UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA FACULDADE DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS CURSO DE GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS ECONÔMICAS MAÍRA CERQUEIRA BARRETO

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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA FACULDADE DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS CURSO DE GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS ECONÔMICAS MAÍRA CERQUEIRA BARRETO DESAFIOS LOGÍSTICOS DO E-COMMERCE: UMA ANÁLISE SOBRE SUA EVOLUÇÃO NO BRASIL ENTRE 2005 a SALVADOR 2011

2 MAÍRA CERQUEIRA BARRETO DESAFIOS LOGÍSTICOS DO E-COMMERCE: UMA ANÁLISE SOBRE SUA EVOLUÇÃO NO BRASIL ENTRE 2005 a Trabalho de conclusão de curso apresentado no curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal da Bahia como requisito parcial à obtenção do grau de bacharel em Ciências Econômicas. Orientador: Prof. Ihering Guedes Alcoforado SALVADOR 2011

3 Ficha catalográfica elaborada por Valdinea Veloso CRB Barreto, Maíra Cerqueira B273 Desafios logísticos do e-comerce: uma análise sobre sua evolução no Brasil entre 2005 a / Maíra Cerqueira Barreto. Salvador, tab. il. Trabalho de conclusão de curso (Graduação em Economia) - Faculdade de Ciências Econômicas da UFBA, Orientador: Prof. Ihering Guedes Alcoforado de Carvalho 1. Comércio eletrônico - Brasil 2. Logística empresarial I. Barreto, Maíra Cerqueira II. Carvalho, Ihering Guedes Alcoforado de Carvalho. III. Título CDD

4 MAÍRA CERQUEIRA BARRETO DESAFIOS LOGÍSTICOS DO E-COMMERCE: UMA ANÁLISE SOBRE SUA EVOLUÇÃO NO BRASIL ENTRE 2005 a Monografia apresentada no curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal da Bahia como requisito parcial à obtenção do grau de bacharel em Ciências Econômicas. Aprovada em 13 de Dezembro de Banca Examinadora Prof Bouzid Izerrougene UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA Profª Juliana Freitas de Cerqueira Guedes CENTRO UNIVERSITÁRIO JORGE AMADO UNIJORGE Prof Ihering Guedes Alcoforado UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

5 Se o conhecimento pode criar problemas, não é através da ignorância que podemos solucioná-lo. (Isaac Asimov)

6 AGRADECIMENTOS Aos meus pais e irmão, que desde o início me apoiaram e ajudaram a prosseguir rumo à conclusão desta etapa. Pela paciência e bom senso nos conselhos, nas palavras de consolo, no auxílio e todo o apoio que me fora necessário. Ao meu marido, Cassius, que, no início, era namorado; passou a ser noivo, hoje é esposo e, em breve, pai do meu filho: pela calma e força que me deu, ajudando-me a não desistir e me entusiasmando nos momentos difíceis. Aos meus amigos, em especial, Lélia, que se preocupou, aconselhou, torceu. Ao meu querido e paciente professor Ihering, que com sua sabedoria e experiência me encaminhou rumo a um trabalho de qualidade, me dando suporte e auxílio mais do que necessários para que finalizasse esse processo. A Deus, autor da minha vida. Muito obrigada por tudo!

7 RESUMO O comércio eletrônico, atualmente, é considerado um importante canal de compras e vendas de produtos, com crescimento anual de 40% no Brasil. Um dos principais motores para tal resultado é a logística, que compreende toda a movimentação dos produtos dentro do armazém e dele até o cliente ela é fundamental, porque é nela que se encontra o sucesso ou o fracasso no cumprimento de prazos de entregas prometidos aos seus consumidores, ponto decisivo para garantir a fidelidade junto a uma marca virtual. Este trabalho busca compreender a evolução do comércio eletrônico no Brasil e dos desafios logísticos que este novo segmento de mercado enfrentou e ainda enfrenta. Aqui é apresentado desde o conceito da cadeia de suprimentos, que visa garantir disponibilidade em estoque na hora certa, até processos específicos para atender a demanda de períodos de grandes picos de venda. Palavras-chave: Comércio eletrônico. Logística. Desafio.

