retrato DITABRANDA, EU? dobrasil DANTAS A peleja dos fundos de pensão das estatais contra o Lúcifer das privatizações

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "retrato DITABRANDA, EU? dobrasil DANTAS A peleja dos fundos de pensão das estatais contra o Lúcifer das privatizações"

Transcrição

1 DANTAS A peleja dos fundos de pensão das estatais contra o Lúcifer das privatizações retrato R$ 8,00 N O 21 ABRIL DE 2009 dobrasil AMARGO REGRESSO A crise traz de volta os nossos emigrantes ÍNDIOS Eles fazem vídeos surpreendentes para mostrar sua cultura POLO NORTE O gelo do Ártico está aumentando de novo NEPAL Os maoistas enfrentam os desafios da transição ao socialismo Ernesto Geisel, general presidente do Brasil ( ) DITABRANDA, EU? O DEBATE SOBRE O REGIME MILITAR NO BRASIL ENTRE 1964 E 1985 PARAISÓPOLIS A vida dos 80 mil habitantes da segunda maior favela paulistana

2 retrato R$ 8,00 N O 21 ABRIL DE 2009 dobrasil Ponto de vista AS FORMAS DE DITADURA O que está por trás do debate sobre as metamorfoses do regime militar brasileiro dos anos População A IMIGRAÇÃO DOS EMIGRANTES A crise econômica global começa a empurrar para casa os brasileiros que foram fazer a vida no exterior. Na bagagem, muitos problemas Natalia Viana 9 Política O DIABO DAS TELES A expulsão de Daniel Dantas das telecomunicações foi como um exorcismo, que só confundiu a compreensão dos complexos problemas nascidos da privatização Raimundo Rodrigues Pereira 12 Futebol DRIBLANDO A LEI Com o fim do passe, os jogadores deveriam deixar de ser mercadorias. Mas há muitas formas de manter tudo mais ou menos como era no passado Rafael Hernandes 31 Nepal AVANÇO REVOLUCIONÁRIO Os maoistas, aliados a outras forças, enfrentam o desafio de conduzir a transição com um programa moderado e sem perder a revolução de vista Samir Amin 33 Reportagem PARAISÓPOLIS, UM LUGAR COMO POUCOS Encravada em meio a riqueza, a grande favela paulistana é um local em que a violência é menor que a de regiões bem mais ricas Léo Arcoverde 36 Clima O PARADOXO DO ÁRTICO O gelo do polo Norte pode acabar, disseram alguns cientistas. Agora, descobriu-se que ele voltou a aumentar Verônica Bercht 44 Cinema MUITO ALÉM DO VÍDEO Documentários ajudam a recuperar a identidade de povos indígenas e os apresentam à sociedade como expressões da diversidade cultural Carlos Azevedo 4 7 Livro UMA HISTÓRIA POSSÍVEL Na Colônia e no Império, a matemática pouco se desenvolveu. Só no século XX a disciplina adquiriu papel relevante no Brasil Tiago Tozzi 4 9 EXPEDIENTE SUPERVISÃO EDITORIAL Raimundo Rodrigues Pereira EDIÇÃO Armando Sartori REDAÇÃO Carlos Azevedo Lia Imanishi Rafael Hernandes Sônia Mesquita Tânia Caliari Verônica Bercht EDIÇÃO DE ARTE Ana Castro Pedro Ivo Sartori REVISÃO Silvio Lourenço Gabriela Ghetti [OK Linguística] COLABORARAM NESTA EDIÇÃO Alex Silva Carla Bispo Léo Arcoverde Paulo Cunha Samir Amin Tiago Tozzi Retrato do BRASIL é uma publicação mensal da Editora Manifesto S.A. EDITORA MANIFESTO S.A. PRESIDENTE Roberto Davis DIRETOR ADMINISTRATIVO E FINANCEIRO Marcos Montenegro DIRETOR EDITORIAL Raimundo Rodrigues Pereira COMERCIAL GERENTE Daniela Dornellas Tel REPRESENTANTE EM BRASÍLIA Joaquim Barroncas Tel ADMINISTRAÇÃO Neuza Gontijo Maria Aparecida Carvalho IMPRESSÃO E ACABAMENTO Gráfica Grecco & Melo Rua Chave, 614 Barueri SP Tel OPERAÇÃO EM BANCAS ASSESSORIA EDICASE [www.edicase.com.br] DISTRIBUIÇÃO EXCLUSIVA EM BANCAS Fernando Chinaglia Comercial e Distribuidora S/A MANUSEIO FG Press CAPA General Ernesto Geisel/Reprodução CARTAS REFORMA AGRÁRIA Parabéns pela excelente reportagem sobre o MST (RB edição 20). Muito informativa, analítica e consistente. Maria Rita Kehl [São Paulo - SP] A PROVAÇÃO DE BRAZ Fiquei surpreso com a reportagem de Raimundo Pereira sobre Braz e seus amigos (RB edição 17, dezembro de 2008). A tese central do texto: a acusação de suborno é baseada numa montagem de escutas telefônicas sobre imagens de um jantar, no qual os acusados somente estavam trocando informações não-criminosas. E essa montagem seria feita por interesses da Rede Globo, em parceria com o delegado Protógenes Queiroz e a Justiça Federal em São Paulo. Sem evidências e provas a respeito, o artigo de 13 páginas só faz uma coisa: sugerir, sugerir, sugerir... Dantas, Braz e Chicaroni não são vítimas inocentes. É uma história em que o grande capital, banqueiros e políticos acham que o mundo é seu parque de brinquedos e o Estado e sua população subordinados aos seus interesses. Marcel Hazeu [por ]

