PÓS MODERNISMO COMO CULTURA EM MOVIMENTO E A BUSCA DE PERMANÊNCIA IDEOLÓGICA POR PARTE DAS INSTITUIÇÕES CONSTITUIDAS

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1 PÓS MODERNISMO COMO CULTURA EM MOVIMENTO E A BUSCA DE PERMANÊNCIA IDEOLÓGICA POR PARTE DAS INSTITUIÇÕES CONSTITUIDAS Resumo MENSLIN, Douglas Jeferson 1 - PUCPR CORRÊA, Rosa Lydia Teixeira 2 - PUCPR Grupo de Trabalho Cultura, Currículo e Saberes Agência Financiadora: não contou com financiamento Se é complexo o estudo e entendimento do que é cultura, essa complexidade se potencializa ao ser analisada diante das mudanças sociais ocorridas na sociedade contemporânea. É possível observar alterações no conceito de visão de mundo, até então marcada por conceitos positivistas, tecnocêntricos, etnocêntricos e racionalistas de um progresso linear, das verdades absolutas, de ordens sociais ideais, de uma cultura previsível, migrando para uma sociedade cuja visão de mundo está caracterizada por profundas mudanças culturais, que privilegia a heterogeneidade e a diferença como forças libertadoras na redefinição do discurso sociocultural, denominado aqui de conceito cultural pós-moderno. Essa nova visão de mundo se estabelece pela descrença e perda de otimismo no potencial universal dos pressupostos da modernidade, gerando uma crítica e uma ruptura com seu sistema formal e institucionalizado, com implicações que atingem desde a vida cotidiana até a produção do conhecimento social, acrescido de uma incredulidade perante o metadiscurso filosófico-metafísico, com suas pretensões atemporais e universalizantes. Essa alteridade vem contrapor também com o conceito de instituição, caracterizado aqui como estrutura de uma sociedade constituída, organizado em torno de um interesse reconhecido socialmente, com suas bases ideológicas definidas por padrões de comportamento e relações inter-humanas. A comparação entre o conceito cultural pós-moderno como uma crítica ou mudança ideológica, verificadas nas mudanças experimentadas pelas sociedades contemporâneas nos últimos tempos, que alteraram as formas como os homens sentem e representam para si mesmos o mundo onde vivem, gerando um conflito franco e aberto com o modo de pensar e agir das instituições constituídas, que por sua vez tenta manter-se como princípio norteador social é o objeto de análise desse trabalho. Palavras-chave: Cultura. Instituição. Pós modernismo. Ideologia. 1 Aluno do programa de Doutorado em Educação na linha de pesquisa História e Políticas da Educação: Cultura, Material Escolar e Disciplinas Escolares, pela PUCPR. 2 Doutora em Educação pela Universidade São Paulo (USP). Professora do Programa de Pós Graduação Mestrado e Doutorado da PUCPR.

2 6683 Introdução Não é um agrupamento aleatório de pessoas como, por exemplo, um transporte coletivo ou mesmo uma praça pública apinhada de gente que pode receber o nome de grupo social. A constituição de um grupo social parte da construção de afinidades a partir de pensamentos, sentimentos ou semelhanças que o diferencia de um agrupamento aleatório de pessoas e o identifica como grupo social. Por outro lado, pensamentos ou atitudes semelhantes não significam que sejam oriundos dessas mesmas pessoas, pois atitudes coletivas podem ser formadas através de conceitos gerados por grupos diferentes e aceitos ou interiorizados por outros. Segundo a afirmação de Azevedo (1997), uma nação ou um povo é a expressão de sua cultura e estudar a cultura de um povo ou de uma nação é compreender os porquês de suas conquistas e também de suas derrotas. Porém não é tarefa fácil estudar a cultura de um povo, pois conceituar o que é cultura e como ela se exterioriza nos pensamentos de um povo é missão demasiado difícil. A complexidade do significado do termo cultura se potencializa ao ser analisada diante das mudanças sociais ocorridas na sociedade contemporânea. Segundo Harvey (2000, p. 19), a crença em um progresso linear, de verdades absolutas e no planejamento racional de ordens sociais ideais, sob condições padronizadas de conhecimento e de produção, deu lugar ao pensamento que privilegia a heterogeneidade e a diferença como forças libertadoras na redefinição do discurso cultural. A fragmentação, a indeterminação e a intensa desconfiança de todos os discursos universais se transformam no marco do pensamento pós-moderno 3. Essa alteridade vem contrapor com o conceito de instituição 4, caracterizado aqui como estrutura de uma sociedade constituída, 3 O termo pós moderno ou pós modernidade foi utilizado primeiramente por Jonathan Raban, no livro Soft city, publicado em 1974, onde apresenta um relato personalizado da vida de Londres no início dos anos Representa o marco histórico do movimento denominado pós modernismo por ter sido escrito num momento em que se pode detectar mudanças na maneira como os problemas da vida urbana eram tratados nos círculos populares e acadêmicos. Ele pressagiou um novo tipo de discurso ao antimoderno, estabelecendo por si mesmo como um movimento cultural. (HARVEY, David. Condição pós moderna. Uma pesquisa sobre as Origens da Mudança Cultural. São Paulo, SP: Edições Loyola, 9a ed., 2000). 4 Instituição no conceito sociológico político é apresentado como conjunto de princípios reguladores que organizam a maior parte da atividade humana em modelos organizacionais definidos, ou ainda como um conjunto de formas e de condições de procedimento estabelecidos para atrair e coordenar a atividade de grupos sociais. (ARNAUD, André-Jean. Dicionário enciclopédico de teoria de sociologia. Rio de Janeiro, RJ: Renovar, 1999). O conceito base de instituição deste trabalho tomou como referência a pesquisa desenvolvida por Mary Douglas em Como as instituições pensam. São Paulo, SP: EDUSP, 1998.

