DESAFIOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA AMBIENTALIZAÇÃO DO CURSO DE PEDAGOGIA

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1 DESAFIOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA AMBIENTALIZAÇÃO DO CURSO DE PEDAGOGIA Resumo Este artigo busca refletir sobre quais os desafios colocados para a implementação da educação ambiental como ambientalização do curso de Pedagogia em uma instituição particular de ensino de Curitiba. Como objetivo, buscou se indicar estes desafios para implementar a educação ambiental. As referências teóricas são a educação ambiental, interdisciplinaridade, currículo e gestão escolar. Resgata se a trajetória de construção da Deliberação de Educação Ambiental para o Sistema Estadual de Ensino do Paraná para a educação básica e ensino superior. A pesquisa teve como fontes: a própria pesquisadora, como conselheira do Conselho Estadual de Educação na elaboração desta Deliberação; os técnicos das instituições governamentais participantes e de documentos produzidos nesta trajetória. Conclui se que os desafios estão relacionados a necessária ambientalização da universidade com readequação do Plano de Desenvolvimento Institucional e Projeto Pedagógico deste curso, tendo como foco o planejamento e cronograma para a execução de ações no âmbito do espaço físico, na gestão e na organização curricular. A construção de uma práxis interdisciplinar ambiental na perspectiva de transformação e emancipação na formação do pedagogo como responsável pela formação das futuras gerações. Universidade Tuiuti do Paraná Palavras chave: Educação Ambiental. Pedagogia. Diretrizes Curriculares. Ambientalização. Ensino Superior X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de p.1

2 1 INTRODUÇÃO As diretrizes curriculares de educação ambiental e sua implementação no ensino superior coloca se como temática deste artigo. A reflexão trata sobre quais os desafios a serem enfrentados na implantação da educação ambiental como ambientalização do curso de Pedagogia 1 em uma instituição particular de ensino de Curitiba? Como objetivo, buscou se indicar estes desafios na para esta ambientalização do referido Curso. Os conceitos teóricos de referências no artigo são a educação ambiental, sustentabilidade, interdisciplinaridade, gestão escolar e currículo. Esta reflexão está assentada, enquanto campo empírico e de pesquisa, na trajetória de construção da Deliberação de Educação Ambiental para o Sistema Estadual de Ensino do Paraná, a ser implementado no âmbito da educação básica e ensino superior, no caso o curso de Pedagogia. Quanto aos aspectos metodológicos, considerase a abordagem qualitativa, sendo fontes de pesquisa: a participação desta pesquisadora como aluna, também, como docente deste curso e como conselheira do Conselho Estadual de Educação, tendo atribuições na elaboração desta Deliberação; dos técnicos das instituições governamentais participantes e de documentos produzidos nesta trajetória. O trabalho esta estruturado em quatro partes, a primeira trata das referências de educação ambiental, considerando duas tendências conversadora e emancipatória; da interdisciplinariedade e currículo. A segunda trata das Diretrizes Curriculares Nacionais de Educação Ambiental e da Deliberação para o Sistema Estadual de Ensino do Paraná. A terceira trata dos desafios da educação ambiental como ambientalização do curso de Pedagogia e, a última parte, trata das considerações finais do trabalho, com a indicação dos desafios a serem enfrentados. 1 Por questões éticas não será mencionada a Instituição de Ensino em que está vinculado este curso de Pedagogia, sendo a referência adotada o curso de Pedagogia de uma instituição particular de ensino de Curitiba. X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de p.2

3 2 ASPECTOS TEÓRICOS O atual cenário de concepção da educação ambiental, constitui se como campo em construção teórica, marcada, segundo Lima (2002, p. 7) pela diversidade de ações e leituras teóricas fundamentadas numa ampla variedade de posturas políticas e visões de mundo, que mobiliza o debate e as disputas pela hegemonia em relação às orientações teórico metodológicas desta área de conhecimento e de atuação política. Considera se como referências para este trabalho, a reflexão desenvolvida por Lima(2002), que aborda a educação ambiental no contexto da crise ambiental, da cidadania e dos desafios da sustentabilidade emancipatória. Também, Loureiro ao tratar das principais orientações teórico metodológicas na constituição da educação ambiental, tendo como referencial a tradição crítica e dialética histórica. E, Jacobi(2005) ao considerar a educação ambiental como desafio na construção de um pensamento crítico, complexo e reflexivo, destacando o papel estratégico e decisivo do educador no cotidiano escolar, ao buscar qualificar o aluno diante da crise socioambiental na perspectiva de transformação de hábitos, práticas sociais e construção de uma cidadania ambiental. Busca se, com estes autores, situar as delimitações de um campo de abordagem da educação ambiental, considerando que, quando se trata da educação ambiental escolar os estudos, a esse respeito, são escassos, quase que inexistem. Fato que indica um campo de investigação a ser construído e pesquisa. fortalecido como objeto de estudo e Com a implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais de Educação Ambiental e a Deliberação de Educação Ambiental para o Sistema Estadual de Ensino do Paraná, espera se que se estabeleça um espaço favorável com dinâmica diferenciada na atuação dos educadores e pesquisadores. Mobilizar as atividades de ensino, pesquisa e extensão, visando à construção de práticas de pesquisa e formação que possam contribuir na superação dos desafios da educação ambiental, coloca se como eixo norteador a ser perseguido na perspectiva de transformação destas práticas em uma práxis socioambiental comprometida com a formação das futuras gerações para a sustentabilidade da vida no planeta. X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de p.3

