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1 POLÍTICA DE RECONHECIMENTO E DIREITOS INDÍGENAS: MAPEANDO CONFLITOS NO JUDICIÁRIO BRASILEIRO INDIGENOUS LAW AND RECOGNITION POLITICS: M APPING CONFLICTS IN BRAZILIAN JUDICIARY Erika Macedo Moreira RESUMO O texto representa a busca por construir horizontes epistemológicos que auxiliem na compreensão da atuação do Judiciário Brasileiro no sentido de garantir aos índios a efetividade de sua organização social e a afirmação de suas identidades culturais, previstos no art.231 da Constituição da República Federativa do Brasil de O pano de fundo da reflexão são as demandas indígenas, mapeadas em determinadas localidades da região nordeste, fundamentalmente vinculadas a necessidade de domínio de seu território, que num contexto de lutas por reconhecimento, obrigam o Poder Judiciário a se posicionar na definição de políticas públicas específicas para a garantia dos costumes indígenas e, portanto, da diversidade cultural. PALAVRAS -CHAVES: multiculturalismo, pluralismo jurídico e sistemas de justiça. ABS TRACT The text represents the search for construct epistemological horizons to assist in understanding the performance of the Brazilian judiciary in ensuring the effectiveness of the social indigenous organization and the affirmation of their cultural identities, provided for in art.231 of the Brazilian Constitution (Constituição da República Federativa do Brasil in 1988). The background of the debate are the indigenous demands, mapped in certain localities in the Northeast region, mainly linked to the need for mastery of theirs territory in a context of struggles for recognition that requires the judiciary decides on the definition of public policies to guarantee the indigenous customs and therefore of cultural diversity. KEYWORDS: multiculturalism, plural law system, system of justice. APRESENTAÇÃO: Uno de los efectos del estado monocultural sobre los pueblos indígenas fue la sistemática imposición de los principios y formas de organización de la vida social, del manejo de los recursos públicos así como del control y solución de conflictos, principios, estructura y enfoque se un derecho que necesariamente no coincidía en parte o en su totalidad -, con los sistemas existentes en cada uno de ellos como pueblos. Esther Sánchez Botero O texto representa a busca por construir horizontes epistemológicos que auxiliem na compreensão da atuação do Judiciário Brasileiro no sentido de garantir aos índios a efetividade de sua organização social e a afirmação de suas identidades culturais, previstos no art.231 da Constituição da República Federativa do * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

2 Brasil de 1988 [1]. O pano de fundo da reflexão são as demandas indígenas, mapeadas em determinadas localidades da região nordeste [2], fundamentalmente vinculadas a necessidade de domínio de seu território, que num contexto de lutas por reconhecimento, obrigam o Poder Judiciário a se posicionar na definição de políticas públicas específicas para a garantia dos costumes indígenas e, portanto, da diversidade cultural. As bases teóricas do ensaio caminham no sentido de identificar como a dimensão comunitarista dos debates contemporâneos da filosofia política pode contribuir para a análise dos fundamentos e das formas de ver o conflito jurisdicionalizado e o outro, evidenciando as diferentes concepções de justiça e os critérios de valoração na resolução dos conflitos. Trabalhar na perspectiva de afirmação dos direitos culturais de grupos marginalizados impõe estar conectada a matriz de pensamento pós-colonial, de inspiração literária e pós-estruturalista, que enfoca a relação constitutiva entre o capitalismo e o colonialismo e desconstrói as modalidades de representação estruturadas em termos de oposição binárias (IZAGUIRRE, 2004). Esta corrente epistemológica surge das críticas à modernidade, trazidas especialmente pelos estudos culturais. E, identifica no colonialismo, além das dimensões econômicas e políticas, uma forte dimensão epistemológica ao desconsiderar a dimensão tempo-espaço da América Latina, conforme CASTRO-GOM ES (2005), SAID (2007), KYM LICKA (1996), HALL (2003), SANTOS (2004). Nesse contexto, a crise epistemológica iniciada no século XX (SANTOS, 2005) é resultado da incapacidade de identificar e controlar todas as variáveis do complexo mundo social. Assim, cresce a importância da interdisciplinariedade e da complexidade. Na perspectiva de MARRAMAO (2008, 179 e ss), estamos diante de uma nova concepção do tempo, não linear, como na idéia de progresso, e, nem cíclico, como da tradição. O tempo arqueológico é pautado pela emergência de novas subjetividades culturais, não ocidentais, ao mesmo tempo em que, contraditoriamente, a política de combate ao horror (vigilância e controle), da doutrina da tolerância zero, se expande. E é justamente diante da complexidade em compreender a cultura indígena e a construção de seus sistemas normativos, que o diálogo entre antropólogos e juristas se faz necessária, uma vez que a antropologia, enquanto um poderoso instrumento de desmistificação, possibilita uma melhor compreensão do nosso lugar e do outro, da condição do homem e sua relação entre si, com a natureza e o Estado. Para OLIVEIRA (2006), a antropologia representa um exercício de olhar, ouvir e escrever. Atos cognitivos muito familiares e disciplinados, que pautados pela observação participante e pela relativização, no momento da produção do texto, ativam o diálogo entre o pensar, a memória e o escrever, vivificando a experiência. O ato de pensar e escrever são tão solidários entre si que, juntos, formam praticamente o mesmo ato cognitivo. Isso significa que, nesse caso, o texto não espera que seu autor tenha primeiro todas as respostas para, só então, poder ser iniciado. Entendo que na elaboração de uma boa narrativa, o pesquisador de posse de suas observações devidamente organizadas, inicia o processo de textualização uma vez que essa não é apenas uma forma escrita de simples exposição, pois há também a forma * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

