definidos como direitos de todos, e à instrução para competir com os brancos diante de uma nova realidade de mercado de trabalho que se instalava no 14 Terceiro Milênio: Revista Crítica de Sociologia e Política Ano i nº 01 Julho a Dezembro/2013

15 país. Enquanto se dizia que todos eram iguais na letra da lei, várias políticas de incentivo e apoio diferenciado, que hoje podem ser lidas como ações afirmativas, foram aplicadas para estimular a imigração de europeus para o Brasil. Esse mesmo racismo estatal foi reproduzido e intensificado na sociedade brasileira ao longo de todo o século vinte. Uma série de dados oficiais sistematizados pelo IPEA no ano 2001 resume o padrão brasileiro de desigualdade racial: por 4 gerações ininterruptas, pretos e pardos têm contado com menos escolaridade, menos salário, menos acesso à saúde, menor índice de emprego, piores condições de moradia, quando contrastados com os brancos e asiáticos. Estudos desenvolvidos nos últimos anos por outros organismos estatais, como o MEC, o INEP e a CAPES, demonstram claramente que a ascensão social e econômica no nosso país passa necessariamente pelo acesso ao ensino superior. Foi a constatação da extrema exclusão dos jovens negros e indígenas das universidades públicas que impulsionou a atual luta nacional pelas cotas, cujo marco foi a Marcha Zumbi dos Palmares pela Vida, em 20 de novembro de 1995, encampada por uma ampla frente de solidariedade entre acadêmicos negros e brancos, coletivos de estudantes negros, cursinhos pré-vestibulares para afrodescendentes e pobres e movimentos negros da sociedade civil, estudantes e líderes indígenas, além de outros setores solidários, como jornalistas, líderes religiosos e figuras políticas boa parte dos quais subscreve o presente documento. A justiça e o imperativo moral dessa causa encontraram ressonância nos últimos governos, o que resultou em políticas públicas concretas, tais como: a criação do Grupo de Trabalho Interministerial para a Valorização da População Negra, de 1995, ainda no governo FHC; as primeiras ações afirmativas no âmbito dos Ministérios, em 2001; a criação da Secretaria Especial para Promoção de Políticas da Igualdade Racial (SEPPIR), em 2003, no governo Lula; e, finalmente, a proposta dos atuais Projetos de Lei que estabelecem cotas para estudantes negros oriundos da escola pública em todas as universidades federais brasileiras, e o Estatuto da Igualdade Racial. O PL 73/99 (ou Lei de Cotas) deve ser compreendido como uma resposta coerente e responsável do Estado brasileiro aos vários instrumentos jurídicos internacionais a que aderiu, tais como a Convenção da ONU para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial (CERD), de 1969, e, mais recentemente, ao Plano de Ação de Durban, resultante da III Conferência Mundial de Combate ao Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata, ocorrida em Durban, na África do Sul, em O Plano de Ação de Durban corrobora a ênfase, já colocada pela CERD, de adoção de ações afirmativas como um mecanismo importante na construção da igualdade racial. Lembremos aqui que as ações afirmativas para minorias étnicas e raciais já são realidade em inúmeros países multi-étnicos e multi-raciais como o Brasil. Foram incluídas na Constituição da Índia, em 1949; adotadas pelo Estado da Malásia desde 1968; implementadas nos Estados Unidos desde 1972; na África do Sul, após a queda do regime de /apartheid/, em 1994; e desde então no Canadá, na Austrália, na Nova Zelândia, na Colômbia e no México. Existe uma forte expectativa internacional de que o Estado brasileiro finalmente implemente políticas consistentes de ações afirmativas, inclusive porque o país conta com a segunda maior população negra do ELISA LARKIN NASCIMENTO Terceiro Milênio: Revista Crítica de Sociologia e Política Ano i nº 01 Julho a Dezembro/

