A indumentária preferida de Kate O Hare era a sua parka azul com as letras FBI gravadas nas costas, vestida sobre uma t-shirt preta básica e o

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "A indumentária preferida de Kate O Hare era a sua parka azul com as letras FBI gravadas nas costas, vestida sobre uma t-shirt preta básica e o"

Transcrição

1

2 Um A indumentária preferida de Kate O Hare era a sua parka azul com as letras FBI gravadas nas costas, vestida sobre uma t-shirt preta básica e o correspondente colete preto à prova de bala. Este conjunto ficava bem com tudo, especialmente com calças de ganga e uma pistola Glock. A agente especial O Hare, de 33 anos, não gostava de se sentir vulnerável e desarmada, sobretudo quando estava ao serviço. Por esse motivo, não era talhada para agente infiltrada, mas por ela não havia problema. Ela preferia mesmo o estilo duro da imposição da lei, que era exatamente o que estava a exercer, naquela tarde de 35 C em Las Vegas, ao avançar em direção ao Hospital de St. Cosmas com a sua roupa preferida e seguida por uma dúzia de agentes vestidos da mesma maneira. Enquanto os outros agentes se espalhavam pelo edifício para bloquear todas as saídas, Kate passou de rompante pelos seguranças no átrio e dirigiu-se, como um míssil teleguiado, ao gabinete de Rufus Stott, administrador-chefe do hospital, no primeiro andar. Passou pela aturdida assistente de Stott, sem sequer dar pela sua presença, e irrompeu pelo escritório adentro. Um Stott estarrecido guinchou e quase caiu da sua cadeira ergonómica de pele e cromados. Era um tipo pequeno e rechonchudo, como se uma qualquer feiticeira aborrecida tivesse pegado num nabo e, tocando-lhe com a sua varinha mágica, o tivesse transformado num engravatado de 55 anos. Tinha um bronzeado artificial, óculos de tartaruga e rugas brancas nos sulcos do bronzeado. As mãos estavam sobre o coração e ele tentava recuperar o fôlego. 9

3 Janet Evanovich com Lee Goldberg Não dispare conseguiu dizer, finalmente. Não vou disparar respondeu Kate. Nem sequer saquei da arma. Precisa de água ou outra coisa qualquer? Sente- -se bem? Não, não me sinto bem disse Stott. Acabou de me pregar um susto de morte. Quem é você? O que quer? Sou a agente especial Kate O Hare, do FBI. Pespegou uma folha de papel em cima da secretária dele. E isto é um mandado de busca que nos dá acesso total à ala privada. Não temos uma ala privada disse Stott. Kate inclinou-se sobre ele e olhou-o com o azul intenso dos seus olhos. Seis pacientes obscenamente ricos e desesperados chegaram cá hoje de avião, vindos de todo o país. Foram trazidos em limusinas do aeroporto McCarran para aqui. Depois de chegarem à sua ala privada, cada um deles depositou um milhão de dólares na conta offshore do Hospital St. Cosmas e, imediatamente, passaram para o topo da lista de espera para transplante de órgãos. Só pode estar a brincar respondeu Stott. Não temos contas offshore e certamente não temos dinheiro para alugar limusinas. Estamos à beira da falência. É por isso que anda a fazer transplantes fora dos circuitos legais, usando órgãos que compra ilegalmente no mercado negro. Sabemos que estes pacientes estão cá e se encontram neste momento a ser preparados para cirurgia. Se for preciso, vamos isolar este edifício e revistar cada quarto e cada arrecadação de alto a baixo. Faça favor disse Stott, devolvendo-lhe o mandado de busca. Não andamos aqui a fazer transplantes nenhuns nem temos nenhuma ala privada. Nem sequer temos loja de recordações. 10

4 o golpe Stott já não parecia assustado nem parecia estar a mentir. Não era bom sinal, pensou Kate. Ele devia estar com suores frios. E devia estar a telefonar ao seu advogado. Dezoito horas antes, Kate estava sentada à sua secretária, em Los Angeles, a analisar informação dispersa sobre um criminoso procurado, quando encontrou referências a um hospital de Las Vegas, com dificuldades financeiras, que estava a oferecer transplantes de órgãos pela oferta mais alta. Pesquisou melhor e descobriu que os pacientes já se encontravam em trânsito para Las Vegas, para se submeterem às respetivas cirurgias, pelo que largou tudo e organizou uma operação policial de emergência. Veja isto disse ela, mostrando a Stott uma fotografia que tinha no iphone. Tratava-se de um homem aproximadamente da mesma idade que ela, que envergava um polo largo e desbotado por anos de uso. O cabelo castanho estava despenteado. O rosto iluminava-se-lhe com uma expressão infantil que reforçava as linhas de riso no canto dos olhos castanhos. Conhece este homem? perguntou. Claro que conheço respondeu Stott. É o Cliff Clavin, o engenheiro que está a tratar da remoção do amianto do nosso antigo edifício. Kate sentiu uma dor surda no estômago, e não era por causa da sandes de ovo e salsicha que tinha comido ao pequeno-almoço. O estômago, liso e tonificado apesar dos seus péssimos hábitos alimentares, era a parte do corpo onde as suas ansiedades e instintos se manifestavam, comunicando com ela através de uma linguagem de cãibras, dores, pontadas e mal-estar geral. Cliff Clavin é uma das personagens da série Cheers retorquiu ela. Pois é, que coincidência incrível, não? Qual é o edifício antigo de que fala? 11

5 Janet Evanovich com Lee Goldberg Stott virou-se para a janela e apontou para um prédio de cinco andares do outro lado do parque de estacionamento. É aquele. O prédio era uma obra arquitetónica dos inovadores anos 60, com os seus pormenores em rocha de lava, grandes janelas de vidros fumados e uma porta de entrada encimada por cascalho branco. Aquele era o hospital original disse Stott. Saímos de lá há um ano. Construímos este novo para responder à procura de camas que prevíamos, erradamente... Kate já não estava a ouvir. Correu imediatamente para a saída. Assim que viu o outro edifício, percebeu logo como é que ela e os seis pacientes ricos tinham sido enganados. O homem que estava na fotografia do iphone não era Cliff Clavin e não era engenheiro. Era Nicolas Fox, o homem que ela procurava quando se deparou com o esquema de transplante de órgãos. Fox era um golpista e ladrão internacionalmente procurado, conhecido pela extrema audácia dos seus golpes de alto risco e pelo óbvio prazer que deles retirava. Por maiores que fossem os seus feitos, e já contava com alguns bem grandes, voltava sempre com outros novos. Kate assumira como sua missão no FBI conseguir apanhá- -lo. Dois anos antes, tinha estado perto disso, quando descobriu que Nick tinha um plano para esvaziar de todo o dinheiro e joias a penthouse de um prédio de 20 andares em Chicago, pertencente a um investidor imobiliário, enquanto o próprio, que se autointitulava «Rei das Aquisições Hostis», se casava na sala de estar. Era uma ideia arrojada, com a marca Nick Fox. Para a pôr em prática, ele conseguiu, de alguma maneira, que o contratassem como organizador do casamento e levou consigo um grupo de delinquentes que se fizeram passar por empregados. Quando Kate irrompeu pelo casamento adentro com uma 12

6 o golpe equipa de intervenção, o grupo de Nick dispersou como um monte de baratas que fogem quando as luzes se acendem, e Nick saltou de para-quedas do topo do edifício. Vieram helicópteros, fecharam-se ruas, montaram-se bloqueios de estrada e revistaram-se prédios, mas Nick tinha desaparecido. Quando, ao cair da noite, Kate chegou finalmente ao quarto de hotel, tinha à sua espera um ramo de rosas e uma garrafa de champanhe. Cortesia de Nick. Mas a cobrar na sua conta, claro. Durante todo o tempo em que Kate estivera a persegui-lo, Nick estivera a relaxar no quarto dela, a ver filmes no videoclube da televisão, a usar o serviço de quarto e até a servir-se dos Toblerones em miniatura que ela tinha no minibar. Quando saiu, roubou inclusivamente as toalhas da casa de banho. Este filho da mãe anda a divertir-se demasiado às minhas custas pensou Kate, enquanto atravessava que nem uma flecha o átrio do hospital, perante o olhar espantado de dois agentes, e saía para a rua em direção ao outro lado do parque de estacionamento. Quando chegou à vedação de arame farpado que rodeava o edifício do hospital, já transpirava e sentia o seu coração a bater com tanta força que quase conseguia ouvi-lo. Sacou da arma e aproximou-se lentamente da porta da entrada. Já mais perto, viu uma carpete vermelha no chão e uma placa, escondida pelas sombras do nicho por baixo do pórtico, que dizia: Bem-vindo à ala privada do Centro Médico de St. Cosmas. Pedimos desculpa pela poeira, mas estamos a remodelar para lhe proporcionar mais privacidade, luxo e tecnologia de ponta em saúde. Colando-se às paredes de rocha de lava, aproximou-se mais da porta, abriu-a de rompante e saltou para o espaço aberto, em posição de disparar. Mas não havia ninguém a quem apontar. 13

7 Janet Evanovich com Lee Goldberg Kate deparou-se com uma sala preenchida por mobiliário contemporâneo em pele, chão em travertino e plantas luxuriantes. Na parede por trás da receção vazia havia fotografias das equipas de cirurgia. Kate reconheceu imediatamente duas das caras. Uma pertencia a Nick Fox, que tinha um estetoscópio à volta do pescoço e respirava força e confiança médicas. A outra era ela, com um sorriso apalermado no rosto. A imagem tinha sido recortada e trabalhada em Photoshop, a partir das fotografias da despedida de solteira da sua irmã Megan, que tinham sido tiradas há uns anos e agora constavam na sua página de Facebook. Em letras de bronze estava escrito por baixo da fotografia de Nick, «Dr. William Scholl», e, por baixo da dela, «Dra. Eunice Huffnagle». Muito bem, e onde andava agora a equipa cirúrgica?, perguntou a si própria. E os seis pacientes milionários que tinham vindo de trás do sol-posto para fazer um transplante de órgãos? Dirigiu-se às portas duplas que se viam de um dos lados da receção. Abriu-as e entrou numa sala, pronta a disparar. Mas, mais uma vez, não havia ninguém. Mesmo à sua frente, viu mais três conjuntos de portas duplas. Uma dizia «Sala de Operações N. 1», a outra a seguir, «Pós-Operatório N. 1», e a terceira, «Pré-Operatório». À esquerda havia um elevador, e à direita umas escadas. Kate abriu a porta da sala de operações e encontrou uma sala totalmente equipada para cirurgias, cujo design parecia o de uma loja da Apple. Era tudo branco e elegante. Todo o equipamento brilhava tanto como carros novos numa feira automóvel. Fechou a porta e espreitou para a sala do pós-operatório. Havia a típica cama hospitalar, o suporte vertical para os medicamentos e os habituais aparelhos de monitorização, mas as semelhanças com qualquer outro hospital terminavam aí. O quarto estava magnificamente decorado com mobília francesa, 14

