O DUALISMO PSYCHÉ-SÔMA EM PLATÃO JOSÉ PROVETTI JUNIOR

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1 1 O DUALISMO PSYCHÉ-SÔMA EM PLATÃO JOSÉ PROVETTI JUNIOR UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE FLUMINENSE DARCY RIBEIRO UENF CAMPOS DOS GOYTACAZES RJ JUNHO

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3 3 O DUALISMO PSYCHÉ-SÔMA EM PLATÃO JOSÉ PROVETTI JUNIOR Dissertação apresentada ao Centro de Ciências do Homem, da Universidade Estadual do Norte Fluminense, como parte das exigências para obtenção de título de Mestre em Cognição e Linguagem. Orientador: Frederico Schwerin Secco UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE FLUMINENSE DARCY RIBEIRO UENF CAMPOS DOS GOYTACAZES RJ JUNHO O DUALISMO PSYCHÉ-SÔMA EM PLATÃO

4 4 JOSÉ PROVETTI JUNIOR Dissertação apresentada ao Centro de Ciências do Homem, da Universidade Estadual do Norte Fluminense, como parte das exigências para obtenção de título de Mestre em Cognição e Linguagem. Aprovada em de de Comissão Examinadora: Professor Sérgio Arruda de Moura Doutor em Letras (Ciência da Literatura) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro Professora Sylvia Beatriz Joffily Doutora em Psicologia pela Universidade Louis Pasteur - França Professor Frederico Schwerin Secco Doutor em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (orientador) Professor José Glauco Ribeiro Tostes Doutor em Química pela Universidade Estadual de Campinas

5 5 A capacidade de imaginação da mente humana está tão estreitamente ligada às condições perceptíveis da experiência, que pelas próprias forças não consegue desviar-se delas um passo sequer. Somente a forte pressão da refinada experiência científica logra libertar o pensamento humano das suas convicções habituais da causalidade. SCHLICK, M. A Causalidade na Física Atual. i

6 6 Ao Meu pai, José Provetti e a minha mãe, Eliane Maia R. Provetti que nos anos que se passaram neste trabalho deixaram de ver a luz de Hélios e desceram ao Hades. A Minha tia-avó Adélia Menezes M. Gallo que me deu o suporte necessário para aplicar-me à pesquisa e atingir os resultados necessários durante todo o processo. ii

7 7 AGRADECIMENTOS A Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) e ao Centro de Ciências do Homem (CCH), pelo oferecimento deste curso, bem como aos professores e funcionários que nos deram subsídios e condições materiais, respectivamente à elaboração deste trabalho. Ao governo do Estado do Rio de Janeiro pela bolsa de estudos. A todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente para a realização deste trabalho. iii

8 8 RESUMO Esta dissertação visa identificar na filosofia de Platão as origens do problema mente-corpo com base no significado dos conceitos sôma (corpo) e psyché (alma). O estudo dos conceitos alma e corpo nos textos platônicos é decisivo na medida em que estes fundamentam o desenvolvimento de toda a metafísica ocidental. A investigação do dualismo mentecorpo na filosofia antiga esclarece historicamente algumas formulações apresentadas pela Filosofia da Mente. iv

9 9 SUMMARY This essay aims to identify within plato s philosophy the origins of soul and body problems based on the significance of body and soul conceipts. The study of soul and body conceipts within platonic texts is conclusive as regards being fundamental towards development of all western methaphisics. The investigation of mind-body dualism within ancient philosophy enlightens historically a few formulations presented by Mind Philosophy. v

10 10 SUMÁRIO I. Introdução 11 II. Platão e sua filosofia O contexto de Platão A formação de Platão A Academia A concepção de natureza em Platão Dialética e diálogo As obras de Platão Crítica do conhecimento sensível A doutrina das Idéias A presença de Platão na História do Pensamento 25 III. A alma e suas estruturas A alma Atributos da alma Morfologia da alma Funções da alma Fisiologia da alma Patologias da alma Afecções da alma Alma e interioridade Alma e matéria O controle da alma sobre si 112 IV. Conclusão 118 V. Referências bibliográficas 123 vi

11 11 I. INTRODUÇÃO O que objetivo com essa dissertação é tentar compreender as relações psyché-sôma (alma-corpo) em Platão. Essa motivação se fundamenta nas dificuldades engendradas pela Filosofia da Mente para estudar, refutar ou justificar a mencionada relação. Para me aproximar do assunto tentei analisar o que o autor compreende por alma (psyché) e corpo (sôma) nas seguintes obras: Timeu, Fédon, Fedro, A República, Apologia de Sócrates, Mênon, Banquete, Sofista e Político. Embora seja uma pequena fração do conjunto das obras de Platão, creio que essa amostragem seja suficiente para tentar alcançar meu objetivo. A metodologia utilizada foi a histórico-crítica, tendo como documentação os supramencionados diálogos com vistas ao desenvolvimento de uma investigação sob a ótica da História da Filosofia. Como referência teórica em ordem decrescente segui os seguintes autores: Reale (2004) que apresentou as reflexões da Escola de Tübingen- Milão a respeito das chamadas doutrinas não-escritas de Platão; Vernant (1990) que demonstra a metodologia para realizar uma análise sob a ótica da História Psicológica, das Idéias e das Mentalidades; Mondolfo (1970) que apresenta uma hipótese sobre a teoria do conhecimento que os pré-platônicos utilizavam, bem como a questão da subjetividade entre os antigos; Jaeger (1995) que desenvolve um acurado estudo sobre o processo de formação do homem grego e os valores implicados até a época de Platão; Detienne (1998), em especial, no que se refere à questão do uso da linguagem e como era a vivência dela à época; e Coulanges (1998) o historiador que traça um excelente retrato dos costumes e hábitos sociais do homem grego clássico. A hipótese que defendo é que não é possível a um grego da época de Platão conceber uma separação diametralmente oposta e radicalmente incomunicável entre o que a tradição filosófica convencionou chamar de Mundo Sensível e Mundo Inteligível, ou em outras palavras, aquilo que viria a fundamentar a distinção atual na Filosofia da Mente entre o mental e o físico. No primeiro capítulo procuro contextualizar Platão em sua época, apresentando os problemas epistemológicos com os quais se defrontava.