4 Para tanto, Lima( 2002) sistematiza dois campos de posturas políticas e visões de mundo que expressam os aspectos teóricos que fundamentam a educação ambiental e que será utilizado para localizar o campo de referência em que se situam estas Diretrizes e, também, esta pesquisadora. Ciente dos limites presentes nesta classificação, o autor indica duas grandes concepções político culturais que atribuem e estruturam o debate em torno da sustentabilidade e da educação ambiental, contribuem para localizar e identificar as múltiplas propostas teórico práticas de educação ambiental (LIMA, 2002, p. 11). Estas duas concepções/tendências estão expressas por polaridades como sendo conservadora e emancipatória. Loureiro(2006, p. 133), adota a sistematização feita por Lima(2002) e acrescenta novos elementos na identificação de que dois grandes blocos político pedagógicos começaram a se definir e disputar hegemonia no campo de formulações teóricas, na academia, nas articulações internas às redes de educadores ambientais e na definição da política nacional com vertentes internas e interfaces complexas e diferenciadas. Este autor, também, reconhece as limitações deste tipo de estruturação ao considerar la como uma possível forma de explicitar os macroeixos norteadores que historicamente alcançaram maior destaque no cenário da educação ambiental. Assim, Lima(2002, p.11) concebe a tendência conservadora como aquela que foca seu interesse na conservação da presente estrutura social com todas as suas características e valores econômicos, políticos, éticos e culturais, sendo complementado por Loureiro(2006) que denominou este bloco como conversador ou comportamentalista, a partir das seguintes características: a conservação naturalista e conservacionista da crise ambiental; educação entendida em sua dimensão individual, baseada nas vivências práticas; despolitização do fazer educativo ambiental, apoiando se em pedagogias comportamentalistas ou alternativas de cunho místico; baixa problematização da realidade e pouca ênfase em processos históricos; foco na redução do consumo de bens naturais, descolando esta discussão do modo de produção que a define e situa; diluição da dimensão social na natural, faltando entendimento dialético da relação sociedade natureza(sociedade como realização coletiva e subjetiva da X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de p.4

5 natureza humana, ou melhor, como realização e exigência para a sobrevivência da espécie humana Morin, 2002b); responsabilidade pela degradação posta em um homem genérico, fora da história, descontextualizado social e politicamente (LOUREIRO, 2006, p. 133) A outra polaridade, segundo Lima(2002, p. 11) constitui se como tendência emancipatória de educação ambiental e se define pelo compromisso de transformação da ordem social vigente, de renovação plural da sociedade e sua relação com o meio ambiente, sendo complementada por Loureiro(2006) ao abordá la como o bloco transformador, crítico e emancipatório que se expressa com as características de: busca da realização de autonomia e liberdades humanas em sociedade, redefinindo o modo como nos relacionamos com a nossa espécie, com as demais espécies e com o planeta; politização e publicização da problemática ambiental em complexidade; convicção de que a participação social e o exercício da cidadania são práticas indissociáveis da educação ambiental; preocupação concreta em estimular o debate e o diálogo entre ciências e cultura popular, redefindo objetos de estudo e saberes; indissociação no entendimento de processos como: produção e consumo; ética, tecnologia e contexto sócio histórico; interesses privados e interesses públicos; busca de ruptura e transformação dos valores e práticas sociais contrários ao bem estar público, à equidade e à solidariedade.( LOUREIRO, 2006, p. 134) Assim, estes autores demarcam os diferentes campos ambientais em disputa que perpassam as práticas sociais dos profissionais, gestores públicos e educadores ambientais, como também os espaços institucionais e governamentais de formulação e gestão de políticas públicas. Outro aspecto relevante neste debate diz respeito à concepção de interdisciplinaridade. Sendo um dos desafios centrais a ser enfrentado no debate da educação ambiental e que segundo Jacobi (2005) as experiências interdisciplinares são recentes e incipientes no âmbito da educação e pode se expressar combinando várias áreas de conhecimento que pressupõe o desenvolvimento de metodologias interativas, configurando a abrangência de enfoques e contemplando uma nova articulação das conexões entre as ciências naturais, sociais e exatas. Cabe ressaltar que o contexto epistemológico da educação ambiental permite um X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de p.5

