UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS CURSO CIÊNCIAS CONTÁBEIS

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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS CURSO CIÊNCIAS CONTÁBEIS JOSÉ IVO DE ANDRADE CÂMARA PERCEPÇÃO DE PROFISSIONAIS DA ÁREA CONTÁBIL COM ATUAÇÃO NA CIDADE DE NATAL/RN QUANTO A SUA CATEGORIA PROFISSIONAL NATAL - RN 2012

2 1 JOSÉ IVO DE ANDRADE CÂMARA PERCEPÇÃO DE PROFISSIONAIS DA ÁREA CONTÁBIL COM ATUAÇÃO NA CIDADE DE NATAL/RN QUANTO A SUA CATEGORIA PROFISSIONAL Monografia apresentada à Universidade Federal do Rio Grande do Norte para a obtenção do diploma de graduação no curso de Ciências Contábeis. Orientadora: Profª M. Sc. Giovanna Tonetto Segantini NATAL RN 2012

3 Catalogação da Publicação na Fonte Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN Câmara, José Ivo De Andrade. Ficha encaminhada por / José Ivo De Andrade Câmara. - Natal, f: il. I. Título RN/UF/BCZM CDU xxx

4 2 JOSÉ IVO DE ANDRADE CÂMARA PERCEPÇÃO DE PROFISSIONAIS DA ÁREA CONTÁBIL COM ATUAÇÃO NA CIDADE DE NATAL/RN QUANTO A SUA CATEGORIA PROFISSIONAL Esta monografia foi julgada adequada para obtenção do diploma de graduação no curso de Ciências Contábeis e aprovada em sua forma final pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Professor(a): M. Sc. Edmilson Jovino de Oliveira Coordenador do Curso Professores que compuseram a banca: Profª M. Sc. Giovanna Tonetto Segantini Presidente Professor: Guilherme Henrique Costa da Silva Professora: Fabiana Lucena Bezerra de Azevedo Natal, 18 de dezembro de 2012.

5 3 AGRADECIMENTOS Com o termino desta obra, encerra-se mais uma fase de minha vida. Diversas são as pessoas que torceram por mim na busca pela conclusão deste trabalho, mas apenas algumas serão citadas, em virtude de sua intensa contribuição para o desenvolvimento e conclusão deste trabalho. Agradeço aos meus pais, Ivo e Francisca, por estarem presentes em todos os momentos, bons e ruins, pelo amor incondicional e pelos ensinamentos que sempre me mantiveram no melhor caminho, nessa longa jornada da vida. Agradeço também aos meus irmãos João, Maria, Alana, George, Marcondes, Karina e Tiago pela motivação e incentivo, fundamental nessa fase de elaboração desse trabalho. Agradeço também a minha orientadora, Giovanna Tonetto Segantini pela enorme paciência, pela orientação e atenção que tornou esse trabalho possível. Agradeço a toda equipe de professores e funcionários da universidade pela atenção e competência apresentadas na disposição de seus trabalhos. Aos colegas da turma de pelos vários momentos de aprendizado, descobertas e alegrias. E por fim a todos os profissionais da contabilidade com atuação na cidade de Natal/RN, que contribuíram, atenciosamente, respondendo ao questionário, para o desenvolvimento deste trabalho.

6 4 RESUMO É fundamental para o entendimento a respeito da profissão contábil que se enxergue a mesma da perspectiva dos profissionais que a compõe. Tomando como base a ideia da obra de Noronha (2009), este trabalho busca, com enfoque descritivo, expor a percepção dos profissionais de contabilidade da cidade de natal/rn a respeito da classe contábil. Formulou-se um questionário com 19 questões, nas quais foram abordadas questões relacionadas à profissão e ao próprio contador (sexo, idade, tempo de formação entre outros). O estudo se dará com a análise e interpretação dos dados obtidos através da aplicação do questionário. A amostra foi formada por 65 profissionais da área contábil. Foi atestado através do resultado da analise dos dados obtidos que o profissional contador é considerado pela maioria dos respondentes, capaz de agregar valor e estar intimamente ligada ao processo produtivo da entidade. Foi atestada também, através da maioria da opinião dos respondentes, uma concepção pessimista a respeito de assuntos como a imagem dos contadores, união dos integrantes da classe contábil prepara técnico dos profissionais da contabilidade, marketing pessoal, nível de formação acadêmica, educação continuada, remuneração e influência do lucro na prestação de serviços dos escritórios de contabilidade. Já a respeito de assuntos como o fato de contadores serem considerados apenas cumpridores de regras e o fato do órgão de classe da profissão, CFC e CRC, trabalharem em função dos interesses da classe, tem-se uma concepção otimista onde se considera que os contadores não apenas cumpridores de regras e que o CFC e o CRC são órgão que trabalham pelos interesses da classe contábil. Palavras-Chave: classe contábil; concepção do contador; Ciência contábil.

7 5 SUMÁRIO 1 - INTRODUÇÃO JUSTIFICATIVA IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA OBJETIVO GERAL OBJETIVOS ESPECÍFICOS REFERÊNCIAL TEÓRICO HISTÓRIA DA CONTABILIDADE HISTÓRIA DA CONTABILIDADE NO BRASIL CAMPO DE ATUAÇÃO DA CONTABILIDADE PERFIL DO CONTADOR NA ATUALIDADE REGULAMENTAÇÃO ÉTICA DO CONTADOR ORGÃOS REGULADORES DA PROFISSÃO CONTÁBIL EXPECTATIVAS DA PROFISSÃO CONTÁBIL METODOLOGIA AMOSTRA INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS ANÁLISE DE DADOS PERFIL DOS RESPONDENTES CONSIDERAÇÕES SOBRE A PROFISSÃO CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS APÊNDICE... 50