3 6684 organizada em torno de um interesse reconhecido socialmente, com suas bases ideológicas 5 definidas por padrões de comportamento e relações inter-humanas. A comparação entre as mudanças sociais em uma sociedade pós moderna através de uma cultura em movimento de um lado, e de outro, como as instituições constituídas pensam e agem, para a permanência de sua construção ideológica é o objeto de análise desse trabalho. Para iniciar essa comparação, se faz necessário primeiramente, apresentar a definição de cultura, para que, a partir dessa análise, se avance nas proposições desse estudo. Cultura (do latim colere, que significa cultivar) é um conceito de várias acepções, sendo a mais corrente a definição genérica formulada por Edward B. Taylor segundo a qual cultura é todo complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade 6. O antropólogo Clyde Kluckhohn, citado por Geertz (1989, p. 4) apresenta uma síntese do que entende por definição de cultura, que pode ser interpretada como: (1) o modo de vida global de um povo, (2) o legado social que o indivíduo adquire do seu grupo, (3) uma forma de pensar, sentir e acreditar, (4) uma abstração do comportamento, (5) uma teoria, elaborada pelo antropólogo, sobre a forma pela qual um grupo de pessoas se comporta realmente, (6) um celeiro de aprendizagem em comum, (7) um conjunto de orientações padronizadas para os problemas correntes, (8) comportamento aprendido, (9) um mecanismo para a regulamentação normativa do comportamento, (10) um conjunto de técnicas para se ajustar tanto ao ambiente externo como em relação aos outros homens, (11) um precipitado da história. Pode-se notar que as interpretações são amplas o suficiente para atender tanto aos mais ortodoxos analistas sobre o assunto como também aos mais liberais da atualidade, o que, na realidade deixa de um lado um vácuo e de outro, uma oportunidade de se trabalhar a cultura em diversas linhas de pensamento. O próprio Clifford Geertz (1989), ao expressar a sua 5 Ideologia nesse contexto está pautada no conceito jurídico de conjunto de ideias e de valores respeitantes à ordem pública e tendo como função orientar os comportamentos políticos coletivos (BOBBIO, Norberto. Dicionário de Política. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 9a ed., 1997). Já o conceito sociológico de ideologia se apresenta como Na essência, conjunto de ideias, de valores e de normas políticas, jurídicas, morais, filosóficas, estéticas e em certos casos religiosas, que refletem no fim das contas, as relações econômicas da sociedade a partir das posições de uma classe (ARNAUD, André-Jean. Dicionário enciclopédico de teoria de sociologia. Rio de Janeiro, RJ: Renovar, 1999). No âmbito filosófico, é conceituado a ideologia como ciência que trata da formação das ideias, tratado das ideias em abstrato, sistema que considera a sensação como fonte única de nossos conhecimentos e único princípio das nossas faculdades, maneira de pensar que caracteriza o indivíduo ou um grupo de pessoas (BOUDON, Raymond; BOURRICAUD, François. Dicionário Crítico de Sociologia. São Paulo, SP: Editora Ática, 1993). Ainda é pertinente apresentar o trabalho de Chauí, em seu livro O que é ideologia, como embasamento para a discussão que se fará mais à frente sobre esse conceito. CHAUÍ, Marilena. O que é ideologia. 35 a ed. São Paulo, SP: Editora Brasiliense, Apresentado por LARAIA, Roque de Barros. Cultura. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006, p. 16.

4 6685 maneira de entender a cultura apresenta que é necessário entender a cultura como teias de significados que o ser humano teceu para se descobrir ou se encontrar. Neste ponto de vista, não é possível entender cultura como uma ciência experimental em busca de leis, mas como uma ciência interpretativa, à procura de significado (1989, p. 4). Ele fala do lugar da antropologia, como faz também Laraia (2006). Na busca desse significado é possível apreender que a cultura deve ser analisada não no seu sentido singular, mas também no seu sentido plural, ou seja, culturas como apontou Willians (1992, p. 10), na perspectiva materialista histórica, para intencionalmente diferenciá-la de qualquer sentido singular ou, como diríamos hoje, unilinear de civilização. Importa dizer que, com este autor é possível estabelecer proximidade com a antropologia, justamente por entender a cultura como constitutiva de sistema de vida, realizações enfim, produções globais de um povo. Nesse sentido destacam-se as representações sociais 7 como forma de construção cultural, incorporando sob a forma de categorias mentais e de representações coletivas as demarcações da própria organização social. Essas ações devem sempre ser remetidas para os laços de interdependência que regulam as relações entre os indivíduos e que são moldados, de diferentes maneiras em diferentes situações, pelas estruturas do poder (que no contexto deste trabalho estamos denominando de instituições). Está interrelacionado com o lugar social no qual o sujeito se encontra. Assim, o lugar onde o sujeito está vai determinar ou contribuir para a forma como o próprio sujeito lerá o mundo. Essas relações, conscientes ou inconscientes demonstram a dimensão política da subjetividade, o que a instituição pode subverter ou não, esconder ou não. Ler o social e dele abstrair os interesses desejados, na medida em que situa o termo representação como campo de luta, poder e embate, para ver quem ganha ou ocupa mais espaço na relação de força. Pensar assim a individualidade nas suas variações históricas equivale não só a romper com o conceito universal das instituições, mas também a inscrever num processo de uma nova história em longo prazo (CHARTIER, 1990, p. 67). 7 Representações sociais aqui apresentadas como o conjunto de explicações, crenças e ideias que permitem evocar um dado acontecimento, pessoa ou objeto. Estas representações são resultantes da interação social, pelo que são comuns a um determinado grupo de indivíduos. As representações sociais têm como uma de suas finalidades tornar familiar algo não familiar, isto é, uma classificar, categorizar e nomear novos acontecimentos e ideias com as quais não tínhamos tido contato anteriormente, possibilitando, assim, a compreensão e manipulação desses novos acontecimentos e ideias a partir de ideias, valores e teorias preexistentes e internalizados por nós e amplamente aceitas pela sociedade. MOSCOVICI, S. Representações sociais: investigações em psicologia social. Rio de Janeiro, Vozes, 2003, p. 55.

