ANÁLISE DA EFETIVIDADE DA ZONA DE AMORTECIMENTO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO POR SENSORIAMENTO REMOTO

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1 ANÁLISE DA EFETIVIDADE DA ZONA DE DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO POR SENSORIAMENTO REMOTO OTÁVIO AUGUSTO CARVALHO NASSUR 1, JOÃO GABRIEL NOTEL DE SOUZA 2, ELIZABETH FERREIRA 3, ANTONIO AUGUSTO AGUILAR DANTAS 4, CHRISTIANY MATTIOLI SARMIENTO 5 RESUMO: A legislação brasileira estabelece com algumas exceções a obrigatoriedade da zona de amortecimento no entorno das Unidades de Conservação s. Estas áreas de amortecimento tem a função de atenuar os impactos da região externa sobre a área delimitada das s. O presente trabalho teve por objetivo verificar, dentro do estado de Minas Gerais, e considerando os diferentes biomas, se as zonas de amortecimento são efetivas quanto à amortização do Índice de Área Foliar observados nas regiões externas e internas às s. Para o estudo foi utilizado um produto de Índice de Área Foliar - IAF da LSA SAF, obtido em 01/05/2014, além de vetores e tabelas contendo a delimitação das unidades de conservação, biomas, e o contorno do Estado. Foi possível observar comportamentos similares para os biomas Mata Atlântica e Caatinga, com acréscimo do IAF médio das regiões externas para as regiões internas das s. O Cerrado apresentou comportamento diferente, sendo que o IAF médio apresentou decréscimo das regiões externas para as regiões internas das s. Conclui-se com base no IAF médio, que as zonas de amortecimento das s de Minas Gerais são efetivas quanto a amortização do IAF em relações às partes externas. Palavras-chave: Zona de amortecimento, Unidades de conservação, SIG, Índice de área foliar, Biomas. INTRODUÇÃO Entre os mecanismos legais utilizados para garantir a proteção adequada do meio ambiente ressalta-se a criação de unidades de conservação ( s). Estas áreas são instituídas pelo poder público e possuem características naturais relevantes, objetivos de conservação e limites definidos por lei, funcionando sob regime especial de administração (BRASIL, 2000). As unidades de conservação são geralmente distribuídas como ilhas na superfície terrestre. Atualmente, há um consenso global de que estas unidades de conservação não podem ser operadas como ilhas, devendo ser estabelecidas estratégias de manejo em escalas maiores, como a criação de zonas de amortecimento (IWAMOTO E RODRIGUES, 2011). De acordo com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação - SN a zona de amortecimento é definida como o entorno de uma unidade de conservação, onde as atividades humanas estão sujeitas a normas e restrições específicas, com o propósito de minimizar os impactos negativos sobre a unidade. Para Iwamoto e Rodrigues, (2011) estas zonas devem funcionar como filtros, impedindo que atividades antrópicas externas coloquem em risco os ecossistemas naturais dentro das áreas protegidas. A lei do SN é responsável por regulamentar e organizar as s nacionais. O SN estabelece categorias que diferem quanto ao objetivo de preservação, e de mesma forma, estabelece as diretrizes para os limites de utilização em cada classe. Entre as doze categorias de s definidas pelo SN, dez categorias exigem a zona de amortecimento no entorno das mesmas, excluindo-se as seguintes categorias: Áreas de Proteção Ambiental APA; e Reserva Particular do Patrimônio Natural RPPN. Atualmente, muitos autores questionam a extensão da zona de amortecimento. De forma geral este limite pode ser definido no ato ou posteriormente à criação da Unidade de Conservação, e suas extensões deveriam ser baseadas em estudos ambientais e sociais. Na prática a definição da zona de 1 Doutorando em Engenharia Agrícola, UFLA/DEG, 2 Mestrando em Engenharia Agrícola, UFLA/DEG, 3 Professora Titular, UFLA/DEG, 4 Professor Titular, UFLA/DEG, 5 Doutoranda em Engenharia Agrícola, UFLA/DEG,

