Raul da Cruz Cerveira Neto Secretário Geral

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1 CIR: 17/2014 Aos Escritórios de Contabilidade com clientes nas bases do Sindicomerciários de Taquari. Taquari, 22 de Outubro de Prezados(as) Senhores(as): Ref:. AO FERIADO DE 02/11, 26/10, 15/11 e 25/12 de 2014 O SINDICATO DOS EMPREGADOS NO COMÉRCIO DE TAQUARI, vem por meio desta informa nos Feriados dos dias 02/11/2014 Finados, 26/10/2014 eleições, 15/11/2014 Proclamação da República e 25/12/2014 Natal, não é permitido o uso de mão de obras de trabalhadores no setor do comércio. Lembramos que os Feriados são regidos pela lei /07, e pelo processo de ação civil pública número , por ser ação cívil pública, tem efeito "erga omnes", alcançando a todos os trabalhadores da base deste sindicato, ficando regulamentado o uso de mão de obras de trabalhadores em qualquer feriado, lembramos que o valor da multa por descumprimento é de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por trabalhador de acordo com o processo acima referido. O Dia 26 de outubro de 2014, é considerado feriado Nacional de acordo com as leis nº 4.737/65, art. 380 e art. 1º da Lei nº 1.266/1950, são considerados feriados nacionais os dias de eleições. Ainda, em virtude da aplicação do art. 6º-A da Lei nº /00, com redação dada pela Lei /07. Em anexo o parecer jurídico e o acórdão, solicitado a acessória jurídica desta entidade e da FECOSUL, buscando esclarecendo eventuais dúvidas que possa ter acerca do dia 26 de outubro de Qualquer Duvida Estamos a disposição, pelos telefones e pelo Raul da Cruz Cerveira Neto Secretário Geral

2 PARECER JURÍDICO SOBRE DIA DE ELEIÇÕES SER FERIADO Com as eleições gerais aproximando-se, começam a surgir os questionamentos sobre ser ou não considerado feriado o domingo no qual se realizam as eleições para os cargos eletivos do Poder Executivo e Legislativo estaduais e federais. Ao bem da verdade, a celeuma no tópico é, com todo respeito a posições diferentes, injustificável, diante da total clareza de tratar-se, sim, de feriado o dia de eleições gerais. A despeito de todas as argumentações, via de regra oriundas dos polos patronais, que buscam desconsiderar o dia de eleições como feriado, e evitando-se aqui discussões mais amplas sobre princípios, que também apontam favoravelmente a se considerar feriados os dias de eleições, preferimos nos centrar objetivamente na literalidade dos dispositivos legais e constitucionais vigentes, que são cristalinos em estabelecer como feriado o dia de eleições gerais. O art. 380 do Código Eleitoral (CE - Lei Federal 4.737/65) dispõe: Art Será feriado nacional o dia em que se realizarem eleições de data fixada pela Constituição Federal; nos demais casos, serão as eleições marcadas para um domingo ou dia já considerado feriado por lei anterior. Como se vê, não há dúvida que a legislação federal supra estatui que os dias de eleições fixadas pela Constituição Federal serão feriados nacionais. A Constituição Federal de 1988 (CF/88) refere que: Art. 28. A eleição do Governador e do Vice-Governador de Estado, para mandato de quatro anos, realizar-se-á no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término do mandato de seus antecessores, e a posse ocorrerá em primeiro de janeiro do ano subseqüente, observado, quanto ao mais, o disposto no art. 77. Art. 77. A eleição do Presidente e do Vice-Presidente da República realizar-se-á, simultaneamente, no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término do mandato presidencial vigente. Portanto, é absolutamente evidente que a Constituição Federal fixa data certa para a realização das eleições gerais para Presidente e Governador para o primeiro domingo de outubro do ano anterior à posse dos novos eleitos, definição que também ocorre para eventuais segundos turnos dessas eleições, que define que o segundo turno ocorrerá no último domingo de outubro do ano anterior à posse dos novos eleitos. Para deixar o mais claro possível, repisa-se: a legislação federal (art. 380 do CE) é clara em instituir como feriado nacional os dias de eleições fixados na Constituição Federal e a Constituição Federal estipula que a eleição de Presidente e Governadores se dará no primeiro domingo de outubro do ano anterior ao término do mandato em primeiro turno, e no último domingo de outubro em segundo turno, caso o mesmo se faça necessário, como mostrado na transcrição acima da Constituição Federal.

