Plano de Manejo do Parque Natural Municipal Corredores da Biodiversidade de Sorocaba 7. ZONEAMENTO DO PARQUE MUNICIPAL E DO ENTORNO

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1 7. ZONEAMENTO DO PARQUE MUNICIPAL E DO ENTORNO O SNUC, Lei n o de 18 / 07 / 2.000, caracteriza o Zoneamento de Unidade de Conservação como definição de setores ou zonas em uma Unidade de Conservação com objetivos de manejo e normas específicos, com o propósito de proporcionar os meios e as condições para que todos os objetivos da unidade possam ser alcançados de forma harmônica e eficaz. O zoneamento adotado baseou-se nas zonas de manejo definidas no Roteiro Metodológico de Planejamento para Parque Nacional, Reserva Biológica e Estação Ecológica (GALANTE et al., 2.002). De acordo com as especificações desse roteiro, o zoneamento constitui um instrumento de ordenamento territorial, usado como recurso para se atingir melhores resultados no manejo da unidade de conservação, pois estabelece usos diferenciados para cada zona, segundo seus objetivos. Dessa forma, cada zona tem características próprias com propostas de manejo e normas individualizadas, que levam em consideração graus específicos de proteção e possibilidades de intervenção humana. O Roteiro Metodológico oferece ainda um conjunto de critérios a serem observados, para o estabelecimento de cada zona (Quadro 41). A atual área total do PNMCBio é de 62,42 hectares, sendo encontrado no Anexo 5. A escolha desta área para o PNMCBio foi motivada pela existência de um fragmento florestal de cerca de 20 hectares (aproximadamente m 2 ) de Floresta Estacional Semidecidual ou Mata Mesófila secundária (circundado por florestamento homogêneo de Eucaliptos que serão suprimidos), ligado a Corredores Florestais das Matas Ciliares do Córrego da Campininha, ligadas às Matas Ciliares do rio Sorocaba. 298

2 Os Corredores Florestais constituem-se em alternativas de ligações de fragmentos florestais atualmente isolados, nos quais os problemas de consanguindade das populações animais e vegetais se intensificam. No Brasil são raros os estudos sobre a funcionalidade dos Corredores Florestais na manutenção do fluxo gênico entre indivíduos e populações. Pesquisas devem ser feitas, principalmente com a Fauna Silvestre, onde os problemas de consanguinidade são muito mais acentuados do que na Flora. O PNMCBio de Sorocaba, deverá se tornar em um grande laboratório, principalmente nas seguintes pesquisas prioritárias : 1 Estudos da dinâmica biológica de indivíduos de populações de Anfíbios, Répteis, Aves e Mamíferos, entre Fragmentos e Corredores nas Bacias Hidrográficas do Rio Sorocaba e do Córrego da Campininha; 2 Estudos da importância da ampliação e do enriquecimento de Corredores Florestais através de Recuperação Florestal Funcional, no oferecimento de abrigos, locais de reprodução e alimentos à Fauna Silvestre; 3 - Estudos da importância da ampliação e do enriquecimento de Fragmentos Florestais através de Recuperação Florestal Funcional, no oferecimento de abrigos, locais de reprodução e alimentos à Fauna Silvestre. Este laboratório natural ficará à disposição das cinco Universidades de Sorocaba, para pesquisas aplicadas nas áreas de Ciências Biológicas, Engenharia Florestal e Engenharia Ambiental, representando uma situação ambiental inédita no Brasil, a qual deve muito auxiliar no entendimento da efetividade dos Corredores Florestais na conservação da biodiversidade de ambientes terrestres. Pesquisas com populações de Peixes também serão importantes, pois os Corredores Florestais serão recuperados e enriquecidos exatamente nas Matas Ciliares, favorecendo os ambientes aquáticos. 299

3 O Fragmento Florestal e as atuais Matas Ciliares estão muito alteradas, observando-se nesta região frequentes queimadas, retirada de árvores nativas, presença marcante de espécies invasoras e exóticas, invasões de animais domésticos e sinantrópicos, caça furtiva de animais silvestres, pesca furtiva, deposições clandestinas de lixo, etc., fatores que afetam e destroem a importante biodiversidade ainda presente e que deve ser conservada. A Tabela 09 apresenta as coberturas de vegetações e as respectivas áreas de ocupações dos solos encontradas dentro do PNMCBio. Tabela 09. Coberturas de vegetações e ocupações de solos na área total de 62,42 hectares do PNMCBio. Sorocaba, SP. Vegetação Mata Mesófila Matas Ciliares em APPs Floresta de Eucalyptus Floresta de Pinus Área Alagada Trilhas em Estradas Área (ha) 19,90 ha 11,10 ha 25,45 ha 1,10 ha 2,95 ha 1,20 ha Quadro 41. Critérios para estabelecimento do zoneamento. Critérios indicativos da singularidade da unidade de conservação Representatividade Riqueza e diversidade de espécies Critérios indicativos de valores para a conservação Áreas de transição Susceptibilidade ambiental Presença de sítios históricos e culturais Potencial para visitação Potencial para conscientização Critérios indicativos para a vocação de uso Presença de infraestrutura Uso conflitante Presença de população Fonte: Roteiro Metodológico de Planejamento: Parque Nacional, Estação Ecológica, Reserva Biológica. (GALANTE et al., 2.002). 300

4 O Mapa de Zoneamento do PNMCBio de Sorocaba, que ilustra todas as Zonas do item 7.1. ao 7.7., se encontra no Anexo Zona Intangível A Zona Intangível é aquela onde a natureza permanece mais próxima de seu estado primitivo e distante das principais vias de acesso, não se tolerando quaisquer alterações humanas que provoquem impactos ambientais negativos, representando o mais alto grau de conservação dentro da unidade. Essa zona funciona como matriz de repovoamento da biota para outras zonas onde são permitidas atividades humanas regulamentadas. Na presente situação de biodiversidade local, estando a vegetação secundária bastante alterada e empobrecida, haverá necessidade de intervenção com a retirada de cipós e lianas, além do enriquecimento da vegetação florestal e do sub-bosque Objetivos de Manejo É a Zona com maiores restrições de uso da Unidade de Conservação, e seu principal objetivo é a proteção integral dos ecossistemas, dos recursos genéticos e dos processos ecológicos que são responsáveis pela manutenção da biodiversidade no parque. As Pesquisas Científicas serão incentivadas desde que aprovadas pela SEMA da Prefeitura de Sorocaba Localização Localiza-se na região central do fragmento florestal mais amplo do PNMCBio, onde a vegetação está ligeiramente em melhor estado de conservação, distanciando-se relativamente mais da borda do fragmento, o qual está circundado por florestas homogêneas de eucaliptos, por pastagens de gramíneas e por brejo antrópico. A Zona Intangível apresenta 9,83 hectares. 301

