LARA BARBOSA DE SOUSA MARQUES

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1 LARA BARBOSA DE SOUSA MARQUES A EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO FORMA DE APOIO AOS INSTRUMENTOS ECONÔMICOS DE CONSERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE: aplicabilidade ao Programa Produtor de Água da bacia do ribeirão Pipiripau DF CURITIBA 2011

2 LARA BARBOSA DE SOUSA MARQUES A EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO FORMA DE APOIO AOS INSTRUMENTOS ECONÔMICOS DE CONSERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE: aplicabilidade ao Programa Produtor de Água da bacia do ribeirão Pipiripau DF Trabalho apresentado para a obtenção do título de Especialista no curso de Pós-graduação em Economia e Meio Ambiente do Departamento de Economia Rural e Extensão, Setor de Ciências Agrárias, Universidade Federal do Paraná. Orientadora: MsC. Marzi do Carmo Ponciano CURITIBA 2011

3 Economia Próspera, Sustentabilidade Ambiental, Justiça Social, Diversidade Cultural e Política Democrática caminham juntas. Sen. Marina Silva (04/02/2010)

4 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO OBJETIVOS MÉTODOS E MATERIAIS Métodos Materiais MARCO TEÓRICO Educação Ambiental Instrumentos Econômicos de Conservação Ambiental Pagamento por Serviços Ambientais PSA Programa Produtor de Água Programa Produtor de Água da Bacia do Ribeirão Pipiripau OBSERVAÇÕES FINAIS E RESULTADOS ESPERADOS REFERÊNCIAS ANEXO A... 36

5 RESUMO Este trabalho considera que a Educação Ambiental (EA) pode ser uma ferramenta de apoio a instrumentos econômicos de conservação ambiental. A Educação Ambiental é um dos caminhos para que cada brasileiro possa obter instrumentos de defesa e preservação do meio que o cerca e do qual é, também, parte. Aqui, o meio ambiente é entendido em sua totalidade, considerando a interdependência entre o meio natural, o socioeconômico e o cultural. O crescente uso de instrumentos econômicos (IEs) para a conservação ambiental, em complemento aos tradicionais instrumentos de comando e controle, é uma realidade. Acredita-se que o desenvolvimento de ações educativas com vistas à proteção do meio ambiente pode ser aliado aos instrumentos econômicos de conservação, mais especificamente, aos pagamentos por serviços ambientais (PSAs), tendo em vista à transformação positiva da realidade de deterioração dos recursos naturais. Além disso, este trabalho propõe que essa relação de apoio possa ser explorada visando à recondução de uma das partes não executadas do Plano de Proteção Ambiental da Bacia do Ribeirão Pipiripau DF, no âmbito do Programa Produtor de Água: um Programa de Educação Ambiental. Palavras-chave: Educação Ambiental, Instrumentos Econômicos de Conservação Ambiental, Pagamento por Serviços Ambientais, Bacia do Ribeirão Pipiripau.

6 ABSTRACT This paper considers that the environmental education (EE) can be a tool to support economic instruments for environmental conservation. Environmental education is one of the ways that every Brazilian can obtain instruments of defense and preservation of the environment that surrounds them and which they are also part. Here, the environment is understood in its entirety, considering the interdependence between the natural environment, the socioeconomic and cultural areas. The increasing use of economic instruments (EIs) for conservation, complementing the traditional tools of command and control, is a reality. It is believed that the development of educational activities with a view to protect the environment can be coupled with economic instruments for conservation, more specifically, payments for environmental services, in view of the positive transformation of natural resources deterioration reality. In addition, this paper proposes that this relationship can be exploited in order to support the reappointment of a not implemented part of the Plan of Environmental Protection of Basin Pipiripau Stream - DF, under the Water Producer Program: An Environmental Education Program. Keywords: Environmental Education, Economic Instruments for Environmental Conservation, Pay for Environmental Services, Basin of Pipiripau Stream.

7 6 1. INTRODUÇÃO Este trabalho de conclusão de curso TCC se insere no tema Pagamento por Serviços Ambientais, do tópico Instrumentos Econômicos para a Conservação, do módulo Aspectos Econômicos da Conservação, no Curso de Pós-graduação em Economia e Meio Ambiente da Universidade Federal do Paraná. Tendo em vista a ausência de um programa de Educação Ambiental no âmbito do Programa Produtor de Água da bacia do ribeirão Pipiripau, decidiu-se realizar esta pesquisa. Ela tem a finalidade de defender e argumentar acerca da necessidade da execução de ações educativas como apoio ao mencionado instrumento econômico de conservação ambiental. Para tanto, fez-se a revisão bibliográfica acerca dos termos Educação Ambiental, Instrumentos Econômicos de Conservação Ambiental, Pagamento por Serviços Ambientais e Programa Produtor de Água, a fim de relacionar-los por meio dos conteúdos e argumentos apresentados. A delimitação do tema se deu em razão de que a elaboradora deste TCC é Educadora Ambiental na Diretoria de Educação Ambiental e Difusão de Tecnologias, do Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do Distrito Federal IBRAM/DF 1. Assim, o tema proposto está dentro do escopo de atuação do IBRAM e se relaciona com as competências do cargo mencionado, sendo uma oportunidade de aperfeiçoamento profissional e contribuição para a consecução das tarefas e objetivos daquele Instituto e do Plano de Proteção Ambiental da Bacia do Pipiripau 2. A Educação Ambiental (EA) é um dos caminhos para que cada brasileiro possa obter instrumentos de defesa e preservação do meio que o cerca e do qual é, também, parte. Entende-se, ainda, por Educação Ambiental os processos por meio dos quais é possível a construção de valores e conhecimento capazes de contribuir para a qualidade ambiental. Os instrumentos econômicos (IEs) são mecanismos em que, a partir de incentivos econômicos, determinados atores reagem modificando suas atitudes para 1 Esta é uma das especialidades do quadro de servidores do IBRAM, mais especificamente do cargo de Analista de Atividades de Meio Ambiente, no qual a elaboradora deste TCC está investida. 2 OIBRAM/DF é um dos parceiros que aderiram ao projeto e trabalham na implementação do Projeto Pipiripau do Programa Produtor de Água.

