A Igualdade de Género Reduz a Pobreza. Factos do CCS. No. 10, Julho de 2012

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "A Igualdade de Género Reduz a Pobreza. www.sccportal.org. Factos do CCS. No. 10, Julho de 2012"

Transcrição

1 A Igualdade de Género Reduz a Pobreza Factos do CCS No. 10, Julho de 2012

2 Maputo, Julho de 2012 Centro Cooperativo Sueco, Escritório Nacional, Moçambique Av. Paulo Samuel Kankhomba 280, C.P Maputo, Moçambique Telefone: Av. Filip Samuel Magaia, Edifício do INSS, Lichinga Niassa, Moçambique Telefone: Centro Cooperativo Sueco, Escritório Regional para África Oriental P.O Box Nairobi, Kenya Visitantes: Lower Kabete/Ngecha Road Telefone: /37 Centro Cooperativo Sueco, Escritório Regional para África Austral 93 Kudu Road, Kabulonga, Lusaka, Zambia Telefone: Centro Cooperativo Sueco/Kooperation Utan Gränser SE Estocolmo, Sueco Visitantes: Franzéngatan 6, Estocolmo Telefone: +46 (0) Investigação e texto: Agneta Gunnarsson Editora: Åsa Högberg Layout: Treativ Traduzido do Inglês por: Sofia R-Söndergaard Capa: Ângela Mukababirwa, o seu marido Ivan e os seus três filhos vivem no Uganda. Enquanto mãe e mulher, ela partilha todos os dias as condições de milhões de mulheres que são pequenas camponesas em todo o mundo: dias longos com a responsabilidade das crianças, da casa e da terra. Mas quando se tornou membro de uma cooperativa local de camponeses, apoiados pelo CCS, a sua vida mudou. Hoje em dia, ela e o marido Ivan dividem as tarefas entre eles. Fotografia da capa: Edward Echwalu Impresso por: The Rodwell Press Limited, Nairobi

3 A igualdade reduz a pobreza Índice Está na hora de passar das palavras aos actos 3 Como é que as mulheres camponesas vêem o seu trabalho 5 Discriminação contra as mulheres na agricultura 6 Diferenças na educação e no conhecimento 6 É difícil obter empréstimos 7 Terra, o bem mais importante 8 Os sistemas tradicionais regulamentam o uso da terra 9 As questões de terra na agenda internacional 10 Mudanças climáticas, o maior problema 10 Falta de ferramentas e insumos 11 Mulheres em desvantagem no mercado 12 Sobre o estudo 14 Igualdade um direito e uma forma de aumentar a produção 16 As mulheres fazem metade do trabalho agrícola 16 Menos 100 milhões de pessoas malnutridas 16 Desenvolvimento social e económico 18 A maneira mais eficaz de reduzir a pobreza 18 O aumento dos preços leva à competição pela terra 18 Ajuda sueca ao desenvolvimento para a agricultura e a igualdade de género 21 Documentos de política destacam o papel das mulheres 21 Diminuição na ajuda sueca ao desenvolvimento para a agricultura 21 Igualdade desequilibrada nas iniciativas financiadas pela ASDI 23 Grupo de intervenção sobre direitos de terra 23 Mercado e investimentos 24 O trabalho do Centro Cooperativo Sueco na área da cooperação para o desenvolvimento e da igualdade de género 25 Igualdade de género uma parte integrante de todos os projectos 25 Mais mulheres em posições de liderança 25 Agricultura sustentável 28 Pelo menos metade da ajuda ao desenvolvimento para as mulheres 28 O Centro Cooperativo Sueco em África 31 Pessoas entrevistadas e consultadas 32 Referências bibliográficas 32 Abreviaturas 32 1

4 Centro Cooperativo Sueco Quando vendo os meus cestos, ganho dinheiro para poder cuidar da minha família. O grupo de mulheres também tem um sistema de poupanças e empréstimos, onde podemos pedir emprestado à vez. Estou sempre a incentivar as outras a tornarem-se membros, porque é um trabalho a longo prazo que também se vai manter aqui para as gerações futuras. Betty Wambua, 47 anos, Presidente do Grupo de Mulheres Kikuthuko, Kisesini, Quénia. 2

5 Está na hora de passar das palavras aos actos O trabalho mais difícil do mundo é ser mulher camponesa em África. As mulheres são as principais produtoras de alimentos. Ao mesmo tempo, as mulheres são donas ou controlam uma pequena percentagem de terra e só recebem uma parte de todos os créditos. Embora as mulheres realizem a maior parte do trabalho na agricultura, os homens continuam a tomar as decisões, a negociar os preços e a colocar no bolso o rendimento. De acordo com estimativas da FAO, se as mulheres camponesas tivessem as mesmas oportunidades que os homens, as colheitas iriam aumentar o suficiente para manter 100 milhões de pessoas afastadas da fome. Ou seja as mulheres camponesas não têm poder nem influência. Há mais de 50 anos que o Centro Cooperativo Sueco (CCS) tem ajudado as pessoas pobres a ajudarem-se a si próprias. Temos a certeza de que, quando as mulheres aumentam a sua influência, elas tomam decisões que beneficiam toda a família. As crianças alimentam-se melhor. Mais raparigas vão à escola. Dar poder às mulheres quebra o ciclo vicioso da pobreza. Para que a mudança aconteça, as mulheres camponesas precisam de estar organizadas. Hoje em dia, elas não estão bem representadas e não têm uma voz colectiva. É por isso que o CCS apoia organizações locais de camponeses no seu trabalho para a igualdade de género. Alguns resultados concretos: Em 2010, o número de membros do sexo feminino na União Nacional de Camponeses da Zâmbia (ZNFU) aumentou de 37 para 44 por cento. A representação feminina aumentou de 21 para 24 por cento do total da liderança. Na última reunião anual, os estatutos da União de Camponeses Nyakatonzi (NFU) no Uganda foram alterados para que fosse obrigatório que três mulheres fizessem parte do conselho de direcção da próxima vez que fosse nomeada uma nova direcção. Algumas das cooperativas filiadas na NFU têm agora mulheres nos conselhos de direcção. Para percebermos ainda melhor os desafios, entrevistámos quase 350 mulheres camponesas na África Austral e Oriental. Os resultados são apresentados neste estudo. As mulheres dizem que querem mais conhecimento, mais cuidados de saúde e a oportunidade de venderem os seus produtos num mercado. Isso dar-lhes-ia a oportunidade de melhorarem a sua actividade agrícola e as suas condições de vida. O CCS quer ajudar a reduzir a pobreza não apenas no papel, mas na prática. Queremos valor acrescentado e resultados que durem. Apoiar o desenvolvimento de mulheres camponesas não tem a ver com boa vontade ou caridade tem a ver com direitos. E também tem a ver com um sentido de negócio apurado. Garantir que as mulheres estejam envolvidas significa mais oportunidades para todos. Para demonstrar ainda mais o nosso compromisso, o CCS decidiu que (pelo menos) metade do nosso apoio seja direccionado para as mulheres. Isto pode parecer óbvio, mas infelizmente não é. Na realidade, a maior parte do apoio da cooperação para o desenvolvimento beneficia os homens mais do que as mulheres e pode até perpetuar desigualdades que se mantêm. << Foto: Tobin Jones 3

6 Centro Cooperativo Sueco O nosso compromisso O CCS não vai apoiar organizações parceiras que não estejam preparadas para investir na igualdade de género. O CCS vai garantir que pelo menos metade do orçamento de cooperação para o desenvolvimento é direccionada para mulheres pobres. As nossas exigências A igualdade de género é uma das três principais prioridades da ajuda sueca ao desenvolvimento. Contudo, não é possível descobrir quanto é que chega às mulheres. Queremos uma distribuição justa da ajuda sueca ao desenvolvimento. Queremos igualdade na prática e não apenas no papel. O CCS quer que o governo sueco: garanta que pelo menos metade da ajuda sueca para o desenvolvimento vai para as mulheres, a começar no orçamento de 2013; desenvolva um sistema que torne possível planear, orçamentar e verificar que pelo menos metade de toda a cooperação para o desenvolvimento beneficie as mulheres; garanta que os representantes suecos na cooperação bilateral e em organizações multilaterais como por exemplo a FAO e o FIDA* promovem activamente a igualdade de género como parte integrante do apoio ao desenvolvimento agrícola. O governo sueco, a sociedade civil e outros actores de desenvolvimento têm responsabilidade perante aqueles que dizemos que estamos a apoiar. Precisamos de garantir que estamos a passar das palavras aos actos. As mulheres e os homens pobres têm direito ao desenvolvimento e esse direito começa com um aumento da influência e oportunidade para as mulheres pobres melhorarem as suas vidas e as vidas das suas famílias. Esta é a condição prévia se quisermos erradicar a pobreza e a injustiça de uma vez por todas. * FAO = Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação FIDA = Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola 4

7 A igualdade reduz a pobreza Foto: Sergio Santimano O comportamento dos homens mudou, eles ajudam mais. Coisas que não eram possíveis há dois anos atrás, como por exemplo os homens irem buscar água ou fazerem a limpeza, acontecem agora no dia-a-dia. Mafiato Anussa, age 50, member of the local farmers association in Lipuzia, Mozambique. Mafiato Anussa (à esquerda) e a sua mãe, Awessa Djana, vivem em Lipúzia, uma das regiões mais pobres de Moçambique. Ser membro da associação de camponeses permitiu que Mafiato participasse em vários círculos de estudo. Ela aprendeu a usar novas técnicas de cultivo, culturas resistentes e como prevenir a propagação do HIV/SIDA. Mas a maior diferença que ela vê é na sua casa. Como é que as mulheres camponesas vêem o seu trabalho As mulheres nos países em desenvolvimento estão em desvantagem na agricultura e os seus direitos não são respeitados. Muitos estudos mostram que a igualdade de género é extremamente importante para o desenvolvimento agrícola e a segurança alimentar. Não faltam documentos de políticas e relatórios sobre como é que devemos ajudar as mulheres a cultivarem a terra nos países em desenvolvimento. No entanto, pouco tem sido feito e as opiniões das mulheres são muito raramente ouvidas no debate dos problemas e possíveis soluções. Para fazer ouvir as suas vozes, na Primavera de 2011, o Centro Cooperativo Sueco encomendou um estudo com entrevistas a mulheres nas zonas rurais em África. Ao todo foram entrevistadas 345 mulheres de oito países africanos: Malawi, Moçambique, Zâmbia, Zimbabwe, Quénia, Ruanda, Tanzânia e Uganda. Todas as mulheres entrevistadas estão envolvidas em cooperativas, organizações locais de camponeses, grupos de poupança crédito, ou círculos de estudo apoiados pelo CCS através de organizações locais parceiras. As entrevistas foram realizadas por organizações parceiras do CCS nos respectivos países. O número de entrevistas é uma amostra demasiado pequena para podermos tirar quaisquer conclusões gerais sobre as mulheres africanas na agricultura, ou sobre as mulheres em África que recebem apoio do CCS. Contudo, as entrevistas dão uma imagem das condições para as mulheres cultivarem a terra em África, dos problemas e desafios que enfrentam, e do que vêem como sendo as maiores necessidades de mudança que lhes permitiriam desenvolverem a sua actividade agrícola e melhorarem as suas condições de vida. Ao longo do relatório são apresentadas as histórias pessoais das mulheres contactadas como resumos das opiniões das mulheres com quem as organizações parceiras do CCS falaram, como citações e como excertos mais longos de entrevistas. 5