5 A Zona Intangível será necessariamente a mais protegida do PNMCBio, não sendo permitidas atividades de Uso Público, devendo ser circundada pela Zona Primitiva, a qual permite Uso Público restrito a trilhas interpretativas monitoradas. No mapa de Zoneamento, o geoprocessamento estabelece os limites desta Zona Intangível com as suas coordenadas geográficas Normas e Recomendações Na Zona Intangível não serão permitidas atividades relativas ao uso público, tais como visitação e trilhas interpretativas. Serão permitidas apenas pesquisas científicas com projetos detalhados e devidamente aprovados pela SEMA de Sorocaba. Os cipós e lianas deverão ser parcialmente suprimidos, servindo esta Zona como ambiente de comparação com as demais, nas quais os cipós e lianas serão manejados de forma experimental, podendo ocorrer supressões totais de cipós e lianas, os quais, estando em fase avançada de desenvolvimento e com sistemas radiculares muito desenvolvidos, seria recomendável que após o corte, a cepa seja perfurada com broca de furadeira manual, injetando-se herbicida para eliminação total do sistema radicular de cada planta. Após a supressão parcial dos cipós, recomenda-se que seja imediatamente realizado o enriquecimento da vegetação florestal, através do plantio sem espaçamento, com densidade mínima de 500 mudas / ha, de espécies florestais nativas regionais, de acordo com as relações de espécies existentes no PNMCBio e na FLONA de Ipanema. Este reflorestamento de enriquecimento deverá seguir o modelo de Recuparação Florestal Funcional, o qual tem se mostrado muito eficiente no enriquecimento das APPs de Áreas Verdes próximas. Nesta Zona Intangível o sub-bosque também deverá ser enriquecido com espécies arbustivas regionais, selecionando-se aquelas que são da preferência de 302

6 aves e morcegos, para que sejam eficientemente propagadas, servindo de alimentos à fauna local. Como a vegetação da Zona Intangível está muito empobrecida, com baixa oferta de alimentos à fauna remanescente e transitória, recomenda-se que sejam instalados cochos suspensos e de chão onde serão oferecidos alimentos, tais como frutas e grãos energéticos (quirera de milho e de arroz) e sal. As frutas serão obtidas por doações do CEASA de Sorocaba. Também seria recomendada a oferta de carne de frango ou de boi em pedaços amarrados em alguns troncos, para atendimento dos onívoros e carnívoros. Ponderando-se que as espécies arbóreas mais velhas e desenvolvidas, passíveis de apresentar ocos de pau ou cavidades nos troncos, recomenda-se a distribuição de cavidades construídas em bambu gigante e caixas de madeira, as quais servirão de abrigos e locais de reprodução de aves e mamíferos, grupos zoológicos que apresentam espécies que exigem tais cavidades protegidas. Tais atividades de manejo de fauna são direcionadas à alimentação e à reprodução e abrigos, estão sendo aplicadas com sucesso no Projeto de Manejo de Fauna de Áreas Verdes próximas. A Recuperação Florestal Funcional das áreas existentes na Zona Intangível do PNMCBio, após o reflorestamento com espécies florestais e arbustivas nativas, deverá ser monitorado em relação às evoluções da flora e da fauna silvestre, em levantamentos sazonais completos, por um período mínimo de 7 anos. Devido ao seu formato circular irregular, recomenda-se que sejam feitas marcações em algumas árvores, através de fitas coloridas, evidenciando-se assim, claramente, os limites da Zona Intangível. 303

7 7.2. Zona Primitiva A Zona Primitiva é aquela onde tenha ocorrido pequena ou mínima intervenção humana, contendo espécies da Flora e da Fauna ou fenômenos naturais de grande valor científico. Possui características de zona de transição circundando e protegendo a Zona Intangível e ligando-a à Zona de Uso Extensivo, onde as formações vegetais, embora bem conservadas, são mais acessíveis. No PNMCBio, como a vegetação local é toda secundária e modificada pelas ações antrópicas pretéritas, a Zona Primitiva representa apenas a situação primitiva da vegetação da região, circundando a Zona Intangível das ações de uso público. Esta Zona é muito importante, circundando e protegendo a Zona Intangível das ações de baixo impacto do Uso Público em trilhas monitoradas, direcionadas à educação ambiental Objetivos de Manejo O objetivo da Zona Primitiva é de conservação do ambiente natural e da biodiversidade, dos aspectos físicos, históricos e culturais a ela associados. Ao mesmo tempo, deve facilitar as atividades de pesquisa científica e educação ambiental, permitindo-se formas mais primitivas de lazer e recreação em ambiente natural. Esta Zona é de grande importância, pois isola as áreas mais primitivas do PNMCBio da Zona de Uso Extensivo, onde o Uso Público é bastante intenso em trilhas de educação ambiental auto-guiadas. Tais formas primitivas de recreação caracterizam-se pela ausência de infraestrutura e equipamentos de apoio nas áreas visitadas, pelo controle de número de visitantes que acessam essa Zona e, principalmente, pela 304

