TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO TC /2010-7

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1 GRUPO II - CLASSE V - PLENÁRIO TC / (com 2 anexo) - Fiscalis nº 506/2010 Natureza: Relatório de Levantamento de Auditoria Órgão/Entidade: Ministério da Fazenda (vinculador); Caixa Econômica Federal (CAIXA) Interessado: Tribunal de Contas da União, 2ª Secretaria de Controle Externo (Secex-2) Advogados constituídos nos autos: Alexandre Wagner Vieira da Rocha, OAB/DF ; Ana Cecília Costa Ponciano, OAB/DF ; André Luis Tucci, OAB/SP ; André Yokomizo Aceiro, OAB/DF ; Bárbara Bianca Sena, OAB/DF ; Carla Beatriz Hamu Silva, OAB/DF ; Carlos Augusto de Andrade Jenier, OAB/ES ; Cintia Mara Dias Custódio, OAB/DF ; Cintia Tashiro, OAB/DF ; Carlos Henrique Bernardes Castello Chiossi, OAB/DF ; Davi Duarte, OAB/RS ; Estanislau Luciano de Oliveira, OAB/MG ; Fabiana Calviño Marques Pereira, OAB/DF ; Fernanda Christina Martins de Castro, OAB/MG ; Flávio Queiroz Rodrigues, OAB/DF ; Frederico Gazolla Rodrigues Renno, OAB/MG ; Girlana Granja Peixoto Moreira, OAB/DF ; Giselle Davila Honorato Furtado, OAB/MG ; Grey Bellys Dias Lira, OAB/RO 2.743; Guilherme Lopes Mair, OAB/SP ; Irene Amorim Knupp Miranda, OAB/MG ; João Roberto de Toledo, OAB/MG ; José Linhares Prado Neto, OAB/DF ; José Nicodemos Rodrigues Varela, OAB/DF ; Julio Vitor Greve, OAB/DF 7.677; Leonardo da Silva Patzlaff, OAB/DF ; Keila de Medeiros Duarte, OAB/DF ; Luiz Eduardo Alves Rodrigues, OAB/DF ; Marcos Ulhoa Dani, OAB/MG ; Mario Luiz Machado, OAB/DF 4.848; Mary Carla Silva Ribeiro, OAB/MG ; Osival Dantas Barreto, OAB/DF ; Renata Costa Silva Brandão, OAB/MG ; Ricardo Tavares Baraviera, OAB/DF ; Salvador Congentino Neto, OAB/SP ; Samir Nacim Francisco, OAB/DF 1.640A, Sérgio Luiz Guimarães Farias, OAB/DF 8.540; Wesley Cardoso dos Santos, OAB/DF ; Adriana Sousa de Oliveira, OAB/DF ; Alberto Cavalcante Braga, OAB/DF 9.170; Alexander da Silva Moraes, OAB/MG ; Alexandre Duarte de Lacerda, OAB/DF 7.658; Alison Miranda de Freitas, OAB/DF ; André Banhara Barbosa de Oliveira, OAB/SP ; Antônio Gilvan Melo, OAB/DF 5.974; Augusto Cláudio Ferreira Guterres Soares, OAB/DF 8.906; Cristina Lee, OAB/DF ; Damião Alves de Azevedo, OAB/DF ; Daniel Aquino Schneider, OAB/DF ; Daniela Alves Cruz de Carvalho, OAB/DF ; Daniella Gazzetta de Camargo, OAB/DF 7.529; Deocleciano Batista, OAB/DF 6029; Elga Lustosa de Moura, OAB/DF ; Everardo da Silva Amaral, OAB/DF 6.608; Felipe Vasconcelos Soares Montenegro Mattos, OAB/DF 1

2 23.409; Flavio Silva Rocha, OAB/MG ; Gustavo Adolfo Maia Junior, OAB/DF ; Gustavo Pereira Mendes, OAB/MG ; Inessa do Amaral Madruga Guimarães, OAB/DF ; Isabel de Fátima Ferreira Gomes, OAB/PR ; João Cardoso da Silva, OAB/MG ; José Carlos Izidro Machado, OAB/DF ; Josnei de Oliveira Pinto, OAB/DF ; Jucileia Gomes de Oliveira, OAB/DF ; Juliana Varella Barca de Miranda Porto, OAB/DF ; Lenymara Carvalho, OAB/MG ; Leonardo Groba Mendes, OAB/DF ; Luciano Caixeta Amâncio, OAB/MG ; Ludmila Viana Barbosa, OAB/DF ; Luiz Ramos Rego Filho, OAB/DF ; Manoel Moreira Filho, OAB/DF ; Márcio de Assis Borges, OAB 916-A; Maria Eliza Nogueira da Silva, OAB/PA ; Marta Bufaiçal Rosa, OAB/DF 7.292; Murilo Oliveira Leitão, OAB/DF ; Rafaela Dornelles Fittipaldi, OAB/DF ; Regynaldo Pereira Silva, OAB/DF ; Roberta Muratori Athayde, OAB/MG ; Suzana Rodriguez Alves Moreira, OAB/DF ; Thais Severo Barbosa, OAB/DF ; Ubiraci Moreira Lisboa, OAB/DF ; Welisangela Cardoso de Menezes, OAB/DF ; Wilson de Souza Malcher, OAB/DF Sumário: RELATÓRIO DE LEVANTAMENTO DE AUDITORIA. OBJETIVO DE VERIFICAR A REGULARIDADE DOS PROCEDIMENTOS DE CONCESSÃO DE EMPRÉSTIMOS OU FINANCIAMENTOS AOS GOVERNOS ESTADUAIS OU MUNICIPAIS PARA AS OBRAS DE MOBILIDADE URBANA RELACIONADAS COM O EVENTO COPA DO MUNDO DE FUTEBOL DE DETERMINAÇÕES. MONITORAMENTO. CIÊNCIA AOS ÓRGÃOS E ENTIDADES ENVOLVIDOS COM O EVENTO. AUTORIZAÇÃO DE PUBLICAÇÃO NO PORTAL MANTIDO PELO TCU. RELATÓRIO Cuidam os autos de relatório de levantamento de auditoria realizado pela 2ª Secretaria de Controle Externo (2ª Secex) na Caixa Econômica Federal (CAIXA) com o objetivo de verificar a regularidade dos procedimentos de concessão de financiamentos aos governos estaduais ou municipais para as obras de mobilidade urbana relacionadas com a Copa do Mundo de Futebol de 2014 (Portaria de Fiscalização/Fase Planejamento nº 760, de 22/4/2010). 2. A unidade técnica iniciou o relatório com breve introdução do tema e, em seguida, abordou as características da linha de financiamento do programa Pró-Transporte, as obras de mobilidade urbana para a Copa de 2014 e a Matriz de Planejamento e Acompanhamento pelo Tribunal de Contas da União. 3. Trata-se de importante trabalho de planejamento das ações vinculadas às obras de mobilidade urbana, realizado com competência pela unidade técnica, que transcrevo na forma abaixo: 1. INTRODUÇÃO 1.2 Escopo 2

3 1.2.1 Em conformidade com o modelo definido para o acompanhamento das ações de preparação para a Copa de 2014, consubstanciado no Acórdão nº 678/2010-TCU-Plenário, cabe à 2ª Secex analisar os procedimentos de concessão dos financiamentos pela Caixa Econômica Federal em relação às obras de mobilidade urbana. A fiscalização da aplicação dos recursos, abrangendo os processos de licitação e de contratação, está a cargo dos respectivos TCEs e TCMs O financiamento das obras de mobilidade urbana está sendo conduzido pela CAIXA no âmbito do Programa Pró-Transporte, uma linha de financiamento já operada pelo banco e lastreada em recursos do FGTS Dessa forma, o escopo deste trabalho limita-se à verificação das ações da CAIXA na qualidade de Agente Financeiro do Pró-Transporte, considerando as regras do Programa, os normativos internos da CAIXA e demais normas aplicáveis A atuação da CAIXA como Agente Operador do Pró-Transporte não é objeto da presente auditoria. Eventuais financiamentos concedidos para obras que não tenham relação com a Copa de 2014 também não fazem parte do escopo desta fiscalização. Da mesma forma, este trabalho não abrange o financiamento das obras de mobilidade urbana na cidade do Rio de Janeiro, uma vez que, conforme definido na Matriz de Responsabilidades, serão financiadas pelo BNDES, e a fiscalização está a cargo da 9ª Secex. 