Código de Processo Civil Art. 13

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1 Código de Processo Civil Art. 13 Art. 13. Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para ser sanado o defeito. Não sendo cumprido o despacho dentro do prazo, se a providência couber: I ao autor, o juiz decretará a nulidade do processo; II ao réu, reputar-se-á revel; III ao terceiro, será excluído do processo. 1. BREVES COMENTÁRIOS No caput do artigo ora comentado são indicadas duas diferentes espécies de vício: incapacidade processual está voltada a ausência de capacidade de estar em juízo (p. ex. incapaz desacompanhado de representante legal) e irregularidade na representação diz respeito a vício na capacidade postulatória (p. ex. ausência de procuração). Importante consignar que a regra consagrada no dispositivo legal é de que as duas espécies de vício descritas são sanáveis, permitindo-se à parte seu saneamento dentro do prazo fixado pelo juiz. A omissão no saneamento do vicio gera diferentes conseqüências a depender do sujeito responsável por ela: (a) na hipótese do autor o dispositivo legal aponta para a nulidade do processo, mas a consequência na realidade é a extinção do processo sem resolução do mérito (267, IV, CPC); (b) na hipótese do réu, o dispositivo aponta para sua revelia, o que não parece ser o mais correto, considerando-se que a revelia é um estado de fato gerado pela ausência jurídica de contestação. O dispositivo legal pretendeu disser que o processo seguirá mesmo sendo mantido o vício, sendo que a ausência de procuração tornará desnecessária a intimação do réu dos atos processuais (um dos efeitos da revelia) (c) na hipótese do terceiro (terceiro interveniente) a conseqüência será sua exclusão do processo mediante decisão interlocutória recorrível por agravo de instrumento. O candidato deve atentar que nesse caso não é correto falar-se em extinção parcial do processo, sendo mais apropriada a expressão diminuição subjetiva da demanda. ATENÇÃO! O concursando deve estar atento, entretanto, para entendimento consagrado pelos tribunais superiores (Súmula 115/STJ) de que nos recursos dirigidos ao STF e STJ a ausência de procuração torna o recurso juridicamente inexistente. Dois pontos podem ser explorados no concurso: (a) nos recursos dirigidos aos tribunais de segundo grau aplica-se o art. 13, caput do CPC, admitindo-se o saneamento do vício em prazo a ser fixado pelo juiz; (b) nos tribunais superiores aplica-se a preclusão consumativa, de forma a não ser admitida a juntada de procuração posteriormente ao ingresso do recurso. 37

2 Art. 13 Daniel Amorim Assumpção Neves e Rodrigo da Cunha Lima Freire 2. ENUNCIADOS DE SÚMULA DE JURISPRUDÊNCIA STJ Súmula 115 Na instancia especial é inexistente recurso interposto por advogado sem procuração nos autos. 3. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIA STJ/404 MS. REGULARIZAÇÃO. REPRESENTAÇÃO. O Tribunal a quo declarou a nulidade da petição inicial diante da constatação de ser o impetrante (em causa própria) defensor público. O defensor, como consabido, não pode advogar em processos ou procedimentos dos quais é parte ou interessado (art. 131, I, da LC n. 80/1994, e art. 62, I, da LC estadual n. 39/2002). Porém, anote-se que aquele Tribunal fez tudo isso sem antes assinalar qualquer prazo para a regularização do ato processual. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso para determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que, reformado o acórdão ora recorrido, seja intimado o impetrante a sanar, em prazo razoável, a irregularidade. A Min. Relatora asseverou que a jurisprudência deste Superior Tribunal há muito se consolidou no sentido de incidir o disposto no art. 13 do CPC também nas hipóteses de impedimento de advogado ou defensor subscritor da petição inicial, em respeito à instrumentalidade das formas. Precedentes citados: REsp MG, DJ 21/9/1998; REsp DF, DJ 4/12/2006; REsp DF, DJ 28/2/2005; RMS TO, DJ 13/8/2001, e EDcl nos EDcl nos EREsp DF, DJ 30/10/2000. RMS PB, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 25/8/2009. STJ/416 REVISTA ELETRÔNICA. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. A Corte Especial reafirmou que a Revista Eletrônica do STJ constitui repositório oficial de jurisprudência (art. 255, 3º, do RISTJ c/c Instrução Normativa n. 1/2005-STJ). Outrossim, reiterou que, consoante o art. 13 do CPC, cabe ao juiz ou relator do tribunal determinar prazo para sanar defeito relativo à falta ou deficiência de instrumento de mandato, por se tratar de vício sanável, em que o causídico não está adstrito ao prazo quinzenal (art. 37 do CPC), o qual, por ser ato de natureza dilatória, pode ser cumprido após o termo final, se não reconhecidos os efeitos da preclusão. Ademais, descabe a nulidade do substabelecimento por estar vencido o instrumento procuratório do advogado substabelecente, pois a cláusula ad judicia é preservada mesmo quando vencido o mandato. Precedentes citados: REsp RS, DJ 19/12/1994; REsp RJ, DJe 6/4/2009; EREsp MG, DJ 9/5/1994; REsp SC, DJ 18/12/2006, e REsp MG, DJ 30/10/2006. EREsp DF, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgados em 18/11/ QUESTÕES DE CONCURSOS 01. (OAB-MG abril 2009) Em constatando a parte ou o juiz da irregularidade de representação ou ainda da incapacidade processual de qualquer das partes, é CORRETO afirmar: (A) No caso de falecimento da parte que esteja litigando em defesa de seus direitos e, havendo resistência da parte contrária na substituição nos próprios autos, os herdeiros da parte falecida poderão instaurar o procedimento próprio de habilitação. 38

3 Código de Processo Civil Arts. 13 e 14 (B) Na ação em que for réu o condomínio e tendo o juiz constado que prazo fixado para a regularização da representação surgida quando da apresentação da contestação restou ultrapassado, designará então curador especial ao réu. (C) No caso do menor de 16 anos estiver assistido pela mãe na ação de alimentos, e tendo a incapacidade processual sido alegada na defesa, quando do saneamento do processo, uma vez que após a apresentação da contestação o autor não mais pode alterar a inicial, o juiz de pronto, extinguirá o processo. (D) No caso de falecimento do advogado de qualquer das partes, o processo prosseguirá regularmente, sem qualquer sobrestamento; designando, contudo o juiz, prazo hábil para regularização. 02. (OAB/CESPE-UnB adaptada) A capacidade das partes e a regularidade de sua representação judicial são pressupostos de validade da relação processual. Assim, verificada a irregularidade da representação processual do réu e não sanada no prazo designado, o juiz decretará a revelia. Gabarito 01 A 02 V Capítulo II: Dos deveres das partes e dos seus procuradores Seção I: Dos Deveres Art. 14. São deveres das partes e de todos aqueles que de qualquer forma participam do processo: (Redação dada pela Lei nº , de ) I expor os fatos em juízo conforme a verdade; II proceder com lealdade e boa-fé; III não formular pretensões, nem alegar defesa, cientes de que são destituídas de fundamento; IV não produzir provas, nem praticar atos inúteis ou desnecessários à declaração ou defesa do direito. V cumprir com exatidão os provimentos mandamentais e não criar embaraços à efetivação de provimentos judiciais, de natureza antecipatória ou final.(incluído pela Lei nº , de ) Parágrafo único. Ressalvados os advogados que se sujeitam exclusivamente aos estatutos da OAB, a violação do disposto no inciso V deste artigo constitui ato atentatório ao exercício da jurisdição, podendo o juiz, sem prejuízo das sanções criminais, civis e processuais cabíveis, aplicar ao responsável multa em montante a ser fixado de acordo com a gravidade da conduta e não superior a vinte por cento do valor da causa; não sendo paga no prazo estabelecido, contado do trânsito em julgado da decisão final da causa, a multa será inscrita sempre como dívida ativa da União ou do Estado. (Incluído pela Lei nº , de ) 1. BREVES COMENTÁRIOS Nos incisos I a IV do dispositivo ora comentado, são descritos deveres de conduta para as partes e para qualquer pessoa que de alguma forma participe do processo, o que incluiu os demais sujeitos processuais (juiz, promotor, advogados, serventuários da justiça) e terceiros, que poderão praticar atos no processo (p. ex. 39