8 obrigatoriedade de acompanhamento dos grupos por monitores ambientais, devidamente capacitados e credenciados Localização A Zona Primitiva circunda totalmente a Zona Intangível, tendo como limite externo aquele que é atualmente ocupado pelo fragmento de floresta natural existente na área do PNMCBio; está circundado por aceiros formados por antigos carreadores da floresta homogênea de eucaliptos, bem como pelo córrego da Campininha em sua área de topografia mais baixa. A parte interna da Zona Primitiva está ligada à Zona Intangível, e a parte externa liga-se com a Zona de Uso extensivo. A Zona Primitiva apresenta 7,33 hectares. No mapa de Zoneamento, o geoprocessamento estabelece os limites desta Zona Intangível com as suas coordenadas geográficas Normas e Recomendações Na Zona Primitiva serão permitidas, assim que possíveis, as atividades de Educação Ambiental em Trilhas Interpretativas, de forma controlada, e sempre com a condução de monitores credenciados e treinados pela SEMA de Sorocaba. Esta será a única forma de lazer e recreação natural a ser permitida nesta Zona Primitiva, propiciando ao visitante desfrutar de forma guiada, um contato mais íntimo com a Biodiversidade. Recomenda-se que as Trilhas Interpretativas que serão implantadas na Zona Primitiva, tenham origem na Trilha de Educação Ambiental da Zona de Uso Extensivo, adentrando na mata até o limite da Zona Intangível, retornando por outro traçado até a Trilha de Educação Ambiental da Zona de Uso Extensivo. Assim, deverá ter a forma de ferradura, sempre com percurso irregular, apresentando os temas mais relevantes da Biodiversidade. 305

9 As Trilhas Interpretativas da Zona Primitiva serão sempre guiadas, mas deverão apresentar placas e painéis interpretativos. Todas as placas e painéis do PNMCBio deverão ser preferencialmente preparados com madeira rústica escurecida com verniz tipo Deck de grande resistência à insolação, com as palavras e desenhos em tinta a óleo de cor branca. Como estas Trilhas Interpretativas não foram ainda implantadas, pois dependem de Projeto detalhado futuro, não é possível informar sobre suas extensões e graus de dificuldade. Entretanto, deve ser destacado, que os visitantes que quiserem percorrer estas Trilhas Interpretativas da Zona Primitiva, deverão sempre usar botas ou perneiras e estarem acompanhadas de um guia. Os cipós e lianas deverão ser parcial ou totalmente suprimidos, servindo esta Zona como ambiente de comparação com as demais, nas quais os cipós e lianas serão manejados de forma experimental, podendo ocorrer supressões totais de cipós e lianas, os quais estão em fase avançada de desenvolvimento e com sistemas radiculares muito desenvolvidos. Devido a este fato, seria recomendável que após o corte, a cepa seja perfurada com broca de furadeira manual, injetando-se herbicida para eliminação total do sistema radicular de cada planta. Após a supressão parcial dos cipós, recomenda-se que seja imediatamente realizado o enriquecimento da vegetação florestal, através do plantio sem espaçamento, com densidade mínima de 500 mudas / ha, de espécies florestais nativas regionais, de acordo com as relações de espécies existentes no PNMCBio e na FLONA de Ipanema. Este reflorestamento de enriquecimento deverá seguir o modelo de Recuparação Florestal Funcional, o qual tem se mostrado muito eficiente no enriquecimento das APPs de Áreas Verdes próximas. Nesta Zona Primitiva o sub-bosque também deverá ser enriquecido com espécies arbustivas regionais, selecionando-se aquelas que são da preferência de 306

10 aves e morcegos, para que sejam eficientemente propagadas, servindo de alimentos à fauna local. Como a vegetação da Zona Intangível está muito empobrecida, com baixa oferta de alimentos à fauna remanescente e transitória, recomenda-se que sejam instalados cochos suspensos e de chão onde serão oferecidos alimentos, tais como frutas e grãos energéticos (quirera de milho e de arroz) e sal. As frutas serão obtidas por doações do CEASA de Sorocaba. Também seria recomendada a oferta de carne de frango ou de boi em pedaços amarrados em alguns troncos, para atendimento dos onívoros e carnívoros. Ponderando-se que as espécies arbóreas mais velhas e desenvolvidas, passíveis de apresentar ocos de pau ou cavidades nos troncos, recomenda-se a distribuição de cavidades construídas em bambu gigante e caixas de madeira, as quais servirão de abrigos e locais de reprodução de aves e mamíferos, grupos zoológicos que apresentam espécies que exigem tais cavidades protegidas. Tais atividades de manejo de fauna, direcionadas à alimentação e à reprodução e abrigos, estão sendo aplicadas com sucesso no Projeto de Manejo de Fauna de Áreas Verdes próximas. A Recuperação Florestal Funcional das áreas existentes na Zona Primitiva do PNMCBio, após o reflorestamento com espécies florestais e arbustivas nativas, deverá ser monitorado em relação às evoluções da flora e da fauna silvestre, em levantamentos sazonais completos, por um período mínimo de 7 anos Zona de Uso Extensivo A Zona de Uso Extensivo é aquela constituída em parte por áreas naturais, podendo apresentar algumas áreas com alterações humanas. Caracteriza-se como uma Zona de transição entre a Zona Primitiva e a Zona de Uso Intensivo. 307

11 Esta Zona no PNMCBio não circunda toda a Zona Primitiva, pois o banhado do Córrego da Campininha ocupa uma grande área dos limites ao sul da Unidade de Conservação Objetivos de Manejo O principal objetivo de manejo é propiciar atividades de uso público com mínimo impacto, priorizando a manutenção dos ambientes naturais visando à sensibilização para a importância da sua conservação. As caminhadas serão realizadas em trilhas de educação ambiental autoguiadas em pequenas estradas já existentes, as quais terão suas áreas periféricas reflorestadas e enriquecidas Localização A Zona de Uso Extensivo localiza-se entre a Zona Primitiva e a Zona de Uso Intensivo, constituindo-se no PNMCBio por um corredor alongado, margeando as Áreas de Preservação Permanente do Córrego da Campininha, entretanto sem utilizá-las para caminhadas. Este corredor utilizará o antigo carreador existente, o qual será retificado em alguns pontos, para que permita a ligação, através de caminhadas, da Zona de Uso Intensivo, onde o visitante é recebido e orientado no PNMCBio, podendo ser encaminhado à Zona Primitiva, desde que haja Guia Intérprete disponível. A Trilha que será implantada nesta Zona de Uso Extensivo será de Caminhada com objetivos voltados para a Educação Ambiental, enfocando a importância das Unidades de Conservação e demais Áreas Protegidas na proteção dos Recursos Naturais Renováveis e dos Recursos Naturais não Renováveis. 308