3 Ponto de vista: AS FORMAS DE DITADURA O que está por trás do debate sobre as metamorfoses do regime militar brasileiro dos anos POR UM MÊS, entre meados de fevereiro e meados de março, as páginas de editoriais, comentários políticos e de cartas dos leitores da Folha de S.Paulo, um dos maiores diários do País, foram local de debate sobre a natureza do regime militar brasileiro recente. O jornal afirmou, primeiro, de passagem, em editorial que critica o presidente venezuelano, Hugo Chávez, que nosso sistema político, entre os anos , foi como as ditabrandas que partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça. Com isso, quis dizer o que um de seus colaboradores, Marco Antonio Villa, tornou explícito poucos dias depois, na seção Tendências e Debates do jornal: Não é possível chamar de ditadura o período (até o AI-5), com toda a movimentação político-cultural. Muito menos os anos , com a aprovação da Lei da Anistia e as eleições para os governos estaduais em Depois, criticado por muitos leitores, políticos e intelectuais, o jornal recuou. Seu diretor de redação, Otavio Frias Filho, disse que o uso da expressão ditabranda em editorial (...) foi um erro, porque o termo teria uma conotação leviana que não se presta à gravidade do assunto. Frias recuou atirando, no entanto. A professora Maria Victoria Benevides tinha considerado infamante o trecho do editorial. O jurista Fabio Comparato tinha dito que o autor do texto e o próprio diretor do jornal deveriam ser condenados a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro. Frias aproveitou a reação dura dos dois intelectuais e contra-atacou, então, os democratas de fachada, que não repudiam, com o mesmo furor inquisitorial [...] as ditaduras de esquerda. O debate envolve duas questões diferentes. Uma, a das metamorfoses do regime político que se instalou no País com o golpe militar de Outra, a natureza de regimes políticos de sistemas sociais opostos ao nosso, voltados para a construção do socialismo. Comecemos pela primeira. O PAÍS DA DITABRANDA A ditadura brasileira dos anos sofreu transformações, e suas diversas fases, sem dúvida, podem ser adjetivadas. E, se alguém foi a pessoa responsável pela consolidação das condições para que o período pudesse ser de ditadura abrandada, esse alguém, com certeza, foi Ernesto Geisel, o terceiro general-presidente do Bra- sil, que governou por cinco anos, entre 1974 e 1978, e procurou eliminar, até mesmo fisicamente, todos aqueles que poderiam ser obstáculo a esse abrandamento. Geisel trabalhou no gabinete do ministro da Guerra de Getulio Vargas, na ditadura de Segundo Elio Gaspari, um dos jornalistas que mais o conheceram e pesquisaram, Geisel era admirador de Benito Mussolini, o líder fascista italiano da época. Apoiou a deportação de Olga Benário, mulher do líder comunista Luiz Carlos Prestes, para a Alemanha. Olga foi enviada pelo regime nazista para um campo de concentração, onde morreu. Quando Adolf Hitler invadiu a Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial, Geisel estava de malas prontas com seu chefe, Goes Monteiro, para visitar a obra de reconstrução econômica da Alemanha, comandada pelo líder nazista após a derrota de seu país na Primeira Guerra Mundial. Geisel foi um dos conspiradores responsáveis pelo golpe militar de 31 de março de 1964 que derrubou o presidente constitucional do País, João Goulart. Tomou posse como presidente em 15 de março de 1974, eleito por um colégio eleitoral armado pelos generais que o antecederam no cargo. Com base em fitas gravadas que recebeu de Heitor Aquino, auxiliar de Geisel, Gaspari conta a conversa ocorrida um mês antes da posse, entre o então recém-eleito presidente e o general Dale Coutinho, escolhido para ser o seu ministro do Exército. Primeiro, este conta que a situação de segurança do País tinha melhorado, a partir de 1969, depois que começamos a matar. Geisel o apoia. Ó, Coutinho, esse troço de matar é uma barbaridade, mas eu acho que tem de ser. Coutinho fala das operações de destruição da guerrilha do Araguaia, o esforço para derrotar a ditadura a partir de um foco de luta popular no campo, comandado pelo Partido Comunista do Brasil. Geisel dá sequência ao assunto: Sabe que agora pegaram o tal líder e liquidaram com ele. Não sei qual o nome dele (Gaspari conta, mais à frente, que se trata do médico Osvaldo Orlando da Costa, conhecido como Osvaldão, que, depois de preso, teria sido apresentado à população da região onde atuava pendurado a um helicóptero e, depois, degolado). Geisel conclui o assunto Araguaia dizendo: Bom, o que eu queria assinalar é isso. Nós vamos ter que continuar ano que vem. Nós vamos ter que continuar essa guerra. Geisel, diz Gaspari, conhecia, apoiava e desejava a continuação da política de extermínio de presos políticos. Apoiava, inclusive, a política de esconder os corpos dos mortos pela repressão. Gaspari conta também um episódio em que isso fica absolutamente claro. Transcreve trecho de conversa de Geisel, na qual ele diz a um chefe de segurança, a respeito da notícia da captura e liquidação de um grupo de pessoas que viera do Chile, passara pela Argentina e fora interceptado no Paraná: É, o que tem que fazer nessa hora, agir com muita inteligência, para não ficar vestígio nessa coisa. Com Geisel, chegou ao apogeu a política de extermínio e desaparecimento dos corpos de presos políticos pela ditadura militar. A política de repressão do general Geisel foi seletiva. Embora tenha atingido muito mais gente, era voltada contra a esquerda especificamente. Procurou destruir a herança comunista do País. É dele a política de extermínio dos velhos dirigentes comunistas do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Procurou atingir, especificamente, os setores da oposição democrática progressista mais aguerridos. Um exemplo: o general Augusto Pinochet, chefe do golpe militar que derrubou o governo de Salvador Allende, no Chile, compareceu à posse de Geisel. E o deputado baiano Francisco Pinto, do chamado Grupo Autêntico do Movimento Democrático Brasileiro (MDB, precursor do atual PMDB), da tribuna do Congresso, chamou Pinochet de assassino, mentiroso e fascista. Como conta Gaspari, o deputado reclamara da tranquilidade com que se recebera o ditador chileno. Disse da tribuna: Para que não lhe pareça, contudo, que no Brasil todos estão silenciosos e felizes com sua presença, falo pelos que não podem falar, clamo e protesto por muitos que gostariam de reclamar e gritar nas ruas contra sua presença em nosso País. Geisel pediu a sua cassação ao Supremo Tribunal Federal (STF), que, amedrontado, cassou o deputado Pinto. A repressão seletiva do general Geisel pode ser compreendida com clareza no contexto de uma breve história da imprensa brasileira nos anos O golpe militar, ao contrário do que sugere o professor Villa, não permitiu que se mantivesse uma grande movimentação político-cultural no País porque foi extremamente violento com relação à imprensa. Atacou e destruiu as publicações da esquerda comunista, da esquerda católica 6 retratodobrasil 21

4 Reprodução e todas as publicações do movimento sindical urbano, de sem-terras e outras organizações populares que tinham então vida legal. Seus jornais foram fechados, suas gráficas próprias foram destruídas e os mais conhecidos de seus jornalistas foram presos ou entraram para a clandestinidade e tiveram seus direitos políticos cassados. A repressão foi violenta também contra a imprensa do grande movimento nacionalista então existente. O maior dos jornais desse movimento era a rede de jornais da Última Hora, com edições diárias no Rio, em São Paulo, em Porto Alegre, no Recife e em mais nove cidades do País. Seu proprietário era Samuel Weiner ( ), ligado a Getulio Vargas e apoiado por empresários nacionalistas como Fernando Gasparian ( ) e José Ermírio de Moraes ( ). Weiner foi cassado pelo golpe e exilou-se. Vendeu, aos pedaços, a cadeia de jornais e o que escapou de máquinas e equipamentos em suas sedes, muitas delas invadidas e depredadas. Para se ter uma ideia da extensão do efeito dessa repressão, nunca mais se teve no País, desde então, um diário de posições mais progressistas e com maior presença. Todos os que foram feitos, a partir da iniciativa de jornalistas, e não de grandes empresários, só existiram por não mais que meio ano: O Sol, no Rio, entre 1967 e 1968; o Jornal da República, em , e Retrato do Brasil, em 1986, os dois em São Paulo. Quando iniciou sua política de distensão lenta, gradual e segura, logo no início de seu governo, Geisel suspendeu, em março de 1975, numa das primeiras ações de seu governo, a censura ao grande jornal conservador O Estado de S. Paulo, que havia se recusado a obedecer à autocensura determinada pela Polícia Federal (PF). A censura contra a revista Veja também foi suspensa na mesma época. Mas, três semanas depois, foi restaurada em função não da posição do patronato, mas da postura do diretor de redação da publicação, Mino Carta. A censura voltou e permaneceu até fevereiro de 1976, quando Mino, considerado um inimigo irredutível da ditadura, abandonou a empresa. A censura aos jornais da ala mais combativa do movimento progressista, como o diário Tribuna da Imprensa e os semanários O São Paulo (da Arquidiocese de São Paulo), Movimento (de iniciativa de um grupo de jornalistas) e Opinião (de Gasparian), só foi suspensa em junho de 1978, quando, forçado pela pressão de um amplo movimento de massas, Geisel teve de imprimir um ritmo mais apressado à política de distensão lenta que começara a pôr em prática já no início de seu governo. TRÊS CONJUNTURAS A ditadura militar brasileira surgiu numa conjuntura específica. Os americanos estavam tentando consolidar suas posições diante do avanço dos comunistas na Europa e na China e das chamadas forças de libertação nacional em várias colônias e países dependentes. Após a derrota do Exército francês diante das tropas vietnamitas em Dien Bien Phu, as Forças Armadas americanas passaram a defender o Vietnã, o Camboja e o Laos da ameaça comunista. Em 1956, os últimos soldados franceses saíram da Indochina, e em 1963 já havia um enorme contingente americano em sua substituição. Na América Latina, a Revolução Cubana, liderada por Fidel Castro, triunfara em 1959 e surgira na esquerda latino-americana o lema de criar um, dois, três, muitos Vietnãs. O golpe militar no Brasil foi apoiado por dinheiro americano e teria a retaguarda armada americana se a resistência do governo de João Goulart fosse mais prolongada, conforme está provado por extensa documentação. Mas a conjuntura de 1974, quando Geisel tomou posse, era outra. Os americanos tinham sido derrotados no Vietnã. Negociaram a saída de suas tropas de combate em Em abril de 1974, retiraram a guarda de segurança de sua embaixada em Saigon, seus últimos soldados naquele país. Nos dois últimos anos de seu governo, Geisel não tinha mais a conjuntura da ofensiva americana para conter o comunismo na América Latina: teve de conviver com a presidência de Jimmy Carter, nos EUA, e sua política de direitos humanos, que procurava mostrar uma outra face, benigna, do império americano, e pressionava as ditaduras latino-americanas, como a comandada por Geisel e por Pinochet, a abandonar a política repressiva. De certo modo, a conjuntura de meados dos anos 1970 é como a de agora: depois de uma ofensiva espetacular de um quarto de século dessa vez no campo econômico, com a financeirização da economia global, o império americano está lambendo as feridas, provocadas pela explosão da grande bolha especulativa criada por eles mesmos e procurando se recom- retratodobrasil 21 7

