COORDENAÇÃO DE PROJETOS PARA IMPLEMENTAÇÃO DE SISTEMAS MES

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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DE ITAJUBÁ UNIFEI PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA ELÉTRICA COORDENAÇÃO DE PROJETOS PARA IMPLEMENTAÇÃO DE SISTEMAS MES FREDERICO FRANÇA GIUNCHETTI ITAJUBÁ, MARÇO DE 2004

2 LISTA DE FIGURAS Figura 1 Manufatura como um estágio da Cadeia de Suprimentos Figura 2 Foco do MES no conceito de automação e informática de uma empresa Figura 3 Bases de tempo dos sistemas de controle, MES e ERP segundo ATAN Figura 4 Modelo funcional MES definido pela MESA Figura 5 Encadeamento da automação Figura 6 MES como ferramenta para o Supply Chain Figura 7 Arquitetura de automação da Brasal Figura 8 Cadeia Produtiva básica da Bebidas Ipiranga Figura 9 Solução Tetra Pak para Bebidas Ipiranga Figura 10 Detalhamento de domínios, funções, fluxos e informações pela Norma ISA S-95 Figura 11 Modelo de Hierarquias das atividades do negócio Figura 12 Responsabilidades dos Níveis 3 e 4 Figura 13 Modelo de Fluxo de Dados Figura 14 Modelo de Objetos Figura 15 Arquitetura do e-business Figura 16 Ciclo de controle e coordenação de um projeto Figura 17 Típica aplicação MES Figura 18 Fases da coordenação de um projeto MES LISTA DE FIGURAS 6

3 LISTA DE ABREVIAÇÕES MES Manufacturing Execution System ERP Enterprise Resources Planning MRP Materials Requirements Planning MRP II Manufacturing Resources Planning ISA Instrumentation Society of America AMR Advanced Manufacturing Research REPAC Ready, Execute, Process, Analyze and Coordinate CIM Computer Integrated Manufacturing SCADA Supervisory Control and Data Aquisition EPS Enterprise Production System MESA Manufacturing Execution System Associtation WMS Warehouse Management System LIMS Laboratory Information Management System ROI Return on Investment CEP Controle Estatístico de Processo CIP Clean in Place MKT Marketing TPM Total Productive Managemet IMS Information Management System PLC Programable Logic Controller SCM Supply Chain Management PLM Product Life Management APS Advanced Planning Systems CRM Customer Relationship Management PMI Project Management Institute APM Association for Project Management IT Information Tecnology EVA Earned Value Analysis KPI Key Performance Indicators QA Quality Assurance LISTA DE ABREVIAÇÕES 7

4 RESUMO Esse trabalho tem como objetivo principal avaliar o tema da integração entre negócio e manufatura, estudar o que já existe implementado no mercado, levantar normas que descrevam esse processo e propor uma metodologia para implementá-la baseada em técnicas de gerenciamento de projetos, desde o pré-projeto até a conclusão com sucesso do mesmo. Para isso, em um primeiro momento, é avaliado o contexto da atual situação do mercado mundial no que tange a acirrada concorrência, procura por novos mercados e a tendência cada vez maior na busca pela satisfação total do cliente. É apresentado o conceito de Supply Chain ou Cadeia de Fornecimento e o que as empresas estão implementando em nível de ferramentas de informática e automação para conseguirem um diferencial nessa realidade. Sendo assim, é justificada a motivação que levou a esse trabalho. Em seguida, apresenta-se toda a conceituação de MES (Manufacturing Execution System), seus objetivos, funcionalidades e benefícios, colocando-o como uma ferramenta para que as empresas obtenham um diferencial perante seus concorrentes dentro do conceito de Cadeia de Fornecimento. São mostradas várias aplicações de módulos MES e o que as empresas que implementaram conseguiram de resultados com isso. Após detalhado o MES, é relatado um resumo da norma ANSI/ISA S-95.00, cuja finalidade é sistematizar a integração negócio e manufatura através de um modelo padronizado e facilitando a comunicação entre eles com interfaces seguras, confiáveis e compatíveis, além de precisas e com rapidez de informações. Finalmente, é apresentada a metodologia de coordenação de projetos para implementação de sistemas MES dividindo-a em quatro passos, sempre baseando-se em técnicas de gerenciamento de projetos, no que foi estudado nos capítulos anteriores e em experiências reais de mercado. Com isso, espera-se dar subsídios concretos ao leitor para que possa preparar e implementar adequadamente um sistema MES em qualquer que seja a área de atuação da empresa. RESUMO 5

