SAÚDE E CONDIÇÕES SOCIOAMBIENTAIS DA POPULAÇÃO ATENDIDA PELA UNIDADE DE SAÚDE DA FAMÍLIA - GÉRSON DE OLIVEIRA, NO MUNICÍPIO DE COLINAS DO TOCANTINS TO

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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO CENTRO DE CIÊNCIAS DO AMBIENTE PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE NA AMAZÔNIA PPG / CASA SAÚDE E CONDIÇÕES SOCIOAMBIENTAIS DA POPULAÇÃO ATENDIDA PELA UNIDADE DE SAÚDE DA FAMÍLIA - GÉRSON DE OLIVEIRA, NO MUNICÍPIO DE COLINAS DO TOCANTINS TO. LAYANNA GIORDANA BERNARDO LIMA MANAUS 2009

2 L732s Lima, Layanna Giordana Bernardo Saúde e condições socioambientais da população atendida pela Unidade de Saúde da Família - Gérson de Oliveira, no município de Colinas do Tocantins TO / Layanna Giordana Bernardo Lima. - Manaus: UFAM, f.; il. color. Dissertação (Mestrado em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade da Amazônia) Universidade Federal do Amazonas, Orientador: Prof. Dr. Leandro Luiz Giatti 1. Saúde pública 2. Sistema Único de Saúde 3. Política de saúde I. Giatti, Leandro Luiz II. Universidade Federal do Amazonas III. Título CDU 614(811)(043.3)

3 UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO CENTRO DE CIÊNCIAS DO AMBIENTE PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE NA AMAZÔNIA PPG / CASA LAYANNA GIORDANA BERNARDO LIMA SAÚDE E CONDIÇÕES SOCIOAMBIENTAIS DA POPULAÇÃO ATENDIDA PELA UNIDADE DE SAÚDE DA FAMÍLIA - GERSON DE OLIVEIRA, NO MUNICÍPIO DE COLINAS DO TOCANTINS TO. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade da Amazônia - PPG-CASA como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Ciências Ambientais, área de concentração Gestão Ambiental. Orientador: DRº Leandro Luiz Giatti. MANAUS 2009

4 SAÚDE E CONDIÇOES SOCIOAMBIENTAIS DA POPULAÇÃO ATENDIDA PELA UNIDADE DE SAÚDE DA FAMÍLIA - GÉRSON DE OLIVEIRA, NO MUNICÍPIO DE COLINAS DO TOCANTINS. Dissertação apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade da Amazônia - PPG-CASA como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Ciências Ambientais, área de concentração Gestão Ambiental. Aprovada em de de BANCA EXAMINADORA: Drº Leandro Luiz Giatti. Orientador DrºGeorge Henrique Rebelo Drª Ivani Ferreira de Faria

5 AGRADECIMENTOS À Deus pela vida e pelas oportunidades concedidas. À minha família especialmente minha mãe, meu irmão e a Lindalva, por sempre acreditarem em mim. Aos colegas e aos professores do mestrado que indireta e diretamente colaboraram com a formatação das idéias aqui expostas. Especialmente aos professores: César Honorato, Evelyne Marie Terese Mainbourg, Luiz Augusto, Herinque dos Santos Pereira, Carol Surgik, Antonio Carlos Witkoski, Danilo Fernandes, George Rebelo, Hiroshi Noda, e Sandra Noda. Ao Emitério, por sua dedicação como secretário do PPG/CASA. Aos amigos que estiveram juntos comigo nessa jornada: À Aurélia, Ioná, e Ana Paula, pelas as trocas de idéias. Aos Marcos e Mirian pelos empréstimos de livros. À Myrian Nydes pelo incentivo. À Cleivane, Amiga, que sempre me ajuda. À Rosangela, pela conversas à respeito da Promoção da Saúde. Ao Júnior, pela paciência e companheirismo. À Leide, minha amiga e companheira de profissão. Um agradecimento especial para a Equipe da U.S.F Gérson de Oliveira, para os meus colegas de trabalho que entenderam e me ajudaram nas minhas ausências. Ao Prof.º Drº. Leandro Giatti, que aceitou o desafio de me orientar. Enfim, agradeço a todos que me ajudaram na produção, na revisão e na formatação do texto.

6 À minha avó Aurora de 95 anos e a minha sobrinha Maria Gabriela de 4 anos.

7 Escolhi a sombra desta árvore para repousar do muito que farei, enquanto espero por ti. Quem espera na pura espera vive um tempo de espera vã. Por isto, enquanto te espero trabalharei os campos e conversarei com os homens. Suarei meu corpo, que o sol queimará; minhas mãos ficarão calejadas; Meus pés aprenderão o mistério dos caminhos; meus ouvidos ouvirão mais; Meus olhos verão o que antes não viam, enquanto esperarei por ti. Não te esperarei na pura espera porque o meu tempo de espera é um tempo de que fazer. Desconfiarei daqueles que virão dizer-me, em voz baixa e precavidos: É perigoso agir É perigoso falar É perigoso andar É perigoso esperar, na forma em que esperas, Porque esses recusam a alegria de tua chegada. Desconfiarei também daqueles que virão dizer-me, com palavras fáceis, que já chegaste, Porque esses, ao anunciar-te ingenuamente, antes te denunciam. Estarei preparando a tua chegada como o jardineiro prepara o jardim para as rosas, Que se abrirão na primavera. Canção Óbvia Paulo Freire

