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2 Seja nos bancos da academia, nas publicações especializadas ou no democrático espaço das ruas, as novelas, minisséries, seriados e especiais, esses modernos folhetins surgidos no século XX, estão de tal forma presentes na cultura e no imaginário do brasileiro que já foram incorporados a sua vida diária. Os mocinhos e bandidos da TV caminham lado a lado com o público e seus dramas reais, protagonizando aventuras que proporcionam o entretenimento e ajudam a montar um grande painel de diferentes épocas da história do país. AUTORES - Histórias da teledramaturgia é um registro dessa memória nacional, na voz daqueles de cujas mãos nascem as fantasias e reflexões que mobilizam milhões de telespectadores. Seus dois livros, organizados em ordem alfabética, resultam de cerca de 70 horas de entrevistas com 16 autores titulares de novelas e minisséries da TV Globo. São eles: Aguinaldo Silva, Alcides Nogueira, Antonio Calmon, Benedito Ruy Barbosa, Carlos Lombardi, Euclydes Marinho, Gilberto Braga, Gloria Perez, João Emanuel Carneiro, Manoel Carlos, Maria Adelaide Amaral, Miguel Falabella, Ricardo Linhares, Silvio de Abreu, Walcyr Carrasco e Walther Negrão. A publicação reúne perfis, depoimentos e fotos exclusivas dos autores em seu ambiente de trabalho ou em cenários que ilustram seu universo ficcional. Serve como instrumento de estudo para pesquisadores da televisão brasileira e estudiosos em geral, e é uma fonte de conhecimento e diversão para todos que apreciam boas histórias 2

3 Miguel Falabella! Isso é nome de estrela! A saudação ouvida nos idos 1980, quando ainda era um jovem em início de carreira, soou como uma predição na vida desse carioca nascido e criado na zona norte do Rio de Janeiro, fiel amante da literatura, do teatro e do riso. Falabella é hoje um nome de peso na cena cultural brasileira, além de um artista reconhecido pelo público nos quatro cantos do país. Sagaz observador do comportamento humano e dono de um humor ácido incomparável, esse louro alto de afiados olhos azuis tem o dom de fazer o povo rir de suas pequenas desgraças cotidianas. E ainda é multifacetado: no teatro, no cinema ou na TV, Falabella joga em todas as posições. E ator, escritor, roteirista, diretor, produtor e premiado dramaturgo - já levou para casa dois Molière, um dos mais importantes prêmios teatrais. Quase 30 anos após sua estréia profissional nos palcos, chegou ao ano de 2008 assinando sua terceira novela como autor na TV Globo, Negócio da China; escrevendo e atuando no sitcom Toma lá dá cá; e fazendo as vezes de ator e diretor da peça Os produtores, que ele próprio adaptou do original de Mel Brooks. Como ele mesmo professa, mais importante do que o caminho é o caminhar: "E aquela velha história de ir jogando as sementes: nem todas vão germinar, mas, se você jogar muitas, vai ter uma bela colheita, de alguma forma". Filho de um arquiteto e de uma professora de língua e literatura francesas, Miguel Falabella de Souza Aguiar nasceu em 10 de outubro de 1956, no bairro de São Cristóvão. Boa parte da infância e da adolescência, porém, ele viveu na Ilha do Governador, outrora um lugar bucólico onde, desde cedo, aprendeu a fantasiar. Ali teve seu primeiro contato com o teatro. Na verdade, como espectador das encenações da Paixão de Cristo realizadas no cinema do bairro. Mas foram os antigos musicais montados nos teatros da Praça Tiradentes, no centro do Rio, que determinaram sua vida profissional. "Depois de assistir a Hello, Dolly, com a Bibi Ferreira, voltei para casa pensando que aquele era um mundo no qual eu gostaria de viver". O tradicional Teatro Tablado, ícone de várias gerações de atores, teve importância crucial na decisão. Falabella chegou ali adolescente, no início da década de 1970, e teve aulas com a escritora e dramaturga Maria Clara Machado, uma das maiores referências do teatro brasileiro. Em 1979, após se apresentar em várias peças no Tablado, fez sua estréia como ator profissional na montagem de O despertar da primavera, de Frank Wedekind - primeira peça do grupo teatral O Pessoal do Despertar, que ele próprio ajudou a fundar, junto com os amigos Maria Padilha, Daniel Dantas, Rosane Gofman, Fábio Junqueira, Zezé Polessa e Paulo Reis. O sucesso da peça deu projeção aos jovens atores. Alguns foram chamados para trabalhar na TV Falabella optou por uma viagem à França, onde fez alguns cursos e estudou na escola da artista de circo Annie Fratellini. Voltou ao Brasil a tempo de integrar o elenco 3

4 do filme O sonho não acabou, de Sérgio Rezende, lançado em O ator também retomou as atividades como professor de teatro no Colégio Andrews, em Botafogo, na zona sul da cidade, função que desempenhou de 1978 a Sua grande popularidade foi alcançada, em parte, não na pele de um personagem, mas apresentando-se como ele mesmo nos 15 anos em que esteve à frente do Video show, a revista eletrônica que revira os bastidores da televisão. De 1987 a 2001, Falabella apresentou quadros e reportagens, comandou entrevistas com artistas, respondeu a cartas dos telespectadores e chegou a freqüentar festas de anônimos. Tinha sempre uma opinião ou uma mensagem na ponta da língua, fechando o programa com uma saudação em que juntava as mãos em concha. Ganhou tal intimidade com o público, que as pessoas passaram a vê-lo como um amigo de todas as horas. Personagens como o emergente Caco Antibes, que viveu no humorístico Sai de baixo, também o ajudaram a conquistar o sucesso. Durante seis anos, nas noites de domingo, o público se acostumou a receber em casa aquele visitante politicamente incorreto que enchia a boca para falar mal dos pobres e gritava, a plenos pulmões, "Cala a boca, Magda!", ao chamar a atenção da esposa, interpreta-da por Marisa Orth. Falabella não só atuava como escrevia para o programa, um dos responsáveis pela renovação da linguagem do humor na TV. O sucesso se repetiu com o sitcom Toma lá dá cá, cuja autoria e redação final levam a assinatura do artista. O humorístico entrou para a grade de programação da TV Globo em 2007 e mostra as confusões vividas por duas famílias, vizinhas de porta em um condomínio de classe média do Rio. Ambas unidas por um pequeno detalhe: seus casais são trocados. No programa, Falabella interpreta o corretor imobiliário Mário Jorge, cujo bordão "Garota mau-caráter" caiu na boca do povo. Certo estava o diretor Walter Avancini quando apostou no jovem ator para viver o personagem Miro da segunda versão da novela Selva de pedra, de Janete Clair, em seu primeiro grande papel na TV. O vilão bem-humorado encarnado por Falabella transformou sua vida da noite para o dia. Com ele, o ator descobriu que podia fazer rir. A estréia de Miguel Falabella na televisão aconteceu em 1982, como intérprete do galã romântico do Caso verdade Jan e Jim, exibido na TV Globo. No mesmo ano, atuou na novela Sol de verão, de Manoel Carlos. Foi a primeira de uma série de novelas, nas quais interpretou desde bons moços a vilões impiedosos, personagens escritos pelos hoje colegas novelistas. Um de seus papéis mais marcantes na televisão, no entanto, foi o psicopata Donato Menezes, da minissérie As noivas de Copacabana, de Dias Gomes, cuja tara era matar mulheres vestidas de noiva. Um tipo bem diferente dos que se acostumara a representar. Em 1987, dividiu com Cecil Thiré e Lucas Bueno a direção da novela Sassaricando, de Silvio de Abreu. Mas não gostou muito da experiência. Também foi redator do humorístico TV pirata, escrevendo esquetes para o programa com Vicente Pereira e Patricya Travassos, quando os três formavam o grupo Tora! Tora! Tora! Sua estréia como autor de novelas foi em 1996: Salsa e merengue, escrita com Maria Carmen Barbosa para o horário das 19h. A trama se sustentava na clássica história da troca de crianças, mas tinha um pé nos signos latinos, remetendo especialmente a Cuba, e com uma bem dosada mistura de personagens de humor e outros de grande carga dramática. Uma de suas protagonistas, interpretada por Arlete Salles, atendia pelo curioso nome de 4

