Diretrizes para a Construção de uma Política Tecnológica com Foco na Inovação 1

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1 Diretrizes para a Construção de uma Política Tecnológica com Foco na Inovação 1 No mundo atual, um dos campos prioritários de intervenção do Estado está sendo a promoção do desenvolvimento tecnológico, tendo em vista que a disputa por mercados requer grande competência gerencial na aplicação do conhecimento aos produtos e aos meios de produção. Na concorrência entre as empresas, estar entre as mais inovadoras é hoje fator primordial de competitividade e até mesmo de sobrevivência a médio e longo prazo. Assim, países, regiões ou Estados que possuem um Sistema de Inovação, com relações fortes e intensas entre agentes públicos e privados, oferecem condições de competitividade mais qualificadas. Nesse contexto, são diversos os instrumentos disponíveis para estimular a inovação e o desenvolvimento tecnológico. Essas políticas envolvem a concessão de subsídios fiscais, financeiros, garantia de mercado seja através do uso do poder de compra do Estado, seja através de mecanismos de proteção do mercado local-sub-regional -, dotação de infra-estrutura científica e tecnológica, intensa formação de recursos humanos preparados para o processo de inovação, etc. Embora o Estado do Amazonas tenha implantado da FAPEAM e constituído o respectivo Fundo de Amparo à Pesquisa, adota-se o foco na inovação, com forte apelo microeconômico, portanto, intrafirma, como forma de aprimoramento e refinamento das políticas e diretrizes ciência e tecnologia elaboradas pelo atual governo. A idéia, portanto, é buscar a institucionalização dos instrumentos de políticas que procurem estimular a estruturação tecnológica das empresas e reduzir o custo de entrada da inovação no mercado. Neste diapasão, o ideário é 1 Adaptado aos agentes de Manaus, Amazonas, por Antônio José Botelho, do tópico Recomendações, p , da brochura Como Alavancar a Inovação Tecnológica nas Empresas, da Associação Nacional de P&D&E das Empresas Inovadoras ANPEI, publicada em São Paulo, em 2004.

2 contribuir ativamente para o estabelecimento da cultura da competitividade, vinculando as oportunidades de mercado com a introdução de inovações. Abaixo são apresentadas um conjunto de diretrizes para estimular o processo de inovação no Amazonas. Elas estão organizadas pela sua importância estratégica e de acordo com o tipo de empresa que se espera estimular. A busca de maior valor agregado é fator estratégico para que o Amazonas consiga gerar rendas crescentes, complementando a riqueza oportunizada pelo PIM, e aumentar o seu potencial de crescimento. Acredita-se que uma das principais formas de agregar valor e aumentar a competitividade é gerar e aplicar o conhecimento na produção de bens e serviços. Diretrizes de Desenvolvimento Tecnológico para as Empresas em Geral Regulação Fiscal da Inovação 2 1. Para reduzir o custo de entrada da inovação no mercado, o governo deveria isentar ou reduzir expressivamente o pagamento de tributos que incidem diretamente na receita de venda dos produtos, por um período de três anos, a partir da data de lançamento da inovação no mercado 3 ; 2. Alternativamente ou em adição ao item acima: a) Durante dois anos os tributos incidentes sobre produtos considerados inovações, ou decorrentes de inovações introduzidas nos processos produtivos, por instituições tecnológicas credenciadas pelo governo, seriam calculados semestralmente e o recolhimento diferido e parcelado em 24 prestações com 12 meses de carência, sem aplicação de reajuste monetário; b) Para efeito de cálculo dos tributos incidentes sobe produtos considerados inovações, as empresas poderiam abater do faturamento, em dobro, os salários e encargos do pessoal que trabalha exclusivamente em atividades tecnológicas internas na empresa. 2 Em nível de maior refinamento, caberia a ousadia de aprovar a Lei de Inovação do Estado do Amazonas. 3 O governo poderia estabelecer regulamento sobre os procedimentos a serem adotados, envolvendo instituições de pesquisa e associações empresariais para a concessão de certificados que atestem a inovação.

