COSTA, Francine da Rocha 1 FREITAS, Angelica Rocha de 2 RESUMO

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1 INFLUÊNCIA DA ESTÉTICA NA BUSCA PELA REDUÇÃO DO PESO CORPORAL, PREVALÊNCIA DE PRÁTICAS DE EMAGRECIMENTO E INSATISFAÇÃO CORPORAL EM MULHERES COM IDADE ENTRE 20 E 65 ANOS INFLUENCE OF AESTHETICS IN THE SEARCH FOR REDUCING THE BODY WEIGHT, PREVALENCE OF THE WEIGHT LOSS PRACTICES AND DISSATISFACTION WITH THE BODY IN WOMEN WITH AGE BETWEEN 20 AND 65 YEARS COSTA, Francine da Rocha 1 FREITAS, Angelica Rocha de 2 RESUMO O presente trabalho teve como objetivo verificar a influência da estética corporal na busca pela redução de peso, analisar práticas de emagrecimento prevalentes em mulheres com idade entre 20 a 65 anos e identificar a percepção de imagem corporal entre elas. A pesquisa foi desenvolvida através de um formulário que indagava sobre práticas de emagrecimento e satisfação corporal, e de uma avaliação nutricional, incluindo peso e estatura para que pudesse ser encontrado o peso ideal e se estabelecer o diagnóstico nutricional. Foram avaliadas 50 mulheres com diagnostico nutricional de sobrepeso e obesidade, sendo que houve maior prevalência das com sobrepeso. A idade média das mulheres entrevistadas foi de 40,86±12,78 anos e peso médio foi de 79,5±13,1 kg. Verificou-se baixa freqüência da prática de atividade física entre as avaliadas. O motivo de ganho de peso mais citado foi a gestação (50%), e a maioria delas (72%) relatou já ter recorrido a alguma prática para emagrecimento anteriormente ao tratamento dietético. Quanto à satisfação corporal, 86% da amostra afirmou estar insatisfeita com o corpo, relatando que o emagrecimento influencia em sua vida pessoal, social e profissional. Dentre as práticas mais utilizadas para o emagrecimento destaca-se o uso de medicamentos. Pode-se observar que uma parcela importante das mulheres avaliadas busca o tratamento para redução de peso com finalidade estética, e grande parte está insatisfeita com o corpo, fator este negativo, visto que as mesmas podem adotar práticas não saudáveis de emagrecimento em busca da satisfação corporal. Palavras-chave: redução de peso corporal, estética corporal, práticas de emagrecimento 1 Acadêmica do curso de Nutrição da Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO) 2 Docente do curso de Nutrição da UNICENTRO ABSTRACT

2 2 This study aimed to determine the influence of body aesthetics in the quest for weight reduction, the weight loss practices prevalent in women aged 20 to 65 years old and identify the perception of body image between them. The research was conducted hrough a form that asked about weight loss practices and body satisfaction, and a nutritional assessment, including weight and height so that it could be found the ideal weight and to establish the nutritional diagnosis. We evaluated 50 women with nutritional diagnosis of overweight and obesity, with higher prevalence of overweight. The average age of the women was ± years and mean weight was 79.5 ± 13.1 kg. There was low frequency of physical activity among those evaluated. The most cited reason for weight gain was the pregnancy (50%), and most of them (72%) reported that they had resorted to some practice to weight loss prior to dietary treatment. About the body satisfaction, 86% of the sample said it was dissatisfied with the body, reporting that weight loss influences in his personal life, social and professional. Among the practices commonly used for weight loss highlights the use of drugs. It can be observed of the important proportion of women seeking treatment to reduce weight with aesthetic purpose, and most them are dissatisfied with your body, being this negative factor, because can lead of the practices unhealthy weight loss in search of body satisfaction. Key-words: reduction of body weight, aesthetics, weight loss practices INTRODUÇÃO E OBJETIVOS A obesidade é um dos maiores problemas de saúde pública, atingindo, indistintamente, países desenvolvidos e em desenvolvimento, com prevalências crescentes em adultos, adolescentes e crianças (1). O Brasil, assim como outros países em desenvolvimento, passa por um período de transição epidemiológica, caracterizada por uma mudança no perfil dos problemas relacionados à saúde pública, predominando as doenças crônicodegenerativas, embora as doenças transmissíveis ainda desempenhem papel importante (2). Esta transição é acompanhada de importantes modificações demográficas e nutricionais, como a desnutrição sendo reduzida a índices cada vez menores e a obesidade atingindo proporções epidêmicas (3,4). De uma forma geral, a obesidade pode ser definida como uma doença resultante do acúmulo anormal ou excessivo de gordura sob a forma de tecido adiposo, de forma que possa resultar em prejuízos à saúde do indivíduo, pelo aumento de índices de morbidade e mortalidade (5,6,7). Do ponto de vista epidemiológico, observa-se que a obesidade ocorre principalmente em indivíduos do sexo feminino, de classe social menos favorecida e sua incidência parece aumentar com a idade (8).