5 Anabel Mufioz. Nove anos de-pois, Maria Carmem Barbosa e Falabella assinaram A Lua me disse, também para o horário das 19h, uma comédia de costumes calcada no velho e bom folhetim tradicional. Como na novela anterior, esta era uma trama com uma forte presença do kitsch, na qual não faltaram referências aos subúrbios do Rio e a Miami, características dos textos de Falabella, em que o colorido e o brega se espelham em muitos cenários e figurinos. A parceria de Maria Carmem com Falabella começou em 1990, quando a autora supervisionava os textos do seriado Delegacia de mulheres. A partir dali, os dois fizeram diversos trabalhos juntos, notadamente no teatro, e idealizaram o sitcom Toma lá dá cá. Até que resolveram se separar, e cada um seguir vôo solo. Em 2008, Falabella investiu na sua terceira novela na emissora, Negócio da China, desta vez assinando como único titular. Nesta novela, a base folhetinesca é a corrida do ouro, com o ineditismo de uma inusitada academia de kung fu em pleno Rio de Janeiro. A boa receptividade dos trabalhos de Falabella na TV também se estende ao teatro. Sua trajetória nos palcos é repleta de montagens teatrais, entre peças adultas e infantis. Em 1984, ele estreou como diretor em Emily, de William Luce, estrelada por Beatriz Segall. 0 trabalho lhe valeu o Molière de melhor direção e o Mambembe de diretor-revelação. A idéia de montar a peça partiu de sua admiração por literatura e, em especial, pela poetisa americana Emily Dickinson. Formado em letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Falabella sempre foi um apaixonado pela palavra. Aos que lhe confidenciam que querem ser ator, ele aconselha: "Vai fazer letras". Segundo o escritor, o domínio da palavra é fundamental na profissão. Foi no final da década de 1980, no entanto, que ele alcançou o sucesso popular no meio teatral, como um dos expoentes do gênero besteirol em ascensão na época. A aclamação veio com a peça Miguel Falabella e Guilherme Karan, finalmente juntos e finalmente ao vivo. O espetáculo virou cult e lotava a sessão alternativa de meianoite de uma pequena sala em Ipanema. Um ano depois, a dupla dividiu Mambembe de melhor ator por As sereias da Zona Sul. Falabella ganhou, ainda, o prêmio Coca-Cola de Teatro Infantil como melhor diretor por A megera domada, de 1990, e o Molière de melhor autor por A partilha, que ele próprio dirigiu, no mesmo ano. Este texto foi montado em 12 países, ganhou o prêmio Estrela do Mar - um dos mais importantes da Argentina - e virou um longa-metragem, com produção da Globo Filmes e direção de Daniel Filho. A relação apaixonada com o teatro fez com que o artista inaugurasse, em 1997, o Teatro Miguel Falabella, em um badalado shopping da zona norte da cidade. E o conduziu a um cargo público: de 2003 a 2007, foi gestor da rede municipal de teatros, formada por 16 espaços - dez teatros seis lonas culturais. O ator também tem livros publicados. Um com suas crônicas, Pequenas alegrias, pela editora Objetiva; Querido mundo e outras peças, com sete peças de teatro escritas por ele e Maria Carmem Barbosa, lançado pela Lacerda Editores; e Le partage, o texto da peça A partilha, traduzido para o francês. Seu talento como cronista pôde ser conferido na coluna semanal Um coração urbano, que assinou no jornal O Globo nos anos Tempos depois, ele também assinou uma coluna no jornal O Dia. Além disso, Falabella foi carnavalesco 5

6 diretor da escola de samba carioca Império da Tijuca, tendo assinado os enredos de 1993 a No início de 2008, lançou seu primeiro filme como diretor, Polaróides urbanas, baseado na peça Como encher um biquíni selvagem, de sua autoria. Ele já atuou em 12 filmes nacionais, e também já dublou personagens de filmes infantis. Muitos podem não ter associado a voz ao dono, mas é ele quem está por trás das vozes do gato Snowbell das duas versões de O pequeno Stuart Little; do dragão Draco, protagonista de Coração de dragão; e do secretário Jean-Claude, de Rugrats em Paris. Falabella é incansável. Não quer perder a viagem. Afinal, como ele costuma dizer, "a única constância do universo é a mudança". Como foi a sua infância? Meus pais eram intelectuais, minha mãe foi professora de língua e literatura francesas, na UFRJ e meu pai, arquiteto. Gostavam do sossego da Ilha do Governador, onde começaram a namorar, e resolveram morar ali, depois de casados, isso antes de construírem a ponte. A Ilha era um lugar bucólico, paradisíaco. A Rachel de Queiroz também morava lá e vendeu a casa no dia em que começaram a construir a ponte. Ela percebeu que o lugar ia perder suas características. Ali eu passei a minha infância, aliás, uma infância memorável, inesquecível, porque havia poucos carros. Eu vestia um short e me largava na rua. Nós tínhamos muito espaço para estar sozinhos, e isso é fundamental para a criança. A Doris Lessing, que eu adoro, diz que se tornou escritora porque foi criada numa fazenda onde ficava horas e horas sozinha. A criança, quando fica sozinha, é obrigada a fantasiar e a criar. Eu era assim. Ficava no alto das árvores, tinha muito espaço, passava muito tempo só. Por isso fabulei desde muito cedo. Fui uma criança que já inventava histórias. Onde você estudou? Fiz os meus estudos básicos na Ilha. Mas como precisava estudar em melhoras escolas, fui para o Colégio Andrews. Aí era uma tourada: saía da Ilha de manhã bem cedo, acordava às 5h30 para estar às 7h em Botafogo, na zona sul do Rio. Quando eu já estava terminando o ginásio, no começo do clássico - na época era clássico -, não agüentei e fui morar com uma tia em Botafogo. No Andrews, tive a sorte de ser colega de classe e sentar ao lado da Bia Nunnes, filha do Max Nunes. Ela já fazia o Viva o gordo nessa época, e estudava no Tablado. Um dia, comentei que tinha loucura para fazer teatro e ela me levou. Ainda peguei uma turma da Maria Clara Machado. Entrei no Teatro Tablado em 1972, 1973, por aí. Foi o seu primeiro contato com a atividade teatral? Foi, porque na Ilha não havia teatro; só tinha A paixão de Cristo. Eles tiravam a tela do cinema e montavam o espetáculo na Páscoa. Eu lembro de, muito pequeno, ter assistido a uma montagem de Pluft, o fantasminha, no Tablado. Mas minha primeira lembrança de teatro, determinante para a escolha da minha carreira, foi ter assistido Hello, Dolly, com a Bibi Ferreira. Minha avó gostava de nos levar ao teatro como presente de aniversário e nós íamos ver os grandes musicais montados na Praça Tiradentes, no centro do Rio, como Música, divina música e Como vencer na vida sem fazer força. Depois de assistir a Hello, Dolly, voltei para casa pensando que aquele era um mundo no qual eu gostaria de viver. 6