8 RESUMO O presente estudo aborda a temática ambiente urbano e as relações socioambientais nas situações de saúde, visto que as produções das doenças relacionadas com o ambiente urbano têm indícios nos aspectos sociais, como nível de escolaridade, renda, habitação, e principalmente nas condições de saneamento básico. A pesquisa teve como objetivo analisar a situação de saúde da população atendida pela U.S.F- Gérson de Oliveira, na cidade de Colinas do Tocantins, à luz das condições socioambientais. Considerando que a ação humana vem modificando o ambiente natural desde o início do processo civilizatório, construindo novas paisagens, transformando os meios de produção e de trabalho. A metodologia da pesquisa teve uma abordagem qualitativa e quantitativa, e os procedimentos metodológicos foram: dinâmica de grupo focal com os profissionais (médico, enfermeiro e agentes comunitários de saúde) da Unidade de Saúde da Família - Gérson de Oliveira, observações direitas, entrevistas semi estruturadas e construção de mapa falante com a população atendida. Do universo entrevistado, 80% das pessoas residem em domicílios de alvenaria com acabamento e 20% em domicílios sem acabamento. Na pesquisa houve uma predominância de pessoas idosas. A população é atendida pela rede geral de abastecimento de água. O sistema de esgotamento sanitário da cidade de Colinas do Tocantins atende 3,2% das residências urbanas, 91.36% dos domicílios contam com fossa séptica e 5.49% têm a disposição dos esgotos a céu aberto. A coleta de resíduos sólidos é gerenciada pela Prefeitura Municipal e ocorre diariamente de segunda a sábado, com a disponibilidade de dois caminhões que transportam diariamente 30 toneladas de lixo urbano que são depositadas em valas. Com relação ao saneamento básico 97,5% responderam que o esgoto do seu domicilio e direcionado para as fossas sépticas e 2,5% em valas\privadas. Quanto ao lixo doméstico a maioria da população tem acesso à coleta pública. As doenças predominantes citadas pela população pesquisada foram: Gripe, Dengue e Hipertensão. Analise das condições socioambientais da população atendida pela Unidade de Saúde Gérson de Oliveira contribuíram para o entendimento de que é necessário uma articulação de uma rede social, com o intuito de capacitar a comunidade para promoção da saúde, e para o desenvolvimento sustentável local. Palavras-Chaves: Ambiente; Saúde; Ambiente Urbano.

9 ABSTRACT This research is about the urban environment and environmental relationships in the health situation, as the many diseases are related to the urban environment have evidence on the social aspects such as education level, income, housing, and especially on conditions of basic sanitation. The study aimed to analyze the health situation of the population served by USF- Gérson de Oliveira, the town of Colinas do Tocantins, in the environmental conditions aspects. Considering that human activity is changing the natural environment since the beginning of civilization, building new countryside, transforming the means of production and work. The methodology was a qualitative and quantitative, and methodological procedures were the focus groups dynamic with professionals (doctors, nurses and community health workers) USF Gérson de Oliveira direct comments, structured interview and map building speaker with the population served. The universe interviewed 80% of people live in homes with brick finish. In the survey there was a predominance of older people. The population is served by the network of general water supply. The solid waste collection is managed by City Hall and takes place daily from Monday to Saturday, with the availability of two trucks carrying 30 tons of daily urban waste which are deposited in ditches. With regard to sanitation 97.5% answered that the sewer of his home and directed to septic tanks and 2.5% in mass \ private. For municipal waste the majority of the population has access to the collection public. The predominant diseases cited by the population studied were: Flu, Dengue and Hypertension. The analysis of the environmental conditions of the population served by the USF Gérson de Oliveira contributed to the understanding of the need for a combination of a social network, in order to enable the community to promote health, and local sustainable development. Key Words: Environment, Health, Urban Environment.

10 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura1- Imagem de satélite do município de Colinas do Tocantins TO...41 Figura 2 - Croqui da área de abrangência da Unidade de Saúde da Família Gérson de Oliveira na cidade de Colinas do Tocantins TO Figura 3 Sede da Unidade de Saúde da Família Gérson de Oliveira Figura 4 Espaço urbano da micro área do Setor Novo Planalto Figura 5 Espaço urbano da micro área do Setor Novo Planalto Figura 6 Espaço urbano da micro área do setor Novo Planalto Figura 7 Espaço urbano da micro área do setor Centro Figura 8 Espaço urbano dos setores Jardim Campos Clube e Centro Figura 9 Equipe de agentes comunitários de saúde da U.S.F. Gérson de Oliveira na cidade de Colinas do Tocantins TO Figura 10 Mapa Falante da área NP2 e NP Figura 11 Mapa Falante da área NP Figura 12 Mapa Falante das áreas NP1, NP2, e NP Figura 13 - Construção do Mapa Falante Figura 14 Construção do Mapa Falante Figura 15 Construção dos Mapas Falantes Figura 16 - Participantes do Mapa Falante organizado na Igreja São Sebastião no setor Novo Planalto

11 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 - Distribuição das classes de freqüência de idade dos usuários do Sistema Único de Saúde, atendidos na Unidade de Saúde da Família - Gérson de Oliveira na cidade de Colinas do Tocantins TO, participantes da pesquisa Gráfico 2 Distribuição das classes de freqüência do uso de água pelo os usuários do Sistema Único de Saúde, na Unidade de Saúde da Família - Gérson de Oliveira, cidade de Colinas do Tocantins TO, participantes da pesquisa Gráfico 3 Distribuição das classes de freqüência de tipo de fornecimento de água para beber e cozinhar\ uso no domicilio dos usuários do Sistema Único de Saúde, na Unidade de Saúde Gerson de Oliveira, cidade de Colinas do Tocantins TO, participantes da pesquisa Gráfico 4. Distribuição das classes de freqüência do tipo de armazenamento de água utilizado pelo os usuários do Sistema Único de Saúde, na Unidade de Saúde da Família - Gérson de Oliveira, cidade de Colinas do Tocantins TO, participantes da pesquisa Gráfico 5. Direcionamento do lixo doméstico dos usuários do Sistema Único de Saúde, na Unidade de Saúde da Família - Gérson de Oliveira, cidade de Colinas do Tocantins TO, participantes da pesquisa Gráfico 6. Distribuição das classes de freqüência de doenças auto atribuídas pelos usuários do Sistema Único de Saúde atendidos pela Unidade de Saúde Gérson de Oliveira na cidade de Colinas do Tocantins TO participantes da pesquisa Gráfico 7. Distribuição das classes de freqüência de doenças auto atribuídas pelos usuários do Sistema Único de Saúde atendidos pela Unidade de Saúde Gérson de Oliveira na cidade de Colinas do Tocantins TO, participantes da pesquisa Gráfico 8. Distribuição das classes de freqüência de doenças auto atribuídas pelos usuários do Sistema Único de Saúde atendidos pela Unidade de Saúde Gérson de Oliveira na cidade de Colinas do Tocantins TO, participantes da pesquisa

