MARKETING NA ÁREA DE SEGUROS

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1 1 PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU PROJETO VEZ DO MESTRE MARKETING MARKETING NA ÁREA DE SEGUROS Autor: Bruno Martins Guimarães Orientadora: Fabiane Muniz Data de entrega: 27/07/2005

2 2 UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU PROJETO VEZ DO MESTRE MARKETING NA ÁREA DE SEGUROS OBJETIVO: Relatar a concorrência e tendências do mercado de seguros, que só sobreviverá somente as grandes seguradoras que procurar trabalhar com uma boa análise de riscos dentro de um contexto de marketing, formando uma ótima carteira de clientes e fidelizando todos com um ambiente claro, transparente onde o segurado se refere como exemplo. Deixando claro que o objetivo do marketing é Oferecer o produto/serviço certo, Para as pessoas certas, no lugar certo, na hora certa, com o preço certo, usando a comunicação e a promoção adequadas.

3 AGRADECIMENTOS 3 A todos os alunos da turma e ao corpo docente do Projeto a vez do mestre. Sem esquecer de Deus que meu deu o Dom da Vida, discernimento e paciência para vencer todos os desafios.

4 DEDICATÓRIA 4 Dedico esta monografia a todas as pessoas que de certa forma colaboraram para o meu crescimento intelectual, que no princípio souberam me entusiasmar, e hoje procuram me acalmar devido a falta de tempo e ao cansaço do dia a dia agitado, principalmente aos meus pais e meu irmão (Sandra, Joel e Alex), por sempre escutar todos os meus desabafos, à minha namorada Aline por estar sempre aturando eu falar do mesmo assunto referente ao famoso e belo estudo.

5 RESUMO 5 A cultura do seguro não foi aplicada de forma adequada no decorrer destas últimas décadas, portanto, para um melhor empenho neste ramo é necessário que a população fique bem informadas em todos os aspectos. Portanto, a evolução histórica do produto do Seguro, fundamentos de seguros e alguns conceitos é importante para visualizar a dimensão do Macroambiente do seguros no Brasil, e em seguidas despertar a importância do Marketing no dia a dia no mercado de seguros. O Marketing de seguros no Brasil não é tão desenvolvido em relação ao número de seguradoras existente, logo, este contexto deve ser melhorado, pois, a concorrência acirrada desta área é necessário profissionais bem preparados para o alcançar um lugar de representatividade à concorrência. O Seguro no Brasil é um produto consumido em percentuais ainda insatisfatórios, logo para reverter este quadro, é necessário uma boa análise do mercado segurador em relação com os consumidores, para desenvolver produtos/serviços certos dentro de um atendimento rápido e eficaz.

6 METODOLOGIA 6 Fonte de orientação e pesquisas para clientes leigos na área marketing de seguros com dados surpreendentes sobre o mercado de seguros, seus consumidores e o que as empresas estão fazendo na área de marketing, para criação de novos produtos. Além disto, apresenta o histórico e uma conceituação básica sobre o produto de seguros, dirigido aos leitores interessados na parte técnicas do objeto de comercialização.

7 SUMÁRIO 7 INTRODUÇÃO 08 CAPITULO I 11 PRODUTO SEGURO 11 CAPITULO II 29 O MACROAMBIENTE DO SEGURO NO BRASIL 29 CAPITULO III 43 MARKETING DE SEGUROS 43 CAPITULO IV 61 COMPORTAMENTO DE MARKETING NO MERCADO DE SEGUROS 61 CONCLUSÃO 76 BIBLIOGRAFIA 77 ÍNDICE 79