1.3 Metodologia A metodologia adotada nesta fase do trabalho compreendeu: (i) revisão da legislação relativa à matéria; (ii) análise documental, a partir de informações encaminhadas pela CAIXA e obtidas diretamente pela equipe; (iii) reuniões com gestores da CAIXA; (iv) participação nas reuniões do Grupo de Trabalho Copa de 2014 organizado pela 5ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal Tendo em vista o objetivo da fiscalização, procurou-se identificar as características gerais do Programa Pró-Transporte, em especial o papel de cada agente e as regras de aplicação dos recursos. No mesmo sentido, procurou-se identificar as alçadas e os procedimentos internos da CAIXA para contratar os financiamentos e realizar os respectivos desembolsos Adicionalmente, buscou-se verificar as providências até então adotadas em função dos projetos de mobilidade urbana previstos na Matriz de Responsabilidades Reunidas todas essas informações, foram identificados os critérios para subsidiar a elaboração da matriz de planejamento, apresentada no Apêndice A Nenhuma operação foi efetivamente contratada com a CAIXA no período coberto pela Portaria de Fiscalização. Em consequência, a equipe considerou que os procedimentos da matriz de planejamento devem ser aplicados em momento oportuno, à medida que as operações forem sendo contratadas. Tal aspecto será abordado com mais detalhes no curso deste relatório As informações colhidas pela equipe de auditoria que subsidiaram a elaboração da matriz de planejamento estão sintetizadas nos tópicos a seguir: a seção 2 apresenta as características gerais do Pró- Transporte; a seção 3 trata das obras de mobilidade urbana que serão financiadas pela CAIXA, conforme definido na Matriz de Responsabilidades, informando sobre as providências já adotadas para celebrar os contratos de financiamento; a seção 4 discorre sobre o acompanhamento a ser realizado pelo Tribunal, dadas as informações sobre o estágio das contratações; na seção 5 são apresentadas as conclusões e na seção 6 a proposta de encaminhamento. 2. CARACTERÍSTICAS GERAIS DA LINHA DE FINANCIAMENTO 2.1 O Programa Pró-Transporte O Pró-Transporte foi aprovado pela Resolução nº 567/2008, do Conselho Curador do FGTS (CCFGTS), e regulamentado pelas Instruções Normativas nº 22 e 23 do Ministério das Cidades, ambas de 10/5/2010. Antes da edição dessas instruções, a IN nº 44/2008 era a norma do Ministério das Cidades que regulamentava o Programa O Pró-Transporte visa financiar empreendimentos destinados à implantação, ampliação, modernização e/ou adequação da infraestrutura dos sistemas de transporte público coletivo urbano sobre trilhos, pneus e hidroviário, incluindo-se obras civis, equipamentos, sinalização e/ou aquisição de veículos, barcas e afins O público-alvo dos financiamentos são os estados, Distrito Federal, municípios, órgãos públicos gestores e respectivas concessionárias ou permissionárias do transporte coletivo urbano, assim como as sociedades de propósitos específicos (SPEs). 3

4 2.1.4 O Conselho Monetário Nacional-CMN, por meio da Resolução nº 3.831, de 13/1/2010, acrescentou o art. 9º-R à Resolução CMN nº 2.827/2001, autorizando a contratação de novas operações de crédito com o setor público no âmbito do Pró-Transporte, especificamente para financiar empreendimentos de mobilidade urbana associados à Copa de De acordo com a Resolução, a autorização limita-se ao valor de R$ 8 bilhões e é valida até 31/12/ Para viabilizar as contratações, o Conselho Curador do FGTS, por meio da Resolução nº 625, de 12/1/2010, alterou o orçamento do Fundo e aprovou a alocação adicional de R$ 7 bilhões a favor da área de infraestrutura urbana para o exercício de O orçamento original, aprovado por meio da Resolução nº 610, de 27/10/2009, já havia alocado R$ 1 bilhão na mesma rubrica. 2.2 O papel dos agentes Como informado, a CAIXA já opera a linha de financiamento do Pró-Transporte. O Manual de Fomento do Programa, divulgado no site do banco (www.caixa.gov.br), estabelece procedimentos operacionais para a contratação das operações de crédito financiadas por intermédio do Programa. O Manual contempla os papéis dos principais agentes no processo. 2.3 Ministério das Cidades Como Gestor da Aplicação, deve estabelecer as diretrizes para seleção, contratação e acompanhamento dos projetos a serem financiados pelo Programa, bem como promover o enquadramento final, hierarquizar e selecionar as propostas de operações de crédito. As propostas selecionadas devem ser publicadas pelo Ministério das Cidades no Diário Oficial da União e remetidas à Secretaria do Tesouro Nacional para análise da capacidade de endividamento. 