3 oral -, concomitante ao processo de produção do conhecimento. OLIVEIRA, 2006:32 Nesse sentido, a antropologia empresta ao direito uma contribuição fundamental no entendimento de como se organizam os códigos fundamentais de uma cultura, suas normas sociais e jurídicas, bem como os mecanismos de controle social. É a tentativa de compreender a sociedade e a cultura do outro em sua verdadeira interioridade. No entanto, como ensina GUEERTZ (1998), no diálogo entre os dois campos do saber há que se estar atento para a forma como se escolhe o tema e se desenvolve a análise, sendo certo que o sentido (ou sensibilidade) de justiça é o primeiro fator que merece atenção daqueles que pretendem falar de forma comparada sobre as bases culturais do direito. Não um esforço para impregnar costumes sociais com significados jurídicos, nem para corrigir raciocínios jurídicos através de descobertas antropológicas, e sim um ir e vir hermenêutico entre os dois campos, olhando primeiramente em uma direção, depois na outra, a fim de formular questões morais, políticas, intelectuais que são importantes para ambos. Gueertz, 1998: 253. Vale destacar que o esforço do trabalho (a ser aprofundado na tese) é de compreender como se desenvolvem os processos de resolução de conflito no âmbito do poder judiciário [3]. Portanto, a pretensão não é comparar o sistema jurídico indígena e nacional, conforme sugere Gluckmann analisando a jurisprudência, e nem procurando descrever o sistema tribal, como se pudessem ser compreendidos neles mesmos, como sugere Bohannan (apud CARDOSO DE OLIVEIRA, 1992:25). A proposta metodológica é ver como o sistema jurídico nacional recepciona ou considera a normatividade produzida pelos povos indígenas, analisando os sentidos da equidade das decisões. Conforme sugere Cardoso, em sua crítica ao trabalho de Gueertz, é preciso estar atento ao significado das idéias englobadoras que sustentam e dão legitimidade às decisões, garantindo equidade ao sistema (CARDOSO DE OLIVEIRA, 1992: 25 e ss). A vantagem de mudar o foco da análise, passando das normas para as decisões, através da radicalização de questões de adequação, é que, assim procedendo, pode-se flexibilizar associações estritas entre situações típico-ideiais e casos específicos de conflito. Abrindo-se novas possibilidades de superação de definições/interpretações normativas cristalizadas, sem que se assuma o compromisso de tomar uma posição sobre a legitimidade das normas em si mesmas, e evitando-se as dificuldades respectivas. (CARDOSO DE OLIVEIRA, 1992: 40) Desta forma, privilegia-se o contexto (social e do sistema jurídico) em que determinadas decisões são produzidas, dando ênfase aos usos da lei e das forças em ação (M OORE, 1978:02). Ao analisar o conjunto das decisões, busca-se o sentido da equidade das interpretações judiciais. Para Cardoso de Oliveira (1992: 42 e 43), a ocorrência de decisões padronizadas (tendências estruturais à reificação - TEaR), pode indicar a presença de poder ilegítimo. No entanto, o próprio autor alerta para o fato de que a identificação das TEaR não permite uma avaliação sobre a legitimidade de um sistema jurídico/político. O seu significado dependerá da amplitude das relações afetadas pelas respectivas tendências, bem como de seu significado correspondente no contexto do sistema social específico como um * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

4 todo o que impõe uma pesquisa mais ampla. Assim, importa analisar a atuação das diferenças forças sociais em atuação no âmbito do judiciário, para compreender quais argumentos e fatores se tornam preponderantes no momento da construção da decisão judicial. Por isso, no presente ensaio, a técnica de coleta de dados esteve pautada na análise de fontes primárias e secundárias, no sentido de trabalhar com uma ampla revisão bibliográfica e documentos oficiais (processos judiciais, administrativos, denúncias, relatórios de violações dos Direitos Humanos), inclusive recorrendo a estudos etnográficos. Também foi feita entrevista semi-estruturada com atores sociais envolvidos nos conflitos identificados. Na primeira parte do trabalho, os direitos indígenas serão analisados sob o prisma do Estado Nacional, considerando que o pluralismo social (e normativo) sempre esteve presente na história das civilizações (ROULAND, 2003). Com isso, darei seguimento às reflexões sobre as estratégias de reconhecimento e tratamento constitucional diferenciado, atribuídos aos diferentes grupos socioculturais, enquanto questões fundamentais do Estado Democrático de Direito. Ao final, a guisa de conclusão (ou iniciação para a pesquisa de campo da tese), apresento a cartografia dos conflitos [4], identificados nessa etapa de trabalho de campo, como indicativo da necessária compreensão da atuação do poder judiciário na efetivação das políticas de reconhecimento dos direitos coletivos e culturais. PLURALIS MO JURÍDICO-S OCIAL E DIREITOS INDÍGENAS A existência de mais de 200 povos indígenas no Brasil (ISA, 2008), com sociabilidades, hábitos, culturas, línguas, sistemas jurídicos próprios e diferenciados entre si, evidencia a existência do pluralismo jurídico em que a força do Direito não tem a norma ou a sanção estatal enquanto forma de expressão. O espírito do corpo que dá efetividade a manutenção da ordem social das sociedades arcaicas é a preocupação com a comunidade, a existência da solidariedade, da cumplicidade, da identidade e da vontade de manter coeso o grupo. Portanto, o que opera como sistema de coerção é o apego aos costumes e à tradição oral (M ALINOWSKI, 2003). Portanto, no Brasil, como em outras regiões inseridas no contexto do pós-colonialismo [5], a vigência do pluralismo jurídico é uma condição que se encontra nas sociedades, mais ou menos plurais. Por isso a necessidade de compreendê-lo de forma dinâmica, de acordo com a pluralidade da organização social (que dá origem a pluralidade normativa) e as influências mútuas que se estabelecem entre seus sistemas normativos [6]. A extensão, intensidade, velocidade e impacto destes processos de transnacionalização jurídica não são uniformes no seio do espaço nacional, de tal forma que podemos falar de gradientes desiguais de globalização, dependendo da área de regulação envolvida e do contexto social (RANDERIA, 2003:472). * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

5 Desta forma, especialmente diante da dinâmica da globalização (que busca enfatizar o caráter universal dos Direitos Humanos evidenciando muitas vezes o conflito entre os direitos individuais e direitos coletivos); se estabelecem relações diferenciadas entre M ovimentos Sociais, Estado e Instituições Internacionais, em que o Estado pode ser visto, pelos movimentos sociais, enquanto parceiro necessário para a garantia dos direitos (mesmo que através de decisão judicial), ou evitado, quando não constitui instância de diálogo e formulação de consenso. Nesse sentido, vale destacar que a articulação internacional dos movimentos indígenas foi fundamental para ampliação e diversificação das estratégias de enfrentamento e afirmação, no campo legal, conforme Brysk Alison (apud LIMA, 2010). Desde a conquista, colonização e independência, os diferentes grupos socioculturais (índios, quilombolas, pescadores artesanais, quebradeiras de coco, ciganos, etc) foram sendo incorporados às comunidades políticas, de diferentes formas. Seja através da assimilação ou da efetiva integração [7], eles se viram inseridos na cultura majoritária, ao mesmo tempo em que buscam a manutenção de suas especificidades culturais o que implica, autonomia e autogoverno. La incorporación de diferentes naciones em un solo Estado pode ser involuntaria; ejemplos de ello son la invasión y conquista de una comunidad cultural por otra o la cesión de la comunidad de una potencia por otra, o el caso em que el suelo pátrio es invadido por gentes dispuestas a colonizar dicha comunidad. No obstante, la formación de um Estado multinacional también puede darse voluntariamente, como sucede cuando culturas diferentes convienen em formar uma federación para su beneficio mutuo (KYMLICKA: 1996,26) Desta forma, diante da realidade brasileira, importa reconhecer na aceitação das diferentes formas de assimilação dos povos indígenas uma estratégia de sobrevivência. A forma para fazer frente às diferentes tentativas de dominação colonial [8] passava pela guerra, pela busca da constituição dos territórios, das fronteiras, dos limites da linguagem, da religiosidade, dos regimes políticos, da organização econômica, dos códigos de conduta ética e moral, enfim, diferentes formas de construir seus sistemas normativos, em constante inter-relação com a organização política hegemônica. Trata-se de abordar as leis como um fenômeno histórico e cultural, cuja eficácia social e dinamismo (surgimento e modificações) devem ser explicados através do inter-relacionamento entre valores e interesses de determinados grupos sociais, com contextos sociais mutáveis (como formas de Estado e políticas de colonização) e com outros usos sociais e costumes (preexistentes ou alternativos). PACHECO DE OLIVEIRA, 1985:18 De fato, nas tentativas de garantir suas formas de vida (e seus direitos), os grupos socioculturais, em especial, os povos indígenas, conseguiram garantir, através de muita luta e mobilização, na letra da lei, seus direitos, usos e costumes. Nesse sentido, o direito consuetudinário foi concebido como um conjunto de normas e práticas legais e estruturas de autoridade utilizadas por grupos indígenas em lugar do direito estatal ou em conjunção com este. Portanto, vê-se que o diálogo intercultural, fruto de um processo harmonioso ou bélico, está presente em grande parte dos países do mundo. São Estados M ultinacionais, que para garantirem a sua viabilidade * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

