INCLUSÃO DIGITAL PROMOVENDO INCLUSÃO SOCIAL

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1 INCLUSÃO DIGITAL PROMOVENDO INCLUSÃO SOCIAL Letícia de Abreu Araujo 1 Beatriz Terezinha Borsoi 2 Fabio Favarim 3 1,2,3 Informática/UTFPR, Pato Branco, Brasil Resumo Promover ações de inclusão social é uma oportunidade de a Universidade exercer com efetividade o seu papel de cidadania e concretizar um dos seus pilares de sustentação que é a extensão. Por meio da extensão, o conhecimento produzido pode auxiliar a oferecer oportunidades além daquelas oferecidas às pessoas que passam por seus processos seletivos. Promover inclusão digital é uma forma de contribuir para a inclusão social pela relevância que os sistemas computacionais têm atualmente. Essa importância está vinculada ao trabalho, ao entretenimento, ao acesso à informação e à educação. Palavras-chave: Inclusão digital. Inclusão social. Cidadania. Abstract Actions to promote social inclusion are an opportunity to engage the University with its role of effective citizenship and accomplish one of its pillars of support: extension. Actions related to extension can help to provide opportunities for people beyond those who go to the university trough this selection process. Promoting digital inclusion is a way of contributing to social inclusion by the relevance that the computer, represented by its software, has today. This importance is bound work, entertainment and education, because computers and their software are in every activity we do. Palavras-chave: Digital inclusion. Social inclusion. Citizenship. Introdução Saber utilizar Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) tem sido visto como sinônimo de inclusão digital e como significativo para inclusão social. Isso ocorre pelo acesso ao conhecimento e pela possibilidade de interação proporcionada por essas tecnologias proporcionam e pelo seu amplo nas atividades vinculadas ao trabalho. A grande disseminação, aplicabilidade e uso das TICs, seja para trabalho, entretenimento ou educação, permitem entender que a inclusão digital contribui para a inclusão social. Isso porque o uso dessas tecnologias auxilia na inclusão social, /6

2 inclusive pelo acesso à informação e pela possibilidade de interação que elas proporcionam. É a sociedade da informação. Porém, o acesso às TICs não é igualitário. No Brasil, em 2003, os níveis de desigualdade social encontravam-se entre os mais altos do mundo (SORJ, 2003). Em 2006, os dados divulgados pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) mostravam que os 10% da população mais rica do Brasil possuía renda média 57 vezes maior do que os seus 10% mais pobres (BBC BRASIL, 2011). Em 2008, a taxa de consumo entre os mais pobres era de 0,9% e entre os mais ricos de 44,8% (UOL, 2011). Ainda em 2008, em relação ao grau de desigualdade da sociedade brasileira, foi divulgado que 10% dos trabalhadores com melhor remuneração detinham 42,7% dos rendimentos, restando aos 90% menos remunerados os outros 57,3% (PASCOAL, 2011). Uma informação de 2009, que ilustra as condições de desigualdade no Brasil, explicita que os 10% mais ricos ficam com praticamente a metade da renda nacional, enquanto os 10% mais pobres com apenas 0,8% (SILVA, 2011). Essa realidade faz com que seja indispensável que medidas sejam tomadas para a possibilidade de uma sociedade da informação inclusiva e igualitária e, assim, cidadã. Essas medidas podem ser tão amplas quanto a elaboração e a implementação de políticas públicas globais de desenvolvimento social e sustentável ou tão pontuais como a realização de cursos básicos para ensino do uso do computador para pessoas de baixa renda de um determinado Município. Em uma sociedade da informação o acesso à informação deveria ser a todos, independentemente do seu nível social. Contudo, a situação sócio-econômica de muitos países, incluindo o Brasil, não possibilita que a população como um todo tenha acesso à informação por meio de tecnologias, comprometendo, assim, o processo de inserção no espaço educacional, no mercado de trabalho, bem como no desenvolvimento de estratégias de geração de renda (CAMARA, 2005). Para Meffe (2005), a inclusão tecnológica, social, do cidadão, de setores discriminados da sociedade e outros são partes de uma engrenagem que precisa funcionar em completa harmonia. Portanto, a realização de ações conjuntas, envolvendo a universidade e a comunidade, por exemplo, é indispensável, pois o simples acesso aos meios de informação não é suficiente para que haja inclusão social ou mesmo digital. É preciso que a inclusão digital esteja agregada por outros elementos ou conhecimentos que propiciem uma inclusão 2/6