2.4 Caixa Econômica Federal A CAIXA desempenha segregadamente os papéis de Agente Operador do FGTS, por intermédio da Superintendência Nacional de Fundo de Garantia (SUFUG) e suas representações regionais (GIFUG), e de Agente Financeiro, por intermédio da Superintendência Nacional de Saneamento e Infraestrutura (SUSAN) e suas representações regionais (SUDES/GIDUR) Na qualidade de Agente Operador, tem a atribuição de controlar e acompanhar a execução orçamentária do Programa, encaminhando informações ao Gestor da Aplicação (Ministério das Cidades) e ao CCFGTS Como Agente Financeiro, a CAIXA é responsável pela emissão do parecer de enquadramento prévio quanto ao preenchimento dos requisitos do Pró-Transporte, à compatibilidade do valor solicitado e à viabilidade de execução da obra. Após a seleção das propostas pelo Gestor da Aplicação, a CAIXA tem a atribuição de contratar as operações de crédito com os tomadores, assim como realizar o acompanhamento das obras e serviços, responsabilizando-se pelo retorno dos recursos desembolsados e assumindo o risco das operações. Assim, desempenha atividades como a análise de risco de crédito, a análise da capacidade de pagamento/suficiência das garantias e o acompanhamento e controle da execução física e financeira do objeto contratado Embora não seja prática comum, os proponentes podem escolher outros agentes financeiros que estejam habilitados pelo Agente Operador A atuação da CAIXA no âmbito do Pró-Transporte é regulamentada nos seus normativos internos. A equipe verificou que diretrizes específicas para fazer frente às demandas da Copa de 2014 foram incorporadas nesses normativos, como a relação das obras previstas para receberem os recursos e cronogramas indicativos para a contratação. 2.5 Secretaria do Tesouro Nacional Após a seleção da proposta pelo Ministério das Cidades, a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) verifica a capacidade de endividamento do estado ou município proponente, conforme os requisitos da Lei de Responsabilidade Fiscal. 2.6 Governos Estaduais e Municipais Como proponentes ao financiamento e potenciais tomadores do crédito, os governos estaduais e municipais elaboram a carta-consulta, na qual são apresentadas informações gerais sobre a obra proposta, como a sua compatibilidade com o Plano Diretor e o Plano de Transporte da cidade. A carta-consulta tem como destinatário o Ministério das Cidades, que verifica o seu enquadramento nos requisitos do Pró-Transporte, após o enquadramento prévio promovido pela CAIXA Os governos estaduais e municipais são os responsáveis pelo planejamento, licitação, contratação, execução, fiscalização e acompanhamento do projeto, na forma em que este vier a ser 4

5 aprovado. Também são responsáveis pela alocação de recursos adicionais não previstos no investimento inicial, caso verificada sua necessidade. 2.7 Parâmetros de contratação De acordo com o Manual de Fomento do Pró-Transporte, os juros do empréstimo são cobrados mensalmente, na data estabelecida no contrato, nas fases de carência e de amortização, à taxa nominal entre 5,5% a.a. e 6% a.a. O Agente Financeiro faz jus a diferencial de juros, a título de remuneração, de 2% a.a., pagos mensalmente junto com os juros contratuais, incidente sobre o saldo devedor da operação de crédito. O Agente Financeiro pode, ainda, cobrar o percentual de até 1% a.a. do tomador final, a título de taxa de risco de crédito O percentual mínimo de contrapartida de responsabilidade do tomador, sobre o valor total do investimento, é de 5% A carência é limitada a 48 meses. Por sua vez, o prazo máximo de amortização é de até 20 anos, sendo que para sistemas de transporte sobre trilhos, o prazo máximo é de até 30 anos São admitidos os seguintes tipos de garantias: (i) vinculação de receitas tarifárias e/ou outras garantias reais; (ii) outras garantias previstas na legislação vigente, a critério do Agente Financeiro. Nos financiamentos concedidos pela CAIXA ao setor público, as garantias normalmente aceitas são cotas do FPM/FPE ou receitas de ICMS. 3. OBRAS DE MOBILIDADE URBANA PARA A COPA As obras selecionadas para adequação da mobilidade urbana nas cidades-sede foram discriminadas no Anexo A da Matriz de Responsabilidades assinada entre os entes da federação. Os projetos financiados pela Caixa Econômica Federal, com os respectivos prazos previstos para início e conclusão, foram consolidados no Apêndice B. 3.2 Na área de mobilidade, foram selecionadas obras entre veículos leves sobre trilhos (VLT), corredores expressos de ônibus (BRT - Bus Rapid Transit), monotrilhos e obras viárias. O Governo Federal denominou essa lista de obras como o PAC da Mobilidade Urbana. 3.3 As intervenções previstas foram estimadas em R$ 11,48 bilhões, dos quais R$ 7,6 bilhões serão investidos pela União, sendo R$ 6,4 bilhões via financiamento CAIXA com recursos do Pró-Transporte, e R$ 1,2 bilhão via BNDES, este último para financiar as obras na cidade do Rio de Janeiro. O restante será custeado por meio de contrapartidas prestadas pelos governos locais. 3.4 A Matriz de Responsabilidades prevê que eventual alteração no orçamento que gere necessidade de aporte de recursos superior ao previsto no referido instrumento será de responsabilidade exclusiva da parte executora do empreendimento, ou seja, dos Estados, Distrito Federal e Municípios. Da mesma forma, a Matriz define que intervenções não previstas serão de responsabilidade única do executor, a menos que um aditamento venha a ser acordado entre os entes envolvidos. 3.5 Segundo informações prestadas pela CAIXA, os financiamentos seguirão as condições gerais aplicáveis ao Programa Pró-Transporte, descritas na seção 2 deste relatório. 3.6 Ao prolatar o Acórdão nº 678/2010-TCU-Plenário, o Tribunal expressou preocupação quanto às garantias vinculadas aos financiamentos. Os normativos internos da CAIXA prescrevem que as operações do Pró-Transporte com o setor público devem ser garantidas por recursos futuros do FPE/FPM e ICMS dos tomadores. Para possibilitar a execução dessas garantias em caso de inadimplência, foi verificado que existe um convênio com o Banco do Brasil para retenção dos valores de FPE/FPM. No caso do ICMS, existe a previsão de que o banco depositário do imposto deva ser parte interveniente do contrato de financiamento, autorizando a retenção dos valores a partir do requerimento da CAIXA. 3.7 De acordo com informações obtidas junto à CAIXA, nenhuma operação de crédito com esse tipo de garantia está lançada em prejuízo na carteira do banco. Ademais, nos casos em que foi necessário o bloqueio dessas garantias, a CAIXA informou que não foram registradas dificuldades no recebimento dos valores. 3.8 Outro ponto crítico a ser considerado refere-se à tempestividade. A legislação brasileira, especialmente a Lei nº 9.504/1997 e a Resolução nº 43/2001, do Senado Federal, impõe condições e prazos que limitam a aprovação dos financiamentos em ano eleitoral, como é o caso de 2010 para a União e os Estados. Considerando as regras vigentes, existem dois prazos a observar nos contratos a serem celebrados com os governos estaduais: (i) contratação e início das obras até 3/7/2010, para permitir o desembolso de recursos no período que antecede o dia da eleição; e (ii) perdido o prazo anterior, contratação até 2/9/2010, para que os desembolsos possam ser realizados após a data de proclamação, 5