8 8 INTRODUÇÃO O cenário para a industria de seguros no Brasil se apresenta o mais promissor das últimas décadas, mais para adaptar-se ao marketing, muitos desafios ainda estão por ser vencidos, quais as tendências de diversos setores da área de seguros relacionado ao Segurado? Discriminar serviços de Seguradoras em comum, aplicando técnicas para a maior divulgação da excelência em atendimento. Seguros: É a operação pela qual o segurado mediante o pagamento de um prêmio e observância de cláusulas de um contrato, obriga o segurador (seguradora) a responder perante ele, ou perante quem tenha designado, por prejuízos ocorridos no objeto do seguro, desde que a ocorrência de tais riscos tenha sido fortuita ou independente de sua vontade. É o meio coletivo, mutualista, de presumir os indivíduos contra as conseqüências financeiras possíveis dos riscos aos quais são submetidos as pessoas da coletividade, bem como seus bens ou eventos de riscos resultantes das responsabilidade que as mesmas pessoas associadas possam incorrer frente à frente com terceiros em suas pessoas ou em seus bens. Atuário norte americano. A finalidade do seguros é restabelecer o equilíbrio econômico perturbado pelo evento previsto no contrato de seguros. Marketing : Segundo Kotler (2000, p. 30): Marketing é um processo social por meio de quais pessoas e grupos obtêm aquilo de que necessitam e que desejam com a criação, oferta e livre negociação de produtos e serviços de valos com outros. Características do Marketing de Serviços e suas aplicações em seguros ( Intangibilidade; Inseparabilidade; Heterogeneidade na sua prestação; Garantia intangível; Não aceita troca; Avaliação subjetiva; Difícil comparação de preços; o atendimento é a própria empresa; a marca é essencial; a compra é mais emocional do que racional.

9 9 Assim como os resultados administrativo e financeiro das Seguradoras representam a materialização das técnicas de administração e finanças, o faturamento é o resultado da aplicação das técnicas de Marketing. No universo pouco superior a uma centena de Seguradoras, poucas são aquelas que mantêm assessorias ou departamentos especializados em Marketing. A maioria das Seguradoras têm atribuída a responsabilidade do Marketing aos departamentos comerciais, que têm as funções principais de assistência e controle da produção. O Marketing desenvolve-se de forma precária no processo comercial da maioria das Seguradoras, o que pode explicar muitos fracassos na comercialização de Seguros. Ao longo dos anos, a produção de prêmios do mercado segurador brasileiro não apresentou evolução significativa, salvos os efeitos do Plano Real que tiveram pouca influência da prática de Marketing. A ação do Marketing praticado pelas Seguradoras no Brasil é de guerra, pois a disputa é caracterizada pela troca de produção entre os concorrentes. Atualmente, o Brasil representa um dos maiores potenciais de Seguros do mundo, o que aguça os interesses dos investidores internos e externos. Assim, o risco da descontinuidade para as Seguradoras tende a ser maior, pois novos concorrentes surgem no mercado para disputar uma produção global com crescimento pouco expressivo. Enquanto os investidores planejam seu ingresso no mercado, as Seguradoras instaladas deveriam exercitar o Marketing para expandir o consumo de Seguros. Porém, ao que parece, as Seguradoras ignoram o potencial magnífico de mercado, preferindo concorrer aos consumidores mais fáceis de se conquistar: aqueles que já estão habituados ao Seguro. Apesar disso, algumas Seguradoras têm conseguido manter a Clientela e disputar os Segurados da concorrência, e essa capacidade se deve por conquistarem a preferência dos Segurados pela qualidade dos serviços oferecidos.

10 10 Para que o "bolo" satisfaça às Seguradoras atuais e às futuras é primordial que o potencial não explorado de consumidores seja estimulado ao consumo do Seguro. Não há outra ferramenta mais própria do que o Marketing para operar esse objetivo, que certamente é o maior deles para o crescimento do Setor. Como tratamos de um objetivo comum, o Marketing deveria ser praticado em conjunto pelos integrantes do Sistema Nacional de Seguros Privados. Seguradoras que analisa o consumidor como instrumento para cada vez mais descobrir suas necessidades para focar seus produtos e serviços procurando um diferencial neste ramo. Logo a procura de seguradoras com bons serviços dentro de um conceito de mercado, facilitando a relação de bolso e consumo, dentro de um atendimento rápido e eficaz.

