Este artigo refere-se ao projeto Só a alegria GIAR: PRÁTICAS INTRODUÇÃO

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1 DST/AIDS e práticas sexuais no Rio de Janeiro OCARNA ARNAVAL AL VAI AI DST/AIDS E PRÁTIC AI CONT ONTAGIAR GIAR: PRÁTICAS SEXUAIS NO RIO DE JANEIRO THE HE CARNIV ARNIVAL AL WILL CONT ONTAMINA AMINATE TE: THE SUBJECT OF STD/AIDS AND THE SEXUAL PRACTICES IN RIO IO DE JANEIRO Márcio Tadeu Ribeiro Francisco * Denize Cristina de Oliveira ** Araci Carmen Clos *** Nilton César dos Santos **** Joacy Vitória Malaquias **** RESUMO: RESUMO: A alta incidência de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e da Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (AIDS), no País, exige intervenções terapêuticas e preventivas de grande alcance. Objetiva-se delinear o perfil dos participantes frente às DST/AIDS. Aplicou-se análise estatística exploratória de dados em amostra aleatória de 1675 participantes do desfile das escolas de samba, no Rio de Janeiro, no carnaval de Foi aplicado questionário através de entrevista individual. Perfil amostral: sexo masculino (48%), residente no Rio de Janeiro (73%), natural do Rio de Janeiro (64%) e grupo etário jovem-adulto (55%). A maioria possui vida sexual ativa (80,2%); sempre usam preservativos nas relações sexuais (52%); têm parceria estável (72,6%), mas relacionam-se com parceiros eventuais (56%); têm conhecimento das medidas preventivas e atitude favorável à realização do teste para AIDS. Concluiu-se que é preciso reforçar as informações preventivas das DST/AIDS para ampliar a adesão a práticas sexuais mais seguras. Palavras-chave: AIDS; DST; enfermagem; prevenção. ABSTRACT: The high incidence of STD/AIDS in Brazil demands for therapeutic and preventive interventions of great range. The aim of this study was to delineate the profile of the participants in relation to DST/AIDS. Data obtained from an aleatoric sample, composed of 1675 participants of the parade of the samba schools, in Rio de Janeiro, during 2003 carnival, have been submitted to statistical and exploratory analysis. The questionnaires were applied through individual interviews. The profile found was: masculine sex (48%), resident in Rio de Janeiro (73%), natural of Rio de Janeiro (64%) and young-adult age group (55%); most possess active sexual life (80,2%), use preservatives in every sexual relationships (52%), have stable partnerships (72,6%), but link with eventual partners (56%); most have knowledge of the preventive measures and show favorable attitudes to the accomplishment of the test for AIDS. In conclusion, it is necessary to reinforce the information regarding the prevention of STD/AIDS in order to enlarge the adhesion to safer sexual practices. Keywords: AIDS; STD; nursing; prevention. INTRODUÇÃO Este artigo refere-se ao projeto Só a alegria vai contagiar, o samba da prevenção vai pegar neste carnaval 1, realizado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), que há 12 anos vem promovendo pesquisas e ações de intervenção na área de prevenção das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e AIDS. O objetivo deste estudo é delinear o perfil de seus participantes e analisar as relações existentes entre seus conhecimentos, práticas e atitudes sobre as DST/AIDS. As DST são infecções transmitidas através do contato sexual, durante relação oral, vaginal ou anal sem proteção. Algumas doenças podem ser transmitidas também da mãe para o filho, antes ou durante o parto e por transfusões de sangue contaminado. Entre outras, a exposição às doenças sexualmente transmissíveis são consideradas como situação de risco 2. Na vida, o termo risco é uma das expressões mais usadas, pois está relacionado p.30 R Enferm UERJ 2004; 12:30-7.

