De Menor Infrator ao Adolescente em Conflito com a Lei:

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "De Menor Infrator ao Adolescente em Conflito com a Lei:"

Transcrição

1 UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS De Menor Infrator ao Adolescente em Conflito com a Lei: um estudo sobre o sistema socioeducativo AMANDA SANTOS SILVA SALVADOR 2014

2 AMANDA SANTOS SILVA De Menor Infrator ao Adolescente em Conflito com a Lei: um estudo sobre o sistema socioeducativo Dissertação apresentada ao Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia, como requisito para a obtenção do grau de Mestre em Ciências Sociais Orientadora: Prof.ª Iracema Brandão Guimarães SALVADOR 2014

3 S586 Silva, Amanda Santos De menor infrator ao adolescente em conflito com a lei: um estudo sobre o sistema socioeducativo / Amanda Santos Silva. Salvador, f. Orientador: Profª. Drª. Iracema Brandão Guimarães Dissertação (mestrado) Universidade Federal da Bahia. Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Adolescentes. 2. Educação Aspectos sociais. 3. Delinquência juvenil. I. Guimarães, Iracema Brandão. II. Universidade Federal da Bahia. Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. III. Título. CDD: 362.7

4 AMANDA SANTOS SILVA De Menor Infrator ao Adolescente em Conflito com a Lei: um estudo sobre o sistema socioeducativo Banca Examinadora: ORIENTADORA Prof.ª Iracema Brandão Guimarães (Departamento de Sociologia, UFBA) Examinador 1 Prof.ª Lúcia Álvares Pedreira (Departamento de Educação, UNEB) Examinador 2 Prof. Luiz Claudio Lourenço (Departamento de Sociologia, UFBA) Examinador 3 Prof.ª Mariana Possas (Departamento de Sociologia, UFBA) SALVADOR 2014

5 AGRADECIMENTOS Findada mais essa etapa da minha formação acadêmica, gostaria de fazer alguns agradecimentos. À Coordenação de Apoio à Pesquisa e Ensino Superior (CAPES) pela concessão de uma bolsa de pesquisa, sem a qual não poderia ter realizado este trabalho. À Pós-graduação em Ciências Sociais (PPGCS/UFBA) e seus funcionários, o coordenador Prof. Clóvis Roberto Zimmermann, pela sua gentilize e solicitude, e a secretária Dôra, pela sua eterna disponibilidade. À minha orientadora, professora Iracema Brandão Guimarães, pela sua paciência e olhar crítico. Aos funcionários da Comunidade de Atendimento Socioeducativo, CASE Salvador (Ba), por terem compartilhado suas trajetórias. Ao professor Luiz Claudio Lourenço pelas aulas de Metodologia e de Estudos Prisionais, e pelas suas contribuições durante a Banca de qualificação. Sem elas a pesquisa não teria progredido. Aos funcionários do Centro Recursos Humanos (CRH), Maria, Edna e Alexandre, pelos contatos afetuosos e nossos incontáveis cafés. Aos amigos do Conselho Latinoamericano de Ciências Sociais (CLACSO), as contribuições feitas ao trabalho, durante o nosso encontro em Cartagena das Índias (Colômbia), foram enriquecedoras. À Lu (Lucia Pedreira), minha querida amiga, pelas nossas viagens, idas a museus, discussões sobre as artes e sobre a vida, e pelos encantamentos na nossa inesquecível Havana (Cuba). Agradeço, também, a sua disponibilidade, seu olhar atento sobre a minha pesquisa. À professora Mariana Possas por ter aceitado o convite para compor a banca de defesa. Aos meus queridos amigos e colegas de trabalho, Ana e Adriano, o tempo ao lado de vocês foi enriquecedor.

6 À Jalusa Arruda por compartilhar seu trabalho e indicar bibliografias. Agradeço também por seu exemplo de força, perseverança e dignidade. Aos meus amigos e colegas do mestrado. Tati, agradeço pelas experiências ao seu lado, pelas nossas descobertas nas terras de Gabo (Gabriel García Márquez), por permitir que compartilhasse momentos com a sua família. Agradeço, ainda, aos meus queridos, Natasha, Cícero, Pedro, Tiara, e Sarinha, sem vocês e nossas idas semanais ao Tampinha Bar, o mestrado teria sido bem mais tenso. Sou grata pelos nossos encontros! À Ricardo e Antônia Aragão, Elisia, Taíse, Nazazi, Kitembo e Kavungo. Obrigado pela acolhida e cuidado. Axé! À Kell pelo apoio e conselhos. Aos meus pais pelo apoio incondicional. E aos meus irmãos, Carol e Bruno. Lola, agradeço pela paciência e pelo olhar crítico sobre o trabalho. Brunão, sou grata pelas nossas conversas, cervejas e pelo seu incentivo.

7 RESUMO Desde que foram instituídas, em 1990, as medidas socioeducativas, que se constituem em formas de responsabilização para adolescentes envolvidos em atos infracionais, têm sido tema de uma série de trabalhos, sobretudo, nos campos do Direito, da Educação e da Psicologia. Nas Ciências Sociais, no entanto, a produção ainda é insuficiente. São raras as pesquisas que discorrem sobre as medidas. Considerando a relevância das mesmas, o presente trabalho procura discutir o sistema socioeducativo, explorando mais profundamente a experiência da Bahia. De maneira geral, tratamos das práticas punitivas (e assistencialistas) que antecederam o sistema socioeducativo, do seu processo de construção e dos desafios vividos por ele. Nosso objetivo foi analisar o tratamento que o Estado vem dispensado ao público infanto-juvenil envolvido em práticas ilícitas, com foco no sistema socioeducativo. Palavras-chaves: adolescentes; ato infracional; responsabilização; sistema socioeducativo.

8 ABSTRACT Since social-educational measures, which are forms of accountability for teenagers involved in illegal acts, were implemented in 1990, they have been the subject of a number of studies, especially in the fields of law, education and psychology. In the social sciences, however, production is still insufficient. There are a few studies that discuss the measures. Considering the importance of these studies, this paper discusses the social-educational system, exploring more deeply the experience of Bahia. In general, the paper discusses the punitive (and welfare) practices leading up to the social-educational system, its process of construction and the challenges experienced by it. Our goal was to analyze the treatment that the state has dealt to the children and youth involved in illegal practices, focusing on the social-educational system. Keywords: adolescents; offense; accountability; social-educational system.

9 LISTA DE FOTOS Foto 1 Quarto do alojamento masculino (CASE Salvador)...87 Foto 2 Sala onde os adolescentes internados ligam para os parentes (CASE Salvador) LISTA DE MAPAS Mapa 1 Taxas de homicídios 100 mil por habitantes/ano (Salvador/Ba)...83 LISTA DE QUADROS Quadro 1 Informações sobre os funcionários da CASE Salvador que foram entrevistados...26 Quadro 2 Instituições extintas e instituições criadas...71 LISTA DE TABELAS Tabela 1 Número de homicídios da população jovem em Salvador e no Brasil (por capital). 2001/ Tabela 2 Taxas de homicídios (por 100 mil) na população jovem em Salvador e no Brasil (por capital). 2001/ LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 Faixa etária dos adolescentes apreendidos (Jan-Ago/2012- Salvador (Ba))...95

10 Gráfico 2 Escolaridade dos adolescentes apreendidos (Jan-Ago/ Salvador (Ba))...95 Gráfico 3 Situação escolar dos adolescentes apreendidos (Jan-Ago/ Salvador (Ba))...96 Gráfico 4 Faixa etária dos adolescentes apreendidos (Jan-Ago de Municípios (Ba))...96 Gráfico 5 Escolaridade dos adolescentes apreendidos (Jan-Ago de Municípios (Ba))...97 Gráfico 6 Situação escolar dos adolescentes apreendidos (Jan-Ago de Municípios (Ba))...97

11 LISTA DE SIGLAS ABMP Associação Brasileira de Magistrados e Promotores da Justiça da Infância e da Juventude ADS Assistente de Desenvolvimento Social ANPOCS Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais CAM Casa de Atendimento ao Menor CASE Comunidade de Atendimento Socioeducativo CNJ Conselho Nacional de Justiça CNPq Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CONANDA Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente CRAS Centro de Referência em Assistência Social CREAS Centro de Referência Especializado da Assistência Social CRH Centro de Recursos Humanos CRT Centro de Recepção e Triagem ECA Estatuto da Criança e do Adolescente EPM Escola Profissional de Menores FAMEB Fundação de Assistência ao Menor do Estado da Bahia FEBEM Fundação Estadual de Bem-Estar do Menor FONACRIAD Fórum Nacional de Dirigentes Governamentais de Entidades Executoras da Política de Promoção e Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente FUNABEM Fundação Nacional de Bem-Estar ao Menor FUNDAC Fundação da Criança e do Adolescente JEIJ Justiça Especial da Infância e Juventude IAT Instituto Anísio Teixeira

12 IFBA Instituto Federal da Bahia IPR Instituto de Preservação e Reforma LA Liberdade Assistida LBA Legião Brasileira de Assistência MSEI Medida Socioeducativa de Internação OEA Organização de Estados Americanos OIT Organização Internacional do Trabalho ONGs Organizações Não Governamentais PIBIC Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica PNAS Política Nacional de Assistência Social PNBEM Política Nacional de Bem-Estar do Menor PRONASCI Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania PROTEJO Programa de Proteção a Jovens PSC Prestação de Serviço Comunitário RAFDR Revista Acadêmica da Faculdade de Direito de Recife RMS Região Metropolitana de Salvador SAM Serviço de Assistência ao Menor SEAM Serviço Estadual de Assistência ao Menor SEC Secretária de Educação SESC Serviço Social do Comércio SEDES Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza SEDH Secretaria de Direitos Humanos SENAC Serviço Nacional de Aprendizado Comercial SENAI Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SESI Serviço Social da Indústria SINASE Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo

13 SIPIA - Sistema de Informação para a infância e Adolescência. UDN União Democrática Nacional UFBA Universidade Federal da Bahia UNEB Universidade Estadual da Bahia UNICEF Fundo das Nações Unidas para a Infância USP Universidade de São Paulo ZEIS Zona Especial de Interesse Social

14 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO...17 INTRODUÇÃO Os Olhares sobre a Socioeducação Um problema de pesquisa Aspectos metodológicos Organização dos Capítulos...28 PARTE I UMA PERSPECTIVA SÓCIO-HISTÓRICA CAPITULO I DA COLÔNIA À REPÚBLICA: UMA ANÁLISE SOBRE AS PRÁTICAS PUNITIVAS E O PROBLEMA DA MENORIDADE O Período Colonial e a Intimidação pelo Terror Punições Privadas na Colônia A Independência e a Emergência de Práticas Punitivas Modernas Penitenciárias: laboratórios de virtude O Fim da Escravidão e as Medidas de Punição Alternativas A República e as Medidas Privativas de Liberdade Tratar desigualmente os desiguais : a ascensão da criminologia...44 CAPÍTULO II CRIANÇAS LADRONAS E ABANDONADAS, MENORES INFRATORES E DESASSISTIDOS: AS PRÁTICAS DE CONTROLE, REPRESSÃO E ASSISTÊNCIA AO LONGO DO SÉCULO XX ( ) Narrativas Comuns A Especialização do Direito e da Justiça: o início da fase tutelar Um Novo Olhar sobre a Infância A Criança Criminosa e a Abandonada: é preciso salvá-las O Código de Menores de 1927 ou Código Mello Mattos...55

15 2.2.4 As Instituições do Novo Aparato Jurídico-Legal: as escolas de preservação e reforma As Políticas de Privação de Liberdade para Menores na Bahia O Serviço de Assistência ao Menor (SAM) e o fortalecimento de uma política de controle social Implantando um Sistema de Controle: o Serviço Estadual de Assistência ao Menor (SEAM) Uma Nova Arquitetura Institucional: PNBEM, FUNABEM, FEBENs e o Código de Menores de A Fundação de Assistência a Menores do Estado da Bahia (FAMEB)...64 PARTE II O MOMENTO ATUAL CAPÍTULO III - A REVITALIZAÇÃO DO SOCIAL E A CRIAÇÃO DO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (ECA): AVANÇOS, RETROCESSOS E VIOLAÇÕES O ECA e as Medidas Especiais: entre avanços, retrocessos e violações O Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE)...78 CAPÍTULO IV- VISITANDO A CASE SALVADOR: UM OLHAR SOBRE O ATENDIMENTO SOCIOEDUCATIVO NA BAHIA A necessidade dos números: os jovens e a violência O Tancredo O Socioeducar não é nada mais que educar para o convívio social As Condições da CASE e a Superlotação A Organização Institucional...91