12 As Trilhas de Caminhada de Educação Ambiental serão formadas por dois trajetos complementares, com extensões diferentes, um mais longo no primeiro trecho, com metros de extensão contornando o Fragmento Florestal e outro mais curto, no segundo trecho, com metros de extensão, contornando a Zona de Recuperação. As duas Trilhas somadas formam Trilhas Complementares com extensão de metros, saindo da Zona de Uso Intensivo, acompanhando as Matas Ciliares do Córrego da Campininha, contornando a Floresta Estacional Semidecidual do Fragmento Florestal, contornando a Zona de Recuperação e retornando à Zona de Uso Intensivo pelo Parque Tecnológico. As duas Trilhas de Caminhadas seguem por terrenos ondulados, com solo compactado e sem vegetação obstruindo o deslocamento, não acorrendo trechos íngremes, apresentando grau de dificuldade baixo, podendo ser percorrida por crianças e adultos, desde que não tenham idade avançada ou limitações físicas que restrinjam os deslocamentos. Para percorrer estas Trilhas, os visitantes devem utilizar-se tênis confortável, boné, protetor solar, mochila com água e alimentos, tais como frutas, barras de cereais, chocolates, doces, etc. No mapa de Zoneamento, o geoprocessamento estabelece os limites desta Zona de Uso Extensivo com as suas coordenadas geográficas. Sua área é de 9,00 hectares Normas e recomendações A Trilha de Caminhada de Educação Ambiental será autoguiada, recomendando-se a instalação de painéis em toda a sua extensão, com temas alusivos à importância das Unidades de Conservação e das demais Áreas Protegidas para a Conservação dos Recursos Naturais. 309

13 Todas as placas e painéis do PNMCBio deverão ser preparados preferencialmente com madeira rústica escurecida com verniz tipo Deck de grande resistência à insolação, com as palavras e desenhos em tinta a óleo de cor branca. Nesta Trilha de Caminhada de Educação Ambiental autoguiada, deverá haver um painel explicando as trilhas existentes na Mata, salientando a proibição de serem percorridas sem a presença do guia-intérprete. Os antigos carreadores transformados em Trilha de Caminhada poderão, se necessário ser percorridos por veículos do PNMCBio. Nesta Trilha, na área do PNMCBio, não deverá ser aplicado revestimento asfáltico ou de blocos de cimento, mas apenas a distribuição e compactação de brita fina sobre o solo argiloso. Esta Trilha de Caminhada terá distâncias a serem determinadas no trajeto mais curto e no trajeto mais longo. Recomenda-se as instalações de quiosques com bancos para descanso a cada 200 metros, se possível com bebedouros rústicos com água tratada. Todas as Trilhas deverão ser nominadas, com placas explicativas sobre as distâncias, topografias e graus de dificuldade, além de recomendações sobre a proteção contra as radiações solares e a necessidade de consumo de água potável no percurso. A Recuperação Florestal Funcional das áreas existentes na Zona de Uso Extensivo do PNMCBio, após o reflorestamento com espécies florestais e arbustivas nativas, deverá ser monitorado em relação às evoluções da Flora e da Fauna silvestre, em levantamentos sazonais completos, por um período mínimo de 5 anos. 310

14 7.4. Zona de Uso Intensivo A Zona de Uso Intensivo é aquela constituída, em sua maior parte, por áreas naturais com alterações antrópicas que concentram as atividades ligadas ao uso público de maior intensidade. Nela deverão estar localizados os equipamentos de apoio à visitação pública como vias de acesso motorizado, estacionamento, portaria, Centro de Visitantes, Centro de Educação Ambiental, sanitários, podendose implantar lanchonete, quiosques, bebedouros, além de pias e outras facilidades, como áreas para lazer ao ar livre, para pic-nic, etc. No Centro de Visitantes será instalada uma sala destinada à Administração do PNMCBio. A Zona de Uso Intensivo do PNMCBio deverá conter a infraestrutura necessária à implementação dos Programas de Gestão do PNMCBio, principalmente voltada para a administração, manutenção e proteção da Unidade de Conservação. As vias de acesso consideradas estratégicas para a proteção e controle da unidade também estão inseridas nesta zona Objetivos de Manejo O principal objetivo é proporcionar aos visitantes do PNMCBio oportunidades de utilização dos ambientes naturais, bem como abrigar facilidades e estruturas de apoio ao uso público e atrativos que suportem maior visitação. As oportunidades de contato direto com o ambiente natural podem acontecer por meio de atividades recreativas, esportivas, contemplativas ou educativas. A Zona de Uso Intensivo tem a função de facilitar a visitação pública, com baixo impacto ambiental e em harmonia com o meio. O Mapa do Levantamento Planialtimétrico para a implantação de Edificações encontra-se no ANEXO 10. O Mapa de Implantação de Edificações na Zona de Uso Intensivo encontra-se no ANEXO 11. A Planta do Quiosque para Pesquisas também localizado na Zona de Uso Intensivo, encontra-se no ANEXO 311

15 12. As Plantas do Salão Multiuso, da Sede do PNMCBio e do Totem, todos também localizados nesta Zona, encontram-se no ANEXO Localização A Zona de Uso Intensivo localiza-se junto da entrada principal do PNMCBio, ao lado da Avenida Itavuvu. No mapa de Zoneamento, o geoprocessamento estabelece os limites desta Zona de Uso Intensivo com as suas coordenadas geográficas. Sua área é de 2,04 hectares. Na Zona de Uso Intensivo havia um reflorestamento homogêneo de eucaliptos, o qual foi retirado, devendo-se realizar a retirada de todas as touças para a implantação do estacionamento antes da Portaria e do Centro de Visitantes e de Educação Ambiental, de acordo com projeto elaborado pela SEMA Normas e recomendações A Zona de Uso Intensivo deverá ser totalmente arborizada com espécies nativas regionais, próprias para o sombreamento. Inicialmente serão utilizadas mudas de espécies nativas pioneiras e secundárias iniciais, de rápido crescimento, as quais deverão ser conduzidas com podas dos ramos inferiores para elevação das copas. Após a instalação das áreas sombreadas, serão plantadas espécies secundárias tardias e climáxicas, as quais darão o recobrimento definitivo após as mortes das espécies florestais pioneiras e secundárias iniciais. O projeto de arborização deverá corresponder às necessidades locais do estacionamento, paisagismo das vias de acesso e das áreas jardinadas e gramadas. Em vários pontos deverão ser instalados bancos rústicos sob as áreas sombreadas, além de bebedouros. 312