5 6686 O conceito cultural pós-moderno, uma cultura em movimento 8 Para compreender o conceito cultural pós-moderno é necessário ressaltar primeiro as perspectivas fundamentais da própria modernidade, para então estabelecermos em que sentido podemos falar de uma posterioridade na pós-modernidade 9. Harvey (2000, p ) descreve um comparativo detalhado sobre os dois conceitos culturais moderno e pósmoderno. De maneira resumida e compacta, pode se dizer que o projeto de modernidade entrou em foco durante o século XVIII. Esse projeto equivalia a um extraordinário esforço intelectual dos pensadores iluministas para desenvolverem a ciência objetiva lógica, a moralidade e a lei universais e a arte autônoma nos termos da própria lógica interna destas [...]. Estavam possuídos da extravagante expectativa de que as artes e as ciências iriam promover não somente o controle das forças naturais como também a compreensão do mundo e do eu, o progresso moral, a justiça das instituições e até a felicidade dos seres humanos. (p. 23) O conceito cultural de modernismo vai influenciar e ser influenciado diretamente pela arte. Nessa nova concepção do projeto modernista, artistas, escritores, arquitetos, compositores, poetas, pensadores e filósofos tinham uma posição bem especial (p. 27), eram os responsáveis por redesenhar a humanidade, rompendo com a história e com tudo o que lembrava o passado. Harvey (2000, p. 22) apresenta que a modernidade, por conseguinte, não apenas envolve uma implacável ruptura com todas e quaisquer condições históricas precedentes, mas é caracterizada por um interminável processo de rupturas e fragmentações internas inerentes. Outro fator importante que precisa ser citado, é que o modernismo foi em grande medida um fenômeno urbano, tendo existido num relacionamento inquieto, mas complexo com a experiência do crescimento urbano explosivo 8 O termo cultura em movimento sugere algo que está em alteração constante, não definido, não acabado. Interagindo com a visão pós moderna de cultura, no sentido de não se fixar apenas no conceito da pós modernidade, mas num sentido mais amplo no movimento gerado pelas mudanças sociais, independente de ser moderna ou pós moderna, ou outra terminologia fixada a um período histórico. Em larga medida, as relações sócias se desenvolvem sob a forma de vida cotidiana. Contudo, de tempos em tempos. Ocorrem situações histórico-sociais nas quais, uma vez atingido um certo limiar, essas formas correntes são investidas e carregadas por estado de exaltação coletiva, movimentos de libertação, práticas revolucionárias, como movimento. (ARNAUD, André-Jean. Dicionário enciclopédico de teoria de sociologia. Rio de Janeiro, RJ: Renovar, 1999). 9 Para aprofundamento no conceito de pós-modernidade ver em HARVEY, David. Condição Pós-moderna. Uma Pesquisa sobre as Origens da Mudança Cultural. São Paulo, SP: Editora Loyola, 2000.

6 6687 de forte migração para os centros urbanos, da industrialização, da mecanização, da reorganização maciça dos ambientes construídos e de movimentos urbanos de base política de que os levantes revolucionários de Paris em 1848 e 1871 eram um símbolo claro, mas agoureiro. A crescente necessidade de enfrentar os problemas psicológicos, sociológicos, técnicos, organizacionais e políticos da urbanização maciça foi um canteiros em que floresceram movimentos modernistas. (HARVEY, 2000, p.34) Sobre o papel urbano da modernidade, de Certeau (2009, p. 161) observa que a cidade é simultaneamente o maquinário e o herói da modernidade. Apesar da abrangência social e política alcançadas principalmente no ocidente pelo movimento modernista este, perdeu seu atrativo de antídoto revolucionário para alguma ideologia reacionária e tradicionalista. Novamente Harvey (2000, p. 46) apresenta que a arte e a alta cultura se tornaram uma reserva tão exclusiva de uma elite dominante que a experimentação no seu âmbito (como, por exemplo, novas formas de perspectivismo) ficou cada vez mais difícil, exceto em campos estéticos relativamente novos como o cinema.... Pior ainda, parecia que essa arte e essa cultura não podiam senão monumentalizar o poder corporativismo ou estatal, ou o sonho americano, como mitos auto-referenciais, projetando um certo vazio de sensibilidade no lado da formulação que se apoiava nas aspirações humanas e nas verdades eternas. É nesse contexto de frustração e impotência diante das incongruências e fracassos nas promessas que o movimento cultural moderno havia projetado, e que se frustra por não ter as respostas que espera de vários movimentos contraculturais e antimodernistas que apareceram. O conceito cultural pós-moderno se afirma como expressão intelectual de uma suposta nova ordem societária que estaria se formando em contraposição à modernidade em crise. Evangelista (2001, p. 30) apresenta que o pensamento pós-moderno, surgiu na década de 70 nos países capitalistas industrializados. Inicialmente dirigido à tematização das questões estéticas e arquitetônicas, tendo, desde então, uma crescente difusão e repercussão no mundo da cultura e incidindo amplamente na elaboração da teoria social e na reflexão filosófica. O conceito pós-moderno significaria, simultaneamente, uma crítica e uma ruptura com a modernidade com seu sistema institucionalizado, com implicações que atingem desde a vida cotidiana até a produção do conhecimento social. O que, na perspectiva desse estudo pode ser identificado também como uma crítica ou mudança ideológica, ao se verificar que as mudanças experimentadas pelas sociedades contemporâneas nos últimos tempos, alteraram as