8 Centro Cooperativo Sueco Discriminação contra as mulheres na agricultura Diferenças na educação e no conhecimento. As mulheres entrevistadas no estudo do Centro Cooperativo Sueco procuram oportunidades de educação. Uma das suas principais razões para pertencerem a cooperativas ou organizações de camponeses é ganharem acesso ao conhecimento. O conhecimento é também um ponto destacado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). O relatório anual da FAO de 2011, com o título As mulheres na agricultura, Fechar o fosso de género para o desenvolvimento, afirma que as diferenças na área da educação são significativas e generalizadas. Em 14 dos 15 países para os quais a FAO tem dados, as mulheres que são chefes de família têm menos educação do que os seus homólogos masculinos. Segundo a FAO, os números mostram que, independentemente da região ou do nível de desenvolvimento, na maior parte dos países as mulheres chefes de família estão numa posição de desvantagem. Ao mesmo tempo, pode concluir-se que o fosso na educação tem diminuído significativamente nos últimos anos, graças a factores como o Objectivo de Desenvolvimento do Milénio n.º 3, que aborda a eliminação da disparidade que discrimina as raparigas em relação à escolaridade. Na maior parte dos países para os quais a FAO tem estatísticas, um número considerável de raparigas, quase tantas quantos os rapazes vão agora à escola primária. A nível nacional, pode assim parecer que o problema de as mulheres camponesas estarem em desvantagem quando se fala de educação está a reduzir, mas mantêm-se certas diferenças, sobretudo no Sul da Ásia e em certos países da África Subsariana. Em países que de outra forma foram bem-sucedidos a alcançar a igualdade de género em relação à educação, na América Latina em particular, o fosso entre os sexos mantém-se entre as populações nativas, que também estão em desvantagem noutros aspectos. Contudo, os camponeses não precisam apenas de educação formal, mas também de informação contínua sobre novos métodos agrícolas, sobre novos tipos de culturas, como por exemplo aquelas que melhor suportam a seca, sobre ferramentas, etc. Por isso, o aconselhamento é importante, mas em muitos países os serviços governamentais de extensão agrária sofreram cortes ou desapareceram completamente durante as crises económicas das décadas de 1980 e 1990, o que levou a exigências por parte do FMI e do Banco Mundial para cortes drásticos e privatizações, os quais ainda não foram repostos desde então. Além disso, as mulheres não têm acesso aos serviços de extensão que existem de facto. No seu relatório anual de 2011, a FAO referese a um estudo feito a quase 100 países que mostra que apenas 5 por cento de todos os serviços de aconselhamento agrário foram direccionados para as mulheres e que apenas 15 por cento do pessoal de extensão agrária eram mulheres. Contudo, este estudo foi realizado no final da década de 1980, o que talvez diga alguma coisa sobre a importância dada ao assunto. Mais informação mostra que os extensionistas do sexo masculino não têm como alvo as mulheres camponesas, além de que têm a percepção de que as mulheres não cultivaram a terra, ou acreditam que os homens irão automaticamente partilhar o seu novo conhecimento. As mulheres também têm mais dificuldade do que os homens em deixar a casa e os filhos e, por vezes, é visto como não adequado que elas participem em reuniões com homens que não conhecem, o que limita sua participação em cursos e em formações. Um nível mais baixo de educação básica nas mulheres pode também contribuir para elas não serem capazes de ler o material dos cursos e outra informação. É por isso importante dar poder às mulheres camponesas, para promover oportunidades de elas participarem nas organizações locais e nos grupos de mulheres. Ao trabalhar em conjunto, as mulheres ganham por exemplo melhor poder de negociação junto dos seus maridos ou quando vão vender os seus produtos, além de ganharem oportunidades para discutirem problemas comuns. Conforme a cultura e as normas em vigor, pode por vezes ser necessário organizar a educação e a formação em grupos especiais de mulheres. Uma desvantagem disto, contudo, é que os homens podem vê-lo como uma coisa negativa e atrasarem possíveis mel- Usei algum do dinheiro que ganhei através do grupo de mulheres para pagar a escola dos meus filhos. E também comprei alguns cabritos através do programa de empréstimos do grupo. Mas a coisa mais importante de todas é que consegui participar em círculos de estudo e ganhei conhecimento importante sobre coisas como contabilidade. Sabina Jonathan, 40 anos, membro do Grupo de Mulheres Kikuthuko, Kisesini, Quénia. Foto: Tobin Jones 6

9 A igualdade reduz a pobreza horias. Os grupos mistos, por exemplo nos círculos de estudo, são por isso preferíveis onde for possível. Em resposta à questão sobre o porquê de as entrevistadas pertencerem a uma cooperativa ou a outro tipo de organização apoiada pelo Centro Cooperativo Sueco, a maioria respondeu que o conhecimento e os empréstimos são as razões mais importantes. As oportunidades de troca de experiências com outras pessoas e obtenção de novas ideias são também razões importantes para pertencer a estas organizações. As mulheres afirmam que as cooperativas são a sua fonte mais importante de aquisição de conhecimento novo. Contudo, 6 em cada 10 das mulheres entrevistadas também dizem que precisam de mais conhecimento para desenvolverem a sua actividade agrícola. Muitas também gostariam que os extensionistas agrários tivessem mais conhecimento sobre os problemas que as mulheres camponesas enfrentam. É difícil obter empréstimos. Para as mulheres entrevistadas no estudo do CCS, a possibilidade de pedirem dinheiro emprestado foi uma das principais razões para se envolverem em cooperativas e outras organizações. Muitas mulheres já tinham obtido empréstimos e outras expressaram o desejo de o fazer. Muitos estudos a que a FAO se refere no seu relatório anual de 2011 também mostram que, quando as mulheres conseguem melhor acesso a serviços financeiros, como por exemplo poupanças, crédito e seguros, isso leva a melhorias nos padrões nutricionais, na saúde e na educação dos filhos. O crédito é muitas vezes necessário para permitir que os camponeses invistam em coisas como sementes, adubos comerciais, etc., mas o mercado de crédito não é neutro em termos de género. Em muitos países, é difícil para as mulheres abrirem uma conta bancária e o facto de não estarem registadas como donas da terra e de outros bens fixos significa que os seus pedidos de empréstimos são muitas vezes recusados. A base de dados da FAO mostra que, em 7 em cada 9 países, as famílias chefiadas por mulheres têm menos possibilidades de pedir dinheiro emprestado do que as famílias com um homem como chefe de família. Só em dois países, o Gana e o Panamá, é que não havia diferença entre os sexos a este respeito. Em muitos casos, a única possibilidade de as mulheres conseguirem acesso ao crédito é através de ONGs que trabalham com grupos de poupanças e crédito. Um estudo citado pela FAO afirma que as mulheres no Uganda recebem apenas 1 por cento dos créditos disponíveis nas zonas rurais. As mulheres vêem a falta de empréstimos como uma barreira significativa para melhorarem a situação das suas vidas, por exemplo, para expandirem as suas actividades agrícolas ou para comprarem terra, novas sementes ou outros insumos necessários. É referido que no Quénia 4 por cento das mulheres recebem crédito, enquanto o número correspondente para os homens é significativamente maior, e no Bangladesh as mulheres das zonas rurais devem contentar-se com 5 por cento dos empréstimos apesar de haver programas especiais de crédito para mulheres. Vários estudos do Bangladesh também mostram que mesmo quando as mulheres conseguem obter um empréstimo, está longe de ser certo que elas vão ser capazes de manter o controlo do dinheiro. Parece, pelo contrário, que os fundos são muitas vezes usados para promover actividades económicas dos homens. Para aumentar o acesso das mulheres aos serviços financeiros, para começar, elas precisam de ter direito legal a pedirem empréstimos e a abrirem contas bancárias. Em segundo lugar, elas precisam de aprender o que é que os diferentes tipos de empréstimos e serviços envolvem. Por isso, a FAO acredita que as instituições governamentais, as empresas financeiras e as ONGs devem oferecer educação básica sobre economia. As candidaturas e os formulários também devem ser adaptados ao nível de educação das mulheres. Nos últimos anos, começaram a surgir seguros para pequenos camponeses. No entanto, esses produtos são muitas vezes concebidos sem ter em consideração as diferenças de género. Há excepções, contudo, como por exemplo a Índia, onde um instituto de microfinanças oferece seguros contra danos provocados pelo tempo meteorológico a membros de grupos femininos de autoajuda. Quando se trata de doença, morte e outros acontecimentos, começam a surgir tanto seguros como sistemas de segurança social. Mas, na maior parte das vezes, as mulheres nos países em desenvolvimento ainda são referidas como redes informais relativamente inseguras. Para que os empréstimos às mulheres levem à melhoria da sua situação, é fundamental que elas controlem os bens comprados ou melhorados na sequência dos empréstimos. No entanto, estes bens estão muitas vezes registados em nome do marido ou de outro parente do sexo masculino. Por isso, as ONGs que trabalham com empréstimos começaram a exigir que os bens sejam registados em nome das mulheres que recebem o empréstimo. Os telefones celulares e outra tecnologia podem facilitar a vida das mulheres nas zonas rurais distantes que têm dificuldade em chegar a uma instituição bancária. Outras inovações podem também ter grande significado. No Malawi, por exemplo, um banco tornou possível que as mulheres sem documentos de identificação abrissem contas bancárias. O banco também introduziu novos cartões bancários em que só o titular pode levantar dinheiro da conta. A FAO relata que isto levou muitas mulheres a abrirem contas. A maioria das mulheres camponesas entrevistadas tem recursos limitados. O seu rendimento da actividade agrícola não cobre as suas necessidades básicas ou as das suas famílias, pelo menos nem sempre. Quatro em cada 10 mulheres dizem que elas ou outra pessoa no agregado familiar não têm nenhum dinheiro pelo menos uma vez por mês. Três em cada 10 dizem que, por vezes, não têm acesso a cuidados de saúde. E duas em cada 10 não têm água suficiente. Um número semelhante, 18 por cento, diz que não têm comida suficiente pelo menos uma vez por mês. Cerca de metade das mulheres obtiveram empréstimos para as suas actividades agrícolas, muitas através de grupos de poupanças e empréstimos. Das que não obtiveram empréstimos, metade dizem que gostariam de o fazer. 7

10 Centro Cooperativo Sueco O conhecimento que eu ganhei através da União Nacional de Agricultores da Zâmbia não tem preço. O material de círculos de estudo deu-me muito conhecimento novo, que eu posso transmitir aos meus vizinhos. Martha Banda, 42 anos, Katete, Zâmbia. Camponesa e membro da União Nacional de Camponeses da Zâmbia. Foto: Cecilia Abrahamsson Terra, o bem mais importante. A terra é o bem mais importante para as famílias que dependem da agricultura para a sua subsistência. O acesso das mulheres à terra e o controlo sobre a terra são um direito. O controlo do uso da terra também é determinante para a independência económica das mulheres, porque a terra é a base para produzir alimentos e ter rendimento. A terra também serve como garantia para empréstimos, o que pode ser uma vantagem mas também pode constituir um problema. Por exemplo, a organização nacional de camponeses em Moçambique é completamente contra o uso da terra como garantia para empréstimos, pois os pequenos camponeses arriscam-se a perder o seu bem mais importante, por vezes mesmo o seu único bem. Além disso, na maior parte dos países africanos, a terra é um bem social que é importante para a identidade cultural e para a participação na tomada de decisões e no poder político. De acordo com vários estudos referidos, entre outros, pela ASDI no seu Guia Rápido sobre o Quê e Como: Aumentar o acesso das mulheres à terra, a produção agrícola e a segurança alimentar aumentam quando os direitos de posse ou a segurança do título de propriedade das mulheres são valorizados. Quando as mulheres têm poder dentro do agregado familiar, a violência doméstica também é reduzida e a saúde das crianças melhora. Mas, apesar de todos os dados que sugerem que o controlo da terra deve ser dado em igualdade de circunstâncias às mulheres e aos homens, as estatísticas de todas as partes do mundo mostram um fosso na igualdade. De acordo com a base de dados da FAO sobre género e direitos de terra, a desigualdade é maior no Norte de África e no Médio Oriente, onde apenas 5 por cento dos que controlam a terra de cultivo são mulheres. No Sul e Sudeste Asiático, o número correspondente é de 12 por cento, na África Subsariana é de 15 por cento, e na América Latina e nas Caraíbas está perto dos 20 por cento. No entanto, por detrás destes números escondem-se grandes variações. A julgar pelas estatísticas disponíveis, a desigualdade é ainda maior na África Ocidental onde as mulheres apenas têm a posse ou controlam uma pequena percentagem da terra do que na África Austral ou Oriental. Nos países africanos onde o CCS trabalha, a base de dados da FAO indica que, quando se trata de controlo da terra, as mulheres no Malawi têm a posição mais forte: cerca de um terço dos que controlam a terra agrícola são mulheres. O número correspondente na Tanzânia, Zâmbia e Moçambique é de 20 por cento, de acordo com a FAO. No Uganda, apenas 15 por cento dos que são donos de terra ou controlam terra são mulheres. Mas as estatísticas não estão completas e muitos dados são de há 10 ou 15 anos atrás. Para alguns países, o Quénia e o Zimbabwe por exemplo, os dados não existem sequer. Os homens também têm mais posse da terra do que as mulheres. De acordo com as estatísticas da FAO, as famílias com um chefe de família do sexo masculino têm mais terra de cultivo do que as famílias chefiadas por mulheres. Nos países como o Bangladesh, o Paquistão e o Equador, os agregados familiares chefiados por homens têm duas vezes mais terra do que as famílias com chefes de família do sexo feminino. Também há diferenças de género quando se trata da posse de gado, de acordo com o relatório anual de 2011 da FAO. Os homens são donos de muito mais animais e são também proprietários de animais de grande porte, como por exemplo vacas e cavalos, enquanto as mulheres cuidam de galinhas e cabritos. Os sistemas tradicionais regulamentam o uso da terra Na África Oriental e Austral é comum que toda a terra do país seja propriedade formal do Estado. Desde antes do tempo da colonização, no entanto, existem sistemas para atribuir a terra arável a diferentes famílias, tribos ou clãs, os chamados direitos tradicionais ou lei consuetudinária (lei do costume). Esta atribuição da terra é feita através dos régulos, dos conselhos de aldeia ou de outros mecanismos, e as pessoas que recebem a terra desta maneira sentem-se normalmente donas da terra e contam que ela vai passar para os seus descendentes. Contudo, a terra não é vista como um bem comercial e não 8