4 Art. 14 Daniel Amorim Assumpção Neves e Rodrigo da Cunha Lima Freire depoimento de uma testemunha) e atos fora do processo que nela reflitam. Ainda que sejam importantes deveres dos sujeitos que participam do processo, não existe na previsão legal qualquer sanção pelo descumprimento de tais deveres. O mais interessante inciso do art. 14 é o V, que prevê o contempt of court brasileiro. O legislador notou que aquele que deixa de cumprir com exatidão as ordens judiciais (provimentos mandamentais) e que cria obstáculos de qualquer natureza à efetivação dos provimentos judiciais, em sede de tutela antecipada ou definitiva, além de prejudicar a parte contrária, desrespeita o Estado-juiz. Essa percepção de que a maior vítima dos atos descritos no inciso ora comentado é o próprio Estado, faz com que tais condutas sejam chamadas de ato atentatório à dignidade da Jurisdição. Como se nota pela leitura do parágrafo único, todos os sujeitos processuais e terceiros poderão sofrer a multa de até 20% do valor da causa (a fixação até esse patamar depende da gravidade da conduta), salvo o advogado (privado e público). Há, inclusive, decisão do STJ que reconhece a aplicabilidade da multa ao promotor de justiça (STJ, 1ª Turma, REsp /PR, rel. Min. Denise Arruda, j. 02/04/2009, DJe 04/05/2009). Registrem-se dois pontos referentes à aplicação da sanção: (a) a aplicação da multa não exclui a possibilidade de sanções criminais, civis e processuais cabíveis; (b) o pagamento só passa a ser exigido com o trânsito em julgado da decisão final da causa e, não havendo o pagamento voluntário, caberá ao Estado (Justiça Estadual) ou a União (Justiça Federal) a inscrição da multa como dívida ativa, o que permitirá a expedição da CDA (certidão da dívida ativa) e conseqüente ingresso de processo de execução. ATENÇÃO! Uma questão consideravelmente polêmica, típica de questões discursivas ou na fase oral do concurso público diz respeito ao ato atentatório à dignidade da Jurisdição praticado pelo próprio Estado em juízo. Para parcela doutrina a identidade entre credor e devedor enseja o fenômeno da confusão, o que torna a multa ineficaz perante o Estado (José Rogério Cruz e Tucci, Lineamentos da nova reforma do CPC, 2ª ed., São Paulo, RT, 2002, pp ). Há doutrinadores que defendem a criação de um fundo específico a ser gerido pelo Poder Judiciário para receber o valor das multas aplicadas ao Estado (Alexandre Freitas Câmara, Lições de Direito Processual Civil, vol. I, 17ª ed., Rio de Janeiro, Lumen Juris, 2008, pp. 144/145). Outros defendem uma condenação cruzada : o Estado em que tramita o processo em primeiro grau passa a ser credor das multas impostas à União (Justiça Federal) e a União nas multas aplicadas ao Estado (Justiça Estadual) (Dinamarco, Reforma da reforma, p. 66). Finalmente, existe corrente doutrinária que defende a aplicação da sanção ao agente público e não ao órgão estatal do qual faz parte (Teresa Arruda Alvim Wambier e Luis Rodrigues Wambier, Breves comentários à 2ª fase da reforma do CPC, p. 30). Esse último entendimento já foi admitido em julgamentos do STJ 40

5 Código de Processo Civil Art INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIA STF/547 RECLAMAÇÃO: ART. 14 DO CPC E MULTA PESSOAL A PROCURA- DOR Por considerar violada a autoridade da decisão proferida pelo Supremo na ADI 2652/DF (DJU de ), o Tribunal, por maioria, julgou procedente pedido formulado em reclamação ajuizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS e procurador federal lotado naquela Autarquia contra a decisão proferida pela Juíza da 32ª Vara do Juizado Especial Federal Cível de Belo Horizonte/MG que, nos autos de ação para concessão de benefício de amparo social, teria imposto multa pessoal ao procurador ora reclamante por litigância de má-fé. Asseverou-se que, na referida ação direta, o Tribunal julgara procedente o pedido nela formulado para conferir interpretação conforme a Constituição Federal, sem redução de texto, ao parágrafo único do art. 14 do CPC, para ficar claro que a ressalva contida na parte inicial do dispositivo alcança todos os advogados, com esse título atuando em juízo, independentemente de estarem sujeitos também a outros regimes jurídicos (CPC: Art. 14. São deveres das partes e de todos aqueles que de qualquer forma participam do processo:... V cumprir com exatidão os provimentos mandamentais e não criar embaraços à efetivação de provimentos judiciais, de natureza antecipatória ou final. Parágrafo único. Ressalvados os advogados que se sujeitam exclusivamente aos estatutos da OAB, a violação do