A EDUCAÇÃO E A DEMOCRACIA EM ATENAS

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1 A EDUCAÇÃO E A DEMOCRACIA EM ATENAS MONIQUE KONDER COMPARATO Os gregos inventaram um modelo político que nunca tinha existido antes e que é hoje o regime mais difundido no mundo: a democracia. Em Atenas, ela coincidiu com o período mais brilhante da cidade: o século V a.c. Mas se sabe também que ela não durou mais que dois séculos. Apesar disso, quando se fala em democracia, sempre nos referimos à democracia ateniense como se fosse o modelo. Esses fatos nos levam a formular várias perguntas: I Como nasceu a democracia em Atenas? II Como ela funcionou? III Será que ela se pode aprender? 1

2 I Como nasceu a democracia em Atenas Herdamos da Grécia a invenção do político, ou seja, a preocupação política, ou ainda a ciência de governar os Estados. A palavra política provém do grego polis = a cidade. A Grécia toda era composta por cidades-estados, que rivalizavam sempre entre si; cada uma reúnia-se ao redor do seu deus tutelar. Mas as cidades eram, antes de tudo, um grupo de homens: na linguagem da época, não se falava em Atenas, mas nos atenienses. A cidade nasceu quando os camponeses esparsos decidiram viver em comunidade, agrupando os seus santuários familiares, reunindo-se em torno de um santuário novo, comum a todos, servido por seu sacerdote superior, que era o rei e também juiz e chefe de guerra. Aos poucos, esse poder real foi dividido e substituído por cargos diversos: num primeiro momento, duravam dez anos; depois, eram anuais. A aristocracia arrogou-se todos os cargos e o povo pediu reformas políticas e sociais. O território da cidade era delimitado pela disposição dos santuários existentes. Em geral inventava-se um mito para explicar o surgimento da cidade. Os atenienses do século V a.c. imaginaram que os camponeses se reuniram sob o impulso de Teseu para favorecê-los contra os poderosos aristocratas. No mundo mediterrâneo, o rei ( anax ) tem o papel essencial. Ele tem alguma coisa de divino, é um intermediário entre os deuses e os homens. Estes são inferiores e devem obedecer ao rei. Mas podemos ver na epopéia homérica (a Ilíada e a Odisséia) um modo novo de governar. A palavra anax ficou banalizada e passou a significar simplesmente senhor. Para designar o rei, outra palavra apareceu: basileus ; é um termo técnico, que pode ter flexão gradual como um adjetivo: se pode ser mais rei que outro ou o mais rei de todos: o rei dos reis. Na guerra de Tróia, o rei dos reis é Agamémnon. Os príncipes da Grécia que vieram ajudar Menelau na reconquista de Helena têm o título de basileus. Agamémnon é o chefe deles e, quando precisa tomar uma grande decisão, ele os reúne. Ele dispõe o exército inteiro em círculo, cada um avança por vez segurando o skeptron (cetro). Nesse contexto, o cetro não era um indicativo de poder, e sim a marca social que conferia o direito de falar. Assim, aparece a idéia de que só os aristoi, os melhores, os chefes, aqueles que mostraram sua coragem, sua energia, sua honra, têm o direito de falar, mesmo verdades duras. Por exemplo, Aquiles não hesita em dizer na frente de todos o que acha de Agamémnon: Você é um poltrão, um canalha. O que vou fazer com você?. 2

3 É uma revolução. Isto dará mais tarde o que se chamará isegoria = a igualdade de palavra de todos os cidadãos na assembléia do povo. A realeza, que tinha valor quase religioso, foi despersonalizada e virou uma coisa comum. Aparece a idéia de que uma vida social pode existir somente se todos os membros de uma comunidade tiverem direitos iguais para gerir os interesses comuns. Em muitos textos encontramos a expressão: É preciso colocar o poder no centro. O que significa? Quer dizer que todos aqueles que estão na periferia estão à mesma distância do centro. O poder estando no centro, ninguém pode se apoderar dele. Isso se traduz concretamente na arquitetura da cidade: ao lado do acrópole, onde se erguem os templos dos deuses, apareceu a ágora ( = a praça pública, o fórum romano), assim como outros espaços comunitários: o estádio, os banhos, a palestra. Quando, a partir do século VIII a.c., os gregos vão fundar colônias no exterior, a primeira coisa que eles fazem é reservar, no centro, um espaço onde não se poderá construir nenhum palácio, nenhuma casa particular. É o espaço público. A invenção do político é isso. Em Atenas se atribui cada etapa da democracia a um herói, legislador ou reformador, aparecendo em período de crise. Assim, no século VII a.c., Dracon teria estabelecido em Atenas leis escritas. A história guardou a extrema severidade das leis, mas o importante é que se criou então um direito escrito, igual para todos. A partir de então, o crime não é mais apenas uma ofensa privada, mas atinge a ordem pública. Se a lei é violada, todo cidadão pode pedir reparação. A justiça deixa de ser arbitrária. Como explicar essa reforma? Os aristocratas perderam o monopólio da defesa da cidade. Criou-se uma infantaria de hoplítas com armas pesadas: lança, espada, capacete, couraça, escudo, cnêmides para proteger as pernas... Só os cidadãos ricos podiam pagar por essas armas. Como eram também defensores da pátria, eles exigiram a sua participação no poder. No começo do século VI a.c. o surgimento de novas fontes de riqueza que, em conseqüência, aumentou o número de comerciantes, armadores e artesãos, transformou a população ateniense, que se tornou mais urbana. Aparece, então, Sólon, novo legislador-reformador, sobre o qual a Professora Gilda Naécia Maciel de Barros tem mais competência para falar. Mas não posso deixar de mencionar suas reformas revolucionárias. - Socialmente: Ele libertou os camponeses oprimidos pelos aristocratas, resgatando as terras hipotecadas, mas não vai até a repartição do solo da pátria 3