12 12 Pretendo também apresentar as fases dos escritos platônicos bem como a cronologia de suas obras. É nossa intenção esquematizar alguns tópicos essenciais do pensamento platônico, tais como a teoria das Idéias e a noção de imortalidade. O capítulo II visa investigar a natureza da alma a partir dos escritos do filósofo ateniense. Para efeito desta pesquisa, procuramos dividir nosso estudo em subitens, com vistas a permitir que o exame da psyché, tal como concebida por Platão, pudesse ser realizado a partir de diferentes perspectivas. Neste sentido, procuramos investigar a noção de alma a partir dos seguintes aspectos: as estruturas da alma, as funções da alma, a fisiologia da alma, as patologias da alma, as afecções da alma, alma e interioridade, alma e matéria inanimada, controle da alma sobre si. Finalmente, em nossa conclusão procuramos demonstrar como a noção de alma para Platão define os problemas apresentados pelo dualismo mentecorpo, e tentamos esclarecer alguns destes problemas à luz das novas pesquisas realizadas recentemente por estudiosos da obra platônica, notadamente a partir das novas interpretações da escola de Tübingen-Milão.

13 13 II. PLATÃO E SUA FILOSOFIA 2.1 O CONTEXTO DE PLATÃO Referência econômico-cultural das sociedades helênicas do mundo antigo, Atenas congregava integrantes de diversas cidades-estado do mundo grego: comerciantes, banqueiros, artesãos e escravos, além de muitos bárbaros de variada procedência, proporcionando aos habitantes da área urbana uma enriquecedora vivência proveniente de várias culturas. No Pireu, amplo e bem construído porto fortificado de Atenas, ocorriam os intercâmbios comerciais e culturais mais intensos da região. Acontecimento único na Grécia continental no que respeita às demais cidades-estado que durante toda a sua história mantiveram a tradicional organização agrária. A vivência religiosa em Atenas dividia-se em três modos básicos, a saber, 1) a religião doméstica, fundada no patriarcado e na intensa relação entre mortos e vivos, com plena liberdade do patriarca em adorar seus antepassados; 2) a religião cívica, projeção da religião doméstica, tendo um dos deuses do panteão olímpico como patrono, tinha na acrópole, com a lareira comum, o centro de reunião de todas as famílias em torno da divindade protetora da cidade e, em paralelo a estas, restritas a cidadãos do sexo masculino e de posse de seus direitos cívicos, havia 3) os mistérios de Elêusis e dos Órficos que se caracterizavam pela liberalidade de acesso a homens, mulheres, cidadãos, estrangeiros e escravos, indistintamente. Primava por ensinos restritos aos iniciados escalonados por meio de provas iniciáticas, de profunda preocupação escatológica, e se diferenciava em relação às demais devido às especificidades de seus ensinamentos e ao estilo de vida de seus membros. O ideal de sophrosyne, justa medida, justo meio, ingressou na mentalidade helênica de modo a traçar um novo parâmetro de comportamento social, fundando-se na simplicidade, austeridade e equilíbrio do cidadão em todas as particularidades de sua existência. Sua idéia central era o mandamento do nada em excesso.

14 14 O pensamento filosófico iniciado na jônia do século VII a. C. foi incorporado no dia a dia de Atenas como modo discursivo, após relativa resistência de seus cidadãos. Em breve, porém, granjeou o interesse dos atenienses e a filosofia, com o passar do tempo, virou um importante elemento de interesse prático devido à necessidade de solucionar importantes questões sociais, políticas e pertinentes a diversos campos do conhecimento humano. A circulação das idéias decorrentes do pensamento filosófico apresentou um importante impulso com a reintrodução da escrita no contexto cultural helênico, fazendo com que alguns cidadãos letrados tivessem acesso à argumentação filosófica por meio da circulação de pergaminhos, os livros da época, contendo as doutrinas de variados físicos, como eram conhecidos os filósofos pré-socráticos. A escrita, por sua vez, trouxe nova perspectiva para a reflexão filosófica relativamente às questões pertinentes à possibilidade do conhecimento e à linguagem. A argumentação racional como novo paradigma discursivo em contraposição às limitações da linguagem poética e outros fenômenos vinculados aos hábitos decorrentes da escrita, são problematizados por uma cultura que por mais de quatrocentos anos foi totalmente oral. Na ágora (praça ou mercado), ocorriam discussões e questionamentos sobre a origem e a essência dos fenômenos do mundo natural, phýsis, que geravam interesse e preocupação entre os cidadãos. Tais discussões eram acompanhadas da desconfiança constante dos poetas e sacerdotes (representantes do antigo modo de se expressar, isto é, o oral), que viam nas inovações filosóficas perigosa ameaça a seus interesses e modos de subsistência. Os chamados mestres da verdade, os sofistas, eram professores de retórica, gramáticos, teólogos, poetas e alguns estadistas. Desenvolveram uma profunda crítica à tradição e aos critérios gnosiológicos admitidos até então. Geraram amplas e impactantes discussões entre seus contemporâneos em torno da educação, da formação das leis, do estado, da cultura. Afirmavam poder ensinar a arete (excelência), que se caracterizava pelo preparo do cidadão no exercício político diante da Assembléia do Povo, de modo a

15 15 conduzi-la com arte, segundo os interesses do grupo político ao qual o orador pertencia (JAEGER, 1995: ). A família de Platão pertencia à aristocracia de Atenas e tinha como ancestral o ilustre legislador Sólon, sendo também parente do personagem de um de seus diálogos, Cármides e sobrinho do político de formação sofísticoheraclitiana Crítias, um dos chamados trinta tiranos, grupo de aristocratas atenienses que por ocasião da derrota da cidade diante de Esparta, na primeira guerra do Peloponeso, participou do instituído governo e realizou uma série de perseguições políticas. 2.2 A FORMAÇÃO DE PLATÃO Como cidadão ateniense de aristocrática estirpe, Platão teve a melhor formação possível que um jovem de sua época poderia almejar. Em oposição à nossa atual concepção de formação educacional, a dos helênicos em geral, e dos atenienses, em específico, consistia na audição, memorização e recitação da poesia grega tradicional, isto é, Homero, Hesíodo, Píndaro. Por poesia deve-se compreender não apenas um conjunto de versos normalmente direcionados ao enlevo estético, fantástico ou crítico, mas como um modo de expressão fundado em uma métrica rigorosa e contendo musicalidades específicas combinada a um comportamento gestual, em que a palavra enunciada era acompanhada de um movimento corporal. Tal forma de pensar e de se expressar era a característica predominante ainda à época de Platão, em que a juventude e os cidadãos eram comumente educados, a ponto de podermos dizer que Homero é reconhecidamente considerado o educador por excelência do homem grego (JAEGER, 1995: 61-84). Platão assim foi educado e pelo que é narrado pela historiografia, muito se destacou naquela prática expressiva poética tanto quanto nas competições esportivas, chegando também a ser, por duas vezes, vencedor nos chamados jogos ístmicos (DURANT, 1996: 39). Ainda jovem, interessou-se por filosofia, em especial sob influência de seu tio, Crítias. Conheceu o pensamento de Heráclito e dos principais pensadores jônicos; conheceu a filosofia de Anaxágoras, pensador que