5 CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO 1.1. Visão de empresa no mercado globalizado A evolução do pensamento humano e da tecnologia aplicada à melhoria de vida das pessoas nunca deixou de ocorrer em toda a caminhada da humanidade. O momento pelo qual passa a história não é diferente disso. O que ocorre é que a velocidade das mudanças nunca foi tão grande quanto é hoje, e isso reflete-se diretamente nas relações sociais e, da mesma forma, nas relações de trabalho entre empregado e empregador. Sendo assim, como é definido, no sentido amplo da palavra, o objetivo principal de uma empresa nos dias atuais? Pode-se encontrar centenas de colocações para responder a essa questão, mas todas elas resumem uma afirmação simples: o objetivo básico de toda empresa é sobreviver através da remuneração a seus acionistas e/ou donos via lucro. De maneira simples, a seguinte equação tem que ser obedecida para que esse objetivo seja atingido: PRODUTO + PREÇO + MERCADO = SATISFAÇÃO DO CLIENTE Modernamente, o maior grau de conhecimento da população, conforto e poder aquisitivo também fazem a diferença na escolha de uma marca ou de determinado produto, juntamente com outros fatores: Flexibilidade; Qualidade; Legislação; Proteção ao meio-ambiente; Conservação de energia; e-commerce; outros. CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO 8

6 Há um ponto chave para onde todos esses fatores convergem: o mercado é daquelas empresas que conseguem agregar mais a seu produto aumentando a satisfação do cliente e criando um diferencial. Mas como oferecer mais ao consumidor pelo mesmo valor do concorrente? A solução para isso é simples: redução de custos. O grande problema é como chegar a esse resultado. Como ferramentas para isso existem as Soluções de Gestão Empresarial, ou seja, o que potencializa o resultado atualmente é uma visão global do negócio e não mais uma solução para determinado setor ou departamento. É o ponto onde não é mais uma Companhia contra outra, e sim uma Cadeia de Valores contra outra. Excluído: e 1.2. Definição de Supply Chain O Supply Chain ou Cadeia de Suprimentos é constituído pelo conjunto de organizações que se inter-relacionam criando valor na forma de produtos e serviços, desde os fornecedores de matérias-primas até o consumidor final [1]. A gestão do Supply Chain é uma filosofia de negócio baseada nas demandas do mercado, que visa agregar valor para o consumidor final por meio de uma movimentação mais efetiva de materiais, produtos e informações ao longo de toda a cadeia. Essa movimentação passa, em um primeiro momento, pelos próprios processos internos das empresas e de como seus departamentos, trabalhando de maneira integrada e com os mesmo objetivos, resultam em redução de custos, agilidade e diversas outras vantagens competitivas. Já numa segunda etapa, é necessário buscar melhorias nos processos em toda a cadeia de suprimentos, envolvendo desde os fornecedores primários até os clientes finais. Sendo assim, essa integração só pode acontecer através do compartilhamento seguro de informações e de operações entre as empresas e desenvolvimento de projetos conjuntos, resultando em ganhos para todos. Dentre esse benefícios, pode-se destacar e até quantificar alguns deles: CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO 9

7 Melhoria na confiabilidade dos serviços prestados. Melhoria na qualidade dos produtos. Diminuição de lead times. Redução de desperdícios. Redução do número de erros e falhas. Melhoria do planejamento e da programação da produção. A figura 1 exemplifica como várias empresas estão interligadas via Cadeia de Suprimentos e como os fornecedores e ou clientes podem ser internos ou externos. Planejamento Entrega Produção Entrega Produção Entrega Produção Entrega Matérias- Primas Matérias- Primas Matérias- Primas Matérias- Primas Fornecedor do Fornecedor Fornecedor Interno ou Externo Sua Empresa Cliente Interno ou Externo Cliente do Cliente Figura 1 Manufatura como um estágio da Cadeia de Suprimentos Os softwares de ERP (Enterprise Resources Planning) chegaram como a aplicação da tecnologia da informação à gestão da cadeia de suprimentos, e têm como missão básica englobar todas as transações de uma empresa em bancos de dados distribuídos porém acessados por centrais, sob um padrão de linguagem e arquitetura que permita disponibilizar a informação, de modo simples ou combinado, a todas as áreas instantânea e permanentemente. Embora hoje isso seja imprescindível, não é suficiente. A tomada de decisão enfrenta uma complexidade crescente vinda da total necessidade de integração intra e extraempresa motivada pela concorrência cada vez mais acirrada no mercado e obrigatoriedade de redução de custos para sobrevivência das empresas. Desse modo, os dados devem ser transformados em conhecimento e, finalmente, em dinheiro. CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO 10