8 ABSTRACT E-commerce has become an important channel for product supplying sales and buying presenting an average yearly growth of 40% in Brazil. One of the main pillars that support this result is logistics, a concept that includes all transportation of products inside the warehouse and from it to the client which makes it even more crucial: on logistics depends the success or failure of keeping the time within the dead line and guaranteeing the clients fidelity towards a virtual brand. This paper is the result of an attempt of comprehending the evolution of e-commerce in Brazil and the logistical challenges that this new market segment faced and is still facing today. It presents the whole act of selling online from the aspect of logistics, from the concept of supply chain that aims to guarantee availability of products, until specific processes to support the demand on high sales seasons. Key-words: E-commerce. Logistics. Challenges.

9 LISTA DE TABELAS Tabela 3.1 Quantidade de pessoas conectadas a Web no Brasil Tabela 3.2 Quantidade de e-consumidores no Brasil Tabela 3.3 Faturamento anual do e-commerce Tabela 3.4 Produtos mais vendidos no varejo on-line no Brasil Tabela 5.1 Comparação: atividades logísticas tradicionais e do e-commerce Tabela 5.2 Vendas em datas comemorativas em

10 LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO 3.1 Crash do Nasdaq em

11 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO JUSTIFICATIVA PARA O TEMA MATERIAIS E MÉTODOS RESULTADOS. 2 2 CONCEITOS DE LOGÍSTICA DEFINIÇÕES E EVOLUÇÃO DA LOGÍSTICA O PAPEL DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO NA LOGÍSTICA ERP EntrepriseResource WMS Warehouse Management System. 6 3 E-COMMERCE EVOLUÇÃO ESTATÍSTICAS APLICAÇÕES POTENCIALIDADES, VANTAGENS E DESAFIOS TENDÊNCIAS PARA O FUTURO RELAÇÕES ENTRE A LOGÍSTICA, A ECONOMIA E O COMÉRCIO VAREJISTA... O PAPEL DA LOGÍSTICA NA ECONOMIA. A LOGÍSTICA COMO FUNDAMENTO PARA O COMÉRCIO DESAFIOS LOGÍSTICOS DO E-COMMERCE DIFERENÇAS ENTRE A LOGÍSTICA TRADICIONAL E A LOGÍSTICA DOE-COMMERCE OS PRIMEIROS DESAFIOS NO E-COMMERCE O DESAFIO ATUAL Natal e outras datas comemorativas... 29

12 6 CONCLUSÃO.. 32 REFERÊNCIAS APÊNDICE A APÊNDICE B... 50

13 1 1 INTRODUÇÃO 1.1 JUSTIFICATIVA PARA O TEMA O comércio eletrônico tem constituído um novo e bem sucedido modelo de negócios a partir do crescimento da Internet nos anos 90. Mesmo com o estouro de uma bolha de supervalorização deste novo segmento no início dos anos 2000, o e-commerce continua apresentando crescimento forte e constante, consolidando esta nova forma de fazer negócios. Especialmente no comércio B2C, isto é, na negociação de uma empresa para o consumidor final no varejo, o grande número de pedidos pequenos, a alta diversidade de itens à venda e a demanda instável obrigou as empresas pontocom, como são chamadas as que operam no mercado virtual, a adotarem um processo logístico diferenciado, totalmente renovado e com mais controle. O conceito de logística tornou-se amplamente aceito, especialmente a partir da década de 80, e hoje já é reconhecida a necessidade de projetar e administrar o sistema logístico como um todo, com a finalidade de alcançar resultados cada vez melhores nos processos de planejamento e administração de uma organização. Diz-se que a logística é o diferencial na competitividade empresarial (SILVA, 2000), e isto se aplica perfeitamente ao comércio eletrônico, uma vez que o produto adquirido numa loja virtual está longe do cliente e a logística é a atividade que diminui a distância entre a produção e a demanda (BALLOU, 1993). Quando as empresas de e-commerce no Brasil começaram a destacar-se no mercado, muitos estudos e pesquisas foram feitos nesta área, inclusive na parte da logística. Entretanto, após o estouro da bolha e a consolidação de algumas empresas neste setor, já não são mais encontrados grandes estudos, especialmente voltados para a logística, e, como este é um segmento que tem crescido cerca de 40% ao ano no Brasil, o que era verdade no início dos anos 2000 já não é mais a realidade de hoje. Assim, este estudo busca apontar os desafios iniciais e atuais da logística no comércio eletrônico. Este trabalho busca compreender a evolução do comércio eletrônico no Brasil e dos desafios logísticos que este novo segmento de mercado enfrentou e ainda enfrenta. Aqui é apresentado desde o conceito da cadeia de suprimentos, que visa garantir disponibilidade em estoque na hora certa, até processos específicos para atender a demanda de períodos de grandes picos de venda.