6 conhecimento aberto, processual e reflexivo, a partir de uma articulação complexa e multirreferencial (JACOBI, 2005, p. 246) Para Jacobi(2005, p. 247) os problemas ambientais transcendem o campo das disciplinas, sendo importante que um conjunto de disciplinas internalize um saber ambiental para que seja construído um campo de conhecimento com capacidade de captar as multicausalidades e as relações de interdependência dos processos de ordem natural e social que determinam as estruturas e mudanças socioambientais. Para o autor, aprofundar o conhecimento disciplinar e ampliá lo entre as disciplinas, coloca se como um significativo avanço diante da complexidade expressa pela atual realidade socioambiental, uma vez que o desafio da interdisciplinariedade é enfrentado como um processo de conhecimento que busca estabelecer cortes transversais na compreensão e explicação do contexto de ensino e pesquisa, buscando a interação entre as disciplinas e superando a compartimentalização científica provocada pela excessiva especialização (JACOBI, 2005, p. 247) Para Loureiro a interdisciplinaridade permeia os dois blocos teórico metodológico de educação ambiental, sendo portanto, necessário considerar os componentes ontológicos e históricos da intervenção humana no ambiente, cabendo aos processos de educação ambiental crítica refletir sobre a dinâmica da relação sociedade natureza, os quais, sem esta dimensão tornam o debate ambiental simplificado, fragmentado e despolitizado pela negação da materialidade e das contradições contidas nas relações sociais.frente a tal perspectiva de educação ambiental e as críticas realizadas à ciência moderna, apontamos que a opção epistemológica e metodológica materialista dialética torna se compatível ao paradigma complexo, dialético, histórico, transformador e libertário onde a interdisciplinaridade é incorporada a visão emancipatória na educação ambiental (LOUREIRO; COSTA, 2013, p. 19). Para Loureiro e Costa (2013, p. 17) a práxis interdisciplinar não se considera resolvida apenas com a realização de trabalhos de equipes, com o movimento interior de descoberta ou com atividades de parcerias. Esta práxis busca superar o conhecimento disciplinar e fragmentado, sendo a expressão da divisão social do trabalho, em que X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de p.6

7 ocorre a expropriação do sujeito conhecer a integridade do processo produtivo e criativo em que está inserido, valorizando a especialização como condição de aumento da eficiência competitiva. Há que se superar a postura ingênua de que a interdisciplinaridade acontece pela aproximação, ao se buscar resolver problemas, a partir da união direta de conceitos, teoria e método não havendo compromisso com a transformação da realidade social. Neste sentido, destaca se a função do currículo como elementos articulador e instrumento operacional das disciplinas, como um elemento que consolida a divisão social do conhecimento, na medida que a seleção de saberes esta relacionada às relações de poder. Considera se que os desafios para se implementar uma práxis interdisciplinar, passam pelo debate em torno das concepções de currículo no âmbito da gestão escolar, a partir da construção social do projeto político pedagógico da escola, incluindo a participação da comunidade escolar. Nas teorias crítica e pós crítica de currículo de que trata Silva (2011, p. 149) fica evidenciado o papel do currículo na formação humana e das futuras gerações, tendo como base as formas diferenciadas de relação de poder na seleção dos saberes, uma vez que o conhecimento é parte inerente do poder. A teoria crítica do currículo tem como perspectiva de análise as relações econômicas e de classes sociais do capitalismo, sendo o poder centralizado no Estado. A teoria pós crítica considera o aluno como sujeito de direito no enfoque do multiculturalismo, que para Silva (2011, p ) o poder é ampliado para incluir os processos de dominação centrados na raça, na etnia, no gênero e na sexualidade, o pode se espalha por toda a rede social. Embora, estas teorias, estabeleçam contrapontos teórico metodológicos entre si, uma vez que a teoria crítica esta se apoiada na objetividade dos determinantes econômicos para a análise dos processos educacionais e a teoria pós crítica na subjetividade desses processos, considerando o aluno como sujeito de direito na sua trajetória de aprendizagem, identifica se um traço entre as teorias. Fica evidente que ambas reafirmam o currículo como instrumento de conhecimento dos saberes X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de p.7

