UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ VIRITIANA APARECIDA DE ALMEIDA

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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ VIRITIANA APARECIDA DE ALMEIDA AUDIÊNCIA PÚBLICA: REPRESENTAÇÃO SOCIAL DAS POLÍTICAS DE AÇÕES AFIRMATIVAS NA MÍDIA TELEVISIVA CURITIBA 2012

2 VIRITIANA APARECIDA DE ALMEIDA AUDIÊNCIA PÚBLICA: REPRESENTAÇÃO SOCIAL DAS POLÍTICAS DE AÇÕES AFIRMATIVAS NA MÍDIA TELEVISIVA Monografia apresentada como requisito parcial para a obtenção do grau de Bacharel e Licenciatura em Ciências Sociais do Departamento de Ciências Sociais, do Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal do Paraná. Orientador: Prof. Dr. Nelson Rosário de Souza CURITIBA 2012

3 RESUMO O debate das políticas de ações afirmativas na audiência pública (AP) realizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em março de 2010 no território brasileiro tem causado muitas polêmicas. O objetivo deste trabalho é fazer uma análise da visibilidade - na mídia televisionada - dos argumentos favoráveis e contrários às cotas raciais, especialmente no campo semântico do argumento da desigualdade histórica debatido no STF. Parte-se da hipótese de que o enquadramento midiático dos discursos das ações afirmativas favoráveis às cotas raciais - especialmente o argumento da desigualdade histórica debatido na AP - fora enfatizado pela mídia de massa porque esse argumento legitima, de certa forma, os argumentos contrários às discriminações positivas, fortalecendo a crença na democracia racial. Para a comprovação da hipótese a metodologia aplicada seguiu a seguinte forma: num primeiro momento se buscou nas referências bibliográficas que discutem o problema da negritude brasileira os argumentos das ações afirmativas, focando o discurso da desigualdade histórica. Num segundo momento fez-se uma análise qualitativa das mensagens difundidas sobre o evento pelo Jornal Nacional e Jornal da Record. Por fim, realizou-se uma análise quantitativa dos discursos presentes na audiência pública, utilizando o software SPSS statistics Palavras-Chave: ação afirmativa, enquadramento midiático, desigualdade histórica.

4 LISTA DE TABELAS Tabela 1 Cruzamento da utilização do argumento econômico no discurso da AP Tabela 2 Cruzamento da utilização do argumento raça no discurso da AP Tabela 3 Cruzamento da utilização do argumento fenótipo no discurso da AP Tabela 4 Cruzamento da utilização do argumento divisão racial no discurso da AP Tabela 5 Cruzamento da utilização do argumento inconstitucionalidade no discurso na AP Tabela 6 Cruzamento da utilização do argumento igualdade material no discurso na AP Tabela 7 Cruzamento da utilização do argumento diversidade no discurso na AP Tabela 8 Cruzamento da utilização do argumento índice de rendimento acadêmico - IRA no discurso na AP Tabela 9 Cruzamento da utilização do argumento inconstitucionalidade no discurso na AP Tabela 10 Porcentagem da utilização dos argumentos contrários e favoráveis às cotas raciais na AP Tabela 11 Argumentos contrários e favoráveis às cotas raciais enfatizados pelos jornais Nacional e da Record

5 SUMÁRIO I - INTRODUÇÃO O PROBLEMA PÚBLICO DA NEGRITUDE BRASILEIRA Da Marcha Zumbi dos Palmares aos discursos sobre ações afirmativas Conferência de Durban: debate sobre as ações afirmativas TEORIAS DAS COMUNICAÇÕES O enquadramento midiático da audiência pública sobre cotas pelo Jornal Nacional e pelo Jornal da Record OS ARGUMENTOS DAS AÇÕES AFIRMATIVAS NA AUDIÊNCIA PÚBLICA DO STF SOBRE COTAS Análise quantitativa dos argumentos das cotas na audiência pública Argumentos contrários às cotas raciais Argumentos favoráveis às cotas com recorte racial APONTAMENTOS FINAIS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 54

6 I - INTRODUÇÃO A implantação das políticas de ações afirmativas 1 pelas universidades públicas tem provocado intensos debates na sociedade brasileira, especialmente a partir do momento em que o Partido Democrata - DEM impetrou o instrumento jurídico arguição descumprimento do preceito fundamental 2 ADPF contra o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade de Brasília - UNB, que aderiu ao sistema de ações afirmativas com recorte étnico-racial. Além da ADPF-186 também foi interposto um recurso extraordinário 3 (RE) por um estudante da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) que se sentiu prejudicado pelo sistema de cotas sociais (COSTA; PINHEL; SILVEIRA, 2012). Em ambos os casos citados está o pedido de declaração de inconstitucionalidade 4 das ações afirmativas. Esse fato levou o Supremo Tribunal Federal - STF a realizar, no período de três a cinco de março de 2010, uma audiência pública - AP com especialistas no assunto das políticas de discriminações positivas a fim de julgar a ADPF 186 e o RE. O debate das ações afirmativas, no entanto, vem chamando a atenção de intelectuais desde antes da realização da AP. Observa-se que os estudos sobre discriminação positiva encontram respaldo teórico em três principais correntes de estudo. A primeira corrente faz um apanhado histórico do conceito de ação afirmativa no contexto brasileiro e norte americano. A segunda realiza uma análise qualitativa do enquadramento 5 dos argumentos contrários e favoráveis às discriminações positivas veiculadas nos meios de comunicação de massa. 1 O termo ação afirmativa - também conhecido atualmente como discriminação positiva indica o incentivo, por parte do Estado, para a inclusão social de grupos minoritários percebidos como tais, em face de traços estigmatizados como a raça, o gênero e a classe social. No princípio, o conceito não designava uma regra, antes buscava a conscientização da população para a existência de preconceito vigente na sociedade. Contemporaneamente, as ações afirmativas são percebidas como arranjos legais de caráter provisório que visam instigar a igualdade substancial de indivíduos socialmente inferiorizados. O tratamento diferenciado para os desiguais visa proporcionar aos grupos desfavorecidos a possibilidade de alcançar o mesmo status social que os demais componentes da comunidade. (BELLINTANI, 2006) 2 Lei nº 9.882/99, art. 1º: A arguição prevista no 1º do art. 102 da Constituição Federal será proposta perante o Supremo Tribunal Federal, e terá por objeto evitar ou reparar lesão a preceito fundamental, resultante de ato do Poder Público. 3 Constituição Federal, art Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: (...) III julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida: a) contrariar dispositivo desta Constituição; b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal; c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição; d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal. 4 Práticas que ferem os princípios jurídicos da Constituição Federal de Uma vez que todos os brasileiros são considerados iguais, alegam que não deveria haver privilégios de um segmento da população em detrimento de outros. Assim as cotas raciais são vistas como um privilégio pelos grupos contrários às políticas de ações afirmativas para negros. 5 A análise do enquadramento verifica os princípios de seleção, ênfase e apresentação compostos de pequenas teorias tácitas sobre o que existe, o que acontece e o que é importante. Enquadramentos midiáticos são padrões persistentes de cognição, interpretação e apresentação, seleção, ênfase e exclusão, através dos quais os detentores