7 O que você destaca da sua passagem pelo Tablado? O Tablado foi fascinante. Fui da primeira turma da Louise Cardoso, que era recém-formada e estava começando a carreira, e também fui aluno da Maria Clara Machado, uma mulher admirável, que tinha uma visão holística do teatro, uma visão muito generosa. Ela nos obrigava a fazer tudo dentro do teatro, que ela amava. Hoje você não vai trabalhar como ator, vai ser cortineiro, vai varrer o palco, dizia. A gente aprendia a cuidar do espaço. Ver alguém com o pé em cima de uma cadeira de teatro matava a Maria Clara. Ela era uma grande mestra, uma mulher que nos ensinava não só a técnica, mas a ter amor pelo teatro. Estudei também com dona Fernanda Gianetti, uma grande professora de canto. Graças a Deus, sempre tive um vozeirão; até hoje não preciso de microfone. Eu uso, mas sempre tive uma voz naturalmente empostada, que chega na última fila com facilidade. Nunca tive problema de voz na vida, jamais fiquei rouco nem sem voz. O Tablado foi fundamental, ali tive contato com a minha geração. A melhor coisa dos cursos é ter contato com a sua geração e estabelecer parâmetros artísticos a partir daí. Você participou do grupo Pessoal do Despertar. Como foi essa experiência? Maria Clara Machado ia montar O despertar da primavera, um clássico do expressionismo alemão, de Frank Wedekind, que, aliás, hoje é um grande sucesso na Broadway, transformaram num musical, Spring Awakening. A peça fala sobre a descoberta da sexualidade num grupo de pré-adolescentes de uma cidade do interior da Alemanha, com toda aquela repressão luterana. Wedekind escreve de uma forma poética, linda, sobre essas crianças vindo à tona num mundo que lhes é hostil. Começamos a ler e a ensaiar e, em determinado momento, a Clara desistiu de montar a peça. A história era muito forte, tinha masturbação, homossexualismo, nudez, e o Tablado era muito familiar. Ficamos frustrados. Então propus à Maria Padilha, que também fazia o Tablado e ficara minha amiga, de fazer um grupo. Éramos todos moleques. Chamamos o Paulo Reis, formamos o grupo e montamos a peça sem nenhum dinheiro, sem nada, só com o fogo e a paixão da juventude. Conseguimos um apoio e nos apresentamos na Aliança Francesa da Tijuca. O cenário era feito de cubos cinza e o figurino, muito simples. Mas como disse um jornalista numa crítica feita na época - não lembro se ele era do Rio ou de São Paulo -, nunca antes se viu tanta juventude, talento e beleza nos palcos. Foi bárbaro! Nosso grupo era formado por Daniel Dantas, Maria Padilha, Rosane Gofman, Fábio Junqueira, Bel Batista, Zezé Polessa e eu. Todo mundo garoto, começando. Foi uma montagem memorável e aconteceu uma coisa inacreditável: a juventude começou a freqüentar o teatro. Todo mundo ia ver o espetáculo, ficava lotado. E nós, que fizemos uma pecinha na Aliança Francesa da Tijuca, na Rua Andrade Neves - um grupo de garotos querendo mostrar seu trabalho -, de repente vimos a coisa acontecer e virar uma avalanche, um enorme sucesso. O Daniel, a Maria e o Fábio Junqueira foram imediatamente chamados para fazer televisão. Maria fez uma novela do Gilberto Braga, Água viva, se não me engano. Daniel também fez uma novela. E você? Depois dessa montagem, quis ter uma experiência fora do Brasil e fui para a França. Estudei na escola de circo da Annie Fratellini, fiz cursos avulsos, mas percebi que ia perder o bonde. Eu tinha feito um teste aqui para o filme O sonho não acabou, do Sérgio Rezende, uma história sobre a juventude em Brasília, e resolvi voltar. Voltei, fiz o filme, depois liguei para as pessoas dizendo que precisava trabalhar. O meu grupo tinha montado A tempestade, de Shakespeare. E o Fábio Junqueira, que fazia o príncipe Ferdinando, não 7

8 gostou do papel e desistiu de fazer a peça. Entrei no lugar dele. Aliás, há uma tônica na minha vida: estou sempre pegando papel dos outros. Se alguém não quer, eu quero. Fizemos uma montagem memorável no Parque Lage, no Jardim Botânico; virou um point, uma festa. Minha cena de amor com a Maria Padilha era dentro da piscina. Há imagens de arquivo de nós dois, muito novinhos, dando entrevista para a Globo. Nessa época, fui a uma festa na casa da Rita Murtinho - essa história não é lenda, é verdadeira - e comecei a conversar com um homem que estava sentado ao meu lado. Sempre fui falante e engraçado, a comédia sempre foi uma tônica muito forte na minha vida, e contei muitas histórias. Conversei, conversei, conversei e, quando acabei, ele me perguntou se eu não queria fazer uma novela. Era o Roberto Talma, que eu não conhecia. Claro que eu topei. Fui para a TV Globo fazer um Caso verdade - aliás, fiz inúmeros desses programas - e depois fiz Sol de verão, do Manoel Carlos. Eu era muito inexperiente: botei minha cara na televisão, mas não marquei. Como foi sua estréia na TV? Você sentiu muita diferença em relação ao trabalho no teatro? Eu acho que a gente não pára muito para pensar. Lembro perfeitamente do meu primeiro dia de gravação na velha emissora, na Rua Lopes Quintas, no Jardim Botânico. Cheguei nervosíssimo. Tinha um restaurante no primeiro andar e eu fui almoçar. Nunca vou esquecer, eu entrando naquele restaurante e dando de cara com a Yoná Magalhães e o Tarcísio Meira. A sensação é a de realmente estar entrando num mundo com o qual você sonhou a vida inteira. Isso não tem preço. É uma coisa que você guarda para sempre. Até hoje, tenho a lembrança da Yoná almoçando e eu dizendo: Meu Deus, estou comendo perto da Yoná Magalhães! Para ser um profissional de televisão, é preciso ter foco. É muita cena por dia; se você não tem concentração, dança. Em geral, os jovens penam mais porque estão com outras coisas na cabeça, é muita solicitação, muita festa. Mas, graças a Deus, o teatro sempre falou mais alto no meu coração. Tanto que eu não fazia baile de debutante, nada dessas coisas que a minha geração fez. Fiz muito pouco, porque nunca podia. Nos finais de semana, eu estava sempre trabalhando em teatro. Em 1982, você fez o Caso especial Jan e Jim, seu primeiro programa na TV. Como você avalia essa experiência? Esse foi o primeiro de todos, com a querida Wanda Stefânia, a Aracy Cardoso, se não me engano, e tinha aquela menina que era irmã da Simone Carvalho, que depois virou corredora, não fez carreira, Suzane Carvalho. Eu estava completamente em pânico, mas a televisão me atraía, tinha alguma coisa que me fazia gostar dela. Logo que comecei, percebi que ia ficar o resto da vida ali. Era um veículo que me encantava, mesmo fazendo trabalhos que eu não considerava maravilhosos, já que estava iniciando. Eu ainda era um aprendiz. Acho que o homem amadurece muito depois da mulher; o garoto é muito mais garoto do que as meninas, aos 21 anos ainda é menino; e a menina de 21 é uma mulher, trabalha melhor as emoções. Os grandes trabalhos do homem como ator vêm depois. Mas percebi, desde muito cedo, que conseguia ir além da câmera. Em Amor com amor se paga, um remake da Ivani Ribeiro, aconteceu uma coisa muito interessante. Eu tinha um papel pequeno, não era um papel marcante, e um dia alguém me disse que tinha uma foto enorme minha na coluna da Maria Helena Dutra. Eu disse: Misericórdia, a mulher está acabando com a minha raça, meu Pai do céu. Eu tinha um papelzinho de nada e ela escreveu me elogiando: Notem esse rapaz, ele tem alguma coisa que o olho corre para ele, alguma coisa 8

9 ali que a gente não sabe bem o que é, mas tem. Sou grato a ela até hoje, porque isso me deu auto-estima no momento em que precisava. Essas coisas a gente nunca esquece. Qual era o seu personagem em Amor com amor se paga? Eu fazia o Renato, noivo da Júlia Lemmertz, filho do Adriano Reys e da Beatriz Lyra, e irmão de Cláudia Ohana e Narjara Turetta. Havia um problema de racismo na história. No meio da novela, eu descobria que a mãe da Júlia era a Chica Xavier, uma negra, e queria romper o noivado. Olha que história louca! Isso foi em 1984, enredo com a marca da Ivani. Quando eu estava fazendo essa novela, minha mãe morreu. Eu fiquei muito triste e a Chica Xavier, que era do meu núcleo, me disse: Ela se foi, mas me deixou no lugar dela. A Chica virou minha mãe para o resto da vida. Ela é uma pessoa que eu amo, chamo os filhos dela de irmãos, sou padrinho de um dos seus netos. Enfim, minha mãe biológica se foi, mas deixou outra no lugar. Depois fiz Livre para voar, entrei no final da novela. Eu fazia um triângulo com a Carla Camurati e o Tony Ramos; era um médico, o doutor Sérgio, se não me falha a memória. Em 1986, você foi escalado para o remake de Selva de pedra, de Janete Clair. Como surgiu essa oportunidade? Um belo dia, fui convidado para fazer um comercial em São Paulo, de última hora. Eu fazia uma estrela num camarim e quando me perguntavam: Que óleo o senhor prefere?, eu respondia: Olhos azuis, é claro! Uma coisa meio cômica. Não sei se é verídico, mas a Ângela, assistente do Walter Avancini, contou que ele viu o comercial e perguntou quem eu era. Ela respondeu: É o Falabella, já fez umas novelinhas aí na casa, umas novelas das 18h, nunca disse muito ao que veio, não. O Avancini já tinha convidado o Ney Latorraca para fazer o Miro na segunda versão de Selva de pedra, e o Ney tinha recusado porque, na primeira versão da novela, o Carlos Vereza tinha dado um show e se tornado quase um ícone interpretando o personagem. Então, o Avancini me chamou na emissora para conversar. Fui todo feliz porque se tratava de mais um trabalho, mas achando que seria mais uma bobagenzinha. O Avancini, com aquele jeitão maravilhoso, um criador, conversava olhando todos os meus ângulos. De repente, sentou na minha frente e falou: Rapaz, vou te dar o melhor papel masculino dessa novela. Fiquei atônito. E aprendi com esses homens a ouvir e olhar com carinho e cuidado quem está chegando, porque as potencialidades das pessoas vão surgindo ao longo da carreira, não dá para a gente saber, logo de cara. Ajo dessa maneira hoje em dia. O Avancini foi determinante: Você vai fazer o Miro. Lembro perfeitamente que saí andando pela Rua Pacheco Leão, no Jardim Botânico, meio em estado de choque, a ficha não tinha caído. Eu, fazer o Miro? Afinal, ele era um dos protagonistas da trama. Qual foi a repercussão desse personagem? Realmente foi um êxito, porque o Avancini foi muito esperto. Ele sabia que o Miro vivido pelo Vereza tinha marcado profundamente, estava no inconsciente coletivo do público, um Miro angustiado, gótico. E ele me disse: Você é louro, de olho azul, não parece um malandro carioca, embora seja carioca. Você vai fazer um malandro, mas eu não quero que seja parecido com o da primeira versão. Eu não quero um Miro gótico, quero um anjo, um Miro solar, porque o mau também se mascara de várias formas. Vamos aproveitar esse seu jeito carioca de São Cristóvão e da Ilha do Governador, que tem um dialeto pronto. E eu fiz um Miro alegre, brincalhão, que foi um sucesso imenso, o papel que realmente 9