11 A igualdade reduz a pobreza O trabalho na fábrica de processamento de café da cooperativa ajuda-me a comprar comida para a minha família e a pagar a escola dos meus filhos. Mesmo que o trabalho seja por vezes difícil, estou feliz por ter um emprego. Janet Mutuku, 26 anos, trabalha há dois anos na Fábrica de Café Kasinga, em Kiinyuni, no Quénia. Foto: Tobin Jones pode ser vendida. Apesar da distribuição de terras a proprietários brancos durante a colonização e da adopção de novas leis depois da independência e das privatizações nas décadas de 1980 e 1990, a maior parte da terra ainda não está registada formalmente, mas o seu uso é regulamentado por sistemas tradicionais. Nalguns casos, os sistemas tradicionais protegem os direitos das mulheres, por exemplo se o marido morrer ou em caso de divórcio. Mas o contrário também se pode aplicar que o sistema discrimine gravemente as mulheres. Nalguns países, como a Tanzânia, há agora leis que afirmam que uma certa percentagem dos membros do conselho de aldeia responsáveis por alocar terra agrícola devem ser mulheres. As mulheres nas zonas rurais não conhecem muitas vezes os direitos que têm. Mesmo que conheçam, elas precisam de força e coragem e muitas vezes da ajuda de ONGs ou de advogados que não cobram pelo seu trabalho para conseguirem reivindicar os seus direitos. A situação torna-se ainda mais difícil pelo facto de os responsáveis das autoridades locais e dos tribunais nem sempre saberem o que está na lei. A corrupção também pode significar que os representantes do governo e do poder judicial tomam partido pelo lado mais forte. Através da colonização, em vários países africanos, foram dadas aos proprietários europeus brancos algumas das melhores terras para cultivo em grande escala de culturas de exportação, como por exemplo o algodão, o tabaco e a cana-deaçúcar. Muitas vezes, estas grandes propriedades ainda existem e são governadas pela sua própria legislação. Isto acontece ao mesmo tempo que as pequenas porções de terra são regulamentadas pelos sistemas tradicionais em que os camponeses cultivam sobretudo culturas de subsistência para alimentarem as suas famílias. Muitas vezes, os sistemas tradicionais contradizem as leis de terra adoptadas depois da independência do país. E também acontece que a Constituição e as leis de um país que regulamentam a igualdade de género e as questões da posse da terra estão em contraste directo com as leis da família e dos sistemas de herança. As questões são complicadas e delicadas, e o progresso dos países quando se trata de uniformizar leis e regulamentos foi, por isso, limitado. A este respeito, a legislação moçambicana que reconhece os direitos das mulheres e combina a lei consuetudinária (do costume) com a lei moderna é uma excepção. A nova Constituição do Quénia, que entrou em vigor em 2010, dá às mulheres o direito legal de posse e herança de terra. As questões de propriedade são ainda mais complicadas pelo facto de que, como consequência da crise económica da década de 1980 e da pressão por parte do FMI, do Banco Mundial e de doadores bilaterais, muitos países africanos terem começado a introduzir leis que disponibilizam direitos de propriedade individual. A razão para isto foi que a posse individual era considerada como necessária para aumentar a produtividade dos pequenos camponeses. Os camponeses receberiam incentivos para investirem e conseguirem usar a terra como garantia de empréstimos. No entanto, a concessão de direitos de propriedade individual tem progredido muito devagar, e os resultados não têm correspondido às expectativas dos proponentes. Por isso, muitos especialistas acreditam agora que não é a posse como tal que é importante, mas sim se os camponeses vêem que o seu título de posse é seguro. Isto é reforçado, por exemplo, num documento da ASDI, Trabalhar com Questões de Terra Rural. Outra questão é se é adequado permitir a venda de terra agrícola quando muitos dos pequenos camponeses dependem completamente da agricultura e as opções alternativas para ganhar a vida são inexistentes. Se a terra se tornar num bem transaccionável, há o risco de os pequenos camponeses perderem o controlo do único bem produtivo que têm, por exemplo se precisarem de dinheiro vivo devido a uma doença, ou se o conselho de aldeia, os responsáveis do ministério ou outros forem subornados por investidores com grandes recursos. Em particular, as mulheres e outros grupos mais frágeis estão em risco de perder com a introdução dos direitos de propriedade individual. 9

12 Swedish Cooperative Centre As questões de terra na agenda internacional. Há vários anos atrás, a União Africana (UA), o Banco Africano de Desenvolvimento e a Comissão Económica das Nações Unidas para África começaram a esboçar directivas para uma política de terras e para reformas sobre terras em África. Um documento acabado foi apresentado em 2008 e adoptado pela UA. As directivas afirmam, entre outras coisas, que os sistemas patriarcais de organização social que predominam em África tendem a desfavorecer as mulheres e que a discriminação é muitas vezes reforçada por modelos de lei de terras estranhos, baseados no homem enquanto dono e único com direito a usar a terra. Melhorar o acesso e o controlo das mulheres à terra requer uma recriação fundamental dos sistemas tradicionais e da legislação moderna. As directivas destacam os direitos das mulheres de serem donas e herdarem terra e de participarem nas estruturas que administram os direitos de terra. O envolvimento de organizações africanas de camponeses na elaboração das directivas foi limitado. No entanto, as directivas reconhecem a importância do envolvimento da sociedade civil na elaboração de directivas sobre o uso da terra. A importância desta questão foi levantada ainda mais pelo crescente interesse de investidores estrangeiros e até certo ponto de investidores nacionais em comprar ou arrendar terra. O fenómeno é muitas vezes referido como apropriação de terras, ilustrando o facto de se tratar de terra que está a ser tirada aos pequenos camponeses pobres. A FAO está actualmente a trabalhar em directivas voluntárias para a posse de terra e, depois de extensas consultas a outras agências da ONU, governos, sociedade civil e sector privado, apresentou o primeiro esboço em Junho de O objectivo destas directivas é elas servirem de apoio a países e outros em relação ao uso da terra e outros recursos naturais. Além disso, a União Europeia (UE) nomeou um grupo de intervenção para os direitos de terra, no qual a Suécia participou. A ASDI também tem um grupo de intervenção para questões de terra (ver secção Grupo de intervenção sobre direitos de terra, mais abaixo). Mudanças climáticas, o maior problema. As mulheres entrevistadas pelas organizações parceiras do CCS nos oito países afirmam que as mudanças climáticas são o maior problema Sobre os direitos das mulheres à terra Vários pontos do relatório anual da FAO de 2011 resumem o que precisa de ser feito para aumentar o acesso das mulheres à terra agrícola: A legislação discriminadora deve ser reformada e várias leis, como por exemplo as leis que regulamentam o casamento e as heranças devem ser alteradas para serem mais coerentes. Neste contexto, também é importante considerar a lei consuetudinária (lei do costume) e trabalhar com os líderes tradicionais para garantir a protecção dos direitos das mulheres. É necessária a educação das autoridades locais que trabalham com questões de terra. Até as próprias mulheres devem ser educadas, para que conheçam os seus direitos. As mulheres precisam também de estar representadas nas instituições e agências onde são tomadas as decisões, tanto a nível local como nacional. Os procedimentos burocráticos devem ser ajustados para promoverem a igualdade de género. Por exemplo, deve haver espaço para dois nomes nos formulários de registo de terras, de modo a promover a posse por parte de homens e mulheres. As estatísticas e outros dados sobre a situação das mulheres devem ser produzidos de modo a que a maneira como os textos são formulados, os objectivos e as várias medidas para promover os direitos das mulheres à terra possam ser adaptados às condições locais. para a sua actividade agrícola e condições de vida. Será que isto significa que as mudanças climáticas são um facto na África Austral e Oriental? Não necessariamente. Muitas vezes, as pessoas sentem que os efeitos do aquecimento global já se notam, sobretudo na forma de tempo meteorológico mais imprevisível, longos períodos de seca e chuvas mais intensas quando a chuva acaba por chegar. Mas muitos investigadores acreditam que ainda é demasiado cedo para concluir que estes são efeitos das mudanças climáticas e não variações naturais no tempo meteorológico. A seca no Corno de África em 2011 levou muitas pessoas a falar sobre aquecimento global. Mas o Programa Ambiental Desde que aderi à APROMM, atrevome agora a confiar em mim e nas minhas próprias capacidades. Decidi estudar e o meu sonho é tornar-me médica. Catarina Mateus, Mecanhelas, Moçambique. Membro da APROMM, uma associação de mulheres que apoia mulheres vulneráveis. 10

13 A igualdade reduz a pobreza das Nações Unidas (UNEP) concluiu que os especialistas ainda não sabem se a catástrofe natural é uma consequência das mudanças climáticas. Como a ameaça das mudanças climáticas é agora conhecida por todos, é no entanto possível que seja agora vista como causa de condições meteorológicas extremas de todos os tipos mesmo daquelas que se devem a variações naturais. Fala-se muito sobre a ameaça do clima e os pequenos camponeses estão dependentes do tempo meteorológico e, por isso, estão sensíveis a mudanças no clima. Isto também se aplica às mulheres que recebem apoio das organizações locais parceiras do CCS e que participaram no estudo. Com poucas excepções, os cientistas também concordam que os efeitos do clima serão em breve mais evidentes. O 4.º Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas das Nações Unidas (IPCC) descreve, por exemplo, os efeitos graves para a agricultura africana de secas mais longas e de condições de precipitação mais incertas. A capacidade da agricultura de alimentar a população mundial no futuro, apesar das mudanças climáticas, é uma das razões para iniciativas de investimento numa agricultura mais orgânica destacadas pelo Representante Especial das Nações Unidas para o Direito à Alimentação, Olivier de Schutter. Num relatório publicado em Dezembro de 2010, Schutter conclui que é necessária uma mudança fundamental na agricultura para torná-la ambientalmente mais sustentável, para garantir o acesso à alimentação para todas as pessoas, e para fazer com que os pequenos camponeses nos países em desenvolvimento saiam da pobreza e da malnutrição. Em vez de seguir práticas agrícolas que até agora tentaram imitar os métodos de produção industrial, o objectivo deve ser o de imitar a natureza, afirma o Representante das Nações Unidas. Isto implica esforços para para produzir o máximo possível de alimentos e energia localmente, integrar a produção de culturas e gado, e fazer diversificação de culturas. Há uma grande potencial nos métodos agrícolas deste tipo que privilegiam a conservação de recursos, diz Schutter. De acordo com ele, inúmeros estudos de diferentes países em África realizados por diversos investigadores e por organizações das Nações Unidas mostram que as colheitas podem mais do que duplicar por um período de 3 a 10 anos se estes métodos foram aplicados. Cerca de 90 por cento das mulheres entrevistadas pensa que as mudanças climáticas são um problema. As pessoas sentem que o tempo meteorológico é menos previsível do que costumava ser, com longos períodos de seca e quedas de chuva mais fortes quando a chuva cai de facto. Estudos citados pela FAO no seu relatório de 2011 mostram que há grandes fossos entre mulheres e homens quando se trata do acesso a novo equipamento agrícola e ao uso de insumos comprados. Em todos os países estudados, as famílias encabeçadas por homens usam mais adubos comerciais, por exemplo. No Gana, um estudo mostrou que, enquanto 60 por cento dos homens usavam sementes melhoradas, o número correspondente de mulheres era menos de 40 por cento. As razões para esta diferença eram que as mulheres tinham menor acesso à terra, ao trabalho e ao aconselhamento agrícola. Um estudo semelhante no Quénia relatou igualmente o baixo nível de educação entre as mulheres camponesas e menor acesso ao crédito como razões importantes. Mesmo que os arados e outros insumos sejam propriedade conjunta, tal como mostra o estudo de 2010, Discriminação de género e o seu impacto no rendimento, produtividade e eficiência técnica: Evidências do Benim, as mulheres por vezes só têm acesso a este equipamento quando os homens já deixaram de o usar. Entre outras coisas, isto pode significar que, em comparação com os homens, as mulheres não têm tempo para fazer uma segunda colheita. O relatório anual da FAO afirma que, caso lhes seja dado acesso a novas tecnologias, ferramentas e outras ajudas, as mulheres poderiam ter mais tempo para o trabalho produtivo e assim aumentarem as suas produções agrícolas. Um exemplo aplica-se à água: estudos do Quénia, Uganda e Tanzânia mostram que, em média, as mulheres e as crianças nas zonas rurais gastam cerca de duas horas por dia a ir buscar água. A lenha é outro exemplo: fogões melhorados podem reduzir a quantidade de madeira necessária para mais de metade, poupando tempo e energia às mulheres, além de serem melhores para o ambiente. Enxadas e outras ferramentas adaptadas às necessidades das mulheres podem poupar tempo e facilitar o trabalho de sementeira, remoção de ervas daninhas e outras tarefas. O acesso a boas sementes, menos susceptíveis a doenças e a pragas de insectos, bem como o conhecimento sobre novos métodos menos trabalhosos, como por exemplo a agricultura sem amanho da terra, também são importantes. Em relação ao conhecimento sobre sementes, métodos e outras inovações para chegar às mulheres, os serviços de extensão agrária precisam de ser apetrechados para as suas necessidades. Mulheres extensionistas podem incentivar as mulheres a falarem mais abertamente sobre as suas dificuldades e também tornar mais fácil que os homens aceitem a participação das mulheres em encontros e cursos. Falta de equipamentos e insumos agrícolas. As mulheres camponesas entrevistadas têm uma longa lista de necessidades e querem várias mudanças, como por exemplo: melhor acesso a insumos agrícolas, sementes, adubos comerciais e herbicidas/ pesticidas. O acesso a recursos técnicos e ferramentas, a herbicidas, sementes e adubos comerciais é identificado como sendo problemático por 70 a 80 por cento das mulheres entrevistadas. 11