8 7 internalizarem esses incentivos e maximizarem seus ganhos econômicos e/ou a utilidade de dado bem natural. Os IEs são uma alternativa economicamente eficiente e ambientalmente eficaz às tradicionais ações do tipo comando e controle. Dentre os instrumentos econômicos de conservação do meio ambiente, este trabalho abordará os Pagamentos por Serviços Ambientais (PSAs), que consistem em transferências financeiras que podem favorecer a manutenção, a recuperação ou o melhoramento de serviços ecossistêmicos. Além disso, cumpre-se notar que a água, elemento essencial aos ciclos naturais e às atividades humanas, está no centro das discussões ambientais. Observa-se que a preservação dos recursos hídricos tem assumido uma posição central nas discussões e ações no Brasil e no mundo. A proteção dos mananciais hídricos é condição básica para a garantia do abastecimento de água na atualidade e para as gerações futuras. Tendo em vista o grau de vulnerabilidade a que grande parte dos recursos hídricos têm sido submetidos atualmente, a reversão desse quadro somente pode ser alcançada mediante o pleno envolvimento da sociedade, visando ampla conscientização a respeito da responsabilidade de cada um quanto a sua proteção (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal CAESB, 2001). Para tanto, o desenvolvimento de ações educativas, tanto relativas à proteção do meio ambiente como, de modo mais específico, no que se refere ao relacionamento das comunidades com a água é imperativo para transformação positiva do cenário escolhido para desenvolvimento deste TCC: a bacia hidrográfica do ribeirão Pipiripau. Sabe-se que toda e qualquer política pública precisa do engajamento da sociedade civil para torná-la real e manter o seu constante aperfeiçoamento (LOUREIRO, 2008). Tendo isso em vista, ações de Educação Ambiental que sensibilizem essa comunidade e valorizem esse recurso se fazem necessárias como reforço a iniciativas em prol de sua conservação. Neste intuito, toma-se, aqui, o sistema de pagamento por serviços ambientais instalado na bacia em questão, por meio do Programa Produtor de Água da Agência Nacional de Águas como referência espacial para essa proposição. Neste trabalho, considera-se a Educação Ambiental

9 8 como elemento indispensável a todo mecanismo de gestão ambiental. Propõe-se que, para os instrumentos econômicos, esse pressuposto seja igualmente verdadeiro. Diante disso, esta pesquisa compreende o Programa Produtor de Água da bacia do ribeirão Pipiripau situada no Distrito Federal, na sua maior parte como uma realidade específica em que a relação de apoio entre a Educação Ambiental e esse instrumento econômico de conservação do meio ambiente pode e deve ser aplicada. Por meio da revisão bibliográfica, essa relação encontrará o marco teórico para ser fundamentada. No próximo tópico encontram-se destacados os objetivos deste trabalho. Na sessão 3, serão apresentados os materiais e métodos utilizados, com destaque para a bacia do Pipiripau como um possível cenário para aplicabilidade da relação, em que a sensibilização é considerada peça necessária para o sucesso da implantação de um sistema de pagamento por serviços ambientais. O marco teórico, na sessão seguinte, dissertará sobre o que se entende por Educação Ambiental, por Instrumentos Econômicos de Conservação e, mais especificamente, por Pagamento por Serviços Ambientais, sobre o Programa Produtor de Água de maneira geral e na bacia do ribeirão Pipiripau. Após ter apresentado os conceitos, tendo em vista subsidiar a defesa da relação aqui proposta, o último tópico trará as considerações finais e discorrerá sobre os resultados esperados, no que diz respeito ao tema.

10 9 2. OBJETIVOS O cenário de referência para desenvolvimento deste trabalho foi a bacia do ribeirão Pipiripau. O seu Plano de Proteção Ambiental (CAESB, 2001) tem como uma de suas propostas a realização de ações de Educação Ambiental para a proteção dos recursos hídricos dessa região. No entanto, um programa de EA para a bacia ainda não foi implementado, passados 10 anos da elaboração do documento. Observou-se essa lacuna na gestão desse território e este trabalho tem o objetivo principal de chamar a atenção para a necessidade de planejamento e execução de ações educativas no âmbito desse mecanismo de pagamento por serviços ambientais em implantação na mencionada localidade. Mais especificamente, tem por objetivos: a. Incentivar boas práticas de uso de recursos naturais e de ocupação do solo para conservação ambiental na área da bacia do Pipiripau, com base em instrumentos econômicos para a conservação e na Educação Ambiental; b. Incentivar e reforçar a necessidade de planejar e executar ações educativas, no âmbito do Projeto Pipiripau do Programa Produtor de Água; c. Relacionar dois instrumentos de conservação ambiental: Instrumentos Econômicos, especificamente o Pagamento por Serviços Ambientais, e a Educação Ambiental.

11 10 3. MÉTODOS E MATERIAIS 3.1 Métodos Para o desenvolvimento deste TCC, realizou-se a revisão bibliográfica, a busca e a análise de dados para definição do contexto em questão e dos conceitos básicos. Observada a falha no âmbito do cenário escolhido, conforme mencionado anteriormente, buscaram-se os conceitos que poderiam corroborar para o reforço da necessidade de ações educativas na implantação do Programa Produtor de Água do Pipiripau, afinal [p]esquisa é um conjunto de ações, propostas para encontrar a solução para um problema, que têm por base procedimentos racionais e sistemáticos. A pesquisa é realizada quando se tem um problema e não se tem informações para solucioná-lo (SILVA e MENEZES, 2001, p. 20). Destaca-se que, quanto à finalidade, a metodologia usada neste trabalho é básica. Segundo Castro (2006), a pesquisa é pura, básica ou teórica, com relação a seu objetivo, quando não tem por finalidade a utilização prática, no entanto contribui para o avanço do conhecimento da teoria estudada. Quanto à abordagem é uma pesquisa qualitativa, pois tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como o seu principal instrumento (ANDRÉ, 2006, p. 26). Quanto ao método é indutivo, pois parte da observação de fatos ou fenômenos cujas causas se desejam conhecer. A seguir, procura-se compará-los com a finalidade de descobrir as relações existentes entre eles e por fim, procede-se a generalização, com base na relação verificada entre os fatos ou fenômenos (GIL, 1999, p.28-29). Além disso, é uma pesquisa exploratória na medida em que envolve o levantamento bibliográfico e análise de uma situação específica que proporciona maior entendimento do problema levantado com vistas a torná-lo explícito (GIL, 1991 citado por SILVA e MENEZES, 2001). Tem por fim, ainda, esclarecer conceitos e idéias para a formulação de abordagens posteriores e apresenta uma visão geral de