disposto no inciso V deste artigo constitui ato atentatório ao exercício da jurisdição, podendo o juiz, sem prejuízo das sanções criminais, civis e processuais cabíveis, aplicar ao responsável multa em montante a ser fixado de acordo com a gravidade da conduta e não superior a vinte por cento do valor da causa; não sendo paga no prazo estabelecido, contado do trânsito em julgado da decisão final da causa, a multa será inscrita sempre como dívida ativa da União ou do Estado. ). Vencido o Min. Marco Aurélio, que julgava o pleito improcedente. Rcl 5133/MG, rel. Min. Cármen Lúcia, (Rcl-5133) STJ/374 ASTREINTES-ASTREINTE. ATRASO. PRECATÓRIO. A jurisprudência do STJ já se pacificou no sentido de que é perfeitamente possível a imposição de multa (astreinte) à Fazenda Pública pelo descumprimento de decisão judicial que a obriga a fazer, não-fazer ou entregar coisa. No caso, o Tribunal a quo examinou as particularidades fáticas da lide e entendeu pelo cabimento da imposição da multa, certo que o atraso no pagamento da obrigação (precatório) configura ato atentatório à dignidade da Justiça (art. 14, V, parágrafo único, do CPC). Daí que rever essa decisão implica revolvimento do contexto fático-probatório, a atrair a incidência da Súm. n. 7-STJ. Precedentes citados: REsp RS, DJ 6/10/2008, e AgRg no REsp RS, DJ 24/3/2008. AgRg no REsp RS, Rel. Min. Jorge Mussi, j. 30/10/ ª T. 3. JURISPRUDÊNCIA COMPLEMENTAR PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. DESCUMPRIMENTO DE ORDEM JUDICIAL. ATO ATENTATÓRIO AO EXERCÍCIO DA JURISDIÇÃO. MULTA DO ART. 14 DO CPC. APLICABILIDADE ÀS PARTES E A TODOS AQUELES QUE, DE AL- GUMA FORMA, PARTICIPAM DO PROCESSO. 1. Hipótese de mandado de segurança impetrado pelo Município de Curitiba/PR com a finalidade de impedir que as autoridades impetradas promovessem a realização de audiência pública convocada pelo Ministério Público do Trabalho, destinada a redefinir o valor do repasse de verbas municipais a entidades e organizações não-governamentais de atendimento a crianças e adolescentes. O pedido liminar foi deferido, ocasião em que foi determinada a suspensão da audiência pública 41

6 Art. 14 Daniel Amorim Assumpção Neves e Rodrigo da Cunha Lima Freire mencionada. 2. Na tentativa de conferir efetividade à ordem mandamental, e por não ter conseguido intimar as autoridades impetradas no dia anterior, o Oficial de Justiça designado compareceu ao local de realização da audiência pública, ocasião em que uma das impetradas, Procuradora do Trabalho, tão logo tomou ciência da notificação, de microfone em punho, diante do auditório, afirmou que realizaria o evento, pois considerava a decisão ilegal e inconstitucional, razão pela qual não iria obedecê-la. Consta dos autos, ainda, que um Promotor de Justiça do Estado do Paraná, causou tumultos e pressões, além de ter imposto ao Oficial de Justiça, quando do cumprimento da decisão judicial, a obrigação de falar ao microfone para todo o auditório, com mais ou menos 150 pessoas. 3. De todo o ocorrido, resultou a condenação pessoal da Procuradora do Trabalho e do Promotor de Justiça do Estado do Paraná ao pagamento de multa, no valor equivalente a vinte por cento (20%) do valor da causa atualizado, em virtude de ato atentatório ao exercício da jurisdição (art. 14, V e parágrafo único, do CPC), e a extinção do mandado de segurança, sem resolução de mérito (art. 267, VI, do CPC), por perda de objeto, já que a audiência pública, mesmo em afronta à decisão judicial, foi realizada. 4. O inciso V do art. 14 do Código de Processo Civil, incluído pela Lei /2001, prevê como dever das partes e de todos aqueles que, de alguma forma, participam do processo, cumprir com exatidão os provimentos mandamentais e não criar embaraços à efetivação de provimentos judiciais, de natureza antecipatória ou final. 5. Não há como se admitir, no entanto, que um membro do Ministério Público, a quem incumbe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis (art. 127 da CF/88), deixe de dar cumprimento à ordem judicial que suspendeu a realização do evento, sob a alegação de que não era parte na ação mandamental, máxime porque o provimento liminar era extremamente claro no tocante à extensão dos seus efeitos. 