16 ABDIAS NASCIMENTO E AS POLÍTICAS AFIRMATIVAS planeta e deve reparar as assimetrias promovidas pela intervenção do Estado da Primeira República com leis que outorgaram benefícios especiais aos europeus recém chegados, negando explicitamente os mesmos benefícios à população afro-brasileira. Vale ressaltar também que, somente nos últimos 4 anos, mais de 35 universidades e Instituições de Ensino Superior públicas, entre federais e estaduais, já implementaram cotas para estudantes negros, indígenas e alunos da rede pública nos seus vestibulares e a maioria adotou essa medida após debates no interior dos espaços acadêmicos de cada universidade. Outras 15 instituições públicas estão prestes a adotar políticas semelhantes para promover maior inclusão. Todos os estudos de que dispomos já nos permitem afirmar com segurança que o rendimento acadêmico dos cotistas é, em geral, igual ou superior ao rendimento dos alunos que entraram pelo sistema universal. Esse dado é importante porque desmonta um preconceito muito difundido de que as cotas conduziriam a um rebaixamento da qualidade acadêmica das universidades. Isso simplesmente não se confirmou! Uma vez tida a oportunidade de acesso diferenciado (e insistimos que se trata de cotas de entrada, apenas, e não de saída), os estudantes negros se esforçam e conseguem o mesmo rendimento que os estudantes brancos. Outro argumento muito comum usado por aqueles que são contra as políticas de inclusão de estudantes negros através de cotas é que haveria um acirramento dos conflitos raciais nas universidades. Muito distante desse panorama alarmista, os casos de racismo que têm surgido após a implementação das cotas têm sido enfrentados e resolvidos no interior das comunidades acadêmicas, em geral com transparência e eficácia maiores do que havia antes das cotas. Nesse sentido, a prática das cotas tem contribuído para combater o clima de impunidade diante da discriminação racial no meio universitário. Mais ainda, as múltiplas experiências de cotas em andamento nos últimos 4 anos contribuíram para a formação de uma rede de especialistas e de uma base de dados acumulada que facilitará a implementação, a nível nacional, da Lei de Cotas. Colocando o sistema acadêmico brasileiro em uma perspectiva internacional, concluímos que nosso quadro de exclusão racial no ensino superior é um dos mais extremos do mundo. Para se ter uma idéia da desigualdade racial brasileira, lembremos que, mesmo nos dias do /apartheid/, os negros da África do Sul contavam com uma escolaridade média maior que a dos brancos no Brasil no ano 2000; a porcentagem de professores negros nas universidades sul-africanas, ainda na época do /apartheid/, era muito maior que a porcentagem dos professores negros nas nossas universidades públicas nos dias de hoje. A porcentagem média de docentes nas universidades públicas brasileiras não chega a 1%, em um país onde os negros conformam 45,6 % do total da população. Se os Deputados e Senadores, no seu papel de traduzir as demandas da sociedade brasileira em políticas de Estado não intervirem aprovando o PL 73/99 e o Estatuto, os mecanismos de exclusão racial embutidos no suposto universalismo do estado republicano provavelmente nos levarão a atravessar todo o século XXI como um dos sistemas universitários mais segregados étnica e racialmente do planeta! E, pior ainda, estaremos condenando mais uma geração inteira de secundaristas negros a ficar fora das universidades, pois, segundo estudos do IPEA, serão 16 Terceiro Milênio: Revista Crítica de Sociologia e Política Ano i nº 01 Julho a Dezembro/2013

17 necessários 30 anos para que a população negra alcance a escolaridade média dos brancos de hoje, caso nenhuma política específica de promoção da igualdade racial na educação seja adotada. Não devemos esquecer que as universidades públicas são as mais qualificadas academicamente e com as melhores condições para a pesquisa; contudo, oferecem apenas 20% do total de vagas abertas anualmente no ensino superior brasileiro. 