7 6688 formas como os homens sentem e representam para si mesmos o mundo onde vivem, gerando um conflito aberto com as instituições constituídas. Evangelista (2001, p. 30) ainda pontua que: Há uma enorme dificuldade de sentir e representar o mundo contemporâneo, pois a sensação vigente é de irrealidade, de vazio e de confusão. A capacidade de representação da razão humana estaria se esvaziando progressivamente. Estaríamos diante do predomínio de um princípio esvaziador que atuaria em todas as esferas do mundo e da sociedade moderna, envolvendo suas instituições e suas formas simbólicas e imaginárias. Assim, por exemplo, estariam se processando a (des)referencialização do real, a (des)materialização da economia, a (des)estetização da arte, a (des)construção da filosofia, a (des)politização da sociedade e a (des)substancialização do sujeito. Ou seja, tudo o que existe estaria marcado pela efemeridade, pela fragmentação, pelo descentramento, pela indeterminação, pela descontinuidade, pelo ecletismo das diferenças e pelo caos paradoxal. Este princípio esvaziador constitui na descaracterização social do reconhecimento oficial das instituições como elemento de uma sociedade aristocrática estruturada, como é apresentado por Willians (1992, p.37). Featherstone (1995, p. 66) analisa a pós modernidade como uma reação de desconfiança onde, não há mais otimismo quanto aos rumos da cultura moderna, esse desencanto vem acompanhado da rejeição a tudo que é tido como opressivo, da desconfiança a todo discurso que pretenda dizer o que são as coisas, o que devemos fazer, como sentir. É a dúvida quanto às possibilidades de fundamentação racional, a suspeita quanto às narrativas globalizantes, que caminha lado a lado do clamor por liberdade. A pós-modernidade configura-se como uma reação cultural, representa uma ampla perda de confiança no potencial universal do projeto iluminista. Para Lyotard (1979, p. iii), o pós-moderno, enquanto condição da cultura nesta era [pós-industrial] caracteriza-se exatamente pela incredulidade perante o metadiscurso filosófico/metafísico, com suas pretensões atemporais e universalizantes. Por outro lado, Habermas (1992, p.118) prefere compreender a modernidade como um projeto inacabado, sugerindo que deveríamos aprender com os desacertos que acompanham o projeto, [...] dizer que somos pós-modernos dá um pouco a impressão de que deixamos de ser contemporâneos de nós mesmos. Nessa perspectiva, não há uma ruptura com a modernidade, mas há distanciamento do conceito cultural moderno e uma mudança para uma nova interpretação da cultura, sem, contudo caracterizar um rompimento total com o que fora estabelecido anteriormente.

8 6689 O cotidiano 10 constitui o espaço onde se encontram condensados os traços definidores da pós-modernidade. O cotidiano atual está encharcado pela individualização, pelo consumismo e pelo predomínio da informação. Através da publicidade, que invadiu todas as brechas da vida do homem no trabalho, na escola, no lazer, nas ruas, nos transportes ou em casa, ocorreu a estetização dos objetos de consumo e a erotização e a personalização das mercadorias. As vitrines e a imagem em movimento passaram a ser dimensões indispensáveis para existência de todas as coisas do mundo. A realidade social se desmaterializou e passou a ser o domínio do signo, que transformou o cotidiano na vivência imediata de simuladores sociais, instaurando-se a hiperrealidade pela generalização da informação na sociedade informatizada de massas (EVANGELISTA, 2001, p. 30). Connor (1992, p. 66) afirma que a comunicação de massa, que caracteriza a sociedade contemporânea, ao autonomizar a produção de signos em relação a qualquer referente concreto, transformou a realidade em um mundo artificial que substitui o mundo real. As novas tecnologias e processos comunicativos terminam produzindo linguagens e signos que são autorreferentes. Haveria um esvaziamento da realidade material com a emancipação dos signos que produzem uma realidade aparentemente distorcida. Assim, as mercadorias perdem sua materialidade e seu valor de uso e só adquirem sentido através da publicidade, que faz da imagem um simulacro da mercadoria. A comunicação de massa transferiria a vivência no real para a vivência no signo. O conceito cultural do pós-modernismo contribuiu para um enfraquecimento da historicidade, em que o passado é tomado como uma vasta coleção de imagens aleatórias, que são combinadas de múltiplas formas a partir do presente. Jameson (1996, p. 74) comenta que essa representação do passado e do futuro difuso, produz um discurso esquizofrênico sobre a história. Assim, não por acaso, no pós-modernismo, as categorias espaciais substituem as categorias temporais, cuja dominância é uma das maiores características do modernismo. Surge, igualmente, uma nova experiência do espaço, em que a configuração de um hiperespaço, com a constituição de redes mundiais de comunicação, possibilitadas pela descoberta e difusão das novas tecnologias informacionais, transcende a anterior capacidade 10 O termo cotidiano aqui representa aquilo que é habitual ao ser humano, ou seja, está presente na vivência do dia-a-dia. Cotidiano também pode indicar o tempo no qual se dá a vivência de um ser humano; ou ainda indicar a relação espaço-temporal na qual se dá essa vivência. Conforme apresentado por MAFFESOLI, Michel. O instante eterno: o retorno do trágico nas sociedades pós-modernas. São Paulo: Zouk, 2003, p. 97.