12 Gráfico 9. Distribuição das classes de freqüência de grau de escolaridade dos usuários do Sistema Único de Saúde atendidos pela Unidade de Saúde Gérson de Oliveira na cidade de Colinas do Tocantins TO, participantes da pesquisa Gráfico 10. Distribuição das classes de freqüência da participação em organizações dos usuários do Sistema Único de Saúde atendidos pela Unidade de Saúde Gérson de Oliveira na cidade de Colinas do Tocantins TO, participantes da pesquisa Gráfico 11 - Comunicação de massa mais utilizada pelos usuários do Sistema único de Saúde atendidos pela Unidade de Saúde Gérson de Oliveira na cidade de Colinas do Tocantins TO, participantes da pesquisa... 69

13 LISTA DE QUADROS Quadro 1 Doenças relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado...21 Quadro 2 Ações Integrantes do Saneamento Ambiental Quadro 3 Doenças relacionadas no Grupo Focal dos Profissionais da Saúde da U.S.F. Gérson de Oliveira, na cidade de Colinas do Tocantins TO Quadro 4 Avaliação da participação da população atendida pela U.S.F Gérson de Oliveira, na cidade de Colinas do Tocantins TO Quadro 5 Desafios da Unidade Saúde da Família Gerson Oliveira, na cidade de Colinas do Tocantins- TO Quadro 6 Citações feitas pelos moradores na Construção do Mapa Falante da área NP1, NP2 e NP3, em relação ao tema Ambiente e Saúde Quadro 7 Avaliação dos moradores da área de abrangência da U S F Gérson de Oliveira, na cidade de Colinas do Tocantins - TO... 80

14 LISTA DE TABELAS Tabela 1 SANEATINS... 56

15 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS E.S.F Estratégia de Saúde da Família U.S.F Unidade de Saúde da Família UBS Unidade Básica de Saúde SANEATINS Companhia de Saneamento do Tocantins IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística DIP - Doenças Infecto Parasitárias DRSAI Doenças Relacionadas ao Saneamento Inadequado LOS Lei Orgânica de Saúde SUS Sistema Único de Saúde SUAS Sistema Único de Assistência SESAU Secretaria de Estado da Saúde Semusa Secretaria Municipal de Saúde PACS Programa Agentes Comunitários de Saúde ONU Organização das Nações Unidas PLANASA Plano Nacional de Saneamento DST s Doenças Sexualmente Transmissíveis

16 SUMÁRIO INTRODUÇÃO CAPITULO CONFÊRENCIAS DA SAÚDE E POLÍTICA NACIONAL DE PROMOÇÃO DA SAÚDE O PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE NO BRASIL POLÍTICA DE ATENÇÃO BÁSICA CAPITULO POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE E SAÚDE AMBIENTAL Saúde e Ambiente PROCESSO DE URBANIZAÇÃO DO AMBIENTE Processo de Urbanização da Região Norte CAPITULO DESCRIÇÃO DA ÀREA DE ESTUDO ÁREA DE ESTUDO Características do Município de Colinas do Tocantins Sistema Único de Saúde do Município de Colinas do Tocantins Sistema Único de Saúde no Estado do Tocantins Área de Abrangência da Unidade de Saúde da Família - Gérson de Oliveira Procedimentos Metodológicos Grupo Focal Mapa falante Pesquisa Documental CAPITULO RESULTADOS E DISCUSSÃO... 51

17 4.1 - ÁREAS PESQUISADAS DA U S F GÉRSON DE OLIVEIRA Pesquisa Quantitativa Pesquisa Qualitativa Descrição do Grupo Focal As construções do Mapa Falante CONSIDERAÇÕES FINAIS RECOMENDAÇÕES REFERÈNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANEXOS...98

18 18 INTRODUÇÃO O mundo torna se cada vez mais um todo. Cada parte do mundo faz, mais e mais, parte do mundo e o mundo, como um todo está cada vez mais presente em cada uma de suas partes. Isto se verifica não apenas para as nações e povos, mas para os indivíduos. Assim como cada ponto de um holograma contém a informação do todo, do qual faz parte, também, doravante, cada indivíduo recebe ou consome informações e substâncias oriundas de todo universo. (MORIN, 2002:67) Nestas palavras, trazemos à tona este sentimento de urgência na proteção ambiental, onde cada parte do mundo sente as tragédias do todo, como ocorre com a questão do aquecimento global. Diversas ações que ocorrem em caráter local podem ter repercussões regionais ou globais. Existem ainda ações denominadas globais, que podem repercutir localmente. No campo das ciências do ambiente, é importante considerarmos que o urbano traz em si uma diversidade de aspectos socioambientais e culturais que se articula com o modo de vida dos muitos atores sociais que compõem os espaços das cidades. Segundo Lynch (1997, p.02), a cidade não é apenas um objeto percebido (e talvez desfrutado) por milhões de pessoas de classes sociais e características extremamente diversas, mas também o produto de muitos construtores que por razões próprias, nunca deixam de modificar sua estrutura. As muitas faces das cidades e as ações cotidianas sejam individuais ou coletivas dos indivíduos que estão inseridos no universo social das cidades criam novas problemáticas ambientais. Estas, por sua vez, à medida que se tornam mais complexas, e muitas vezes, mais controversas, possibilitam a discussão de uma consciência planetária, perpassando por uma nova concepção de convivência entre homem ambiente. De acordo com Carlos (1994, p.28): A idéia de urbano transcende aquela de mera concentração do processo produtivo stricto sensu; ele é um produto do processo de produção num determinando momento histórico, não só no que se refere à determinação econômica do processo (produção, distribuição, circulação e troca), mas também às determinações sociais, políticas, ideológicas, jurídicas, que se articulam na totalidade da formação econômica e social. Dessa forma, o urbano é mais do que um modo de produzir, é também um modo de consumir, pensar, sentir, enfim, é um modo de vida.

