O INFANTICÍDIO INDÍGENA E A UNIVERSALIDADE DOS DIREITOS HUMANOS ENI RODRIGUES DE PAULA

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1 O INFANTICÍDIO INDÍGENA E A UNIVERSALIDADE DOS DIREITOS HUMANOS 1 ENI RODRIGUES DE PAULA Resumo: Este artigo propõe analisar a prática de infanticídio nas comunidades indígenas brasileiras, os aspectos antropológicos que envolvem o direito humano à liberdade cultural em contradição com a universalidade do direito humano à vida, e ainda definir o papel do Estado diante de tal situação, sinalizando a possibilidade de uma política de conscientização e assistência a saúde, pois as crianças indígenas são protegidas pelo ordenamento jurídico brasileiro e internacional, e atualmente negligenciadas pela atuação governamental. O texto pretende demonstrar que o princípio da universalidade dos direitos humanos não significa homogeneização cultural, nem se contrapõe ao direito de liberdade cultural, e que as diferenças culturais também não significam desigualdade. Este artigo mostra casos concretos em que pais de tribos que praticam o infanticídio decidiram buscar ajuda do Estado antes de matar suas crianças. Porém os órgãos governamentais e judiciais responsáveis pela assistência aos indígenas, baseados em argumentos de relativismo cultural, resistem à retirada das crianças para tratamento médico, por considerarem-na uma interferência cultural na vida dos povos indígenas. Foi adotada a metodologia de revisão bibliográfica. Palavras-chave: Infanticídio indígena. Direitos humanos. Universalidade. Relativismo cultural. Diálogo intercultural. Atuação governamental. INTRODUÇÃO O infanticídio indígena, prática tradicional que consiste no assassinato de crianças indesejadas pelo grupo, é comum em diversas tribos brasileiras, entre elas estão os uaiuai, bororo, mehinaco, tapirapé, ticuna, amondaua, uru-eu-uau-uau, suruwaha, deni, jarawara, jaminawa, waurá, kuikuro, kamayurá, parintintin, yanomami, paracanã, kajabi e guarani, e é um dos assuntos que melhor representam o embate entre o respeito à diversidade cultural e a proteção de um dos direitos humanos mais fundamentais, o direito à vida. Os indígenas brasileiros são constituídos de grupos sociais autônomos, com práticas e costumes próprios. E cada etnia possui uma visão diferenciada de mundo. Cada um destes grupos possui um conceito diferente sobre o que é a vida e a morte do ser humano. Esta visão de mundo algumas vezes se contrapõe com os valores universais dos direitos humanos reconhecidos internacionalmente e também na nossa Carta Magna.

2 Este conflito de valores gera o debate acerca de até que ponto se deve preservar determinadas culturas, que legitimam práticas que se contrapõem aos direitos mais básicos e à própria dignidade da pessoa humana. Neste trabalho pretende-se analisar a posição do Estado Brasileiro, que tem adotado uma postura de relativismo cultural quando não interfere para proteger a vida das crianças vítimas da prática do infanticídio indígena, e que esta posição fere o princípio da universalidade dos direitos humanos, que propugna que estes valem para todos, independentemente de cultura, etnia e sexo. A atual posição dos órgãos governamentais, de apenas observar esse fenômeno não é coerente com a legislação interna e internacional onde tais práticas não encontram conformidade. E principalmente porque o Brasil é signatário dos principais acordos internacionais de direitos humanos e tem positivado estes direitos em sua Constituição Federal. As principais questões deste trabalho são o debate entre as posições conflitantes de liberdade cultural e proteção dos direitos humanos, por meio de uma relação dialógica com os principais sujeitos interessados nessa comunicação, que são os povos indígenas, respeitando sua autonomia. Pretende-se considerar a importância da diversidade cultural sem ignorar seu dinamismo, uma vez que mudanças são necessárias e acontecem inevitavelmente com o contato interétnico. Todavia, estas considerações não significam tolerância à violação da dignidade humana de crianças e pais em total posição de vulnerabilidade, e sob o consentimento dos órgãos governamentais que deveriam protegê-las, e ainda mais sob o argumento da não interferência cultural. O estudo do tema contribui cientificamente com o debate acerca da proteção dos direitos humanos e o respeito à diversidade cultural, diante da existência de práticas tradicionais que violam direitos básicos da criança indígena, como o direito a vida e à saúde integral. Possui ainda relevância social considerando que os povos indígenas são parte da sociedade brasileira e devem contar com a proteção da legislação aplicada a todos os brasileiros. E sua exequibilidade se dá com base no clamor dos próprios indígenas pela intervenção estatal nesse fenômeno quando buscam a assistência médica para tratamento das crianças sob situação de risco em suas aldeias. Sobre o tema a ser estudado procedeu-se a uma revisão de diversas Monografias e Artigos que examinaram o assunto nos últimos anos, e também das normas nacionais e internacionais relativas aos direitos humanos e a preservação cultural. 1- O INFANTICÍDIO EM GRUPOS INDÍGENAS BRASILEIROS O infanticídio indígena é uma prática tradicional de diversas tribos no Brasil, entre elas estão os uaiuai, bororo, mehinaco, tapirapé, ticuna, amondaua, uru-euuau-uau, suruwaha, deni, jarawara, jaminawa, waurá, kuikuro, kamayurá, parintintin,

3 yanomami, paracanã, kajabi e guarani, esta prática consiste no assassinato de crianças indesejadas pelo grupo. 1 As razões que levam a essa prática são variadas, como exemplo são mortos portadores de deficiências físicas ou mentais, gêmeos, filhos de relações extraconjugais ou crianças consideradas portadoras de má sorte pela comunidade. Em alguns grupos os motivos são a preferência por filhos do sexo masculino, a ocorrência de partos muito próximos um do outro, ou ainda sonhos e maus presságios. As formas de matar também variam, normalmente as crianças são abandonadas na floresta, enterradas vivas, sufocadas com folhas, envenenadas, flechadas o golpeadas com facão. O infanticídio é um fato cultural e histórico, resultado da falta de perspectiva de qualidade de vida para as crianças nascidas em certas circunstâncias, como crianças portadoras de deficiência física ou mental, filhos de mãe solteira, morte do pai ou da mãe, gêmeos, pai ou mãe de outra etnia. Infanticídio vem do latim infanticidium e significa objetivamente morte de criança nos primeiros anos de vida. Ao longo da história, foi aplicado a ambientes de morte induzida, permitida ou praticada, pelos mais variados motivos, geralmente sociais e culturais. O infanticídio, portanto, não é um fato isolado nem mesmo reside em um passado distante. É uma experiência atual e demanda, em si, uma avaliação antropológica isenta de partidarismo ou remorsos, que venha a observar esse fato e suas implicações sociais para aqueles que o experimentam bem como os que o observam. 2 De acordo com o jornal Folha de Boa Vista em 24 de outubro de 2007: o infanticídio é prática tradicional em muitos grupos indígenas brasileiros, tendo sido apontado pelo coordenador da Funasa (órgão responsável pelos programas de saúde indígena) em 2007, Ramiro Teixeira, como uma das principais causas da mortalidade infantil entre os Yanomami. 3 Em uma sondagem oficial feita pela Fundação Nacional de Saúde FUNASA, antes da criação da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), hoje responsável pela saúde dos índios, foi constatada a morte de 201 crianças nos anos 3 1 SUZUKI, Márcia dos Santos (org.). Quebrando o silêncio - um debate sobre o infanticídio nas comunidades indígenas do Brasil. (cartilha). Brasília, p.7. 2 LIDÓRIO, Ronaldo. Não há morte sem dor - Uma visão antropológica sobre a prática do infanticídio indígena no Brasil. In: SOUZA, Isaac Costa de; LIDÓRIO, Ronaldo [Org.]. A questão indígena uma luta desigual missões, manipulação e sacerdócio acadêmico. Viçosa: Ultimato p RODRIGUES, Fernando. Coordenador da Funasa nega denúncias. Roraima: Folha de boa Vista. 24 out Disponível em: <http://pib.socioambiental.org/c/noticias?id=50191>. Acesso em: 14 de maio de 2010.