11 11 CAPITULO I O PRODUTO SEGURO Antes de analisarmos o marketing de seguros, torna se fundamental um entendimento do produto, o que irá estabelecer as bases para qualquer ação mercadológica. De forma sucinta, vamos procurar definir a essência da matéria.

12 1.1 Evolução histórica 12 Desde os primórdios da civilização, o homem esteve preocupado com a conservação de seu patrimônio ou prevenção contra situações desagradáveis face as incertezas do futuro, Reportando-nos ao passado, podemos observar pela documentação existente que povos como hebreus e fenícios já se reuniam a fim de contribuir nas despesas que os mercadores pudessem ter quando atravessavam as planícies da Palestina, Arábia e Egito, ou mesmo os mares do Mediterrâneo e Egeu. Caso a mercadoria sofresse avarias ou desaparecesse, o mercador era reembolsado em suas despesas com os recursos angariados pelo grupo. Na Grécia Clássica, no século IV a.c., eram conhecidos entre os mercadores os bottomry bonds, que consistiam em adiantamentos em dinheiro ao proprietário do navio durante a viagem. Uma taxa adicional preestabelecida seria paga caso nada acontecesse ao navio e, em caso de danos, o tomador estaria livre da obrigação de pagamento do empréstimo. Na Roma Antiga já era praticado o seguro de vida anual ou com propósitos legais e, segundo informações, o seguro baseava-se em estimativas e não em estatísticas. Importantes instituições de instituições previam auxílio financeiro ao associado em despesas relacionadas a funerais e auxílio pós-morte. Citamos entre outros as Hetairas (Grécia Antiga); as Eranites (helênicas); as Sodalites (romanas) e as Ghildes (gregas). Muitos dos guilds ingleses foram organizações encorajadas pela Igreja em vista de seus objetivos religiosos e atividades beneficentes. Os guilds mais proeminentes ajudavam os membros mais pobres pagando prejuízos por incêndio, roubo, doença, funerais e ainda amparavam viúvas e órfãos. Seguros de doenças (sickness insurance) apareceram no século XVIII através das

13 Sociedades de Amizade (Friendly Societies). 13 Como podemos observar, há muito tempo os grupos sociais buscaram formas de prevenção contra ocorrências aleatórias que viessem a prejudicar os seus membros. O início do seguro comercial não é de consenso entre os pesquisadores e escritores, entretanto pode-se afirmar que tenha começado com o seguro marítimo, provavelmente entre os florentinos e outros mercadores italianos, no final do século XIII. O comércio marítimo foi o que alcançou maior desenvolvimento, beneficiando as cidades portuárias com coberturas securitárias. Portugal está entre os primeiros países a legislar sobre o seguro. Segundo consta, no reinado de D. Fernando ( ), houve a instituição da primeira companhia de seguros contra riscos marítimos. Segundo SOARES, Antônio Carlos Otoni.1975, A Casa de Seguros de Lisboa foi instituída pelo alvará de 11 de agosto de Uma das suas finalidades era o registro de contratos marítimos. Esta empresa foi de grande importância para o seguro no Brasil, pois as primeiras atividades seguradoras eram controladas pela Casa de Seguros de Lisboa. Portanto, segundo TORRES, Arnaldo Pinheiro.1975 os seguros marítimos foram, assim, os primeiros a serem objeto de uma regulamentação, e, rapidamente, num ritmo igual ao das descobertas e do aparecimento de novos mercados, alcançaram um invulgar desenvolvimento, antes mesmo que os outros ramos de seguros fossem conhecidos. Em 1951, proprietários de cem fábricas de cerveja reuniram-se para formar uma empresa com a finalidade de protegê-las, contra riscos de incêndio. A empresa foi denominada Contrato de Fogo e operava em Hamburgo, na Alemanha. A Caixa de Incêndio da Cidade de Hamburgo constituiu-se em 1676, quando 46 entidades se filiaram, criando o que pode ser considerado a primeira empresa de seguros de incêndio da Europa. Na Inglaterra, o seguro contra incêndio servia de complemento às atividades dos