12 11 determinado fato. Dessa forma, esse tipo de estudo propicia um maior conhecimento para o pesquisador acerca do assunto, a fim de que possa formular problemas mais precisos ou criar hipóteses para estudos futuros (GIL, 1999). Em relação aos procedimentos técnicos a pesquisa é bibliográfica e documental. Afinal, objetiva investigar e explicar um problema a partir de fatos históricos relatados em documentos que são fontes valiosas de informações, encontradas em documentos institucionais como relatórios de pesquisa etc. (ANDRE, 2006, p. 38). 3.2 Materiais Para a consecução dos objetivos deste trabalho, foi feita revisão bibliográfica utilizando documentos diversos, tais quais relatórios, planos, legislação, etc., relacionados ao tema proposto. Ademais, em razão da delimitação temática, é importante caracterizar, neste tópico, a bacia hidrográfica do ribeirão Pipiripau, que é o cenário trabalhado. Na bacia em questão, as nascentes de cursos d água são, em sua maioria, pequenos olhos d'água e excelentes fontes hídricas. No entanto, o uso e a ocupação do solo são fatores de relevante alteração do quadro de disponibilidade de água, tanto pelo uso indiscriminado do recurso, como pelo próprio modelo de ocupação, que atinge as zonas de recarga e limita as veredas a estreitas faixas de vegetação típica (CAESB, 2001). A bacia hidrográfica do ribeirão Pipiripau presta serviços ecossistêmicos importantes à sua comunidade de influência que, por sua vez, tem o poder de impactar positiva e negativamente sobre esse bem. A bacia está inserida do Programa Produtor de Água, da Agência Nacional de Águas ANA, que consiste no pagamento por serviços ambientais 3 para conservação de recursos hídricos. 3 O Projeto Pipiripau é uma realização de 10 instituições públicas e privadas, com atuação na área ambiental do Distrito Federal. Esses parceiros representam a sociedade brasiliense, financiando ações

13 12 A bacia em questão localiza-se no nordeste do Distrito Federal DF e vai além da divisa com o estado de Goiás 90,3% da área da bacia localiza-se no DF (ANA et al, 2010). Abrange uma área de ,36 hectares, englobando três núcleos rurais denominados Santos Dumont, Taquara e Pipiripau. É limitada ao sul e norte pelas coordenadas UTM E / N e E / N, respectivamente. Inclui ainda dois outros grupos de chácaras, ambos situados na margem direita do ribeirão Pipiripau, correspondentes aos loteamentos da fazenda Pipiripau e da fazenda Mestre d'armas. Possui vocação agrícola e apresenta características urbanas, agregando várias chácaras utilizadas para lazer e moradia em função da proximidade em relação à Região Administrativa (RA) de Planaltina (CAESB, 2001). A figura 1, a seguir, apresenta a localização da bacia. Fonte: CAESB, 2001 Figura 1: Localização da bacia hidrográfica do ribeirão Pipiripau A fim de superar o déficit hídrico do sistema de produção operante, que era de cerca de 40 L/s em época de estiagem prolongada, o sistema Pipiripau foi implantado de conservação e pagamentos por serviços ambientais para garantir água em quantidade e qualidade para esta e para as futuras gerações (ANA, 2011).

14 13 pela CAESB. Entre 1991 e 1996, um grande crescimento populacional foi observado na área. Nesse período, a taxa média de crescimento anual da população residente na bacia hidrográfica do ribeirão Pipiripau foi de aproximadamente 20% quatro vezes superior à de Planaltina e, aproximadamente, oito vezes superior à do DF. Isso, associado à urbanização acelerada, culminou em um alto nível de pressão antrópica na região. Esse processo levou ao aumento do consumo de água e também da produção de resíduos de vários tipos que ameaçam a qualidade da água do ribeirão (Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba, 2011). O risco ambiental nessa área é agravado por estar em uma das RAs de menor poder aquisitivo e de uso do solo predominantemente agrícola (CAESB, 2001 citado por ANA et al, 2010). Além desses problemas, o maior fator de poluição e degradação da qualidade dos recursos hídricos da bacia é o elevado grau de erosão e sedimentação observado no local. Cumpre-se destacar que o ribeirão Pipiripau possui a segunda pior qualidade de água dentre todos os mananciais explorados pela CAESB (ANA et al, 2010). A Bacia do Pipiripau está inserida em uma área central do bioma Cerrado. Os tipos de vegetação com maior representatividade são as matas de galeria e cerrados strictu sensu. Em menor escala, estão os campos, os campos murunduns e os cerradões (CAESB, 2001 citado por ANA et al, 2010). Entende-se que o ambiente local é bastante suscetível a pressões de vários tipos, sendo necessárias medidas preventivas sistemáticas e conjugadas entre vários atores para manter o equilíbrio ecológico (ANA et al, 2010, p. 7).

15 14 4. MARCO TEÓRICO 4.1 Educação Ambiental 225, Como ressaltado pela Constituição Federal de 1988, no caput de seu artigo nº Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações (BRASIL, 1988). Sem dúvida, a Educação Ambiental (EA) é um dos caminhos para que cada brasileiro possa obter instrumentos de defesa e preservação do meio que o cerca e do qual é, também, parte. Afinal, aquele mesmo artigo da Carta Magna versa no inciso quinto, do seu parágrafo primeiro que, a fim de assegurar a efetividade do citado direito, o Poder Público é incumbido de promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente (BRASIL, 1988). Mais especificamente, no que concerne aos recursos hídricos, conforme Zapparoli et al (2011), e este é o ponto considerado aqui, Com foco na sustentabilidade e na participação da sociedade, a preservação dos recursos hídricos precisa da [...] inserção da Educação Ambiental (EA) e da comunicação como ferramentas para se alcançar o objetivo de sensibilizar e garantir o envolvimento de todos os atores nas ações práticas e preservacionistas (Zapparoli et al, 2011, p. 5).