8 o golpe prateleiras decoradas com livros de lombadas de pele, um ecrã plano de televisão e um bar cheio de bebidas espirituosas. Ele é esperto, pensou Kate. Apresentar-se como uma empresa de remoção de amianto era o disfarce ideal para o esquema de Nick. Não só garantia que ninguém se aproximaria do antigo edifício do hospital, como Nick e o seu grupo poderiam criar à vontade o cenário e a encenação para o golpe. Por fim, entrou na área do pré-operatório. A porta abriu- -se para um longo corredor, com um balcão de enfermagem abandonado e várias divisórias fechadas com cortinas. Com cuidado, afastou a primeira cortina. Um homem de meia- -idade, inconsciente, estava deitado numa maca, com uma bata do hospital vestida e ligado por um tubo a um medicamento pendurado no suporte vertical. Kate verificou-lhe o pulso, que estava forte. Atravessou o corredor, abrindo as cortinas à medida que passava. Os seis homens que tinham chegado nesse dia ao aeroporto estavam ali, todos eles profundamente adormecidos e, segundo julgava, um milhão de dólares mais pobres. As janelas do edifício vibraram e ela ouviu o som inconfundível das pás de um helicóptero. Ocorreu-lhe de imediato que Nick Fox estava no telhado. Outra vez! Correu em direção às escadas e subiu os quatro andares o mais rápido que conseguiu, o que foi espantosamente depressa, para uma mulher cujos jantares constavam normalmente de frango assado, hambúrgueres, pizzas e batatas fritas. Entrou de rompante no telhado, pronta a disparar, e viu um helicóptero pousado, dos «Passeios Aéreos Las Vegas», com a porta lateral aberta e vários «médicos» e «enfermeiras» no interior. Nick Fox não estava entre eles. Estava descontraidamente parado a meio caminho entre ela e o helicóptero, de mãos nos bolsos, com o vento provocado pelas pás a despentear-lhe o cabelo e a fazer esvoaçar a bata de médico que tinha vestida como se fosse a capa de um super-herói. 15

9 Janet Evanovich com Lee Goldberg Kate tinha imaginado o homem dos seus sonhos aos doze anos de idade e mantivera-se fiel a essa imagem. Esse homem de sonho tinha cabelo castanho macio, olhos castanhos e inteligentes e uma expressão infantil. Media 1,85 m e exibia um corpo magro e ágil. Era esperto, divertido e sexy. Por isso, era com uma terrível noção de ironia que, ao longo dos últimos dois anos, Kate se tinha apercebido de que Nick Fox era a personificação viva desse homem de sonho. Dr. Scholl? gritou ela, por cima do barulho das pás do helicóptero. A sério? É um nome muito respeitado na medicina gritou ele em resposta. Fico satisfeito por ver que usas os seus produtos para pés sensíveis. Nick sabia que ela usava as palmilhas Dr. Scholl dentro dos ténis Nike pretos. Era uma das muitas coisas que ele tinha ficado a saber sobre ela nos últimos dois anos. A maior parte dessas revelações intrigava-o. Algumas outras assustavam-no. Esse medo advinha de uma atração física que sentia por Kate e que não conseguia explicar. Ela tinha cabelo castanho apanhado num rabo-de-cavalo, e a pele, lisa, apresentava um ligeiro brilho de suor, devido à corrida pelas escadas acima e pelo parque de estacionamento. Era sexy, mas ele desconfiava que a fantasia que aquele brilho lhe inspirava era melhor do que a realidade. Ela só pensava no trabalho. Provavelmente, deitava-se com o colete à prova de bala. Fim de história. E, no entanto, ele gostava de brincar com ela. Gostava dos seus grandes olhos azuis, do seu nariz pequeno e engraçado, do seu corpo atlético e da sua inabalável determinação em transformar o mundo num sítio mais cumpridor da lei. Isso tornava muito mais interessante a sua própria dedicação ao mundo do crime. Estás preso! gritou ela. Como é que chegaste a essa conclusão? Porque a minha arma está apontada a ti e eu tenho uma pontaria perfeita. 16

10 o golpe Kate deu mais um passo em direção a ele. Ele recuou, também um passo. De certeza que tens, mas não vais disparar contra mim. Na verdade, nem sei porque é que não te abati já. Outro passo em direção a ele. Ainda estás chateada por causa dos Toblerones? Ele voltou a recuar. Se deres mais um passo, disparo. Não podes. Consigo acertar nos testículos de uma águia a cem metros. As águias não têm testículos. As minhas metáforas podem ser más, mas a pontaria é excelente. Não podes disparar porque eu estou desarmado e não represento nenhuma ameaça física. Mas posso disparar contra o helicóptero. E arriscas-te a que ele caia em cima de um hospital cheio de crianças? Não me parece. Não há crianças no hospital. A questão não é essa. Nick olhou de relance para o parque de estacionamento lá em baixo e viu uma série de agentes do FBI a correr em direção ao edifício. Voltou a olhar para Kate, que avançou mais dois passos. Foi bom voltar a ver-te, Kate. Para ti, é agente especial O Hare. E não vais a lado nenhum. Ele sorriu e correu para o helicóptero. Bolas! Ela guardou a arma e foi atrás dele. Mesmo depois de subir a correr quatro andares de escadas, ainda conseguia ser mais veloz do que ele, facto que lhe agradava. Estava a aproximar-se rapidamente e tinha quase a certeza de que iria conseguir apanhá-lo antes de ele chegar ao helicóptero. 17

11 Janet Evanovich com Lee Goldberg Aparentemente, o piloto e a equipa de Nick pensavam o mesmo, pois, de repente, o helicóptero levantou voo sobre o edifício, deixando o seu líder para trás. Nick aumentou a velocidade da corrida como se o telhado ainda se prolongasse por mais umas centenas de metros, em vez dos poucos que faltavam para acabar. Com um horror crescente, Kate apercebeu-se do que ele tencionava fazer. Ia saltar. E, desta vez, não tinha para-quedas. Não! gritou, atirando-se a ele, na esperança de o apanhar antes que ele cometesse um erro fatal. Tarde demais. Falhou por centímetros e caiu no cimento, enquanto Nick saltava em direção ao helicóptero suspenso. O coração parou- -lhe por momentos enquanto ele estava no ar e voltou a bater quando ele se agarrou ao trem de aterragem. Segurou-se com uma mão, e com a outra mandou-lhe um beijo. Depois disso, o helicóptero desapareceu em direção à faixa luminosa de Las Vegas. Passados alguns segundos, Kate estava agarrada ao rádio, tentando pôr um helicóptero da polícia no ar e viaturas nas estradas, para a perseguição a Nick. Sabia que era inútil, mas ainda assim seguiu os trâmites. Havia meia dúzia de helicópteros iguais ao dos «Passeios Aéreos Las Vegas» no espaço aéreo por cima de Las Vegas e, embora apenas um deles tivesse um homem pendurado no trem de aterragem, quando Kate conseguisse passar a palavra, o helicóptero de Nick já teria desaparecido. Também não ajudava muito que, no meio daquela confusão, ela não tivesse conseguido ver o número de cauda, para que os controladores aéreos pudessem localizá-lo. Não é que importasse muito. Aquele helicóptero não pertencia certamente àquela empresa. Só tinha sido pintado para parecer que sim. Kate saiu diretamente do hospital para o quarto que alugara no Circus Circus, o hotel mais barato que tinha encontrado na zona. Aproximou-se silenciosamente da porta, com a 18

12 o golpe mão na arma que tinha à cintura. Passou o cartão na ranhura e abriu devagar a porta, na esperança de que Nick tivesse sido suficientemente arrogante para fazer duas vezes a mesma graça e esperando apanhá-lo em flagrante. Não teve essa sorte. O quarto estava vazio e tinha o cheiro fresco de uma piscina com cloro. Sentou-se na beira da cama e suspirou. Não tinha sido o seu melhor dia. E sabia que tinha sido parva em deixá-lo escapar, em vez de arranjar uma desculpa para o alvejar. E tinha muitas, sendo a última delas a fotografia da «Dra. Eunice Huffnagle», que conseguira tirar da parede antes que alguém a visse. Olhou sorumbática para a sua imagem no espelho e começou a despir o colete à prova de bala. Foi então que reparou. Primeiro, não quis acreditar e teve de olhar por cima do ombro para se certificar, mas ele lá estava: um Toblerone em cima da almofada. 19

13 Dois Seis meses depois... Quando uma pessoa normal acumula demasiada tralha e esta deixa de lhe caber em casa, aluga um contentor, mete tudo lá dentro, põe-lhe um cadeado barato e começa imediatamente a comprar mais tralha. Mas, se for alguém com a idade e o dinheiro de Roland Larsen Kibbee, constrói um museu para guardar tudo, grava o seu nome em mármore no cimo da porta de entrada e cobra bilhete a quem quiser admirar a tralha e, por inerência, o seu proprietário. Abrir um museu não tem só a vantagem de libertar a mansão de tralha, tem a vantagem adicional de ser um enorme símbolo de estatuto, difícil de igualar, mesmo numa época em que os bilionários se entretêm a mandar foguetões para o espaço. A coleção de pintura, escultura e joias de Roland fora adquirida com a fortuna que fez comprando quintas falidas na Califórnia, de onde expulsou os donos e onde fez a colheita das suas culturas com a mão-de-obra mais barata possível, tornando-se assim num dos maiores empregadores de imigrantes ilegais daquele estado e um pilar da economia do México. Mas, claro está, não abriu o seu museu no México. A coleção de arte Roland Larsen Kibbee ficou estabelecida em São Francisco, numa enorme mansão de Pacific Heights, construída segundo o modelo de um castelo francês. A forma de fazer negócio de Roland colidia com os ideais sociais da sua curadora de 26 anos, Clarissa Hart. A sua licenciatura em Belas-Artes não lhe dava emprego, e ela tinha um empréstimo universitário de dólares para pagar, mas passar mais um dia que fosse em casa dos pais poderia 21

14 Janet Evanovich com Lee Goldberg levá-la a sufocá-los com uma almofada durante o sono. Por isso, engoliu os seus ideais e aceitou o ordenado mensal que Roland lhe pagava. Além disso, ainda que o Kibbee não fosse o Guggenheim nem o Getty, e as obras de arte, maioritariamente de nus, fizessem Clarissa sentir-se a anfitriã de uma Mansão da Playboy, mesmo assim ela tinha prazer no facto de ser uma verdadeira curadora de museu. A coleção de pintura e objetos artísticos estava exposta em corredores e salas pessoais, para que os visitantes se sentissem como convidados em casa de Roland, embora o magnata de 85 anos que se dedicava aos negócios agrícolas nunca ali tivesse vivido. Morava em Palm Beach, na Florida, com uma stripper de 22 anos chamada LaRhonda, que estava à espera de que ele morresse. Depois de ele exalar o seu último suspiro, ela tencionava apoderar-se do Pingente Carmim, um diamante raro vermelho de dois quilates que constituía a última aquisição de Roland. O Pingente era também a grande oportunidade de Roland para reforçar o seu prestígio e, por isso, antecipando a noite da apresentação do Pingente Carmim no museu, polia-se o chão de mármore, restauravam-se os painéis das paredes e substituíam-se os cadeirões de cabedal por modelos mais recentes. Clarissa estava a fazer uma visita guiada ao inspetor Norman Peterson, que aparecera para falar com ela sobre o controlo de tráfego durante o período da exposição e para se certificar de que o museu tinha tomado as medidas de segurança adequadas para proteger o diamante. Passei aqui de carro milhares de vezes e nunca reparei que havia um museu disse Peterson, coçando o bigode que mais parecia uma centopeia adormecida por baixo do seu nariz largo. Usava o distintivo numa fita pendurada ao pescoço, no que parecia a Clarissa uma tentativa mal sucedida de disfarçar a grande barriga e a nódoa que tinha na gravata. Dava-lhe 22