14 Centro Cooperativo Sueco Mulheres em desvantagem no mercado Ao todo, 95 por cento das mulheres entrevistadas sentiu que era importante para elas ganhar melhor acesso aos mercados para venderem os seus produtos. Isto é muitas vezes um aspecto determinante para os pequenos camponeses tanto homens como mulheres. O acesso à terra, a crédito, a conhecimentos e conselhos, e a ferramentas e insumos criam as condições necessárias para a produção. Mas para obter dinheiro vivo e serem capazes de pagar os bens necessários, além dos alimentos, os pequenos camponeses também precisam de vender uma parte do que produzem. As entrevistas mostraram que mais de metade das mulheres vende pelo menos metade do que produzem. Tal como com outros aspectos da agricultura, as mulheres camponesas estão muitas vezes em desvantagem. Um estudo encomendado pela FAO investigou os agregados familiares que produzem café no Uganda. O estudo incluiu 300 famílias produtoras de café, nas quais um terço era chefiado por mulheres. As constatações mostraram que estas mulheres eram mais pobres e tinham menos plantas de café e menor acesso ao trabalho. Isto significava que as mulheres camponesas tinham, em média, muito menos café para vender do que as famílias onde os homens eram chefes de família. Além disso, os homens muitas vezes optam por transportar o seu café para o mercado onde recebem mais pagamento pelo café. As mulheres, por outro lado, em regra vendem o café a negociantes que vêm aos seus terrenos. A razão para isto é que, provavelmente, em comparação com as mulheres, os homens têm habitualmente bicicletas que lhes permitem percorrer o caminho até ao mercado mais facilmente. Para que as mulheres camponesas cheguem aos mercados e a outros pontos de venda, é fundamental que elas adquiram informação sobre onde é que os preços são melhores e sobre como explorar as oportunidades disponíveis para receberem melhor pagamento. Uma forma de facilitar isto pode ser que elas trabalhem em conjunto e assim tenham maiores quantidades para vender e tenham maior poder de negociação. Elas podem então ajudar-se umas às outras com transporte, negociações com compradores, etc. Pouco mais de metade das mulheres disse que vendem metade ou mais do que produzem. Este número pode parecer elevado, tendo em conta os pequenos campos que elas trabalham. Mas provavelmente deve-se a uma necessidade urgente de ter dinheiro vivo, à falta de espaço de armazenamento ou a outras razões que as levam a vender uma grande parte da sua colheita e a precisar, mais tarde, de comprar comida, muitas vezes a um preço superior, para o resto do ano. Melhor acesso aos mercados e uma melhor educação são as necessidades mais claras referidas pelas mulheres entrevistadas. 12

15 A igualdade reduz a pobreza Ângela tem o trabalho mais duro do mundo Ângela Mukababirwa, de 38 anos de idade, vive com a sua família na zona oeste do Uganda. Enquanto mulher e mãe, partilha o seu estilo de vida diário com milhões de outras mulheres que são pequenas camponesas em todo o mundo. Dias longos com a responsabilidade das crianças, da casa e da terra. Mas, com o apoio do CCS, tornar-se membro de uma cooperativa local de camponeses mudou a sua vida devagarinho. Ângela vive com o seu marido, Ivan Mukababirwa, de 44 anos de idade, e com os seus 3 filhos numa casa com 3 divisões. Eles não têm acesso a electricidade. A casa da família situa-se num paisagem de montes verdes e ondulados, e pode-se ouvir a água a correr no rio próximo. Apesar do pano de fundo de sonho e do acesso à água, a família enfrenta muitos desafios todos os dias. Chegar aos terrenos de cultivo mais elevados pode levar horas e tudo tem de ser levado para cima e para baixo. Este é um trabalho pesado na altura da colheita. Venda de café e algodão à cooperativa Tanto Ivan como Ângela trabalham como professores, mas os seus salários não são suficientes. Além dos seus empregos como professores, trabalham como camponeses. Em Janeiro, as escolas estão fechadas e Ângela passa todo o seu tempo na terra e a fazer as tarefas domésticas. Em conjunto, eles têm 4,5 hectares de terra. Cultivamos bananas, milho e feijão para nós; o café e o algodão vendemos à nossa cooperativa, diz Ângela. Ivan e Ângela pertencem ambos à cooperativa local, chamada Sociedade Cooperativa Buthale. Serem membros permite-lhes venderem os grãos de café e o algodão a um preço melhor do que no mercado local. Como todos os membros vendem o seu café à cooperativa, temos melhor hipótese de negociar preços mais altos, diz Ivan. Novo conhecimento inspira Ângela vai ao rio buscar água várias vezes ao dia. Enquanto mulheres, nós temos a carga mais pesada. Somos responsáveis pelas crianças, pela casa e pelo trabalho da terra. Mas na nossa família agora todos ajudam no trabalho doméstico e no trabalho da terra, diz Ângela. Muitas mulheres na aldeia são responsáveis pelo trabalho doméstico e pelo trabalho da terra. É um trabalho pesado, do nascer ao pôr-do-sol. Com a ajuda do CCS, a Sociedade Cooperativa Buthale tem oferecido aos seus membros vários cursos e círculos de estudo. Isto tem dado aos membros a oportunidade de aprenderem mais sobre desenvolvimento agrícola, marketing e igualdade de género. Ângela participou em círculos de estudo e ao mesmo tempo inspirou outras jovens mulheres a tornarem-se membros. O sonho de expandir a sua cultura de algodão Para conseguir investir em novas micro-empresas e nos terrenos já existentes dos membros, a cooperativa convida os seus membros a aderirem a um grupo de poupanças e créditos algo que mudou a vida da família. Tanto a Ângela como o Ivan poupam dinheiro todos os meses. Poupar ajudou-os a garantir que têm dinheiro suficiente para pagar a escola dos seus filhos e também lhes permitiu investirem em novos projectos. Começámos uma pequena empresa secundária, e construímos uma casa na vila próxima de Kasese e estamos a construir uma perto de onde vivemos. Ao arrendar as casas, podemos ganhar um dinheiro extra, diz Ângela. A família quer usar o dinheiro que poupa para comprar mais terra e expandir a sua zona de cultivo. Este é o primeiro ano em que cultivamos algodão. O nosso sonho é tornarmo-nos bons produtores de algodão e sermos capazes de viver da agricultura, diz Ângela. 13

16 Centro Cooperativo Sueco production money ownership cows change funds financial easier training improve crops need practices easy imputs gender business insemination educat drugs improved seeds money funds technical rights practices loan cows develop allocationg equipment keeping produce enable clim government k Sobre o estudo Ao todo, 345 mulheres de oito países africanos foram entrevistadas: Malawi, Moçambique, Zâmbia, Zimbabwe, Quénia, Ruanda, Tanzânia e Uganda. Todas as mulheres entrevistadas estão envolvidas em cooperativas, organizações locais de camponeses, grupos de poupança e empréstimos, ou círculos de estudo apoiados pelo CCS através de organizações parceiras locais. O meu marido não me deixa aderir a uma organização ou participar nas actividades por eles organizadas. Atuhaire, 53 anos, Uganda Eu não pertenço a nenhuma organização porque não tenho dinheiro para pagar as quotas de membro. Musiimenta, age 43, Uganda O facto de as entrevistas terem sido realizadas localmente por pessoas das nossas organizações parceiras significa que a situação de entrevista e a maneira como as questões foram colocadas pode variar consideravelmente de país para país. Também não podemos afastar a possibilidade de as respostas das mulheres entrevistadas reflectirem o que elas sentiram que era desejável ou o que esperam conseguir alcançar, e não reflectirem exactamente a situação real. Pediu-se às mulheres que respondessem a várias questões: algumas seleccionando a partir de diversas respostas dadas e outras respondendo livremente. Foram realizadas entre 25 a 55 entrevistas em cada um dos países, conduzidas pelas organizações parceiras do CCS nos respectivos países. Não sou membro de nenhuma organização porque reparei que são os homens quem assume todas as posições de liderança nas várias associações. Crissy, 56 anos, Malawi As crianças não vão para a escola porque eu não tenho dinheiro para pagar as taxas escolares. Nasasira, 49 anos, Uganda O número de entrevistas é uma amostra demasiado pequena para nos permitir chegar a quaisquer conclusões gerais sobre as mulheres africanas na agricultura, ou as mulheres em África que recebem apoio do CCS. No entanto, o estudo dá uma imagem das condições para as mulheres cultivarem a terra em África, dos problemas e desafios que elas enfrentam, e do que elas vêem como as maiores necessidades de mudança que lhes permitiriam desenvolver a sua agricultura e melhorar a situação das suas vidas. 14

17 coffee ion ate modern better knowledge eeping men easier farm fertilizers allocate right equality livestock resources prevent easier loans produce techniques water influence market females provision easier services money methods grants cooperative adviceartificial A igualdade reduz a pobreza A ilustração mostra as palavras usadas com mais frequência nas respostas abertas das entrevistas às mulheres africanas. Fonte: United Minds As participantes Sete em cada 10 mulheres entrevistadas apenas têm aproximadamente 2 hectares de terra ou menos para cultivar. As culturas produzidas com maior frequência são o milho e o feijão. Pouco mais de um terço das mulheres têm 5 a 9 anos de escolaridade, mas também há muitas que não têm qualquer escolaridade. Quase 70 por cento são casadas, 20 por cento são viúvas e as restantes são divorciadas ou nunca casaram. Para a maior parte, os seus agregados familiares têm 6 a 9 pessoas. As respostas das mulheres A obtenção de conhecimento e a oportunidade de acesso a crédito foram as razões referidas como as mais importantes para as mulheres se tornarem membros de uma cooperativa, organização local de camponeses, grupo de poupança e empréstimo ou outras organizações apoiadas pelo CCS. As mudanças climáticas foram apontadas como o maior problema de todos. Noventa por cento das mulheres vê-as como muito problemáticas ou de alguma forma problemáticas. Um número quase igual acredita que o facto de a cooperativa ou associação de camponeses não estar a oferecer apoio adequado é um problema. Seis em cada 10 dizem que a falta de influência das mulheres na cooperativa ou associação de camponeses é um problema. Quando se falou das mudanças necessárias mais importantes, a maior parte das mulheres respondeu que elas queriam melhor acesso a formação para as mulheres camponesas e mel- hor acesso a mercados onde as mulheres camponesas possam vender os seus produtos. Outras mudanças vistas como importantes são: melhor acesso a cuidados de saúde, mais programas governamentais para apoiar as mulheres camponesas, acesso a insumos agrícolas e outros recursos técnicos, medidas contra as mudanças climáticas, oportunidades para poupar e pedir empréstimos de dinheiro, e mais apoio da cooperativa ou associação de camponeses. A educação é a melhor coisa que posso dar aos meus filhos, para que eles criem uma boa vida para si próprios no futuro. Rose, 49 anos, Quénia É importante que as crianças tenham a oportunidade de ir à escola, para aprenderem a ler e escrever. Isso dá-lhes a oportunidade de conseguirem um emprego. Fátima, 42 anos, Moçambique 15

18 Centro Cooperativo Sueco Igualdade um direito e uma forma de aumentar a produção As mulheres fazem metade do trabalho agrícola. A igualdade é um direito estabelecido na Declaração dos Direitos Humanos das Nações Unidas, bem como numa longa lista de outras declarações e convenções internacionais. A proibição de discriminação com base no género está incluída tanto na Convenção Internacional dos Direitos Civis e Políticos, como na Convenção Internacional dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais. Em 1978, a ONU adoptou uma Convenção especial para Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres. Entre outras coisas, ela contém um parágrafo próprio, o Artigo 14, sobre as mulheres nas zonas rurais, que diz que os países devem ter em conta os problemas específicos que as mulheres nas zonas rurais enfrentam. Entre outros direitos, estas mulheres devem ter direito à formação e educação, a créditos e empréstimos, a tratamento igual na reforma de terras e na reforma agrária, e a organizarem grupos de auto-ajuda e cooperativas. Várias convenções da OMT, a organização do trabalho que faz parte das Nações Unidas, também abordam os direitos das mulheres no trabalho, por exemplo, a exigência de pagamento igual e de não discriminação. No entanto, numa perspectiva de direitos, o relatório anual da FAO de 2011 é moderado apesar do tema das mulheres e da agricultura. O relatório concentra-se em vez disso nos aumentos da produção agrícola que podem ser alcançados nos países em desenvolvimento se as mulheres camponesas tivessem as mesmas oportunidades que os homens. Aparentemente, esta é uma estratégia propositada dos responsáveis pelas questões de igualdade na FAO. Na maior parte dos ministérios da agricultura em todo o mundo, os direitos das mulheres não são uma questão de grande prioridade. Mas se pudermos mostrar que investir nas mulheres pode aumentar o acesso aos alimentos, o interesse pela igualdade vai aumentar. O relatório anual da FAO apresenta alguma informação nova e estatísticas sobre mulheres e agricultura. Estes dados contradizem parcialmente os números anteriormente vistos em debate, mas que foram agora considerados como desactualizados ou incorrectos. Com base nos estudos de uso do tempo e outros dados, a FAO conclui que as mulheres correspondem a 43 por cento da força de trabalho agrícola nos países em desenvolvimento. Na África Subsariana e no Sul e Leste da Ásia, o número é maior, com as mulheres a desempenharem metade do trabalho agrícola nestes países. Há, no entanto, grandes diferenças entre países, e em Moçambique e no Lesoto, por exemplo, as mulheres são responsáveis por mais de 60 por cento do trabalho agrícola. O número de mulheres que trabalham na agricultura tem aumentado drasticamente nos últimos anos em muitos países. As razões para isso incluem o facto de muitos homens estarem a emigrar para as cidades e a propagação do HIV/SIDA, o que significa que as mulheres têm de assumir a responsabilidade do trabalho quando os homens ficam doentes ou morrem. Um número comum tem sido o facto de as mulheres serem responsáveis por 80 por cento da produção de alimentos em África. Agora, a FAO considera este número como tendo pouco significado, devido a problemas de definição, e porque o cultivo de alimentos requerer diferentes recursos, mão-de-obra, terra, capital, etc., que são controlados tanto pelos homens como pelas mulheres. Menos 100 milhões de pessoas malnutridas. De acordo com a ONU, 1,4 mil milhões de pessoas no mundo vive com menos de 1,25 dólares por dia, o que significa que eles são considerados como vivendo na pobreza absoluta ou extrema, e estima-se que 925 milhões de pessoas são malnutridas. Quase 3 em cada 4 das pessoas mais pobres do mundo vive em zonas rurais e a maior parte ganha a sua vida através da agricultura ou de outras actividades relacionadas com a agricultura. O Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (UNDP) calcula que 70 por cento das pessoas mais pobres no mundo são mulheres. Isto significa que 700 milhões de mulheres e raparigas em zonas rurais estão a viver na pobreza absoluta. Muitos estudos mostram que a produtividade dos terrenos controlados por mulheres é menor do que a da terra cultivada por homens. A FAO descobriu 27 estudos que comparam a productividade das mulheres e dos homens camponeses, a maior parte deles em África. A maior parte dos estudos mostrava que os homens camponeses tinham 20 a 30 por cento maiores colheitas. Eles também mostravam, no entanto, que o fosso se devia ao facto de os homens terem melhor acesso a trabalho, informação, insumos e máquinas. Um estudo no Malawi, por exemplo, mostrou que as mulheres tiveram 20 por cento menos colheitas de milho nos seus campos. Mas, se tivessem a mesma quantidade de adubo comercial que a usada pelos homens, a diferença desaparecia. Investigação no Quénia e no Gana confirma estas constatações. A FAO calculou o que iria acontecer se as mulheres nos países pobres tivessem a oportunidade de cultivar a terra com as mesmas condições que os homens. Estas estimativas aplicam-se a cerca de 35 países para os quais há estatísticas sobre que percentagem da agricultura é controlada pelas mulheres e que percentagem da população é malnutrida. Elas mostram que, se as colheitas das mulheres camponesas pudessem aumentar 20 a 30 por cento, ou seja, para o mesmo nível que a produção alimentar dos homens, os alimentos produzidos seriam suficientes para reduzir o número de pessoas malnutridas em 12 a 17 por cento. Isto significaria que menos 100 a 150 milhões de pessoas no mundo passariam fome. A FAO destaca que, a longo prazo, o aumento da produtividade também levaria ao aumento na exigência de trabalho e de bens e serviços produzidos localmente. 16