16 15 Considera-se, ainda, a Política de Educação Ambiental do Distrito Federal 4 a qual determina que: Art. 1º Entende-se por educação ambiental os processos através dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, atitudes, habilidades, interesse ativo e competência voltada para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e à sua sustentabilidade. Art. 2º A educação ambiental é componente essencial e permanente da educação no Distrito Federal e deve constar, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e nãoformal. Art. 3º Como parte do processo educativo mais amplo, todos têm direito à educação ambiental, incumbindo: I - ao Poder Público, nos termos dos artigos 205 e 225 da Constituição Federal e dos artigos 221 e 235 da Lei Orgânica do Distrito Federal, promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino, a conscientização pública e o engajamento da sociedade na conservação, recuperação e melhoria do meio ambiente; (DISTRITO FEDERAL, 2006) Além disso, observa-se que o conceito tem incorporado diversos aspectos como o social e o econômico, indo além do conservacionismo, restrito aos problemas do uso dos recursos naturais e do equilíbrio dos ecossistemas, que exclui o meio ambiente humano. Conforme notado por Genebaldo Freire Dias, a evolução dos conceitos de Educação Ambiental tem sido vinculada ao conceito de meio ambiente e ao modo como este era percebido. O conceito de meio ambiente reduzido exclusivamente a seus aspectos naturais não permitia apreciar as interdependências, nem a contribuição das consciências sociais à compreensão e melhoria do meio ambiente humano". (DIAS, 1992, pp. 64,65 citado por TRAVASSOS, 2001, p. 3) Ademais, a própria Educação Ambiental que adota um enfoque global sobre uma ampla base interdisciplinar é capaz de criar uma perspectiva dentro da qual se reconhece a existência de uma profunda interdependência entre o ambiente natural e o ambiente construído (SÃO PAULO, 1994). Somando-se a isso, a Declaração da 4 Esta Política está compreendida na Lei Nº 3.833, de 27 de março de 2006 (publicada no Diário Oficial do Distrito Federal de 04 de abril de 2006). Essa dispõe sobre a Educação Ambiental, institui a Política de Educação Ambiental do Distrito Federal, cria o Programa de Educação Ambiental do Distrito Federal, complementa a Lei Federal nº 9.795/ 99 no âmbito do Distrito Federal, e dá outras providências. Disponível em: <http://www.ibram.df.gov.br/sites/400/406/ pdf>.

17 16 Conferência de Educação Ambiental de Tbilisi, realizada em 1977, uma das principais reuniões internacionais sobre o tema, estabeleceu que a Educação Ambiental, bem compreendida, deverá constituir uma educação geral permanente que reaja às mudanças produzidas num mundo em rápida evolução. Essa educação deverá preparar o indivíduo através da compreensão dos principais problemas do mundo contemporâneo, proporcionando-lhe os conhecimentos técnicos e as qualidades necessárias para desempenhar uma função produtiva que vise melhorar a vida e proteger o ambiente, valorizando os aspectos éticos. [...] A Educação Ambiental deve ser orientada para a comunidade. Deverá envolver o indivíduo num processo ativo de resolução de problemas que permita resolvê-los no contexto das realidades específicas, estimulando a iniciativa, o sentido da responsabilidade e o empenho de construir um futuro melhor. (SÃO PAULO, 1994, p.1) É importante, ainda, destacar que este TCC, tem como base e difunde os seguintes preceitos: a. A concepção do meio ambiente em sua totalidade, considerando a interdependência entre o meio natural, o socioeconômico e o cultural sob o enfoque da sustentabilidade (DISTRITO FEDERAL, 2006); b. O desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente e suas múltiplas e complexas relações, envolvendo aspectos ecológicos, psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e éticos (DISTRITO FEDERAL, 2006); c. O incentivo à participação comunitária, ativa, permanente e responsável, na preservação do equilíbrio do meio ambiente, entendendo-se a defesa da qualidade ambiental como um valor inseparável do exercício da cidadania (DISTRITO FEDERAL, 2006). Complementarmente, e não menos importante, entende-se que a educação sempre provoca mudanças (PELICIONI, 2004, p. 468) e que corresponde à transformação do sujeito que ao transformar-se, transforma seu entorno. (ORGANIZACIÓN PAN-AMERICANA DE LA SALUD in PELICIONI, 2004, p. 468). Sendo assim, em sentido mais estrito, a Educação Ambiental representa uma

18 17 resposta ao complexo quadro de degradação socioambiental e um dos alicerces que sustentam a possibilidade de sua reversão (PELICIONI, 2004, p. 473). Tem-se, portanto, que a educação é partícipe orgânica e indissociável da transformação e ação humana. Acredita-se que a Educação Ambiental deve ser parte integrante de quaisquer ações públicas ou privadas, no que se refere a processos de preservação, conservação e/ou recuperação ambientais. Nas palavras de Philippi Jr. e Zulauf citados por Pelicioni (2004, p ), todo e qualquer plano, programa e projeto ambiental deve necessariamente ter o seu componente de educação ambiental, cabendo ao gestor ambiental zelar pela fiel observância deste preceito. O analfabetismo ambiental, a ganância e o imediatismo são uns dos elementos geradores da degradação ambiental generalizada nos sistemas naturais globais e locais. Em razão do modelo econômico que percebe o ambiente como meio a ser transformado em negócios e lucro, a qualidade ambiental está em risco. No combate às complexas situações de vulnerabilidade por ele geradas, instrumentos que considerem essa complexidade, resilientes, criativos e inovadores são necessários na tentativa de solucioná-las (DIAS, 2010). Diante disso, entende-se que a EA é um importante instrumento de apoio a quaisquer instrumentos de conservação ambiental e, no caso deste trabalho, essa importância de aplica aos instrumentos econômicos, mais especificamente aos pagamentos por serviços ambientais, com destaque ao seu inovador exemplo, o Programa Produtor de Água da ANA. A fim de fazer a relação entre esses termos e a Educação Ambiental, o tópico seguinte cuidará de defini-los. 4.2 Instrumentos Econômicos de Conservação Ambiental O crescente uso de instrumentos econômicos (IEs) para a conservação da biodiversidade, em complemento aos tradicionais instrumentos de comando e controle, é uma tendência mundial (LOUREIRO, 2008). Os IEs são uma alternativa economicamente eficiente e ambientalmente eficaz às tradicionais ações do tipo