90% dessas vagas têm sido utilizadas apenas para a formação de uma elite branca. Para que nossas universidades públicas cumpram verdadeiramente sua função republicana e social em uma sociedade multi-étnica e multi-racial, deverão algum dia refletir as porcentagens de brancos, negros e indígenas do país em todos os graus da hierarquia acadêmica: na graduação, no mestrado, no doutorado, na carreira de docente e na carreira de pesquisador. Nesse longo caminho em direção à igualdade étnica e racial plena, o PL 73/99, que reserva vagas na graduação, é uma medida ainda tímida: garantirá uma média nacional mínima de 22,5% de vagas nas universidades públicas para um grupo humano que representa 45,6% da população nacional. É preciso, porém, ter clareza do que significam esses 22,5% de cotas no contexto total do ensino de graduação no Brasil. Tomando como base os dados oficiais do INEP, o número de ingressos nas universidades federais em 2004 foi de estudantes, enquanto o total de ingressos em todas as universidades (federais, estaduais, municipais e privadas) foi de estudantes. Se já tivessem existido cotas em todas as universidades federais para esse ano, os estudantes negros contariam com uma reserva de vagas (22,5% de vagas). Em suma, a Lei de Cotas incidiria em apenas 2% do total de ingressos no ensino superior brasileiro. Devemos ter igualmente claro que essa Lei visa garantir o ingresso de aproximadamente estudantes negros em um universo de estudantes atualmente matriculados nas universidades federais. Portanto, estes representarão um acréscimo anual de 4,8% de estudantes negros em um contingente majoritariamente branco. Lembremos, finalmente, que o número total de matrículas na graduação em 2004 foi de A Lei de Cotas assegurará, portanto, que apenas 0,7% do número total de estudantes cursando o terceiro grau no Brasil sejam negros. Devemos concluir que a desigualdade racial continuará sendo a marca do nosso universo acadêmico durante décadas, mesmo com a implementação do PL 73/99. Sem as cotas, porém, já teremos que começar a calcular em séculos a perspectiva de combate ao nosso racismo universitário. Temos esperança de que nossos congressistas aumentem esses índices tão baixos de inclusão! Se a Lei de Cotas visa nivelar o acesso às vagas de ingresso nas universidades públicas entre brancos e negros, o Estatuto da Igualdade Racial complementa esse movimento por justiça. Garante o acesso mínimo dos negros aos cargos públicos e assegura um mínimo de igualdade racial no mercado de trabalho e no usufruto dos serviços públicos de saúde e moradia, entre outros. Urge votar o Estatuto, pois se trata de recuperar uma medida de igualdade que deveria ter sido incluída na Constituição de 1889, no momento inicial da construção da República no Brasil. Foi sua ausência que aprofundou o fosso da desigualdade racial e da impunidade do racismo contra a população negra ao longo de todo o século XX. ELISA LARKIN NASCIMENTO Terceiro Milênio: Revista Crítica de Sociologia e Política Ano i nº 01 Julho a Dezembro/

18 ABDIAS NASCIMENTO E AS POLÍTICAS AFIRMATIVAS Por outro lado, o Estatuto transforma em ação concreta os valores de igualdade plasmados na Constituição de 1988, claramente pró-ativa na sua afirmação de que é necessário adotar mecanismos capazes de viabilizar a igualdade almejada. Enquanto o Estatuto não for aprovado, continuaremos reproduzindo o ciclo de desigualdade racial profunda que tem sido a marca de toda a nossa história republicana até os dias de hoje. Finalmente, gostaríamos de fazer uma breve menção ao documento contrário à Lei de Cotas e ao Estatuto da Igualdade Racial, enviado recentemente aos nobres parlamentares por um grupo de acadêmicos pertencentes a várias instituições de elite do país. Ao mesmo tempo em que rejeitam frontalmente as duas Leis em discussão, os assinantes do documento não apresentam nenhuma proposta alternativa concreta de inclusão racial no Brasil, reiterando apenas que somos todos iguais perante a lei e que é preciso melhorar os serviços públicos até atenderem por igual a todos os segmentos da sociedade. Essa declaração de princípios universalistas, feita por membros da elite de uma sociedade multi-étnica e multiracial com uma história recente de escravismo e genocídio sistemático, parece uma reedição, no século XXI, do imobilismo subjacente à Constituição