6 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do candidato eleito ao cargo de chefe do Poder Executivo estadual, observada a possibilidade de 2º turno. 3.9 Vencidos esses prazos, novas operações de crédito com os governos estaduais só poderão ser contratadas em Por oportuno, vale lembrar que a autorização concedida para o setor público obter financiamento para as obras de mobilidade urbana expira em 31/12/2010, conforme Resolução CMN nº 3831/ Mesmo não havendo eleições nos Municípios, também existe limitação de prazo para as contratações celebradas com esses entes. Caso a contratação com os governos municipais seja realizada após 3/7/2010, os desembolsos devem ser contratualmente condicionados para momento posterior ao período eleitoral do governo estadual Nesse sentido, a IN 23/2010 do Ministério das Cidades estabeleceu os seguintes prazos para o processo de contratação dos financiamentos visando à Copa de 2014: (i) apresentação da carta-consulta ao Agente Financeiro: até 12/5/2010; (ii) enquadramento prévio das cartas-consulta pelo Agente Financeiro: até 21/5/2010; (iii) enquadramento final das cartas-consulta pelo Ministério das Cidades: até 31/5/2010; (iv) emissão de autorização pela STN: até 25/6/2010; (v) conclusão da análise de viabilidade pelo Agente Financeiro e a celebração dos contratos: até 2/7/ Segundo apurado pela equipe de auditoria, nenhuma operação de crédito foi efetivamente contratada com a CAIXA até o término do período abrangido pela Portaria de Fiscalização (até 28/5/2010), embora todas as cidades-sedes tenham encaminhado suas cartas-consultas ao banco. Até então, o processo de concessão dos financiamentos encontra-se na etapa de enquadramento final das cartas-consulta e publicação dos projetos selecionados pelo Ministério das Cidades, de modo que os prazos definidos na IN 23/2010 estão sendo obedecidos O Ministério já fez publicar no DOU (fls. 81/83) a seleção das cartas-consulta de trinta e dois dos quarenta e seis projetos de mobilidade urbana que serão financiados pela CAIXA, referentes a oito cidades-sede: Belo Horizonte, São Paulo, Manaus, Fortaleza, Recife, Salvador, Brasília e Curitiba. Cabe mencionar que, em relação à cidade Manaus, só foi publicada a seleção do projeto do Monotrilho, estando pendente a aprovação do projeto do BRT Nas publicações no DOU, pode-se verificar que houve alteração nos valores da contrapartida estimados na Matriz de Responsabilidade dos projetos de Belo Horizonte, Recife, Salvador, Brasília e Curitiba. Contudo, o valor do financiamento a ser concedido pela CAIXA está em conformidade com a previsão da Matriz. 4. MATRIZ DE PLANEJAMENTO E ACOMPANHAMENTO PELO TCU 4.1 Considerando-se as características do Programa Pró-Transporte, a atual situação dos projetos das cidades-sede para obras de mobilidade urbana e os pontos críticos acima apontados, a equipe de auditoria elaborou a matriz de planejamento da fiscalização. Foram propostas duas questões de auditoria: 4.2 Questão 1: Os procedimentos anteriores à contratação foram realizados conforme as normas vigentes, possibilitando uma análise confiável sobre a viabilidade da operação financiada? 4.3 Questão 2: Os procedimentos adotados pela CAIXA para acompanhamento da execução contratual e efetivação dos desembolsos observaram as normas vigentes, assegurando a liberação dos recursos somente após comprovada a viabilidade dos projetos e o cumprimento do cronograma físicofinanceiro das obras? 4.4 Com base nessas questões e na aplicação dos respectivos procedimentos, espera-se concluir sobre a regularidade do processo de concessão dos financiamentos pela CAIXA, atendendo ao objetivo definido no Acórdão nº 678/2010-TCU-Plenário. 4.5 Para permitir a execução dos procedimentos da matriz de planejamento, será proposta ao Tribunal a conversão do presente processo em Relatório de Acompanhamento, nos termos do art. 241 e art. 242 do Regimento Interno do TCU, uma vez que não há operação efetivamente contratada. Assim, propõe-se que as aprovações das cartas-consulta pelo Ministério das Cidades, assim como as assinaturas dos contratos de financiamento entre a CAIXA e os Estados/Municípios, sejam acompanhadas de forma seletiva e concomitante pela 2ª Secex. Para tanto, será proposta determinação para que a CAIXA encaminhe ao Tribunal cópia dos contratos de financiamento, assim que forem celebrados. 4.6 As operações deverão ser avaliadas quanto à materialidade e relevância, com base na matriz de planejamento, constituindo-se anexo específico para cada operação de crédito analisada. 4.7 Como informado, os contratos de financiamento devem ser assinados até 2/7/2010 para atender ao prazo estabelecido pela IN 23/2010 do Ministério das Cidades. Tendo em vista o tempo limitado para 6