4 que a maioria queria. Quando ele suprime a escravidão por dívidas, ele evidencia a natureza específica do cidadão, que não pode ser escravizado na própria cidade. O cidadão é um homem livre. - Economicamente: Ele lançou Atenas no grande comércio internacional, criando uma moeda semelhante à moeda das grandes potências marítimas. - Politicamente: Até então, só os aristocratas podiam exercer o poder. Sólon impôs uma nova repartição das capacidades ligada à fortuna. Os atenienses foram divididos em quatro classes: as duas primeiras classes, ou seja, as mais ricas, chegavam aos cargos públicos (e não só os nobres). A terceira e a quarta determinavam o tipo de armamento que o cidadão deveria comprar: o equipamento pesado (e caro) do hoplita ou o mais leve dos arqueiros ou dos remadores. Aparentemente não modifica o poder privilegiado dos aristocratas, mas muda o critério: não é mais um poder de índole religiosa. Sólon diminui também o poder do Areópago, reduto dos antigos arcontes (nobres). A partir de então, os arcontes eram sorteados e os poderes judiciários que eles tinham passaram a pertencer a um novo tribunal: o Heliéia, recrutado em todas as classes dos cidadãos. Foi um grande passo em direção da democracia. Ele quis ser também um educador da cidadania. E, como escreve a Professora Gilda, lembrando Plutarco, foi suficientemente nobre para não desagradar aos nobres, reconhecidamente excelente para merecer a confiança do povo. E assumiu a responsabilidade de formar no ateniense o cidadão. Não basta reformar as instituições da cidade, é preciso que cada cidadão se sinta responsável e confiante nas forças dele mesmo e dos outros. É mais ou menos nessa época que foram criadas as escolas: o povo não podia ter preceptores privados como os nobres. Sólon era também poeta e chefe espiritual: recomendava substituir ao ideal de glória individual o ideal de glória da cidade, inculcando um ideal de justiça, advertindo sobre os perigos da desmesura ( hubris ). Nas escolas se decoravam versos de Homero, mas também de Sólon. Houve, depois, anos de anarquia, a tirania de Pisístrato e de seus filhos até que, a partir de 510 a.c., ocorreram as reformas de Clístenes. Este teve também um papel decisivo, destruindo a ordem antiga e organizando a cidade em dez tribos novas. Cada uma ocupava um território determinado compreendendo cidadãos do interior, do litoral e da cidade. Cada tribo era ainda dividida em dez demos ; cada demo correspondia às antigas comunidades. Com isso, ele quis, sem dúvida, quebrar solidariedades locais fortes demais e criar outros grupos. A partir dessa remodelagem do espaço cívico, não houve mais nobres, mas cada cidadão era simplesmente chamado, por exemplo, Péricles, filho de Xantipo, do demo de Cholargos, sem mencionar o seu 4

5 lugar de nascimento, de residência nem a nobreza de sua família. O cidadão pertencia à tribo de seu pai. Mas a célula de base continuou sendo o oikos = a família no sentido amplo. Era preciso, no entanto, mostrar que todos os que nasceram cidadãos atenienses tinham direitos iguais de participar da vida política. Daí a necessidade de se inventar métodos constitucionais, para que todos tivessem a convicção de pertencer a uma comunidade onde cada um tinha a possibilidade de vir ao centro e exercer o poder. Péricles completará mais tarde essa lei de cidadania, fazendo votar a lei que limita a cidadania somente aos filhos de sexo masculino, nascidos de um pai e de uma mãe atenienses. A mulher não tem cidadania, ela só pode transmiti-la aos filhos. Supõe-se que essa lei de exclusão é devida ao crescimento do número de cidadãos, que dobrou (passou de a ) entre 470 e 450 a.c. Certamente, não podia se tratar de um crescimento natural: houve integração, legal ou não, de estrangeiros residentes em Atenas. A população de Atenas devia ter, no século V a.c., uns habitantes. Ao lado dos cidadãos, havia os metecos (estrangeiros domiciliados em Atenas); os escravos, muito mais numerosos que os cidadãos; as mulheres; os jovens abaixo de 18 anos: nenhum desses participava das questões comuns; não são cidadãos livres, como se não fossem seres humanos. Aos poucos, todas as questões de interesse público foram tratadas em comum, sob o olhar de todos. São trocados argumentos e contra-argumentos. Trata-se de persuadir, de demonstrar, é preciso desenvolver a arte da palavra. O poder retórico de convicção torna-se o elemento decisivo do funcionamento da sociedade. Esse debate público valoriza o contraditório: o debate é, a partir de então, dessacralizado. Não se obedece ao rei porque é o rei, mas se obedece ao melhor argumento, ao mais convincente. O futuro da cidade, a decisão de fazer a guerra e a paz, a repartição das terras, colonizar ou não tal terra estrangeira, tudo o que se apresenta como o destino do grupo será decidido com uma lógica racional. Clístenes não criou a democracia ateniense, mas criou as condições que iam permitir a existência da democracia, fazendo com que todos os cidadãos fossem iguais perante a lei, uma lei que doravante seria a expressão da vontade do demo inteiro. 5

6 II A democracia em Atenas Ela começa realmente no século V, depois das guerras médicas. As instituições não mudaram, mas mudou o espírito, o sentimento de força e de liberdade. Os atenienses venceram os persas em 490 a.c. em Maratona, e em 480 a.c., num combate naval, em Salamina. Eles se conscientizaram que havia uma diferença política entre eles e seus adversários. Os persas obedeciam a um soberano absoluto, como outros povos do mediterrâneo. Eles não, não eram súditos de ninguém. Na tragédia de Ésquilo Os Persas (472 a.c.), um dos persas explica à rainha a vitória dos atenienses com estas palavras: Eles não são escravos nem súditos de ninguém. E quando a soberana pergunta se a cidade dos atenienses ainda está intacta, a resposta é significativa: Os homens são a muralha protetora a mais segura de uma cidade. Foi assim que os atenienses, que souberam combater, e que venceram, se tornaram cidadãos mais seguros de si, prontos a tomar em mãos o seu destino. As instituições da democracia Três instituições fundamentais dividem o poder. 1- A Ecclésia = assembléia do povo. Ela era aberta a todos os cidadãos ( ou ); mas eram suficientes para as grandes decisões; em geral, compareciam somente ou Reunia-se de 10 a 40 vezes por ano. A sessão durava do nascimento ao pôr do sol. A ecclesia votava as leis, a paz e a guerra, podia tirar do ateniense os seus direitos de cidadão ( atimia ), ou decidir um processo de ostracismo que bania por dez anos um cidadão cujo poder ou ambição eram temidos. Ela elegia os magistrados e os controlava escrupulosamente. 2- O Conselho de quinhentos cidadãos: a boulê, que funcionava todos os dias para assegurar a continuidade do governo. Era formado de quinhentos cidadãos sorteados, cinqüenta de cada tribo. Cada um desses grupos de cinqüenta atuava por rodízio. Atenas era dirigida sempre por cinqüenta bouleutes, que eram chamados prítanes quando exerciam as suas funções. Esse conselho devia executar as decisões da assembléia, examinar os projetos de leis, fiscalizar os magistrados, assumir a administração do dia-a-dia, e gerir as relações exteriores. 3- Os magistrados, necessários para aplicar as decisões da assembléia do povo. Os numerosos magistrados eram submissos à fiscalização popular: os cargos eram anuais, exercidos em geral por vários magistrados no mesmo posto. Muitos 6