19 A igualdade reduz a pobreza A educação tornou-me mais forte Juliana Kavinbu Kingoto, de 41 anos, vive em Kisesini, nos arredores de Nairobi, a capital do Quénia. Através do apoio do CCS, Juliana tem conseguido participar em cursos organizados pela sua cooperativa de mulheres. Tem havido sessões em que os participantes falaram sobre a igualdade entre os homens e as mulheres. As discussões levaram ao empoderamento das mulheres tanto nas suas famílias como nas organizações a que elas pertencem. O novo conhecimento da Juliana levou a grandes mudanças para a sua família. Os conhecimentos ganhos com a educação levaram Juliana e o seu marido Josephat Ngila Mwela a começarem, pela primeira vez, a tomar decisões em conjunto sobre como é que eles iriam gastar o dinheiro da família um grande passo em direcção a uma maior igualdade. A coisa mais importante para o casal agora é pagar as taxas escolares dos seus três filhos. Josephat e Juliana devem o dinheiro à escola, mas ainda têm esperança em relação ao futuro. Eles sonham construir uma casa melhor e instalar electricidade. A formação fez-me mais forte, a mim e a todas as pessoas da cooperativa que participaram nela. Agora sabemos que podemos mudar nós mesmas a nossa situação, diz Juliana. A família é dona de um pequeno terreno com o qual antes podiam ganhar a vida. Nos últimos anos, longos períodos de seca grave tornaram-se cada vez mais comuns. Muitas pessoas na África Oriental testemunham que o clima se está a tornar menos previsível. O CCS também observou o impacto que a seca tem nas pessoas das zonas rurais que participam em projectos que aí funcionam. Juliana e Josephat são forçados a comprar legumes do mercado, porque já não conseguem produzir a sua própria comida, e isso é caro para eles. Durante muito tempo, as mulheres na cooperativa de Juliana fabricaram e venderam artesanato como fonte extra de rendimento. Graças à formação sobre como chegar a novos mercados, como aderir ao Comércio Justo e como gerir a contabilidade, as suas vendas melhoraram muito. Ser membro da cooperativa significou que ganhei um rendimento mais estável, mas também me fez ver a importância que é para as mulheres elas terem mais a dizer, diz Juliana. Texto: Cecilia Abrahamsson Foto: Tobin Jones 17

20 Centro Cooperativo Sueco Desenvolvimento social e económico. Se as diferenças entre os sexos desaparecessem na agricultura, isso levaria a outros ganhos sociais e económicos, refere a FAO. Dados de África, Ásia e América Latina compilados no relatório anual da FAO mostram claramente que famílias inteiras beneficiam quando as mulheres ganham mais poder e estatuto nos seus agregados familiares. Investigação extensa mostra que, quando é dada às mulheres influência sobre as decisões económicas, as famílias atribuem mais dinheiro para alimentos, saúde e cuidados médicos e educação. Inúmeros estudos de há muitos anos atrás também ligam maiores rendimentos e uma maior influência das mulheres na família a melhores padrões nutricionais para as crianças. Isto, por seu turno, melhora a saúde das crianças e o seu desempenho na escola. Um estudo recente do Malawi indica que à medida que o acesso das mulheres ao crédito aumenta, assim também aumentam os gastos do agregado familiar com alimentos e a segurança alimentar das jovens raparigas. O mesmo não se aplica quando aumenta o acesso dos homens a empréstimos. O facto de a desigualdade entre os sexos ser maior no Sul da Ásia do que em África ajuda a explicar porque é que a malnutrição entre crianças é mais comum aí do que na África Subsariana, conclui a FAO, referindo-se a um relatório de investigação de É este o caso, apesar de os países asiáticos serem mais desenvolvidos do ponto de vista económico do que muitos países africanos a sul do deserto do Sara. Maior igualdade de género também pode ter efeitos a longo prazo no crescimento económico, sendo que as raparigas têm melhor educação, aumentado assim o capital humano. Melhorar a educação das raparigas também tem outros efeitos positivos: elas têm menos filhos e dão à luz mais tarde. A maneira mais eficaz de reduzir a pobreza. Investir nas mulheres não é meramente uma questão de direitos humanos. É também importante para aumentar a produção agrícola, reduzindo o número de pessoas malnutridas no mundo e melhorando a saúde, a educação e os padrões nutricionais das crianças. O investimento na agricultura nos países em desenvolvimento como um todo, ou seja tanto para os camponeses homens como mulheres, também é importante. De acordo o relatório anual do Banco Mundial de 2008 focado na agricultura, o crescimento económico na agricultura é duas a quatro vezes mais eficaz do que o crescimento noutros sectores, como a indústria ou os serviços, se o objectivo desejado for a redução da pobreza. Em 2010, novos estudos mostraram que a agricultura é ainda mais importante para a redução da pobreza do que anteriormente se pensava. Nos países pobres e de baixo rendimento, o crescimento na agricultura é cinco vezes mais eficaz quando se trata de reduzir a pobreza entre os mais pobres, por comparação com o crescimento noutros sectores. Na África Subsariana, a agricultura pode ser dez vezes mais eficaz a tirar as pessoas mais pobres da pobreza do que o crescimento que ocorre noutras áreas. Estas são as conclusões do Instituto Nórdico África num resumo e discussão de nova investigação. A investigação baseia-se, por seu lado, nos resultados de estudos empíricos de quase 80 países durante o período de 1980 a A investigação mostra que o crescimento na agricultura tem maior efeito na redução da pobreza nos países mais pobres. O mais importante de tudo é o investimento na agricultura de pequena escala nestes países. O crescimento neste sector cria maior actividade económica de várias formas: Maior procura de insumos e recursos para processar e refinar produtos agrícolas. Maior consumo quando as famílias agricultoras gastam os seus maiores rendimentos primeiramente em bens produzidos localmente e em educação e cuidados de saúde. Maior número de oportunidades de emprego fora da agricultura, como por exemplo nas profissões manuais e nos serviços. Preços mais baixos dos alimentos devido ao aumento da produção, o que aumenta a produtividade dos trabalhadores da terra e de outros, com mão-de-obra física cheia de energia pois pode dar-se ao luxo de comer melhor. Assim, muitos dos efeitos positivos sobre a pobreza a partir do crescimento na agricultura não ocorrem no sector agrícola, mas espalham-se como ondas na água para outros sectores de trabalho intensivo nas zonas rurais, afirma o Instituto Nórdico África no seu resumo. A investigação também mostra que o crescimento na agricultura é muito eficaz para os muito pobres, ou seja, as pessoas que vivem na pobreza absoluta e que vivem com um dólar ou menos por dia. Para os que ganham dois dólares por dia, o desenvolvimento noutros sectores é mais importante. Para que os efeitos sejam tão alargados quanto possível, os recursos também devem ser distribuídos tão equilibradamente quanto possível. Nos países com distribuição de recursos extremamente desigual, os efeitos do crescimento na agricultura para os pobres não são muito grandes. A razão para isto é que os benefícios do crescimento recaem sobretudo nos que são donos da terra e de outros bens produtivos, como sejam os grandes agricultores. O aumento dos preços leva à competição pela terra. Na década de 1980, os investimentos dos países africanos na agricultura caíram drasticamente em resultado da profunda crise económica em que se encontraram. Os serviços de extensão agrária para os camponeses foram fechados, as organizações estatais compradoras foram privatizadas, a investigação foi posta de lado, etc. Os actores internacionais, acima de tudo o FMI e o Banco Mundial, diziam que o sector privado iriam preencher o vazio deixado pelo Estado. Mas os actores privados eram em grande medida inexistentes e o resultado foi, em vez disso, estagnação ou declínio. A situação foi exacerbada por uma grave redução no apoio à agricultura. De acordo com estatísticas do Comité de Ajuda ao Desenvolvimento (CAD) da OCDE, a meio da primeira década de 2000, este apoio totalizava apenas 3,4 por cento do total da cooperação para o desenvolvimento. Cerca de 20 anos antes, o número correspondente tinha sido de cerca de 12 por cento. Em 2002, no entanto, os países africanos adoptaram o Programa de Desenvolvimento Abrangente da Agricultura de África (CAADP). Os países comprometeram-se aí a analisar as oportunidades e barreiras à agricultura, a identificar investimentos prioritários e a consultarem o sector privado, as organizações de camponeses e outros intervenientes. Mesmo que a implementação tenha sido lenta, muitos países já implementaram estas medidas. No âmbito do CAADP, cada país deve atribuir pelo menos 10 por cento do seu orçamento nacional ao desenvolvimento agrícola, e lutar por aumentos anuais na produtividade agrícola de 6 por cento. 18

O que é a adaptação às mudanças climáticas?

O que é a adaptação às mudanças climáticas? Síntese da CARE Internacional sobre Mudanças Climáticas O que é a adaptação às mudanças climáticas? As mudanças climáticas colocam uma ameaça sem precedentes a pessoas vivendo nos países em desenvolvimento

Leia mais

Diários Financeiros em Moçambique. 29 de Outubro de 2014

Diários Financeiros em Moçambique. 29 de Outubro de 2014 Diários Financeiros em Moçambique 29 de Outubro de 2014 1 Agenda 1. O que são Diários Financeiros? 2. O Estudo em Moçambique 3. Alguns Resultados 4. O que Esperamos Aprender 2 O que são diários financeiros

Leia mais

A Igualdade dos Géneros como Boa Economia

A Igualdade dos Géneros como Boa Economia A Igualdade dos Géneros como Boa Economia Um Plano de Acção do Grupo Banco Mundial Banco Mundial o acesso à terra, ao trabalho, aos mercados financeiros e de produtos é crucial para se aumentar o rendimento

Leia mais

EQUIDADE DE GÊNERO POR UM MELHOR FUTURO URBANO. Uma visão geral do Plano de Ação para a Equidade de Gênero da ONU-HABITAT (2008-2013) ONU-HABITAT

EQUIDADE DE GÊNERO POR UM MELHOR FUTURO URBANO. Uma visão geral do Plano de Ação para a Equidade de Gênero da ONU-HABITAT (2008-2013) ONU-HABITAT Ruth McLead ONU-HABITAT/Nepal ONU-HABITAT EQUIDADE DE GÊNERO POR UM MELHOR FUTURO URBANO Uma visão geral do Plano de Ação para a Equidade de Gênero da ONU-HABITAT (2008-2013) Abordar EQUIDADE desigualdades

Leia mais

climáticas? Como a África pode adaptar-se às mudanças GREEN WORLD RECYCLING - SÉRIE DE INFO GAIA - No. 1

climáticas? Como a África pode adaptar-se às mudanças GREEN WORLD RECYCLING - SÉRIE DE INFO GAIA - No. 1 Como a África pode adaptar-se às mudanças climáticas? Os Clubes de Agricultores de HPP alcançam dezenas de milhares ensinando sobre práticas agrícolas sustentáveis e rentáveis e de como se adaptar a uma