da República de 1889: zerou, num toque de mágica, as desigualdades causadas pelos três séculos de escravidão e genocídio, e jogou para um futuro incerto o dia em que negros e índios pudessem ter acesso eqüitativo à educação, às riquezas, aos bens e aos serviços acumulados pelo Estado brasileiro. Acreditamos que a igualdade universal dentro da República não é um princípio vazio e sim uma meta a ser alcançada. As /ações afirmativas/, baseadas na /discriminação positiva/ daqueles lesados por processos históricos, são a figura jurídica criada pelas Nações Unidas para alcançar essa meta. Rejeitar simultaneamente a Lei de Cotas e o Estatuto da Igualdade Racial significa aceitar a continuidade do quadro atual de desigualdade racial e de genocídio e adiar / sine die/ o momento em que o Estado brasileiro consiga nivelar as oportunidades entre negros, brancos e indígenas. Por outro lado, são os dados oficiais do governo que expressam, sem sombra de dúvida, a necessidade urgente de ações afirmativas: ou adotamos cotas e implementemos o Estatuto, ou seremos coniventes com a perpetuação do nosso racismo e do nosso genocídio. Instamos, portanto, os nossos ilustres congressistas a que aprovem, com a máxima urgência, a Lei de Cotas (PL73/1999) e o Estatuto da Igualdade Racial (PL 3.198/2000). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS NASCIMENTO, Abdias. (1983). Combate ao Racismo. Brasília: Câmara dos deputados, v.1. NASCIMENTO, Abdias. (1980). O Quilombismo. Petrópolis: Vozes. P FRANKENBERG, Ruth. (1993). White women, race matters. The social construction of whiteness. Minneapolis: University of Minnesota Press. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. DU BOIS, W. E. B. (1999). As Almas da Gente Negra. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. DU BOIS, W. E. B. (1986). The Suppression of the African Slave-Trade, The Souls of Black Folk, Dusk of Dawn, Essays and Articles. Nathan Huggins (Org). New York: Literary Classics/ Viking Press. 18 Terceiro Milênio: Revista Crítica de Sociologia e Política Ano i nº 01 Julho a Dezembro/2013

19 COSTA PINTO, L. A. da. (1954). Ciência social e ideologia racial: esclarecendo intencionais obscuridades, O Jornal, Rio de Janeiro, 10 de julho, p. 2. SKIDMORE, Thomas. (2012). Preto no Branco: Raça e Nacionalidade no Pensamento Brasileiro ( ). 1 ed. 400p. Companhia das Letras. Elisa Larkin Nascimento Doutora em psicologia pela Universidade de São Paulo (2000), e mestre em direito (1981) e em ciências sociais (1978) pela Universidade do Estado de Nova York (EUA). Diretora do IPEAFRO, ela dirige o projeto de tratamento técnico do acervo de Abdias Nascimento, organiza o Fórum Educação Afirmativa Sankofa e é curadora da exposição África-Brasil: Ancestralidade e Expressões Contemporâneas. É autora de Pan-Africanismo na América do Sul (1981) e O Sortilégio da Cor (2003); organizou a Coleção Sankofa: Matrizes Africanas da Cultura Brasileira, em quatro volumes ( ), entre outras publicações. ELISA LARKIN NASCIMENTO Terceiro Milênio: Revista Crítica de Sociologia e Política Ano i nº 01 Julho a Dezembro/

20 O MITO E O VALOR DA DEMOCRACIA RACIAL O mito e o valor da democracia racial 1 Fábio Wanderley Reis RESUMO Movendo-se entre a discussão filosófica ou normativa do tema das relações entre as raças e o diagnóstico sociológico e realista da questão racial no Brasil, o artigo procura fundar uma tomada de posição sobre políticas públicas que evite os muitos equívocos envolvidos no assunto. Reconhecendo o papel positivo e a contribuição de uma postura afirmativa e reivindicante com respeito à condição da população negra no país, sustenta-se a necessidade de que essa postura seja capaz de autocrítica e de reconhecer que a ação afirmativa por parte do Estado deve ser guiada sobretudo por critérios sociais. Palavras Chaves: questão racial, movimento negro, ações afirmativas. ABSTRACT By moving itself between the philosophical or normative debate on the subject of relations between the races and the realistic and sociological diagnosis of the racial issue in