7 cargos eram sorteados: eram os deuses que decidiam! Assim, não havia intrigas ou influência dos mais ricos. Os mais honrados eram os arcontes, outrora chefes da cidade. No século V a.c., eles administravam os cultos e exerciam algumas funções judiciárias. No começo, eram eleitos; em 462 a.c, passaram a ser sorteados, o que revela a redução de sua importância e de seu prestígio. Já os titulares de cargos públicos para quem se exigiam determinadas competências técnicas eram eleitos, por exemplo, quando se tratava das finanças, mas sobretudo no caso dos estrategos. Com o seu papel militar, naval e diplomático, tornaram-se os primeiros magistrados da cidade. Eleitos pela ecclésia, representavam realmente a vontade popular e dirigiam o Estado. É assim que Péricles dirigiu a política de Atenas durante quase trinta anos. O povo ateniense o elegeu estratego durante quatorze anos em seguida. E a justiça? A ecclésia podia também julgar, mas só os crimes contra o Estado. O velho tribunal do Areópago ficou com os crimes ordinários. A maioria das causas eram julgadas pelo povo mesmo, reunido no tribunal da Heliéia que contava seis mil jurados, seiscentos por tribo. Esses juízes, chamados heliastas, não tinham voz durante a sessão, só tinham competência para votar. Era difícil comprar tantos jurados! Mas nem todos os cidadãos eram preparados: eram muito sensíveis aos efeitos de uma eloqüência patética. Mas mesmo os adversários do regime reconheceram que essa justiça funcionava mais bem do que mal. Houve erros: o mais conhecido foi a condenação de Sócrates em 399 a.c. Não vou falar detalhadamente das finanças. Citarei apenas o imposto especial pago pelos mais ricos, a liturgia. A liturgia trierárquica obrigava um rico particular a se encarregar da construção e do custeio de uma triera (= navio de guerra). Pela liturgia chorégica, um particular devia compor, vestir e treinar um coro, necessário no desenrolar das grandes festas religiosas, onde se representavam tragédias e comédias. Posso acrescentar que Atenas se beneficiou sobretudo dos tributos da Liga de Delos, confederação de cidades aliadas que constituía uma espécie de império colonial. Esse tributo, que devia servir para a manutenção da frota destinada a ajudar as cidades aliadas, foi gasto na construção dos prestigiosos monumentos da Acrópole. Atenas impunha a essas cidades o seu regime democrático, de uma maneira que não tinha nada de democrático! Os Homens e as desgraças 7

8 A cidade ateniense era uma cidade de privilegiados. Os cidadãos não representavam mais que um quarto da população. Em 451 a.c., a lei fechou o acesso a esse corpo cívico. Os escravos eram simples utensílios, mas eram bem tratados e as leis os protegiam contra donos prepotentes. Alguns cidadãos chegaram a se queixar que a sua aparência não os distinguia dos homens simples. Os metecos eram proibidos de adquirir propriedade do solo, mas se beneficiavam de todos os direitos civis, e deviam, como os atenienses, cumprir o serviço militar e pagar impostos. Cidade acolhedora, Atenas tinha muitos metecos que contribuíam para o desenvolvimento comercial e industrial da cidade, às vezes mais que os próprios cidadãos nas profissões urbanas. Péricles Durante quase trinta anos ( a.c.) Atenas foi governada por um homem fora do comum pela sua cultura. Inteligente, honesto, desinteressado, ele soube, respeitando a democracia, orientar o comportamento dos atenienses para o melhor. Trata-se de Péricles. Pertencia a uma família aristocrática, e soube conquistar o povo pela instituição de um salário para diversas atividades públicas. Ele gostava de viver cercado de homens de reflexão, dominava a arte do raciocínio, assim como a sutileza do discurso. A direção da cidade, como o comando de uma guerra, não foram o fruto do acaso, mas de uma longa reflexão. O historiador Tucídides lhe empresta estas palavras: Como o Estado, entre nós, é administrado não no interesse de uma minoria, mas de todos os cidadãos, nosso regime é chamado democracia. Quanto aos interesses particulares, a igualdade é assegurada a todos pelas leis; mas quanto à participação na vida pública, cada qual é considerado em razão do seu mérito, e a classe à qual ele pertence é menos importante que o seu valor pessoal; enfim, ninguém é prejudicado pela pobreza e a obscuridade de sua condição social se pode ser útil à cidade. Não pode ter melhor definição da democracia. Tal era a sua autoridade, que ele foi reeleito estratego todo ano pelo povo, sem interrupção, de 440 a 429 a.c. A sua política deliberada era de assegurar ao povo os meios de viver corretamente, exercer com liberdade a sua soberania, e permitir a Atenas, modelo de equilíbrio e de harmonia, levar esse equilíbrio a todo o mundo grego. É na época de Péricles que foram elaboradas regras estritas sobre a periodicidade das assembléias do povo (40 vezes por ano), a maneira de introduzir projetos de decretos, o procedimento da discussão e da adoção das leis. A Boulê exercia um rigoroso controle sobre os magistrados quando assumiam o cargo, e, quando eles se retiravam, eram obrigados a prestar contas de sua gestão. Os gregos fizeram então a experiência da liberdade, ou seja, da responsabilidade. Com Péricles, a democracia alcançou o seu apogeu. Mas 8