16 4.5.1 A Necessidade da Rede Socioeducativo As Dores do Aprisionamento: as privações a que estão submetidos os internos da CASE Salvador CONCLUSÕES BIBLIOGRAFIA ANEXO...120

17 17 APRESENTAÇÃO Tecer uma narrativa sobre uma determinada experiência, em nosso caso, sobre a produção de um trabalho científico, significa acomodar os acontecimentos anteriores, de tal modo, que o ponto final acaba como um resultado necessário de todo um percurso. Obviamente, nem todos os eventos da vida são convidados para compor a história, apenas aqueles que consideramos mais significativos. Em nossa narrativa, acontecimentos, tanto de caráter acadêmico, quanto profissional, foram significativos: A participação, como bolsista, nos projetos desenvolvidos no Centro de Recursos Humanos (CRH/UFBA), com o apoio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC/UFBA) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), sob a coordenação da Professora Iracema Brandão Guimarães; Condições de vida em Salvador: um estudo sobre domicílios, famílias e suas estratégias familiares no espaço urbano ; Mudanças no mercado de trabalho e impactos na inserção das famílias em Salvador ; Trabalho, Família e Relações de Gênero em contextos urbanos de pobreza. A iniciação científica, exercida durante esses três anos, possibilitou a nossa capacitação no uso das metodologias das ciências sociais quantitativas e qualitativas e também o acesso a informações sobre famílias residentes em bairros da periferia, tendo realizado algumas entrevistas sobre a ausência de estrutura urbana nesses bairros. A atuação, como mobilizadora social, no início de 2010, no Projeto PROTEJO Programa de Proteção a Jovens em Território de Vulnerabilidade; O PROTEJO foi uma iniciativa do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (PRONASCI) e do Ministério da Justiça. Na Bahia, foi implementado pela Secretária de Educação (SEC), através do Instituto Anísio

18 18 Teixeira (IAT). Realizado em bairros da periferia de Salvador e de cidades da Região Metropolitana (Camaçari, Lauro de Freitas e Simões Filho), seu objetivo era estimular o protagonismo juvenil por meio de oficinas de arte-educação e dirimir as práticas violentas que marcavam as relações entre os jovens. A nossa participação no Projeto permitiu o estabelecimento de diálogos com adolescentes que vivem em contextos de pobreza e que compõem, como veremos mais a frente, o público preferencial da política socioeducativa. A atuação, entre os meses de março de 2010 e junho de 2011, no Curso de Formação de Operadores do Sistema de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente em Conflito com a Lei na Bahia. O curso foi resultado de uma parceria entre o Centro de Recursos Humanos (CRH/UFBA), a Universidade Federal da Bahia (UFBA), a Fundação da Criança e do Adolescente (FUNDAC/Ba), a Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (SEDES/Ba) e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH). Esta experiência profissional foi decisiva para a realização da pesquisa, cujos resultados compõem a atual Dissertação de Mestrado. Dos encontros com os profissionais, que atuam no campo das medidas socioeducativas, e das visitas às instituições responsáveis pela execução, feitas em função do curso, surgiu a proposta de pesquisa voltada para a socioeducação. Nosso interesse pelo desenvolvimento de um estudo científico tornou-se mais intenso, em virtude da escassez de trabalhos sobre o tema no campo das Ciências Sociais.

19 19 INTRODUÇÃO A política socioeducativa encontra-se inserida num instrumento normativo mais amplo, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Promulgado em julho de 1990, com a função de inaugurar novas concepções sobre as crianças e os adolescentes e instituir práticas que os beneficiasse, a exemplo das medidas socioeducativas, o ECA representava a possibilidade de superação do arranjo institucional anterior, marcado por um histórico de práticas assistencialistas e correcionais-repressivas. Na década de 1980, ações e movimentos sociais em torno das crianças e dos adolescentes ocorreram em todo o mundo, tendo como consequência a adoção da Convenção sobre os Direitos da Infância pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo este documento, crianças e adolescentes devem ser reconhecidos como sujeitos de direitos e merecedores de proteção integral por parte do Estado, da sociedade e da família. No Brasil, a Convenção foi ratificada, inicialmente, pelo artigo 227 da Carta Constitucional de 1988, e, posteriormente, por uma legislação especializada, o Estatuto da Criança e do Adolescente. No que diz respeito aos adolescentes (entre 12 e 18 anos de idade) em conflito com a lei, o ECA instituiu que eles são penalmente inimputáveis aspecto a ser discutido adiante ficando submetidos às medidas socioeducativas: advertência, obrigação de reparar o dano, prestação de serviço comunitário (PSC), liberdade assistida (LA), semiliberdade, internação em estabelecimento educacional. Tais medidas possuem um duplo caráter, são, por um lado, punitivas, enquanto formas de responsabilização pelo ato infracional cometido, e, por outro, educativas, na medida em que devem possibilitar aos adolescentes uma formação para que eles superem a condição de exclusão. Em respeito à condição de seres em desenvolvimento e orientado pela lógica da proteção integral, o ECA determina, ainda, que os programas socioeducativos disponibilizem para os socioeducandos os serviços de saúde, alimentação, educação, profissionalização, lazer, assistência jurídica, segurança, atendimento psicossocial, além de assegurar-lhes a convivência familiar e comunitária.

20 Os Olhares sobre a Socioeducação No Brasil, há uma vasta literatura sobre socioeducação, principalmente, no campo da Psicologia. Os trabalhos nessa área exploram, por exemplo, as motivações subjacentes aos atos infracionais. Identificando a condição de vulnerabilidade, a exclusão social, a violência familiar, o abandono da escola, e o uso de drogas como potenciais fatores de risco para o envolvimento em infrações. (MULLER; et al., 2009) Outras pesquisas discorrem sobre a vivência dos adolescentes em unidades de internação. Segundo algumas dessas, os internos interpretam a vida institucionalizada como uma experiência negativa. Definindo a instituição como inferno, cadeia, lugar de morte e sofrimento. Para Ionara D. Estevam, Maria da Penha de L. Coutinho e Ludgleydson F. de Araújo (2009), tais avaliações podem ser compreendidas à luz das práticas de intervenção adotadas na instituição, e dos espaços físicos que não acompanharam a evolução da legislação sobre crianças e adolescentes ao longo do século XX (VOLPI, 2001 apud ESTEVAM, COUTINHO e ARAÚJO, 2009). A própria relação entre os adolescentes e os profissionais, que atuam nas instituições, é definida como um dos motivos, pelos quais, os primeiros definem a vida na instituição como negativa. Em artigo produzido, a partir de uma pesquisa realizada em três unidades de privação de liberdade na cidade de Recife (Pe), Daniel H. P. Espíndula e Maria de Fátima de S. Santos (2004) apresentam as representações sociais que orientam a relação dos Assistentes de Desenvolvimento Social (ADS) com os adolescentes internados, estas são de conteúdo negativo, definem os últimos como seres inferiores e irrecuperáveis. Segundo os autores, na medida em que são essas as representações, que estão na base do atendimento que é dirigido aos internos, seria preciso perguntar-se se a prática desses profissionais estaria em consonância com o que é determinado pelo ECA. No campo do Direito, existe, também, uma série de produções. Destacamos, por exemplo, o livro de Mario Volpi, O adolescente e o ato infracional, publicado em 1997, com uma edição recente de Trata-se de

21 21 um trabalho introdutório, dividido em duas partes. Na primeira, o autor procura discutir a instituição das medidas socioeducativas e os aspectos mais gerais relacionados as mesmas, a exemplo da adoção da expressão adolescente em conflito com a lei, em substituição a menor infrator. Conforme o autor, a primeira expressão situa a infração em um momento específico da trajetória do adolescente, já a segunda, toma o ato infracional como aquilo que define a subjetividade do indivíduo, devendo, por isso, ser descartada. Na segunda parte do trabalho, Volpi (2011) apresenta uma pesquisa quantitativa, realizada pelo Movimento Nacional de Meninos e Meninas de RUA, com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), sobre a situação dos adolescentes privados de liberdade no Brasil. Os trabalhos do campo do Direito sobre as medidas socioeducativas gravitam, geralmente, em torno da instituição do ECA e das medidas (eixo em que se situa o trabalho de Volpi (2011)), dos benefícios da justiça restaurativa, da imputabilidade penal versus redução da maioridade penal, e da violação de direitos dos adolescentes em cumprimento de medidas. Nas Ciências Sociais, a produção ainda é insuficiente. Durante nossa pesquisa bibliográfica, encontramos alguns artigos, a exemplo do trabalho em conjunto de Marcos César Alvarez, Ana Lúcia Pastore Schritzmeyer e Fernando Afonso Salla, intitulado Adolescentes em conflito com a lei: pastas e prontuários do Complexo do Tatuapé (São Paulo/ SP, ). Neste trabalho, publicado em 2010, os autores, que fazem parte do Núcleo de Estudos da Violência, da Universidade de São Paulo (USP), apresentam os resultados preliminares de uma análise das pastas e prontuários de adolescentes que passaram pela Fundação Casa (São Paulo). Com a desativação do Complexo de Tatuapé, formado por 17 unidades de internação, em abril de 2006, buscouse, a partir da análise do material, recuperar aspectos da dinâmica institucional, entre os anos de Os resultados presentes no trabalho referem-se à fase quantitativa de processamento e análise dos dados. O cruzamento, previsto no artigo, desses primeiros resultados com uma análise qualitativa das pastas e prontuários, permitirá, segundo os autores, uma melhor compreensão das trajetórias dos adolescentes que passaram pela instituição - o Complexo de Tatuapé.

22 22 Um segundo trabalho, pertencente as Ciências Sociais, foi o de Alessandra Teixeira e Fernando Salla, O lugar dos adolescentes no crime urbano em São Paulo, publicado em 2013, nos Anais do 37º Encontro da ANPOCS (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais). Conforme os autores, o objetivo do trabalho foi refletir o perfil da criminalidade juvenil e as mudanças sofridas por ele ao longo dos últimos anos. Para tanto, realizaram o levantamento de dados junto ao Poder Judiciário do Estado. Segundo Salla e Teixeira (2013), a fonte mais relevante foi a Justiça Especial da Infância e Juventude (JEIJ) da Capital de São Paulo. Os dados, aí recolhidos, dizem respeito ao tipo de infração cometida. Sobre isso os autores revelam; Para além das diferenças, os dados relativos aos crimes praticados por adolescentes revelam o roubo e o tráfico de drogas como as condutas mais representativas do engajamento de jovens no crime urbano no Estado, havendo a prevalência do roubo (Capital), ora do tráfico de drogas (no interior). Mais do que opções por carreiras criminais determinadas, estudos têm apontado que os jovens inclinam-se ao trânsito entre o articulado tráfico de drogas e o avulso roubo, recusando via de regra, um percurso único no mundo do crime. (TEIXEIRA, 2012 apud SALLA; TEIXEIRA, 2013, p. 3) Entre as outras fontes utilizadas, estão os dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP/SP), que indicaram um aumento significativo da apreensão de adolescentes entre os anos de 2002 e Na Bahia, em termos de Ciências de Sociais, identificamos a dissertação de Jalusa Silva de Arruda, de 2011, Para ver as meninas : um estudo sobre as adolescentes em cumprimento de Medida Socioeducativa de Internação na Case/Salvador. Uma das poucas produções mais extensas no referido campo, se não for a primeira. Em seu trabalho, Arruda (2011) procurou analisar, a partir dos estudos de gênero e de metodologias de cunho qualitativo, aspectos da vida das meninas na execução da medida de internação na Comunidade de Atendimento Socioeducativo de Salvador/Ba (CASE/Salvador). Conforme a autora, o objetivo

23 23 mais geral do seu trabalho desdobrava-se na identificação do perfil das adolescentes e da percepção dessas sobre a execução da medida de internação, e na descrição do funcionamento da CASE/Salvador no tocante à execução da medida socioeducativa de internação às adolescentes (ARRUDA, 2011, p. 26), ou seja, na apresentação das especificidades implicadas no atendimento de um público feminino. Em seu estudo, Arruda (2011) conclui que as meninas são oriundas de classes menos favorecidas, negras, de baixa escolaridade e reincidentes. Sobre a internação, as mesmas identificam a medida pelo seu caráter punitivo e como um meio de proteção temporária. 2.0 Um Problema de Pesquisa A existência de poucas produções sobre a socioeducação nas Ciências Sociais, e o fato de termos construindo um diálogo com as instituições e com os funcionários que atuavam no sistema socioeducativo baiano foram determinantes para que empreendêssemos uma pesquisa sobre a temática. A princípio, desejávamos identificar os elementos constitutivos da identidade de interno em uma Comunidade de Atendimento Socioeducativo. No entanto, o contato com a literatura existente fez com alterássemos nossos planos de pesquisa, e passamos a perseguir outros aspectos. Especificamente, nos interessamos pelas práticas punitivas (e assistencialistas) que antecederam o sistema socioeducativo, o processo de construção desse e os desafios vividos por ele, a partir da observação de uma das instituições socioeducativas que aplicam a medida de internação na Bahia, a Comunidade de Atendimento Socioeducativo de Salvador ou CASE Salvador. De maneira geral, nosso objetivo é analisar o tratamento que o Estado vem dispensado ao público infantojuvenil envolvido em práticas ilícitas. Com foco no sistema Socioeducativo do Brasil. Sustentamos, ainda, a hipótese de que o sistema socioeducativo, embora proponha uma nova lógica, é permeado por aspectos do modelo correcionalrepressivo.