19 18 comando e controle. São mecanismos em que, a partir de incentivos econômicos, determinados atores reagem modificando suas atitudes para internalizarem esses incentivos e maximizarem seus ganhos econômicos e/ou a utilidade de dado bem natural. Sendo assim, os IEs têm a capacidade de serem eficazes a partir do comportamento auto-interessado de agentes econômicos racionais (INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL ISA, 2007). Os instrumentos econômicos permitem que o custo social de controle ambiental seja menor e podem, ainda, ser uma forma de arrecadação de receitas para o governo local (INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA IPEA, 1996). No entanto, é errôneo pensar que os IEs são substitutos imediatos para ineficientes e ultrapassados procedimentos regulatórios do tipo comando e controle. Embora haja uma situação favorável para a implementação de certos IEs, restrições significativas têm persistido (IPEA, 1996). Sendo assim, usá-los com discernimento e levando em conta a realidade na qual se pretende atuar é o caminho mais seguro, afinal, conforme defendido pelo ISA (2007), se bem dosados, os mecanismos econômicos podem ser importantes aliados dos de comando-controle, criando um ambiente institucional e econômico no qual os serviços ambientais prestados pelos ecossistemas nativos passem a ser valorizados e remunerados. A implementação em larga escala desses mercados de serviços ambientais pode ter impacto substancial sobre o meio ambiente, padrões regionais de renda e sobre as próprias possibilidades de desenvolvimento regional (ISA, 2007, p. 14). No que se refere a estratégias econômicas e ambientalmente sustentáveis, há uma série de princípios econômicos gerais que as formam. O princípio do poluidor/usuário pagador e o princípio da precaução são os mais freqüentemente enunciados (IPEA, 1996). O primeiro permite que custos externalidades que não seriam, normalmente, internalizados pelo poluidor ou usuário o sejam. O princípio da precaução provê um mecanismo para lidar com a incerteza dos impactos (IPEA, 1996). Com relação a esses princípios, tem-se que [e]les geralmente formam uma série contínua que se estende desde os regulamentos estritamente orientados para o controle, em um extremo, até a legislação de responsabilização orientada para o litígio, no outro extremo. No meio desses dois extremos situa-se uma ampla gama de

20 19 instrumentos orientados para o mercado que se apóiam em uma certa mistura de regulamentos e incentivos econômicos para alcançar a proteção ambiental. (IPEA, 1996, p. 10) Isto posto, passa-se à explanação sobre um dos tipos de instrumentos econômicos de conservação do meio ambiente, o Pagamento por Serviços Ambientais Pagamento por Serviços Ambientais PSA Um dos princípios básicos do Pagamento por Serviços Ambientais PSA é o de que o meio ambiente fornece gratuitamente uma gama de bens e serviços que são de interesse direto ou indireto do ser humano, permitindo sua sobrevivência e seu bemestar (ISA, 2007, p. 26). O PSA consiste na transferência financeira de beneficiados pelos serviços àqueles que o produzem/protegem (ISA, 2007). Uma das formas mais usuais é o pagamento a produtores rurais que conservem e/ou recuperem áreas de remanescentes florestais. Para Novion (2008), os serviços ambientais são prestados pela natureza em favor da manutenção da vida e de seus processos e se revelam na capacidade da natureza de garantir que a vida, como conhecemos, exista para todos e com qualidade (NOVION, 2008), por meio do fornecimento de ar puro, água limpa e acessível, solos férteis, florestas ricas em biodiversidade, alimentos nutritivos e abundantes etc. O ambiente disponibiliza alimentos, remédios naturais, fibras, combustíveis, água, etc. Em soma a isso, garante o bom funcionamento dos processos naturais, como a purificação da água, os ciclos de chuva, o oxigênio para respiração, a fertilidade dos solos e a reciclagem dos nutrientes necessários, por exemplo, para a agricultura. Outros exemplos de serviços ambientais listados pelo autor são: a produção de oxigênio e a purificação do ar pelas plantas; a estabilidade das condições climáticas, com a moderação das temperaturas, das chuvas e da força dos ventos e das marés; e o equilíbrio do ciclo hidrológico, com o controle das enchentes e das secas (NOVION, 2008).

21 20 Cumpre-se esclarecer que, a definição proferida anteriormente é em muitos casos compreendida como a de serviços ecossistêmicos. Situação em que 5, os serviços ambientais são tidos como iniciativas individuais ou coletivas que podem favorecer a manutenção, a recuperação ou o melhoramento dos serviços ecossistêmicos (BRASIL, 2010). Para a Agência Nacional de Águas, o Pagamento por Serviços Ambientais é um mecanismo de promissora contribuição à proteção de bacias hidrográficas em nosso país. É verdade que sua ocorrência é reduzida, especialmente no Brasil, e ainda recente. No entanto, a ANA considera que Pagamentos por Serviços Ambientais são transferências financeiras de beneficiário de serviços ambientais para os que, por causa de práticas que conservam a natureza, fornecem esses serviços. Os PSA podem promover a conservação por meio de incentivos financeiros para os fornecedores de serviços ambientais. Esse modelo complementa o princípio do usuário pagador, dando foco ao fornecimento do serviço: é o principio do provedorrecebedor, em que os usuários pagam e os conservacionistas recebem (ANA, 2009, citado por ZAPPAROLI, 2011, p. 3). Além disso, é uma iniciativa inovadora que tem atraído a atenção tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento. Afinal, ligar os Pagamentos por Serviços Ambientais ao desenvolvimento econômico e à redução de pobreza é assunto de importância nos países em desenvolvimento, pois os PSAs podem representar uma nova fonte de apoio financeiro para seu desenvolvimento econômico e ambiental por meio da utilização de fundos da comunidade global (ANA, 2007). É importante salientar que além do impacto dos pagamentos no emprego e na renda, pode haver significativos benefícios ao desenvolvimento econômico associado ao próprio serviço ambiental (ANA, 2007, p.3). Em muitos casos, problemas ambientais podem criar maiores entraves ao desenvolvimento econômico. No caso se solos degradados, eles podem resultar em prejuízos agrícolas, à qualidade da água, causando problemas sanitários e reduzindo a disponibilidade de água. Sendo assim, os PSAs podem ser meios de lidar com estes problemas (ANA, 2007). Os Pagamentos por Serviços Ambientais, apesar de serem potenciais propulsores do desenvolvimento econômico nas sociedades que os aplicam, não são 5 Esta situação se aplica a este Trabalho de Conclusão de Curso.