16 16 assessorou Péricles nas reformas impetradas na política ateniense anos antes, Parmênides, os sofistas Górgias, Protágoras e outros que circulavam e lecionavam em sua cidade. Com vinte anos, aproximadamente, conheceu Sócrates e dele privou dos ensinos com os demais cidadãos que apreciavam a arte filosófica do mestre durante oito anos (DURANT, 1996: 39 e PASTOR & ISMAEL QUILES, 1952: 11) até a condenação deste à morte, pela Assembléia do povo, sob a acusação de impiedade e corrupção dos jovens. Tal acontecimento marcou determinantemente Platão de modo a convencê-lo de que a democracia, como regime político, estava fadada ao insucesso e que uma aristocracia filosófica devia assumir o comando da polis. Vale ressaltar que Atenas tinha certa tradição reacionária às inovações trazidas pela filosofia, de tal modo que o próprio Anaxágoras acima referido, precisou fugir e abandonar seu discípulo, Péricles, para que não tivesse o mesmo destino de Sócrates e posteriormente Aristóteles assim também procedeu. Devido aos problemas ocorridos na tentativa de interceder por Sócrates, Platão foi aconselhado a deixar Atenas e empreendeu uma longa viajem que durou aproximadamente doze anos. Visitou templos, seitas, sábios, a tudo observando e se instruindo. Começou indo ao Egito e à colônia grega no Norte da África chamada Cirene; conheceu a antiga e agrícola cultura do Nilo, sua vasta sabedoria em variados aspectos. Daí foi à Magna Grécia e travou conhecimento com membros da escola pitagórica, lá permanecendo por algum tempo estudando-lhes as doutrinas. (REZENDE, 1996: 44-45). Em seguida foi para Siracusa, maior cidade e potência político-militar da região centro-mediterrânea à época, aliada e fornecedora de trigo a Esparta e suas aliadas e, consequentemente, inimiga de Atenas e seu império. Lá estabeleceu profunda simpatia e amizade com Díon, o cunhado do tirano da cidade, Dionísio, o Velho (REZENDE, 1996: 45). Tal amizade viria posteriormente possibilitar as duas tentativas fracassadas de Platão para implantar suas propostas político-filosóficas em Siracusa com o filho de Dionísio e sobrinho de Díon, Dionísio II. Alguns historiadores afirmam que Platão visitou a Judéia, vindo a conhecer a tradição dos profetas, chegando até as margens do Ganges, na

17 17 Índia, onde teria aprendido as artes meditativa e mística orientais. (DURANT, 1996: 40). Platão retornou a Atenas em 387 a. C. com quarenta anos e toda a bagagem cultural e antropológica adquirida em suas viagens. 2.3 A ACADEMIA De volta a Atenas Platão adquiriu uma propriedade junto ao jardim dedicado ao herói Academo, de onde veio o nome dado à escola fundada pelo filósofo em 387 a. C. Caracterizou-se por ser um centro de pesquisas e ensino filosófico bem como uma espécie de escola preparatória de cidadãos para o exercício político, tal qual Platão havia aprendido na Magna Grécia com os pitagóricos. Daí depreende-se que a filosofia não era um exercício de discussão teórica e afastada dos problemas do dia a dia da cidade, mas uma forma de pensar, de discussão de idéias, teorias explicativas da natureza, da sociedade e do homem com repercussões pragmáticas no exercício da cidadania ateniense, uma vez que no mínimo, cada cidadão em sua vida, deveria exercer um cargo público, logo, necessariamente a vivência e a aplicação do que se aprendia na Academia era necessariamente aplicada no exercício da cidadania. Vide o exemplo de Alcebíades, Aristóteles e outros que influenciaram o pensamento sócio-político, filosófico, jurídico e administrativo da época. A Academia não se limitava ao ensino da filosofia platônica especificamente, mas buscava levar a efeito investigações de caráter racional, compreendido este como um modo específico de se expressar através da linguagem, com regras e métodos dialéticos (REZENDE, 1996:45-46). Depois disso a Academia passou por novas orientações de acordo com a administração que assumia, mas sua tradição chegou até o período romano e a ascensão do cristianismo como religião oficial de Roma, quando as escolas filosóficas foram expulsas e proibidas de funcionarem em todo o Império.

18 A CONCEPÇÃO DE NATUREZA EM PLATÃO Uma das chaves interpretativas para se chegar ao entendimento do pensamento de Platão é a compreensão de sua visão de natureza. Diferentemente da nossa época, que ainda vê o mundo social humano algo distinto e à parte do mundo natural, a despeito dos esforços de implantação de uma consciência ecológica holística, os gregos tinham uma percepção especial de natureza. Em grego, natureza é dita através do termo phýsis e significa natureza ou maneira de ser de uma coisa (ISIDRO PEREIRA, 1990: 621). Para a cultura helênica a percepção que se tinha de phýsis era uma integração indiferenciada e interativa do que consideravam ser dimensões da realidade, a saber, o mundo natural e sensível propriamente dito, envolvendo isso o que hoje chamaríamos os grupos dos minerais, os animais e vegetais, compostos pelo conjunto proporcional de substâncias que acreditavam estruturar o preenchimento de suas formas naturais, a saber, água, fogo, terra, ar e éter; o mundo dos homens, que basicamente se dividiam em gregos e bárbaros, os primeiros organizados em polies, os segundos em tribos e como escravos de seus governos; o mundo dos deuses olímpicos, compreendido como semi-tangível e/ou inteligível, dependendo da época da história cultural helênica que se esteja focando e, finalmente, o mundo dos mortos, o Hades, região para onde iriam indistintamente as almas dos homens após a morte e lá manteriam uma existência semelhante a que tinham enquanto vivos, junto aos seus familiares. Platão, como grego ateniense do século IV a. C. não podia furtar-se ao ideário comum de seu povo e de sua cidade, uma das mais tradicionais no que respeita ao zelo religioso cívico e quanto às supertições atreladas a uma verdadeira arte divinatória e mágica ainda existente à época e de ampla utilização. A visão que Platão tinha de natureza, partia do lugar comum de sua cultura, isto é, a concepção complementar, interativa e circular das dimensões naturais. No entanto, sua concepção se distingue da tradicional por se fundamentar numa perspectiva filosófica decorrente da tentativa de explicação racional, que tinha como base as novidades lingüísticas decorrentes dos