8 6 1 - INTRODUÇÃO Ao longo do tempo, a Contabilidade tem seguido lado a lado com a humanidade no que diz respeito à evolução, uma vez que a mesma surgiu da necessidade da sociedade de acompanhar o crescimento de seu patrimônio. Segundo Marion (2009) a contabilidade é tão antiga quanto à origem do homem. De acordo com Marion (2009), a função básica do contador é produzir informações úteis aos usuários da contabilidade para a tomada de decisões. Mas vale salientar que com o passar do tempo o contador vem adquirindo funções e competências cada vez mais complexas. Essas funções vêm evoluindo conforme a sociedade evolui como deixa claro Hendriksen e Van Breda, no trecho: A Contabilidade desenvolveu-se em resposta a mudanças no ambiente, novas descobertas e progressos tecnológicos. Não há motivo para crer que a Contabilidade não continue a evoluir em resposta a mudanças que estamos observando em nossos tempos. (HENDRIKSEN; VAN BREDA, 1999). Vale ressaltar também em relação à profissão do contador que é um ofício de grandes oportunidades no mercado. Uma pessoa ao escolher a contabilidade como ofício terá uma gama de áreas para seguir a exemplo de contabilidade gerencial, de custos, financeira, auditoria, perícia entre muitas outras áreas. É sabido que contabilidade é uma profissão muito requisitada, apresentando uma das melhores remunerações do mercado, além de estar entre os cinco cursos mais procurados entre os estudantes que se submetem a vestibulares. E nos Estados Unidos esse quadro é mais impressionante, pois contabilidade é o curso mais procurado entre os que procuram uma profissão (Marion, 2009). Ainda se nota aqui no Brasil uma falta de credibilidade por parte de pessoas que se encontram alheias a profissão, seja talvez pela falta de conhecimentos técnicos de alguns profissionais da contabilidade, por motivos éticos, por fraqueza da classe contábil, ou pela falta de conhecimento das atribuições e competências de um profissional de contabilidade por parte da sociedade entre muitos outros motivos.

9 7 1.1 JUSTIFICATIVA Apesar de uma crescente procura de estudantes pela profissão da contabilidade aqui no Brasil e pelo crescente aumento das atribuições do contador como também da complexidade dessas, observa-se ainda que a contabilidade seja vista pela sociedade atendendo-se a um estereótipo. Conforme Oliveira (2007) atribui-se a imagem do contador, a ideia de um profissional que cuida de livros de escrituração da empresa e entende muito bem de impostos. Ainda de acordo com Oliveira (2007), outra característica faz parte dessa ideia ultrapassada que a sociedade tem da profissão contábil, a exemplo do fato de que as pessoas alheias à profissão do contador acreditam na ideia do jeitinho, ou seja, da desonestidade. E quando o profissional é honesto, a sociedade o rotula de medroso e preguiçoso (Oliveira, 2007). E um fator que pode está contribuindo para está imagem distorcida é a própria atuação do contador perante a sociedade, no qual, segundo (SAUDAGARAN, 2004 apud NIYAMA, 2006) reforça que esta atuação é um dos motivos que levam a contabilidade a ser lembrada como simples ato de escrituração e como uma vocação e não uma ciência. Segundo (NIYAMA, 2007) o status pertencente ao profissional contábil é relativo e está diretamente relacionado ao meio em que se encontra inserido o profissional. Um exemplo esclarecedor do que foi dito é a forma como a contabilidade é tratada nos Estados Unidos em relação à forma como ela tratada no Brasil. Apesar de ser um lindo e complexo ofício, a profissão contábil não apresenta um bom status diante da sociedade. Infelizmente o contador não apresenta o mesmo status pertencente a algumas outras profissões. Lamentavelmente a imagem do contador atualmente não acompanhou a beleza e a evolução da profissão ao longo do tempo principalmente diante daqueles que estão alheios a profissão ou não acompanharam o desenvolvimento da mesma ao longo do tempo conforme Oliveira (2007). Diante do exposto anteriormente percebe-se a maneira um pouco retrogrado de como o profissional, assim como a ciência da contabilidade é notada pela sociedade. Mas como o próprio profissional do mundo contábil vê a sua profissão?

10 8 Para que melhor se possa compreender uma profissão, ou seja, é necessário que se tente entender os profissionais que dela fazem parte. Os indivíduos que integram tal classe podem nos dizer muito a respeito da profissão através das inúmeras características e detalhes que incorporam, a exemplo dos motivos que os levaram a escolha da profissão, o perfil destes que escolhem a profissão entre muitas outras características e detalhes. Assim para analisar uma classe profissional é necessário conhecer de perto o que pensa o contador em relação à profissão para que ele mesmo a desmistifique (KIMPLE et al, 2002 apud ZANELLI et al, 2002). Em fim, a opinião dos integrantes da classe dirá muito em relação à mesma. O presente trabalho se propõe a analisar a percepção dos contadores em relação à profissão nessa amostra, proporcionando um melhor entendimento da classe. Desta forma mostrando para todos os envolvidos na área de contabilidade a exemplo de estudantes, profissionais entre outros, uma visão da contabilidade extraída dos profissionais que a compõe. Permitindo uma análise mais realista e complementadora da profissão. Como também verificar, se for constatado, algo de errado ou insatisfatório na profissão e tentar buscar uma melhora que possibilite ao profissional uma maior satisfação assim como uma maior projeção da profissão na sociedade. Desta forma conhecendo-se as particularidades da profissão, sejam elas boas ou ruins, é possível perceber o que os profissionais da contabilidade estão fazendo, se comportando e como eles entendem e compreendem a própria classe bem como a forma de agir dos outros integrantes da mesma categoria. Ou seja, quando o profissional contábil responder a uma questão do tipo: o contador considera a classe contábil tecnicamente bem preparada? Dará para saber dependendo das respostas dos profissionais contábeis, em que nível técnico se encontra a classe contábil de acordo com a opinião dos seus próprios integrantes. Se as respostas representarem em sua maioria uma opinião negativa em relação à capacidade técnica da classe, há de se convir que há realmente algo de errado e que precisa ser melhorado para se alterar esse quadro, uma vez, que se o próprio integrante não acha sua categoria capaz tecnicamente, provavelmente a sociedade também não achará. Se as respostas em sua maioria representarem uma opinião positiva em relação à