7 Por fim, a última corrente, que estuda as políticas de ações afirmativas tendo como base as obras clássicas de Florestan Fernandes (2008) e Gilberto Freyre (2006), é composta por autores como Michael Hanchard (2001); Roberto Damatta (1981); Jessé Souza (2000; 2005); Antonio Sergio Guimarães (2001), João feres Junior (2006; 2007; 2010). Todas as três correntes de estudo contribuíram para a reflexão deste trabalho. A obra Casa grande e senzala, de Gilberto Freyre, analisada por esses autores, será utilizada para compreender a ideia de democracia racial 6, a qual instiga a levantar a seguinte hipótese: o enquadramento midiático dos discursos das ações afirmativas favoráveis às cotas raciais - especialmente o argumento da desigualdade histórica 7 debatido na AP - fora enfatizado pela mídia de massa porque esse argumento legitima, de certa forma, os argumentos contrários às discriminações positivas, fortalecendo a crença na democracia racial. Para a comprovação da hipótese foram utilizados os métodos de análise do enquadramento midiático e o método quantitativo. A análise do enquadramento parte da leitura textual das mensagens escolhidas para a análise, identificando os aspectos mais relevantes para criar categorias de análise, enfocando pontos que suscitem maior contraste nos enquadramentos. Partindo de uma análise descritiva, também busca caracterizar as reportagens de maneira genérica, interpretando os dados obtidos a partir de tais categorias, contrastando os resultados e teorizando os dados descritos, visando explicar ou compreender os enquadramentos. Conforme o roteiro resumidamente apresentado, tal proposta metodológica é elaborada com base nos métodos de pesquisa em comunicação em que definição do objeto, observação, descrição e interpretação formam o processo investigativo da pesquisa científica (VIEIRA JUNIOR, 2009). E esta é a proposta metodológica adotada nesta pesquisa, que visa analisar as notícias publicadas pelos jornais Nacional e da Record no período de vinte e sete de fevereiro de 2010 a catorze de março de 2010 acerca do debate das ações afirmativas na AP. O objetivo é captar dois eixos discursivos ou enquadramentos que revelam os argumentos e contra-argumentos enfatizados pelos meios dos símbolos organizam de forma rotineira, o discurso, seja verbal ou visual (GITLIN 1980 p.6-7 in: LEAL 2007, p.4). 6 A ideia de democracia racial traz à tona os discursos ideológicos da mestiçagem e da miscigenação, que contestam as ações afirmativas para negros. O vocábulo democracia racial foi usado pela primeira vez por Gilberto Freyre em 1962 com o intuito de atacar o conceito de negritude cunhado por Aimé Cesaire, em 1937, que questionava o preconceito para com os negros. Para Gilberto Freyre os negros brasileiros estavam sofrendo influência de povos estrangeiros ao questionar as práticas de preconceito racial e por isso era seu dever opor-se à mística da negritude como ao mito da branquitude : dois extremos sectários que contrariam a já brasileiríssima prática da democracia racial através da mestiçagem: uma prática que nos impõe deveres de particular solidariedade com outros povos mestiços (GUIMARAES, 2001, p.7). 7 O argumento da desigualdade histórica faz remissão ao preconceito contra o negro ao longo do tempo em que se impossibilitou sua ascensão social. Na sociedade escravocrata a inferiorização do negro servia para legitimar o regime político-legal vigente, ao passo que no contexto da sociedade capitalista ela cumpre a função de alijar os negros da competição por oportunidades de ascensão social. (FERES, 2006, p.165).

8 de comunicação de massa em relação às políticas de discriminação positiva (MARQUES, 2009). Tais enquadramentos possibilitam diagnosticar se o argumento da desigualdade histórica está sendo reapropriado pelos argumentos contrários às discriminações positivas com recorte etnicorracial a fim de fortalecer a crença a democracia racial. A análise do enquadramento é uma abordagem que visa diagnosticar o caráter construído da notícia, mostrando a retórica implícita vigente em textos supostamente objetivos, imparciais e com função meramente referencial (SILVA, 2011). Em contrapartida a metodologia quantitativa de análise de conteúdo permite mostrar indicadores 8 presentes nas notas taquigráficas 9. Estes indicadores fornecem dados que possibilitam a construção de tabelas através da utilização do programa para computador SPSS statistics Como consta de apostila básica para SPSS 10 o SPSS é um software apropriado para a elaboração de análises estatísticas de matrizes de dados. Seu uso permite gerar relatórios tabulados, gráficos e plotagens de distribuições utilizados na realização de análises descritivas e de correlação entre variáveis. O que será feito neste trabalho é uma correlação entre a variável valência do discurso e a variável ausência ou presença de certos discursos. O texto está estruturado da seguinte maneira: num primeiro momento apresenta o problema público da negritude brasileira, diagnosticando os discursos de políticas de ações afirmativas, especificadamente o argumento da desigualdade histórica. Num segundo momento far-se-á uma análise qualitativa do enquadramento das mensagens difundidas pelos jornais Nacional e da Record da Audiência Pública. Por fim, uma análise de conteúdo quantitativo dos discursos presentes na AP, utilizando o software SPSS statistics 17.0, com foco no discurso da desigualdade histórica. 8 Os indicadores utilizados são: a) valência do discurso (favorável, contrária ou neutra); b) presença ou ausência de certos argumentos. 9 As notas taquigráficas são as transcrições das falas de todos os participantes da audiência, e estão disponibilizadas no sítio do STF, no endereço < ncia_publica.pdf>, último acesso em 17/06/ Apostila básica para SPSS. Laboratório de metodologia em Ciências Sociais, UF MG [s.d.]