2 Francisco MTR, Oliveira DC, Clos AC, Santos NC, Malaquias JV a escolhas e a opções. O ser humano expõe-se a situações de risco em vários momentos de sua existência, o que exige sua capacidade de intervir nos acontecimentos, decidindo-se por um ou outro caminho que lhe é apresentado, conforme as condições de seu cotidiano. A liberdade, um dos valores fundamentais da existência humana, é colocada por Sartre 3 como o vínculo do fenômeno das escolhas e decisões, como...pequeno movimento que faz de um ser social totalmente condicionado, uma pessoa que não constitui a totalidade do que recebeu de seus condicionamentos 3:5, mas que opta, que assume a responsabilidade até pelo que fizeram dessa liberdade. Hoje, para a juventude uma das questões mais decisivas de vivência do risco está nas formas de seus relacionamentos sexuais, nessa etapa da vida que é marcada por intensas transformações corporais e de grandes investimentos no convívio inter-gênero. Das DST, nada mais alarmante, hoje, do que a epidemia da AIDS, que trouxe consigo a imposição de limites à vida sexual, como um fantasma que cerceia a liberdade já conquistada, antes mesmo, por gerações anteriores. Tem sido assustador o índice de contaminação pelo vírus da AIDS, e num momento em que a ciência ainda não foi capaz de conduzir soluções eficazes de cura é, portanto, ainda o comportamento informativo e preventivo a única saída 1,4,5. No Brasil, o número de registros de infectados pelo vírus da AIDS (de 1980 a 2002) é de casos, segundo dados da Coordenação Nacional das DST/AIDS 5 do Ministério da Saúde. Entre jovens adultos e adultos de 20 a 39 anos, existem mais de infectados em ambos os sexos, o que corresponde a 70% do total de casos. Na faixa etária dos 10 aos 19 anos, em 2002 foram registrados casos no sexo masculino e no sexo feminino. Embora os números ainda sejam altos, a partir de 1996, com a intervenção do governo através da distribuição gratuita do coquetel anti-aids e das estratégias preventivas das DST/AIDS, o crescimento da epidemia se estabilizou até Em 2000, observa-se um declínio no número de casos novos O sucesso no combate à AIDS, no Brasil, é devido a seu programa pioneiro que se transformou em referência para 120 países. Conseguiu-se a redução de novos casos e o aumento da expectativa de vida do doente. Entretanto, somente 48% dos brasileiros usam preservativos na primeira relação sexual 5, o que requer ampliação do diálogo sobre esse tema com os adolescentes e jovens de diferentes de grupos sociais, visando à mudança de comportamento e atitudes e adoção de práticas sexuais mais seguras. Isto posto, os dados apresentados justificam o interesse da pesquisa em identificar o perfil dessa população de risco. METODOLOGIA Para a exploração inicial de um objeto de estudo, freqüentemente são adotadas técnicas descritivas de análise, especialmente quando o pesquisador envolve-se com grande volume de dados, os quais exigem análise e interpretação, para que se possa entender o fenômeno objeto da pesquisa. Neste estudo, utilizou-se as técnicas de Análise Uni e Bivariada, que fazem parte do conjunto de técnicas de análise exploratória de dados 6, que possibilita um primeiro nível de conhecimento e de triagem dos dados, podendo-se selecionar variáveis que apresentem probabilidade de associação, submetendo-as a outras técnicas de análise confirmatória. A população alvo da pesquisa foi constituída das pessoas que participavam do desfile das escolas de samba no sambódromo do Rio de Janeiro, no carnaval de 2003, tendo sido pesquisada uma amostra aleatória de 1675 sujeitos. Foi aplicado um formulário com questões abertas e fechadas, através de entrevista individual, na área de concentração dos integrantes das Escolas de Samba do Grupo Especial, antes do início do desfile. As pessoas eram convidadas a participar da pesquisa, tendo sido observados os requisitos éticos previstos. Considerando que o objetivo do estudo é descrever a atitude, o conhecimento e as práticas da população pesquisada diante das situações apresentadas, foram agrupadas as perguntas do questionário conforme a temática a que elas se referiam. A entrada, o tratamento e a tabulação dos dados foram desenvolvidos com o software EPINFO. Utilizou-se também os programas SPSS e EXCELL na análise de dados e confecção de gráficos e tabelas. Neste artigo, a análise estatística apresenta as freqüências absolutas e relativas de alguns atributos e características comuns às pessoas investigadas, bem como de variáveis referentes ao enfrentamento das DST/AIDS, através de análises univariadas e bivariadas, utilizando também o teste Qui-quadrado com nível de significância de 95%. R Enferm UERJ 2004; 12:30-7. p.31