6 política, reconhecem direitos aos grupos minoritários. E com isso, conseguem construir um sentimento de lealdade comum, apesar das divisões lingüísticas e culturais; como único povo [9]. Segundo SANCHEZ (2001), analisando a realidade da Colômbia, é possível identificar dois grandes momentos da questão indígena: de 1500 à 1990, um período de grande invisibilidade constitucional e de 1990 aos dias de hoje, como um período de grande visibilidade das relações interétnicas a luz da Constituição. No mesmo sentido, LACERDA (2007) analisa o desenvolvimento histórico das relações interétnicas no Brasil Colonial, República e Constituinte, a partir da letra da lei, para demonstrar a transição do modelo de eliminação do Bárbaro ou salvação do bom selvagem para o protagonismo do Estado Pluriétnico, com a Constituição de No entanto, é preciso estar atento para o fato de que as relações interétnicas ou interculturais nem sempre resultaram de garantias legais, uma vez que os postulados da dominação (civilizar os primitivos ) e a tentativa de conquistar as riquezas naturais sempre estiveram presentes. Com isso, generalizando o panorama da realidade latino-americana, no âmbito do reconhecimento e das garantias constitucionais às minorias étnicas (em especial no que se refere aos povos indígenas), percebemos que o mesmo é pautado pelas mesmas estratégias: negar o reconhecimento, buscando o desaparecimento, inserção da diversidade numa totalidade, buscando a homogeneização, a incorporação por meio da subjugação (idéia de inferioridade), e, por fim, o contexto mais atual de valorização da diferença enquanto mecanismo de fortalecimento do Estado (BARIÉ, 2003). No contexto atual, seguindo uma tendência mundial (especialmente após a edição da Convenção 169 pela Organização Internacional do Trabalho e a ratificação da mesma em muitos países [10] ), a garantia constitucional de reconhecimento da existência de povos indígenas com organização social própria (autodeterminação) faz com que a legitimidade do Estado, no âmbito nacional e internacional, passe pela aceitação e criação de mecanismos de reconhecimento da importância dos costumes e os sistemas normativos plurais, negando o monismo estatal. Ao reconhecer a multiculturalidade, a Constituição Federal impôs ao Estado-Nacional um triplo desafio no âmbito do reconhecimento: dos direitos coletivos (em contraposição a matriz individualista dos direitos), do re-ordenamento territorial, e, dos sistemas jurídicos próprios (SANTOS, 2001). O reconhecimento legal das especificidades culturais, no momento em que vai ser implementado enquanto política pública, evidencia o alcance, a eficácia e a legitimidade das normas que o Estado Nacional produz e busca efetivar. De um lado, povos indígenas organizados na luta pelo reconhecimento de suas especificidades culturais, de outro, por proprietários privados, grupos socioculturais, e às vezes o próprio Estado, obrigam o Poder Judiciário, a se posicionar e construir uma nova concepção de justiça, que passa pelo exercício simultâneo de reconhecimento de identidades diferenciadas e redistribuição dos sentidos da igualdade (CITTADINO, 2005). GRUPOS CULTURAIS E A LUTA POR RECONHECIMENTO * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

7 A política multicultural se assenta no reconhecimento de identidades visando à promoção de igualdades de oportunidades enquanto respeito à diferença. Nesse caso, a discussão sobre identidade e cidadania se reveste em um campo de luta por reconhecimento e vem colocar em cheque as formas de tratamento diferenciado de grupos socioculturais, reconhecendo-os em suas diferenças e particularidades, uma vez que os grupos socioculturais diferenciados, ao pressionarem por políticas afirmativas de sua especificidade, acabam por diluir os critérios de valoração do bom/ruim e do justo/injusto. Portanto, tensionam por saber como chegar a um mínimo de universalidade, representada nos ideários da cidadania, estrutura do Estado Democrático de Direito, a partir da pluralidade de valores (se é que isso é possível?). Nesse sentido, no âmbito da filosofia política contemporânea, autores da matriz liberal e do pensamento comunitário divergem sobre como, diante da diversidade, os sentidos da justiça podem ser alcançados. Os liberais (John Rawls e Ronald Dworkin, entre outros) partem seu olhar de uma possível posição de neutralidade do Estado, admitindo a tolerância como valor supremo do exercício da diversidade (o que necessariamente impõe um juízo de valor, uma vez que se tolera algo, a partir de um lugar). Para os comunitaristas, ao contrário, o reconhecimento da diferença, impõe ao Estado, o desenvolvimento de ações específicas que possibilitem a inserção dos sujeitos no espaço público, a partir da ampliação das condições de acesso e permanência nos debates sobre as distribuições dos bens e serviços públicos, dos sentidos de bem comum e daquilo que é justo. Com sujeitos qualificados atuando no espaço público, os sentidos da cidadania seriam ampliados e o Estado Democrático de Direitos fortalecido. Nesse sentido, a partir dos autores que valorizam a dimensão comunitária, como a luta por reconhecimento estimula a mudança social, uma vez que a democracia das sociedades capitalistas, especialmente numa sociedade excludente, hierarquizada e individualista, necessita de cidadãos ativos, capazes de acessar as esferas de decisão, participar da elaboração e distribuição de recursos e defender seus direitos de acordo com seus significados de bem comum. Especialmente diante do contexto brasileiro, marcado pela construção de uma cidadania regulada [11], em que o exercício dos direitos sociais, civis e políticos, encontram-se, desde sua gênese, relacionado ao preenchimento de determinações legais. No mesmo sentido, o termo estadania [12] chama atenção para a inversão operada entre a construção dos direitos no Brasil, em oposição a proposta analítica de T. H. Marshall (1967) sobre a evolução dos Direitos na Europa; uma vez que as posturas de política social eram concebidas como privilégio e não como direito (ressaltando que uma série de trabalhadores ficavam à margem dos benefícios concedidos pelo sistema previdenciário da época). Isso para não fazer menção a complexidade da causa indígena, em que os povos indígenas, antes escravizados e tutelados, hoje, com a Constituição de 1988, passaram a condição de cidadãos (LACERDA, 2007). A constituição é a responsável pela definição legal do cidadão (sujeito de direitos e deveres) inserido no Estado Nacional. Ou seja, ela cria um campo de identidade, um lugar comum que delimita o exercício da cidadania. Portanto, a dimensão política daquela é garantir estabilidade e tornar viável o projeto moderno de * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