14 14 banqueiros da Lombard Street. A primeira empresa criada foi a Fire Office, aproximadamente em 1680, que mais tarde foi denominada de Phenix. Em 1683 fundou-se a Friendly Society, como concorrente da Fire Office. Em 1696 apareceu a Amicable Contributors For Insuring From Loss By Fire, também com esquema de mutualidade com garantia dos próprios meios. Um fato que merece destaque na história dos seguros é a origem do Lloyd's of London. Na Inglaterra houve uma época em que os cafés faziam grande sucesso. O hábito originou-se entre 1650/60, exatamente na época dos puritans (moralidade), quando o povo inglês se viu de repente em nova situação, sendo cortados muitos dos prazeres que costumavam ter em suas horas de lazer, em épocas anteriores. Com isto, os cafés começaram a ser um meio em que os cidadãos se encontravam com amigos em ambiente familiar, quebrando assim a monótona rotina do dia. Edward Lloyd tinha seu café na Tower Street, em Londres. Neste café reuniam-se mercadores, armadores e seguradores, sendo um dos mais importantes locais de negócios na época. Um anúncio na London Gazette, em fevereiro de 1688/89, onde um cidadão informava o roubo de seus pertences e relógio, citava como local para contato e conseqüente recompensa o seu endereço residencial ou a "Lloyd's Coffee House na Tower Street" ( GIBB, D.E.W.loyd s of london. 1957). Em 1691, o café mudou se para a Lombard Street e tornou-se local de encontro habitual entre seguradores e corretores. O proprietário lançou um jornal, o Lloyd's News, que não foi bem sucedido, tendo sido posteriormente desativado, mas que serviu para propagar mais ainda seu nome nos meios comerciais. A casa tornou-se ponto de referência do mundo dos negócios, informações marítimas eram trocadas neste local, que, como os meios de comunicação não eram tão desenvolvidos, acabou funcionando como verdadeira fonte de informação. Um escritor da época, Ned War, mencionou em um de seus trabalhos, The wealthy shopkeeper, ao descrever um dia normal na vida de um ativo mercador: "foi ao Lloyd's

15 Coffee House para negócios foi a diferente café para recreação.(ibidem). 15 Em 1870 era mantido um registro de navegação pela Society of Underwriters at Lloyd's Coffee House (Sociedade dos Seguradores do Café do Lloyd), que formou o núcleo do Lloyd's. Como este local não era suficiente para o uso exclusivo de seguradores e corretores, um novo estabelecimento foi inaugurado no Pope's Head Alley. Em contínua expansão, em 1928 a Lloyds mudou se para seu edifício próprio, na Lead Enhall Street, em Londres, Hoje em dia, o Lloyd's é um importante centro de comercialização de seguros. No Brasil, o seguro foi impulsionado com a abertura dos portos brasileiros ao comércio com as nações amigas de Portugal, em A primeira sociedade brasileira a operar foi a Companhia de Seguros Boa Fé, com sede na Bahia, criada pela lei de 24 de fevereiro de Entretanto, na quinta cláusula dos estatutos mencionava: "as regulações da Casa de Seguros de Lisboa, aprovadas por sua Alteza Real, serão as bases de conduta desta sociedade. (SOARES, Antônio Carlos Otoni.1975). No fim do século XVII e princípio do século XVIII, esta companhia era explorada por agentes de casas portuguesas com base nos alvarás publicados pela Corte do Reino Unido de Portugal. Em 29 de abril de 1828, foi autorizada por D. Pedro I a fundação da Sociedade de Seguros Mútuos Brasileiros destinada ao seguro marítimo, estabelecendo franquias e riscos a partir da assinatura das apólices. O seguro no Brasil alcançou uma padronização e sistematização somente com o Código Comercial de 25 de junho de 1850, onde o seguro marítimo foi pela primeira vez estruturado e regulamentado. Finalmente, o seguro brasileiro desenvolveu-se na ultima década do século XIX, com o início da industrialização; com isto, varias empresas estrangeiras estabeleceram-se no