3 DST/AIDS e práticas sexuais no Rio de Janeiro RESUL ESULTADOS E DISCUSSÃO Além da caracterização da amostra, foram considerados para análise de dados quatro eixos temáticos, constando de perguntas que exploram as práticas que as pessoas pesquisadas costumam adotar em relação a sua vida sexual, a sua atitude frente às questões das DST/AIDS, o seu conhecimento sobre esse assunto e o acesso a fontes de informações. Caracterização da Amostra Estudada A distribuição da amostra, considerando o sexo, mostrou que mais homens (48%) foram entrevistados, apesar de não ser evidenciada diferença significativa (p<0,05) entre os sexos. Segundo o local de moradia, a grande maioria (73%) morava no Rio de Janeiro. Apenas 11% dos entrevistados afirmaram morar fora do Rio de Janeiro, ou seja, em outras cidades brasileiras, e 1% no exterior, o que nos faz supor que sejam turistas vindos ao Brasil para assistir ao carnaval carioca. A maioria (64%) é natural do Rio de Janeiro. Foi verificado, entre os entrevistados, que o grupo etário jovem-adulto, de 20 a 39 anos de idade, é o conjunto preponderante em relação aos demais, correspondendo a 916 (55%) pessoas. A distribuição da pirâmide etária da amostra entrevistada revelou que, apesar de os homens serem superiores na maioria das faixas, as mulheres se sobressaíram nas faixas etárias mais jovens (10 a 19 anos), e nas faixas adultas acima de 50 anos de idade. Também mostra a preponderância do grupo jovem sempre bastante freqüente nos espaços de festas carnavalescas, conforme demonstra a Figura 1. Vale registrar que o instrumento de coleta de dados não contemplava as variáveis que definem o perfil socioeconômico dos entrevistados profissão, estado civil, renda, nível de instrução e cor epidérmica, o que limita o estudo da amostra investigada, sugerindo-se sua inclusão em próxima pesquisa. Para analisar as questões que revelam as práticas, conhecimentos, atitudes e fontes de informação dos entrevistados em relação às DST/ AIDS, criou-se quatro eixos principais que foram classificados da seguinte maneira: Eixo1: Práticas; Eixo2: Conhecimentos; Eixo3: Atitudes e Eixo4: Fontes de Informação. Cada um dos eixos trata de questões acerca do comportamento sexual, tipo de relações, informação sobre DST/ AIDS, sobre conhecimento de sua prevenção e da existência de programas/projetos. Práticas Relativas às DST/AIDS Analisando a prática dos respondentes quanto a sua vida sexual, foi verificado na pesquisa que a maioria das pessoas possui vida sexual ativa, isto FIGURA 1: Distribuição da amostra segundo sexo e faixa etária. Sambódromo do Rio de Janeiro. Carnaval/2003. p.32 R Enferm UERJ 2004; 12:30-7.

4 Francisco MTR, Oliveira DC, Clos AC, Santos NC, Malaquias JV é, 80,2% do total de respondentes. O sexo masculino representa 56% dos sujeitos sexualmente ativos e essa diferença em relação ao sexo feminino é estatisticamente significativa (p<0,05). Ressaltase que 19,8% dos entrevistados afirmaram não ter vida sexual ativa e 20 respondentes não declararam sua situação quanto a esse item e, por essa razão, não foram contabilizados. A alta prevalência de prática sexual evidenciada no estudo é esperada em função da faixa etária dos entrevistados, assim como a diferença observada em função do sexo, já que nas sociedades católicas ocidentais a atividade sexual é socialmente aceita para os homens e reprimida entre as mulheres. Por outro lado, essa prevalência leva ao questionamento do quanto ou de que forma essas pessoas estão preocupadas ou procurando se prevenir das DST/AIDS. FIGURA 2: Distribuição amostra segundo a frequência com que usa camisinha. Sambódromo do Rio de Janeiro. Carnaval/ Na Figura 2, verifica-se que aproximadamente 52% dos respondentes, demonstraram ter preocupação com o problema das DST/AIDS, pois esse