11 9 capacidade técnica, há de se concordar que isso confirma a ideia de que a categoria se encontra bem preparada tecnicamente, uma vez, que ninguém conhece melhor essa classe de que o próprio profissional da contabilidade. Assim a possibilidade da sociedade também achar essa categoria contábil é bem maior. Já que ao incorporar a ideia de uma classe preparada, o profissional também vai transmitir essa ideia para o restante da sociedade. O estudo irá possibilitar aos que estiverem interessados na área, uma visão panorâmica da profissão, através da opinião de quem a vive no dia a dia. A sociedade poderá ver a contabilidade através deste estudo, com os olhos do profissional contábil. Também será possível através deste trabalho notar a evolução do contador no tempo, uma vez que se perceberá que o contador largou a figura do escriturário, e assumiu atribuições e competências complexas de análise, estudo, contribuições para melhor resolução das necessidades daqueles que requisitam os serviços contábeis. O presente trabalho contribuirá não só para notar a percepção do contador em relação a sua profissão como também para que se possa observando os percalços da profissão no passado e no presente, se houver, e tentar estimular reações destes profissionais para um maior desenvolvimento da profissão em um futuro presente, colocando-a em um lugar que deveria ser seu naturalmente, um lugar de destaque. Conforme exposto acima, a relevância do tema, a importância da contabilidade e do profissional da contabilidade justifica realizar uma pesquisa sobre a concepção dos profissionais da área de contabilidade atuantes na cidade de Natal/RN em relação a sua profissão. 1.2 IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA A pesquisa evidenciada acima expõe o fato da sociedade apresentar um pensamento distorcido em relação as funções e imagem do contador, ou seja, a sociedade apresenta uma concepção distorcida e retrograda da imagem do profissional da contabilidade que não condiz com a essencialidade e complexidade da profissão. Então é interessante buscar saber o que pensam os profissionais da contabilidade da cidade de Natal /RN atualmente em relação a sua classe

12 10 profissional, pensamento que pode nos dizer muito em relação à profissão e nos permite enxergar e entender a classe contábil como também a profissão pelos olhos dos profissionais que a compõe. Diante da importância do que pensam os profissionais da área contábil sobre os colegas, o problema proposto nesta pesquisa é: Qual a percepção de profissionais da área contábil com atuação na cidade de Natal/RN quanto à sua categoria profissional? 1.3 OBJETIVO GERAL Desta maneira o objetivo geral desta pesquisa é analisar o ponto de vista do contador da cidade de Natal/RN em relação à própria classe profissional no que diz respeito a diversos aspectos. A exemplo de remuneração, valorização profissional, aspectos técnicos e éticos, entre outros. 1.4 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Faz-se necessário estabelecer os seguintes objetivos específicos: a) Analisar os aspectos associados à formação e atuação dos profissionais Contabilistas b) Analisar se os profissionais da contabilidade da cidade de Natal/RN consideram os seus colegas de profissão satisfeitos com a própria classe; c) Verificar se o profissional contador considera sua classe tecnicamente capaz. d) Analisar se o profissional contador da cidade de Natal/RN considera sua classe, uma categoria que mantém uma boa imagem perante a sociedade. e) Verificar se o contador considera a sua categoria atualizada.

13 REFERÊNCIAL TEÓRICO 2.1- HISTÓRIA DA CONTABILIDADE Em virtude da importância da contabilidade pode-se deduzir que a mesma caminha lado a lado com a história da humanidade. Segundo Lopes de Sá: [...], o homem primitivo passou a evidenciar a riqueza patrimonial que detinha, em inscrições nas paredes das grutas (onde produziu pinturas) e também em pedaços de ossos (por meio de riscos ou sulcos), utilizando-se dos instrumentos de que já dispunha. Sá (2010). No trecho de Lopes de Sá nota-se que há muito tempo o homem já buscava, pintando em paredes e com riscos em pedaços de ossos, manter o registro do que lhe pertence. Ainda conforme Sá (2010), o homem primitivo buscava através de desenhos e riscos registrar a qualidade e a quantidade respectivamente do que foi adquirido. Assim notamos no homem, ainda que primitivo a preocupação em resguardar a propriedade. Ou seja, tentar através de registros (desenhos, riscos etc.) garantir a propriedade e excluir qualquer que seja o risco sobre o que lhe pertence. À medida que o homem aumentava suas posses e suas relações comerciais, mais questionamentos eles faziam acerca do que ganhavam, do que perdiam, sobre suas negociações e etc. desta forma se tornou imprescindível o registro de seu patrimônio bem como a pessoa que efetuava tal serviço (Venturelli, 2009). Para Iudícibus e Marion (2006), nota-se a função da contabilidade já na formação da civilização, que é: avaliar a riqueza do homem; avaliar os acréscimos ou decréscimos dessa riqueza. Para demonstrar o quão antigo a necessidade de registro das operações de comércio, ou seja, da necessidade da prática da contabilidade, utiliza-se o trecho a seguir: A origem da Contabilidade está ligada a necessidade de registros do comércio. Há indícios de que as primeiras cidades comerciais eram dos

14 12 fenícios. A prática do comércio não era exclusiva destes, sendo exercida nas principais cidades da Antiguidade. A atividade de troca e venda dos comerciantes semíticos requeria o acompanhamento das variações de seus bens quando cada transação era efetuada. As trocas de bens e serviços eram seguidas de simples registros ou relatórios sobre o fato. Mas as cobranças de impostos, na Babilônia já se faziam com escritas, embora rudimentares. Um escriba egípcio contabilizou os negócios efetuados pelo governo de seu país no ano 2000 a.c. (ZANLUCA, 2009). Segundo (Garcia, 2007) a prática da contabilidade está marcada na antiguidade quando o homem para manter o controle do seu patrimônio usava pedrinhas. Conforme Sá (2006) a sociedade desde que foi criada está intimamente ligada à contabilidade e ao controle do patrimônio. Reforçando e somando à ideia de que a ciência contábil surgiu junto com a sociedade e suas necessidades. Hendriksen e Van Breda citam um exemplo que confirma o quanto a prática da contabilidade é tão antiga. O exemplo é o seguinte: Os agricultores egípcios nas margens do Nilo pagavam aos coletores de tributos com cereais e linhaça pelo uso de água para irrigação. Recibos eram dados aos agricultores desenhando-se figuras de recipientes de cereais nas paredes de suas casas. Hendriksen e Van Breda (2009). Nota-se o registro de um direito do agricultor através dos recibos, ou seja, por meio de desenhos em suas casas. Um relato que enfatiza o quanto a contabilidade é importante no dia a dia da sociedade é o de Lopes de Sá (1997) que diz: a escrituração contábil nasceu antes mesmo que a escrita comum aparecesse, ou seja, o registro da riqueza antecedeu aos demais, como comprovam os estudos realizados sobre a questão, na antiga Suméria. Nota-se no trecho de Sá, o quanto a contabilidade sempre foi importante para a humanidade, uma vez que surgiu até mesmo antes da escrita comum, através do registro da riqueza. Iudícibus & Marion (2002) também mostram um ponto de vista interessante quando enfatiza que há 4000 anos a. C. o homem tenta raciocinar o quanto aumentou em seu rebanho de um ano para o outro, fazendo uma comparação entre