3 Tratando-se de feriado nacional o dia de eleições, como é o caso do primeiro e segundo turno de eleições gerais, dentre as quais se insere as eleições para Presidente e para Governador, não se permite a utilização de mão-de-obra comerciária em tais dias sem a autorização por meio de convenção coletiva de trabalho. Isto porque a Lei Federal /00 estatui: Art. 6 o -A. É permitido o trabalho em feriados nas atividades do comércio em geral, desde que autorizado em convenção coletiva de trabalho e observada a legislação municipal, nos termos do art. 30, inciso I, da Constituição. Deste modo, há vedação legal à utilização de mão-de-obra comerciária pelas empresas de comércio em geral, inclusive supermercados (como tem sido reiteradamente decidido no TST), no feriado nacional que é o dia das eleições gerais, nas cidades em que não haja convenção coletiva permitindo isso. Apenas para não passar in albis, e porque parte do empresariado vem sustentando que há decisão da 8ª Turma do TST decidindo que o dia de eleições gerais para Presidente e Governador não é feriado (proc. TST-AIRR , lamentavelmente alardeada pela própria assessoria de imprensa do TST com título bastante acintoso, quase como uma prolação de lei, sem maiores esclarecimentos, vide link: /asset_publisher/89dk/content/dia-de-eleicao-nao-e-feriado), decisão essa relativamente recente, pois proferida em dezembro de 2013, há que se fazer as seguintes observações: a decisão proferida pelo TST no caso analisou muito mais o cabimento do recurso de revista interposto pelo Sindicato que movia aquela ação do que o mérito de ser ou não feriado o dia de eleições gerais, ou seja, a análise ficou vinculada àquele recurso e não à situação de mérito como um todo, como erroneamente divulgado. Ao atentar-se para a decisão do TST no referido processo (verificável no sítio do TST), vê-se que a decisão não enfrenta o mérito propriamente dito da matéria, simplesmente se entendendo que o recurso do Sindicato não consegue mostrar violação à disposição de Lei ou divergência jurisprudencial quanto ao entendimento do Tribunal Regional do Trabalho do Espírito Santo (TRT da 17ª Região), tribunal de origem da decisão, que, aí sim, julgou o mérito de forma, a nosso ver, absolutamente equivocada, ao dizer que as eleições para Presidente e Governador não têm data fixada na Constituição Federal pelo argumento simplista, salvo melhor juízo, de que somente poderia ser considerado fixada a data se fosse dito dia e mês, e não com a previsão vinculativa ao primeiro e último domingo de outubro. Essa interpretação é bastante vulnerável em vários níveis, mas para simplificar, basta dizer que, se prevalecente essa interpretação, não há nenhuma eleição definida na Constituição Federal, e, portanto, o previsto no Código Eleitoral seria inócuo, interpretação essa de validade duvidosa diante do princípio de que a lei não dispõe no vazio (em outras palavras, nem haveria a previsão do Código Eleitoral de serem feriados os dias de eleições fixados na Constituição Federal, pois a Constituição Federal não fixaria, nessa interpretação equivocada, nenhum dia para eleição). Ainda mais, o art. 380 do CE acima transcrito prevê que as eleições fixadas na CF/88 serão feriados, e que as demais eleições (evidentemente, as não fixadas na Constituição Federal) serão realizadas em domingos ou feriados já anteriormente definidos por lei anterior, nitidamente com a intenção legislativa de garantir o direito de voto ao trabalhador de forma absoluta, ampla e irrestrita, pois determinou que as eleições fixadas na Constituição Federal serão feriados e, no caso de eleições não previstas na Constituição Federal, essas deveriam ser marcadas em dias que já são feriados anteriormente ou domingos (numa época em que os domingos ainda eram dias