grupo sempre usa camisinha nas relações sexuais, enquanto 30,7% às vezes usam preservativos e 17,3% nunca fazem o seu uso, tornando-se vulneráveis a essas doenças. Tais achados aproximam-se dos encontrados em grupos populacionais brasileiros 1,4,5,7,8,9,10,11. Vale registrar que a faixa etária que mais faz uso de preservativos (37,5%) é a de 20 a 29 anos e a que menos faz uso (1,8%) éade60anos e mais, talvez por sentirem-se mais seguros, com uma vida sexual mais estabilizada. Porém, um grupo bastante preocupante é o que tende a responder que usa quase sempre/às vezes, que corresponde a 30,7%, e que também se concentra na faixa etária de 20 a 29 anos correspondendo a 45,5% desse conjunto. Esses resultados assemelham-se aos encontrados em estudos brasileiros 1,4,5,7,8,9,10,11. A maioria (72,6%) afirma ter mantido relações sexuais nos dois últimos anos com parceiro fixo, ou seja, namorado, esposo, noivo ou companheiro, confirmando a literatura 1,4,5,9,11. Os homens foram os que mais responderam sim (37,8%) contra 34,8% das mulheres, e não lembro (4,1%), contra 2% das mulheres que responderam a essa questão, segundo demonstra a Figura 3. Os jovens de 20 a 29 anos, cerca de 29%, são os que mais mantiveram relações sexuais com parceiro fixo e os que com maior freqüência sempre utilizaram a camisinha nessas relações, já os idosos de 60 anos e mais, cerca de 1,5%, são os que me- FIGURA 3: Prática de ter mantido relações sexuais com parceiro fixo nos últimos dois anos, segundo o sexo. Sambódromo do Rio de Janeiro. Carnaval/2003. R Enferm UERJ 2004; 12:30-7. p.33

5 DST/AIDS e práticas sexuais no Rio de Janeiro nos mantiveram relações sexuais e os que tiveram uma menor freqüência no uso constante do preservativo. Os que responderam quase sempre/ às vezes usaram a camisinha nas relações sexuais com seus parceiros fixos, totalizaram 304 pessoas, das quais 41% aproximadamente, estão na faixa etária de 20 a 29 anos, representando um grupo exposto a maior risco 1,4,5,9,11. Desse conjunto que afirmou ter mantido relações sexuais com parceiro fixo nos últimos dois anos, 48,1% sempre usaram camisinha em suas relações, o que denota uma preocupação preventiva, até mesmo por parte daqueles que se sentem mais seguros no seu relacionamento; 20,1% afirmaram não ter usado e 31,7% disseram nem sempre ter usado a camisinha nessas relações, conforme mostra a Figura 4. FIGURA 4: Prática de ter mantido relações sexuais nos últimos dois anos com parceiro fixo, segundo o uso de preservativo. Sambódromo do Rio de Janeiro. Carnaval/2003. Do total de 976 pessoas que disseram ter tido parceiro fixo, somente 42% não mantiveram relações sexuais com parceiro eventual nos últimos dois anos e 2% não souberam responder. Entre os 291 sujeitos que informaram não ter se rrelacionado sexualmente com parceiro fixo houve contradição, pois 51% relataram não ter mantido relações sexuais com parceiro eventual, indicando cautela na análise desse dado e a necessária revisão desse item do formulário para a próxima coleta de dados (Figura 5). Dos que mantiveram relações sexuais com parceiro eventual tendo parceiro fixo, a maior freqüência está no grupo de 20 a 29 anos (22,5%) e no grupo de 30 a 39 anos (14,3%), confirmando outros estudos 1,4,5,7,8,9,10,11,12. Os que menos expressam essa prática são os de 60 anos e mais que representam 1,1% dos entrevistados. O sexo masculino, mais uma vez, corresponde à maioria, 33% dos homens e 21% das mulheres entrevistados mantiveram relações sexuais com um parceiro eventual, tendo um parceiro fixo e 2,1% não souberam responder. O grupo que teve parceiro fixo e que responde que quase sempre/às vezes usou camisinha nas relações com parceiro eventual é expressivo (30%), sendo que a maior freqüência ocorre na faixa etária de 20 a 29 anos (14,4%) e a menor na faixa de 60 anos e mais (0,5%). Quanto ao uso da camisinha em todas as relações sexuais, é prática adotada por 52%, com predominância (17,3%) da faixa etária de 20 a 29 anos; o grupo de 60 anos e mais (1,2%) representa a minoria. O conjunto que responde quase FIGURA 5: Prática de ter mantido relações sexuais com parceiro fixo e/ou eventual nos últimos dois anos.sambódromo do Rio de Janeiro. Carnaval/2003. p.34 R Enferm UERJ 2004; 12:30-7.