8 Essa é a proposta básica dos Sistemas de Suporte à Decisão, em particular dos dedicados ao planejamento da cadeia de suprimentos. Finalmente, cabe aqui citar um boletim recente do Gartner Group (organização que monitora e indica as tendências mundiais da Tecnologia da Informação), que caracteriza os sistemas de planejamento da cadeia como tendo uma relação benefício versus custo/dificuldades de implementação muito maior que os ERPs. Outro fato importante relatado por esse instituto é o de que os gastos com informática já atinge 4,17% do faturamento das empresas e que pode variar de 1,7 a 18%, dependendo da indústria [2] Integrando sistemas de negócio e de automação Indiscutivelmente, ERP é hoje uma importante ferramenta para assegurar a competitividade das empresas. Por outro lado, os benefícios advindos dos sistemas de automação de processos também já são conhecidos a bastante tempo, tais como: aumento de produtividade e de eficiência, redução de erros operacionais, melhoria nas condições de segurança e qualidade do produto, redução de custos e de mão-de-obra, dentre outros [3]. No entanto, mesmo em empresas onde existem esses dois sistemas é raro encontrar uma efetiva integração entre ambos. Devido à complexidade e à importância do tema, diversos esforços têm sido feitos por associações, instituições de pesquisa, universidades, fornecedores de sistemas e usuários com o intuito de facilitar e promover essa integração, com resultados ainda distantes do desejável. As iniciativas mais conhecidas são: ISA SP-95: foi gerada pela Instrumentation Society of America a versão preliminar de uma norma para integração entre sistemas de negócios e automação. Esse documento está sendo avaliado pelo mercado e será tema a ser tratado nessa dissertação já que é o que mais vem sendo utilizado nas aplicações desenvolvidas no Brasil. Modelo REPAC: foi gerado pela Advanced Manufacturing Research e vem sendo utilizado por alguns fornecedores de softwares para orientar sua estratégia de produtos, REPAC significa Ready, Execute, Process, Analyze and Coordinate [3]. CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO 11

9 1.4. Motivação e objetivos da dissertação O tema da integração entre sistemas de negócio e manufatura é bastante novo no mercado de automação e informática e ainda relativamente desconhecido das empresas. Mesmo no meio acadêmico é algo que, apenas a alguns anos, começou a ser pauta de estudos ou trabalhos nas universidades. Outro ponto interessante é o contexto da área de conhecimento onde está localizado: refere-se à área de automação já que envolve PLC s e supervisórios, à área de tecnologia da informação, pois envolve sistemas de gestão corporativa ou à área de administração e engenharia da produção pois envolve fluxos de dados e técnicas de gerenciamento do negócio? Essa é uma questão difícil de responder. Provavelmente é uma das causas pela qual é um tema ainda longe de ser esgotado e com possibilidades muito grandes de atrair profissionais das áreas acima citadas com o fim de especializar-se e propor soluções que, certamente, deverão agregar novidades em todas as áreas de conhecimento envolvidas. Foi então criado o termo MES - Manufacturing Execution System ou Sistemas de Execução da Manufatura para assumir o fardo do problema. Dentro dessa realidade gerou-se a motivação para esse trabalho, ou seja, avaliar o tema da integração entre negócio e manufatura, estudar o que já existe implementado no mercado, levantar normas que descrevam esse processo e propor uma metodologia para implementá-lo baseado em técnicas de gerenciamento de projetos. Outro fator que agrega peso à motivação em se desenvolver algo para sistematizar esse desenvolvimento é a experiência passada pelo autor dessa dissertação em três tentativas e implementação de um sistema MES na UNILEVER BESTFOODS BRASIL LTDA. no site de Pouso Alegre-MG, sendo a última a cerca de dois anos atrás, todas elas barradas pelos seguintes motivos: Falta de material com informações sobre o tema. Desconhecimento do assunto por parte da liderança e gerência da Companhia, já que é algo ainda relativamente recente no mercado. Desconhecimento de grande parte dos próprios auto-intitulados fornecedores de sistemas MES, que confundem responsabilidades de supervisórios e sistemas corporativos com as funcionalidades que deve ter um MES. CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO 12