15 o golpe trinta e tal anos, se bem que achava que ele não chegaria aos quarenta, se não alterasse os seus hábitos alimentares. Tinha acertado na idade mas falhado em tudo o resto. O inspetor Peterson era, na verdade, Nick Fox, com o corpo almofadado para parecer gordo e o rosto disfarçado pela hábil aplicação de próteses e maquilhagem. Somos um museu boutique respondeu Clarissa, enquanto contornavam a equipa que colocava os móveis novos no lugar. Isso quer dizer o quê? Ela podia ter respondido que queria dizer que era um museu mais pequeno, mais íntimo e mais cuidadosamente gerido do que os museus maiores, mas algo nele e na sua absoluta falta de pretensão fê-la mudar de ideias. Quer dizer que as pessoas passam por aqui milhares de vezes e nunca reparam em nós. Isso é uma pena, porque há aqui peças bastante boas. Nick parou a olhar para uma estátua de mármore em tamanho real, com 500 anos, de uma mulher nua sentada num tronco de árvore e apertando o seio esquerdo. É estranho que não tenha trazido uma almofada ou uma manta, para se sentar. Ela não tinha esse tipo de preocupações. Bem, ninguém quer espetar uma lasca de madeira no rabo, pois não? Quem era ela? Afrodite respondeu Clarissa. Não conheço disse Nick. Mas repare que está a falar com um tipo que entra num Museu de Cera e não reconhece metade das pessoas supostamente famosas que lá estão. Clarissa olhou-o de relance, para confirmar se ele estava ou não a gozá-la, mas pareceu-lhe sincero. Ela nunca tinha visitado um Museu de Cera, mas sabia que provavelmente teria mais visitantes num dia do que o Kibbee num mês. 23

16 Janet Evanovich com Lee Goldberg Era a deusa grega do amor, inspetor. A história da sua origem é interessante. O jovem e invejoso Titã Cronos queria destronar o seu pai, Úrano, deus do Universo. Então, cortou os genitais do pai com uma foice e atirou-os ao mar, e nesse mesmo local surgiu Afrodite, no meio da espuma das ondas. E ela é a deusa do amor? perguntou Nick. Isso é brutal. Podemos dizer que é esse o tema por detrás de todas as peças da coleção do Museu Kibbee respondeu Clarissa, embora ela própria duvidasse que houvesse qualquer tema por detrás das aquisições artísticas de Roland ou das suas mulheres, para além de uma fixação óbvia por seios. O lado negro do amor. E também temos o esplendor do Pingente Carmim. Pensava que o tema desse era valer um infinitilião de dólares. Vale perto de 15 milhões. É um diamante raro, mas, como peça de arte, o seu valor advém da sua história. Levou-o até à sala onde o Pingente Carmim estava exposto, ao centro, numa caixa de vidro, em cima de um pedestal de mármore trabalhado. É conhecido por todo o amor, morte e tristeza que sempre o rodeou. Nick conhecia bem a história do diamante. Fora descoberto por dois jovens naturalistas britânicos, em 1912, quando atravessavam a África do Sul. O casal estava muito apaixonado e queria usar o diamante para um anel de noivado, mas, assim que se soube da sua descoberta, foi abordado por ladrões armados de catanas e o diamante foi roubado. A pedra acabou por ir parar à Rússia, onde foi utilizada num colar que o czar Nicolau Romanov ofereceu à sua esposa, Alexandra. Mais tarde, esta passou-o à sua filha Anastácia, que o usava debaixo do vestido, juntamente com outras joias de família, quando toda a família foi executada em julho de

17 o golpe As joias, pilhadas do cadáver de Anastácia e dos outros membros da família e seus criados, foram vendidas e revendidas, e o colar não voltou a aparecer, até ao dia 3 de novembro de 1929, altura em que o banqueiro Dick Epperson e a sua esposa Dollie, completamente falidos devido ao crash da Bolsa no mês anterior, vestiram a sua melhor roupa, deram um último beijo e saltaram de mãos dadas da varanda do seu apartamento na Park Avenue. O colar com o Pingente Carmim estava ao pescoço de Dollie. Nunca ninguém descobriu como é que lhe tinha ido parar às mãos, mas os seus herdeiros depressa o venderam para saldar algumas dívidas. Outros donos e outras tragédias se seguiram nas décadas subsequentes, sem que se fizesse história, até que, diz a lenda, terá sido adquirido por um admirador secreto que o ofereceu a Marilyn Monroe, pouco antes da sua morte, em O diamante não voltou a ser visto até há pouco tempo, quando Victoria Burrows, herdeira de uma companhia de petróleo, morreu aos 87 anos na sua mansão de Santa Bárbara, da qual não voltara a sair desde a morte do marido, em «O Roland Larson Kibbee apoderou-se do diamante aquando da venda da propriedade dos Burrows, e agora é a minha vez de o tirar ao Kibbee», pensou Nick. Dizem que o diamante está amaldiçoado continuou Clarissa. Principalmente quando se trata de apaixonados. Seja como for, podem querer roubá-lo. O que é que os pode impedir? Um sistema de alarme ultrassofisticado, campos magnéticos em volta das portas e janelas e, nesta sala, só para começar, detetores de movimento e de calor e meia dúzia de câmaras sem fios respondeu. E há de reparar que a sala não tem portas nem janelas. Claro que reparei disse Nick, olhando em volta. Sou um polícia treinado. E ladrão. 25

18 Janet Evanovich com Lee Goldberg Pode dizer-se que esta sala é, na verdade, um cofre aberto e bem decorado. Só há uma entrada, que é essa arcada por onde acabámos de passar. Se algum dos sistemas de segurança for ativado, fecha-se uma porta oculta, com 60 cm de espessura e em aço reforçado, que isola o pretenso ladrão e envia um alerta instantâneo diretamente para a sua esquadra. Quando tempo pensa que poderá demorar a chegar aqui, depois de o alarme soar? Mas o tipo fica isolado, certo? Praticamente enterrado vivo. A porta foi concebida para aguentar explosivos e horas de assalto concentrado com maçaricos ou berbequins. Então, qual é a pressa? Nick deu um risinho. Talvez pare no Starbucks quando vier a caminho, só para deixar o tipo à rasca. Partindo do princípio de que ele não foi esborrachado por meia tonelada de aço, antes mesmo de ter entrado na sala. Nesse caso, ainda há menos razões para nos preocuparmos disse Nick. Diga-me lá qual é o seu café preferido, que eu também lhe trago um, se viermos a encontrar-nos nessa situação. Café doce com canela, por favor. Clarissa sorriu. O tipo não tinha grande figura, mas tinha charme. Quer ver o resto do museu? Há mais mulheres nuas? Há respondeu ela. Então, vamos lá ver isso. Isto é um pouco estranho disse ela, mas havia um Norm Peterson na série Cheers. Mera coincidência respondeu Nick. *** 26

19 o golpe Às 21h52 dessa noite, quem estivesse no interior do Museu Kibbee teria oportunidade de ver uma cena surpreendente. Infelizmente, os dois vigilantes, que estavam numa sala a olhar com pouca atenção para as câmaras, não conseguiam vê-la. Durante a tarde, um conjunto de cadeirão e sofá em cabedal tinha sido colocado no átrio que dava acesso à sala onde estava exposto o Pingente Carmim. Nessa sala havia câmaras apontadas para o cadeirão e para o sofá, mas um dos lados de cada uma das peças estava fora do ângulo de visão, e foi exatamente por aí que o cabedal começou a soltar-se, revelando dois homens. Um deles tinha estado numa posição enrolada dentro do cadeirão. O outro estivera deitado dentro do sofá. Ambos estavam completamente cobertos, da cabeça aos pés, por um fato verde colado ao corpo. Se o Homem-Aranha fosse completamente verde, não disparasse teias dos pulsos e tivesse plena consciência do contorno bastante exposto das suas partes íntimas, seria igual a estes homens. O Homem Cadeirão levantou-se e tirou um lençol verde dobrado e uma pequena mochila verde de dentro do cadeirão. O Homem Sofá levantou-se e tirou duas pranchas finas e embrulhadas em tecido verde de dentro do sofá. As pranchas leves e do tamanho dos homens tinham pegas na parte de trás, para que eles pudessem segurá-las como se fossem escudos. Nesse momento, um dos dois vigilantes olhou para o monitor da câmara daquela sala e não viu nada de invulgar. O Homem Cadeirão, o Homem Sofá, o contorno das suas partes íntimas e as coisas que transportavam eram absolutamente invisíveis para a câmara. O Homem Cadeirão abriu a mochila, acocorou-se diante da arcada, pegou num spray verde e descarregou-o nas paredes, onde sabia que estavam escondidos os sensores de movimento e de calor. Ambos esperaram que a nuvem se dissipasse 27

20 Janet Evanovich com Lee Goldberg e, depois, o Homem Sofá deu um dos escudos ao Homem Cadeirão. Os dois homens verdes, protegidos pelos escudos virados para as paredes, entraram na arcada e, ao chegarem à entrada da sala, desdobraram as pernas das pranchas e montaram-nas. A porta de aço com meia tonelada, escondida por cima das suas cabeças, não desceu de repente, por isso entraram e dirigiram a sua atenção para o expositor do Pingente Carmim. Não havia canto nenhum da sala que não fosse coberto pelas muitas câmaras escondidas, mas, ainda assim, nenhuma delas captou os dois homens e o que carregavam. O Homem Cadeirão pousou a mochila e o lençol verdes no chão, em frente ao pedestal que exibia o Pingente. Pegou num dos lados do lençol enquanto o Homem Sofá pegava no outro. Levantaram-no ao mesmo tempo, muito devagar, e deixaram- -no cair com cuidado sobre o pedestal. O Homem Cadeirão esgueirou-se para baixo do lençol com uma ferramenta de cortar vidro e começou a cortar a caixa de vidro que protegia o diamante. Quando o corte não passava ainda de um pequeno arranhão, quase invisível a olho nu, um alarme disparou e a porta de aço caiu com estrondo, fazendo abanar todo o edifício como um terramoto e fechando os dois homens no interior da sala. 28

21 Três Nick Fox, no seu disfarce de inspetor Norman Peterson, chegou vinte minutos depois de o alarme ter disparado, com dois copos de café do Starbucks, um dos quais estendeu a Clarissa Hart. Esta esperava-o ansiosamente junto da porta de aço, acompanhada pelos dois vigilantes que controlavam as câmaras. Um café doce com canela, como prometido, embora eu não esperasse vir a encontrar-me nesta situação. Apontou com a cabeça para o homem jovem e esguio, de casaco de bombazina, que tinha chegado com ele. É o meu colega, o inspetor Ed Brown. Brown acenou com a cabeça. Aquele não era o seu verdadeiro nome, claro. Nem Nick sabia qual era. De cada vez que trabalhara com «Brown», ele tinha um nome e um aspeto diferentes. O que é que fez disparar o alarme? perguntou Nick, dando um gole no café e parecendo não ter pressa nenhuma em prender os ladrões fechados do outro lado da porta de aço. Há um sensor que monitoriza a pressão do ar dentro da caixa de vidro que contém o Pingente Carmim. Dispara no momento em que o vidro abra qualquer brecha. Mas há aqui uma coisa que não faz sentido, inspetor disse Clarissa, com o iphone na mão. Esta é a imagem de uma das câmaras de segurança. Como pode ver, não há ninguém dentro da sala, mas também não há nenhuma maneira de sair dali, e 29