14 2 1.2 MATERIAIS E MÉTODOS Os estudos exploratórios realizam-se normalmente quando o objetivo é examinar um tema ou problema de investigação pouco estudado ou que não tenha sido abordado anteriormente, buscando compreender situações em que a prática se antecipa à teoria (HOPPEN, 1997 apud LUCIANO 2003). Este trabalho é de natureza exploratória, uma vez que o tema escolhido não possui literatura atualizada a respeito das condições atuais do processo logístico do comércio eletrônico no Brasil, e não se tem conhecimento de que os desafios aqui abordados tenham sido estudados e resolvidos na prática da mesma forma como escrita na literatura. Para este documento foram utilizados documentos (livros, teses, artigos) e estudos de caso como procedimentos metodológicos. A utilização de mais de uma técnica de coleta de dados vem no sentido de possibilitar uma triangulação dos dados. A localização de artigos, teses e livros foi feita de janeiro de 2010 a junho de 2011, em bibliotecas e na Internet, em especial no site de buscas Google Acadêmico. Já os estudos de caso vieram da experiência adquirida no trabalho de desenvolvimento e manutenção de sistemas voltados especificamente para o comércio eletrônico, tanto para a parte comercial como para a logística. 1.3 RESULTADOS A natureza do trabalho permitiu avaliar o crescimento e evolução do e-commerce e dos seus processos logísticos. O primeiro capítulo apresenta a justificativa para este trabalho, como também a metodologia usada e os resultados alcançados. O segundo capítulo apresenta os conceitos e a evolução da logística, bem como sua o uso da tecnologia da informação para controlar seus processos. O terceiro capítulo aborda o comércio eletrônico, em particular no mercado brasileiro. Apresenta conceitos, evolução, estatísticas e levanta tendências para o futuro. O quarto capítulo une os temas dos dois capítulos anteriores, logística e e-commerce, como eles estão ligados e quais os desafios enfrentados. Aqui também é apresentada a evolução dos desafios da logística, acompanhando o crescimento do mercado eletrônico no Brasil. No quinto capítulo são apresentadas as conclusões deste trabalho. Ao final, são apresentados como apêndices um glossário com os principais termos na logística, e outro com os principais conceitos do e-commerce.

15 3 2 CONCEITOS DE LOGÍSTICA 2.1 DEFINIÇÕES E EVOLUÇÃO DA LOGÍSTICA A logística tem se mostrado, desde o início dos anos 90, o fator diferencial na competitividade empresarial (SILVA, 2000). Para SIEBRA (2000), citado por SILVA (2000), ela é apontada como a última barreira gerencial a ser explorada: Na década de 80 a logística foi identificada como elemento de diferenciação, ou a última barreira gerencial a ser explorada, o ponto nevrálgico das empresas em busca de uma vantagem competitiva sustentável. Ou seja, todas as melhorias da produção pareciam implantadas, era a hora de otimizar os custos da logística que envolve a operação da cadeia de suprimentos e dos relacionamentos entre as empresas. Para entender a importância da logística nas empresas, antes é preciso conhecer os conceitos que moldam a logística atual. BALLOU (1993) conceitua logística focalizando-a como a atividade que diminui a distância entre a produção e a demanda, incluindo na definição a transmissão de informação, além do fluxo de produtos e serviços. Também se diz que a logística é o processo de gerenciar estrategicamente a aquisição, movimentação e armazenagem de materiais, peças e produtos acabados, através da organização e de seus canais de suprimentos e distribuição, com o objetivo de maximizar a lucratividade presente e futura, através do atendimento dos pedidos a baixo custo (CHRISTOPHER, 1997 apud SILVA, 2000). Esta é uma definição mais ampla, que tem sido mais utilizada pelas empresas nas últimas décadas. Efetivamente, verifica-se que antes da década de 50 não havia um conceito de logística aplicada à empresa. Até então, as empresas utilizavam as atividades logísticas de forma isolada, separando-as por área funcional armazenamento, transporte e manuseio. SILVA (2000), citando BOWERSOX (1996), diz que a combinação de três fatores fez com que as práticas logísticas sofressem profundas mudanças após a década de 50, levando as empresas a adotarem o uso integrado das atividades logísticas: desenvolvimento da tecnologia, pressão pelo aumento nos lucros e a explicitação do custo de estoque. A explicitação do custo de estoque também é um fator para o surgimento de um novo conceito amplificado de logística nas empresas, o Supply Chain Management. O valor de manter materiais e mercadorias em estoque, bem como o seu giro, passaram a ser avaliados mais profundamente, e como a