4 de repouso, por óbvio, já que o Código Eleitoral é de 1965). Ademais, as eleições gerais jamais poderiam ser enquadradas como eleições passíveis de marcação, de modo a cair na previsão da segunda parte do art. 380 do Código Eleitoral, já que a ordem constitucional não permite qualquer flexibilidade de definição de data, ou seja, de marcação. Tão certo quanto o sol irá nascer é que o primeiro turno de eleições gerais para Presidente e Governador será no primeiro domingo de outubro, e o segundo turno dessas eleições será no último domingo de outubro, de quatro em quatro anos. Se isso não é data fixada, teremos bastante dificuldade em encontrar algo que o seja, ou teremos que simplesmente modificar o significado de fixação nos dicionários de língua portuguesa e alterar toda e qualquer técnica de interpretação normativa. E, ainda quanto à interpretação dada à matéria pelo TRT da 17ª Região, data venia, vários feriados, ainda que não nacionais quanto à fonte formal que os preveem, são materialmente nacionais, com legislações municipais e práticas e costumes considerando feriados dias móveis como é o caso do feriado de Corpus Christi, com vinculação a um determinado dia de semana. De todo modo, o Código Eleitoral não determina uma fixação de data tão precisa como pretende o TRT da 17ª Região, simplesmente referindo uma data fixada, sem dizer que há necessidade de fixação de dia e mês. E, mesmo que assim não fosse, o mês é claramente fixado na CF/88, pois é obrigatoriamente outubro, sendo que o dia, no nosso entender, também é fixado, porém ao invés de vinculação a um dia numeral específico do mês (de 1 a 31), a vinculação é feita a um dia da semana (domingo) em duas oportunidades (o primeiro e, em caso de necessidade de realização de segundo turno, o último do mês). Mesmo que assim não fosse, a 8ª Turma do TST é apenas uma das oito turmas do Tribunal, razão pela qual não se trata de um posicionamento pacífico da Corte, até porque não foi interposto recurso de embargos para que o processo fosse julgado pela 1ª Subseção de Dissídios Individuais do TST (aí sim um órgão mais representativo da posição da Corte). Em suma, nada garante que outro processo discutindo o mesmo tema terá decisão igual no TST, parecendo bastante viável supor que outras turmas do TST poderiam ter posição diversa e favorável aos trabalhadores e à tese que aqui defendemos sucintamente. A nosso ver, muito mais correta é a interpretação dada ao caso pelo TRT da 4ª Região (RS), proc (acórdão em anexo), no qual o Ministério Público do Trabalho, que também tradicionalmente defende a posição de ser feriado nacional o dia de eleições, moveu ação contra shopping center de Porto Alegre e suas lojas, obtendo vitória para que não abrissem em dia de eleições gerais para Presidente e Governador. De resto, há alegações patronais corriqueiras de que a Justiça Eleitoral editou resoluções que dizem que o dia de eleições municipais não é feriado nacional, razão pela qual se faz breve consideração sobre a questão. Primeiramente, a Justiça Eleitoral não tem competência material para decidir acerca da matéria, pois essa é de competência exclusiva da Justiça do Trabalho. Em segundo lugar, resoluções da Justiça Eleitoral não são fonte formal de Direito, quanto mais Direito do Trabalho, não possuindo tampouco qualquer caráter de coisa julgada, motivo pelo qual resoluções da Justiça Eleitoral não têm eficácia cogente que afete relações de trabalho. Assim sendo, nossa recomendação é que em locais onde haja ameaça de abertura de comércio no próximo dia de eleições, os Sindicatos adotem