8 disciplinares. Não se encontra indicativos de proposta para modificar a organização curricular vigente no processo de aquisição de conhecimento e formação de identidade. Tais teorias não superam a fragmentação e compartimentalização do conhecimento praticada pelo currículo de forma emancipatória e libertadora. Neste contexto a interdisciplinaridade contribui para o avanço na compreensão do currículo construído na perspectiva do espaço com possibilidade de se reescreve as práticas pedagógicas e o conhecimento escolar. Reescrever e resignificar o papel do currículo, tendo a práxis interdisciplinar como premissa na organização e gestão da escola. A gestão democrática e participativa da escola requer conhecimento, habilidades e procedimentos práticos que para Libânio, Oliveira e Toschi (2012, p ) deve considerar seis áreas de atuação como: a) o planejamento e o projeto pedagógico curricular; b) a organização e o desenvolvimento do currículo; c) a organização e o desenvolvimento do ensino; d) as práticas de gestão técnico administrativas e pedagógicocurriculares; e0 desenvolvimento profissional; f) avaliação institucional e da aprendizagem (LIBÂNIO; OLIVEIRA; TOSCHI, p. 481). Para tanto, coloca se como necessário que os gestores da escola mudem os modos de pensar e agir. A formação inicial e continuada é premissa, com destaque para o pedagogo como especialista que atua em várias instâncias na gestão da escola. É o profissional que cuida da formação humana onde ela é realizada de forma intencional e sistemática e contribui significativamente nas ações desenvolvidas no espaço escolar. Os autores enfatizam a importância de construção de uma comunidade democrática de aprendizagem na escola como instrumento para garantir a participação dos professores, alunos e do pedagogo. X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de p.8

9 3 EDUCAÇÃO AMBIENTAL DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS E A DELIBERAÇÃO PARA O SISTEMA ESTADUAL DE ENSINO DO PARANÁ Em 2012, no contexto dos preparativos deste evento foi aprovada 2 pelo Conselho Nacional de Educação as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Ambiental, a serem cumpridas pelos sistemas de ensino e suas instituições de Educação Básica e de Educação Superior, que dispõe sobre a Educação Ambiental EA e institui a Política de Educação Ambiental PNEA. Destaca se que o texto que deu origem a estas Diretrizes foi resultado de intensos debates realizados em diversos fóruns e coletivos de educadores e gestores ambientais em todo o país. Havia uma grande expectativa destes, que aguardavam a aprovação da referida regulamentação. Estas Diretrizes, no item que trata das considerações iniciais, destacam que o atributo ambiental não específica um tipo de educação, mais estrutura um campo político de valores e práticas, mobilizando atores sociais comprometidos com a prática político pedagógica transformadora e emancipatória capaz de promover à ética e a cidadania ambiental (BRASIL, 2012). A abordagem de educação ambiental presente neste documento, deixa evidente o seu compromisso com o enfoque da educação ambiental transformadora. Enfatiza segundo Loureiro (2004, p. 81) a educação enquanto processo permanente, cotidiano e coletivo pelo qual agimos e refletimos transformando a realidade de vida. Tais compromissos estão detalhados no capítulo que trata do objeto da Diretriz, quanto aos preceitos na formação humana de sujeitos concretos que vivem em determinado meio, contexto histórico e sociocultural, com condições físicas, emocionais, intelectuais, culturais ; do estimulo a reflexão crítica e propositiva da educação ambiental em projetos institucionais e pedagógicos no sistema de ensino, sendo a educação ambiental integrante do currículo e dos cursos de formação de docentes para a educação básica. 2 Resolução CNE/CP n.º 02/12 em 15/06/12. X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de p.9