10 Por fim, é importante ressaltar que o objetivo principal desse trabalho não é o desenvolvimento e programação de um sistema para integração entre negócio e manufatura, algo que por si só já seria tema para outro estudo, e sim a avaliação do problema e a implementação de um sistema já desenvolvido no mercado, capacitando o leitor para: Ter muito clara a conceituação, responsabilidades e necessidades de um sistema MES. Avaliar propostas de possíveis fornecedores, saber argumentar e direcionar a implementação. Conhecer a principal norma a qual deve sustentar o sistema com a finalidade de facilitar futuras manutenções, modificações ou inclusão de outras funcionalidades. Conduzir o projeto adequadamente de modo que levante subsídios para quantificar economicamente benefícios e justificar a implementação. Ou seja, a principal meta dessa dissertação é fornecer ferramentas para que seja feita adequadamente a coordenação para implementação de um sistema MES em uma empresa desde seu pré-projeto até a conclusão com sucesso do mesmo. CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO 13

11 CAPÍTULO 2 MES MANUFACTURING EXECUTION SYSTEM 2.1. Definição de MES O conceito primordial do MES remonta aos anos 70 quando falava-se muito em CIM (Computer Integrated Manufacturing) onde, teoricamente, o processo de manufatura seria automaticamente controlado e executado através de um sistema computadorizado. Vários produtos surgiram desse conceito, mas de duas naturezas distintas: sistemas de controle de produção voltados aos processos ou sistemas de informação corporativa voltados aos clientes. Assim, criou-se um gap entre essas duas regiões de dados que não trocavam informações entre si de maneira automática, ou seja, não compartilhavam do mesmo banco de dados. O termo MES foi dado pela AMR (Advanced Manufacturing Research of Cambridge) para descrever o sistema de informações que localiza-se no chão de fábrica entre os sistemas de planejamento corporativos (ERP) e os sistemas de controle industriais de processos de fabricação (SCADA). Algumas literaturas referem-se também a MES como EPS ou Enterprise Production System. Este trabalho utilizará preferencialmente a nomenclatura MES. Pode-se dizer que MES assumiu um papel muito importante na área da manufatura, tanto que motivou o surgimento de uma associação internacional de fabricantes de hardware e software chamada MESA com o objetivo de mostrar aos potenciais usuários os benefícios desse sistema. A figura 2 mostra onde localiza-se o MES dentro do conceito de informática e automação de uma empresa e o foco de atuação de cada sistema de informações, ou seja, sistemas de controle voltados ao processo, MES ao produto e ERP ao cliente. CAPÍTULO 2 MES: MANUFACTURING EXECUTION SYSTEM 14

12 Planejamento ERP Cliente Execução MES Produto Controle Sistemas Controle Processo Figura 2 Foco do MES no conceito de automação e informática de uma empresa 2.2. Objetivo de um Sistema MES O MES tem como objetivo principal captar e executar informações em tempo real da produção no chão de fábrica através dos sistemas supervisórios e também informações do sistema corporativo para moldá-las em forma de relatórios gerenciais a fim de facilitar a tomada de decisão em diversas áreas da empresa: planejamento, controle de estoques, manutenção, qualidade, vendas, etc. Assim, ficam disponíveis as informações de quanto foi e de quanto deveria ter sido produzido, quanto foi liberado pelo controle de qualidade, causas de paradas de máquinas e de não cumprimento de programas de produção por falta de matérias-primas ou materiais de embalagem, e tantas outras quanto a empresa que implementou o MES deseje obter para facilitar seu processo de tomada de decisão. É importante lembrar que essa tomada de decisão pode e deve ser em tempo real a fim de minimizar os impactos de problemas com produção. A figura 3 ilustra de maneira resumida um fluxo típico de informações entre sistemas de controle, MES, ERP e como as bases de tempo para atualização de dados entre eles são diferentes. Desse modo, podemos dizer que o MES filtra e resume as informações do CAPÍTULO 2 MES: MANUFACTURING EXECUTION SYSTEM 15