19 19 estudos gramaticais levados a efeito pelos sofistas e dos novos hábitos decorrentes do uso da escrita. Em seu livro intitulado Fédon (PLATÃO, s/d: 84), em um diálogo travado com dois de seus discípulos, a saber, Símias e Cebes, Sócrates demonstra como chegou por meio de suas pesquisas filosóficas de juventude, a descobrir um novo modo de perceber a natureza. Através deste método desenvolveu investigações mais seguras que as possibilitadas pelos filósofos físicos. Tal método se diferenciava do utilizado pelos físicos, na medida em que a busca da verdade natural fundava-se no que Platão chamou de Idéia e não em um princípio natural (terra, água, fogo, ar ou éter). Desta maneira, a percepção que Platão defendia era basicamente a de uma bipolarização básica, a saber, o sensível e o inteligível, tendo o primeiro seu fundamento e razão de ser no segundo, de maneira complementar. 2.5 DIALÉTICA E DIÁLOGO Platão, no diálogo Fédon, defende a importância de manter o que é mais precioso relativamente aos conhecimentos filosóficos no modo oral do que no escrito, afirmando ainda que o filósofo verdadeiro se utiliza do escrito apenas como recurso mnemônico, se é um filósofo sério (REALE, 2004: 54-66). Sócrates desenvolveu uma técnica de investigação filosófica chamada maiêutica, através da qual por meio de perguntas e respostas, o filósofo levava seu interlocutor ao reconhecimento de que possuía opiniões e não conhecimentos verdadeiros sobre o assunto tratado. Platão absorveu a técnica do mestre e foi o primeiro a instituir o diálogo como método de expressão filosófica. O objetivo do diálogo, tanto em Sócrates como em Platão, visa o despertamento do interlocutor/leitor para a consciência de sua ignorância (REZENDE, 1996: 47). Para Sócrates, filho de parteira e de um escultor, e que se dizia parteiro de almas, chamava este processo de maiêutica. Era uma ação prevista para seqüestrar o interlocutor à ignorância de sua pretensa sabedoria para uma experiência de conhecimento que era emocionalmente libertadora.

20 20 Platão, na medida em que se apropriou da maiêutica como forma de acessar gradativamente a verdade por meio da dialética e assim acessar as Idéias, desenvolveu o diálogo como modo discursivo de envolver não apenas os freqüentadores da Academia, mas seus concidadãos. O diálogo é a forma por excelência na qual a filosofia platônica é veiculada e, graças ao senso estético de Platão, mesmo vertidos nas mais variadas línguas, eles mantêm um impressionante misto de beleza e profundidade filosófica jamais comparável na história do pensamento ocidental. 2.6 AS OBRAS DE PLATÃO É o único autor da Antigüidade de que possuímos a quase totalidade de suas obras. Durante todo o século XIX houve uma acirrada discussão entre especialistas para determinarem os critérios de autenticidade a serem aplicados às obras platônicas, pois se desconfiava que algumas fossem de seus discípulos ou de outros autores, de um período posterior a Platão. Para não me deter numa discussão que não é pertinente à proposta deste capítulo, porém, não posso deixar de informar algo a respeito. Decidi apresentar a relação das obras atribuídas a Platão por épocas e por ordem cronológica, baseado na catalogação feita por Íñigo (1981: 51-52) e por Marcondes (1998: 54-55). Os chamados diálogos da juventude foram escritos entre os anos a. C. e são: Apologia de Sócrates, Íon, Críton, Protágoras, Laquês, Trasímaco, Lisis, Cármides e Eutífron, Hípias Menor, República (livro I) e Hípias Maior. Os chamados diálogos da época de transição foram escritos entre os anos de a. C. e são: Górgias, Mênon, EutIdemo, Crátilo, Menéxeno, Banquete, Fédon, A República (Sobre a Justiça) e Fedro Os ditos diálogos da maturidade foram escritos entre os anos de a. C. e são: Banquete, Fédon, República e Fedro. Finalmente, os chamados diálogos da velhice, escritos entre os anos de a. C., são: Teeteto, Parmênides, Sofista, Político, Filebo, Timeu,

21 21 Crítias, Leis e Epínomis, Alcebíades I e II, Hiparco, Anterestai, Teages, Clítofon, Mino e O Filósofo, considerados os últimos oito, de autenticidade discutível. A obra de Platão durante algum tempo foi interpretada como sendo um retrato fiel do pensamento de Sócrates, uma vez que este nada escreveu. Mas os pesquisadores, em especial no século XIX, logo concluíram que os que mais se aproximam do pensamento original de Sócrates são os chamados diálogos da juventude que defendem, em geral, a memória de Sócrates, abordam temas morais e são considerados aporéticos, isto é, não são conclusivos (REZENDE, 1996: 47). Os diálogos de transição assim são denominados pois versam sobre os mesmos temas dos da juventude, porém assinalam certa tomada de posição de Platão no que se refere aos fundamentos de sua filosofia. Nos diálogos da maturidade o pensamento de Platão já está em franco desenvolvimento e diferenciação do de Sócrates. É nestes que se apresenta a característica de certa reformulação de alguns aspectos da doutrina, dando a impressão, em alguns casos, de verdadeira ruptura e novo direcionamento, em especial no que diz respeito à autocrítica que Platão põe em relação a famosa teoria das Idéias. Fora os diálogos, Platão ainda deixou cartas trocadas com discípulos, em especial, com seus contatos em Siracusa (Sicília), onde tentou por duas vezes implantar sua proposta filosófica de governo. A respeito de que temas Platão escreve? Seus diálogos falam sobre problemas de sua época, mas que se interconectam profundamente aos de nossos tempos, uma vez que somos herdeiros diretos da tradição epistemológica-política grega, com as adaptações oriundas das civilizações romana e cristã. Sendo assim, vê-se o filósofo investigar sobre a excelência, sobre os conceitos, questões éticas, sobre Sócrates e o pensamento deste, o amor, as relações familiares, questões políticas pertinentes aos regimes existentes em sua época, temas religiosos como a imortalidade da alma e outros. Num breve comentário, quero referir-me às doutrinas não-escritas de Platão, referenciadas pela escola de história da filosofia de Tübingen-Milão, que adoto como referencial teórico e um dos instrumentos metodológicos de