16 16 Brasil e, como conseqüência, forneceram know how e técnicas resultantes de suas experiências de vários anos. 1.2 Fundamentos do seguro A partir desta rápida visão histórica podemos inferir que a noção de previdência surgiu da necessidade de uma proteção contra eventos aleatórios que pudessem destruir o patrimônio a os bens, preocupação natural do ser humano. O fato gerador de todas as iniciativas previdenciárias mencionadas foi o risco aleatório. O risco, portanto, é a base do seguro. Torna-se se importante mencionar que existem alguns riscos impossíveis de serem objeto de seguro. É o chamado risco especulativos. Neste caso, existe a possibilidade de ganho é perda. O risco é praticamente criado por alguém. É o caso de um indivíduo que funda uma empresa e com isto corre o risco de ganhar um bom retorno sobre o capital aplicado ou de perder tudo. Caso não for bem sucedido, poderá até ocorrer um endividamento, além da perda deste capital. O empresário neste caso deseja correr estes riscos, caso contrário não se envolveria no empreendimento. Podemos citar também o exemplo de um jogador que procura o jogo com a finalidade de entreter-se ou então de ganhar ou perder uma importância destinada para estes fins. Risco segurável é aquele chamado de risco puro, ou seja, existe a possibilidade de que ele ocorra ou não. Não existe possibilidade de ganho neste caso. Na melhor das hipóteses, nada ocorrerá ao bem em consideração. Desta forma, quando alguém compra um imóvel, poderá ter este imóvel inalterado durante o período de sua propriedade ou completamente destruído por um incêndio, assumindo a pior das hipóteses, ou até mesmo, como na maioria dos casos de incêndio, tê-lo parcialmente destruído. Analogamente, a compra de um automóvel trará ao seu comprador a mesma

17 17 possibilidade de um acidente que o danifique ou, na melhor das hipóteses, nada acontecerá ao veículo. Segundo BICKELHAUPT, David. 1979, foi devido a este tipo de risco que surgiu o sentido previdenciário de precaução contra um futuro incerto. Risco, portanto, é a incerteza ou impossibilidade de previsão, podendo variar do inevitável (morte, ferimento, manifestações da natureza) àqueles assumidos por escolha própria (empresas, investimentos, compra de imóveis). Os riscos sempre mereceram especial atenção, devido a uma série de fatores influênciadores. Além do desejo de segurança, natural do ser humano, os prejuízos causados por um risco puro sempre constituíram fator de preocupação. O sacrifício de muitos para obter um patrimônio pode ser totalmente em vão, e em muitos casos é quase impossível haver restituição com recursos próprios. Se o risco for certo, o procedimento adequado seria precaver-se e procurar eliminá-lo. Se o risco for aleatório, é difícil fazer uma previsão dos danos prováveis, e qualquer erro pode levar uma empresa ou indivíduo a falência. O erro no cálculo de um dado máximo provável foi outro fator que impulsionou uma maior preocupação com os riscos. Se o risco fosse nulo, não existiria preocupação nenhuma. Tudo isto contribuiu para o aparecimento de uma nova ciência, que gradativamente se vem desenvolvendo: a administração dos riscos (risk management). Atualmente as empresas contam com sofisticados departamentos especializados na área. Existem dois métodos básicos para tratamento dos riscos: Controle de riscos Neste caso, pode-se:

18 18 a) Evitar os riscos - Um empresário pode cancelar seus planos de abrir uma fábrica em determinado local devido à grande probabilidade de riscos de alagamento, por exemplo. b) Separar os riscos - Um empresário pode pensar em construir dois prédios separados no mesmo local, pois desta forma dividiria a chance de ter o processo de fabricação totalmente interrompido em caso de incêndio. c) Prevenir os riscos - Um empresário pode tomar providências quanto à colocação de sofisticados aparelhos de combate ao fogo e pára-raios, treinando uma brigada de incêndio para evitar qualquer propagação deste ou a queda de raios Financiamento do risco a) Retenção do risco : Neste caso, o empresário assume completamente os riscos; para isto, utiliza o método de absorção, lançando nas suas despesas operacionais os prejuízos resultantes da ocorrência de qualquer acidente. Há também outras alternativas: ele pode também constituir uma reserva com recursos próprios para tais ocorrências ou fazer a contratação do seguro deixando grande margem para franquia, assumindo o valor correspondente por um dos outros métodos citados. Um auto-seguro, em que a empresa exerce o papel de seguradora, também é uma boa alternativa, tomando como base uma experiência passada e os dados estatísticos. b) Transferência do risco : Neste caso, a empresa utiliza formas como negociação com bancos para financiamento dos prejuízos decorrentes de algum evento, ou transferência da responsabilidade para outros, em caso de arrendamentos, construções etc. Em alguns casos de contratos de aluguéis, o proprietário transfere para o inquilino a responsabilidade por qualquer

19 ocorrência que venha a danificar a propriedade, inclusive incêndio, vendaval etc. 19 A forma mais importante de transferência de riscos é o seguro. Seguro é uma forma de transferência de riscos em que o segurado paga uma certa importância (prêmio) e transfere para o segurador a responsabilidade de assumir os prejuízos causados por um evento, caso ele ocorra, até o valor combinado. Demonstração 1.1. Classificação do risco. RISCOS ECONÔMICO OUTRO PURO ESPECULATIVO NÃO- SEGURAVEL SEGURÁVEL HEDGING EMPRESA SUB- CONTRATAÇÃO JOGO PESSOAL PROPRIEDADE RESPONSABILIDADE CIVIL VIDA SAÚDE DANOS MATERIAIS DANOS PESSOAIS DIREITO INDIRETO Adaptado de BICKELHAUPT, David L., General insurance.

20 20 Na Demonstração 1.1 vemos a classificação dos riscos e exatamente onde surge a necessidade segurado, Interessa-nos somente no tratamento dos riscos puros, por razão já exposta anteriormente. Como vimos, os riscos podem ou não ser seguráveis. Segundo Mendes. João José de Souza, 1977, para que um risco seja segurável, existem alguns fatores a considerar, tais como: a) ser possível - Somente será segurado aquele risco que apresentar a possibilidade de ocorrer, o que parece óbvio, caso contrário não seria passível de seguro. b) ser futuro - Para ser segurável, a ocorrência do risco deverá ser somente após a contratação do seguro. Seguro de algum evento já ocorrido não é possível. c) ser incerto - O seguro deverá sempre se relacionar com eventos aleatórios. Se o evento é certo ou inexistente, não será passível de seguro. d) ser independente das partes contratantes - Quem contrata o seguro não pode influenciar na ocorrência do evento, pois isto envolve risco moral. O risco deve ter uma natureza acidental. e) ser causador de prejuízo de ordem econômica O prejuízo neste caso deve ser tal que poderia realmente colocar a empresa em certo desequilíbrio. Pequenos danos podem ser auto-seguráveis. Entretanto, neste caso, seriam excluídos os riscos catastróficos. f) ser quantitativamente mensurável - Para um risco ser segurado deve existir um critério básico para cálculos. O dano deve ser previsto em bases atuariais. g) custos não devem ser proibitivos - Neste caso, o risco pode não ser segurável por opção do segurado. Estando o risco enquadrado nestes itens, ele poderá ser segurado em uma das, modalidades que serão mais adiante examinadas.