3 Diretrizes de Desenvolvimento Tecnológico para as Empresas em Geral Sobre Financiamento e Fomento à Inovação 4 3. Sem prejuízo da utilização do Fundo vinculado à FAPEAM, a AFEAM deveria ter papel importante no desenvolvimento tecnológico das empresas que ela própria financia. Dessa forma, deveria estimular a busca de inovações através de recursos financeiros ao seu alcance; 4. Especificamente nos segmentos de tecnologia de ponta, o governo deveria selecionar os projetos estratégicos e discuti-los, através da FAPEAM, com as indústrias que tivessem potencial e interesse em desenvolver pesquisas nessa áreas; 5. Também deveria negociar outras condições favoráveis para os financiamentos diretos, nos quais as empresas deveriam se comprometer a se estruturarem tecnologicamente, com metas definidas de capacitação tecnológica, incluindo aí a capacitação tecnológica de fornecedores, registros de patentes, investimentos em pesquisa próprias, etc.; 6. Capitalizar e aumentar a capilaridade da AFEAM, para que ela possa de fato exercer o papel de banco indutor da inovação, modernizando-a de maneira a torná-la mais ágil e eficiente. Diretrizes de Desenvolvimento Tecnológico para as Empresas em Geral Mobilização Empresarial para Elevar o Grau de Inovação 7. Governo, FAPEAM, SEBRAE, Laboratórios de Universidades, Centros e Institutos de Pesquisa, Associações Empresariais, etc., deveriam desenvolver atividades de sensibilização e de mobilização do meio empresarial para a inovação, produzindo material multimídia sobre inovação, divulgação de casos de sucesso, programas de mobilização para a inovação, vinculação de inovação com rentabilidade, etc.; 8. Governo, FAPEAM, SEBRAE, Laboratórios de Universidades, Centros e Institutos de Pesquisa, Associações Empresariais, etc., deveriam atuar no sentido de difundirem no meio empresarial os instrumentos existentes de política tecnológica; 4 Ratifica-se o desafio de aprovar a Lei de Inovação do Estado do Amazonas.

4 9. Governo, FAPEAM, SEBRAE, Laboratórios de Universidades, Centros e Institutos de Pesquisa, Associações Empresariais, etc., deveriam ampliar o trabalho de oferecer cursos, seminários e estudos de casos de sucesso sobre o tema da gestão da inovação, inclusive, montando um programa de extensão gerencial para que possa auxiliar a melhorar a gestão interna dos projetos de P&D; Diretrizes de Desenvolvimento Tecnológico para as Empresas de Capital Estrangeiro 10. O governo deve negociar com as multinacionais tendo como objetivo estimulá-las a investir em P&D no PIM, em segmentos de maior densidade tecnológica, como por exemplo, em química orgânica, biotecnologia, semicondutores, novos materiais, etc., sem abrir mão, em princípio, da produção da inovação internamente; 11. O governo, em parceria com o MDIC e o MCT, deverá negociar permanentemente com as empresas estrangeiras localizadas no PIM os segmentos considerados prioritários do ponto de vista tecnológico de maneira a envolvê-las em um grande programa de desenvolvimento tecnológico de estímulo ao incremento de pesquisas no Estado 5. Diretrizes de Desenvolvimento Tecnológico para as PMEs 12. Solução de Problemas Estruturais: a) O governo, através da FAPEAM e entidades privadas, entre elas o SEBRAE, deveria ter papel mais ativo nas mudanças dessas empresas, financiando partes dos gastos em trabalhos estruturantes, a serem realizados em APLs. As mudanças de base nas PMEs devem ter início com a escolha e análise cuidadosa dos mercados onde atuam ou pretendem atuar, com base em pesquisa de marcado e em diagnóstico e análise prévia de todas as ameaças e oportunidades contidas nele, 5 A negociação deve procurar definir, em troca de determinados incentivos: o campo de pesquisas; envolver quando aplicável, metas de patenteamento na FUCAPI, representante local do INPI, em nome da subsidiária; número de técnicos e pesquisadores a serem contratados oriundos de universidades locas; garantias de receitas para a subsidiária pela exploração de patentes de sua propriedade, etc.