22 22 aproximação ao tema, para contextualizar as relações psyché-sôma (REALE, 2004). A cultura grega à época de Platão ainda adotava a oralidade em detrimento da escrita como prática usual e poucos se dedicavam à aprendizagem desta, de maneira que seu ensino era relegado a particulares e não um compromisso estatal como vemos em nossos dias. Platão não fugiu a seu contexto. A bem da verdade, o filósofo expressou em vários pontos de sua obra escrita a sua opinião sobre a grafia como desfavorável e como instrumento não digno de registrar o que considerava ser o mais importante em seus ensinos, como é visto, por exemplo, no Fedro: SÓCRATES: Quando chegaram à escrita, disse Thoth: Esta arte, caro rei, tornará os egípcios mais sábios e lhes fortalecerá a memória; portanto, com a escrita inventei um grande auxiliar para a memória e a sabedoria. Respondeu Tamuz: Grande artista Thoth! Não é a mesma coisa inventar uma arte e julgar da sua utilidade ou prejuízo que advirá aos que a exercerem. Tu, como pai da escrita, esperas dela com o teu entusiasmo precisamente o contrário do que ela pode fazer. Tal coisa tornará os homens esquecidos, pois deixarão de cultivar a memória; confiando apenas nos livros escritos, só se lembrarão de um assunto exteriormente e por meio de sinais e não em si mesmos. Logo, tu não inventaste um auxiliar para a memória, mas apenas para a recordação. Transmitistes aos teus alunos uma aparência de sabedoria, e não a verdade, pois eles recebem muitas informações sem instrução e se consideram homens de grande saber embora sejam ignorantes na maior parte dos assuntos. Em conseqüência serão desagradáveis companheiros, tornar-seão sábios imaginários ao invés de verdadeiros sábios. SÓCRATES: O uso da escrita, Fedro, tem um inconveniente que se assemelha à pintura. Também as figuras pintadas tem a atitude de pessoas vivas, mas se alguém as interrogar conservar-se-ão gravemente caladas. O mesmo sucede com os discursos. Falam das coisas como se as conhecessem, mas quando alguém quer informar-se sobre qualquer ponto do assunto exposto, eles se limitam a repetir sempre a mesma coisa. Uma vez escrito, um discurso sai a vagar por toda parte, não só entre os conhecedores mas também entre os que o não entendem, e nunca se pode dizer para quem serve e para quem não serve. Quando é desprezado ou injustamente censurado, necessita do auxílio do pai, pois não é capaz de defender-se nem de se proteger por si. (s/ d: ). Por que então ele escreveu os diálogos? Pelo que consta na historiografia de seu pensamento e, em especial, na obra de Reale (2004), Para Uma Nova Interpretação de Platão, os diálogos eram obras destinadas à

23 23 divulgação doutrinária externa, isto é, o que de fato não era tão relevante e especial, mas que servia como chamariz para que o público soubesse os elementos essenciais da filosofia platônica, trabalhando, por assim dizer, com o que era habitualmente sabido, haja vista a imensa quantidade de referências a elementos do cotidiano ateniense feita ao longo dos diálogos. Os ensinos não-escritos eram destinados apenas aos membros da Academia, considerados aptos, através de avaliação prévia de disposições filosóficas e era a parte mais importante do ensino platônico, pois correspondia ao que o mestre considerava ser o nexo explicativo de tudo o que sua divulgação externa ventilava, isto é, os diálogos em si. Durante muito tempo os ensinos não-escritos foram desqualificados e sumariamente ignorados pelos especialistas e apenas no século XX, em especial, através dos trabalhos de Krämer e Gaiser na Alemanha e, posteriormente, Reale na Itália, é trazida a questão para a discussão pública, fundamentada nas referências de Platão em seus diálogos, dos discípulos diretos da Academia, da tradição acadêmica posterior e dos doxógrafos da Antigüidade. Segundo Reale (2004), Krämer e Gaiser puderam apresentar com profundidade e desenvolver um novo paradigma interpretativo que desta maneira indicou saídas sólidas para as aporias que o paradigma interpretativo tradicional, fundado nos trabalhos de Schleiermacher, no século XIX, não conseguia esclarecer. Nesta media, no que se refere às obras de Platão, deve-se considerar o conjunto dos diálogos, as cartas e os ensinos não-escritos coligidos junto às referência supracitadas a respeito do assunto como importante ferramenta interpretativa e complementar à compreensão dos ensinos escritos. 2.7 CRÍTICA DO CONHECIMENTO SENSÍVEL Pelo apresentado até o momento, dado que Platão fundamenta sua teoria do conhecimento nas Idéias existentes no chamado mundo inteligível, vêse no autor uma profunda crítica aos conhecimentos oriundos das sensações. Uma vez que o conhecimento sensível captado por meio dos órgãos do corpo é ilusório, tudo o que se pode conseguir através dos sentidos são

24 imaginações fundadas em opiniões, nunca conhecimentos verdadeiros e racionais como é apresentado pelo autor em seu diálogo Sofista: 24 ESTRANGEIRO: - Sabemos, além disso, que há, no discurso, o seguinte... TEETETO: - O quê? ESTRANGEIRO: - Afirmação e negação. TEETETO: -Sim, sabemos. ESTRANGEIRO: - Quando, pois, isto se dá na alma, em pensamento, silenciosamente, haverá outra palavra para designá-lo além de opinião? TEETETO: - Que outra palavra haveria? ESTRANGEIRO: - Quando, ao contrário, ela se apresenta, não mais espontaneamente, mas por intermédio da sensação, este estado de espírito poderá ser corretamente designado por imaginação, ou haverá ainda outra palavra? TEETETO: - Nenhuma outra. ESTRANGEIRO: - Desde que há, como vimos, discurso verdadeiro e falso, e que, no discurso, distinguimos o pensamento que é o diálogo da alma consigo mesma, e a opinião, que é a conclusão do pensamento, e esse estado de espírito que designamos por imaginação, que é a combinação de sensação e opinião, é inevitável que pelo seu parentesco com o discurso, algumas delas sejam, algumas vezes, falsas. (PLATÃO, s/d: 158). No entanto, faz-se necessário extremo cuidado metodológico para evitar-se excessos interpretativos nesta crítica, visto que em outras obras Platão não só parte do sensível como elemento de iniciação a seu método gnosiológico, como reconhece em diversos pontos de sua obra, a importância da inter-relação harmônica entre o sensível e o inteligível. 2.8 A DOUTRINA DAS IDÉIAS A doutrina das Idéias surge como elemento de diferenciação gnosiológica na Antigüidade, representando o deslocamento do centro de atenção das pesquisas físicas pré-socráticas estabelecidas em torno de elementos materiais como a água, ar, fogo para a dimensão gnosiológica do inteligível. A percepção do inteligível como dimensão existencial e a intuição de Platão quanto à existência das Idéias, descrita no Fédon (PLATÃO, s/d: 84), representa uma aquisição gnosiológica qualitativa e representativa de uma nova percepção do real e seus critérios de verdade, através dos quais os helênicos