16 A Recuperação Florestal Funcional das áreas de monoculturas existentes na Zona de Uso Intensivo do PNMCBio, após o reflorestamento com espécies florestais e arbustivas nativas, deverá ser monitorado em relação às evoluções da Flora e da Fauna silvestre, em levantamentos sazonais completos, por um período mínimo de 5 anos. As portarias deverão funcionar em três períodos de 8 horas, sendo o primeiro das 06:00 h às 14:00 h, o segundo das 14:00 h às 22:00 h e o terceiro das 22:00 às 06:00 h. Nos dois primeiros períodos poderá haver ingresso de pessoas, e o terceiro período será de vigilância noturna. Quando autorizado o uso público, o acesso de visitantes será das 08:00 às 16:00 h. O Centro de Visitantes será aberto apenas com a presença de guias treinados para o recebimento de visitantes. Serão montados vários painéis explicativos sobre o PNMCBio, demonstrando-se suas características, o seu mapeamento, o seu Zoneamento com as características de cada Zona, interpretações sobre a Flora e sobre a Fauna do PNMCBio, com destaque para as espécies raras e ameaçadas de extinção, explicações sobre a importância das Unidades de Conservação bem como das demais Áreas Protegidas. Painéis explicativos deverão informar com imagens, sobre os demais Parques Municipais de Sorocaba. Também deverá haver informações detalhadas sobre a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, e da Polícia Militar Ambiental, bem como suas atuações no Município e região. Recomenda-se que sejam produzidos vários Roteiros em Power point, sendo o primeiro sobre o PNMCBio e os demais sobre temas ligados à Educação Ambiental e à Proteção dos Recursos Naturais. Na Zona de Uso intensivo deverão ser construídos sanitários, podendo-se implantar lanchonete, quiosques com bebedouros, pias e outras facilidades, como áreas para lazer ao ar livre, para pic-nic, etc. 313

17 O diretor do PNMCBio, bem como seus auxiliares, serão contratados após processos seletivos conduzidos pela SEMA, de acordo com as verbas previstas em orçamentos da Prefeitura Zona de Recuperação Esta Zona de Recuperação é constituída em sua maior parte por ecossistemas parcial ou totalmente alterados e que devem ser recuperados e na direção de suas características originais, a exemplo de ambientes mais conservados. As espécies exóticas introduzidas deverão ser removidas, os florestamentos homogêneos deverão ser substituídos por reflorestamentos heterogêneos com espécies nativas, e a recuperação deverá ser efetuada através de técnicas avançadas de Recuperação Florestal Funcional, a qual baseia-se nas florística e fitossociologia dos fragmentos existentes no PNMCBio, bem como nos nichos ecológicos e tróficos das espécies remanescentes da Fauna silvestre. Esta é uma Zona provisória que uma vez restaurada, será incorporada a uma das Zonas permanentes Objetivos de Manejo O objetivo geral de manejo é deter a degradação do patrimônio natural, restaurando a área com técnicas adequadas e espécies nativas. É de grande importância a seleção das espécies florestais que serão utilizadas no processo de recuperação da vegetação, para que a biodiversidade seja ampliada de acordo com os ecossistemas primitivos regionais, bem como as espécies da Fauna remanescente, além de outras regionais que poderão ter acesso à área, sejam atendidas quanto às suas necessidades de abrigo, alimentação e reprodução Localização A Zona de Recuperação localiza-se na parte norte da Unidade de Conservação, constituindo-se de reflorestamentos homogêneos de Eucaliptos junto 314

18 de Matas Ciliares secundárias degradadas. Localiza-se também ao lado da Avenida Itavuvu, em área isolada do PNMCBio, no lado oposto da Zona de Uso Intensivo, com acesso através de estrada de terra que sai à direita da Avenida Itavuvu, no sentido Centro / Rodovia Castello Branco. Neste local ocorre um talhão de Pinus sp., espécie exótica que deve ser suprimida, devendo ocorrer no local o plantio de espécies florestais nativas. No mapa de Zoneamento, o geoprocessamento estabelece os limites desta Zona de Recuperação com as suas coordenadas geográficas. A área total atual poderá ser ampliada na proposta de novos limites. Sua área atual é de 34,22 hectares. Entretanto, de acordo com a proposta locacional futura, a ela serão incorporados mais 38,00 hectares de Florestas de Eucalyptus. Assim, a futura área da Zona de Recuperação será de 72,22 hectares, os quais deverão ser reflorestados com espécies nativas através do método de Recuperação Florestal Funcional Normas e recomendações As atividades de recuperação de áreas degradadas e manejo de florestas homogêneas com espécies exóticas devem ser consideradas como prioritárias, pois a recuperação da diversidade do PNMCBio, objetivo primordial de sua criação, depende da recuperação da cobertura florística. Os processos comuns de reflorestamentos heterogêneos atuais com espécies nativas atendem apenas às exigências de utilização de mudas de pelo menos 80 espécies florestais regionais, escolhidas aleatoriamente, não levando em conta as exigências das espécies da Fauna remanescente, a qual realiza os processos de polinização e dispersão de cerca de 80% das espécies florestais nativas. As 20% restantes, são polinizadas e dispersas pela água ou pelo vento. Recomenda-se que as recuperações das áreas degradadas e manejo de florestamentos homogêneos do PNMCBio sejam efetuados através das modernas 315

19 técnicas de Recuperação Florestal Funcional, a qual baseia-se na florística e fitossociologia dos fragmentos remanescentes, bem como em suas interações com as exigências para atendimento dos nichos ecológicos e tróficos das diversas espécies remanescentes da Fauna silvestre, além daquelas que poderão colonizar o PNMCBio no futuro, pois esta Unidade de Conservação encontra-se apenas a 16 km da FLONA de Ipanema e próxima de outros fragmentos florestais. As técnicas avançadas de Recuperação Florestal Funcional estão sendo aplicadas com sucesso em Sorocaba, e foram avaliadas tendo a Avifauna como indicadora biológica, em Tese do Curso de Pós Graduação em Gerenciamento Ambiental da ESALQ / USP, demonstrando que atende às mais exigentes espécies indicadoras biológicas. A Recuperação Florestal Funcional das áreas de monoculturas existentes no PNMCBio, após o reflorestamento com espécies florestais e arbustivas nativas, deverá ser monitorado em relação às evoluções da flora e da fauna silvestre, em levantamentos sazonais completos, por um período mínimo de 5 anos Zona Histórico-Cultural A Zona Histórico-Cultural é definida apenas onde são encontradas manifestações históricas e culturais ou arqueológicas, devendo ser preservadas, estudadas e interpretadas para o público, servindo à pesquisa, educação e uso científico Objetivos de Manejo O objetivo da Zona Histórico-Cultural, quando existente é a proteção do patrimônio cultural material (sítios históricos ou arqueológicos) do parque, visando seu estudo, interpretação e valorização para garantir sua conservação. 316