9 1 - O PROBLEMA PÚBLICO DA NEGRITUDE BRASILEIRA No começo dos anos 60 do século passado uma nova configuração social emergiu no mundo globalizado. Esse período histórico marcou a emergência de atores sociais que trouxe à cena novos discursos sobre desigualdades que não se enquadravam no debate ortodoxo de cunho marxista. Esses novos protagonistas, representados por categorias marginalizadas, a saber, as mulheres, os homossexuais e os negros exteriorizavam outras formas de discriminação - além da luta de classes 11 - que sofriam na vida cotidiana. Esse contexto histórico possibilitou que, na década de 80 do século passado, no território brasileiro, o discurso sobre desigualdade histórica ganhasse fôlego, sobretudo com a mudança do regime político autoritário ao democrático. No período de 1964 a 1978 os discursos sobre negritude eram proibidos pelo governo. Somente o discurso da democracia racial que trazia em si o sentimento de nacionalidade e da ideologia do regime político militar era permitido (GUIMARÃES, 2001). A ideologia política do regime militar trazia em si a ideia da expansão econômica atrelada à crença na democracia racial que se fundamentava na ideia de mestiçagem e miscigenação. A ideologia da mestiçagem e miscigenação foi um constructo político incentivado pelo governo de Getúlio Vargas a fim de fundar a ideia de nação moderna 12 brasileira. A miscigenação visava o branqueamento da população negra brasileira (COSTA, 2001). De acordo com essa política dentro de aproximadamente três décadas a raça 13 negra seria extinta, uma vez que os casamentos inter-raciais produziriam um fenótipo 14 predominantemente branco com o passar dos anos (ROCHA, 2009). Em contrapartida a ideia de mestiçagem correspondia ao sincretismo cultural, permitindo a construção de uma cultura brasileira unificada (COSTA, PINHEL; SILVEIRA, 2012). 11 O conceito de classe empregado aqui é no sentido de um carisma baseado na posse e no domínio de bens materiais e culturais. Neste sentido, classe define uma qualidade moral e intelectual dos indivíduos e grupos (GUIMARÃES, 1999, p.109). 12 O discurso erudito da imaginação nacional, para a ideia de Brasil moderno, seria transformar as raças e suas populações mestiças em um único povo (COSTA; PINHEL, SILVEIRA, 2012, p.94) 13 Algumas das teorias que trabalharam o conceito de raça foram a corrente monogenista e poligenista. A primeira defendia que a humanidade era um gradiente que ia do menos ao mais perfeito. Pertencente a uma mesma espécie, espécie esta que comporta uma hierarquia entre as raças em função de seus diferentes níveis mentais. Ao passo que a teoria poligenista interpretava as raças como pertencentes a diferentes espécies, não redutíveis a uma única humanidade. É nesse ínterim que vigora a concepção de raça de conde Gobineau, que via no Brasil os negros e índios como raças inferiores. A passagem da noção de raça degenerada de conde Gobineau para a celebração da cultura brasileira realizada por Gilberto Freyre na sua vasta obra, o sincretismo cultural termina servindo de modelo à mestiçagem entre famílias de origens étnicas e sociais distintas (COSTA; PINHEL; SILVERA, 2012, p.102). 14 Fenótipo refere-se à aparência, às características manifestas de um organismo, incluindo traços anatômicos e psicológicos, que resultam tanto da hereditariedade quanto do ambiente. (EDUCAFRO, 2003)

10 A ideologia da miscigenação e da mestiçagem foi legitimada pelo campo científico, especialmente através da obra Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre, que reforça uma imagem idealizada de cultura brasileira unificada. Essa imagem idealizada será questionada pelos discursos sobre diversidade que tem como norte a ideia de equidade que se encontra no fulcro das políticas multiculturalistas quando se esforçam por combinar o reconhecimento cultural e a luta contra as desigualdades sociais (WIEVIORKA, 2002, p.67). A combinação desses dois fatores visa desconstruir a crença ideológica da democracia racial brasileira fundada na ideia de mestiçagem, que desconsidera a diversidade dentro de cada cultura e não permite que dentro de cada cultura haja resistência, ou seja, diferença (GANDIN; HYPOLITO, 2003). O quadro ideológico do povo mestiço faz parte da retórica tanto de políticos profissionais de perfil ideológico de esquerda quanto de perfil ideológico direitista. Práticas culturais e políticas que colocam em xeque a visão integracionista da harmonia racial normalmente são vistas com maus olhos pelas elites políticas brasileiras de modo geral. Em face disso o MNU (Movimento Negro Unificado) tem dificuldade de agendar na pauta dos partidos políticos as demandas de ações afirmativas específicas para negros que reconheça a desvantagem dos afro-brasileiros frente às políticas de miscigenação difundida pelo Estado (HANCHARD, 2001). A saída para esse impasse foi se construindo ao longo do tempo através da experiência empírica e teórica de associações negras que combinavam as expressões de Max Weber ação racional com relação a fins e ação afetiva. Ação racional com relação a fins exprime uma ação social consciente que visa alcançar um fim determinado, enquanto a ação afetiva é marcada por práticas inconscientes que não tem um direcionamento linear. É nesse caminho que parecem emergir os discursos culturais de indivíduos e associações negras para explicar a desigualdade histórica. Além desses discursos, os argumentos de negritude para obter sucesso na via partidária se veem obrigados a levar em consideração o campo semântico de classe social e de gênero na defesa dos direitos sociais de política racialista (HANCHARD, 2001). O argumento de classe social imbricado ao de desigualdade histórica levou o militante negro Abdias do Nascimento a se filiar ao Partido Democrático Trabalhista (PDT). A aderência a esse partido político levou Abdias do Nascimento a receber o apoio do governo de Leonel Brizola na década de 80 do século passado, permitindo ao militante negro a elaboração do discurso da doutrina do quilombismo. Esse termo evoca a memória da resistência dos escravos africanos que, ao fugir, fundavam quilombos no território brasileiro. Os discursos de quilombismo, de ênfase na desigualdade histórica configuram fenômenos

