SEMANÁRIO NACIONAL OPERÁRIO E SOCIALISTA CAUSA OPERÁRIA

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1 SEMANÁRIO NACIONAL OPERÁRIO E SOCIALISTA CAUSA OPERÁRIA FUNDADO EM JUNHO DE 1979 ANO XXX Nº 491 DE 20 A 26 DE JULHO DE 2008 R$ 3,00 CORRUPÇÃO, IMPUNIDADE, ABUSO: PARA OS RICOS TUDO, PARA OS POBRES REPRESSÃO TOTAL ARBITRARIEDADE O atual grau de decomposição do Estado encontra sua contrapartida na tendência a um ascenso da classe operária, que se expressa nos cada vez mais freqüentes atritos entre a população das cidades e as instituições do regime. O número de vezes em que a população trabalhadora e das zonas rurais se enfrentou e foi vencida pela polícia e o Judiciário brasileiro no último ano cresceu espantosamente. A raiz das diversas manifestações espontâneas da classe operária está no crescimento da inflação, impulsionado pela política econômica do governo Lula. Uma série de acontecimentos revela o funcionamento do regime político da burguesia e o aumento da repressão dirigida contra a classe operária, os trabalhadores do campo, as mulheres, os negros e o movimento estudantil, em resumo contra todos os explorados como um sinal claro do agravamento da resistência de todos estes setores ao duro regime de confisco de todo o país pelo grande capital. Enquanto nenhum membro das agências governamentais, ou da direção das empresas aéreas foi punido, quem pagará pela crise são os controladores de vôo. A arbitrariedade do regime político também se expressou de forma contundente na ação das polícias militares por todo o País. A burguesia atua cuidadosamente para acobertar seus negócios contra a população. CORREIOS Proposta indecente Na última semana, a ECT protocolou nova proposta no TST. Repete novamente o golpe de empurrar para daqui a três meses o problema da incorporação do abono para toda a categoria. Na proposta, o TST se compromete somente que nesse período será negociada a incorporação do Adicional de Risco de 30%, ou seja, nada. Todo mundo sabe que, sem greve, vão esquecer que existem 100 mil trabalhadores na ECT, como já fizeram antes. Páginas 10 e 11 EM CAMPANHA Ecetistas em Luta toma medidas para pressionar o governo Páginas 10 e 11 APEOESP Para que serve a central do PSTU Em toda esta encenação, destacase o papel desempenhado pelo PSTU, o maior avalista da conduta reacionária da política do PT à frente do Sindicato. A greve foi enterrada nos dias em que se realizavam o Congresso da Conlutas, onde dirigentes sindicais do PSTU, dos professores e de outras categorias encenavam o papel de oposição à direção da CUT, ao governo Lula etc. Página 10 PETROLEIROS - PÁG 10 Cinco dias de greve na Bacia de Campos UMA REVOLUÇÃO ARTÍSTICA EM PARTE III A transformação da música, da ópera e do balé no período da Revolução Russa Página 20 COLAPSO FINANCEIRO Mais de 150 bancos à beira da falência nos Estados Unidos No Brasil: Inflação oficial já é de 6,48% HISTÓRIA: O PODER NEGRO Os Diáconos pela Defesa e Justiça Um grupo de homens negros veteranos de guerra organizam uma resistência armada contra os ataques da Ku Klux Klan no Sul dos EUA. Embora estejam completamente banidos da historiografia da luta pelos direitos civis CONGRESSO NACIONAL Bancada feminina x perseguição às mulheres Hoje a Bancada Feminina, que possui estatuto, metas e prioridades, é composta por 46 deputadas e 11 senadoras, perfazendo 9% do Congresso Nacional. Talvez a menor representatividade do mundo. Num período em que as mulheres estão sofrendo com uma campanha contra seus direitos, mesmo os mais democráticos, destacam-se os ataques aos direitos sexuais: penalização da prática do aborto, mulheres perseguidas em Mato Grosso do Sul e milhares de outrsa pelo Brasil. Diante de tudo isso, pouco ou nada se viu em defesa das mulheres vindo dessa bancada. Página 13 nos EUA, os Diáconos romperam com a ideologia liberal da não-violência defendida pelos grupos institucionais e levantaram todo o cinturão negro dos estados sulistas contra a estrutura do poder branco. Página ANOS Entrevista com Karl Marx, o fundador do socialismo moderno A entrevista com Karl Marx que aparece nesta edição foi publicada pela primeira vez no jornal norte-americano The Chicago Tribune, em dezembro de 1878, a 130 anos atrás. Tendo permanecido inédita até recentemente quando foi descoberta por um pesquisador norte-americano. No momento da entrevista, Marx tem 70 anos de idade. Página 16 USP Reitoria persegue de forma sorrateira os estudantes Em mais uma demonstração de sua covardia, a reitoria da USP entra na Justiça durante as férias para que entidades paguem cerca de 345 mil reais pela ocupação. A tentativa é intimidar o amplo movimento dos estudantes que se levantou contra a destruição da universidade pública. Página 15 Os modernistas Igor Stravinski, Dimitri Shostakovitch e Sergei Prokofiev ARGENTINA Até tu, Cobos? O principal aliado do governo, o vice-presidente e líder no Senado, Julio Cobos, desempatou a votação sobre o aumento de impostos sobre a exportação agrícola e recebeu todo o peso da crise em suas costas. Embora seja maioria na Câmara e no Senado, por que o governo não conseguiu se garantir? Página 19 PRISÕES E TORTURA A democracia de Bush Quando o mundo se escandalizou com as imagens de tortura e abusos em Abu Ghraib pelos soldados norte-americanos, foi revelado sem nenhuma maquiagem o verdadeiro funcionamento da democracia. O governo dos EUA coordena um programa internacional de torturas aos seus prisioneiros que nenhum próximo governo pode dissolver. Página 19 FIM DA LINHA O Tet afegão Ataque surpresa contra uma base militar expulsou soldados norte-americanos e afegãos. Ao menos nove soldados foram mortos e a resistência só recuou com a chegada dos aviões da coalizão. Página 18 TAMBÉM NESTA EDIÇÃO: Petróleo e armas: qual o interesse por trás da campanha contra o genocídio em Darfur?

2 20 DE JULHO DE 2008 CAUSA OPERÁRIA ATIVIDADES 2 Campanha ASSINE O JORNAL CAUSA OPERÁRIA Fortaleça a imprensa operária e socialista No último período, a população e, principalmente, aqueles que atuam na luta organizada da classe trabalhadora, dos camponeses e dos estudantes, teve uma importante experiência com a imprensa capitalista. Esta, a todo o momento trabalha para dissimular a realidade ou simplesmente mentir cínica e descaradamente organizando verdadeiras campanhas na defesa dos interesses do governo e dos setores mais reacionários da sociedade. A necessidade de falsificar a realidade, porém, é proporcional ao tamanho da crise do regime capitalista que não consegue mais simplesmente esconder a realidade, sendo necessário falsificá-la na medida em que ela se dirige e se organiza cada vez mais contra o governo e o regime sob a intervenção da classe trabalhadora. Nesse sentido faz-se necessário uma maior divulgação das idéias próprias dos trabalhadores e do fortalecimento de sua imprensa independente. Os próprios trabalhadores, a juventude operária e estudantil devem manifestar seu apoio através do sustento material dessa imprensa, uma vez que a independência política da classe operária só pode vir com a independência financeira e em todos os sentidos em relação à burguesia. Por isso, o PCO está realizando uma campanha de assinaturas do jornal Causa Operária, com o objetivo de fortalecer a divulgação do jornal que existe há quase 30 anos, sempre na defesa da classe trabalhadora. Envie já o seu pedido Preencha a ficha no final da página e envie seu pedido para a Sede Nacional do PCO à Rua Apotribu, 111, Saúde. CEP , São Paulo, SP; ou, se preferir, entre em contato pelo telefone (11) , ou por ELEIÇÕES 2008 Acompanhe a intervenção do PCO nas eleições municipais na Internet As entrevistas, discursos e declarações dadas pelos candidatos do PCO às eleições mu- data à prefeitura de São Paulo, respondeu por escrito a questões do jornal O Estado de S. Paulo sobre os transportes na dade, e apresentou as principais propostas do partido. Outras entrevistas dadas neste início de campanha ainda serão publicadas. Cartas XXII ACAMPAMENTO DE FÉRIAS DA AJR Acompanhe o curso de formação política do PCO nestas férias pela Internet A Internacional Fiquei surpreso e ao mesmo tempo emocionado ao ouvir A Internacional, o hino esquecido nos demais sites ditos de esquerda ou "comunistas". Vocês, camaradas, estão com a verdade diferente d'"a verdade" dos estalinistas do PCR, quando conhecem a importância e o papel do grande revolucionário Trótski, mas devemos desmascarar também a falsificação da história soviética tanto pelo Stalin como por seus seguidores, que ainda nutrem ilusão em torno dessa figura execrável. Abraços, camaradas, do leitor Vicente. Vicente Dória Recife - PE O curso de formação teórica marxista sobre a vida e a obra de Karl Marx é a atividade central do XXII Acampamento de Férias da Aliança da Juventude Revolucionária que se inicia no próximo sábado, 26 de julho, em Ibiúna no interior de S. Paulo. As aulas ministradas pelo companheiro Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO, estarão disponíveis em áudio pela Internet, bem como as perguntas dos participantes e o debate realizado durante toda a exposição. A íntegra do material estará disponível logo após a conclusão do curso, no próximo dia 3 de agosto. Uma importante atividade de formação política O curso tem por objetivo servir de base para um estudo aprofundado da obra da Karl Marx, introduzindo os conceitos e temas Greve dos Correios Muito se tem falado na greve dos Correios e se dá muita ênfase ao Carteiro, não que eu tenha alguma coisa contra a greve, pelo contrário sou a favor, sou ex-sindicalista, ajudei a fundar o sindicato dos Correios aqui de Rondônia (Sintect-RO), só que ninguem fala é do já extinto Operador Telegráfico, que passou a Op. de Telecomunicações, que só ganha o salário, anuênio e IGQP, enquanto todas as outras categorias ganham da ECT todo apoio no novo PCCS. Nós que ainda restamos podemos virar Auxiliar de Serviços Gerais, ou seja, vão resussitar o ASP, não vejo nenhuma luta a favor da classe que a ECT traz junto ao nome da empresa (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos). Somos poucos e mesmo assim ignorados por todos os fundamentais em um ambiente de lazer e convivência socialista, com muito companheirismo e trabalho coletivo. As aulas serão publicadas ao longo do curso, na medida em que forem realizadas, dando a possibilidade aos que ouvirem pela Internet de participar também, enviando suas perguntas e dúvidas por para serem debatidas durante o curso. Acesse o portal do PCO na Internet e ouça o curso na íntegra. seguimentos, seja o sindicato ou a federação. Poderia ser visto também o pessoal da área administrativa, que ninguém fala o que vai acontecer que deverá ser no futuro, ASA ou ASP. Sugestão: para sair vitorioso nesta greve, poderia propor ao TST que desse a liberdade de propor um ministro para atender o caso, pois o que sempre atende é alguém que puxa para o lado da ECT, porque não lutar por uma Justiça imparcial para os trabalhadores, pois o TST no momento deveria ser chamado de TSE (Tribunal Superior das Empresas). Os dirigentes dos Correios em Brasília querem as greves apesar de dizer que não, para enfraquecerem a empresa para poder privatizar. Sebastião da Silva Costa Porto Velho - RO Lançamento das edições Causa Operária Aonde vai a esquerda pequeno-burguesa? nicipais estarão todas reproduzidas no portal do partido na Internet. Basta acessar o endereço eletrônico Na última semana, duas entrevistas já foram ao ar. A companheira Anaí Caproni, candi- capital paulista. O companheiro Pedro Paulo de Abreu Pinheiro, candidato do PCO à prefeitura de Belo Horizonte, Minas Gerais, respondeu à Folha de S. Paulo questões sobre a situação política da ci- Acompanhe, escreva também para o portal eletrônico do PCO para apresentar suas perguntas aos candidatos do partido, solicitar informações e participar da campanha. O folheto publicado neste mês pelo Partido da Causa Operária traz um balanço e a crítica da política da extremaesquerda que participa do empreendimento sindical dirigido pelo PSTU, a Conlutas. A publicação conta com 51 páginas e trata, em seus 17 tópicos, de temas como o porquê de a esquerda querer ocultar o debate sobre as questões políticas envolvidas na realização dos atos do 1º de maio, as falsas acusações dirigidas pelos trotskistas contra o PCO e o porquê de o stalinismo ter sido evocado no debate. o folheto esclarece ainda o sig- nificado do showmissa realizado em conjunto pela Conlutas e Psol e a Igreja Católica no 1º de maio da Praça da Sé, o sentido da política da Frente de Esquerda e o verdadeiro significado do Psol e da aliança com este partido. O debate a respeito de qual deve ser o programa revolucionário para a classe operária diante da crise política nacional, do governo de aliança do PT e PCdoB e das organizações sindicais e políticas dirigidas por este bloco com a burguesia adquiriram contornos definidos na realização dos atos de 1º de maio neste ano. A publicação do Partido da Causa Operária procura esclarecer as questões em torno ao oportunismo do governo de esquerda da frente popular, de aliança com a burguesia brasileira e o imperialismo e da sua ala esquerda oficial, agrupada em torno à Conlutas. Garanta já seu exemplar e participe do debate. Peça já o seu por telefone (11) ou escreva para Av. Miguel Stéfano, 349, Saúde, São Paulo SP, CEP FORTALEÇA A IMPRENSA SOCIALISTA E INDEPENDENTE Assine o jornal Causa Operária Nome Rua/Av Rua Av. jornal CAUSA OPERÁRIA CAMPANHA DE ASSINATURAS 2008 nº Complemento Distrito Preencha em letra de forma, de modo legível. Estado Bairro País Cidade CEP - Caixa Postal CEP - Fone (res.) ( ) - Fax ( ) - Fone(trab.)( ) - Celular ( ) Código do assinante CPF - RG - (obrigatório fornecer o CPF e o RG para pagamento por boleto bancário ou débito em conta) (não preencha este campo), / /, Local Data Assinatura do assinante OBSERVAÇÕES: Envie já o seu pedido Preencha a ficha de assinante nesta página e envie para o endereço abaixo, ou, se preferir, envie seu pedido pela internet, acesse o site: Sede Nacional do Partido da Causa Operária à Rua Apotribu, 111, Saúde. CEP , São Paulo, SP; entre em contato também pelo telefone (11) , ou por 1 ano de Causa Operária (50 exemplares) + acesso à edição digital de Causa Operária + um brinde especial por apenas: R$ 120,00 (20% de desconto à vista) ou 3 x R$ 50,00 Escreva para o Causa Operária O Causa Operária está baseado em um claro programa político e no marxismo e, por este motivo, esforça-se para ser uma tribuna das necessidades e dos anseios das massas exploradas de trabalhadores da cidade e do campo, dos negros, das mulheres e da juventude oprimida. Neste sentido, as páginas do nosso jornal estão abertas para que qualquer trabalhador faça dele um veículo das suas denúncias contra a exploração e opressão de qualquer setor da sociedade. Convidamos, ainda, nossos leitores a fazer desta página um espaço para discussão das idéias relacionadas a esta luta que julguem importante. CAUSA OPERÁRIA Fundado em junho de 1979 Semanário de circulação nacional Ano XXX - nº R$3,00 de 20 a 26 de julho de 2008 Editor - Rui Costa Pimenta - Tiragem - seis mil exemplares - Redação - Av. Miguel Stéfano nº 349, Saúde, São Paulo, Capital, CEP Telefone (11) Sede Nacional - São Paulo - Av Miguel Stéfano, nº 349, Saúde, São Paulo, Capital, CEP , Fone (11) Correspondência - Todas as cartas, pedidos de assinaturas ou de informações sobra as publicações Causa Operária devem ser enviadas para a redação ou para o endereço eletrônico - página na internet -

3 20 DE JULHO DE 2008 CAUSA OPERÁRIA 3 Editoriais Lutar contra o flagelo mundial da fome Uma das principais conseqüências da crise financeira e do aumento desenfreado da inflação com a elevação dos preços dos alimentos é o crescimento sem parâ metro da miséria e da fome em todo o mundo. O aumento dos alimentos nos últimos meses já fizeram com que pesquisas burguesas estimassem em pelo menos mais 100 milhões de pessoas ingressando na linha da pobreza no próximo período. Somente na América Latina seriam 47 milhões de pessoas à beira da fome. E alguns países da África chegam a ter 70% da população em estado de miséria. A situação atual de fome e miséria no mundo é suficientemente alarmante. São centenas de milhões de pessoas que vivem sem nenhuma condição de sobrevivência. Existem atualmente no mundo 815 milhões de pessoas passando fome em menor ou maior grau com grave desnutrição ou casos crônicos de falta de alimento que levam diretamente à morte ou então a casos de cegueira por deficiência de vitamina A ou a retardamento no desenvolvimento das células em bebês. Deste contingente de miseráveis, a maioria esmagadora, 777 milhões, está em países pobres como os da África, Índia, Oriente Médio e Brasil. Outros 27 milhões em países pouco desenvolvidos como a Rússia e 11 milhões nos países capitalistas desenvolvidos. Estima-se que, no mundo, uma pessoa morra de fome a cada 3,5 segundos. Em meio a esta verdadeira hecatombe social, os capitalistas, banqueiros e governos burgueses aumentam a exploração e o martírio do povo da maneira mais cínica possível. Um exemplo pode ser facilmente visto com a total atenção que é dispensada pelos Oadministrador de empresas, Luiz Carlos Soares da Cos ta, 35, vítima de um seqüestro relâmpago, foi morto na noite de segunda-feira (14) ao final de uma perseguição policial quando seu carro foi atingido por cerca de dez tiros disparados por policiais que teriam confundido o dono do veículo com um bandido. O assassinato aconteceu em menos de dez dias da morte do menino João Roberto Soares, de três anos, atingido por um tiro na nuca por policiais que supostamente perseguiam um bandido em outro veículo. Ambos os crimes foram gravados. O primeiro pela câmera de um prédio bem próximo ao local onde João Roberto foi morto. O segundo gravado pela rede de televisão SBT, na qual as imagens mostram os dois homens sendo retirados com violência de dentro do carro após a perseguição. Um policial chuta o braço de Costa, que ainda pode ser visto respirando. Não se sabe se o suposto ladrão era mesmo um ladrão. Para terminar, antes que a perícia chegasse, os policiais retiraram o carro do local. No hospital, ferido gravemente no tórax e no braço, os policiais aconselharam os médicos a não terem pressa com o atendimento porque eram bandidos. Ele acabou morrendo. Mais um assassinato sumário foi consumado. Acidente? Fatalidade? Despreparo? Não, essa é a forma de agir do Estado. Atirar primeiro e perguntar depois. governos com as empresas e bancos privados. Com a recente crise financeira os bancos e mega empresas que ficaram à beira da falência tiveram tratamento VIP. Em quase um ano de crise, iniciada em meados de agosto de 2007, os bancos centrais de diversos países deram aos capitalistas e banqueiros mais de US$ 3 trilhões para impedir a falência de meia dúzia de capitalistas. Somente em dezembro do ano passado, o Banco Central Europeu (BCE) colocou à disposição dos bancos US$ 500 bilhões. Em contrapartida, a ONU em sua cruzada demagógica contra a fome, pediu aos países capitalistas doações no valor total de US$ 500 milhões para conter a fome de quase um bilhão de pessoas. Uma vergonha frente ao enorme contingente de famintos em todo o mundo. No Brasil não poderia ser diferente. Enquanto a crise financeira avança no País, o governo federal comandado por Lula delira em torno de uma propaganda que diz que a economia brasileira é a mais forte do mundo. Uma das últimas paranóias apresentadas pelo presidente foi afirmar que se há falta de alimentos e alta nos preços é porque o povo pobre está comendo cada vez mais. É de um cinismo sem concorrência. O presidente finge ignorar o desemprego, o arrocho salarial, aumento dos impostos etc. para esconder que vive a serviço do capital estrangeiro e dos banqueiros nacionais e internacionais. Os responsáveis por esta crise são em primeiro lugar os governos burgueses que para satisfazer os desejos imperialistas transformam os países em verdadeiras sucatas, onde não há investimento algum na produção, não há emprego, não há serviços públicos básicos etc. Os trabalhadores e a população pobre precisam se organizar para combater esse verdadeiro massacre de centenas de milhões de pessoas. Estado policial contra os trabalhadores Otráfico de drogas e o seu combate é o principal pretexto da burguesia para armar a polícia até os dentes e colocála, assim como o exército, ostensivamente nas ruas para reprimir a população. A polícia foi reforçada e defendida de seus crimes, como os recentes assassinatos de uma criança de três anos, da vítima de um seqüestro, entre milhares de outros. Foi criada a Força Nacional de Segurança de Lula e o Exército ocupou as favelas cariocas. Tudo sob o pretexto do combate ao crime, tendo como centro o combate ao tráfico. Segundo o governo e imprensa capitalista este crime tem que ser duramente combatido. Mas que tipo de crime é esse? O tráfico é um comércio, como o que existe em todas as cidades do país. O que o distingue dos demais é o fato de ser um comércio ilegal, com produtos proibidos e contrabandeados: as drogas. A proibição das drogas, no entanto, tem uma base puramente moral, baseada na consideração de que faz mal para a pessoa que usa. Não causando nenhum prejuízo para a sociedade de um modo geral, nem para outras pessoas diretamente, mas apenas para a própria pessoa, se trata de uma questão de caráter privado e não deveria ser punido pela lei. Essa lei, como a que obriga o uso de cinto de segurança, e a virtual proibição do consumo de cigarros, é uma lei abusiva. A decisão sobre tais assuntos deveria ser tomada exclusivamente por cada um e não ser imposta pelo Estado, através de uma lei que pune supostamente em defesa da saúde e bem-estar de cada um. Este fato, no entanto, não é suficiente para uma lei. O açúcar pode causar obesidade, a bebida alcoólica pode causar tanto mal quanto as drogas ilegais, e como esses, diversos outros produtos causam mal à saúde. Mas não são proibidos, e nem deveriam ser. É preciso não confundir ser contra o uso com torná-lo ilegal, o que significa que a pessoa que consumir determinados produtos poderá O próprio secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, esclareceu com todas as palavras: A polícia agiu dentro do seu regulamento, inclusive após o incidente, dando auxílio. Os policiais foram à delegacia, onde entregaram suas armas para perícia (O Globo, 16/7/2008). Segundo o secretário de Segurança Pública, desta vez a polícia agiu corretamente ao assassinar uma pessoa. Para ele, a função da polícia é executar sumariamente qualquer um que julgue ser um bandido. O secretário parece esquecer-se dos direitos democráticos elementares dos cidadãos, de se defender, de ser julgado e até mesmo preso, porque no Brasil não há a pena de morte, mas os policiais a aplicam livre e arbitrariamente nas ruas das principais cidades do País. Recentemente, casos absurdos estão vindo à tona, como o assassinato pela polícia de um garoto de três anos e agora da própria vítima do seqüestro. Mas isto é o que acontece cotidianamente nas favelas e periferias das grandes cidades. Apesar da propaganda da direita, estas mortes não são de perigosos bandidos ou traficantes, até porque os que mais roubam, que retiram milhões do dinheiro público, não são sequer condenados. Os assassinatos são na sua esmagadora maioria, como mostram esses casos recentes, de pessoas comuns, jovens e trabalhadores. É uma verdadeira política de extermínio contra a população pobre do país. Porque é falso o combate ao tráfico de drogas Charge da semana ir presa ou sofrer algum tipo de punição. É a proibição que encarece as drogas ilegais, que impossibilitam uma assistência adequada aos usuários (que não deixam de existir porque é proibido) e, principalmente, é o único motivo para existir um comércio ilegal do produto, que sendo crime e sendo perseguido, requer dos seus comerciantes violência e cria toda uma rede de crimes em torno. Nesse sentido, o tráfico de drogas é um crime puramente artificial. É a proibição de um comércio por considerações morais. Dado o caráter ilegal da atividade e, portanto, perigoso, se torna uma fonte imensa de lucros. A única maneira de acabar com o tráfico seria, portanto, a descriminalização das drogas, já que na sociedade capitalista sempre vai haver alguém que se disponha aos maiores riscos por um negócio lucrativo. Por que o governo, supostamente tão interessado em combater o crime, não legaliza, então, as drogas? A resposta é evidente. Não se trata de maneira nenhuma preocupação com o bem-estar da população, mas ao contrário, preocupação com o bolso de grandes capitalistas e banqueiros que controlam o comércio ilegal das drogas. Até porque, a legalização permitiria um maior controle do usuário por parte do Estado, que poderia prestar assistência e não marginalizá-los. Proibidas as drogas, o tráfico se torna um dos três negócios mais lucrativos no mundo. Obviamente, os tubarões não pretendem desperdiçar esse filão. O fim do tráfico, neste contexto, está fora de questão. A incursão violenta da polícia, da FNS e do Exército na favela, bem como o surgimento das milícias paramilitares tem, portanto, como função, por um lado, uma disputa pelo controle do tráfico e por outro, a repressão da população trabalhadora das favelas, encoberta pelo suposto combate ao crime. A ciência refém da teologia RUI COSTA PIMENTA Aambição política da Igreja Católica é fornecer o que chamam de base moral para o Estado capitalista. A questão das pesquisas em células-tronco, onde um lobby dirigido pela Igreja Católica buscou impedir completamente este extraordinário avanço da ciência com uma fundamentação teológica mais apropriada para 800 anos atrás mostra com precisão como isso funciona: leis atreladas aos dogmas da Igreja Católica e às manias de outras seitas religiosas. Todo cidadão teria que viver, por força de lei, de acordo com os preconceitos anacrônicos, reacionários e contrarevolucionários de uma instituição ligada aos grandes capitalistas e ao imperialismo mundial. As ambições da teologia no século XXI, contudo, não se limitam à base jurídica do Estado, mas buscam governar também a ciência. A tentativa de proibição integral das pesquisas em células-tronco mostra que se busca dar uma base moral também à ciência. A experiência da humanidade com a ferocidade das Igrejas no decorrer dos séculos contra todo avanço da ciência mostra como isso se deu. A Igreja combateu todas as descobertas científicas que liquidaram a credibilidade dos mitos que defende como verdade divina. A astronomia derrubou as teorias geocêntricas, a geologia acabou com os mitos sobre a criação divina da terra, a biologia sobre a criação do homem e estas descobertas e muitas outras foram de modo encarniçado combatidas pelos que defenderam sempre que a ciência deve ter uma base moral, ou seja, não ser validada pelo critério da descoberta da verdade objetiva, mas pela sanção divina. Apesar de todo o falatório absurdo de que não há contradição entre o dogmatismo sobrenatural da religião e a ciência que trata do mundo objetivo, a história já deixou patente a completa incompatibilidade entre ambos. Durante o recente julgamento da Adin sobre a lei de biossegurança, muitos argumentaram que as pesquisas trariam enorme alívio para o sofrimento de milhares de doenças graves, o que é verdade. No entanto, a pesquisa científica não precisa provar para ninguém a sua utilidade. O conhecimento científico é um valor em si e não pode ser colocado sob a supervisão de seitas dogmáticas. Quando foi estabelecida a teoria da evolução das espécies, ninguém precisou ver qual a sua utilização prática para defendê-la dos fanáticos que, na Inglaterra, por exemplo, a combateram de maneira implacável. Era a luta do conhecimento contra o obscurantismo. O conhecimento é um valor em si mesmo. A Igreja, no entanto, apesar de derrotada na questão da Adin, tem feito sentir o seu poder obscurantista na própria formulação de várias leis e códigos científicos, em particular na área de biologia. A própria lei de biossegurança é uma demonstração disso. Diz a lei: art. 5º É permitida, para fins de pesquisa e terapia, a utilização de células-tronco embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro e não utilizados no respectivo procedimento, atendidas as seguintes condições: I sejam embriões inviáveis; ou II sejam embriões congelados há 3 (três) anos ou mais, na data da publicação desta Lei, ou que, já congelados na data da publicação desta Lei, depois de completarem 3 (três) anos, contados a partir da data de congelamento. 