8 governamentabilidade. Com isso, a cidadania de matriz liberal, enquanto intitulação de direitos, estabelece que o cidadão é designado pelo seu status de pertencimento ao Estado como indivíduo portador de direitos, anteriores à própria esfera política de atuação. É o meio pelo qual o indivíduo faz valer bens jurídicos e a sua condição de titular dos mesmos, sobretudo, frente ao Estado. Apesar da prevalência da concepção liberal de cidadania - compreendida como intitulação de direitos -, o republicanismo manteve-se fiel a certos valores da tradição como o autogoverno da comunidade, o civismo, a soberania popular e a participação ativa na comunidade política. Nesse contexto, ele compreende a cidadania como atribuição de virtudes cívicas, em que as pretensões de legitimidade das intervenções dos atores sociais estão relacionadas à capacidade de se colocar no espaço público e ter sua demanda reconhecida, moralmente considerada, através da internalização de valores e formação de consenso. Por esta razão, através da vida ativa, a cidadania passa a adquirir um valor normativo substancial, condição indispensável para a afirmação dos direitos e liberdades e para o bem viver da comunidade, e não pode ser vista como instrumento ou meio para alcançar determinados fins, mesmo que politicamente legítimos, como o reconhecimento dos direitos individuais. Desta forma, evidencia-se a importância de se refletir sobre o conflito entre direitos universais individuais e as reivindicações particulares, buscando novas formas de pensar, ver o conflito e desenvolver políticas. Na medida em que diluem os critérios de valoração na resolução dos conflitos sociais e podem colaborar com a integração social, as lutas por reconhecimento representam a dimensão moral, e, portanto, cultural, em que os sujeitos da ação social estão inseridos. A própria palavra cultura já traz um universo diferenciado de símbolos, daquilo que identifica uma comunidade, como do que não a representa. Assim, pressupõe identidade (ou seja, sentimento de pertença que se manifesta no compartilhar de uma estrutura cognitiva - inter-subjetividade) e diferença (estranhamento do outro). Nesse sentido, Charles Taylor (1994) nos ensina que a identidade se realiza em uma troca contínua, se estruturando e se definindo através da comparação e da diferença. O debate multicultural demonstra como a integração ou assimilação em uma cultura, pode ou não - promover uma ruptura com sua cultura original. A questão da desterritorialização, como a perda da relação natural da cultura com os locais geográficos, seguida pela reterritorialização, gera parciais, velhas e novas produções simbólicas. Portanto, o movimento da des-re-territorialização coloca o conflito numa visão mais multifocal e tolerante voltada para a autonomia cultural. Entretanto, diante da intensidade e da instabilidade valorativa, podem gerar outros conflitos (CANCLINI, 1997: ). Para Taylor, a demanda por reconhecimento não é nova. No plano teórico, a questão do reconhecimento recebe seu tratamento mais influente em Hegel. Especialmente com a passagem do antigo regime para a modernidade, as demandas por reconhecimento ganham destaque, uma vez que, com o deslocamento da noção de honra para a dignidade, desloca-se também a condição de exclusividade para a condição de universalizável (Berger, apud OLIVEIRA, 2002:49). Em decorrência dessa universalização, houve uma expansão da idéia de igualdade de direitos, que num segundo momento, se viu questionada pelas demandas de reconhecimento das minorias socioculturais (afirmação das diferenças). * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

9 A idéia de que somos diferentes, a partir de um mínimo de igualdade, através da idéia de dignidade, leva a necessidade de se analisar de onde e como se manifesta essa igualdade, considerando que, na sociedade brasileira, marcada por desigualdades estruturais de oportunidades e de modos de vida, há um desatrelamento entre distribuição econômica e as estruturas de prestígio e, então, uma lacuna entre status e classe. O fato de o valor ou mérito aqui tematizado estar dissociado de avaliações de desempenho, nas quais os atores competem em igualdade de condições, torna ainda mais difícil a fundamentação da demanda por reconhecimento à luz da ideologia moderna do individualismo, que nega a legitimação de qualidades intrínsecas ao grupo ou indivíduo no plano da cidadania. (OLIVEIRA, 2002:111) Dessa forma, uma política que consiga compatibilizar estes dois objetivos, redistribuição socialeconômica e reconhecimento da diferença cultural, encontra vários obstáculos, mesmo porque pressupõe uma política contra a discriminação e, ao mesmo tempo, contra a base material que a gera e legitima. A falta da dimensão simbólica ou moral gera a desconsideração e a desvalorização do outro, evitando o diálogo e a efetividade das políticas de reconhecimento. Nesse sentido, a desconsideração seria o reverso do reconhecimento, e, na medida em que reflete a conjunção entre direitos e valores, não pode ser plenamente reparada apenas pelos meios legais (OLIVEIRA, 2002:49 e 50). Importa esclarecer que os atos de desconsideração ou insulto moral estão relacionados à intenção ou atitude que motivam o ato. Ativando assim, a dimensão moral dos sentimentos socializada e/ou intersubjetivamente compartilhada. Assim como o sentimento de ressentimento está associado a demandas que fazemos aos outros em relação a nós mesmos, e o sentimento de indignação moral é vinculado a demandas que fazemos a terceiros em relação aos outros, o sentimento de obrigação moral é vinculado a demandas que fazemos a terceiros em relação aos outros, o sentimento de obrigação (moral) estaria articulado com as demandas que fazemos a nós mesmos em nossas relações com os outros, e completaria o conjunto de sentimentos acionados na fenomenologia do fato moral (OLIVEIRA, 2002:83). Portanto, a substância moral daquilo que se considera desenvolvido, justo e digno, chama a atenção para os limites da interação social e da efetivação das políticas de reconhecimento. Questão que se torna ainda mais latente quando envolve conflitos indígenas no âmbito do judiciário, uma vez que o acesso à justiça (e as concepções de justiça) se estabelece através de uma relação contraditória e ambígua, onde a relação com o Estado e o seu sistema jurídico é pautada pela necessidade de, ora, reconhecer e valorizar os costumes enquanto normatividade que orienta a resolução dos conflitos, e, ora, pela necessidade de recorrer à legalidade dos brancos para garantir a paz social no grupo. Quebrar a tradicional compreensão que o Estado Democrático de Direitos se assenta apenas na universalidade de direitos individuais, em contraposição aos direitos coletivos, é o desafio do constitucionalismo moderno, uma vez que a cidadania igualitária passa pela ação de reconhecimento. * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