9 Atenas deveu também o seu equilíbrio social ao império que ela desenvolveu no mar Egeu. As desgraças Em 430 a.c., a peste assolou Atenas e o grande estratego morreu. Aqueles que lhe sucederam, como Cléon foram perigosos demagogos numa época particularmente difícil. Em 431 a. C., começou a Guerra do Peloponeso entre Esparta e Atenas, que durou, com algumas tréguas, 27 anos, durante a qual as duas cidades devastaram o território do adversário. Em 415 a.c., o ateniense Alcibíades, envolvido no escândalo da mutilação dos Hermes, empolgou o povo de tal maneira que foi votada uma expedição na Sicília que foi um desastre. Afinal, em 404 a. C., Atenas saiu vencida e teve que aceitar o governo aristocrático dos Trinta. A democracia foi restabelecida e sobreviveu até a invasão da Grécia por Filipe de Macedônia, o pai de Alexandre, o Grande, em 338 a.c. Não tinha durado mais do que dois séculos. Foi na época das guerras médicas que os atenienses perceberam que obedecer às leis era salutar. Heródoto lembra que o rei dos persas, Xerxes, se admirava que tropas formadas de homens livres pudessem ser valentes, já que não eram submissas ao comando de um só. E o espartano Demarate respondeulhe que eles tinham um senhor: a lei, que temiam muito mais que os súditos de Xerxes o temiam. Mas depois da vitória de Salamina, os marinheiros se sentiram mais importantes que os hoplítas. Tinham fama de ser maus sujeitos, indisciplinados, sem educação. Os oligarcas criticavam a incompetência do povo que tinha pouca educação, que não sabia julgar e se deixava facilmente levar pelas palavras bajuladoras dos oradores, e pelo ardor contagiante da multidão. Como exemplo, o povo votou com um entusiasmo incrível a desastrosa expedição de Sicília proposta por Alcibíades. É nesta época que o termo demagogo se tornou pejorativo. Precisava afagar a Eclésia para obter o seu voto. Outro perigo, além da cegueira do povo, é a anarquia que, de fato, foi crescendo até o fim do século V. Em 458 a.c., Ésquilo apresenta na Oréstia a instauração de um tribunal, o Areópago, a quem Atena aconselha a moderação, o respeito da mesura. Nem anarquia, nem despotismo é a regra que aconselho á cidade seguir com respeito. Que o temor não seja enxotado 9

10 para fora da cidade. Quem, dentre os mortais, cumpre o seu dever se não tiver nada a temer? Com essas advertências solenes de Atena, Ésquilo ressalta o perigo da anarquia, que se tornou bem real alguns anos depois, quando a guerra e a peste assolaram a cidade. Essas desgraças modificaram profundamente os costumes. A morte súbita das pessoas levou a um imoralismo crescente As pessoas buscavam as satisfações imediatas; eis o que tomou o lugar do belo e do útil: temor aos deuses, lei dos homens, nada os detinham, escreve Tucídides. Quanto à guerra, foi o ponto de partida de uma desordem moral que se estendeu também ao resto continua ele. De fato, em toda a Grécia houve uma oposição entre os que eram favoráveis a Atenas e seu regime popular e os aristocratas favoráveis a Esparta. Tucídides mostra como a obediência à lei não prevalecia mais: as obrigações mútuas valiam menos pela lei divina do que da ilegalidade cumprida em comum. Esta crise de valores é nítida na comédia Os Cavaleiros (424 a.c.) na qual Aristófanes provoca a hilaridade do público quando diz que sempre são mercadores que se sucedem no poder. Eles não têm compostura, gritam, gesticulam, batem na coxa. Tal era o estratego Cléon que sucedeu a Péricles. Ele tinha todos os defeitos do povo e, além disso, sua política não era boa. Aristófanes o apresenta como um canalha, e canalha, e ainda canalha. Neste concurso de impudência, o vencedor receberá o governo do Estado, ele será superado por um chouriceiro ainda mais safado do que ele, sem nenhum respeito pelos valores morais. Com Alcibíades, não é a falta de educação que é causa da desordem, mas a crise moral. Essa crise tem sua origem na guerra do Peloponeso, que marcou todo o mundo grego. A guerra levou a desprezar as leis em nome de imperativos mais elevados. Ora, as leis são a condição da democracia e da liberdade como assinalou Péricles : Obedecemos aos magistrados e às leis, sobretudo as que protegem as vítimas de injustiça, e aquelas leis não escritas, cuja violação acarreta a desonra. Discutia-se a validade desse poder dado ao povo, porque o povo era ignorante, incompetente, se deixava influenciar pelos oradores ou pela contaminação da multidão, e não controlava suas paixões. Em Orestes (408 a.c.), Eurípides declara que quando o povo está no ponto mais alto de seu furor, é como um fogo ardente demais para ser apagado. É capaz de piedade. É capaz de furor; e para aquele que está à espreita, não há bem que seja mais precioso. Os demagogos se servem de tudo! O povo é instável, muda facilmente de opinião. Qual é o remédio? É preciso desenvolver competências, controlar as paixões, ou seja: educar. Como se pode educar para a democracia? 10