5 Reprodução Einstein: no capitalismo é impossível o cidadão fazer uso inteligente de seus direitos por, com o governo de Barack Obama. É nesse contexto que o debate sobre a ditabranda se desenvolve. Em meados dos anos 1970, enquanto o governo Geisel recuava e procurava eliminar a esquerda mais radical para que ela não ocupasse o espaço deixado vazio, dentro do movimento democrático teve início um debate sobre a natureza do império americano, entre os que defendiam que ele afirmavam que ele realizara mudanças cosméticas com a política de direitos humanos e que, portanto, precisava ainda ser combatido. Dizia-se também que o governo Geisel era nacionalista e democrático e que os únicos a não aceitar essa avaliação eram os setores mais radicais da oposição que, aliás, não seriam democráticos porque defenderiam os regimes socialistas, de ditadura do proletariado. De certo modo é o que se observa agora, no debate sobre a ditabranda. Há uma nova conjuntura, e os conservadores em geral procuram desqualificar a parte mais combativa do movimento democrático. Ao também criticar o uso do termo ditabranda, o editor de Política da Folha, Fernando de Barros e Silva, referiuse, como Frias, a esses setores. Disse que muitos intelectuais se assanham agora com a tirania por etapas que Chávez vai impondo à Venezuela. Disse que o regime moribundo mas terrível de Fidel Castro ainda exerce um fascínio sobre figurões e figurinhas da esquerda nativa. Afirmou ainda que a proposta de Comparato, de obrigar os autores do neologismo ditabranda a ficarem de joelhos em praça pública, lembrava a tortura chinesa com que a polícia política maoista punia desvios ideológicos durante a Revolução Cultural. A quem interessa isolar a esquerda na conjuntura atual? Na política oficial, há em curso um esboço de polarização entre a possível candidatura do PSDB, de José Serra, governador de São Paulo, e a também possível candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, por uma coligação de partidos em torno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ambas as candidaturas buscam uma união ampla de forças para enfrentar a grande crise pela qual o País passa, decorrente, fundamentalmente, do fato de que o caminho liberal que começou a ser trilhado no governo de Fernando Collor de Mello e que foi aprofundado pelo governo Fernando Henrique Cardoso não foi, em sua estrutura, minimamente alterado. ESQUERDA MODERNA Ambas as candidaturas, entretanto, parecem procurar ancorar-se num setor social específico: o dos grandes empresários. Assim, setores progressistas mais radicais tendem a ser apartados das alianças que estão se formando. Esse tipo de ponto de vista foi bem expresso por Marcos Nobre, também colunista da Folha, que, no debate citado, mostrou qual é o alvo. Nobre atacou as posições da esquerda que ele chama de tradicional, que, em vez de aceitar o desafio de pensar uma nova relação entre liberdade e igualdade, insistiu em reafirmar posições antigas, coisas como o desemprego não é culpa do desempregado, mas de um sistema econômico que produz injustiça, o progresso material só significa progresso social e político se houver uma justa e solidária distribuição de riqueza e por aí vai. Nobre toca num ponto crucial. A esquerda política moderna nasceu em meados do século XIX exatamente para qualificar a discussão da democracia. O regime político novo, que havia sido consolidado com as grandes revoluções burguesas a Inglesa, do fim do século XVII, e a Americana e a Francesa, do fim do século XVIII, era, na época, uma decepção: o direito ao voto atingia frações da população, as mulheres não votavam, o trabalho, inclusive de crianças, não tinha limites de horário. Foram as revoluções sociais e o movimento dos trabalhadores de então que levantaram a ideia de que era necessária uma democracia nova, popular, socialista. E é dessas ideias, exatamente, que surge, em 1917, a Revolução Russa. Os conservadores partem do desmoronamento da União Soviética e concluem que a única forma de democracia é a democracia liberal, cuja base essencial é a propriedade privada. Não é, é claro. O capital privado tende a se tornar concentrado em poucas mãos, em parte em razão da competição entre capitalistas e em parte porque o desenvolvimento tecnológico e a crescente divisão do trabalho encorajam a formação de grandes unidades de produção em detrimento das pequenas. O resultado desses desenvolvimentos é a formação de uma oligarquia de capitalistas privados, cujo enorme poder não pode ser efetivamente contestado mesmo por uma sociedade organizada democraticamente. Isso porque, na medida em que os membros das câmaras legislativas são selecionados por partidos políticos largamente financiados e além disso influenciados por capitalistas privados, para todos os fins práticos, fica separado o eleitorado dos legisladores. A consequência é que os representantes do povo de fato não protegem suficientemente os interesses da maioria mais pobre da população. Além disso, sob as condições atuais, os capitalistas privados inevitavelmente controlam, direta ou indiretamente, as principais fontes de informação imprensa, rádio, educação. É, portanto, extremamente difícil, e, na maior parte dos casos, praticamente impossível, para o cidadão individual, chegar a conclusões objetivas e fazer uso inteligente de seus direitos políticos. Esse extenso pensamento é evidentemente atual, embora seu autor, Albert Einstein, o tenha escrito em maio de 1949, para o lançamento da revista socialista americana, Monthly Review. 8 retratodobrasil 21

Período Democrático e o Golpe de 64

Período Democrático e o Golpe de 64 Período Democrático e o Golpe de 64 GUERRA FRIA (1945 1990) Estados Unidos X União Soviética Capitalismo X Socialismo Governo de Eurico Gaspar Dutra (1946 1950) Período do início da Guerra Fria Rompimento

Leia mais

Na ditadura não a respeito à divisão dos poderes (executivo, legislativo e judiciário). O ditador costuma exercer os três poderes.

Na ditadura não a respeito à divisão dos poderes (executivo, legislativo e judiciário). O ditador costuma exercer os três poderes. Ditadura: É uma forma de governo em que o governante (presidente, rei, primeiro ministro) exerce seu poder sem respeitar a democracia, ou seja, governa de acordo com suas vontades ou com as do grupo político

Leia mais

Temas Governo de Vargas 1930-1945), Populismo (1945-1964) Ditadura Militar (1964-1985) e República Nova (Redemocratização do Brasil) (1985-2010)

Temas Governo de Vargas 1930-1945), Populismo (1945-1964) Ditadura Militar (1964-1985) e República Nova (Redemocratização do Brasil) (1985-2010) Trabalho de História Recuperação _3ºAno Professor: Nara Núbia de Morais Data / /2014 Aluno: nº Ens. Médio Valor: 40 Nota: Temas Governo de Vargas 1930-1945), Populismo (1945-1964) Ditadura Militar (1964-1985)

Leia mais

1º - Foi um movimento liderado pela BURGUESIA contra o regime absolutista. 2º - Abriu espaço para o avanço do CAPITALISMO.