25 25 saíram de uma estrutura gnosiológica ancestral, a saber, a conceptibilidade, e sob a influência da sofística, que marcara definitivamente a história do pensamento ocidental, abandonaram paulatinamente o tradicional critério de conhecimento adotado por eles até então, e passaram ao novo, a saber, o princípio da cognoscibilidade. (MONDOLFO, 1970: ). Quais são as características das Idéias em Platão? Inteligibilidade, isto é, as Idéias são objetos de conhecimento intelectual, apenas apreensíveis através da inteligência, por conseguinte, não sensíveis; incorporeidade, no sentido de que carece de definições rigidamente estabelecidas no delineamento de seu contorno morfológico; existência real, isto é, não estão submetidas às transformações do tempo e à multiplicidade de particularidades, sendo sempre idênticas a si mesmas. Finalmente, a unidade, isto é, as Idéias são os paradigmas sistêmicos de um conjunto de representações, por participação, na multiplicidade sensível (REALE, 2004: 122). Logo, por exemplo, todo cão existente sensivelmente na diversidade das raças e particularidade individuais, tem sua essência, seu ser verdadeiro no mundo das Idéias, isto é, na Idéia de cão que garantiria e manteria o ser e realidade de todos os sujeitos sensíveis (não uso aqui o termo indivíduos que melhor expressaria a idéia, por ser uma noção desconhecida à época). Assim todo o ente sensível nada mais seria do que uma cópia imperfeita, mutável e inconstante do mundo inteligível, destinada a degenerar-se sob o influxo do tempo. 2.9 A PRESENÇA DE PLATÃO NA HISTÓRIA DO PENSAMENTO O alcance e profundidade do pensamento platônico no ocidente são extraordinários. Raros são os filósofos que se furtaram a se referirem a ele direta ou indiretamente. Vê-se sua influência atuar, desde a Antigüidade, a partir de em um de seus mais famosos discípulos, Aristóteles. Os chamados médio-platônicos tentaram refutar as críticas de Aristóteles a Platão. Os neoplatônicos aprofundaram e desenvolveram a teoria das Idéias; a patrística e, posteriormente, a escolástica reafirmou aspectos de sua doutrina com as

26 26 devidas adaptações ao pensamento cristão. Os racionalistas e empiristas, na Idade Moderna, procederam à identificação das Idéias de Platão aos conceitos de Sócrates. Kant se fundamentou na teoria das Idéias para criar sua maneira de se referir à razão e a função que exercia. Hegel se inspirou nas Idéias para formatar sua dialética da história. Os neokantianos da Escola de Marburgo criaram e desenvolveram um método estrutural do pensamento. Os positivistas reduziram fortemente a teoria das Idéias e procuraram extirpar do pensamento platônico suas características animistas (REALE, 2004: ). A filosofia contemporânea desdobra-se em despotencializar a influência platônica em seus diversos aspectos e extensões, identificando-a como origem do que chama de praga metafísica cultural e nascedouro do dualismo almacorpo que caracteriza diversos aspectos das relações que temos para com o mundo, o conhecimento, e outros aspectos de nossa percepção de mundo.

27 27 III. A ALMA E SUAS ESTRUTURAS EM PLATÃO 3.1 A ALMA A proposta deste capítulo é compreender como Platão vivenciava o que chamava alma (psyché) e suas relações com o corpo. A alma é considerada por Platão um ser. Na obra Sofista, a alma é um ser que é real por trazer em si a capacidade de sofrer e causar ações sobre qualquer coisa ou de qualquer coisa, caracterizando-se especificamente como uma espécie de poder motor: (Sofista) ESTRANGEIRO: A seguinte: o que naturalmente traz em si um poder qualquer ou para agir sobre não importa o que, ou para sofrer a ação, por menor que seja, do agente mais insignificante, e não por uma única vez, é ser real; pois afirmo, como definição capaz de definir os seres, que eles não são senão um poder. (PLATÃO, s/d: ) A alma é conduzida pelos princípios do desejo inato do prazer e pela opinião que deseja o que é melhor: (Fedro) SÓCRATES: - Devemos, além disso, examinar o seguinte: em cada um de nós governam e conduzem, e nós os seguimos para onde nos levam: um é o desejo inato do prazer, outro a opinião que pretende obter o que é melhor. (PLATÃO, s/d: 142) A característica principal da alma é a imortalidade. Possuiria também a capacidade de mover-se sem sair de si e de mover as demais coisas com as quais venha a manter contato. (Fedro) SÓCRATES: - Partiremos do seguinte princípio: toda alma é imortal, porque aquilo que se move a si mesma é imortal. O que a si mesmo se move, nunca saindo de si, jamais acabará de mover-se, e é, para as demais coisas que se movem, fonte e início de movimento. Concluindo, pois, o princípio do movimento é o que a si mesmo se move. Não pode desaparecer nem formar-se, do contrário o universo, todas as gerações parariam e nunca mais poderiam ser movidos. (PLATÃO, s/d: 151) Platão afirma que há uma supremacia da alma dentre os demais entes no que respeita à sua participação no divino. A alma possui uma Idéia no

28 28 chamado mundo das Idéias e nesta medida apresenta as mesmas características que as Idéias, ou seja, são inteligíveis e incorpóreas. Dessa maneira, as almas e as Idéias não são encerradas em limites determinados mais ou menos rígidos como nos informa Reale (2004: ), a respeito da percepção que os antigos tinham do conceito incorpóreo. Além disso, Platão reforça a concepção de que a alma é um fenômeno natural, como se vê no Fedro (s/ d: 152): SÓCRATES: - A alma participa do divino mais do que qualquer outra coisa corpórea. e como tal, alma e Idéias são elementos naturais da phýsis platônica com propriedades constitutivas semelhantes. A alma seria guiada pela inteligência, que em grego pode ser expressa com os termos noûs (νουσ), sýnesis (συνεσισ ) e diánoia (διανοια), como é visto em Fedro (PLATÃO, s/d: 153): SÓCRATES: - A realidade sem forma, sem cor, impalpável só pode ser contemplada pela inteligência, que é o guia da alma. Platão utiliza-se do segundo e do terceiro termos em seus diálogos para expressar o que nós entendemos por alma-mente, sendo que, em geral, noûs é empregado para designar a parte superior da alma, responsável pelo governo e gestão do complexo trino da alma, isto é, pneyma (alma apetitiva), o thýmos (alma irrascível) e o noûs, enquanto vinculada a um corpo sensível. A alma apresentaria carência de certo tipo de alimento para desenvolver-se, segundo Platão, e aquele seria obtido através de uma procissão que ocorreria no que o autor chama de céu da verdade, onde a alma seguiria um deus ao qual se afeiçoaria e se dedicaria à atividade de contemplação das Idéias. Vale ressaltar que a contemplação é uma ação ativa por parte da alma. Devido a sua própria estrutura, a alma não conseguiria contemplar o que Platão chama de Ser Absoluto, sendo necessariamente condenada a desconhecer e, por conseguinte, condenada à simples opinião e nunca acessaria a Verdade propriamente dita, conforme vemos no Fedro, (PLATÃO, s/d: 153) SÓCRATES: - Todas, após esforços inúteis, na impossibilidade de se elevarem até a contemplação do Ser Absoluto, caem e a sua queda as condena à simples Opinião. Embora afligida pelo insucesso na contemplação do Ser Absoluto, a alma seria atraída fatalmente para o chamado céu da verdade devido à sua carência alimentar. Esse alimento, que seria o conhecimento verdadeiro das