24 Aspectos Metodológicos Para o desenvolvimento desta hipótese, o trabalho encontra-se dividido em duas partes: uma sócio-histórica e a outra sobre o momento atual. Para a elaboração da primeira, desenvolvemos uma pesquisa bibliográfica sobre os períodos que antecederam a instituição do sistema socioeducativo. Como elemento complementar à pesquisa bibliográfica, utilizamos material audiovisual uma palestra 1 do educador Antônio Carlos Gomes da Costa 2. A segunda parte do trabalho está voltada para o momento atual. Nesta, analisamos o processo de construção do sistema socioeducativo (os elementos envolvidos, os atores sociais, etc.) e os desafios e retrocessos presentes nesse, a partir da observação de uma das instituições socioeducativas baianas. Considerando-se as dimensões do estado da Bahia e as várias instituições que prestam trabalhos socioeducativos (as unidades de internação, as semiliberdades, os CREAS, responsáveis pelas medidas de meio-aberto), optamos pela análise apenas de uma delas, a Comunidade de Atendimento Socioeducativo de Salvador, órgão vinculado à Fundação da Criança e do Adolescente (FUNDAC), responsável pela aplicação da internação provisória 3 e da medida socioeducativa de internação a adolescentes de ambos os sexos. Os métodos utilizados para a concreção desta segunda parte do trabalho incluem: observação, entrevistas semi-estruturadas e uma pesquisa documental. A observação, segundo Julieta Lemgruber (1999), é definida como um processo em que o pesquisador estabelecerá uma relação face a face com os observados e, ao participar da vida deles em seu cenário natural, colhe dados. 1 A palestra realizada, em 2010, marcou o início do Curso de Formação de Operadores do Sistema de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente em Conflito com a Lei na Bahia. O material audiovisual encontra-se disponível nos arquivos do Centro de Recursos Humanos (CRH) da Universidade Federal da Bahia (UFBA). 2 Antônio Carlos Gomes da Costa foi pedagogo, consultor da Organização Internacional do Trabalho (OIT), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), de órgãos governamentais, e organizações do terceiro setor e do mundo empresarial. Além disso, foi um dos redatores do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). 3 A internação provisória é aplicada a alguns dos adolescentes que estão aguardando o julgamento do seu processo, essa tem o prazo máximo de 45 dias.

25 25 É este envolvimento, que afeta o pesquisador, que tornaria acessíveis e compreensíveis certos aspectos da vida desse outro. Citando Malinowski, que é identificado, por alguns, como um dos primeiros antropólogos a utilizarem o método da observação participante (HAGUETTE, 1992, p. 66), Lemgruber (1999) nos revela as possibilidades que a observação pode trazer para pesquisas de caráter qualitativo. Há uma série de fenômenos de grande importância que não podem ser registrados através de perguntas, ou em documentos quantitativos, mas que devem ser observados em sua plena realidade. Denominemolos os imponderáveis da vida (grifo nosso). Entre eles se incluem coisas como a rotina de um dia de trabalho, os detalhes do cuidado com o corpo, da maneira de comer e preparar as refeições; o tom das conversas e da vida social ao redor das casas da aldeia; a existência de grandes amizades e hostilidades e de simpatias e antipatias passageiras entre as pessoas; a maneira sutil, mas inquestionável, em que as vaidades e ambições pessoais se refletem no comportamento de indivíduos e nas reações emocionais dos que o rodeiam. Todos estes fatos podem e devem ser cientificamente formulados e registrados. (grifo nosso) (MALINOWSKI apud LEMGRUBER, 1999, p. 12) Em nosso campo a observação foi realizada, a partir de algumas visitas feitas a CASE Salvador, entre os anos de 2010 e 2013, durante as mesmas, procuramos entender a forma como a unidade encontra-se organizada, as funções desempenhadas pelos diferentes setores, além do próprio cotidiano da instituição. As entrevistas foram feitas com base em um roteiro semi-estruturado (ver anexo, p.120), o que permitiu que incluíssemos outras perguntas, ao longo das entrevistas. Essas foram realizadas apenas com funcionários da referida instituição. No total, obtivemos 8 entrevistas. Três delas foram feitas manualmente, pelo fato de nos encontrarmos dentro da ala onde ficam os adolescentes, e não ser permitida a gravação, já que essa seria feita com o aparelho celular. As outras seis entrevistas puderam ser gravadas, sendo realizadas na área inicial da instituição, local onde concentram-se as salas de cada setor. As entrevistas foram facilitadas pelo fato de já conhecermos alguns dos funcionários, em virtude da nossa atuação no curso de Operadores do Sistema

26 26 de Atendimento Socioeducativo, e pela existência de um informante-chave, que nos apresentou outros funcionários que concordaram em contribuir com a pesquisa. Quadro 1 Informantes Setor/Função Tempo de atuação no sistema socioeducativo Pedro Ala administrativa 15 anos João Ala de segurança 04 anos José Professor de educação física 11 anos Fernanda Enfermeira 17 anos Joana Enfermeira Sem informação Jair Professor de dança 07 anos Cristiano Ala administrativa 14 anos Patrícia Guarda-volumes 15 anos Como meio de preservar a identidade dos informantes, modificamos os seus nomes e, em alguns dos casos, não identificamos a função, apenas o setor a que estão vinculados. Optamos por utilizar o termo informantes e não entrevistados, porque os funcionários não cederam informações apenas sobre si, sobre sua atuação, mas também, sobre outras pessoas (funcionários e internos). (HAGUETE, 1992)

27 27 Analisando-se a trajetória destes funcionários, observamos que José, Jair e Patrícia, antes das atuais funções, desempenharam outras atividades na unidade. José atuou, inicialmente, como monitor/orientador, nomenclaturas que eram atribuídas aos atuais socioeducadores; Jair, antes de atuar como professor de dança (Hip Hop), exerceu o cargo de monitor; Patrícia, antes de ser responsável por guardar os pertences dos funcionários e visitantes, atuava na área pedagógica da unidade. Além da circulação intrainstitucional, a análise das trajetórias revelou que há uma circulação interinstitucional, uma vez que alguns dos informantes já trabalharam em outras instituições do sistema socioeducativo. Durante 12 anos, João atuou na Comunidade de Atendimento Socioeducativa do CIA ou CASE CIA, localizada no município de Simões Filho (Ba). Nessa unidade, trabalhou, também, por 04 anos, o professor de esportes, José. Estas entrevistas se constituíram nos instrumentos mais importantes de todo o trabalho de pesquisa, corroborando a importância da validação empírica como elemento constitutivo do método em Ciências Sociais. Em virtude do tempo de atuação dos funcionários, da circulação de alguns desses dentro da instituição e da vivência em outras unidades socioeducativas, as informações eram sempre ricas. Por outro lado, tais instrumentos metodológicos foram os que mais apresentaram problemas, exemplos: 1ª A utilização de um discurso institucional; Um dos funcionários tentou, ao longo da entrevista, sustentar o discurso da instituição, o mesmo faz parte da ala administrativa e ocupa uma posição elevada neste setor, o que pode justificar a sua postura durante a entrevista. 2ª Receio de possíveis retaliações e do pesquisador Um segundo funcionário, Jair, evitava responder perguntas sobre o funcionamento da instituição, sobre o seu posicionamento frente a unidade, respondendo constantemente é difícil de falar quando se está fora, ou seja, quando não se pertence a administração.

28 28 Segundo Teresa Maria Frota Haguete (1992), tal postura é comum entre informantes que fazem parte de organizações como comunidades, sindicatos etc. percebem a entrevista como uma armadilha para fazê-los falar sobre coisas ou pessoas, o que pode comprometê-los. (HAGUETE, 1992, p. 91) Além disso, havia uma preocupação com a própria figura do pesquisador, um receio sobre as informações prestadas, se essas estavam de acordo ao que era solicitado. [...] os pesquisadores, na maioria vinculados a universidades, são muitas vezes percebidos como indivíduos sofisticados e de alta educação, o que pode criar uma reação de defesa por parte dos entrevistados. Dependendo do tipo de percepção, os entrevistados podem recorrer a mecanismos de defesa, tais como: desvio no direcionamento da entrevista, esquecimento protetivo, ou mesmo preparando-se de antemão para a entrevista através de informações colhidas junto a outros entrevistados anteriormente. (HAGUETE, 1992, p. 91) Complementando o trabalho de campo, as observações e entrevistas, realizamos pesquisas em jornais impressos e digitais, nos bancos de dados dos órgãos do sistema socioeducativo baiano, e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Além dessas pesquisas, buscamos, junto a coordenação do Curso de Formação de Operadores do Sistema de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente em Conflito com a Lei na Bahia, as avaliações dos funcionários do sistema socioeducativo baiano que participaram dessa atividade. Nestas, eles relatavam suas atividades, as dificuldades enfrentadas no cotidiano institucional, além dos progressos das suas unidades. Um último recurso utilizado foi o acompanhamento e gravação de debates, palestras acerca da socioeducação, realizadas durante os anos de Organização dos Capítulos Como dito anteriormente, o trabalho está organizado em duas partes, a primeira, formada pelos capítulos um e dois, tem um caráter sócio-histórico, já a

29 29 segunda, constituída pelos capítulos três e quatro, procura dar conta do período atual. O capítulo I, Da colônia à república: uma análise sobre as práticas punitivas e o problema da menoridade, discorre sobre as punições legais (e privadas) adotadas na Colônia, no Império, e no começo da República. No decorrer desse, procuramos situar como as pessoas menores de idade foram inseridas no campo das práticas punitivas, ao longo desses períodos. O capítulo II, Crianças Ladronas e Abandonadas, Menores Infratores e Desassistidos: as práticas de controle, repressão e assistência no século XX ( ), analisa a construção, na segunda década do século XX, de um aparato jurídico-legal especializado nos menores de idade, o funcionamento desse e as mudanças que sofreu nos anos seguintes. Como pretendíamos dar conta tanto de uma perspectiva macro, a nível de Brasil, quanto uma micro, procuramos, neste capítulo, sinalizar como se deu a construção e evolução dessa estrutura jurídica-legal na Bahia. O capítulo III - A Revitalização do Social e a Criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA): avanços, retrocessos e violações, discorre sobre o processo de criação do ECA, os avanços trazidos pela nova legislação, e as medidas especiais adotadas nos casos de envolvimento de crianças e adolescente em práticas delituosas. Além disso, apresenta as instituições responsáveis pela aplicação das medidas socioeducativas na Bahia e alguns exemplos das dificuldades e violações de direitos presentes no atendimento do sistema socioeducativo baiano. O capítulo IV, Visitando a CASE Salvador: um olhar sobre o atendimento socioeducativo na Bahia, discute o sistema socioeducativo, a partir da experiência da Comunidade de Atendimento Socioeducativo de Salvador (Ba) ou CASE Salvador, unidade responsável pela aplicação da medida socioeducativa de internação e pela internação provisória a adolescentes de ambos os sexos. Neste capítulo, analisamos o ideal socioeducativo e os limites para sua realização em uma unidade de internação, as condições da CASE Salvador, a organização da unidade (seus setores), o perfil dos adolescentes e as consequências do internamento para os mesmos.