4 de 2004 a 2006, apenas entre o povo Yanomâmi que vive em Roraima e no Amazonas. 4 A prática do infanticídio já foi documentada em diversos estudos antropológicos. Há registros documentados de ocorrência de infanticídio no Brasil, entre os grupos Kamayurá (Pagliaro e Junqueira, 2007, Pagliaro et Al, 2004), Suyá (Pagliaro et al, 2007), Yanomami (Early e Peters, 2000 e Silveira, sem data), Suruwahá (Feitosa, Tardivo e Carvalho, 2006; Dal Poz, sem data; Kaiabi, Kuikuro (Freitas, Freitas e Santos, 2005), Amundawa e Urueu-Wau-Wau (Simonian, 2001), Kaiabi (Pagliaro, 2002). 5 A tendência do governo é tentar minimizar o problema. Para o coordenador de Assuntos Externos da FUNAI, Michel Blanco Maia e Souza, os casos de infanticídio não merecem maior atenção do governo. "Não temos esses números, mas acredito que sejam episódios isolados." Segundo Souza, a preocupação com os homicídios de bebês nas tribos vem sendo expressa por missões religiosas, que vêem no debate uma oportunidade de permanecer em territórios indígenas isolados. "Estão tentando usar essa questão para criar uma cortina de fumaça e desviar o foco do problema da interferência de seus missionários na cultura dos índios", diz ele. 6 Maíra Barreto, conselheira da ONG Atini, situada em Brasília e que acolhe famílias e crianças com risco de morte em suas aldeias, lembra um caso em que, em entrevista a um programa da televisão alemã, um cacique da etnia Kamayurá, do Alto Xingu no Mato Grosso, teria mostrado ao repórter um cemitério onde foram enterradas mais de cem crianças eliminadas por sua comunidade. 7 Entre os Kamayurá, são assassinadas crianças gêmeas, deficientes ou nascidas de viúvas, de mães solteiras ou de mulheres separadas. A índia Kamiru kamayurá, que resgatou e adotou um bebê enterrado pela própria mãe, e que vem lutando para convencer as mulheres de sua aldeia a abandonar essa prática, foi homenageada publicamente em cerimônia oficial no Congresso Nacional em maio de Vejamos o seu relato: Eu já vi enterrar muita criança no Xingu. Já vi isso acontecer muitas vezes. Eu acho isso errado porque eu gosto de criança. Eu, por exemplo, preciso de mais crianças, pois eu só tenho dois filhos. Ao invés de enterrar, elas 4 SAMORANO, Carolina; SEIXAS, Maria Fernanda. O choro da floresta. Correio Braziliense, Brasília, 05 ago Revista do Correio, ano 8, Número 377, p ADINOLFI, Valéria Trigueiro. Enfrentando o infanticídio: bioética, direitos humanos e qualidade de vida das crianças indígenas. Mãos Dadas. Disponível em: Acesso em 20 de maio de RODRIGUES, Fernando. Coordenador da Funasa nega denúncias. Roraima: Folha de boa Vista. 24 out Disponível em: <http://pib.socioambiental.org/c/noticias?id=50191>. Acesso em: 14 de maio de SAMORANO, Carolina; SEIXAS, Maria Fernanda. O choro da floresta. Correio Braziliense, Brasília, 05 ago Revista do Correio, ano 8, Número 377, p. 35.

5 poderiam dar para mim. Às vezes eu tento tirar do buraco, mas é difícil. Às vezes a mãe quer a criança, mas a família dela não deixa. É muito difícil. Até hoje eu só consegui desenterrar um com vida, o Amalé. A mãe dele era solteira, ela chorou muito, mas o pai dela enterrou ele. Ele estava chorando dentro do buraco, aí minhas parentes foram me chamar. Eu entrei na casa, perguntei onde ele estava enterrado e tirei ele do buraco. Saiu sangue da boca e do nariz dele, mas ele viveu. Ele está doente, mas eu decidi criá-lo. Agora ele é meu filho. É um menino bonito, não é cachorro. É errado enterrar.teve três crianças que eu tentei salvar, mas não deu tempo. Uma nasceu de noite e eu não vi. A minha tia também queria essa criança, gostava dela, mas quando chegou lá a mãe dela já tinha quebrado o pescoço do bebê. Quebraram o pescoço depois enterraram. A outra eu ia tirar do buraco, não deu tempo porque eu estava do outro lado, tirando mandioca. Eu estava trabalhando e não vi. Disseram que ele também estava chorando dentro do buraco. Minha outra prima, a mãe do Mahuri, enterrou as cinco crianças que nasceram antes dele. Ela era solteira, por isso tinha que enterrar. O funcionário salvou o Mahuri porque ficou com pena, é um menino muito bonito, já está grande. A mãe dele viu ele em dezembro e achou ele bonito. Eu mesma não gosto que enterre, acho errado. Criança não é cachorro. Nós temos medo de nascer gêmeos, trigêmeos. Dizem que quando um pajé faz feitiço, podem nascer até sete crianças. Por isso as mães têm medo. Mas eu acho errado matar. Eu já falei isso para as mulheres de lá. A criança fica chorando dentro do buraco, criança pequena custa muito a morrer. Se eu ver no buraco eu tiro. 8 5 Na etnia Suruwahá localizada na bacia do rio Purus, sudoeste do Amazonas, cujos índios são conhecidos como povo do veneno, por praticarem o suicídio com um tipo de veneno chamado de timbó, a prática do infanticídio se dá quando do nascimento de alguma criança com anomalia física, bem como o de filhos considerados ilegítimos e o de gêmeos, o que é considerado uma maldição e uma ameaça ao bem estar de toda a tribo. Os Suruwará viraram notícia em todo o Brasil e no mundo, em setembro de 2005, quando o caso de duas crianças, Iganani, que nasceu com paralisia cerebral e Sumawani, que nasceu com hermafroditismo, e que sobreviveram à prática do infanticídio foi veiculado pelo programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão, trazendo à tona o debate sobre direitos humanos e diversidade cultural. Como os Suruwahá não são um povo totalmente isolado e recebem visitas de equipes médicas e de vacinação, o próprio cacique da tribo, conhecendo a existência da medicina dos brancos, poupou a vida das crianças, permitindo a saída delas para tratamento médico e prometeu que se elas fossem curadas seriam reinseridas na tribo. Esse é um exemplo de que os indígenas estão abertos ao 8 SUZUKI, Márcia dos Santos (org.). Quebrando o silêncio - um debate sobre o infanticídio nas comunidades indígenas do Brasil. (cartilha). Brasília, p.2.