19 19 O conhecimento das dinâmicas sociais, econômicas e culturais dos atores envolvidos no processo de urbanização do ambiente é importante para entendermos a complexidade do ambiente, não apenas na concepção de natureza, ecossistema, mas nas relações de espaços organizados por ações antrópicas. Assim, Reigota (2002, p.14), define o meio ambiente como: Lugar determinado ou percebido, onde os elementos naturais e sociais estão em relações dinâmicas e em interação. Essas relações implicam um processo de criação cultural e tecnológica e processos históricos e sociais de transformação no meio social e construído. Para Prüss-Üstün & Corvalán (2007,p.168) a definição de ambiente é todo conjunto de elementos químicos, físicos, biológicos e comportamentais que sustentam o ser humano em um determinado espaço incluindo fatores de risco tais como poluição do ar, água e solo; radiação ionizante; barulho; riscos ocupacionais (acidentes perfuro cortantes em trabalhadores de saúde, DSTs em profissionais do sexo); canteiros de obras (como rodovias e casas em construção); uso da terra; métodos agrícolas e de irrigação; e mudanças no clima e ecossistema ocasionadas pelo homem. Ainda para esses autores os aspectos comportamentais relacionados com ambiente englobam lavagem das mãos e acesso às facilidades sanitárias. Segundo Feachem e Col. (1983) apud Razzolini (2008, p 24.), no contexto da Saúde Pública e Ambiental, um do fator que contribui para produção de doenças no ambiente urbano está relacionado à precariedade do saneamento básico. Neste cenário, segundo os autores, há cinco classes de doenças associadas apenas à água, que são: a) as vinculadas à falta de higiene pessoal e doméstica em razão da deficiência no abastecimento ou inacessibilidade à água; b) as causadas por contato com a água; c) as transmitidas por vetores aquáticos; d) as disseminadas pela água; e e) as transmitidas pela água. Estudos demonstram que, localidades que possuem um saneamento básico inadequado, ou a ausência do mesmo, têm se registrado elevadas incidências e óbitos por

20 20 Doenças Infecto - Parasitárias (DIP), sobretudo nas regiões nordeste, Norte e Centro-Oeste do Brasil, (Tabela 1) representa as principais Doenças Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado. Quadro 1 - Doenças relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado. CLASSIFICAÇÃO DAS DOENÇAS Doenças do circuito fecal-oral, com etiologia bacteriana, viral, protozoária ou parasitária. Helmintos do Solo. TRANSMISSÃO DOENÇAS Interpessoal assim como, especialmente as Diarréias de origem contagiosas bacteriana, por vias mais longas, mediante a contaminação fecal Disenterias dos alimentos, das mãos e das águas. Febre tifóide Poliomielite Hepatite A Disenteria Amébica Giardíase Hymenolepiase Cisticercose Contaminação do solo, que requerem Ascaríase um período de desenvolvimento no Ancilostomíase terreno e transmitem-se por ingestão Tricocefalíase direta ou de vegetais contaminados ou Strongiloidose por penetração através dos pés. Helmintos Hídricos Contaminação dos corpos hídricos. Esquistossomose Leptospirose Teníases Bois a porcos, que se infestam mediante ingestão de excretas. Teníases Doenças transmitidas por insetos Doenças relacionadas com a higiene Fonte: Feachem et al Vetores que entram em contato com os excretos, por exemplo, a filaríase, transmitida por mosquitos que se reproduzem em águas contaminadas. Ausência de cuidados de higiene pessoal e com o ambiente. Filaríose Linfática Dengue Febre amarela Leishmanioses L.tegumentar L.visceral Malária Doenças de Chagas Doenças dos olhos Tracoma Conjuntivites Doenças da pele Micoses superficiais A Lei Orgânica do Município de Colinas do Tocantins enfatizou em seu texto o Direito à Saúde, reprisando as garantias estabelecidas na Constituição Federal vigente. Assim fez se pertinente a realização de uma pesquisa que permitisse uma visão ambiental junto às questões de saúde em conjunto com os aspectos das condições socioambientais da população.

21 21 Partindo da hipótese de que o estudo das condições ambientais, condições de vida e indicadores do perfil epidemiológico pode contribuir para a prevenção de doenças evitáveis que acometem a população atendida pela U.S. F - Gérson de Oliveira no município de Colinas do Tocantins TO, e que foram construindo os objetivos da pesquisa que eram de : analisar a situação de saúde da população atendida pela U.S.F Gérson de Oliveira à luz das condições socioambientais; descrever as condições ambientais do bairro; levantar dados das condições de vida dos moradores; levantar dados de perfil epidemiológico da referida população; evidenciar as relações entre condições ambientais, condições de vida e indicadores de perfil epidemiológico; propor estratégias de gestão em saúde publica com o foco em problemas ambientais e abordagem participativa capaz de envolver a população. A realização deste estudo assume relevância diante da possibilidade de colaborar com o município na elaboração de uma política pública valorizando os princípios da saúde ambiental, pautada nos fundamentos da política nacional de promoção da saúde, que têm por objetivo principal promover a qualidade de vida e reduzir vulnerabilidade e riscos à saúde relacionados aos seus determinantes e condicionantes modos de viver, condições de trabalho, habitação, ambiente, educação, lazer, cultura, acesso a bens e serviços essenciais. (BRASIL, 2006:13) 1. No percurso deste estudo, o esquema lógico das idéias expostas foi dividido da seguinte forma: o primeiro capítulo traz uma breve revisão sobre a formação e a evolução das Políticas de Saúde, especialmente a Política Nacional de Promoção de Saúde. O segundo capítulo expõe os princípios da Política Nacional do Meio Ambiente, a concepção de Saúde 1 Política nacional de promoção de saúde.

22 22 Ambiental, e as discussões entorno dos processos de urbanização do ambiente. O terceiro capítulo trata da apresentação da área de estudo, promovendo um resgate histórico sobre o Sistema Único de Saúde no estado do Tocantins, características do município de Colinas do Tocantins TO, com um panorama do Sistema Único de Saúde no município, área de abrangência da Estratégia de Saúde da Família e suas características sociais e culturais. O quarto capítulo e dedicado aos resultados e discussões da pesquisa de campo na área de abrangência da Unidade de Saúde da Família Gérson de Oliveira, seguido de considerações finais e recomendações.