1º Em qualquer caso, é necessário o consentimento dos genitores. 2º Instituições de pesquisa e serviços de saúde que realizem pesquisa ou terapia com células-tronco embrionárias humanas deverão submeter seus projetos à apreciação e aprovação dos respectivos comitês de ética em pesquisa. 3º É vedada a comercialização do material biológico a que se refere este artigo e sua prática implica o crime tipificado no art. 15 da Lei nº 9.434, de 4 de fevereiro de Qual é o sentido, do ponto de vista das necessidades de pesquisa científica ou dos direitos das pessoas (as pessoas de verdade e não daquelas pessoas imaginárias que cabem em um tubo de ensaio) de que a pesquisa seja feita apenas com embriões inviáveis ou que se precise esperar três anos. São leis obscurantistas que visam única e exclusivamente obstaculizar, dificultar até o cansaço a pesquisa científica. O mesmo ocorre com a lei que regula a fertilização in vitro, um procedimento medicinal que facilita a gravidez: /95: Art. 8 o. É vedado nas atividade relacionadas a OGM(15): (...) IV - A produção, armazenamento ou manipulação de embriões humanos destinados a servir como material biológico disponível. Art. 13. Constituem crimes: (..) III - A produção, armazenamento ou manipulação de embriões humanos destinados a servir como material biológico disponível. Pena - reclusão de seis a vinte anos. Estas proibições absurdas remetem-se, todas elas, a dogmas religiosos de uma determinada seita. A Igreja busca disfarçar estas leis reacionárias e estes obstáculos retrógrados sob a cobertura da defesa da vida e dos direitos do ser humano. No entanto, basta apenas uma análise superficial para tomar conhecimento de que se trata de uma tentativa de impedir o progresso da ciência, custe o que custar para milhões de seres humanos e para o progresso em geral da humanidade. Como eles disseram... "O intelectual pequeno-burguês, que quer ensinar e guiar o movimento operário sem participar nele, sente apenas laços frouxos com o partido e está sempre cheio de 'queixas' contra ele. No momento em que seus pés são pisados ou em que ele é rejeitado, esquece tudo a respeito dos interesses do movimento e lembra apenas que seus sentimentos foram feridos; a revolução pode ser importante, mas a vaidade ferida do intelectual é mais importante. Ele é completamente a favor da disciplina quando está sentando a lei para os outros, mas tão logo se encontre em minoria, começa a lançar ultimatos e ameaça a maioria do partido com o rompimento" Datas Frase da semana James P. Cannon A luta por um partido proletário 22 de julho de 1943 Há 65 anos atrás, o ditador Benito Mussolini era preso 24 de julho de 1828 Há 180 anos, Simón Bolívar tornava-se ditador na Venezuela, por decreto da Assembléia Nacional O dado concreto é que a Polícia Federal tem prestado serviços relevantes. Vou dizer a vocês o que eu disse ontem. Só tem um jeito de as pessoas não serem molestadas pela polícia no país: andarem direito, Lula, defendendo o fortalecimento da polícia e repressão da população

4 20 DE JULHO DE 2008 CAUSA OPERÁRIA POLÍTICA 4 ANÁLISE POLÍTICA SEMANAL Total arbitrariedade Uma série de acontecimentos revela o funcionamento do regime político da burguesia e o aumento da repressão dirigida contra a classe operária, os trabalhadores do campo, as mulheres, os negros e o movimento estudantil, em resumo contra todos os explorados como um sinal claro do agravamento da resistência de todos estes setores ao duro regime de confisco de todo o País pelo grande capital Há um ano atrás ocorria o maior acidente aéreo da história do País, deixando 199 vítimas em São Paulo, ocorrido na esteira de uma crise de infraestrutura de aeroportos e sistemas de navegação aérea, que já havia derrubado outro avião, meses antes. O resultado concreto veio à tona apenas na última semana. Depois de todos os desvios, presumidos e comprovados, na direção da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), da Infraero e do alto comando dos militares, que está por trás da atual situação de precariedade, os únicos punidos serão seis controladores de vôo condenados a oito anos de prisão por terem realizado uma greve no dia 30 de março do ano passado justamente para denunciar a precariedade das condições em que trabalham por imposição dos seus comandantes a serviço dos grandes capitalistas do setor aéreo. Enquanto nenhum membro das agências governamentais, ou da direção das empresas aéreas detrás dos acordos que envolvem superfaturamento e desvio de verbas públicas nas obras dos aeroportos para seu benefício, foi punido, quem pagará pela crise são os controladores de vôo, pressionados a trabalhar em condições extenuantes sob pena de encarar os revezes das punições instituídas pela hierarquia militar. A arbitrariedade do regime político também se expressou de forma contundente na ação das polícias militares por todo o País. Estão por trás de todas as chacinas, em todos os bairros populares e favelas no País. Suas estreitas ligações com o tráfico de drogas, o crime organizado são encobertas pela imprensa capitalista que só diante da situação atual de crise das instituições começa a apresentar uma fração das denúncias contra a polícia pelos assassinatos cometidos, principalmente. É o que mostrou o caso do menino Carlos Rodrigues, de 15 anos, que foi torturado e morto eletrocutado pela Polícia Militar dentro de sua própria casa em Bauru, no interior de São Paulo, por ter sido tido como suspeito de roubar uma motocicleta. Cinco dos seis policiais envolvidos, detidos em flagrante, foram autorizados a responder pelo processo em liberdade em decisão da 1ª Vara Criminal de Bauru. Este é apenas um caso ilustrativo, pelo extremo grotesco, da situação de completa impunidade na qual atua a polícia brasileira. Da mesma forma, os militares que invadiram o morro da Providência e entregaram como um presente três jovens aos traficantes de uma facção rival. Os responsáveis por trucidá-los desmentiram a ação logo em seguida, em nota oficial assinada pelo comando das operações no Rio. Ao invés de combate ao crime, colaboração com o crime. O contingente destacado pelo governo para reprimir a população do morro teve que ser retirado pouco tempo depois devido à enorme revolta que o caso gerou no local. Cedendo, por um lado, à pressão, o regime garante que seus protegidos, por outro, permaneçam impunes assim que a poeira baixar. O regime de exceção no campo Os conflitos agrários se intensificaram sob o governo Lula. Sua política econômica, de favorecimento dos latifundiários e empresas agrícolas voltadas à exportação de soja e álcool etanol, subordinado às necessidades de consumo de combustíveis do imperialismo norte-americano e à crise do petróleo, é a principal responsável pelo avanço das plantações no território amazônico sem qualquer regulamentação. Nesta empreitada, os bandos armados pelos latifundiários ameaçam e assassinam os sem-terra que encontrarem pelo caminho ao arrepio da lei. Neste último período, diversos casos demonstram a completa arbitrariedade do regime burguês. Os sem-terra de Rondônia, agrupados em torno à Liga dos Camponeses Pobres, vêm sendo perseguidos e assassinados pelos jagunços dos latifundiários que controlam o estado. Através da imprensa local e nacional, tendo a revista Istoé como principal porta-voz, os latifundiários, a Justiça e o governo Lula procuram silenciar os gritos de protesto com calúnias e desmentidos. As palavras encobrem apenas parcialmente a verdadeira operação de guerra montada para dizimar os sem-terra do estado com o envio de soldados do Exército, o armamento de agentes do Ibama que acusam os sem-terra de desrespeitarem leis ambientais como pretexto para expulsá-los de seus acampamentos, e a ação da polícia para impedir sua livre circulação. A mesma cena se repete em outros estados, como ocorreu no Pará, neste mesmo ano. Cerca de três mil trabalhadores que já estavam acampados há um ano aguardando a desapropriação prometida pelos órgãos do governo, foram escorraçados por 500 homens da Tropa de Choque e 120 policiais civis em abril deste ano na fazenda Dina Teixeira, a 15 km de Parauapebas. A mando dos latifundiários, a justiça local emitiu um mandado de reintegração de posse. Denúncias como esta se multiplicam na medida em que a crise econômica avança e os grandes latifundiários procuram se agarrar a terra e expulsar os trabalhadores pobres do campo. Inúmeros são os casos de trabalhadores encontrados vivendo em regime de escravidão, porém não houve até agora notícia de que qualquer proprietário de terras tenha sido preso por escravizar seus trabalhadores. Em maio deste ano, outra notícia assinalou a verdadeira farsa que é a Justiça no Brasil. O latifundiário mandante do assassinato da missionária Dorothy Stang com sete tiros em fevereiro de 2005, também no Pará. O latifundiário Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, foi apoiado por advogados e pelo Tribunal do Júri de Belém. O julgamento foi uma encenação para esconder que as autoridades foram todas financiadas para absolver o fazendeiro, que continuará à solta pagando mais pistoleiros para matar trabalhadores sem-terra. A justiça só funciona contra os pobres e especialmente aqueles que resistem ao massacre cotidiano vivido nas mãos da polícia. Recentemente, para completar a farsa, juízes e promotores do Rio Grande do Sul iniciaram um processo para colocar o MST na ilegalidade. Na realidade, a maioria dos movimentos de sem-terra já se encontram virtualmente na ilegalidade, na medida que os juízes desconhecem o direito de associação e condenam militantes que realizam um protesto por formação de bando e quadrilha como ocorreu com os sem-terra que ocuparam o Congresso Nacional em O caso Daniel Dantas Outro exemplo de arbitrariedade está no mais novo caso de corrupção. Enquanto uma ala do governo pressionou para que a Justiça prendesse por algumas horas os banqueiros Daniel Dantas e Naji Nahas, o que faz parte de um aberto jogo de cena a fim de pressionar setores econômicos, por detrás da crise há um acordo de bastidores. Conflitam debaixo dos panos várias alas corruptas ligadas aos partidos burgueses. Entre elas há a ala de Naji Nahas, ligado a Maluf, do PP, que atuava conjuntamente com Dantas, sendo o primeiro responsável por lavagem do dinheiro. Este é ligado a alas dentro do governo e também da dita oposição, mostrando que PT e PSDB atuam conjuntamente nos bastidores em acordos capitalistas. Dantas foi um dos principais responsáveis no governo FHC por promover a privatização das empresas de telefonia, quando na época seu banco, o Opportunity, fundado por ele como sócio majoritário em convênio com o grupo Citigroup, financiava as compras. Dantas agora fecha acordo de venda da Brasil Telecom (ex-telebras) para a Oi (ex- Telemar), empresa que é resultado das privatizações e que é controlada por Andrade Gutierrez e pela empresa La Fonte de Carlos Jereissati, irmão de Tasso Jereissati (PSDB), líder do senado do partido. O BNDES (Banco de Desenvolvimento Econômico e Social), controlado por um dos indicados pelo presidente Lula e o estatal Banco do Brasil, garantiu a fusão entre a Brasil Telecom (BrT) de Daniel Dantas e a empresa Oi de telefonia, doando bilhões par finalizar a compra. O BNDES e o Banco do Brasil emprestou juntos quase R$ 7 bilhões R$ 2,569 bilhões e o Banco do Brasil emprestou nada menos que R$ 4,3 bilhões à Oi. Cerca de 62% dos R$ 11 bilhões que a Oi gastará para comprar da BrT, equivalem a dinheiro público. Do BNDES R$ 1,33 bilhão de empréstimos foram repassados para a Andrade Gutierrez e para a La Fonte do pessedebista Jereissati, R$ 1,239 bilhão foram destinados a um aumento de capital da Telemar Participações, que é uma holding, ou seja, empresa sócia financiadora da Oi gerada pela privatização. Com isso, uma das maiores máfias do País, do banco Opportunity e de Daniel Dantas, considerado um dos maiores financiadores das contas de Marcos Valério, o homem do mensalão do ano de 2005, concluiu o que mais pretendia que era vender a empresa. O monopólio que será gerado pela compra da BrT, deverá dominar nada menos que 25 dos 26 estados do País em telefonia. Além deste acordo o escândalo de corrupção é movido por conflitos de interesse dentro do setor de telecomunicações e de telefonia. Como vimos o escândalo dividiu duas alas do governo. Dantas é concorrente da empresa Telecom Italia que tem como um dos representantes do núcleo do governo, Luiz Gushiken, ex-ministro das telecomunicações, que atuou em favor da entrada da empresa no País, depois de esta ser denunciada por corrupção. Também são concorrentes Dantas de um lado e Gushiken e Ricardo Berzoini de outro. Os últimos são ligados aos fundos de pensão privados nas empresas estatais tendo se beneficiado diretamente da reforma da previdência no ano de Estes são apenas alguns dos exemplos de divisões que existem dentro do governo. A burguesia atua cuidadosamente para acobertar seus negócios contra a população e, neste caso, para acobertar o conflito entre duas alas corruptas dos mega empresários e também a enorme corrupção que envolve estes negócios, corrupção que neste caso esteve no centro da crise política do governo Lula. Nenhum direito para as mulheres Juntamente com toda a repressão policial desencadeada durante seu governo, Lula, em aliança com a ultra-reacionária Igreja Católica, promovem uma campanha pela restrição do direito ao aborto, mesmo nos casos já inscritos na Lei brasileira. Quase 10 mil mulheres que foram atendidas em uma clínica que realizava abortos no Mato Grosso do Sul passaram a ser perseguidas desde abril deste ano pela polícia, que obteve autorização judicial para apreender as fichas das pacientes, tomadas como provas do crime. O inquérito instaurado forçou 51 mulheres implicadas no caso a deporem na delegacia. Pelo menos 25 mulheres foram formalmente acusadas e cinco chegaram a cumprir penas alternativas, proibidas de sair da cidade e prestando trabalhos gratuitos em creches e escolas da cidade. O juiz Aluízio Pereira dos Santos afirmou à imprensa que a decisão foi proposital, para fazê-las refletir sobre a maternidade. O que o juiz chama de reflexão sobre a maternidade é uma violência sem tamanho. Essas mulheres que se tornaram criminosas diante da Justiça e de uma parte da sociedade hipócrita que tenta fechar os olhos diante da realidade do aborto, em nome da autonomia sobre seus corpos, estão agora vivendo um pesadelo, revivendo uma dor e ainda sendo torturadas, moral e afetivamente. A campanha antiaborto é produto de uma coligação da Igreja, com o governo e a trotskista cristã, Heloísa Helena, que se revelou como verdadeira porta-voz do lobby contra os direitos das mulheres no Congresso Nacional. O povo é punido pela irresponsabilidade dos governantes A explosão de uma epidemia de dengue no Rio de Janeiro, que chegou a se alastrar inclusive para outras cidades do Nordeste do País no último verão ficou longe de ser controlada pelo governo federal e pelos governos estaduais e municipais. Ao final de maio, mais de 10 mil casos haviam sido notificados. Mais de 100 mortes foram registradas e as filas dos hospitais ficaram abarrotadas de crianças revelaram o completo descaso pela saúde pública. Os culpados, segundo declarou Lula, durante o surto da doença, seriam as próprias vítimas, por não terem, elas mesmas, eliminado os focos de proliferação do mosquito transmissor da doença. Em nenhum momento a total falta de investimento na saúde pública e em recursos para o atendimento das vítimas foi levantado e os órgãos responsáveis apontados como verdadeiros culpados. Atitude semelhante, porém mais ativa no que diz respeito à repressão, foi adotada diante da evidente corrupção dos reitores das universidades federais. Na UnB, a pressão do movimento estudantil, por um lado, e a própria fraqueza da posição do governo na sua luta interna, por outro, levaram à derrubada do reitor Timothy Mulholland sem que este, por sua vez, tenha sido efetivamente punido até agora. Na Unifesp, o reitor Ulysses Fagundes Neto, corrupto notório por ter gasto milhares de reais do cartão corporativo da universidade em uma viagem à Disney e outras inúmeras despesas pessoais, teve como resposta dos estudantes a tentativa de ocupação da reitoria em junho, onde foram surpreendi- No portal do Partido da Causa Operária na Internet você pode encontrar notícias diárias, textos teóricos e de análise política. Entre no site de jornal diário do Partido, o Causa Operária Notícais Online e tenha acesso diariamente às seguintes sessões dos pela polícia militar, que os retirou à força e manteve detidos mais de 40 em uma delegacia na zona Sul de São Paulo. Aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei. Um sistema voltado à repressão A regularidade e a sistematicidade da ação repressiva da burguesia permite extrair uma conclusão comum a todos estes acontecimentos. O número de vezes em que a população, e em particular a classe operária e a população pobre, trabalhadora nas zonas rurais, se enfrentou e foi vencida pelas forças policiais e o Judiciário brasileiro no último ano cresceu espantosamente. Na greve dos correios, ainda em curso, os trabalhadores se levantaram pelo cumprimento de um acordo assinado pelo presidente da empresa, Carlos Henrique Custódio e da promessa feita por Lula em pessoa, de que os trabalhadores receberiam um adicional de 30% sobre seus salários. Em sua terceira greve em três semestres, os trabalhadores dos Correios vêm sendo enganados pelo governo e a burocracia sindical que dirige sua federação nacional. No mesmo período as contradições do regime capitalista atingiram um novo patamar após uma convulsiva crise do sistema financeiro norte-americano e europeu, disparada pela quebra dos principais bancos ligados ao mercado da especulação imobiliária e das hipotecas de alto risco, principalmente nos EUA e na Espanha. Este é o verdadeiro motor da crise no Brasil. A atual crise do capitalismo norteamericano, já era esperada há alguns anos e vem adquirindo rapidamente feições de uma crise de proporções inéditas até agora. Com todas as indicações de que a combinação entre inflação e estagnação econômica nos EUA começou a se desenvolver em alta velocidade aproximadamente neste mesmo período, pode-se compreender mais facilmente que detrás do conflito agrário brasileiro, da repressão policial às diversas manifestações espontâneas da classe operária contra a situação precária dos transportes e a violência contra os camelôs em São Paulo, a repressão do Exército nos morros do Rio de Janeiro está o crescimento da inflação, impulsionado pela política econômica do governo Lula, completamente submetido ao imperialismo. O atual grau de decomposição do Estado, expresso pela crise das instituições e pelo impulso dado pela burguesia para intensificar a repressão CAUSA OPERÁRIA NOTÍCIAS ONLINE JORNAL DIÁRIO DO PCO NA INTERNET Coluna do companheiro Rui Costa Pimenta Charge do dia Edição impressa com todas as matérias publicadas na internet Datas históricas Matérias de movimento sindical, política nacional e internacional sobre o movimento estudantil, mulheres, cultura, negros e temas diversos como Ecologia Aos domingos edição especial de cultura Acesse: através da força militar, encontra sua contrapartida na tendência a um ascenso da classe operária, que se expressa nos cada vez mais freqüentes atritos entre a população das cidades e as instituições do regime, e também nos sindicatos, onde o freio às mobilizações imposto pela burocracia sindical ligada ao governo se mostra cada vez mais ineficiente. O papel da esquerda brasileira Esta ofensiva da repressão contra as massas exploradas e oprimidas não seria possível se os partidos da esquerda pequenoburguesa que controlam as organizações de massas como sindicatos, de sem-terra, estudantis etc. não estivessem submetidas ao poderoso freio de uma burocracia regiamente alimentada pelo dinheiro público que mantém um bloco sólido permanente contra qualquer tentativa de luta real das massas. Este bloco não é formado apenas por PT e PCdoB, partidos que fazem diretamente parte do governo, mas também pelos partidos menores da esquerda que se dizem de oposição ao governo como Psol e PSTU. Estes últimos estão revelando a sua completa integração com a burguesia na formação de uma ampla frente eleitoral com os mais diversos partidos burgueses, inclusive dominados pelas oligarquias e pela direita como é o caso do PSB, PDT, PPS e outros. A frente PT-PCdoB-Psol- PSTU age como freio e desarma as tentativas de reação das massas. De um modo geral, é absolutamente evidente e até mesmo escandaloso o fato de que não denunciam nenhuma dessas monstruosas arbitrariedades, que dizer mobilizar as organizações sob o seu comando para combatê-las. O caso dos sem-terra de Rondônia e das mulheres, sobre os quais toda esta esquerda estende um silêncio gélido é um exemplo completamente decisivo. Na realidade, não poderiam fazer campanha porque a campanha assassina contra os sem-terra é levada adiante por aliados do governo Lula com o seu apoio e da parte da esquerda do bloco, uma das pessoas mais ativas na perseguição das mulheres é a presidenta do Psol que percorre o País defendendo a prisão das mulheres. Coloca-se na ordem do dia a luta pela construção de um amplo partido operário contra a frente popular e por uma frente de luta com todos os movimentos perseguidos e vítimas da repressão e que não estejam participando da esquerda que atua a serviço da burguesia. e marxismo além de resenhas de livros e matérias históricas

5 20 DE JULHO DE 2008 CAUSA OPERÁRIA POLÍTICA 5 PUNIÇÃO AOS ASSASSINOS DOS SEM-TERRA Incra defende latifundiário que confessou ter organizado massacre contra os sem-terra em Rondônia Nas terras da Amazônia Legal, os latifundiários além de promoverem um clima de caça às bruxas contra os sem-terra, são acobertados pelo Incra No dia 9 de abril deste ano ocorreu um ataque dos latifundiários aos sem-terra de Rondônia no município de Campo Novo. A família do latifundiário falecido Ernesto Catâneo promoveu um massacre enviando dezenas de pistoleiros a um acampamento onde cerca de 300 famílias estavam acampadas atirando para matar os camponeses. O saldo é que 30 camponeses desapareceram, dos quais três foram encontrados os corpos. Os pistoleiros queimaram os barracos dos sem-terra e todos os seus pertences e depois tomaram conta da área novamente sem sequer serem incomodados pela polícia e sem sequer serem julgados, mesmo depois de os sem-terra terem enviado nota para o Ministério da Justiça, para a Ouvidoria Agrária e para o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). O Causa Operária esteve na região colhendo depoimentos e fotos e acompanhando de perto a situação dos camponeses que ficaram sem qualquer pertence, em uma situação de extrema miséria e sem poder recorrer a qualquer autoridade. Segundo informações da Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia, o genro de Catâneo, Edson Luiz Liutti, confessou para uma comissão com representantes da Polícia Ambiental, da Comissão Pastoral da Terra e para a Ouvidoria Agrária Nacional que mandou fazer o ataque, e mais, que ele mesmo participou dando tiros pra cima. Mesmo assim nada foi feito contra ele, o que encorajou outros ataques como o realizado no final do mesmo mês. No dia 29 de abril, cerca de 15 famílias camponesas que iam de caminhão para o novo acampamento caíram em uma emboscada na estrada na qual foi morto o motorista, Edson Dutra, então candidato a vereador pelo PT em Buritis. A LCP também denuncia que foi contratada uma empresa de segurança particular de Mato Grosso e mais pistoleiros pela família, ameaçando e intimidando moradores da região que há 15 anos eram vizinhas do acampamento Conquista da União, que foi atacado. A área, segundo o próprio Incra, é grilada, mas mesmo assim este defende os latifundiários, mostrando que são estes que promovem uma terra-sem-lei no estado de Rondônia, um dos mais conflituosos O massacre no acampamento Conquista da União, que até hoje permanece impune, foi precedido de uma campanha de criminalização do movimento dos sem- do País. O massacre no acampamento Conquista da União, que até hoje permanece impune, foi precedido de uma campanha de criminalização do movimento dos sem-terra feita pelos jornais locais e levada a cabo em uma campanha nacional pela revista Istoé, que acusou a liderança dos semterra de Rondônia de forma completamente infundada acusou estes de organizarem uma guerrilha financiada pelas FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e de promoverem ações de terrorismo contra a população. As calúnias contra os semterra serviram de argumento para um massacre contra os trabalhadores. O Incra está nas mãos dos latifundiários, tanto que este atacou a LCP que chamou em um panfleto a população de Buritis, próxima ao acampamento, a retomar a área. O superintendente do Incra em Rondônia, Carlino Lima, afirmou que estes chamamentos de tomada de terra desencadeiam conflitos agrários cujas conseqüências são imprevisíveis ( Nota da Liga dos Camponeses Pobres, 10/7/ 2008). Os latifundiários e seus governos promovem um massacre contra os sem-terra da região amazônica se favorecendo das leis aprovadas no Congresso Nacional sobre as terras em áreas da União que poderão ser entregues aos latifundiários sem licença alguma. Ivo Cassol, o maior madeireiro de Rondônia, assim como Blairo Maggi no Mato Grosso do Sul, o maior plantador de soja do País, são representantes diretos dos assassinos dos sem-terra governando Rondônia e o Mato Grosso pela lei da bala contra a população semterra e pobre. O governo Lula apenas acoberta os assassinos dos semterra dando à Justiça local, comprada pelos fazendeiros, o poder de desmando contra o povo e aprovando leis em favor do latifúndio no campo, para leiloar a Amazônia para o capital estrangeiro. Contra a ofensiva dos latifundiários apoiamos integralmente a luta dos sem-terra no campo e o fim do latifúndio sem indenização. Exigimos a punição imediata dos assassinos dos sem-terra e terra para quem nela trabalha. PERNAMBUCO Pela liberdade dos presos na luta pela terra A polícia de Pernambuco prendeu no dia 3 de julho o líder dos sem-terra Fábio Paraíso da Luz, na cidade de Lagoa dos Gatos. Este almoçava em um pequeno estabelecimento comercial quando foi abordado violentamente por policiais. Estes revistaram o local e para incriminar os sem-terra apareceram com uma arma acusando de esta pertencer a outra liderança, José Ricardo de Oliveira Rodrigues, da Liga dos Camponeses Pobres, que estava com Fábio e há três meses foi solto após ficar três anos preso injustamente. José Ricardo só havia sido solto depois da pressão popular e de protestos em frente aos presídios. Para defender o companheiro, Fábio disse que a arma era sua e por isto foi preso. Esta foi a mesma situação ocorrida com Fábio Paraíso da Luz várias lideranças dos sem-terra em todo o País, como Wenderson Francisco dos Santos, o Russo, sem-terra de Rondônia que ficou preso por quatro anos sem sequer ser julgado, numa clara perseguição aos camponeses, sendo acusado de ser liderança dos sem-terra. Este foi acusado de ser líder da LCP, como se estivéssemos na ditadura militar e organizar ocupações ou participar delas fosse crime. A campanha de intimidação dos latifundiários em todo o País contra os semterra, para impor a sua vontade, com tentativas de aprovar leis pela dissolução dos sem-terra, com a prisão de camponeses e com atentados, é a tentativa de intimidar a retomada do movimento. Os trabalhadores devem, em defesa do direito de se organizar, exigir a punição a todos os assassinos dos sem-terra e a liberdade para todos os presos da luta pela terra. PT Para os empresários tudo Governadora do Pará aumenta em quatro vezes a licença ambiental no estado O Senado dos banqueiros, latifundiários e corruptos aprovou uma Medida Provisória que muda a lei de licitações para permitir a ampliação de vendas, sem licitação, de terras da união na Amazônia de 500 para 1500 hectares e foi aplaudido por Minc Foi aprovada uma Medida Provisória que garante a apropriação de terra da Amazônia sem licitação ampliando o número de hectares que podem ser comprados. O relator do projeto foi o líder do governo já conhecido, inimigo do povo, Romero Jucá (PMDB - PR). Segundo ele, em seu estado há uma verdadeira guerra por causa da dificuldade de regularização fundiária. Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, protestou contra a aprovação da medida. Este foi um dos motivos pelos quais Marina Silva deixou o Ministério no mês de maio. É a consolidação de uma política que se tornou insustentável para a ministra que de alguma forma, como ex- ativista da questão ambiental, tinha que manter uma mínima fachada No dia nove de julho, foi publicado no Diário Oficial do Estado o decreto 1.120/2008 de Ana Júlia Carepa (PT) que permite que as empresas possam usufruir do meio ambiente por mais tempo, sem prestar contas. O decreto amplia a validade das licenças ambientais expedidas pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA) em que as licenças que tinham que ser revistas no período de um ano, agora podem durar quatro anos. A própria Secretaria do Estado do Meio Ambiente (SEMA) afirma que A medida baixada pela governadora atende à demanda do setor produtivo e possibilita à SEMA concentrar seus esforços no controle ambiental, já que boa parte do tempo dos técnicos é desperdiçada na análise dos pedidos de renovação A governadora Ana Júlia Carepa (PT) foi financiada nas últimas eleições por empresas que inclusive promovem trabalho escravo. de licenças, que tinham prazo, até então, de apenas um ano. (portal da SEMA, 9/7/2008) O decreto do governo mensalão do Pará agora valida as licenças da seguinte maneira: Licença Prévia, Licença de Instalação (mínimo de três anos) e Licença de Operação (mínimo quatro anos). Ainda as LPs e LIs poderão ter validade inferior ao prazo mínimo estipulado no decreto se o cronograma estabelecido do empreendimento ou atividade tiver duração menor (Idem). Por outro lado, essas licenças poderão ter sua validade prorrogada, desde que não ultrapasse o máximo de cinco anos. A governadora Ana Júlia Carepa (PT) foi financiada nas últimas eleições por empresas que inclusive promovem trabalho escravo, e foi a candidata que recebeu o maior volume de recursos, cerca de R$ 252 mil, oriundos de três empresas: a Companhia Siderúrgica do SENADO Aprovada Medida Provisória que triplica o limite de vendas na Amazônia e com o apoio de Minc ambiental para não perder seu apoio e continuar seu mandato. Marina Silva saiu também pela pressão para que assumisse em seu lugar uma figura ainda mais atrelada aos interesses dos latifundiários e mais capaz de realizar esta aliança sem sofrer maiores prejuízos políticos. Carlos Minc entrou para aprofundar a política iniciada por Marina Silva. Na votação no senado na quarta-feira, dia nove, Marina Silva afirmou Estamos abrindo as portas para que as pessoas continuem grilando e depredando as florestas. É uma senha para que continuem invadindo a Amazônia. Já Minc declarou no dia seguinte da aprovação, apoio à medida Provisória. Foi cínico o suficiente para afirmou que este é um esforço do governo para regularizar a posse de terras na floresta. A medida permite ainda que as áreas ocupadas irregularmente possam ser vendidas sem licitação saltem de uma proporção de 500 para 1500 hectares. Este novo expediente da burguesia ocorre logo depois de que novos dados foram divulgados pelo próprio INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) dando conta de que 3% do total das propriedades rurais do País são latifúndios (têm mais de mil hectares) e Pará (Cosipar), a Sidenorte Siderúrgica e a Siderúrgica Marabá S.A. (Simara). Carepa também foi protagonista no escândalo que envolveu uma menina de 15 anos que foi mantida presa por 26 dias numa cela com mais 20 homens na cidade de Abaetetuba (PA). A menina foi forçada a manter relações sexuais com todos os homens em troca de comida. No Pará é prática comum a prisão de mulheres em celas com vários homens, já que não existe prisão para as mulheres no estado e nada é feito pelo governo, que alega de forma descarada não ter conhecimento de tal fato. A prorrogação da licença é uma reivindicação dos madeireiros da região, que Carepa atende prontamente enquanto que a população do estado vive sob o tacão da repressão, do arrocho salarial, do trabalho escravo etc. ocupam 56,7% das terras agriculturáveis. De um lado, há 4,8 milhões de famílias sem-terra. De outro há ainda 5,5 milhões de hectares registrados em nome de estrangeiros que foram organizados pelo instituto, isto desde 1998, quando este começou a controlar a aquisição de imóveis rurais por empresas sem sede no País ou pessoas físicas não residentes no Brasil, o que deixa claro ser um número completamente subestimado pela prática comum de compras de terras brasileiras por empresas ou latifundiários estrangeiros nas mãos de brasileiros e pelas empresas estrangeiras que têm sede no País. O Brasil tem o latifúndio como maior fator do atraso econômico e social e há agora, com Foi aprovada uma Medida Provisória que garante a apropriação de terra da Amazônia sem licitação ampliando o número de hectares que podem ser comprados. o apoio do governo mensalão de Lula, uma ofensiva estrangeira que se nota de forma mais evidente na região Amazônica. CONTRA O POVO Minc afirma que irá distribuir R$136 milhões para apoiar empresas da região Amazônia Na segunda-feira (14), na 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Campinas, Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente, afirmou que participará pessoalmente de operação de grande porte com o Exército Brasileiro na Amazônia. Após deixar as reservas às traças, sem investimento e sendo devastadas por grandes empresas como mostram os dados com mais de dois mil hectares derrubados o que significou mais de 22% do total, agora Minc quer colocar o Exército para proteger a Amazônia. O ministro afirmou que os dados que serão divulgados pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Especiais), medidas pelo sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) apresentarão taxas menores. Esqueceu de ressaltar que estes dados já estão prontos desde maio e ainda não foram divulgados porque precisavam passar pela aprovação do governo, o que deixa a pesquisa sob suspeita. Além de declarar a repressão à população local, Minc afirmou ainda que irá incentivar os exploradores legais que são os empresários e latifundiários. Os pobres que tentam sobreviver na região é que sofrem com a repressão. Um sem-terra que corta uma árvore para construir uma casa para se abrigar é preso, agredido como um criminoso. No entanto, os verdadeiros criminosos que estão roubando aos montes as riquezas do País, recebem incentivo. Segundo ele, o governo pretende oferecer R$ 136 milhões para apoiar o extrativismo e R$ 1 bilhão para recomposição de reservas legais na Amazônia, que não irá para a população local, nem para os índios ou semterra. Toda a demagogia do governo em proteger o meio ambiente é pretexto para reprimir a população em favorecimento de acordo que em nada tem relação com as necessidades da população brasileira. CAMPANHA ELEITORAL Após governo aprovar os dados, INPE divulga diminuição de desmatamento Com três semanas de atraso o relatório do desmatamento da Amazônia, na última terçafeira (15) foi apresentado pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) como um grande feito do governo Lula. Na verdade, foi mais uma grande fraude. Estes dados adaptados ao ano eleitoral e para satisfazer os latifundiários e líderes do agronegócio, como o do governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, mostram uma redução no desmatamento na Amazônia. O desmatamento na Amazônia somaria km2 em maio, área semelhante à desmatada em abril que foi de km2. Os dados deveriam estar baseados no sistema Deter (Detecção do Desmatamento em Tempo Real) do INPE. Entre um mês e outro foi demonstrada diminuição de 2,4%. O INPE é um órgão que está totalmente subordinado aos interesses do governo de plantão, como ficou evidente neste episódio. O relatório aponta 59,5% de desmatamento classificados como corte raso, que significa remoção total da floresta, 28,8% de degradação florestal (desmatamento progressivo, a maior parte em estágio avançado) e 11,7% não fazem parte de nenhum destas classificações. É interessante ver que dos km2 desmatados em maio, 646 km2 correspondem ao Mato Grosso (índice 19% menor do que o registrado em abril) e 262 km2 no Pará (contra 1,3 km2 no mês anterior). Neste, houve a diferenciação de formas de desmatamento, umas das principais críticas do governador do Mato Grosso, de Maggi, aos dados que o colocaram entre os campeões do desmatamento. Lula corrigiu o relatório para proteger seus aliados na política antipovo, apoiando o chamado agronegócio e mostrando que, em campanha eleitoral, sua política repressiva contra índios e sem-terra tem como argumento a preservação da Amazônia.

6 20 DE JULHO DE 2008 CAUSA OPERÁRIA POLÍTICA 6 STF A Justiça dividida e a ditadura dos juízes biônicos A crise no poder Judiciário diante do novo escândalo de corrupção do governo Lula expôs novamente a verdadeira ditadura que é o STF, a máquina de passar por cima de direitos e de defender os corruptos A nova crise gerada com o escândalo de corrupção do banco Opportunity de Daniel Dantas e do banqueiro Naji Nahas, que fez emergir o funcionamento de novas máfias ligadas ao esquema do mensalão que veio à tona em 2005, expôs o quão mancomunados com os corruptos estão os juízes indicados por Lula e pelos últimos governos. O presidente do STF, Gilmar Mendes, utilizou por duas vezes de forma completamente arbitrária seu cargo de líder dos onze juízes indicados do governo, para soltar o banqueiro Daniel Dantas, passando por cima de decisão do juiz federal Fausto Martin De Sanctis e inclusive enviando seu segundo pedido de prisão para a Corregedoria da Justiça, ou seja, incriminando o juiz e realizando um processo persecutório unicamente por sua decisão sem sequer entrar em méritos de provas ou acusações. A crise do novo escândalo de corrupção do governo Lula acirrou os atritos no Poder Judiciário dividindo-o entre duas alas que se colocaram do lado das duas alas de parlamentares corruptos do governo e provocando uma crise de hierarquia da Justiça. Há inclusive uma ala do judiciário, a dos procuradores regionais estudando pedir o impeatchment de Gilmar Mendes, liderados pela procuradora da República, Ana Lúcia O novo escândalo de corrupção envolvendo a cúpula do governo, além de dividir novamente o núcleo de Lula no Congresso Nacional, não apenas atingindo diretamente figuras que caíram durante a crise do mensalão, mas os que substituíram estes, atinge também a justiça e a própria polícia federal. Ambas aparecem como nunca como zona do tráfico de influência da corrupção a partir do Congresso. A crise atingiu mais diretamente a Justiça, que se viu dividida a partir da tomada de posição do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que por duas vezes mandou soltar o banqueiro Daniel Dantas passando por cima da decisão do juiz federal Fausto de Sanctis, que pediu a prisão preventiva de Dantas também por duas vezes se baseando em investigações da Polícia Federal. Gilmar Mendes, ao dar foro privilegiado ao banqueiro, privilégio que só pode ser dado, segundo a lei atual, para parlamentares, abriu uma crise de autoridade na Justiça. Associações de juízes se manifestaram contra a tentativa de cassar De Sanctis com o envio do segundo pedido do juiz à Corregedoria-geral da justiça, como a Associação Nacional de Procuradores da República (ANPR), a Associação dos Juízes Federais (Ajufe), Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). Tanto o procurador como o juiz envolvido no caso cumpriram o papel que lhes cabe no Estado Democrático de Direito disse em nota a ANPR (Valor Econômico, 14/7/2008). Aceitar-se que se leve para o âmbito administrativo e disciplinar uma decisão judicial, proferida fundamentalmente, como determina a Constituição, implica vio- Amaral, mostrando que a campanha parte do próprio governo. Um abaixo-assinado contra a decisão de Gilmar Mendes chegou a reunir assinaturas de 400 juízes magistrados de todo o País que apoiaram uma nota em favor de De Sanctis. Esta dizia: Embora o ministro Gilmar Mendes já tenha comunicado formalmente que não ordenou a extração de cópias para a instauração de procedimento investigativo, sua determinação continua nos autos e, nem mesmo o ministro pode exercer controle sobre as determinações que os órgãos destinatários dos ofícios podem realizar a partir de cópias enviadas (...) Não podemos concordar com o ataque desferido contra a independência funcional que representa a abertura de procedimento investigatório a partir do próprio conteúdo de uma decisão judicial (Jornal do Brasil, 14/7/2007). Há uma ofensiva geral para repassar para os juízes do STF o poder para interpretar a lei em vários casos, como nos casos do aborto e no das células-tronco e na extensão da lei de greve para os servidores públicos. CRISE DE CORRUPÇÃO Caso Opportunity Escândalo divide a Polícia Federal e a Justiça O ministro da Justiça, Tarso Genro clamou por uma punição interna do delegado que teria desrespeitado a hierarquia da Polícia Federal lação à independência funcional do juiz, o que é danoso ao Estado Democrático de Direito, protestou em nota a Ajufe (Idem). Outra divisão foi causada na Polícia Federal, com pressão do Ministério da Justiça para que se puna o delegado Protógenes Queiroz, o responsável por investigações sobre o banqueiro. De um lado o ministro da Justiça, Tarso Genro clamou por uma punição interna do delegado que teria desrespeitado a hierarquia da Polícia Federal ao recorrer à Agência Brasileira de Inteligência para conseguir mais dados sobre os banqueiros. Tarso Genro mostra um alinhamento com uma ala do PT que quer acobertar Daniel Dantas. De outro lado, outra ala do PT, de Gushiken, ex-ministro das Comunicações e Ricardo Berzoini, ex-ministro da Previdência, estão do lado oposto ao do banqueiro, por serem concorrentes direto contra este. Enquanto Dantas domina empresas de telecomunicações batendo muitas vezes de frente com Gushiken, que é um lobista de outras empresas, ambos os lados são concorrentes do setor de pensões privadas tendo os últimos enriquecido pessoalmente neste mercado depois de articularem a Reforma da Previdência assim que Lula assumiu em 2002, reforma esta que privatizou a previdência, ou seja, os fundos de pensões De Sanctis saiu em ataque a Gilmar Mendes na imprensa. Freqüentemente somos ameaçados por decisões judiciais comuns. Por isso acredito que esse movimento [de desagravo] representa um grito da magistratura, é a gota d água. Hoje em dia não se julga mais o fato, julga-se o juiz. O fato concreto é o que menos importa (...) A liminar individual por uma pessoa que não se debruçou sobre um fato complexo deveria, no mínimo, ser referendado pelos demais colegas [da corte]. Uma pessoa sozinha desfaz o trabalho da polícia, que está há anos no caso, do Ministério Público, de umas 500 pessoas sérias. Muitas vezes isso é desfeito sem observar a prova, simplesmente sobre a abstração de direitos individuais (Folha de S. Paulo, 15/7/2008). Do outro lado, outro abaixoassinado de centenas de advogados em favor de Gilmar Mendes foi feito e acusações são trocadas de ambos os lados. Gilmar Mendes saiu em ataque ao ministro da Justiça, Tarso Genro, para fugir às declarações de protesto. Depois de dos funcionários de estatais. Lula se colocou do lado da Polícia Federal, aparentemente, já que não poderia tomar uma posição neutra no caso, o que o incriminaria já que as negociações segundo as investigações da própria Polícia Federal mostram que esquemas sobre a máfia eram tratados diretamente na ante-sala da presidência e envolviam a ministra da casa civil Dilma Roussef, entre outros. No dia 11 de julho, Lula em viagem ao Timor Leste fez declarações sobre o escândalo: O dado concreto é que a Polícia Federal tem prestado serviços relevantes. Vou dizer a vocês o que eu disse ontem. Só tem um jeito de as pessoas não serem molestadas pela polícia no país: andarem direito. Quem achar que pode praticar malversação dos recursos públicos, fazer lavagem de dinheiro ou outra coisa qualquer, e que não vai ser incomodado, só se nós não soubermos. Se soubermos, todos terão que pagar um preço porque o país tem leis (Agência Brasil, 11/ 7/2008). De Sanctis claramente, assim como Gilmar Mendes, está sendo impulsionado por estas duas alas ligadas de uma forma ou de outra aos lobistas do Planalto. O próprio fato de a Polícia Federal empreender esta crise mostra a perda de controle de Lula em estabilizar-se a partir dos próprios órgãos federais. Nesta crise, assim como na do mensalão, que estourou há três anos atrás, de ambos os lados estão os piores parasitas e inimigos da classe trabalhadora. A briga é por um claro acordo, especialmente para as eleições, que serão as mais corruptas da história, como prevêem as próprias previsões de gastos dos candidatos. Pela dissolução do STF A tentativa de a burguesia defender a mais completa ditadura dos seus juízes indicados deve ser rejeitada com um programa por uma reforma profunda do poder Judiciário. A única solução contra os juízes biônicos é a dissolução dos tribunais superiores, como o STF, TSE, TST, criados para impor a ditadura de uma dezena de juízes contra todas as outras instâncias legais e contra o parlamento Genro ter elogiado as ações da Polícia Federal no caso da prisão do banqueiro Daniel Dantas, que já está solto pela decisão do STF. Gilmar Mendes disse haver preconceito de classe na discussão sobre o uso de algemas contra pessoas ricas e que o ministro não tem competência para opinar sobre o assunto (Agência Estado, 15 de julho de 2008) Não se trata de discutir se algemar é um abuso, mas se trata simplesmente de verificar se estão presentes os pressupostos de proporcionalidade para o uso da algema (...) Estou convencido que a algema, e aqui não se fala em justiça de classes, pobres ou ricos, quando é dispensável, especialmente quando é destinada a expor o indivíduo a uma humilhação, realmente é indevida e, a rigor, incompatível com o Estado de Direito (Idem). O senador Edison Lobão Filho (PMDB-MA) apresentou à Mesa Diretora do Senado proposta de emenda constitucional FALSA ESQUERDA para interpretar a lei. Esta deve ser discutida e votada pelos 513 deputados eleitos pela população, sejam estes uma corja ou não. Esta não deve ser discutida por 11 juízes do STF que são cria da pior espécie do pântano antidemocrático e que decidem entre quatro paredes de acordo para todos os juízes e promotores pelo voto popular. com a pressão das piores alas da burguesia. Contra o controle direto do estado da justiça deve ser reivindicado o fim da indicação políti- Psol defende a ditadura do STF O Partido do Socialismo e Liberdade se especializou em fazer coro com a direita e defender as propostas mais reacionárias contra a população. Para se diferenciar dos partidos tradicionais da burguesia vindos da ditadura militar, o Psol tenta encobrir esta política com uma fachada de socialista. Desta vez, o baluarte da Frente de Esquerda levantou uma campanha para supostamente atacar o fato de que o banqueiro Daniel Dantas teria sido solto. No entanto, o partido recorre ao próprio STF, formado pelos 11 juízes indicados pelo governo para atender aos seus desejos. Cerca de 700 assinaturas foram colhidas durante uma manifestação no Rio de Janeiro e foram protocolados nesta quarta-feira no STF (Supremo Tribunal Federal). No abaixo-assinado se diz que não é possível que a Justiça privilegie quem quer que seja e ainda que os juízes do STF devem ouvir ao clamor das ruas. Além de uma campanha completamente demagógica e de fachada (pode-se ver sua seriedade na ridícula quantidade de assinaturas colhidas), esta é uma propaganda em favor do próprio STF. Não deixa de ser também uma campanha em favor do banqueiro, já que dá um aval de esquerda para a ação do tribunal, que foi justamente o responsável por conceder o habeas corpus e que o soltou por duas vezes, passando por cima da decisão de juízes de primeira e de segunda instância. O Psol coloca toda a responsabilidade da justiça nas mãos do STF, ou seja, defende o esquema medieval de interpretação da lei por 11 juízes biônicos contra o próprio Congresso Nacional, que é o poder Legislativo, que como o próprio que modificaria a escolha dos ministros do STF. Este defende que se altere o modo de indicação dos juízes do STF, que segundo o projeto poderia ser a partir de uma lista tríplice de Lula e referendada pelo Senado e pelo STF, ou seja, um mero subterfúgio levantado para evitar uma mudança mais profunda do poder judiciário e para manter o poder dos juízes do STF de interferirem nas decisões dos juízes de primeira e segunda instância. As críticas dirigidas a ambos os lados são em favor de um acordo não de alterar qualquer estrutura de poder da Justiça. Contra o controle direto do estado da justiça deve ser reivindicado o fim da indicação política com a eleição direta nome diz, é o que tem poder para criar e modificar as leis. Esta campanha serve para colocar em mãos de cada vez menos funcionários de confiança do governo a responsabilidade por aprovar os projetos mais antipovo, que significa impedir qualquer controle de fato pela população. Tal retrocesso legal representa o meio pelo qual o regime político realiza uma ofensiva para proteger não apenas os corruptos, vide os mensalões que tiveram como tábua de salvação o STF. Esta tem sido a manobra para defender a criminalização do aborto e para aprovar os maiores retrocessos possíveis, funcionando como uma trava de segurança do regime burguês sob controle direto dos partidos burgueses e principalmente do governo, como não poderia deixar de ser. Ao contrário de se apoiar na população e mobilizar as massas contra o poder Executivo, o Psol adota a receita oposta: leva aos tribunais dos juízes indicados, que não podem sequer ser fiscalizados pela população, a suposta vontade do povo, como o levanta na defesa de que a justiça deve ouvir o clamor das ruas. Ademais, além de defender que as figuras obscuras do STF, em seis juízes podem decidir pelo País A HISTÓRIA DE UMA CAMPANHA ELEITORAL DIFERENTE OU COMO O POVO APRENDEU A ACEITAR O MENSALÃO Documentário Impugnado, sobre as eleições de 2006 e a impugnação do candidato presidencial do PCO, Rui Costa Pimenta, produzido pela Causa Operária TV, departamento da Secretaria Nacional de Agitação e Propaganda do Partido da Causa Operária Há uma ofensiva geral para repassar para os juízes do STF o poder para interpretar a lei em vários casos, como nos casos do aborto e no das células-tronco e na extensão da lei de greve para os servidores públicos. Também os juízes do STF são os responsáveis por julgar os crimes do mensalão e todos os crimes dos corruptos parlamentares, não tendo punido sequer um nas centenas de processos de parlamentares corruptos do Congresso Nacional por crimes como desvio de milhões do dinheiro público. Interpretar a lei é função somente dos juízes de primeira e segunda instância e não dos juízes do STF. O STF tem a única função de impor a pior ditadura contra o povo. As leis que deveriam ser discutidas e aprovadas apenas pelo poder Legislativo, que hoje são os 513 deputados do Congresso Nacional. Estes, pela Constituição somente podem decidir a alteração de leis com maioria ampla de dois ca com a eleição direta para todos os juízes e promotores pelo voto popular e também contra o cargo vitalício e pelo mandato por tempo determinado e revogável. Além disso, o juiz não deve ser elemento separado da sociedade, mas suas decisões, assim como de todos os cidadãos, que por lei têm direitos iguais, deve emanar e ser fiscalizada pelo povo. Por isso devemos reivindicar o fim do poder absoluto dos juízes e o julgamento por júri popular e por junta de julgamento composta também por cidadãos comuns eleitos pelo povo. terços dos votantes no Congresso. Já os juízes do STF, que sequer foram eleitos, tendo sido todos indicados pelo atual e pelos últimos presidentes, podem eles mesmos decidir alterar a Constituição por uma maioria de seis pessoas, das 11 que ocupam as nobres cadeiras do Supremo. inteiro, contra os dois terços dos 513 deputados do Congresso Nacional, outro critério é escutar o clamor das ruas. Isto ocorre no momento em que a direita organiza as piores campanhas repressivas utilizando o mesmo argumento de que a justiça deve se fazer sem quaisquer preceitos legais mas pelo clamor da sociedade, o que na linguagem da direita significa interpretar as leis de acordo com a campanha ideológica lançada pelos venais órgãos da imprensa burguesa e que atingem muitas vezes os setores mais atrasados da população e uma parcela considerável da classe média. Isto o vimos claramente no caso Isabella, no caso de João Hélio etc, onde os acusados pelos crimes que no primeiro caso não puderam sequer recorrer à justiça e que no segundo serviu de uma campanha pela redução da maioridade penal. Não é à toa que o Psol é um partido procurado e aclamado por figuras de direita e inclusive que vieram da ditadura militar, pois este tem a capacidade de se passar por cordeiro quando na verdade é lobo e defende a mesma política que a matilha do Congresso Nacional, dos tribunais, dos empresários e dos banqueiros. Adquira seu DVD IMPUGNADO! LIVRARIA DO PCO: Av. Miguel Stéfano, nº 349, Saúde, São Paulo, CEP , Fone (11), Adquira seu DVD IMPUGNADO! Adquira seu DVD IMPUGNADO!