6 diálogo com outras culturas e tem interesse pelos benefícios que esse diálogo cultural pode trazer ao seu grupo. Sumawani e Iganani foram retiradas da aldeia por equipes médicas que visitaram a aldeia. Inicialmente fizeram tratamento em Porto Velho e mais tarde em São Paulo. Tudo com autorização da FUNAI e com as despesas de vôo cobertas pela FUNASA. Após uma cirurgia reparadora descobriu-se que Sumawani é uma menina. Ela voltou com seus pais para a aldeia depois da cirurgia, mas devido a falta dos medicamentos à base de hormônio necessários ao seu desenvolvimento, ela faleceu em decorrência de uma desidratação no início do ano de Iganani, hoje com 7 anos, ainda está em tratamento, agora em Brasília, no Hospital Sarah Kubitschek. Ela é cadeirante e não pode voltar a viver na aldeia. Sua mãe, Muwaji, disse que sente muita saudade de sua família e da tribo, mas sabe que Iganani não será aceita em seu grupo pois nunca terá uma saúde perfeita. 9 Iganani e sua mãe moram em uma chácara chamada Casa das Nações, sustentada pela organização não-governamental Atini Voz pela Vida. Junto delas também vivem famílias e sobreviventes de mais quatro etnias. A história dessas famílias nos mostra que muitos indígenas tem mudado sua visão de mundo e não concordam mais com práticas milenares de sua cultura e tem procurado salvar a vida de seus filhos, mesmo que isso lhes custe o afastamento de seu grupo étnico. Para mostrar que qualquer sociedade é capaz de implementar mudanças em sua cultura recorremos as palavras de Lidório: A unicidade humana, sua capacidade de iniciar novas coisas, desenvolver idéias e reconstruir o comportamento social o destaca do restante dos seres. Apesar de a cultura abrigar o homem e encaminhá-lo em sua vida, é o homem quem a define. Uma simples idéia, um grito ou uma iniciativa pode mudar o rumo do grupo, alterar suas crenças fundamentais e gerar distinções sociais. Dentre diversas capacidades inerentes ao homem, uma delas é a de transformação social A UNIVERSALIDADE DOS DIREITOS HUMANOS A Declaração Universal dos Direitos Humanos aprovada pela ONU em 1948 promulga, em seu artigo primeiro, que todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Afirma também, em seu artigo terceiro, que toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e segurança pessoal. Continua declarando, em seu artigo 9 SAMORANO, Carolina; SEIXAS, Maria Fernanda. O choro da floresta. Correio Braziliense, Brasília, 05 ago Revista do Correio, ano 8, Número 377, p LIDÓRIO, Ronaldo. Não há morte sem dor - Uma visão antropológica sobre a prática do infanticídio indígena no Brasil. In: SOUZA, Isaac Costa de; LIDÓRIO, Ronaldo [Org.]. A questão indígena uma luta desigual missões, manipulação e sacerdócio acadêmico. Viçosa: Ultimato p. 182.

7 sétimo, que todos são iguais perante a lei e têm o direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei ( ) contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação. 11 Em relação à universalidade dos direitos humanos, vejamos a intervenção do S. E. o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Dr. José Manuel Durão Barroso, durante a Conferência Mundial dos Direitos do Homem, em Viena: (...) qualquer que seja o contexto geográfico, étnico, histórico ou econômicosocial em que cada um de nós se insere, a cada homem assiste um conjunto inderrogável de direitos fundamentais. Não podemos admitir que, consoante o nascimento, o sexo, a raça, a religião, se estabeleçam diferenças em termos de dignidade dos cidadãos. Foi isto que vieram consagrar a Declaração Universal dos Direitos do Homem e os Pactos e acordos que lhe seguiram. (...) É óbvio que este princípio de universalidade é compatível com a diversidade cultural, religiosa, ideológica e que a própria variedade de crenças, de idéias e de opiniões dos homens é uma riqueza a defender e tem um valor próprio que importa respeitar. Mas argumentar com esta diversidade para limitar os direitos individuais, como infelizmente se registra aqui e além, não é permissível, nem em termos de lógica, nem em termos de moral. 12 A conferência Mundial sobre Direitos Humanos (1993), fórum preparatório para as declarações de Túnis (1992), Bangladesh (1993) e a Conferência de Viena, discutiram e alertaram para o perigo do relativismo radical como teoria embasadora para a avaliação de práticas e costumes culturalmente definidos. O ministro das relações exteriores da Indonésia, em 14 de junho de 1993, afirmou, na Declaração de Bangkok, que não viemos a Viena ( ) para defender um conceito alternativo de direitos humanos, baseado em alguma noção nebulosa de relativismo cultural como falsamente acreditam alguns. O vice-ministro das relações exteriores do Irã, em 18 de junho de 1993, declarou que os direitos humanos, sem sombra de dúvida, são universais (...) e não podem estar sujeitos ao relativismo cultural. O vice ministro das relações exteriores da República Socialista do Vietnã, em 14 de junho de 1993, observou que os direitos humanos são, ao mesmo tempo, um padrão absoluto de natureza universal e uma síntese resultante de um longo processo histórico (...) universalidade e especificidade são dois aspectos orgânicos dos direitos humanos inter-relacionados, que não se excluem, mas coexistem e interagem DHNET. Declaração Universal dos Direitos Humanos. Disponível em: <http://www.dhnet.org.br/direitos/deconu/textos/integra.htm>. Acesso em: 31 de maio de Conferência Mundial dos Direitos do Homem. Intervenção de S. E. o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Dr. José Manuel Durão Barroso, Viena, 16 jun p. 24 (mimeografado, circulação interna), apud TRINDADE, Antônio Augusto Cançado. Tratado de Direito Internacional dos Direitos Humanos, Porto Alegre: Sérgio Antonio Fabris Editor, v. 1, p LIDÓRIO, Ronaldo. Não há morte sem dor - Uma visão antropológica sobre a prática do infanticídio indígena no Brasil. In: SOUZA, Isaac Costa de; LIDÓRIO, Ronaldo [Org.]. A questão 7