22 Janet Evanovich com Lee Goldberg a imagem é em direto. Consegue ver-se a porta de aço ali na arcada. Mas não se veem bocados disto respondeu Nick, apontando para os pedaços de esferovite verde espalhados pelo chão, provenientes de qualquer coisa que tinha sido esmagada pela porta de aço. Clarissa olhou fixamente para o iphone e depois para Nick. Tem razão. Quer dizer que esta imagem não é em direto? É em direto, é. Então não percebo. Conhece a história do Harry Potter? perguntou Nick. Claro que sim. Então lembra-se do Manto de Invisibilidade disse ele, dando outro gole no café, que o deixou com espuma no bigode. Ela sorriu. Ah, acha que o ladrão é um feiticeiro? Não, mas trabalhava para um, que já fugiu há muito e que comandou todo o espetáculo a partir de uma falsa carrinha da companhia dos telefones que estava estacionada aqui na rua. E como é que sabe isso? Passámos por ela, quando vínhamos para aqui. Nick tirou a espuma do bigode com um dedo e limpou o dedo às calças. Sim, mas como sabe que era falsa? Não sabia, mas sei-o agora, por causa disto respondeu, empurrando um dos bocados de esferovite com o pé. Isto é esferovite verde envolvida em poliéster. É como tu e o teu fato disse Brown, com uma risada, olhando de relance para Clarissa para ver se conseguira ganhar pontos com ela. Com ela, não, mas com os dois vigilantes, sim, o que não lhe servia de consolo. 30

23 o golpe Mas qual é a importância do poliéster? perguntou Clarissa. O poliéster tem uma condutividade térmica muito baixa disse Nick. Clarissa acenou com a cabeça, para mostrar que tinha compreendido. Então o ladrão usou a prancha envolvida em poliéster para que os sensores de calor não o detetassem ao entrar na sala. Isso mesmo. Nick tocou com o seu copo de café no dela e ela correspondeu ao brinde, enquanto Brown fazia uma careta. Clarissa olhou para o inspetor como se estivesse a vê-lo pela primeira vez. Fisicamente, não era agradável, e, depois de ter precisado de lhe explicar quem era Afrodite, tinha-o descartado como um pateta inculto, apesar de simpático. Agora percebia que o tinha julgado muito mal. Aquele tipo não era pateta nenhum. Era perspicaz e sentia-se bem consigo próprio. Quanto mais ele falava, mais ela gostava dele. Acho que me está a escapar qualquer coisa, inspetor retomou ela. O que é que isto tudo tem que ver com o facto de não conseguirmos ver o ladrão dentro da sala? Ele está verde respondeu Nick. Mas olha que para principiante não está nada mal comentou Brown. Ed, eu quis dizer que ele está vestido de verde. A mesma cor destes escudos térmicos, o que nos leva de volta ao Harry Potter e ao seu Manto de Invisibilidade. É um efeito especial do cinema. O feiticeiro por trás deste crime usou a mesma técnica que Hollywood usa para colocar atores em mundos alienígenas que não existem ou no interior do cockpit de jatos que parecem estar no ar. Os atores representam diante de um ecrã verde e depois utiliza-se um computador para substituir esse ecrã por outra imagem qualquer, seja parada ou em movimento. Mas o nosso feiticeiro fez o contrário. 31

24 Janet Evanovich com Lee Goldberg Pôs o ladrão e o seu material em verde disse Clarissa, percebendo finalmente. O feiticeiro, sentado com um portátil dentro da falsa carrinha dos telefones, penetrou no nosso sistema de câmaras e substituiu o ladrão e tudo o que fosse verde por imagens daquilo que lá estava anteriormente, tornando-os invisíveis. Nick assentiu com a cabeça. Nessa altura, o ladrão colocou um Manto de Invisibilidade por cima do pedestal do Pingente Carmim, para poder roubá-lo sem ser visto. Como é que ele fez isso? perguntou Brown. Tapou-o com um lençol verde, e o feiticeiro preparou uma imagem parada do pedestal do Carmim e colocou-a por cima do lençol respondeu Nick. Assim, tudo o que os vigilantes viam era uma sala vazia e o diamante em segurança no interior da sua caixa. Isso é brilhante exclamou Clarissa. Esse feiticeiro é um génio. Não passa de um falhado total desdenhou Brown. Está a esquecer-se de que nós estamos aqui fora e o ladrão está ali dentro com o diamante; logo, o plano falhou. Mas esteve muito perto de o concretizar disse ela. Tem de lhe dar crédito por isso. Nick concordou. Um tipo assim tão esperto de certeza que anda nisto há algum tempo. Talvez o FBI tenha ideia de quem ele é, isto partindo do princípio de que o ladrão não fará a gentileza de nos dizer quem ele é. E, a propósito, talvez esteja na hora de conhecermos o nosso visitante. Pode subir a cortina, por favor, Miss Hart? Clarissa dirigiu-se a um quadro pendurado na parede e chegou-o para o lado, de modo a revelar um teclado escondido. Nick olhou para os vigilantes. Vocês os dois mantenham-se afastados e com as armas guardadas. Não queremos acidentes. 32

25 o golpe Nick pousou o café e sacou da sua arma. Ele e Brown puseram-se em posição de disparar, de frente para a porta de aço. Clarissa marcou um código no teclado. A pesada porta ergueu-se e revelou dois homens macambúzios, em fatos verdes justos, sentados no chão e com as cabeças entre as mãos. O lençol verde estava enrolado junto à base do pedestal. O Pingente Carmim brilhava incólume, dentro da sua caixa de vidro. Polícia! disse Nick. Estão presos. Demoraram imenso tempo disse o Homem Cadeirão. Íamos sufocando aqui. Algema-os e lê-lhes os seus direitos, Ed disse Nick, atirando-lhe as algemas. Clarissa olhou para Nick com uma admiração indisfarçável. Era como um Columbo da vida real, mas bastante mais novo e sem o olho de vidro. É solteiro, inspetor? perguntou ela. Infelizmente, sim respondeu ele. Pelo contrário disse ela, enfiando-lhe o seu cartão no bolso de trás das calças e dando-lhe uma palmadinha nas costas. *** O carro da polícia acelerava pela avenida abaixo com a sirene ligada. O nevoeiro espalhava-se pela cidade, vindo da baía, e os faróis do carro esforçavam-se para o dissipar. Brown conduzia e Nick ia sentado ao seu lado, com a mochila verde ao colo. O Homem Cadeirão e o Homem Sofá seguiam atrás, algemados. Tinhas mesmo de tagarelar tanto, durante tanto tempo? perguntou o Homem Sofá. Estava a vender o meu peixe respondeu Nick. O elaborado crime tinha ocorrido exatamente como ele o descrevera a Clarissa, com a diferença de que o feiticeiro por 33

26 Janet Evanovich com Lee Goldberg trás do truque das câmaras, sentado na falsa carrinha da companhia dos telefones, era ele próprio. E também havia omitido que tinha intercetado o sinal do alarme vindo do museu antes de este chegar à esquadra. Estavas a armar-te em bom disse Brown. Não resististe a mostrar-lhe como te consideras brilhante. Tudo isso fazia parte da cena. E já podes desligar a sirene. As pessoas estão a tentar dormir. Qual é a piada de conduzir um carro da polícia se não podemos usar a sirene? Mas tenho de reconhecer disse o Homem Cadeirão a Nick. Ser apanhado de propósito é um grande plano. Elimina uma grande parte da tensão. Eu bem te disse respondeu Nick, abrindo a mochila e retirando o Pingente Carmim, para o admirar. É muito mais fácil deixares que o sistema de segurança te vença do que tentares vencê-lo. Mas teria sido ainda menos stressante se não tivesse de vestir esta coisa que mostrava a toda a gente o meu material disse o Homem Sofá, atirando as algemas para o chão. Não sejas tão autocentrado respondeu o Homem Cadeirão, tirando o capuz verde e passando a mão pelo cabelo ruivo suado. Não tens nada que toda a gente já não tenha visto antes. Para ti é fácil dizer isso respondeu o outro. O teu é tão grande como o do cavalo do Godzilla. Obrigado. Espalha a palavra por todas as miúdas giras que conheças. O Godzilla não tinha nenhum cavalo ripostou Brown. O Homem Sofá também tirou o capuz verde. Bem, mas se tivesse, o do cavalo havia de ser enorme. Nick colocou o diamante de novo na mochila e fechou- -a. Perguntou-se quanto tempo demoraria até que alguém percebesse que aquele que tinha ficado no museu era falso. 34

27 o golpe Arrancou o bigode, que lhe fazia tanta comichão como se fosse hera venenosa, e atirou-o pela janela. Em seguida, foi a vez do nariz falso. Vá lá, desliga a sirene. Não vale a pena darmos nas vistas, não achas? repetiu. Brown obedeceu-lhe. Não és nada divertido, Nick. Como é que podes dizer uma coisa dessas? Deixei-te ser polícia. Sim, o polícia burro. Olha, é melhor do que ser o feio e gordo. Até podia ser respondeu Brown. Mas, ainda assim, a miúda gostou foi de ti. Ele consegue sempre isso comentou o Homem Sofá, com admiração. Nick estava distraído com outra coisa e não se apercebeu dos elogios. Enquanto olhava para a rua à sua frente, viu algo no meio do nevoeiro, logo a seguir aos semáforos seguintes, de que não estava à espera: uma equipa da empresa das águas de São Francisco fazia obras na rua. Conseguia ver uma retroescavadora, alguns trabalhadores com coletes refletores e capacetes e um grande monte de terra no cruzamento, a bloquear uma das duas saídas para sul. O que é que se passa? perguntou Brown. Não havia trabalhos de manutenção previstos para hoje à noite disse Nick. Eu próprio verifiquei os registos. Se calhar foi um curto-circuito, ou um cano que rebentou. São coisas que acontecem. Mas as luzes dos prédios estão todas acesas, e não vejo água nenhuma na rua respondeu Nick. Faz inversão de marcha no cruzamento. E voltamos para o mesmo lado? perguntou o Homem Cadeirão. Não me parece boa ideia. Estás a ser paranoico comentou Brown. 35

28 Janet Evanovich com Lee Goldberg Faz o que te digo repetiu Nick, endireitando-se no lugar. Estava com um mau pressentimento. Brown começou a dar a volta no cruzamento. Foi então que Nick olhou pela janela do seu lado e viu as luzes de um pequeno autocarro a furar o nevoeiro como um comboio a emergir de um túnel escuro. O autocarro embateu no carro, que rebolou várias vezes até finalmente se imobilizar no passeio, capotado. Nick estava consciente mas aturdido, de cabeça para baixo, preso pelo cinto e com o airbag a comprimir-lhe o rosto. O airbag e a almofada à volta da barriga, que ele tinha colocado para parecer gordo, tinham-no protegido de ficar gravemente ferido. Ouviu os outros três homens a gemer, o que era bom. Significava que estavam vivos. O subconsciente Dr. Scotty que havia em si fez de imediato um diagnóstico completo e reportou ao seu consciente Capitão Kirk que, sim, capitão, houve um embate, mas todos os sistemas estão a funcionar. Posso dar-lhe velocidade de impulso, Capitão, mas os propulsores estão em baixo. Vou precisar de, pelo menos, dois dias para os reparar. Tem dois minutos, Scotty. Está a pedir o impossível! É para isso que nos pagam, doutor. Nick fechou os olhos, sacudiu a cabeça e fez um esforço para se concentrar. Abriu de novo os olhos. Através do vidro estilhaçado viu os trabalhadores da empresa das águas a correrem para o carro e percebeu que estavam armados. Confirmava-se que não eram trabalhadores da empresa das águas. Nick ouviu alguém a aproximar-se, pisando pedaços de vidro. Virou a cabeça para o vidro da janela e só conseguiu ver a pessoa da cintura para baixo. Vestia calças de ganga e calçava ténis pretos da Nike, e caminhava devagar em direção ao carro, segurando descontraidamente uma Glock. 36

29 o golpe O primeiro pensamento de Nick foi que estavam a ser roubados por um outro grupo. Existia toda uma classe de aproveitadores especializados em roubar o produto de que outros ladrões mais engenhosos conseguiam apoderar-se. Era um dos riscos da profissão, sobretudo quando várias organizações estavam de olho no mesmo prémio de alto valor. Deixa-se que o melhor lá chegue primeiro e depois tira-se-lhe o prémio. O seu segundo pensamento foi mais um desejo. Esperava que, quem quer que fosse, não lhe enfiasse uma bala na cabeça antes de fugir com o Pingente Carmim. Mas, se fosse um tipo esperto, abatia-o de certeza, porque Nick prometeu a si próprio nesse mesmo momento perseguir o filho da mãe até aos confins da Terra, para recuperar o diamante da forma mais humilhante e mais devastadora possível que conseguisse. O tipo parou ao pé da janela de Nick, meteu a arma pelo vidro e baixou-se para olhar para ele. Estás preso disse a agente especial do FBI, Kate O Hare. 37

30

PORQUE É QUE NÃO DANÇAM?