10 transformou a minha vida da noite para o dia. Mesmo que as pessoas não soubessem o meu nome, sabiam que eu era o Miro. Trabalhar com o Avancini foi fabuloso, ele era um homem muito meticuloso. O careca era danado! Como era a direção de Avancini? Ele era um homem duro, um homem que sabia exatamente o que queria. Lembro de uma cena que eu tinha que fazer com o Tony Ramos que mostra como ele era persistente. Miro, meu personagem, tinha sido abandonado pelo pai numa estrada e carregava esse trauma, que se manifestava num pesadelo recorrente de um menininho sendo largado em meio aos caminhões na estrada. Quando tinha esse sonho, ele acordava em pânico. Numa determinada cena com a nossa queridíssima Nicette Bruno, que fazia dona de uma pensão, eu acordava aos gritos no meio da noite, suado, chorando. Era uma cena bonita com ela, mas eu não conseguia chorar. Eu tentava me concentrar, mas as lágrimas não vinham. Hoje, se isso acontecer, eu digo: Me dá um tempo, calma! Mas na época, tenso, começando, no meu primeiro papel suculento, na minha primeira grande chance, eu não conseguia. Fiquei uns dez minutos tentando, e todo mundo esperando, os câmeras já meio sem saco, pendurados na câmera, e o Avancini mandando esperar. O Tony numa cama, eu na outra, a Nicette esperando para entrar e o diabo da lágrima não vinha. Eu pensava em tudo. Pensei na morte da minha mãe, pensei no diabo, e nada. Até que o Avancini disse: Vamos cancelar, a gente roda a cena outro dia. E se virou para mim: Eu achei que tinha contratado um ator. Eu disse que ele precisava entender que eu estava um pouco nervoso, mas estava tentando fazer a cena. E comecei a chorar. Na mesma hora, ele mandou: Roda, vamos lá, gravando! Ele era maravilhoso. Podia ser duro, às vezes, e era; mas você ia para casa sabendo que estaria bem no ar. O Avancini não trabalhava com quem não era do ramo. Ele sofreria muito hoje em dia, acho que foi embora porque não ia suportar. Ele até aceitava inexperiência e guiava quem estivesse começando, mas se você fosse um desinibido e não ator, dançava bonito. Também teve uma outra cena, uma externa que eu estava gravando com o Tony na Lagoa, em que o Avancini me chamou no cantinho e falou: Eu não disse a você que ia lhe dar o melhor papel masculino dessa novela? Pois você está jogando fora. O Avancini fazia essas coisas, te puxava o tapete. Ele detestava conformismo, gostava que trouxessem alguma coisa a mais, alguma chama interior que ele via nas pessoas. Ele gostava de olhar os seus ângulos, percebia que tinha alguma coisa ghost em você, que era aquilo que queria. Era um inconformado, mas um grande diretor. Eu sinto muita saudade dele. Tenho grande carinho, grande respeito e um agradecimento eterno, porque foi o camarada que viu em mim alguma coisa que talvez nem eu mesmo tivesse visto. Ele puxou isso de mim. E como foi a relação com o Tony Ramos, com quem você contracenava muito na novela? O Tony, sempre aquele príncipe, não posso falar dele que fico emocionado. Tem uma história maravilhosa, que as pessoas precisam saber. Eu fiquei desempregado numa época e fui na Globo ver se arranjava trabalho. Aquela coisa horrorosa de ficar pedindo, é sempre horrível pedir; e, na hora em que você precisa, todas as portas se fecham. Desci a Rua Lopes Quintas para pegar o ônibus, pensando no que faria. Minha mãe estava mal, tudo estava ruim naquele período da minha vida. Isso foi antes de Selva de pedra. Lembro que eu tinha um único lençol e, para ele poder ser lavado, eu era obrigado a dormir sem lençol. Fui pela rua pensando: Meu Deus, por que eu estou passando por isso? Eu sou inteligente, 10

11 estudei, por que estou dando murro em ponto de faca numa profissão que não me quer? Quando passei ali perto onde ficava a equipe do Video show, o Tony apareceu na minha frente. Ele tinha feito Sol de verão comigo, se virou para mim e disse: Miguel Falabella, isso é nome de estrela! E me levou para jantar com ele e a mulher, Lidiane, na casa dele. Eu contei o que estava se passando: Eu só tenho um lençol, cara, isso é vida? Não preciso passar por isso. Estudei, tenho preparo, posso fazer o que eu quiser da minha vida. No dia seguinte, ele e a Lidiane me deram jogos de lençóis, que eu nunca joguei fora, não consegui. Isso é um parêntese para falar do Tony Ramos, uma pessoa que merece tudo de bom que há nesse planeta, porque é um homem de caráter, honesto, amigo, de uma generosidade ímpar. O que você achou do remake de Selva de pedra? A história da Janete era muito boa. Talvez a parte mais fantasiosa, que funcionou no começo dos anos 1970, já estivesse um pouco ultrapassada. Mas foi um marco na minha vida. A partir dali, as coisas começaram a acontecer, e percebi uma coisa que sempre amei fazer: rir. Não sou da geração da revolução, sou de uma geração pós anos de chumbo, mas nós recebemos uma herança, um resquício, um ranço de que não se podia rir, de que rir era alienação. A comédia era sempre mal vista. Nós tínhamos de fazer Brecht, Shakespeare, o que era muito bom para a formação de ator. Mas eu sempre amei rir, porque sou de família mediterrânea, uma família de grandes mesas e grandes gritos, tudo era aos gritos na minha casa. Gritava-se tanto, inclusive no telefone, que as pessoas brincavam que era melhor falar da janela que o povo escutaria. A comédia sempre foi muito forte em mim, sempre tive um amor irrestrito por ela. E é difícil fazer, bem mais do que se imagina. Não são todos os atores que podem e sabem. O Miro foi o primeiro personagem a me dar essa diretriz, de que eu era capaz de ser engraçado, de que as pessoas riam comigo. Ele foi fundamental na minha vida, na minha carreira, na minha trajetória. A partir dele, decidi seguir esse filão. O Avancini, que foi responsável por isso, é um homem que está no meu panteão, sem dúvida alguma. Você fez muitos vilões na TV? Eu sempre fiz papel de vilão. Primeiro, porque nunca fui bonito o bastante para ser galã. Percebi que a minha onda era ser o cara engraçado, que também podia beijar. Nunca fui lindo como o querido Laurinho Corona. Sinto imensa saudade dele. Da minha geração tinha o Laurinho, o Diogo Vilela, o Edson Celulari, o Guilherme Karan, o Paulo César Grande, todos da mesma idade. O Paulo César e o Laurinho eram os lindos, os bonecos. Lembro que cheguei para o Diogo e disse: Temos de ser talentosos, vamos correr atrás do prejuízo, senão, não vai dar. Não que eles não tivessem talento, não é isso. Mas descobri que a minha onda era o humor, que as pessoas riam comigo. Só que eu não encontrava material para mim. Eu fiz Letras - Português/Inglês na Universidade Federal do Rio de Janeiro -, sempre gostei muito de literatura, sempre gostei da palavra, de escrever. E decidi escrever para mim mesmo. Também quero deixar registrada aqui uma pessoa que foi fundamental na minha vida: Fernando Torres, com quem fiz Amor com amor se paga. Nós gravávamos em Teresópolis, na região serrana, um dia desci para o Rio de carona com ele e outras pessoas, e eu, como sempre muito falante, contei casos e coisas engraçadas durante a viagem. Quando o motorista parou o carro para eu descer em Botafogo, o Fernando Torres disse: Rapaz, você está perdendo dinheiro. Você notou que nós viemos rindo de Teresópolis até aqui? Escreva. Ele foi a primeira pessoa que me disse para escrever. Comecei a escrever, 11