8 A concepção contemporânea de Direitos Humanos foi introduzida pela Declaração Universal de 1948 e reiterada pela Declaração de Direitos Humanos de Viena de A internacionalização dos direitos humanos surge no pós-guerra, como resposta às atrocidades cometidas durante o nazismo. Neste cenário é feito um esforço para tornar os direitos humanos como referencial ético internacional e trazer novamente o valor da pessoa humana como valor base do Direito. 14 O professor Comparato aponta o sofrimento como matriz da compreensão do mundo e dos homens: Ao emergir da segunda Guerra Mundial, após três lustros de massacres e atrocidades de toda sorte, iniciados com o fortalecimento do totalitarismo estatal dos anos 30, a humanidade compreendeu, mais do que em qualquer outra época da História, o valor supremo da dignidade humana. O sofrimento como matriz da compreensão do mundo e dos homens, segundo a lição luminosa da sabedoria grega, veio aprofundar a afirmação histórica dos direitos humanos. 15 A Declaração de 1948 envolve em um só documento o compromisso de vários países na busca de soluções para os problemas humanitários, sociais, culturais e econômicos, o respeito aos direitos humanos e fundamentais sem distinção de raça, religião, sexo ou língua e, conceitua esses direitos como universais e indivisíveis. Os Direitos Humanos são universais porque se estendem à todas as pessoas em todos os lugares, sob a crença de que somente pela condição de ser pessoa o ser humano é titular de direitos, considerado um ser essencialmente moral, dotado de unicidade existencial e dignidade. E são indivisíveis porque a garantia dos direitos civis e políticos é condição para a observância dos direitos sociais, econômicos e culturais. Se um deles é violado os demais também o são. 16 Desde 1948, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, foi adotada pela ONU a tese de que os direitos humanos são universais. No entanto, esta tese foi reafirmada e amplamente discutida com os países membros somente com a Declaração de Viena de Esta declaração além de reafirmar o caráter universal indígena uma luta desigual missões, manipulação e sacerdócio acadêmico. Viçosa: Ultimato p PIOVESAN, Flavia. Igualdade, diferença e direitos humanos: perpectivas global e regional. Rio de Janeiro. In: SARMENTO,Daniel; IKAWA, Daniela; PIOVESAN, Flávia. (Coord.). Igualdade, diferença e direitos humanos. Rio de Janeira: Lumen Juris p COMPARATO, Fábio Konder. A afirmação histórica do direitos humanos. 3. ed. rev. e ampl. São Paulo: Saraiva, p PIOVESAN, Flavia. Igualdade, diferença e direitos humanos: perpectivas global e regional. Rio de Janeiro. In: SARMENTO,Daniel; IKAWA, Daniela; PIOVESAN, Flávia. (Coord.). Igualdade, diferença e direitos humanos. Rio de Janeira: Lumen Juris p. 52.

9 dos direitos humanos, também aponta a competência dos Estados em promover e proteger esses direitos, quando em seu parágrafo 5º afirma: Todos os Direitos Humanos são universais, indivisíveis, interdependentes e inter-relacionados. A comunidade internacional deve considerar os Direitos Humanos, globalmente, de forma justa e equitativa, no mesmo pé e com igual ênfase. Embora se deva ter sempre presente o significado das especificidades nacionais e regionais e os diversos antecedentes históricos, culturais e religiosos, compete aos Estados, independentemente dos seus sistemas políticos, econômicos e culturais, promover e proteger todos os Direitos Humanos e liberdades fundamentais. 17 Melina Girardi Fachin, citando José Augusto Lindgren Alves afirma que: Os direitos humanos, em consequência, não podem ser mais entendidos como uma imposição unilateral sobre a cultura dos outros. Ao reconciliar a universalidade com particularidades históricas, culturais, religiosas, econômicas e políticas, a Conferência de Viena contribuiu eficientemente para superar o tradicional dilema entre universalismo e relativismo. 18 Kant conceitua o ser humano como um ser autônomo e racional, por isso não é uma coisa e não pode ser substituído, trocado ou vendido, ou seja, o homem não é um meio, mas um fim em si mesmo. Essa filosofia kantiana deu ao homem uma dignidade e foi essencial para a concepção da universalidade dos direitos humanos. Analisando o conceito kantiano o professor Fábio Konder Comparato afirma: A afirmação por Kant do valor relativo das coisas, em contraposição ao valor absoluto da dignidade humana, já prenunciava a quarta etapa histórica na elaboração do conceito de pessoa, a saber, a descoberta do mundo dos valores. 19 A universalidade ética fundamenta-se na defesa de que existe uma sociedade maior, a sociedade humana, detentora de valores universais de moralidade como a dignidade, sobrevivência do grupo e busca pela continuidade da vida individual. Lidório nos diz que: O valor desta fundamentação da universalidade ética é reconhecer que o homem, mesmo distinto e disperso compartilha valores inerentes. Pressupõe que fazemos parte de uma aldeia global e que, portanto, temos a 9 17 DHNET. Conferência de Direitos Humanos - Viena Disponível em: <http://www.dhnet. org.br/direitos/ anthist/viena/diversos_viena_guia_historico.pdf>. Acesso em: 16 de maio de FACHIN, Melina Girardi. Fundamentos dos direitos humanos: teoria e práxis na cultura da tolerância. Rio de Janeiro: Renovar, p COMPARATO, Fábio Konder. A afirmação histórica do direitos humanos. 3. ed. rev. e ampl. São Paulo: Saraiva, p. 24.