PORQUE É QUE NÃO DANÇAM? PORQUE É QUE NÃO DANÇAM? Na cozinha, ele serviu se de mais uma bebida e olhou para a mobília de quarto de cama que estava no pátio da frente. O colchão estava a descoberto e os lençóis às riscas estavam

Leia mais

MEU TIO MATOU UM CARA

MEU TIO MATOU UM CARA MEU TIO MATOU UM CARA M eu tio matou um cara. Pelo menos foi isso que ele disse. Eu estava assistindo televisão, um programa idiota em que umas garotas muito gostosas ficavam dançando. O interfone tocou.

Leia mais

Em algum lugar de mim

Em algum lugar de mim Em algum lugar de mim (Drama em ato único) Autor: Mailson Soares A - Eu vi um homem... C - Homem? Que homem? A - Um viajante... C - Ele te viu? A - Não, ia muito longe! B - Do que vocês estão falando?

Leia mais

Uma noite de verão, diz o ator, estaria no centro da história.

Uma noite de verão, diz o ator, estaria no centro da história. Uma noite de verão, diz o ator, estaria no centro da história. Nem um sopro de vento. E já ali, imóvel frente à cidade de portas e janelas abertas, entre a noite vermelha do poente e a penumbra do jardim,

Leia mais

Olga, imigrante de leste, é empregada nessa casa. Está vestida com um uniforme de doméstica. Tem um ar atrapalhado e está nervosa.

Olga, imigrante de leste, é empregada nessa casa. Está vestida com um uniforme de doméstica. Tem um ar atrapalhado e está nervosa. A Criada Russa Sandra Pinheiro Interior. Noite. Uma sala de uma casa de família elegantemente decorada. Um sofá ao centro, virado para a boca de cena. Por detrás do sofá umas escadas que conduzem ao andar

Leia mais

Morte no Nilo. Vais passar à História! Anda na diversão MAIS ASSUSTADORA da TerrorLândia.

Morte no Nilo. Vais passar à História! Anda na diversão MAIS ASSUSTADORA da TerrorLândia. Morte no Nilo Vais ficar como uma Múmia Vais passar à História! Anda na diversão MAIS ASSUSTADORA da TerrorLândia. Foge da Terrorlândia Morte no Nilo Vais ficar como uma Múmia Vais passar à História! Anda

Leia mais

Brincar às guerras. Está muito calor para jogar basquete. Vamos fazer outra coisa sugeriu Luke.

Brincar às guerras. Está muito calor para jogar basquete. Vamos fazer outra coisa sugeriu Luke. Brincar às guerras Está muito calor para jogar basquete. Vamos fazer outra coisa sugeriu Luke. Os amigos sentaram-se à sombra do salgueiro a decidir o que fazer. Tens mais balões de água? perguntou Danny.

Leia mais

I. Complete o texto seguinte com as formas correctas dos verbos ser ou estar. (5 pontos)

I. Complete o texto seguinte com as formas correctas dos verbos ser ou estar. (5 pontos) I. Complete o texto seguinte com as formas correctas dos verbos ser ou estar. Hoje. domingo e o tempo. bom. Por isso nós. todos fora de casa.. a passear à beira-mar.. agradável passar um pouco de tempo

Leia mais

Rosie. DE ACADEMIA A Charlie olhou para o letreiro e sorriu.

Rosie. DE ACADEMIA A Charlie olhou para o letreiro e sorriu. Rosie DANÇA DE ACADEMIA A Charlie olhou para o letreiro e sorriu. Estava finalmente numa verdadeira escola de dança. Acabaram as aulas de dança no gelado salão paroquial. Acabaram as banais aulas de ballet

Leia mais

O Tomás, que não acreditava no Pai Natal

O Tomás, que não acreditava no Pai Natal O Tomás, que não acreditava no Pai Natal Era uma vez um menino que não acreditava no Pai Natal e fazia troça de todos os outros meninos da escola, e dos irmãos e dos primos, e de qualquer pessoa que dissesse

Leia mais

Era uma vez um menino muito pobre chamado João, que vivia com o papai e a

Era uma vez um menino muito pobre chamado João, que vivia com o papai e a João do Medo Era uma vez um menino muito pobre chamado João, que vivia com o papai e a mamãe dele. Um dia, esse menino teve um sonho ruim com um monstro bem feio e, quando ele acordou, não encontrou mais

Leia mais

Solidão PROCURA-SE MULHER PROCURA-SE MULHER

Solidão PROCURA-SE MULHER PROCURA-SE MULHER Edna estava caminhando pela rua com sua sacola de compras quando passou pelo carro. Havia um cartaz na janela lateral: Ela parou. Havia um grande pedaço de papelão grudado na janela com alguma substância.

Leia mais

Lucas Zanella. Collin Carter. & A Civilização Sem Memórias

Lucas Zanella. Collin Carter. & A Civilização Sem Memórias Lucas Zanella Collin Carter & A Civilização Sem Memórias Sumário O primeiro aviso...5 Se você pensa que esse livro é uma obra de ficção como outra qualquer, você está enganado, isso não é uma ficção. Não

Leia mais

Índice Geral. Índice de Autores

Índice Geral. Índice de Autores Victor Fernandes 1 Índice Geral A perua-galinha 3 A vida de um porco chamado Ricky 4 Um burro chamado Burro 5 O atrevido 6 O Burro que abandonou a família por causa de uma rã 7 A burra Alfazema 8 Índice

Leia mais

Tenho um espelho mágico no porão e vou usá-lo.

Tenho um espelho mágico no porão e vou usá-lo. Capítulo um Meu espelho mágico deve estar quebrado Tenho um espelho mágico no porão e vou usá-lo. Jonah está com as mãos paradas em frente ao espelho. Está pronta? Ah, sim! Com certeza estou pronta. Faz

Leia mais

DESENGANO CENA 01 - CASA DA GAROTA - INT. QUARTO DIA

DESENGANO CENA 01 - CASA DA GAROTA - INT. QUARTO DIA DESENGANO FADE IN: CENA 01 - CASA DA GAROTA - INT. QUARTO DIA Celular modelo jovial e colorido, escovas, batons e objetos para prender os cabelos sobre móvel de madeira. A GAROTA tem 19 anos, magra, não

Leia mais

Fantasmas da noite. Uma peça de Hayaldo Copque

Fantasmas da noite. Uma peça de Hayaldo Copque Fantasmas da noite Uma peça de Hayaldo Copque Peça encenada dentro de um automóvel na Praça Roosevelt, em São Paulo-SP, nos dias 11 e 12 de novembro de 2011, no projeto AutoPeças, das Satyrianas. Direção:

Leia mais

INVERNO Um roteiro de Mikael Santiago 25/05/2009

INVERNO Um roteiro de Mikael Santiago 25/05/2009 INVERNO Um roteiro de Mikael Santiago 25/05/2009 TODOS OS DIREITOS RESERVADOS COPYRIGHT MIKAEL SANTIAGO mikael@mvirtual.com.br RUA ITUVERAVA, 651/305 JACAREPAGUÁ RIO DE JANEIRO - RJ (21)9879-4890 (21)3186-5801

Leia mais

Um pro logo que ha de fazer algum sentido mais a frente

Um pro logo que ha de fazer algum sentido mais a frente Um pro logo que ha de fazer algum sentido mais a frente De entre todas as coisas que podem entupir os canos lá em casa, um mamífero do Ártico com excesso de peso é provavelmente a pior. Isto porque, embora

Leia mais

Fim. Começo. Para nós, o tempo começou a ter um novo sentido.

Fim. Começo. Para nós, o tempo começou a ter um novo sentido. Fim. Começo. Para nós, o tempo começou a ter um novo sentido. Assim que ela entrou, eu era qual um menino, tão alegre. bilhete, eu não estaria aqui. Demorei a vida toda para encontrá-lo. Se não fosse o

Leia mais

- Papá, é hoje! É hoje, papá! Temos que montar o nosso pinheirinho de Natal. disse o rapaz, correndo na direção de seu pai.

- Papá, é hoje! É hoje, papá! Temos que montar o nosso pinheirinho de Natal. disse o rapaz, correndo na direção de seu pai. Conto de Natal Já um ano havia passado desde o último Natal. Timóteo estava em pulgas para que chegasse o deste ano. Menino com cara doce, uma tenra idade de 10 aninhos, pobre, usava roupas ou melhor,

Leia mais

L0NGE, atrás em monte, sol cair e céu ficar em fogo. Fraco, Eu

L0NGE, atrás em monte, sol cair e céu ficar em fogo. Fraco, Eu 5 L0NGE, atrás em monte, sol cair e céu ficar em fogo. Fraco, Eu subir monte, pés d Eu molhados em erva fria. Não haver erva em cima em monte. Só haver terra, em volta, monte como cabeça de homem sem cabelo.

Leia mais

A Vestimenta Nova do Imperador Kejserens ny e Klæder (1837)

A Vestimenta Nova do Imperador Kejserens ny e Klæder (1837) A Vestimenta Nova do Imperador Kejserens ny e Klæder (1837) Há muitos anos, vivia um imperador que gostava tanto de vestimentas novas e bonitas, que gastou todo o seu dinheiro a vestir-se bem. Não se preocupava

Leia mais

História Para as Crianças. A menina que caçoou

História Para as Crianças. A menina que caçoou História Para as Crianças A menina que caçoou Bom dia crianças, feliz sábado! Uma vez, do outro lado do mundo, em um lugar chamado Austrália vivia uma menina. Ela não era tão alta como algumas meninas

Leia mais

Meninas Nhe nhe. Eu Aff Chegando lá. Eu Gente estou com um mau pressentimento

Meninas Nhe nhe. Eu Aff Chegando lá. Eu Gente estou com um mau pressentimento Eu e umas amigas íamos viajar. Um dia antes dessa viagem convidei minhas amigas para dormir na minha casa. Nós íamos para uma floresta que aparentava ser a floresta do Slender-Man mas ninguém acreditava

Leia mais

Delicadesa. Deves tratar as pessoas com delicadeza, de contrário elas afastar-se-ão de ti. Um pequeno gesto afectuoso pode ter um grande significado.