11 mundiais da diáspora africana. Diáspora aqui corresponde a uma expressão que indica uma comunidade transnacional, constituída em ambos os lados do Atlântico, de uma contracultura negra, que não é nem africana, nem antilhana, nem americana, nem britânica, mas que é tudo isso ao mesmo tempo na luta contra o preconceito sofrido pelos seus membros (WIEVIORKA, 2002). Esses discursos que enfatizam a desigualdade histórica foram ativados pelo militante negro Abdias do Nascimento, que pregou a união dos afro-brasileiros num movimento transnacional na luta contra o preconceito racial. O citado político renovou os discursos da diáspora africana ao vincular o conceito de raça e classe social na defesa do caráter universal da opressão dos negros. Esse fato contribuiu para que Abdias afirmasse que negros são todos os brasileiros descendentes de escravos africanos excluídos do mercado de trabalho (GUIMARÃES, 2001). Os discursos de desigualdade histórica e de classe social possibilitaram a Abdias do Nascimento a encaminhar ao Congresso Nacional o projeto de lei numero de 1983, reivindicando ações afirmativas específicas para negros. Neste documento eram mencionadas as seguintes demandas: [...] reserva de 20% de vagas para mulheres negras e 20% para homens negros na seleção de candidatos a serviço público; bolsas de estudo; incentivos às empresas do setor privado para a eliminação da prática da discriminação racial; incorporação da imagem positiva da família afro-brasileira ao sistema de ensino e à literatura didática e paradidática, bem como a introdução da história das civilizações africanas e do africano no Brasil (MOEHLECKE, 2002, p.204). A demanda de ações afirmativas para negros trouxe pela primeira vez a discussão política da importância da interferência do Estado brasileiro na correção da desigualdade histórica sofrida pelos afro-brasileiros. As reivindicações presentes no projeto de Abdias não foram aprovadas nas casas legislativas, mas passaram a fazer parte do programa de ação das associações negras como o MNU, que se engajou na denúncia da ideologia da democracia racial a fim de obter êxito na defesa dessas demandas. Para desmistificar a ideia de povo mestiço as associações negras se apropriaram dos discursos culturais presentes na obra Casa Grande e Senzala. Ao se apropriar dessa literatura, o MNU afirma que a mesma expressa o mito da democracia racial. Mito porque, apesar de o Estado difundir a crença da harmonia

12 racial brasileira, percebe-se o corte que o preconceito racial opera na marginalização da maior parcela dos afro-brasileiros conforme revelam os dados empíricos de pesquisa de opinião 15. A relação tridimensional entre o discurso da mestiçagem (Estado), de intelectuais (ciência) e de militantes negros (movimentos negros) levou as associações negras a radicalizar os discursos do direito à diversidade. Nesses argumentos vigoram a defesa da intervenção do governo na promoção de políticas racialistas que permitam a passagem de uma igualdade formal, que se fundamenta na ideologia da mestiçagem, para uma política que fomente a igualdade material baseada no reconhecimento da diversidade brasileira (GUIMARÃES, 2001). As reivindicações dos movimentos sociais, especialmente do MNU, pela implementação de políticas que conduzam à igualdade material levaram o governo brasileiro a reformular a constituinte de Esta trouxe no corpo do seu documento o reconhecimento institucional das terras quilombolas, além de considerar crime a prática de racismo. A legalização das terras quilombolas traz consigo a existência de povos com identidade, território e cultura que lhes são próprios (e que muitas vezes os distinguem da cultura nacional-oficial dos Estados de que fazem parte) (MILANO, 2008, p.2). Essa distinção traz a configuração de uma identidade que nem sempre converge com a noção de nacionalidade que se configura pelo tripé identidade/nacionalidade/território. A existência de uma identidade quilombola põe em xeque a ideia de democracia racial que se fundamenta na defesa de uma identidade mestiça. Por isso a legalização de terras remanescente de quilombos marcou de um lado os conflitos políticos daqueles que defendem o discurso da ideologia da mestiçagem e do outro daqueles que defendem que a mestiçagem não passa de um mito da democracia racial. Esses confrontos políticos estavam explícitos na comemoração do centenário da assinatura da Lei Áurea, em 1988, e também na marcha Zumbi dos Palmares, organizada em Tais conflitos exprimiram a ênfase de militantes negros nos discursos sobre desigualdade histórica na luta por ações afirmativas Da Marcha Zumbi dos Palmares aos discursos sobre ações afirmativas A passeata organizada por militantes do eixo Rio-São Paulo em 1988 representou a radicalização dos discursos do MNU sobre o mito da democracia racial na luta por ações 15 Essas pesquisas mostram que do total de universitários, 97% são brancos, sobre 2% de negros e 1% de descendentes de orientais. Sobre 22 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza, 70% deles são negros. Sobre 53 milhões de brasileiros que vivem na pobreza, 63% deles são negros (DOS ANJOS, 2008, apud PEREIRA, 2009 p. 2)