7 que a CAIXA realize as análises necessárias à contratação das operações de crédito, há risco de que os contratos sejam celebrados com pendências a serem resolvidas pelos tomadores. Nesses casos, as normas do Pró-Transporte prescrevem que o saneamento integral dessas pendências é condição para que o banco realize o primeiro desembolso. 4.8 Dessa forma, entende-se que o momento mais adequado para aplicação dos procedimentos da matriz de planejamento seria logo após o primeiro desembolso das operações contratadas, quando todas as condições exigidas pelo Programa já deverão estar atendidas. Agindo assim, eventuais problemas no processo de concessão do financiamento poderão ser identificados e corrigidos com tempestividade, assegurando a regularidade das demais liberações de recursos. A necessidade de estender o acompanhamento de uma operação específica dependerá dos resultados da análise do primeiro desembolso, a critério do Tribunal. Por isso, também será proposta determinação para que a CAIXA encaminhe informações sobre o primeiro desembolso de cada operação contratada, assim que forem aprovados. 4.9 Por fim, cabe registrar que os auditores desta Unidade Técnica devem continuar participando das reuniões do Grupo de Trabalho Copa de 2014 organizado pelo Ministério Público Federal, para avaliação e discussão da atuação da CAIXA como agente financiador dos projetos de mobilidade urbana destinados ao evento. 5. CONCLUSÃO 5.1 Por meio do Acórdão nº 678/2010-TCU-Plenário, o Tribunal determinou à 2ª Secex que verificasse a regularidade dos procedimentos adotados pela Caixa Econômica Federal na concessão de financiamentos aos governos estaduais ou municipais para as obras de mobilidade urbana relacionadas com a Copa do Mundo de Futebol de Atendendo à determinação, esta Unidade Técnica fez publicar a Portaria de Fiscalização/Fase Planejamento nº 760, de 22/4/ No planejamento do trabalho, procurou-se identificar as características gerais da linha de financiamento, com destaque para o papel de cada agente e para as regras de aplicação dos recursos. Também se buscou identificar as alçadas e os procedimentos internos da CAIXA para contratar os financiamentos e realizar os respectivos desembolsos. Adicionalmente, examinaram-se as providências até então adotadas em função dos projetos de mobilidade urbana a serem financiados. 5.3 Das informações obtidas, verificou-se que os projetos e os valores que serão financiados pela CAIXA foram relacionados na Matriz de Responsabilidades divulgada no site do Ministério do Esporte, firmada entre a União, os Estados e os Municípios. Conforme o documento, a CAIXA deverá financiar R$ 6,4 bilhões do total estimado em R$ 11,48 bilhões para investimentos em mobilidade urbana nas cidades-sede. 5.4 As operações de crédito serão realizadas no âmbito do Programa Pró-Transporte, com recursos do FGTS. As garantias das operações deverão ser constituídas pelos recursos do FPE/FPM e receitas de ICMS dos entes públicos tomadores. 5.5 É importante destacar que os governos estaduais e municipais são os responsáveis pela contratação e execução dos projetos. Por isso, essas ações deverão ser acompanhadas pelos respectivos Tribunais de Contas Estaduais e/ou Municipais. Isso não impede que, verificadas irregularidades na execução contratual, o TCU as comunique aos órgãos de controle interessados. 5.6 Reunidas as informações, elaborou-se uma matriz de planejamento para avaliar a regularidade dos financiamentos. Entretanto, até o final do período abrangido pela Portaria de Fiscalização (até 28/5/2010), nenhuma operação foi efetivamente contratada. 5.7 Para permitir a execução dos procedimentos da matriz de planejamento, será proposta ao Tribunal a conversão do presente processo em Relatório de Acompanhamento, com a criação de anexo específico para cada operação de crédito analisada. Assim, as ações adotadas pela CAIXA na concessão dos financiamentos poderão ser acompanhadas de forma seletiva e concomitante pela 2ª Secex. Para tanto, será proposta ainda determinação para que a CAIXA encaminhe ao Tribunal cópias dos contratos de financiamento, assim que forem celebrados. 5.8 Pelo prazo estabelecido na IN 23/2010 do Ministério das Cidades, a assinatura dos contratos deve ocorrer até 2/7/2010. Nessas condições, há risco de que os contratos sejam firmados com pendências a serem resolvidas pelos tomadores, cuja solução deve ser condicionante para o primeiro desembolso. 5.9 Dessa forma, entende-se que o momento mais adequado para aplicação dos procedimentos da matriz de planejamento seria logo após o primeiro desembolso das operações contratadas, de modo que eventuais problemas no processo de concessão do financiamento possam ser identificados e corrigidos 7

8 com tempestividade, assegurando a regularidade das demais liberações de recursos. A necessidade de estender o acompanhamento de uma operação específica dependerá dos resultados da análise do primeiro desembolso, a critério do Tribunal. Por isso, também será proposta determinação para que a CAIXA encaminhe informações sobre o primeiro desembolso de cada operação contratada, assim que forem aprovados Adicionalmente, será proposto encaminhar cópia do Acórdão que vier a ser adotado pelo Tribunal, bem como do Relatório e do Voto que o fundamentarem para os seguintes destinatários envolvidos na execução e no controle das ações preparatórias para a Copa 2014: a) Ministro de Estado do Esporte; b) Ministro de Estado das Cidades; c) Presidente da Caixa Econômica Federal; d) Presidente da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado Federal; e) Presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados; f) Procurador- Geral da República, para subsidiar as atividades do Grupo de Trabalho Copa 2014 instituído no âmbito do Ministério Público Federal; g) Secretaria Adjunta de Planejamento e Procedimentos do TCU, de modo a subsidiar as atividades de acompanhamento das ações da Copa Por fim, será proposto que o Anexo 2 deste processo tenha tratamento sigiloso no âmbito do Tribunal, nos termos dos art. 9º e 10 da Resolução TCU nº 191/2006 e do art. 6º inciso VII da Resolução TCU nº 229/2009, uma vez que contém informações que merecem esse resguardo, conforme indicação da CAIXA. 