11 III A Educação e a Democracia A educação antiga A respeito da educação, a Cidade-Estado não opinava: não era da sua competência. Era o pai de família que devia mandar o seu filho, quando este completava sete anos, aos diversos professores, que ele devia pagar. Nas Nuvens (423 a.c), Aristófanes mostra as crianças marchando em fileiras cerradas, embora nevando abundantemente indo à casa do pedótriba, e também à casa do citarista, o mestre de música. Com o primeiro, o menino praticava esporte, treinava na palestra, e com o segundo aprendia música, vocal e instrumental, para desenvolver, além do corpo, a alma. A educação prosseguia com o canto e a poesia. Decoravam-se versos de Homero, os poetas gnômicos, as elegias de Sólon, veiculando uma doutrina favorável à vida em comum regida pela justiça. Os textos literários eram estudados para a formação moral e cívica. Mais tarde, o gramatista ensinou a ler, escrever e contar, como os nossos professores primários. Esta educação, de tipo aristocrático, à qual Eurípides opunha a educação moderna, convinha ao ideal do momento: o kaloscagathos = o homem belo e bom, que sabe se destacar no meio de seus amigos, na palestra, nos banquetes, na praça pública. Alguns completavam esse ensino elementar freqüentando os filósofos. No século V a.c., todos os cidadãos sabiam ler e escrever. Mesmo o chouriceiro dos Cavaleiros, que declarava não ter estudado nada, reconhece que ele sabe as suas letras, ainda que bem mal. Mais essa educação parece insuficiente para o exercício do poder na democracia. Como os indivíduos vão se penetrar das idéias indispensáveis à vida de uma cidade? Poder novo, educação nova! Essa educação nova, são os sofistas que a trouxeram. Os Sofistas Para nós, sofista é um termo pejorativo, apesar de ser derivado de sofos = sábio. A definição do dicionário Aurélio é clara: sábio, posteriormente, impostor. E o termo sofisma designa um argumento falso de propósito para induzir outrem a erro. Eles têm péssima reputação. Mas sejamos mais objetivos e tentemos colocá-los no seu tempo. 11

12 Os sofistas eram professores de retórica e de filosofia que percorriam as diversas cidades da Grécia. Começaram a chegar em Atenas por volta de 450 a C., atraídos pela fermentação cultural da cidade, onde reinava um espírito de liberdade, onde tudo era invenção. Numa democracia, onde a influência política e as decisões do Estado dependiam do povo, e que este dependia da palavra, era essencial saber falar em público, argumentar, aconselhar os seus concidadãos na área política. É essa arte da linguagem que os sofistas ensinavam. Eles se apresentavam como especialistas, davam aulas particulares, para as quais eles cobravam muito caro. Em princípio, todo mundo podia ter acesso a eles, na realidade a sua clientela era aquela que já era interessada na política e era rica. Não houve renovação social. Eles faziam sua propaganda dando aulas públicas para mostrar o seu talento e sua característica pessoal. Eles ensinavam a arte de falar em público, de defender suas idéias na assembléia do povo ou no tribunal, os meios de derrotar o seu adversário numa discussão, de defender com argumentos sutis ou capciosos qualquer tese. Elaboravam regras, receitas, enfim toda uma técnica apropriada. Eles influenciaram muito o pensamento da época. Péricles, Eurípides, Tucídides foram os seus discípulos. Eles ofereciam uma educação intelectual que devia permitir a cada um de se distinguir na cidade. A novidade era que alguns conhecimentos intelectuais podiam ser transmitidos de um ao outro e ser diretamente úteis. Eles prometiam o sucesso imediato. Eles chegaram na hora certa. Eles foram muito procurados, sobretudo pelos jovens ambiciosos. Ensinavam os meios para ganhar qualquer causa. Vangloriavam-se de defender indiferentemente tanto uma causa quanto a causa contrária. Para eles, a melhor prova de sua habilidade era fazer com que o raciocínio injusto triunfasse sobre o raciocínio justo. É o que mostra a peça As Nuvens, onde os dois, o justo e o injusto, debatem entre eles. Aristófanes imagina um camponês que se arruinou para satisfazer os gostos modernos de seu filho e pagar as dívidas dele. Ele ouviu falar de uma escola onde o Professor Sócrates ensina como ganhar qualquer causa. Eis o meio de não pagar as suas dívidas! Mas o velho não entende muito bem as lições, manda então o filho no seu lugar. Este assimila tudo, o pai não paga as dívidas, mas o filho, hábil no uso do raciocínio injusto, bate no pai e dá a prova racional que isto é justo. Para se vingar, o camponês bota fogo na escola. Evidentemente, é muito exagerado, trata-se de uma comédia e Aristófanes confunde Sócrates com os sofistas, o que é muito injusto. Mas ela mostra a que ponto esses inovadores que rejeitavam a moral e a religião, que não viam outro ideal para o homem senão o sucesso na política ou no comércio, pareciam perigosos. No passado, a filosofia se preocupava com o universo, a cosmogonia. No século V a.c., o homem se tornou o objeto central da reflexão, 12

13 da literatura, da filosofia. Protágoras, um dos primeiros sofistas, declarava o homem, a medida de todas as coisas. No começo, eles atraíram a atenção de Sócrates, mas ele descobriu logo os seus limites, os seus exageros. Eles ficavam na esfera individual, materialista. Para Sócrates, a única coisa importante é o homem e os fins que ele visa. E, com Sócrates, tudo muda; aliás, chamamos pré-socráticos todos os filósofos anteriores a Sócrates, inclusive os sofistas que eram os seus contemporâneos. Na sociedade aristocrática a virtude é inata. Será que os méritos podem ser ensinados e adquiridos? Será que a virtude pode ser ensinada? É,na época, uma preocupação comum. Não se pode substituir uma técnica à natureza ( fusis ), mas é preciso juntar as duas. Os sofistas prometeram mais do que podiam: eles não levaram em conta a experiência, os dons naturais, o treino. O que eles ensinaram de fato foi uma retórica. A retórica não é só o que ajuda a falar bonito, é tudo o que ajuda a despertar a atenção, a surpreender para valorizar o argumento. Na retórica primitiva, a argumentação era essencial. Por exemplo, Górgias (outro sofista) defende Helena que foi a origem da Guerra de Tróia, supondo a priori quatro causas verossímeis da sua conduta e, para cada uma, ele vai opor a opinião geralmente admitida, de que, nesse caso, não há culpa: 1. Helena seguiu Páris pela vontade dos deuses (ou do destino). - Ora, os deuses são superiores aos homens. - Ela não podia resistir 2. Helena foi levada pela força. 3. Ela foi convencida pela palavra. 4. Ela foi tomada pelo amor. Nesses quatro casos, ela foi vencida por uma força possante demais para que ela pudesse resistir. Parecia uma demonstração rigorosa, mas é só o inventário de hipóteses e não uma análise de fatos. Com a retórica pode-se justificar qualquer coisa. Por exemplo, podemos afirmar que todo culpado que evita o castigo é feliz. A retórica não tem nada a ver com a justiça. Mas, se juntarmos duas teses contrárias, acompanhadas dos argumentos adequados, temos uma visão mais justa do problema e a retórica pode tornar-se um meio de reflexão teórica, dialética. Não é uma ciência porque ela não tem em vista nem a verdade nem o bem. Um filósofo como Sócrates não podia aceitar isso. Assim, os sofistas trocam os fundamentos da moral, modificando tudo. Em vez de vir dos deuses, ela é construída a partir da análise positiva dos problemas que a vida em sociedade suscita. Num mundo que não admite mais uma verdade absoluta, nem divindades justiceiras, nem transcendência, uma nova moral elabora-se, fundada na razão e preocupada com o que é útil ao indivíduo. 13