3 3 Apesar de a obesidade ser atualmente um problema de saúde pública, nos dias atuais é notória a importância dada à imagem e aparência. Durante muito tempo na história da humanidade, o ganho de peso, bem como o acúmulo de gordura, eram vistos como sinais de saúde e prosperidade (1). Porém, sabe-se que ao longo dos séculos, os padrões de beleza feminina mudaram e hoje a sociedade contemporânea busca incessantemente ao corpo perfeito (9). Com base nisso, sabese que a cultura é um componente importante na imagem corporal (10), visto que esse tema é de interesse geral, pois cada vez mais, as pessoas têm a sua identidade ligada a essa imagem, muitas vezes, confundindo-a com personalidade (11). A preocupação com a aparência é fato na atual sociedade e, sendo tão preponderante, leva as pessoas a se preocuparem excessivamente com ela (11). De acordo com Cash (12), a imagem corporal refere-se à experiência psicológica de alguém sobre a aparência e o funcionamento do seu corpo. Segundo o autor, o descontentamento relacionado ao peso, que muitas vezes levam a uma imagem corporal negativa, advém da ênfase cultural na magreza e estigma social da obesidade. O panorama sociocultural ocidental, de extrema valorização da magreza, com a pressão para o emagrecimento interagindo com outros fatores biológicos, psicológicos e familiares, gera uma preocupação com o corpo e um pavor patológico de engordar. Essa pressão ocorre, principalmente, com as mulheres para quem a aparência física está relacionada a um valor pessoal e se associa com sucesso profissional, autonomia financeira e independência e é para elas também que o culto à beleza representa uma neurose moderna e coletiva que se espalha, em ritmo acelerado, de mulher para mulher (13,14). A ênfase da sociedade contemporânea no ideal de magreza (culto ao corpo), as intensas propagandas na mídia de uma infinidade de regimes e de produtos dietéticos, bem como o crescimento de academias e do número de revistas sobre o assunto, fornecem o ambiente sociocultural que justifica a perda de peso, trazendo consigo uma simbologia de que a beleza física proporcionaria autocontrole, poder e modernidade (14,15). Associadas ao padrão de corpo magro, são veiculadas as mensagens de sucesso, controle, aceitação, conquistas de amor e estabilidade psicológica. Assim, a mulher acredita que, com a magreza, alcançará todas essas qualidades positivas,

