ENSINO PROFISSIONALIZANTE A DISTÂNCIA E AS PERPECTIVAS DE INCLUSÃO DIGITAL E SOCIAL

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1 ENSINO PROFISSIONALIZANTE A DISTÂNCIA E AS PERPECTIVAS DE INCLUSÃO DIGITAL E SOCIAL Resumo Cláudia Luíza Marques 1 - IFB Grupo de Trabalho - Diversidade e Inclusão Agência Financiadora: não contou com financiamento Este trabalho aborda o tema do ensino profissionalizante a distância, focando a inclusão digital e social no cenário da Educação Profissional (EP), refletindo ainda sobre o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) como auxílio nessa modalidade de ensino, promovendo a inclusão social. Para tanto, apresentaram-se algumas concepções de EaD, as funções sociais dessa modalidade de ensino; a importância da inclusão social; e, por fim, considerações sobre o que representa a TIC na vida das pessoas, principalmente no ensino e aprendizagem tendo como cenário a EaD, no sentido de se favorecer essa inclusão. Acreditase que a Educação a Distância é uma forma de se promover diversos tipos de inclusão: inclusão social, digital, profissional, econômica, de pessoas com necessidades especiais, de gênero, etc. Ainda é importante se considerarem os meios de comunicação como uma forma de transmissão de informações e de conhecimento. Nesse aspecto, o presente estudo teve como objetivo analisar a contribuição da EaD em cursos profissionalizantes, delineando fases que compreendem a relação entre a TIC e a necessidade social dos alunos em cursos profissionalizantes de nível médio, considerando como esses cursos na modalidade EaD têm efetivamente favorecido a inserção dos egressos no mercado de trabalho. Dentre as atividades e técnicas de coleta de informação, foi realizada uma pesquisa bibliográfica como ponto de partida, seguida de uma coleta de dados através de questionários aplicados aos coordenadores, professores/tutores e alunos, envolvidos com a EaD em alguns campi do Instituto Federal de Brasília (IFB). A metodologia para desenvolvimento da pesquisa teve, pois, abordagem qualitativa, utilizando o método de Estudo de Caso como forma de avaliação do universo tema em que foi avaliado. Palavras-chave: Ensino profissionalizante a distância. TIC. Inclusão social. Introdução A primeira etapa dessa pesquisa foi constituída pela exploração das fontes bibliográficas disponíveis, que tiveram como objetivo fornecer o referencial teórico para um 1 Mestra em Educação: Universidade de Brasília (UnB). Professora do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico do Instituto Federal de Brasília(IFB). ISSN

2 9438 maior aprofundamento do tema. Dessa forma, a pesquisa bibliográfica foi utilizada durante todo o desenvolvimento do trabalho de forma a fornecer elementos que colaborassem para a análise e a reflexão das ideias aqui discutidas. Dessa feita, faz-se necessária uma melhor compreensão do que se entende por Educação a Distância e de como ela se constitui como modalidade de ensino. No Brasil, A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei n.º 9.394, de 20/12/1996 (BRASIL, 1996), no seu art. 80, atribui ao poder público o papel de incentivar o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades, e de educação continuada. Com isto, o sistema de ensino brasileiro ganha maior flexibilidade para a criação de novas metodologias de cursos, e as questões relativas à EAD passam a ter maior visibilidade. O Decreto-Lei n.º 2.494, de 10/2/1998 (BRASIL, 1998a), aborda a Educação a Distância como uma possibilidade de flexibilização de requisitos para admissão, horários e duração de cursos. O decreto conceitua EAD como uma forma de ensino que possibilita a autoaprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de comunicação. A Portaria n.º 301, de 7/4/1998, regulamenta o Decreto n.º 2.494/98(BRASIL, 1998b), definindo os procedimentos de credenciamento de instituições interessadas em oferecer cursos de graduação e educação profissional tecnológica à distância. Segundo a portaria, essas instituições deverão apresentar seu histórico, qualificação, experiência das equipes multidisciplinares e da instituição, avaliação, bem como sua infraestrutura. A mesma portaria dispõe, também, sobre a forma de apresentação do projeto em EAD e as relações estatutárias das instituições com instituições parceiras. A Portaria n.º 641, de 13/5/98 (BRASIL, 1998c), autoriza cursos de graduação e orienta os tópicos que devem constar no projeto para solicitar a autorização de novos cursos. Ela estabelece que o projeto apresentado deverá ser analisado por uma comissão e por especialistas para que estes verifiquem sua adequação técnica e sua conformidade com a legislação. A Portaria nº 2.253, de 18/10/2001(BRASIL, 2001), estabelece que as instituições de Ensino Superior podem introduzir na organização pedagógica e curricular de seus cursos superiores a oferta de disciplinas que utilizem método não presencial. Em 13/5/98, os cursos de graduação são autorizados e, em 3/4/2001 o Conselho Nacional de Educação estabelece as