30 30 Capitulo I Da Colônia à República: uma análise sobre as práticas punitivas e o problema da menoridade Na segunda década do século XX, constitui-se, no Brasil, um aparato jurídico-legal para as crianças/menores de idade, como resultado da atuação de intelectuais que buscavam solucionar problemas relacionados àquele grupo, tais como a delinquência. Da solução desses, dependia o futuro da nação, assim defendiam médicos, juristas, jornalistas e também políticos. É preciso esclarecer que, ao dizermos que o aparato era voltado para as crianças, não estamos excluindo os adolescentes. Na verdade, os que, hoje, são assim classificados, durante muito tempo, foram identificados como infantes. No início do século XX, a adolescência (fase intermediária da vida) ainda estava em vias de consolidação, de reconhecimento social, a própria expressão, derivada do verbo latino adolescere (ad= para e olecere= crescer) era muito recente, havia surgido nos Estados Unidos. (CHAGAS, 2003 apud GÓES, 2006, p. 21) Segundo alguns autores (ex: RZZINI, 2009), que utilizaram como fontes de pesquisa, documentos jurídicos, das primeiras décadas do século passado, raras foram as vezes em que encontraram o termo adolescência sendo citado. A referência era, sobretudo, a infância, e nela estavam incluídos os que conhecemos por adolescentes. Obviamente, com o passar do tempo, a adolescência e as características a ela relacionadas, passaram a influir na organização do Direito e do sistema de justiça. Em acordo com a história, iremos utilizar, pelos menos a princípio, o termo criança, como expressão geral, que inclui os adolescentes. Antes do surgimento do aparato especializado, crianças, autoras de ilícitos penais, eram submetidas a mesma estrutura jurídica-legal destinada aos adultos. A menoridade, todavia, já funcionava como atenuante 4. Assim, na colônia, por exemplo, a pena capital não era aplicada as crianças; e no império, quando a privação de liberdade começou a ganhar espaço no campo das 4 Segundo Irene Rizzini, a menoridade constituía-se como atenuante, desde as origens do Direito Romano. (RIZZINI, 2009)

31 31 práticas punitivas, elas ficavam encarceradas, assim como os adultos, mas por períodos mais curtos de tempo. O fato da menoridade funcionar como atenuante indica que havia, entre os legisladores e a sociedade, de modo geral, a compreensão de que as crianças compunham um grupo distinto dos adultos, ao qual não cabia o mesmo rigor punitivo. As diferenças, que os separavam, não parecem, contudo, terem sido tão profundas, o que justificaria a inexistência, por um longo período de tempo, de um campo de justiça específico. Conforme David Garland, la diferencia entre adulto y ninõ se entendía de manera muy diferente, implicaba menos distancia psicológica y se centraba en torno de una etapa mucho más temprana de desarrollo del individuo 5 (GARLAND, 1999, p. 236) Entre os séculos XIX e XX, a percepção moderna da infância (e, mais tarde, da adolescência) conduziu a criação de um campo específico do direito e da justiça. Esse novo olhar, sobre as crianças, identificava-as como membros de uma fase particular da vida, bem distinta da fase adulta. Conforme Garland (1999) e outros autores, o processo de especialização do direito e da justiça teria começado nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, a partir de meados século XIX. Para los defensores de los niños en Estados Unidos y Gran Bretaña, desde mediados del siglo XIX hastas postrimerías, la condena y el encarcelamiento de jóvenes y adultos en un mismo sitio resultaba escandaloso, porque contravenía sus nociones culturales de la niñez y la de sus contemporâneos. Representaba una verguenza, una contradiccion flagrante entre la ley y la cultura que fue objeto de campañas de reforma y que acabó por resolverse legislativamente con el estabelecimiento de reformatórios especiales, tribunales para menores y métodos orientado al bienestar de los delincuentes jóvenes. 6 (GARLAND, 1999, p ) 5 [...] a diferença entre o adulto e a criança era entendida de maneira muito diferente, implicava menos distância psicológica e se centrava em torno de uma etapa muito mais próxima de desenvolvimento do indivíduo. (GARLAND, 1999, p. 236) 6 Para os defensores das crianças nos Estados Unidos e Grã-Bretanha, desde meados do século XIX até seus últimos anos, a condenação e o encarceramento de jovens e adultos em um mesmo lugar eram práticas escandalosas, porque contradiziam as suas noções culturais de infância e a de seus contemporâneos. Representava uma vergonha, uma contradição flagrante entre a lei e a cultura, sendo objeto de campanhas e reformas que acabaram por resolver-se legislativamente com o estabelecimento de reformatórios especiais, tribunais para menores e métodos orientados para o bem-estar dos delinquentes juvenis. (GARLAND, 1999, p )

32 32 Como nossa pesquisa, além de um caráter sociológico, tem um fundo histórico, iremos analisar, nesse primeiro capítulo, as formações jurídica-legais brasileiras que foram comuns a crianças e adultos. Para, nos capítulos seguintes, nos dedicarmos à especialização do direito e da justiça, ao seu desenvolvimento posterior e seu momento atual. Nessa fase, focalizaremos, com especial interesse, as práticas punitivas legais (iremos fazer referência também à práticas privadas) que foram adotadas ao longo da história brasileira. 1.1 O Período Colonial e a Intimidação pelo Terror Durante o período colonial, o Brasil possuía uma estrutura econômicosocial calcada na agricultura exportadora e na mão-de-obra escrava. Em matéria de Direito, vigoravam as Ordenações do Reino, compilações jurídicas, organizadas pelos monarcas da época (séculos XV, XVI e XVII), com o intuito de reunir em um só corpo legislativo as diversas leis [...] e outras fontes de direito [...] (ANDRÉ, s.d., s.p.) As Ordenações Afonsinas (1446) e Manuelinas (1521) tiveram uma curta duração, já as Filipinas (1603) continuaram a vigorar, mesmo depois da Proclamação da Independência, e foram sendo revogadas aos poucos. Às Câmaras Municipais cabia o papel de zelar pela vontade do Rei, expressa nas Ordenações. Para exercitar tal papel, elas desempenhavam uma série de funções administrativas, reguladoras, deliberativas, fiscalizadoras e punitivas. Segundo Anderson Moraes de Castro e Silva, tais atividades eram, na prática, pouco exequíveis para além dos centros administrativos, localizados nas vilas. (SILVA, 2011, p. 21) As condutas classificadas como crimes, pelas Ordenações, coincidiam, segundo Silva (2011), com os comportamentos considerados pecaminosos pela Igreja. Tal homologia, de acordo o mesmo autor, deveria ser encarada como uma das formas de expressão jurídica da superposição dos poderes secular e religioso.

33 33 A apenação, segundo o Capítulo V das Ordenações Filipinas, iniciava-se aos sete anos de idade 7. Até os dezessete, os menores estavam livres da pena de morte, entre essa idade e os vinte um anos, eles deveriam ser submetidos ao sistema de jovem adulto. Neste havia a possibilidade de condenação a pena capital, ou, a depender das circunstâncias, a redução da pena. (ARRUDA, 2011; SARAIVA, 2009) De acordo com Irene Rizzini (2009), apesar da menoridade ter atuado como um atenuante, as crianças foram severamente punidas, no decorrer do período colonial. O objetivo das penas, na opinião de Antônio Luiz Paixão (1987 apud SILVA, 2011), era o de intimidar pelo terror, motivo, pelo qual, as penas cruéis (inclusive a morte 8 ) estariam associadas à uma série de títulos da lei. Entretanto, este objetivo, para outros autores, seria apenas o mais evidente. Muito mais do que a intimidação pelo terror, a rigidez punitiva visava a legitimação do sistema de dominação. (SILVA, 2011) Dito de outra maneira, a previsão das penas cruéis, em vários títulos, expressava a função política que elas desempenhavam e que transcendia o eixo punitivo-intimidador. A manutenção do sistema de dominação era o resultado positivo das práticas punitivas que não se limitavam a castigar ou intimidar pelo terror. Como afirmou Michael Foucault, as medidas punitivas não são simplesmente mecanismos negativos que permitem reprimir, impedir, excluir, suprimir; [...] elas estão ligadas a toda uma série de efeitos positivos e úteis que elas têm por encargo sustentar [...] (FOUCAULT, 1987, p. 27) O encarceramento, no período colonial, não se configurava como uma forma de pena. Existiam cadeias, mas estas eram utilizadas apenas como espaços de custódia 9, nos quais, os presos ficavam à disposição da justiça, aguardando o término do julgamento ou a execução da punição. (AGUIRRE, 2009) 7 Os menores com idade inferior a sete anos eram considerados incapazes, tal como na velha tradição do Direito Romano, seus atos eram equiparados aos dos animais. (MÉNDEZ, 2006) 8 A pena de morte poderia ser executada de várias formas e estar associada a outros rituais. Ex: morte na forca para sempre (o cadáver era deixado até apodrecer), morte atroz (com circunstâncias que agravam a morte, mas não o sofrimento: confisco de bens, queima ou esquartejamento do cadáver). 9 Em algumas Câmaras Municipais, existiam enxovias, celas coletivas subterrâneas, onde os acusados ficavam aguardando o julgamento e a execução da pena. (AGUIRRE, 2009; SILVA, 2011)

34 34 [...] as cadeias não eram instituições demasiadamente importantes dentro dos esquemas punitivos implementados pelas autoridades coloniais. Na maioria dos casos, tratava-se de meros lugares de detenção para suspeitos que estavam sendo julgados ou para delinquentes já condenados que aguardavam a execução da sentença. Os mecanismos coloniais de castigo e controle social não incluíam as prisões como um de seus principais elementos. [...] Localizadas em lugares fétidos e inseguros, a maioria das cadeias coloniais não mantinha sequer um registro dos detentos, das datas de entrada e saída, da categoria dos delitos e sentenças. [...] o encarceramento de delinquentes durante o período colonial foi uma prática social [...] destinada simplesmente a armazenar detentos, sem que se tenha implementado um regime punitivo institucional que buscasse a reforma dos delinquentes. (AGUIRRE, 2009, p.38-39) Na aplicação das penas, levava-se em conta o fato das pessoas serem formalmente desiguais. A sociedade colonial era organizada hierarquicamente e isso implicava em tratamentos distintos para cada categoria social. Os infratores de posições elevadas eram imunes a penas corporais, sendo castigados, em geral, com penas leves, já os de categoria social inferior eram submetidos a penas pesadas e humilhantes. A posição social ocupada influía, na verdade, desde o início do processo judicial, na medida em que um crime poderia não ser avaliado como tal, a depender de quem o tivesse cometido. (SILVA, 2011) [...] a noção de crime implicava a ruptura das normas reais e dos princípios cristãos, entretanto, ressaltamos que essa conduta tenderia a ser interpretada de modo tão mais ofensivo quanto menor fosse a categoria social do infrator. Enfim, no direito pré-moderno, a conduta inimiga que desafiava o poder soberano sujeitava o seu autor a punições cruéis que se intensificariam na proporção da desqualificação social do criminoso e que se atenuariam segundo as qualidades do infrator. (SILVA, 2011, p.25) Punições Privadas na Colônia As punições previstas pelas Ordenações conviviam com práticas coercitivas privadas, a exemplo das utilizadas na dominação dos cativos fossem esses gentios ou africanos. Como dito anteriormente, as funções das Câmaras Municipais, inclusive as punitivas, eram pouco exequíveis fora das vilas. Para além dessas, o senhor de terras era a lei. Em seus domínios, cabia a