7 20 DE JULHO DE 2008 CAUSA OPERÁRIA POLÍTICA 7 CORRUPTO VS. MAIS CORRUPTO Caso Opportunity Lula: um governo formado de assessores de banqueiros e mafiosos Mais informações sobre a nova crise de corrupção que começa a abalar as bases do governo Lula, dividindo novamente seu núcleo duro, foram divulgadas pela Polícia Federal A divisão da cúpula do PT ficou ainda mais clara com novos dados sobre o envolvimento de um dos assessores de Lula, o ex-deputado e advogado do PT, Luiz Eduardo Greenhalg, com Daniel Dantas, denunciado após a Operação Satiagraha da Polícia Federal nas últimas semanas. Dantas e outros banqueiros, como Naji Nahas, da ala de Maluf, foram presos por força da ação de uma ala do próprio governo, como homem-chave do financiamento das contas do empresário Marcos Valério no caso do mensalão ao qual foi dado publicidade em Greenhalg funcionaria como um lobista de Dantas dentro do governo tentando atar relações deste com várias figuras do PT e próximas a Lula. Segundo um relatório da A crise desmoraliza ainda mais o governo e mostra o objetivo de duas alas da burguesia: um acordo às vésperas das eleições Polícia Federal, Greenhalg agenciaria relações entre Dantas e governos estaduais do PT e o partido em geral, com vistas a apoios nas eleições e favorecimentos pessoais, função esta que logicamente era cumprida por outras figuras dentro do PT que estão sendo acobertadas pela imprensa, como o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu. Um dos dados levantados pela Polícia Federal dá conta de que Greenhalg teria recebido R$ 650 mil da máfia de Dantas e em conversa no dia 4 de abril por telefone com Carlos Amarante, diz que teria recebido honorários de R$ 650 mil. Conversas nas quais Greehhalg se identifica como Gomes, foram grampeadas. Em uma delas este falaria sobre a venda da Brasil Telecom por Daniel Dantas à empresa Oi: O cara agora vai pegar o que ele vendeu e vai cantar noutro lugar (...) Está começando outra vida. Vamos ver. Se fosse na época da União Soviética, tinha que reabilitar esse cara (...) Ele (Dantas) faz muita bobagem mas, se a gente puder evitar que ele seja constrangido e tal, a solução é essa (O Estado de S. Paulo,14/7/2008) Em outra conversa gravada pela PF, no dia 16 de maio, ao meio-dia, Greenhalg telefonou para Sigmaringa Seixas, ex-deputado do PT, que seria ajudante do primeiro no lobismo a Dantas. Estou convencido para o que eles querem, você é o melhor, pra conversar, sentir e fazer uma estratégia de aproximação (Idem). Esta conversa ocorreu depois de Dantas fechar a venda da Brasil Telecom por R$ 985 milhões para a Oi. Também o grupo de Greenhalg no Congresso Nacional tentou aprovar uma emenda na Medida Provisória nº 412, que prorrogava um projeto de isenção fiscal a empresas portuárias, quando Dantas domina empresas na área portuária. Outras conversas da Polícia Federal mostram o acordo para a área portuária. Na realidade, o crime que se desenvolvia por dentro do governo se mantinha intacto até então, e a partir do momento em que os atritos entre duas alas do próprio governo não puderam ser contidos em uma luta interna e, graças à crise, começouse uma troca de acusações por duas alas igualmente hipercorruptas, utilizando os jornais burgueses. Esta crise irá se aprofundar e tem as mesmas características do mensalão. A outra ala do governo contra Dantas seria de concorrentes diretos na área de telecomunicações e no mercado de pensões, como o ex-ministro das Comunicações, Luiz Gushiken, que em seu cargo assim como todos os ministros de Lula, não fez mais que se enriquecer pessoalmente e apoiar os maiores monopólios contra o povo. Gushiken é lobista da Tele- com Itália, empresa ultra-mafiosa da qual inúmeros diretores caíram nos últimos anos na Europa por enriquecimento ilícito. O governo Lula foi a salvação da empresa para esta funcionar parasitando as contas públicas no Brasil. Esta é apenas uma das empresas para as quais Gushiken trabalha. A crise que divide e em certa medida enfraquece o governo Lula mostra um aprofundamento da crise estourada em Esta crise desmoraliza ainda mais o governo e mostra que o objetivo de duas alas da burguesia de se pressionarem por um acordo às vésperas das eleições fugiu do controle do ESCÂNDALO Caso Opportunity Lobby para os empresários na antesala da presidência Novas denúncias surgidas de dados da Polícia Federal, estas que são publicadas a conta-gotas nos jornais da burguesia ao estilo do escândalo do mensalão em 2005, mostram que as negociações em favor do banqueiro Daniel Dantas envolviam funcionários de confiança do presidente, como o ex-ministro da Casa Civil de Lula, José Dirceu, e o chefe do gabinete da Presidência, Gilberto de Carvalho. Referências a ambos foram feitas em conversações gravadas pela Polícia Federal com Greenhalg, ex-deputado federal e advogado do Partido dos Trabalhadores. Este que é considerado a figura-chave para Dantas dentro do governo, teria se reunido recentemente com José Dirceu em um hangar da empresa aérea TAM para tratar do assunto do lobby com o banqueiro sócio do banco Opportunity. Em 9 de maio, em um telefonema de Evanise Maria da Costa Santos, namorada de Dirceu e secretária que trabalha em uma sala no 2º andar do Palácio do Planalto, liga para Greenhalg e confirma: O seu amigo está chegando entre as quatro e cinco horas (...) Talvez no hangar fique melhor porque dali você já vai (...) Esse é o PABX aqui do Palácio do Planalto. (O Estado de S. Paulo, 14/7/2008). Este celular, segundo a Polícia Federal, estava cadastrado em nome da Secretaria de Administração da Presidência da República. Três horas depois liga para Greenhalg uma pessoa que se identifica como o secretário de José Dirceu, confirmando o encontro. A Polícia Federal diz que Greenhalg, como freqüentador constante da ante-sala do presidente, negociou com José Dirceu e a atual ministra Dilma Roussef, Executivo, que às pressas tenta conter a crise utilizando os tribunais federais e uma outra ala para abafar o caso. O governo Lula, ao contrário das declarações que Lula dá à imprensa, apoiava e dava cobertura para as mais diversas máfias dentro do governo, já que José Dirceu foi o homem maior do mensalão e por isso mesmo não conseguiu segurar-se no cargo na primeira crise política de maiores proporções do governo e por isso está afundado até o último fio de cabelo em fraudes e corrupção, além de uma enorme crise política. além do chefe de gabinete para facilitar a fusão entre a Brasil Telecom e a Oi, a primeira sob posse de Dantas como sócio majoritário. As negociações claramente faziam parte de um conhecimento profundo de todo o Executivo. Esta crise foi exposta graças a uma briga de interesses na cúpula do governo, especificamente no caso de dominação de distintos grupos monopolistas dos mercados de telecomunicações, fundos de pensão e bancos. Isto prova que há no governo uma imensidão de lobbies que são feitos entre quatro paredes, nos bastidores do Congresso e até mesmo na ante-sala de Lula que tem não só o conhecimento como participação nestes casos, assim como todos os funcionários da burguesia no Congresso. LUIZ EDUARDO GREENHALG De defensor dos presos políticos da ditadura a defensor da ditadura dos especuladores financeiros Greenhalg, possui uma trajetória que é típica dos mensalões do governo, que traíram o povo para se venderem como prostitutas para a burguesia A trajetória de traição e banditismo dos maiores mensalões do PT tem em comum a traição mais vergonhosa ao povo e a venda da alma para os banqueiros e industriais. Luiz Eduardo Greenhalg surgiu como advogado de presos políticos e terminou como lobista de banqueiros e empresários. Hoje, Greenhalg é acusado pela Polícia Federal como articulador no governo de uma das maiores máfias financiadoras das contas de Marcos Valério, homem chave do mensalão, a máfia do banco Opportunity de Dantas, que é sócio majoritário e fundador do banco ligado ao grupo Citigroup. Greenhalg teria recebido pelo menos R$ 650 mil para fazer lobby para Dantas para favorecê-lo na fusão da Brasil Telecom com a empresa Oi, realizando tráfico de influência entre a cúpula do governo Lula, como com a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef. Também o grupo de influência de Greenhalg no Congresso Nacional tentou aprovar uma emenda na Medida Provisória nº 412, que prorrogava um projeto de isenção fiscal a empresas portuárias, quando Dantas domina empresas na área portuária. Nascido em 1948, aos 28 anos, filho de um dono de escritório de advocacia, Greenhalg acompanhou de perto no dia 25 de dezembro, Natal de 1976, o que ficou conhecido como a Chacina da Lapa, na qual a ditadura militar assassinou três dirigentes do PCdoB e prendeu e torturou os outros participantes da reunião. Greenhalg, durante a ditadura defendeu presos políticos desde o ano de 1972 e em 1980, participou da criação de uma comissão especial do Comitê Brasileiro de Solidariedade aos Povos da América Latina. Como advogado de presos políticos e de religiosos mais ligados ao movimento operário e dos sem-terra, Greenhalgh participou de campanhas pela anistia e contra a caristia. Greenhalg também defendeu na década de 70 e 80 membros do MST de perseguição política. Como várias figuras do PT, Greenhalg usou o partido para alavancar seu relacionamento com os partidos burgueses e a burguesia. Foi deputado federal em São Paulo em quatro mandatos e foi vice-prefeito de São Paulo no governo de Luiza Erundina entre os anos de 1989 e Na época também era Secretário dos Negócios Extraordinários da prefeitura. Já neste governo, foi denunciado e teve que ser demitido do cargo depois de vir à tona o caso de corrupção conhecido como Lubeca. Este foi o primeiro crime denunciado contra Greenhalg que já na época trabalhava como lobista de grandes capitalistas. Greenhalg foi pego com a mão na botija cobrando propina da empreiteira Lubeca para o financiamento da campanha à presidência de Lula no ano de 1989, em troca de licitação para um projeto urbanístico. Foi incumbido por Lula, como advogado do PT, de acompanhar as investigações sobre o assassinato do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel. A própria cúpula do PT era uma das suspeitas de terem mandado assassinar o prefeito para encobrir um escândalo de corrupção de grandes proporções dentro do próprio partido, relacionado às máfias das gestão municipais. O caso não teve qualquer conclusão. Greenhalg, que tem ligações também com a Igreja, fez a defesa do padre Júlio Lancelotti no escândalo chantagem e pedofilia, no qual o padre foi acusado de pagar 150 mil reais para um menor ex-detento da Febem para este não denunciá-lo por abuso sexual. Como deputado, Greenhalg foi candidato à presidência da Câmara dos Deputados pelo PT em 2005 e 2006, não tendo vencido em nenhuma das oportunidades. Greenhalg, no governo Lula, passou a advogado de banqueiros, subindo ainda mais na carreira. É advogado de Daniel Dantas e outros empresários, além de ter inúmeras provas de que fazia lobby dentro do Congresso em favor do banqueiro. CASO OPPORTUNITY Os atritos de duas alas da burguesia financeira A divisão da Justiça e da Polícia Federal no caso do escândalo do banco Opportunity, é claramente uma queda de braço de duas imensas máfias da burguesia na busca por um acordo A Polícia Federal exonerou esta semana, por indicação do Ministro da Justiça de Lula, Tarso Genro o delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz, responsável pelo caso da Operação Satiagraha, que autuou Nahas, Dantas e Pitta e mais 14 outros lobistas ligados aos bancos. Dois outros delegados, Karina Murakami Souza e Carlos Eduardo Pellegrini Magro, também foram afastados da investigação. Desenrola-se um acordo dentro da burguesia e este prevê logicamente que se abafe as acusações ao banqueiro para defender sua própria classe e manter a ligação dos governos. Esta é uma tentativa de não expor ainda mais os podres destas imensas quadrilhas dentro do Congresso, onde estes financiam uma parte da corja de parlamentares. A prisão de duas pessoas ligadas ao PP de São Paulo de Maluf, Nahas e Pitta, e de Daniel Dantas, considerado como maior financiador do Valerioduto, foi levantada do Palácio do Planalto, por uma ala do próprio PT, que se desenvolveu também em um atrito dentro do próprio governo. Estas alas corruptas se adiantaram à explosão do escândalo e claramente usam seus próprios crimes e de seus adversários como moeda de troca para pressionar um acordo próximo às eleições, seja este por cargos ou por espaço dentro das próprias máfias. Isto se deve ao fato de que o governo Lula, assim como todos os governos burgueses, é formado por inúmeras quadrilhas de todos os tipos e tamanhos. O governo da burguesia que administra o Estado trata da manutenção e da defesa de um ema- O PT se divide entre estas duas alas dos corruptos por ser formado dos próprios beneficiados e empresários ranhado de interesses ligados desde o crime organizado até o mercado financeiro internacional. É por isso que este acordo que se desenha, inclui logicamente a absolvição dos corruptos, assim como ocorreu com as centenas de deputados e senadores acusados de participação do mensalão. A operação abafa começou pela ação ditatorial do STF de levar para a Corregedoria a decisão do juiz que mandou prender o banqueiro, o que rachou a própria justiça entre procuradores, juízes, o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal. Esta crise se deu não porque o STF usou das medidas mais ditatoriais centradas na interpretação da lei, medidas estas que são cotidianas contra o povo, veja-se a interpretação no caso do aborto no qual os juízes, ligados às máfias da Igreja, tomam o poder dos deputados de interpretar a lei em sua cínica defesa da vida enquanto morrem milhares de mulheres todos os dias por não terem direito a realizar o aborto na rede pública. Esta divisão se dá porque as máfias dos banqueiros tomam todas as instituições nacionais e os únicos atritos estão no campo dos interesses dos banqueiros e empresários, que são defendidos diariamente pela Justiça, que é uma peça da máquina de moer ossos do povo que é todo o regime político dos exploradores. O PT, que se divide entre estas duas alas dos corruptos por ser formado dos próprios beneficiados e empresários concorrentes dos negócios de Dantas, foi definitivamente tomado pelos bancos, graças a todos os acordos da traição à classe trabalhadora de décadas por uma horda de capangas a serviço da burguesia. de 26 de julho a 2 de agosto No ano em que se completa o 190º aniversário do fundador do socialismo moderno, Karl Marx, a Aliança da Juventude Revolucionária (AJR), juventude do Partido da Causa Operária realizará nas suas férias de julho a 22ª edição do seu Acampamento de Férias com o curso de formação política Karl Marx, vida e obra, apresentado pelo companheiro Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO. Dando continuidade ao estudo do marxismo e da obra monumental de Marx, O Capital, iniciado na última edição do Acampamento de Férias da AJR, em janeiro, o curso que será realizado nas férias de julho deste ano trará uma exposição detalhada da biografia e uma análise do conteúdo revolucionário da doutrina socialista elaborada por ele. Visite a página do Acampamento de Férias da AJR na Internet e entre em contato com a Aliança da Juventude Revolucionária para obter mais informações sobre a atividade.

8 20 DE JULHO DE 2008 CAUSA OPERÁRIA CONTROLADORES DE VÔO Assassinos de centenas de pessoas: nada. Controladores de vôo: dois anos de cadeia Ao mesmo tempo em que é imposta a ditadura do regime dos corruptos e mensalões, oito controladores de vôo foram condenados a até dois anos de prisão por fazerem greve Os sargentos e controladores de vôo Wilson de Alencar Aragão, Walber Souza Oliveira, Daniel Tavares de Lima, Lizandro Henrique de Souza Koyama, Michael Rosenfeld de Paula Rodrigues e Alex Gonçalves de Sá, foram condenados de dois meses a dois anos de prisão pela Justiça Militar por paralisarem totalmente suas atividades no Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta) 4, em Manaus (AM) no dia 30 de março do ano passado, comprometendo as atividades aéreas em uma boa parte do País. Na época, os controladores reivindicavam a desmilitarização do setor, melhores condições de trabalho e de equipagem para os radares. Estes acusaram que, enquanto as recomendações internacionais eram de 14 aviões controlados a cada hora, chegavam a controlar mais que 20 aviões por hora. Os controladores acusavam as Forças Armadas de imporem condições de trabalho estafantes para utilizando de sua autoridade explorar os militares em um serviço que pode ser considerado típico da área civil. A acusação assinada pela Procuradora do Ministério Público Militar, Nazaré Moraes, e pelo juiz militar José Barroso Filho, diz que os controladores validaram dos órgãos de informação jornalística para fazer críticas levianas e infundadas, de forma sensacionalista, às normas do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) com o objetivo de incutir desconfiança na população e obter descrédito da Força Aérea. A Justiça Militar, órgão interno do Exército, incriminou os militares por crime de incitamento e publicação indevida, segundo prevê o código militar. O primeiro crime teria sido cometido depois que controladores deram entrevistas à imprensa para denunciar suas condições. O segundo teria sido cometido depois que comandantes das Forças Armadas exigiram que os grevistas saíssem do Cindacta, e estes continuaram ocupados. Há um ano do acidente da TAM, do vôo Airbus A320, de 17 de julho de 2007, em Congonhas, São Paulo, onde morreram 199 pessoas, a Justiça Militar pune os controladores com prisão, enquanto os donos da empresa aérea, acusada de desvio de verbas e de realizar um lobby Desde o início da crise aérea, somente os aviadores foram punidos e os empresários e militares que controlam o setor permanecem impunes. para impedir reformas nas pistas junto à ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) e a Infraero, esta última também controlada pelos militares, sequer foram julgados. Desde o início da crise aérea, somente os aviadores foram punidos e os empresários e militares que controlam o setor permanecem impunes. O STJ (Superior Tribunal de Justiça), através da decisão do então vice-presidente do STJ, o ministro César Asfor Rocha, negando o recurso aberto pelo Ministério Público, já havia determinado também há dois anos atrás que os controladores de tráfego aéreo que trabalhavam durante o acidente com o Boeing da Gol ocorrido em dezembro de 2006 responderão a dois processos. O acidente com o vôo 1907 ocorreu em 29 de setembro de 2006, quando o jato Legacy da empresa de táxi aéreo dos Estados Unidos ExcelAir bateu no avião da Gol, que seguia de Manaus (AM) para o Rio de Janeiro. O acidente deixou 154 mortos. Foi o início da crise aérea que percorreu todo ano de 2007, e ficou evidente que tinha como causa a falta de estrutura, de investimento por parte do governo, que submetia os controladores a condições de trabalho muito piores que o mínimo considerado seguro. Agora são mais seis punidos em nome da suposta ordem quando é a privatização e o sucateamento do setor aéreo que geram um caos no setor. Enquanto no País são os corruptos que mandam e desmandam, que recebem foro privilegiado dos juízes biônicos como vemos no novo caso de escândalo do Congresso Nacional, os trabalhadores que se mobilizam contra a ditadura do governo dos patrões, sofrem da Justiça, e neste caso da justiça mais ditatorial e reacionária, uma perseguição implacável, apoiada pelo governo Lula que dá todo o poder para a ala de militares corruptos que permanece em cargos desde os tempos da ditadura. POLÍTICA 8 PANORAMA GERAL Crise do setor aéreo Em setembro de 2006, o avião da Gol, vôo 1907, que seguia de Manaus para o Rio de Janeiro bateu com um jato de uma empresa de táxi aéreo norte-americano e deixou 154 mortos, um dos maiores acidentes do setor aéreo brasileiro até então. Este acidente mostrou a precariedade da infra-estrutura das torres de controle e a sobrecarga de trabalho a qual estão submetidos os controladores de vôo. O afastamento de oito controladores expandiu a crise para o Brasil inteiro. Estes foram responsabilizados pelo acidente, enquanto ficou evidente que este ocorreu devido a falhas nos equipamentos, quando operadores de todo País iniciaram uma operação padrão, reivindicando melhores salários, condições de trabalho e contratação de mais profissionais. Em março de 2007, controladores do Cindacta-4 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), em Manaus iniciaram uma greve reivindicando também a desmilitarização do setor. Revelando a permanência dos militares em vários setores da economia abrindo uma crise no próprio regime político, correspondendo a uma divisão entre setores da burguesia. A crise que se espalhava por todo País encontrou seu auge após o acidente do vôo da TAM 3054 em julho de O Airbus A320 se chocou com um prédio da TAM Express na cabeceira da pista de pouso em Congonhas, São Paulo. Este acidente matou 199 pessoas superando o anterior, tomando o posto de maior acidente da aviação brasileira. Uma das principais causas do acidente, além de defeitos da turbina de O afastamento de oito controladores expandiu a crise para o Brasil inteiro. reversão responsável pelo freio foi o tamanho da pista do aeroporto, menor do que é recomendado, e problemas nas ranhuras na pista que evitam a aquaplanagem dando maior aderência do avião à pista. No dia do acidente, choveu muito durante todo o dia, dificultando o pouso. O acidente aumentou exponencialmente a crise. O fechamento da pista em Congonhas superlotou os aeroportos de todo o país, atrasando vôos em horas e até em dias, demonstrando a falência da infra-estrutura do setor aéreo, decorrência da falta de investimento. Ao mesmo tempo iniciou-se a CPI do Apagão Aéreo, atingindo a direção da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil). A situação nos aeroportos e na estrutura de trabalho dos controladores se mantém caótica, enquanto a repressão contra os trabalhadores vem crescendo. Militares: greve, não. Assassinato, sim Dois eventos recentes revelam com bastante clareza o papel e o funcionamento das Forças Armadas Brasileiras. De um lado, oito militares julgados e seis condenados à prisão, com penas que variam de dois meses a dois anos. De outro, 11 militares acusados, três já libertados e declarações de que nem todos deverão ser processados, o que já indica que deverão na realidade ser absolvidos ou pegar penas muito leves. Ambos, segundo a imprensa, teriam desobedecido a seus superiores. Qual a diferença entre esses militares para justificar tratamentos tão diversos? Os primeiros são os controladores de vôo que paralisaram as operações em março de 2007, em protesto contra as péssimas condições de trabalho a que estavam submetidos Os últimos, de maneira sádica, entregaram três jovens do Morro da Providência, no Rio de Janeiro, a traficantes de um morro rival, sendo responsáveis pela tortura e assassinato dos três. Os que foram condenados estavam trabalhando, prestando um verdadeiro serviço. Os que estão sendo defendidos pelo delegado, pelo Secretário de Segurança Pública do Estado e que, sem a pressão popular seriam rapidamente absolvidos ou sequer chegariam a ser processados, estavam promovendo uma verdadeira ocupação no morro carioca, o que é totalmente irregular num regime que se diz democrático. Os primeiros, além de reivindicarem condições normais de trabalho para si mesmos, e denunciarem as péssimas condições a que estavam submetidos, que violam as próprias regras internacionais de aviação, estavam procurando evitar acidentes que poderiam causar a morte de milhares de pessoas. De fato, ficou comprovado que estavam com toda a razão quando, pouco depois da greve, um avião da TAM não conseguiu pousar no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, resultando no pior acidente aéreo do País. Este acidente evidenciou a total falta de investimento em infra-estrutura no Brasil, o que não fez, mesmo assim, com que o governo tomasse medidas efetivas para solucionar o problema. Os últimos estavam no morro para reprimir a população, uma espécie de piloto do que a burguesia gostaria que acontecesse no próximo período, prevendo que as polícias militares não conseguirão controlar a população, conforme se agrave a situação econômica e política, levando a enfrentamentos dos trabalhadores e da população em geral com os patrões e com o próprio Estado. Esses mesmos foram acusados ainda de manter um centro de torturas no morro e, como culminação de sua ação repressiva contra a população, entregou três jovens para a morte. Os dois teriam desobedecido a seus superiores. No entanto, só os que realizaram uma greve foram condenados. Os responsáveis pela bárbara tortura, mutilação e assassinato com 46 tiros em três jovens, estão sendo absolvidos e visivelmente não há a intenção nem do governo e muito menos do Exército de condená-los. A conclusão da qual não se pode fugir é que a única proibição real é a primeira; a de realizar greves. A segunda é uma orientação. Os militares podem ser punidos por se manifestarem, protestarem e paralisarem seus serviços, mas não por matar e torturar, porque esta é a sua verdadeira função. O governo Lula e as Forças A conclusão da qual não se pode fugir é que a única proibição real é a primeira; a de realizar greves. Armadas proíbem as greves, manifestações e qualquer tipo de protesto, mas liberam e estimulam o assassinato e a tortura. Além disso, Lula está investindo no reaparelhamento das Forças Armadas e procurando recuperar sua desgastada imagem. Dessa maneira, o presidente pretende poder enfrentar o próximo e intenso período de lutas da classe operária que se aproxima e que não será mais contido tão facilmente apenas com discursos. Mais de livros disponíveis na Internet Inaugurada há mais de quatro anos, a Livraria do Partido da Causa Operária, a única livraria de uma organização de esquerda do País, proporciona agora aos interessados, uma Loja Virtual, para o acesso mais rápido e fácil a todo o seu acervo, que conta com mais de livros. A Livraria do PCO, além de fornecer os materiais produzidos pelo próprio Partido da Causa Operária, como o semanário Causa Operária, a revista Textos, a coleção Biblioteca Socialista Mini, bótons, pôsteres e diversos livros, fornece também ao público interessado, livros novos e usados dos mais variados temas, como: sociologia, política, antropologia, psicologia, educação e pedagogia, questão da mulher, questão do negro, ecologia, história, arte, biografia, literatura estrangeira, literatura brasileira etc., além de um grande acervo de discos de vinil, cd s e dvd s. E agora, tudo ser comprado via Internet, pelo site virtual.com.br. 