16 4 diminuição destes custos implicaria diretamente na lucratividade da empresa, a solução foi ampliar o controle na cadeia de suprimentos (BOWERSOX, 1996). O conceito de Supply Chain Management surgiu da necessidade de os fabricantes gerenciarem de forma eficiente o movimento de produtos, serviços e informações do ponto de início da produção até o consumidor final (SILVA, 2000). A nova estratégia deixou de lado o controle total das empresas sobre todas as atividades e passou a concentrar-se na coordenação das firmas envolvidas na cadeia de suprimentos. Enquanto a Logística Integrada representa uma integração interna de atividades, o Supply Chain Management representa sua integração externa, pois estende a coordenação dos fluxos de materiais e de informações aos fornecedores e ao cliente final. Em estudo citado por SILVA (2000), FIGUEIREDO (1998) aponta as vantagens do Supply Chain Management: A gestão da cadeia como um todo pode proporcionar uma série de maneiras pelas quais é possível aumentar a produtividade e, em consequência, contribuir significativamente para a redução de custos, assim como identificar formas de agregar valor aos produtos. O autor diz que os resultados deste controle são, em primeiro plano, estariam a redução de estoques, compras mais vantajosas, a racionalização de transportes, a eliminação de desperdícios, etc. O valor do produto, por outro lado, seria criado mediante prazos confiáveis, atendimento no caso de emergências, facilidade de colocação de pedidos, serviço pós-venda, etc. 2.2 O PAPEL DA TECNOLOGIA DA INFORMAÃO NA LOGÍSTICA O avanço da Tecnologia da Informação (TI) nos últimos anos vem permitindo às empresas executarem operações logísticas mais controladas, utilizando sistemas específicos de controle e integração ERP Entreprise Resource Planning A última década do século XX foi marcada pelo crescimento vertiginoso das implantações de sistemas ERPs, impulsionado pela mudança do paradigma administrativo de muitas empresas, que passaram a adotar uma visão de seus negócios através de processos.

17 5 Segundo SOUSA (2000), os sistemas ERP (enterprise resouce planning) podem ser definidos como sistemas de informações integrados, normalmente adquiridos na forma de um pacote de software comercial, com a finalidade de dar suporte à maioria das operações de uma empresa. São geralmente divididos em módulos que se comunicam e atualizam uma mesma base de dados central, de modo que as informações sejam consistentes sem serem redundantes os principais módulos encontrados são: - Cadastro operacional: cadastro de terceiros, itens, parametrizações gerais; - Fiscal: parametrizações e diretrizes fiscais, relatórios e livros fiscais; - Venda e Distribuição: análise do pedido, expedição, faturamento; - Suprimentos: administração de materiais, requisição, pedido e recebimento; - Produção: engenharia de produto e processo, planejamento e monitoramento da produção; - Contábil-Financeiro: contas a receber, contas a pagar, caixa & bancos, fluxo de caixa, contabilidade. AROZO (2003) considera a implantação de ERPs importante, uma vez que este possibilita a integração de toda a empresa, tornando-a mais eficiente. Entretanto, ele alega que o sistema não tem capacidade analítica para ajudar em decisões de planejamento e estratégicas: Eles (os sistemas ERPs) são ótimos em informar aos gerentes o que está acontecendo, mas não em informar o que deve estar acontecendo. Os sistemas ERPs podem informar qual o nível de estoque atual de um produto em determinado depósito, por exemplo, mas são fracos para determinar quanto de estoque é necessário para se atingir um determinado nível de serviço. Para auxiliar a tomada de decisões foram criadas ferramentas analíticas sistemas não transacionais que possuem algoritmos sofisticados e análises de cenários (AROZO, 2003), possibilitando aos gerentes tornar as operações mais eficientes e conhecer melhor os impactos de suas decisões estratégicas no processo de produção. Os ERPs e os sistemas analíticos, embora vistos muitas vezes como concorrentes, possuem uma forte interdependência: a disponibilidade de dados acumulados em vários processos de organização no ERP é utilizado como parâmetros nos algoritmos dos sistemas analíticos. A implantação de um sistema ERP também viabiliza o gerenciamento da cadeia de abastecimentos (Supply Chain Management), otimizando a cadeia produtiva desde o fornecimento até a distribuição dos produtos, através da administração do fluxo de informações e do atendimento ao cliente quando um pedido é