29 29 Idéias, geraria na alma o desenvolvimento e robustecimento de suas asas, que na simbologia platônica representariam a sabedoria e a inteligência conforme o ideal de sophrosyné, isto é, justa medida. Permitiria à alma o equilíbrio necessário para alçar um vôo mais seguro na procisão junto aos deuses e, consequentemente, à libertação dos ciclos da palingenesia. Conforme o Fedro, a alma seria perfectível, isto é, após sua criação pelo deus através da contemplação das Idéias e das experiências como alma encarnada em um corpo humano, a alma se robusteceria, se desenvolveria, apropriando-se cada vez mais dos recursos que sua memória lhe proporcionaria e, mais e mais ambientada às realidades verdadeiras, utilizar-seia dela de maneira a garantir-lhe a fuga dos ciclos palingenésicos: (Fedro) SÓCRATES: - A alma que nunca contemplou a verdade não pode tomar a forma humana. A causa disso é a seguinte: é que a inteligência do homem deve se exercer segundo aquilo que se chama Idéia; isto é, elevarse da multiplicidade das sensações à unidade racional. [...] É somente fazendo bom uso dessas recordações que o homem se torna verdadeiramente perfeito, podendo receber em grau ótimo as consagrações dos Mistérios. (PLATÃO, s/d: 154) Para o autor a alma seria passível de vincular-se a um corpo de modo que justapondo-se a ele, à maneira de uma ostra à sua concha, vitalizá-lo-ia comunicando sua capacidade de movimento, conforme vemos no Fedro SÓCRATES: - Não tínhamos mácula nem tampouco contato com este sepulcro que é o nosso corpo ao qual estamos ligados como a ostra à sua concha. (PLATÃO, s/d: 155). A alma seria considerada como uma réplica miniaturizada do kosmos (universo compreendido como phýsis, isto é, o mundo dos homens, dos deuses, dos mortos e o mundo natural, compreendido este por animais, plantas e minerais). Para Platão e seus contemporâneos, de maneira geral, a perfeita integração e interação entre os elementos da natureza permitia o estabelecimento de analogias comportamentais entre seus elementos. A alma, por meio de sua vinculação aos corpos humanos, se utilizaria de uma linguagem. Para Platão (s/d: 175) (Fedro) SÓCRATES: - Visto que a força da eloqüência consiste na capacidade de guiar almas, aquele que deseja tornar-se orador deve necessariamente saber quantas formas existem na alma.

30 30 Ora, pelo domínio das técnicas pertinentes aos fenômenos de linguagem que a língua grega proporcionava, a alma possuiria a propriedade de guiar outras almas tanto quanto a si mesma. O acesso da alma ao conhecimento estaria diretamente relacionado ao uso de sua memória, acumulada ao longo de suas experiências, seja no Hades seja no mundo dos vivos, além de manter patente a ela sua origem divina e seu destino que é a perfeição, a excelência, a arete (excelência no que quer que o indivíduo se dedique). Um aspecto importante para a pesquisa sobre a alma em Platão é que para ele, a alma seria construída por Deus de maneira a ser capaz de atingir perfeita simetria com os corpos como é visto no Timeu (PLATÃO, s/d: 90): Quando toda a construção da Alma foi realizada ao agrado de seu autor, este logo estendeu para o interior dela tudo o que é corporal, e fazendo coincidir o meio do corpo e o da Alma, harmonizou-os. Logo, a vinculação da alma ao corpo estaria numa relação de pura simetria, não havendo possibilidade de antagonismos substanciais entre eles. Tal simetria se justificaria por sua composição interna, que Platão afirma ser semelhante à composição da Alma do Todo. O que é a Alma do Todo ou do Mundo e qual é seu papel na phýsis platônica? Que relação mantém coma a alma humana? A Alma do Todo foi a primeira criação do Deus 1 para que pudesse ordenar e dar beleza a tudo o que viesse a conter posteriormente, exercendo então, o papel hegemônico na natureza platônica em relação ao corpo, conforme se vê no Timeu (PLATÃO, s/ d: 86): 1 Na edição que utilizei, a saber: PLATÃO (s/ d). Timeu e Crítias ou a Atlântida. s/ ed.. São Paulo: Hemus. O autor se utiliza do termo Deus no sentido daquele que promove por meio de sua vontade a ação criadora que concerne à criação (confecção) da Alma e do Corpo do Mundo, enquanto usa o termo deus(es) para expressar aqueles que operam a criação (confecção) da alma e corpo humanos tendo como base as substâncias do Múltiplo e do misto harmônico de Uno e Múltiplo. Com base nos estudos desenvolvidos, não sei informar se esse Deus teria alguma relação com o Deus judaico, o que poderia reforçar a tese de Will Durant (1996: 40) quanto à possibilidade de Platão ter travado conhecimentos com a religião dos profetas enquanto viajou. O que posso afirmar é que o Deus que Platão se refere age como um demiurgo (ISIDRO PEREIRA, 1990:126), isto é, aquele que faz um trabalho manual, que forma, que produz, cria, na manipulação das substâncias dos Primeiros Princípios e constituição do kosmos, além de produzir as substâncias elementares para que os deuses produzissem as almas e corpos humanos.