10 ganhar no intercâmbio das idéias e valores. Que este intercâmbio, ao contrário de ser nocivo e etnocida, é construtivo. Que todo diálogo pode transmitir conhecimento aplicável em um contexto paralelo. É preciso compreender que o diálogo, praticado com base no respeito mútuo, é construtivo. Irá gerar um ambiente de avaliação da vida, necessário a todo homem, visto que a cultura não é estática e muito menos a história. 20 No Brasil, no dia 19 de abril de 2004 (dia do índio) entrou em vigor o Decreto nº 5.051, que promulga a Convenção nº 169 da OIT sobre Povos Indígenas e Tribais. O artigo 8º, nº 2, dispõe o seguinte: Esses povos deverão ter o direito de conservar seus costumes e instituições próprias, desde que eles não sejam incompatíveis com os direitos fundamentais definidos pelo sistema jurídico nacional nem com os direitos humanos internacionalmente reconhecidos. Sempre que for necessário, deverão ser estabelecidos procedimentos para se solucionar os conflitos que possam surgir na aplicação deste princípio. 21 Segundo Maíra de Paula Barreto, este trecho do Decreto deixa clara a prevalência dos direitos fundamentais e dos direitos humanos internacionalmente reconhecidos sobre os costumes e instituições culturais. Ou seja, está assegurado aos povos indígenas o direito de preservar seus costumes, desde que não incompatíveis com os direitos humanos nacional e internacionalmente definidos. 22 Já Rita Laura Segato fala em necessidade de negociação quando leis modernas instituírem intolerância a determinados costumes: embora se recomende sensibilidade com relação ao chamado direito 'consuetudinário' e aos costumes das sociedades indígenas, esses outros direitos, ou direitos próprios, tal como às vezes denominados, não podem ser contraditórios com os direitos definidos pelo sistema jurídico nacional nem com os direitos humanos internacionalmente reconhecidos. Mantém-se, assim, certo grau de indefinição, ao se inovar no pluralismo que a Convenção introduz, insistindo-se, contudo, na necessidade de negociar quando as leis modernas e em especial os direitos humanos instituírem o caráter intolerável de determinados costumes LIDÓRIO, Ronaldo. Não há morte sem dor - Uma visão antropológica sobre a prática do infanticídio indígena no Brasil. In: SOUZA, Isaac Costa de; LIDÓRIO, Ronaldo [Org.]. A questão indígena uma luta desigual missões, manipulação e sacerdócio acadêmico. Viçosa: Ultimato p OIT. Convenção sobre os povos indígenas e tribais em países independentes. Disponível em: <www.oitbrasil.org.br/info/download/conv_169.pdf>. Acesso em: 11 de maio de BARRETO, Maíra de Paula. Os direitos humanos e as práticas tradicionais. In: SOUZA, Isaac Costa de; LIDÓRIO, Ronaldo [Org.]. A questão indígena uma luta desigual missões, manipulação e sacerdócio acadêmico. Viçosa: Ultimato p SEGATO, Rita Laura. Antropologia e Direitos Humanos. Alteridade e Ética no movimento de expansão dos direitos universais. Mana, v. 12 n. 1. Rio de Janeiro, 2006.p Disponível

11 11 Falando do valor do ser humano, Fábio Konder Comparato afirma: O caráter único e insubstituível de cada ser humano, portador de um valor próprio, veio a demonstrar que a dignidade da pessoa existe singularmente em todo indivíduo; e que, por conseguinte, nenhuma justificativa de utilidade pública ou reprovação social pode legitimar a pena de morte. 24 Assim a universalidade dos direitos humanos é justificada pela existência de uma dignidade comum a todos os seres humanos, em razão somente de sua condição humana, motivada pelo respeito a todos os direitos indispensáveis para a garantia de uma vida digna. Essa dignidade é um valor próprio que identifica e torna o ser humano titular de direitos que devem ser respeitados por seus semelhantes e também pelo Estado. 3- O RELATIVISMO CULTURAL O relativismo cultural é uma teoria antropológica que defende que cada povo possui uma perspectiva cultural e valores próprios aos quais a aplicação dos direitos humanos deve se subordinar. Os relativistas radicais acreditam na pureza dos povos tribais e não admitem mudanças culturais mesmo quando essas são de iniciativa dos próprios indígenas, dentre os quais os que tem demonstrado interesse em abandonar a prática do infanticídio indígena. O antropólogo Ronaldo Lidório comenta o conceito de relativismo cultural desenvolvido por Franz Boas: O relativismo cultural, inicialmente desenvolvido por Franz Boas e com base no historicismo de Herder, defende que bem e mal são elementos definidos em cada cultura. E que não há verdades universais visto que não há padrões para se pesar o comportamento humano e compará-lo a outro. Cada cultura pesa a si mesma e julga a si mesma. A mutilação feminina, portanto, não poderia ser avaliada como certa ou errada, mas sim aceita ou rejeitada socialmente, de acordo com o olhar da cultura local sobre este fato social. Para o relativismo radical não há valores universais que orientem a humanidade, mas valores particulares que devem ser observados e tolerados. E assim, em sua compreensão de ética, o bem e o mal são relativos aos valores de quem os observa e experimenta. 25 em :<http://www.scielo.br/scielo. php?script=sci_arttext&pid=s &lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 11 de maio COMPARATO, Fábio Konder. A afirmação histórica do direitos humanos. 3. ed. rev. e ampl. São Paulo: Saraiva, p LIDÓRIO, Ronaldo. Não há morte sem dor - Uma visão antropológica sobre a prática do infanticídio indígena no Brasil. In: SOUZA, Isaac Costa de; LIDÓRIO, Ronaldo [Org.]. A questão

12 A ideia principal do relativismo cultural é de que é preciso compreender a diversidade cultural e respeitá-la, reconhecendo a coerência interna própria que existe em todo sistema cultural. A concepção original de relativismo cultural tinha seu uso relacionado a um princípio operacional, metodológico. Assim pensado, o relativismo cultural é um instrumento metodológico fundamental para que o pesquisador realize, em culturas diferentes da sua, um trabalho antropológico sério, compreendendo que os traços culturais têm um significado e compõem o sistema cultural daquela sociedade ou grupo social. Para Ana Keila Mosca Pinezi, o problema são as posições extremadas do relativismo radical: Os problemas começam quando o relativismo cultural é radicalizado, absolutizado, e seu significado é deslocado desse princípio metodológico. Sua radicalização prevê, na maioria das vezes, o não contato entre povos diferentes e a idéia de que se ele ocorrer será, inexoravelmente, ruim, uma imposição cultural de um grupo sobre o outro. Assim, não é raro vermos posições extremadas quanto às possíveis relações entre etnias indígenas, por exemplo, e grupos outros da sociedade envolvente. Elas são vistas como um tipo de intervenção que é necessariamente destrutiva e perigosa desses grupos em relação às etnias indígenas. Desse modo, uma possível relação dialógica entre etnias é obstruída com base na preservação fantasiosa de uma pretensa pureza cultural. 26 Paulo Thadeu Gomes aponta algumas críticas direcionadas ao relativismo cultural: Dentre às críticas que foram endereçadas à idéia de relativismo cultural [ ] está a de que as culturas possuem fronteiras fluídas e raramente são ilhas isoladas, e por isso não podem operar como se fossem uma completa unidade integrada, de vez que haverá sempre dissenso e oposição no interior delas mesmas, como é o caso das mulheres, das crianças, etc. 27 Os relativistas costumam argumentar que os direitos humanos são uma criação da sociedade ocidental, com fundamentação ideológica cristã e por isso não traz respostas às necessidades da sociedade global. O maior debate se refere às minorias étnico-culturais que compõe o mundo, as quais não vêem totalmente indígena uma luta desigual missões, manipulação e sacerdócio acadêmico. Viçosa: Ultimato p PINEZI, Ana Keila Mosca. Diversidade cultural e direitos humanos. In: SOUZA, Isaac Costa de; LIDÓRIO, Ronaldo [Org.]. A questão indígena uma luta desigual missões, manipulação e sacerdócio acadêmico. Viçosa: Ultimato p SILVA, Paulo Thadeu Gomes da. Direito Indígena, Direito Coletivo e Multiculturalismo. In: SARMENTO,Daniel; IKAWA, Daniela; PIOVESAN, Flávia. (Coord.). Igualdade, diferença e direitos humanos. Rio de Janeiro: Lumen Juris, p. 572.