20 Localização No PNMCBio de Sorocaba, até o presente momento, não foram encontrados sítios históricos ou arqueológicos, não se justificando por este motivo a delimitação de uma Zona Histórico-Cultural Zona de Amortecimento A zona de amortecimento consiste numa área estabelecida no entorno do PNMCBio, cuja finalidade é basicamente minimizar os aspectos negativos que interferem no alcance de objetivos de conservação desta Unidade de Conservação. A definição da Zona de Amortecimento baseia-se em critérios de inclusão e exclusão de áreas conforme proposto pelo Roteiro Metodológico de Planejamento do IBAMA, tomando-se como ponto de partida o Artigo 2º da Resolução CONAMA 013 / 90, o qual define que nas áreas circundantes das Unidades de Conservação, num raio de dez quilômetros, qualquer atividade que possa afetar a biota deverá ser obrigatoriamente licenciada pelo órgão ambiental competente Objetivos de manejo O objetivo desta zona é definir as diretrizes para o ordenamento territorial disciplinando os vetores negativos de pressão no entorno imediato do Parque. O SNUC, Lei n o de 18 / 07 / 2.000, define a Zona de Amortecimento de uma Unidade de Conservação como o entorno de uma Unidade de Conservação, onde as atividades humanas estão sujeitas a normas e restrições específicas, com o propósito de minimizar os impactos negativos sobre a unidade. Todas as Unidades de Conservação devem possuir uma Zona de Amortecimento, exceto as Reservas Particulares do Patrimônio Natural - RPPN e 317

21 as Áreas de Proteção Ambiental - APA, conforme estabelece o art. 25 da Lei do SNUC. A Zona de Amortecimento é de grande importância para a conservação dos recursos naturais da Unidade de Conservação, pois sua principal função é a de reduzir as pressões exercidas pelas atividades antrópicas nas áreas limítrofes internas do PNMCBio, bem como nas Áreas Protegidas do entorno próximo, principalmente em Áreas de Preservação Permanente formando corredores e ligadas ao PNMCBio. Por este motivo, a constituição da Zona de Amortecimento está diretamente ligada ao Zoneamento Interno da Unidade de Conservação, sendo que as exigências das Sub-Zonas deste entorno, que não fazem parte do PNMCBio, devem ser maiores junto das Zonas mais conservadas, tais como as Zonas Intangível e Primitiva, e menores junto das Zonas mais alteradas, tais como as Zonas de Uso Intensivo, de Uso Especial e de Recuperação Localização A Zona de Amortecimento do PNMCBio de Sorocaba engloba uma área total de 4.603,67 hectares que é sub-dividida em três Sub-Zonas de Amortecimento com características diferentes. No mapa da Zona de Amortecimento, o geoprocessamento estabelece os limites desta com as suas coordenadas geográficas (ANEXO 6). A Sub-Zona de Amortecimento 1 está situada a oeste e ao sul do PNMCBio, em uma região que apresenta florestamentos homogêneos de eucaliptos implantados pela empresa Duratex no Horto Itavuvu, atualmente de posse da empresa Central Park localizada na cidade de São Paulo. Também engloba as Matas Ciliares do Córrego da Campininha em APPs de 30 metros, e do rio Sorocaba, em faixa protegida de ações antrópicas impactantes, medindo

22 metros de ambos os lados do rio. Ocorrem ainda pequenas propriedades com características rurais, embora estejam na zona urbana de Sorocaba. Não ocorrem Bairros com concentrações urbanas consolidadas. Sua área é de 2.788,38 hectares, sendo a maior de todas. A Sub-Zona de Amortecimento 2 está situada a leste do PNMCBio em uma área onde ocorrem apenas pequenas propriedades com características rurais, embora estejam na zona urbana de Sorocaba. Também não ocorrem bairros com concentrações urbanas consolidadas. Sua área é de 1.336,38 hectares. A Sub-Zona de Amorecimento 3 está situada ao norte do PNMCBio, em uma área onde ocorrem diversas empresas industriais, bem como o Parque Tecnológico de Sorocaba. A principal indústria atualmente localizada nesta Sub- Zona de Amortecimento é a TOYOTA do BRASIL, produtora de automóveis iniciando suas atividades industriais. A Compensação Ambiental do EIA / RIMA desta empresa está sendo aplicada integralmente neste PNMCBio, visando a sua implantação. As demais indústrias que atualmente ocorrem nesta Sub-Zona de Amortecimento 3, serão fornecedoras dos componentes automotivos da montadora TOYOTA em Sorocaba. A localização geográfica destas empresas, justificaria a aplicações de suas Compensações Ambientais no PNMCBio de Sorocaba. Ainda na Sub-Zona de Amortecimento 3 ocorre o Parque Tecnológico de Sorocaba, da Prefeitura Municipal, a qual oferecerá áreas para Universidades e para empresas geradoras de tecnologias avançadas. A área desta Sub-Zona de Amortecimento é de 478,91 hectares, sendo a menor de todas. Como cada uma das Sub-Zonas de Amortecimento possuem características e ações antrópicas bem diferentes, as recomendações e as restrições serão apresentadas de formas independentes e indidualizadas para cada Sub-Zona de Amortecimento. 319