4 4 sendo a prática de dietas vendidas como solução para todas as dificuldades. E na falha do sucesso na redução de peso, a mulher é vista como incapaz e sem autocontrole (16). Entretanto, o padrão imposto como ideal não respeita os diferentes biotipos e induz as mulheres na busca incessante pela magreza, seja através de dietas ou formas alternativas de emagrecimento (17). Desta forma, este trabalho teve como objetivo verificar a influência da estética corporal na redução do peso corporal, bem como analisar práticas de emagrecimento prevalentes em mulheres com idade entre 20 e 65 anos, e identificar a satisfação corporal entre elas. METODOLOGIA Este trabalho foi inicialmente aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual do Centro Oeste UNICENTRO, sob o protocolo de número 13521/2008 (Anexo 1). O mesmo foi desenvolvido com mulheres atendidas no Ambulatório de Nutrição da UNICENTRO, no município de Guarapuava-PR, com idade entre 20 e 65 anos, na forma de um estudo transversal prospectivo, às quais foi explanado o estudo e entregue o termo de consentimento livre e esclarecido (Apêndice 1). Às pacientes que concordaram voluntariamente em participar do estudo, foi aplicado um formulário (Apêndice 2), e realizada uma avaliação nutricional, incluindo peso e estatura, para que pudesse ser encontrado o peso ideal e estabelecer o diagnóstico nutricional. O peso foi aferido em uma balança antropométrica e a estatura verificada através do estadiômetro acoplado à balança. O diagnóstico nutricional foi estabelecido através do Índice de Massa Corporal (IMC) e classificado conforme critérios da Organização Mundial da Saúde (1998) para adultas e Classificação de Lipschitz (1994) para idosas. Foram incluídas no estudo, mulheres com mais de 20 anos, com diagnóstico de sobrepeso ou obesas, ou seja, mulheres adultas com IMC maior que 24,9 kg/m 2 e idosas com IMC maior que 27 kg/m 2, que buscassem acompanhamento para emagrecimento, que não apresentassem patologias como diabetes, câncer e hipertensão arterial e que concordassem com as normas do estudo. Sendo assim, homens em geral, mulheres com menos de 20 anos e mais de 65 anos ou que apresentassem as patologias acima citadas ou que fossem

5 5 desnutridas ou eutróficas ou, ainda, que apresentassem algum tipo de impossibilidade em responder o questionário foram excluídas do estudo. O formulário aplicado era composto por dezesseis questões abertas e fechadas, sendo que em duas questões (questões 15 e 16) a pesquisada poderia optar por mais de uma opção, e um cabeçalho que requisitava nome, idade, profissão, peso atual, estatura, IMC atual, peso ideal e peso desejado pela paciente (Apêndice 2). O formulário visava verificar as principais condutas já realizadas para obter o emagrecimento, a freqüência da prática de atividade física, satisfação corporal, o motivo que levou a participante a procurar o tratamento dietético e a influência da satisfação corporal em sua vida social, pessoal e/ou profissional. A análise dos dados foi realizada por meio de estatística descritiva utilizando médias, freqüências e desvio-padrão. A comparação das freqüências das variáveis categorizadas foram avaliadas através do teste do Qui-Quadrado. RESULTADOS E DISCUSSÃO Foram avaliadas cinquenta mulheres com idade média de 40,86±12,78 anos. Entre as mulheres pesquisadas, a maioria (24%) era dona de casa, como pode ser visto na tabela 1. Foi encontrada a frequência de 20% para outras profissões que incluíam assistente social, conselheira tutelar, coordenadora de projetos, corretora de imóveis, costureira, empresária, funcionária pública, manicure, motorista e auxiliar administrativa. Tabela 1. Atividades ocupacionais das mulheres avaliadas Atividades ocupacionais n (%) Dona de casa 12 (24%) Comerciante 7 (14%) Estudante 6 (12%) Pedagoga 3 (6%) Atendente de farmácia 2 (4%) Cabeleireira 2 (4%) Auxiliar doméstica 2 (4%) Pecuarista 2 (4%) Professora 2 (4%) Secretária 2 (4%) Outras 10 (20%)