10 Os demais artigos deste capítulo tratam sobre a construção do conhecimento na perspectiva de habilidades, atitudes e valores, comprometidos com as comunidades de vida, a justiça e, a equidade ambiental, a proteção ambiental natural e construída. Ainda, trata da responsabilidade cidadã construída na reciprocidade das relações dos seres humanos entre si e com a natureza ; da dimensão política pedagógica da educação ambiental e da superação pelas instituições de ensino quanto a abordagem despolitizada, acrítica, ingênua e naturalista presente nas práticas pedagógicas destas em relação à educação ambiental. Os princípios e objetivos tratados nesta Diretriz reafirmam às práticas comprometidas com a construção de sociedade justas e sustentáveis a partir de valores da liberdade, igualdade, solidariedade, democracia, justiça social, responsabilidade, sustentabilidade e educação como direito, a serem concretizados de acordo com cada fase, etapa, modalidade e nível de ensino. O terceiro título da Diretriz trata da organização curricular, composto por três artigos que tratam dos projetos institucionais e pedagógicos da educação básica e ensino superior; da inserção dos conhecimentos da educação ambiental nos currículos e do planejamento curricular e gestão da instituição de ensino. Também, trata da constituição de espaços educadores sustentáveis, como referências educativas de sustentabilidade socioambiental no território em que estão localizadas, integrando currículo, gestão e edificações de forma equilibrada com o meio ambiente. Tais espaços dever ter asseguradas suas condições de funcionamento pelos sistemas de ensino. A formação para a educação ambiental é destacada nas Diretrizes a partir dos cursos de formação inicial e continuada de professores, gestores, coordenadores, especialistas e outros profissionais que atuam na educação básica, com objetivo de qualificar a atuação escolar e acadêmica. A Deliberação de Educação Ambiental estabelece os aspectos operações das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental DCNEA a ser cumprido pelo Sistema Estadual de Ensino no âmbito da educação básica e ensino superior em todas as X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de p.10

11 etapas, níveis e modalidades de ensino em três eixos o espaço físico, a gestão democrática e a organização curricular. Este texto expressa avanços importantes em relação ao estabelecido pelas Diretrizes Nacionais, considerando o cuidado e conservação das comunidades de vida, como sujeitos de direto e buscando: à integração da educação ambiental formal e não formal, a partir da Lei da Política Estadual de Educação Ambiental; a territorialidade da bacia hidrográfica para integração das ações de política publica; a articulação de ações entre a educação básica e ensino superior; fortalecimento do papel da escola; participação e controle social no monitoramento dos resultados das políticas públicas; constituição de redes socioambientais para divulgação e socialização ações. Estes princípios orientadores deverão constar nos Projetos Político Pedagógicos e Planos de Curso da Educação Básica e Profissional, bem como nos Planos de Desenvolvimento Institucional e nos Projetos Pedagógicos de cursos da educação superior (PARANÁ, 2013) Os objetivos estabelecidos nesta Deliberação tratam da implementação dos princípios norteadores, acima elencados, visando garantir a interdisciplinaridade e intersetorialidade de ações na bacia hidrográfica, tendo a escola como liderança social relevante a partir de três instâncias de organização das ações: Grupo Gestor de Educação Ambiental formado pelas Secretarias do Estado de Educação e Ciência e Tecnologia, Comitês Escolares de Educação Ambiental e o Coletivo de Bacia Hidrográfica. O Grupo Gestor de Educação Ambiental constituído pelas Secretarias do Estado de Educação e Ciência e Tecnologia terá a atribuição de planejar e realizar as ações integradas da educação básica e ensino superior. São atribuições deste Grupo Gestor atuar de forma articulada ao Órgão Gestor Estadual de Educação Ambiental, estabelecido pela Lei Estadual nº /13, responsável pela política de educação ambiental. Incentivar a formação dos Comitês Escolares de Educação Ambiental organizados por escolas e universidades e seus campus, assim como normatizar o seu funcionamento. X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de p.11

12 O Coletivo da Bacia Hidrográfica terá como atribuições a articulação do espaço das ações formais e não formais de educação ambiental a partir da perspectiva de que toda escola esta localizada no território de uma bacia hidrográfica. Esta orientação de inserção da escola visa fortalecer a metodologia estruturante de ação a partir da bacia hidrográfica como referencial ambiental a ser cuidado, preservado e recuperado através do exercício de boas práticas de sustentabilidade. Este Coletivo terá como funções a articulação de todos os Comitês Escolares de Educação Ambiental existentes na bacia hidrográfica; buscar estabelecer o diálogo e integração entre estes Comitês e os segmentos sociais e governamentais que atuam neste território; estabelecer relações com o Grupo Gestor e Comitês e monitorar os resultados das ações de políticas públicas para a melhoria das condições socioambientais e de sustentabilidade local e regional. Os Comitês Escolares de Educação Ambiental terão como atribuições assegurar a atuação local por escola, universidades e seus campus e estabelecer relações com a comunidade em que estejam inseridos. Cabe ainda de acordo com a Deliberação as atribuições, visando executar ações em três eixos de atuação: qualidade do espaço físico, gestão democrática e organização curricular; articular se instâncias colegiadas já existentes na escola; garantir a interdisciplinaridade e transversalidade nos conteúdos e ações de Educação Ambiental; reunir se com os Comitês Escolares de Educação Ambiental existentes no território da bacia hidrográfica para planejar, integrar e acompanhar os resultados das ações de políticas públicas; efetuar cadastro no site a ser disponibilizado pelo Órgão Gestor da Política Estadual de Educação Ambiental (PARANÁ, 2013). A Deliberação considera que a educação ambiental como integrante curricular terá que superar a fragmentação e compartimentalização dos saberes disciplinares, na perspectiva crítica e propositiva da inserção da Educação Ambiental na formulação, execução e avaliação das ações das instituições de ensino (PARANÁ, 2013). Destaca se neste contexto o desafio da inserção da educação ambiental na dimensão curricular. Este aspecto é central do debate em torno da educação ambiental X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de p.12