13 chão-de-fábrica em uma base de tempo intermediária, confrontando e consolidando esses dados com os do ERP com a finalidade de gerar relatórios gerenciais e dados de acompanhamento. ERP Sistema MES Controle Status do Chão de fábrica O que foi feito O que foi feito MRP MES CONTROLE Fator de O que fazer Fator de Tempo=10X Instruções de como fazer Fator de Tempo=1X Como fazer Instruções de trabalho O que foi feito Controle de dispositivos I/O de Sensores Pessoa Dispositivo Físico Figura 3 Bases de tempo dos sistemas de controle, MES e ERP segundo ATAN 2.3. Funcionalidades do MES A figura 4 mostra as onze possíveis funcionalidades para um sistema MES definidos pela MESA, destacando sua relação com o universo maior da empresa através do gerenciamento da cadeia de suprimentos, vendas e serviços, o que gera necessidades que são avaliadas e transformadas em realidade pela engenharia de processo e/ou produto. Essa figura detalha o MES apresentado na figura 2. CAPÍTULO 2 MES: MANUFACTURING EXECUTION SYSTEM 16

14 11 Funcionalidades do Processo Figura 4 Modelo funcional MES definido pela MESA Sendo assim, as principais funções de um sistema MES definidos pela MESA são: i. Operações e scheduling detalhado de produção O sistema deve ser alimentado com todas as informações disponíveis a fim de executar de maneira adequada o seqüenciamento de produção baseado em prioridades, receitas e outras características dos produtos. A programação global da produção geralmente é feita em sistemas ERP. Entretanto, os seqüenciamentos corretos são executados no chão de fábrica, já que dependem de liberação de equipamentos ou equipes de produção, por exemplo. Como resultado, tem-se a programação detalhada considerando a capacidade finita de produção, redução de tempos de set up, atendimento aos prazos de entrega, sobreposição de operações, turnos de trabalho, etc. ii. Status e alocação de recursos CAPÍTULO 2 MES: MANUFACTURING EXECUTION SYSTEM 17

15 Inclui o gerenciamento de equipamentos, mão-de-obra, materiais e documentos. Fornece histórico detalhado dos recursos garantindo que sejam adequados ao trabalho, além do status em tempo real de cada um deles e de reservas e alocações para atender programas de produção. iii. Comunicações de unidades de produção ou despacho de UPs Gerencia o fluxo das ordens de produção. A partir do momento no qual o MES recebe as ordens do ERP, passa a gerenciar o status das mesmas e dos eventos que acontecem no chão de fábrica. iv. Controle de documentos Controla registros e documentos que devem ser mantidos com a área de produção, incluindo procedimentos e instruções, desenhos de equipamentos e instruções a serem transmitidas em mudança de turno. Garante o fluxo de informações exigidas por regulamentações internas da Companhia, ISO s, procedimentos ou ações corretivas, além de armazenar dados históricos. Um dos grandes benefícios do MES é a eliminação do fluxo de papéis, que fica bastante claro com essa ferramenta. v. Aquisição de dados Todos os dados de processo são coletados de diversos sistemas do chão-defábrica, com diferentes protocolos de comunicação e são armazenados em uma base de dados relacional única. Inclui também informações de estoques fornecidos pelo WMS (Warehouse Management System), dados de qualidade fornecidos pelo LIMS (Lab Information Management System) e apontamentos de produção feitos de maneira automática ou através de código de barras. Com todas essas informações, é possível a emissão de relatórios diários, semanais ou mensais contendo dados de processo ou gerenciais para fornecer um laudo confiável da operação e facilitar a tomada de decisões da empresa. vi. Gerenciamento do trabalho Inclui todos os recursos humanos envolvidos na operação, sejam diretos ou CAPÍTULO 2 MES: MANUFACTURING EXECUTION SYSTEM 18