15 13 as pedrinhas que representam cada ano, praticando assim uma contabilidade muito primitiva. Nota-se um inventário primitivo para cada ano. Inventários esses que se assemelham aos balanços atuais. Segundo Marion (1996), apesar de ser antigo o surgimento da contabilidade, ela apresentou um desenvolvimento lento ao passar dos anos, apresentando apenas em meados do século XV um desenvolvimento denominado de fase pré científica. Foi neste mesmo período que: a obra do Frei Luca Pacioli deu início à fase científica da Contabilidade com a introdução do método das partidas dobradas (BARBI; PALOTTA, 2002). Segundo Hendriksen e Van Breda (2009), não há o conhecimento sobre quem criou a contabilidade, mas se sabe que a contabilidade por partidas dobradas (sistema de escrituração) surgiu no comércio italiano. É importante salientar que esse sistema de partidas dobradas é até hoje utilizado pela maioria dos profissionais da área. O método das partidas dobradas consiste segundo Iudícibus e Marion (2009) no fato de que: O registro de uma operação implica que a um débito ou mais de um débito numa ou mais contas deve corresponder um crédito equivalente em uma ou mais contas, de forma que a soma dos valores debitados seja sempre igual à soma dos valores creditados. Não há débitos sem créditos correspondentes. Iudícibus e Marion (2009) HISTÓRIA DA CONTABILIDADE NO BRASIL A contabilidade no Brasil pode ser simplesmente divida em duas etapas que compreendem o período entre os anos de 1500 e 1964 e o período a partir de O primeiro período é caracterizado pela influência da escola italiana na contabilidade brasileira (Schmidt, 2000). Conforme Buesa (2005) o primeiro período que é denominado na história de período colonial (que compreende o período entre a descoberta do Brasil e a proclamação da independência do Brasil, ) foi um período de poucos avanços para a contabilidade. Nesse período encontramos as passagens dos ciclos

16 14 da cana de açúcar, do pau Brasil e da extração de ouro, neste último caso percebese a concentração da maior parte da população nesta atividade o que estimulou um maior controle das riquezas. Nesse período um dos grandes acontecimentos para a contabilidade brasileira foi a obrigatoriedade através de um alvará da adoção do método das partidas dobradas pelos contadores da real fazenda. Esse alvará foi publicado pela família real no ano de Outro grande acontecimento de notória relevância para a contabilidade no Brasil foi a apresentação do primeiro sistema de direito comercial apresentado pelo José da Silva Lisboa, o Visconde de Cairu. Já no Brasil independente pode-se citar como acontecimento de grande de grande destaque para a contabilidade a criação de um código comercial que determina a obrigatoriedade da escrituração contábil e da elaboração do balanço anual. Esse código foi criado em 1850 e determinava que o balanço deveria apresentar os bens, direitos e obrigações das empresas comerciais (SCHMIDT, 2000). Ainda nesse período outro evento marcou a contabilidade a exemplo da criação do Instituto Comercial do Rio de Janeiro que em 1863 passou a oferecer a disciplina de Escrituração Mercantil visando preparar melhor os alunos para a prática dos registros contábeis. Já com o Brasil na qualidade de Republica tem-se como acontecimentos importantes para a contabilidade no Brasil a criação de um curso regular que tornava oficial a profissão do contador pelo Grêmio dos Guarda-Livros de São Paulo. Nesse momento o Brasil atravessa um momento de grande produção agrícola e começo do desenvolvimento industrial, bem como a criação da Escola Prática de Comércio em 1902 que contava com o apoio de personalidades e instituições sob influência da escola italiana. Outro acontecimento marcante para a contabilidade, acontece em 1905 com reconhecimento oficial dos cursos de Guarda- Livros e de Perito-Contador da escola recentemente citado acima. Outro fato que não pode deixar de ser citado é a publicação no Diário Oficial da União do decreto n que regulamentou a profissão do contador e cuidou da organização do ensino comercial em 1931 (BUESA,2010). Em 1940 surge a primeira lei das sociedades por ações que determinava procedimentos para a contabilidade no Brasil, a exemplo de regras para avaliação

17 15 do ativo, distribuição de lucros, bem como regras para a publicação do balanço e demonstração de lucros e perdas. Em 1946 aconteceram alguns fatos que marcou a contabilidade no Brasil a exemplo da criação da Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas da Universidade de São Paulo que oferecia o curso de ciências contábeis e atuariais o que representou o surgimento de uma unidade de pesquisa puramente nacional e da criação do conselho federal e regional de contabilidade. A segunda etapa da contabilidade no Brasil é caracterizada pela influência da escola americana na contabilidade brasileira. Silva, Carli & Pereira (1991), faz o seguinte relato sobre a mudança de escola na influenciadora da contabilidade brasileira: A mudança de enfoque da escola Italiana para a Escola Americana deuse em função da influência de algumas empresas de auditoria, que acompanhavam as multinacionais anglo-americanas. Estas, através de manuais de procedimentos e treinamento, formaram profissionais que preparariam as normas contábeis em nível governamental, influenciando, assim, as empresas menores, incluindo legisladores e outros. A partir do trecho acima mencionado nota-se que a mudança de escola influenciadora (da italiana para americana) da contabilidade brasileira se dá em função de algumas empresas de auditoria que trabalhavam junto a multinacionais americanas, daí surgiu a influencia sobre os profissionais brasileiros de contabilidade e legisladores. Mas sobre o ponto de vista de Schmidt (2000) o que levou a mudança da escola italiana para a escola americana foi o lançamento de um livro, em 1976, chamado contabilidade introdutória por parte da FEA/USP (equipe de professores da faculdade de ciências econômicas e administrativas).. Nesse período um acontecimento que merece destaque é publicação da lei da nova lei das sociedades por ações. SCHMIDT (2000) relata que: [...] mantendo a tradição, esta Lei incorpora normas e práticas contábeis das mais sadias, representando um dos maiores avanços para a área da Contabilidade, incorporando definitivamente as tendências da Escola Americana [...].