Delicadesa. Deves tratar as pessoas com delicadeza, de contrário elas afastar-se-ão de ti. Um pequeno gesto afectuoso pode ter um grande significado. Delicadeza 1 Delicadesa Deves tratar as pessoas com delicadeza, de contrário elas afastar-se-ão de ti. Um pequeno gesto afectuoso pode ter um grande significado. As Janelas Douradas O menino trabalhava

Leia mais

REGRAS PARA NÃO SE TORNAR UMA VÍTIMA DA VIOLÊNCIA URBANA

REGRAS PARA NÃO SE TORNAR UMA VÍTIMA DA VIOLÊNCIA URBANA SEGURANÇA PESSOAL EM ÁREAS DE ALTO RISCO REGRAS PARA NÃO SE TORNAR UMA VÍTIMA DA VIOLÊNCIA URBANA (Adaptação) BANCO DO BRASIL DILOG/ PRINCIPAIS AMEAÇAS Seqüestro relâmpago Com duração de 1 a 24 horas,

Leia mais

BANCO DO BRASIL GEREL Belo Horizonte (MG) NUSEG - Núcleo de Segurança SEGURANÇA PESSOAL EM ÁREAS DE ALTO RISCO

BANCO DO BRASIL GEREL Belo Horizonte (MG) NUSEG - Núcleo de Segurança SEGURANÇA PESSOAL EM ÁREAS DE ALTO RISCO SEGURANÇA PESSOAL EM ÁREAS DE ALTO RISCO REGRAS PARA NÃO SE TORNAR UMA VÍTIMA DA VIOLÊNCIA URBANA (Adaptação) DILOG/ PRINCIPAIS AMEAÇAS Seqüestro relâmpago Com duração de 1 a 24 horas, geralmente para

Leia mais

FUGA de Beatriz Berbert

FUGA de Beatriz Berbert FUGA de Beatriz Berbert Copyright Beatriz Berbert Todos os direitos reservados juventudecabofrio@gmail.com Os 13 Filmes 1 FUGA FADE IN: CENA 1 PISCINA DO CONDOMÍNIO ENTARDECER Menina caminha sobre a borda

Leia mais

Assim nasce uma empresa.

Assim nasce uma empresa. Assim nasce uma empresa. Uma história para você que tem, ou pensa em, um dia, ter seu próprio negócio. 1 "Non nobis, Domine, non nobis, sed nomini Tuo da gloriam" (Sl 115,1) 2 Sem o ar Torna-te aquilo

Leia mais

Belo reparo. capítulo um. No Japão, eles têm o kintsugi a arte de remendar porcelanas. Hoje Nova York Apartamento de Cassandra Taylor

Belo reparo. capítulo um. No Japão, eles têm o kintsugi a arte de remendar porcelanas. Hoje Nova York Apartamento de Cassandra Taylor capítulo um Belo reparo Hoje Nova York Apartamento de Cassandra Taylor No Japão, eles têm o kintsugi a arte de remendar porcelanas preciosas com ouro. O resultado é uma peça que nitidamente foi quebrada,

Leia mais

Quantas línguas existem no mundo?, perguntava -se

Quantas línguas existem no mundo?, perguntava -se A VOZ DAS COISAS Quantas línguas existem no mundo?, perguntava -se Marta, naquela noite, a sós na cama. Há as línguas que as pessoas falam: francês, alemão, espanhol, chinês, italiano. Para indicar a mesma

Leia mais

DIANA + 3. Roteiro de Henry Grazinoli

DIANA + 3. Roteiro de Henry Grazinoli DIANA + 3 Roteiro de Henry Grazinoli EXT. CALÇADA DO PORTINHO DIA Sombra de Pablo e Dino caminhando pela calçada do portinho de Cabo Frio. A calçada típica da cidade, com suas ondinhas e peixes desenhados.

Leia mais

Anexo II - Guião (Versão 1)

Anexo II - Guião (Versão 1) Anexo II - Guião (Versão 1) ( ) nº do item na matriz Treino História do Coelho (i) [Imagem 1] Era uma vez um coelhinho que estava a passear no bosque com o pai coelho. Entretanto, o coelhinho começou a

Leia mais

RECUPERAÇÃO DE IMAGEM

RECUPERAÇÃO DE IMAGEM RECUPERAÇÃO DE IMAGEM Quero que saibam que os dias que se seguiram não foram fáceis para mim. Porém, quando tornei a sair consciente, expus ao professor tudo o que estava acontecendo comigo, e como eu

Leia mais

O LIVRO SOLIDÁRIO. Texto: Letícia Soares Ilustração: Hildegardis Bunda Turma 9º A

O LIVRO SOLIDÁRIO. Texto: Letícia Soares Ilustração: Hildegardis Bunda Turma 9º A O LIVRO SOLIDÁRIO Texto: Letícia Soares Ilustração: Hildegardis Bunda Turma 9º A 1 Era uma vez um rapaz que se chamava Mau-Duar, que vivia com os pais numa aldeia isolada no Distrito de Viqueque, que fica

Leia mais

11 Segredos para a Construção de Riqueza Capítulo II

11 Segredos para a Construção de Riqueza Capítulo II Capítulo II Mark Ford 11 Segredos para a Construção de Riqueza Capítulo Dois Como uma nota de $10 me deixou mais rico do que todos os meus amigos Das centenas de estratégias de construção de riqueza que

Leia mais

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA GRAVIDEZ: A EXPERIÊNCIA DA MATERNIDADE EM INSTITUIÇÃO DADOS SÓCIO-DEMOGRÁFICOS. Idade na admissão.

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA GRAVIDEZ: A EXPERIÊNCIA DA MATERNIDADE EM INSTITUIÇÃO DADOS SÓCIO-DEMOGRÁFICOS. Idade na admissão. REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA GRAVIDEZ: A EXPERIÊNCIA DA MATERNIDADE EM INSTITUIÇÃO Código Entrevista: 2 Data: 18/10/2010 Hora: 16h00 Duração: 23:43 Local: Casa de Santa Isabel DADOS SÓCIO-DEMOGRÁFICOS Idade

Leia mais

...existe algum motivo legal que impeça a sentença de ser pronunciada?

...existe algum motivo legal que impeça a sentença de ser pronunciada? Levante-se o réu. 6 ...capítulo um Fiquei de pé. Por um momento vi Glória de novo, sentada no banco no píer. A bala acabara de atingir a sua cabeça, de lado, o sangue ainda nem tinha começado a escorrer.

Leia mais

Era um peixe tão feio que nem parecia um peixe. Uma pedra

Era um peixe tão feio que nem parecia um peixe. Uma pedra Era um peixe tão feio que nem parecia um peixe. Uma pedra feita de carne fria musgosa e invasiva, salpicada de verde e branco. A princípio não o vi, mas depois encostei a cara ao vidro e tentei ficar mais

Leia mais

017. Segunda-Feira, 05 de Julho de 1997.

017. Segunda-Feira, 05 de Julho de 1997. 017. Segunda-Feira, 05 de Julho de 1997. Acordei hoje como sempre, antes do despertador tocar, já era rotina. Ao levantar pude sentir o peso de meu corpo, parecia uma pedra. Fui andando devagar até o banheiro.

Leia mais

O LEÃO, A FEITICEIRA E O GUARDA-ROUPA

O LEÃO, A FEITICEIRA E O GUARDA-ROUPA C. S. LEWIS O LEÃO, A FEITICEIRA E O GUARDA-ROUPA ILUSTRAÇÕES DE PAULINE BAYNES Martins Fontes São Paulo 1997 CAPÍTULO I Uma estranha descoberta ERA uma vez duas meninas e dois meninos: Susana, Lúcia,

Leia mais

As 12 Vitimas do Medo.

As 12 Vitimas do Medo. As 12 Vitimas do Medo. Em 1980 no interior de São Paulo, em um pequeno sítio nasceu Willyan de Sousa Filho. Filho único de Dionizia de Sousa Millito e Willian de Sousa. Sempre rodeado de toda atenção por

Leia mais

CLÁSSICOS PARA CRIANÇAS. Alice no País. das Maravilhas

CLÁSSICOS PARA CRIANÇAS. Alice no País. das Maravilhas CLÁSSICOS PARA CRIANÇAS Alice no País das Maravilhas Índice Capítulo Um Pela Toca do Coelho Abaixo 7 Capítulo Dois A Chave de Ouro 13 Capítulo Três O Mar de Lágrimas 19 Capítulo Quatro A História do Rato

Leia mais

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO.

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO. Roteiro de Telenovela Brasileira Central de Produção CAPÍTULO 007 O BEM OU O MAL? Uma novela de MHS. PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO. AGENOR ALBERTO FERNANDO GABRIELE JORGE MARIA CLARA MARIA CAMILLA MARÍLIA

Leia mais

O Pedido. Escrito e dirigido por João Nunes

O Pedido. Escrito e dirigido por João Nunes O Pedido Escrito e dirigido por João Nunes O Pedido FADE IN: INT. CASA DE BANHO - DIA Um homem fala para a câmara. É, 28 anos, magro e mortiço. Queres casar comigo? Não fica satisfeito com o resultado.

Leia mais

18 - A surpresa... 175 19 A fuga... 185 20 O atraso... 193 21 Vida sem máscaras... 197 22 - A viagem... 209 23 - A revelação...

18 - A surpresa... 175 19 A fuga... 185 20 O atraso... 193 21 Vida sem máscaras... 197 22 - A viagem... 209 23 - A revelação... Sumário Agradecimentos... 7 Introdução... 9 1 - Um menino fora do seu tempo... 13 2 - O bom atraso e o vestido rosa... 23 3 - O pequeno grande amigo... 35 4 - A vingança... 47 5 - O fim da dor... 55 6

Leia mais

JANEIRO DE 2013,SEXTA FEIRA DIA 11. escrito por: Antפnio Carlos Calixto. Filho. Personagens: Dana de. Oliveira uma moça. simples ingênua morena

JANEIRO DE 2013,SEXTA FEIRA DIA 11. escrito por: Antפnio Carlos Calixto. Filho. Personagens: Dana de. Oliveira uma moça. simples ingênua morena OSUTERBOS DE 2013,SEXTA FEIRA DIA 11. JANEIRO escrito por: Antפnio Carlos Calixto Filho Personagens: Dana de Oliveira uma moça simples ingênua morena olhos pretos como jabuticaba,1.70a,sarad a cabelos

Leia mais

Chantilly, 17 de outubro de 2020.

Chantilly, 17 de outubro de 2020. Chantilly, 17 de outubro de 2020. Capítulo 1. Há algo de errado acontecendo nos arredores dessa pequena cidade francesa. Avilly foi completamente afetada. É estranho descrever a situação, pois não encontro

Leia mais

JANELA SOBRE O SONHO

JANELA SOBRE O SONHO JANELA SOBRE O SONHO um roteiro de Rodrigo Robleño Copyright by Rodrigo Robleño Todos os direitos reservados E-mail: rodrigo@robleno.eu PERSONAGENS (Por ordem de aparição) Alice (já idosa). Alice menina(com

Leia mais

- Você sabe que vai ter que falar comigo em algum momento, não sabe?