22 21 instrumentos assistencialistas 6. Esclarece-se que consistem em iniciativas para remunerar proprietários/entes particulares que limitam a sua produção em troca da conservação. Complementarmente, para Helena Carrascosa, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente de São Paulo incentivos econômicos para proteger fontes hídricas são estratégicos (ADEODATO, 2010). O Sistema Cantareira, destinado a captação e tratamento de água para a Grande São Paulo, possui 220 mil hectares. Desses, 50 mil hectares estão nas margens dos rios, portanto Área de Preservação Permanente (APP). No entanto, apenas 30% estão protegidos com mata. Ademais, é sabido que o déficit hídrico de São Paulo é crescente. Na bacia do Alto-Tietê, uma das principais que abastecem a Região Metropolitana, a demanda de água dentro do mínimo estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (200 litros diários por habitante) está 50% acima da disponibilidade, segundo dados da Companhia Brasileira de Projetos e Empreendimentos (ADEODATO, 2010). São realidades como essas, potenciais e reais, que tornam os PSAs oportunidades de reverter o caos hídrico do qual as grandes cidades do Brasil e do mundo se aproximam ou, por vezes, com o qual já convivem. Neste trabalho, a experiência de PSA em análise é o Programa Produtor de Água da Bacia do Ribeirão Pipiripau DF, que será mais extensamente discutida adiante. Mais especificamente, no que se refere ao Programa Produtor de Água, a Agência Nacional de Águas é categórica ao tratar sobre a questão dos serviços ambientais e o pagamento por sua prestação. Para ela, o produtor rural que executa, adequadamente, um programa de conservação de água e solo e com isso consegue reduzir a poluição difusa, por meio da redução da erosão, e reter, e fazer infiltrar nos solos de sua propriedade, maior parcela da água de chuva, está prestando um serviço ambiental à bacia, devendo, portanto, receber por isso, observando-se o princípio do provedor-recebedor, princípio este baseado no mesmo fundamento teórico de externalidade, base do conceito do usuário/poluidor-pagador, que sustenta a cobrança pelo uso da água; no caso do provedor-recebedor gerando uma externalidade positiva, e no poluidor-pagador, uma externalidade negativa (ANA, 2007, p. 1). 6 Esse aspecto será mais bem fundamentado na sub-sessão seguinte, levando-se em conta o parecer da Procuradoria-Geral da ANA, que versa sobre o tema.

23 Programa Produtor de Água No Brasil, ainda não existe arcabouço jurídico que institucionalize a implantação de um sistema de Pagamento por Serviços Ambientais 7, propriamente dito, por meio de transferências governamentais aos agentes promotores da conservação ambiental. Apesar disso, existem experiências em que comportamentos ambientalmente responsáveis são recompensados. É o caso do Programa Produtor de Água da ANA. Nele, o produtor que voluntariamente conservar fontes de água está apto a ser recompensado com benefícios financeiros. Reduzir erosão, reflorestar, recuperar áreas degradadas, fazer manutenção de estradas e adotar boas práticas de uso do solo fazem parte do compromisso. Conforme reforçado por Anthony Ingham, superintendente de Assuntos Corporativos do Citi Brasil, é "um caminho inovador para proteger nascentes e rios que abastecem grandes áreas urbanas com um recurso cada dia mais escasso" (ADEODATO, 2010). A definição da ANA para o Programa é a seguinte: O Produtor de Água é uma iniciativa da ANA que tem como objetivo a redução da erosão e assoreamento dos mananciais nas áreas rurais. O programa, de adesão voluntária, prevê o apoio técnico e financeiro à execução de ações de conservação da água e do solo, como, por exemplo, a construção de terraços e bacias de infiltração, a readequação de estradas vicinais, a recuperação e proteção de nascentes, o reflorestamento de áreas de proteção permanente e reserva legal, o saneamento ambiental, etc. Prevê também o pagamento de incentivos (ou uma espécie de compensação financeira) aos produtores rurais que, comprovadamente contribuem para a proteção e recuperação de mananciais, gerando benefícios para a bacia e a população. A concessão dos incentivos ocorre somente após a implantação, parcial ou total, das ações e práticas conservacionistas previamente contratadas e os valores a serem pagos são calculados de acordo com os resultados: abatimento da erosão e da sedimentação, redução da poluição difusa e aumento da infiltração de água no solo (ANA, 2011). 7 Há apenas projeto de lei que versa sobre o tema, transcrito no ANEXO A, ao final deste trabalho, e que foi apresentado pelo Ministério do Meio Ambiente como substitutivo a cinco propostas sobre o tema que tramitavam no Congresso. Trata-se do Substitutivo ao Projeto de Lei Nº 792, de 2007, cujo relatório foi apresentado em 01 de dezembro de O documento está disponível, também, em: <http://www.ana.gov.br/produagua/documentos/tabid/715/default.aspx>.