16 indiretos e suas devidas atribuições de responsabilidades, horas trabalhadas divididas por áreas para cada operador, etc. Esse recurso é de grande valia para a apropriação de custos para benchmarking entre linhas. vii. Gerenciamento da Qualidade Essa função é geralmente desempenhada por um módulo do ERP, mas o MES pode ser aplicado como interface com os operadores que executam os ensaios e testes, ou ainda por análises estatísticas em tempo real para recomendação de ações emergenciais e corretivas. Pode também estar conectado a equipamentos no laboratório para armazenar automaticamente resultados de análises para futura utilização em avaliação de problemas de produção relativos à qualidade do produto final. viii. Gerenciamento de Processo Gerencia o consumo de matérias-primas, materiais de embalagem, tempos de execução em cada etapa produtiva, valores de variáveis de processo e outras informações de interesse. Desse modo, os índices de eficiências e perdas são calculados fornecendo um dado real ao gerente da planta. Essa é uma das funções mais importantes do MES, já que fornece informações em tempo real para ação do gerente, e não apenas dados de uma produção passada. ix. Gerenciamento de manutenção Pode fornecer informações como tempo de operação previsto por linha, tempo efetivamente trabalhado, tempo de parada e causas das paradas obtidas por inputs automáticos através de sensores ou mesmo manuais em Panel View por meio do operador do equipamento. CAPÍTULO 2 MES: MANUFACTURING EXECUTION SYSTEM 19

17 x. Tracking ou rastreabilidade de produtos Permite recuperar todos os dados relativos à determinada produção, ou seja, todo o histórico de matérias-primas, materiais de embalagem e dados de processo associados. xi. Análise de performance Fornece dados da operação no momento atual: quantidades produzidas, valor envolvido, taxa de utilização de recursos, tempos de ciclo e estoques intermediários, permitindo comparações com metas estabelecidas ou dados históricos. A figura 5 mostra a função de cada nível de gerenciamento de informação/automação e a seqüência dos dados desde a entrada (que pode ser automática ou mesmo manual) até a consolidação da informação no ERP para o planejamento estratégico. ERP Planejamento Estratégico Auxílio a Programação Relatórios Gerenciais Software Corporativo Planejamento de produção MES Paradas? Acompanhamento Cadeia de Valores Planejamento de manutenção Relatórios Gerenciais Supervisório Rastreabilidade PLC Entrada Manual de Dados Informação Controle de Chão-de-Fábrica Processo 2.4. Benefícios potenciais Supervisão Análise e Gerenciamento da Produção Figura 5 Encadeamento da automação ETAPAS DO PROCESSO Gerenciamento do Negócio CAPÍTULO 2 MES: MANUFACTURING EXECUTION SYSTEM 20

18 A MESA realizou uma pesquisa [4] com usuários de sistemas MES para identificar e quantificar seus benefícios, revertendo esses dados em ganhos financeiros. Um relatório foi gerado mostrando os benefícios potenciais de uma Companhia com esse tipo de software implementado fornecendo dados concretos para justificar seu investimento. Para isso, foram envolvidas empresas das áreas médica, metalúrgica, componentes eletro-eletrônicos, plásticos e derivados, automotiva e comunicações. Os principais resultados foram os seguintes: i. Redução do tempo de ciclo de manufatura 60% das respostas indicaram redução de ciclo de 40% ou mais; Taxa de redução de 2-80%; Média de redução de 45%. ii. Redução ou eliminação do tempo com entrada de dados 60% das respostas indicaram redução de 75% ou mais; Taxa de redução de %; Média de redução de 75%. iii. Redução de Work in Capital 57% das respostas indicaram redução de 25% ou mais; Taxa de redução de %; Média de redução de 17%. iv. Redução ou eliminação de troca de relatórios entre turnos 63% das respostas indicaram redução de 50% ou mais; Taxa de redução de 5-100%; Média de redução de 56%. CAPÍTULO 2 MES: MANUFACTURING EXECUTION SYSTEM 21

19 v. Redução de lead times 50% das respostas indicaram redução de 30% ou mais; Taxa de redução de 2-60%; Média de redução de 32%. vi. Melhoria da qualidade do produto (redução de defeitos) Média de redução de defeitos de 15%; Taxa de redução de 5-25%. Finalmente, os benefícios mais citados foram: Manufatura: Redução do ciclo de manufatura. (92% dos pesquisados reportaram que essa redução foi muito importante para suas operações) Planejamento: Maior flexibilidade em responder às demandas do mercado. Business / Financeiro: Melhoria significativa do atendimento ao cliente e da competitividade. (Metade dos pesquisados informaram ROI/payback period mensuráveis 6 a 24 meses, com 14 meses de média) Outro fato importante mencionado é o de que a melhoria na flexibilidade para prestação de serviço ao cliente foi mais importante do que o período de payback do projeto. Como resultado geral da pesquisa, verificou-se que os usuários estavam plenamente satisfeitos com os resultados do MES em suas empresas, principalmente pelos ganhos obtidos no chão de fábrica para atender com eficiência e baixo custo às rápidas mudanças do mercado. CAPÍTULO 2 MES: MANUFACTURING EXECUTION SYSTEM 22

