DEFINIÇÃO DE PERÍMETRO E ÁREA DE ZONAS DE AMORTECIMENTO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO: A FUNÇÃO DAS MICROBACIAS HDROGRÁFICAS Trajano Gracia Neto 1

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1 DEFINIÇÃO DE PERÍMETRO E ÁREA DE ZONAS DE AMORTECIMENTO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO: A FUNÇÃO DAS MICROBACIAS HDROGRÁFICAS Trajano Gracia Neto Resumo Este trabalho teve como premissa o delineamento de perímetro e área de zona de amortecimento com o recorte sobre microbacias hidrográficas associadas aos principais rios que são periféricos ou estão localizados no interior da unidade de conservação objeto do estudo. A exclusão de parcelas de microbacias hidrográficas foi devido as condições estabelecidas na legislação pertinente a áreas protegidas adotada no país. Ao delimitar bacias hidrográficas na definição de perímetro e área de zona de amortecimento estas são objeto de normatização pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), homologador final do Plano de Manejo em que constam os preceitos para tal. O estudo de proposta de zona de amortecimento ocorreu sobre uma subbacia hidrográfica, a do rio Imbituva inserido no Alto Tibagi da Bacia Hidrográfica do Rio Tibagi. O desenho final do perímetro e área da zona de amortecimento estudada neste trabalho foi inferior ao que previa anteriormente a regulação ambiental de unidades de conservação de sem plano de manejo para uma faixa de dez quilômetros a partir do limite da unidade de conservação e superior ao que prevê atual em até três quilômetros para quando requerem Estudo de Impacto Ambiental e seu Relatório de Impacto Ambiental. A adoção de microbacias hidrográficas como elemento inicial para a definição de perímetro e área de zona de amortecimento minimiza ou impede a utilização de critérios subjetivos e conflitantes conforme a concepção teórica de quem os utilize. Palavras-chave: Unidade de Conservação da Natureza Floresta Nacional de Irati (Paraná) Bacia Hidrográfica do Rio Tibagi Definition of perimeter and area of buffer zones in conservation area: the role of microbasin. Abstract This work aims the design of perimeter in area of buffer zone and the division over microbasin associated with the main rivers that are peripheral or that are located inside the conservation area. The exclusion of microbasin parts happened due to the conditions established in legislation belonging to protected areas adopted in the country. When limiting miocrobasin in definition of perimeter and area of buffer zone, the same ones are object of normalization by Institute Chico Mendes of Conservation Biodiversity (ICMBio) which is final countersigning officer of the management plan in which are listed for such precepts. The study of proposal of area of buffer zone happened over a sub basin, specifically from Imbituva River, which is inserted in Alto Tibagi from Tibagi River. The concept of microbasin adopted when determining areas of environmental planning was made to define the zones of use in buffer zone. The final design of perimeter and area of buffer zone studied in this work was lower than what was forecasted before the environmental regulation of conservation areas and higher than currently expected up to three kilometers for when is required the Study of Environmental impact and its Environmental impact Report. The adoption of microbasin as initial element to define the perimeter and area of buffer zone minimize or prevent the use of subjective criteria and conflicting according to the theoretical conception of those who used them. Key-words: Conservation Area of Nature National Forest of Irati (Parana) Tibagi River Basin of Hidrografyc INTRODUÇÃO