3 social plena, de um indivíduo instruído, atuante e pensante. Como destaca Cruz (2004), o incluído digital precisa estar capacitado para usar a tecnologia e ter um grau de educação, no sentido amplo, que permita aplicá-la de forma efetiva. Uma das dificuldades à plena inclusão digital é a falta de recursos financeiros necessários para a aquisição do hardware (equipamentos, infraestrutura de comunicação) e do software (programas de computador) para armazenamento, acesso, manipulação e transmissão da informação. Uma alternativa identificada para superar a falta de recursos financeiros para acesso à informação por meio de TICs, que será aplicada na implementação desse projeto, é o uso de software livre e de espaços de instituições públicas de ensino. Nesse sentido, a UTFPR, traz uma proposta cidadã, onde um conjunto de conhecimentos focados na inclusão digital contribuirá para a inclusão social. Para Silveira (2003) a proposta do software livre coincide com os princípios e os objetivos da inclusão digital que são: prover liberdade de acesso à informação, disponibilizar conteúdo e contribuir para a formação de uma sociedade em rede (CASTELLS, 1999). Para a Free Software Foundation (FSF, 2011), software livre é qualquer programa de computador que possa ser usado, copiado, ter seu conteúdo acessado e redistribuído. No contexto deste projeto, software livre é considerado o que pode ser utilizado sem custo e de acordo com preceitos legais e éticos, independentemente das liberdades vinculadas à denominação software livre. Pelo exposto, propõe-se que a inclusão social ocorra a partir da inclusão digital que é agregada por outras atividades multidisciplinares as quais complementam a formação escolar e cidadã dos participantes das atividades do projeto. Pretende-se, assim, contribuir para que os participantes do projeto possam exercer sua cidadania e incluir-se em uma sociedade da informação. Materiais e Métodos Para os cursos de informática que incluem o uso de sistema operacional, aplicativos computacionais, instalação de sistema operacional e aplicativos e desenvolvimento de páginas web, as aulas são ministradas em laboratórios de informática da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, câmpus Pato Branco. Materiais de apoio e listas de exercícios são utilizados visando tornar o curso bastante prático e que cada aluno possa desenvolver-se em seu ritmo. Para os cursos relacionados à instalação de sistema operacional Linux e seus aplicativos, 3/6