10 MAPEANDO CONFLITOS NO NORDES TE BRAS ILEIRO Conforme já esclarecido, este ensaio decorre do trabalho de campo de projeto de pesquisa que trata das ações afirmativas, voltada para a educação superior do camponês [13]. E foi a partir do mapeamento das demandas jurídicas das comunidades dos estudantes para privilegiar o estágio curricular dos acadêmicos, a ser desenvolvido na unidade acadêmica e no tempo comunidade; que identifiquei os conflitos vivenciados pelos povos indígenas e as relações que se estabelecem entre o movimento camponês, quilombola e indígena. M as antes de abordar algumas demandas por reconhecimento identificadas ao longo do trabalho de campo, devo confessar o desafio de vivenciar, buscar informações, manter o diário de campo em dia, sistematizar e apresentar, simultaneamente, minhas primeiras observações sobre os conflitos identificados [14]. Especialmente considerando o meu lugar (e as interferências daí decorrentes), professora dos estudantes e militante da assessoria jurídica popular junto aos movimentos sociais. social. Como nos ensina GEERTZ (1989:31), a descrição etnográfica é interpretativa e seletiva do discurso O etnógrafo inscreve o discurso social: ele o anota. Ao fazê-lo, ele o transforma de acontecimento passado, que existe apenas em seu próprio momento de ocorrência, em um relato, que existe em sua inscrição e que pode ser consultado novamente. Assim, estar em campo significa estar com a percepção e os 5 sentidos atentos, pois há uma série de elementos que não podem ser desconsiderados (GINZBURG, 1998) como as ações e reações dos entrevistados, a disposição dos móveis, a ornamentação da casa, as relações intrafamiliares, etc. Estar junto das comunidades rurais, mesmo que por um período tão curto de tempo em cada uma delas, representa a vivência com a diversidade. São camponeses, índigenas e quilombolas que marcam o nosso Brasil Rural. Por maiores que sejam as especificidades de cada um dos grupamentos sociais [15], o fato é que constituem outra forma de se relacionar entre si, com o Estado e com a natureza. Por onde passamos, a maior virtude apontada pelas comunidades eram os laços de solidariedade, a necessidade de manutenção do grupo coeso e a busca pela construção/ resgate da dignidade, a partir do desenvolvimento de melhores condições de vida para a comunidade como acesso à educação, saúde, saneamento básico, etc. Foram 45 dias de viagem, cerca de 15 mil quilômetros rodados, com visita e permanência em 13 comunidades de 3 a 4 dias em cada uma delas. Antes do campo, o calendário e o conteúdo da pesquisa foi socializado com os acadêmicos da turma, de forma que, quando chegávamos nas comunidades, eles já estavam nos esperando (em alguns casos o calendário foi antecipado, outros postergados, mas a receptividade foi a mesma alegria em ver pela primeira vez a universidade preocupada com o lugar e o * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

11 tempo comunidade do estudante). Assim, a primeira etapa do trabalho era a ambientação. Chegávamos normalmente recepcionados com a farta gastronomia da roça nordestina, muita conversa e uma rápida contextualização sobre a história da comunidade. Depois, exaustos dormíamos ou iniciávamos a entrevista com o estudante que no mínimo demorava 3 hs (tendo casos de conversa que se estenderam por quase 7hs, o que implicava, necessariamente, na realização de intervalos, lanchinhos, alongamentos, etc). Feita a conversa com o estudante em questão, partíamos para o diálogo com a comunidade familiares, lideranças locais e representantes das organizações políticas. No total, foram 50 entrevistas realizadas. Conforme podemos ver na tabela abaixo, em todos os Estados por onde passamos, sendo diretamente na localidade do assentamento de origem do estudante, ou no âmbito da organização política, conflitos de terra ou laços de solidariedade (em sua grande maioria), foram apontados entre os movimentos sociais do campo. Mesmo no Piauí e no Rio Grande do Norte, regiões sem registro oficial da presença indígena [16]. Estado Etnias/ População total [17] Localização da atividade Resumo da situação político-jurídico encontrada Bahia Arikosé, Pankararú, Porto Chegamos através do município de Atikum, Pataxó, Seguro, Itamaraju. Conflitos entre a FUNAI e o Botocudo, Pataxó Hã Pataxó INCRA no âmbito da execução das Hã Hãe, Kaimbé, políticas públicas, gera conflitos de Tupinambá, acesso a terra entre movimento sem Kantaruré, Tuxá, terra e indígenas. Kariri, Xucuru-Karirí, Kiriri, Kiriri-Barra, Pankararé Sergipe Xocó 310 Lagarto Estância Relações de solidariedade. Apoio político às lutas. Os povos do Sergipe em grande parte foram exterminados. Pernambuco Atikum, Fulni-ô, Kambiwá, Kapinawá Pankararú, Truká Tuxá, Xucuru Santa Maria da Boa Vista proximidade Problema com plantio da maconha e perseguição políticas as lideranças. Área impactada pelo PAC e a Transposição do Rio São Francisco. com Cabrobó e Indios Trukás Área de grande complexidade [18]. Laços de solidariedade. Apoio político às lutas. * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

12 Rio Grande do Sem informações Fortaleza, Estão passando por processo de Norte Índios Anacé reconhecimento. Pedido de demarcação. Inseridos no Complexo Industrial do Pacén (construção do porto e indústrias) Ceará Jenipapo, Kalabassa, Kanindé, Kariri, Pitaguari, Potiguara, Tabajara, Tapeba, Tremembé Ibaretama, Crateús, Tamboril Laços de solidariedade. Apoio político. No município de Tamboril, no Assentamento M onte Alegre chamou a atenção o intercâmbio que é feito entre a escola indígena e a escola rural. Piauí Sem informações Piripiri Estão passando por processo de reconhecimento. Laços de solidariedade. Apoio político. M aranhão Awá, Guajá, Guajajara, Região Sul, Laços de solidariedade. Apoio político. Kanela, Krikati, Timbira (Gavião) Índios Guajajara Macrozona Durante o campo, índios guajajara bloquearam a ferrovia Carajás, sob administração da Companhia Vale do étnica de Rio Doce. Reivindicavam acesso à Alcântara políticas de saúde. CRQs Chamou muita atenção a questão dos povos tradicionais [19], onde ser CRQ não inviabiliza o reconhecimento de alguns enquanto índio (questão específica a ser trabalhada em ensaio específico). Já na primeira entrevista do campo, o conflito se tornou latente. No Sul da Bahia, no município de Porto Seguro, propriedades privadas foram descobertas no interior do território dos índios Pataxó, paralisando em 1982, o processo demarcatório. Entre as propriedades identificadas, está o Assentamento Terra Nova, consolidado há 12 anos. Várias questões chamam atenção no episódio. As 31 famílias, cerca de 200 pessoas, que hoje residem neste assentamento já passaram por um processo de conquista e perda da terra. Elas vieram do Assentamento 12 de Maio, que após 10 anos de consolidação foi desfeito por estar dentro da mesma terra indígena (TI). Ou seja, são mais de 20 anos de fluxos de acesso e perda da terra, gerando inseguranças e * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