6 6 Atualmente é notória a conquista das mulheres por direitos iguais aos dos homens, onde muitas já conseguiram seu espaço no mercado de trabalho, mudando a realidade antes vivida, na qual elas eram apenas donas de casa. Esse fato pode explicar a prevalência de 64% de mulheres com ocupação remunerada neste estudo. Em uma pesquisa, nos Estados Unidos da América, que envolveu mulheres com idade entre 25 e 64 anos, não foi possível demonstrar diferenças significativas entre as mulheres classificadas como donas de casa e as mulheres com uma ocupação remunerada no que tange à obesidade. O mesmo estudo revelou que as mulheres formalmente empregadas tendiam a apresentar uma dieta menos aterogênica (18). Entretanto, outros estudos demonstraram que as mulheres donas de casa tendem a apresentar melhor perfil lipídico e menor ganho ponderal em relação às mulheres com ocupação remunerada, fato que foi atribuído a maior dificuldade por parte dessas últimas em cuidar de sua alimentação, assim como maior escassez de tempo para praticar exercícios físicos regularmente (19,20). Com relação à avaliação antropométrica, o peso médio encontrado foi de 79,5±13,1 kg, peso este elevado se relacionado com a altura média verificada de 1,60±0,05m, visto que o peso ideal encontrado para tal altura média foi de 55,1±3,9 kg, como mostra a tabela 2. O desejo de emagrecimento encontrado no estudo revela que grande parte das mulheres avaliadas almejam reduzir número elevado de peso, visto que a média encontrada foi de 12,6±8,1 kg (tabela 2). Tabela 2. Variáveis antropométricas das mulheres avaliadas Variáveis antropométricas Valores médios Peso Atual (kg) 79,5±13,1 Altura (m) 1,60±0,05 Peso Ideal (kg) 55,1±3,9 Quilos que deseja perder (kg) 12,6±8,1 Dos resultados encontrados para o estado nutricional, a maioria (58%) das mulheres estavam com sobrepeso, sendo que 22% estavam com obesidade grau I, 12% obesidade grau II e 8% obesidade grau III, como pode ser verificado na Figura 1.

7 7 42% 58% SOBREPESO OBESIDADE Figura 1. Estado Nutricional das mulheres avaliadas No estudo houve uma prevalência de 58% de sobrepeso que pode ser explicado por possíveis diferenças no estilo de vida e possivelmente a alimentação entre essas mulheres estudadas, assim como por fatores psicossociais, entre estes a maior ou menor preocupação com a imagem corporal. Em um estudo realizado por Coitinho et al. (21), verificou-se que o sul do Brasil é a região do país que apresenta maior parcela significativa de adultos com sobrepeso e obesidade, visto que 34% dos homens e 43% das mulheres apresentaram algum grau de excesso de peso. A mudança das prevalências de sobrepeso e obesidade na população brasileira tem sido comprovada por vários estudos. Gigante et al. (22) encontraram 21% para obesidade, sendo 25% entre as mulheres e 15% entre os homens, e 40% para sobrepeso em ambos os sexos; Vedana et al. (23) encontraram 32,8% com sobrepeso e 17,8% com obesidade, sendo que entre os indivíduos obesos a maioria era do sexo feminino (20,2%) enquanto apenas 15,2% dos homens apresentavam obesidade. Quando divididas de acordo com a idade, as mulheres entre 40 e 65 anos apresentaram freqüência de 48,3% para obesidade e 51,7% para sobrepeso, enquanto as mulheres com idade entre 20 e 39 anos apresentaram 66,7% para sobrepeso e 33,3% para obesidade. Desta forma, verificou-se que com o aumento da idade passou a ser maior a prevalência de obesidade entre as avaliadas assim como outros estudos (23,24,25) identificaram. Esses dados ainda podem estar