35 35 ele organizar sua força de segurança e seus esquemas corretivos, assim, os grandes latifúndios mantiveram milícias privadas. Além de poder castigar os cativos privadamente, os senhores poderiam encaminhá-los para as Câmaras para esse fim, o que dava a eles um duplo poder punitivo. (SILVA, 2011) As medidas punitivas privadas, tais como as previstas pelas Ordenações, visavam castigar, intimidar, mas, sobretudo, permitir a manutenção do sistema de dominação vigente. Além dos objetivos comuns, elas compartilhavam de um mesmo espaço de atuação, o corpo, objeto tangível, sobre o qual se aplicavam uma boa parte das punições. Os castigos físicos parecem mesmo ter feito parte do ethos da sociedade colonial. Esses não foram empregados apenas pelo poder colonial e pelos senhores de terras, mais também, como esclarece Mary Del Priori (1999), foram utilizados pelo patriarca, no espaço privado da casa. No ambiente familiar, os castigos físicos eram práticas habituais, sendo administrados na educação dos filhos. As disciplinas, os bolos e beliscões revezavam-se com as risadas e mimos. (DEL PRIORI, 1999, p. 98) O castigo físico em crianças não era nenhuma novidade no cotidiano colonial. Introduzido, no século XVI, pelos padres jesuítas, para horror dos indígenas que desconheciam o ato de bater em crianças, a correção era vista como uma forma de amor. O muito amor devia ser repudiado. Fazia mal aos filhos. [...] O amor de pai devia inspirar-se naquele divino no qual Deus ensinava que amar é castigar e dar trabalhos nesta vida. Vícios e pecados, mesmo cometidos por pequeninos, deviam ser combatidos com açoites e castigos. (DEL PRIORI, 1999, p. 97) Na segunda metade do século XVIII, com o estabelecimento das chamadas Aulas Régias, a palmatória passou a ser utilizada pelos professores como instrumento no processo educativo. (DEL PRIORI, 1999) 1.2 A Independência e a Emergência de Práticas Punitivas Modernas

AÇÕES DE POTENCIALIZAÇÃO DE JOVENS EM CUMPRIMENTO DE MEDIDA SOCIOEDUCATIVA ATENDIDOS NO CENTRO DE REFERÊNCIA ESPECIALIZADO DA ASISTÊNCIA SOCIAL

AÇÕES DE POTENCIALIZAÇÃO DE JOVENS EM CUMPRIMENTO DE MEDIDA SOCIOEDUCATIVA ATENDIDOS NO CENTRO DE REFERÊNCIA ESPECIALIZADO DA ASISTÊNCIA SOCIAL AÇÕES DE POTENCIALIZAÇÃO DE JOVENS EM CUMPRIMENTO DE MEDIDA SOCIOEDUCATIVA ATENDIDOS NO CENTRO DE REFERÊNCIA ESPECIALIZADO DA ASISTÊNCIA SOCIAL RESUMO AMORIM 1, Tâmara Ramalho de Sousa SIMÕES 2, Poliana

Leia mais

Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos Secretaria Executiva de Desenvolvimento e Assistência Social Gerência de Planejamento,

Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos Secretaria Executiva de Desenvolvimento e Assistência Social Gerência de Planejamento, Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos Secretaria Executiva de Desenvolvimento e Assistência Social Gerência de Planejamento, Projetos e Capacitação O SERVIÇO DE PROTEÇÃO SOCIAL A ADOLESCENTES

Leia mais

Projeto de Decreto. (Criar uma denominação/nome própria para o programa)

Projeto de Decreto. (Criar uma denominação/nome própria para o programa) Projeto de Decreto Dispõe sobre as atribuições e competência do Programa de Execução de Medidas Socioeducativas em Meio Aberto, atendendo à Resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente,

Leia mais

ASPECTOS HISTÓRICOS RESGATE DA HISTÓRIA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES NO BRASIL Maria Izabel Rocha Simão e Silva Capacitação de Candidatos ao Conselho Tutelar Barbacena, julho/2010 Objetivos: 1- Entendimento

Leia mais

PLANO MUNICIPAL DE ATENDIMENTO SÓCIOEDUCATIVO DO MUNICÍPIO DE ESPÍRITO SANTO/RN

PLANO MUNICIPAL DE ATENDIMENTO SÓCIOEDUCATIVO DO MUNICÍPIO DE ESPÍRITO SANTO/RN PLANO MUNICIPAL DE ATENDIMENTO SÓCIOEDUCATIVO DO MUNICÍPIO DE ESPÍRITO SANTO/RN ESPÍRITO SANTO/RN, OUTUBRO DE 2014. FRANCISCO ARAÚJO DE SOUZA PREFEITO MUNICIPAL DE ESPÍRITO SANTO/RN ELIZANGELA FREIRE DE

Leia mais

MÓDULO V Experiência de acolhimento em família solidária Aula 08. 1. Acompanhamento dos casos na modalidade de proteção em Família Solidária

MÓDULO V Experiência de acolhimento em família solidária Aula 08. 1. Acompanhamento dos casos na modalidade de proteção em Família Solidária MÓDULO V Experiência de acolhimento em família solidária Aula 08 Por Leonardo Rodrigues Rezende 1 1. Acompanhamento dos casos na modalidade de proteção em Família Solidária Os casos encaminhados à modalidade

Leia mais

A redução da maioridade penal não é a solução

A redução da maioridade penal não é a solução A redução da maioridade penal não é a solução Mandato do Deputado Estadual Marcelo Freixo 2 Redação: Ana Marcela Terra Bruno Villa Sidney Teles Tomás Ramos Edição: Renata Souza Revisão: Bruno Villa Fotos:

Leia mais

8ª CONFERÊNCIA ESTADUAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE MINAS GERAIS

8ª CONFERÊNCIA ESTADUAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE MINAS GERAIS 8ª CONFERÊNCIA ESTADUAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE MINAS GERAIS DOCUMENTO FINAL EIXO 1 PROMOÇÃO DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Ações de mobilização: 1. Ampla mobilização, por

Leia mais

DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE HISTÓRICO DA PROTEÇÃO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE NO BRASIL PERÍODO COLONIAL 1551 - fundada no Brasil a primeira Casa de Recolhimento: gerida pelos jesuítas, objetivava

Leia mais

INSTITUCIONAL PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES

INSTITUCIONAL PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES ANEXO I ROTEIRO PARA INSPEÇÃO PERÍODICA 1 DOS SERVIÇOS DE ACOLHIMENTO Data: / / INSTITUCIONAL PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES Modalidade: ( ) Acolhimento Institucional ( ) Casa Lar 1 - DADOS GERAIS 1.1. Nome

Leia mais

O DIREITO À CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES

O DIREITO À CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES O DIREITO À CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES Josefa Adelaide Clementino Leite 1 Maria de Fátima Melo do Nascimento 2 Waleska Ramalho Ribeiro 3 RESUMO O direito à proteção social

Leia mais

Políticas Publicas de Ressocialização

Políticas Publicas de Ressocialização Primeiro Encontro Mato Grossense de Conselhos da Comunidade Políticas Publicas de Ressocialização ão Rosangela Peixoto Santa Rita 26 de junho de 2008. O Brasil já tem mais de 423 mil presos em seus cárceres;

Leia mais

TEXTO 1 História do Atendimento ao adolescente autor de ato infracional no Brasil

TEXTO 1 História do Atendimento ao adolescente autor de ato infracional no Brasil TEXTO 1 História do Atendimento ao adolescente autor de ato infracional no Brasil A construção da política de atendimento aos adolescentes a quem se atribua a prática do ato infracional acompanhou o desenvolvimento

Leia mais

PROPOSTAS PARA A REDUÇÃO DA VIOLÊNCIA

PROPOSTAS PARA A REDUÇÃO DA VIOLÊNCIA PROPOSTAS PARA A REDUÇÃO DA VIOLÊNCIA 1. Criar o Fórum Metropolitano de Segurança Pública Reunir periodicamente os prefeitos dos 39 municípios da Região Metropolitana de São Paulo para discutir, propor,

Leia mais

ANEXO IV PROPOSTAS APROVADAS NA CONFERÊNCIA ESTADUAL. Eixo MOBILIZAÇÃO IMPLEMENTAÇÃO MONITORAMENTO

ANEXO IV PROPOSTAS APROVADAS NA CONFERÊNCIA ESTADUAL. Eixo MOBILIZAÇÃO IMPLEMENTAÇÃO MONITORAMENTO PROPOSTAS APROVADAS NA CONFERÊNCIA ESTADUAL ANEXO IV Eixo MOBILIZAÇÃO IMPLEMENTAÇÃO MONITORAMENTO 1-Promoção dos Direitos de Crianças e Adolescentes Buscar apoio das esferas de governo (Federal e Estadual)

Leia mais

PROGRAMA DE MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS EM MEIO ABERTO

PROGRAMA DE MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS EM MEIO ABERTO PROGRAMA DE MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS EM MEIO ABERTO CONTEXTUALIZAÇÃO DOUTRINA DA SITUAÇÃO IRREGULAR DOUTRINA DA PROTEÇÃO INTEGRAL. Código de menores;. Menores em situação irregular;. Carentes, abandonados,

Leia mais

Plano Decenal dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes

Plano Decenal dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes Plano Decenal dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes EIXO 1 PROMOÇÃO DOS DIREITOS DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES Diretriz 01 - Promoção da cultura do respeito e da garantia dos direitos humanos de

Leia mais

O ADOLESCENTE INFRATOR E OS DESAFIOS DA POLÍTICA DE ATENDIMENTO À INFÂNCIA E À ADOLESCÊNCIA INSTITUCIONALIZADA.

O ADOLESCENTE INFRATOR E OS DESAFIOS DA POLÍTICA DE ATENDIMENTO À INFÂNCIA E À ADOLESCÊNCIA INSTITUCIONALIZADA. O ADOLESCENTE INFRATOR E OS DESAFIOS DA POLÍTICA DE ATENDIMENTO À INFÂNCIA E À ADOLESCÊNCIA INSTITUCIONALIZADA. ANTONIO GANDINI JÚNIOR Núcleo de Estudo e Pesquisa: Política e Gestão da Educação Doutorando

Leia mais

DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE ANTONIO CEZAR LIMA DA FONSECA DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE 3!! Edição Ampliada, revisada e atualizada de acordo com as Leis n~ 12.594/12 (SINASE), 12.696/12 (Conselho Tutelar), 12.852/13 (Estatuto

Leia mais

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROCURADORIA FEDERAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 55. Planejamento Estratégico

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROCURADORIA FEDERAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 55. Planejamento Estratégico PROCURADORIA FEDERAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 55 Planejamento Estratégico Criança e Adolescente 2010 PROCURADORIA FEDERAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 56 INTRODUÇÃO Tema: Criança e Adolescente A questão da infância

Leia mais

Senhoras e Senhores:

Senhoras e Senhores: Senhoras e Senhores: Uso a palavra em nome de todas as entidades governamentais e nãogovernamentais parceiras do Programa Justiça para o Século 21. E não é sem razão. Esse é, para todos nós, um momento

Leia mais

PORTARIA NORMATIVA INTERMINISTERIAL Nº- 17, DE 24 DE ABRIL DE 2007

PORTARIA NORMATIVA INTERMINISTERIAL Nº- 17, DE 24 DE ABRIL DE 2007 PORTARIA NORMATIVA INTERMINISTERIAL Nº- 17, DE 24 DE ABRIL DE 2007 Institui o Programa Mais Educação, que visa fomentar a educação integral de crianças, adolescentes e jovens, por meio do apoio a atividades

Leia mais

ORQUESTRA INFANTOJUVENIL DA COORDENADORIA DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

ORQUESTRA INFANTOJUVENIL DA COORDENADORIA DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS ORQUESTRA INFANTOJUVENIL DA COORDENADORIA DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS Projeto enviado por Wagner Wilson Ferreira - Desembargador Superintendente da Coordenadoria

Leia mais

DIREITOS HUMANOS, JUVENTUDE E SEGURANÇA HUMANA

DIREITOS HUMANOS, JUVENTUDE E SEGURANÇA HUMANA DIREITOS HUMANOS, JUVENTUDE E SEGURANÇA HUMANA FARIAS, Maria Lígia Malta ¹ SOUSA, Valéria Nicolau de ² TANNUSS, Rebecka Wanderley ³ Núcleo De Cidadania e Direitos Humanos/ PROEXT RESUMO O Projeto de Extensão

Leia mais

RESOLUÇÃO Nº 101 DE 17 DE MARÇO DE 2005 (*)

RESOLUÇÃO Nº 101 DE 17 DE MARÇO DE 2005 (*) RESOLUÇÃO Nº 101 DE 17 DE MARÇO DE 2005 (*) Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente Dispõe sobre os Procedimentos e critérios para a aprovação de projetos a serem financiados com recursos

Leia mais

Jornada Pedagógica Pastoral 2011. Divane Nery

Jornada Pedagógica Pastoral 2011. Divane Nery Jornada Pedagógica Pastoral 2011 Divane Nery Uma Breve História dos Direitos da Criança e do Adolescente no Brasil Por Gisella Werneck Lorenzi* Até 1900 Final do Império e início da Republica Não se tem