12 primeiro para mim. Escrevi esquetes do espetáculo Apenas bons amigos, que fizemos eu, Denise Bandeira, o saudoso Caíque Ferreira e Maria Padilha, no Teatro de Arena. Não lembro se já tinha feito o primeiro espetáculo com o Karan, que também é uma figura determinante na minha vida. Nós formamos uma dupla que fez muito sucesso. Como foi formada essa dupla? Nós nos conhecemos por aí, pela noite, pelo Baixo Leblon da vida. Somos da mesma geração. Fizemos um musical que foi um estrondoso fracasso, Galvez, o imperador do Acre, baseado no romance homônimo do Márcio Souza. Foi uma megaprodução no Teatro Dulcina, com orquestra. A Ministra da Educação na época, Esther Ferraz, foi assistir e dormiu a sono solto a peça inteira. A peça foi um fracasso, e nós ficamos desempregados. Então, sugeri ao Karan fazermos uma peça só nossa, com dinheiro emprestado dos amigos. E assim foi: um emprestou não sei o quê, outro emprestou uma peruca... Nosso cartaz na porta do Teatro Cândido Mendes, em Ipanema, era uma cartolina desenhada pelo Karan, que sempre teve muito jeito para isso. Já que ninguém sabia mesmo quem éramos e que não tínhamos onde cair mortos, demos ao espetáculo o título Miguel Falabella e Guilherme Karan, finalmente juntos e finalmente ao vivo. Aí, aconteceu uma coisa doida. Nós fazíamos espetáculos no horário alternativo de meia-noite, num teatrinho de 130 lugares da Faculdade Cândido Mendes, e virou um cult. Fomos musos do verão daquele ano. Quem não tinha visto Falabella e Karan era out. Só com 20 anos a gente faz isso. Era tanta gente, mas tanta gente, que nós fazíamos três sessões aos sábados. Tinha uma cena em que eu corria, e dizia: Agora eu corro, tá? Eu não agüentava mais correr. E sempre fazendo mil coisas na televisão, fiz muita participação em histórias do Caso verdade. Nunca fui de dizer não para trabalho. Sou de família de imigrantes e fico chocado quando vejo as pessoas recusarem trabalho. Eu sempre fiz tudo, trabalhei loucamente, nunca disse não para trabalho. Não me fez mal não, só me fez bem. Sua primeira experiência de direção em televisão foi em 1987, na novela Sassaricando, de Silvio de Abreu. No teatro, porém, você já era um diretor premiado. O que você achou desse trabalho na TV? Ganhei o Molière dirigindo a Beatriz Segal em Emily. Sempre fui apaixonado por Emily Dickinson, a grande poeta americana. Um dia fui a Caracas e conheci uma moça irlandesa, essas pessoas que cruzam a vida da gente e têm um sentido, um porquê. Eu estava numa festa, meio deslocado, não conhecia ninguém, ela também não. Ela disse que falava mal o espanhol, mas eu falava inglês e começamos a conversar. Conversa vai, conversa vem, contei que tinha estudado Letras, tinha feito literatura inglesa, mas que mudara para literatura americana porque tinha me apaixonado pela Emily Dickinson. Ela também amava a Emily, tinha acabado de ver um espetáculo sobre ela em Nova York, The belle of Amherst, de William Luce, e, por acaso, estava com o texto da peça. Eu fiquei muito interessado e, no dia seguinte, ela deixou o texto no meu hotel. Voltei para o Rio com ele na bagagem. Li, e fiquei apaixonado. Bati na casa da Beatriz Segall e disse que queria dirigi-la nessa peça. Ela tinha adorado a peça, mas argumentou que não sabia quem eu era, que eu ainda era um garoto, e que só aceitava com uma condição: que um diretor amigo seu assistisse ao primeiro mês de ensaios. Era para ver se eu era doido, imbecil, quem eu era. Não era uma situação confortável, mas eu precisava de uma estrela para conseguir patrocínio e aceitei. Ficou aquele homem lá, aquele jarro, me vendo dirigi-la. Depois da primeira semana, ele falou: Beatriz, ele sabe exatamente o que quer, tem o espetáculo na 12

13 cabeça, fique tranqüila. Montamos Emily, e foi uma loucura. Depois dirigi Tupã, a vingança, do Mauro Rasi, com a Lucélia Santos; e Lúcia McCartney, de Rubem Fonseca, com Tony Ramos e Maria Padilha. Eu já tinha uma carreira de direção em teatro, então o querido Paulo Ubiratan me chamou para dirigir a novela. Não foi uma experiência muito agradável, por isso não repeti. A novela era bárbara, o texto do Silvio delicioso e ágil, mas tanto o Paulo Autran quanto a Tônia Carrero eram pessoas difíceis e eu começando, sem experiência. Éramos eu, o Cecil Thiré e o Lucas Bueno na direção. Acabei saindo pouco antes da novela terminar. No entanto, aconteceu uma coisa muito legal naquele ano. Como diz a Julie Andrews no filme A noviça rebelde: A reverenda madre sempre fala que, quando Deus fecha uma porta, em algum lugar abre uma janela. O que aconteceu? O Boni decidiu acabar com o troca-troca na apresentação do Video show, queria uma pessoa que tivesse a cara do programa, e lá fui eu fazer um teste. Na hora, pensei: Não vai ter para mim, perdi minha viagem. Então, decidi que não faria gracinha nenhuma: Quer saber? Vou agir como sou, assim que vou fazer. E era exatamente o que o Boni queria. O Video show foi muito mais determinante na minha carreira do que possam imaginar, me deu intimidade com o público. Foram 15 anos. Eu não era personagem, eu era o Falabella, e conversava com as pessoas. Tem uma história maravilhosa de uma senhora que me disse: Ah, meu filho, parece que você está sentado do meu lado, no sofá da minha casa. O Video show me deu uma marca muito pessoal com o público, fiquei amigo das pessoas. É impressionante a maneira como elas se relacionam comigo na rua: não me tratam como uma estrela de televisão, mas como um amigo. Perguntam o que eu estou fazendo, me oferecem um picolé, conversam comigo, querem saber como eu estou... Já mudou? Onde você está morando? É uma maravilha. Foram 15 anos conversando com as pessoas. Eu achava que devia dizer coisas bonitas, então tudo que eu lia e gostava, dividia com o público. No final do programa, eu sempre dizia uma frase, um pensamento, uma filosofia. Sinto muita saudade do Video show. Como era o Video show quando você começou a apresentá-lo e como o programa foi se modificando ao longo dos anos? Quais foram as mudanças em você, como apresentador? Eu acho que não me modifiquei ao longo desses anos, apenas fui tendo cada vez mais intimidade com o público. No final, até já respondia cartas. Eu sempre procurava levar informações culturais. O programa era muito mais interessante, porque não era só o umbigo da televisão, também apresentava uma agenda cultural. Tinha o Túnel do tempo, que era maravilhoso, em que as pessoas viam a história da televisão. Eu achava fundamental, porque a gente só começa a ser alguma coisa a partir da própria sucata. O Video show era feito não só para homenagear a história da televisão, como também para ser uma vitrine do que se estava fazendo. Eu sempre procurava levar uma informação nova para o público. Quando eu falava de uma pessoa, procurava saber quem era ela, o que tinha feito, explicava para o telespectador. E também sempre tive muita opinião apresentando o programa. Quando achava que uma coisa era bagaceira, a cara já dizia tudo. É claro que isso gerava polêmicas, porque nunca fui um apresentador neutro. Jamais poderia ser apresentador de telejornal, porque tudo meu tem opinião, tem uma cara. Tenho muita saudade de toda a equipe do Video show. Nós éramos uma pequena e encantadora família. 13