13 prejuízos. Tiveram suas benfeitorias indenizadas a baixos presos e, em função do não pagamento dos créditos de acesso a produção, estão até hoje com os nomes no SPC (serviço de proteção ao Crédito). Há cerca de dois anos, os índios pataxó ocuparam a entrada do Assentamento, quando os assentados descobriram que a nova área também está inserida na TI. Em função de todo esse fluxo de acesso/perda a terra, estão sem acesso a novas linhas de crédito, como reforma para habitação e produção e demandam o reconhecimento de sua especificidade. Os Índios Pataxó, bem como as outras etnias da região que mantiveram relações interétnicas intensas durante o longo processo histórico de contato e perseguição (PACHECO, 2004), vivem uma história de sobrevivência e luta pelo território, na região sul e litoral sul da Bahia, entre os municípios de Porto Seguro, Cabrália, Prado, Itabuna, Itaju do Colônia e Pau Brasil. Os índios do Sul da Bahia foram aldeados durante três períodos históricos: o período colonial do século XVI até 1822; o períódo de etnogénese do Estado-Nação brasileiro o século XIX; e parte do período moderno desde os anos 1920 até Em 1998 havia dezesseis aldeias indígenas no sul da Bahia, que resultaram de uma multiplicação de três aldeamentos fundadores : Olivença, Barra Velha e Caramuru-Paraguaçu. Cada um destes aldeamentos fundadores é identificado, respectivamente, pelos três grupos étnicos mais representativos na região: os Tupi para Olivença, os Pataxó para Barra Velha e os Pataxó Hã Hã Hãe para Caramuru-Paraguaçu [20]. Até o fim do ciclo da mineração, esta região que era considerada zona tampão destinada a impedir o livre acesso às regiões auríferas, garantindo um espaço de refúgio aos índios, tornou-se zona livre de contato, especialmente com a introdução da cultura do cacau na região, e o fim da política de aldeamentos, em 1877 [21]. Em 1926, o Estado da Bahia, sob intermédio da atuação do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), destinou 50 léguas de terras aos índios. No período imediatamente posterior, até à década de 1970, a situação dos aldeamentos e condições de habitação dos índios do sul da Bahia reverteu-se: os Pataxó e Pataxó Hã Hã Hãe que viviam nas áreas indígenas de Barra Velha e Caramuru-Paraguaçu foram perseguidos, expulsos e exterminados. Ataques militares provocaram a morte de muitos índios e a fuga dos demais, à frente deles o sertanista do SPI. Os Pataxós e demais índios se esparramaram pelo Brasil, alguns foram se instalar no Paraná. Os fazendeiros rapidamente se apossaram daquelas terras, recebendo do Estado Títulos de doação das terras, cerca de hectares. Até que, aos poucos grupos de diversas partes do país foram retornando. A retomada da primeira aldeia, onde era exatamente o Posto Indígena Caramuru, foi feita por volta de No caso do Pataxó Hã Hã Hãe, em 1982 a Funai entrou com uma ação requisitando a anulação dos títulos dos fazendeiros invasores, por obstruírem o processo demarcatório da terra indígena Caramuru- Paraguaçu. A ação civil originária, nº 312, chegou ao STF no mesmo ano (30 de setembro de 1982) e desde * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

14 então, a cada estratégia jurídica de argumentação (pedido de complementação de perícia, impugnação da perícia, suspensão da prévia demarcação administrativa e suspensão do julgamento pelo argumento da mutatio libellis) o processo estagna [22]. E a intensidade dos conflitos aumenta, perseguições, ameaças e assassinatos. Hoje os índios Pataxó estão distribuídos em 9 aldeias pela região. Seus territórios estão sobrepostos, além da propriedade privada e dos assentamentos, também pelas áreas de preservação ambiental, histórica e patrimonial. Em Barra Velha, local do conflito identificado, estão inseridos num território que se sobrepõe em 31% do Parque Nacional Histórico e Nacional do M onte Pascoal, 47% do M useu Aberto do Descobrimento, 3% da APA de Caraíva/ Trancoso (ISA, 2010). De fato, este descompasso entre as ações do INCRA e da FUNAI, coloca camponeses e indígenas disputando um território entre si. As subjetividades de cada um dos grupamentos constrói um discurso de legitimidade sob a área e chama a atenção aos níveis de responsabilidade de cada um dos órgãos. Em especial do INCRA, que promove assentamentos em áreas que estão sendo utilizadas para regularização das terras indígenas. Aliáis, esse procedimento do INCRA tem se repetido em relação agora as comunidades remanescentes de quilombo. Segundo Paula Corvo, antropóloga da SR do INCRA, é uma guerra interna no órgão fazer o quadro funcional compreender que são grupos sociais diferenciados. O fato é que segundo antropólogos, a região nordeste é marcada pela sobreposição de territórios de Assentamentos da Reforma Agrária e Terras Indígenas [23]. Nesse sentido, a revisão histórica da constituição do território do sul da Bahia ajudou a compreender a situação, conforme brevemente relatado acima; demonstrando como a falta de ações interinstitucionais parece favorecer um outro grupo de sujeitos interessados nas terras (que, no início da cadeia dominial as receberam através de doação do estado), que quando começam a ver suas terras serem ameaçadas pela demarcação do território indígena, procuram o INCRA para realizar a venda de sua área e deixar o problema para o órgão. Nesse sentido, o poder judiciário tem sido provocado a refletir sobre especificidades culturais, onde a garantia do território, torna-se o carro chefe para o acesso aos demais direitos. No entanto, resta saber se a judicialização das políticas públicas, serve ou não ao ideário do republicanismo, uma vez que se propõe entre as finalidades do poder judiciário a promoção da justiça e da paz social. Importa compreender a atuação jurisdicional para indagar até que ponto o sistema jurídico nacional reconheceu e oficializou os sistemas jurídicos diferentes, obedecendo a determinação do art.231 da Constituição Federal de 1988, que garante aos índios o direito a sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições. O desafio para a construção do Estado Plurinacional passa necessariamente pelo reconhecimento dos territórios dos povos, com a vigência e a coexistência de sistemas jurídicos, com categorias, normas e critérios de valoração (nas formas de resolução dos conflitos e nas concepções de justiça) diferenciados e em interação, no mesmo espaço e tempo. Portanto, numa perspectiva de construir efetividade à garantia constitucional de reafirmação da * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

15 diferença enquanto mecanismo que amplia a igualdade (ROSENFELD, 2003), se torna necessário que o Estado dispa-se de uma posição de neutralidade e incentive políticas de valorização da diferença, inclusive com a criação de medidas no campo da administração da justiça [24]. BIBLIOGRAFIA BÁSICA BRYSK, Alison. From Tribal Village to Global Village. Indian Rights and International Relations in Latin América. Stanford / California: Stanford University Press, 2000, apud LIM A, Antonio Carlos de Souza e BARROSO- HOFFM AN, M aria. Notas sobre os Antecedentes Históricos das Idéias de Etnodesenvolvimento e de Acesso de Indígenas ao Ensino S uperior no Brasil, disponível em /Texto_Etnodesenvolvimento_e_Ensino_Superior_Indigenas.pdf., visitado em 13 de Janeiro de CASTRO-GÓM EZ, Santiago. Ciências Sociais, Violência Epistêmica e o problema da invenção do outro, In LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber Eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, CANCLINI, N. G. Culturas híbridas, estratégicas para entrar e sair da modernidade. São Paulo: EDUSP, CITTADINO, Gisele. Invisibilidade, Estado de Direito e Política de Reconhecimento, In: M AIA, Antonio Cavalcante; e outros. Perspectivas Atuais da Filosofia do Direito. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Júris, GEERTZ, Clifford. I Parte: Por uma descrição densa, in A interpretação das culturas. RJ: Ed.Guanabara Koogan SA, GINZBURG, Carlo. Mitos, Emblemas, S inais. Morfologia e História. Trad. Frederico Carotti. 1ª reimpressão. Rio de Janeiro, Companhia Das Letras: GUEERTZ, Clifford. O saber local. Novos ensaios de antropologia interpretativa. Petrópolis/ RJ: Vozes, HALL, Stuart. Da Diáspora. Identidades e M ediações Culturais. Belo Horizonte: Editora da UFM G; Brasília: Representação da UNESCO no Brasil, HISSA, Cássio Eduardo Viana. A mobilidade das fronteiras: Inserções da geografia na crise da modernidade. Parte 2: M odernidades e pós-modernidades. História e Ciência. Belo Horizonte: Editora UFMG, ISA (Instituto Sócio-Ambiental) Enciclopédia dos Povos Indígenas, disponível em, visitada em 01/08/08. IZAGUIRRE, Inés. Alguns ejes teórico-metológicos en le estudio del conflicto social, In José Seoane (Org.). Movimentos S ociales y Conflicto en América Latina. 1ª Edição. Buenos Aires: Clacso, KYM LICKA, Will Ciudadanía multicultural. Una teoría liberal de los derechos de las minorias (mimeo) LACERDA, Rosane Freire. Diferença não é incapacidade: gênese e rajetória histórica da concepção da incapacidade indígena e sua insustentabilidade nos marcos do protagonismo dos povos indígenas e do contexto constitucional de Dissertação aprovada no Programa de Pós-Gaduação em Direito. * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