2 Como contribuição para a definição de perímetro e áreas de zona de amortecimento de unidades de conservação da natureza a adoção de microbacias hidrográficas que fazem parte do interior das mesmas e as que estiverem localizadas no entorno e também nessas adjacências constituem-se no primeiro elemento de delineamento. O conceito de microbacia é o mesmo da Bacia Hidrográfica, acrescido de que o desague se dá também em outro rio, porém, a dimensão superficial da microbacia é menor do que ha, podendo haver microbacia até de 0, 20, 50, 00 ou 500 hectares. A 48 microbacia é composta por ravinas, que são os drenos naturais que surgem a partir da linha divisória de águas e vão até os sulcos definidos no terreno (até a meia encosta, aproximadamente). As ravinas, geralmente, são efêmeras (só possuem água enquanto está chovendo) e é nelas que surgem os processos de erosão. (ROCHA & KURTZ, 200). No que se refere à Zona de Amortecimento, consta no Decreto 4.339/2002, de 22/08/2002 que regulamenta a Lei 6.938, de 3 de agosto de 98 os seguintes aspectos (BRASIL, 2002): - Promover ações de conservação in situ da biodiversidade e dos ecossistemas em áreas não estabelecidas como unidades de conservação, mantendo os processos ecológicos e evolutivos e a oferta sustentável dos serviços ambientais, assim como, desenvolver estudos e metodologias participativas que contribuam para a definição da abrangência e do uso de zonas de amortecimento para as unidades de conservação, e ainda, planejar, promover, implantar e consolidar corredores ecológicos e outras formas de conectividade de paisagens, como forma de planejamento e gerenciamento regional da biodiversidade, incluindo compatibilização e integração das reservas legais, áreas de preservação permanentes e outras áreas protegidas. - deve haver participação dos três níveis de governos e da sociedade civil na promoção e apoio de estudos de melhoria dos sistemas de uso e de ocupação da terra, assegurando a conservação da biodiversidade e sua utilização sustentável, em áreas fora de unidades de conservação de proteção, inclusive em terras indígenas e de outras comunidades locais, com especial atenção às zonas de amortecimento de unidades de conservação. MATERIAIS E MÉTODOS Área de Estudo Conforme Gracia Neto (200), a Floresta Nacional de Irati, Unidade de Conservação de Uso Sustentável, está situada no Sul do Estado do Paraná, República Federativa do Brasil, em sua microrregião Centro-Sul, da qual faz parte a Microrregião Colonial de Irati que abrange os municípios de Fernandes Pinheiro, Imbituva, Irati e Teixeira Soares. A bacia hidrográfica do rio Tibagi, a qual está, geologicamente, inserida faz parte da Bacia Sedimentar do Paraná. e especificamente pertence ao Alto Tibagi da Bacia Hidrográfica do Rio Tibagi. Pinese (200) Está localizada no Segundo Planalto, conhecido como Campos Gerais, o Alto Tibagi está localizado no Segundo Planalto, entre as cotas de 700 e.20 metros, abrangendo as regiões sul e sudeste da bacia hidrográfica, desde as nascentes até Telêmaco Borba, com formação de rochas sedimentares e de quartzito, relevo do tipo ondulado com forte declividade, onde o rio é encaixado. Na área do Alto Tibagi estão localizadas indústrias, atividades agrossilvopastoris e concentração média de cidades. Copati (202) Conforme a classificação de Koppen o clima é Cfb, Clima Subtropical Úmido (Mesotérmico), - Área III: tipo climático Cfb, úmido em todas as estações e com verão moderadamente quente, com atuação conjugada dos sistemas atmosféricos tropicais e polares (massas de ar Tropical Atlântica, Tropical Continental, Equatorial Continental e Polar Atlântica). Mendonça (2002) citado por CARMO, 202. O ecossistema ao qual faz parte é a Floresta Ombrófila Mista, Floresta com Araucária, a qual descrita por CARMO (2006) citando Roderjan (200) apresenta-se distintamente em encostas,pequenas depressões ou acompanham rios como Floresta Ombrófila Mista Montana (FOMM) e quando acompanha rios, arroios como Floresta Ombrófila Mista Aluvial (FOMA) conforme CARMO, 202. Métodos

3 As cartas empregadas no processamento de dados foram as denominadas de Imbituva, Irati e Teixeira Soares, codificadas pelo Serviço Geográfico do Exércitol como MI-2839/4 Irati, MI-2839/2 Imbituva e MI- 2840/3 Teixeira Soares (Índice; Folha SG.22-X-C-II-3), Datum vertical Imbituba SC e Datum Horizontal: SAD 69-Minas Gerais, Projeção Universal Transversal de Mercator, tendo como escala : As referidas cartas foram rasterizadas mantendo uma precisão aceitável em relação aos pontos obtidos por GPS. Os detalhes altimétricos permitiram determinar os pontos em que se localizavam os divisores das microbacias. A Figura 0 apresenta a planialtimetria adotada em que as curvas de nível correspondentes a uma microbacia delinearam essas com o curso d água como afluente do rio das Antas ou rio Imbituva.. Figura 0. Reprodução da carta planialtimétrica MI-2839/2 - Escala : Reproduction of planimetric map. Fonte: Diretoria de Engenharia do Exército 989. Modificado pelo Laboratório de Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto da UNICENTRO - 200