Brazil, this article seeks to build a foundation for a decision on public policies that avoids the many misconceptions involved in the subject. Recognizing the positive role and the contribution of an affirmative and fighting stance regarding the condition of the black population in the country, this article advocates the need that this very stance be subject to self-criticism and recognize that the State s affirmative action must be guided, above all, by social criteria. Keywords: Racial matter; Black movement; affirmative actions I Estas notas intentam breve reflexão sobre o problema das relações raciais no Brasil e o que fazer a respeito. Creio que não há exagero em se pretender que este é um dos maiores problemas com que o país se defronta. Levamos vários séculos de nossa história de longe a maior parte dela a construir uma sociedade que associava o escravismo com 1 Versão revista de texto apresentado inicialmente ao seminário internacional Multiculturalismo e Racismo: O Papel da Ação Afirmativa nos Estados Democráticos Contemporâneos, Secretaria dos Direitos da Cidadania do Ministério da Justiça, Brasília, 4 a 6 de julho de 1996, e publicado em Jessé Souza (org.), Multiculturalismo e Racismo, Brasília, Paralelo 15, 1997, e em Fábio W. Reis, Mercado e Utopia: Teoria Política e Sociedade Brasileira, São Paulo, Edusp, A reformulação aqui feita se vale de Fábio W. Reis, Democracia Racial e Ação Afirmativa, Econômica, v. 6, n. 1, junho de Terceiro Milênio: Revista Crítica de Sociologia e Política Ano i nº 01 Julho a Dezembro/2013

21 a heterogeneidade racial e vinculava a estigmatização resultante da escravidão a atributos físicos de alta visibilidade. O difícil legado que daí herdamos não apenas envolve o drama da desigualdade e da exclusão socioeconômica de vastas parcelas da população brasileira, que passaram a inserir-se na estrutura social pós-escravidão em condições extremamente desfavoráveis. Esse legado tem também como componente uma perversa dimensão de psicologia coletiva, consubstanciada no fato de que até mesmo certo sentimento básico de autoestima tende a ser negado à população negra brasileira. O problema certamente mereceria muito maior atenção do que de fato recebe em termos de análise e ação pública e a reduzida atenção que lhe é dada é provavelmente consequência e expressão, ela própria, do nosso legado escravista. Destaco que minha disposição nestas notas é analítica, orientada pelo empenho de apreender e realçar aspectos que o diagnóstico mais comum das relações raciais no Brasil com frequência omite e de esboçar, a partir daí, certa perspectiva quanto à natureza das dificuldades que se opõem aos esforços destinados à eventual superação de seus traços negativos. A discussão a ser feita se move entre o esclarecimento dos fins a serem buscados e o diagnóstico acurado das condições dadas. De qualquer forma, a perspectiva que adoto torna dispensável que me ocupe em indagar se o racismo existe no Brasil ou em xingá-lo: os postulados que orientam a discussão (e que a avaliação do problema como um dos maiores problemas nacionais evidencia) incluem tanto o reconhecimento inequívoco da existência do racismo brasileiro quanto a inequívoca afirmação de seu caráter odioso. FÁBIO WANDERLEY REIS II Meu ponto de partida consiste na indagação sobre a meta a que caberia aspirar: qual é a sociedade que almejamos no que se refere às relações raciais? A resposta, a meu ver, é clara: queremos uma sociedade em que as características raciais das pessoas venham a mostrar-se socialmente irrelevantes, isto é, em que as oportunidades de todo tipo que se oferecem aos indivíduos não estejam condicionadas por sua inclusão neste ou naquele grupo racial. Isso vale, antes de mais nada, para oportunidades relativas às condições materiais de vida e sua conexão com recursos de natureza intelectual: oportunidades de emprego, de acesso à educação etc. No Brasil da atualidade, é possível apontar alguns ramos de atividade profissional que se aproximam desse desiderato de irrelevância das características raciais, apresentando