5 medidas judiciais para evitar o dano ao direito dos trabalhadores gozarem feriado e votarem. Quanto à medida judicial a ser adotada, cada caso é específico. Por exemplo, pode haver locais nos quais o Sindicato tem convenção coletiva prevendo abertura em determinados feriados, mas não no feriado das eleições, o que poderia importar em ação de cumprimento. Pode haver locais nos quais já houve ajuizamento de ação civil pública com decisão favorável, o que importaria em executar a decisão no próprio processo, ou, dependendo da fase do mesmo, por ajuizamento de ação cautelar incidental. Ou, ainda, em outro exemplo, pode haver local no qual ainda não há discussão judicial sobre o tema, sendo então recomendável que o Sindicato ajuíze ação civil pública, com pedido de antecipação de tutela e multa por descumprimento, para impor a obrigação de não utilização de mão de obra no comércio no próximo domingo. Em locais que já tem decisão favorável a não abertura em feriados com previsão de multa, recomenda-se fortemente que seja feita prova da abertura, para posterior cobrança das multas impostas judicialmente. Também é possível o encaminhamento de comunicações para os mercados que pretendem abrir e descumprir a ordem judicial. Enfim, o dia de eleições próximo é feriado nacional a nosso ver, data venia da decisão do TRT da 17ª Região mantida pelo TST em dezembro de 2013, e é possível aos sindicatos adotarem as medidas que entenderem convenientes para garantirem isso aos seus representados. Porto Alegre, 24 de setembro de Vitor Rocha Nascimento OAB/RS Assessor Jurídico da FECOSUL

6 RO Fl. 1 JUIZ CONVOCADO JOSÉ CESÁRIO FIGUEIREDO TEIXEIRA Órgão Julgador: 6ª Turma Recorrente: LOJAS AMERICANAS S.A. - Adv. Flávio Obino Filho, Adv. Mariana Hoerde Freire Barata Recorrido: MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO - Adv. Procuradoria Regional do Trabalho Recorrido: SUBCONDOMÍNIO PRAIA DE BELAS SHOPPING CENTER - Adv. Dante Rossi Recorrido: JC FOERNGES ÓPTICA LTDA. Recorrido: T N G COMÉRCIO DE ROUPAS LTDA. - Adv. Luiz Guilherme Gomes Primos Recorrido: LIVRARIA E PAPELARIA SARAIVA S.A. - Adv. Marcelo Schwartz Manica OUTRO(S) Origem: 1ª Vara do Trabalho de Porto Alegre Prolator da Sentença: JUÍZA LAIS HELENA JAEGER NICOTTI E M E N T A AÇÃO CIVIL PÚBLICA. LEGITIMIDADE AD CAUSAM DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO. Tem legitimidade o Ministério Público do Trabalho para propor ação civil pública que vise tutelar interesses ou direitos coletivos (artigo 81, inciso II, do CDC), conforme autorização do artigo 129, inciso III, da Constituição Federal. No caso, requer o MPT se abstenham as empreas rés de exigir de seus empregados trabalho em feriados, em especial nos destinados às eleições. Pedido de caráter geral, eis que impossível o apontamento específico de todos os beneficiários da pretensa obrigação. Natureza coletiva da pretensão (artigo 81, inciso II, do Código de Defesa do Consumidor). ABERTURA DO COMÉRCIO EM FERIADOS. DIAS RO Fl. 2 DE ELEIÇÕES. A teor dos arts. 380 da Lei nº 4.737/65 e 1º da Lei nº 1.266/1950, são considerados feriados nacionais os dias de eleições. Ainda, em virtude da aplicação do art. 6º-A da Lei nº /00, com redação dada pela Lei /07, excepcionadas as hipóteses em que já havia autorização legal para tanto, é inequívoca a necessidade de convenção coletiva de trabalho autorizando a abertura do comércio em geral

7 em dias feriados. A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos os autos. ACORDAM os Magistrados integrantes da 6ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso ordinário interposto pela requerida Lojas Americanas S/A. Intime-se. Porto Alegre, 15 de agosto de 2012 (quarta-feira). R E L A T Ó R I O Inconformada com a sentença proferida pela Exma. Juíza do Trabalho Lais Helena Jaeger Nicotti (fls ), a ré Lojas Americanas S/A interpõe recurso ordinário (fls ). Sustenta a ilegitimidade do Ministério Público do Trabalho para a propositura da presente ação civil pública e insurge-se contra a posição externada na origem, de não ser possível o trabalho no comércio em geral em feriados sem autorização em norma coletiva RO Fl. 3 Com contrarrazões pela empresa Lojas Colombo S/A Comércio de Utilidades Domésticas (fls ) e