4. Em face das análises acima, a 2ª Secretaria de Controle Externo formulou proposta no sentido de: a) converter o presente processo em Relatório de Acompanhamento, nos termos dos arts. 241 e 242 do Regimento Interno do TCU, de modo que os procedimentos de concessão de empréstimos ou financiamentos pela Caixa Econômica Federal aos governos estaduais ou municipais para as obras de mobilidade urbana relacionadas com o evento Copa do Mundo de Futebol de 2014 possam ser acompanhados de forma seletiva e concomitante pelo Tribunal, com a criação de anexo específico para cada operação de crédito analisada; b) determinar à Caixa Econômica Federal, nos termos do art. 250, inciso II, do Regimento Interno do TCU, que: b.1) encaminhe ao Tribunal cópia dos contratos de financiamento celebrados com os Estados/Municípios no âmbito do Pró-Transporte para fazer frente às obras de mobilidade urbana relacionadas com a Copa do Mundo de Futebol de 2014, em até 15 dias após a assinatura de cada instrumento contratual; b.2) informe o Tribunal sobre a realização do primeiro desembolso relativo aos contratos de financiamento definidos no item anterior, em até 15 dias após cada aprovação para liberar os respectivos recursos; c) encaminhar cópia do Acórdão que vier a ser proferido pelo Tribunal, bem como do Relatório e do Voto que o fundamentarem para os seguintes destinatários envolvidos na execução e no controle das ações preparatórias para a Copa 2014: a) Ministro de Estado do Esporte; b) Ministro de Estado das Cidades; c) Presidente da Caixa Econômica Federal; d) Presidente da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado Federal; e) Presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados; f) Procurador-Geral da República, para subsidiar as atividades do Grupo de Trabalho Copa 2014 instituído no âmbito do Ministério Público Federal; g) Secretaria Adjunta de Planejamento e Procedimentos do TCU, de modo a subsidiar as atividades de acompanhamento das ações da Copa 2014; d) determinar que o Anexo 2 deste processo tenha tratamento sigiloso no âmbito do Tribunal, nos termos dos art. 9º e 10 da Resolução TCU nº 191/2006 e do art. 6º, inciso VII, da Resolução TCU nº 229/2009. É o relatório. 8

9 VOTO Cuidam os autos de relatório de levantamento de auditoria realizado pela 2ª Secretaria de Controle Externo (2ª Secex) com o objetivo de verificar a regularidade dos procedimentos adotados pela Caixa Econômica Federal (CAIXA) na concessão de financiamentos aos governos estaduais e municipais para as obras de mobilidade urbana relacionadas com a Copa do Mundo de Futebol de Na fase de planejamento do presente trabalho, motivado pela determinação assente no item 9.2 do Acórdão nº 678/2010-TCU-Plenário (TC /2010-3), a unidade técnica procurou identificar as características gerais da linha de financiamento, os procedimentos internos de gerenciamento da CAIXA para a citada linha e as providências até então adotadas em função dos projetos de mobilidade urbana a serem financiados. 3. Em face das informações obtidas, a 2ª Secex verificou que os projetos e os valores a serem financiados pela CAIXA foram relacionados na Matriz de Responsabilidades divulgada no site do Ministério do Esporte (www.portal.esporte.gov.br), firmada entre a União, os Estados e os Municípios das cidades que sediarão o importante evento futebolístico. 4. De acordo com o documento, do total estimado de R$ 11,48 bilhões em investimentos nas obras de mobilidade urbana nas cidades-sede, a CAIXA deverá financiar R$ 6,4 bilhões e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) R$ 1,2 bilhão, especificamente para as obras da cidade-sede do Rio de Janeiro. 5. As operações de crédito da CAIXA serão realizadas no âmbito do Programa Pró- Transporte, com recursos do FGTS, e garantidas com recursos do FPE/FPM e de receitas de ICMS dos entes públicos tomadores de crédito. 6. Os principais agentes no processo são o Ministério das Cidades e a CAIXA. O Ministério das Cidades, na qualidade de gestor da aplicação, deverá estabelecer as diretrizes para seleção, contratação e acompanhamento dos projetos a serem financiados pelo Programa, bem como promover o enquadramento final, hierarquizar e selecionar as propostas de operações de crédito. A CAIXA, como agente operador do FGTS, tem a atribuição de controlar e acompanhar a execução orçamentária do Programa, encaminhando informações ao Ministério das Cidades e ao Conselho Curador do FGTS (CGFGTS), e, como agente financeiro, é responsável pela emissão do parecer de enquadramento prévio quanto ao preenchimento dos requisitos do Pró-Transporte, à compatibilidade do valor solicitado e á viabilidade de execução da obra. 7. Reunidas e examinadas todas as informações, a equipe elaborou matriz de planejamento para avaliar a regularidade dos financiamentos e informou que até o final do período abrangido pela Portaria de Fiscalização nenhuma operação havia sido efetivamente contratada. 8. Sobre o momento mais adequado para aplicar os procedimentos da matriz de planejamento, acolho a proposta da 2ª Secex no sentido de que seja na ocasião do primeiro desembolso das operações contratadas, quando todas as condições exigidas pelo Pró-Transporte deverão estar satisfeitas. De igual modo, entendo que a necessidade de estender o acompanhamento de uma operação específica dependerá dos resultados da análise do primeiro desembolso. 9. Manifesto também a minha concordância com as proposições de converter o presente processo em relatório de acompanhamento, de modo a que os procedimentos de concessão de empréstimos ou financiamentos possam ser acompanhados de forma seletiva e concomitante pelo Tribunal, com a criação de anexo específico para cada operação de crédito analisada; e de determinar à CAIXA que encaminhe ao Tribunal cópia dos contratos de financiamento e informações sobre o primeiro desembolso de cada operação contratada, assim que essas ações forem realizadas. Para verificar as assinaturas, acesse informando o código