13 afirmativas no território brasileiro. O ato público criticava a data oficial de 13 de maio de 1888, data que marca o dia da assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel na libertação dos escravos. Data oficial do governo que representa o símbolo nacional de combate ao racismo no Brasil. O MNU, inconformado com a força simbólica dessa data que fortalece a ideologia da mestiçagem, procurou contestar a nobreza do ato da princesa Isabel. Por isso defendeu que o dia 20 de novembro é que representa a data de combate ao preconceito racial, uma vez que marca a morte do escravo Zumbi dos Palmares, a mando do governo português. A reivindicação pela mudança da data 13 de maio para 20 de novembro como símbolo da resistência negra brasileira indica a luta acirrada pela demanda de ações afirmativas no território brasileiro pelo MNU. O MNU do Estado do Rio de Janeiro, a fim de lembrar a memória de Zumbi dos Palmares na luta pela liberdade dos escravos, também procurou profanar a estátua de Duque de Caxias, filho da elite branca latifundiária composta por donos de escravos africanos. Diante dessa ameaça o Chefe da Secretaria da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, em 1988 impediu a passagem de membros das comunidades negras pela praça onde está o monumento nacional em homenagem a Duque de Caxias (HANCHARD, 2001). A reação a esse bloqueio veio com a ênfase dos discursos do MNU sobre desigualdade histórica com foco na memória do escravo Zumbi dos Palmares. Esse fato favoreceu o comentário do ex-presidente José Sarney no livro Orfeu e o Poder, de Michel Hanchard (2001), de ênfase à ideologia da mestiçagem, tal como descrito na obra de Gilberto Freyre. Na comemoração centenária da assinatura da Lei Áurea, José Sarney comentou as atrocidades que sofreram os escravos africanos, especialmente Zumbi dos Palmares, privados de sua liberdade, mas libertados com o ato da princesa Isabel. Essa lei possibilitou, conforme José Sarney, a integração dos afrodescendentes à nação brasileira, demonstrando a ideologia da mestiçagem. O Chefe do Executivo Nacional à época também fez elogios à contribuição cultural do carnaval, religiosa e, sobretudo, ao caráter emocional dos afro-brasileiros na formação do povo mestiço. Segundo o ex-presidente as paixões dos afro-brasileiros amaciam a racionalidade do povo português; mas tal afirmação traz implícita a dicotomia entre trabalho intelectual e braçal na sociedade brasileira. A partir de então o MNU politiza o discurso pela demanda de ações afirmativas específicas para negros a fim de eliminar tal dicotomia. A politização do discurso é observada no ato público conhecido como a marcha Zumbi dos Palmares, ocorrida no ano de Nessa marcha foi entregue ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso FHC um documento oficial que marca a luta pelas políticas de discriminação positiva:

14 [...] incorporar o quesito cor em diversos sistemas de informação; estabelecer incentivos fiscais às empresas que adotarem os programas de promoção da igualdade racial; instalar no âmbito do Ministério do Trabalho, a câmara Permanente de Promoção da Igualdade que deverá se ocupar de diagnósticos e proposições de políticas de igualdade no trabalho; implementar a convenção sobre Eliminação da Discriminação Racial no Ensino; conceber bolsas remuneradas a adolescentes negros de baixa renda, para o acesso e conclusão do primeiro e segundo graus; desenvolver ações afirmativas para acesso de negros em cursos profissionalizantes, as universidade e às áreas de tecnologia de ponta; assegurar a representação proporcional dos grupos étnicos raciais nas campanhas de comunicação do governo e de entidades que com eles mantenham relações econômicas [MOEHLECKE, 2002 p ]. A demanda pelas políticas de discriminação positiva na marcha Zumbi dos Palmares levou FHC a reconhecer em 1995 o problema público do preconceito racial brasileiro. FHC, ao reconhecer o preconceito racial brasileiro, levou em consideração os trabalhos acadêmicos patrocinados pelo governo no ano de 1988 sobre a desigualdade histórica. O ex-presidente também se comprometeu a realizar um seminário em Brasília em 1996 para debater o problema do preconceito contra os negros. Na época da reformulação da Constituição brasileira observa-se que o governo brasileiro valorizou as teses acadêmicas sobre negritude que focaram a desigualdade histórica. Os grupos de trabalhos - GTs e mesas redondas - MRs sobre questão racial se restringiram a temas sobre abolição e cultura negra. A referência à cultura negra exprimiu a contribuição dos costumes africanos na formação da nação brasileira. Em contrapartida, os discursos sobre abolição de ênfase na desigualdade histórica remetem aos processos da assinatura da Lei Áurea. A escravidão foi apontada nos eventos como o fator principal que explica a desigualdade histórica na sociedade brasileira. Nos GTs e MRs, ao se apontar a escravidão como fator que explica a desigualdade histórica, surge à tona o discurso de que os negros sofrem preconceito não diretamente por causa das características fenotípicas, e sim pela incapacidade de incorporar para si à visão de mundo e os valores morais concernentes à era moderna (SOUZA, 2005). Nesse sentido, o preconceito fenótipo que engendra a desigualdade histórica brasileira ocupou o último lugar nos debates acadêmicos. Ao passo que o debate sobre desigualdade histórica vinculado ao viés da escravidão que prega a falta de preparo dos negros para ocupar os cargos vigentes na sociedade capitalista moderna foi enfatizado por FHC no seminário realizado em Brasília em Mas antes de falar do problema da