pelo Ministério Público do Trabalho (fls ) sobem os autos a este Tribunal. Sendo tempestivo o apelo da ré (fl. 1680), regular a representação (fls ) e efetuado o preparo (fls ), encontram-se preenchidos os pressupostos extrínsecos de admissibilidade do recurso. É o relatório. V O T O JUIZ CONVOCADO JOSÉ CESÁRIO FIGUEIREDO TEIXEIRA (RELATOR): RECURSO ORDINÁRIO DA REQUERIDA LOJAS AMERICANAS S/A 1. DA ILEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO Defende a recorrente que o Ministério Público do Trabalho é parte ilegítima para propor a presente ação civil pública, uma vez que o direito cuja garantia é pretendida se caracteriza como individual heterogêneo, plenamente individualizável, jamais homogêneo, como procura demonstrar nas razões de fls Acresce que para o julgamento sobre a legalidade do trabalho em feriados (pedido da ação), é imprescindível a averiguação específica e individual da atividade econômica de cada empregadora localizada no Shopping Praia de Belas, vindo a multiplicidade de atividades comerciais, por exigir tratamento diverso, a prejudicar a análise coletiva da questão. Reproduz doutrina e jurisprudência em favor de

8 RO Fl. 4 sua tese. Ressalto, de início, que conforme doutrina clássica, que adota a teoria eclética da ação, de Liebman, a legitimidade da parte, ou não, deveria ser analisada preliminarmente, pois em se tratando de condição da ação, não se estaria discutindo o mérito da demanda. Todavia, no caso, adota-se a Teoria da Asserção ou Prospettazione, encampada pela moderna e majoritária processualística brasileira. Tal teoria prega que não há como analisar a legitimidade da parte sem adentrar no mérito da demanda, eis que imperiosa é a verificação da relação da parte com aquilo que se discute (processo com determinado conteúdo). A legitimidade sempre, sem exceção, é aferida pela relação jurídica litigiosa, sendo a pertinência subjetiva do processo/da ação. Somente seria autorizada a análise da legitimidade em sede de preliminar, com a consequente extinção do feito sem resolução de mérito, quando a situação, no caso concreto, ser de ilegitimidade evidente, escrachada, sem a necessidade de análise da relação da parte com aquilo que se discute no litígio. Desse modo, considerando que para a verificação da legitimidade do Ministério Público do Trabalho se mostra necessária a análise aprofundada da sua relação com aquilo que se pretende com a ação, o recurso não será analisado em sede de preliminar, mas como mérito da demanda. Como antes exposto, a reclamada postula seja reconhecida a ilegitimidade ativa ad causam do Ministério Público do Trabalho, por entender não tratar a presente lide de interesses e direitos difusos ou coletivos ou de interesses individuais homogêneos RO Fl. 5 Sem razão, contudo. No caso, o Ministério Público do Trabalho, com respaldo nos artigos 14, parágrafo 1º, da Constituição Federal, 380 da Lei nº 4.737/65, 1º da Lei nº 1.266/1950, 70 da CLT, 1º da Lei 605/1949, 6º, parágrafo 1º, e 7º do Decreto /1949 sustenta que o dia de eleições - no caso 6 e 27 de outubro de 2002-, embora recaia em domingo, considera-se feriado, devendo as empresas situadas em shopping center desta Capital (Praia de Belas) abster-se de abrir suas lojas neste dias, como fundamentado e requerido nas fls da petição inicial. Nos termos em que posto, está evidenciada a generalidade do pedido, eis que impossível o apontamento específico de todos os beneficiários da pretensa obrigação, versando a demanda sobre interesses ou direitos coletivos, ou seja, os transindividuais, de natureza indivisível de que seja titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base (artigo 81, inciso II, do CDC). A Constituição Federal, em seu artigo 129, inciso III, legitima o Ministério Público para a propositura de ação civil pública para proteção de interesses coletivos, como é o caso dos autos.