9 6690 de localização pelo indivíduo e torna evidentes as dificuldades de representação do real pelas atuais categorias mentais. Concluindo esse tópico, é possível dizer que a pós-modernidade é a modernidade que atinge a maioridade, conforme é apresentado por Bauman (1999, p. 98): a modernidade olhando-se a distância e não de dentro, fazendo um inventário completo de ganhos e perdas, psicanalizando-se, descobrindo as intenções que jamais explicitara, descobrindo que elas são mutuamente incongruentes e se cancelam. A pós-modernidade é a modernidade chegando a um acordo com a sua própria impossibilidade, uma modernidade que se automonitora, que conscientemente descarta o que outrora fazia inconscientemente. Enquanto reação cultural, a pós-modernidade traz consigo fortes tendências ao irracionalismo, o que pode ser exemplificado, pela sociedade de consumo, pela dificuldade de sentir e representar o mundo contemporâneo, pela sensação vigente da irrealidade, de vazio e de confusão. E esta sombra do irracionalismo que paira na pós-modernidade, penetrando nos mais diversos aspectos do modo de vida global é a própria cultura de sua época, com seus desencontros e desafios. Segundo Jameson (op. Cit.) a completa estetização da realidade é tendência cultural dominante no universo pós-moderno. Ainda que possamos delinear as razões da pós-modernidade como razões críticas para a revisão dos descaminhos da modernidade, na cultura contemporânea a opção do irracionalismo permanece sempre à disposição. As instituições e sua busca pela permanência ideológica Como apresentado no tópico anterior, o conceito cultural pós-moderno se estabelece pela descrença e perda de otimismo no potencial universal dos pressupostos da modernidade, gerando uma crítica e uma ruptura com seu sistema formal e institucionalizado, com implicações que atingem desde a vida cotidiana até a produção do conhecimento social. O que, na perspectiva desse estudo pode ser identificado também como uma crítica ou mudança ideológica, ao se verificar que as mudanças experimentadas pelas sociedades contemporâneas nos últimos tempos, alteraram as formas como os homens sentem e representam para si mesmos o mundo onde vivem, gerando um conflito aberto com as instituições constituídas. Ao se analisar o papel das instituições e a sua busca pela permanência ideológica, é necessário primeiramente apresentar o significado dessas duas palavras instituição e ideologia. A palavra instituição é um substantivo de origem latina (institutione) cuja definição

10 6691 pode ser auferida como: Leis fundamentais de uma sociedade política, complexo integrado por ideias, padrões de comportamento, relações inter-humanas e, muitas vezes, um equipamento material, organizados em torno de um interesse socialmente reconhecido (FERREIRA, 2008) 11. Já a definição de ideologia 12 pode ser concebida como ciência que trata da formação das ideias, tratado das ideias em abstrato, sistema que considera a sensação como fonte única dos nossos conhecimentos e único princípio das nossas faculdades, maneira de pensar que caracteriza um indivíduo ou um grupo de pessoas (FERREIRA, 2008). Ao agrupar essas definições, ainda que de forma etimológica, por si só é possível entender que a permanência das conquistas institucionais, está intimamente ligada com o poder que exerce sua força hegemônica no contexto social. Comparando com as alterações sociais das últimas décadas, é possível entender que existe um hiato a ser superado, para recriar uma legitimidade entre o que está estabelecido institucionalmente e o vácuo gerado pelas mudanças sociais pósmodernas. Como base fundante para nortear os pressupostos relativos às instituições vamos nos valer do trabalho de Mary Douglas (1998), intitulado Como as Instituições Funcionam 13 que aborda de forma clara o desenvolvimento de seus mecanismos sociais, suas percepções e seus desafios de permanência diante do movimento social e cultural das últimas décadas. Nesse estudo, ela diz ser necessário uma teoria das instituições que modifique a atual visão não sociológica da cognição humana, bem como uma teoria cognitiva que ofereça um suplemento às debilidades da análise institucional (p. 11). Para Douglas, é possível estabelecer uma construção institucional a partir do pensamento de cooperação e solidariedade, e para isso baseia seus estudos no que Emile Durkheim e Ludwik Fleck apresentaram sobre essa relação social, onde para eles a verdadeira solidariedade somente é possível na medida em que indivíduos compartilhem as categorias de seus pensamentos (p. 21). Segundo a autora, o pensamento de Durkheim é muito adequado para entender o papel institucional de nossa época. Ele acreditava que o utilitarismo jamais seria responsável pelas bases da sociedade civil. Em sua época, muitos dos sofisticados problemas e paradoxos do 11 Na nota 03 é apresentada outras definições de instituição, que corroboram com o que se pretende apresentar nesse tópico. 12 Além da definição exposta nesse parágrafo, na nota 04 é explicitado outros conceitos de ideologia, que complementam a compreensão da base de ideologia que se toma para este texto. 13 Mary Douglas apresentou esse estudo na abertura da 6ª Conferência Abrams na Universidade de Siracusa, NJ. EUA, no ano de Após apresentação surge a ideia de publicá-lo em forma de livro e o edita com o título: Como as Instituições Funcionam, editado em Nota dos autores.