1º - Foi um movimento liderado pela BURGUESIA contra o regime absolutista. 2º - Abriu espaço para o avanço do CAPITALISMO. APRESENTAÇÃO Aula 08 3B REVOLUÇÃO FRANCESA Prof. Alexandre Cardoso REVOLUÇÃO FRANCESA Marco inicial da Idade Contemporânea ( de 1789 até os dias atuais) 1º - Foi um movimento liderado pela BURGUESIA contra

Leia mais

1º ano. A reconquista ibérica e as grandes navegações Capítulo 10: Item 2 A revolução comercial Capítulo 12: Item 3 O Novo Mundo Capítulo 10: Item 2

1º ano. A reconquista ibérica e as grandes navegações Capítulo 10: Item 2 A revolução comercial Capítulo 12: Item 3 O Novo Mundo Capítulo 10: Item 2 1º ano O absolutismo e o Estado Moderno Capítulo 12: Todos os itens A reconquista ibérica e as grandes navegações Capítulo 10: Item 2 A revolução comercial Capítulo 12: Item 3 O Novo Mundo Capítulo 10:

Leia mais

A América Latina na Guerra Fria A ditadura militar no Brasil

A América Latina na Guerra Fria A ditadura militar no Brasil ID/ES Tão perto e ainda tão distante A 90 milhas de Key West. Visite Cuba. Cartão postal de 1941, incentivando o turismo em Cuba. 1 Desde a Revolução de 1959, Cuba sofre sanções econômicas dos Estados

Leia mais

A Guerra do Vietnã. Fábio Nauras Akhras fabio.akhras@cti.gov.br

A Guerra do Vietnã. Fábio Nauras Akhras fabio.akhras@cti.gov.br A Guerra do Vietnã Fábio Nauras Akhras fabio.akhras@cti.gov.br I. RAÍZES DA INTERVENÇÃO (1776 1945) Desligamento do Império Britânico (1812). Necessidade de novos mercados China. Ideologia (capitalismo,

Leia mais

TEMA 3 UMA EXPERIÊNCIA

TEMA 3 UMA EXPERIÊNCIA TEMA 3 UMA EXPERIÊNCIA DOLOROSA: O NAZISMO ALEMÃO A ascensão dos nazistas ao poder na Alemanha colocou em ação a política de expansão territorial do país e o preparou para a Segunda Guerra Mundial. O saldo

Leia mais

50 ANOS DO GOLPE MILITAR

50 ANOS DO GOLPE MILITAR 50 ANOS DO GOLPE MILITAR (1964-1985) Prof. Dr. Rogério de Souza CAUSAS Guerra Fria Contexto Internacional: Construção do Muro de Berlim (1961) Cuba torna-se Socialista (1961) Crise dos Mísseis (1962) CAUSAS

Leia mais

História B Aula 21. Os Agitados Anos da

História B Aula 21. Os Agitados Anos da História B Aula 21 Os Agitados Anos da Década de 1930 Salazarismo Português Monarquia portuguesa foi derrubada em 1910 por grupos liberais e republicanos. 1ª Guerra - participação modesta ao lado da ING

Leia mais

Revolução de 1930. Fatores: Crise de 1929. Movimento Tenentista. Resultado das eleições.

Revolução de 1930. Fatores: Crise de 1929. Movimento Tenentista. Resultado das eleições. Revolução de 1930 Revolução de 1930 Fatores: Crise de 1929. Movimento Tenentista. Resultado das eleições. Revolução de 1930 Responsável pelo fim da chamada Política café com leite Política café com leite

Leia mais

CONSTRUINDO A DEMOCRACIA SOCIAL PARTICIPATIVA

CONSTRUINDO A DEMOCRACIA SOCIAL PARTICIPATIVA CONSTRUINDO A DEMOCRACIA SOCIAL PARTICIPATIVA Clodoaldo Meneguello Cardoso Nesta "I Conferência dos lideres de Grêmio das Escolas Públicas Estaduais da Região Bauru" vamos conversar muito sobre política.

Leia mais

CRISE E RUPTURA NA REPÚBLICA VELHA. Os últimos anos da República Velha

CRISE E RUPTURA NA REPÚBLICA VELHA. Os últimos anos da República Velha CRISE E RUPTURA NA REPÚBLICA VELHA Os últimos anos da República Velha Década de 1920 Brasil - as cidades cresciam e desenvolviam * Nos grandes centros urbanos, as ruas eram bem movimentadas, as pessoas

Leia mais

DITADURAS DE SEGURANÇA NACIONAL NA AMÉRICA LATINA ENRIQUE SERRA PADRÓS 2012

DITADURAS DE SEGURANÇA NACIONAL NA AMÉRICA LATINA ENRIQUE SERRA PADRÓS 2012 DITADURAS DE SEGURANÇA NACIONAL NA AMÉRICA LATINA ENRIQUE SERRA PADRÓS 2012 ANTECEDENTES GUERRA FRIA - REVOLUÇÃO BOLIVIANA (1952) - INTERVENÇÃO NA GUATEMALA (1954) - QUEDA DE GETÚLIO VARGAS (1954) - QUEDA

Leia mais

A CONSTRUÇÃO DO MODELO SOVIÉTICO E O SEU IMPACTO NO MUNDO

A CONSTRUÇÃO DO MODELO SOVIÉTICO E O SEU IMPACTO NO MUNDO A CONSTRUÇÃO DO MODELO SOVIÉTICO E O SEU IMPACTO NO MUNDO Império russo (início do século a 1917) Território * Governo Maior império da Europa, estendendo-se da Ásia ao pacífico * Monarquia absoluta e

Leia mais

Ditadura e democracia: entre memórias e história

Ditadura e democracia: entre memórias e história e-issn 2175-1803 Ditadura e democracia: entre memórias e história REIS FILHO, Daniel Aarão. Ditadura e democracia no Brasil: do golpe de 1964 à Constituição de 1988. Rio de Janeiro: Zahar, 2014. Autores:

Leia mais

PERÍODO MILITAR (1964/1985) PROF. SORMANY ALVES

PERÍODO MILITAR (1964/1985) PROF. SORMANY ALVES PERÍODO MILITAR (1964/1985) PROF. SORMANY ALVES INTRODUÇÃO Período governado por GENERAIS do exército brasileiro. Adoção do modelo desenvolvimento dependente, principalmente dos EUA, que subordinava a

Leia mais

AMÉRICA: PROJETOS DE INTEGRAÇÃO GEOGRAFIA 8ºANO PRFª BRUNA ANDRADE

AMÉRICA: PROJETOS DE INTEGRAÇÃO GEOGRAFIA 8ºANO PRFª BRUNA ANDRADE AMÉRICA: PROJETOS DE INTEGRAÇÃO GEOGRAFIA 8ºANO PRFª BRUNA ANDRADE A FORMAÇÃO DOS ESTADOS LATINO- AMERICANOS OS PAÍSES DA AMÉRICA LATINA FORMARAM-SE A PARTIR DA INDEPENDÊNCIA DA ESPANHA E PORTUGAL. AMÉRICA

Leia mais

A América Central continental Guatemala, Costa Rica, Honduras, Nicarágua e El Salvador já foram parte do

A América Central continental Guatemala, Costa Rica, Honduras, Nicarágua e El Salvador já foram parte do p. 110 A América Central continental Guatemala, Costa Rica, Honduras, Nicarágua e El Salvador já foram parte do México até sua independência a partir de 1823; Em 1839 tornam-se independentes fracasso da

Leia mais

Capítulo. A ditadura militar no Brasil

Capítulo. A ditadura militar no Brasil Capítulo A ditadura militar no Brasil ARQUIVO/O GLOBO 1 Do golpe militar ao AI-5 O golpe militar de 1964 João Goulart é derrubado pelos militares, em 31 de março de 1964, por meio de um golpe, apoiado

Leia mais

HISTÓRIA DO LEGISLATIVO

HISTÓRIA DO LEGISLATIVO HISTÓRIA DO LEGISLATIVO Maurício Barbosa Paranaguá Seção de Projetos Especiais Goiânia - 2015 Origem do Poder Legislativo Assinatura da Magna Carta inglesa em 1215 Considerada a primeira Constituição dos

Leia mais

INTEIRATIVIDADE FINAL CONTEÚDO E HABILIDADES DINÂMICA LOCAL INTERATIVA. Conteúdo: A Revolução Francesa

INTEIRATIVIDADE FINAL CONTEÚDO E HABILIDADES DINÂMICA LOCAL INTERATIVA. Conteúdo: A Revolução Francesa Conteúdo: A Revolução Francesa Habilidades: Reconhecer nas origens e consequências da Revolução Francesa de 1789, os elementos fundamentais da formação política e social contemporânea para a história contemporânea.