10 10. Com respeito ao ponto crítico da tempestividade da contratação das obras de mobilidade urbana, observo que a legislação brasileira, especialmente a Lei nº 9.504/1977 e a Resolução nº 43/2001 do Senado Federal, impõe condições e prazos que limitam a aprovação dos financiamentos em ano eleitoral. 11. Ante a peculiaridade da legislação eleitoral e para tornar o controle externo mais efetivo, entendo que esta Corte de Contas deva solicitar ao Ministério das Cidades informações acerca de todos os contratos de obras de mobilidade urbana vinculadas diretamente Copa do Mundo de Futebol de 2014, por cidade-sede, efetivamente firmados até 2 de julho de 2010, prazo estabelecido pela IN nº 23/2010 do citado Ministério. 12. Para os contratos ainda não celebrados até essa data, é pertinente, a meu ver, alertar aos tomadores de financiamentos de que a contratação deverá efetivar-se até 2 de setembro de 2010, com vistas a que os desembolsos possam ser realizados após a data de proclamação, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do candidato eleito ao cargo de chefe do Poder Executivo estadual, observada a possibilidade de segundo turno. 13. No que se refere às cartas-consulta dos quarenta e seis projetos de mobilidade urbana relativos a oito cidades-sede que serão financiados com recursos da CAIXA, creio que se deva estabelecer o prazo de quinze dias para que o Ministério das Cidades, na qualidade de gestor da aplicação, informe ao Tribunal, por intermédio da 2ª Secex, qual a atual situação de cada financiamento de projeto. 14. Quanto à participação dos auditores da 2ª Secex nas reuniões do Grupo de Trabalho Copa de 2014 organizado pelo Ministério Público Federal para avaliação e discussão da atuação da CAIXA como agente financiador dos projetos de mobilidade urbana destinados ao evento, manifesto a minha aquiescência. 15. No que se refere ao Anexo 2 deste processo, acolho a proposta da unidade técnica de que lhe seja dado tratamento sigiloso no âmbito do Tribunal, nos termos dos arts. 9º e 10 da Resolução TCU nº 191/2006 e do art. 6º, inciso VII, da Resolução TCU nº 229/ Finalmente, entendo oportuno autorizar a publicação no Portal de Fiscalização da Copa de 2014, mantido pelo TCU, do relatório completo produzido pela 2ª Secex. Por todo o acima exposto e considerado, VOTO no sentido de que o Tribunal adote a deliberação que ora submeto ao Colegiado. TCU, Sala das Sessões Ministro Luciano Brandão Alves de Souza, em 7 de julho de VALMIR CAMPELO Ministro-Relator Para verificar as assinaturas, acesse informando o código

11 ACÓRDÃO Nº 1583/2010 TCU Plenário 1. Processo nº TC / (com 2 anexos) - Fiscalis nº 506/ Grupo II Classe V - Assunto: Relatório de Levantamento de Auditoria 3. Órgão/Entidade: Ministério da Fazenda (vinculador); Caixa Econômica Federal (CAIXA) 4. Interessado: Tribunal de Contas da União, 2ª Secretaria de Controle Externo (Secex-2) 5. Relator: Ministro Valmir Campelo 6. Representante do Ministério Público: não atuou 7. Unidade Técnica: 2ª Secretaria de Controle Externo (Secex-2) 8. Advogados constituídos nos autos: Alexandre Wagner Vieira da Rocha, OAB/DF ; Ana Cecília Costa Ponciano, OAB/DF ; André Luis Tucci, OAB/SP ; André Yokomizo Aceiro, OAB/DF ; Bárbara Bianca Sena, OAB/DF ; Carla Beatriz Hamu Silva, OAB/DF ; Carlos Augusto de Andrade Jenier, OAB/ES ; Cintia Mara Dias Custódio, OAB/DF ; Cintia Tashiro, OAB/DF ; Carlos Henrique Bernardes Castello Chiossi, OAB/DF ; Davi Duarte, OAB/RS ; Estanislau Luciano de Oliveira, OAB/MG ; Fabiana Calviño Marques Pereira, OAB/DF ; Fernanda Christina Martins de Castro, OAB/MG ; Flávio Queiroz Rodrigues, OAB/DF ; Frederico Gazolla Rodrigues Renno, OAB/MG ; Girlana Granja Peixoto Moreira, OAB/DF ; Giselle Davila Honorato Furtado, OAB/MG ; Grey Bellys Dias Lira, OAB/RO 2.743; Guilherme Lopes Mair, OAB/SP ; Irene Amorim Knupp Miranda, OAB/MG ; João Roberto de Toledo, OAB/MG ; José Linhares Prado Neto, OAB/DF ; José Nicodemos Rodrigues Varela, OAB/DF ; Julio Vitor Greve, OAB/DF 7.677; Leonardo da Silva Patzlaff, OAB/DF ; Keila de Medeiros Duarte, OAB/DF ; Luiz Eduardo Alves Rodrigues, OAB/DF ; Marcos Ulhoa Dani, OAB/MG ; Mario Luiz Machado, OAB/DF 4.848; Mary Carla Silva Ribeiro, OAB/MG ; Osival Dantas Barreto, OAB/DF ; Renata Costa Silva Brandão, OAB/MG ; Ricardo Tavares Baraviera, OAB/DF ; Salvador Congentino Neto, OAB/SP ; Samir Nacim Francisco, OAB/DF 1.640A, Sérgio Luiz Guimarães Farias, OAB/DF 8.540; Wesley Cardoso dos Santos, OAB/DF ; Adriana Sousa de Oliveira, OAB/DF ; Alberto Cavalcante Braga, OAB/DF 9.170; Alexander da Silva Moraes, OAB/MG ; Alexandre Duarte de Lacerda, OAB/DF 7.658; Alison Miranda de Freitas, OAB/DF ; André Banhara Barbosa de Oliveira, OAB/SP ; Antônio Gilvan Melo, OAB/DF 5.974; Augusto Cláudio Ferreira Guterres Soares, OAB/DF 8.906; Cristina Lee, OAB/DF ; Damião Alves de Azevedo, OAB/DF ; Daniel Aquino Schneider, OAB/DF ; Daniela Alves Cruz de Carvalho, OAB/DF ; Daniella Gazzetta de Camargo, OAB/DF 7.529; Deocleciano Batista, OAB/DF 6029; Elga Lustosa de Moura, OAB/DF ; Everardo da Silva Amaral, OAB/DF 6.608; Felipe Vasconcelos Soares Montenegro Mattos, OAB/DF ; Flavio Silva Rocha, OAB/MG ; Gustavo Adolfo Maia Junior, OAB/DF ; Gustavo Pereira Mendes, OAB/MG ; Inessa do Amaral Madruga Guimarães, OAB/DF ; Isabel de Fátima Ferreira Gomes, OAB/PR ; João Cardoso da Silva, OAB/MG ; José Carlos Izidro Machado, OAB/DF ; Josnei de Oliveira Pinto, OAB/DF ; Jucileia Gomes de Oliveira, OAB/DF ; Juliana Varella Barca de Miranda Porto, OAB/DF ; Lenymara Carvalho, OAB/MG ; Leonardo Groba Mendes, OAB/DF ; Luciano Caixeta Amâncio, OAB/MG ; Ludmila Viana Barbosa, OAB/DF ; Luiz Ramos Rego Filho, OAB/DF ; Manoel Moreira Filho, OAB/DF ; Márcio de Assis Borges, OAB 916-A; Maria Eliza Nogueira da Silva, OAB/PA ; Marta Bufaiçal Rosa, OAB/DF 7.292; Murilo Oliveira Leitão, OAB/DF ; Rafaela Dornelles Fittipaldi, OAB/DF ; Regynaldo Pereira Silva, OAB/DF ; Roberta Muratori Athayde, OAB/MG ; Suzana Rodriguez Alves Moreira, OAB/DF ; Thais Severo Barbosa, OAB/DF ; Ubiraci Moreira Lisboa, OAB/DF ; Welisangela Cardoso de Menezes, OAB/DF ; Wilson de Souza Malcher, OAB/DF Para verificar as assinaturas, acesse informando o código