24 23 Conforme mencionado, não há instrumento jurídico que verse sobre os PSAs na atualidade. No entanto, há ordenamento legal que os sustente, conforme listado pela ANA (2007, p. 8): A Lei 9.433/97 Artº 22 Os valores arrecadados com a cobrança pelo uso dos recursos hídricos serão aplicados prioritariamente na bacia hidrográfica em que forem gerados e serão utilizados: I no financiamento de estudos, programas, projetos e obras incluídas nos Planos de Recursos Hídricos. II º... 2º Os valores previstos no caput deste artigo poderão ser aplicados a fundo perdido em projetos e obras que alterem, de modo considerado benéfico à coletividade, a qualidade, a quantidade e o regime de vazão de um corpo de água. Artº 44 Compete a Agência de Águas no âmbito de sua área de atuação: VII elabora convênios e contratar financiamentos e serviços para a execução de suas competências; XI propor ao respectivo ou respectivos Comitês de bacias Hidrográficas: a)... b)... c) o plano de aplicação dos recursos arrecadados com a cobrança pelo uso dos recursos hídricos. Lei 9.984/2000 Art.º 4 A atuação da ANA obedecerá os fundamentos, objetivos, diretrizes e instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos e será desenvolvida em articulação com órgãos e entidades públicas e privadas integrantes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, cabendo-lhe: IX arrecadar, distribuir e aplicar receitas auferidas por intermédio da cobrança pelo uso de recursos hídricos de domínio da União, na forma do disposto no art.º 22 da Lei 9.433, de XVII propor ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos o estabelecimento de incentivos, inclusive financeiros, à conservação qualitativa e quantitativa de recursos Hídricos. Decreto 4.613/2005 Art.º 1º O Conselho Nacional de Recursos Hídricos, órgão consultivo e deliberativo, integrante da estrutura regimental do Ministério do Meio Ambiente tem por competência: XIII manifestar-se sobre propostas encaminhada pela Agência Nacional de Águas ANA, relativa ao estabelecimento de incentivos, inclusive financeiros para a conservação qualitativa e quantitativa de recursos hídricos, nos termos do inciso XVII, do art.º 4º da Lei nº 9.984, de O Programa tem o objetivo de criar incentivos para que os produtores rurais implementem, no âmbito das bacias hidrográficas, práticas conservacionistas que

25 24 contribuam para ampliar a oferta de água e a melhoria de sua qualidade (ANA, 2007, p.1). Ademais, a Procuradoria-Geral da Agência Nacional de Águas emitiu o Parecer PGE/AMC nº 352/2007 que define o programa e o dissocia do caráter assistencialista que lhe viera sendo atribuído: Com efeito, podemos, resumidamente, apontar as seguintes características do Programa: (a) trata-se da realização de licitação para selecionar projetos e obras que alterem, de modo considerado benéfico à coletividade, a qualidade, a quantidade e o regime de vazão dos corpos d água das subbacias selecionadas; (b) as regras para avaliação dos serviços ambientais e para definição do valor a ser pago constarão obrigatoriamente de edital; (c) será estabelecida relação contratual entre proponentes e incentivadores, com a definição de obrigações e metas mediante as quais o projeto se tornará merecedor do incentivo; e (d) não se trata de doação mas sim de pagamento por serviços efetivamente prestados, sempre de forma proporcional aos benefícios aportados, sendo que qualquer pagamento apenas poderá ser efetuado após a implantação do projeto pelo proponente e a devida certificação por quem de direito (PROCURADORIA-GERAL DA AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS, 2007, p. 2). E acrescenta: [C]onsiderando-se, ainda, seus princípios, objetivos e método de implementação, o Programa está longe de possuir natureza assistencialista. Ao revés, seu foco não é a entrega dos incentivos para cobrir necessidades dos recebedores, mas sim a obtenção de resultados definidos nos projetos. As metas do Programa não se vinculam às necessidades individuais dos proponentes, mas sim à proteção dos recursos hídricos e da respectiva bacia hidrográfica. Tanto o é, que o pagamento por serviços ambientais não está ligado à satisfação das necessidades dos proponentes, mas sim à eficiência dos projetos, ao atendimento aos critérios objetivos de avaliação de desempenho (PROCURADORIA-GERAL DA AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS, 2007, p. 2). Além de ser monetário, o incentivo mencionado pode envolver outros benefícios, tais quais assistência técnica e fornecimento de mudas, como no primeiro caso brasileiro de PSA implantado pelo Produtor de Água. Trata-se do sistema que começou a ser implementado em 2007, em Extrema MG, na divisa com São Paulo, onde nascem rios que contribuem para o abastecimento da capital paulista (ADEODATO, 2010). Entende-se aqui, que o Programa é um virtuoso instrumento de conservação, em que o recurso natural, quando ganha valor, passa a ser protegido. Somando-se a

26 25 isso, ao evitar a erosão e aumentar a infiltração das chuvas no solo, a conservação florestal reduz os sedimentos em rios e represas, diminuindo o custo de tratamento de água distribuída para a população e aumentando a vida útil dos reservatórios. Evita, também, gastos com drenagens para resolver o problema do assoreamento ou para prevenir inundações nas cidades (ADEODATO, 2010). Após explorar o tema do Programa Produtor de Água, de maneira geral, o subtópico seguinte tratará do caso específico do Programa Produtor de Água da bacia do ribeirão Pipiripau, cenário escolhido para estudo neste TCC Programa Produtor de Água da Bacia do Ribeirão Pipiripau 8 A região de influência do ribeirão Pipiripau experimentou um salto de ocupação nas últimas duas décadas com notada ausência de políticas públicas de planejamento. Em consonância com o que Zapparoli et al mencionam para uma outra realidade, no entanto bastante semelhante a essa, espera-se que o Programa Produtor de Água da bacia acene para uma ação de aplicabilidade partindo da teoria e finalizando com a prática de forma a garantir a sustentabilidade de uma região, que nas últimas décadas, experimentou um grande salto de desenvolvimento ao mesmo tempo em que em função da ausência de políticas públicas e de educação ambiental da população negligenciou seu grande patrimônio natural, água! (ZAPPAROLI et al, 2011, p.5) Conforme já mencionado, o maior fator de poluição e degradação da qualidade dos recursos hídricos da bacia em questão é o elevado grau de erosão e sedimentação nela observado. A figura 2, que segue, demonstra a classificação de áreas da bacia quanto à sua pré-disposição à erosão. Este mapa é de fundamental importância para o Programa Produtor de Água, tendo em vista que fornece subsídios para a escolha de áreas prioritárias para controle de erosão (ANA et al, 2010). 8 Também denominado Projeto Pipiripau Programa Produtor de Água.