4 Resultados A delimitação da Zona de Amortecimento ocorreu com a identificação das duas Sub-Bacias Hidrográficas do Rio Imbituva e Rio das Antas, linhas estas que representam significativos segmentos do perímetro da.floresta Nacional de Irati (FLONA de Irati) e trata-se de elementos constituintes do corredor ecológico do Alto Tibagi, Bacia Hidrográfica do Rio Tibagi. GRACIA NETO,200. A.Microbacia Hidrográfica (MBH) que atingiu o ponto mais distante em relação ao perímetro da FLONA é a nascente do Arroio Jacu, no extremo sudeste da área projetada no município de Teixeira Soares. Além dessas duas, foi identificada também a microbacia hidrográfica do Rio Perdido, que se associada às do Rio Imbituva e Rio das Antas, a montante, representam uma forma similar a um triângulo, o que corresponde à forma triangular da área da FLONA de Irati. Essa forma quando considerada cheia e em arco, quando se refere à área propriamente dita da unidade de conservação foi resultante de aquisição nas décadas de 40 e 50 do século passado, quando não havia considerações técnicas quanto à forma geométrica das áreas adquiridas. Foram excluídas as parcelas em que as referidas microbacias abrangem quadros urbanos ou suburbanos consolidados ou com potencial em curto ou médio prazo se transformarem nessa condição. As exclusões ocorreram com relação às Sedes Municipais de Fernandes Pinheiro, Irati e Teixeira Soares, pois a legislação pertinente à Zona de Amortecimento impede a urbanização de sua área. A definição do perímetro da Zona de Amortecimento com base em microbacias atingiu uma distância máxima de sete quilômetros a partir do perímetro da FLONA. Tomando essa distância como referência foi feita a interpretação da ocupação da superfície inserindo-se uma faixa paralela, buffer, de mesma largura em todo o entorno da FLONA. A Figura 02 mostra as classes de uso da terra dentro da área de abrangência da faixa paralela de sete quilômetros criada no entorno da FLONA. As microbacias hidrográficas que delinearam a Zona de Amortecimento mantiveram um média inferior de seus extremos a montante de sete quilômetros do perímetro da unidade de conservação, com isso sendo muito superior ao que prevê a Resolução Nº 428/0 e pouco inferior ao que previa a legislação que estabelecia dez quilômetros de faixa paralela. Discussão O estabelecimento da zona de amortecimento proporciona a contenção da urbanização e os riscos múltiplos que pode gerar sobre as microbacias constituintes da mesma. A zona de amortecimento na sua regulação pode permitir a consolidação e o desenvolvimento de usos e atividades, adequados e podendo ser complementares ao contido para o interior da unidade de conservação contribuindo para a manutenção da qualidade das microbacias hidrográficas. A unidade ambiental Bacia Hidrográfica é a unidade de área mais aconselhável para estudos e projetos (ROCHA & KURTZ, 200), permitindo a adoção de um desdobramento para uma área menor e com maior profundidade de análise.

5 Figura 02. Classes de uso da terra em faixa paralela de sete quilômetros no entorno da Floresta Nacional de Irati, PR. Classes of land use in parallel Lane of seven kilometers Classe around the National Foresta of Irati, Paraná. Fonte: Laboratório de Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto UNICENTRO, 200. Imagem SPOT 2006 cedida pelo Paraná Cidade.

6 B D E F Figura 03 Composição das Zonas de Uso da Zona de Amortecimento da Floresta Nacional de Irati (PR) e faixa paralela de sete quilômetros. Compositions of zones of use from buffer zone of the National Forest of Irati Paraná and parallel lane of seven kilometers. Fonte: Laboratório de Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto da UNICETRO Ir