18 6 recebido no sistema e não há disponibilidade, automaticamente uma requisição de compra é gerada e enviada ao fornecedor, que já tem acordos para cumprir prazos de entregas prédeterminados, mantendo válido o prazo de entrega de um produto, mesmo indisponível WMS Warehouse Management System Além do ERP e dos sistemas analíticos, tornou-se prioritário para empresas que apresentam um alto número de entregas a fazer e receber, como as empresa de comércio eletrônico, a utilização de um sistema de gerenciamento de armazéns, ou WMS Warehouse Management System, que pode ser considerado uma evolução dos sistemas de controle de endereçamento. O WMS é um sistema de gestão de armazéns, que otimiza todas atividades operacionais e administrativas (fluxo de materiais e informações, respectivamente) dentro do processo de armazenagem, incluindo atividades como: recebimento, endereçamento, armazenagem, separação, embalagem, carregamento, expedição e controle de inventário. Ele surgiu da necessidade de se melhorar os fluxos dentro de um armazém, depósito ou centro de distribuição, tendo como resultados principais a redução de custos, a melhoria na operação como um todo e um aumento do nível do serviço prestado aos clientes. Através do seu gerenciamento de tarefas e da sua capacidade de trabalhar com equipamentos de movimentos automatizados (como leitores de código de barra e coletores), o WMS consegue atender a nova tendência do mercado, em especial no e-commerce: compras em menores lotes feitas com maior freqüência e com prazo de entrega reduzido. Embora já tenha sido considerado um módulo do ERP (NÁZARO, 1999 apud PEREIRA, 2004), o WMS é um aplicativo analítico que não faz parte do ERP, por suas naturezas distintas enquanto este é transacional, aquele é analítico. Ao se ter um WMS aliado a um ERP, a possibilidade de troca de dados entre eles é maior, evitando retrabalhos (como atualização de cadastros) e automatizando interfaces (disparo de romaneios, liberação para faturamento, entre outros); juntos, os dois sistemas abrangem grande parte do processo de produção de organizações voltadas para a venda de produtos, e não para a produção dos mesmos. A utilização correta de um sistema de WMS fornece muitos benefícios logísticos (PEREIRA, 2004), entre eles: - Erros reduzidos; - Melhor acuracidade do inventário; - Maior produtividade

19 7 - Papelada de trabalho reduzida; - Melhor utilização do espaço do depósito; - Melhor controle de carga de trabalho; - Melhor gerenciamento de mão-de-obra.

20 8 3 E-COMMERCE Desde que o uso comercial da Internet foi autorizado nos Estados Unidos em 1995, o comércio eletrônico tem sido apontado como uma inovação radical, capaz de revolucionar mercados e organizações. (TIGRE; DEDRICK, 2003). Para a total compreensão desta evolução na forma de comprar e vender produtos, é preciso antes conceituar o que é o comércio eletrônico existem várias definições, com enfoque e profundidade diferentes. Para KALAKOTA; WHINSTON (1997) o comércio eletrônico pode ser definido sob várias formas, de acordo com diferentes perspectivas: - Comunicação: entrega de informação, produtos, serviços ou pagamentos via linha telefônica, redes de computadores ou outros meios; - Processos de negócios: aplicação de tecnologia na direção de automação de transações de negócios e fluxos de trabalho; - Serviços: ferramenta que permite cortar custos, ao mesmo tempo em que se aumenta a qualidade e a velocidade de entrega; - On-line: capacidade de compra e venda de produtos e informação na Internet e outros serviços on-line. Na definição de ZWASS (1996), citado por LUCIANO; TESTA; FREITAS (2003), o e- commerce é o compartilhamento de informações do negócio, manutenção de relações de negócios e condução de transações por meio de redes de telecomunicação. CHOI, STAHL e WHINSTON (1997) confirmaram que a tecnologia está transformando muitos aspectos dos modelos de negócios e atividades do mercado e, por isto, propõem uma definição mais ampla: comércio eletrônico é o uso de meios eletrônicos e tecnologias para conduzir o comércio, incluindo interações dentro da empresa, entre empresas e da empresa com consumidores. ALBERTIN (1999) diz que Comércio eletrônico é a realização de toda a cadeia de valor dos processos de negócio em um ambiente eletrônico, por meio da aplicação intensa das tecnologias de comunicação e de informação, atendendo aos objetivos do negócio. Desta forma, é uma ferramenta que permite reduzir os custos administrativos e o tempo do ciclo fabricar-vender-comprar, agilizar processos de negócios e aperfeiçoar o relacionamento tanto com os parceiros de negócios quanto com os clientes. Uma definição simplista diria que