Leia mais

Como elaborar um plano de divulgação para a expansão das abordagens de MIFS

Como elaborar um plano de divulgação para a expansão das abordagens de MIFS Como elaborar um plano de divulgação para a expansão das abordagens de MIFS Um bom plano de divulgação deverá assegurar que todos os envolvidos estão a par do que está a ser proposto e do que irá acontecer

Leia mais

ACTIVIDADES ESCOLA Actividades que a SUA ESCOLA pode fazer

ACTIVIDADES ESCOLA Actividades que a SUA ESCOLA pode fazer ACTIVIDADES ESCOLA Actividades que a SUA ESCOLA pode fazer Crianças e jovens numa visita de estudo, Moçambique 2008 Produzir materiais informativos sobre cada um dos temas e distribuir em toda a escola

Leia mais

Maputo, 7 de Novembro 2013

Maputo, 7 de Novembro 2013 Maputo, 7 de Novembro 2013 Agenda Este seminário tem por objectivo apresentar o estudo sobre a situação do acesso a finanças rurais e agrícolas em Moçambique 1. Introdução 2. Perfil da População Rural

Leia mais

UNIÃO AFRICANA Addis Ababa, Ethiopia P.O. Box 3243 Téléphone: 251115511092 Fax: 251115510154 Site Internet: www.africa-union.org

UNIÃO AFRICANA Addis Ababa, Ethiopia P.O. Box 3243 Téléphone: 251115511092 Fax: 251115510154 Site Internet: www.africa-union.org WG11036 AFRICAN UNION UNION AFRICAINE UNIÃO AFRICANA Addis Ababa, Ethiopia P.O. Box 3243 Téléphone: 251115511092 Fax: 251115510154 Site Internet: www.africa-union.org ANÚNCIO E CONVITE PARA APRESENTAÇÃO

Leia mais

Transcrição de Entrevista n º 24

Transcrição de Entrevista n º 24 Transcrição de Entrevista n º 24 E Entrevistador E24 Entrevistado 24 Sexo Feminino Idade 47 anos Área de Formação Engenharia Sistemas Decisionais E - Acredita que a educação de uma criança é diferente

Leia mais

Transcrição de Entrevista nº 5

Transcrição de Entrevista nº 5 Transcrição de Entrevista nº 5 E Entrevistador E5 Entrevistado 5 Sexo Feminino Idade 31 anos Área de Formação Engenharia Electrotécnica e Telecomunicações E - Acredita que a educação de uma criança é diferente

Leia mais

11 Outubro Dia Internacional da Rapariga

11 Outubro Dia Internacional da Rapariga 11 Outubro Dia Internacional da Rapariga As meninas enfrentam discriminação, violência e abuso todos os dias, em todo o mundo. Esta realidade alarmante justifica o Dia Internacional das Meninas, uma nova

Leia mais

O que fazemos em Moçambique

O que fazemos em Moçambique 2008/09 O que fazemos em Moçambique Estamos a ajudar 79.850 crianças afectadas pelas inundações Estamos a proporcionar kits para a escola a 1.000 órfãos e crianças vulneráveis Registámos 1.745 crianças

Leia mais

Educação é a chave para um desenvolvimento duradouro...

Educação é a chave para um desenvolvimento duradouro... Educação é a chave para um desenvolvimento duradouro...enquanto os líderes mundiais se preparam para um encontro em Nova York ainda este mês para discutir o progresso dos Objetivos de Desenvolvimento do

Leia mais

UMA VISÃO GERAL SOBRE O PROJECTODA WORLD WIDE WEB FOUNDATION "DIREITOS DAS MULHERES ONLINE" Por: Alsácia Atanásio. Coordenadora do Projecto

UMA VISÃO GERAL SOBRE O PROJECTODA WORLD WIDE WEB FOUNDATION DIREITOS DAS MULHERES ONLINE Por: Alsácia Atanásio. Coordenadora do Projecto UMA VISÃO GERAL SOBRE O PROJECTODA WORLD WIDE WEB FOUNDATION "DIREITOS DAS MULHERES ONLINE" Por: Alsácia Atanásio Coordenadora do Projecto SIITRI, Moçambique Ò o UMA VISÃO GERAL SOBRE O PROJECTO DA WORLD

Leia mais

ACORDO DE PLANEAMENTO ESTRATÉGICO PARA O DESENVOLVIMENTO ENTRE O GOVERNO DE TIMOR-LESTE O GOVERNO DA AUSTRÁLIA. Novembro de 2011

ACORDO DE PLANEAMENTO ESTRATÉGICO PARA O DESENVOLVIMENTO ENTRE O GOVERNO DE TIMOR-LESTE O GOVERNO DA AUSTRÁLIA. Novembro de 2011 ACORDO DE PLANEAMENTO ESTRATÉGICO PARA O DESENVOLVIMENTO ENTRE O GOVERNO DE TIMOR-LESTE E O GOVERNO DA AUSTRÁLIA Novembro de 2011 Acordo de planeamento estratégico para o desenvolvimento Timor-Leste Austrália

Leia mais

Um mundo melhor começa aqui

Um mundo melhor começa aqui Um mundo melhor começa aqui h, 12 de junho de 2009 O Dia mundial contra o trabalho infantil vai ser celebrado a 12 de Junho de 2009. Este ano, o Dia mundial marca o décimo aniversário da adopção da importante

Leia mais

O Plano de Bom Crescimento

O Plano de Bom Crescimento O Plano de Bom Crescimento Outubro, 2013 O desafio: alimentar sustentavelmente uma população crescente 870 milhões 2 mil milhões de pessoas que se deitam com fome mais de pessoas em 2050 70% delas dependendo

Leia mais

Nos estúdios encontram-se um entrevistador (da rádio ou da televisão) e um representante do Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural

Nos estúdios encontram-se um entrevistador (da rádio ou da televisão) e um representante do Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural Guião de Programa de Rádio e Televisão Tema: Redução de Emissões de Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+) Nos estúdios encontram-se um entrevistador (da rádio ou da televisão) e um representante

Leia mais

Proteção social e agricultura. rompendo o ciclo da pobreza rural

Proteção social e agricultura. rompendo o ciclo da pobreza rural Proteção social e agricultura Sasint/Dollar Photo Club rompendo o ciclo da pobreza rural 16 de outubro de 2015 Dia Mundial da Alimentação Cerca de 1000 milhões de pessoas vivem na extrema pobreza nos países

Leia mais

FORMAÇÃO SOBRE: GÉNERO E DESENVOLVIMENTO

FORMAÇÃO SOBRE: GÉNERO E DESENVOLVIMENTO Projecto PIGEM FORMAÇÃO SOBRE: GÉNERO E DESENVOLVIMENTO LUBANGO 28 DE ABRIL DE 2015 ELABORADO POR: MARIANA SOMA /PRELECTORA 1 GÉNERO E DESENVOLVIMENTO CONCEITO É uma abordagem que se concentra nas relações

Leia mais

Versão Final aprovada pela Equipe do Executivo da CARE em Março 2007 CÓDIGO DE CONDUTA PARA A PROTECÇÃO DO CONSUMIDOR DAS MICRO-FINANÇAS DA CARE

Versão Final aprovada pela Equipe do Executivo da CARE em Março 2007 CÓDIGO DE CONDUTA PARA A PROTECÇÃO DO CONSUMIDOR DAS MICRO-FINANÇAS DA CARE CÓDIGO DE CONDUTA PARA A PROTECÇÃO DO CONSUMIDOR DAS MICRO-FINANÇAS DA CARE Fundamentação Originalmente, as micro-finanças (MF) surgiram como uma forma alternativa de finanças para os pobres que eram antes

Leia mais

Introduzindo o Programa Compreensivo para o Desenvolvimento da Agricultura em África (CAADP) PARCEIROS DE APOIO DO CAADP

Introduzindo o Programa Compreensivo para o Desenvolvimento da Agricultura em África (CAADP) PARCEIROS DE APOIO DO CAADP Introduzindo o Programa Compreensivo para o Desenvolvimento da Agricultura em África (CAADP) PARCEIROS DE APOIO DO CAADP Agricultura e o CAADP: Uma Nova Visão para a África Se quisermos fazer com que a

Leia mais

BENEFÍCIOS DA PARTICIPAÇÃO NO ACORDO INTERNATIONAL DO CAFÉ DE 2007

BENEFÍCIOS DA PARTICIPAÇÃO NO ACORDO INTERNATIONAL DO CAFÉ DE 2007 BENEFÍCIOS DA PARTICIPAÇÃO NO ACORDO INTERNATIONAL DO CAFÉ DE 2007 O Acordo Internacional do Café (AIC) de 2007 é um instrumento chave para a cooperação internacional em matéria de café, e participar dele

Leia mais

PROGRAMA DE AJUDA DIRECTA 2015-2016 Requisitos & Instruções

PROGRAMA DE AJUDA DIRECTA 2015-2016 Requisitos & Instruções PROGRAMA DE AJUDA DIRECTA 2015-2016 Requisitos & Instruções Cabo Verde VI Edição São Tomé e Príncipe IV Edição Guiné-Bissau II Edição O que é o Programa de Ajuda Directa (PAD)? O PAD é gerido pela Embaixada

Leia mais

Transcrição de Entrevista nº 4

Transcrição de Entrevista nº 4 Transcrição de Entrevista nº 4 E Entrevistador E4 Entrevistado 4 Sexo Masculino Idade 43 anos Área de Formação Engenharia Electrotécnica E - Acredita que a educação de uma criança é diferente perante o

Leia mais

CARTA DAS ONGD EUROPEIAS

CARTA DAS ONGD EUROPEIAS CARTA DAS ONGD EUROPEIAS Princípios Básicos do Desenvolvimento e da Ajuda Humanitária das ONGD da União Europeia O Comité de Liaison das ONG de Desenvolvimento da UE O Comité de Liaison ONGD-UE representa,

Leia mais

A WaterAid e as mudanças climáticas

A WaterAid e as mudanças climáticas A WaterAid e as mudanças climáticas Kajal Gautam, 16 anos, e a prima, Khushboo Gautam, 16 anos, regressando a casa depois de irem buscar água em Nihura Basti, Kanpur, na Índia. WaterAid/ Poulomi Basu Louise

Leia mais

ESPECIAL PMEs. Volume III Fundos europeus 2ª parte. um Guia de O Portal de Negócios. www.oportaldenegocios.com. Março / Abril de 2011

ESPECIAL PMEs. Volume III Fundos europeus 2ª parte. um Guia de O Portal de Negócios. www.oportaldenegocios.com. Março / Abril de 2011 ESPECIAL PMEs Volume III Fundos europeus 2ª parte O Portal de Negócios Rua Campos Júnior, 11 A 1070-138 Lisboa Tel. 213 822 110 Fax.213 822 218 geral@oportaldenegocios.com Copyright O Portal de Negócios,

Leia mais

Como...fazer o pré-teste de materiais de extensão rural com pequenos agricultores

Como...fazer o pré-teste de materiais de extensão rural com pequenos agricultores Como...fazer o pré-teste de materiais de extensão rural com pequenos agricultores A realização de pré-testes antes da distribuição dos materiais de extensão rural é um processo importante no desenvolvimento

Leia mais

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas Universidade Nova de Lisboa

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas Universidade Nova de Lisboa Este questionário contém perguntas sobre as tuas experiências e tipo de aprendizagem na disciplina de Ciências Naturais. Não há respostas correctas nem erradas, apenas as que correspondem à forma como

Leia mais

Construir uma sociedade para todas as idades

Construir uma sociedade para todas as idades Construir uma sociedade para todas as idades Emprego Digno: Inclusão Social e Protecção Social O aumento da longevidade está a criar uma nova fronteira para a humanidade, a ampliar as nossas perspectivas

Leia mais

TV Ciência: Que modelos de ajuda para a eliminação da pobreza em Moçambique propõe?

TV Ciência: Que modelos de ajuda para a eliminação da pobreza em Moçambique propõe? TV Ciência: É considerado que as forças da globalização e marginalização são responsáveis por criarem dificuldades ao desenvolvimento. Pode concretizar esta ideia? Jessica Schafer: A globalização como

Leia mais

PARLAMENTO EUROPEU. Documento de sessão 30.11.2007 B6-0000/2007 PROPOSTA DE RESOLUÇÃO

PARLAMENTO EUROPEU. Documento de sessão 30.11.2007 B6-0000/2007 PROPOSTA DE RESOLUÇÃO PARLAMENTO EUROPEU 2004 Documento de sessão 2009 30.11.2007 B6-0000/2007 PROPOSTA DE RESOLUÇÃO apresentada na sequência da pergunta com pedido de resposta oral B6-0000/2007 nos termos do nº 5 do artigo

Leia mais

Moçambique. Estratégia da Suécia para a cooperação para o desenvolvimento com 2015-2020 MFA

Moçambique. Estratégia da Suécia para a cooperação para o desenvolvimento com 2015-2020 MFA MINISTRY FOR FOREIGN AFFAIRS, SWEDEN UTRIKESDEPARTEMENTET Estratégia da Suécia para a cooperação para o desenvolvimento com Moçambique 2015-2020 MFA 103 39 Stockholm Telephone: +46 8 405 10 00, Web site:

Leia mais

OS OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO NA PERSPECTIVA DE GÊNERO

OS OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO NA PERSPECTIVA DE GÊNERO OS OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO NA PERSPECTIVA DE GÊNERO Conjuntura Para além de enfrentarem a discriminação social e familiar, muitas mulheres ainda lutam para ultrapassar os obstáculos ao

Leia mais

Assunto Investimentos femininos

Assunto Investimentos femininos Assunto Investimentos femininos SOPHIA MIND A Sophia Mind Pesquisa e Inteligência de Mercado é a empresa do grupo de comunicação feminina Bolsa de Mulher voltada para pesquisa e inteligência de mercado.