23 Normas e recomendações A legislação ambiental atual deve ser bem entendida e interpretada pela Equipe Técnica que elabora o Plano de Manejo, pela SEMA da Prefeitura de Sorocaba, pelas empresas e pelos demais proprietários de chácaras e sítios que ocorrem na Zona de Amortecimento do PNMCBio de Sorocaba. Sendo o Plano de Manejo do PNMCBio um documento técnico público, que deverá ser apresentado em Audiência Pública, todos os proprietários localizados na Zona de Amortecimento devem ter perfeito conhecimento da legislação pertinente, da sua interpretação, pois de alguma forma serão afetados com as normas e restrições que serão estabelecidas por este Plano de Manejo. Por este motivo, este documento técnico tem a obrigação de apresentar ampla revisão sobre o assunto, a qual é mostrada a seguir Revisão da Legislação e dos Conceitos de Zona de Amortecimento. O Plano de Manejo do PNMCBio de Sorocaba foi elaborado por uma Equipe Técnica multidisciplinar visando a conservação dos recursos naturais desta importante Unidade de Conservação do Estado de São Paulo. A Lei n o de 18/07/2000 que institui o SNUC Sistema Nacional de Unidades de Conservação, define Unidade de Conservação como o espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação em limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção. Esta mesma Lei define Plano de Manejo de Unidade de Conservação como documento técnico mediante o qual, com fundamento nos objetivos gerais de uma 320

24 Unidade de Conservação, se estabelece o seu zoneamento e as normas que devem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais, inclusive a implantação das estruturas físicas necessárias à gestão da unidade. O SNUC caracteriza o Zoneamento de Unidade de Conservação como definição de setores ou zonas em uma Unidade de Conservação com objetivos de manejo e normas específicos, com o propósito de proporcionar os meios e as condições para que todos os objetivos da unidade possam ser alcançados de forma harmônica e eficaz. Esta mesma Lei define Zona de Amortecimento de uma Unidade de Conservação como o entorno de uma Unidade de Conservação, onde as atividades humanas estão sujeitas a normas e restrições específicas, com o propósito de minimizar os impactos negativos sobre a unidade. Todas as Unidades de Conservação devem possuir uma Zona de Amortecimento, exceto as Reservas Particulares do Patrimônio Natural - RPPN e as Áreas de Proteção Ambiental - APA, conforme estabelece o art. 25 da Lei do SNUC. A Zona de Amortecimento é de grande importância para a conservação dos recursos naturais da Unidade de Conservação, pois sua principal função é a de reduzir as pressões exercidas pelas atividades antrópicas nas áreas limítrofes internas da área protegida. Por este motivo, a constituição da Zona de Amortecimento está diretamente ligada ao Zoneamento Interno da Unidade de Conservação, sendo que as exigências das Sub-Zonas deste entorno, que não faz parte do PNMCBio, devem ser maiores junto das Zonas mais conservadas, tais como as Zonas Intangível e Primitiva, e menores junto das Zonas mais alteradas, tais como as Zonas de Uso Intensivo, de Uso Especial e de Recuperação. 321

25 A Zona de Amortecimento também é conhecida como Zona de Entorno ou Zona Tampão (no sentido de tamponamento dos impactos ambientais negativos das ações antrópicas circundantes). Inicialmente a Zona de Amortecimento foi prevista pelo Decreto /1.990, em seu artigo 27, com a nomenclatura de áreas circundantes, o qual determinava que em um raio de dez quilômetros qualquer atividade que pudesse afetá-la deveria ficar subordinada às normas editadas pelo CONAMA (Art. 27: Nas áreas circundantes das Unidades de Conservação, num raio de dez quilômetros, qualquer atividade que possa afetar a biota ficará subordinada às normas editadas pelo CONAMA ). Certamente as maiores preocupações estavam voltadas para os desmatamentos no entorno da Unidade de Conservação, bem como com indústrias e minerações muito poluidoras ou empreendimentos agrícolas que utilizam agrotóxicos perigosos. Segundo a norma vigente, cabe ao órgão responsável pela administração da unidade estabelecer e regular a ocupação e o uso dos recursos da Zona de Amortecimento. Seus limites podem ser estabelecidos no ato de criação da unidade de conservação ou posteriormente na elaboração do Plano de Manejo. No caso das Unidades de Conservação de proteção integral, o parágrafo único do artigo 28 da Lei do SNUC, prevê um regime provisório até a elaboração do Plano de Manejo. É exatamente a situação atual do PNMCBio de Sorocaba. Desde que atenda as Leis Municipais, o Plano de Manejo que está sendo elaborado é o melhor documento técnico para determinar a Zona de Amortecimento e caracterizar as restrições pertinentes nas Sub-Zonas que forem definidas. De acordo com o Artigo 27 da Lei 9.985/2.000 as Unidades de Conservação devem dispor de um Plano de Manejo: 322

26 1º O Plano de Manejo deve abranger a área da unidade de conservação, sua zona de amortecimento e os corredores ecológicos, incluindo medidas com o fim de promover sua integração à vida econômica e social das comunidades vizinhas. Deve-se deixar claro que a Zona de Amortecimento não faz parte da área da Unidade de Conservação, mas fica sujeita, por força de Lei, a um modo de zoneamento obrigatório, que regula e permite certas atividades econômicas, restringindo outras julgadas pelo órgão responsável pela administração da unidade como prejudiciais à biota. No caso de propriedade privada não cabe indenização, uma vez que o domínio do bem não se vê alterado e continua possível de ser explorada economicamente, apenas sofrendo certas restrições, mas muito menos intensas se comparadas as do interior da Unidade de Conservação. Em semelhança ao que ocorre com as Unidades de Conservação, o subsolo integra seus limites na medida em que influencie na estabilidade do ecossistema. É esclarecedora a legislação a respeito no Estado de São Paulo, através da Resolução SMA-011 de 12 de fevereiro de 2.010, a qual dispõe sobre a prévia anuência dos órgãos gestores de Unidades de Conservação nos processos de licenciamento de empreendimentos ou atividades que possam afetar a própria Unidade de Conservação ou sua Zona de Amortecimento, nos termos do 3, do artigo 36, da Lei Federal n 9.985, de 18 de julho de Art. 1º - Ficam definidos os procedimentos e tipologias de empreendimentos ou atividades que afetam as unidades de conservação ou sua zona de amortecimento, que deverão ser enviados para análise e manifestação do órgão gestor das unidades de conservação. 323