- Você sabe que vai ter que falar comigo em algum momento, não sabe? Trecho do romance Caleidoscópio Capítulo cinco. 05 de novembro de 2012. - Você sabe que vai ter que falar comigo em algum momento, não sabe? Caçulinha olha para mim e precisa fazer muita força para isso,

Leia mais

Tia Pri Didáticos Educação Cristã PROIBIDA REPRODUÇÃO,CÓPIA OU DISTRIBUIÇÃO POR QUALQUER MEIO tiapri@tiapri.com (47) 3365-4077 www.tiapri.

Tia Pri Didáticos Educação Cristã PROIBIDA REPRODUÇÃO,CÓPIA OU DISTRIBUIÇÃO POR QUALQUER MEIO tiapri@tiapri.com (47) 3365-4077 www.tiapri. Tia Pri Didáticos Educação Cristã PROIBIDA REPRODUÇÃO,CÓPIA OU DISTRIBUIÇÃO POR QUALQUER MEIO tiapri@tiapri.com (47) 3365-4077 www.tiapri.com Página 1 1. HISTÓRIA SUNAMITA 2. TEXTO BÍBLICO II Reis 4 3.

Leia mais

A DOMÉSTICA (FILME CURTA) Final 2

A DOMÉSTICA (FILME CURTA) Final 2 A DOMÉSTICA (FILME CURTA) Final 2 Roteiro de Alcir Nicolau Pereira Versão de NOVEMBRO DE 2012. 1 A DOMÉSTICA (FILME-CURTA) --------------------------------------------------------------- PERSONAGENS Empregada

Leia mais

Ernest Hemingway Colinas como elefantes brancos

Ernest Hemingway Colinas como elefantes brancos Ernest Hemingway Colinas como elefantes brancos As colinas do outro lado do vale eram longas e brancas. Deste lado, não havia sombra nem árvores e a estação ficava entre duas linhas de trilhos sob o sol.

Leia mais

SEGREDO NO CAIR DA TARDE

SEGREDO NO CAIR DA TARDE SEGREDO NO CAIR DA TARDE Ele chegou a galope, num alazão que eu não conhecia. Depois o alazão ergueu-se em duas patas e desapareceu e meu irmão também desapareceu. Fazia tempo que eu o chamava e ele não

Leia mais

Titulo - VENENO. Ext Capital de São Paulo Noite (Avista-se a cidade de cima, forrada de prédios, algumas luzes ainda acesas).

Titulo - VENENO. Ext Capital de São Paulo Noite (Avista-se a cidade de cima, forrada de prédios, algumas luzes ainda acesas). Titulo - VENENO Ext Capital de São Paulo Noite (Avista-se a cidade de cima, forrada de prédios, algumas luzes ainda acesas). Corta para dentro de um apartamento (O apartamento é bem mobiliado. Estofados

Leia mais

João e o pé de feijão ESCOLOVAR

João e o pé de feijão ESCOLOVAR João e o pé de feijão ESCOLOVAR Era uma vez um rapaz chamado João que vivia com a sua mãe numa casa muito modesta. A mãe era desempregada e só tinha uma pequena horta onde cultivava todo o tipo de legumes.

Leia mais

Morte no Nilo. Vais passar à História! Anda na diversão MAIS ASSUSTADORA da TerrorLândia.

Morte no Nilo. Vais passar à História! Anda na diversão MAIS ASSUSTADORA da TerrorLândia. Morte no Nilo Vais ficar como uma Múmia Vais passar à História! Anda na diversão MAIS ASSUSTADORA da TerrorLândia. Foge da Terrorlândia Morte no Nilo Vais ficar como uma Múmia Vais passar à História! Anda

Leia mais

www.nascarbrasil.com Manual de pilotagem e aprendizado

www.nascarbrasil.com Manual de pilotagem e aprendizado Manual de pilotagem e aprendizado Bem vindo ao mundo das corrida virtuais! A razão deste documento é ajudar os novatos em corridas multi-player entender as grandes diferenças entre correr Online e Offline

Leia mais

Era uma vez, numa cidade muito distante, um plantador chamado Pedro. Ele

Era uma vez, numa cidade muito distante, um plantador chamado Pedro. Ele O Plantador e as Sementes Era uma vez, numa cidade muito distante, um plantador chamado Pedro. Ele sabia plantar de tudo: plantava árvores frutíferas, plantava flores, plantava legumes... ele plantava

Leia mais

Laranja-fogo. Cor-de-céu

Laranja-fogo. Cor-de-céu Laranja-fogo. Cor-de-céu Talita Baldin Eu. Você. Não. Quero. Ter. Nome. Voz. Quero ter voz. Não. Não quero ter voz. Correram pela escada. Correram pelo corredor. Espiando na porta. Olho de vidro para quem

Leia mais

Fortaleza digital 6 MM 08.08.07 10:37 Page 3 FORTALEZA DIGITAL. Dan Brown

Fortaleza digital 6 MM 08.08.07 10:37 Page 3 FORTALEZA DIGITAL. Dan Brown Fortaleza digital 6 MM 08.08.07 10:37 Page 3 FORTALEZA DIGITAL Dan Brown Fortaleza digital 6 MM 08.08.07 10:37 Page 5 Para meus pais... meus mentores e heróis Fortaleza digital 6 MM 08.08.07 10:37 Page

Leia mais

O que procuramos está sempre à nossa espera, à porta do acreditar. Não compreendemos muitos aspectos fundamentais do amor.

O que procuramos está sempre à nossa espera, à porta do acreditar. Não compreendemos muitos aspectos fundamentais do amor. Capítulo 2 Ela representa um desafio. O simbolismo existe nas imagens coloridas. As pessoas apaixonam-se e desapaixonam-se. Vão onde os corações se abrem. É previsível. Mereces um lugar no meu baloiço.

Leia mais

NA PIOR. L652-01(GALERA) CS5.indd 9 19/1/2012 18:09:12

NA PIOR. L652-01(GALERA) CS5.indd 9 19/1/2012 18:09:12 NA PIOR Moggle? sussurrou Aya. Você está acordada? Algo se moveu na escuridão. Uma pilha de uniformes de dormitório se mexeu como se houvesse um pequeno animal embaixo. Então uma silhueta saiu das dobras

Leia mais

JOGO DA VIDA DICA AOS ADULTOS: LEIA AS INSTRUÇÕES A SEGUIR COM ATENÇÃO E AO MESMO TEMPO VÁ JOGANDO COM A CRIANÇA

JOGO DA VIDA DICA AOS ADULTOS: LEIA AS INSTRUÇÕES A SEGUIR COM ATENÇÃO E AO MESMO TEMPO VÁ JOGANDO COM A CRIANÇA JOGO DA VIDA DICA AOS ADULTOS: LEIA AS INSTRUÇÕES A SEGUIR COM ATENÇÃO E AO MESMO TEMPO VÁ JOGANDO COM A CRIANÇA A PARTIR DE 8 ANOS PARA 2 A 8 JOGADORES Contém: - 01 tabuleiro - 8 carrinhos - 32 pinos

Leia mais

"ATIROU PARA MATAR" Um roteiro de. Nuno Balducci (6º TRATAMENTO)

ATIROU PARA MATAR Um roteiro de. Nuno Balducci (6º TRATAMENTO) "ATIROU PARA MATAR" Um roteiro de Nuno Balducci (6º TRATAMENTO) Copyright 2013 de Nuno Balducci Todos os direitos reservados. balducci.vu@gmail.com (82) 96669831 1 INT. DIA. LANCHONETE CHINESA Uma GAROTA

Leia mais

A Ana e o Alex contra os falsificadores

A Ana e o Alex contra os falsificadores A Ana e o Alex contra os falsificadores A Ana e o Alex são da mesma turma e muito bons amigos. Estão sempre a viver aventuras incríveis e situações emocionantes. Juntos formam uma dupla experiente! Ana:

Leia mais

O homem que tinha uma árvore na cabeça

O homem que tinha uma árvore na cabeça O homem que tinha uma árvore na cabeça Era uma vez um homem que tinha uma árvore na cabeça. No princípio era apenas um arbusto com folhas esguias e acastanhadas. Depois os ramos começaram a engrossar e

Leia mais

MELHORES MOMENTOS. Expressão de Louvor Paulo Cezar

MELHORES MOMENTOS. Expressão de Louvor Paulo Cezar MELHORES MOMENTOS Expressão de Louvor Acordar bem cedo e ver o dia a nascer e o mato, molhado, anunciando o cuidado. Sob o brilho intenso como espelho a reluzir. Desvendando o mais profundo abismo, minha

Leia mais

Chamo me Raphael Fernández e sou um miúdo da lixeira. As pessoas dizem me: «Imagino que nunca devem saber o que é que vão encontrar, a vasculhar o

Chamo me Raphael Fernández e sou um miúdo da lixeira. As pessoas dizem me: «Imagino que nunca devem saber o que é que vão encontrar, a vasculhar o PARTE I 1 Chamo me Raphael Fernández e sou um miúdo da lixeira. As pessoas dizem me: «Imagino que nunca devem saber o que é que vão encontrar, a vasculhar o lixo! Quem sabe se hoje não é o teu dia de sorte?»,

Leia mais

O porco é fisicamente incapaz de olhar o céu. ( 7 )

O porco é fisicamente incapaz de olhar o céu. ( 7 ) O porco é fisicamente incapaz de olhar o céu. Isso o Ricardo me disse quando a gente estava voltando do enterro do tio Ivan no carro da mãe, que dirigia de óculos escuros apesar de não fazer sol. Eu tinha

Leia mais

Agrupamento de Escolas Pioneiras da Aviação Portuguesa EB1/JI Vasco Martins Rebolo

Agrupamento de Escolas Pioneiras da Aviação Portuguesa EB1/JI Vasco Martins Rebolo Era uma vez a família Rebolo, muito simpática e feliz que vivia na Amadora. Essa família era constituída por quatro pessoas, os pais Miguel e Natália e os seus dois filhos Diana e Nuno. Estávamos nas férias

Leia mais

David pensou que o pai, às vezes, dizia coisas raras, estranhas. A mãe suspirou fundo ao enfiar de novo a agulha.