14 Os deuses da Grécia antiga tinham ligações estreitas com as cidades que eles protegiam. Na religião grega não se tratava de uma religião interior ou da fé dogmática, mas de uma religião coletiva com um protetor. Os deuses e a cidade quase se confundiam; aliás, as festas religiosas eram cerimônias cívicas, como vamos ver mais adiante com o teatro. A religião tem seu fundamento na lei da cidade. Mesmo sem acreditar nos deuses, os sofistas podiam aceitá-los como uma decisão da cidade, contestável e variável como todas as outras, mas como elas, legítima e benéfica. Mas os sofistas pareciam imorais. Alguns discípulos aproveitaram-se do ensino deles para se libertar dos limites que a moral tradicional impunha a seus desejos. Já vimos como a peste e a guerra transformavam as pessoas. Houve vários escândalos, como a mutilação dos Hermes ou a violação dos mistérios de Eleusis. No diálogo de Platão Górgias, a personagem de Cálicles dá uma idéia da arrogância desses jovens. Houve muitos processos por impiedade. Em geral, os acusados escapavam ao castigo. Mas todo mundo sabe que Sócrates foi condenado à morte pela Heliéia. O motivo: ele não respeitava os deuses da cidade e introduzia outros deuses. Ele corrompia os jovens. Se ele contestou algumas superstições, ele era muito religioso e sua morte revoltou os seus discípulos, seus amigos e muitos outros atenienses. Mas muitos o confundiam com os sofistas, e as trapaças do seu belo discípulo Alcibíades não foram alheias à sua condenação. Sócrates passava o tempo discutindo idéias e pondo em causa o que as pessoas pensavam saber, e, de fato, o seu método por perguntas e refutações (a maiêutica) parecia se inspirar na arte de Protágoras. Ora, ao criar esse sistema de interrogações, na escolha dos interlocutores, na escolha dos exemplos, Sócrates abriu a filosofia a todos, de modo que eles sentissem a necessidade urgente de procurar a verdade e o bem. É a base da filosofia ocidental, graças à sua exigência e à sua universalidade. O fato de ele morrer para defender as suas idéias revelou a sua grandeza. Vocês deveriam ler no Críton a famosa prosopopéia das leis. Criton vem cedinho à prisão para anunciar a Sócrates que chegou o dia fatídico e que ele deveria fugir da prisão. Sócrates recusa a proposta e imagina o momento em que eles iriam fugir: as Leis e o Chefe do Estado se ergueriam à frente deles e perguntariam: Diga-nos, Sócrates, o que você quer fazer? Você não está tentando, com este gesto, nos arruinar, nós, as Leis, e conosco o Estado inteiro, seguindo unicamente a sua vontade? Ou será que você acha que esse Estado pode continuar a existir, e não ser completamente arruinado, se as sentenças que nele são dadas não têm nenhuma força, mas podem, pela vontade de um simples particular, perder toda autoridade e ser reduzidas a nada?. Podemos perceber nessa atitude como ele põe em prática a sua célebre máxima É melhor sofrer uma injustiça do que cometê-la. Como 14

15 Aristófanes, muitos atenienses o confundiram com os sofistas, mas os sofistas eram estrangeiros; da parte de um cidadão ateniense, não aceitaram um comportamento tão novo, tão independente. Tinha havido um brusco surto de ateísmo durante a Guerra do Peloponeso, atribuído á influência dos sofistas. O ceticismo a respeito da justiça divina leva à violência e ao imoralismo. Os sofistas tinham semeado as idéias pelas quais cada um encontrava um álibi, um argumento para condutas práticas. Eles tinham dado as palavras para justificálas. Depois deles, tudo pode se justificar. Há um endurecimento: todos vão contrapor a lei à natureza; trata-se não da natureza abstrata, mas da natureza humana, onde os conflitos são psicológicos, entre tendências, desejos e interesses que se opõem dentro de nós. Essa natureza serve como desculpa. Com as mesmas palavras, tudo mudou. Todas essas noções deuses, natureza, lei, verdade... levam ao ponto central: a justiça. A justiça era a regra de ouro da moral grega. Dos sofistas, sobraram somente alguns fragmentos; eles não escreviam, mas falavam. Sócrates não deixou nenhuma obra escrita, mas o seu discípulo Platão lhe deu nova vida nos diálogos com os sofistas Protágoras, Górgias e outros. Nesses diálogos podemos até hoje aprender a pensar. Até hoje também podemos ler as trinta e uma peças que sobraram da tragédia grega, instituição tipicamente ateniense, cuja duração coincidiu exatamente com a democracia do século V a.c.. Não por acaso, todos os problemas de que falamos apareceram no teatro de Atenas. O Teatro O teatro se tornou em Atenas um elemento essencial na vida da cidade. Era uma instituição cívica tão bem regulada quanto a assembléia do povo. As peças eram apresentadas nas Dionísias, que correspondiam durante o ano a três períodos de festas. Todas as peças apresentadas nas Grandes Dionísias eram escolhidas por meio de um concurso, instituído por Pisístrato em 534 a.c., o que mostra que a tragédia entrou na vida ateniense por uma decisão oficial, inserindo-se numa política de abertura para o povo. Todos os anos, três poetas, admitidos a concorrer, eram escolhidos pelo Arconte e deviam apresentar, cada um, três tragédias e um drama satírico. O Arconte escolhia também os atores e designava os coregos que iam arcar com a despesa do treinamento dos coros que cada poeta recebia por sorteio. Assim, o teatro era oferecido oficialmente aos cidadãos atenienses pelos ricos. Durante três dias seguidos, eram apresentadas quatro peças, do levantar ao pôr do sol. Depois, dez juízes, sorteados, decidiam qual era o melhor poeta, sendo que somente cinco votos eram escolhidos. Essa complexidade mostra até que ponto a coisa era levada a sério. O teatro era situado num espaço consagrado a Dioniso. No 15