18 16 O trecho acima afirma, que a referida lei, adota definitivamente as tendências da escola norte americana, como também apresenta normas sadias representando assim um dos maiores avanços para a contabilidade. Mas para SCHMIDT (2000) essa nova lei das sociedades por ações contribui para a contabilidade da seguinte forma: (1) clara separação entre Contabilidade Comercial (Contabilidade Contábil ) e Contabilidade para fins fiscais; (2) aperfeiçoamento da classificação das contas no balanço; (3) reavaliação a valor de mercado; (4) introdução do método de equivalência patrimonial na avaliação de investimentos; (5) criação da reserva de lucros a realizar; e (6) aperfeiçoamento do mecanismo de correção monetária. Segundo esse trecho acima, percebe-se a caracterização mais detalhada de uma contribuição da lei das sociedades por ações. Nesse trecho nota-se a citação de contribuições específicas a exemplo de distinção entre contabilidade comercial e contabilidade para fins fiscais etc. 2.3 CAMPO DE ATUAÇÃO DA CONTABILIDADE O campo de atuação da contabilidade atualmente é bem vasto, oferecendo inúmeras oportunidades pra quem se mostra competente e atualizado. Segundo Marion (2009): o estudante que optou por um curso de contabilidade terá inúmeras alternativas [...]. Segundo Polacinsk (2006), quatro são os segmentos que compõem a área de atuação do contador. São esses segmentos: empresa, independente, órgão público e ensino. E a sua função no segmento empresa poderá ser de: planejador tributário, analista financeiro, contador geral, auditor interno, contador de custos, contador gerencial e atuarial. Atuando no segmento órgão público, o contador poderá desempenhar funções como contador público, agente ou auditor fiscal, oficial contador etc. o contador atuando no segmento independente, na condição de profissional independente irá desempenhar as funções de auditor independente, consultor, empresário contábil, perito contábil, e investigador de fraudes. E por último

19 17 temos o profissional contador atuando no segmento ensino na condição de professor, pesquisador, escritor, parecista e conferencista. Na resolução do CFC nº 560, de 28 de outubro de 1983, em seu capítulo I, art. 2, também encontrou-se uma disposição sobre as áreas de atuações, mas só que em uma quantidade maior, que poderão ser exercidos pelo contador. O art. Discorre sobre as áreas de atuações da seguinte maneira: O contabilista pode exercer as suas atividades na condição de profissional liberal ou autônomo, de empregado regido pela CLT, de servidor público, de militar, de sócio de qualquer tipo de sociedade, de diretor ou de Conselheiro de quaisquer entidades, ou, em qualquer outra situação jurídica definida pela legislação, exercendo qualquer tipo de função. E ainda no artigo 2 encontramos o rol de funções de que trata o trecho acima e que poderá ser exercido pelo contador. Esse rol de funções do contador é disposto no mencionado artigo da seguinte maneira: [...] analista, assessor, assistente, auditor, interno e externo, conselheiro, consultor, controlador de arrecadação, controller, educador, escritor ou articulista técnico, escriturador contábil ou fiscal, executor subordinado, fiscal de tributos, legislador, organizador, perito, pesquisador, planejador, professor ou conferencista, redator, revisor. No trecho acima pode-se notar o quanto é enorme o rol de funções a ser exercido pelo contador, ou seja, são inúmeras as alternativas que o contador tem para escolher. Para Marion (2005, p.27) a contabilidade é uma das áreas que mais proporcionam oportunidades para o profissional [...]. Marion (2003, pág. 29) no quadro a seguir faz um breve resumo, organizado e facilitador a cerca da compreensão da área de atuação do profissional contador e suas funções.

20 PERFIL DO CONTADOR NA ATUALIDADE Com a globalização ocorreram diversas mudanças, inclusive tecnológicas, que mudaram não só a situação econômica e as relações empresariais existentes como também mudaram o perfil do contador. Para Lopes de Sá o profissional da contabilidade moderno possui o perfil de um profissional de valor, que necessita de um vasto conhecimento, mas que tem seu espaço no mercado de trabalho garantido. Mas apesar de trabalho garantido o profissional da contabilidade precisa ter a consciência que para se obter uma melhor remuneração é necessário oferecer um serviço qualificado, e a qualidade desses serviços serão adquiridos quando o contador melhorar seus conhecimentos, estudar e se dedicar ( Lopes de Sá, 2007). Na atualidade o mercado exige inovações tecnológicas, modernidade, criatividade, novos conhecimentos e etc. impondo desta maneira um novo desafio, que é o de continuar competindo (SILVA, 2000). Seguindo essa linha de raciocínio o contador deve ser inteligente, criativo, proativo, altamente íntegro, comunicativo