Leia mais

Dignos Presidentes dos Conselhos de Administração e das Comissões Executivas dos bancos comerciais

Dignos Presidentes dos Conselhos de Administração e das Comissões Executivas dos bancos comerciais Exmo Senhor Presidente da Associação Angolana de Bancos Sr. Amílcar Silva Dignos Presidentes dos Conselhos de Administração e das Comissões Executivas dos bancos comerciais Estimados Bancários Minhas Senhoras

Leia mais

Plano de negócio de Fogões Melhorados Mbaula. Agência de Desenvolvimento Económico Local de Sofala. Plano de negócio

Plano de negócio de Fogões Melhorados Mbaula. Agência de Desenvolvimento Económico Local de Sofala. Plano de negócio ADEL-SOFALA M O Ç A M B I Q U E Á F R I C A Agência de Desenvolvimento Económico Local de Sofala Julho 2008 Plano de negócio para Produtores dos Fogões Melhorados Mbaula 1 Indice 1. Sumário Executivo...

Leia mais

SOUSA GALITO, Maria (2010). Entrevista ao Embaixador Miguel Costa Mkaima. CI-CPRI, E T-CPLP, º8, pp. 1-6.

SOUSA GALITO, Maria (2010). Entrevista ao Embaixador Miguel Costa Mkaima. CI-CPRI, E T-CPLP, º8, pp. 1-6. SOUSA GALITO, Maria (2010). Entrevista ao Embaixador Miguel Costa Mkaima. CI-CPRI, E T-CPLP, º8, pp. 1-6. E T-CPLP: Entrevistas sobre a CPLP CI-CPRI Entrevistado: Embaixador Miguel Costa Mkaima Entrevistador:

Leia mais

Innovations Against Poverty

Innovations Against Poverty Distribution www.sida.se Sustainability Training Partnership segments Cost Model Innovations Against Poverty Guia para Candidatos 2011/2012 Introdução Terminologia Negócio Inclusivo O programa Innovations

Leia mais

PRACTICE Acções de Recuperação e Prevenção para Combater a Desertificação. Uma Avaliação Integrada

PRACTICE Acções de Recuperação e Prevenção para Combater a Desertificação. Uma Avaliação Integrada PRACTICE Acções de Recuperação e Prevenção para Combater a Desertificação. Uma Avaliação Integrada Zona de Protecção Especial de Castro Verde: local de estudo em Portugal Projecto PRACTICE Prevention and

Leia mais

EMBAIXADA DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

EMBAIXADA DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA EMBAIXADA DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA FUNDO ESPECIAL DE AUTO-AJUDA DO EMBAIXADOR DOS E.U.A. Ajudando as Comunidades a Ajudar-se a Si Próprias Caro Candidato ao Fundo de Auto-Ajuda: Obrigado pelo seu

Leia mais

DOCUMENTO DE POSICIONAMENTO DA IBIS SOBRE A JUVENTUDE

DOCUMENTO DE POSICIONAMENTO DA IBIS SOBRE A JUVENTUDE DOCUMENTO DE POSICIONAMENTO DA IBIS SOBRE A JUVENTUDE A IBIS visa contribuir para o empoderamento dos jovens como cidadãos activos da sociedade, com igual usufruto de direitos, responsabilidades e participação

Leia mais

Protecção Social para um Crescimento Inclusivo. Nuno Cunha Nações Unidas

Protecção Social para um Crescimento Inclusivo. Nuno Cunha Nações Unidas Protecção Social para um Crescimento Inclusivo Nuno Cunha Nações Unidas Contexto moçambicano O País tem experienciado um crescimento económico impressionante nos últimos 15 anos Importantes progressos

Leia mais

TERMOS DE REFERÊNCIA PARA A CONTRATAÇÃO DE UM CONSULTOR PARA PRESTAR APOIO ÀS ACTIVIDADES ELEITORAIS EM MOÇAMBIQUE

TERMOS DE REFERÊNCIA PARA A CONTRATAÇÃO DE UM CONSULTOR PARA PRESTAR APOIO ÀS ACTIVIDADES ELEITORAIS EM MOÇAMBIQUE TERMOS DE REFERÊNCIA PARA A CONTRATAÇÃO DE UM CONSULTOR PARA PRESTAR APOIO ÀS ACTIVIDADES ELEITORAIS EM MOÇAMBIQUE Local de trabalho: Maputo, Moçambique Duração do contrato: Três (3) meses: Novembro 2011

Leia mais

Apresentação Do Banco. Setembro de 2010

Apresentação Do Banco. Setembro de 2010 Apresentação Do Banco Setembro de 2010 Conteúdos Onde estamos Missão Valores Accionistas Nosso mercado Responsabilidade social Factos Contactos Onde estamos Onde Estamos O Banco Terra está representado,

Leia mais

Bom dia, Senhoras e Senhores. Introdução

Bom dia, Senhoras e Senhores. Introdução Bom dia, Senhoras e Senhores Introdução Gostaria de começar por agradecer o amável convite que o Gabinete do Parlamento Europeu em Lisboa me dirigiu para participar neste debate e felicitar os organizadores

Leia mais

O MOVIMENTO GAIA BROCHURA NO 8 COMO: CULTIVAR SEU PRÓPRIO FERTILIZANTE E TAMBÉM ADQUIRIR FORRAGEM PARA ANIMAIS E LENHA. www.gaia-movement.

O MOVIMENTO GAIA BROCHURA NO 8 COMO: CULTIVAR SEU PRÓPRIO FERTILIZANTE E TAMBÉM ADQUIRIR FORRAGEM PARA ANIMAIS E LENHA. www.gaia-movement. O MOVIMENTO GAIA BROCHURA NO 8 Depois da colheita os galhos cortados são usados para cobrir a terra. Isto protege contra erosão, guarda a humidade e melhora a terra com matéria orgânica, assim que segura

Leia mais

Um Fundo Petrolífero para Timor-Leste. Questões Frequentes

Um Fundo Petrolífero para Timor-Leste. Questões Frequentes Um Fundo Petrolífero para Timor-Leste Questões Frequentes 1. Porque não organizar o Fundo Petrolífero como um Fundo Fiduciário separado (em vez de o integrar no Orçamento de Estado)? 2. Por que razão deve

Leia mais

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação Coordenação de Biblioteca 11 Pronunciamento sobre a questão

Leia mais

Conselho da Europa Plano de Acção para a Deficiência 2006-2015

Conselho da Europa Plano de Acção para a Deficiência 2006-2015 Conselho da Europa Plano de Acção para a Deficiência 2006-2015 Versão Linguagem Fácil Conselho da Europa Plano de Acção para a Deficiência 2006-2015 Versão Linguagem Fácil Página 1 de 60 Plano de Acção

Leia mais

Tackling the challenge of feeding the World: A Family farming perspective

Tackling the challenge of feeding the World: A Family farming perspective Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura YEAR OF FAMILY FARMING Economic and Social Development Department Science for Poverty Erradication and Sustainable Development Tackling

Leia mais

DIRETRIZES VOLUNTÁRIAS PARA A GOVERNANÇA DA TERRA. Alan Bojanic Representante da FAO no Brasil

DIRETRIZES VOLUNTÁRIAS PARA A GOVERNANÇA DA TERRA. Alan Bojanic Representante da FAO no Brasil DIRETRIZES VOLUNTÁRIAS PARA A GOVERNANÇA DA TERRA Alan Bojanic Representante da FAO no Brasil SEGURANÇA ALIMENTAR - O DUPLO DESAFIO ERRADICAR A FOME DO PRESENTE; ALIMENTAR A POPULAÇÃO DO FUTURO E NÃO TER

Leia mais

Investimento para Mulheres

Investimento para Mulheres Investimento para Mulheres Sophia Mind A Sophia Mind Pesquisa e Inteligência de Mercado é a empresa do grupo de comunicação feminina Bolsa de Mulher voltada para pesquisa e inteligência de mercado. Cem

Leia mais

Development Co-operation Report 2010. Relatório de Desenvolvimento e Cooperação 2010. Summary in Portuguese. Sumário em Português

Development Co-operation Report 2010. Relatório de Desenvolvimento e Cooperação 2010. Summary in Portuguese. Sumário em Português Development Co-operation Report 2010 Summary in Portuguese Relatório de Desenvolvimento e Cooperação 2010 Sumário em Português O relatório de Desenvolvimento e Cooperação, emitido pelo Comité de Ajuda

Leia mais

A protecção social e as crianças

A protecção social e as crianças A protecção social e as crianças Anthony Hodges Consultor ao UNICEF Seminário do MMAS e da OIT no Bilene, Moçambique, do 7 ao 9 de Maio de 2010 Plano da apresentação Importância da protecção social para

Leia mais

As trabalham directamente com as questões de saúde ambiental e podem disponibilizar formação, materiais e outros tipos de apoio.

As trabalham directamente com as questões de saúde ambiental e podem disponibilizar formação, materiais e outros tipos de apoio. Apresentamos aqui uma selecção de organizações, materiais impressos e recursos da internet que podem fornecer alguma informação útil sobre saúde ambiental. Listámos as organizações e os materiais que são

Leia mais

Uma agenda para a mudança: conseguir acesso universal à água, ao saneamento e à higiene (WASH) até 2030.

Uma agenda para a mudança: conseguir acesso universal à água, ao saneamento e à higiene (WASH) até 2030. Uma agenda para a mudança: conseguir acesso universal à água, ao saneamento e à higiene (WASH) até 2030. O acordo sobre uma meta do Objectivo de Desenvolvimento Sustentável relativamente ao acesso universal

Leia mais

PROGRAMA: A FAMÍLIA (1º ano do 1º ciclo)

PROGRAMA: A FAMÍLIA (1º ano do 1º ciclo) PROGRAMA: A FAMÍLIA (1º ano do 1º ciclo) Duração: 5 Sessões (45 minutos) Público-Alvo: 6 a 7 anos (1º Ano) Descrição: O programa A Família é constituído por uma série de cinco actividades. Identifica o

Leia mais

Cerimónia de lançamento do contrato de colaboração entre o Estado Português e o Massachusetts Institute of Technology, MIT

Cerimónia de lançamento do contrato de colaboração entre o Estado Português e o Massachusetts Institute of Technology, MIT Cerimónia de lançamento do contrato de colaboração entre o Estado Português e o Massachusetts Institute of Technology, MIT Centro Cultural de Belém, Lisboa, 11 de Outubro de 2006 Intervenção do Secretário

Leia mais

"É possível levar energia renovável para todos"

É possível levar energia renovável para todos "É possível levar energia renovável para todos" Por Daniela Chiaretti De Nairóbi, Quênia Connie Hedegaard: "Acho que quando temos uma crise global como a que estamos vivendo, é uma oportunidade excelente

Leia mais

Organizações portuguesas lançam rede temática para a soberania e segurança alimentar

Organizações portuguesas lançam rede temática para a soberania e segurança alimentar Rede Portuguesa pela Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional Organizações portuguesas lançam rede temática para a soberania e segurança alimentar Coimbra, 16 de Abril de 2012 Preocupados com as políticas

Leia mais

O QUE ABORDAMOS, EM PARTICULAR, NESTE EU REPORT?