Leia mais

Entrevista coletiva concedida pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no hotel Skt. Petri

Entrevista coletiva concedida pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no hotel Skt. Petri Entrevista coletiva concedida pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no hotel Skt. Petri Copenhague-Dinamarca, 01 de outubro de 2009 Bem, primeiro dizer a vocês da alegria de poder estar

Leia mais

Fórum Social Mundial Memória FSM memoriafsm.org

Fórum Social Mundial Memória FSM memoriafsm.org Este documento faz parte do Repositório Institucional do Fórum Social Mundial Memória FSM memoriafsm.org CLIPPING FSM 2009 AMAZÔNIA Jornal: CARTA MAIOR Data: 30/01/09 http://www.cartamaior.com.br/templates/materiamostrar.cfm?materia_id=15547

Leia mais

VESTIBULAR 2011 1ª Fase HISTÓRIA GRADE DE CORREÇÃO

VESTIBULAR 2011 1ª Fase HISTÓRIA GRADE DE CORREÇÃO VESTIBULAR 2011 1ª Fase HISTÓRIA GRADE DE CORREÇÃO A prova de História é composta por três questões e vale 10 pontos no total, assim distribuídos: Questão 1 3 pontos (sendo 1 ponto para o subitem A, 1,5

Leia mais

Período pré-colonial

Período pré-colonial CHILE Período pré-colonial O navegador português Fernão de Magalhães, a serviço do rei da Espanha, foi o primeiro europeu a visitar a região que hoje é chamada de Chile. Os mapuches, grande tribo indígena

Leia mais

O Regime de Exceção 1964/67 e o AI-5

O Regime de Exceção 1964/67 e o AI-5 O Regime de Exceção 1964/67 e o AI-5 O REGIME DE EXCEÇÃO (64/67) E A GÊNESE DO AI-5 O GOVERNO CASTELO BRANCO, O REGIME DE EXCEÇÃO (64/67) E A GÊNESE DO AI-5 Reiteradamente caracterizado como "legalista"

Leia mais

REVOLUÇÃO FRANCESA. Por: Rodrigo A. Gaspar

REVOLUÇÃO FRANCESA. Por: Rodrigo A. Gaspar REVOLUÇÃO FRANCESA Por: Rodrigo A. Gaspar REVOLUÇÃO FRANCESA Influência dos valores iluministas Superação do Absolutismo monárquico e da sociedade estratificada Serviu de inspiração para outras revoluções,

Leia mais

TEMA 6 O AVANÇO DOS ALIADOS. Os combates decisivos entre as tropas do Eixo e as forças aliadas foram travados em território soviético.

TEMA 6 O AVANÇO DOS ALIADOS. Os combates decisivos entre as tropas do Eixo e as forças aliadas foram travados em território soviético. TEMA 6 O AVANÇO DOS ALIADOS Os combates decisivos entre as tropas do Eixo e as forças aliadas foram travados em território soviético. A operação Barbarossa A operação Barbarossa era a invasão da União

Leia mais

Guerra da Coreia: 1950-53

Guerra da Coreia: 1950-53 Guerra da Coreia: 1950-53 Esteve dominada pelo Japão durante a segunda guerra e foi dívida entre norteamericanos e soviéticos em 1945, na conferência de Yalta, pelo paralelo 38. Essa divisão era provisória

Leia mais

Prova de Conhecimentos Específicos

Prova de Conhecimentos Específicos HISTÓRIA Prova de Conhecimentos Específicos 1 a QUESTÃO: (2,0 pontos) Ao analisar a Corte de Luis XIV na França, o pensador alemão Norbert Elias afirmou: Numa sociedade em que cada manifestação pessoal

Leia mais

Jornalista: O senhor se arrepende de ter dito que crise chegaria ao Brasil como uma marolinha?

Jornalista: O senhor se arrepende de ter dito que crise chegaria ao Brasil como uma marolinha? Entrevista exclusiva concedida por escrito pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao jornal Gazeta do Povo, do Paraná Publicada em 08 de fevereiro de 2009 Jornalista: O Brasil ainda tem

Leia mais

ANÁLISE DAS CATEGORIAS SUBVERSÃO E RESISTÊNCIA A PARTIR DA RELAÇÃO IGREJA- ESTADO DURANTE A DITADURA MILITAR NO BRASIL Camila da Silva Portela *

ANÁLISE DAS CATEGORIAS SUBVERSÃO E RESISTÊNCIA A PARTIR DA RELAÇÃO IGREJA- ESTADO DURANTE A DITADURA MILITAR NO BRASIL Camila da Silva Portela * ANÁLISE DAS CATEGORIAS SUBVERSÃO E RESISTÊNCIA A PARTIR DA RELAÇÃO IGREJA- ESTADO DURANTE A DITADURA MILITAR NO BRASIL Camila da Silva Portela * Este artigo traz indagações referentes a uma pesquisa mais

Leia mais

Acerca da Luta Armada

Acerca da Luta Armada VALOR E VIOLÊNCIA Acerca da Luta Armada Conferência Pronunciada no Anfiteatro de História da USP em 2011 Wilson do Nascimento Barbosa Professor Titular de História Econômica na USP Boa noite! Direi em

Leia mais

país. Ele quer educação, saúde e lazer. Surge então o sindicato cidadão que pensa o trabalhador como um ser integrado à sociedade.

país. Ele quer educação, saúde e lazer. Surge então o sindicato cidadão que pensa o trabalhador como um ser integrado à sociedade. Olá, sou Rita Berlofa dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Brasil, filiado à Contraf e à CUT. Quero saudar a todos os trabalhadores presentes e também àqueles que, por algum motivo, não puderam

Leia mais

DITADURA CIVIL MILITAR

DITADURA CIVIL MILITAR DITADURA CIVIL MILITAR Argentina + ou 25.000 mortos Chile + ou 4.000 mortos Brasil + ou 500 mortos ARGENTINA Parte forte do Vice Reino do Prata vitoriosa da Guerra do Paraguai Sociedade rural que aos poucos

Leia mais

FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS CURSO DE DIREITO VESTIBULAR 2009 PROVA DE HISTÓRIA. Fase 1

FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS CURSO DE DIREITO VESTIBULAR 2009 PROVA DE HISTÓRIA. Fase 1 FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS CURSO DE DIREITO VESTIBULAR 2009 PROVA DE HISTÓRIA Fase 1 Novembro 2008 INTRODUÇÃO Na prova de História de 2009 foi possível concretizar vários dos objetivos do programa do Vestibular.

Leia mais

Resistência à Ditadura Militar. Política, Cultura e Movimentos Sociais

Resistência à Ditadura Militar. Política, Cultura e Movimentos Sociais Resistência à Ditadura Militar Política, Cultura e Movimentos Sociais Visão Panorâmica Introdução à ditadura Antecedentes do Golpe A Ditadura A Resistência A Reabertura Duração: 1964 à 1985 Introdução

Leia mais

presidente Brasil Por Nízea Coelho

presidente Brasil Por Nízea Coelho a PRIMEIRA presidente do Brasil Por Nízea Coelho 1 Lula é um fenômeno no mundo Historiador, mestre e futuro doutor. Este é Leandro Pereira Gonçalves, professor de História do Centro de Ensino Superior

Leia mais

40 anos do golpe de 1964

40 anos do golpe de 1964 40 anos do golpe de 1964 Tortura, prisões, assassinatos e desaparecimentos de opositores, proibição de partidos, intervenção em sindicatos, censura à imprensa e crescimento económico acelerado: tudo isso

Leia mais

Aula 10.1. Avaliação da Unidade II Pontuação: 7,5 pontos

Aula 10.1. Avaliação da Unidade II Pontuação: 7,5 pontos Aula 10.1 Avaliação da Unidade II Pontuação: 7,5 pontos 1ª QUESTÃO (1,0) Em seu discurso de despedida do Senado, em dezembro de 1994, o presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou o fim da Era Vargas,

Leia mais

ENEM 2014 - Caderno Rosa. Resolução da Prova de História

ENEM 2014 - Caderno Rosa. Resolução da Prova de História ENEM 2014 - Caderno Rosa Resolução da Prova de História 5. Alternativa (E) Uma das características basilares do contato entre jesuítas e os povos nativos na América, entre os séculos XVI e XVIII, foi o

Leia mais

Jornalista: Eu queria que o senhor comentasse (incompreensível)?