11 6692 utilitarismo não eram levados em conta. Ele, porém, estava convencido o tempo todo de que uma ordem social não é produzida automaticamente por ações de interesse individuais e indivíduos racionais, pois tal modelo não explicava em seu tempo os movimentos solidários grupais. Ao enaltecer o papel da sociedade na organização do pensamento, ele amesquinhou o papel do individuo, o que suscitou considerável oposição. Por outro lado, a sociologia alemã do conhecimento era marcada pelo individualismo da teoria marxista. Em suas primeiras formulações, a sociologia do conhecimento alemã estava presa a problemas relativistas e era dominada por intenções propagandísticas (DOUGLAS, 1998, p. 24). Ao comparar os pensamentos durkheimianos 14 com os escritos de Fleck 15, Douglas apresenta que o segundo foi mais longe que o primeiro ao analisar o conceito de um grupo social. Em seus escritos, apresenta que Fleck introduziu vários termos especializados como: a coletividade de pensamento (equivalente ao grupo social de Durkheim) e seu estilo de pensamento (equivalente às representações coletivas de Durkheim), que conduz a treinar a percepção e produz provisão de conhecimento (p. 26). Era seu pensamento que o indivíduo, no contexto coletivo, nunca ou quase nunca, tem consciência do estilo de pensamento predominante que, quase sempre, exerce uma força absolutamente compulsiva sobre seu pensamento, e com o qual não é possível discordar (FLECK 1935, p. 41). A partir dos pensamentos sociais comparativos de Durkheim e Fleck, encontramos outros pensadores que discutiram as propostas de Durkheim/Fleck da teoria da ação coletiva que geram ações sociais ou grupos sociais, que valem ser estudadas com mais profundidade e ajudar a compor o quadro das relações institucionais sociais estabelecidas que, por motivo de espaço, não temos como apresentar nesse trabalho. 16 Para maior assimilação dos pensamentos de Douglas sobre sua tese de como as instituições se estabelecem e se consolidam, apresentaremos seus conceitos a partir de tópicos inerentes as conclusões a que ela chegou. 14 Mary Douglas toma como base os seguintes trabalhos de Durkheim: Les fome élémentaires de la vie religieuse: lesystème totemique em Australie (1912). Les règles de la method sociologique (1895). De la division du travail social: etude sur lórganisation des societies supérieures (1893). 15 Já em relação a Ludwik Fleck, a obra em questão é The Genesis and development of a scientific fact. Chicago, University of Chicago Press, 1935 (tradução, 1979). 16 Dentre os trabalhos citados por Douglas (1998), destacamos Thomas Kuhn (1962), Nelson Goodman (1978), Mancur Olson (1965) e Michael Taylor (1982).

12 6693 As instituições se baseiam em convenções - Como um sistema de conhecimentos alçam vôos é o mesmo problema de como qualquer bem coletivo é criado. Apropriar-se de uma ideia é um processo social. É incompatível com o conceito que prevalece na filosofia da ciência, segundo o qual uma teoria é apropriada devido a sua coerência com outras teorias. No entanto, o fardo dessa argumentação é que todo o processo de se apropriar de uma teoria é tão social quanto cognitivo. Inversamente, a apropriação de uma instituição constitui, em sua essência, um processo intelectual, tanto quanto um processo econômico e político. A fim de adquirir legitimidade, toda instituição precisa de uma fórmula que encontra sua correção na razão e na natureza (DOUGLAS 1998, p. 55) Davis Lewis (1968) refere que, no mínimo, uma instituição não deixa de ser uma convenção. Para ele, uma convenção surge quando todos os lados têm um interesse comum na existência de uma regra que assegure a coordenação, quando nenhum deles apresenta interesses conflitantes e quando nenhum deles se desviará, a menos que a desejada coordenação se tenha perdido. Dentro dessa análise, uma convenção se autopolicia. As condições para que surjam convenções estáveis são muito mais estritas do que pode parecer. Segundo Lewis, as comunidades não crescem, transformando-se em pequenas instituições e essas não se transformam em grandes instituições seguindo qualquer processo contínuo. Para que uma convenção passe a ser uma instituição social legítima é necessário, uma convenção cognitiva paralela para lhe dar apoio. Em sua análise Douglas (1998) diz que se tornou modismo afirmar que as instituições sociais codificam a informação. A elas se dá o crédito de tomar decisões rotineiras, resolver problemas rotineiros e produzir regularmente pensamentos em favor dos indivíduos. A racionalidade humana é inerentemente limitada. A organização institucional hoje é amplamente tratada como uma maneira de resolver os problemas que decorrem da racionalidade limitada. A experiência passada é encapsulada nas regras de uma instituição, de tal modo a agir como um guia daquilo que se deve esperar do futuro. Quanto mais amplamente as instituições abrigam as expectativas, mais elas assumem o controle das incertezas, com um efeito a mais: o comportamento tende a conformar-se à matriz institucional. Se tamanho grau de coordenação for alcançado, a confusão e a desordem desaparecem. As instituições se definem pela uniformidade. Acima apresentamos que os indivíduos sofrem devido à limitação imposta por sua racionalidade, tomando isso como verdade, ao