13 respeitada a sua identidade cultural frente à consolidação de uma hegemonia cultural ocidental. Mas considerando o ingresso dos mais diversos Estados, representando as mais distintas culturas, bem como o grande número de ratificação dos principais tratados sobre direitos humanos, notamos que a ONU, as Convenções Internacionais e a própria idéia de direitos humanos, a cada dia, perdem as características ditas exclusivamente ocidentais da sua concepção. Samuel Correa, citando Joaquim Herrera Flores afirma: Entre outras críticas atribuídas ao Relativismo Cultural também está a questão da rejeição a todas as idéias ocidentais sobre os direitos humanos, como se fossem todas originárias de um imperialismo ou fruto de uma tentativa de colonização cultural. 28 Lidório acredita que o relativismo contribuiu positivamente ao gerar uma visão de tolerância cultural e fomentar a ideia de igualdade do valor humano: A grande contribuição do relativismo foi abrandar a arrogância das nações conquistadoras e gerar uma visão de tolerância cultural, especialmente nos encontros interculturais. Boas se contrapunha ao evolucionismo de Tylor, Frazer e Morgan que viam na civilização ocidental o estágio evoluído da humanidade, enquanto as nações e povos não ocidentais, subevoluídos, buscariam no ocidente um modelo humano de moral e organização. Consequência desta positiva contribuição do relativismo foi a fomentação da idéia de igualar o valor humano, indistinto de sua língua, cultura e história. Herder defendia que toda moral define seus valores no Volksgeist (literalmente espírito do povo), e entendia que cada povo define seu próprio Geist, fazendo com que cada grupo possua valores sociais únicos e incomparáveis. Era uma reação ao iluminismo, que defendia os princípios universais de justiça, sobretudo na França O DIÁLOGO INTERCULTURAL A polarização entre relativismo cultural e direitos humanos tem sido diminuída por meio da idéia de que é importante valorizar uma relação dialógica entre diferentes culturas, para que exista a possibilidade da superação de conflitos e o 28 CORRÊA, Samuel. Direitos humanos e o diálogo intercultural: análise do infanticídio por motivos culturais em tribos indígenas do Brasil, Disponívelem: arao/2010-a/samuel_corr_a.pdf, acesso em: 01 de Junho de LIDÓRIO, Ronaldo. Não há morte sem dor - Uma visão antropológica sobre a prática do infanticídio indígena no Brasil. In: SOUZA, Isaac Costa de; LIDÓRIO, Ronaldo [Org.]. A questão indígena uma luta desigual missões, manipulação e sacerdócio acadêmico. Viçosa: Ultimato p. 179.

14 estabelecimento de um acordo entre elas. O diálogo cultural pressupõe o contato entre culturas distintas para a discussão de valores e práticas evitando assim a radicalização do relativismo. Pinezi afirma que é preciso relativizar o relativismo cultural: É preciso relativizar o relativismo cultural, no sentido de vê-lo não como um princípio absoluto, mas como um instrumento que possibilite o encontro de forma respeitável. Essa relativização é capaz de evitar que a diferença, exaltada, contrarie os valores dos direitos humanos como uma forma de justificar os regimes de segregação, por exemplo. Se o direito à mudança não for respeitado, O direito à diferença é então transformado em obrigação de diferença. (Cuche, 2002, p.241). As culturas não são totalmente dependentes ou totalmente autônomas. Na verdade, quando se pensa em relação dialógica entre culturas diferentes, a idéia é a de que as sociedades são interdependentes e de que a dinâmica cultural tem a ver, em grande parte, com o contato entre elas. 30 Nenhuma cultura é totalmente dependente e nem totalmente autônoma. A ideia de uma relação dialógica se baseia exatamente na crença de que as sociedades são interdependentes e estão em contato umas com as outras. E esse contato intercultural não é ruim pois leva cada cultura a observar e refletir sobre seus valores e os valores do outro. Passa a existir então um espaço de diálogo e argumentação intercultural. O diálogo intercultural é fundamental para que uma sociedade possa conhecer o diferente e compreender que sua cultura não pode ser usada como força argumentativa inquestionável para explicar e justificar tudo, inclusive atos de violência e desrespeito aos direitos humanos. Sérgio Paulo Rouanet fala sobre a necessidade da argumentação: (...) temos, isso sim, que tratar nossos interlocutores como seres racionais, capazes de argumentação, e a melhor maneira de prestar homenagem à dignidade humana desses seres racionais é incluí-los na esfera da argumentação, em vez de mantê-los num santuário extra-argumentativo, como os animais ameaçados de extinção. 31 Ronaldo Lidório, citando Zbigniew Brzezinski, nos alerta que a cultura vai se tornar a linha divisória do debate sobre a liberdade e os direitos humanos. O mesmo autor aponta as consequências da falta do diálogo intercultural: 30 PINEZI, Ana Keila Mosca. Diversidade cultural e direitos humanos. In: SOUZA, Isaac Costa de; LIDÓRIO, Ronaldo [Org.]. A questão indígena uma luta desigual missões, manipulação e sacerdócio acadêmico. Viçosa: Ultimato p ROUANET, Sérgio Paulo. Ética e Antropologia. Revista Estudos Avançados. v.4 n.10 São Paulo set./dez Disponível em: Acesso em: 31 maio 2013