16 começo era gratuito, mas como havia muitos cidadãos (muito mais do que na Ecclésia!), foi instaurado um sistema de pagamento, e foi criado um fundo especial para pagar a entrada dos pobres: o Theoricon. Podemos ver que não era só um divertimento, mas um dever cívico, onde o povo aprendia a conhecer a natureza humana, compartilhava sensações e emoções, além de continuar a se educar. De que tratavam essas tragédias? De temas que eram conhecidos de todos: os mitos tradicionais da Grécia, as personagens da guerra de Tróia..., dentre os quais os poetas selecionavam aqueles que lhes convinham para levar os seus concidadãos à reflexão. Eles não hesitavam em simplificar o mito para destacar o herói quando ele tem um destino humano, quando sofre como os homens. Ele só difere do homem do séc. V a.c. pela amplitude da sua queda quando está vencido. Afinal, ele aparece como o paradigma da condição humana e de seus males. Os poetas construíam o enredo, modificando ou adicionando fatos, para que os dados do mito se tornassem significantes. Era preciso que: os espectadores vissem um problema humano, fosse ressaltada a confrontação de duas teses, fosse possível ler na história representada uma interrogação sobre o que é o homem e como deveria agir. A estrutura da tragédia levava à reflexão e à meditação: seguia sempre o mesmo esquema, alternando seqüências faladas e seqüências cantadas. O teatro (literalmente: o lugar de onde se vê), era um semicírculo inclinado, cercando um espaço circular plano: a orquestra, onde evoluía o coro formado de uma dúzia de coristas, que cantavam e dançavam; no fundo havia o palco (a skenê ) de onde os atores falavam. Assim, o espetáculo se situava em dois planos diferentes, que evidenciavam a estrutura da tragédia: a orquestra para o coro, a skenê para os atores. Após um prólogo, o coro entrava solenemente ( párodo ), seguiam-se três ou quatro episodios (diríamos hoje atos ), nos quais dialogavam os atores, que nunca foram mais de três. Cada episodio era seguido de um stasimon : a ação teatral parava para deixar o coro comentar o que acabava de ocorrer na skenê, lembrar casos semelhantes ocorridos no passado, ampliando e prolongando a ação, exprimindo as suas emoções, angústias ou medos; dando, enfim, ao espectador, por meio da poesia, do canto e da dança, a possibilidade de sentir, entender e meditar. Tinha uma função tanto intelectiva, quanto plástica ou emotiva. É ele que concluía a peça no éxodo. Os grandes poetas trágicos foram Ésquilo (falecido em 455 a.c.), Sófocles e Eurípides, ambos falecidos em 405 a.c. 16

17 Já falei da tragédia Os Persas (472 a.c.), de Ésquilo, que exalta a liberdade de Atenas e estimula o heroísmo dos homens ajudados pelos deuses, enquanto Xerxes é punido pelo seu orgulho e sua desmedida ( hubris ). Catorze anos mais tarde, na trilogia Oréstia, ele mostra como podemos sair do círculo vicioso da vingança. As velhas deusas (as Erínias ) perseguem o parricida Orestes, mas Atena, que faz parte dos novos deuses, institui em Atenas um tribunal para sentenciar sobre o sangue derramado, que terá sede no monte de Ares e será chamado o Areópago. Atena consegue que as Erínias se tornem benevolentes para trazer a Atenas bênçãos e paz. Ora, nesses anos, se discutia a reforma do Areópago para dar mais poder ao povo, e não aos nobres. O fim das Eumênidas, unindo respeito e temor, mostra que se pode escapar ao despotismo e à anarquia. Os deuses favorecem aqueles que os respeitam e se esforçam. Mas Zeus avisa: É preciso sofrer para entender. Sófocles, cuja vida atravessou quase o século inteiro, dá mais importância ao homem. O homem é livre, mas essa liberdade é falsa, já que os homens desconhecem o destino que os deuses lhes reservaram: só o heroísmo permite uma verdadeira liberdade. E vemos o homem enfrentar a dificuldade da escolha. Limitemo-nos a dois exemplos: 1) Antígona (442 a.c.): Em Tebas, Creonte, chefe recém-empossado, decretou que Políníces não poderia receber as honras fúnebres. Sua irmã, Antígona, infringe a lei, invocando as leis não-escritas e intangíveis dos deuses. Durante a peça, assistimos a vários debates contraditórios entre Creonte e Antígona, Creonte e seu filho, Creonte e Tirésias. É o que ensinavam os sofistas: argumentar teses contrárias. Mas o que são essas leis não-escritas? Clístenes não foi louvado por ter posto as leis por escrito? Mas todas as leis não são justas. É preciso outros parâmetros: a lei moral, a consciência. Antígona precisa saber escolher entre tradições familiares e a lei ímpia de Creonte. A sua escolha a levou à morte. A razão da sua escolha? Ela proclama com orgulho a Creonte: Estou, de nascença, do lado daqueles que amam, não daqueles que odeiam. Essas leis não-escritas correspondem ao que hoje chamaríamos Direitos Humanos. 2) Outra peça famosa de Sófocles: Édipo Rei (420 a.c.?) Édipo é rei de Tebas, cidade assolada pela peste. Para se livrar do flagelo, é preciso descobrir quem matou o antigo rei, Laio. Édipo amaldiçoa o culpado e promete conduzir pessoalmente o inquérito. No fim da peça, ele descobre que o culpado é ele mesmo. O oráculo lhe tinha dito que mataria o pai e desposaria a mãe; o que, de fato, aconteceu, apesar de ele ter feito tudo para fugir do destino que o oráculo lhe tinha revelado. 17