14 Quem fazia parte da equipe? O Richard, que ficou a vida inteira, era o redator-chefe; o Cacá Silveira na direção; a Cissa Guimarães, que era a garota que quebra o coco mas não arrebenta a sapucaia - alcunha que eu dei para ela; e a Renata Ceribelli, com quem eu divida a apresentação do programa. Ficamos longos anos no Video show. Até que chegou um momento em que achei que estava na hora de sair. Hoje, penso que não devia ter saído. Mas como sempre achei que a única constância do universo é a mudança, chega uma hora em que a gente tem que dar espaço para outras pessoas e cuidar de outras coisas, outros interesses. O Video show, sem dúvida alguma, foi muito marcante. Durante esses 15 anos, eu tive todos os cortes de cabelo que possam imaginar. Eles fizeram até uma montagem com todos os visuais que tive ao longo desse tempo, para me homenagear. Era um programa maravilhoso. Como eram as gravações? Era gravado duas vezes por semana. Primeiro, gravava na Cinédia, em Jacarepaguá. Não era mole, porque eu também fazia novela. Lembro de uma época em que eu fazia Mico preto, que era uma novela das 19h, uma peça e o Video show. Tive um estresse. Eu estava gravando uma externa no Aeroporto Internacional do Rio e o motorista do Video show me mostrava o relógio o tempo todo, para avisar que estava na hora de ir para Jacarepaguá. Depois de gravar um dia inteiro, entrei no carro e comecei a chorar. Chorei três dias seguidos. Não consegui gravar o Video show. Era estresse mesmo. Eu só chorava, chorava, chorava. Qual a importância de um programa como o Video show, que fala sobre a própria televisão? É preciso olhar o passado. Os países ditos pobres culturalmente são justamente aqueles que não olham para a civilização, não respeitam a sua história, seja ela arquitetônica, teatral, o que for. A televisão precisa voltar a ter isso. E voltará, porque vai entender que essa é uma necessidade, uma urgência do público, mexe com a memória afetiva de todos nós, de toda uma geração. Quando qualquer coisa era apresentada no Túnel do tempo, eu recebia milhões de cartas - na época nem existia , ainda falando sobre aquele momento específico, aquela canção, aquela música de novela que tinha marcado a vida de alguém. Temos que respeitar o passado, para não cairmos nessa histeria do consumo e do jovem despreparado que assola o mundo, hoje. Nessa coisa de ter que ser jovem, perde-se o lastro. Você também trabalhou no Você decide. Como foi essa fase? Tive momentos engraçados no programa. Eu fiz uma história que envolvia transfusão de sangue. Uma criança doente ia morrer porque os pais eram adeptos de uma religião que não permitia a transfusão. Eu e o Eduardo Galvão fazíamos dois médicos nesse episódio. Quando recebemos o texto, vimos que os nomes dos dois personagens eram estapafúrdios, e eu sugeri mudar: Não dá, vamos mudar para doutor Marcelo e doutor Fernando. O diretor, não lembro quem era, concordou que trocássemos os nomes. Mas esqueceram de avisar ao Raul Cortez, que apresentava o programa, e ele entrou no ar dizendo os nomes errados. O público deve ter ficado enlouquecido: Que isso? Quem são esses dois que não apareceram? Fiz muitos episódios do Você decide. Teve um outro muito legal, com a Ida Gomes e a Zezé Polessa, sobre um genro que deveria decidir se pagava o resgate do corpo da sogra - que os bandidos diziam que iam jogar num lixão -, ou usava o dinheiro para 14

15 montar um bar, o sonho da sua vida. O público votou a favor de jogar a sogra no lixão. Lembro de uma outra história, que eu não queria gravar o segundo final. Para quê? Todo mundo vai escolher que ele viva. Ainda bem que eu gravei o final com a morte do personagem, porque foi justamente o que o público escolheu. Enfim, ao longo de todos esses anos, nunca parei de trabalhar. É impressionante, não lembro de uma época em que eu tenha ficado ocioso, sem um projeto. Mas eu também sempre inventei projetos. Se ninguém me quiser, eu vou me querer, vou inventar uma coisa para fazer. Gosto de empreender, de inventar moda. Você é identificado como uma pessoa multifacetada, que sempre faz muitas coisas ao mesmo tempo. Como consegue? Sempre fui assim. Agora estou escrevendo uma novela, Negócio da China, fazendo a peça Os produtores e escrevendo e atuando no Toma lá dá cá - sou o redator final do programa. Não sei como consigo. Mas acho que, conforme a vida vai passando, você vai priorizando. Hoje em dia, eu amo fazer o Toma lá dá cá. Adoro escrever e cuidar do programa. Quero que saia redondo, legal. Também gosto de empreender. Acho bom gerar emprego, ver gente trabalhando, feliz, fazendo o que gosta. Então, não quero perder a viagem, não. Definitivamente, não quero perder a viagem. E o trabalho na novela Mico preto? Mico preto foi a novela mais alucinada da televisão brasileira. Nem sei como foi ao ar, como não fomos presos. O que era aquilo, Pai do Céu? Mico preto talvez possa ser entendida como uma gênese do Sai de baixo, porque era uma novela tão transgressora, tão doida... Os autores enlouqueceram no meio, se perderam na história, ninguém se entendia mais. Houve tudo que se pode imaginar em Mico preto. Um dia, eu falei: Vou fazer essa cena toda em inglês. Fiz e foi para o ar. Eu e o Marcelo Picchi. Entrei vestido de Scarlett O Hara na última cena da novela, e até inventamos um personagem que não existia. O elenco começou a se referir a uma tal de Marietinha Aranha. Os autores ficaram indignados: Como é que eles falam de uma coisa que não está escrita? E inventamos a Marietinha Aranha, que entrava nos diálogos de várias cenas. Tem falado com Marietinha Aranha?, Pois é, Marietinha está bem, está em Boston, E Marietinha?, Sofreu um assalto, você não soube?, Marietinha sofreu um assalto?, Sofreu, foi falar com um advogado no Centro, estava com muito ouro e o bandido..., Marietinha teve traumatismo craniano porque levou uma coronhada na cabeça. Todo o elenco foi visitar Marietinha no hospital, mas a Marietinha Aranha nunca aparecia. Era muito doida aquela novela, muito maluca. A gente ria o dia inteiro. Imagina: o Dennis Carvalho dirigia o Wilker, a Glória Pires, a Deborah Evelyn, o Tato Gabus Mendes, a Maria Padilha, a Louise Cardoso, a Deborah Secco - que aos oito anos de idade fazia o papel de sobrinha da Maria Padilha -, e eu. Era um surto coletivo. Eu fazia gêmeos: um era uma bicha doida, o José Luiz, maravilhoso; o outro era o Arnaldo. E ainda fiz um terceiro, que já não lembro mais. Era uma maluquice: ninguém entendia, o público não entendia, a gente também não. Daqui a alguns anos vai ser mostrado como um surto, um grupo de pessoas que enlouqueceram durante uma novela. Qual era a repercussão da novela junto ao público? Acho que não era boa, mas o Zé Luiz fazia muito sucesso. Eu representava uma bicha de chanchada, era uma caricatura da caricatura da caricatura. 15