12 9. Acórdão: VISTOS, relatados e discutidos estes autos de Relatório de Levantamento de Auditoria realizado pela 2ª Secretaria de Controle Externo (Secex-2) com o objetivo de verificar a regularidade dos procedimentos de concessão de empréstimos ou financiamentos aos governos estaduais ou municipais para as obras de mobilidade urbana relacionadas com o evento Copa do Mundo de Futebol de ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão do Plenário, ante as razões expostas pelo Relator, em: 9.1. converter o presente processo em relatório de acompanhamento, nos termos dos arts. 241 e 242 do Regimento Interno do TCU, de modo a que os procedimentos de concessão de empréstimos ou financiamentos pela Caixa Econômica Federal aos governos estaduais ou municipais para as obras de mobilidade urbana relacionadas com o evento Copa do Mundo de Futebol de 2014 possam ser acompanhados de forma seletiva e concomitante pelo Tribunal, com a criação de anexo específico para cada operação de crédito analisada; 9.2. determinar à Caixa Econômica Federal, nos termos do art. 250, inciso II, do Regimento Interno do TCU, que: encaminhe ao Tribunal cópia dos contratos de financiamento celebrados com os Estados/Municípios no âmbito do Pró-Transporte para fazer frente às obras de mobilidade urbana relacionadas com a Copa do Mundo de Futebol de 2014, em até 15 dias após a assinatura de cada instrumento contratual; informe o Tribunal sobre a realização do primeiro desembolso relativo aos contratos de financiamento definidos no item anterior, em até 15 dias após cada aprovação para liberar os respectivos recursos; 9.3. fixar o prazo de quinze dias para que o Ministério das Cidades informe ao Tribunal, por cidade-sede: acerca dos contratos de obras de mobilidade urbana efetivamente firmados até 2 de julho de 2010; a respeito da atual situação de cada financiamento de projeto, no que se refere às cartas-consulta dos quarenta e seis projetos de mobilidade urbana relativos a oito cidades-sede que serão financiados com recursos da CAIXA; 9.4. recomendar ao Ministério das Cidades que alerte aos entes públicos tomadores de financiamentos de que a contratação de obra de mobilidade urbana, ainda pendente, deverá efetivar-se até 2 de setembro de 2010, com vistas a que os desembolsos possam ser realizados após a data de proclamação, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do candidato eleito ao cargo de chefe do Poder Executivo Estadual, observada a possibilidade de segundo turno; 9.5. dar tratamento sigiloso no âmbito do Tribunal ao Anexo 2 deste processo, com base no disposto nos arts. 9º e 10 da Resolução TCU nº 191/2006 e no art. 6º, inciso VII, da Resolução TCU nº 229/2009; 9.6. encaminhar cópia deste Acórdão, bem como do relatório e do voto que o fundamentam e do relatório de levantamento de auditoria produzido pela 2ª Secex: aos Ministros de Estado do Esporte, das Cidades e à Presidente da Caixa Econômica Federal (CAIXA); ao Presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para a adoção das providências cabíveis em relação às obras de mobilidade urbana da cidade-sede do Rio de Janeiro; aos Presidentes das Comissões Permanentes: de Fiscalização Financeira e Controle, e de Turismo e do Desporto, ambas da Câmara dos Deputados; de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização Financeira e Controle, e de Educação, Cultura e Esporte, ambas do Senado Federal; Para verificar as assinaturas, acesse informando o código

13 aos Presidentes da Subcomissão Permanente que Fiscaliza os Gastos Públicos com a Copa de 2014, da Câmara dos Deputados; e da Subcomissão Permanente de Acompanhamento da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, do Senado Federal; aos Presidentes dos Tribunais de Contas dos Estados e dos Municípios das cidadessede da Copa do Mundo de Futebol de 2014, para que adotem as medidas cabíveis em face dos protocolos de execução assinados com este Tribunal; à Casa Civil da Presidência da República; aos titulares da Adplan, das 2ª, 6ª e 9ª Secex, das Secexs MT, MG, PR, CE, AM, RN, RS, PE, RJ, BA e SP, da Secob 2 e da Seprog; 9.7. autorizar a publicação no Portal de Fiscalização da Copa de 2014, mantido pelo TCU, do relatório completo produzido pela 2ª Secex. 10. Ata n 24/2010 Plenário. 11. Data da Sessão: 7/7/2010 Ordinária. 12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC /10-P. 13. Especificação do quorum: Ministros presentes: Benjamin Zymler (na Presidência), Valmir Campelo (Relator), Walton Alencar Rodrigues, Aroldo Cedraz, Raimundo Carreiro e José Jorge Auditores convocados: Augusto Sherman Cavalcanti e Marcos Bemquerer Costa Auditor presente: André Luís de Carvalho. (Assinado Eletronicamente) BENJAMIN ZYMLER Vice-Presidente, no exercício da Presidência (Assinado Eletronicamente) VALMIR CAMPELO Relator Fui presente: (Assinado Eletronicamente) PAULO SOARES BUGARIN Procurador-Geral, em exercício Para verificar as assinaturas, acesse informando o código

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