21 21 Seguro e uma ciência que lida basicamente com grupos. Seus elementos principais são: probabilidade, princípio dos grandes números e dados estatísticos adequados Probabilidade Os prêmios dos seguros são normalmente cobrados na forma de taxas, representando o custo por uma quantidade de capital segurado. Desta forma, os prêmios correspondentes ao seguro de vida são expressos por mil unidades de capital segurado e, por outro lado, no seguro contra incêndio o prêmio é expresso por cem unidades de Capital segurado. A base dos cálculos é o princípio da probabilidade aplicado à experiência adquirida. A probabilidade mede a chance de ocorrências de um evento particular. O seguro é, portanto, baseado na estatística, sendo porém de grande valor o julgamento do segurador, haja vista que muitas vezes as condições presentes de um determinado risco poderão não coincidir com as informações coletadas nas experiências passadas Princípio dos grandes números Conforme RIEGEL. R,1976, quanto maior a experiência de ocorrências de acidentes em um determinado grupo, maior é a confiança nos dados estatísticos. Portanto, experiências coletadas em poucos grupos ou estatisticamente insuficientes não darão aos segurados uma margem adequada para a realização de seus negócios. De acordo com a lei dós grandes números, os resultados reais tendem a igualar os resultados esperados (prováveis), na medida em que o número de eventos independentes aumenta Dados estatísticos adequados Uma vez que os prêmios são calculados em bases estatísticas, para cada modalidade de

22 22 seguro será necessária uma adequada compilação destes dados. Desta forma, quanto mais detalhada ela for, melhores condições terá o mercado segurador de colocar seu produto a custos compatíveis. Utilizando estes princípios, o mercado estipula os prêmios para os diversos riscos a serem segurados. As empresas, entretanto, não estão no mercado somente para pagamento de indenizações. Como empresas, necessitam sobreviver e, para tal, outros fatores entram na composição dos custos. No chamado prêmio comercial são considerados: o custo dos prejuízos os custos operacionais e despesas, e o custo do capital ou lucros. Podemos expressar a equação de seguro da seguinte forma: Receitas = Saídas 1 - Juros em investimentos 1 - Lucros e outras receitas 2 - Despesas 2 - Prêmios 3 Indenizações Para que uma empresa seguradora mantenha-se em operação, a condição exposta pela fórmula acima deverá ocorrer. Convém, portanto, fazermos a seguinte distinção: Prêmio estatístico é a relação entre a somatória dos prejuízos sofridos por alguns segurados e a totalidade dos que participam do seguro. Prêmio puro é o prêmio estatístico acrescido de um percentual de segurança para cobrir prováveis flutuações do prêmio estatístico. Prêmio comercial ou prêmio tarifário é o prêmio puro acrescido de um percentual para despesas administrativas do capital, comissões etc. Este é o prêmio que os segurados pagam às seguradoras na contratação dos seguros.

23 23 O seguro como instrumento de proteção apresenta uma série de vantagens para seu consumidor e a sociedade como um todo. Entre estes benefícios podemos citar: a) Oferece segurança para os empresários em novas aquisições, ampliações de fábricas ou novos investimentos que envolvam bens; b) Poderá servir como base para crédito, pois muitas financeiras, bancos ou agentes financiam bens com a exigência de que sejam devidamente segurados; c) Reduz prejuízos, pois indeniza o segurado repondo o valor do bem sinistrado, que representaria uma despesa para o segurado; d) Beneficia a comunidade com provisão para o futuro, melhorando a alocação de recursos e o fundo para investimentos a longo prazo e reduzindo os prejuízos; e) Aumenta a produtividade de funcionários por proporcionar maior tranqüilidade quanto à expectativa de riscos; f) Estimula a prevenção de riscos, uma vez que quanto maior for a proteção desenvolvida pelo segurado, menores serão as taxas a pagar; g) Proporciona vantagem da especialização por parte das companhias seguradoras e corretoras que, dedicando-se ao ramo, poderão oferecer aos segurados e à comunidade avisos e orientações adequadas à necessidade de cada um; h) Proporciona vantagens específicas em cada uma de suas modalidades;