16 Em 1994, você atuou em A viagem, de Ivani Ribeiro. O que você achou da novela? A viagem era muito legal. Tinha o céu, e ninguém queria morrer porque a gravação era em Teresópolis: Ai, meu Deus, tomara que eu não morra para não ter de gravar naquela Granja Comary. Se eu morrer estou perdido, prefiro ir para o inferno. Porque o inferno era mais perto, era em Niterói. A viagem era uma novela bem divertida, gravamos na Usina. Tenho boas lembranças. O público adorava, foi um grande sucesso, com direção do Wolf Maya. Brasileiro adora sexo e além. A vida é tão desgraçada aqui, que o público fica esperando o além. O meu personagem, o Raul, era o irmão que negava ajuda ao personagem do Guilherme Fontes. Ele morria e se tornava um espírito obsessor, que se materializava na minha sogra para destruir a minha vida. A grande, magnífica, Laura Cardoso fazia o papel da minha sogra; eu era marido da Thaís de Campos. Quais são suas lembranças da novela Cara & coroa, de Antonio Calmon, em que você interpretou o personagem Mauro? Também foi uma boa novela. Houve uns percalços. Um dia, a Maitê Proença me ligou e perguntou se eu já tinha lido o bloco novo. Eu respondi que não e ela falou: O capítulo 49 termina numa cena em que aparecem você, a Christiane Torloni e eu no alto de um penhasco. A Christiane é a protagonista, você é o antagonista. Eu acho que vou cair desse penhasco. Não deu outra. Ela ficou furiosa, com toda razão, porque não tinha sido avisada de que seria tirada da novela. Para mim, a saída da Maitê foi frustrante, porque ela fazia a minha mulher e eu fiquei sem rumo na novela. Mas foi uma novela que fez sucesso, foi legal. Enfim, mais um vilão. Acho que eu morria na explosão de um avião. Sempre acabei preso, explodido, morto. Você gosta de fazer vilões? Gosto. Tenho horror a mocinho, pavor de gente boazinha, aquela coisa chata, insuportável, politicamente correta. Tenho vontade de dar dois tiros. Não consigo assistir a nada politicamente correto, acho muito chato. Gosto dos vilões. Fiz um vilão maravilhoso em As noivas de Copacabana, do Dias Gomes, uma minissérie muito legal, que foi ao ar em Eu fazia um psicopata, que estrangulava noivas. Como surgiu a oportunidade de escrever, em 1996, a novela Salsa e merengue cuja autoria você dividiu com a Maria Carmem Barbosa? Eu já tinha trabalhado com a Maria Carmem, escrevendo o seriado Delegacia de mulheres, em Fiz três episódios, um deles em que a Vera Fischer fazia uma socialite que dava um golpe no marido. Escrevi outro, maravilhoso, que acho que foi proibido, sobre uma menina mantida em cárcere privado pelo pai, que a transformava numa santa milagreira. A delegada, que era a Eloísa Mafalda, estava com suspeita de ter um tumor no seio, então tinha essa coisa do milagre. O episódio era bem bonito, mas acho que foi gravado e não foi ao ar porque não quiseram mexer com essa história de religião. Religião nesse país é uma desgraça. A falta de educação sempre nos leva ao obscurantismo. Também escrevi um outro, chamado O lagarto e o casulo. Então propus a Maria Carmem que escrevêssemos uma novela. Fizemos Salsa e merengue, que foi muito legal, e depois A lua me disse, em Nós dois também escrevemos muitas peças juntos. O Toma lá dá cá também é de autoria nossa. Agora resolvemos nos separar, numa boa, e cada um escrever suas coisas. 16

17 Qual era a trama central de Salsa e merengue? O enredo principal era o mais folhetinesco possível: a história de uma mãe solteira, a Arlete Salles, que não tinha condições de criar o filho e dava a criança para um casal cujo filho tinha nascido morto. A criança crescia com esse casal, até que, um dia, precisava de um transplante de medula e descobria que não era filho biológico dos pais. A coisa se complicava porque os pais adotivos não sabiam o paradeiro da mãe verdadeira, e decidiam procurá-la. A história se desenvolvia a partir daí. Novela sempre tem que ter uma espinha folhetinesca. Em Salsa e merengue, começamos a fazer uma coisa que em A lua me disse aconteceu menos, mas que eu acho que é o futuro da novela: os episódios precisam se fechar neles mesmos. Essa obrigatoriedade de assistir todo dia a um capítulo, senão você não entende a história, está condenada. Eu acho que as histórias têm que ser assim: você assiste a um capítulo e não precisa assistir ao próximo; se assistir dois dias depois, já sabe tudo o que está acontecendo. É difícil, mas possível. É o que eu quero fazer. Arlete Salles está presente em vários trabalhos de sua autoria. Por quê? Eu tenho paixão pela Arlete. A primeira vez que ouvi falar dela foi através das minhas tias, que eram muito classe média baixa, preconceituosas, e falavam mal da Arlete porque ela teve um caso com o Toni Tornado. A partir daquele momento, essa mulher passou a ser o meu ídolo, porque era transgressora. Se as minhas tias falavam mal, é porque ela era boa; eu já gostei. Eu estava na pré-adolescência, e me apaixonei pelo resto da minha vida. E tive a sorte e a honra de estar com ela esses anos todos na televisão, no teatro e no cinema. Ela trabalhou no meu filme, Polaróides urbanas. Arlete é uma atriz esplendorosa, que joga em qualquer posição: vai lá, faz gol, defende. E dá um show no Toma lá dá cá, fazendo a Copélia. Eu disse a ela: Vou criar para você uma avó que nunca houve na televisão, uma avó completamente louca e transgressora. Ela falou: Pode escrever que eu faço. E faz brilhantemente. Tenho grande admiração pela Arlete, um profundo amor pela artista e pela mulher que ela é. Sou doido por ela. Aliás, sou doido por várias pessoas. Tenho a minha turma. A Natália do Vale também é recorrente na minha vida, nos meus projetos; a Laura Cardoso... Tenho uma galerinha com a qual o meu santo cruza. Que avaliação você faz da novela? Salsa e merengue tinha um diálogo absolutamente delicioso, era um frescor. Talvez tenha feito muito sucesso por isso, tinha um ruído novo e personagens bárbaras. Zezé Polessa dava um show no papel de Marinelza, mulher do Oswaldo Loureiro. Os personagens eram muito cariocas, tipos pinçados daqui e dali, um amálgama de gente que eu fui conhecendo e entendendo ao longo da minha vida. Salsa... foi um momento muito legal. Eu descobri ali que gostava de escrever novela, da mesma forma que descobri que não gosto de dirigir. Então, para mim foi um leque, mais uma porta que se abriu. Gosto de escrever novela, não me é penoso. Acordo, tomo meu café, me tranco no escritório até às 13h. Depois vou cuidar da minha vida. Se bem que trabalho o dia inteiro. Eu não trabalho direto: eu páro, ando, faço ginástica, volto, mas é o dia inteiro. Como foi a experiência de escrever sua primeira novela? É um ritmo bem pesado... Se você é organizado, não tanto. Eu escrevo com muita facilidade e rapidez e, como tenho experiência como ator, o meu diálogo cabe na boca dos atores. Por isso acho fundamental participar da escalação. Quando conheço o ator, meu diálogo cabe bem. 17

18 Você citou o vilão que fez em As noivas de Copacabana. Como foi o convite para fazer a minissérie? Era uma minissérie do Dias Gomes, dirigida pelo Roberto Farias e pelos filhos, Mauro e Maurício. Muito legal. Era uma história baseada num fato real, de um psicopata que matava noivas. Ele gostava que as mulheres se vestissem de noivas e as estrangulava. O Daniel Filho me deu uma dica quando perguntei como fazer um psicopata: Você tem que decorar o seu texto muito bem e, durante todo tempo, pensar em outra coisa. Eu dizia uma fala numa cena, mas estava com outro discurso na cabeça. Isso deu uma estranheza muito interessante ao personagem. Adorei fazer, e o público também adorou. Você se recorda de alguma cena, algum episódio marcante? A minissérie tinha cenas muito bonitas. A morte da personagem da Tássia Camargo é bárbara. Teve também uma cena com a Maria Gladys que foi bem violenta, mas muito bem feita. Eu esmagava a cabeça dela com uma pá. Nós filmamos na Floresta da Tijuca, e um dos diretores, não lembro qual, mandou abrir uma cova na floresta: queria que eu arrastasse a personagem e a jogasse dentro do buraco, para fazer um take. A Maria Gladys falou: Irmãozinho, hoje é sexta-feira, não há quem me faça entrar nesse buraco. E não entrou. Botaram uma dublê com uma peruca. Atores e suas idiossincrasias. Como foi a repercussão da minissérie? Muito boa. Foi um bom trabalho, tenho boas lembranças. A Patrícia Pillar, maravilhosa, fazia a minha noiva. Aliás, na minha carreira tive a sorte de trabalhar com colegas muito talentosos, entregues e dedicados. Foi bom fazer a minissérie, mas não é uma coisa que eu gostaria de fazer sempre, Deus me perdoe! Eu me mataria se tivesse de ficar fazendo sempre. As pessoas que fazem muito drama acabam virando atores papais, litúrgicos, parecem dizer verdades absolutas. Eu não gosto disso, não é a minha praia. De vez em quando, gosto de fazer coisas diferentes. Foi muito bom ter feito As noivas de Copacabana, mas prefiro o Sai de baixo. Como surgiu o Sai de baixo? O programa não era meu. Para variar, fui uma segunda ou terceira opção, mas percebi que ali tinha um diferencial, uma transgressão que nunca havia tido na televisão. Era o avesso do avesso do avesso. Era tudo tão inverossímil, tão doido, eram histórias tão estapafúrdias... Você entrava fazendo o primo Jorge, saía, botava um bigode mal colado e virava um fazendeiro. Eu dizia: Já que é assim, vamos brincar com isso. Acho que, sem querer, a gente acabou inovando. Sai de baixo é um humorístico que vai ficar na história da televisão brasileira como um programa que sacudiu, virou a narrativa de cabeça para baixo. Não havia quarta parede, não havia câmera, a gente ia além da câmera, quebrava, e dizia: Não sei o texto, não sei o que estou fazendo aqui, o que eu falo agora... Diz aí o que é. E quando a gente não sabia o texto, imediatamente transformava em novela, virou um código nosso. Quando alguém falava uma frase que não tinha nada a ver com o programa, como As empresas não vão nada bem, doutor, é porque não sabia o texto. Aí, começávamos: E Fernanda?, Fernanda não está bem, está pensando em Júlia. E Helena? Dizíamos sempre muitos nomes. Egos à parte - houve muitos problemas de ego -, o Sai de baixo era uma farra. O público não amava o programa à toa. Efetivamente, ele ria e se divertia. As filas para assistir às gravações do Sai de baixo eram imensas, nunca vi igual. As gravações 18