importância por se tratar de atividades socialmente valorizadas e, como conseqüência, de veículos mais ou menos freqüentes de ascensão social. É o caso da música popular e do esporte, especialmente o futebol. Parece bastante claro, por exemplo, que a estrutura profissional do futebol brasileiro tende atualmente a premiar o talento ou o mérito profissional de maneira independente das características raciais dos jogadores: as chances de que um jogador de futebol talentoso chegue, digamos, à seleção brasileira, com o prestígio e as vantagens decorrentes, não parecem depender de que se trate de um profissional negro ou branco. Infelizmente, isso não significa que o racismo e a discriminação (ou, em todo Terceiro Milênio: Revista Crítica de Sociologia e Política Ano i nº 01 Julho a Dezembro/

22 O MITO E O VALOR DA DEMOCRACIA RACIAL caso, os efeitos da estratificação social com base na raça) estejam excluídos de tudo o que diz respeito ao futebol ou ao esporte em geral, como evidenciado pela reduzida presença de profissionais negros nas equipes esportivas das redes de televisão brasileiras, em claro descompasso com a proporção de atletas negros. Mas a irrelevância das características raciais como aspiração ou meta vale também para as oportunidades que se abrem ou fecham em outro plano: as oportunidades de intercâmbio e interação social de qualquer tipo com quem quer que seja. Este plano compreende mesmo algo que surge como uma espécie de teste decisivo quanto à existência ou não de racismo em determinada sociedade, a saber, as oportunidades mais ou menos difundidas de ocorrência de formas íntimas de convivência e intercâmbio entre pessoas de categorias raciais diferentes, incluindo-se de maneira destacada o intercâmbio especificamente amoroso e o maior ou menor estímulo a que aconteçam casamentos inter-raciais, com suas conseqüências para os padrões de reprodução que se dão na sociedade e para a medida em que se preservam fronteiras nítidas ou rígidas entre os diferentes grupos raciais. O que aqui está em jogo pode ser talvez esclarecido por referência à idéia de um mercado em operação: a questão que se coloca é a de até que ponto a coexistência de gente que apresenta características raciais diferenciadas resulta em restrições ao envolvimento igualitário e desimpedido nas transações do mercado seja do mercado econômico convencional ou daquele, mais significativo em termos de psicologia coletiva, em que se dão intercâmbios ou transações de natureza pessoal. Na sociedade racista, assim como a posse do dinheiro necessário pode não resultar em habilitar um homem negro a consumir livremente no mercado (a escolher, por exemplo, o restaurante que prefira), assim também o fato de ostentar traços pessoais que o tornem eventualmente o alvo de sentimentos favoráveis de certa mulher branca, sentimentos que hipoteticamente ele próprio retribua, não o habilita a desfrutar sem mais (isto é, sem pesados ônus para ambos, ou para seus filhos, se for o caso) da oportunidade de experiência pessoal possivelmente rica que a disposição de ambos em princípio representa. Isso redunda, como será talvez claro, em afirmar o individualismo como valor crucial. A perspectiva esboçada envolve o reconhecimento de que há decisiva conexão entre o individualismo e o próprio ideal democrático entendido no sentido mais rico e exigente, ou no sentido em que se costuma falar de democracia substantiva. Uma sociedade não será democrática na medida em que as oportunidades dos indivíduos estejam condicionadas por sua inserção nesta ou naquela categoria social: sejam quais forem os critérios com base nos quais tais categorias se constituam (raça, classe, etnia, religião, gênero...), a sociedade assim caracterizada será fatalmente hierárquica e autoritária, e as oportunidades diferenciais por categorias expressarão, ao cabo, o desequilíbrio nas relações de poder entre elas e a subordinação de umas às outras. Assim como não queremos a sociedade racista, tampouco queremos a sociedade que oprime minorias (ou maiorias) étnicas, a sociedade machista, a sociedade marcada pelo ódio aos infiéis e a discriminação religiosa e aspiramos igualmente a neutralizar tanto quanto possível os efeitos da desigualdade de oportunidades que decorre da estrutura de classes da sociedade capitalista. Trata-se aqui de algo que, nos estudos relacionados com problemas de poder e 22 Terceiro Milênio: Revista Crítica de Sociologia e Política Ano i nº 01 Julho a Dezembro/2013