8 confirmando o que Grundy (26) destaca em sua revisão, que o envelhecimento também está ligado ao ganho de peso, por estar associado a fatores como declínio na taxa metabólica basal (TMB) em conseqüência da perda de massa muscular, diminuição na prática de atividade física e aumento no consumo alimentar. Com relação à atividade física, verificou-se que 60% das avaliadas não a praticavam. Quando dividiu-se em mulheres com sobrepeso e mulheres obesas, notou-se que as mulheres com sobrepeso praticavam mais atividade física que as com obesidade (p<0,01), visto que 48,2% das com sobrepeso praticam atividade e apenas 28,5% das com obesidade realizavam tal prática, como pode ser observado na figura % 60% 50% 40% 30% 58% 48,20% p<0,01 42% 28,50% 20% 10% 0% SOBREPESO estado nutricional OBESIDADE prática de atividade física Figura 2. Relação entre estado nutricional e prática de atividade física O ideal, se falando de prática de atividade física, é que se faça três vezes por semana, entretanto no estudo isso não foi observado, talvez por que à medida que a sociedade se torna mais desenvolvida e mecanizada e as pessoas passam a ter maiores ocupações remuneradas, como é o caso da amostra, e a demanda por atividade física diminui, diminuindo também o gasto energético diário (27). Racette et al. (28) em seu estudo identificaram maior adesão à dieta entre aqueles que associam a atividade física. Após estudarem 30 mulheres obesas por 12 semanas, divididas em dois grupos, sendo um que fazia prática de exercício aeróbio junto com dieta e o outro que fazia exclusivamente dieta, verificaram que o grupo que se exercitava

9 9 seguiu a dieta de forma mais efetiva. Tal achado poderia ainda justificar o fato de muitas avaliadas neste estudo não terem obtido sucesso com tratamentos dietéticos, uma vez que permanecem no estado nutricional de sobrepeso/obesidade e continuam a não realizar atividade física. Visando os inúmeros benefícios que o exercício físico regular induz, este deve ser parte das estratégias de redução de gordura corporal (29). Com relação à idade de ganho de peso, a média encontrada foi de 27,7±10,8 anos. Já o menor peso que elas relataram ter, a média encontrada foi de 60,78±7,30kg. Dos motivos para tal ganho de peso o mais citado pelas entrevistadas foi a gestação (50%) seguido de sedentarismo (10%) e compulsividade (8%) como pode ser observado na tabela 3. Tabela 3. Motivos para ganho de peso entre as avaliadas Motivo para ganho de peso n (%) Cirurgias 2(4%) Compulsividade 4(8%) Depressão 2(4%) Desleixo nos Hábitos Alimentares 3(6%) Excesso de Vitaminas 1(2%) Gestação 25(50%) Hipotireoidismo 2(4%) Judô 1(2%) Menopausa 1(2%) Abstinência ao tabagismo 1(2%) Fatores psicológicos 2(4%) Sedentarismo 5(10%) Tempo sem Trabalhar 1(2%) Quando relacionada a idade média de ganho de peso com o com menor peso já obtido, nota-se que essas mulheres não eram obesas abaixo da idade média encontrada para o início do ganho de peso. Com a idade média de ganho de peso encontrada no estudo, as mulheres já estavam na fase adulta, sendo que com essa idade muitas já haviam sido gestantes. Se tratando dos motivos para o ganho de peso, a maioria (50%) das mulheres relatou a gestação como sendo o principal fator. Levando-se em consideração que a gestação é um período no qual muitas vezes por descuido e/ou tabus, muitas das avaliadas poderiam ter passado a ingerir um número excessivo de quilocalorias, o que fundamentaria tal achado. Uma revisão da