31 31 a Alma, de que começamos a falar depois do corpo, Deus não formou seu mecanismo numa data mais recente que a do corpo. Compondo assim, não toleraria que o termo antigo fosse submetido ao mais novo. [...] Mas Deus formou a Alma antes do Corpo: mais antiga pela idade e pela virtude, para comandar, e o corpo para obedecer. A constituição da Alma do Todo foi proporcionalmente engendrara pelo Deus, de modo a conter três substâncias elementares, a saber, uma indivisível, uma divisível e uma terceira que seria o produto das duas anteriores, como vemos no Timeu (PLATÃO, s/ d: 85-86): Eis que de que elementos e de que maneira: da substância indivisível, que se comporta sempre de maneira invariável, e da substância divisível, que está nos corpos, entre os dois, misturando-os, uma terceira espécie de substância intermediária, compreendendo a natureza do Mesmo e a do Outro. E assim formou-a entre o elemento indivisível dessas duas realidades e a substância divisível dos corpos. Depois tomou essas três substâncias e combinou-as em uma única forma, harmonizando à força com o Mesmo a substância do Outro, que se deixava a custo misturar. Misturou as duas primeiras com a terceira, e das três fez uma só. Do que Platão nos apresenta, deduz-se que a Alma do Mundo é um composto substancial e interativo do que é divisível, do indivisível e de um terceiro elemento intermediário que ele não conceitua especificamente, mas afirma conter as propriedades das duas primeiras substâncias harmoniosamente misturadas e que para ele formam realidades naturais, como declara no Timeu (PLATÃO, s/ d: 91): A Alma é então formada da natureza do Mesmo, da natureza do Outro e da terceira substância. E composta da mistura dessas três realidades. Em seguida à construção da Alma do Todo o Deus constrói o Corpo do Todo, que virá a constituir o kosmos, como é visto no Timeu (PLATÃO, s/ d: 86): Mas a Alma, de que começamos a falar depois do corpo, Deus não formou seu mecanismo numa data mais recente que a do corpo e nessa medida, a Alma do Mundo é instalada no centro deste Corpo e estendida através dele para além de seus limites de maneira a envolvê-lo completamente e constituída de movimento intrínseco, como é visto no Timeu (PLATÃO, s/ d: 85): Quanto à Alma, tendo-a estabelecido no meio do corpo do Todo, estendeu-a através de todo o corpo, até mesmo além dele, envolvendo-o; círculo movimentado numa rotação.

32 32 Sendo a Alma esse misto substancial equilibrado, isto é, o Outro, o Mesmo e a terceira substância, infere-se que a Alma guarde elementos de contato entre as duas naturezas em questão, ou seja, a permanente (Mesmo) e a impermanente (Outro), intermediadas pela terceira substância. Nesta medida, é possível à Alma do Todo a interiorização de tudo o que é corporal, isto é, tudo o que é passível de ser identificado como coisas encerradas em limites determinados mais ou menos rígidos como nos informa Reale (2004: ) a respeito de como os antigos compreendiam o conceito de corpóreo. Por conseguinte, quando isso ocorre, a Alma do Mundo é perfeitamente harmonizada ao Corpo do Todo como vemos no Timeu (PLATÃO, s/ d: 90-91): Quando toda a construção da Alma foi realizada ao agrado de seu autor, este logo estendeu para o interior dela tudo o que é corporal, e fazendo coincidir o meio do Corpo e o da Alma, harmonizou-os. Que razões levaram o Deus a acoplar a Alma ao Corpo? Pelo que narra Platão no Timeu (s/ d: 80): Tendo então refletido, percebeu que, do que é visível por sua natureza, nunca surgiria um Todo desprovido de inteligência que fosse mais belo que um Todo inteligente. E por outra, que o intelecto só pode nascer unido à Alma. Em virtude dessas reflexões, após ter colocado o Intelecto na Alma, a Alma no Corpo, formou o Cosmos, para dele executar uma obra que essencialmente fosse a mais bela e melhor. Assim pois, nos termos de um arrazoado provável, deve-se dizer que o Cosmos, que é verdadeiramente um ser vivo provido de Alma e Intelecto, é assim gerado pela ação da Providência de um Deus. Considerando que a Alma do Mundo tem por finalidade o exposto acima, a composição de sua natureza substancial se justifica, uma vez que foi projetada para dar inteligência e beleza a um Todo que supomos material já que não havia corpos, e à Alma caberia a função de prover o Cosmos de inteligência e beleza. No entanto, ainda cabe o questionamento: como se processaria exatamente a concessão de inteligência e beleza da Alma do Todo ao Corpo na constituição do Cosmos? Platão esclarece no Timeu (s/ d: 82-83) conforme segue: Ora, evidentemente, é necessário que o que nasce seja corporal, e, portanto, visível e tangível. Nenhum

33 33 ser sensível poderia nascer como tal se estivesse provado de fogo; nem sem algum sólido, e não existe sólido sem terra. Daí vem que, Deus, começando a construção do Corpo do Cosmos, principiou para construí-lo tomando fogo e terra. Mas é impossível que dois termos formem sós uma composição completa sem um terceiro. Pois é preciso que no meio deles haja alguma ligação que os aproxime. Ora, de todas as ligações, a mais harmoniosa é a que dá a si mesma e aos termos que ela une a mais completa das uniões. E aquela é a progressão que naturalmente a realiza da maneira mais harmoniosa. Pois quando de três números ou áreas ou sólidos quaisquer, o do meio é tal que o primeiro é em relação a si mesmo, o que é em relação ao último, e inversamente, o que o último é em relação ao médio, o médio sê-lo-á quanto ao primeiro e do último, o último e o primeiro, o lugar médio; temos necessariamente que todos os termos tem a mesma função, que todos desempenham uns em relação aos outros o mesmo papel, e neste caso, todos formam uma unidade perfeita. Se então o Corpo do Todo devesse ter sido um plano sem espessura, uma só mediação bastaria para atribuir-se a unidade e dá-la aos termos que a acompanham. Mas, com efeito, convinha que esse corpo fosse sólido, e, para harmonizar os sólidos, uma só mediação nunca bastaria: é necessário sempre duas. Assim Deus colocou o ar e a água no meio, entre o fogo e a terra, e dispôs esses elementos uns relacionados aos outros, tanto quanto seria possível numa mesma relação, de tal modo que o fogo é para o ar, o ar foi para a água, e o que o ar é para a água, a água o foi para a terra. Por esses procedimentos e com a ajuda desses corpos assim definidos em número de quatro, foi engendrado o Corpo do Cosmos. Por sua proporção, e por essas condições, é tão completo que, reunindo num único todo, pôde nascer indissolúvel por qualquer outra potência que não a que o uniu. [...] E assim o compôs, antes para que o todo fosse tanto quanto possível uma Alma perfeita, formada de partes perfeitas e, para que fosse única, nada restando de que pudesse nascer outra alma da mesma essência, e, enfim, para que fosse isento de velhice e doença. Pois ele bem sabia que num corpo composto, as substâncias quentes e frias e, de maneira geral, todas as que possuem propriedades energéticas, quando rodeiam esse composto por fora e o fazem demasiadamente, o dissolvem, aí introduzindo as doenças e a velhice, fazendo-o assim perecer. Eis por que causas e segundo que lógica Deus conformou esse Todo único, com o auxílio absoluto de todos os Todos, tornando-o perfeito e inacessível à velhice e às doenças. É muito interessante observar como Platão descreve no Timeu (s/ d: 91-92), a dinâmica cognitiva da Alma do Mundo em relação aos dados perceptivos e inteligíveis numa verdadeira teoria da relação Alma-Corpo e que vale a pena ser reproduzida textualmente para melhor apreciação do leitor:

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