15 Como consequência do relativismo radical, parte da Antropologia brasileira possui nítida dificuldade em emitir qualquer julgamento ao que se apresenta como culturalmente definido, rotulando assim todo questionamento endereçado a uma prática ou costume, em um determinado ambiente cultural, como falta de aceitação ou intolerância. A ausência de diálogo e escambo intercultural privará diversos povos de soluções internas que precisarão encontrar daqui a 30 ou 40 anos, levando-os a olhar para trás e nos julgar, pela nossa omissão. 32 O diálogo intercultural foi evidenciado por Boaventura de Souza Santos, que ao refletir acerca do assunto chegou à conclusão que as políticas de direitos humanos estavam fadadas ao fracasso em virtude da crise do Welfare State (Estado de bem-estar social). Boaventura assegura que contra o universalismo, há que se propor diálogos interculturais sobre preocupações isomórficas. Se os conflitos de valores existentes na concepção de dignidade humana são distintos, deve-se recorrer a um diálogo entre as culturas para que, se necessário for, modifique-se o núcleo de sentidos. Este processo de re-conceituação encontra acolhimento na incompletude das culturas, isto é, cada cultura é imperfeita, pois, se não fosse, existiria apenas uma perfeita e acabada. Nesse sentido, busca-se através da troca de saberes, chegar o mais perto possível da weltanschauung (visão de mundo ou cosmovisão). 33 A Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural, em seu artigo quarto, evidencia a relação entre direitos humanos e diversidade cultural: A defesa da diversidade cultural é um imperativo ético, inseparável do respeito à dignidade humana. Ela implica o compromisso de respeitar os direitos humanos e as liberdades fundamentais, em particular os direitos das pessoas que pertencem a minorias e os dos povos autóctones. Ninguém pode invocar a diversidade cultural para violar os direitos humanos garantidos pelo direito internacional, nem para limitar seu alcance. 34 Como exemplo da importância do diálogo intercultural, Ronaldo Lidório nos apresenta alguns fatos dialógicos positivos: LIDÓRIO, Ronaldo. Não há morte sem dor - Uma visão antropológica sobre a prática do infanticídio indígena no Brasil. In: SOUZA, Isaac Costa de; LIDÓRIO, Ronaldo [Org.]. A questão indígena uma luta desigual missões, manipulação e sacerdócio acadêmico. Viçosa: Ultimato p SANTOS, Boaventura de Souza. Para uma construção Intercultural dos direitos humanos. In: SARMENTO,Daniel; IKAWA, Daniela; PIOVESAN, Flávia. (Coord.). Igualdade, diferença e direitos humanos. Rio de Janeiro: Lumen Juris, p Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural. Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0012/001271/127160por.pdf>. Acesso em 13 de setembro de 2012.

16 O primeiro advém da ação da FUNASA no tratamento de enfermidades básicas entre as populações indígenas no Brasil, entre elas a malária. Apesar dos grupos indígenas não abandonarem, em grande parte, sua forma natural de tratamento, um número expressivo de grupos indígenas reconhece e utiliza hoje o tratamento anti-malarial proposto pela FUNASA para os casos de malária reconhecidos por eles e pelos seus agentes de saúde. Tal atitude dialógica presta um serviço necessário e vital. Salva vidas e não agride os povos. O segundo fato dialógico nos é fornecido por Cardoso de Oliveira e trata-se da prática do infanticídio entre os Tapirapé. O processo se dava na eliminação do quarto filho, limitando assim cada família a, no máximo, três filhos. A ação de freiras católicas para assegurar a sobrevivência do indivíduo que nasce, bem como do grupo, que corria risco de extinção (chegou apenas a 54 indivíduos), se deu através do diálogo e não da imposição. A argumentação das freiras, aceita finalmente pelo grupo, se baseava na valorização do próprio grupo em contraste ao seu gradual enfraquecimento, com o infanticídio. Cardoso de Oliveira nos expõe que a decisão de extinção do infanticídio se deu em um círculo culturalmente definido, autônomo, não induzido. Os Tapirapé aceitaram o argumento da razão humana, social e cultural. O terceiro fato dialógico nos é exposto por Edson e Márcia Suzuki, cofundadores da ONG ATINI (Voz pela Vida), que, atendendo ao apelo dos pais colaboraram com a retirada de dois bebês da tribo Suruwahá em 2005 para tratamento apropriado em São Paulo. A retirada dos bebês os liberava do sacrifício por iniciativa da comunidade Suruwahá. Esse fato social (a preservação da vida por iniciativa indígena, de crianças que seriam sacrificadas na comunidade por iniciativa dos próprios indígenas) abriu um precedente ético e comportamental entre os Suruwahá. 35 Estes fatos dialógicos nos leva a reconhecer o direito de todas sociedades ao diálogo intercultural a respeito do sofrimento e suas soluções. E também nos faz reconhecer o direito de todo indivíduo a questionar os valores de sua cultura e propor outras alternativas, sobretudo nos casos em que há desrespeito à dignidade da pessoa humana. CONCLUSÃO A prática do infanticídio indígena é uma realidade e deve ser abordada a partir do diálogo intercultural, o que já vem acontecendo, nos casos em que alguns povos indígenas tem buscado ajuda no tratamento de suas crianças. Porém a atuação do Estado precisa ser intensificada, uma vez que essa ajuda na maioria das vezes vem de organizações não governamentais e missões religiosas que atuam nas aldeias. Muitas vezes o Estado tem atuado através da FUNAI e do Ministério Público para impedir a intervenção nas tribos, por meio de uma visão relativista de proteção da cultura indígena, o que não coaduna com nosso ordenamento jurídico, pois o 35 LIDÓRIO, Ronaldo. Não há morte sem dor - Uma visão antropológica sobre a prática do infanticídio indígena no Brasil. In: SOUZA, Isaac Costa de; LIDÓRIO, Ronaldo [Org.]. A questão indígena uma luta desigual missões, manipulação e sacerdócio acadêmico. Viçosa: Ultimato p. 187.

17 Brasil é signatário da maioria dos tratados e convenções internacionais garantidores da proteção aos direitos humanos. E principalmente porque os próprios indígenas tem demonstrado interesse em modificar suas práticas tradicionais. O combate à prática do infanticídio não necessita exatamente de medidas legislativas ou judiciárias, pois nossa legislação já obriga o Estado a proteger a vida e dar assistência médica a toda criança brasileira, o que inclui obviamente as crianças indígenas. O que precisa ser feito de imediato é o dimensionamento desse acesso ao tratamento médico, por meio de uma assistência integral à saúde, principalmente das mulheres e das crianças indígenas. Verificamos que os povos indígenas tem interesse em garantir a sobrevivência física e cultural de suas comunidades, mas também estão abertos à melhorias vindas da relação inter-étnica. O índio é um ser pensante e reconhece que a dinâmica cultural pode trazer melhorias na qualidade de vida de seu grupo. Não podemos ignorar que a prática do infanticídio traz sofrimento a todo o grupo, pois os povos indígenas vivem coletivamente e na tradição cultural desses povos é importante que cada um seja capaz de se locomover, caçar, pescar e contribuir para com o grupo, não sendo um peso para a sua sociedade. Devemos intensificar a relação dialógica com os povos indígenas pois eles tem o direito de participarem nos processos políticos que lhe dizem respeito. Temos que partilhar seus sofrimentos e propor soluções à suas necessidades. Não podemos nos omitir, pois toda a sociedade brasileira tem uma dívida histórica com os povos indígenas. E não atendê-los é privá-los de sua capacidade de autodeterminação e distanciá-los do verdadeiro exercício do respeito a diferença. Por meio do diálogo com as etnias indígenas o Estado poderia fomentar uma política de incentivo à adoção das crianças rejeitadas, o que evitaria sua morte. O Estado também pode criar parcerias com instituições de abrigo e acolhimento de famílias indígenas que decidam não se submeterem à prática do infanticídio dentro de suas aldeias. Deveriam ainda ser criados Conselhos Tutelares de Defesa das Crianças Indígenas. Por fim, o Estado e a sociedade brasileira não podem se manter omissos na proteção das crianças e pais indígenas que se levantam contra as práticas tradicionais de sua cultura. O direito à vida e a dignidade estão acima de questões culturais ou conflitos de direitos. 17 EL INFANTICIDIO INDIGENA Y LA UNIVERSALIDAD DE LOS DERECHOS HUMANOS Resumen: Este artículo tiene como objetivo analizar la práctica del infanticidio en las comunidades indígenas brasileños, los aspectos antropológicos relacionados con el derecho humano a la libertad cultural en contradicción con el carácter universal del derecho humano a la vida, y definir mejor el papel del estado en una situación así, lo que indica la posibilidad una conciencia política y el cuidado de la salud, los niños indígenas están protegidos por la legislación brasileña e internacional, y actualmente