9 Observe-se que não se está a falar de ação civil coletiva, em que é buscado o ressarcimento dos danos causados aos prejudicados, por absorver a demanda direitos individuais heterogêneos. O pedido desta ação (determinação de que os réus que se abstenham de exigir trabalho de seus empregados nos dias feriados, em especial nas datas de eleições) atesta ainda mais a legitimidade do órgão ministerial para a propositura da Ação Civil Pública em comento, o que evidencia se RO Fl. 6 tratar de interesses ou direitos coletivos, como bem leciona Sérgio Pinto Martins (in Direito Processual do Trabalho. 29ª Ed. São Paulo: Atlas, 2009, pág. 573), in verbis: O pedido na ação civil pública compreende a imposição de obrigação de fazer ou não fazer (não descumprir certa norma ou abster-se de praticar certa conduta) ou o pagamento de multa (art. 3º da Lei nº 7.347) para o Fundo de Amparo ao Trabalhador. O pedido na ação civil coletiva é de indenização a favor dos prejudicados. O pedido existente aborda interesse coletivo, em que se busca a imposição de obrigação de não-fazer, com efeitos projetados para o futuro, através da intervenção judicial. Indubitável, portanto, a legitimidade ativa do MPT para propor a presente ação. Nego provimento. 2. DA ILEGALIDADE DE TRABALHO EM FERIADOS - DIAS DE ELEIÇÃO A Julgadora de primeira instância, após tecer considerações acerca do alcance da Lei nº 605/1949 relativamente aos dias considerados como repousos semanais remunerados para o trabalhador, manifestou discordância à tese de que o dia de eleição se trata de feriados nos moldes legais. Expressou, em síntese, que (...) Declarado pela Lei n.º 1.266/50 como dia feriado, o dia de eleições é o dia de a população ir às urnas, decidir seu futuro político mediante a escolha de seus representantes, não podendo ter tolhido esse direito-dever a pretexto de qualquer disposição RO Fl. 7 legal, sob pena de afronta à Constituição Federal. Destarte, o voto, constituído de elementos jurídicos de direito e dever, representa a maior expressão de cidadania da população e, por força da Constituição Federal, artigo 14, 1º, inciso I, é obrigatório para maiores de dezoito anos e, entre as exceções previstas a essa obrigatoriedade, não está incluída a hipótese de impedimento por cumprimento de obrigação laboral. Ora, quer pela obrigação, quer pelo direito do cidadão de

10 comparecer às urnas em dia de eleições, é inconstitucional invocar-se a aplicação de qualquer outra disposição prevista na legislação infraconstitucional, que possa ameaçar o exercício do voto. (...) Outrossim, a exigência de labor dos empregados em dia de eleições representa grave ameaça ao direito-obrigação de votar desses trabalhadores, agredindo a preceitos constitucionais, como acima analisado, sendo forçoso concluir pela ilegalidade da abertura do comércio nos feriados dos dias 06 e 27 de outubro de Fundamentou que (...) ante a ausência de notícia nos autos de eventual descumprimento do decidido em Antecipação de Tutela em relação aos demandados nesta Ação Civil Pública (abertura do comércio nos feriados dos dias 06 e ) e, por óbvio, porque versa sobre eventos já ocorridos, o prosseguimento da presente ação está totalmente prejudicado, uma vez que, mesmo com a declaração de nulidade, já alcançou o seu objetivo, nada mais existindo para ser apreciado (fl. 1641). No dispositivo da sentença (fls ) foram rechaçadas as prefaciais suscitadas pelas empresas integrantes do