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9 20 DE JULHO DE 2008 CAUSA OPERÁRIA COLAPSO FINANCEIRO À BEIRA DO ABISMO Mais de 150 bancos à beira da falência nos Estados Unidos A falência do banco IndyMac está fazendo com que o setor bancário norte-americano fique à beira de um colapso financeiro sem precedentes, pois expôs a fragilidade de mais de uma centena de bancos que podem entrar em bancarrota a qualquer momento devido ao grande número de hipotecas de alto risco A crise financeira nos Estados Unidos está levando centenas de correntistas aos bancos com risco de falência. O mais procurado no momento é o banco IndyMac que recebeu intervenção do governo norte-americano na última sexta-feira, dia 11, depois de declarar falência com um grande número de hipotecas de risco, os chamados subprime. Desde segunda-feira, dia 14, centenas de pessoas fazem filas quilométricas em frente ao Indy- Mac para sacar dinheiro das contas do banco. Filas de até 300 pessoas se formaram mesmo antes do banco abrir. O governo norte-americano, por meio da agência pública, Sociedade Federal de Seguro de Depósito (FDIC), está garantindo a liquidez (dinheiro em caixa) do banco, por enquanto. Somente este ano já é o quinto banco que entra em falência, quatro deles de pequeno porte e o IndyMac, de médio porte. Para se ter uma idéia do agravamento da crise financeira é possível ver a evolução das falências bancárias nos últimos anos. Nos anos de 2005 e 2006 não foi registrada nenhuma falência bancária. No ano passado, dois bancos não suportaram a crise e este ano, em seis meses, já são cinco instituições bancárias. Algumas das falências ocorreram com os bancos Bear Stearns e o New Century Financial Corp. O clima é de total insegurança no mercado imobiliário dos Estados Unidos, pois com a queda do IndyMac veio à tona o fato de que estão na mesma situação, centenas de outras instituições financeiras como disse um analista econômico, Existem centenas de bancos com uma enorme exposição ao mercado imobiliário, e muitos vão quebrar (O Estado de São Paulo, 16/7/2008). Banco a preço de banana O IndyMac sofreu interferência estatal, por meio da agência FDIC, após sofrer várias baixas financeiras com hipotecas de risco. Esta agência garante as contas dos bancos e também funciona fiscalizando as instituições financeiras nos Estados Unidos. Com o anúncio das perdas com as hipotecas, os correntistas iniciaram a corrida ao banco que teve início em 27 de junho. Em pouco mais de dez dias, o banco, que tem 33 filiais no estado da Califórnia nos Estados Unidos, perdeu com os saques cerca de US$ 1,3 bilhão. Com o caixa praticamente zerado, o governo interferiu no banco, praticamente estatizando-o e mudando o nome para IndyMac Federal Bank que agora está sobre controle direto da agência FDIC. As ações do IndyMac tiveram uma queda vertiginosa nas bolsas de valores; mais de 57% na última terça-feira, dia 15. Devido à queda das ações, a Bolsa de Valores de Nova Iorque suspendeu a negociação das ações, pois o valor ficou muito abaixo do normal. Segundo foi divulgado, as ações estavam custando US$ 0,12 (!) e com isso o banco teria um valor de mercado de apenas US$ 12 milhões. A falência do IndyMac pode ser considerada a maior registrada em duas décadas. É a maior instituição financeira que quebrou em pelo menos 20 anos nos Estados Unidos. Somente em ativos o banco tinha US$ 32 bilhões e tudo foi absorvido pela crise. Caso semelhante ocorreu em 1984 com o fechamento do banco Continental Illinois National Bank & Trust Company Mais de 150 bancos ameaçados O que ocorreu com o banco IndyMac está deixando o mercado financeiro norte-americano em total clima de tensão, pois coloca em risco mais de uma centena de bancos. A lista com bancos suspeitos de falência conta com mais de 150 bancos de médio e pequeno porte, ou seja, a falência pode atingir qualquer banco, a qualquer momento. Os Estados Unidos tem 8,5 mil bancos, sendo 7,5 mil destes de médio e pequeno porte. O caso do IndyMac é bastante significativo pelo fato de ser um banco que não estava nesta lista de bancos suspeitos de falência da agência FDIC. As estimativas são de que haja uma quebradeira geral de dezenas bancos nos próximos 12 meses. O analista do banco de investimentos Landenburg Thalmann, Richard Bove, deu uma idéia de como estão os ânimos no mercado financeiro norte-americano ao dizer que todo mundo está preparando listas, tentando descobrir qual será o próximo banco a falir,em primeiro lugar, e, em segundo, quantos deles podem desabar (New York Times, 15/7/2008). Esta declaração define de maneira bastante clara qual a situação dos bancos norte-americanos. Estão todos ameaçados de falência já que a maioria deles tem grandes quantias envolvidas com o setor de hipotecas subprime. Fora de controle Com a provável falência de dezenas de bancos, o governo norte-americano não terá condições de salvar todos da crise, como fez com o IndyMac por meio da interferência da agência FDIC. Esta agência tem um fundo de US$ 53 bilhões para utilizar nestes casos e somente com o IndyMac já gastou de US$ 4 a US$ 8 bilhões. Não teria no momento fundo suficiente para conter a falência de uma dezena de bancos sequer. Junta-se a esse quadro dos bancos a crise instaurada nas duas maiores financiadoras de crédito imobiliário dos Estados Unidos, a Freddie Mac e Fannie Mae, que estão recebendo ajuda do governo Bush com toda atenção, justamente porque são determinantes para evitar novas falências com as hipotecas subprime, pois possuem a metade de todas as hipotecas de todo o mercado financeiro. Estas financiadoras compram hipotecas de credores, bancos etc. aliviando o mercado. Caso não tenham liquidez para fazer isso, deixam os bancos em situação ainda mais instável. A Freddie Mac e Fannie Mae funcionam praticamente como um colchão de ar para a crise dos bancos e os títulos hipotecários de risco. Com muito medo da crise, o presidente George W. Bush fez um apelo para que os norte-americanos não tirassem o dinheiro das contas, O sistema bancário é sólido. E, se você tem um depósito em um banco comercial, seu depósito é garantido em até US$ 100 mil. Minha esperança é que as pessoas respirem fundo e se dêem conta de que seus depósitos estão protegidos pelo governo (Repórter Diário, 15/7/2008). A iminência da falência de dezenas de bancos nos Estados Unidos deve se prolongar por muitos meses já que não se tem a medida do rombo nas hipotecas de risco. Conseqüentemente, o aumento do petróleo e da inflação vai aprofundar a crise financeira em nível mundial. PACOTE SALVA-VIDAS CONTRA UMA CRISE SEM FIM Bilhões de dólares para conter crise imobiliária No domingo, dia 13, o governo George W. Bush e o Fed (Federal Reserve), banco central norte-americano, apresentaram ao Congresso dos Estados Unidos um pacote econômico de última hora para tentar salvar o País de uma das maiores crises econômicas de todos os tempos. O pacote prevê a compra de ações das duas maiores hipotecárias dos Estados Unidos com o objetivo de salvá-las da bancarrota total. As duas financiadoras de hipotecas, conhecidas como Freddie Mac e Fannie Mae, anunciaram perdas com títulos hipotecários e precisam urgentemente de dinheiro para suprir a falta de liquidez (dinheiro em caixa). O pacote de Bush e do Fed também quer possibilitar o empréstimo, a juros baixíssimos, para as hipotecárias. O pacote quer que o governo Bush e o Fed possam, durante dois anos, comprar um número indefinido de ações da Fannie Mae e Freddie Mac. Ou seja, comprar uma parte das empresas gastando o quanto for necessário em dinheiro público para evitar a falências destas duas financiadoras. A compra das ações serve para cobrir os gigantescos rombos com a alta inadimplência que explodiu no mercado norte-americano desde agosto de O valor necessário que será empregado pelo Fed para salvar as financiadoras não foi revelado pelo governo. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, não quis declarar o valor, Levando em conta a dificuldade de determinar a dimensão apropriada da linha de crédito, não proporemos nenhum montante específico (Associated France Presse, 15/7/2008). O plano também quer aumentar a linha de crédito das duas empresas facilitando assim transações financeiras a curto prazo. Atualmente a Fannie Mae e a Freddie Mac possuem, cada, uma linha de crédito com o Fed de US$ 2,25 bilhões. Limite máximo dado pelo banco central norte-americano às financeiras hipotecárias. Este valor está estipulado há mais de 40 anos. Época em que as dívidas das financiadoras não passavam de US$ 15 bilhões. Depois da crise financeira do setor imobiliário as dívidas estão próximas de US$ 1 trilhão para cada hipotecária. A Freddie Mac tem, em dívidas, cerca de US$ 740 bilhões e a Fannie Mae, US$ 800 bilhões. O governo quer possibilitar uma linha de crédito praticamente ilimitada, semelhante ao que é feito como os bancos. A importância e urgência do governo norte-americano em tentar salvar estas duas financiadoras hipotecárias não é por acaso. A Freddie Mac e Fannie Mae são instituições que existem há mais de 40 anos e são as duas maiores agências de crédito imobiliário dos Estados Unidos. Detêm juntas, metade de todas as hipotecas dos Estados Unidos. Elas funcionam como uma espécie de salva-vidas do setor imobiliário comprando hipotecas falidas de bancos e credores. Possuem cerca de nada mais que US$ 5 trilhões em hipotecas. A falência imediata destas empresas provocaria um rombo sem precedentes na economia norte-americana, pois se o governo deixasse que as duas maiores financiadoras entrassem em falência isso provocaria uma desconfiança total no mercado financeiro o que levaria a um efeito em cadeia, com a bancarrota de milhares de instituições financeiras norte-americanas. Isso traria também conseqüências econômicas em todo o mundo. Para o governo norte-americano a estabilidade destas duas empresas hipotecárias é vital para economia do País. Uma declaração feita pela porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, deixa clara a importância para o governo Bush destas financiadoras, Fannie Mae e Freddie Mac desempenham um papel importante em nosso sistema financeiro imobiliário e devem continuar desempenhando esse papel em sua forma atual, como companhias de propriedade de acionistas (idem). O pacote antifalência apresentado no Congresso dos Estados Unidos ainda precisa ser aprovado. Mas o anúncio feito pelo Fed não foi suficiente para diminuir a preocupação dos investidores do mercado financeiro. Somente na terça-feira, dia15, as ações das duas financiadoras caíram 20%. É muito fácil perceber que se o governo dos Estados Unidos está com todo este empenho em evitar a falência da Fannie Mae e da Freddie Mac é porque o desenvolvimento real da crise é muito maior que o anunciado. Esta crise no setor imobiliário é muito mais abrangente que as contas destas duas financiadoras norte-americanas. Tem efeitos de ordem mundial. A desvalorização do dólar, o aumento sem limites do petróleo que está beirando a marca recorde de US$ 150 o barril e como conseqüência e fator determinante na situação política e econômica mundial, a tendência inflacionária mundial. O efeito da falência das financiadoras hipotecárias nos Estados Unidos pode elevar ainda mais a crise gerada pelo aumento da inflação. O aumento dos preços, o fechamento de fábricas, congelamento salarial etc. podem provocar um acirramento cada vez maior e gradual entre a classe operária mundial e o imperialismo. As convulsões populares nos países pobres por falta de alimentos, as greves na Europa pelo aumento dos combustíveis e a retomada das greves no Brasil já são sinais destes efeitos da inflação. E devem adquirir uma dimensão ainda maior no próximo período. CONTER O COLAPSO Fed cria barreiras para evitar perdas em outras financiadoras Além do pacote para salvar as empresas hipotecárias Freddie Mac e Fannie Mae, o Fed (Federal Reserve), banco central dos Estados Unidos, já definiu, na última segunda-feira, dia 14, novas regras para o sistema de financiamento hipotecário norte-americano. A intenção é criar uma barreira para que as outras financiadoras não criem condições para desenvolver a crise em negociações futuras. As medidas têm intenção de inibir novos empréstimos que possam gerar futuras inadimplências. Entre elas há a criação de multas de pré-pagamento de hipotecas, a liberação de concessões de financiamento de imóveis de alto valor mediante a confirmação de renda superior ao valor necessário para quitar a dívida, publicidade que contenha informações mais claras sobre o financiamento como valor total, juros etc. Há também a proibição para que as empresas de financiamento não forcem os avalistas a adulterarem os valores dos imóveis. Estas são medidas que serão implantadas diretamente pelo Fed junto ao setor imobiliário. A maioria destas novas normas de financiamento somente irá ter efeito a partir do segundo semestre do próximo ano. Assim como está fazendo com o pacote para evitar a bancarrota das financiadoras Freddie Mac e Fannie Mae, estas novas regras para o financiamento de hipotecas criadas pelo Fed têm como objetivo aparentar para o mercado financeiro e investidores uma aparência de segurança em relação às financiadoras. O Fed quer evitar a todo custo que haja uma corrida desenfreada de correntistas aos bancos e empresas de hipotecas para resgatar dinheiro, pois isso agravaria ainda mais a crise. Mesmo os bilhões que o Fed está disponibilizando para as instituições financeiras não será suficiente para conter os saques. O BRASIL NA CRISE Inflação oficial já é de 6,48% ECONOMIA 9 A inflação voltou a crescer na semana. Segundo dados divulgados pelo Banco Central brasileiro um dos principais índices de aumento da inflação, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) teve alta de 6,48% como média anual para Na semana passada este índice estava registrando 6,4%. A cada semana o IPCA vem subindo. Esta é a sexta semana consecutiva que tem aumento do IPCA, são quatro meses seguidos de aumento da inflação. A marca atingida para esta semana é quase 2% a mais que o governo está prevendo como a inflação para todo o ano, 4,5%. O aumento foi generalizado em outros índices que compõem a inflação. O Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGP-DI), por exemplo, aumentou de 11,41% registrado na semana passada para 11,66% esta semana. Outro índice que teve reajuste esta semana foi o IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado que subiu de 11,25% na última semana para 11,92%. Em São Paulo, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) calculou o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e registrou aumento de 6,51%, na semana anterior este índice era de 6,31%. Os juros também devem fechar o ano em pelo menos 14,25%, atualmente está em 12,25%. O PIB (Produto Interno Bruto) continua em 4,8%, índice baixíssimo para provocar algum desenvolvimento significativo no País e mesmo assim também abaixo do esperado pelo governo, 5%. Os investimentos estrangeiros, apesar do tão propagandeado grau de investimento adquirido pelo Brasil recentemente não estão causando nenhum efeito positivo. Foi anunciado que os investidores estrangeiros vão deixar no Brasil em 2008, US$ 33 bilhões. As estimativas de uma semana atrás eram de investimentos de US$ 33,5 bilhões. Uma queda de meio bilhão em apenas uma semana. Para completar o saldo da balança comercial que compreendem a diferença entre as importações e exportações realizadas no Brasil passou de US$ 22,81 bilhões para US$ 22,78 bilhões. Em maio a balança comercial para 2008 era estimada em US$ 30 bilhões. Em menos de dois meses já teve uma redução de quase US$ 10 bilhões. Este é o resultado do crescimento das importações brasileiras que estão sendo estimuladas com a desvalorização do dólar e o aumento da inflação. Este novo aumento da inflação para esta semana confirma a tendência inflacionária mundial. Na última segunda-feira, a inflação mundial subiu de 2,8% em maio para 3,4% em junho. Estes aumentos da inflação já estão sendo sentidos nos bolsos dos trabalhadores que estão ficando com os salários desvalorizados semanalmente. A classe operária de conjunto deve ter uma pauta de reivindicações tenha como ponto central a defesa de seus interesses contra os ataques da burguesia. Os trabalhadores devem reivindicar a escala móvel de salários, diminuição da jornada de trabalho para 35 horas semanais sem a redução dos salários, salário mínimo vital que atenda todas as necessidades do trabalhador e de sua família etc. EM UM ANO... Bancos já perderam mais de US$ 400 bilhões com crise financeira A crise financeira iniciada com a crise imobiliária nos Estados Unidos em meados de agosto de 2007 já provocou a perda de centenas de bilhões de dólares pelos grandes bancos dos Estados Unidos, Europa e Ásia. As perdas foram principalmente causadas pelos investimentos de alto risco, subprime, investimentos de imóveis que foram concedidos a credores com histórico de pagamento duvidoso e por isso mesmo cobrados com altíssimos juros. Estas hipotecas subprime geraram bilhões de lucros para os bancos, investidores etc. durante os últimos quatro anos. No segundo semestre do ano passado explodiu o rombo criado pelos financiamentos hipotecários dando início à atual crise. Os bancos que investiram em milhares de títulos hipotecários ficaram completamente à deriva. Com a suspeita, os investidores começaram a vender os títulos e sacar dinheiro dos bancos provocando uma onda de prejuízo de bilhões em diversas instituições financeiras. Em quase um ano de crise, os prejuízos computados pelos grandes bancos já somam pelo menos US$ 400 bilhões. No ranking entre os bancos que mais tiveram prejuízos com a crise imobiliária aparece em primeiro da lista o maior banco dos Estados Unidos, o Citigroup que perdeu desde o ano passado, US$ 43 bilhões. Depois vem o banco sueco UBS que teve perda de US$ 38 bilhões. Em terceiro lugar está o banco Merrill Lynch com US$ 37 bilhões perdidos. Há ainda o Bank of América, com perdas de US$ 15,1 bilhões e o banco Morgan Stanley que perdeu até o momento US$ 9 bilhões. As maiores perdas vieram dos bancos europeus que tiveram o prejuízo de US$ 200,6 bilhões, os bancos norte-americanos com perdas de US$ 172 bilhões e os bancos asiáticos US$ 20 bilhões. Estes bancos ainda não entraram em falência total porque são muito grandes e possuem uma grande quantia em caixa para perder e também porque os Bancos Centrais dos Estados Unidos, Europa, Japão etc. estão injetando centenas de bilhões de dólares desde o início da crise. Já foram mais de um trilhão de dólares em quase um ano. Outro recurso utilizado pelos bancos foi a venda de ações para os bilionários fundos soberanos de países do Oriente Médio e da Ásia. O buraco negro do subprime ainda vai gerar muitos prejuízos para estes bancos. Para este mês o Citigroup e o Merrill Lynch anunciaram que provavelmente terão novas perdas causadas pelo setor imobiliário. Por enquanto estes bancos estão se mantendo em pé com a ajuda do dinheiro público vindo dos governos, mas não se sabe até quando este fundo vai suportar os prejuízos que virão. Leia e assine o jornal CAUSA OPERÀRIA Informações: Rua Miguel Stéfano, nº 349, Saúde, São Paulo, Capital, CEP , Fone: (11) ,

10 20 DE JULHO DE 2008 CAUSA OPERÁRIA MOVIMENTO OPERÁRIO 10 GREVE NOS CORREIOS Ecetistas em Luta protocola pedido de audiência com Lula para pressionar o governo A política do Bando dos Quatro (PT, PCdoB, PSTU e Psol) desde o começo foi a de proteger Lula e eximi-lo da culpa pelo não cumprimento do Termo de Compromisso. Por isso a tentativa de fazer os trabalhadores acreditarem que Lula não sabe de nada, que na verdade o verdadeiro lobo mau é Carlos Henrique Custódio, presidente da ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos). Tentam fazer os trabalhadores de trouxa, como se a ECT não fosse uma empresa estatal controlada pelo governo federal. Nesta proteção obstinada, o governo e o Bando dos Quatro já fizeram de tudo para boicotar qualquer iniciativa que coloque Lula na parede. Os trabalhadores dos Correios estão em sua terceira greve em três semestres. Em todas elas os funcionários foram enganados por Lula e pela empresa que prometiam o adicional de risco, enrolavam todo mundo e no final não davam absolutamente nada. Tudo com o apoio do Bando dos Quatro, que faziam os trabalhadores engolirem as mentiras de Lula e acabavam com a greve. Essa novela continuou, Lula prometia e não cumpria, assinava o Termo de Compromisso e... nada feito. Apesar das mentiras de Lula, o Bando dos Quatro continuou a sua blindagem ao governo e sequer se dignou a exigir de Lula uma audiência com os trabalhadores. A corrente Ecetistas em Luta (PCO) é a única que está disposta a denunciar para toda a população o que está acontecendo e dizer que Lula enganou os trabalhadores, com o objetivo de pressionar o governo até que ele cumpra o que assinou. Por isso, Ecetistas em Luta protocolou um documento para que Lula receba os trabalhadores e negocie o adicional de risco. É mais uma maneira de pressionar o governo. Lula recebe diariamente em seu palácio os maiores ladrões da política nacional, como os banqueiros e industriais, mas não quer receber os trabalhadores. É a velha e conhecida política de todos os governos que o precederam: para os ricos, tudo e para o povo, nada. O pedido de audiência foi protocolado por Ecetistas em Luta enquanto estavam acampados em frente ao Palácio do Planalto para exigir que Lula recebesse os trabalhadores. O acampamento foi inclusive boicotado pelo Bando dos Quatro, apesar de ter sido aprovado no Consin (Conselho de Sindicatos), pois este não quer colocar Lula contra a parede. A única coisa que esse bando GREVE enxerga são os possíveis e muitas vezes impossíveis cargos eleitorais. Esse é o motivo pelo qual não batem de frente com Lula, são aliados dele. É por isso também que foram contra a proposta de Ecetistas em Luta de aprovar um rompimento formal de todos os sindicatos dos correios com o governo. Cartaz Ecetistas em Luta para pressionar Lula A corrente nacional de oposição nos correios Ecetistas em Luta lançou um cartaz para informar a população sobre a greve dos Correios e denunciar Lula e todo o governo por não ter cumprido o Termo de Compromisso assinado pelo presidente da ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos), Carlos Henrique Custódio, com o aval do Ministro das Comunicações, Hélio Costa. No Termo de Compromisso o governo cedia um adicional de risco de 30%, reivindicação antiga dos carteiros. A corrente Ecetistas em Luta vão lotar as ruas das cidades para pressionar o governo a cumprir o acordo. CORREIOS PSTU na greve: mais governista que o PT e o PCdoB Há muito já que o PSTU começou a propogar as demagógicas palavras-de-ordem no antigovernista, inventada não para se opor a Lula, mas para competir com o PT e o PCdoB. Nos Correios, os trabalhadores sabem o quanto que, em todos os casos, governistas e antigovernistas estão em um eterno bloco, para trair as lutas dos trabalhadores. Este fato ficou uma vez mais demonstrado por dois exemplos da atual greve. A Corrente Ecetistas em Luta (PCO), de oposição ao Bando dos Quatro, defendeu no último Consin, Conselho de Sindicatos, que fosse aprovada ali uma proposta de rompimento formal de todos os sindicatos dos correios com o governo Lula. Uma proposta que o PSTU chamaria de antigovernista certo? Ledo engano. Todo o Bando dos Quatro se colocou contra a proposta, inclusive o PSTU. Defenderam seu amado presidente Lula com unhas e dentes. Para ainda tentar manter a pose usaram a bela explicação de que cada um apóia o governo ou não se quiser. No acampamento que os trabalhadores dos sindicatos dirigidos por Ecetistas em Luta realizaram em frente ao Palácio do Planalto, convocado e proposto por Ecetistas em Luta para pressionar Lula a receber os trabalhadores, o Bando dos Quatro foi contra desde o início. Porém, não conseguiram barrar a proposta, que foi aprovada pelo Consin (Conselho de Sindicatos). Passaram então a boicotar a iniciativa, pois não querem incomodar Lula, não organizaram caravanas dos estados e levaram os trabalhadores embora, deixando somente os militantes de Ecetistas em Luta e trabalhadores de Minas Gerais e Espírito Santo e da oposição em Campinas, do próprio Ecetistas em Luta. O acampamento sofreu vários boicotes para que se levantasse as barracas. O PT, tentou, o PCdoB tentou, representantes do governo tentaram e ameaçaram chamar a polícia... mas a polícia também não conseguiu. Lula, então chamou seu fiel escudeiro antigovernista. O PSTU, na pessoa do diretor da Fentect, conhecido como Jacozinho começou a dizer para os trabalhadores irem embora, pois estava pegando mal. Afinal de contas Lula iria receber uma visita internacional e não deveríamos sujar a imagem do governo. Uma política completamente servil e aliada do governo! Na hora em que a ala majoritária da burocracia sindical PT e PCdoB perdem toda a autoridade no movimento para controla-lo e proteger o governo, o antigovernista PSTU é chamado para fazer o serviço sujo de defesa do governo. CONLUTAS NA APEOESP Para que serve a central do PSTU Sob o rótulos de antigovernistas e de oposição, combativos da frente de esquerda assinam embaixo de toda a política completamente reacionária e pelega da burocracia petista em apoio ao governo tucano Os professores da rede estadual de São Paulo, encontramse em recesso escolar que, para o setor mais combativo que participou da greve, foi de apenas uma semana, já que o governo impôs com a aquiescência da diretoria do sindicato da categoria (APEOESP) - que a metade do descanso devido dos professores fosse tomado pelo início da reposição das aulas não dadas durante a greve de três semanas realizadas pela categoria em junho e julho. Um acordo que somente poderia ser assinado por um verdadeiro agente patronal, como efetivamente é a diretoria do sindicato dos professores estaduais de S. Paulo, a APEO- ESP. A greve acabou mas, de forma alguma, cessou a encenação da diretoria de que estaria lutando. Em um comunicado emitido na véspera do início do recesso (10/07), esta chamou a categoria a manter a luta e o estado de greve, como se tal fosse um estado de espírito. Isso, depois de assinar um Termo no Tribunal Regional do Trabalho em que se comprometia a acabar coma greve, antes de consultar a categoria (assembléia) a respeito e sem que sequer o governo se comprometesse com nada que não fosse analisar a proposta (para conferir consulte o Termo da Audiência 125/08 no site da APEO- ESP, do TRT ou do Causa Operária Notícias online). Novas cenas Agora, depois da bravata de que iria realizar a denuncia S.E.E. ao Tribunal Regional do Trabalho (Fax Urgente n o. 49), a burocracia anuncia seu contentamento com o fato de que a APEOESP prestou esclarecimentos à Procuradoria REgional do Trabalho (Fax Urgente n o. 51) e convocam para 24 de julho próximo, uma reunião do conselho estadual de representantes supostamente para definir os próximos passos da luta, quando toda a categoria viu que foi este mesmo conselho, formalmente o comando da greve que sabotou abertamente a greve, com centenas de conselheiros trabalhando, e que aprovou o acordo assinado pela diretoria contra a categoria. A cúpula da burocracia (executiva da APEOESP, integrada pelo PT, PSTU, PCdoB e Psol), que assinaram o Termo de acordo com os tucanos, mas que não sofre descontos do seu salário e que ainda é remunerada com inúmeros acréscimos aprovados por ela mesma, tais como carros com combustível liberado, contas de celulares pagas, viagens e hospedagens, diárias, ajuda de custo etc. etc. vê o seu descanso em paz do recesso, incomodado pela enorme revolta de ampla parcelas da categoria que compreendeu que foi traída. Pressionados, representam para o público, pois sabem muito bem que nada têm a exigir do governo, a não ser a solidariedade do governo que socorreram em um momento em que precisam dar desculpas diante da categoria. Com o PT do principio... Em toda esta encenação, destaca-se o papel desempenhado pelo PSTU, o