27 Art. 2º - Deverão ser submetidos para análise e expedição de anuência do órgão gestor das unidades de conservação os processos de licenciamento dos seguintes empreendimentos ou atividades: I - aqueles enquadrados nas seguintes tipologias: a) refinarias de petróleo; b) siderúrgicas; c) indústrias em que haja processos de redução de minério; d) indústrias de celulose; e) indústrias de vidro plano; f) usinas de açúcar e álcool; g) indústrias de cimento; h) incineradores industriais; i) indústrias de automóvel; j) indústrias de fertilizantes que processem rocha fosfática; k) complexos químicos ou petroquímicos; l) transbordo, tratamento e disposição final de resíduos sólidos m) estradas. II - quaisquer tipologias que venham a acarretar: a) supressão de vegetação nativa em área superior a 5,0 (cinco) hectares; b) supressão de vegetação nativa em área superior a 1,0 (um) hectare em área com cobertura florestal contígua à unidade de conservação; c) impactos na qualidade e/ou quantidade de água em bacia de drenagem a montante da unidade de conservação. Art. 5º - Para os fins desta Resolução, considera-se zona de amortecimento: I - a área definida no plano de manejo da unidade de conservação, quando houver; 324

28 II - a faixa com 10 (dez) quilômetros, medida de qualquer ponto do limite da unidade de conservação, para os casos onde não haja plano de manejo. Observa-se claramente na lei paulista sobre Zona de Amortecimento, as preocupações já destacadas nesta revisão relativas a indústrias altamente poluidoras e desmatamentos no entorno. Destaca-se que as decisões de licenciamento dos empreendimentos na Zona de Amortecimento é de competência exclusiva do órgão de governo gestor da Unidade de Conservação. Salienta-se que o Plano de Manejo é o documento técnico mais adequado para definir e regulamentar as exigências e restrições relativas à Zona de Amortecimento. As perturbações humanas em série têm sido responsáveis pela destruição de diversos biomas, levando à destruição da paisagem e, com isso, acarretando o desequilíbrio entre as espécies (BEALE; MONAGHAN, 2.004). Um dos mais importantes trabalhos sobre a legislação correlata à Zona- Tampão ou de Amortecimento de Unidades de Conservação no Brasil, foi elaborado pelas especialistas Vitalli, Zaquia & Durigan (2.009), no qual destacam que uma das maneiras de amenizar os riscos potenciais causados pelas atividades humanas que ameaçam a conservação da biodiversidade tem sido a criação das áreas protegidas, estabelecidas em diferentes regiões do mundo para preservar amostras significativas de todos os ecossistemas existentes, assegurando a sobrevivência das espécies e a manutenção dos processos ecológicos. Todavia, a integridade dessas áreas e a sua efetividade em cumprir as funções delas esperadas têm sido colocadas em risco pelas atividades econômicas e pelo uso inadequado dos recursos naturais. A revisão seguinte sobre a Zona Tampão ou de Amortecimento é das autoras citadas. 325

29 Há, atualmente, um consenso global de que Unidades de Conservação não podem ser operadas como ilhas, devendo ser estabelecidas estratégias de manejo em escalas maiores, com a criação de zonas tampão (MORSELLO, 2.001). Tais zonas devem funcionar como filtros, impedindo que atividades antrópicas externas coloquem em risco os ecossistemas naturais dentro das áreas protegidas. Brito (2.003), Dias (2.001), Primack e Rodrigues (2.001) e Soulé (1.991) propõem que o monitoramento da biodiversidade nas áreas protegidas incorpore os principais fatores impactantes decorrentes das intervenções humanas ao redor das áreas protegidas, tais como: perda e fragmentação dos hábitats; introdução de espécies e doenças exóticas; exploração excessiva de espécies de plantas e animais; uso de híbridos e monoculturas na agroindústria e silvicultura; contaminação do solo, água e atmosfera e até mesmo mudanças climáticas globais. Além dos impactos previsíveis em decorrência de alterações no uso do solo, de eventuais indústrias poluentes e de possíveis incêndios, os próprios efeitos das modificações ambientais decorrentes do isolamento são impactos importantes sobre os ecossistemas das áreas protegidas (HAILA, 1.999; ISHIHATA, 1.999). Para alguns autores, a finalidade principal da zona tampão é conter o efeito de borda causado pela fragmentação do ecossistema (ISHIHATA, 1.999; BENSUSAN; 2.001). A regulamentação das atividades nessa zona deveria ser, portanto, uma das práticas conservacionistas a ser incorporada pelas Unidades de Conservação. A despeito da indiscutível importância da zona tampão ao redor das áreas protegidas, sua existência só pode ter eficácia se respaldada em legislação específica, uma vez que tais terras são, comumente, de propriedade de terceiros. Foram instituídos, em diferentes momentos, no Brasil, instrumentos jurídicos que pudessem respaldar as limitações de uso eventualmente impostas às propriedades localizadas nas áreas circundantes das Unidades de Conservação. 326

30 O instrumento jurídico mais consistente, que trata do assunto é o Sistema Nacional de Unidades de Conservação - SNUC, Lei nº /00, onde o termo adotado é Zona de Amortecimento, cujos limites são estabelecidos no Plano de Manejo. Vitalli, Zaquia & Durigan (2.009) demonstram claramente a evolução dos instrumentos jurídicos sobre a Zona de Amortecimento como Zona Tampão no Brasil: O Decreto nº /79, que instituiu o Regulamento dos Parques Nacionais Brasileiros, poderia ter sido o primeiro instrumento jurídico a tratar da Zona Tampão, mas foi omisso quanto ao assunto em sua proposta de zoneamento, que incluiu apenas as terras que compõem a Unidade de Conservação. Este Decreto seguiu a proposta de zoneamento feita pela IUCN em sua 11ª Assembléia Geral, em 1.972, que não previa Zona Tampão (BRITO, 2.003). O conceito de Zona Tampão surgiu no Brasil com o Decreto Federal nº /90, em seu artigo 27, que se refere às áreas circundantes das unidades de conservação..., que deverão sofrer restrições de uso. Este Decreto regulamentou a Lei nº /81 e a Lei nº /81, que dispõem, respectivamente, sobre a Criação de Estações Ecológicas e Áreas de Proteção Ambiental e sobre a Política Nacional do Meio Ambiente. A redação do Decreto Federal supramencionado estabeleceu no Artigo 7º, X Compete ao CONAMA: estabelecer normas gerais relativas às Unidades de Conservação e às atividades que podem ser desenvolvidas em suas áreas circundantes. De acordo com o Artigo 27 Nas áreas circundantes das Unidades de Conservação, num raio de dez quilômetros, qualquer atividade que possa afetar a biota ficará subordinada às normas editadas pelo CONAMA. 327

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