13 escolar e formal, tendo em vista, trata se do paradigma filosófico educacional que dá suporte modelo de sistema de educação e de suas práticas. Este aspecto é um campo em disputas, sendo que o texto desta Deliberação não colocava como pretensão resolver e encerar este debate. Assim, a educação ambiental deve ser inserida na organização curricular para a educação básica: na interdisciplinaridade e transversalidade dos temas socioambientais; como conteúdo dos componentes curriculares/disciplinas na dimensão socioambiental; na inserção dos conteúdos relacionados à integração de diferentes áreas de políticas públicas; nos conteúdos multidisciplinares e interdisciplinares, sendo a escola como referência de liderança socioambiental no espaço geográfico da bacia hidrográfica; nas práticas educativas ambientais em áreas de conservação ambiental; nas ações socioambientais, elencadas em seus Projetos Político Pedagógicos, e/ou em seus Planos de Trabalho Docente (PARANÁ,2013) Para o ensino superior a educação ambiental deverá: ser conteúdo nos componentes curriculares/disciplinas, em todos os cursos de graduação e pós graduação, podendo, em casos específicos, também se constituir em componente curricular/disciplina; tratada nos conhecimentos, saberes e práticas relacionados aos temas socioambientais como conteúdos, quando a Educação Ambiental for tratada como componente curricular/disciplina; ser transversal, com a inserção de temas ou com a combinação entre transversalidade e componentes curriculares/disciplinas (PARANÁ, 2013). Destaca o texto que, são admitidas outras formas de inserção da educação ambiental na organização curricular no âmbito da educação profissional técnica de nível médio e do ensino superior, considerando a natureza destes cursos. Esta Deliberação trata com destaque a necessária articulação entre a pesquisa e a formação como determinantes para o êxito na implantação da Política Estadual de Educação Ambiental no âmbito do Sistema Estadual de Ensino. Para tanto, indica este texto que as atividades de pesquisa devem estar vinculadas a Rede Paranaense de Educação Ambiental. Também, que os órgãos públicos de fomento e financiamento à X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de p.13

14 pesquisa busquem apoiar os projetos de pesquisa nesta área, visando, em especial, o desenvolvimento de tecnologias mitigadoras de impactos negativos ao meio ambiente e a saúde. Ainda, que o Sistema Estadual de Ensino do Paraná deve realizar a formação continuada de professores e gestores a partir de suas práticas educativas como instrumento pedagógico e metodológico na perspectiva da sustentabilidade socioambiental. Destaca o papel das Instituições Estaduais de Ensino Superior, como promotoras desta formação e articulação com a educação básica e órgãos governamentais, visando aprimorar a prática discente e docente no âmbito do ensino da pesquisa e da extensão. Em síntese, esta Deliberação de Educação Ambiental para o Sistema Estadual de Ensino deve garantir paramentos para que as instituições educacionais constituam se em espaços educadores sustentáveis, integrando currículos, gestão e edificações em relação equilibrada com o meio ambiente, tornando se referência para seu território da bacia hidrográfica(paraná, 2013). 4 POLO EMPÍRICO NA AMBIENTALIZAÇÃO DA UNIVERSIDADE E SEUS DESAFIOS O CURSO DE PEDAGOGIA Este item busca estabelecer o exercício teórico prático, considerando que o curso de Pedagogia estabelece uma ponte significativa entre a educação básica e ensino superior. A formação do pedagogo repercute na educação básica, tendo em vista suas atribuições na gestão escolar. Aborda se os aspectos que se constituem em desafios para a ambientalização do curso de Pedagogia, que após leitura do seu Projeto Pedagógico e na avaliação desta pesquisadora, requer revisão no sentido de adequação às Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental como também, à própria Instrução Normativa 03/2012 da Universidade. Considera se ambientalização do curso a implantação de ações indicadas pelas Diretrizes Nacionais de Educação Ambiental ao considerar que a educação ambiental X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de p.14