4 um laboratório no qual as máquinas podem ser formatadas e configuradas pelos alunos é utilizado. Para os cursos de uso de aplicativos e desenvolvimento de páginas web são utilizados laboratórios com a possibilidade de um aluno por computador. O aluno monitor que ministra o curso é auxiliado por voluntários, alunos do curso de Engenharia de Computação. alunos da Casa Familiar Rural de Pato Branco. Cursos com carga horária de 20 horas. c) Cursos de desenvolvimento de páginas web para alunos da Casa Familiar Rural de Pato Branco e para alunos de escolas públicas do Município. Cursos com carga horária de 30 horas. d) Oficina de recomposição de computadores para recompor computadores considerados descarte e doados para escolas públicas. Resultados Conclusão O principal resultado obtido com o desenvolvimento das atividades relacionadas ao projeto é a inclusão digital e social cidadã dos participantes dessas atividades. As atividades realizadas foram: a) Cursos de uso de sistema operacional, navegador web, aplicativo de correio eletrônico e editor de textos (pacote BrOffice) para funcionários terceirizados que realizam serviços gerais da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, campus Pato Branco e para alunos da Casa Familiar Rural de Pato Branco. Cursos com carga horária de 20 horas. b) Cursos de instalação e configuração de sistema operacional Linux e seus aplicativos básicos para As atividades realizadas, cursos e oficina, ressaltam a relevância do projeto que visa promover a inclusão social por meio da inclusão digital como meio agregador de outras atividades. Para alcançar esse objetivo a inclusão digital foi realizada pelo uso de software livre de forma que agregada por outros conhecimentos pudesse conduzir à inclusão social. A proposta de realização do projeto de inclusão da área de informática do câmpus Pato Branco se justifica pela necessidade de a UTFPR realizar extensão como forma de compartilhar o seu conhecimento para os que não possuem acesso ao mesmo por ingresso nos seus cursos curriculares e/ou ensino médio, graduação e pós-graduação. E, se justifica, também, como forma de promover inclusão digital e social. Realizando assim, um 4/6

5 dos seus pilares de sustentação que é a extensão e auxiliando a promover uma sociedade mais igualitária. Com a realização dos cursos verificou-se a inclusão digital como elemento central é uma maneira de contribuir para a inclusão social à medida que possibilita ao indivíduo o acesso ao conhecimento, à cultura e ao entretenimento e a interação com outros indivíduos. Além disso, a informática pode ser utilizada como preparo para o mercado de trabalho. O uso de software livre nos cursos ministrados tem possibilitado a promoção da cidadania pela conscientização da não pirataria de software, pela possibilidade de utilizar software sem custos para a Universidade e para auxiliar na divulgação da cultura do software livre. Fazendo assim com que os participantes do projeto estejam preparados para o uso desse tipo de software e assim auxiliem a disseminar o uso ético e legal de software computacionais. Por fim, entende-se que a Universidade, pelo conhecimento gerado a partir da mesma, pode ser um polo irradiador de informações e capaz de contribuir para minimizar problemas como os do analfabetismo digital e deficiências na formação escolar. E, assim, promover a cidadania. Desta forma pretende-se o prosseguimento deste projeto. Mesmo porque ele tem promovido vínculo com um segmento da sociedade que de outra forma não teria meios de compartilhar do conhecimento e saber produzido na UTFPR. Referências BBC BRASIL, Pobres da Noruega ganham mais que ricos em 57 países. Disponível em story/2007/01/070103_renda_onu_dg.shtml. Acesso em 12 dez CAMARA, M., Telecentros como instrumento de inclusão digital: perspectiva comparada em Minas Gerais, Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, CASTELLS, M., A sociedade em rede, São Paulo: Editora Paz e Terra S.A., CRUZ, R., O que as empresas podem fazer pela inclusão digital, São Paulo: Instituo Ethos, FSF, Free Software Foundation. Disponível em Acesso em 15 dez MEFFE, C., GUALBERTO, M. A. M., Direito à comunicação na sociedade da informação: o papel estratégico do software livre, Brasília: Tema A revista do SERPRO. Ministério da Fazenda, PASCOAL, J., Desigualdade social e regional no Brasil, Disponível em: 5/6

6 aldade_social_e_regional_no_brasil. Acesso em 12 dez SILVA, L. O., As desigualdades sociais no Brasil, Disponível em: 2009/06/sociologia-resumo-vii-asdesigualdades.html. Acesso em 18 dez SILVEIRA, S. A. da. et al., Software livre e inclusão digital, São Paulo: Conrad Editora do Brasil, SORJ, B., a luta contra a desigualdade na sociedade da informação, Rio de Janeiro: Editora Jorge Zahar, UOL, ONU vê forte desigualdade social no Brasil e em Angola, Disponível em 009/10/21/ult3679u7924.jhtm. Acesso em 17 dez /6

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