2 amortecimento, quando não definida, fica condicionada a resolução CONAMA 13/90, compreendendo um raio de 10 Km (BRASIL, 1990). Técnicas de sensoriamento remoto aliadas aos sistemas de informações geográficas se apresentam como uma ferramenta importante na gestão da biodiversidade e conservação das áreas protegidas. Atualmente estão disponíveis diversos produtos de imagens orbitais que podem auxiliar as estratégias para o manejo e conservação das s. Neste sentido, o monitoramento da vegetação através do Índice de Área Foliar (IAF) tem se destacado na avaliação ambiental, pois está diretamente relacionada com a produtividade e a evapotranspiração de ecossistemas florestais (LANG e MCMURTRIE, 1992), além de possuir relação direta com a biomassa (GOEL, 1989). Dentre os sensores utilizados para obter o IAF ressalta-se a utilização dos sensores orbitais geoestacionários. Estes sensores são desenvolvidos principalmente para fins meteorológicos e possuem baixa resolução espacial. Embora apresente limitações quanto a resolução espacial, sua utilização para análises em escalas globais se torna interessante, uma vez que que produzem imagens de uma ampla superfície quase que instantaneamente, permitindo assim comparações espaciais entre áreas distintas em uma mesma data. O objetivo deste trabalho foi verificar, no Estado de Minas Gerais, considerando os três biomas abrangidos pelo Estado, a efetividade das zonas de amortecimento quanto a sua função de amenizar variações bruscas no IAF. MATERIAL E MÉTODOS Obtenção de dados vetoriais Os mapas vetoriais e as tabelas referentes às Unidades de Conservação e Biomas foram obtidos diretamente no site do Cadastro Nacional de Unidades de Conservação CN disponível em < >. O vetor do estado de Minas Gerais foi obtido junto ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE disponível em < >. Obtenção de produtos matriciais O produto de IAF utilizado neste trabalho foi fornecido através da Land Surface Analysis Satellite Application Facilities (LSA SAF), organização criada através da parceria entre European Organisation for the Exploitation of Meteorological Satellites (EUMETSAT) e do Instituto de Meteorologia de Portugal cuja finalidade é desenvolver novas aplicações para satélites meteorológicos da EUMETSAT. O produto foi obtido diretamente da página da LSA SAF (http://landsaf.meteo.pt/) para o dia 01/05/2014. Desenvolvimento As análises nos vetores foram feitas utilizando o software QGIS Inicialmente fez-se o recorte no mapa vetorial das unidades de conservação utilizando como molde o vetor do Estado de Minas Gerais, desta forma foram separadas somente aquelas unidades de conservação inseridas dentro do Estado. Posteriormente, utilizando os dados da tabela das s, foi feita a filtragem removendo aquelas que segundo a legislação (BRASIL, 2000) não possuem zona de amortecimento, ou seja, foram retiradas unidades de conservação enquadradas nas categorias: APA e RPPN. Utilizando o mapa de vetores contendo somente as unidades de conservação visadas neste estudo, totalizando 108 s, foi gerado o mapa vetorial das zonas de amortecimento para todas as s considerando um raio de 10 km nas áreas circundantes às mesmas. As regiões externas foram

3 definidas da mesma forma, considerando um raio de 10 km externo as áreas circundantes das zonas de amortecimento. Para permitir a sintetização da informação por cada Bioma em Minas Gerais, foi realizada a interseção de polígonos, utilizando os mapas vetoriais das unidades de conservação, zonas de amortecimento e regiões externas e intersecionando os mesmos com o mapa de biomas. Posteriormente foi utilizado o software Ilwis 3.7 para proceder as análises. Com auxílio do módulo Geonetcast Toolbox foi importado o produto LAI LSA-SAF (Índice de Área Foliar LSA SAF). Após esta etapa foi feita a rasterização dos mapas vetoriais ( s, zonas de amortecimento, e regiões externas) assim como a reamostragem do referido produto para uma georreferencia e sistema de coordenadas compatíveis, os mapas foram então cruzados e obtidas tabelas contendo o valor do IAF para os pixels de cada mapa, em uma etapa posterior, as médias foram calculadas considerando os diferentes biomas. Assim, ao final foram obtidos os valores médios de todos os pixels nos diferentes biomas considerando os três tipos de mapas ( s, zonas de amortecimento, e regiões externas). RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados do IAF médio para o bioma Mata Atlântica em Minas Gerais são apresentados na Figura MATA ATLÂNTICA Figura 1 -. Diferenças no Índice de área foliar médio nas áreas das s, zonas de amortecimento e regiões externas, inseridas no bioma Mata Atlântica em Minas Gerais. Observa-se que o IAF médio variou entre 3,75 referentes aos pixels contidos dentro das s à 3,47 referente aos pixels contidos dentro das regiões externas das s. Com relação ao IAF médio, a zonas de amortecimento apresentaram um valor intermediário, de 3,59. Este comportamento de decréscimo da região interna para região externa era esperado, pressupondo que o IAF médio dentro das s reflita as condições de conservação dos remanescentes florestais. A seguir é apresentada a Figura 2, com os valores do IAF médio para o bioma Cerrado em Minas Gerais.