15 deverá ser encaminhada nas dimensões do espaço físico da instituição, na gestão democrática e através do Plano de Desenvolvimento Institucional PDI e do Plano Pedagógico de Curso PPC e na organização curricular. Destaca se que a ambientação das instituições de ensino e de seus cursos terá necessariamente que acontecer, tendo em vista que se constitui como um dos indicadores para o sistema de avaliação institucional, sendo válido, também, para a avaliação de cursos. A Instrução Normativa 03/2012 desta instituição de ensino, representa um instrumento de avanço significativo para o processo de implantação da ambientalização, mas não se faz suficiente. Não expressa o planejamento de ações necessárias para sua execução, visando a ambientalização no âmbito do espaço físico, da gestão democrática e da organização curricular dos cursos a partir de cronograma de metas de curto, médio e longo prazo. Considera se que este é um dos principais desafios institucionais no processo de ambientalização da instituição em questão, visando atender as Diretrizes nacionais. Para o curso de Pedagogia os desafios, embora articulados aos desafios de ambientalização da instituição, estão relacionados ao Projeto Pedagógico do curso. Assim, a referida Instrução Normativa, coloca se como um instrumento significativo para reafirmar a necessária atuação no curso, a partir de uma abordagem articulada das questões ambientais, garantindo o contínuo projeto educativo e fortalecimento da consciência crítica sobre a problemática ambiental e social(paraná, 2012). Neste sentido, a leitura realizada por esta pesquisadora no texto do Projeto Pedagógico do curso, indicou que há necessidade de rever aspectos na sua missão e seus objetivos para o curso Este texto trata da concepção de formação do pedagogo a partir da estrutura do curso em três eixos: pesquisa, docência e gestão. Constata se que os aspectos de ambientalização não são identificados nesta concepção. X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de p.15

16 A educação ambiental no curso de Pedagogia é inserida na organização curricular, com a disciplina de Educação Socioambiental, primeiro semestre do curso com carga horária de 72 horas. Também, nas ações de extensão relacionadas ao Fórum da Agenda 21, como programa vinculado à Pró Reitoria de Promoção Humana; ao Projeto de Extensão Permanente: Educação Meio Ambiente e Cultura EMAC, vinculada à Linha de Pesquisa Práticas Pedagógicas: Elementos Articuladores, do Programa de Pós Graduação em Educação. Estas atividades inseridas no Projeto Pedagógico do Curso de Pedagogia, constituise como iniciativa relevante destacada por Jacobi(2005) ao afirmar que a restrita presença do debate ambiental, seja como disciplina, seja como eixo articulador nos currículos dos cursos de formação de professores (MEC, 2000), é um bom indicador do desafio de internalização da educação ambiental nos espaços educativos. Isto coloca a necessidade de uma permanente sensibilização dos professores, educadores e capacitadores como transmissores de um conhecimento necessário para que os alunos adquiram uma base adequada de compreensão dos problemas e riscos socioambientais, do seu impacto no meio ambiente global e local, da interdependência dos problemas e da necessidade de cooperação e diálogo entre disciplinas e saberes (JACOBI, 2005, p. 247). Constata se que a abordagem interdisciplinar permeia a concepção deste curso de Pedagogia e como desafio na ambientalização do curso indica se a relevância de se construir uma práxis interdiciplinar ambiental na perspectiva de superação da compartimentalização dos saberes e do conhecimento na formação do pedagogo, reafirmando se pela complexidade de que trata Lima (2002, p. 6) que o desafio da construção de teoria e prática interdisciplinares, com toda a complexidade que o assunto evoca Libânio e Pimenta(1999) ao tratarem da reflexão sobre a formação de profissionais da educação a partir de visão crítica na perspectiva de mudança, indicam elementos que contribuem para a avaliação do papel do pedagogo com profissional da educação. Em síntese, a leitura realizada por esta pesquisadora a partir de tais referências, indica a necessidade de revisão do Projeto Político pedagógico do referido curso de Pedagogia. X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de p.16