10 10 literatura afirma que os principais fatores determinantes da retenção de peso em mulheres no pós-parto incluem o ganho de peso durante a gestação e a intensidade da lactação (30). Shauberger et al. (31) em seu estudo revelaram um efeito importante do ganho de peso durante a gestação sobre a retenção de peso no pós-parto, sendo que mulheres com ganhos superiores a 16kg foram 5kg mais pesadas seis meses após o parto, quando comparadas a mulheres que ganharam menos de 11,3kg. De acordo com Fleitlich et al. (32), já quando adolescentes as meninas mesmo quando estão no peso adequado ou abaixo do peso ideal, costumam se sentir gordas ou desproporcionais, o que segundo Vilela et al. (33) com o aumento da idade, faz com que elas queiram cada vez mais perder mais peso. Quando indagadas sobre o motivo pelo qual procuravam o emagrecimento a maioria (72%) afirmou estar preocupada com a estética, seguido da preocupação com a saúde (54%), como pode ser observado na tabela 4. Tabela 4. Motivos para a busca do emagrecimento Motivo (n) % Estético 36 (72%) Indicação de um médico 6 (12%) Saúde 27 (54%) Familiar 2 (4%) Tal prevalência da busca pelo emagrecimento, por meio do tratamento dietético, com finalidade estética deve-se em grande parte ao incentivo social e da mídia pela idealização do corpo ideal como sendo o corpo magro. Desta forma, as mulheres tendem a procurar o emagrecimento para ficar dentro dos padrões de beleza impostos pela sociedade e pela mídia. Quando questionadas se já haviam recorrido a alguma prática de emagrecimento anterior ao tratamento dietético, a maioria (72%) delas afirmou já ter feito alguma prática, sendo o tratamento medicamentoso o mais procurado (69,2%), como pode ser visto na tabela 5.

11 Tabela 5. Práticas de emagrecimento anterior ao tratamento dietético 11 Práticas de emagrecimento n (%) Medicamento 27(69,2%) Chá 25(64,1%) Dietas da moda 14(35,8%) Drenagem 8(20,5%) Os meios de comunicação também influenciam as mulheres no incentivo a dietas e outras formas de tratamento, veiculando o paradigma de beleza imposto, que pressiona a ter um corpo magro, assim como o incentivo social. Neste estudo quando questionadas sobre quem havia indicado tais tratamentos, 85% das mulheres que relataram ter usado medicamento para emagrecer afirmaram que o mesmo foi indicado pelo médico, as amigas foram quem mais indicaram o uso de chá (48%) e dietas da moda (57%), já a drenagem em todos os casos foi feito por vontade própria. Souto e Ferro Bucher (34) em seu estudo observaram que a busca de orientação de um profissional da saúde para emagrecimento, não foi regra entre as entrevistadas, visto que algumas fizeram dietas por conta própria, inclusive baseadas em revistas que sugerem cardápios alimentares, além de que a partir das narrativas das entrevistas, perceberam os riscos decorrentes da prática indiscriminada de dietas e tratamentos para emagrecimento, estimulada por familiares, amigos, profissionais e pela mídia, o que também foi verificado no presente estudo. Tratando-se de satisfação corporal, a maioria (86%) delas relatou estar insatisfeita e nenhuma relatou indiferença com relação à imagem corporal como pode ser observado na figura % 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 86% 14% 0% SATISFEITA INSATISFEITA INDIFERENTE Figura 3. Satisfação Corporal das mulheres avaliadas

12 12 Os resultados mostraram que a insatisfação com a imagem corporal foi um fenômeno altamente freqüente entre as mulheres, o que pode ser considerado um problema de saúde pública, pois pode condicionar, em parte, atitudes e condutas comportamentais não-saudáveis, como anorexia, bulimia, dismorfia e aceitação das dietas mal orientadas (35). Estudo feito por Coqueiro et al. (36), com mulheres no climatério, mostrou prevalência de insatisfação com a imagem corporal inferior a do presente estudo, sendo descritas prevalências de 76% entres as pesquisadas. Outro estudo identificou prevalência de 78,8% de insatisfação corporal entre mulheres fisicamente ativas (37). No presente estudo verificou-se prevalência de insatisfação corporal mais elevada do que a encontrada na literatura. Quando questionadas se o emagrecimento poderia influenciar na vida das pessoas, 90% delas afirmaram que sim e dessas, 60% acham que essa influência ocorre tanto na vida social como pessoal e profissional. Ainda, 24,44% relataram essa influência apenas na vida pessoal e 15,55% na vida social e profissional. 60% 50% 40% 30% 54% 20% 10% 0% 12% 14% 1 10% PESSOAL SOCIAL, PESSOAL E PROFISSIONAL SOCIAL E PESSOAL SEM INFLUÊNCIA Figura 4. Influência do emagrecimento na vida pessoal, social e profissional Tal achado demonstra que a maior parte das avaliadas entende o emagrecimento como um fator preditor de influência na sua vida pessoal, social e profisional. Destaca-se que essa influência poderia ser tanto positiva quanto negativa e poderia desencadear ainda mais aumento na obesidade, pois se