24 1.3 Aspectos legais das operações de seguro 24 Como vimos, mediante o pagamento do prêmio comercial, uma empresa seguradora assume a obrigação de ressarcir ao segurado o prejuízo de um evento incerto, como no caso de seguros contra incêndio, lucros cessantes, fidelidade etc., ou mesmo daqueles em que a data de ocorrência não é conhecida, como no caso do seguro de vida, apesar de ser um evento certo. Esta transação é feita tendo como base a apólice de seguro. Portanto, a apólice é um contrato que estipula as diversas condições da obrigação, especificando os riscos cobertos e os excluídos. A apólice, em outras palavras, é a materialização, a mudança do intangível. O seguro tem certas características que o diferem dos, demais produtos e por isto mesmo não podemos classificá-lo como um produto tangível, porque ele não termina com a assinatura do contrato. Muito pelo contrário, quando a apólice começa a viger, um pacote de serviços torna-se necessário, sendo prestado pelos membros do canal, mais precisamente a seguradora ou corretora. Sendo o seguro um contrato, evidentemente os princípios legais do direito contratual serão aplicados em todos os casos de sua contratação, Um contrato, para ser válido, deve apresentar as seguintes condições: a) Oferta e aceitação - a oferta e feita pelo segurado, que procura a seguradora para segurar determinado risco. A seguradora aceitará ou não, com base nos princípios de underwriting, que nada mais é do que a seleção de riscos, visando lucratividade a longo prazo. A oferta é feita por intermédio de uma proposta de seguros e, na aceitação, a seguradora emite a apólice. b) Propósito legal - o seguro deverá ter como base um propósito legal, ou seja, o objeto a ser segurado deverá ser válido. Exemplo de propósito ilegal seria um ladrão fazer seguro

25 de uma propriedade roubada. 25 c) Capacidade - para assinar um contrato, o segurado deverá ter condições para isto, caso contrário não será possível a realização do seguro. São absolutamente incapazes pessoas com menos de 16 anos, loucos, surdos-mudos que não puderem expressar suas vontades e os ausentes. São relativamente incapazes as pessoas entre 16 e 21 anos de idade, os pródigos e os selvícolas. d) Consideração - consideração é a troca de responsabilidades entre as partes: o direito ou alguma coisa de valor sendo cedida e a promessa de pagamento de certos danos ou de providenciar certos serviços para o segurado. O contrato do seguro é aleatório, oneroso, formal e bilateral: Aleatório: Depende de riscos futuros. Oneroso: Implica gastos para ambos; segurado e segurador. No Código Civil Brasileiro, art. 1432, é mencionado o aspecto oneroso do contrato de seguro, onde " considera-se contrato de seguro aquele pelo qual uma das partes se obriga com a outra mediante a paga de prêmio a indenizá-la dos prejuízos resultantes dos riscos futuros previstos no contrato." Formal: exige procedimentos legais, conforme consta na Lei de Seguros, Decreto-lei nº 73, de , artigo 9º : "seguros serão contratados mediante proposta assinada pelo segurado, por seu representante legal ou pelo corretor de seguros habilitado, com emissão das respectivas apólices." A lei exige para a formação do contrato a emissão da apólice, o que o torna formal. Bilateral. conforme o artigo 13 da Lei dos Seguros: "as apólices não poderão conter cláusula que permita a rescisão unilateral dos contratos de seguro ou por qualquer modo subtraia sua eficácia ou validade além das situações previstas em lei". O contrato,

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