6. Os deveres enumerados no art. 14, pois, são deveres das partes. E por partes devem-se entender todos os sujeitos do contraditório. Em outros termos, o conceito de partes a que alude o art. 14 não se refere apenas às partes da demanda (demandante e demandado),mas a todas as partes do processo (incluindo-se aí, também, portanto, os terceiros intervenientes e o Ministério Público que atua como custos legis). É mais amplo ainda,porém, o alcance do art. 14. Isto porque não só as partes, mas todos aqueles que de qualquer forma participam do processo têm de cumprir os preceitos estabelecidos pelo art. 14. (Alexandre Freitas Câmara, Revista Dialética de Direito Processual, n. 18, p. 9-19, set. 2004). 7. Deixa-se de analisar, por fim, toda a argumentação no sentido de que o princípio da unidade do Ministério Público (...) não tem o condão de interligar a extremos os papéis autonomamente desempenhados pelos membros dos diversos Ministérios Públicos, pois todos os envolvidos na presente ação tiveram conhecimento da decisão judicial que impedia a realização da audiência pública e, deliberadamente, decidiram desrespeitá-la, em flagrante ato atentatório ao exercício da jurisdição. 8. Recursos especiais desprovidos. 4. QUESTÕES DE CONCURSOS 01. (TJSC 2009 adaptada) Os atos atentatórios ao exercício da jurisdição são equivalentes e sancionados da mesma maneira que os atos de litigância de má-fé. 02. (MP/AM 2007 adaptada) A parte que sofrer dano processual em virtude da conduta culposa do outro litigante poderá requerer, incidentalmente, o ressarcimento dos prejuízos sofridos, nos próprios autos do processo em que o ilícito processual foi cometido. Caso a ação seja julgada contrariamente aos interesses do litigante de má-fé, o juiz o condenará ao pagamento de quantia certa, que também pode ser executada na própria ação. 03. (TJRS/2009 adaptada) Não cumprir com exatidão os provimentos mandamentais e criar embaraços à efetivação de provimentos judiciais, antecipatório ou final, constituem ato 42

7 Código de Processo Civil Arts. 14 a 16 atentatório ao exercício da jurisdição, sujeitam as partes e a todos os que de qualquer forma participam do processo, inclusive o advogado, a multa de até 20%, sem prejuízo de sanções criminais, civis e processuais cabíveis. 04. (Procurador Da República 15º concurso) Conceitue ônus, deveres e obrigações processuais. Dê exemplos. Gabarito 01 F 02 F 03 F 04 Art. 15. É defeso às partes e seus advogados empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao juiz, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. Parágrafo único. Quando as expressões injuriosas forem proferidas em defesa oral, o juiz advertirá o advogado que não as use, sob pena de lhe ser cassada a palavra. 1. BREVES COMENTÁRIOS O país atravessa uma grave crise moral, não sendo diferente o que ocorre na atuação das partes e patronos nos processos judiciais. Geralmente, atos de deslealdade e má-fé processual são sancionados processualmente por meio da aplicação de multas, calculadas em determinado percentual do valor da causa. atenção! Numa questão discursiva que exija do candidato a exposição a respeito das sanções processuais existentes em nosso sistema, é importante lembrar que, apesar de ser a forma mais freqüente de penalização processual, a multa não é a única maneira de se sancionar a parte que descumpre com os princípios da lealdade e boa-fé processual. O artigo ora comentado faz parte de um restrito grupo de sanções que não são multa (lembre-se também dos arts. 161, 195 e 196 do CPC). Além das multas e desses artigos, é imprescindível que o candidato mencione a tutela antecipada prevista pelo art. 273, caput e inciso II do CPC, considerada pela melhor doutrina como espécie sui generis de sanção processual ao inverter o ônus do tempo. Caso a providência de riscar as expressões injuriosas torne impossível a compreensão da peça processual, o sancionado arcará com tal ônus, não lhe sendo licito a repetição do ato em razão da preclusão consumativa. Nesse sentido, a sanção ora comentada poderá gerar efeitos extremamente negativos à parte que se valer de expressões injuriosas em seus escritos. Seção II: Da Responsabilidade das Partes por Dano Processual Art. 16. Responde por perdas e danos aquele que pleitear de má-fé como autor, réu ou interveniente. 43

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