O QUE ABORDAMOS, EM PARTICULAR, NESTE EU REPORT? Cosme 1 O QUE ABORDAMOS, EM PARTICULAR, NESTE EU REPORT? Neste EU Report abordamos, em particular, o COSME, o novo programa quadro europeu para a competitividade das Empresas e das PME (pequenas e médias

Leia mais

Plano estratégico da ADRA Portugal. Siglas 2. Identidade 3 Visão 3 Missão 3. Princípios e Valores 4

Plano estratégico da ADRA Portugal. Siglas 2. Identidade 3 Visão 3 Missão 3. Princípios e Valores 4 Conteúdos: Siglas 2 Identidade 3 Visão 3 Missão 3 Princípios e Valores 4 Objetivos Gerais Meta 1: Responsabilidade Social e Ação Social 6 Meta 2: Cooperação e Ação Humanitária 7 Meta 3: Educação para o

Leia mais

Dinheiro móvel, informações de mercado e ferramentas para melhorar a segurança alimentar: Perspetivas e desafios em Moçambique

Dinheiro móvel, informações de mercado e ferramentas para melhorar a segurança alimentar: Perspetivas e desafios em Moçambique Dinheiro móvel, informações de mercado e ferramentas para melhorar a segurança alimentar: Perspetivas e desafios em Moçambique Alan de Brauw Divisão de Mercados, Comércio e Instituições Instituto Internacional

Leia mais

Mensurar a inclusão financeira Uma abordagem focada no cliente. Caitlin Sanford

Mensurar a inclusão financeira Uma abordagem focada no cliente. Caitlin Sanford Mensurar a inclusão financeira Uma abordagem focada no cliente Caitlin Sanford 2 O caminho em direção a uma mensuração da inclusão financeira Mensurar a EXISTÊNCIA dos serviços financeiros em um país (

Leia mais

COMISSÃO DAS COMUNIDADES EUROPEIAS

COMISSÃO DAS COMUNIDADES EUROPEIAS COMISSÃO DAS COMUNIDADES EUROPEIAS Bruxelas, 8.10.2007 SEC(2007)907 DOCUMENTO DE TRABALHO DOS SERVIÇOS DA COMISSÃO documento de acompanhamento da Comunicação da Comissão sobre um programa para ajudar as

Leia mais

2º Fórum Lusófono de Mulheres em Postos de Tomada de Decisão Luanda, 17-18 de Julho 2002

2º Fórum Lusófono de Mulheres em Postos de Tomada de Decisão Luanda, 17-18 de Julho 2002 2º Fórum Lusófono de Mulheres em Postos de Tomada de Decisão Luanda, 17-18 de Julho 2002 Tema: A Situação Actual da Educação das Jovens e Mulheres Leontina Virgínia Sarmento dos Muchangos Direcção Nacional

Leia mais

Tema: Promover a Inclusão Social para a Energia Sustentável para Todos

Tema: Promover a Inclusão Social para a Energia Sustentável para Todos Nota explicativa CEDEAO - Workshop sobre Gênero e Energia para Validação da Política da CEDEAO para a Integração do Género no acesso à energia Tema: Promover a Inclusão Social para a Energia Sustentável

Leia mais

Recursos Humanos. Hotelaria: gestores portugueses vs. estrangeiros

Recursos Humanos. Hotelaria: gestores portugueses vs. estrangeiros Esta é uma versão post print de Cândido, Carlos J. F. (2004) Hotelaria: Gestores Portugueses vs. Estrangeiros, Gestão Pura, Ano II, N.º 7, Abril/Maio, 80-83. Recursos Humanos Hotelaria: gestores portugueses

Leia mais

SOBRE GESTÃO * A Definição de Gestão

SOBRE GESTÃO * A Definição de Gestão SOBRE GESTÃO * A Definição de Gestão Chegar a acordo sobre definições de qualquer tipo pode ser uma tarefa de pôr os cabelos em pé, e um desperdício de tempo. Normalmente requer compromissos por parte

Leia mais

«Rumo a um novo paradigma de segurança alimentar mundial, garante do desenvolvimento individual e colectivo»

«Rumo a um novo paradigma de segurança alimentar mundial, garante do desenvolvimento individual e colectivo» «Rumo a um novo paradigma de segurança alimentar mundial, garante do desenvolvimento individual e colectivo» Benoît Miribel, Presidente da ACF 1 -França PROBLEMÁTICA Nenhum ser humano tem hipóteses de

Leia mais

IMIGRANTES E SERVIÇOS FINANCEIROS QUESTIONÁRIO. N questionário. Cidade em que habita:. Sexo: M F Idade:

IMIGRANTES E SERVIÇOS FINANCEIROS QUESTIONÁRIO. N questionário. Cidade em que habita:. Sexo: M F Idade: IMIGRANTES E SERVIÇOS FINANCEIROS QUESTIONÁRIO N questionário Cidade em que habita:. Sexo: M F Idade: Grau de Ensino: 1. Nenhum 2. Escola primária ou ciclo preparatório 3. Escola Secundária/qualificações

Leia mais

Transição da escola para o emprego: Princípios-chave e Recomendações para Responsáveis Políticos

Transição da escola para o emprego: Princípios-chave e Recomendações para Responsáveis Políticos Transição da escola para o emprego: Princípios-chave e Recomendações para Responsáveis Políticos No final do ano de 1999 a Agência Europeia iniciou um projecto de investigação, a nível Europeu, sobre o

Leia mais

Valor: Qual a fatia de investidores da América Latina no ESM?

Valor: Qual a fatia de investidores da América Latina no ESM? Entrevista com Klaus Regling, Diretor Executivo do Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM) Valor Econômico, 16 de julho de 2013 Valor: Por que buscar investidores no Brasil agora? Klaus Regling: Visitamos

Leia mais

questionários de avaliação da satisfação CLIENTES, COLABORADORES, PARCEIROS

questionários de avaliação da satisfação CLIENTES, COLABORADORES, PARCEIROS questionários de avaliação da satisfação creche CLIENTES, COLABORADORES, PARCEIROS 2ª edição (revista) UNIÃO EUROPEIA Fundo Social Europeu Governo da República Portuguesa SEGURANÇA SOCIAL INSTITUTO DA

Leia mais

O que são CFDs? CFDS Uma abordagem prática

O que são CFDs? CFDS Uma abordagem prática O que são CFDs? Um CFD (Contract for difference) é um instrumento financeiro negociado fora de mercados regulamentados que proporciona, aos investidores, uma forma mais eficiente de negociação em acções.

Leia mais

Método PHAST TABELA DE CONTEUDOS METODOLOGIA PHAST... 2

Método PHAST TABELA DE CONTEUDOS METODOLOGIA PHAST... 2 Método PHAST TABELA DE CONTEUDOS METODOLOGIA PHAST... 2 Fases do método PHAST... 3 1. Técnica: Historias Comunitárias... 4 2. Técnica: Enfermeira Felicidade... 5 3. Técnica: Mapeamento comunitário... 6

Leia mais

Acabar com as disparidades salariais entre mulheres e homens. http://ec.europa.eu/equalpay

Acabar com as disparidades salariais entre mulheres e homens. http://ec.europa.eu/equalpay Acabar com as disparidades salariais entre mulheres e homens Resumo O que se entende por disparidades salariais entre mulheres e homens Por que razão continuam a existir disparidades salariais entre mulheres

Leia mais

Microcrédito e investimentos para a agricultura urbana em São Petersburgo, Rússia

Microcrédito e investimentos para a agricultura urbana em São Petersburgo, Rússia Microcrédito e investimentos para a agricultura urbana em São Petersburgo, Rússia Oleg Moldakov - moldakov@mailbox.alkor.ru St Petersburg Urban Gardening Club, Rússia Fotos: O. Moldakov - 1: compostagem

Leia mais

Identificação do projeto

Identificação do projeto Seção 1 Identificação do projeto ESTUDO BÍBLICO Respondendo a uma necessidade Leia Neemias 1 Neemias era um judeu exilado em uma terra alheia. Alguns dos judeus haviam regressado para Judá depois que os

Leia mais

A caminho da igualdade

A caminho da igualdade A caminho da igualdade Estudo mostra que a educação é determinante para reduzir as desigualdades de gênero, em todas as fases de vida das mulheres 50 KPMG Business Magazine Como defender a empresa Os Jogos

Leia mais

AFRICAN UNION UNION AFRICAINE

AFRICAN UNION UNION AFRICAINE Conferência Internacional sobre a Saúde Materna, Neonatal e Infantil em África 01 a 03 de agosto de 2013, Joanesburgo, África do Sul Comunicado Primeiras Consultas Ministeriais Multisetoriais sobre a Saúde

Leia mais

CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO CAPÍTULO 3 COMBATE À POBREZA ÁREA DE PROGRAMAS

CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO CAPÍTULO 3 COMBATE À POBREZA ÁREA DE PROGRAMAS CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO CAPÍTULO 3 COMBATE À POBREZA ÁREA DE PROGRAMAS Capacitação dos pobres para a obtenção de meios de subsistência sustentáveis Base para

Leia mais

Skills Academy 2015 Christine Hofmann, OIT Cairo

Skills Academy 2015 Christine Hofmann, OIT Cairo Melhorar a Aprendizagem Informal Skills Academy 2015 Christine Hofmann, OIT Cairo Agenda I) Definir sistemas de aprendizagem informal 5 elementos principais da aprendizagem Porque falamos dos sistemas

Leia mais

A expansão dos recursos naturais de Moçambique Quais são os Potenciais Impactos na Competitividade da Agricultura?

A expansão dos recursos naturais de Moçambique Quais são os Potenciais Impactos na Competitividade da Agricultura? A expansão dos recursos naturais de Moçambique Quais são os Potenciais Impactos na Competitividade da Agricultura? Outubro 2014 A agricultura é um importante contribuinte para a economia de Moçambique

Leia mais

SEGUNDO PILAR DA PAC: A POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO RURAL

SEGUNDO PILAR DA PAC: A POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO RURAL SEGUNDO PILAR DA PAC: A POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO RURAL A última reforma da política agrícola comum (PAC) manteve a estrutura em dois pilares desta política, continuando o desenvolvimento rural a representar

Leia mais

Bases SólidasS. Educação e Cuidados na Primeira Infância. Curso: Ciências da Educação Ano lectivo: 2007/2008 2º Ano / 1º Semestre

Bases SólidasS. Educação e Cuidados na Primeira Infância. Curso: Ciências da Educação Ano lectivo: 2007/2008 2º Ano / 1º Semestre Curso: Ciências da Educação Ano lectivo: 2007/2008 2º Ano / 1º Semestre Bases SólidasS Educação e Cuidados na Primeira Infância Docente: Prof. Nuno Silva Fraga Cadeira: Educação Comparada A Educação Primária

Leia mais

CURSO LIVRE DE ECONOMIA

CURSO LIVRE DE ECONOMIA UNIVERSIDADE DA MADEIRA Departamento de Gestão e Economia CURSO LIVRE DE ECONOMIA Necessidades e consumo Exercícios 1. Indique se as seguintes afirmações são verdadeiras ou falsas, justificando os casos

Leia mais

DIÁLOGO SOCIAL EUROPEU: PROJECTO DE ORIENTAÇÕES MULTISSECTORIAIS PARA O COMBATE DA VIOLÊNCIA E ASSÉDIO DE TERCEIROS RELACIONADOS COM O TRABALHO

DIÁLOGO SOCIAL EUROPEU: PROJECTO DE ORIENTAÇÕES MULTISSECTORIAIS PARA O COMBATE DA VIOLÊNCIA E ASSÉDIO DE TERCEIROS RELACIONADOS COM O TRABALHO DIÁLOGO SOCIAL EUROPEU: PROJECTO DE ORIENTAÇÕES MULTISSECTORIAIS PARA O COMBATE DA VIOLÊNCIA E ASSÉDIO DE TERCEIROS RELACIONADOS COM O TRABALHO EPSU, UNI Europa, ETUCE, HOSPEEM, CEMR, EFEE, EuroCommerce,

Leia mais

Apresentação por José Fernandes Quelhas Manica Moçambique Junho, 2008

Apresentação por José Fernandes Quelhas Manica Moçambique Junho, 2008 MINISTÉRIO DA ENERGIA ` Apresentação por José Fernandes Quelhas Manica Moçambique Junho, 2008 1 Difinir Educacao DISCUSSAO... Relação Energia e Educação 2 Relação Energia e Educação ODM 2: Alcançar o Ensino

Leia mais

Integração de uma abordagem de género na gestão de recursos hídricos e fundiários Documento de Posição de organizações e redes dos PALOPs

Integração de uma abordagem de género na gestão de recursos hídricos e fundiários Documento de Posição de organizações e redes dos PALOPs Integração de uma abordagem de género na gestão de recursos hídricos e fundiários Documento de Posição de organizações e redes dos PALOPs Isabel Dinis, ACTUAR Lisboa, 3 de Junho de 2010 ACTUAR - ASSOCIAÇÃO

Leia mais

CONFERENCIA NACIONAL SOBRE EMPREGOS VERDES: CAMINHOS PARA UM FUTURO SUSTENTÁVEL. Discurso da Coordenadora Residente, Senhora Ulrika Richardson

CONFERENCIA NACIONAL SOBRE EMPREGOS VERDES: CAMINHOS PARA UM FUTURO SUSTENTÁVEL. Discurso da Coordenadora Residente, Senhora Ulrika Richardson CONFERENCIA NACIONAL SOBRE EMPREGOS VERDES: CAMINHOS PARA UM FUTURO SUSTENTÁVEL Mindelo, 24 de Julho de 2015 Discurso da Coordenadora Residente, Senhora Ulrika Richardson Senhora Ministra da Juventude,

Leia mais

Roteiro Passo a Passo

Roteiro Passo a Passo Roteiro Passo a Passo As secções abaixo providenciam um roteiro passo a passo para o ciclo de projecto ABC. O roteiro está organizado em torno dos estágios simplificados do ciclo do projecto análise, desenho

Leia mais

CARTA EUROPEIA DO DESPORTO

CARTA EUROPEIA DO DESPORTO CARTA EUROPEIA DO DESPORTO Objectivo da Carta... 3 Definição e âmbito de aplicação da Carta... 3 O movimento desportivo... 4 Instalações e actividades... 4 Lançar as bases... 4 Desenvolver a participação...

Leia mais

Business Angels Obter investimento por Business Angels.

Business Angels Obter investimento por Business Angels. Business Angels Obter investimento por Business Angels. Paulo Andrez Pres. Clube de Business Angels Cascais Membro da Direcção da Federação Nacional de Associações de Business Angels e da EBAN Coordenador

Leia mais

A Língua Portuguesa em África: perspectivas presentes e futuras

A Língua Portuguesa em África: perspectivas presentes e futuras A Língua Portuguesa em África: perspectivas presentes e futuras Este breve texto é uma proposta de reflexão acerca de algumas das questões que, em meu entender, merecem destaque na situação actual do desenvolvimento

Leia mais