maior avalista da conduta reacionária da política do PT à frente do Sindicato. A greve foi enterrada nos dias em que se realizavam o Congresso do Conlutas, onde dirigentes sindicais do PSTU dos professores e de outras categorias encenavam o papel de oposição à direção da CUT, ao governo Lula etc. Na APEOESP, entretanto, assim como ocorre em outras categorias onde têm alguma intervenção (como no caso dos correios e metalúrgicos de São José dos Campos) fica claro que o Conlutas/PSTU bem como seus aliados da frente de esquerda, Psol/Intersindical, nada mais são do que um instrumento auxiliar da política burguesa dos governistas. Pouco antes da greve, a APEOESP realizou eleições nas quais a ala majoritária reconduziu à presidência do Sindicato a dirigente da burocracia mais repudiada pelo ativismo da categoria, conhecida como Bebel-Delúbio (que já havia presidido a entidade no começo da década atual quando a burocracia enfrentava uma enorme crise diante da total capitulação da diretoria diante da ofensiva contra os professores e o ensino público levado adiante pelos primeiros anos de governos tucanos em nível estadual (Covas) e federal (com FHC), ambos a partir de Essas eleições foram um festival explícito de fraude, uso de violência da burocracia com capangas e até PM s). Todo esse processo foi abençoado pelo PSTU/Conlutas e sua chapa de oposição que comemorou a conquista de mais um cargo na executiva da entidade, como resultado dos acordos políticos realizados com a outra ala da direção. Nesta campanha, as duas chapas da diretoria (dos governistas do PT e PCdoB e da oposição do PSTU e Psol) gastaram milhões e nenhum problema real da categoria foi colocado em discussão, porque se tratava, simplesmente para estes setores da partilha dos cargos e vantagens dispensados para a burocracia. Logo após as eleições, estimulada também pela revolta da categoria com os resultados fabricados no processo eleitoral em que mais de 60% dos professores associados sequer votaram, os professores compareceram em número expressivo a uma assembléia - postergada pela diretoria para depois das eleições decididos a entrar em greve contra o arrocho salarial e os novos ataques do governo Serra (PSDB), como o decreto e a Lei PT e PSTU, nada fizeram para organizar a greve, a tal ponto de sequer cumprir a formalidade de avisar o governo de que a categoria entraria em greve a partir do dia 13, só comunicando a greve a partir do dia 16. Deflagrada a greve, a base profundamente reacionária dessa diretoria integrada por diretores, professores coordenadores escolhidos pelos diretores, professores que forma a linha de frente do peleguismo nas escolas passou a sabotar a greve, trabalhando, defendendo que greve fosse feita apenas em alguns dias da semana etc. A situação foi reconhecida até por dirigentes do PSTU/Conlutas, que em reunião do Conselho Estadula de Representantes anunciaram que conselheiros (do comando de greve ) estavam trabalhando....até o fim A sabotagem da diretoria do PT e PSTU não parou por aí. O dinheiro que foi e será esbanjado nas eleições, começou a faltar para a mobilização da categoria, a ponto de subsedes deixarem de colocar ônibus para levar professores para as assembléias. Nenhuma campanha em favor da greve era realizada de fato nos meios de comunicação, não havia cartazes, outdoors etc; a burocracia unida tratou de economizar recursos coma luta para esbanjar nos gastos com a satisfação de seus próprios interesses. Não houve apenas uma harmonia prática, mas também política. Enquanto a categoria realizava as maiores manifestações dos últimos 15 anos, a burocracia tratava de manobrar e tentar desviar o movimento. Nesta operação, os combativos do PSTU/ Conlutas também foram fundamentais. Primeiro, seu principal dirigente e vice-presidente da APEOESP, José Geraldo, o Gegê tratou de propor que a mobilização tivesse como centro o parlamento, para pressionar a Assembléia Legislativa e as câmaras de vereadores, propondo a velha e inútil tática da burocracia cutista de pregar a cara dos traidores no poste, como se fosse um problema parlamentar e não uma luta contra o governo Serra. Esta tática pelega é um golpe para fazer campanha eleitoral para o PT e o Psol, que apesar de não fazerem nada a favor da mobilização dos professores, se dispõe a votar nessas ocasiões a favor dos trabalhadores para colher dividendos eleitorais. Por último, como dois irmãos siameses, PT e PSTU, trataram de preparar e executar a traição dos professores no altar da justiça patronal. A mesma que deixa impune os banqueiros e persegue os trabalhadores. Juntos aceitaram uma suposta mediação, nada imparcial, do Ministério do Trabalho (comandado pelo PDT/Força Sindical), para colocar os destinos da greve nas mãos da reacionária Justiça do Trabalho e, mais ainda, do próprio governo tucano. Como o governo e a Justiça patronal não foi capaz de apresentar uma saída para o impasse, diante da força das mobilizações realizadas pela categoria, os adversários nas eleições e nos discursos do Congresso do Conlutas, trataram eles mesmo de oferecer uma saída honrosa para o governo, sem se importar em realizar uma das maiores traições da história da categoria. Tomaram a iniciativa de propor e assinar (PT e PSTU, repetimos, Bebel e Gegê colocaram ali a sua assinatura), um Termo em que se propõem à acabar com a greve e a repor (os professores é claro, pois eles não trabalham) os dias parados em troca de nada, ou seja, em o atendimento de nenhuma das reivindicações da categoria. O governo deveria apenas pagar os dias parados e repostos (também só faltava que eles propusessem que os professores trabalhassem de graça). O governo não se comprometeu com nada, apenas a analisar a proposta, mas mesmo assim eles assinaram o acordo, sem consultar a assembléia da categoria Denunciados pelos professores da Corrente Sindical Causa Operária e confrontados com a revolta da categoria, a sagrada família persiste na saga de fingir que lutam, que fizeram um acordo, que vão cobrar do governo, que vão acionar a justiça, que vão mobilizar os fura-greves etc. etc. No maior sindicato do País, o PSTU/Conlutas mostra na prática seu papel reacionário. É necessário fazer um balanço dessa experiência (bem como de outros) como parte da superação na categoria e em todo o movimento operário dessa política contra-revolucionária. GREVE DOS PETROLEIROS Trabalhadores da Bacia de Campos fazem greve por cinco dias Os petroleiros da Bacia de Campos no Norte do Rio de Janeiro, iniciaram uma greve, Os trabalhadores não aceitaram a diminuição em 36% do piso da PLR proposta pela Petrobrás e exigem que o Dia de Desembarque seja contado como dia de na madrugada de domingo para segunda-feira, que parou os trabalhadores de 33 plataformas de extração de petróleo e gás natural. Os trabalhadores não aceitaram a diminuição em 36% do piso na Participação nos Lucros e Resultados (PLR) proposta pela Petrobrás. A empresa alegou que a proposta vem em função de uma queda no faturamento. Além disso, os trabalhadores das plataformas exigem que o Dia de Desembarque seja contado como dia de trabalho. Atualmente, eles passam 14 dias nas plataformas em alto-mar trabalhando e 21 em terra, sendo que o dia que têm que viajar para trabalhar é considerado dia de descanso. Segundo o sindicato, cerca de 400 barris deixaram de ser extraídos somente na primeira manhã de paralisação. A bacia de Campos é responsável por cerca de 80% da produção do petróleo em todo o País. Na manhã de segunda-feira, a Petrobrás anunciou que assumira 21 plataformas, usando sua equipe de contingência, que nada mais é do que uma tropa de fura-greves para garantir a produção da empresa. Mais de 250 petroleiros foram enviados para evitar a queda na produção. Contando inclusive com a conivência do próprio Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), dirigido pela ultrapelega Articulação do PT, que em seu site disse estar disposto a negociar efetivo mínimo e a produção. Em declaração à agência de notícias Reuters, o coordenador do Sindpetro-NF, José Maria Rangel, criticou o número reduzido das equipes de contingência colocadas pela empresa para evitar maiores impactos da greve à população. Esses trabalhadores da equipe de contingência são verdadeiras buchas de canhão da empresa. Eles são obrigados a trabalhar em um número muito menor nas plataformas e são despreparados para o serviço que têm que fazer. Na plataforma P- 50, por exemplo, a Petrobrás colocou apenas sete trabalhadores contra os 25 que operam no turno da manhã, são obrigados a produzir com uma carga maior, o que torna o trabalho ainda mais perigoso. A Petrobrás reteve ainda os petroleiros em greve nas plataformas, impedindo o seu desembarque. A direção do sindicato acusou a empresa de cárcere privado, já que a empresa é obrigada a liberar o desembarque dos grevistas. A greve teve início já marcada para durar apenas cinco dias, como uma manobra do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF) para controlar a mobilização. Diante da recusa da estatal em negociar, a greve se espalhou para outros estados e atingiu também os trabalhadores das refinarias e da distribuição. A FUP, no entanto, já iniciou a greve avisando que esta duraria apenas 48 horas. A greve com dia e hora para terminar é uma manobra da direção da categoria, dominada pela Articulação do PT, aliada do governo Lula.. Para não perder o controle da situação a burocracia sindical lança mão desse tipo de manobra para barrar a mobilização. Nessa semana, os petroleiros de todo o País votarão a respeito da realização de uma greve nacional de cinco dias, com parada de produção, a partir do dia 5 de agosto. A greve dos petroleiros pode marcar o nascimento de uma nova etapa de mobilizações. É fruto da crise econômica, queda das bolsas, aumento do preço do petróleo e principalmente a inflação crescente que atinge diretamente o trabalhador. Lula não pode dar um centavo a mais aos trabalhadores, pois tem que salvar os banqueiros nacionais e internacionais, afundados na crise.

11 20 DE JULHO DE 2008 CAUSA OPERÁRIA MOVIMENTO OPERÁRIO 11 ACAMPAMENTO EM BRASÍLIA Corrente Ecetistas em Luta realiza acampamento em frente ao Palácio do Governo As barracas montadas em frente ao governo foram trazidas pelos companheiros da Corrente Ecetistas em Luta, pois não existiu, em momento algum, estrutura para acampamento. A Fentect, que deveria ser a organizadora da atividade, não organizou nada e para sabotar a pressão sobre o governo quer hospedar os companheiros em um hotel Cerca de 70 trabalhadores de Minas Gerais e do Espírito Santo organizaram acampamento em frente ao Palácio do governo em Brasília. Depois de muita insistência da Corrente Ecetistas em Luta para que fosse realizado ato público em frente ao governo, o Consin Conselho de Representantes de Sindicatos aprovou na última reunião realizada no final de semana, a organização do acampamento em Brasília. Aprovou, mas não colocou em prática. As barracas montadas em frente ao governo foram trazidas pelos companheiros da corrente Ecetistas em Luta, pois não existiu, em momento algum, estrutura para acampamento. A Fentect (Federação Nacional GOVERNO QUER ENROLAR A CATEGORIA NOVAMENTE!!! Proposta indecente: mais três meses de enrolação com abono sem incorporação e PCCS da escravidão através da mediação do TST Na semana passada, a ECT protocolou nova proposta no TST. Repete novamente o golpe de empurrar para daqui há três meses o problema da incorporação do abono. Na proposta o TST (Tribunal Superior do Trabalho) se compromete somente que nesse período será negociado a incorporação do Adicional de Risco de 30%, ou seja, nada. Todo mundo sabe que, sem greve, vão esquecer que existem 100 mil trabalhadores na ECT, como já fizeram antes com o Termo de Compromisso. A direção da ECT, com o cinismo que é peculiar aos verdadeiros marginais que compõem o governo, declara que se o TST não julgar de acordo com o interesse do trabalhador (o que sempre acontece nas greves), a ECT passaria por cima do julgamento desfavorável do TST à categoria (como eles são bonzinhos e consideram os trabalhadores) e por livre e espontânea vontade incorporaria R$ 260,00 aos salários dos carteiros, reajustados de acordo com os índices do dissídio coletivo. A escória que dirige a ECT e o governo não tem vergonha de mentir publicamente, inclusive por escrito, porque contam que depois ninguém vai cobrar a conta das promessas feitas. Exatamente como aconteceu com o Termo de Compromisso. Eles assinaram a promessa de incorporação do abono em abril, para conseguir o apoio ao veto do projeto de periculosidade (não podemos esquecer que o projeto era lei e já havia sido aprovado no congresso nacional). Não cumpriram a promessa, não incorporaram o abono, apesar da greve realizada. A direção da Fentect, junto com os sindicatos dirigidos pelo Bando dos Quatro (PT-PCdoB- PSTU-PSOL) sequer entrou na Justiça para fazer valer o documento que havia sido assinado pela direção da ECT, pelo governo e pelo Ministro das Comunicações. Assim, Trabalhadores dos Correios), que deveria ser a organizadora da atividade, não organizou nada e para sabotar a pressão sobre o governo quer hospedar os companheiros em um hotel. Desde a manhã tudo o que a empresa, o governo, com a ajuda da direção da federação e da direção do Sindicato dos Correios do Distrito Federal (Sintect- DF) fez foi enrolar os ecetistas. A concentração da manhã estava marcada para as 8h30m, o carro de som só chegou no local 11h e sem funcionar. Quando os trabalhadores, cansados de esperar, iniciaram a caminhada até o Palácio do Planalto, o fizeram sem carro de som que pifou de vez na metade do caminho. Chegando em frente ao Palácio do Planalto, na Praça dos Três Poderes, a enrolação só aumentou. A direção da Federação, sem nenhuma barraca montada, usou as barracas montadas pelos integrantes da corrente Ecetistas em Luta, como barganha para supostamente negociar um encontro com representante do governo. A proposta e a exigência da Polícia alegando ser proibido por lei montar barracas na Praça dos Três Poderes da Fentect e do governo, era que as barracas fossem desmontadas para que uma comissão de representantes dos trabalhadores fosse recebida pelo governo ou pelo ministério. Depois de muitas ameaças, as barracas foram desmontadas e nenhuma comissão foi recebida. Para completar a tentativa de desmobilização e esvaziamento do movimento, a direção do Sintect-DF orientou os trabalhadores de Brasília em assembléia, a se dispersar, ir para casa e só voltar no dia seguinte, antes do início da audiência no TST, onde será discutida a greve. qualquer documento, até o acordo coletivo, pode ser assinado e depois descumprido, porque a Fentect não vai usar a justiça para fazer com que o contrato assinado seja cumprido. A direção da ECT e o governo contam que vão fazer como na greve de abril. Os sindicalistas mensalões e mensalinhos encerraram a paralisação com a promessa de incorporação. Depois sequer entram na Justiça para fazer valer a vontade da categoria, com o agravante de que nesta greve sequer a totalidade dos dias parados serão pagos. Uma verdadeira afronta aos trabalhadores, na medida em que a ECT não cumpre o acordo assinado por ela e os trabalhadores é que serão punidos com o desconto em seus salários. A conclusão é uma só: os trabalhadores não contam com representação sindical nacional, que é controlada pela empresa, assim como a maior parte dos sindicatos locais, onde a SINTECT-MG REALIZA PASSEATA ATÉ A RESIDÊNCIA DO MINISTRO HÉLIO COSTA Greve até a incorporação efetiva do adicional de risco e a retirada do PCCS da escravidão Os trabalhadores dos Correios de Minas Gerais, no décimo dia em greve exigindo o cumprimento do Termo de Compromisso assinado pela Fentect, Presidente da ECT e Ministro Hélio Costa, com aval do Presidente Lula, fizeram, ontem, assembléia às 12h30 em frente ao Edifício Central dos Correios, na Av. Afonso Pena, no centro de Belo Horizonte. Os trabalhadores dos correios decidiram, por unanimidade, continuar a greve por tempo indeterminado, até que sejam atendidas as reivindicações da categoria e não descontado os dias parados daqueles que exigem o cumprimento de documento oficial, assinado, pelo governo da República. Após a assembléia, os trabalhadores se dirigiram, em passeata, ao prédio onde mora o Ministro das Comunicações, Hélio Costa. O Ministro mora no bairro de Lourdes, num prédio da Rua Espírito Santo, próximo ao Minas Tênis Clube e ao Palácio do governo mineiro, no luxuoso bairro da podre e corrupta burguesia belo-horizontina. Os trabalhadores dos correios em greve andaram por mais de três quilômetros demonstrando o seu desacordo com o governo do sempalavra Lula, do PT, e com o mentiroso Ministro do PMDB que assinou um acordo se comprometendo a efetivar 30% sobre os salários dos carteiros nos vencimentos dos mesmos, a partir de março deste ano, e, depois, cínica e hipocritamente roeu a corda, rebaixando este direito da categoria, além de querer implantar um Plano de Cargos Carreiras e Salários que acaba com os cargos dos Carteiros, Operadores de Triagem e Transbordos, Atendentes Comerciais e Motoristas, impondo um cargo amplo para todos esses profissionais e, ainda, retirando direitos históricos dos trabalhadores como o anuênio e o adicional de mercado, dentre outros direitos. Na passeata, os grevistas cantaram palavras de ordem exigindo o cumprimento do acordo ou a renúncia do Ministro das Comunicações do MINICOM. Os grevistas deixaram claro que não vão aceitar a traição nem do Ministro das Comunicações, nem do Presidente da República. à corrente nacional Ecetistas em Luta (PCO), única oposição classista à direção pelega da Fentect (PT/PCdoB/PSTU/Psol) deixaram claro que caso o impasse permaneça e o mentiroso Ministro das Comunicações não cumpra o compromisso até esta sexta-feira, 18/07/08, eles estão dispostos a acampar em frente ao prédio onde mora o Sr. Hélio Costa até que sejam atendidas as reivindicações da categoria. A greve continua em Minas Gerais Ao passarem em frente ao Palácio do Governo, o corrupto e drogado governador Aécio Neves/ PSDB mandou sua tropa de choque, a polícia militar, impedir que a passeata passasse na Praça da Liberdade. Mas, a massa passou por cima da PM e passou gritando suas palavras de ordens por toda a praça e demais ruas do centro de Belo Horizonte, até o Edifício dos correios onde finali- Adquira as publicações Os grevistas das mineiros, Edições ligados zou Causa sua manifestação Operária de desagravo ao governo do PT-PMDB. Esta é uma demonstração da insatisfação dos trabalhadores dos Correios contra os patrões mensalões e da vontade da categoria em manter a greve até que sejam atendidas as suas reivindicações. Em Minas Gerais a greve continua! A Corrente Ecetistas em Luta, com trabalhadores de Minas Gerais, Roraima, Espírito Santo, Campinas e alguns companheiros de outras localidades mantiveram o acampamento apesar da ameaça policial e da total falta de colaboração da direção da Fentect, que não quer nenhum tipo de pressão sobre o governo, nem o que foi aprovado no Consin Conselho de Sindicatos. Os maiores sindicatos sequer estavam presentes. Não havia nenhuma barraca dos sindicatos de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul etc, diretoria é composta por meros fantoches da Fentect e do Bando dos Quatro e fica esperando a decisão vinda de cima, sem qualquer vontade própria, como bonecos de pano. Este nível de cinismo só é possível porque a ECT tem plena consciência de que nada, absolutamente nada será feito pela Fentect e pelos sindicalistas do Bando dos Quatro para defender os trabalhadores. A proteção, pela Fentect, destes bandidos do governo que usam a sua função pública para enganar e mentir para os trabalhadores é tamanha que nesta greve, qualquer manifestação dos trabalhadores em Brasília para pressionar o governo Lula a cumprir o Termo de Compromisso foi sufocada pela Polícia lulista e pelos sindicalistas lulistas do Bando dos Quatro em ação conjunta. A corrente Ecetistas em Luta realizou acampamento em Frente ao Palácio do governo sozinha, uma vez que o sindicato de São Paulo vetou a ida de um ônibus dos paulistas, apesar da proposta ter sido aprovada em assembléia. O sindicato do Rio de Janeiro fez exatamente a mesma coisa. O Sindicato de Brasília dirigido pelo PCdoB simplesmente orientou os trabalhadores da cidade a não participar do acampamento. Nenhuma única barraca foi montada por apesar da intensa demagogia feita por estes sindicalistas de que seriam a favor da categoria. Na realidade trabalham conscientemente pelo esvaziamento da greve pelo cansaço e pelos ataques da empresa com o corte do pagamento dos tickets. Com cerca de 300 pessoas no Palácio do Governo já era visível a preocupação com a repercussão do fato. A Polícia foi enviada para retirar o acampamento, bem como os governistas do Bando dos Quatro (PT, PCdoB, PSTU e Psol) não economizaram acusações e total estes sindicalistas. Pelo contrário, eles atuam para proteger o governo e a direção da ECT de suas responsabilidades com os trabalhadores. Durante o acampamento foi o próprio membro da Conlutas/ PSTU, Jacózinho quem defendeu que os trabalhadores acampados deveriam sair da frente do governo Lula, organizando a retirada da parcela de trabalhadores de SãoJ osé do Rio Preto e de Goiás presentes em ato público organizado pela corrente Ecetistas em Luta em frente ao Palácio do Planalto, com plena consciência da enorme repercussão que o acampamento causou e da preocupação do governo com o fato. A política destes sindicalistas é ajudar a montar a fogueira onde vão cozinhar os trabalhadores. Na atual proposta feita pela ECT já está estabelecido de comum acordo com a Fentect e o Bando dos Quatro, que o PCCS vai ser negociado com a mediação do TST. Será que o TST vai se colocar contra o cargo amplo? Será que o TST vai se colocar contra o GCR? Será que o TST vai ficar ao lado dos trabalhadores contra a política de metas e de absenteísmo da empresa? É claro que não. Na realidade escolheram o TST como mediador porque o que realmente está em discussão não são os interesses dos AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO DO TST Foi realizada na semana passada, a audiência de conciliação no Tribunal Superior do Trabalho. Como era esperado, foi apresentada uma nova proposta, uma vez que a pressão sobre o governo impõe que eles saiam da posição de força tomada anteriormente. A proposta é absolutamente indecente e uma prova de que o único objetivo das negociações e conseguir da Fentect a concordância para ignorar o termo de compromisso assinado e a legalização, através da aceitação dos dirigentes sindicais, do PCCS da escravidão. A proposta apresentada está contida em 3 pontos: 1º Ponto: Dizem, de modo mentiroso, que os carteiros ficam excluídos do PCCS 2008, sabendo que de acordo com o PCCS só existirá agente de correios, portanto, atuando maliciosamente para enganar a categoria. Querem com isso que os próprios sindicalistas homologuem o PCCS da empresa, em nome de conseguiram uma vitória ao excluir os carteiros. É uma completa fraude. 2º Ponto: Propõem passar por cima do Termo de Compromisso, para que os próprios sindicalistas aceitem que o adi- O acampamento contrariou a política da burocracia Proposta indecente cional de risco será pago somente em cima das horas trabalhadas externamente, o que significa uma diminuição para menos de 1/3 do valor original, com o seu cancelamento nas férias, 13º e nas faltas com atestados médicos, pagos pela empresa. No final, na realidade, o trabalhador vai receber uma esmola em nome do adicional de risco. Nenhum trabalhador deve deixar se enganar porque eles falam em 30%. Não tem nada a ver com os 30% sobre o salário. A empresa faz cálculos para esfolar o trabalhador, o trabalhador tem que fazer cálculo e exigir dos sindicalistas que apresentem cálculos precisos. Conversa não enche a barriga de ninguém. 3º Ponto: Na prática querem descontar metade dos dias parados e não há qualquer referência ao pagamento dos tickets no período da greve; A proposta é, evidentemente, uma tentativa do TST e da ECT de que os próprios sindicalistas da Fentect passem por cima do Termo de Compromisso, abrindo mão da reivindicação da categoria e homologando o PCCS da escravidão. Por isso o TST não julga a greve, faz de conta que não viu o acordo assinado e a Fentect não entra com o pedido de execução do Termo de falta de apoio aos ecetistas presentes no acampamento. A corrente Ecetistas em Luta chamamos os trabalhadores a forçarem o envio de caravanas para Brasília, uma vez que é evidente a política do Bandos Quatro para evitar qualquer pressão real sobre o governo, que é o único que pode resolver o problema do adicional de risco e da suspensão do PCCS da escravidão. - Todos ao acampamento em Frente ao Palácio do Governo! - Que a Fentect entre com a ação na Justiça pelo cumprimento do Termo de Compromisso! - Não à traição da Fentect e dos sindicatos do Bando dos Quatro para forçar o fim da greve pelo cansaço dos trabalhadores e pela falta de dinheiro com o corte do ticket! - Pelo pagamento dos tickets! - Pelo pagamento de todos os dias parados - Pelo adicional de risco de 30%! - Não ao PCCS da escravidão! trabalhadores, mas sim os interesses particulares e de algumas DRs e gerências, também afetados pelo atual PCCS, das quais a direção da Fentect é mera testa-de-ferro. Querem o TST como mediador para forçar a categoria, posteriormente, a aceitar o que foi decidido nas negociações, uma vez que a autoridade do Tribunal foi aceita sem contestação. Os trabalhadores não devem aceitar o desconto dos dias parados para ir para casa com mais uma promessa de canalhas que não cumpriram nada do que já prometeram. Vamos exigir o cumprimento do Termo de Compromisso agora e a incorporação dos 30%, retroativa a abril, além do pagamento dos dias parados, pois a ECT é que tem que pagar por não cumprir o acordo assinado. - Pagamento do adicional de risco já, retroativo aos salários de abril! - Pagamento imediato dos tickets! - Pagamento dos dias parados - Continuidade da greve! - Que a Fentect cumpra a resolução do Consind e organize o acampamento nacional em frente ao Planalto! Lula, mentiroso, cumpra o acordo assinado! Pela ruptura da Fentect e de todos os sindicatos com o governo mentiroso e antitrabalhador! Compromisso. É uma política casada de pressionar os trabalhadores com a falta do ticket e o cansaço pelos vários dias de paralisação, para que os sindicalistas do Bando dos Quatro (PT-PCdoB-PSTU- Psol) consigam, simplesmente, abrir mão do direito líquido e certo do adicional de risco, assinado por todas as autoridades da República. É um maldoso jogo, para empurrar os trabalhadores para uma situação onde a categoria perde e o governo e a ECT ganham...ainda mais. É evidente que a pressão sobre o governo pode conseguir o atendimento do Adicional de Risco e o bloqueio do PCCS da escravidão. É preciso romper a política de traição de isolar a greve nos Estados, enfraquecendo-a cada vez mais, por absoluta falta de perspectivas. A corrente Ecetistas em Luta chama os trabalhadores a rejeitarem a proposta e exigir de sindicatos como São Paulo e Rio de Janeiro que enviem imediatamente vários ônibus com grevistas para Brasília para forçar uma a empresa e o governo a cumprirem o Termo de Compromisso. Queremos imediatamente uma audiência com o mentiroso-presidente, Lula, para exigir o cumprimento do acordo assinado em seu nome.