Jornalista: Eu queria que o senhor comentasse (incompreensível)? Entrevista concedida pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, após cerimônia de apresentação dos resultados das ações governamentais para o setor sucroenergético no período 2003-2010 Ribeirão

Leia mais

A CRISE DE 1929. Linha de montagem Ford T

A CRISE DE 1929. Linha de montagem Ford T O MUNDO ENTRE GUERRAS: A CRISE DO LIBERALISMO RECAPTULANDO -Com o fim da Primeira Guerra Mundial a Alemanha derrotada no conflito, sofreu sérias punições no Tratado de Versalhes que acabou retalhando o

Leia mais

Aula 14 Regime Militar Prof. Dawison Sampaio

Aula 14 Regime Militar Prof. Dawison Sampaio Aula 14 Regime Militar 1 Contexto do Regime Militar Contexto interno: Colapso do Populismo (polêmica das Ref. de Base) Contexto externo: Guerra Fria e os interesses dos EUA (risco de cubanização do Brasil

Leia mais

Trabalho de história 3º tri Integrantes Frederico Strasser Nº:15 Diogo Amorim Nº:12 Guilherme Hasslocher Nº:19 Lucas Fuss Nº:28 Mateus Peres Nº:34

Trabalho de história 3º tri Integrantes Frederico Strasser Nº:15 Diogo Amorim Nº:12 Guilherme Hasslocher Nº:19 Lucas Fuss Nº:28 Mateus Peres Nº:34 Trabalho de história 3º tri Integrantes Frederico Strasser Nº:15 Diogo Amorim Nº:12 Guilherme Hasslocher Nº:19 Lucas Fuss Nº:28 Mateus Peres Nº:34 -Enquanto Buenos Aires se tornava mais poderosa, os lideres

Leia mais

QUARTA CONSTITUIÇÃO (A CONSTITUIÇÃO DO ESTADO NOVO)

QUARTA CONSTITUIÇÃO (A CONSTITUIÇÃO DO ESTADO NOVO) QUARTA CONSTITUIÇÃO (A CONSTITUIÇÃO DO ESTADO NOVO) NOME...Constituição dos Estados Unidos do Brasil DATA...10 de Novembro de 1937 ORIGEM...Outorgada DURAÇÃO...9 anos PREÂMBULO O Presidente da República

Leia mais

Conflito do Tibete. Resenha Segurança

Conflito do Tibete. Resenha Segurança Conflito do Tibete Resenha Segurança Ana Caroline Medeiros Maia 1 de abril de 2008 Conflito do Tibete Resenha Segurança Ana Caroline Medeiros Maia 1 de abril de 2008 O Tibete voltou a ser palco de conflitos

Leia mais

EUROPA BRASIL SÉCULO XIX AMÉRICA O BRASIL NO FINAL DO SÉCULO XVIII SÉCULO XVIII FINAL DA IDADE MODERNA

EUROPA BRASIL SÉCULO XIX AMÉRICA O BRASIL NO FINAL DO SÉCULO XVIII SÉCULO XVIII FINAL DA IDADE MODERNA O BRASIL NO FINAL DO SÉCULO XVIII SÉCULO XVIII FINAL DA IDADE MODERNA EUROPA Expansão dos Ideais Iluministas Revolução Francesa Fim do Antigo regime Ascensão da Burguesia ao poder Revolução Industrial

Leia mais

Reportagem do portal Terra sobre o Golpe de 1964

Reportagem do portal Terra sobre o Golpe de 1964 Reportagem do portal Terra sobre o Golpe de 1964 http://noticias.terra.com.br/brasil/golpe-comecou-invisivel-diz-sobrinho-de-substitutode-jango,bc0747a8bf005410vgnvcm4000009bcceb0arcrd.html acesso em 31-03-2014

Leia mais

Acesso aos Arquivos da Ditadura: Nem Perdão, nem Talião: Justiça!

Acesso aos Arquivos da Ditadura: Nem Perdão, nem Talião: Justiça! Acesso aos Arquivos da Ditadura: Nem Perdão, nem Talião: Justiça! Tânia Miranda * A memória histórica constitui uma das mais fortes e sutis formas de dominação. A institucionalização da memória oficial

Leia mais

Escola de Formação Política Miguel Arraes. Módulo I História da Formação Política Brasileira. Aula 2 A História do Brasil numa dimensão ética

Escola de Formação Política Miguel Arraes. Módulo I História da Formação Política Brasileira. Aula 2 A História do Brasil numa dimensão ética LINHA DO TEMPO Módulo I História da Formação Política Brasileira Aula 2 A História do Brasil numa dimensão ética SEC XV SEC XVIII 1492 A chegada dos espanhóis na América Brasil Colônia (1500-1822) 1500

Leia mais

Questões sobre a Ditadura Militar no Brasil (respostas no final da página) 1. Como teve início a Ditadura Militar no Brasil que durou de 1964 a 1985?

Questões sobre a Ditadura Militar no Brasil (respostas no final da página) 1. Como teve início a Ditadura Militar no Brasil que durou de 1964 a 1985? Questões sobre a Ditadura Militar no Brasil (respostas no final da página) 1. Como teve início a Ditadura Militar no Brasil que durou de 1964 a 1985? A - Através de eleições democráticas que levaram ao

Leia mais

AULA 22.1 Conteúdos: Governo Geisel e a economia Governo Geisel e a política Governo João Figueiredo: anistia e novos partidos (diretas já)

AULA 22.1 Conteúdos: Governo Geisel e a economia Governo Geisel e a política Governo João Figueiredo: anistia e novos partidos (diretas já) CONTEÚDO E HABILIDADES FORTALECENDO SABERES DESAFIO DO DIA AULA 22.1 Conteúdos: Governo Geisel e a economia Governo Geisel e a política Governo João Figueiredo: anistia e novos partidos (diretas já) 2

Leia mais

REVOLUÇÃO FRANCESA MCC

REVOLUÇÃO FRANCESA MCC REVOLUÇÃO FRANCESA MCC REVOLUÇÃO FRANCESA. MOVIMENTO BURGUÊS França antes da revolução TEVE APOIO DO POVO Monarquia absolutista Economia capitalista.(costumes feudais) sociedade estamental. 1º Estado-

Leia mais

ATUALIDADES. Top Atualidades Semanal DESTAQUE PROFESSOR MARCOS JOSÉ SEMANA 21 A 27 DE ABRIL SEMANA 21 A 27 DE ABRIL. Material: Raquel Basilone

ATUALIDADES. Top Atualidades Semanal DESTAQUE PROFESSOR MARCOS JOSÉ SEMANA 21 A 27 DE ABRIL SEMANA 21 A 27 DE ABRIL. Material: Raquel Basilone Europa decide agir após tragédias no mar Redução de tropas da ONU no Haiti pré-eleições preocupa brasileiros ATUALIDADES PROFESSOR MARCOS JOSÉ Material: Raquel Basilone Dilma sanciona Orçamento com R$

Leia mais

REVOLUÇÃO FRANCESA - Marco Histórico: Fim da Idade Moderna. Símbolo: Queda da Bastilha (1789). Lema: Liberdade, Fraternidade, Igualdade.

REVOLUÇÃO FRANCESA - Marco Histórico: Fim da Idade Moderna. Símbolo: Queda da Bastilha (1789). Lema: Liberdade, Fraternidade, Igualdade. REVOLUÇÃO FRANCESA REVOLUÇÃO FRANCESA - Marco Histórico: Fim da Idade Moderna. 1789 Símbolo: Queda da Bastilha (1789). Lema: Liberdade, Fraternidade, Igualdade. Influência: Iluminista. DIVISÃO SOCIAL 1º

Leia mais

Europa no Século XIX FRANÇA RESTAURAÇÃO DA DINASTIA BOURBON LUÍS XVIII CARLOS X LUÍS FELIPE ( 1824 1830 )

Europa no Século XIX FRANÇA RESTAURAÇÃO DA DINASTIA BOURBON LUÍS XVIII CARLOS X LUÍS FELIPE ( 1824 1830 ) Europa no Século XIX FRANÇA RESTAURAÇÃO DA DINASTIA BOURBON -Após a derrota de Napoleão Bonaparte, restaurou-se a Dinastia Bourbon subiu ao trono o rei Luís XVIII DINASTIA BOURBON LUÍS XVIII CARLOS X LUÍS

Leia mais

A Revoluções Burguesas na Inglaterra: o surgimento do Parlamentarismo

A Revoluções Burguesas na Inglaterra: o surgimento do Parlamentarismo A Revoluções Burguesas na Inglaterra: o surgimento do Parlamentarismo Parlamento Inglês -Rainha Elizabeth I (1558-1603) maior exemplo de poder absoluto na Inglaterra daquele tempo; - Maquiavélica; - Enquanto

Leia mais

Conheça a trajetória da primeira mulher presidente do Brasil

Conheça a trajetória da primeira mulher presidente do Brasil Conheça a trajetória da primeira mulher presidente do Brasil Dilma Rousseff nasceu em Belo Horizonte em 1947. Presidência é seu primeiro cargo eletivo. Marília Juste Do G1, em São Paulo Dilma Rousseff

Leia mais

Por que defender o Sistema Único de Saúde?