3 9439 normas para a pós-graduação lato e stricto sensu. Além disso, é de extrema importância essa Portaria, que possibilita a introdução de disciplinas não presenciais no currículo do ensino superior. Em 2005, foi criado o Sistema Universidade Aberta do Brasil pelo Ministério da Educação com foco nas Políticas e a Gestão da Educação Superior, com o objetivo de expandir e interiorizar a oferta de cursos e programas de educação superior. Para isso, o sistema tem como base, fortes parcerias entre as esferas federais, estaduais e municipais do governo. Para Messa e Fonseca (2010, p. 54): O ensino em EaD deve ser transformador, procurando superar desafios e ir além do que hoje é apresentado para nós. É preciso que alunos e professores busquem informações nos diversos ambientes e meios tecnológicos e comparem com a realidade em que vivem. Que busquem nos antigos espaços da sala de aula, alternativas para analisar e discutir dados coletados visando ir além da informação. Ensinar exige risco, aceitação do novo, e rejeição a qualquer forma de discriminação: é próprio do pensar certo a disponibilidade ao risco, a aceitação do novo, assim como o critério de recusa ao velho não é apenas o cronológico. O velho preserva sua validade ou que encarna uma tradição ou marca uma presença no tempo, e assim continua sempre o novo (FREIRE, 2000). As tecnologias são utilizadas na Educação a Distância de diferentes maneiras, e podem envolver de tal forma o aluno que acaba por conduzi-lo à participação ativa na construção de seu conhecimento, na produção conjunta de aprendizagem e no desenvolvimento de atividades comuns à prática educacional. De um modo geral pode-se afirmar que a EaD aplica as tecnologias disponíveis para fazer acontecer o processo de ensino e aprendizagem, superando as barreiras do espaço e do tempo (GUAREZI; MATOS, 2009). O novo molde de educação e a utilização de sistemas de gerenciamento de cursos à distância veículos de informação e comunicação respondem às limitações e demandas, tanto espaciais como temporais, na construção dos conhecimentos de forma colaborativa. A virtualização do ambiente de aprendizagem vem agregar a educação maiores probabilidades de um ensino dinâmico, rápido e objetivo entre seus participantes (LEVY, 1999). Sabendo-se, então, que todos têm direito à educação e que isso é necessário para que haja efetivamente a formação cidadã, é preciso também buscar formas para que a EaD seja acessível a todos. A importância desse estudo pode ser atribuída ao fato de que a exclusão digital e, consequentemente, a exclusão social são observadas no sociedade moderna, embora as tecnologias sejam uma realidade concreta e presente em vários setores, identificada pelo