23 23 CAPÍTULO 1 CONFERÊNCIAS DA SAÚDE E POLÍTICA NACIONAL DE PROMOÇÃO DA SAÚDE Segundo Buss (2000, p.168) o conceito de promoção da saúde vem sendo elaborado por diferentes atores em diferentes conjunturas e formações sociais, ao longo dos últimos 25 anos. Nesse ínterim inúmeros eventos internacionais, publicações de caráter conceitual têm contribuído para aproximações de conceitos e práticas mais precisas para este campo. Assim, Buss (2000, p.169) propõe uma cronologia do desenvolvimento conceitual da promoção da saúde no mundo e no Brasil. Desse modo as discussões entorno da Promoção da Saúde foram marcadas por vários momentos e eventos, tais como: 1974 Informe Lalonde: Uma Nova Perspectiva sobre a Saúde dos Canadenses/ A New Perspective on the Health of Canadians; 1976 Prevenção e Saúde: Interesse para Todos, DHSS (Grã-Bretanha); 1977 Saúde para Todos no Ano ª Assembléia Mundial de Saúde; 1978 Conferência Internacional sobre Atenção Primária de Saúde Declaração de Alma-Ata; 1979 População Saudável/Healthy People: The Surgeon General s Report on Health Promotion and Disease Prevention, US-DHEW (EUA); 1980 Relatório Black sobre as Desigualdades em Saúde/Black Report on Inequities in Health, DHSS (Grã-Bretanha); 1984 Toronto Saudável 2000 Campanha lançada no Canadá; 1985 Escritório Europeu da Organização Mundial da Saúde: 38 Metas para a Saúde na Região Européia;

24 Alcançando Saúde para Todos: Um Marco de Referência para a Promoção da Saúde/Achieving Health for All: A Framework for Health Promotion Informe do Ministério da Saúde do Canadá, Min. Jack Epp e a Carta de Ottawa sobre Promoção da Saúde, na I Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde (Canadá) Lançamento pela OMS do Projeto Cidades Saudáveis; 1988 Declaração de Adelaide sobre Políticas Públicas Saudáveis II Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde (Austrália) e De Alma-Ata ao ano 2000: Reflexões no Meio do Caminho Reunião Internacional promovida pela OMS em Riga (URSS); 1989 Uma Chamada para a Ação/A Call for Action Documento da OMS sobre promoção da saúde em países em desenvolvimento; 1990 Cúpula Mundial das Nações Unidas sobre a Criança (Nova York); 1991 Declaração de Sundsvall sobre Ambientes Favoráveis à Saúde III Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde (Suécia) Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio 92) e a Declaração de Santa Fé de Bogotá Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde na Região das Américas (Colômbia); 1993 Carta do Caribe na I Conferência de Promoção da Saúde do Caribe (Trinidad e Tobago) e a Conferência das Nações Unidas sobre os Direitos Humanos (Viena); 1994 Conferência das Nações Unidas sobre População e Desenvolvimento (Cairo); no ano seguinte a Conferência das Nações

25 25 Unidas sobre a Mulher (Pequim) e a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Social (Copenhague); 1996 Conferência das Nações Unidas sobre Assentamentos Humanos (Habitat II) (Istambul) e acontece a Cúpula Mundial das Nações Unidas sobre Alimentação (Roma); 1997 Finalmente a Declaração de Jacarta sobre Promoção da Saúde no Século XXI em diante IV Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde (Indonésia). Em suma à carta de Ottawa, contém as orientações para atingir a Saúde para Todos no ano 2000, ressaltando os seguintes compromissos: Intervir no domínio das políticas públicas saudáveis e advogar, em todos os sectores, um claro compromisso político para a saúde e a equidade; Contrariar as pressões a favor dos produtos nocivos e da depleção de recursos, das más condições de vida, dos meios insalubres e da má nutrição; e centrar a atenção em temas de saúde pública, tais como a poluição, os riscos ocupacionais, as condições de habitação e os aglomerados populacionais; Combater as desigualdades em saúde, dentro e entre diferentes grupos sociais e comunidades; Reconhecer as pessoas e as populações como o principal recurso de saúde; apoiá-las e capacitá-las para se manterem saudáveis, através de meios financeiros ou outros, e aceitar a comunidade como a voz essencial em matéria de saúde, condições de vida e bem estar; Reorientar os serviços de saúde e o modo como se organizam no sentido da promoção da saúde; partilhar o poder com outros sectores, outras disciplinas e, acima de tudo, com as próprias populações; Reconhecer a saúde e a sua manutenção como o maior investimento e desafio social e considerar os diferentes modos de vida numa perspectiva ecológica global O PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE NO BRASIL Segundo Paim & Teixeira (2006, p.74), o conceito de Política de Saúde compreende:

26 26 (...) a uma resposta social de uma organização (como estado) diante das condições de saúde de indivíduos e das populações e seus determinantes, bem como em relação à produção, distribuição, gestão e regulação de bens e serviços que afetam a saúde humana e o ambiente. Historicamente, o século XX, é considerado um marco importante para a transformação da pratica médica, junto com grandes invenções, avanço da tecnologia e saberes. Nessa época se estabeleceram novos paradigmas de conhecimentos. No Brasil, as políticas de saúde do inicio do século XX ainda configuravam se como serviços de saúde do tipo: filantrópico, de voluntários, benzedeira, chazeira, parteira, e atendimento nas Santas Casas de Misericórdias. Atualmente, as Políticas de Saúde conforme Lucchese (2004, p.3), integram o campo de ação social do estado orientado para a melhoria das condições de saúde da população e dos ambientes natural, social e do trabalho. Assim as políticas públicas de saúde em relação às outras políticas públicas da área social têm a função de organizar as funções públicas governamentais para a promoção, proteção e recuperação da saúde dos indivíduos e da coletividade. No entanto, essas transformações somente se consolidaram com a criação do Sistema Único de Saúde que foi uma conquista dos movimentos sociais (sanitaristas, estudantes, feministas) que na década de 70 a 80, lutavam pelo direito à saúde, melhores condições de vida, liberdade de expressão, igualdade e justiça social. Essas lideranças, junto com os representantes do setor da saúde, reuniram 4 mil pessoas e organizaram, em 1986, a VIII Conferência Nacional de Saúde, com o objetivo de propor à assembléia constituinte a reformulação do Sistema de Saúde Nacional. Segue a pauta da Conferência : a) A saúde como direito inerente à cidadania; b) Reformulação do Sistema Nacional com bases nos princípios de universalização, participação e descentralização; c) A integração orgânica institucional;