Por que defender o Sistema Único de Saúde? Por que defender o Sistema Único de Saúde? Diferenças entre Direito Universal e Cobertura Universal de Saúde Cebes 1 Direito universal à saúde diz respeito à possibilidade de todos os brasileiros homens

Leia mais

Nome: nº. Recuperação Final de História Profª Patrícia

Nome: nº. Recuperação Final de História Profª Patrícia 1 Conteúdos selecionados: Nome: nº Recuperação Final de História Profª Patrícia Lista de atividades 9º ano Apostila 1: Segunda Revolução Industrial (características); Neocolonislimo; Brasil no século XX:

Leia mais

DÉCADA DE 70. Eventos marcantes: Guerra do Vietnã Watergate Crise do Petróleo Revolução Iraniana

DÉCADA DE 70. Eventos marcantes: Guerra do Vietnã Watergate Crise do Petróleo Revolução Iraniana Eventos marcantes: Guerra do Vietnã Watergate Crise do Petróleo Revolução Iraniana GUERRA DO VIETNÃ Após o fim da Guerra da Indochina (1954), Vietnã é dividido na altura do paralelo 17: Norte: república

Leia mais

DISCURSO DO PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE JORNAIS, NELSON P

DISCURSO DO PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE JORNAIS, NELSON P DISCURSO DO PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE JORNAIS, NELSON P. SIROTSKY, NO 3º ENCONTRO DAS CORTES SUPREMAS DO MERCOSUL BRASÍLIA, 21 DE NOVEMBRO DE 2005 A Associação Nacional de Jornais, que tenho

Leia mais

NAPOLEÃO BONAPARTE. Pode-se dividir seu governo em três partes: Consulado (1799-1804) Império (1804-1815) Governo dos Cem Dias (1815)

NAPOLEÃO BONAPARTE. Pode-se dividir seu governo em três partes: Consulado (1799-1804) Império (1804-1815) Governo dos Cem Dias (1815) NAPOLEÃO BONAPARTE 1 Profª Adriana Moraes Destaca-se política e militarmente no Período Jacobino. DIRETÓRIO Conquistas militares e diplomáticas na Europa defesa do novo governo contra golpes. Golpe 18

Leia mais

Getúlio Vargas e a Era Vargas

Getúlio Vargas e a Era Vargas Getúlio Vargas e a Era Vargas http://www.suapesquisa.com/vargas/ AGOSTO RUBEM FONSECA Getúlio Vargas e a Era Vargas: ASPECTOS A RESSALTAR Vida de Getúlio Vargas; Revolução

Leia mais

CENTRO EDUCACIONAL CHARLES DARWIN. b) Cite duas características do Estado Novo. Resposta: Ditadura, censura, nacionalismo, etc.

CENTRO EDUCACIONAL CHARLES DARWIN. b) Cite duas características do Estado Novo. Resposta: Ditadura, censura, nacionalismo, etc. 2ª série Ens. Médio EXERCÍCIOS DE MONITORIA HISTÓRIA - OBJETIVA Professora: Higor David Lopes Prucoli 1. (Fuvest 1987) Como se expressa a ação do governo na economia brasileira no período do Estado Novo?

Leia mais

Escola Superior de Administração, Direito e Economia ESADE Curso Superior de Administração Gestão do Comércio Internacional

Escola Superior de Administração, Direito e Economia ESADE Curso Superior de Administração Gestão do Comércio Internacional Escola Superior de Administração, Direito e Economia ESADE Curso Superior de Administração Gestão do Comércio Internacional AS IDEIAS E OS IDEAIS NA ECONOMIA: OS REFLEXOS DOS CONFLITOS IDEOLÓGICOS NA ECONOMIA

Leia mais

Exercícios de Ditadura Militar: Geisel e Figueiredo

Exercícios de Ditadura Militar: Geisel e Figueiredo Exercícios de Ditadura Militar: Geisel e Figueiredo Material de apoio do Extensivo 1. Sobre o fim do período militar no Brasil (1964-1985), pode-se afirmar que ocorreu de forma: a) Conflituosa, resultando

Leia mais

ATUALIDADES. Top Atualidades Semanal DESTAQUE PROFESSOR MARCOS JOSÉ. EUA acusam Rússia de escalar crise na Síria SEMANA 29 SETEMBRO A 05 DE OUTUBRO

ATUALIDADES. Top Atualidades Semanal DESTAQUE PROFESSOR MARCOS JOSÉ. EUA acusam Rússia de escalar crise na Síria SEMANA 29 SETEMBRO A 05 DE OUTUBRO EUA acusam Rússia de escalar crise na Síria Raúl Castro pede que Obama contorne Congresso Guerra síria abre crise entre EUA e Rússia ATUALIDADES PROFESSOR MARCOS JOSÉ Dilma anuncia meta cômoda para clima

Leia mais

ATIVIDADES ON LINE 9º ANO DITADURA MILITAR

ATIVIDADES ON LINE 9º ANO DITADURA MILITAR ATIVIDADES ON LINE 9º ANO DITADURA MILITAR 1-"O movimento de 31 de março de 1964 tinha sido lançado aparentemente para livrar o país da corrupção e do comunismo e para restaurar a democracia, mas o novo

Leia mais

Histórico das constituições: direito de sufrágio

Histórico das constituições: direito de sufrágio 89 Histórico das constituições: direito de sufrágio André de Oliveira da Cruz Waldemar de Moura Bueno Neto José Carlos Galvão Goulart de Oliveira Graduandos pela Faculdade de Educação, Administração e

Leia mais

PROVA BIMESTRAL História

PROVA BIMESTRAL História 9 o ano 2 o bimestre PROVA BIMESTRAL História Escola: Nome: Turma: n o : Sobre a Revolução Russa de 1917, leia o texto a seguir e responda às questões 1 e 2. A reivindicação básica dos pobres da cidade

Leia mais

Fórum Social Mundial Memória FSM memoriafsm.org

Fórum Social Mundial Memória FSM memoriafsm.org Este documento faz parte do Repositório Institucional do Fórum Social Mundial Memória FSM memoriafsm.org O Movimento Social Palestino rumo ao FME O Fórum Mundial da Educação na Palestina será realizado

Leia mais

Geografia da Fome. Geopolítica da fome

Geografia da Fome. Geopolítica da fome Atividade facebook para os alunos dos 8 anos C, D e E da Emeb Estância. Continuando a temática "formação da desigualdade social", nesse bimestre vocês me farão uma PESQUISA BIOGRÁFICA DO GEÓGRAFO CHAMADO

Leia mais

O ANTIGO REGIME FRANCÊS ANCIEN REGIM

O ANTIGO REGIME FRANCÊS ANCIEN REGIM O ANTIGO REGIME FRANCÊS ANCIEN REGIM Organização social que vigorou na França, principalmente na época em que os reis eram absolutistas, ou seja, de meados do século XVII até a Revolução Francesa. Tal

Leia mais

Generated by Foxit PDF Creator Foxit Software http://www.foxitsoftware.com For evaluation only. Profª. Maria Auxiliadora 3º Ano

Generated by Foxit PDF Creator Foxit Software http://www.foxitsoftware.com For evaluation only. Profª. Maria Auxiliadora 3º Ano Profª. Maria Auxiliadora 3º Ano Contradições entre o sistema colonial e as propostas liberais a partir do século XVIII Guerra de sucessão do trono espanhol (1702-1713) Luís XIV conseguiu impor seu neto

Leia mais

FELIPE CARCELIANO Nº 10 JENNIFER SANTAROZA DE SOUZA Nº 20 NATHALIA NOVAES Nº 30 GEOGRAFIA TEMA VIII HAITI E.E. DR. JOÃO THIENNE.