polo passivo e, quanto ao mérito, foi julgada procedente em parte a presente ação civil pública, "na medida em que não há notícia nos autos de que tenham exigido trabalho de seus RO Fl. 8 empregados nos dias feriados destinados às eleições, com exceção dos serviços essenciais". A empresa Lojas Americanas S/A afirma equivocada a sentença. Argumenta, em síntese, que a norma que regulamentou a Lei nº 605/49, o Decreto nº /48 concede, no seu art. 7º, autorização permanente para o trabalho aos feriados dos empregados constantes em relação anexa, na qual incluído o comércio em feiras-livres e mercados, atualmente expresso em shopping centers. Por estar localizada em centro de compras e comercializar gêneros alimentícios, a recorrente entende estar autorizada a exigir trabalho de seus funcionários em feriados, independentemente, ainda, dos ditames da Lei nº /2000 (exigência de convenção coletiva de trabalho para este fim). De início, a despeito do fato de a decisão exarada em sede de antecipação de tutela ter sido observada, não existindo prova nos autos do contrário, a apreciação do mérito do apelo da reclamada se impõe, considerando o interesse da parte no pronunciamento judicial acerca da legalidade, ou não, da prestação de trabalho em dias de repouso semanal remunerado/feriados, particularmente nas datas de eleição. Fixadas tais premissas, aprecia-se a matéria. Primeiramente, a teor dos arts. 380 da Lei nº 4.737/65 e 1º da Lei nº 1.266/1950, entendo que são considerados feriados nacionais os dias de eleições. Segundo o art. 6º da Lei /2000, com a redação dada pela Lei nº /2007, É permitido o trabalho em feriados nas atividades do comércio em geral, desde que autorizado em convenção coletiva de trabalho e observada a legislação municipal, nos termos do art. 30, inciso

11 I, da Constituição. A exceção prevista no regulamento da Lei nº 605/ RO Fl. 9 (Decreto nº /48, art. 7º, antes reproduzido), não alcança a ora recorrente, cujo objeto comercial não se coaduna com aqueles descritos na relação anexa ao mencionado Decreto, transcrita na fl da sentença. No caso dos autos, não se encontra autorização em norma coletiva a autorizar a utilização de mão de obra de empregados na abertura do comércio nos dias 06 e 27 de outubro de 2002, o que determinaria o acolhimento da pretensão, nos moldes em que fundamentada. Mantenho a sentença e endosso, especialmente, os fundamentos pertinentes à garantia constitucional de o empregado exercer o direito de ir às urnas eleger seus representantes, o qual é vedado ao empregador obstaculizar e/ou inibir, por qualquer motivo. Segundo, foi determinada, em sede de Antecipação de Tutela, a abstenção, pelas empresas instaladas no shopping Praia de Belas, de exigir trabalho de seus funcionários no dia 06/10/2002 e, na hipótese de realização de segundo turno de eleições, no dia 27/10/2002, sob pena de responderem as empresas infratoras da ordem judicial por multa de cinquenta mil reais (fl. 221). Como não há notícia nos autos de que algum empregado tenha prestado serviços nos referidos dias, passados quase dez anos do ajuizamento da ação, os efeitos concretos da medida judicial resultam prejudicados. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. PARTICIPARAM DO JULGAMENTO: JUIZ CONVOCADO JOSÉ CESÁRIO FIGUEIREDO TEIXEIRA RO Fl. 10 (RELATOR) DESEMBARGADORA MARIA CRISTINA SCHAAN FERREIRA DESEMBARGADORA MARIA HELENA LISOT

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