4 CERRADO Figura 2 - Diferenças no Índice de área foliar médio nas áreas das s, zonas de amortecimento e regiões externas, inseridas no bioma Cerrado em Minas Gerais. Observa-se no Bioma Cerrado um comportamento diferente do esperado, ou seja, as regiões externas apresentaram um IAF médio superior que as regiões das zonas de amortecimento e dentro das s. Dois fatores possivelmente influenciaram o contraste de valores, de 2,41 (dentro das s) e 2,76 (regiões externas), o primeiro deve-se ao fato dos recorrentes incêndios florestais que afetam este bioma. Outro fator, diz respeito ao tipo de utilização das regiões externas. Nas ultimas décadas são observadas a expansão da área de eucalipto sobre áreas de Cerrado, estas florestas plantadas podem atuar de forma a elevar o valor médio do IAF nas regiões externas. O IAF médio das zonas de amortecimento do bioma Cerrado foi de 2,58 e apresentou características intermediárias entre o IAF médio dentro das s, e o IAF médio das regiões externas. A seguir, a Figura 3 mostra o IAF médio para o bioma Caatinga em Minas Gerais. Figura 3 - Diferenças no Índice de área foliar médio nas áreas das s, zona de amortecimento e regiões externas, inseridas no bioma Caatinga em Minas Gerais. O comportamento do IAF médio para as s, zonas de amortecimento e regiões externas para a Caatinga foram semelhantes ao comportamento médio destas mesmas áreas evidenciados em comparação ao bioma Mata Atlântica, onde o maior valor médio foi observado para regiões internas das s, de 2,86, seguido pelas suas zonas de amortecimento de 2,58 e regiões externas de 2,02. Em comparação com o bioma Mata Atlântica nota-se uma variação mais brusca do IAF médio entre as diferentes regiões analisadas. CONCLUSÃO CAATINGA

5 Com relação ao IAF médio, as zonas de amortecimento nos três biomas de Minas Gerais estão produzindo o efeito desejado, ou seja, suavizando as mudanças do IAF entre a regiões externas e internas às unidade de conservação. AGRADECIMENTOS À FAPEMIG, pelo financiamento do projeto CAG-APQ , e à CAPES, pela concessão de bolsas. REFERÊNCIAS BRASIL. Lei de 18 de julho de Regulamenta o art. 225, 1o, incisos I, II, III e VII da Constituição Federal, Institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, BRASIL. Resolução CONAMA n. 13 de 06 de dezembro de Dispõe sobre normas referentes às atividades desenvolvidas no entorno das Unidades de Conservação. Diário Oficial da União, Brasília, DF, DAUGHTRY, C. S. T. Direct measurement of canopy structure. In: GOEL, N. S.; NORMAN, J. M. (Eds.) Instrumentation for studying vegetation canopies for remote sensing in optical and thermal infrared regions. Londres: Harwood, cap. 5, p LANG, A. R. G.; McMURTRIE, R. E. Total leaf areas of single trees of Eucalyptus grandis estimated from transmittances of the sun s beam. Agricultural and Forest Meteorology, New Haven, v.58, p.79-92, IWAMOTO, P. K.; RODRIGUES, M. G.. Uma proposta de delimitação da zona de amortecimento do Parque Nacional do Itatiaia, Rio de Janeiro, Brasil. Revista Nordestina de Ecoturismo, Aquidabã, v.4, n.2, p.5 14, 2011.

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