4 9440 fato de alguns não terem condição, tanto por dificuldades materiais de acesso quanto por insuficiência de conhecimentos, de terem acesso ao uso das TIC. Para Sancho et al. (2006, p.36): Para que o uso das TIC signifique uma transformação educativa que se transforme em melhora, muitas coisas terão que mudar. Muitas estão nas mãos dos próprios professores, que terão que redesenhar seu papel e sua responsabilidade na escola atual. Mas outras tantas escapam de seu controle e se inscrevem na esfera da direção da escola, da administração e da própria sociedade. Sendo assim, o estudo se justificou no sentido que buscou provocar uma reflexão crítica sobre relação da Educação à Distância EAD com a inclusão social em cursos profissionalizantes, que utilizavam essa modalidade, a partir do uso das TIC, em alguns campi do Instituto Federal de Brasília (IFB). Objetivos Considera-se que as instituições de educação profissional técnica e tecnológica, ao oferecerem cursos de EaD, precisam pensar em estratégias que garantam a inclusão digital nos cursos a fim de que essas todos tenham oportunidades efetivas de aprendizagem e de inclusão social. Nesse sentido, este estudo teve como objetivos: Objetivo geral Analisar a contribuição da EaD em cursos profissionalizantes, delineando fases que compreendem a relação entre Tecnologias de Comunicação e Informação e necessidade social, garantindo-se a inclusão digital e social. Objetivos específicos a) Identificar e avaliar a aplicabilidade dessa modalidade de ensino/aprendizagem em cursos profissionalizantes; b) Apontar se o uso das TIC tem atendido à necessidade social, garantindo a inclusão digital e social.

5 9441 Procedimentos metodológicos A metodologia da pesquisa com abordagem qualitativa se utilizou dos seguintes procedimentos de coleta de dados: observação simples, aplicação de questionários e pesquisa documental. Partindo dos questionários aplicados, foi feito um levantamento de aspectos importantes, dos pressupostos sobre a contribuição da EaD; o uso das TIC; bem como se estaria ou não ocorrendo a inclusão digital e social. Local da pesquisa A pesquisa de campo foi realizada em alguns campi do Instituto Federal de Brasília, que ofertam a modalidade de ensino profissionalizante a distância. Os sujeitos da pesquisa Participaram desta pesquisa 03 coordenadores de polo, 34 professores/tutores e 79 alunos envolvidos no processo de ensino profissionalizante a distância. A amostra foi selecionada por participantes que retornaram os questionários devidamente respondidos. Procedimentos Foi feita inicialmente uma pesquisa bibliográfica em que se buscaram informações sobre o tema a partir de autores renomados; artigos publicados em sítios eletrônicos; revistas; etc. Para o embasamento teórico e análise da realidade, foram aplicados questionários, via google drive, visando coletar impressões e reflexões sobre o referido tema, bem como a observação realizada a partir de visitas em alguns encontros presenciais. Resultados e discussão Embora tenham sido usados gráficos para estudo e apreciação, predominaram-se na análise das respostas obtidas os aspectos qualitativos. Nesse sentido, algumas respostas indicaram a existência de um cenário ainda preocupante no que se refere à inclusão digital nos cursos profissionalizantes a distância. Ressaltaram-se também algumas dificuldades apontadas na promoção da inclusão social dos alunos que optaram por essa modalidade de ensino.