13 6694 estruturarem as organizações, eles ampliam sua capacidade de lidar com as informações. O aparato cognitivo fundamenta as instituições na natureza e na razão, ao descobrir que a estrutura formal das instituições corresponde a estruturas formais em domínios não humanos. Sendo assim, nada mais do que as instituições podem definir a uniformidade. A similaridade é uma instituição. (DOUGLAS, 1998) As instituições se organizam historicamente em torno de seus interesses sociais. Marc Bloch (1976, p. 32), em sua memorável análise sobre a Introdução à História, ao falar sobre o tempo histórico, apresenta que nunca um fenômeno histórico se explica plenamente fora do estudo de seu momento. E isto é válido para todas as etapas da evolução. Para aquelas que vivemos, como para outras. Já um proverbio árabe o dissera: os homens parecem-se mais com o seu tempo que com os seus pais. Foi por se ter olvidado esta sabedoria oriental que se desacreditou às vezes o estudo do passado. Para ele, as origens das coisas presentes encontradas nas coisas passadas é a melhor maneira de compreender uma realidade, ao conseguir conhecer as suas causas. De Certeau (2011, p. 51) diz que é impossível analisar o discurso histórico independentemente da instituição em função do qual ele se organiza silenciosamente. Douglas (1998, p. 75) também refere que as instituições lembram-se e se esquecem, alusão esta feita ao seu papel de apresentar a história como espaço de confirmação social. Quando observamos mais de perto a construção do passado, verificamos que o processo tem muito pouco a ver com o passado e tudo a ver com o presente. A história surge sob uma forma não intencional, como resultado de práticas direcionadas a fins imediatos, práticos. Observarem essas práticas estabelecerem princípios seletivos que iluminam certos tipos de acontecimentos e obscurecem outros, significa inspecionar a ordem social agindo sobre mentes individuais. A memória pública é o sistema de armazenagem da ordem social. Pensar sobre ela é o mais próximo que podemos chegar de uma reflexão sobre as condições de nosso próprio pensamento. Como fator social, é interessante notar que os fatos relativos à memória pública não são relacionados como importantes para o indivíduo, este se dedica a armazenar fatos de origem individual, como por exemplo, nomes e datas de seus antepassados. Fatos sociais são esquecidos à medida que não contribuam para algo especial ou direcionado ao indivíduo, agora, ao se tornar relevante no âmbito individual, serão relembrados por mais gerações. A coerência e a complexidade, em se tratando de memória pública, tenderão a corresponder à

14 6695 coerência e à complexidade no nível social. Quanto mais as unidades sociais forem simples e isoladas, mais simples e mais fragmentada será a memória pública, com menos frequência e menores níveis de ascensão ao início dos tempos. Quanto mais a organização social for um grupo latente, consciente dos problemas organizacionais, mais seus membros invocarão uma história de lutas e resistências. Uma sociedade competitiva exaltará seus heróis, uma sociedade hierárquica exaltará seus patriarcas e uma sociedade religiosa exaltará seus mártires. Seja ela débil ou forte, a memória é apoiada pelas estruturas institucionais. As instituições se consolidam através do processo de classificação. Enquanto indivíduos, resistimos à ideia de que as instituições operam socialmente em forma de classificação, e possuímos todos os motivos para contrapor a esse pensamento. Viver em comunidade não significa que, como indivíduos, deixamos de assumir a responsabilidade por nossos atos, escolhas e pensamentos. Com efeito, as instituições são construídas amoldando as ideias de um indivíduo com as de outros em um formato comum de tal modo que se possa provar que exista uma coerência, porém, sem perder a independência intelectual, que é reconhecida como base da vida social. Este entendimento de ser melhor do que outras comunidades quer atuais ou do passado é que gera o conceito de classificação. A crítica do indivíduo ou dos indivíduos institucionalmente constituídos às instituições do passado auxilia as instituições nascentes na época desses indivíduos a estruturar sua própria defesa contra o passado. (IDEM, Cfr. DOUGLAS, 1998) As instituições dirigem sistematicamente a memória individual e canalizam as percepções para formas compatíveis com as relações que elas autorizam. Elas fixam processos que são essencialmente dinâmicos, ocultam a influência que eles exercem e suscitam emoções relativas a questões padronizadas e que alcançam ações padronizadas. As instituições constituídas são responsáveis pelas principais decisões dos indivíduos. O indivíduo tende a deixar as decisões importantes para suas instituições, enquanto se ocupa com as táticas e os detalhes. Qualquer instituição para manter sua hegemonia precisa adquirir legitimidade. Essa legitimidade vem pelo controle da memória, levando os indivíduos a esquecerem de experiências incompatíveis com a imagem de correção que eles têm de si mesmos e traz para suas mentes acontecimento que apoiam uma visão de mundo social que lhes é complementar. A instituição propicia as categorias de pensamentos de seus membros, estabelece os termos para o autoconhecimento e fixa as identidades. Está estabelecido um sistema institucional de