20 2.5. MES como ferramenta para o Supply Chain Desse modo, pode-se concluir que o MES ou EPS oferece o tratamento correto para os dados de uma empresa, fornecendo indicadores confiáveis e atualizados. A adequada integração dos dados de controle e supervisão do chão de fábrica com as informações corporativas estratégicas do ERP possibilitam uma ampla visão e domínio do negócio. Permite o estabelecimento de objetivos claros, rapidez na decisão, sincronismo de atuação dos processos, controle pelo uso de indicadores, uso de procedimentos adequados, enfim, usa a informação como um importante instrumento de gestão empresarial, ferramenta básica para a obtenção de um Supply Chain competitivo e de classe mundial. MES Figura 6 MES como ferramenta para o Supply Chain CAPÍTULO 2 MES: MANUFACTURING EXECUTION SYSTEM 23

21 CAPÍTULO 3 EXEMPLOS DE APLICAÇÕES DE SISTEMAS MES 3.1. Introdução As empresas brasileiras ainda estão iniciando a implantação desses conceitos de forma modular, ou seja, poucas possuem todos os recursos possíveis para um sistema MES. Há várias implementações no mercado, mas grande parte delas apenas de módulos isolados. A causa disso é que, como é um ramo novo das tecnologias de informação e automação, os fornecedores de sistemas MES estão ainda desenvolvendo e customizando seus produtos, além do que os potenciais usuários somente agora estão conhecendo os benefícios que esses sistemas podem agregar. Geralmente, as empresas que já iniciaram essa implementação são multinacionais que possuem experiência no exterior mas, mesmo assim, há a carência de alternativas de fornecedores locais com expertise para fazer grandes empreendimentos. Podemos citar nomes como Coca-Cola, Maguary, Danone, Kaiser, Boehringer, Alcan e Renosa, dentre outros, como sendo alguns dos precursores no país a instalar um sistema desses. Como fornecedores, temos multinacionais como ABB, Boccard & Coubon, Adasoft, Orsi, Tetra Pak e as nacionais Atan, Chemtec e Medusa como sendo os principais implementadores até o momento. Apresenta-se, a seguir, alguns exemplos de aplicações com dados técnicos ATAN: Implantação MES no site da Coca-Cola em Brasília A Atan, empresa de Belo Horizonte especializada em soluções de automação e tecnologia de informação, implementou várias aplicações de módulos MES para diversas empresas, destacando-se o desenvolvimento para a Coca-Cola de Brasília, ou Brasal Refrigerantes S.A. [5]. A necessidade de se informatizar a coleta e consolidação dos dados de produção gerou o motivo básico para a implantação de um MES nessa planta que, apesar de já possuir um ERP bem consolidado e alguns supervisórios que monitoravam e controlavam de forma CAPÍTULO 3 EXEMPLOS DE APLICAÇÕES DE SISTEMAS MES 24

22 automática os processos industriais, todo o controle de produção, paradas de linhas, contabilização de perda de insumos e índices gerais de performance eram realizados de forma manual. O método consistia em registrar manualmente todos os dados em diversos formulários, e diariamente digitá-los em planilhas eletrônicas. Um processo lento e sujeito a erros, que já nascia com pelo menos um dia de atraso. Este cenário parecia incompatível com o nível de automação da fábrica e os investimentos em sistemas de informação já existentes. A proposta de uso de um MES parecia a solução ideal para automatizar de uma só vez todos estes procedimentos. Nos estudos preliminares, além do servidor e do banco de dados a ser utilizado, definiu-se também a topologia de tráfego de dados, conforme descreve a figura 7. Figura 7 Arquitetura de automação da Brasal Neste caso, o servidor recebe os registros dos supervisórios, que são gravados no banco de dados. O servidor também pode receber ou enviar dados para o ERP e para os clientes do MES. Os clientes, que são cada um dos usuários do sistema, podem consultar ou gravar no banco de dados através do servidor. Cabe dizer que uma sólida estrutura de rede lógica já estava disponível. Todos os computadores da empresa podem ser clientes do sistema MES, bastando para isso uma simples configuração. A implantação, que consumiu cerca de três meses no segundo semestre de 2001, CAPÍTULO 3 EXEMPLOS DE APLICAÇÕES DE SISTEMAS MES 25

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