21 9 o e-commerce é simplesmente a troca de bens e serviços por pagamento na Internet esta visão, entretanto, não compreende as vantagens competitivas resultantes da associação dos participantes das cadeias de suprimentos e de valor; neste sentido, o comércio eletrônico engloba qualquer atividade comercial que ocorra diretamente entre uma empresa, seus parceiros ou clientes, por meio de computação e comunicação (LUCIANO; TESTA; FREITAS, 2003). De fato, hoje o comércio eletrônico apresenta diversas modalidades, a saber: - B2B (Business to Business), modelo de negócio composto por empresas que utilizam a Internet como ambiente transacional. Envolve os portais verticais, que buscam atrair para um mesmo local todos os participantes de uma cadeia produtiva, e que realizam, por exemplo, leilões reversos, onde uma empresa apresenta uma demanda ao mercado e aguarda ofertas de possíveis fornecedores. (FLEURY, 2000). - B2C Business to Consumer, é o comércio eletrônico efetuado diretamente entre a empresa produtora ou prestadora de serviços e o consumidor final. Nesta modalidade, sites comercializam produtos em pequenas quantidades (varejo) para um indivíduo ou grupo de indivíduos. - C2C Consumer to Consumer, modalidade que envolve sites que intermedeiam transações entre duas pessoas físicas. Os casos mais comuns são os sites de leilões, onde qualquer pessoa interessada em negociar algum bem ou serviço pode disponibilizar informações sobre o mesmo, incluindo preço inicial e forma de envio aos possíveis interessados, que devem dar lances para adquiri-los, até a finalização do leilão neste caso, o maior lance ganha a negociação. Estes sites também costumam oferecer a possibilidade do usuário incluir um produto a um preço fixo, para ser comercializado com um outro usuário sem que haja negociação. - G2C Government to Consumer, relação comercial pela Internet entre governo (estadual, federal ou municipal) e consumidores, como por exemplo, o pagamento via Internet de impostos, multas e tarifas públicas. - G2B Government to Business, relação de negócios pela Internet entre governo e empresas como, por exemplo, compras feitas para o Estado através da Internet através de pregões e licitações, tomada de preços, etc.

22 EVOLUÇÃO Esta ampla gama de conceitos existe porque, embora considerado um meio de comercialização ainda recente, o comércio eletrônico já tem uma história com eventos marcantes, que alteraram a economia mundial na última década. No Brasil, o e-commerce iniciou-se em 1999, com a entrada de diversas empresas no mercado muitas delas amparadas por redes físicas de varejo, como o site Amélia.com, ligada ao Grupo Pão de Açúcar ou a Americanas.com, das Lojas Americanas S.A. A explosão de empresas no mercado virtual, no Brasil e no mundo, ficou conhecida como Bolha da Internet, um fenômeno de supervalorização das empresas pontocom e suas ações que eram operadas em uma nova bolsa de valores, criada especialmente para o ramo, conhecida como Nasdaq (National Association of Securities Dealers Automated Quotation, ou Sistema Automatizado de Cotações da Associação Nacional de Corretoras de Valores. (ALVES, 2001). Em 2000, a bolha estourou: o Nasdaq sofreu fortes quedas sucessivas, que ficaram conhecidas como o crash do Nasdaq (gráfico 3.1), atingindo em menos de um ano um declínio de 50% em relação ao seu recorde (BOLAÑO; CASTAÑEDA, 2002) foi o fim de centenas de pequenas empresas virtuais que iniciavam suas operações e também de organizações maiores, mas que não tinham estrutura tecnológica e logística para enfrentar a crise. As empresas mais bem preparadas, no entanto, passaram por esta oscilação praticamente ilesas, solidificando sua imagem e fidelizando seus clientes. Embora a bolha hoje se sinônimo de fracasso, ela foi essencial para o desenvolvimento de novas tecnologias e para a popularização da Internet.