5 desenvolvendo plano estratégico, que também deverá ser financiado pelo governo. Posteriormente, em uma segunda etapa, teria início o trabalho de extensionismo industrial/tecnológico/mercadológico, objetivando a estruturação de ações concretas para viabilizar o desenvolvimento de projetos inovadores nos produtos e processos das PMEs 6 ; b) Particular destaque deveria ser dado ao estímulo e à subvenção à criação de Centros Locais de Inovação (CLIs) 7, a serem constituídos em agrupamentos de empresas, como em APLs e em cadeias produtivas. Esses CLIs estariam voltados exclusivamente para atendimento e apoio a essas PMEs e às suas demandas tecnológicas do dia-a-dia. Por sua vez, estariam harmoniosamente sincronizados com a Rede Estadual de Instituições de Ensino e Pesquisa, de maneira a poderem contar com o apoio delas para trabalhos de maior complexidade. 13. Financiamento de Atividades Inovadoras: a) Financiar as PMEs que queiram contratar profissionais que as auxiliem em agrupamentos de empresas e em cadeias produtivas na identificação de oportunidades tecnológicas e no desenvolvimento de projetos ligados a essas oportunidades; b) Os problemas relacionados com o financiamento de projetos de interesse de duas ou mais empresas, sobretudo com relação à oferta de garantias reais, poderão ser superados se o financiamento for direcionado para entidades como os CLIs, a serem constituídos nos APLs. A FAPEAM, por exemplo, deveria se estruturar para apoiar esses projetos cooperativos; c) Para alcançar as PMEs, em nível de desenvolvimento tecnológico e de inovações, a AFEAM deveria constituir uma rede de agentes financeiros que dê capilaridade ao sistema. Sua parceria com agências como o BASA e a SUFRAMA, poderia levar recursos aos APLs localizados em sub-regiões ou especificamente em municípios. Também deveria descentralizar a aprovação de projetos, outorgando competência às gestões das sub-regiões; d) O problema da falta de garantias reais poderá ser resolvido pela combinação de duas ou mais das 6 Um programa imediato poderá ser desencadeado com a manutenção de profissionais recém formados pelas Universidades locais nas linhas de produção das PMEs, os quais estariam encarregados de identificar problemas e elaborar projetos de pesquisa a serem realizados em parceria com os laboratórios das universidades e institutos de pesquisa. 7 Cada Zona Administrativa da Cidade de Manaus (Sul; Centro-Sul; Centro-Oeste; Norte e Leste) poderia hospedar um CLI, estruturado, inclusive, para ofertar funções de Tecnologia Industrial Básica TIB (metrologia; normalização; avaliação de conformidade; tecnologias de gestão; propriedade intelectual; informação tecnológica).

6 seguintes formas de garantias: aceitação de recebíveis pela entidade financiadora ou criação de um fundo de recebíveis, fundo de aval e/ou a constituição, em agrupamentos de empresas, de sociedades garantias solidárias. A FAPEAM, a AFEAM, o BASA e a SUFRAMA deveriam se empenhar na busca de soluções para esse problema; e) Estimular o uso leasing por parte das PMEs, ao invés da compra de equipamentos para pesquisa, para evitar imobilização de capital; f) A FAPEAM deveria desenvolver, a exemplo da AFEAM, programas que permitissem a análise e aprovação rápidas e descentralizadas de seus projetos para financiamentos até determinado valor, digamos R$ 100 mil reais; g) A FAPEAM e a AFEAM deveriam estudar como melhorar o desempenho operacional dos fundos de capital de risco disponíveis, de forma a elevar substancialmente o número de PMEs capitalizadas. Tais fundos apresentam um baixo número de operações devido às dificuldades que têm de avaliar corretamente o conteúdo e o potencial tecnológico e mercadológico dos projetos e o grau de risco destes; h) O governo deveria intensificar o apoio à criação de novas incubadoras na capital e a implantação de pelo menos uma em cada município do interior fomentando o empreendedorismo e, por via de conseqüência, a emergência de novas empresas. Diretrizes Complementares de Caráter Geral 14. Apoiar a FUCAPI no que concerne a sua modernização em seus meios materiais e de recursos humanos na área de propriedade intelectual, vinculando o esforço às políticas de inovação tecnológica do Estado; 15. Independentemente da Lei de Inovação Estadual (vide nota de roda pé n 2 e 4), reordenar a gestão do Fundo de Amparo à Pesquisa para priorizar a aplicação em atividades de inovação tecnológica. A liberação de recursos deve estar atrelada à existência de projetos bem estruturados e voltados sempre ao aumento da competitividade do setor produtivo. Devem ser estimulados os projetos com mais de uma empresa e mais de um executor.

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