21 19 como também entender o sistema econômico, financeiro, político e social no cenário local, regional e internacional. Para Moura (2008), o profissional contábil tem que saber interpretar e explicar o que ocorre com o patrimônio e não mais apenas registrar e demostrar, uma vez que essas atividades são efetuadas agora pelos computadores. A profissão contábil vem sendo injustiçada, pela ideia de que o trabalho do contador é voltado apenas ao preenchimento de formulários para atender ao fisco. Quando na verdade o contador esta muito além dessa ideia injusta assumindo nesse mundo globalizado importante papel na tomada das decisões. O mercado não mais aceita o profissional que faz um balanço e o entrega na mão da administração. Procura-se agora por pessoal capaz de traçar o perfil econômico-financeiro da empresa, apontar seus problemas e, o mais importante, as soluções. O novo Contador é peça fundamental para o sucesso da empresa. (, 2002, pág. 6). Silva (2003, p. 03), no trecho a seguir, mostra de maneira diferente o mesmo que o trecho acima, ou seja, que o contador é essencial para o sucesso empresarial. o profissional contábil precisa ser visto como um comunicador de informações essenciais à tomada de decisões, pois a habilidade em avaliar fatos passados, perceber o presente e predizer eventos futuros pode ser compreendido como fator preponderante ao sucesso empresarial. Branco (2002), ao comentar sobre o momento atual frisa que o momento valoriza o capital intelectual, e que esse capital é o que as empresas procuram, principalmente no setor contábil. O contador deve ter em mente que é um profissional do conhecimento, muito valioso, e que é requisitado pelo seu trabalho e talento. É importante mencionar que na atualidade o profissional da contabilidade toma algumas atitudes para conseguir se manter no mercado, a exemplo do marketing pessoal. A respeito disso Marion (2003) relata que: o profissional contábil é levado a administrar sua própria carreira. Requer o fato de estar atento para as oportunidades de mercado descobrir os

22 20 nichos existentes e investir em marketing pessoal para garantir uma boa marca. O mercado contábil atualmente apresenta um enorme campo de atuação e oferece ótimas oportunidades para os profissionais da contabilidade, mas também exige bastante do mesmo para que esses se enquadrem. Para que o contador atenda as exigências do mercado e se enquadre permanentemente dentro dele é necessário que o mesmo se mantenha atualizado, seja criativo, estudioso, se adapte facilmente as novas situações e tenha boa capacidade de se relacionar. 2.5 REGULAMENTAÇÃO ÉTICA DO CONTADOR Para se discutir a respeito da regulamentação ética do contador é necessário ter em mente alguns conceitos básicos: como ética e ética profissional. A ética consiste em uma ciência que estuda o comportamento humano em relação ao grupo social, envolvendo os conceitos de aprovação e desaprovação adotados pelo homem, como também o valor desse comportamento (SÁ, 2007). Já a ética profissional consiste no ato que procura evitar condutas isoladas dos profissionais que prejudiquem o sucesso coletivo. A ética profissional também é responsável por cultivar as virtudes profissionais como sigilo, a lealdade, a imparcialidade e a responsabilidade perante as condutas profissionais (SÁ, 2007). O autor também define ética profissional como: um conjunto racional, com o propósito de estabelecer linhas ideais éticas, sendo uma aplicação da ciência que se consubstancia em uma peça magna, como se uma lei fosse entre partes pertencentes a grupamentos sociais. O descumprimento do que se encontra em um código de ética profissional, consiste em negar uma verdade conhecida, de forma a ferir a virtude do profissional Sá (2007). O código de ética profissional do contador foi estabelecido pela Resolução CFC nº 803/96 e tem por objetivo segundo o artigo 1º deste código estabelecer

23 21 formas pelas quais os contabilistas devem ser conduzidos. Este código impõe regulamentações éticas como deveres, proibições, valor dos serviços, deveres em relação aos colegas e penalidades. O código de ética do profissional contador (1996) dentre suas diversas disposições a respeito dos deveres do contador menciona que o profissional contador deve exercer sua profissão de maneira zelosa, honesta, competente e diligente. Essa maneira de exercer a profissão deve ser feita observando a legislação vigente principalmente os princípios contábeis e as normas brasileiras de contabilidade bem como resguardar os interesses dos clientes ou empregadores desde que não fira a sua dignidade e independência profissional. Em relação as proibições, dentre as várias proibições impostas pelo código de ética do contador (1996), artigos 2º e 3º, o referido código discorre que é vedado algumas condutas que firam colegas, ou a classe bem como exercer atividade profissional demonstrando incapacidade técnica, além de não observar os princípios contábeis e as normas gerais de contabilidade ao desempenhar atividades técnicas, se relacionar a atividades ilícitas ou receber vantagens para aplicação ilícita. Além dessas atividades ainda existem muitas outras condutas que são vedadas pelo código de ética do contador. A respeito do valor dos serviços, o código de ética (1996) dispõe no capítulo III, art. 6º que o valor será previamente estabelecido mediante contrato escrito e observará alguns elementos como: a relevância, complexidade e a dificuldade dos serviços a serem executados; o tempo que será despendido na realização do trabalho; o local em que vai ser prestado o serviço; o fato de se tratar de cliente eventual, habitual ou permanente; o fato de ficar impedido de realizar outros serviços em função do serviço a realizar e o resultado lícito favorável do serviço que beneficiará o cliente. No que diz respeito aos deveres em relação aos colegas e à classe o código de ética (1996), no capítulo IV, art. 9º, dispõe que o contador deve ter uma conduta embasada nos princípios: de consideração, respeito, apreço e solidariedade, em consonância com os postulados de harmonia da classe. Segundo o código de ética (1996), no capítulo IV, art. 10º, o contador deverá se portar em relação aos colegas da seguinte maneira:

24 22 I abster-se de fazer referências prejudiciais ou de qualquer modo desabonadoras; II abster-se da aceitação de encargo profissional em substituição a colega que dele tenha desistido para preservar a dignidade ou os interesses da profissão ou da classe, desde que permaneçam as mesmas condições que ditaram o referido procedimento; III jamais apropriar-se de trabalhos, iniciativas ou de soluções encontradas por colegas, que deles não tenha participado, apresentando-os como próprios; IV evitar desentendimentos com o colega a que vier a substituir no exercício profissional. Algumas das condutas inerentes aos deveres para com a classe, existentes neste código, são o zelo pelo prestigio da classe, o zelo pelo cumprimento deste código de ética, não formulação de juízo depreciativo sobre a classe etc. Em relação às penalidades, o código de ética do contador determina que o desrespeito a dispositivos constantes no mesmo constitui uma infração ética punida segundo a gravidade do ato mediante imposição de pena como advertência reservada, censura reservada e censura pública. 2.6 ORGÃOS REGULADORES DA PROFISSÃO CONTÁBIL Como órgãos reguladores da profissão contábil pode-se citar o Conselho Federal de Contabilidade e o Conselho Regional de Contabilidade, ambos criados em 27 de maio de 1946 pelo Decreto-Lei nº 9.295, e determina as condutas que deveram ser seguidas pelos contadores e técnicos em contabilidade. O CFC é uma autarquia federal de cunho corporativista na qual tem sua estrutura e funcionamento determinado pela lei responsável por sua criação. O Conselho Federal de Contabilidade é composto por 27 conselheiros e um número igual de suplentes. O CFC possui sua sede em Brasilia, ao qual todos os conselhos regionais ficaram subordinados. O CFC tem por finalidade através dos conselhos regionais de contabilidade, fiscalizar, orientar, normatizar a conduta do profissional contador. O CFC tem por atribuições segundo o decreto lei 9295/46:

25 23 a) organizar o seu Regimento Interno; b) aprovar os Regimentos Internos organizados pelos Conselhos Regionais, modificando o que se tornar necessário, a fim de manter a respectiva unidade de ação; c) tomar conhecimento de quaisquer dúvidas suscitadas nos Conselhos Regionais e dirimi-las; d) decidir, em última instância, os recursos de penalidade imposta pelos Conselhos Regionais; e) publicar o relatório anual de seus trabalhos, em que deverá figurar a relação de todos os profissionais registrados. O Conselho regional de Contabilidade é um órgão, subordinado ao CFC, e possui a finalidade de fiscalizar, orientar a conduta do profissional contador afim de agregar valor a classe contábil. O CRC tem como atribuições emitir e registar a carteira profissional do contador; analisar as reclamações por escrito acerca dos serviços de registro e das condutas dos profissionais contábeis que ferem a legislação vigente (ex: código de ética do contador) bem como tomar posição diante do fato; fiscalizar o contador no exercício da profissão contábil visando impedir e punir os atos infracionais e quando a questão não for de sua competência irá encaminhar relatórios detalhados e bem documentados, sobre o fato que analisou, aos órgãos competentes para decidir sobre a questão; publicar anualmente relatórios sobre os trabalhos efetuados pela mesma como também a relação dos contadores registrados entre muitas outras atribuições. 2.7 EXPECTATIVAS DA PROFISSÃO CONTÁBIL A contabilidade tem por objetivo fornecer informações aos diversos usuários para informar e auxiliar nas tomadas de decisões, portanto vale salientar que a profissão contábil deve acompanhar as evoluções pelas quais a sociedade vem passando atualmente. Principalmente as mudanças trazidas pelo avanço da tecnologia que vem tornando o fluxo de dados e informações bem dinâmico. Dessa forma a contabilidade tem se empenhado em andar lado a lado com as mudanças bem como se adequar a nova realidade do mercado. Franco (1999) discorre que a sociedade vem esperando muito mais do contador o que é traduzido no fato da sociedade achar a classe contábil bem mais capaz de cumprir seus compromissos e vencer os percalços do futuro.

26 24 Vale ressaltar que a classe contábil terá seu crescimento garantido com a adequação da classe as novas situações. Em relação ao assunto Franco (1999), complementa com o seguinte trecho: Isso exigirá constante comparação entre as expectativas da sociedade e a capacitação dos membros da profissão para atender a essas expectativas. Ela terá, portanto, de atualizar constantemente seus conhecimentos para justificar sua afirmação de que pode atender às necessidades da sociedade. No trecho acima notamos que a comparação entre o que a sociedade espera da classe contábil e a capacidade técnica e intelectual que os integrantes dela possuem, sempre aconteceram. Desta forma os integrantes desta classe terão de se manter bem atualizados para justificar a afirmação exposta de que são capazes de atender as necessidades da sociedade. Para Concensa ( 2001), a nova economia que irá dominar neste início de século exige um perfil profissional que será atendido com o desenvolvimento de novas competências e talentos por parte dos contadores, assim os profissionais que fizerem isso alcançaram o sucesso. Para Concensa (2001) o contador do futuro deverá ser um eterno aprendiz. Isso é uma tendência do qual não podemos fugir nesse mundo de rápidas mudanças, onde tudo fica para trás rapidamente. Assim, Manter-se ligado e preparado para aprender sempre algo mais de valor e não se contentar nunca com o que já se sabe será a única solução. (COSENZA, 2001). Em relação a essa atualização mencionado à pouco, Carvalho (2002), relata que: O fim do curso de graduação, por si só, não garante o sucesso profissional. Muito pelo contrário, é o início de uma longa caminhada, que tem como pressuposto básico a educação continuada. Afinal as empresas estão procurando profissionais cada vez mais especializados, que possuam uma visão generalista e sejam capazes de conectar fatos, acontecimentos em várias áreas e ajudar as empresas na consecução dos seus objetivos. Percebe-se que Carvalho (2002) desejou expressar que o fim de um curso, não é sinônimo de sucesso profissional, mas sim só o começo de uma jornada

27 25 extensa que se encontra fundamentada na educação continuada. E por fim, o trecho de Carvalho (2002), define o perfil do contador desejado pelas entidades como sendo um profissional cada vez mais especializado. Ainda no que diz respeito a expectativa em relação ao mercado contábil, pode-se dizer: A expectativa do mercado contábil não mais se restringe a um guardalivros ou a um registrador de lançamentos, atrás de uma mesa cheia de papéis, mas, exige que o Contador consiga garantir espaço profissional, com dinamismo: (a) ao analisar e ponderar, apresentando e ouvindo sugestões sobre possibilidades de novos investimentos; (b) ao discutir e indicar se a imobilização de um ativo é viável ou não, demonstrando ter uma visão global da empresa em que atua; enfim, (c) ao influenciar na tomada de decisão, evidenciando uma visão macro e microeconômica (...). (CABELLO et al, 2001, pág. 10). No trecho de Cabello (2001) percebe-se que o mercado contábil exige do contador não só aquele velho escriturário, mas também o contador capaz de, com dinamismo, assumir novas competências. Isso para que o contador consiga garantir espaço profissional no mercado. E para concluir destaca-se que o mercado exigirá da classe contábil um profissional capaz de solucionar os novos problemas que surgiram com as mudanças advindas da globalização da economia cada vez mais intensa, ou seja, um profissional que se adeque as novas situações, que se atualize de forma continuada. 3 METODOLOGIA Este trabalho é caracterizado como uma pesquisa descritiva, uma vez que descreve a opinião de uma população em específico, a dos contadores residentes na cidade de Natal/RN. Essa pesquisa é feita analisando-se e interpretando-se os dados coletados por meio de questionários aplicados. Confirmando o conceito acima Vergara (2005, p.47), define a pesquisa descritiva como a exibição de estipulada população ou situação. Pode também definir correlações entre variáveis e estabelecer sua natureza. A pesquisa descritiva não possui compromisso de