17 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho buscou desenvolver uma reflexão em torno dos desafios a serem enfrentados para a ambientalização do curso de Pedagogia, considerando as Diretrizes Nacionais de Educação Ambiental em vigor. Tais desafios estão relacionados à necessária decisão institucional, quanto as condições para a implantação das ações previstas Poe estas Diretrizes, a serem planejadas para execução destas ações de intervenção no espaço físico, para atender os princípios de sustentabilidade; na gestão democrática, com a readequação do Plano de Desenvolvimento Institucional e nos Propostas Pedagógicas de Curso, com a readequação destas em cada um dos cursos da universidade na organização curricular, atendendo que a educação ambiental seja tratada como conteúdo nos componentes curriculares em todos os cursos desta universidade. Os desafios colocados para o curso de Pedagogia estão articulados aos desafios para implementar a ambientalização do conjuntos de ações na instituição de ensino como um todo. Assim, como um primeiro passo coloca se a necessária readequação do Projeto Pedagógico do curso. A dimensão ambiental como conteúdo, deve ser incorporada e abordada em todos os componentes curriculares do curso, fortalecendo as ações de educação ambiental atualmente já desenvolvidas neste curso. Considera se como desafio prioritário a necessária construção de uma práxis interdisciplinar ambiental na perspectiva da transformação e emancipação na formação humana como princípio de concepção na formação do pedagogo. Pois, este profissional, pelas suas atribuições na gestão escolar, poderá atuar de forma ativa e privilegiada na formação das futuras gerações. O pedagogo tem a possibilidade de exercer, de acordo com Silva(2011, p. 54) ao citar Giroux, o papel de intelectual transformador, com poder de voz garantido pela participação e atuação no espaço escolar enquanto expressão de esfera pública. Estes conceitos são centrais e contribuím para que o currículo e a pedagogia desempenhem um papel emancipador e libertador da escola. Neste contexto a abordagem de Loureiro X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de p.17

18 (2006) encontra ressonância quando trata da tendência emancipatória da educação ambiental. Assim a escola poderá ser o espaço inovador portador de práticas pedagógicas e sociais que estejam adequadas às demandas da realidade econômica, social e ambiental diante da atual crise e riscos ambientais do planeta. Para tanto, esta perspectiva terá que ser incorporada no processo de formação do pedagogo, sendo um dos desafios a ser considerado para a ambientalização do curso de Pedagogia. Destaca se que será este profissional que atuará, prioritariamente, nas instituições escolares da educação básica para implementar as Diretrizes Nacionais e Deliberação Estadual de Educação Ambiental. Assim, reafirma se o desafio diante da necessária preocupação com a formação inicial do profissional de educação que atuará de forma decisória na educação básica com a responsabilidade em suas mãos de formar o futuro cidadão que atuará na sociedade. A articulação entre o ensino superior e a educação básica, coloca se como pressuposto para a implantação desta Deliberação. REFERÊNCIAS JACOBI, Pedro. Educação Ambiental: o desafio da construção de um pensamento crítico, complexo e reflexivo. In: Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 31, n. 2, p , maio/ago LIBÂNIO, José Carlos; OLIVEIRA, João Ferreira de; TOSCHI; Mirza Seabra. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. 10. ed. São Paulo: Cortez, LIBÂNIO, Jose Carlos; PIMENTA, Selma Garrido. Formação de profissionais da educação: visão crítica e perspectiva de mudança. In: Educação e Sociedade. n. 68, p , São Paulo: Campinas, dezembro X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de p.18

19 LIMA, Gustavo Ferreira da Costa. Crise ambiental, educação e cidadania: os desafios da sustentabilidade emancipatória. In: LAYRARGUES, P. P.; Castro, R. S; LOUREIRO, C. F. B. (orgs.) Educação ambiental: repensando o espaço da cidadania, São Paulo: Cortez, LOUREIRO, Carlos Frederico Bernardo. Complexidade e dialética: contribuições à práxis política e emancipatória em educação ambiental. In: Educação e Sociedade, v. 27, n. 94, p , jan./abr Disponível em: Acesso em: 26 nov.13. PARANÁ, Governo do Estado. Lei nº 17505, de 11 de janeiro de Institui a Política Estadual de Educação Ambiental e o Sistema de Educação Ambiental e adota outras providências. Disponível em: PARANÁ, Conselho Estadual de Educação. Deliberação nº 04/13, de 12 de novembro de Estabelece as Normas estaduais para a Educação Ambiental no Sistema Estadual de Ensino do Paraná. Disponível em: PARANÁ, Universidade Tuiuti. Instrução Normativa 03/2012. Conselho Universitário, 11 set PARANÁ, Universidade Tuiuti. Projeto Pedagógico do Curso de Pedagogia. Coordenadora Maria Iolanda Fontana. Curitiba: UTP, SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo. 3.ed. Belo Horizonte: Autentica, X ANPED SUL, Florianópolis, outubro de p.19

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