18 abandonado por la acción gubernamental. El texto tiene como objetivo demostrar que el principio de universalidad de los derechos humanos no significa homogeneización cultural, o se opone al derecho a la libertad cultural, y que las diferencias culturales no significa desigualdad. Este artículo le muestra donde en particular los padres de las tribus que practican el infanticidio decidió pedir ayuda al estado antes de matar a sus hijos. Pero el gobierno y los órganos judiciales responsables de ayudar indígena, con base en los argumentos del relativismo cultural, se resisten a la retirada del tratamiento médico para los niños porque lo consideran una injerencia en la vida cultural de los pueblos indígenas. Hemos adoptado la metodología de la revisión de la literatura. Palabras clave: infanticidio nativo. Derechos humanos. Universalidad. El relativismo cultural. El diálogo intercultural. La acción del Gobierno. REFERÊNCIAS ADINOLFI, Valéria Trigueiro. Enfrentando o infanticídio: bioética, direitos humanos e qualidade de vida das crianças indígenas. Mãos Dadas. Disponível em: Acesso em 20 maio BARRETO, Maíra de Paula. Os direitos humanos e a liberdade cultural. Revista Antropos, São Paulo; v BARRETO, Maíra de Paula. Os direitos humanos e as práticas tradicionais. In: SOUZA, Isaac Costa de; LIDÓRIO, Ronaldo [Org.]. A questão indígena uma luta desigual missões, manipulação e sacerdócio acadêmico. Viçosa: Ultimato BOAS, Franz. Antropologia cultural. Rio de Janeiro: J. Zahar, COMPARATO, Fábio Konder. A Afirmação Histórica dos Direitos Humanos. 3 ed. São Paulo: Saraiva, Conferência de Direitos Humanos - Viena Disponível em : <http://www.dhnet. org.br/ direitos/ anthist/viena/viena.html.> Acesso em : 16 de maio de Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, Convenção n 169 da Organização do Trabalho Indígena, adotada em 27 de junho de 1989, revista em In: Decreto n 5051, de 19 de abril de Promulga a Convenção n 169, da Organização do Trabalho Indígena OIT sobre Povos indígenas e Tribais. Disponível em: <http://www.oitbrasil.org.br/ info/download/ conv_169.pdf>. Acesso em: 22 de maio de Convenção sobre os Direitos da Criança. Disponível em: <http://unesdoc. unesco.org /images/0012/001271/127160por.pdf>. Acesso em: 10 de maio de CORRÊA, Samuel. Direitos humanos e o diálogo intercultural: análise do infanticídio por motivos culturais em tribos indígenas do Brasil, Disponívelem:http://portal2.unisul.br/content/navitacontent_/userFiles/File/cursos/cursos_graduacao/D ireito_tubarao/2010-a/samuel_corr_a.pdf, acesso em: 01 de Junho de 2011.

19 Declaração e Programa de Ação de Viena. Disponível em: < Acesso em: 14 de maio de Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural. Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0012/001271/127160por.pdf>. Acesso em 13 de setembro de2012. DHNET. Declaração Universal dos Direitos Humanos. Disponível em: <http://www.dhnet. org.br/direitos/deconu/textos/integra.htm>. Acesso em: 31 de maio de FACHIN, Melina Girardi. Fundamentos dos direitos humanos: teoria e práxis na cultura da tolerância. Rio de Janeiro: Renovar, FEITOSA, Saulo Ferreira; TARDIVO, Carla Rúbia Florêncio; CARVALHO, Samuel José de. Bioética, cultura e infanticídio em comunidades indígenas brasileiras: o caso Suruahá [monografia]. CORNELLI, Gabriele e GARRAFA, Volnei (orientadores). UNB. Brasília, 2006 HOLANDA, Marianna Assunção Figueiredo. Quem são os humanos dos direitos? Sobre a criminalização do infanticídio indígena f. Dissertação. (Mestrado em Antropologia Social) Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Brasília, Brasília, 2008, p Disponível em: < /tde_busca/arquivo.php? codarquivo=4766>. Acesso em: 14 maio 2010 Infanticídio é uma tradição milenar dos Yanomami. Em: Folha de Boa Vista, 10 de março de Disponível em: KYMLICKA, Will. Multiculturalismo liberal e direitos humanos. In: SARMENTO,Daniel; IKAWA, Daniela; PIOVESAN, Flávia. (Coord.). Igualdade, diferença e direitos humanos. Rio de Janeiro: Lumen Juris, LIDÓRIO, Ronaldo. Não há morte sem dor: uma visão antropológica sobre o infanticídio indígena no Brasil. Disponível em:< option=com_ content&task=view&id=81&itemid=31>. Acesso em 11 de maio de PAGLIARO, Heloisa; MENDAÑA, Luciana G. dos S.; RODRIGUES, Douglas & BARUZZI, Roberto G. Comportamento Demográfico dos Índios Kamaiurá, Parque Indígena do Xingu, Mato Grosso, Brasil ( ). Trabalho apresentado no XIV Encontro Nacional de Estudos Populacionais, ABEP, Caxambú, PINEZI, Ana Keila Mosca. Diversidade cultural e direitos humanos. In: SOUZA, Isaac Costa de; LIDÓRIO, Ronaldo [Org.]. A questão indígena uma luta desigual missões, manipulação e sacerdócio acadêmico. Viçosa: Ultimato PIOVESAN, Flavia. Igualdade, diferença e direitos humanos: perpectivas global e regional. Rio de Janeiro. In: SARMENTO,Daniel; IKAWA, Daniela; PIOVESAN, Flávia. (Coord.). Igualdade, diferença e direitos humanos. Rio de Janeira: Lumen Juris p. 48. PIOVESAN, Flávia. Direitos Humanos e o Direito Constitucional Internacional. São Paulo: Saraiva,

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