27 27 d) A redefinição dos papéis institucionais das unidades políticas (União, estados, territórios e municípios) na prestação de serviços de saúde; e) Financiamento do setor da saúde; O encaminhamento da conferência foi a elaboração de uma proposta de Reforma Sanitária, que em seu escopo defendia a criação de um Sistema Único de Saúde, que se desligasse da Previdência Social e universalizasse o atendimento para toda a população, de modo integral e com equidade. O sistema de saúde brasileiro vem sendo construindo há duas décadas, porém, o grande marco da mudança foram as discussões do movimento sanitarista. A aprovação da Nova Constituição Federal direcionou os princípios do Sistema Único de Saúde. Vale ressaltar que a Carta Magna brasileira traz em seu corpo uma seção destinada aos direitos da Saúde, onde estão firmados os princípios do SUS, principalmente nos artigos 194 e 196 da Constituição Federal de 1988 (Brasil, 1988): Art A seguridade social compreende um conjunto de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, a previdência e a assistência social. Art.196 A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco para a sua promoção, proteção e recuperação. Para Vasconcelos e Pasche (2008, p.538) o Sistema Único de Saúde (SUS) é a base estruturante nacional que tem como atribuição a efetivação da Política de Saúde do nosso País. O SUS integra o sistema brasileiro de proteção social, em consonância com os demais sistemas de Previdência Social e o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), compondo assim o tripé assegurado no art.194, da CF/88: o direito à saúde, à previdência e à assistência social (Brasil, 1988). A regulamentação e organização do Sistema Único de Saúde brasileiro estão contidas na Lei Orgânica da Saúde LOS n º8.080\90 que dispõe sobre as condições para a promoção,

28 28 proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências, e na Lei nº 8.142/90, dispõe sobre a participação das comunidades na gestão do SUS e os instrumentos de participação social em cada de governo. Desse modo, os princípios e as diretrizes do SUS de acordo com a Lei Orgânica da Saúde nº8. 080/90; e a Lei 8.142/90 são: a) Universalidade: cumprir com o principio de que todos os cidadãos têm direito a saúde sem discriminação de qualquer forma; b) Integralidade: oferecer atenção necessária à saúde da população, promovendo ações continuada de prevenção e tratamento aos indivíduos e às coletividades, em qualquer nível de complexidade; c) Equidade: disponibilizar recursos e serviços com justiça, conforme a necessidade de cada um, priorizando os mais carentes, e os que estão vulneráveis socialmente; d) O direito à informação: garantir ao cidadão o domínio das informações sobre sua saúde individual e acerca dos riscos e dos condicionantes que afetam a saúde coletiva. É responsabilidade dos profissionais e dos gestores a viabilização desse direito; e) Descentralização: processo de municipalização da gestão dos serviços e ações da saúde; f) Participação comunitária: assegurada na Lei nº 8.142/90 onde descrever que participação de representantes da comunidade nas conferências e nos conselhos de saúde, é um processo de democracia, e de participação dos atores sociais nas decisões das três esferas do governo, constituindo um processo democrático denominado de controle social; g) Integração: integrar as ações entre subsistemas que conformam o sistema de saúde, e dos serviços em redes assistenciais integradas.

29 29 O Sistema Único de Saúde é responsável pelo gerenciamento do conjunto de ações da política de atenção à saúde, formando a rede de serviços de promoção, prevenção e assistência. Vasconcelos e Pasche (2006, p. 540) ressaltam que: (...) os serviços de públicos de saúde com abrangência nacional e cobertura universal, e compreendem ações de vigilância epidemiológica sobre doenças e agravos, a vigilância ambiental, também dos ambientes de trabalho, e as ações de imunização em relação a um conjunto de doenças.(...) Assim, a efetivação dos serviços básicos de atenção à saúde são planejadas pela gestão do SUS nos municípios, por meio das Unidades Básicas de Saúde e Unidade de Saúde da Família onde se encontram as Equipes de Saúde da Família. A estratégia do Programa Saúde da Família foi instituída em 1994, com o objetivo de reorganizar as novas práticas da atenção à saúde fundamentada em um modelo de atendimento de saúde mais humanizado e de forma contínua priorizando uma maior proximidade com as famílias e a comunidade de maneira geral. 1.2 POLÍTICA DE ATENÇÃO BÁSICA Em 2006 o governo federal institucionalizou a Política Nacional de Atenção Básica. A portaria nº 648\GM aprovou a Política de Atenção Básica, e estabeleceu a revisão das diretrizes e das normas de para a organização da Atenção Básica para o Programa Saúde da Família (PSF) e o Programa Agentes Comunitários de Saúde (PACS). Essa Portaria consolidou o Programa de Saúde da Família, como uma estratégia prioritária para a reorganização da atenção básica no Brasil, (Brasil, 2006), ratificando como estratégia central para a gestão e a organização das práticas de saúde coletiva de promoção, prevenção e de assistência. A estratégia da Saúde deve ter: I - definição do território de atuação das UBS; II - programação e implementação das atividades, com a priorização de solução dos problemas de saúde mais freqüentes, considerando a responsabilidade da assistência resolutiva à demanda espontânea;

30 30 III - desenvolvimento de ações educativas que possam interferir no processo de saúde-doença da população e ampliar o controle social na defesa da qualidade de vida; IV - desenvolvimento de ações focalizadas sobre os grupos de risco e fatores de risco comportamentais, alimentares e/ou ambientais, com a finalidade de prevenir o aparecimento ou a manutenção de doenças e danos evitáveis. ( Brasil,2006) De acordo com a portaria 648\GM de 2006, a Atenção Básica é caracterizada por um conjunto de ações de saúde, que é responsável pela promoção, proteção da saúde, tratamento, diagnósticos, reabilitação e manutenção da saúde individual e coletiva, desenvolvida por meio de práticas de saúde gerenciais e sanitárias, democráticas e participativas, planejadas e executadas através de trabalho em equipe, dirigidas a populações de territórios bem delimitados. Além disso, a Atenção Básica tem a responsabilidade de garantir condições sanitárias básicas, considerando a dinâmica existente no território em que vivem essas populações. A Política da Atenção Básica garante o cumprimento do princípio da igualdade constitucional, quando afirma que: (...) considera o sujeito em sua singularidade, na complexidade, na integralidade e na inserção sócio-cultural e busca a promoção de sua saúde, a prevenção e tratamento de doenças e a redução de danos ou de sofrimentos que possam comprometer suas possibilidades de viver de modo saudável (BRASIL, 2007). Os Fundamentos da Atenção Básica são: I - possibilitar o acesso universal e contínuo a serviços de saúde de qualidade e resolutivos, caracterizados como a porta de entrada preferencial do sistema de saúde, com território adstrito, de forma a permitir o planejamento e a programação descentralizada, e em consonância com o princípio da eqüidade; II - efetivar a integralidade em seus vários aspectos, a saber: integração de ações programáticas e demanda espontânea; articulação das ações de promoção à saúde, prevenção de agravos, vigilância à saúde, tratamento e reabilitação, trabalho de forma interdisciplinar e em equipe, e coordenação do cuidado na rede de serviços; III - desenvolver relações de vínculo e responsabilização entre as equipes e a população adscrita, garantindo a continuidade das ações de saúde e a longitudinalidade do cuidado; IV - valorizar os profissionais de saúde por meio do estímulo e do acompanhamento constante de sua formação e capacitação;