16 Brasília, UnB, MALINOWSKI, Bronislaw. Crime e Costume na sociedade selvagem. São Paulo: ed. UnB, M ARRAM AO, Giacomo. Dall ordine hobbesiano al cosmopolitismo della differenza (cap. 9); Civitas. Europa delle nazioni ed Europa delle città (cap.10); In, La passione del presente. Breve lessico della modernità-mondo. Bollati Boringhieri: Torino, 2008 M ARSHALL, T.H. Cidadania, Classe S ocial e S atatus. Rio de Janeiro: Zahar Editores, M OREIRA, Erika M acedo. A criminalização dos Trabalhadores Rurais no Polígono da M aconha. Niterói: PPGSD, Dissertação. MOORE, S. F. Law as process: an antropological approach. London, Routledge, OLIVEIRA, Roberto Cardoso de. O trabalho do antropólogo. Brasília: Paralelo 15; São Paulo: Editora Unesp, OLIVEIRA, L. R. C. de. Direito Legal e Insulto moral: dilemas da cidadania no Brasil, Quebec e EUA. Rio de Janeiro: Relume Dumará, PEREZ, C.A.M. e outros. A construção de instrumentos de pesquisa para a documentação do SPI e a busca de novas formas de acesso e diálogo, disponível em /peres_2002.pdf, visitado em 13 de Janeiro de PACHECO DE OLIVEIRA, João. A viagem de volta: etnicidade, política e reelaboração cultural. Rio de Janeiro: Contra Capa/ LACED, PACHECO DE OLIVEIRA, João e FREIRE, Carlos Augusto da Rocha. A presença Indígena na Formação do Brasil. Brasília, UNESCO/ SECAD, PACHECO DE OLIVEIRA, João. Contexto e Horizonte Ideológico: reflexões sobre o Estatuto do Índio, In S.C. (orgs). Sociedades Indígenas e o Direito. Uma questão de Direitos Humanos. Ensaios. Florianópolis: UFSC/ CNPq, RANDERIA, Shalini. Pluralismo jurídico, Soberania fraturada e direitos de Cidadania Diferenciais: instituições internacionais, movimentos sociais e stado pós-colonial, in SANTOS, Boaventura de Souza. Reconhecer para libertar. Os caminhos do cosmopolitismo multicultural. Rio de janeiro, Civilização Brasileira, RANGEL, M ércia Rejane. De Caboclos do Assunção à índios Truká. RJ: UFRJ/ M useu Nacional, Dissertação defendida no Programa de Pósgraduação em Antropologia Social. ROSENFELD, Michel. Identidade do Sujeito Constitucional. Belo Horizonte, Ed. Mandamentos,2003. ROULAND, Norber. Nos confins do direito. Trad M aria Ermantina de Almeida Prado Galvão. São Paulo: M artins Fontes, SAID, Edward W. Orientalismo: o Oriente como invenção do ocidente. São Paulo: Companhia das Letras, BOTERO, Esther Sánchez. Justicia Multiculturalismo y Pluralismo Jurídico. Primer Congreso Latinoamericano Justicia y Sociedad. Universidad Nacional de Colômbia (mimeo) SANTOS, Boaventura de Souza e outros (Org.). El caledoscopio de las justicias en Colombia. Analisis socio-juridico. Bogotá: Siglo del Hombre editores, * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

17 SANTOS, Boaventura de Souza. Do pós-moderno ao pós-colonial. Abertura da Conferência Luso Brasileira, 2004, In visitado em 04/02/06. SANTOS, Boaventura de Souza; M ENESES, M aria Paula G. de; NUNES, João Arriscado. Introdução: para ampliar o cânone de ciência: a diversidade epistemológica do mundo, In SANTOS, Boaventura de Souza. Semear outras soluções. Os caminhos da biodiversidade e dos conhecimentos rivais. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, SANTOS, Wanderley Guilherme dos. Cidadania e Justiça: a política social na ordem brasileira. Rio de Janeiro: Campus, SCHETTINO, M arco Paulo Fróes. Áreas etnográficas: proposta de reestruturação do Deparatamento de Identificação e Delimitação da FUNAI com base na atuação em áreas etnográficas, apud LIM A, A.C.S. E BARRETO FILHO, Henyo Trindade. Antropologia e Identificação: os antropólogos e a identificação das terras indígenas no Brasil Rio de Janeiro: Contra capa, SIMMEL, Georg. El âmbito de la sociologia, In Simmel, Georg. El Individuo y La Libertad. Ensayos de crítica de la cultura. Traduccción y prólogo de Salvador Mas. Barcelona, Ediciones Península: TAYLOR, Charles. A política do reconhecimento, In: TAYLOR, C. Argumentos filosóficos. São Paulo: Loyola, TODOROV, Tzvetan. A conquista da América. A questão do outro. SãoPaulo: Martins Fontes, [1] Importa esclarecer que o presente ensaio funciona como roteiro para o desenvolvimento da tese, considerando que o mapeamento das ações judiciais envolvendo direitos indígenas, no âmbito do STF, STJ, TRF1 e TJ/M S, iniciará nesse 1º semestre de Tendo em vista que um dos objetivos da tese é classificar os tipos de relação que se estabelecem entre o sistema jurídico nacional e os sistemas normativos indígenas, identificando os tipos de demanda, os interesses, as autorias e os conflitos entre direitos fundamentais individuais e o princípio da diversidade cultural. [2] Importa salientar que a elaboração deste, decorre da realização das atividades de campo, no âmbito da pesquisa Educação Jurídica, Questão Agrária e Ações Afirmativas: a experiência da turma especial em direito para Beneficiários da Reforma Agrária e Agricultura Familiar, financiada pelo CNPq. E que nesta etapa, desenvolvida nos meses de janeiro e fevereiro de 2010, cuidou dos estudantes da região nordeste, localizados nos municípios do interior dos seguintes Estados: Bahia (Itamaraju, Paramirim e Feira de Santana), Sergipe (Estância e Lagarto), Pernambuco (Santa M aria da Boa Vista), Rio Grande do Norte (Bento Fernandes), Ceará (Ibaretama,Tamboril e Crateus), Piauí (Curralinhos) e M aranhão (Alcântara e Açailândia). As capitais (Salvador, Aracaju, Recife, Natal, Fortaleza, Teresina e São Luiz do M aranhão) também foram visitadas em função de concentrarem, os lugares para a prática do estágio curricular, durante o tempo comunidade dos estudantes da turma, e a secretaria estadual dos movimentos sociais que compõem a turma especial em direito (M ovimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - M ST, Comissão Pastoral da * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