13 13 insatisfeitas essas mulheres poderiam ter menor auto-estima para realizar tratamento dietético para redução de peso continuando com estado nutricional alterado. Tabela 5. Comparação entre mulheres com sobrepeso e obesas com relação às praticas de emagrecimento e insatisfação corporal Fatores Sobrepeso (%) Obesidade (%) Valor de p Realização de práticas de 68,9 76,1 0,09 emagrecimento Presença de redução de 80 81,25 0,75 peso prévia com práticas de redução de peso realizadas Reganho de peso após 65 81,25 <0,01 práticas de redução de peso realizadas anteriormente Insatisfação corporal 89,6 80,95 0,03 Influência do emagrecimento Pessoal 88,8 55,5 <0,01 Social * Profissional 62,9 55,5 0,14 * NOTA: Não houve diferença entre os valores Quando comparadas as mulheres com sobrepeso e obesidade, as mulheres com obesidade buscaram mais práticas de emagrecimento que as mulheres com sobrepeso, entretanto não houve significância estatística na diferença da busca entre um grupo e outro (p>0,05). Com relação à redução de peso, as obesas relataram haver reduzido peso com maior freqüência do que as com sobrepeso, mas essa diferença também foi sem significância (p>0,05). Tratando-se do reganho de peso após as práticas de emagrecimento, as obesas também afirmaram terem adquirido o peso antes perdido, com maior freqüência do que as com sobrepeso (p<0,05). Com relação à insatisfação corporal, as com sobrepeso demonstraram-se mais insatisfeitas que as com obesidade (p<0,05), e com relação à influência do emagrecimento na vida das pessoas, as com sobrepeso acham que o peso tem mais influência na vida pessoal e na profissional que as com obesidade (p<0,01).

14 CONCLUSÃO Pode-se perceber que uma parcela importante das mulheres avaliadas busca o tratamento dietético para redução de peso com finalidade estética. Dentre as práticas de emagrecimento mais utilizadas previamente à busca pelo tratamento dietético, destaca-se o uso de medicamentos, e a utilização de chás e dietas da moda indicadas por amigas. Além disso, quando questionadas sobre a satisfação corporal verificou-se que grande parte está insatisfeita, e relaciona o emagrecimento como fator de influência em sua vida pessoal, social e profissional. Destaca-se que a insatisfação corporal encontrada entre essas mulheres é um fator este negativo que pode influenciar na adoção de práticas não saudáveis de emagrecimento em busca da satisfação corporal. 14 REFERÊNCIAS 1. World Heath Organization - WHO. Obesity status: preventing and managing the global epidemic. Report of a WHO consultation on obesity. Geneva, Scharamm JMA et al. Transição epidemiológica e o estudo de carga de doença no Brasil. Ciência e Saúde Coletiva 2004; Popkin BM. The nutrition transition: an overview of world patterns of change. Nutrition Reviews 2004; 62: Rivera, JA et al. Nutrition transition in Mexico and in other Latin American countries. Nutrition Reviews 2004; 62: Halpern A et al. Obesidade. São Paulo: Lemos; World Health Organization WHO. Obesity: Preventing and managing the global epidemic. Report a WHO consultation. World Health Organ Tech Rep Series. 2000; p.