7 Resultados As microbacias hidrográficas que delinearam a Zona de Amortecimento mantiveram um média inferior de seus extremos a montante de sete quilômetros do perímetro da unidade de conservação, com isso sendo muito superior ao que prevê a Resolução Nº 428/0 e pouco inferior ao que previa a legislação que estabelecia dez quilômetros de faixa paralela. O mosaico de microbacias hidrográficas que demandam aos dois principais cursos de água delimitaram uma zona de amortecimento com uma figura aproximadamente similar a faixa fixa de sete quilômetros do perímetro da Floresta Nacional de Irati. As restrições de não inclusão na Zona de Amortecimento de áreas urbanas, como a de Fernandes Pinheiro, Irati e Teixeira Soares que possuem microbacias que demandam aos rios das Antas e Imbituva apresentou uma leve descaracterização da figura da Zona de Amortecimento. A figura formada pela área interna da Floresta Nacional e pela zona de amortecimento apresenta um equilíbrio visual não resultando em faixa desproporcional com recortes irregulares. As microbacias hidrográficas por serem um elemento determinado pela ordem natural da superfície terrestre na definição de perímetro e área de zona de amortecimento desconsideram uma série de elementos antrópicos, como estradas, linhas de transmissão de energia elétrica e qualquer outro com isso sendo base de estudos para a normatização, restrição e eliminação de atividades que estejam ocorrendo ou que se queira introduzir. Conclusões As microbacias hidrográficas constituem-se na forma pela qual a subjetividade não interfere na definição de perímetro e correspondente área no estabelecimento de zonas de amortecimento em unidade de conservação, com isso eliminando ou minimizando divergências de conceitos técnicos e interpretações de conflitos socioambientais ou ainda consolidando um dos fundamentos ao que se propõe com essas e a integralidade de microssistemas as quais representam. A Resolução 428 gera uma situação de risco para quando da definição de zona de amortecimento ao considerar duas pequenas distâncias do perímetro das unidades de conservação em função de que microbacias hidrográficas não se limitam as mesmas. A delimitação do perímetro da Zona de Amortecimento por meio de microbacias hidrográficas é um procedimento não influenciado por fatores aleatórios. Estradas rurais e intermunicipais ocupantes de divisores de sub-bacias hidrográficas com uma pertencente a zona de amortecimento e outra não, possibilita o seu enquadramento como parte do perímetro da mesma; Sedes urbanas de municípios são elementos impeditivos de uma zona de amortecimento com área maior que a potencial permite, e além disso, continuarão sendo importantes fontes de pressão antrópica direta sobre a unidade de conservação; Agradecimentos Agradeço aos docentes integrantes do Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais da Universidade do Centro-Oeste, Campus de Irati, Paraná, o qual proporcionou a fundamentação de trabalhos decorrentes da dissertação defendida em 200 e ao ICMBio pela possibilidade de apresentar o presente produto em eventos como este.

8 Bibliografia BRASIL. Lei nº 9985/2000 de 8 de julho de Disponível em: Acesso em: 25 jul 200. BRASIL. Decreto 4.339/2002, de 22 de agosto de Disponível em:http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/d4339.htm. Acesso em: 25 out CARMO, Marta Regina Barotto et al. A vegetação lorestal nos Campos Gerais. Dhttp://www.pt.scribd.com/doc/ /CAPITULO09-VegetacaoFlorestalCampos.htm Acesso em 26 mar. 202 CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE CONAMA. Resolução CONAMA nº 03/90. Brasília, 990. CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE CONAMA. Resolução CONAMA nº 428/0. Brasília, 200. GRACIA NETO, T. Critérios para definição de perímetro e atividades para a Zona de Amortecimento da FLONA de Irati,PR p. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais) Universidade do Centro- Oeste, Irati, PR. p.35 PINESE, J. P.P.; ARAÚJO, P. R.de. Planejamento ambiental em microbacias hidrográficas. Aplicação de uma matriz de impacto ambiental na microbacia hidrográfica do Ribeirão Lindóia, Zona Norte de Londrina-PR. Programa de Mestrado: Geografia, Meio Ambiente e Desenvolvimento da UEL. Londrina, 2004 p p ROCHA, J. S. M.; KURTZ, S. M. J. M. Manual de Manejo Integrado de Microbacias Hidrográficas. 4 ed. Santa Maria: UFSM/CCR, p.

1.1. Fonte: Elaborado por STCP Engenharia de Projetos Ltda., 2011.

1.1. Fonte: Elaborado por STCP Engenharia de Projetos Ltda., 2011. 1 - APRESENTAÇÃO A Área de Proteção Ambiental (APA) Serra Dona Francisca, localizada no município de Joinville/SC, com área mapeada de 40.177,71 ha, foi criada através do Decreto n 8.055 de 15 de março

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