12 20 DE JULHO DE 2008 CAUSA OPERÁRIA CIDADES 12 SÃO PAULO Prefeitura inicia operação para perseguir também os camelôs na Moóca Cerca de 400 camelôs se manifestaram contra a corrupção na Moóca depois de a polícia dar início a um novo processo de cassação aos trabalhadores na região A subprefeitura da Moóca realizou desde o começo da semana uma operação no centro de São Paulo contra o comércio dos camelôs nas ruas do Brás. A ação, que já acontecia diariamente, foi reestruturada e acontece nas proximidades do Largo da Concórdia, para reprimir os cerca de 30 mil camelôs da região. Para a operação na Moóca foram mobilizados 43 guardas civis metropolitanos, 32 agentes do centro de controle operacional da Secretaria de Subprefeituras e dois fiscais da Subprefeitura da Moóca. A assessoria de imprensa da Subprefeitura da Moóca já informou que as operações na região serão diárias e que serão usados carros e caminhões, caso fosse necessário recolher as mercadorias. Depois do escândalo da máfia de propinas entre fiscais da subprefeitura da Moóca, iniciase um processo de perseguição ainda maior dos camelôs, numa tentativa de acobertar o esquema de corrupção da prefeitura. Para repudiar a ação da prefeitura e lutar contra os esquemas de corrupção e a repressão contra os trabalhadores, os camelôs deram início a um protesto no começo da tarde. Cerca de 400 camelôs se mobilizaram e caminharam do Largo da Concórdia até a Câmara Municipal, no centro. A máfia arrecadava cerca de R$ 140 mil por semana dos camelôs para que pudessem expor suas mercadorias em paz, sem o risco de serem apreendidos, já que o comércio de ambulantes é considerado ilegal para a prefeitura de São Paulo. Esse tipo de escândalo vem à tona justamente em época de eleição, quando é exposta uma divisão do próprio governo, e, ao mesmo tempo, para não levantar maiores suspeitas do envolvimento de outros políticos corruptos. Segundo os camelôs, a prefeitura de Kassab é a mais corrupta e repressora contra os trabalhadores. A prefeitura, através da Guarda Civil Metropolitana, rouba milhares de trabalhadores, através das propinas, apreendem e não devolvem mais as mercadorias. A GCM age com total violência contra os trabalhadores, incluindo mulheres, idosos e até crianças. Há denúncias de que muitos deles já foram assassinados e os casos sequer são investigados. O que a política do Kassab revela é uma defesa incondicional dos grandes capitalistas, que estão explorando ainda mais a população para garantir os lucros da grande burguesia. Medidas autoritárias, como a Lei Seca, a proibição do trânsito de caminhões no centro e esta perseguição aos camelôs, revela a defesa incondicional da política do Kassab de banquei- ros e empresários, que estão explorando cada vez mais a população a fim de garantir os lucros dos grandes capitalistas. Depois do escândalo da máfia de propinas entre fiscais da subprefeitura da Moóca, inicia-se um processo de perseguição ainda maior aos camelôs. BURACO DO METRÔ Consórcio Via Amarela divulga laudo contestando o Instituto de Pesquisas Tecnológicas A tragédia que deixou um saldo de sete mortos e dezenas de feridos já completou mais de um ano sem que seus verdadeiros culpados tenham pago pelo crime que cometeram. O Consórcio Via Amarela divulgou nessa semana o laudo sobre o buraco da chamada Linha 4 do Metrô de São Paulo, futura estação Pinheiros. O desabamento ocorreu em janeiro de 2007 e causou a morte de sete pessoas, além de ter deixado dezenas de feridos. De acordo com o documento apresentado pelo Consórcio, o acidente foi uma fatalidade que aconteceu em virtude do solo ruim. Segundo o laudo, a combinação inusitada de três fatores geológicos no terreno onde a obra estava sendo construída levou ao acidente (O Globo, 18/7/2008). O laudo, produzido pela equipe técnica do Consórcio, também afirmou que devido às circunstâncias peculiares do desmoronamento não foi possível prever METRÔ Obras do metrô prejudicarão milhares de trabalhadores na região de Santo Amaro As obras do metrô, que deveria ser um passo para a solução dos problemas de transporte da população trabalhadora da cidade, prejudicarão cerca de 10 mil trabalhadores na região de Santo Amaro na Grande São Paulo. As obras de extensão da linha 5 (Lilás) estão causando a revolta das pessoas que trabalham na região. Nos próximos seis meses, a companhia de metrô que executa as obras, pretende desapropriar uma grande região de comércio próximo à avenida Adolfo Pinheiro, incluída a tradicional galeria Borba Gato, um grande centro de comércio na região. Com a situação, os trabalhadores e lojistas formaram a Associação de Lojistas e Trabalhadores da Adolfo Pinheiro (ALTAP) para organizar a luta contra o decreto de desapropriação de uma área de 40 mil metros quadrados. Os trabalhadores afirmam que não são contra a construção do metrô, mas não concordam com o lugar escolhido, principalmente pelo fato de que a galeria terá que ser demolida. Dia 17 de julho, os trabalhadores fecharam uma das vias da Adolfo Pinheiro em protesto contra as desapropriações. com antecedência o desastre, ao contrário do que afirmou o laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), divulgado em junho, onde foram apontadas 11 causas para o desabamento, e entre elas, falhas de engenharia. O Consócio argumenta que havia rocha dura no centro do túnel e rocha mais frágil nas extremidades, essa diferença provocou um conjunto de forças numa área pequena sobre o túnel, que não foi suportado pelo concreto (Idem). Além disso, as sondagens feitas no local não conseguiram detectar presença de minerais como a biotita, que tem efeito lubrificante, e, metabásica, material geológico mole, esse último no subsolo do terreno ao pé do túnel foi o terceiro fator que tornou o acidente completamente imprevisível, segundo o documento. Já o laudo do IPT, além de atestar falha na engenharia, concluiu que os materiais estavam fora de especificação e que o sentido de escavação do túnel foi invertido. O Instituto afirmou que o nível de escavação do túnel foi feito em patamar não compatível com o que estava registrado, o que levantou a suspeita de que houve detonações além das registradas pelo Consórcio e que não havia um plano de emergência. As contradições e diferenças entre os laudos são na verdade uma tentativa de ocultar as causas e os responsáveis pela tra- gédia, fazendo com que os culpados, os empresários gananciosos detrás da licitação para mamar no dinheiro público não paguem por seu crime. O laudo do Consórcio Via Amarela está totalmente atrelado aos interesses do conjunto de empreiteiras O Consórcio Via Amarela divulgou nessa semana o laudo sobre o buraco da chamada Linha 4 do Metrô de São Paulo, futura estação Pinheiros. que realizaram as obras da nova linha do metrô que vai desde a Luz até a Vila Sônia, portanto não é um documento que tem como objetivo revelar as causas da tragédia, mas tentar isentar o Consórcio de qualquer responsabilidade. RIO DE JANEIRO Polícia invade festa, revista convidados, agride senhora e joga spray de pimenta em crianças Policiais militares do 38º Batalhão do Rio de Janeiro estão sendo acusados por moradores da cidade de Três Rios, a 120 km da capital, de abuso de poder. Os moradores rela- anos, além de jogar spray de pimenta nas crianças. Segundo o relato das vítimas, a família Marinho estava festejando com um churrasco o aniversário do garçom Mar- versariante, Maria Helena Marinho, de 60 anos, correu em direção ao filho para socorrêlo. A senhora recebeu dois socos no peito e caiu no chão, desfalecida. O sobrinho do garçom, Paulo Roberto Marinho, 23, tentou socorrer dona Maria Helena e acabou sendo agredido pelos PMs, que deram chutes e socos contra o rapaz. Em virtude da confusão, mulheres e crianças tentaram se esconder do grupo de policiais, que não satisfeitos com as agressões, atacaram os refugiados com spray de pimenta. Depois de toda a repressão, os policiais assassinos ainda levaram presos o aniversariante, sua mãe e seu primo, sob a acusação de desacato. Este foi o segundo ataque que os policiais desferiram contra os moradores da cidade de Três Rios em menos de uma semana. Na última quinta-feira, dia 10 de julho, os PMs agrediram 11 estudantes, com idades entre 11 e 17 anos, durante a ocupação do Ciep (Centro Integrado de Educação Pública). As medidas repressivas tomadas pela polícia têm como objetivo único aterrorizar a população trabalhadora e pobre, evitando assim qualquer iniciativa de luta dos trabalhadores. As repressões são incentivadas pelos governos burgueses, que encontram na polícia, órgão repressor do Estado, uma forma de controlar a população. Os trabalhadores, no entanto, devem repudiar qualquer forma de repressão que vem sendo feita, sob a desculpa de combate à violência e às drogas, mas que não passam de ataques contra a população pobre do País. As repressões são incentivadas pelos governos burgueses, que encontram na polícia, órgão repressor do Estado, uma forma de controlar a população. tam que na madrugada do dia 13 de julho, cerca de dez policiais chefiados pelo tenente Machado, invadiram uma festa de aniversário que estava sendo realizada na praça Manuel Pinheiro, no bairro Santa Izabel. Revistaram pelo menos 40 pessoas, agrediram aniversariantes e alguns familiares, entre eles uma senhora de 60 cos Paulo Marinho Ignácio, 30 anos, quando o grupo de policiais invadiu a festa. De acordo com os convidados, no momento em que o garçom tentou amparar o filho de seis anos, que estava assustado e chorando, os policiais o empurraram e o atiraram contra um muro, chegando a rasgar a camisa da vítima. Ao ver a cena, a mãe do ani- NOTAS Polícia assassina mata oito suspeitos em favela Na última sexta-feira (18), a Polícia Militar iniciou uma operação na favela Minha Deusa, no Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro. A própria polícia afirmou que o número de mortos durante invasão é, no mínimo, de oito. Também naquele dia, Polícia Civil e Militar, em cerca de 300 homens invadiram as favelas da Carobinha, Barbante, e Vilar Carioca, em Campo Grande, zona oeste do Rio. Moradores são friamente assassinados pelo estado que a cada dia nas favelas acaba com qualquer estado de direito. Há, no Rio de Janeiro, uma verdadeira política de extermínio contra a população pobre. 140 policiais são expulsos da corporação por cometerem crimes considerados gravíssimos Há, no Rio de Janeiro, uma verdadeira política de extermínio contra a população pobre. O número de mortes em ações policiais, por exemplo, é de 55% a mais no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de O número praticamente dobrou. A última pesquisa levantou que pelo menos 69 policiais militares do estado de São Paulo foram expulsos da corporação, só neste semestre, por cometerem crimes considerados gravíssimos, como homicídios intencionais. Outros 64 soldados foram demitidos após sindicâncias internas, dentre os quais sete por estarem envolvidos em esquemas de corrupção. Há ainda os que se afastam por problemas psicológicos e até presos cujo processo administrativo de expulsão ainda não foi concluído, o que significa que este número divulgado pode ser, na realidade, muito maior. Ao todo, 140 policiais foram afastados no primeiro semestre deste ano, o que equivale a 84% dos casos registrados no ano de O mesmo número de registro, somente do primeiro semestre, quase atinge ao total, por ano, dos anos anteriores. Em 2007, foram 166 casos em todo o ano, e em 2006, 153 soldados foram obrigados a deixar a PM. Nos últimos quatro anos, as queixas à Ouvidoria da Polícia, contra militares saltaram de 852 para somente na capital paulista. A maioria dos casos envolve denúncias de violência e morte. Dados como este evidenciam o caráter repressor que a polícia militar assume em defesa dos grandes capitalistas. O governo não está nem um pouco preocupado em diminuir a criminalidade, prova disto é o aumento considerável de mortes registradas no estado de São Paulo, sendo que, no mesmo período, os números de policiais feridos mantiveram os mesmos. O resultado desta política do governo Lula de aumentar ainda mais o caráter violento da PM é a matança descontrolada da população. PM apóia conduta de militares em ação que causou morte de vítima de assalto no Rio O tenente-coronel Rogério Leitão, relações públicas da PM (Polícia Militar) do Rio, disse nesta terça-feira que a corporação não acredita ter havido erro na conduta dos PMs envolvidos na ação que resultou na morte de uma vítima de seqüestro relâmpago, na noite de ontem (14). Segundo investigações preliminares, Jeferson dos Santos Leal rendeu o administrador Luiz Carlos Soares da Costa, 36, e entrou no carro da vítima. Na perseguição, Leal teria atirado contra os PMs. E, em troca de tiros, os dois ocupantes do veículo foram baleados. O administrador não resistiu aos ferimentos. De acordo com Leitão, a conduta dos PMs foi correta porque eles apenas reagiram a uma injusta agressão. O relações públicas afirmou que os PMs suspeitos em nenhum momento desejaram a morte dos dois (vítima e suspeito). Os PMs tiveram todo o cuidado. Ligaram as sirenes, acionaram outras viaturas. E ainda assim houve fuga. Não houve um disparo durante a perseguição, só quando o homem começou a atirar contra eles. Isso tudo segundo o depoimento da polícia. Familiares de Costa dizem que os funcionários do hospital onde ele foi socorrido contaram ter recebido dos PMs a orientação de não ter pressa no atendimento a Costa e a Leal, por serem dois bandidos. Leitão negou que a PM tenha conhecimento da denúncia.