David pensou que o pai, às vezes, dizia coisas raras, estranhas. A mãe suspirou fundo ao enfiar de novo a agulha. ESTRELAS DE NATAL David acordou. O pai tinha aberto a janela e estava a olhar para as estrelas. Suspirava. David aproximou-se. Ouviu novo suspiro. O que tens, pai? perguntou. O pai pôs-lhe as mãos nos

Leia mais

O dia em que parei de mandar minha filha andar logo

O dia em que parei de mandar minha filha andar logo O dia em que parei de mandar minha filha andar logo Rachel Macy Stafford Quando se está vivendo uma vida distraída, dispersa, cada minuto precisa ser contabilizado. Você sente que precisa estar cumprindo

Leia mais

ENTRE FERAS CAPÍTULO 16 NOVELA DE: RÔMULO GUILHERME ESCRITA POR: RÔMULO GUILHERME

ENTRE FERAS CAPÍTULO 16 NOVELA DE: RÔMULO GUILHERME ESCRITA POR: RÔMULO GUILHERME ENTRE FERAS CAPÍTULO 16 NOVELA DE: RÔMULO GUILHERME ESCRITA POR: RÔMULO GUILHERME CENA 1. HOSPITAL. QUARTO DE. INTERIOR. NOITE Fernanda está dormindo. Seus pulsos estão enfaixados. Uma enfermeira entra,

Leia mais

LEITURA ORIENTADA NA SALA DE AULA

LEITURA ORIENTADA NA SALA DE AULA LEITURA ORIENTADA NA SALA DE AULA Uma Aventura na Serra da Estrela Coleção UMA AVENTURA Atividades Propostas Leitura em voz alta de um ou dois capítulos por aula. Preenchimento das fichas na sequência

Leia mais

1. Porque eu te amo nunca será suficiente 2. Porque a cada dia você me conquista mais e de um jeito novo 3. Porque a ciência não tem como explicar

1. Porque eu te amo nunca será suficiente 2. Porque a cada dia você me conquista mais e de um jeito novo 3. Porque a ciência não tem como explicar 1. Porque eu te amo nunca será suficiente 2. Porque a cada dia você me conquista mais e de um jeito novo 3. Porque a ciência não tem como explicar nosso amor 4. Porque a gente discute nossos problemas

Leia mais

Roteiro para curta-metragem. Aparecida dos Santos Gomes 6º ano Escola Municipalizada Paineira NÃO ERA ASSIM

Roteiro para curta-metragem. Aparecida dos Santos Gomes 6º ano Escola Municipalizada Paineira NÃO ERA ASSIM Roteiro para curta-metragem Aparecida dos Santos Gomes 6º ano Escola Municipalizada Paineira NÃO ERA ASSIM SINOPSE José é viciado em drogas tornando sua mãe infeliz. O vício torna José violento, até que

Leia mais

ANTES DE OUVIR A VERDADE. Plano fechado em uma mão masculina segurando um revólver.

ANTES DE OUVIR A VERDADE. Plano fechado em uma mão masculina segurando um revólver. ANTES DE OUVIR A VERDADE FADE IN: CENA 01 - INT. SALA DE ESTAR NOITE Plano fechado em uma mão masculina segurando um revólver. Plano aberto revelando o revólver nas mãos de, um homem de 35 anos, pele clara

Leia mais

2011 ano Profético das Portas Abertas

2011 ano Profético das Portas Abertas 2011 ano Profético das Portas Abertas Porta Aberta da Oportunidade I Samuel 17:26 - Davi falou com alguns outros que estavam ali, para confirmar se era verdade o que diziam. "O que ganhará o homem que

Leia mais

Rio de Janeiro, 10 de junho de 2008

Rio de Janeiro, 10 de junho de 2008 IDENTIFICAÇÃO Rio de Janeiro, 10 de junho de 2008 Humberto Cordeiro Carvalho admitido pela companhia em 1 de julho de 1981. Eu nasci em 25 de maio de 55 em Campos do Goytacazes. FORMAÇÃO Segundo grau Escola

Leia mais

Relógio D Água Editores Rua Sylvio Rebelo, n.º 15 1000 282 Lisboa tel.: 218 474 450 fax: 218 470 775 relogiodagua@relogiodagua.pt www.relogiodagua.

Relógio D Água Editores Rua Sylvio Rebelo, n.º 15 1000 282 Lisboa tel.: 218 474 450 fax: 218 470 775 relogiodagua@relogiodagua.pt www.relogiodagua. Aquário Relógio D Água Editores Rua Sylvio Rebelo, n.º 15 1000 282 Lisboa tel.: 218 474 450 fax: 218 470 775 relogiodagua@relogiodagua.pt www.relogiodagua.pt AQUARIUM 2015 by David Vann Título: Aquário

Leia mais

Roteiro para curta-metragem. Nathália da Silva Santos 6º ano Escola Municipalizada Paineira TEMPESTADE NO COPO

Roteiro para curta-metragem. Nathália da Silva Santos 6º ano Escola Municipalizada Paineira TEMPESTADE NO COPO Roteiro para curta-metragem Nathália da Silva Santos 6º ano Escola Municipalizada Paineira TEMPESTADE NO COPO SINOPSE Sérgio e Gusthavo se tornam inimigos depois de um mal entendido entre eles. Sérgio

Leia mais

1. COMPLETE OS QUADROS COM OS VERBOS IRREGULARES NO PRETÉRITO PERFEITO DO INDICATIVO E DEPOIS COMPLETE AS FRASES:

1. COMPLETE OS QUADROS COM OS VERBOS IRREGULARES NO PRETÉRITO PERFEITO DO INDICATIVO E DEPOIS COMPLETE AS FRASES: Atividades gerais: Verbos irregulares no - ver na página 33 as conjugações dos verbos e completar os quadros com os verbos - fazer o exercício 1 Entrega via e-mail: quarta-feira 8 de julho Verbos irregulares

Leia mais

BOLA NA CESTA. Roteiro para curta-metragem de Marcele Linhares

BOLA NA CESTA. Roteiro para curta-metragem de Marcele Linhares BOLA NA CESTA Roteiro para curta-metragem de Marcele Linhares 25/04/2012 SINOPSE Essa é a história de Marlon Almeida. Um adolescente que tem um pai envolvido com a criminalidade. Sua salvação está no esporte.

Leia mais

Efêmera (título provisório) Por. Ana Julia Travia e Mari Brecht

Efêmera (título provisório) Por. Ana Julia Travia e Mari Brecht Efêmera (título provisório) Por Ana Julia Travia e Mari Brecht anaju.travia@gmail.com mari.brecht@gmail.com INT. SALA DE - DIA. VÍDEO DE Números no canto da tela: 00 horas Vídeo na TV., 22, com seus cabelos

Leia mais

Atividades Lição 5 ESCOLA É LUGAR DE APRENDER

Atividades Lição 5 ESCOLA É LUGAR DE APRENDER Atividades Lição 5 NOME: N º : CLASSE: ESCOLA É LUGAR DE APRENDER 1. CANTE A MÚSICA, IDENTIFICANDO AS PALAVRAS. A PALAVRA PIRULITO APARECE DUAS VEZES. ONDE ESTÃO? PINTE-AS.. PIRULITO QUE BATE BATE PIRULITO

Leia mais

ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE? um roteiro. Fábio da Silva. 15/03/2010 até 08/04/2010

ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE? um roteiro. Fábio da Silva. 15/03/2010 até 08/04/2010 ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE? um roteiro de Fábio da Silva 15/03/2010 até 08/04/2010 Copyright 2010 by Fábio da Silva Todos os direitos reservados silver_mota@yahoo.com.br 2. ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE?

Leia mais

Ato Único (peça em um ato)

Ato Único (peça em um ato) A to Ú nico Gil V icente Tavares 1 Ato Único (peça em um ato) de Gil Vicente Tavares Salvador, 18 de agosto de 1997 A to Ú nico Gil V icente Tavares 2 Personagens: Mulher A Mulher B Minha loucura, outros

Leia mais

A ovelhinha que veio para o jantar

A ovelhinha que veio para o jantar A ovelhinha que veio para o jantar Oh não! OUTRA VEZ sopa de legumes! queixou-se o lobo, que já era velhinho. Quem me dera ter uma ovelhinha aqui à mesa. Fazia já um belo ensopado de borrego! Eis senão

Leia mais

P/1 Seu Ivo, eu queria que o senhor começasse falando seu nome completo, onde o senhor nasceu e a data do seu nascimento.

P/1 Seu Ivo, eu queria que o senhor começasse falando seu nome completo, onde o senhor nasceu e a data do seu nascimento. museudapessoa.net P/1 Seu Ivo, eu queria que o senhor começasse falando seu nome completo, onde o senhor nasceu e a data do seu nascimento. R Eu nasci em Piúma, em primeiro lugar meu nome é Ivo, nasci

Leia mais

O TEMPLO DOS ORIXÁS. Site Oficial: http://www.tfca.com.br E-mail: tfca@tfca.com.br

O TEMPLO DOS ORIXÁS. Site Oficial: http://www.tfca.com.br E-mail: tfca@tfca.com.br O TEMPLO DOS ORIXÁS Quando, na experiência anterior, eu tive a oportunidade de assistir a um culto religioso, fiquei vários dias pensando a que ponto nossa inconsciência modificou o mundo espiritual. Conhecendo

Leia mais

A Última Carta. Sempre achamos que haverá mais tempo. E aí ele acaba. (The Walking Dead)

A Última Carta. Sempre achamos que haverá mais tempo. E aí ele acaba. (The Walking Dead) A Última Carta Sempre achamos que haverá mais tempo. E aí ele acaba. (The Walking Dead) E la foi a melhor coisa que já me aconteceu, não quero sentir falta disso. Desse momento. Dela. Ela é a única que

Leia mais

Este testemunho é muito importante para os Jovens.

Este testemunho é muito importante para os Jovens. Este testemunho é muito importante para os Jovens. Eu sempre digo que me converti na 1ª viagem missionária que fiz, porque eu tinha 14 anos e fui com os meus pais. E nós não tínhamos opção, como é o pai

Leia mais

E sua sede começa a crescer Em angústia e desespero Enquanto os ruídos da cachoeira Da grande cachoeira das eras O convoca para mergulhar Mergulhar

E sua sede começa a crescer Em angústia e desespero Enquanto os ruídos da cachoeira Da grande cachoeira das eras O convoca para mergulhar Mergulhar Uma Estória Pois esta estória Trata de vida e morte Amor e riso E de qualquer sorte de temas Que cruzem o aval do misterioso desconhecido Qual somos nós, eu e tu Seres humanos Então tomemos acento No dorso

Leia mais

Ficha Técnica: Design e Impressão Mediana Global Communication

Ficha Técnica: Design e Impressão Mediana Global Communication Uma Cidade para Todos Ficha Técnica: Design e Impressão Mediana Global Communication Colaboração Nuno Oliveira, coordenador do Serviço de Psicologia do 1º ciclo do Ensino Básico da EMEC - Empresa Municipal

Leia mais

O passageiro. 1.Edição. Edição do Autor

O passageiro. 1.Edição. Edição do Autor 1 1.Edição Edição do Autor 2012 2 3 Jonas de Paula Introdução Esse conto relata um mal entendido que poderia acontecer com qualquer pessoa em qualquer lugar, tem haver com a questão da globalização e seu

Leia mais

Lição. História Bíblica II Timóteo 3:16; II Pedro 1:20, 21; Salmos 119:4 Na lição de hoje, as crianças aprenderão que a

Lição. História Bíblica II Timóteo 3:16; II Pedro 1:20, 21; Salmos 119:4 Na lição de hoje, as crianças aprenderão que a FRUTOS-1 Descoberta Lição 1 4-6 Anos História Bíblica II Timóteo 3:16; II Pedro 1:20, 21; Salmos 119:4 Na lição de hoje, as crianças aprenderão que a CONCEITO CHAVE A Bíblia é o livro de Deus e nós sabemos

Leia mais

INTERTÍTULO: DIANA + 1 FADE IN EXT. PRAIA/BEIRA MAR DIA

INTERTÍTULO: DIANA + 1 FADE IN EXT. PRAIA/BEIRA MAR DIA DIANA + 3 INTERTÍTULO: DIANA + 1 FADE IN EXT. PRAIA/BEIRA MAR DIA Pablo, rapaz gordinho, 20 anos, está sentado na areia da praia ao lado de Dino, magrinho, de óculos, 18 anos. Pablo tem um violão no colo.

Leia mais

Curso Intermediário de LIBRAS

Curso Intermediário de LIBRAS Curso Intermediário de LIBRAS 1 Curso Intermediário de LIBRAS 2 Unidade 2 Fazer as compras Sábado foi dia de ir ao Tok Stok. Nós, casal, fomos passear e dar uma voltada para olhar os moveis e objetos.

Leia mais