6 Francisco MTR, Oliveira DC, Clos AC, Santos NC, Malaquias JV FIGURA 6: Prática de ter mantido relações sexuais sob efeito de álcool e/ou outras drogas segundo faixa etária. Sambódromo do Rio de Janeiro. Carnaval/2003. sempre/às vezes usa a camisinha, nessas relações, corresponde a 30,7% e destacam-se as mesmas faixas etárias citadas anteriormente com freqüências de 15,5% e 0,5%, respectivamente. Os que respondem que nunca usam camisinha totalizam 17,3%. A pesquisa demonstra que 40% dos entrevistados já tiveram relações sexuais sob o efeito de álcool ou outras drogas (Figura 6). Essa condição reduz o limiar de percepção de riscos e, conseqüentemente a adoção de proteção individual 1,4,5,11,12. Desse grupo que consome álcool ou outras drogas, 39% estão na faixa etária de 20 a 29 anos, 30% têm de 30 a 39 anos de idade e 15% situamse na faixa etária de 40 a 49 anos. A presença de feridas, corrimentos ou verrugas nos órgãos genitais são sinais de DST. A maioria (65,7%) informou nunca ter apresentado DST, enquanto grupo significativo 27,7% relatou ter manifestado alguns dos sintomas/sinais dessas doenças, com maior incidência entre os jovens de 20 a 29 anos de idade. Tais achados aproximam-se dos encontrados em grupos populacionais do País 1,4,5,7,9,11. Considerando os 27,7% de entrevistados com antecedentes de sintomas/sinais das DST, é importante dizer que um terço deles disse ter procurado o médico ou serviço de saúde para resolver esse problema, o que denota um comportamento coerente, dado que essa é a melhor e mais aconselhável forma de se informar e lidar com a questão. Não obstante ser um grupo reduzido, vale ressaltar que, ainda assim, 7% preferem resolver a questão a partir de informações de amigos, com parentes ou até mesmo por conta própria. Essa situação requer o reforço de informações sobre DST 1,4,5,7,9,11. Conhecimento Constituído sobre as DST/AIDS Quanto ao conhecimento sobre as questões e projetos que tratam do tema das DST/AIDS, em praticamente todas as questões a maioria demonstrou ter conhecimento 1,4,5,7,8,9,11. Embora o desconhecimento dos assuntos abordados seja representado por um grupo minoritário, cabe salientar que 12% dos entrevistados afirmaram que não se pega AIDS ao receber sangue contaminado pelo vírus HIV, 7% disseram que o preservativo não confere proteção pessoal contra as DST e o vírus HIV, donde se deduz que a circulação da informação, apesar de significativa, ainda deixa lacunas que podem predispor os sujeitos a desenvolver resistência ao uso do preservativo como meio de prevenção; ainda, 19% consideram que não se adquire o vírus da AIDS através do sexo oral e 13% responderam que a presença de feridas, corrimentos ou verrugas nos órgãos genitais não é sinal de alguma DST, respostas que indicam um conhecimento lacunar do assunto. Atitudes e Julgamentos sobre as DST/ AIDS Quanto às atitudes dos entrevistados em relação às questões de DST/AIDS, verifica-se que a maioria (60,2%) demonstrou um julgamento positivo, pois revela já ter tido vontade de fazer o teste para detectar a presença de AIDS. Achados semelhantes foram identificados em estudos recentes 1,5,7,8,11,12, indicando redução do notório preconceito das décadas de 80 e 90. Entretanto, ainda há muito por fazer para a compreensão das questões R Enferm UERJ 2004; 12:30-7. p.35

7 DST/AIDS e práticas sexuais no Rio de Janeiro subjetivas e sociais que envolvem o enfrentamento da AIDS. Além das informações necessárias, no diálogo com o outro é preciso valorizar sua singularidade e seus direitos de cidadania 1,4,5,9,11,13. Existe uma diferença entre as respostas quanto ao sexo e a faixa etária e esta diferença é estatisticamente significativa (p<0,05). O sexo masculino e a faixa etária de 20 a 29 anos demonstram uma maior inclinação para a realização do teste. Quanto ao uso da camisinha, aproximadamente 85% dos entrevistados consideram que é um direito da pessoa pedir ao parceiro(a) que use o