18 Terra - CPT, Confederação dos Trabalhadores Rurais - CONTAG, M ovimento dos Atingidos pela Base Espacial - MABE). [3] Oliveira (1992:27) chama atenção para três dimensões: a) o contexto cultural abrangente, que traz à tona o significado geral das coisas dentro de um universo específico simbolicamente pré-estruturado; b) o contexto situacional, que tematiza o significado das ações no âmbito de situações e eventos típico-ideiais; e c) o contexto do caso específico, que focaliza a adequação dos significados equacionados nas duas primeiras dimensões contextuais para a interpretação/entendimento de uma disputa particular. [4] M étodo de trabalho que vem sendo desenvolvida na identificação e análise dos conflitos sociais, entendendo que a disputa (judicial ou não) é apenas uma das dimensões do conflito. Através da construção de mapas, os sujeitos vão identificando suas demandas por território, incorporando suas histórias, suas experiências, suas formas de trabalho, de sociabilidades, etc. Sobre o método, verificar a experiência do projeto Nova Cartografia Social dos Povos e Comunidades Tradicionais do Brasil (desenvolvido pelo PPGSCA/ UFAM fundação Ford/ M M A/ M DS), disponível em visitado em 01/04/2010. [5] Nesse sentido, Daniel S. Simão (2005), chama atenção para a análise da atuação dos diferentes atores sociais, na busca pela interpretação dos sentidos da justiça, diante da invenção da Violência Doméstica no Timor Leste, onde a vigência do pluralismo jurídico existe de fato, mesmo que não reconhecido oficialmente. [6] Para Santos (2005) as ordens jurídicas são definidas de acordo com os espaços sociais: espaço doméstico, espaço da produção, espaço do mercado, espaço da comunidade, espaço da cidadania e espaço mundial. [7] Através das políticas assimilacionistas esperava-se que o outro abandonasse sua cultura distintiva e fosse gradualmente incorporando a cultura. Já a teoria do mosaico étnico, buscava a integração das minorias culturais sem justaposição. A teoria do melting-pot apregoava que todos tinham espaço, mesmo não se integrando, cf. Kymlicka, [8] Para uma melhor compreensão sobre o tema, ver Oliveira, [9] Nesse sentido, Kymlicka (1996:29) chama atenção para a diferença que se estabelece entre patriotismo, enquanto sentimento de lealdade a um Estado, e identidade nacional, enquanto elemento de pertença a um grupo nacional. A lealdade se estabelece na medida em que o Estado reconhece e respeita a existência do grupo enquanto diferente. [10] No artigo 8º, a Convenção 169 determina que ao aplicar a legislação nacional aos povos interessados deverão ser levados na devida consideração seus costumes ou seu direito consuetudinário. Esses povos deverão ter o direito de conservar seus costumes e instituições próprias, desde que eles não sejam incompatíveis com os direitos fundamentais definidos pelo sistema jurídico nacional nem com os direitos humanos internacionalmente reconhecidos. Sempre que for necessário, deverão ser estabelecidos procedimentos para se solucionar os conflitos que possam surgir na aplicação deste princípio. * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

19 [11] Expressão utilizada por Wanderley Guilherme dos Santos para fazer menção ao status de cidadão atribuído à todos aqueles que correspondessem as ocupações estabelecidas na lei. Assim, a carteira de trabalho, tornou-se o instrumento cívico para o cidadão regulado. [12] Para Murilo de Carvalho, os direitos sociais de cidadania não foram resultados da luta política dos movimentos sociais organizados. Era antes o resultado da benevolência do Estado. [13] A única experiência de educação jurídica para Camponeses está em andamento na Universidade Federal de Goiás/ Campus Cidade de Goiás. É objeto de ação civil pública, que está em trâmite no TRF1ª região. Nesse primeiro semestre de 2010, iniciam o 6º período do curso. Importante esclarecer que para o grupo de pesquisa, a legalidade e a legitimidade desta ação afirmativa é pressuposto do trabalho. A vivência de campo só confirmou que sem as ações do PRONERA o camponês não tem acesso a educação superior. [14] Em função disso, infelizmente, neste ensaio, não tive condições de trazer algumas transcrições, como inicialmente havia planejado. [15] A política de reforma agrária é destinada ao brasileiro genérico que busca o exercício dos direitos individuais ou coletivos da cidadania (quando organizados em movimentos sociais na luta pela terra), e, voltada para a produção familiar. Os índigenas e quilombolas representam a dimensão étnica de uma identidade minoritária, que busca a manutenção de seu território, cultura e religiosidade, pautados especialmente pela ancestralidade e uma cosmovisão própria. [16] [17] Cf. informações oficiais, disponíveis no sítio idem [18] Sobre a situação dos índios Truká, no município de Cabrobó e Atikum, no município de Salgueiro, ver MOREIRA, [19] A situação das CRQs de Alcântara merece um trabalho específico. Aqui, vale apenas registrar a imoralidade da situação da base espacial, que segundo o Governo Brasileiro seria uma questão fundamental de desenvolvimento e interesse público, mas que os contratos de cessão demonstram que o território está sendo utilizado enquanto área de aluguel para outros países lançarem satélites e foguetes. [20] [21] Cf. VIEGAS, Cf. PERES e outros, 2010 [22] Cf. informações extraídas do M emorial da Comunidade Indígena Pataxó Hã Hã Hãe, apresentado pelos advogados do CIM I e assistentes da FUNAI na ação Civel originária ACO 312 e do acompanhamento processual no sítio do STF. [23] Cf. SCHETTINO (2005:172), a área etnográfica que abrange as etnias do nordeste é composta pelos estados de Alagoas, Ceará. Paraíba, Pernambuco, Sergipe e parte da Bahia. No caso dos povos do Sul da Bahia, como os Pataxó, eles estão inseridos na área etnográfica que abarca M inas e Bahia. [24] Nesse sentido, vale destacar as experiências latino-americanas que ampliaram os sentidos da * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

20 equidade, efetivando Estados Plurinacionais, através da demarcação dos territórios indígenas, do reconhecimento da autonomia dos povos indígenas na sua reprodução cultural e suas formas internas de resolução de conflitos (jurisdição especial indígena). Não posso deixar de fazer menção a Bolívia que tem conseguido avançar na reestruturação do seu sistema jurídico nacional, prevendo inclusive a eleição direta de juízes da Corte Constitucional, sendo certa a representação indígena. * Trabalho publicado nos Anais do XIX Encontro Nacional do CONPEDI realizado em Fortaleza - CE nos dias 09, 10, 11 e 12 de Junho de

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