Leia mais

Carta Documento: pela construção e implementação de uma Política de Educação do Campo na UNEB

Carta Documento: pela construção e implementação de uma Política de Educação do Campo na UNEB Salvador, 21 de setembro de 2015 Carta Documento: pela construção e implementação de uma Política de Educação do Campo na UNEB Nos dias 19, 20 e 21 de agosto de 2015 realizou-se no Hotel Vila Velha, em

Leia mais

Projeto Novos Horizontes: Grupo Reflexivo Para Homens Autores de Violência de Gênero

Projeto Novos Horizontes: Grupo Reflexivo Para Homens Autores de Violência de Gênero Projeto Novos Horizontes: Grupo Reflexivo Para Homens Autores de Violência de Gênero Mostra Local de: Apucarana (Municípios do Vale do Ivaí) Categoria do projeto: II Projetos em implantação (projetos que

Leia mais

Assistência Social da benesse ao Direito A experiência de Campinas

Assistência Social da benesse ao Direito A experiência de Campinas Assistência Social da benesse ao Direito A experiência de Campinas Arnaldo Rezende Setembro/2010. Um pouco da origem... 1543 Implantação da 1ª. Santa Casa de Misericórdia. 1549 - Chegada dos Jesuítas no

Leia mais

Políticas Setoriais Secretarias Municipais: Saúde, Assistência Social, Educação, Direitos Humanos(quando houver). Participações Desejáveis

Políticas Setoriais Secretarias Municipais: Saúde, Assistência Social, Educação, Direitos Humanos(quando houver). Participações Desejáveis PARÂMETROS PARA A CONSTITUIÇÃO DAS COMISSÕES INTERSETORIAIS DE ACOMPANHAMENTO DO PLANO NACIONAL DE PROMOÇÃO, PROTEÇÃO E DEFESA DO DIREITO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES À CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA

Leia mais

MATRIZ CURRICULAR CURRÍCULO PLENO 1.ª SÉRIE

MATRIZ CURRICULAR CURRÍCULO PLENO 1.ª SÉRIE MATRIZ CURRICULAR Curso: Graduação: Regime: Duração: BACHARELADO SERIADO ANUAL - NOTURNO 4 (QUATRO) ANOS LETIVOS Integralização: A) TEMPO TOTAL - MÍNIMO = 04 (QUATRO) ANOS LETIVOS - MÁXIMO = 07 (SETE)

Leia mais

As Propostas da Pastoral Carcerária Nacional em relação ao Eixo 6 Sistema Penitenciário da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (I CONSEG).

As Propostas da Pastoral Carcerária Nacional em relação ao Eixo 6 Sistema Penitenciário da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (I CONSEG). PASTORAL CARCERÁRIA NACIONAL - CNBB Praça Clovis Bevilácqua, 351, conj.501 Centro - 01018-001 - São Paulo - SP Tel/fax (11) 3313-5735, 3227-8683, 3101-9419 - gzgubic@uol.com.br - www.carceraria.org.br

Leia mais

CARTA ABERTA DE INTENÇÕES DO II ENCONTRO DOS MUNICÍPIOS PARA COORDENAÇÃO DO ATENDIMENTO SOCIOEDUCATIVO AO ADOLESCENTE EM CASA

CARTA ABERTA DE INTENÇÕES DO II ENCONTRO DOS MUNICÍPIOS PARA COORDENAÇÃO DO ATENDIMENTO SOCIOEDUCATIVO AO ADOLESCENTE EM CASA CARTA ABERTA DE INTENÇÕES DO II ENCONTRO DOS MUNICÍPIOS PARA COORDEN DO ATENDIMENTO SOCIOEDUCATIVO AO ADOLESCENTE EM CASA Aos trinta dias do mês de novembro do ano de dois mil e sete, reuniram-se no município

Leia mais

MÓDULO II Introdução ao Estatuto da Criança e do Adolescente AULA 04

MÓDULO II Introdução ao Estatuto da Criança e do Adolescente AULA 04 MÓDULO II Introdução ao Estatuto da Criança e do Adolescente AULA 04 Por Leonardo Rodrigues Rezende 1 1. Apresentação O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 24 anos este ano, mas sua história

Leia mais

experiência inovadora como contribuição da sociedade civil: Reintegração Familiar de Crianças e Adolescentes em Situação de Rua.

experiência inovadora como contribuição da sociedade civil: Reintegração Familiar de Crianças e Adolescentes em Situação de Rua. Título da experiência: Políticas públicas de apoio à população de rua Uma experiência inovadora como contribuição da sociedade civil: Reintegração Familiar de Crianças e Adolescentes em Situação de Rua.

Leia mais

Quem somos: Movimento CONTRA a Redução da Maioridade Penal

Quem somos: Movimento CONTRA a Redução da Maioridade Penal Quem somos: Movimento CONTRA a Redução da Maioridade Penal Tema de luta histórica de entidades governamentais e não governamentais campanhas, grupos, redes, pastorais, conselhos ligadas, sobretudo aos

Leia mais

Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos Secretaria Executiva de Desenvolvimento e Assistência Social Gerência de Planejamento,

Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos Secretaria Executiva de Desenvolvimento e Assistência Social Gerência de Planejamento, Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos Secretaria Executiva de Desenvolvimento e Assistência Social Gerência de Planejamento, Projetos e Capacitação TEMA: CREAS: SERVIÇOS OFERTADOS, INTERSETORIALIDADE,

Leia mais

MANUAL DO VOLUNTÁRIO. Ajudar uma criança é tornar o mundo melhor.

MANUAL DO VOLUNTÁRIO. Ajudar uma criança é tornar o mundo melhor. MANUAL DO VOLUNTÁRIO Ajudar uma criança é tornar o mundo melhor. Apresentação No decorrer do ano de 2010, muitas mudanças estruturais ocorreram na Casa do Bom Menino. Podemos colher alguns frutos positivos

Leia mais

Apoio: BIT Company Franchising Rua Fidêncio Ramos, 223 conj. 131 13º andar Vila Olimpia

Apoio: BIT Company Franchising Rua Fidêncio Ramos, 223 conj. 131 13º andar Vila Olimpia Nome da empresa: BIT Company Data de fundação: Julho de 1993 Número de funcionários: 49 funcionários Localização (cidade e estado em que estão sede e franquias): Sede em São Paulo, com franquias em todo

Leia mais

INTRODUÇÃO. Sobre o Sou da Paz: Sobre os Festivais Esportivos:

INTRODUÇÃO. Sobre o Sou da Paz: Sobre os Festivais Esportivos: 1 INTRODUÇÃO Sobre o Sou da Paz: O Sou da Paz é uma organização que há mais de 10 anos trabalha para a prevenção da violência e promoção da cultura de paz no Brasil, atuando nas seguintes áreas complementares:

Leia mais

SIM SENHOR, NÃO SENHOR: desvelando o significado dos processos educativos para a realidade dos adolescentes em conflito com a lei

SIM SENHOR, NÃO SENHOR: desvelando o significado dos processos educativos para a realidade dos adolescentes em conflito com a lei SIM SENHOR, NÃO SENHOR: desvelando o significado dos processos educativos para a realidade dos adolescentes em conflito com a lei Ivana Marques dos Santos Silva Universidade Federal Rural de Pernambuco

Leia mais

Cartilha da CRianca e do adolescente

Cartilha da CRianca e do adolescente Cartilha da CRianca e do adolescente Mais um dia vivido pela familia Brasilino Oi, pessoal, cheguei! Oi, filho, tudo bem? Hum... que cheiro bom! Tô morrendo de fome! Vou lá dentro lavar as mãos, guardar

Leia mais

A SEGURANÇA É HOJE A PRINCIPAL PREOCUPAÇÃO DO BRASILEIRO. Diversos problemas levaram à situação atual

A SEGURANÇA É HOJE A PRINCIPAL PREOCUPAÇÃO DO BRASILEIRO. Diversos problemas levaram à situação atual A SEGURANÇA É HOJE A PRINCIPAL PREOCUPAÇÃO DO BRASILEIRO Diversos problemas levaram à situação atual O problema sempre foi tratado com uma série de OUs Natureza ou policial ou social Responsabilidade ou

Leia mais

Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária

Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária Manaus/AM 29 de Abril de 2014 Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Criança

Leia mais

Realização. Estados Vizinhos Convidados

Realização. Estados Vizinhos Convidados Relatório-síntese do III Seminário de Articulação Nacional e Construção de Diretrizes para a Educação no Sistema Penitenciário Regional Sul Centro Administrativo Porto Alegre - RS 6 e 7 de março de 2006

Leia mais

NOTA TÉCNICA 003/2012_ DA OBRIGAÇÃO DO PODER EXECUTIVO MUNICIPAL NO ATENDIMENTO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO À COMUNIDADE DE ADOLESCENTES

NOTA TÉCNICA 003/2012_ DA OBRIGAÇÃO DO PODER EXECUTIVO MUNICIPAL NO ATENDIMENTO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO À COMUNIDADE DE ADOLESCENTES Prezada, NOTA TÉCNICA 003/2012_ DA OBRIGAÇÃO DO PODER EXECUTIVO MUNICIPAL NO ATENDIMENTO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO À COMUNIDADE DE ADOLESCENTES Florianópolis, 18 de abril de 2012. Interessados: Secretarias

Leia mais

1. IDENTIFICAÇÃO CÓDIGO DA DISCIPLINA: D- 51 PERÍODO: 3º CRÉDITO: 04 CARGA HORÁRIA SEMANAL: 03 CARGA HORÁRIA SEMESTRAL: 45

1. IDENTIFICAÇÃO CÓDIGO DA DISCIPLINA: D- 51 PERÍODO: 3º CRÉDITO: 04 CARGA HORÁRIA SEMANAL: 03 CARGA HORÁRIA SEMESTRAL: 45 1. IDENTIFICAÇÃO CÓDIGO DA DISCIPLINA: D- 51 PERÍODO: 3º CRÉDITO: 04 CARGA HORÁRIA SEMANAL: 03 CARGA HORÁRIA SEMESTRAL: 45 NOME DA DISCIPLINA: DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE NOME DO CURSO: DIREITO

Leia mais

Avanços na Assistência Social brasileira: o trabalho multidisciplinar e a prática com grupos.

Avanços na Assistência Social brasileira: o trabalho multidisciplinar e a prática com grupos. Avanços na Assistência Social brasileira: o trabalho multidisciplinar e a prática com grupos. Autores Aline Xavier Melo alinexaviermelo@yahoo.com.br Juliana Roman dos Santos Oliveira ju_roman@hotmail.com

Leia mais

ÁREA TEMÁTICA: ( ) COMUNICAÇÃO ( ) CULTURA ( x ) DIREITOS HUMANOS E JUSTIÇA ( ) EDUCAÇÃO ( ) MEIO AMBIENTE ( ) SAÚDE ( ) TRABALHO ( ) TECNOLOGIA

ÁREA TEMÁTICA: ( ) COMUNICAÇÃO ( ) CULTURA ( x ) DIREITOS HUMANOS E JUSTIÇA ( ) EDUCAÇÃO ( ) MEIO AMBIENTE ( ) SAÚDE ( ) TRABALHO ( ) TECNOLOGIA 12. CONEX Apresentação Oral Resumo Expandido 1 ÁREA TEMÁTICA: ( ) COMUNICAÇÃO ( ) CULTURA ( x ) DIREITOS HUMANOS E JUSTIÇA ( ) EDUCAÇÃO ( ) MEIO AMBIENTE ( ) SAÚDE ( ) TRABALHO ( ) TECNOLOGIA ATUAÇÃO DO

Leia mais

O sistema de garantia dos direitos humanos das crianças e dos adolescentes: responsabilidades compartilhadas.

O sistema de garantia dos direitos humanos das crianças e dos adolescentes: responsabilidades compartilhadas. Página1 Curso de extensão universitária: O sistema de garantia dos direitos humanos das crianças e dos adolescentes: responsabilidades compartilhadas. Apresentação: Em 2015, comemorando 25 anos do ECA,

Leia mais

Red Derechos Humanos y Educación Superior Taller 1 Metodología de la enseñanza de los DDHH en la Educación Superior (Lima, 16-17 de julio de 2012)

Red Derechos Humanos y Educación Superior Taller 1 Metodología de la enseñanza de los DDHH en la Educación Superior (Lima, 16-17 de julio de 2012) Red Derechos Humanos y Educación Superior Taller 1 Metodología de la enseñanza de los DDHH en la Educación Superior (Lima, 16-17 de julio de 2012) O Ensino de Direitos Humanos da Universidade Federal do

Leia mais

ADOÇÃO: uma possibilidade de prevenção secundária ao adoecimento de crianças institucionalizadas.