23 estratificação social, a sociologia designa há muito como o predomínio de fatores de adscrição, em que o status social de uma pessoa aparece vinculado a certo traço ou condição que ela compartilha com outras normalmente em virtude já do próprio nascimento e, portanto, de maneira independente dos seus méritos pessoais ou do zelo e eficiência com que se desempenhe nas atividades de qualquer natureza que sejam por ela desenvolvidas. Ao contrário da condição marcada pela adscrição (da qual a atribuição de status de acordo com características físicas como raça e sexo são casos extremos, dada sua total independência relativamente à livre deliberação e ao desempenho individuais), o ideal democrático corresponde antes à sociedade que faculta a livre busca da realização pessoal e que estimula e premia adequadamente os esforços e méritos pessoais correspondentes. Naturalmente, como sugerido anteriormente a respeito da possibilidade de desfrutar da riqueza contida nas relações e intercâmbios de todo tipo (em especial as relações íntimas e estritamente pessoais), o que há de áspero e negativo na visão de um individualismo desenfreado e competitivo estaria contrabalançado, na sociedade democrática assim concebida, pelo fato de que a deliberação pessoal livre poderia exercer-se também no sentido de facultar ao indivíduo o estabelecimento de laços sociais solidários, cálidos e duradouros. Mas tais laços seriam então livremente buscados ou consentidos, e a resultante imersão dos indivíduos em grupos sociais diversos nas diferentes esferas de atividade e interação (ou seja, aquilo que faz da sociedade individualista também a sociedade pluralista) expressaria as decisões e escolhas dos próprios indivíduos, e não a mera operação de fatores de adscrição. Esta é a condição em que se realizaria o ideal de autonomia, ou em que cada um se tornaria, para falar como Hannah Arendt, o autor de si mesmo. Isso comporta breve elaboração em duas direções. Em primeiro lugar, a de que a ênfase na autonomia individual não supõe indivíduos postos em algo como um estado de natureza e despojados de certos condicionamentos sociais e culturais básicos: tais condicionamentos não só estão fatalmente sempre presentes, mas sua atuação constitui mesmo uma espécie de insumo necessário para o próprio sentido pessoal de identidade, sem o qual, naturalmente, não caberia falar de autonomia. Há, contudo, a contrapartida de que a autonomia requer também que os indivíduos possam, de algum modo, distanciarse daquilo que é socialmente dado ou imposto, processar os insumos sociais e culturais de maneira reflexiva e seletiva e assim, em algum grau, escolher até mesmo a sua própria identidade (o que é claramente sugerido pelo sentido etimológico de autonomia, em que, em vez da imersão convencional nos valores ou normas da coletividade, o agente aparece como responsável por suas próprias normas). Em segundo lugar, um desdobramento quanto à livre escolha pelos indivíduos dos grupos em que participar. A liberdade na definição da identidade pessoal tem vínculos necessários com a liberdade quanto à definição das lealdades ou solidariedades, e é fatal, se as escolhas são livres, que os grupos efetivamente importantes venham a ser grupos funcionais ou de participação segmentar (relevantes, cada um deles, apenas no que diz respeito a um aspecto limitado das atividades ou da inserção social total do indivíduo), ao invés de se mostrarem como submundos envolventes e dos quais não se pode escapar (o FÁBIO WANDERLEY REIS Terceiro Milênio: Revista Crítica de Sociologia e Política Ano i nº 01 Julho a Dezembro/

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