19 eram no teatro Procópio Ferreira, na Rua Augusta, em São Paulo, e as filas viravam pela Rua Oscar Freire e iam embora. Como nasceu o personagem Caco Antibes? O Caco Antibes não existia. O programa foi feito para a Cláudia Jimenez e o Tom Cavalcanti. Lembro que um dia abri o jornal, era o lançamento do programa, e o anúncio mostrava a Cláudia e o Tom em destaque, e os nossos nomes em segundo plano: Marisa Orth, Luís Gustavo, Aracy Balabanian e eu. Eu falei: Marisa, está feia a coisa para o nosso lado. É só para a Cláudia e o Tom. Vamos fazer um casal irresistível para o público, um casal que transa loucamente. Sexo. É a única maneira. Daí surgiu o canguru perneta, aquelas maluquices todas, e a Marisa ainda ia fazer uma imbecil total, uma mulher fronteiriça. O Daniel propôs fazer um tom de figurino, então eu usava Gucci e Prada. O figurino era uma loucura! O Caco Antibes era um homem que não tinha um tostão, morava no Arouche e se vestia daquele jeito. Era um oligofrênico, um sociopata, que odiava pobre - odiava todo mundo, na verdade -, e o público amava isso. Em um mês de programa, ele já estava consolidado. Foram seis anos. Tudo meu é longevo: 15 anos no Video show, seis anos no Sai de baixo. Como foi interpretar esse mesmo personagem por tanto tempo? Foi bom, mas no final a gente já estava muito esgotado. Acho que o problema, ou não, do Sai de baixo, era a falta de um cuidado maior com o texto. Por isso, começamos a subverter e transgredir tudo. Quando o texto, a piada, era muito ruim, a gente denunciava. Vocês enlouqueciam a direção? Como era a relação com os diretores? Não, porque os diretores eram o Dennis e o Wilker, que são amigos queridos. Mas houve problemas, sim; alguns contornáveis, outros não. No primeiro ano principalmente, porque foi muito sucesso da noite para o dia. Era uma loucura. A Cláudia foi embora no final do primeiro ano. Uma pena, porque ela fazia lindamente a Edileuza. A imprensa noticiava que nós brigávamos loucamente, o que não era verdade. Entre nós, não era verdade. Como era gravar um programa com o público assistindo? Nós éramos todos atores de teatro, estávamos à vontade. O problema eram as participações, porque quem não tinha cancha ficava como cego no meio do tiroteio. Ali não era para quem queria, era para quem tinha competência. Desinibido ali não dava certo, tinha que ser do ramo. Mas foi muito bom, foi um momento muito feliz da minha vida. Tenho muita saudade do Sai de baixo. Como as substituições foram sentidas pelo elenco? Acho que a Cláudia foi embora porque quis. A Ilana Kaplan ficou só três programas. Depois veio a Márcia Cabrita, que ficou um longo período, acho que dois ou três anos. E, finalmente, a Claudinha Rodrigues. Mas eram sempre boas atrizes. O programa se consolidou com muita rapidez. Então, não era Caco, Magda, Cassandra. Era o Sai de baixo, que era mais importante do que qualquer um de nós. Como você avalia o tipo de humor do Sai de baixo? O humor popular tem o seu valor em qualquer lugar do mundo, porque a TV aberta é entretenimento para a grande massa. O Sai de baixo era genial, um programa muito 19

20 engraçado, transgressor, que trazia uma coisa nova. Ele puxava o tapete do telespectador porque rompia com uma linguagem, tinha uma ruptura, um corte. De repente, você denunciava aquela interpretação, expunha as vísceras dos atores e as do programa. Eu não tinha o dossiê Aracy Balabanian, que eu abria sempre no meio do programa? Senhoras e senhores, mais uma página do dossiê Aracy Balabanian: armênia, 1912, uma jovem camponesa. Era sempre uma coisa assim. Eu dizia que ela sempre se entregava aos homens, que tinha sido amante de todos os atores da Tupi, e citava a lista nominal. Coitada da Aracy! Eu amo a Aracy. Era tudo inventado na hora. Quando não tinha texto, a gente dizia: Vamos brincar, vamos sair falando loucuras, vamos ser mais engraçados do que isso. E éramos. Tenho muita saudade do elenco, que era muito bom: Luís Gustavo, Aracy Balabanian, Marisa Orth... A Marisa é, sem dúvida alguma, a parceira mais longeva da minha história televisiva, com quem mais trabalhei. Eu olho para a Marisa e não preciso dizer nada, nem ela para mim, porque a gente se entende. Eu faço um sinal e ela já sabe que está na frente da minha câmera, não preciso nem me mexer. Essa intimidade dá qualidade ao trabalho. Você já tinha escrito humor para a TV antes? Durante muito tempo escrevi para o TV Pirata, com Vicente Pereira e Patricya Travassos. Nós três tínhamos um grupo chamado Tora! Tora! Tora! e escrevíamos alguns quadros. Tinha um que, originalmente, era chamado de O mundo maravilhoso de Barbie, mas tivemos que trocar o nome da boneca. Era a história de uma boneca que levava a família à ruína porque queria helicóptero, piscina, carro importado, tudo. Ela era violentíssima, amante de um outro boneco, que era casado. A Débora Bloch fazia o papel da boneca, era muito bom. Nós escrevíamos também outros quadros avulsos, era bem legal. Você também assinou uma coluna no jornal O Globo. Como foi essa experiência? Fui convidado pelo Evandro Carlos de Andrade, diretor de redação do jornal. Eu queria falar sobre um coração urbano - o título da minha coluna -, sobre as experiências de um urbanóide que olhava a vida com a sensibilidade de todo mundo. Era bárbara a minha coluna, tão linda! Como eu escrevia em linguagem poética, isso deflagrava alguma espécie de poesia nos leitores. Eu recebia cartas e s comoventes. As pessoas ficavam imbuídas daquela coisa. Foi uma experiência muito boa. Depois escrevi no jornal O Dia. Não sei, estou pensando ainda. Escrevi inúmeros textos na época; muitos estão aí, na Internet. Hoje em dia é uma loucura, o povo bota tudo da gente na Internet, virou terra de ninguém. Foi muito legal escrever a coluna mas, depois de um tempo, a coisa se esgota. Minha avó dizia que eu tenho fogo de palha. Não é verdade. Só não consigo ficar muito tempo fazendo a mesma coisa. Chega uma hora em que as coisas precisam se renovar, precisam acabar e mudar. No Globo, por acaso, não fui eu que quis sair. Fui mandado embora quando houve uma troca de editores. Eu e o Mauro Rasi saímos. Mas sem problemas, porque já estava na hora. De onde surgiu o nome Um coração urbano? Não sei, era o meu coração, nada mais urbano do que eu. Gosto de cidade. Definitivamente, não sou do mato como o pato e o leão. O que você destaca na novela Agora é que são elas, de Ricardo Linhares, que você protagonizou em 2003? 20

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