23 11 Gráfico 3.1 Crash do Nasdaq em Fonte: Adam Hamilton (Em 3.2 ESTATÍSTICAS Após o estouro da bolha, em 2000, o comércio eletrônico estabeleceu-se, e passou a apresentar, um crescimento alto e constante do comércio eletrônico ao longo dos anos cerca de 40% ao ano. Este crescimento vem junto com a popularização da Internet, como mostra a tabela abaixo.

24 12 Tabela 3.1 Quantidade de pessoas conectadas a Web no Brasil. Fonte: De 2000 a 2005, o comércio eletrônico cresceu em todos os sentidos: no número de consumidores (tabela 3.3), faturamento (tabela 3.4), diversidade de itens mais vendidos (tabela 3.5) e também no valor médio do pedido (ticket médio), que em 2005 chegou a R$ 272,00, maior média já alcançada. Tabela 3.2 Quantidade de e-consumidores no Brasil. Fonte: e-bit empresa

25 13 Tabela 3.3 Faturamento anual do e-commerce. Fonte: E-bit Empresa Tabela 3.4 Produtos mais vendidos no varejo on-line no Brasil. Fonte: E-Bit Empresa 3.3 APLICAÇÕES No início da utilização da Internet para fins comerciais, vender era a única experiência em comércio eletrônico (AMOR, 2000). Aos poucos, com o refinamento das técnicas e estruturas de venda pela Internet, a ação de vender foi aprimorada, dando origem a diferentes aplicações do comércio eletrônico: - e-procurement: é a automação da compra de matéria prima e bens e serviços não-produtivos, os chamados bens MRO (Manutenção, Reparo e Operações), tais como material de escritório e de informática (AMOR, 2000). Os benefícios para os compradores são a agilidade e dinamismo das compras, redução expressiva de custos, menos burocracia, decisões de compra mais rápidas (FRANCO, 2001). Para os vendedores, as vantagens são a ampliação da carteira de clientes, maior exposição

26 14 através da Internet e redução de custos na administração de vendas (RAYPORT e JAWORSKI, 2001). O e-procurement funciona como um leilão reverso entre empresas previamente cadastradas, que agiliza e barateia o processo de aquisição de bens. É o processo ideal para organizações que sofrem de longos ciclos de requisição, possuem muitos fornecedores, alto custo de processamento de pedidos e alta carga administrativa dos profissionais de compras. (LUCIANO; GREGIANI; FREITAS, 2003) - e-learning: é também conhecido como educação a distância através da Internet. O objetivo do e-learning é fazer com que o conhecimento esteja facilmente acessível (de qualquer computador ligado à Internet, a qualquer hora do dia) para um grande número de pessoas, de forma constante e contínua (AMOR, 2000). - e-banking: é uma agência bancária eletrônica, fornecendo serviços bancários sem uma agência física (OLIVEIRA et al, 2001) e um dos mais bem sucedidos negócios on-line, pois possibilita que os clientes de um determinado banco façam uma série de operações em suas contas bancárias a distância (AMOR, 2000). - e-gambling: são os cassinos eletrônicos, com apostas reais em dinheiro (cartão de crédito ou débito). Segundo AMOR (2000), o e-gambling é um dos negócios mais rentáveis da Internet. A grande astúcia do e-gambling é contornar a ilegalidade do jogo em alguns países, armazenando o site em um país que autoriza o jogo, mas podendo ser acessado e utilizado por pessoas de qualquer país (FRANCO, 2001). - e-auctioning: são os leilões virtuais, que ganharam uma nova dimensão na Internet. Nos leilões tradicionais, os lances são limitados a certo número de pessoas, além da necessidade do deslocamento físico até o local onde se realiza o leilão. Através do e-auctioning, os leilões tornaram-se mais acessíveis, mais democráticas e mais rápidos (AMOR, 2000). Além das citadas acima, há ainda outras categorias de menor expressão, como o e-directories (catálogos eletrônicos), e-franchising (franquias eletrônicas), e-trade (compra eletrônica de ações), e-engineering (desenvolvimento colaborativo de projetos), e-drugs (farmácias online), entre outras (OLIVEIRA et al 2001 citando AMOR, 2000; FRANCO, 2001).

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