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19 19

20 Anexo 1 20

21 Apêndice 1 21 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Prezado(a) participante: Sou estudante do curso de Nutrição da Universidade Estadual do Centro- Oeste UNICENTRO e estou realizando uma pesquisa sob supervisão da professora Angélica Rocha de Freitas (Departamento de Nutrição), cujo objetivo é identificar a relação entre redução de peso e estética corporal. Sua participação nesse estudo é voluntária, ou seja, você não receberá nenhum valor em dinheiro como gratificação. Se você decidir não participar ou quiser desistir de continuar em qualquer momento, tem absoluta liberdade de fazêlo, sem que seu atendimento no Ambulatório de Nutrição dessa Universidade seja prejudicado. Caso aceite participar, você deverá comparecer no Ambulatório de Nutrição da UNICENTRO, conforme data e horário combinado comigo. Sua participação envolve uma entrevista que consiste na resposta de um formulário e uma avaliação nutricional, onde serão aferidos seu peso e sua estatura, sendo assim este estudo não traz nenhum risco à sua saúde, entretanto caso você tenha alguma dúvida poderá ter acesso direto a todo tipo de informação a qualquer momento do estudo, entrando em contato comigo ou com a professora orientadora deste trabalho. Na publicação dos resultados desta pesquisa, seu nome e identificação serão mantidos no mais rigoroso sigilo. Serão omitidas todas as informações que permitam identificá-la. Mesmo não tendo benefícios diretos em participar, indiretamente você estará contribuindo para a compreensão do fenômeno estudado e para a produção de conhecimento científico. Quaisquer dúvidas relativas à pesquisa poderão ser esclarecidas pelo(s) pesquisador(es), no Ambulatório de Nutrição da UNICENTRO ou pelos telefones (42) (Francine) e (42) (Angelica) ou pela entidade responsável Comitê de Ética em Pesquisa da UNICENTRO. Atenciosamente, Francine da Rocha Costa Acadêmica de Nutrição Angelica Rocha de Freitas Professora Orientadora Eu,... li o texto acima e compreendi a natureza e o objetivo do estudo do qual fui convidada a participar. A explicação que recebi menciona que não haverá riscos para mim. Eu entendi que sou livre para interromper minha participação no estudo a qualquer momento sem justificar minha decisão. Eu concordo voluntariamente em participar deste estudo, sem recebimento de nenhuma gratificação. Guarapuava, / / 2009 Assinatura do Participante

22 Apêndice 2 22 Formulário para verificação da relação entre redução do peso e estética corporal Nome: Idade: Profissão: Peso atual: Altura: IMC atual: Peso Ideal: Peso desejado pela paciente: Quantos quilos pretende perder : 1) Pratica atividade física: ( ) Sim ( ) Não Qual: Se sim, com que freqüência: ( ) 1-2 Vezes por semana ( ) 3-4 Vezes por semana ( ) 5-6 Vezes por semana ( ) todos os dias 2) Com que idade começou a ganhar peso: 3) Qual foi o menor peso que você já teve: 4) Qual foi o motivo para o ganho de peso: 7) Já fez alguma prática de emagrecimento anteriormente à procura pela Nutrição: ( ) Sim ( )Não 8) Que tipo de prática: ( ) Remédios ( ) Chás ( ) Drenagem ( ) Dietas Modernas 8) Se já realizou alguma dieta, qual foi: 9) Se já tomou algum chá, qual foi: 10) Se já tomou algum remédio, qual foi: 11) Quem indicou: 12) Qual foi o resultado obtido quando feita as práticas: ( ) Redução de peso ( ) Ganho de peso ( ) Não houve alteração de peso 13) Se houve redução de peso quando feita tais práticas, depois de algum tempo houve reganho de peso: ( ) Sim ( ) Não 14) Está satisfeita com seu corpo: ( ) Satisfeita ( ) Insatisfeita ( ) Indiferente 15) Motivo da busca pelo tratamento dietético: ( ) Estético ( ) Médico ( ) Saúde ( ) Familiar 16) Você acha que o emagrecimento terá influencia na vida social, pessoal ou profissional: ( ) Sim ( ) Não Se sim, em qual: ( ) Social ( ) Pessoal ( ) Profissional

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