28 26 esclarecer as situações as quais expõe, mas serve de embasamento para tal esclarecimento. O tipo da pesquisa em questão é o levantamento, ou seja, foi realizado através de questionários com indagações fechadas aos contadores da cidade de Natal/RN sobre sua própria categoria profissional. Para Gil (2009) as pesquisas do tipo levantamento se caracterizam pelo fato de se efetuar indagações diretas às pessoas nas quais se pretende conhecer o comportamento. A pesquisa deste tipo consiste em solicitar informações, a respeito do problema analisado, a uma quantidade relevante de pessoas. E logo em seguida proceder com a análise quantitativa para obter ás conclusões. Concluindo, a presente pesquisa se caracteriza como um levantamento descritivo, uma vez, que procura através da analise dos dados obtidos da amostra por meio de questionário, evidenciar características da determinada amostra. Ou seja, através de questionários aplicados aos contadores com atuação na cidade de Natal/RN, se obtém dados que depois de analisados forneceram conclusões, ou seja, evidenciaram as opiniões dos contadores em relação a sua categoria profissional. Já no que diz respeito à tipologia desta obra quanto à abordagem do problema, tem-se uma pesquisa qualitativa, uma vez que trata de um estudo que visa analisar a opinião de integrantes da classe contábil. Em relação a essa tipologia de pesquisa, Richardson (1999) discorre que a mesma pode contribuir no processo de mudança de determinado grupo e possibilitar, em maior nível de profundidade, o entendimento das particularidades do comportamento dos indivíduos. 3.1 AMOSTRA O universo da qual se obtém os dados para análise que subsidiou as conclusões da presente pesquisa é constituído de contadores com atuação na cidade de Natal/RN. Vale salientar que a amostra utilizada por este trabalho é constituído de uma base de dados formado pela opinião de contadores que integram o universo citado acima. Esses contadores das quais serão obtidos os dados que auxiliarão a presente pesquisa é formado por profissionais que trabalham na condição de funcionário

29 27 público, de empresário, de profissional liberal, de funcionário de instituição privada, de professor, seja na área de contabilidade ou não, com registro no CRC. Ou seja, amostra é formada de bacharéis em contabilidade. A falta de tempo e a limitação financeira fizeram com que a amostra se limitasse a contadores nas quais fossem fácil entrar em contato, o que tornou a amostra reduzida, mas ainda suficiente para se atingir os objetivos desta pesquisa. Assim a amostra é classificada como intencional, uma vez que foi composta de respondentes nas quais o contato era mais fácil. Por exemplo: a aplicação de questionários em escritórios de pessoas conhecidas e o envio de questionários a pessoas conhecidas por meio de instrumentos da internet. A coleta de dados aconteceu no período compreendido entre os meses de outubro e novembro de A primeira forma de contato utilizada foi a forma eletrônica, através do envio de com o link do questionário online ou através do envio do próprio link, por meio de sites de relacionamentos, diretamente aos profissionais de contabilidade. Os endereços de foram obtidos através de anúncios de escritórios, site de instituição de ensino superior, a UFRN, e através de endereços de de profissionais contábeis enviados por colegas estudantes. No caso dos sites de relacionamento, o link do questionário foi enviado às pessoas das quais se sabia que eram bacharéis em contabilidade. A segunda forma de exposição do questionário aos profissionais ocorreu de forma presencial, através da visita aos escritórios. 3.2 INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS Para se obter os dados necessários ao desenvolvimento e desfecho desta pesquisa foi construído um questionário, baseado na pesquisa de Noronha et al (2009) como também no referencial teórico e objetivos deste trabalho. O questionário é composto de 19 questões e cada pessoa poderá respondê-lo apenas uma única vez. O questionário é dividido em duas partes, sendo a primeira relacionada a dados pessoais dos respondentes. Essa parte do questionário caracterizou os respondentes quanto ao sexo, idade, tempo de formação, formação acadêmica e situação profissional.

30 28 A segunda parte é formada de questões inerentes à opinião do profissional contador que atue no RN (bacharel em contabilidade) em relação à classe contábil potiguar. Todas as questões são fechadas. A tabela a seguir sintetiza o questionário utilizado. Tabela 1: Questionário sintetizado Partes Questões Tipo de informação Parte 1 1, 2, 3, 4, 5 Informação de caráter pessoal Parte 2 Fonte: Produção Própria 6, 7, 8, 9, 10,11, 12, 13, 14,15,16, 17, 18, 19 Informação relativas a opinião do contador sobre a classe contábil As questões foram dispostas de maneira fechada na qual os respondentes analisariam as assertivas e se expressariam conforme uma das opções disponíveis para todas as questões, que são: concordo plenamente, concordo mais que discordo, indiferente, discordo mais que concordo e discordo plenamente. Cada opção citada acima irá expressar, a opinião do respondente em relação à assertiva. As assertivas apresentadas no questionário afirmam alguma ideia em relação a algumas características da categoria profissional. As questões tratam de assuntos inerentes a imagem do contador, da capacidade técnica, da conduta do contador e de algum órgão relacionado à categoria etc. As questões de números 6, 7, 10 e 17 tratam de assuntos relacionados a concepção do profissional contábil em relação a capacidade técnica da categoria, da importância da categoria para uma determinada entidade como também a concepção da classe em relação ao preparo da categoria em geral e das competências inerentes a profissão do contador. A assertiva a seguir, de nº 6, é uma afirmação que busca expor a opinião do profissional contador atuante no RN acerca do papel do mesmo no que diz respeito a geração de valor para a entidade. 6 - A classe contábil é considerada essencial para agregar valor às entidades Ao responder uma das opções a seguir a respeito da assertiva: concordo plenamente, concordo mais que discordo, indiferente, discordo mais que concordo e discordo plenamente, o respondente irá expressar uma opinião que irá variar entre a

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