15 desigualdade histórica e da modernização, FHC enfatizou os discursos da ideologia da mestiçagem. O seminário sobre ações afirmativas sediado na Universidade de Brasília - UNB teve como bibliografia principal, dentre outras obras, as literaturas de Roberto Damatta, Antonio Sergio Guimarães e Gilberto Freyre. O ex-presidente FHC estava presente em tal seminário, e abriu a mesa de discussão fazendo um apelo à intelectualidade brasileira a ser criativa na busca de soluções para a problemática da desigualdade histórica brasileira. Segundo o Presidente à época, o Brasil tinha um caso particular de desigualdade histórica, incomparável com a experiência do preconceito norte americano e sul-africano (GRIN, 2001). Por isso era inconcebível importar o modelo de ação afirmativa implantado nos EUA ao contexto social brasileiro. Para apoiar seu discurso FHC utilizou a obra de Roberto Damatta e Gilberto Freyre. Da primeira obra retirou o argumento de que no Brasil o preconceito pode ser traduzido na figura de uma pirâmide social. Ou seja, quanto mais próximo do estereótipo europeu mais chances de ascensão social tem o afro-brasileiro. Por isso a discriminação racial no Brasil não é um empecilho, como o é nos EUA aonde o preconceito é de origem, enquanto nos trópicos é de marca. Onde existe o preconceito de marca, há uma preterição do indivíduo de cor negra, que sempre se vê em desvantagem quando existe um branco nas mesmas condições. Enquanto o preconceito de origem traz consigo a crença de que as características negativas da raça são hereditárias, transmitidas pelo sangue, o que gera um ódio entre brancos e não brancos. FHC, portanto, defende que a legislação norte-americana traduz a segregação racial, fato em tese ausente no Brasil, uma vez que o preconceito na America do sul é de marca. Por esse motivo não se deve implementar ações afirmativas baseadas em leis segregacionistas. Para fortalecer esse discurso FHC recorreu aos discursos do livro Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre, afirmando que a difusão da ideologia da mestiçagem e da miscigenação produziu uma identidade racial brasileira harmoniosa. Engendrando a argumentação da ideologia da mestiçagem FHC citou os dados estatísticos de pesquisas de opinião pública que revelam que os brasileiros reconhecem o preconceito contra os negros, mas mesmo assim defendem o ideário da ideologia da mestiçagem. Depois de apresentar os dados estatísticos FHC passou a argumentar sobre o problema da desigualdade histórica e da modernização. Segundo FHC o problema da desigualdade histórica na nação brasileira é um resquício da dicotomia entre povos atrasados e povos civilizados (GRIN, 2001). Portanto a cor de pele não é uma barreira intransponível à ascensão social. Conforme o ex-presidente a

16 desigualdade racial desaparecerá à medida que a nação brasileira se modernizar. O discurso conservador de modernização defendido por FHC foi como o mencionado no começo desse trabalho, que impulsionou Getúlio Vargas a promover as políticas de mestiçagem e miscigenação, uma vez que o negro era visto como um empecilho ao progresso nacional. O argumento de FHC expressa adesão ao ideal do projeto da ideologia do povo mestiço, aonde o negro - símbolo do arcaico - seja extinto, permitindo o progresso brasileiro. O discurso de FHC de modernização, que mencionou o problema da desigualdade histórica, também se assemelha aos discursos teóricos de Jessé Souza e Florestan Fernandes. Segundo Jessé Souza (2005) os negros e brancos pobres não conseguiram interiorizar os valores morais que emergiram na era moderna, demonstrando que a variável explicativa da desigualdade histórica é econômica e meritocrática, e não racial. Esse fato revela o processo de exclusão social dos brasileiros pobres de modo geral, independente da cor. Isso demonstra a necessidade de políticas públicas que reduzam a distância social entre pobres e ricos no acesso aos bens simbólicos que permitam a consolidação do projeto da nação moderna brasileira. A segunda simetria do argumento modernizante de FHC, e que expressa o problema da desigualdade histórica discutido no seminário em Brasília, se refere aos escritos do sociólogo Florestan Fernandes no livro Integração do Negro na sociedade de Classes. Mas ao se apropriar dessa literatura para explicitar o problema da nação moderna o ex-presidente exprimiu uma argumentação confusa e incoerente 16, e exprimiu a posição conservadora do seu discurso, que se apoia nas políticas públicas de branqueamento. Essa confusão teórica reforça a tese de Hansebald de que a modernização econômica brasileira jamais deletaria o preconceito racial vigente no Brasil (CAMPOS; DAFLON; FERES, 2010). A incoerência do discurso de FHC sobre modernização, vinculada à desigualdade histórica, levou o cientista social Antonio Sergio Guimarães, no seminário em Brasília, a criticar os argumentos de FHC (GRIN, 2001). Para isso Guimarães defendeu a importância da implantação de ações afirmativas fundada no critério racial. Para esse autor as ações afirmativas fundadas no critério racial são a única via pela qual a desigualdade racial no mercado de trabalho, nas escolas e na publicidade pode ser reduzida. Para ele essas políticas não produziriam a segregação racial entre negros e brancos como nos EUA, como postula 16 Essa incoerência foi percebida quando FHC acabou explicitando que o livro de Florestan Fernandes reconhece a desvantagem do negro na engenharia da ideologia da mestiçagem, quando detectou três problemas que impediram a integração do escravo recém-liberto na sociedade moderna: a) herança psicossocial do negro do regime escravocrata; b) o racismo praticado pelos imigrantes brancos brasileiros; e c) a falta de políticas implementada pelo governo para introduzir o escravo recém-liberto na nova lógica do mercado de trabalho (FERNANDES, [1961] 2008).