FELIPE CARCELIANO Nº 10 JENNIFER SANTAROZA DE SOUZA Nº 20 NATHALIA NOVAES Nº 30 GEOGRAFIA TEMA VIII HAITI E.E. DR. JOÃO THIENNE. FELIPE CARCELIANO Nº 10 JENNIFER SANTAROZA DE SOUZA Nº 20 NATHALIA NOVAES Nº 30 GEOGRAFIA TEMA VIII HAITI E.E. DR. JOÃO THIENNE Nova Odessa SP Maio / 2014 1 JENNIFER SANTAROZA DE SOUZA FELIPE CARCELIANO

Leia mais

EXERCÍCIOS DE REVISÃO DE HISTÓRIA PERÍODO MILITAR - 1964 A 1985

EXERCÍCIOS DE REVISÃO DE HISTÓRIA PERÍODO MILITAR - 1964 A 1985 EXERCÍCIOS DE REVISÃO DE HISTÓRIA PERÍODO MILITAR - 1964 A 1985 01 - Considerando-se os fatores que contribuíram para a longevidade do regime militar no Brasil, é CORRETO afirmar que foi de grande relevância

Leia mais

Patrocínio Institucional Parceria Apoio

Patrocínio Institucional Parceria Apoio Patrocínio Institucional Parceria Apoio InfoReggae - Edição 80 Memória Oral 24 de abril de 2015 O Grupo AfroReggae é uma organização que luta pela transformação social e, através da cultura e da arte,

Leia mais

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação Coordenação de Biblioteca 77 Discurso na cerimónia de lançamento

Leia mais

Durante. Utilize os conteúdos multimídia para ilustrar a matéria de outras formas.

Durante. Utilize os conteúdos multimídia para ilustrar a matéria de outras formas. Olá, Professor! Assim como você, a Geekie também tem a missão de ajudar os alunos a atingir todo seu potencial e a realizar seus sonhos. Para isso, oferecemos recomendações personalizadas de estudo, para

Leia mais

Prof. Thiago Oliveira

Prof. Thiago Oliveira Prof. Thiago Oliveira Depois da 2ª Guerra Mundial o Brasil passou por um período de grandes transformações no campo da política, economia e sociedade, superando o Estado Novo de Getúlio e experimentando

Leia mais

Exercícios de Guerra Fria: Guerra da Coreia ao Vietnã

Exercícios de Guerra Fria: Guerra da Coreia ao Vietnã Exercícios de Guerra Fria: Guerra da Coreia ao Vietnã 1. As mudanças no panorama internacional representadas pela vitória socialista de Mao-Tsé-tung na China, pela eclosão da Guerra da Coréia e pelas crescentes

Leia mais

Avaliação da unidade II Pontuação: 7,5 pontos

Avaliação da unidade II Pontuação: 7,5 pontos Avaliação da unidade II Pontuação: 7,5 pontos QUESTÃO 01 (1,0 ponto) A Segunda Grande Guerra (1939-1945), a partir de 7 de dezembro de 1941, adquire um caráter mundial quando os a) ( ) russos tomam a iniciativa

Leia mais

Oficina sobre Revolução, Contestação o maio de 1968 francês

Oficina sobre Revolução, Contestação o maio de 1968 francês Oficina sobre Revolução, Contestação o maio de 1968 francês Roteiro 1. Essa atividade foi pensada para alunos do ensino médio e envolve a discussão de temas relacionados a juventude, meio estudantil, trabalhadores,

Leia mais

HISTÓRIA COMENTÁRIO DA PROVA

HISTÓRIA COMENTÁRIO DA PROVA COMENTÁRIO DA PROVA De uma forma geral, a prova foi boa com questões claras e bem articuladas. Louvável a intenção de cobrar reflexões sobre a históriografia, bem como a de revisitar o passado a partir

Leia mais

Professor Tiago / 9º Ano / 3º Trimestre / História

Professor Tiago / 9º Ano / 3º Trimestre / História Professor Tiago / 9º Ano / 3º Trimestre / História 1. Assinale V(verdadeira) e F(falsa): a) ( ) Em 1929, o mundo capitalista enfrentou grave crise econômica, causada principalmente pelo crescimento exagerado

Leia mais

OBAMA E O TESTE DAS HONDURAS. 1. Em quatro escassos meses, Barack Obama tem estado a

OBAMA E O TESTE DAS HONDURAS. 1. Em quatro escassos meses, Barack Obama tem estado a OBAMA E O TESTE DAS HONDURAS por Mário Soares 1. Em quatro escassos meses, Barack Obama tem estado a revolucionar, pacificamente, a América e o Mundo. Isto é, está a mudar radicalmente as políticas norte-americanas,

Leia mais

UNICAMP REVOLUÇÃO FRANCESA HISTÓRIA GEAL

UNICAMP REVOLUÇÃO FRANCESA HISTÓRIA GEAL 1. (Unicamp 94) Num panfleto publicado em 1789, um dos líderes da Revolução Francesa afirmava: "Devemos formular três perguntas: - O que é Terceiro Estado? Tudo. - O que tem ele sido em nosso sistema político?

Leia mais

Para atender ao objetivo geral descrito, apontamos o seguinte objetivo específico:

Para atender ao objetivo geral descrito, apontamos o seguinte objetivo específico: 14 1. INTRODUÇÃO Como a comunicação é utilizada para mobilização social e captação de recursos na ONG Visão Mundial? (Terceiro Setor). O estudo tem como principal objetivo entender a dinâmica da comunicação

Leia mais

Brasil e América do Sul

Brasil e América do Sul Brasil e América do Sul Brasil Linha do equador Tropico de Capricórnio O Brasil é o quinto país mais extenso e populoso do mundo. É a sétima maior economia mundial. É um país capitalista à apresenta propriedade

Leia mais

SÉCULO XIX NOVOS ARES NOVAS IDEIAS Aula: 43 e 44 Pág. 8 PROFª: CLEIDIVAINE 8º ANO

SÉCULO XIX NOVOS ARES NOVAS IDEIAS Aula: 43 e 44 Pág. 8 PROFª: CLEIDIVAINE 8º ANO SÉCULO XIX NOVOS ARES NOVAS IDEIAS Aula: 43 e 44 Pág. 8 PROFª: CLEIDIVAINE 8º ANO 1 - INTRODUÇÃO Séc. XIX consolidação da burguesia: ascensão do proletariado urbano (classe operária) avanço do liberalismo.

Leia mais

COLÉGIO VICENTINO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio Rua Rui Barbosa, 1324, Toledo PR Fone: 3277-8150

COLÉGIO VICENTINO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio Rua Rui Barbosa, 1324, Toledo PR Fone: 3277-8150 COLÉGIO VICENTINO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio Rua Rui Barbosa, 1324, Toledo PR Fone: 3277-8150 PLANEJAMENTO ANUAL DE HISTÓRIA 8º ANO PROFESSOR: MÁRCIO AUGUSTO

Leia mais

Propostas de luta para tornar nossa. vida melhor. Maio de 2003

Propostas de luta para tornar nossa. vida melhor. Maio de 2003 Propostas de luta para tornar nossa vida melhor Maio de 2003 Companheiros e companheiras A s políticas capitalistas neoliberais, aplicadas com mais força no governo FHC, foram muito duras com os trabalhadores

Leia mais

MORTE DO ÍNDIO OZIEL GABRIEL: UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA. Senhor Presidente,

MORTE DO ÍNDIO OZIEL GABRIEL: UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA. Senhor Presidente, ** Discurso proferido pelo deputado GERALDO RESENDE (PMDB/MS), em sessão no dia 05/06/2013. MORTE DO ÍNDIO OZIEL GABRIEL: UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, No dia

Leia mais

Diálogo, bem comum, dignidade para todos - Papa no Congresso dos EUA 9

Diálogo, bem comum, dignidade para todos - Papa no Congresso dos EUA 9 Diálogo, bem comum, dignidade para todos - Papa no Congresso dos EUA 9 57 Imprimir 2015-09-24 Rádio Vaticana Francisco no Congresso Americano acolhido com grandes aplausos. É a primeira vez que um Papa

Leia mais

As desigualdades sociorraciais no Brasil

As desigualdades sociorraciais no Brasil 1 A Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen) e as eleições de 2010 As desigualdades sociorraciais no Brasil No Brasil republicano do século 21 existe igualdade apenas no papel da Lei. Não há efetivamente

Leia mais

Sessão Extraordinária da Assembleia Municipal de Odivelas

Sessão Extraordinária da Assembleia Municipal de Odivelas Sessão Extraordinária da Assembleia Municipal de Odivelas Sessão Solene Comemorativa da Implantação da República 05.10.2010 A Revolução Republicana de 1910 Ao assinalarmos cem anos sobre a Revolução Republicana

Leia mais