31 31 V - realizar avaliação e acompanhamento sistemático dos resultados alcançados, como parte do processo de planejamento e programação; e VI - estimular a participação popular e o controle social. (Brasil,2006) Durante a reunião em Nova Iorque com os 191 países da ONU, no ano de 2000, foi acordado um compromisso com 147 chefes de Estado, que ficou conhecido como As oito metas do milênio ou os Oito jeitos de mudar o mundo. O Brasil esteve presente e se comprometeu a elaborar políticas públicas para o cumprimento das metas em prol do desenvolvimento social e econômico voltada para a qualidade de vida da população até As metas do milênio consistem em: a) acabar com a fome e a miséria; b) educação básica e de qualidade para todos; c) igualdade entre sexos e valorização da mulher; d) reduzir a mortalidade infantil; e) melhorar a saúde das gestantes; f) combater a Aids, a malária e outras doenças; g) qualidade de vida e respeito ao meio ambiente; h) todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento. Para o cumprimento dos compromissos firmados com a ONU, a Política de Atenção Básica define como áreas estratégicas para atuação em todo o território nacional: a eliminação da hanseníase, o controle da tuberculose, o controle da hipertensão arterial, o controle do diabetes mellitus, das doenças sexualmente transmissíveis, a eliminação da desnutrição infantil, a saúde da criança, a saúde da mulher, a saúde do idoso, saúde indígena, saúde bucal e a promoção da saúde, dentre outros. A equipe da Estratégia de Saúde da Família é formada segundo o Ministério da Saúde basicamente por: um médico de família, um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e seis agentes comunitários de saúde. Quando ampliada, conta ainda com: um dentista, um auxiliar de consultório dentário e um técnico em higiene dental. A lei de 2006 dispõe que para ser Agente Comunitário de Saúde é preciso preencher os seguintes requisitos: a) Morar na área da comunidade em que atuar desde data da publicação do edital do processo seletivo público; b) haver concluído, com aproveitamento,

32 32 curso introdutório de formação inicial e continuada e haver concluído o ensino fundamental. As atribuições destes agentes segundo a Política Nacional de Atenção Básica são: I - desenvolver ações que busquem a integração entre a equipe de saúde e a população adscrita à UBS, considerando as características e as finalidades do trabalho de acompanhamento de indivíduos e grupos sociais ou coletividade; II - trabalhar com adscrição de famílias em base geográfica definida, a microárea; III - estar em contato permanente com as famílias desenvolvendo ações educativas, visando à promoção da saúde e a prevenção das doenças, de acordo com o planejamento da equipe; IV - cadastrar todas as pessoas de sua microárea e manter os cadastros atualizados; V - orientar famílias quanto à utilização dos serviços de saúde disponíveis; VI - desenvolver atividades de promoção da saúde, de prevenção das doenças e de agravos, e de vigilância à saúde, por meio de visitas domiciliares e de ações educativas individuais e coletivas nos domicílios e na comunidade, mantendo a equipe informada, principalmente a respeito daquelas em situação de risco; VII - acompanhar, por meio de visita domiciliar, todas as famílias e indivíduos sob sua responsabilidade, de acordo com as necessidades definidas pela equipe; e VIII - cumprir com as atribuições atualmente definidas para os ACS em relação à prevenção e ao controle da malária e da dengue, conforme a Portaria nº 44/GM, de 3 de janeiro de (BRASIL, 2006) No Brasil, a Promoção da Saúde é responsabilidade da Atenção Básica de Saúde, instituída em março de 2006 através da portaria nº 687 MS\GM que estabeleceu a Política Nacional de Promoção de Saúde. A Política Nacional de Promoção de Saúde tem o papel de desenvolver ações capazes de garantir maior institucionalidade e fortalecimento do componente de promoção da saúde no SUS. O seu objetivo geral é de promover: a qualidade de vida e reduzir vulnerabilidade e riscos à saúde relacionados aos seus determinantes e condicionantes modos de viver, condições de trabalho, habitação, ambiente, educação, lazer, cultura, acesso a bens e serviços essenciais (Brasil, 2006, p.13) Percebe - se nesse enunciado, a preocupação com as redes de conexões entre saúde e condições de vida, pois esse conjunto de determinantes pode condicionar a saúde das pessoas. TORRES (2000, p.50) acrescenta que as atividades antrópicas de grande escala, com objetivos econômicos, provocam alterações do meio ambiente, e por seqüências das

33 33 condições sanitárias precárias constituídas afetam a saúde da população. A Política Nacional de Promoção de Saúde (Brasil, 2006) visa: reconhecer na Promoção da Saúde uma parte fundamental da busca da eqüidade, da melhoria da qualidade de vida e de saúde; estimular as ações intersetoriais, buscando parcerias que propiciem o desenvolvimento integral das ações de Promoção da Saúde; fortalecer a participação social como fundamental na consecução de resultados de Promoção da Saúde, em especial a eqüidade e o empoderamento individual e comunitário; promover mudanças na cultura organizacional, com vistas à adoção de práticas horizontais de gestão e estabelecimento de redes de cooperação intersetoriais; incentivar a pesquisa em Promoção da Saúde, avaliando eficiência, eficácia, efetividade e segurança das ações prestadas; divulgar e informar das iniciativas voltadas para a Promoção da Saúde para profissionais de saúde, gestores e usuários do SUS, considerando metodologias participativas e o saber popular e tradicional. Em síntese a política de promoção de saúde, desde sua origem, visa fortalecer e assegurar a população o direito à saúde, a informação e a participação. Assim as atividades, e as práticas de saúde e educação, têm que promover informações que possibilitem a formação e o empoderamento do indivíduo e da comunidade. Pelo exposto, considerando o processo de reforma sanitária no Brasil, e a relação deste com um movimento mundial e os desdobramentos e preceitos das Políticas de Atenção Básica à saúde, temos de modo bastante explícito a importância de questões ambientais relevantes à saúde das populações urbanas enquanto quesito de Promoção da Saúde, principalmente diante de condições sanitárias precárias.