17 FHC, antes permitiria aos afro-brasileiros reconhecer sua identidade racial negra (GRIN, 2001). O reconhecimento da identidade negra possibilita a desconstrução do mito da democracia racial. Segundo Sergio Guimarães a desconstrução do mito da democracia racial engendraria a modernização do Brasil que FHC defende. Contudo, tal tarefa exigiria num primeiro momento a conciliação das fronteiras entre raça e classe social, diluindo a primeira na segunda, e num segundo momento a conciliação entre raça e cultura criando categorias classificatórias rígidas (GRIN, 2001, p.185). Nesse caminho argumentou que a primeira iniciativa para possibilitar a consciência racial negra no Brasil já foi engendrada com a emergência do discurso de Abdias do Nascimento, que relaciona classe e raça e que questiona a ideologia da mestiçagem. O segundo passo está sendo dado com a imbricação dos discursos entre raça e cultura, que traz em cena o discurso da diversidade e que coloca o negro como sujeito que necessita de auxílio do Estado para manter-se frente aos brancos (GRIN, 2006). Isso legitima as reivindicações por políticas de ações afirmativas especificas para negros, e que deságua no discurso de que o preconceito racial não se compara com outros tipos de discriminação. Fato este aceito por FHC quando o mesmo reconheceu a existência do preconceito de marca vigente no Brasil. Antonio Sergio Guimarães não acredita na visão de FHC de que o preconceito de marca desaparecerá à medida que a sociedade brasileira se modernizar, pelo contrário, defende que a modernização acontecerá quando houver a desconstrução do mito da democracia racial. Desta perspectiva Antonio Sergio Guimarães reafirmou sua posição favorável à implantação de políticas de ações afirmativas fundadas no critério racial. Para ele o preconceito racial impede os discriminados de ascender socialmente (GRIN, 2001). Em contrapartida, contrapondo-se aos argumentos de Antonio Sergio Guimarães, observa-se no seminário o discurso do antropólogo Roberto Damatta, que se assemelha aos discursos de FHC. A semelhança do discurso de Damatta ao de FHC se verifica quando o antropólogo afirma que pessoas ficam brancas ou negras de acordo com suas atitudes, sucesso e, sobretudo, relacionamento (GRIN, 2001, p.188). O argumento de Damatta se traduz no discurso de FHC, quando este afirma que o preconceito racial desaparecerá à medida que a sociedade brasileira se modernizar. Em ambas as falas observa-se que o preconceito racial vigente no Brasil não é uma barreira intransponível como ocorre nos EUA. Por isso, ambos defendem a concretização do ideário da democracia racial brasileira. Para eles a opinião pública deseja ver concretizado esse ideal, como demonstram os dados estatísticos das pesquisas de opinião. Nesse sentido, defendem a implantação de ações afirmativas,

18 contanto que essas discriminações positivas não sejam uma cópia das experiências do sistema norte americano. FHC e Roberto Damatta acreditam que a importação do modelo de ação afirmativa vigente nos EUA ao território brasileiro pode produzir a divisão racial entre brancos e não brancos, fato ausente no Brasil devido à posição mediadora do mestiço brasileiro. Os discursos visibilizados no seminário em Brasília e no centenário da assinatura da Lei Áurea mostram que o MNU, ao difundir as ideias de ênfase na desigualdade histórica, dá brecha para que as elites políticas se apropriem do mesmo ressignificando-o (HANCHARD, 2001) como demonstram os discursos de FHC sobre modernização e José Sarney sobre a Lei Áurea. A apropriação desse discurso por FHC e José Sarney está explícita quando o primeiro afirma que o problema da desigualdade histórica é mais evidente pelo fato de que o negro não interiorizou os valores morais exigidos na era moderna do que a influência do preconceito de marca. Quanto a José Sarney percebe-se que a sua reapropriação do discurso da desigualdade histórica parece dar-se quando o mesmo deixa claro que a Lei Áurea libertou e possibilitou a integração efetiva dos afro-brasileiros à nação brasileira graças à ideologia da mestiçagem. E por isso não há a necessidade de políticas de ações afirmativas para negros. A reapropriação dos discursos da desigualdade histórica por FHC e José Sarney levou militantes negros a enfatizar esse discurso. Esse fato se verificou na abordagem dada por militantes negros para a problemática da desigualdade histórica e da desigualdade econômica. Tal abordagem pode ser observada no artigo da militante do MNU e socióloga Luisa Bairros (1996), filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT), e que ocupa um cargo de chefia nessa organização. Em tal texto percebe-se que o mesmo se assemelha aos discursos de Abdias do Nascimento, de ênfase na desigualdade histórica e de classe social para explicar a opressão das classes desfavorecidas. Esse fato parece possibilitar a diluição do discurso de raça no de classe, tal como explicitado por Antonio Sergio Guimarães. Mas não possibilita a conciliação das fronteiras entre raça e cultura, uma vez que a autora chega a mencionar num artigo de réplica ao livro Orfeu e o Poder, de Michel Hanchard, que não era a cultura e o fenótipo que uniam os descendentes de escravos africanos mundialmente, mas o sofrimento comum, que também abrangia os seres humanos de cor branca. O argumento do sofrimento comum que abrange a todos traz dificuldade para a construção de um discurso coerente que traduza a necessidade da implantação de políticas de ações afirmativas baseadas no fenótipo. Isso porque dá brecha para a interpretação do sofrimento que passam os brasileiros no âmbito da escassez de bens materiais, e não racial. Isso legitima intelectuais como Jessé Souza (2005) e políticos do partido democratas (DEM) a

19 defenderem apenas políticas de ações afirmativas baseadas no critério de classe social com viés socioeconômico. Em suma, observa-se que o debate sobre negritude brasileira que traz em cena os discursos de ações afirmativas, especialmente o argumento da desigualdade histórica, trouxe o discurso de duas vertentes: a) o problema do preconceito de marca é um resquício da dicotomia entre povos atrasados e civilizados. Nesse caso o preconceito contra o negro desaparecerá à medida que a sociedade brasileira se modernizar, concretizando o ideal de democracia racial (discursos de FHC e José Sarney); b) o discurso imbricando raça e classe, raça e cultura possibilita a desconstrução do mito da democracia racial (Abdias do Nascimento, Antonio Sergio Guimarães, MNU). Outra vertente que discute o problema da desigualdade histórica, mas que não foi problematizada nas discussões acima é o debate sobre ações afirmativas ocorrido na cidade de Durban, na África do Sul. Em tal evento o debate sobre desigualdade histórica (que antes se referia à desigualdade histórica sofrida por parte dos negros), incluiu o debate sobre desigualdade de gênero e classe social Conferência de Durban: debate sobre as ações afirmativas O problema das desigualdades de gênero, de classe e étnicos é mundial e assola as democracias contemporâneas. Tanto que se tornou uma das preocupações da agenda da Organização das Nações Unidas ONU. O problema específico do racismo e da discriminação racial já vinha sendo discutido a portas fechadas pela ONU desde Esses debates eram realizados nos bastidores para não atrair a atenção dos meios de comunicação de massa em face do problema do apartheid ocorrido na África do Sul. Entretanto, com a posse do presidente civil negro Nelson Mandela, o problema da divisão racial entre brancos e negros neste Estado foi apaziguado e possibilitou a discussão da desigualdade histórica no mundo globalizado. O debate sobre desigualdade histórica brasileira no âmbito internacional teve início com as denúncias dos movimentos negros à Organização Internacional do Trabalho - OIT contra a falta de iniciativa do Estado em implementar políticas contra a discriminação (MOEHLECKE, 2002). Isso impulsionou o reconhecimento mundial do problema do preconceito racial brasileiro. Assim aumentaram as pressões para a realização de uma conferência contra as diversas formas de discriminação existentes no mundo. Assim a subcomissão do órgão que promove a Promoção e Proteção dos Direitos Humanos dentro da ONU lançou a proposta de necessidade de realização de uma conferência que tratasse das