27 26 Fonte: ANA et al, 2010, p.12. Figura 2: Mapeamento de áreas sensíveis à erosão Além da pouca utilização de práticas mecânicas de conservação de solo, outro elemento que contribui para a contínua degradação dos recursos hídricos da bacia é a supressão de áreas de vegetação nativa. O documento da ANA et al (2010) destaca, para essas áreas, a importância das de preservação permanente, geralmente localizadas junto ao leito dos rios. Degradadas, as matas ciliares não têm a mesma capacidade de amortecimento de enxurradas e um grande volume de sedimentos acaba chegando ao corpo hídrico, gerando uma série de prejuízos para toda a população (ANA et al, 2010, p.13). As figura 3 e 4 a seguir, mostram, o grau de conservação e de degradação das áreas de preservação permanente ciliares da bacia.

28 27 Fonte: ANA et al, 2010, p.31. Figura 3: Áreas de Preservação Permanente (APP) ciliares da bacia do ribeirão Pipiripau

29 28 Fonte: ANA et al, 2010, p.32. Figura 4: Remanescentes naturais da bacia do ribeirão Pipiripau. Com base nesses e em outros dados, as ações no âmbito do Programa para essa bacia incluem o reflorestamento de APPs e áreas de Reserva Legal, adequação de estradas rurais e a conservação de solo e recursos hídricos em áreas produtivas, tais

30 29 como lavouras e pastagens. Essas ações têm o objetivo de, sobretudo, favorecer a infiltração de água e, conseqüentemente, alimentar o lençol freático, evitando também que a água da chuva se transforme em escoamento superficial, que é o mais substancial causador de erosão e assoreamento de corpos d água em ambientes rurais (ANA et al, 2010). As instituições parceiras promotoras do projeto acreditam que a bacia hidrográfica do Pipiripau é um área oportuna para implementação de um mecanismo de Pagamentos por Serviços Ambientais. No relatório da ANA et al (2010), entende-se que suas características são ideais para a revitalização ambiental: o tamanho é adequado, possui características rurais, consistente monitoramento hidrológico (série histórica de mais de 30 anos), alto grau de degradação ambiental, captação de água para abastecimento público e conflito pelo uso da água (ANA et al, 2010, p. 33). Consideram, ainda, que As ações previstas para este Projeto podem ser assim resumidas: - Recuperação das matas ciliares degradadas; - Recuperação e averbação das áreas de reserva legal; - Proteção aos fragmentos florestais preservados; - Execução de obras de conservação de solo nas áreas produtivas e estradas vicinais; - Incentivo à utilização de práticas agrícolas menos impactantes e de uso racional da água; - Pagamento aos produtores rurais participantes pelo serviço ambiental gerado (ANA et al, 2010, p ). Por meio dessas ações 9, o Projeto Pipiripau visa à regularização ambiental das propriedades rurais; à promoção da infiltração de água no solo e, conseqüentemente, ao incremento no volume do lençol freático; ao aumento da vazão do rio nos períodos de estiagem e à redução da turbidez da água e, com isso, à redução no custo do tratamento da água. Além disso, espera-se que os conflitos pelo uso da água sejam minimizados e que o abastecimento de água para a RA de Planaltina tenha maior 9 Note-se que a Educação Ambiental como instrumento de apoio e viabilizador do Projeto não está prevista nas ações.

31 30 garantia. Acredita-se, portanto, que a população do DF será diretamente beneficiada com a implantação do Projeto devido à redução dos custos com o tratamento da água e da necessidade de interrupção da captação em períodos críticos, a qual contribuirá para a diminuição dos valores da tarifa paga pela água (ANA et al, 2010).

32 31 5. OBSERVAÇÕES FINAIS E RESULTADOS ESPERADOS Este Trabalho de Conclusão de Curso definiu e alinhou os conceitos apresentados, os quais foram: Educação Ambiental, Instrumentos Econômicos de Conservação do Meio Ambiente, mais especificamente, o Pagamento por Serviços Ambientais e o Programa Produtor de Água. Além disso, trouxe o programa Produtor de Água da bacia do ribeirão Pipiripau a fim de chamar a atenção para uma realidade em que a Educação Ambiental pode e deve ser um instrumento de apoio a um mecanismo de pagamento por serviços ambientais. Os termos envolvidos foram apresentados e conceituados a fim de que a interface entre eles pudesse, aqui, ser feita. Há vários estudos sobre a eficácia e estado da arte dos IEs usados em prol da conservação ambiental. O presente trabalho não teve a intenção de ater-se a essa questão, o que pode ser objeto de futuras construções acadêmicas. A intenção foi trazer à reflexão a importância da Educação Ambiental como mecanismo de reforço à boa condução de instrumentos desse tipo, tendo em vista as impressões e conceitos já desenvolvidos no decorrer do texto. Tendo em vista que a água é um elemento essencial aos ciclos naturais e às atividades humanas, o preocupante estágio de degradação ambiental em que se encontra a bacia do Pipiripau e as iniciativas para promover sua recuperação, esse foi o cenário escolhido para desenvolvimento deste TCC. Destaca-se que o documento mais recente que trata sobre o tema, o relatório do Projeto desenvolvido pela ANA em parceria com outras instituições (2010), não tem a Educação Ambiental como uma das ações principais previstas para a sua implementação. Diante dessa lacuna, defende-se que as iniciativas, sejam elas de conservação, preservação e/ou recuperação devem impreterivelmente possuir mecanismos de EA incrustados nas ações, planos e programas previstos. Acredita-se que a reversão de processos de degradação, a conservação e a preservação de recursos hídricos depende de ações que envolvam a sensibilização de proprietários rurais, da comunidade escolar e dos demais segmentos da sociedade de influência da bacia em análise. Assim, poder-se-á cumprir o preceito de que a Educação Ambiental deve abranger o indivíduo e a coletividade na construção de

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