preservativo como medida preventiva das DST/AIDS, é uma questão de cidadania 1,4,5,9,11,13. E a faixa etária de 20 a 29 anos é a que mais contribui para essa postura positiva. Segundo a maioria (75,8%) dos entrevistados, sendo 38,6% homens e 37,2% mulheres, as informações recebidas contribuíram para alguma mudança de comportamento ou melhoria de seus conhecimentos sobre DST/AIDS. A faixa etária de 20 a 29 anos foi a que mais evidenciou essa mudança (28,2%). Acesso a Fontes de Informação Este eixo aborda as fontes de informação do entrevistado sobre DST e HIV/AIDS, tendo sido consideradas como tais a mídia, os familiares, os amigos, os serviços de saúde e a UERJ. Os resultados revelam que os serviços de saúde (27%) e a mídia (22%) são os que mais informam sobre o assunto, seguindo-se os amigos (20%) e os familiares (11%), confirmando a literatura 1,4,5,9,11. Podese questionar a eficiência dessas duas últimas fontes de informação com vistas à adoção de adequadas medidas preventivas das DST/AIDS. Tendo em vista a eficiência das fontes de informações serviços de saúde e mídia esua contribuição para a mudança de comportamento e/ou melhoria de conhecimento desses entrevistados em relação ao tema, observou-se que, independente da instituição procurada, a maioria (75%) dos entrevistados que buscou essas fontes revelou ter mudado de comportamento. Assim, depreende-se que o investimento em informação também é uma forma de prevenção que pode gerar mudanças concretas de comportamento. CONSIDERAÇÕES FINAIS O perfil da amostra investigada apresenta as seguintes características dominantes: sexo masculino, residentes no Rio de Janeiro, natural do Rio de Janeiro e grupo etário jovem adulto, de 20 a 30 anos. A maioria possui vida sexual ativa e usa sempre preservativos nas relações sexuais, destacandose, ainda, comportamentos de risco, pois um terço deles às vezes/quase sempre usa tal recurso ou nunca adota essa medida preventiva. A maioria revelou ter parceria estável nas relações sexuais, nos últimos dois anos, entretanto, informou também ter tido parceria eventual, significando maior vulnerabilidade às DST/AIDS e exposição do parceiro fixo. Parte expressiva da amostra manteve relação sexual sob o efeito de álcool ou outras drogas, sobressaindo o grupo jovem adulto (de 20 anos de idade). Tal prática reduz a percepção de riscos e, conseqüentemente, a adoção de práticas sexuais mais seguras. Importante parcela reúne homens e mulheres com antecedentes de DST, concentrando-se entre jovens de 20 a 29 anos de idade. Ressaltase que apenas um terço deles procurou o médico ou serviços de saúde para tratar-se. A maioria investigada tem conhecimento das medidas preventivas das DST/AIDS, sendo necessário o reforço de informações para aqueles que as desconhecem, ressaltando-se: a proteção assegurada pelo uso de preservativo, a transmissibilidade do HIV através do sexo oral e sinais/sintomas das DST. A maioria também revelou uma atitude positiva, favorável à realização do teste para detecção da presença da AIDS, demonstrando redução do preconceito marcante das décadas de 80 e 90. Destacam-se, entre as fontes de informação sobre DST/AIDS, os serviços de saúde e a mídia, os quais influenciaram a mudança de comportamento da maioria dos respondentes. Os jovens sempre foram vítimas preferenciais da AIDS, no entanto é justamente nesse grupo que as estratégias preventivas têm alcançado os melhores resultados, conforme também demonstram os achados desta pesquisa. Ainda assim, é preciso que os projetos e programas de prevenção das DST/AIDS reforcem suas intervenções e ampliem seu alcance, favorecendo toda a população, por ser também uma questão de cidadania. A dificuldade em se promover mudanças de comportamento para adoção de práticas sexuais mais seguras é notória, principalmente quando se considera que a dimensão da sexualidade ultrapassa os limites da discussão sobre papéis assumi- p.36 R Enferm UERJ 2004; 12:30-7.