6 9442 Uma vez que os alunos dos cursos da EaD são pessoas mais adultas, observa-se que, geralmente, são mães e pais de família e, por essa razão, têm suas preocupações domésticas e pessoais acentuadas. Nesse sentido, apresentam maiores dificuldades no início do curso, pois precisam organizar seu tempo para conseguir se dedicar aos estudos e à família. Essa dificuldade poderá ser minimizada se a razão de ele buscar estudar estiver diretamente ligada à possibilidade de aumento de salário. A dificuldade maior se concentra no início do curso, pois conforme ocorre o desenvolvimento do curso a busca de conhecimento por parte do aluno ganha mais significado e ocorre um aumento no seu interesse pelo mesmo, consequentemente, os alunos se dediquem e se comprometam mais (BARRENECHEA, 2003). Para muitos alunos, o interesse deles por um curso profissionalizante a distância seria a intenção de querer oferecer melhores condições de vida aos filhos, irmãos e familiares. Alguns alegaram que o fator tempo foi o principal motivo de eles optarem por um curso a distância. Contudo, nesse aspecto, percebeu-se certa contradição em certos relatos, já que alguns apontaram que as próprias necessidades familiares influenciaram em seu desempenho nos cursos. Ao serem questionados sobre o uso da plataforma, houve concordância entre professores/tutores e a maioria dos alunos questionados quanto à dificuldade em usar computadores, internet e algumas ferramentas do moodle. Aos alunos foi perguntado se eles acreditavam que o curso lhes prepararia para se adaptarem às inovações tecnológicas no mercado de trabalho. A essa questão, 91,95 responderam que sim; enquanto 8,1 disseram que não acreditavam. Os respondentes ainda disseram existir uma política na estruturação física dos espaços educativos nos campi do IFB, no que concerne a recursos e equipamentos. Ainda, entre os resultados obtidos, algumas respostas indicaram, também, que os alunos, coordenadores e professores/tutores: avaliam positivamente a forma como os cursos estão organizados; percebem que a inclusão digital e social, mesmo que com algumas dificuldades, tem ocorrido; e acreditam que essa modalidade de ensino é eficiente no sentido de preparação para o exercício de uma profissão. É importante destacar que os resultados obtidos neste estudo não permitiram conclusões mais complexas, uma vez que se tratou de uma amostra pequena, uma vez que alguns fatores externos impediram um número maior de respondentes.

7 9443 Considerações finais Tendo em vista que o ensino profissional a distância apresenta contornos de educação tecnológica, é preciso considerar que esta modalidade educativa pode proporcionar a inclusão digital bem como a social. Nesse sentido, no que se refere ao aspecto de se promover a autonomia e buscar reais possibilidades de inserção profissional dos alunos dos cursos ofertados, o que se percebeu é a grande necessidade de melhores ações políticas que favoreçam efetivamente a inclusão social dessas pessoas. Nesse contexto, a inclusão digital não se limita à disponibilização de computadores em núcleos de informática ou ao acesso à internet, mas significa promover a oportunidade de o sujeito ter as devidas condições de interagir com as tecnologias e ter acesso às informações a ponto de refletir, criticar e dominar determinados conceitos. Assim, percebeu-se que, antes, a Educação a Distância era vista como algo totalmente desvinculado da educação presencial e ineficiente no sentido de se apresentar como uma educação de qualidade. Contudo, atualmente, constata-se não só a valorização dessa modalidade de ensino como sua real expansão a ponto de atingir outros níveis de aprendizagem, como o caso da educação profissional. Nesse aspecto, a Educação a Distância tem apresentado novas possibilidades de promoção da aprendizagem bem como de inclusão. É importante salientar que este trabalho, embora não tenha respondido a todas as questões propostas, procurou contribuir para a reflexão e a implementação de políticas de aprimoramento da educação profissional a distância. REFERÊNCIAS BARRENECHEA, C. A. A formação da identidade do aluno na educação a distância: reflexões para um debate. Educar em Revista, Curitiba, n. 21, p , BRASIL. Lei n , de 20 de dezembro de Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 dez Decreto n , de 10 de fevereiro de Regulamenta o art. 80 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 11 fev. 1998a.. Ministério da Educação. Portaria n. 301, de 7 de abril de Diário Oficial da União, Brasília, DF, 9 abr. 1998b.

8 9444. Portaria n , de 18 de outubro de Estabelece que as instituições de Ensino Superior podem introduzir na organização pedagógica e curricular de seus cursos superiores. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 18 out FREIRE, P. Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: UNESP, GUAREZI, R. C. M.; MATOS, M. M. Educação a distância sem segredos. Curitiba: Ibpex, LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: 34, MESSA, W. C.; FONSECA, C. R. O uso das TIC em EAD: uma proposta inovadora ou uma reprodução de velhas práticas? Disponível em: < Acesso em: jul SANCHO, J. M. et al. Tecnologias para transformar a educação. Porto Alegre: Artmed, 2006.

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