18 Toda a peça consiste na busca de provas (os Sofistas não tinham ensinado isso?). Diante da situação, Jocasta, a mãe, se enforca. E Édipo? Édipo não se mata, mas fura os olhos. Farei a luz, tinha dito ele no começo; ele acabou nas trevas. O homem que decifrava os enigmas é um enigma para ele mesmo. Ele é culpado e inocente ao mesmo tempo. É o símbolo do trágico. Temos que encarar este fato: tudo é ambíguo. Mas Édipo se obstina a conhecer a verdade sobre a condição humana. Cegandose, ele torna visível a ignorância, a cegueira natural do homem. Sócrates dizia: Sei que não sei. A cegueira de Édipo é um novo olhar: ele entra numa nova luz. Outra lição a tirar desse gesto: ele proclama que foi ele mesmo quem furou seus olhos; este gesto é dele. É seu primeiro gesto de homem livre; ele aceita e coopera com o mundo que lhe é proposto. Em 401 a.c., Sófocles, para defender-se contra as acusações de seus filhos, leu aos juízes a sua última tragédia, Édipo em Colona, que mostra Édipo no fim da vida tornando-se um herói, quer dizer, um semi-deus, todo poderoso, protetor de Colona onde será venerado. ( Colona é uma pequena cidade vizinha de Atenas, onde nasceu Sófocles). Eurípides escreve durante a guerra do Peloponeso, que opõe Atenas, a democrática, a Esparta, a oligárquica. Ele dá toda a importância ao diálogo entre os homens, no qual ele insere máximas, discussões filosóficas e morais que exprimem mais o seu pensamento do que as idéias das personagens. Ele gosta de tratar de temas da atualidade. Nas Suplicantes (422 a.c.?), ele promove um grande debate a respeito dos dois regimes: democracia e tirania. O arauto critica a democracia, acusando os demagogos, enquanto Teseu elogia a democracia e critica a tirania. A democracia tem vantagens graças à sua liberdade e aos direitos iguais dos cidadãos, fundados nas leis. A liberdade reside nessas palavras: Quando as leis são escritas, pobres e ricos têm os mesmos direitos. O fraco pode responder ao insulto do forte, e o pequeno, se estiver com a razão, vencer o grande. Quanto à liberdade, ela aparece nessas palavras: Quem quer, quem pode dar um conselho sábio à sua pátria?. Então, ao seu gosto, cada um pode brilhar ou ficar quieto. Podemos sonhar uma igualdade mais bonita? Mas há uma outra forma de liberdade, que é comprometida quando os homens se deixam levar pelas suas paixões. Medeia, Fedra, Agamêmnon são escravizados pela paixão. Cada peça mostra a fraqueza, a dilaceração, a incapacidade de se corrigir, e o combate que se trave dentro da alma. É preciso vencer as paixões. Não se falava ainda de liberdade interior, mas fica claro que, ao lado da liberdade política, aparece uma outra liberdade, que será estudada pelos filósofos do século IV a.c. 18

19 Em 411a.C., estoura a guerra civil e a democracia é derrubada. Quando, nas Fenícias (410 a.c.), Jocasta pergunta a seu filho o que lhe parece mais penoso para o exilado, ele responde: O pior de tudo é que ele não tem a liberdade de falar, e Jocasta responde que, de fato, essa é a condição específica do escravo. A peça apresenta idéias de união, de acordo, de concórdia. As mesmas idéias, no mesmo ano, aparecem na Lisistrata de Aristófanes, que tinha mostrado até que ponto se podia fazer uso da liberdade de falar. Ele atacava tudo: a democracia, os juízes, a política exterior e os indivíduos. Já vimos o que ele disse de Cleon. Este ameaçou processá-lo. Aristófanes acalmou-se um pouco o tempo de uma comédia, e recomeçou seus ataques depois. Essa liberdade no teatro corresponde à liberdade de imprensa de hoje em dia. A liberdade que se manifestava nesses textos é a liberdade de participar de um poder, não a de proteger a sua vida privada contra as incursões do poder, como passou a ocorrer no mundo moderno. * * * A democracia não é feita só de instituições. Para vivê-la, é preciso possuir aquilo que Montesquieu chamava de virtude. No século XVIII, Montesquieu distinguia três tipos de governo: (i) a monarquia, cuja mola mestra era a honra; (ii) a tirania, movida pelo temor; e (iii) a república, fundada na virtude. Essa virtude é o espírito cívico, ou seja, o espírito de igualdade e de amor à comunidade. Mas ele achava que os franceses ainda não estavam preparados para abraçar a república. Os republicanos brasileiros quiseram pôr o seu lema na bandeira nacional: Ordem e Progresso. Mas esqueceram-se do terceiro termo do lema original de Auguste Comte: o Amor. Os franceses, super-exigentes com relação à Igualdade e à Liberdade, insistem menos sobre o terceiro elemento da tríade: a Fraternidade. É preciso sempre cultivar esse espírito cívico e saber que, em nenhum país existe a democracia perfeita. Ela é uma construção permanente. Temos que ter em mente este ideal democrático para melhorar a nossa comunidade, que hoje tomou dimensões imensas. Jacqueline de Romilly costuma escrever que as obras da antiga civilização grega, e, sobretudo, de Atenas no século V a.c., se distinguiam pelo excepcional esforço em direção ao humano e ao universal. Os gregos refletiram, discutiram, mas sobretudo escreveram. O pai da história é Heródoto, mas o primeiro historiador é Tucídides; o filósofo por 19

20 excelência é Platão; as tragédias são de Ésquilo, Sófocles e Eurípides; o modelo de orador é Demóstenes. Eles souberam analisar as suas preocupações, encontrar as palavras para dizer as aspirações e os valores que os faziam viver. Tucídides afirmava que a história é uma aquisição para sempre. Mas, na verdade, é toda a riquíssima literatura que a Grécia nos deixou que constitui um tesouro para sempre. Ela nos ensina e nos deleita até hoje. Podemos repetir as palavras de Péricles, relatadas por Tucídides, afirmando que Atenas era uma educadora. 20

21 Escolha bibliográfica Ésquilo: Os Persas, Oréstia. Sófocles: Antígona, Édipo Rei. Eurípides: Electra, As Suplicantes. Aristófanes: Os Cavaleiros, As Nuvens, A Paz, Lisístrata. Tucídides: A Guerra do Peloponeso (sobretudo, II, 35 e ss.). Platão: Protágoras, Górgias, Críton, Apologia de Sócrates. 21

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