15 6696 justiça e moral. A partir daqui, torna-se muito raro e difícil para um indivíduo escolher uma postura moral a partir de uma base racional individual. Nesse caso, nossos próprios julgamentos estão igualmente preparados em nossas próprias instituições sociais. As mais profundas decisões relativas à justiça não são tomadas mais pelos indivíduos enquanto tal, mas sim por indivíduos que pensam no interior ou em nome das instituições. As instituições são legitimadas através da construção simbólica de suas ações coletivas. Embora Douglas (1998) não tenha aportado à construção simbólica como categoria legitimação das instituições. Entendemos que existe uma aproximação do poder simbólico com hegemonia institucional. O simbolismo na medida em que se corporifica se transforma em um ato, tornando concreto, causando efeito sobre o sujeito. Ainda sobre a influência do poder simbólico Bourdieu (1989, p.10) diz que é possível apreender o real, porém não é possível deixar de se contaminar pelo envolvimento com essa realidade. É a vida material que produz as ideias, porém não é possível produzir as ideias se não tiver um sistema de referência para produzir as ideias. É necessário partir de uma realidade para se construir as ideias. E essa realidade se transforma em sistemas de referência, onde cada indivíduo possui o seu, dentro de seu prisma social. E esses sistemas simbólicos, como instrumento de conhecimento e de comunicação, só podem exercer um poder estruturante porque são estruturados. Os símbolos são como instrumentos por excelência da integração social enquanto instrumento de conhecimento e de comunicação, eles tornam possível o consenso acerca do sentido do mundo social que contribui fundamentalmente para a reprodução da ordem social, afirma ele que a integração lógica é a condição da integração moral. Dentro desse prisma, para Bourdieu as produções simbólicas estão relacionadas com os interesses das classes dominantes, servindo de interesses particulares que tendem a apresentar como interesses universais, comuns ao conjunto do grupo. Diz ele (p.11): A cultura dominante contribui para a integração real da classe dominante; para a integração fictícia da sociedade no seu conjunto, portanto, à desmobilização (falsa consciência) das classes dominadas; para a legitimação da ordem estabelecida por meio do estabelecimento das distinções (hierarquias) e para a legitimação dessas distinções. Esse efeito ideológico, produz a cultura dominante dissimulando a função de divisão na função de comunicação: a cultura que une (intermediário de comunicação) é também a cultura que separa (instrumento de distinção) e que legitima as distinções compelindo todas as culturas (designadas como subculturas) a definirem-se pelas sua distância em relação à cultura dominante. Dentro dessa ótica, é possível interpretar que os símbolos são meios de confirmação ideológica, e que contribuem para legitimar as instituições sociais em seu campo de domínio.

16 6697 Considerações Finais Que a cultura social capitalista pós-moderna está em movimento é fato. Esse movimento cultural pós-moderno não somente tem gerado alterações significativas no conceito de cultura, sociedade, conhecimento, política, economia e de domínio social, mas também na maneira de interpretar o mundo e seus pilares de sustentação social. E isso afeta diretamente as instituições, como sociedade política legitimada e organizada através de padrões de comportamento, relações inter-humanas, organizados em torno de interesses de classes constituídas. Esse conflito social emergente tem levado a uma busca de legitimação de poder de ambas as partes. De um lado as instituições constituídas que, buscam manter-se à frente do domínio social, através de convenções, classificações sociais, das similaridades, de constructos históricos e dos símbolos sociais como forma de manter a hegemonia, como classe dominante. De outro lado, as rupturas sociais, originadas de fragmentos sociais não constituídos ou não institucionalizados como poder dominante, mas que em sítios próprios vão se consolidando e conquistando sua legitimação que embora fragmentada socialmente, conquista o espaço deixado pelas brechas de uma instituição social agigantada pelo tamanho de sua máquina social e que não consegue mais dar conta das necessidades que a nova sociedade pós-moderna exige. Diante deste conflito social, não é possível dizer que a permanência ideológica das instituições sociais se manterá como estabelecido em sua gênese, nem que deixará de existir como papel estruturante de uma sociedade em movimento. O que é possível deduzir é que o movimento cultural pós-moderno tem levado a uma reflexão de adequação e alteração da ideologia das instituições sociais vigentes, e que esta adequação ideológica institucional será fundamental para organizar a sociedade dentro de seu prisma social, respeitando o desenvolvimento individual e coletivo de seus atores sociais. REFERÊNCIAS: ARNAUD, André-Jean. Dicionário enciclopédico de teoria e de sociologia do direito. Rio de Janeiro, RJ: Renovar,1999. AZEVEDO, Fernando. A cultura brasileira. Brasília, DF: Editora UnB, 6ª ed

17 6698 BAUMAN, Zygmunt. Modernidade e ambivalência. Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar Editor, BLOCH, Marc. Introdução à história. Publicações Europa-America, BOBBIO, Norberto. Dicionário de política. Brasília, DF: Editora Universidade de Brasília, 9 a ed., BOUDON, Raymond; BOURRICAUD, François. Dicionário crítico de sociologia. São Paulo, SP: Editora Ática, BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro, RJ: Editora Bertrand do Brasil, CHARTIER, Roger. A história cultural: entre práticas e representações. Rio de Janeiro: Editora Bertrand, CHAUÍ, Marilena. O que é ideologia. 35 a ed. São Paulo, SP: Editora Brasiliense, CONNOR, Steve. Cultura pós-moderna: introdução às teorias do contemporâneo. São Paulo, SP: Loyola, DE CERTEAU, Michel. A escrita da história. Rio de Janeiro, RJ: Forense Universitária, DE CERTEAU, Michel. A invenção do cotidiano. Petrópolis, RJ: Vozes, DOUGLAS, Mary. Como as instituições pensam. São Paulo, SP: EDUSP, EVANGELISTA, João Emanuel. Elementos para uma crítica da cultura pós-moderna. Revista Novos Rumos. São Paulo, SP: Ano 16, no Pág FEATHERSTONE. Cultura de consumo e pós-modernismo. São Paulo, SP: Studio Nobel. SESC FERREIRA, Aurélio B. Holanda. Miniaurélio: o dicionário da língua portuguesa. 7a Ed. Curitiba, PR: Ed. Positivo, FLECK, Ludwik. The genesis and development of a scientific fact. Chicago, USA: University of Chicago Press, 1935 [tradução 1979]. GEERTZ, Clifford. As interpretações das culturas. Rio de Janeiro, RJ: Editora Guanabara, GOODMAN, Nelson. Ways of worldmaking. Indianápolis, USA: Hackett Publishing, 1978.

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