ADOÇÃO: uma possibilidade de prevenção secundária ao adoecimento de crianças institucionalizadas. ADOÇÃO: uma possibilidade de prevenção secundária ao adoecimento de crianças institucionalizadas. Carolina M. M. de Albuquerque Edilene F. Queiroz A iniciativa de adotar pode ser explicada como uma tentativa

Leia mais

Palavras-chave: adolescente, risco pessoal, prática profissional

Palavras-chave: adolescente, risco pessoal, prática profissional PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL E ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL NA CASA SANTA LUIZA DE MARILLAC. SOMER, Diana Galone (estagio I), e-mail: dianassomer@gmail.com BOMFATI, Adriana (supervisor), e-mail:

Leia mais

APRESENTAÇÃO. NOME DO TRABALHO: Reconhecimento Voluntário de Paternidade nas Unidades Prisionais

APRESENTAÇÃO. NOME DO TRABALHO: Reconhecimento Voluntário de Paternidade nas Unidades Prisionais APRESENTAÇÃO IDENTIFICAÇÃO DO ÓRGÃO: Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas/TJAM e-mail para contato ou envio de informações: gildoalves@tjamjusbr NOME DO TRABALHO: Reconhecimento Voluntário de Paternidade

Leia mais

CONHEÇA OS NOSSOS PROJETOS

CONHEÇA OS NOSSOS PROJETOS CONHEÇA OS NOSSOS PROJETOS APRESENTAÇÃO Em Dezembro de 2004 por iniciativa da Federação das Indústrias do Estado do Paraná o CPCE Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial nasceu como uma organização

Leia mais

ADOLESCENTE, ATO INFRACIONAL E A REINCIDÊNCIA

ADOLESCENTE, ATO INFRACIONAL E A REINCIDÊNCIA 8. CONEX Apresentação Oral Resumo Expandido 1 ÁREA TEMÁTICA: DIREITOS HUMANOS E JUSTIÇA ADOLESCENTE, ATO INFRACIONAL E A REINCIDÊNCIA BRANDÃO, Rosângela Fátima Penteado 1 HOLZMANN, Liza 2 QUADROS, Débora

Leia mais

TERMO DE COMPROMISSO FIRMADO PERANTE O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARÁ PELOS CANDIDATOS A PREFEITOS MUNICIPAIS DE BELÉM, NAS ELEIÇÕES 2012.

TERMO DE COMPROMISSO FIRMADO PERANTE O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARÁ PELOS CANDIDATOS A PREFEITOS MUNICIPAIS DE BELÉM, NAS ELEIÇÕES 2012. TERMO DE COMPROMISSO FIRMADO PERANTE O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARÁ PELOS CANDIDATOS A PREFEITOS MUNICIPAIS DE BELÉM, NAS ELEIÇÕES 2012. O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARÁ, daqui por diante

Leia mais

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA TEMA: AS MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS, S.U.A.S., S.I.N.A.S.E. E OS MUNICÍPIOS Juiz: Marcos Antônio S. Bandeira CONTEXTUALIZAÇÃO REALIDADE DO ADOLESCENTE EM CONFLITO COM

Leia mais

PLANO MUNICIPAL DE ENFRENTAMENTO A VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA A CRIANÇA E O ADOLESCENTE

PLANO MUNICIPAL DE ENFRENTAMENTO A VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA A CRIANÇA E O ADOLESCENTE PLANO MUNICIPAL DE ENFRENTAMENTO A VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA A CRIANÇA E O ADOLESCENTE APRESENTAÇÃO: A violência sexual contra a criança e o adolescente tem sido um problema de difícil enfrentamento por

Leia mais

Plan International e IIDAC com recursos do Fundo União Europeia

Plan International e IIDAC com recursos do Fundo União Europeia INSTITUTO INTERNACIONAL PARA O DESENVOLVIMENTO DA CIDADANIA TERMO DE REFERÊNCIA No. 012/2015 PARA CONTRATAÇÃO DE PESSOA FÍSICA/JURÍDICA CONSULTOR POR PRODUTO 1. PROJETO Pontes para o Futuro 2. RECURSOS

Leia mais

O PETI e o Trabalho em Rede. Maria de Fátima Nassif Equipe Proteção Social Especial Coordenadoria de Ação Social Secretaria de Desenvolvimento Social

O PETI e o Trabalho em Rede. Maria de Fátima Nassif Equipe Proteção Social Especial Coordenadoria de Ação Social Secretaria de Desenvolvimento Social O PETI e o Trabalho em Rede Maria de Fátima Nassif Equipe Proteção Social Especial Coordenadoria de Ação Social Secretaria de Desenvolvimento Social Articulação da rede de serviços socioassistenciais Proteção

Leia mais

SECRETARIA MUNICIPAL ADJUNTA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL-SUAS TRABALHANDO EM REDE

SECRETARIA MUNICIPAL ADJUNTA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL-SUAS TRABALHANDO EM REDE SECRETARIA MUNICIPAL ADJUNTA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL-SUAS TRABALHANDO EM REDE CONCEITO DE REDE Para as Ciências Sociais: conjunto de relações sociais entre um conjunto

Leia mais

CARTA DA BAHIA. Tema: ENFRENTAMENTO AO ABUSO E A EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES

CARTA DA BAHIA. Tema: ENFRENTAMENTO AO ABUSO E A EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES CARTA DA BAHIA O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente- CONANDA, no uso das atribuições que lhe são conferidas pela Lei Federal no 8.242, de 12 de outubro de 1991, e pelo seu Regimento

Leia mais

Projeto ViraVida oferece alternativas para jovens e adolescentes em situação de exploração sexual

Projeto ViraVida oferece alternativas para jovens e adolescentes em situação de exploração sexual Projeto ViraVida oferece alternativas para jovens e adolescentes em situação de exploração sexual Desde 2008, o Conselho Nacional do SESI, em parceria com o empresariado, promove a inserção desse público

Leia mais

Violência gera debate sobre a redução da maioridade penal Projetos da PUCPR proporcionam aos adolescentes novas oportunidades de vida

Violência gera debate sobre a redução da maioridade penal Projetos da PUCPR proporcionam aos adolescentes novas oportunidades de vida Violência gera debate sobre a redução da maioridade penal Projetos da PUCPR proporcionam aos adolescentes novas oportunidades de vida Um adolescente entre 16 e 18 anos de idade, que assalta e mata alguém,

Leia mais

RESOLUÇÃO Nº 406, DE 7 DE NOVEMBRO DE 2011

RESOLUÇÃO Nº 406, DE 7 DE NOVEMBRO DE 2011 RESOLUÇÃO Nº 406, DE 7 DE NOVEMBRO DE 2011 Disciplina a Especialidade Profissional Terapia Ocupacional nos Contextos Sociais e dá outras providências. O Plenário do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia

Leia mais

Violência contra crianças e adolescentes: uma análise descritiva do fenômeno

Violência contra crianças e adolescentes: uma análise descritiva do fenômeno A crise de representação e o espaço da mídia na política RESENHA Violência contra crianças e adolescentes: uma análise descritiva do fenômeno Rogéria Martins Socióloga e Professora do Departamento de Educação/UESC

Leia mais

Em nome do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime. UNODC quero agradecer ao coordenador residente, sr. Jorge

Em nome do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime. UNODC quero agradecer ao coordenador residente, sr. Jorge Boa tarde! Em nome do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime UNODC quero agradecer ao coordenador residente, sr. Jorge Chediek, e a toda sua equipe, pela oportunidade em participar desse importante

Leia mais

Crack, é possível vencer

Crack, é possível vencer Crack, é possível vencer Prevenção Educação, Informação e Capacitação Aumento da oferta de tratamento de saúde e atenção aos usuários Autoridade Enfrentamento ao tráfico de drogas e às organizações criminosas

Leia mais

DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DO IDOSO. doutrina e legislação. Del Rey. Belo Horizonte, 2006

DIREITOS DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DO IDOSO. doutrina e legislação. Del Rey. Belo Horizonte, 2006 CARLOS CABRAL CABRERA Membro do Ministério Público do Estado de São Paulo. Professor de Direito Constitucional da Faculdade de Direito da Universidade Paulista UNIP. ROBERTO MENDES DE FREITAS JUNIOR Membro

Leia mais

MITOS E REALIDADES A QUESTÃO DA VIOLÊNCIA

MITOS E REALIDADES A QUESTÃO DA VIOLÊNCIA MITOS E REALIDADES A QUESTÃO DA VIOLÊNCIA Mitos e Realidades Algumas considerações O álcool e as drogas são as causas reais da violência. O consumo de álcool pode favorecer a emergência de condutas violentas,

Leia mais

GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA Observatório de Violências e Acidentes Observatório de Violações de Direitos de Crianças e Adolescentes Carnaval 2015 Bahia

GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA Observatório de Violências e Acidentes Observatório de Violações de Direitos de Crianças e Adolescentes Carnaval 2015 Bahia RELATÓRIO CONSOLIDADO 6º DIA DO CARNAVAL 2015 Salvador-BA Revisado 24-02-15 Das 18 horas de 12/02/2015 às 06 horas de 17/02/2015 foram consolidados/analisados pelo Observatório um total de 1126 atendimentos:

Leia mais

JOVEM HOMOSSEXUAL substituir por JOVENS GAYS, LÉSBICAS, BISSEXUAIS E TRANSGÊNEROS (GLBT) ou por JUVENTUDE E DIVERSIDADE SEXUAL

JOVEM HOMOSSEXUAL substituir por JOVENS GAYS, LÉSBICAS, BISSEXUAIS E TRANSGÊNEROS (GLBT) ou por JUVENTUDE E DIVERSIDADE SEXUAL JOVEM HOMOSSEXUAL substituir por JOVENS GAYS, LÉSBICAS, BISSEXUAIS E TRANSGÊNEROS (GLBT) ou por JUVENTUDE E DIVERSIDADE SEXUAL OBJETIVOS E METAS 1. Prover apoio psicológico, médico e social ao jovem em

Leia mais

CHAMADA PÚBLICA SIMPLIFICADA FACULDADE DE PSICOLOGIA/UFAM Nº 03/2013 SELEÇÃO DE PROFISSIONAIS PARA ATUAÇÃO POR CURTO PRAZO

CHAMADA PÚBLICA SIMPLIFICADA FACULDADE DE PSICOLOGIA/UFAM Nº 03/2013 SELEÇÃO DE PROFISSIONAIS PARA ATUAÇÃO POR CURTO PRAZO UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS FACULDADE DE PSICOLOGIA Núcleo de Formação Continuada de Conselheiros dos Direitos e Conselheiros Tutelares do Estado do Amazonas Escola de Conselhos do Amazonas CHAMADA

Leia mais

A existência de equipes multidisciplinares é um fator importante no trabalho dos defensores?