20 diversas formas de discriminações. Desse órgão emergiu, portanto, a resolução 1994/2 denominada Conferência mundial contra o racismo, discriminação racial ou étnica, a xenofobia e outras formas contemporâneas correlatas de intolerância (ALVES, 2002, p.202), marcada para ocorrer na cidade de Durban, África do Sul, em Na conferência de Durban o debate sobre desigualdade histórica fez menção ao problema da desigualdade no âmbito escolar, da saúde e habitação entre brancos e não brancos (CARNEIRO, 2002). Os discursos proferidos na conferência são o oposto dos argumentos difundidos pelo ex-presidente José Sarney na comemoração do centenário da morte de Zumbi dos Palmares e por FHC no seminário em Brasília. Esse fato expressa que a desigualdade histórica passou a ser interpretada como um dos fatores que contribuem para as desigualdades sociais e econômicas duradouras em muitas partes do mundo de hoje (ALVES, 2002, p.212). Isso demonstra que o preconceito de marca é um fator que delimita a fronteira entre brancos e não brancos na busca pela ascensão social. Nesse sentido observa-se que a hipótese de Jesse Souza (2005) de que a fonte da desigualdade brasileira é econômica e meritocrática não dialoga com os discursos da conferência de Durban. O discurso fundamentado na desigualdade histórica levou os povos africanos a exigir indenização e pedido de perdão dos povos ocidentais pela prática da escravidão negra. Os Estados ocidentais se recusavam a aceitar essas demandas, provocando tensões na conferência, e acabou sendo retirado do documento final da conferência de Durban o vocábulo ação afirmativa na fomentação da igualdade material, por mais que as associações negras, inclusive brasileiras as reivindicassem (ALVES, 2002). A exclusão de tal termo foi defendida pelos EUA e seus aliados, que temiam que a defesa dessa política se alastrasse no mundo globalizado. Além da retirada do vocábulo também foi abolido o uso do termo raça. A extinção deste buscou afirmar que raças não existem e por isso não há necessidade de implementar políticas fundamentadas nessa crença. Argumento semelhante ao do geneticista Sergio Pena, que afirma que no Brasil todos os brasileiros tem no seu genoma a contribuição dos três povos formadores da nação brasileira. Por esse motivo não há como definir quem é negro ou branco fenotipicamente devido à difusão da prática da ideologia da miscigenação discutida nesse trabalho. Apesar da retirada do termo ação afirmativa, na conferência de Durban o debate sobre desigualdade histórica 17 enfatizou as discriminações de gênero, econômica, social e 17 O termo desigualdade histórica era empregado no Brasil até a conferência de Durban para explicar o preconceito sofrido pelos negros ao longo do tempo. Entretanto, após a conferência de Durban o vocábulo passou a incluir a luta dos deficientes físicos, mulheres e de classe social. Por isso a partir de agora quando o

21 racial. Fato que levou órgãos internacionais a exigir dos Estados a criação de meios que permitam aos discriminados de modo geral ascender-se socialmente. Essas exigências se encontram no artigo 108 do documento internacional: [...] medidas especiais para lograr representação apropriada nas instituições de ensino, na moradia, nos partidos políticos, nos parlamentos e no emprego, em particular em órgãos judiciais e policiais, no exército e outros serviços civis, o que, em alguns casos pode exigir reformas eleitorais, reformas agrárias e campanhas em prol da participação equitativa (ALVES, 2002, p.215). O artigo 108, ao reconhecer o problema das discriminações históricas de modo geral, abriu brecha para que os movimentos negros brasileiros reivindicassem ainda mais políticas de correção da Desigualdade Histórica. Assim, a conferência de Durban consolidou na agenda política a implementação de ações afirmativas, por exemplo, através do apoio do governo de Anthony Garotinho no Rio janeiro, Luis Inácio Lula da Silva, Ciro Gomes e José Serra no território brasileiro. Em 2003 o governo federal ampliou o debate das discriminações positivas em decorrência das negociações entre o governo, os movimentos sociais negros e os políticos profissionais afrodescendentes aliados ao Partido dos Trabalhadores (NASCIMENTO, 2007). As negociações entre o governo e movimentos negros fomentaram a criação da Secretaria Especial de Promoção de Políticas de Igualdade Racial SEPPIR e a aprovação da lei /2003 pelo Congresso Nacional. A partir dessa data entrou em vigor a obrigatoriedade de nas escolas públicas se abordar a História da África e do Negro no Brasil envolvendo a problemática da Desigualdade Histórica. Aproveitando o momento propício às negociações com o governo os movimentos negros dialogaram com algumas universidades públicas a fim de angariar as cotas raciais. Nesse diálogo algumas instituições de ensino implantaram as políticas de igualdade material com o corte racial. A adesão das cotas raciais nas Universidades Públicas Brasileiras provocou uma reação dos grupos opositores às cotas raciais que alegaram a inconstitucionalidade das ações afirmativas. Entre os contrários à implantação de políticas públicas para a promoção da igualdade racial está parcela significativa de intelectuais brasileiros, como o geneticista Sergio Danilo Pena e a ex-mulher de FHC, Ruth Cardoso termo Desigualdade Histórica estiver escrito em maiúsculo se refere ao preconceito sofrido pelos negros, e quando vim escrito em minúsculo (desigualdade histórica) refere-se à desigualdade no âmbito empregado na conferência de Durban.

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