34 34 CAPÍTULO POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE E SAÚDE AMBIENTAL A declaração de Estocolmo, produzida no primeiro encontro mundial para meio ambiente realizado em 1972, inspirou a criação da Secretaria Especial do Meio Ambiente vinculada ao Ministério do Interior em 1973, (Brasil) e finalmente em 1981, a elaboração da Lei No Política Nacional de Meio Ambiente (Brasil). Visto que até então o meio ambiente era percebido de forma fragmentada e, assim, não conseguia a completa proteção de seus bens, em razão do bem ambiental ser difuso, essa nova lei fundamentou se em uma visão global da questão ambiental, destacando as interações de ordem química, física e biológica que permitem, obrigam e regem a vida em todas as suas formas. É preciso ressaltar que a Conferência de Estocolmo 1972, teve uma relevância na construção de propostas e pactos entre países no sentido de elaboração e de efetivação de políticas publicas ambientais e da criação, e a reformulação de organizações governamentais e estaduais do meio ambiente, em todas as áreas da vida humana. A criação da Secretaria Nacional de Meio Ambiente e do Sistema Nacional de Meio Ambiente no Brasil foram eixos estruturantes para o campo de discussão da Saúde Ambiental, que surgiu em resposta aos problemas como saneamento ambiental, exposição humana a agrotóxicos, mercúrio, chumbo, e fatores de risco relacionados à qualidade da água para o consumo humano e a saúde do trabalhador. A temática de Saúde Ambiental corresponde ao princípio da Política Nacional do Meio Ambiente, de acompanhamento do estado da qualidade Ambiental, tendo em vista que os problemas sociais e ecológicos não constituem um fenômeno provisório, mesmo porque já vêm sendo discutidos desde o século V a.c.. Em Tratado dos ares, das águas e dos lugares, Hipócrates levanta a hipótese de que a gênese das doenças tem mais a ver com o

35 35 modo como uma população se relaciona com elementos ambientais do local em que está estabelecida que com uma origem sobrenatural. Considera, por exemplo, que o clima, a água ou suas condições e a incidência de ventos favoráveis são úteis para o médico avaliar a saúde geral dos habitantes de uma dada localidade. (Corpus Hippocraticum, século V a.c.). Payot e Rivages (1996) apud Botelho (2004, p.184). No século XX, essas discussões se fizeram mais presentes, em 1992 aconteceu no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento Humano. Esse evento ficou conhecido mundialmente como Rio 92 ou ECO 92. Nesta ocasião, os países participantes assumiram o compromisso e a tarefa de propagar a importância de construir um pacto internacional de desenvolvimento sustentável. MINAYO (2002, p.17) apresenta para discussão sobre o desenvolvimento sustentável que a sustentabilidade descrita no contexto da Agenda 21 Global 2 é originada de uma abordagem crítica que envolve um conjunto de saberes das diversas ciências que contribui para o conhecimento da complexidade pertinente às questões relacionadas ao Meio Ambiente e as suas interfaces com a saúde. Uma das prioridades da Agenda 21 é promover a saúde evitando a doença. Nesse sentido, considerando que as desigualdades sociais incidem de forma particular sobre as camadas de baixa renda, propõe-se, por meio do processo de universalização da Estratégia de Saúde da Família, a execução de ações associadas a identificação de fatores ambientais que prejudicam a saúde da população, tais como: águas dos rios e subterrâneas contaminadas que são utilizadas para consumo humano; drenagem inadequada das águas pluviais, produzindo coleções que facilitam a reprodução de vetores de doenças como a malária e a esquitossomose; 2 Agenda 21 global, organizada em quarenta capítulos, proposta que surgiu como objetivo de orientar a formulação das Agendas de cada país visando um desenvolvimento sustentável.

36 36 resíduos sólidos lixo urbano e detritos industriais que alimentam a proliferação de insetos e roedores transmissores de doenças, assim como proporcionam a contaminação do meio ambiente por produtos químicos; contaminação de alimentos por agentes químicos e biológicos. (apud, MINAYO,2002) É preciso considerar que além da identificação dos fatores ambientais que prejudicam a saúde da população é de responsabilidade da equipe de saúde da família planejar e consolidar ações de promoção de saúde e educação ambiental como prioridades para a formação cidadã, visando o protagonismo de ações ambientais da comunidade em busca da construção de um mundo melhor e auto sustentável Saúde e Ambiente Segundo Nascimento et al (2006, p.48) com a incorporação de múltiplas interfaces disciplinares a doença deixou de ser um objeto exclusivo da medicina e passa a ser observada por outras ciências. As definições de ambiente e saúde co-existem nas relações dos indivíduos no contexto das representações sociais, tendo por base a definição em sua essência filosófica que a mesma significa a reprodução de uma percepção anterior ao conteúdo do pensamento, e que o homem é por natureza um ser social, cultural e histórico. Desse modo, (COSTA & TEIXEIRA, 1999) apud Minayo (2002: 43) comentam que: (...) Uma doença pode se disseminar em diferentes momentos históricos, em diferentes espaços geográficos, ou seja, a distribuição espacial da doença representa a dinâmica da estrutura epidemiológica, já que o perfil epidemiológico dos diferentes espaços é criado pela interação das relações sociais que caracterizam a sua organização e é modificado através do tempo, conforme o momento histórico em que se encontre o estágio de desenvolvimento das forças produtivas e das relações sociais, as quais são os fatores determinantes da organização do espaço.

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