A existência de equipes multidisciplinares é um fator importante no trabalho dos defensores? Simone Moreira Souza Entrevista concedida para a matéria Diagnóstico aborda atuação da Defensoria Pública em infância e juventude, página 7, Proteção Integral, boletim impresso da ABMP. Entrevista realizada,

Leia mais

O Desafio da Implementação das Políticas Transversais

O Desafio da Implementação das Políticas Transversais O Desafio da Implementação das Políticas Transversais Professora: Juliana Petrocelli Período: Novembro de 2013 PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS SECRETARIA NACIONAL DE PROMOÇÃO DOS

Leia mais

O COTIDIANO DAS VARAS DA INFÂNCIA. Maria Isabel Strong Assistente Social Judiciário

O COTIDIANO DAS VARAS DA INFÂNCIA. Maria Isabel Strong Assistente Social Judiciário PROTEÇÃO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE O COTIDIANO DAS VARAS DA INFÂNCIA E JUVENTUDE Maria Isabel Strong Assistente Social Judiciário Medidas Protetivas Lei 12.010 de 03/08/2009 Lei Nacional de Adoção Altera

Leia mais

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO Núcleo de Apoio Profissional de Serviço Social e Psicologia Corregedoria Geral da Justiça

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO Núcleo de Apoio Profissional de Serviço Social e Psicologia Corregedoria Geral da Justiça I- A Comissão de Abrigo da Comarca de São Paulo A comissão de abrigo é constituída de assistentes sociais e psicólogos da capital que se reúnem desde 2005 sob a coordenação do Núcleo de Apoio Profissional

Leia mais

Pólos da Paz e Praças da Paz SulAmérica

Pólos da Paz e Praças da Paz SulAmérica A iniciativa O projeto Praças é uma iniciativa do Instituto Sou da Paz, em parceria com a SulAmérica, que promove a revitalização de praças públicas da periferia de São Paulo com a participação da comunidade

Leia mais

Curso de Especialização em Saúde da Pessoa Idosa

Curso de Especialização em Saúde da Pessoa Idosa Curso de Especialização em Saúde da Pessoa Idosa Módulo Unidade 01 Tópico 01 Políticas na Atenção do Idoso Introdução as Políticas Públicas Políticas Públicas Ao longo do tempo o papel do Estado frente

Leia mais

CERCA DE 76% DOS CONDENADOS NO BRASIL ESTÃO OCIOSOS NA PRISÃO, APONTA ESTUDO. Do UOL Notícias Em São Paulo

CERCA DE 76% DOS CONDENADOS NO BRASIL ESTÃO OCIOSOS NA PRISÃO, APONTA ESTUDO. Do UOL Notícias Em São Paulo CERCA DE 76% DOS CONDENADOS NO BRASIL ESTÃO OCIOSOS NA PRISÃO, APONTA ESTUDO Ana Sachs* 20/09/2009-07h00 Do UOL Notícias Em São Paulo Ainda que seja uma exigência da lei de Execuções Penais, o trabalho

Leia mais

ASSISTENTE SOCIAL. C européia e da Igreja Católica. D política, através do governo Getúlio Vargas e da Igreja Católica.

ASSISTENTE SOCIAL. C européia e da Igreja Católica. D política, através do governo Getúlio Vargas e da Igreja Católica. ASSISTENTE SOCIAL 01. Considerando que o Serviço Social foi introduzido no Brasil nos anos 30, é correto afirmar que a primeira escola de Serviço Social, criada em 1963, no seu inicio sofreu forte influência:

Leia mais

A PRESENÇA NEGRA NO PARÁ: RESENHA DE UM

A PRESENÇA NEGRA NO PARÁ: RESENHA DE UM R E S E N H A A PRESENÇA NEGRA NO PARÁ: RESENHA DE UM TRABALHO PIONEIRO SALLES, VICENTE. O NEGRO NO PARÁ. SOB O REGIME DA ESCRAVIDÃO. 3ª EDIÇÃO. BELÉM: INSTITUTO DE ARTES DO PARÁ, 2005. JOSÉ MAIA BEZERRA

Leia mais

CATEGORIA: EM ANDAMENTO ÁREA: CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS INSTITUIÇÃO: FACULDADE ZUMBI DOS PALMARES AUTOR(ES): MARIANA TOLEDO ALVES TEIXEIRA

CATEGORIA: EM ANDAMENTO ÁREA: CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS INSTITUIÇÃO: FACULDADE ZUMBI DOS PALMARES AUTOR(ES): MARIANA TOLEDO ALVES TEIXEIRA TÍTULO: "DIÁRIO" DE UM EX - DETENTO : AS DIFICULDADES E PRECONCEITOS ENCONTRADOS, NO DIA A DIA,PARA RESSOCIALIZAÇÃO DO EX - PRESIDIÁRIO NEGRO NO BRASIL. CATEGORIA: EM ANDAMENTO ÁREA: CIÊNCIAS HUMANAS E

Leia mais

DIREITOS DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES: O QUE ISTO TEM A VER COM SUSTENTABILIDADE? 1

DIREITOS DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES: O QUE ISTO TEM A VER COM SUSTENTABILIDADE? 1 DIREITOS DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES: O QUE ISTO TEM A VER COM SUSTENTABILIDADE? 1 O conceito de sustentabilidade Em 1987, o Relatório Brundtland, elaborado pela Comissão Mundial do Ambiente e Desenvolvimento,

Leia mais

CAPTAÇÃO DE RECURSOS FEDERAIS LINHAS DE AÇÕES PARA ELABORAÇÃO DE PROJETOS

CAPTAÇÃO DE RECURSOS FEDERAIS LINHAS DE AÇÕES PARA ELABORAÇÃO DE PROJETOS CAPTAÇÃO DE RECURSOS FEDERAIS PARA ELABORAÇÃO DE PROJETOS 1. SECRETARIA NACIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA - SENASP Gestão do Conhecimento e de Informações criminais; Formação e Valorização Profissional; Implantação

Leia mais

AULA 05 ROTEIRO CONSTITUIÇÃO FEDERAL ART. 5º; 37-41; 205 214; 227 229 LEI 8.069 DE 13/07/1990 ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE E C A PARTE 05

AULA 05 ROTEIRO CONSTITUIÇÃO FEDERAL ART. 5º; 37-41; 205 214; 227 229 LEI 8.069 DE 13/07/1990 ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE E C A PARTE 05 AULA 05 ROTEIRO CONSTITUIÇÃO FEDERAL ART. 5º; 37-41; 205 214; 227 229 LEI 8.069 DE 13/07/1990 ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE E C A PARTE 05 DO DIREITO À EDUCAÇÃO, À CULTURA, AO ESPORTE E AO LAZER

Leia mais

Daniela Portugal 1. "Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Na cama que escolherei" (Manoel Bandeira)

Daniela Portugal 1. Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Na cama que escolherei (Manoel Bandeira) ÚLTIMA CHAMADA PARA PASÁRGADA! - A Lei nº 13.254/2016 e o Regime Especial de Regularização Cambial e Tributária (RERCT) como causa extintiva de punibilidade. Daniela Portugal 1 "Vou-me embora pra Pasárgada

Leia mais

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE ALAGOAS

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE ALAGOAS NOTA TÉCNICA CONTRA A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL A Defensoria Pública do Estado de Alagoas, por meio do Núcleo Especializado da Infância e da Juventude, em virtude de sua função institucional de exercer

Leia mais

Resultados do Serviço Preparação para o Primeiro Emprego Ano 2012

Resultados do Serviço Preparação para o Primeiro Emprego Ano 2012 Resultados do Serviço Preparação para o Primeiro Emprego Ano 2012 Administração: Rodrigo Antônio de Agostinho Mendonça Secretária do Bem Estar Social: Darlene Martin Tendolo Diretora de Departamento: Silmaire

Leia mais

1. A comunicação é atividade institucional e deve ser regida pelo princípio da

1. A comunicação é atividade institucional e deve ser regida pelo princípio da 1 SUGESTÕES PARA UMA POLÍTICA DE COMUNICAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO COMITÊ DE POLÍTICAS DE COMUNICAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO (CPCOM), REUNIÃO DE 30 DE MARÇO DE 2011 Redesenhado a partir da Constituição

Leia mais

BANCO DE BOAS PRÁTICAS DE GESTÃO

BANCO DE BOAS PRÁTICAS DE GESTÃO BANCO DE BOAS PRÁTICAS DE GESTÃO Prática ADOLESCENTES INFRATORES: APOIO PARA REINSERÇÃO À COMUNIDADE. Área de Atuação: Políticas Sociais e Cidadãos Responsáveis: José Alexandre dos Santos e Franciely Priscila

Leia mais

VIII Jornada de Estágio de Serviço Social O SERVIÇO SOCIAL NA LEGIÃO DA BOA VONTADE - LBV

VIII Jornada de Estágio de Serviço Social O SERVIÇO SOCIAL NA LEGIÃO DA BOA VONTADE - LBV VIII Jornada de Estágio de Serviço Social O SERVIÇO SOCIAL NA LEGIÃO DA BOA VONTADE - LBV Apresentador: Jordana Oliveira OLIVEIRA, Jordana 1. KRAVICZ, Gisele Ferreira 2. TRENTINI, Fabiana Vosgerau. 3 RESUMO:

Leia mais

Propostas dos GTs da Conferência Municipal de São Paulo. Princípios e diretrizes de Segurança Pública

Propostas dos GTs da Conferência Municipal de São Paulo. Princípios e diretrizes de Segurança Pública Propostas dos GTs da Conferência Municipal de São Paulo Princípios e diretrizes de Segurança Pública Eixo 1 1. Fortalecimento do pacto federativo; 2. Municipalização da Segurança Pública; 3. Estabelecer

Leia mais

GISELE CALDEIRA DE FREITAS PROJETO DE PESQUISA APLICADA: A RESSOCIALIZAÇÃO DO PRESO FRENTE AO SISTEMA PENITENCIÁRIO BRASILEIRO

GISELE CALDEIRA DE FREITAS PROJETO DE PESQUISA APLICADA: A RESSOCIALIZAÇÃO DO PRESO FRENTE AO SISTEMA PENITENCIÁRIO BRASILEIRO GISELE CALDEIRA DE FREITAS PROJETO DE PESQUISA APLICADA: A RESSOCIALIZAÇÃO DO PRESO FRENTE AO SISTEMA PENITENCIÁRIO BRASILEIRO IBAITI 2013 3 AUÍLIO FINANCEIRO A CURSOS PROJETO DE PESQUISA APLICADA SUMÁRIO

Leia mais

CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA CENTRO DE REFERÊNCIAS TÉCNICAS EM PSICOLOGIA E POLÍTICAS PÚBLICAS CONVERSANDO SOBRE A PSICOLOGIA E O SUAS

CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA CENTRO DE REFERÊNCIAS TÉCNICAS EM PSICOLOGIA E POLÍTICAS PÚBLICAS CONVERSANDO SOBRE A PSICOLOGIA E O SUAS A sistematização que segue refere-se aos pontos trabalhados pelo grupo, no sentido de ativar a reflexão de questões que seriam tratadas no Encontro Estadual dos Trabalhadores do SUAS, realizado dia 16

Leia mais

POLÍTICA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, SUAS e legislações pertinentes. Profa. Ma. Izabel Scheidt Pires

POLÍTICA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, SUAS e legislações pertinentes. Profa. Ma. Izabel Scheidt Pires POLÍTICA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, SUAS e legislações pertinentes Profa. Ma. Izabel Scheidt Pires REFERÊNCIAS LEGAIS CF 88 LOAS PNAS/04 - SUAS LOAS A partir da Constituição Federal de 1988, regulamentada

Leia mais

GOVERNO DE SERGIPE SECRETARIA DE ESTADO DO DESENVOLVIMENTO URBANO SEDURB DIRETORIA DE RELAÇÕES INSTITUCIONAIS

GOVERNO DE SERGIPE SECRETARIA DE ESTADO DO DESENVOLVIMENTO URBANO SEDURB DIRETORIA DE RELAÇÕES INSTITUCIONAIS GOVERNO DE SERGIPE SECRETARIA DE ESTADO DO DESENVOLVIMENTO URBANO SEDURB DIRETORIA DE RELAÇÕES INSTITUCIONAIS Seminário Internacional Planejamento Urbano em Região Metropolitana - O caso de Aracaju Aracaju,

Leia mais

Concurso Público para Admissão ao Bacharelado

Concurso Público para Admissão ao Bacharelado Concurso Público para Admissão ao Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública da Polícia Militar do Estado de São Paulo Assinatura do Candidato 2. Prova de Escolaridade (Parte II) INSTRUÇÕES

Leia mais

NOTIFICAÇÕES COMPULSÓRIAS DOS CASOS SUSPEITOS OU CONFIRMADOS DE VIOLÊNCIAS PRATICADAS CONTRA CRIANÇA E ADOLESCENTE

NOTIFICAÇÕES COMPULSÓRIAS DOS CASOS SUSPEITOS OU CONFIRMADOS DE VIOLÊNCIAS PRATICADAS CONTRA CRIANÇA E ADOLESCENTE NOTIFICAÇÕES COMPULSÓRIAS DOS CASOS SUSPEITOS OU CONFIRMADOS DE VIOLÊNCIAS PRATICADAS CONTRA CRIANÇA E ADOLESCENTE Márcia Regina Ribeiro Teixeira Promotora de Justiça de Salvador Agosto de 2014 VIOLÊNCIA:

Leia mais