8 Francisco MTR, Oliveira DC, Clos AC, Santos NC, Malaquias JV dos por homens e mulheres e interpela a experiência de cada pessoa em particular e põe em cheque uma identidade sexual construída no embate entre o singular e o coletivo. Recomenda-se, no prosseguimento deste estudo, a inclusão de variáveis socioeconômicas, no instrumento de coleta de dados, para ampliação da análise e melhor caracterização do perfil amostral. REFERÊNCIAS 1. Francisco MTR. Só a alegria vai contagiar: 11 anos de carnaval e prevenção das DST/AIDS. Rio de Janeiro: Viaman; Costa ACG. Pedagogia da presença. Belo Horizonte (MG): Modus Faciente; SartreJP. Questãodemétodo. SãoPaulo: EditoraAbril; Francisco MTR. Gestão em parceria de projetos em DST/ AIDS [tese de doutorado]. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro; Ministério da Saúde (Br) Coordenação Nacional de DST e AIDS. Dados e pesquisas em DST e AIDS. [online]. Disponível na Internet via WWW. URL: AIDS.gov.br. Acesso em maio de Spiegl MR. Estatística. Tradução de Pedro Consentino. Rio de Janeiro: Ao livro Técnico; Barbosa MR. HIV/AIDS, transmissão heterossexual. Saúde Sexual e Reprodutiva (Rio de Janeiro) 2001; 2(4): Batista RS, Gomes AP. AIDS. In: Batista RS, organizador. Medicina Tropical. Rio de janeiro: Cultura Médica; Francisco MTR. Buscando resolução na gerência de projetos em saúde: prevenção das DST/AIDS. R Enferm UERJ 2001; 9: Paulilo MAS. AIDS: os sentidos do risco. São Paulo: Veras; Ministério da Saúde (Br). Cooordenação de DST/ AIDS. Resposta: a experiência do programa brasileiro de AIDS. Brasília (DF): Ministério da Saúde; United Nations Programe on HIV/AIDS. Innovative approaches to HIV prevention: selected case studies. Genebra: UNAIDS; Costa ACG. Protagonismo juvenil: adolescência, educação e participação democrática. Salvador: Fundação Odebrecht; EL CARNA ARNAVAL AL VA A CONT ONTAGIAR GIAR GIAR: : EST/SIDA Y PRÁCTIC PRÁCTICAS SEXUALES EN RIO DE JANEIRO RESUMEN: La elevada incidencia de Enfermedades Sexualmente Transmisibles (EST) / Síndrome de la Inmunodeficiencia Adquirida (SIDA), en Brasil, exige intervenciones terapéuticas y preventivas de grande alcance. Se objetiva delinear el perfil de los participantes delante de las EST/SIDA. Se aplicó análisis estadístico exploratorio de datos en muestra aleatoria de 1675 participantes del desfile de las Escuelas de Samba, en Rio de Janeiro, en el carnaval de Fue aplicado cuestionario a través de entrevista individual. Perfil de la muestra: sexo masculino (48%); residente en Rio de Janeiro (73%); nacido en Rio de Janeiro (64%); y grupo etario joven/adulto (55%). La mayoría posee vida sexual activa (80,2%); siempre usan preservativos en las relaciones sexuales (52%); tienen aparcería estable (72,6%), pero se relacionan con aparceros eventuales (56%); tienen conocimiento de las medidas de prevención y actitud favorable a la realización del test para SIDA. Se concluye que es necesario reforzar las informaciones preventivas de las EST/SIDA para ampliar la adhesión a prácticas sexuales más seguras. Palabras Clave: SIDA; EST; enfermería; prevención. Recebido em: Aprovado em: Notas * Professor Adjunto do Departamento de Fundamentos de Enfermagem (DEFEN) e do Programa de Pós-Graduação/Mestrado da Faculdade de Enfermagem (FENF) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Coordenador do Projeto. ** Professora Titular de Pesquisa do DEFEN e do Programa de Pós-Graduação/ Mestrado da Faculdade de Enfermagem (FENF) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). *** Professora Assistente do Departamento de Fundamentos de Enfermagem (DEFEN) e Coordenadora do Núcleo de Pesquisa e Editoração da Faculdade de Enfermagem (FENF) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). **** Estatístico, Mestrando em Estatística da Escola Nacional de Ciências Estatísticas/IBGE e participante do Projeto. R Enferm UERJ 2004; 12:30-7. p.37

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