13 20 DE JULHO DE 2008 CAUSA OPERÁRIA MULHERES 13 CONGRESSO NACIONAL Bancada feminina x perseguição às mulheres A realidade da conivência das parlamentares femininas e a repressão contra as mulheres Essa Hoje é a opinião Bancada do Feminina, juiz que de direit possui estatuto, metas e prioridades, é composta por 46 deputadas e 11 senadoras, perfazendo 9% do Congresso Nacional. Talvez a menor representatividade do mundo. Num período em que as mulheres estão sofrendo com uma campanha contra seus direitos, mesmo os mais democráticos, destaca-se os ataques aos direitos sexuais: penalização da prática do aborto, mulheres perseguidas em Mato Grosso do Sul e outras mulheres perseguidas pelo Brasil. Diante de tudo isso, pouco ou nada se viu em defesa das mulheres vindo dessa bancada. Diante de seguidos ataques aos direitos das mulheres, dentro e fora do Congresso Nacional, a que saber de fato qual posição tomada pela Bancada Feminina no Congresso. Quem são essas mulheres? A bancada feminina no Brasil representa 9% do Congresso. No geral a Bancada Feminina é composta por mulheres que de certa forma herdaram algum capital político, seja pelo parentesco com conhecidos nomes da política nacional, como a senadora Roseana Sarney (DEM/ MA) e a deputada Marinha Raupp (PMDB/RO). Seja pelo poder familiar em suas bases eleitorais, como a líder da Bancada Feminina Sandra Rosado (PSB/RN). Apesar de ser constituída para levar adiante interesses de relevância das mulheres, a Bancada no presente mandato (2007/2011) tem realizado muito pouco de seu suposto objetivo. Ao contrário de outras bancadas, como a ruralista, empresarial e evangélica, que barram pautas, votam projetos, fazem eventos, a Bancada Feminina está paralisada, confirmando que não existe um compromisso real com a defesa dos interesses das mulheres. Argumenta-se que não há convergência perante alguns temas, como aborto por exemplo, daí a dificuldade de ações concretas. Mais uma falácia para justificar a insignificância política e numérica desta Bancada. A verdade é que, no geral, além de minoria no Congresso, as parlamentares não foram eleitas para representarem e defenderem os interesses das mulheres brasileiras. Isso ficou ainda mais evidente na discussão da necessária mudança no Código Penal que concederia o direito de escolha às mulheres quanto a interrupção voluntária da gravidez. Da esquerda fantoche à velhaca direita, pouquíssimas deputadas defenderam a legalização do abor- to, quase todas fugiram ao tema. Se considerarmos o processo de discussão na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania a farsa é ainda maior, visto que a principal presença de parlamentar feminina nos dias de discussão e votação, que culminou na rejeição do PL 1135/91, que descriminalizaria o aborto no Brasil, foi da coordenadora da bancada, a deputada Sandra Rosado, que fortaleceu a posição do obscurantismo e perseguição das mulheres falando em defesa do parecer do deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), que manteve a prática de aborto como crime, como problema de prisão pública e não de saúde pública. A realidade partidária Das 46 deputadas federais, 14 pertencem a partidos que em conferência, estatuto ou pronunciamentos, afirmam pela descriminalização do aborto (7-PT, 1-PPS, 5- PCdoB, 1-Psol). Apenas demagogia partidária, pois nenhuma parlamentar agiu neste sentido. Muito pelo contrário, permitiram que deputados de sua legenda fizessem da câmara um circo ecumênico em defesa da moral religiosa e opressão das mulheres: Luiz Bassuma (PT/BA), Henrique Afonso (PT/ AC), Moreira Mendes (PPS/RO), Leandro Sampaio (PPS/RJ), e claro, a queridinha da Igreja, a ex-senadora Heloísa Helena, presidente do Psol. No mesmíssimo sentido, seguiu a velha direita PMDB, que aprovou moção de apoio às mulheres do Mato Grosso do Sul (cujo governo está nas mãos do PMDB), mas no congresso não apareceu durante as discussões, ou quando o fez foi para defender a condenação das mulheres. Esta realidade demonstra o completo artificialismo do congresso nacional como representação popular, assim como dos partidos. A bancada feminina é pura fachada como a esmgadoria maioria senão a totalidade das ações sociais do parlamento. Os partidos revelam-se também absolutamente artificiais como programa e ideologia, em particular os de esquerda, que recebem algum crédito das massas como reformadores sociais. O PT, PCdoB e Psol passam a vida com congressos de mulheres e outras atividade demagógicas e, no interior do congresso, sequer se importam em fazer até mesmo demagogia com a questão da perseguição de 10 mil mulheres que deixam completamente de lado. CRIMINALIZAÇÃO Uma perseguição ao conjunto das mulheres A ultra-reacionária Igreja tenta impor, de maneira mais ostensiva, um retrocesso aos direitos das mulheres. Mesmo sendo o Brasil um país onde a lei do aborto é das mais restritivas, circulam diversos projetos de lei no Congresso para transformar o aborto em crime hediondo, aumentando a penalidade contra as mulheres. Nos lugares em que o aborto é arbitrariamente ilegal, enfrenta-se um grande problema para a saúde reprodutiva e os direitos das mulheres. Já em 1994, na Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento no Cairo foi afirmado que Uma vez que o aborto inseguro é a principal ameaça para a saúde e a vida das mulheres, o estudo para compreender melhor os problemas e as conseqüências CRIME DO GOVERNO disso deve ser realizado. A conferência apontava que o aborto inseguro no mundo inteiro é um problema de saúde pública e que os governos deveriam legislar no sentido de resolver este problema. Nos países de capitalismo desenvolvido, como o Reino Unido onde o aborto é legal desde 1967, a mortalidade materna é muito baixa, calculada em menos de um por procedimentos. Nos locais em que o aborto é ilegal, onde as mulheres só são capazes de encontrar abortos que são feitos de maneiras insalubres, a mortalidade é alta. Um dado assustador é que, por ano, variam entre um mínimo de até mortes relacionadas com o aborto. Vale ressaltar ainda, através de dados concretos com a Pesquisa mostra que quase 70 mil mulheres morrem por ano por causa de abortos clandestinos Pesquisa divulgada no relatório do Banco Mundial traz à tona que morrem por ano cerca de 68 mil mulheres em conseqüência de abortos insalubres. Além disso, os dados mostram que outras cinco milhões e trezentos mil (5,3 milhões) de mulheres sofrem conseqüências por um período ou de maneira permanente. O relatório foi intitulado de Comportamentos de Regulação da Fertilidade e seus Custos e aponta ainda a realidade de que muitas mulheres pobres recorrem ao aborto como último meio de controle dos nascimentos. Segundo o levantamento, nos países pobres ocorrem por ano 51 milhões de gravidezes nas mulheres que não usam a contracepção. Há ainda os casos, 25 milhões de gravidezes PORTUGAL que surgem em conseqüência ao uso incorreto ou fracassado do método contraceptivo. Os países pobres necessitam investir mais na área de planejamento familiar, afirmou na quinta-feira o Banco Mundial, citando novos dados segundo os quais 51 milhões de casos de gravidez ocorrem porque as mulheres não têm acesso a métodos anticoncepcionais. (Reuters 10/7/ 2008) Pelo menos 35 países da África Subsaariana e de outras regiões com as maiores taxas experiência de vários países, que a legalização do aborto apenas diminui o número de mortes em conseqüência do aborto. E embora legalmente condenado, o aborto está mais disponível e seguro para aqueles capazes de pagar. Apesar da perseguição das seitas religiosas e seus representantes no estado não impediu as mulheres de realizá-lo, inclusive as mulheres católicas. Contra as mulheres O próprio ministro da Saúde do governo mensalão de Lula, José Gomes Temporão, afirmou que o debate sobre a legalização do aborto é feito de forma machista, uma vez que as leis, normas e julgamentos sobre o tema são feitos por homens. Acertadamente, Temporão afirma que o aborto deve ser tratado como uma questão de saúde pública, sem Em um ano, a legalização do aborto causou a diminuição de 50% das doenças O Parlamento Português aprovou por ampla maioria a legalização do aborto até a 10ª semana de gravidez, após aprovação em plebiscito e em abril de 2007, o presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, sancionou a lei que não estabelece restrições adicionais à lei, mas pede por um período obrigatório de reflexão de três dias antes que o procedimento seja realizado. Um ano após a legalização, o Ministério da Saúde divulgou que as infecções e a perfuração de órgãos associadas ao aborto clandestino tiveram uma redução de mais da metade desde que a lei da descriminalização até as dez semanas entrou em vigor. Há dados que mostram que de natalidade são os locais em que há os menores índices de educacionais e condenados à pobreza extrema. A vice-presidente do Banco Mundial e responsável da Rede Desenvolvimento Humano, a antiga ministra da A legalização do aborto e a sua realização pela rede pública é a maneira de evitar as milhares de mortes de mulheres. Saúde do Botswana, Joy Phumaphi chegou a afirmar É simplesmente trágico que muitos dirigentes dos países pobres e seus fornecedores de ajuda permitirem que os programas de saúde reprodutiva a influência de aspectos religiosos, filosóficos, éticos ou fundamentalistas. Tem um viés machista nessa discussão. As mulheres têm que falar, ser ouvidas, e não apenas os homens. As mulheres na maioria das vezes se vêem sozinhas num momento como esse. Infelizmente, os homens não engravidam. Se engravidassem, essa questão já estaria resolvida há muito tempo. (Debate sobre aborto em maio de 2007) Temporão capitulou diante dos evangélicos, católicos e espíritas, como Luis Bassuma, que lidera a frente reacionária contra as mulheres e o aborto. Neste ano, em que ocorreram as votações de projetos de lei de descriminalização do aborto, o ministro não se pronunciou, devido à pressão reacionária. No Mato Grosso do Sul, a justiça indiciou 10 mil mulheres. O objetivo é muito claro: perseguir especialmente as mulheres e colocá-las em uma posição de maior subordinação aos homens. saiam de foco. Em uma audiência pública, a coordenadora da área técnica da Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, Regina Coeli Viola afirmou que o atual índice é de 74 mortes maternas para cada 100 mil nascidos vivos e que Trata-se de um número muito elevado. (Agência Câmara 18/6/2008). Nos países denominados de primeiro mundo o aborto é legal há décadas. Na Inglaterra, França, Itália, EUA, Canadá entre outros países o aborto foi legalizado já no final da década de 60 e durante a de 70. Em todos os países, o número de abortos realizados não aumenta e o que cai sensivelmente é a mortalidade materna. O que barra a legalização do aborto em países atrasados como o Brasil e em quase todo o continente Africano é a obscurantista Igreja. Qualquer análise objetiva leva a conclusão de que a legalização do aborto é um problema de saúde pública que deve assim ser tratado e não por religiosos fanáticos como os que controlam a Câmara e o Senado brasileiro. ocorreram cerca de seis mil abortos ilegais. O cálculo foi feito entre a diferença das 20 mil interrupções esperadas e as realizadas um ano após a nova lei. Segundo Luís Graça, presidente do colégio de ginecologia da Ordem dos Médicos, estes casos de mulheres que continuam a recorrer a clínicas ilegais ocorrem por falta de informação, por gravidez com mais de dez semanas ou por terem medo da exposição aos serviços públicos. Graça afirmou que as estimativas não estavam erradas. Não tenho dúvidas de que a diferença de seis mil é a dos abortos clandestinos, defende o médico, sublinhando, no entanto, que o balanço de um ano é excelente pelo impacto na saúde pública, confirmando uma redução de 70 a 80% no aborto clandestino. (Correio da Manhã 14/7/2008) O Ministro da Saúde, Francisco George, mostra que os dados da diminuição das doenças ligadas ao aborto clandestino, onde as infecções e a perfuração de órgãos causadas pelo aborto clandestino diminuíram em mais de metade desde que a lei da Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) entrou em vigor. Segundo ele no primeiro semestre de 2007, verificaram-se 23 situações de septicemias, uma infecção grave que se propaga no sangue e que põe em risco a vida da mulher se não for tratada, e onze situações de perfuração de órgãos. Após a lei, na segunda metade do ano, ocorreram doze septicemias e uma perfuração, uma redução que Francisco George atribui à lei. Em Portugal, há uma rede oficial que integra 38 hospitais públicos, três unidades privadas e três centros de saúde, onde, no último ano, se realizaram abortos. Segundo Francisco George a maior confiança na rede oficial reduz os abortos clandestinos, o que se traduzirá em ganhos inquestionáveis. É necessário superar a discussão sobre o aborto do âmbito moral e religioso, que camufla o problema. Os países mais desenvolvidos econômica e culturalmente possuem o aborto legalizado há mais de 30 anos. O aborto é um problema de saúde pública e a sua criminalização tem o evidente objetivo de perseguir e incriminar as mulheres. ABORTO NO BRASIL As mortes que a direita pró-vida ignora Além das mais de duas mil mortes por ano em conseqüência de aborto realizados nas piores condições, 230 mil ainda procuram hospitais públicos para tratar de seqüelas, que muitas vezes são permanentes. Os dados são do próprio Ministério da Saúde, que com o tratamento gastou cerca de R$ 33 milhões com internação de mulheres em decorrência do aborto induzido. Os dados mostram ainda que a maior parte das mulheres da América Latina que passam por este procedimento, realizando aborto, tem mais de 20 anos, são casadas e mães. São mulheres, em sua maioria pobres, que entendem não ter estrutura socioeconômica para criar uma criança. Fato que não ocorre de forma contrária nos países desenvolvidos, segundo o Instituto Allan Guttmacher. No Brasil, o aborto é considerado crime, exceto em duas situações: de estupro e de risco de vida materno. E mesmo o aborto considerado legal não é realizado por todos os hospitais. Há a proposta de alteração no Código Penal, em que haveria uma terceira possibilidade, quando houvesse a constatação de anomalias fetais. Uma lei que não existe em conseqüência do controle que a Igreja tem sobre as decisões políticas do País, condenar à mulher a crueldade de gerar um bebê,depois de carregá-lo durante nove meses na barriga, que não durará mais que algumas horas. Na última semana foi rejeitado o projeto de descriminalização do aborto pela Comissão de Cidadania e Justiça, numa sessão, para dizer o mínimo, grotesca. Com direito a bonecas e um teatro do assassinato de crianças e os presentes rezando uma oração do pai-nosso. O que deixa evidente que o Congresso e o Senado são controlados pela Igreja e nem sequer procuram disfarçar o fato de que querem impor regras estabelecidas pelo Vaticano num Estado supostamente laico. Após a sessão, a ministra declarou: enquanto tivermos números de mortes maternas por complicações devidas ao abortamento clandestino vamos É necessário levantar um amplo e massivo movimento contra a repressão e morte das mulheres por conseqüência de uma lei ter que encarar este problema. O Brasil segue alinhado a um conjunto de países com legislação muito atrasada, que não se coloca de frente para a realidade. Por isso que eu digo que esta discussão não está esgotada. (Nicéia Freire, secretaria especial de Políticas para as mulheres, O Globo 11/7/2008). Neste sentido, é necessário levantar um amplo e massivo movimento contra a criminalização e morte das mulheres e pela superação imediata desta legislação obscurantista e típica dos países atrasados e explorados. Leia e assine o jornal CAUSA OPERÀRIA Informações: Av. Miguel Stéfano, nº 349, Saúde, São Paulo, Capital, CEP , Fone: (11) ,

14 20 DE JULHO DE 2008 CAUSA OPERÁRIA HISTÓRIA 14 A LUTA PELOS DIREITOS CIVIS NOS EUA A resistência negra armada por trás do movimento de não resistência Um grupo de homens negros veteranos de guerra organizam uma resistência armada contra os ataques da organização fascista Ku Klux Klan no Sul dos EUA. Embora estejam completamente banidos da historiografia da luta pelos direitos civis nos EUA, os Diáconos pela Defesa e Justiça, como chamavam a si mesmos, romperam com a ideologia liberal da não-violência defendida pelos grupos institucionais e levantaram uma milícia, todo o cinturão negro dos estados sulistas, que é a verdadeira responsável pela vitória da mobilização negra atribuída geralmente a movimento de religiosos e pacifistas. Em toda história dos Direitos Civis dos negros nos EUA, o evento mais importante de todos é, no entanto, o menos conhecido e banalizado. Desde a abolição da escravidão decretada por Abraham Lincoln em 1865 até a luta contra as Leis Jim Crow que vigoraram entre 1876 e 1965, desde o dia em que Rosa Parks recusou ceder seu lugar a um branco em um ônibus em Montgomery, em 1955, até finalmente o dia em que a Lei de Segregação Racial foi abolida em 1963 com a Marcha sobre Washington liderada pelo reverendo Martin Luther King Jr., além dos movimentos dos Panteras Negras e dos Black Power na década de 60, o surgimento de um pequeno grupo de homens negros veteranos da guerra da Coréia e da Segunda Guerra Mundial foi responsável por destruir a estrutura do poder branco e derrotar a Ku Klux Klan. A importância deste grupo foi decisiva para colocar o governo na defensiva e aprovar as Leis dos Direitos Civis. Nos seus cerca de quatro anos de atividades, sua ação desencadeou uma crise de poder, inspirando a resistência armada como único método de defesa das agressões e assassinatos racistas. A maioria dos estados sulistas dos EUA submetiam os negros às leis de segregação racial, na qual eram proibidos de irem aos mesmos locais públicos freqüentados por brancos. Qualquer homem negro que apontasse o dedo para um homem branco tinha automaticamente sua sentença de morte decretada, assim, um homem negro que apontasse uma arma de fogo contra um branco era considerado um suicida. A ação dos Diáconos contra a KKK esteve a ponto de botar todo o cinturão negro do Sul dos EUA dentro de uma guerra civil, em um dos momentos de maior crise no coração do imperialismo. No momento em que tropas norte-americanas desembarcavam no Vietnã para massacrar a população camponesa, por causa deste grupo, os EUA estiveram a ponto de desencadear uma segunda guerra civil pelas liberdades democráticas dos negros. Não fosse pela manobra do governo e seus tentáculos, como a Igreja, em se aproveitar da ideologia da não-violência empregada por muitos grupos de direitos civis, o que provocava a divisão do movimento negro, a ação isolada de um grupo no estado de Louisiana teria um imenso potencial para se espalhar em todo País. E era exatamente isso que estava acontecendo até que este grupo desaparecesse. É raro alguém admitir hoje ter feito parte dos Diáconos pela Defesa e Justiça. O negro e a revolução A primeira atividade dos Diáconos foi acabar com as caravanas do terror levadas pela Ku Um homem negro que apontasse uma arma de fogo contra um branco era considerado um suicida A história da luta dos negros pelos seus direitos civis marca a própria formação social, política e cultural dos EUA. Milhões de negros vindos da África para trabalhar nas plantações de algodão formavam a base da estrutura econômica no Sul dos EUA. Desde a guerra civil até a luta por suas liberdades democráticas, o negro norte-americano sempre esteve à frente das mobilizações e qualificam o caráter revolucionário das lutas políticas nos EUA. É parte da evolução da luta e da consciência revolucionaria da classe operária. As leis de segregação racial foram o resultado do crescimento da mobilização no chamado cinturão negro no Sul dos EUA. Essa luta política marca a posição do negro como um elemento ativo na formação política, econômica e cultural da maior potência imperialista que o mundo conheceu até hoje. A formação de grupos armados na década de 60 expressava o grau de evolução da luta do movimento negro. Esta característica foi um fenômeno típico das cidades industrializadas e acompanhavam o próprio desenvolvimento da mobilização da classe operária e a evolução da sua consciência de classe. A batalha pelos direitos civis em Bogalusa foi uma luta pelo poder, diferenciando-se de todas as lutas agrárias do Sul. A industrialização é o principal fator de diferenciação da luta dos negros da cidade em relação às lutas no campo. A população oprimida rural é muito mais inclinadas a seguir a liderança de grupos como CORE (Congresso da Igualdade Racial) e SNCC (Comitê de Coordenação de Estudantes Não- Violentos), organizações adeptas às idéias da não-violência e, portanto, afastadas dos Diáconos pela Defesa. O movimento pelos direitos civis seria aniquilado no Sul pela Ku Klux Klan se não fosse pelos Diáconos. Este grupo surgiu como um divisor de águas. Antes de sua existência prevaleciam entre as organizações as idéias liberais de sempre buscar um acordo com a burguesia e os governos. Os Diáconos surgiram pela primeira vez como uma milícia de autodefesa negra em Jonesboro, cidade operária no estado de Louisiana. Formada principalmente por operários da indústria, desde o começo os Diáconos representavam uma nova força no movimento. A primavera e o verão de 1964 foram marcados por intensas manifestações contra a segregação em Jonesboro. A KKK realizava uma série de perseguições contra os operários negros que reivindicavam melhores condições no trabalho. Todas as suas ações sempre tinham o respaldo da local. O dilema dos negros era o de que qualquer apelo à lei, aos direitos democráticos gerais ou protesto pacífico, bem como atividade sindical era reprimida com métodos de violência pelas organizações fascistas da KKK. A resistência armada foi um caminho inevitável de desenvolvimento. Uma luta histórica Apesar da Constituição de 1776 afirmar que todos os homens são iguais, os EUA bem antes da Guerra de Secessão já era o maior país escravagista das Américas. Para o Estado, a legislação seguia conforme estipulava a Constituição, pois os negros não eram considerados cidadãos de direito. Somente com o fim da guerra que a população negra foi considerada cidadã. No entanto, não havia leis antidiscriminatórias, portanto, a lei ficou só no papel, pois na realidade os negros pioraram sua situação, ficando totalmente à margem da sociedade e marginalizados. Como parte de uma demagogia burguesa, representantes nortistas que derrotaram os sulistas elegeram alguns negros dentro do governo da ex-confederação. Com o fim da guerra, várias organizações racistas foram formadas, como os Cavaleiros da Camélia Branca e a Ku Klux Klan e impuseram um regime de ditadura facista sobre os negros, sob a cobertura da constituição norteamericana. A missão destes grupos era impedir através do terror e da força violenta o direito dos negros de possuírem terras, de votar e de se organizarem em sindicatos. Muitos negros foram linchados, estuprados e enforcados, gerando uma série de distúrbios nos estados sulistas. Começava então a surgir a necessidade dos negros se organizarem contra esta violência. Mesmo com a derrota dos confederados, os estados sulistas continuaram com suas leis segregacionistas. As chamadas leis Jim Crow, por exemplo, proibiam negros de usarem os mesmos locais públicos, como escolas, ônibus e trens. Estas leis seriam abolidas somente em 1964, com o Ato dos Direitos Civis. A legislação especial apoiava-se no federativismo da constituição norte-americana que concedia amplo poder às autoridades e governos regionais. O federativismo já havia sido a bandeira dos escravagistas durante a guerra da secessão e voltou a sêlo no estabelecimento das leis de segregação racial. Vítimas de inúmeros atentados, os negros passaram a se organizar nas comunidades religiosas e em organizações políticas de esquerda. A maior força política do movimento negro norteamericano se deu basicamente a partir de 1954 até a década de 70. Organizações como o Black Power e os Panteras Negras na década de 60, sucessores das idéias socialistas de Malcom X, representavam um novo nível, com superior radicalização ideológica, resultado do fracasso do movimento pacifista e integracionaista, de mobilização contra o racismo. Ironicamente, o surgimento destes últimos eclipsou a luta dos Diáconos até o seu desaparecimento. Um ponto de inflexão na luta pelos direitos civis Em um certo dia, no extremo Sul dos EUA, havia se consumado mais um assassinato contra um negro. Como tantos outros, a notícia apenas comprovava o funcionamento normal da rotina naquela cidade que não se diferia das outras em todo Sul do País, onde os governos e a polícia eram controlados pela extrema-direita, particularmente pela Ku Klux Klan. Porém, daquela vez, em um lugar chamado Bogalusa, no estado de Louisiana, um grupo de homens negros, a maioria veteranos de combate, decidiu fazer frente aos brancos respondendo a violência racista com a mesma dose de violência e terror, assim como na guerra. Este grupo havia decidido enfrentar a Ku Klux Klan. Um grupo de homens negros que se intitulavam Deacons for Defense and Justice - Diáconos pela Defesa e Justiça. Estes homens escreveram um dos capítulos mais importantes não só da luta pelos direitos civis dos negros, mas para a história dos EUA. Embora sua existência legendária tenha sido decisiva para a garantia dos direitos civis, os feitos dos Deacons, não por acaso, foram completamente banidos da história. Se o FBI conseguiu acabar com os Panteras Negras entupindo os bairros operários de drogas, a historiografia norte-americana censurou a parte mais fundamental da luta da classe operária negra. Um grupo de homens negros na cidade de Jonesboro, Louisiana, dirigido por Earnest Chilly Willy Thomas e Frederik Douglas Kirkpatrick fundou o grupo em novembro de 1964 para proteger suas famílias e os trabalhadores contra a violência promovida pela Ku Klux Klan e por melhores condições de trabalho, na qual os brancos sempre obtinham vantagens, enquanto que os negros eram submetidos aos cargos mais indignos. Mas foi em Bogalusa, próximo a Jonesboro, onde o grupo mais se desenvolveu. Lá, Charles Sims. AZ Young e Robert Hicks formaram os Diáconos em mais 21 cidades, além dos estados do Mississipi e Alabama. Os enfrentamentos dos Diáconos contra a KKK em Bogalusa obrigou o governo federal a intervir e fazer cumprir a Lei dos Direitos Civis de 1964 para evitar o que caminhava para se transformar em uma verdadeira guerra civil em um país com enormes contradições sociais. As táticas de guerra dos Diáconos atraíram a atenção do FBI, que iniciou a investigação do grupo. Os registros das suas atividades datam até Depois disso, poucas foram as pessoas que admitiram terem feito parte desta organização. No começo de sua atuação, os Diáconos limitavam suas atividades às patrulhas dos bairros negros e à proteção das reuniões dos grupos de direitos civis, guardando a sede do CORE, por exemplo. Protegiam também os trabalhadores que entravam e saiam da cidade. Os Diáconos sempre estiveram presentes nos principais acontecimentos da luta dos negros nos anos 60. Na famosa passeata de Memphis a Jackson, no Mississipi, em 1966, estavam presentes O governo local comprou mais carros de bombeiros, não para proteger a população contra incêndios, mas para conter distúrbios e manifestações quando o líder do SNCC, Stockley Carmichael, popularizou a palavra de ordem Poder Negro. Com a aparição dos Diáconos na imprensa de todo País, que mostravam negros armados e ameaçadores, muitos passaram a especular que os EUA se dirigiam para uma guerra civil. Estavam corretos e o medo deste desdobramento inevitável foi o que levou o governo do imperialismo norteamericano a colocar em prática as leis no Sul segundo a famosa tática de entregar os anéis para não perder O cabeça dos Diáconos em Bogalusa, Charles Sims, em uma manifestação contra a constante presença da KKK na cidade Diáconos na esquerda e Luther King na direita O famoso discurso de Martin Luther King em frente ao Monumento Nacional de Washington em 1963, ato que celebrou a assinatura de John F. Kennedy da Lei dos Direitos Civis, seria o epílogo de uma luta de séculos contra a escravidão e a opressão dos negros em termos legais. A lei, no entanto, não seria mais que uma mera formalização do Estado capitalista para engolir de vez um movimento negro de fortes características revolucionárias. No dia 4 de abril de 1968, Martin Luther King foi assassinado na saída do hotel onde estava hospedado, na cidade de Memphis, onde participaria de mais uma marcha. Todo o invólucro messiânico criado em torno dele teve um propósito bem objetivo: conter a luta revolucionária dos negros norte-americanos e agregar o movimento aos interesses do imperialismo. É uma unanimidade entre os livros de história e em todo o ambiente acadêmico louvar os feitos de figuras como Mohandas Mahatma Gandhi e Martin Luther King. Ambos estão lado a lado e intrinsecamente ligados à suposta resistência pacífica contra a opressão. Gandhi foi o precursor da filosofia da não-violência, uma filosofia que ensina as massas a aceitar a opressão. Quando se fala em Gandhi ou Luther King, é esta idéia que está sendo vendida, a da passividade diante das forças repressivas do Estado burguês. Passividade que contribuiu decisivamente com a repressão brutal de inúmeras manifestações tanto dos hindus na Índia como dos negros nos EUA. O grande revolucionário russo, Leon Trótski, em um escrito sobre os acontecimentos na Índia até então, analisava esta questão no momento em que havia se iniciado um grande movimento contra a dominação britânica sobre a Índia. Sua análise cabe perfeitamente à política seguida por Luther King e sem dúvida continua sendo ainda muito atual entre setores pequeno-burgueses que atuam no movimento operário e popular, inclusive no Brasil. O movimento de resistência passiva de Gandhi é um nó tático que ata a ingenuidade e a abnegada cegueira das massas pequenoburguesas dispersas às traiçoeiras os dedos. Criouse um impasse no interior da burguesia. Como combater um grupo armado - sem ao menos saber o seu real tamanho - de forma pacífica? A correlação de forças havia se invertido. A força maior não estava mais do lado dos grupos fascistas da burguesia branca, mas dos operários negros que defendiam sua comunidade. Iniciar uma guerra contra os Diáconos seria começar uma guerra civil que poderia desestabilizar definitivamente o regime político em crise. A manobra para conter o movimento negro foi feita pouco antes da gigantesca mobilização de A influência dos Diáconos - palavra definida pela dedicação e submissão aos dois ideais que formavam o restante do nome do grupo: pela defesa e justiça, atingiu todos os bairros operários onde eram ativos. Não só os trabalhadores, mas os estudantes negros também passaram a organizar o movimento dentro das escolas a tal ponto que o governo local comprou mais carros de bombeiros, não para proteger a população contra incêndios, mas para conter distúrbios e manifestações. A primeira atividade dos Diáconos foi acabar com as caravanas do terror levadas pela Ku Klux Klan, que periodicamente aparecia nos bairros para fincar uma cruz em chamas em frente a casa de um negro que respondia a um branco ou que contestava sua posição de terceira classe. Quando a KKK se deparou com um grupo de homens negros atirando contra eles numa destas visitas, nunca mais voltaram aos locais onde os Diáconos já controlavam. Por mais que se tentasse eliminar os líderes dos Diáconos através de emboscadas e assassinatos ou de qualquer motivo que fosse pretexto para prendê-los, a campanha do governo contra a ameaça de uma nova guerra civil foi feita sobre a base ideológica. Manipulavam a idéia da democracia e do diálogo. Grupos armados, portanto, não poderiam ser considerados sérios uma vez que não estavam dispostos ao diálogo e, além do mais, armados. A burguesia não fez outra coisa a não ser abraçar a idéia da não-violência disseminada por Ghandi na Índia e por Martin Luther King Jr. nos EUA. As passeatas e manifestações eram acertadas antecipadamente para evitar eventuais distúrbios. Aquelas passeatas onde as direções dos grupos não conseguiam controlar eram boicotadas pelos próprios grupos. Por isso houve um enorme distanciamento das organizações de defesa dos direitos civis dos negros em relação aos Diáconos, os verdadeiros responsáveis por colocar o governo na defensiva. A historiografia posterior buscou e busca apresentar a resistência pacífica falsamente como responsável pela mobilização e pelas vitórias das mobilizações dos negros. Que os próprios movimentos negros tenham rejeitado esta versão absurda fica claro pela existência de Malcolm X e dos muçulmanos negros, do Poder Negro, dos Panteras Negras etc. O que iniciou estes movimentos armados foi justamente o exemplo da milícia operária armada do Sul. O que este grupo realizou em apenas alguns anos foi um verdadeiro laboratório de como a classe operária deve se organizar, pois foi a luta armada que resolveu e garantiu a defesa dos trabalhadores negros e não os variados grupos institucionais que dialogavam com o governo para conter qualquer tendência à mobilização independente dos negros. Esta luta armada não foi uma iniciativa isolada da luta geral das massas negras e nem se deu sem considerar a evolução da situação política, mas foi uma verdadeira expressão armada de um amplo movimento ascendente das massas negras nos EUA. manobras da burguesia liberal. As fórmulas tolstoinianas de resistência pacífica foram em certo sentido a primeira etapa do despertar revolucionário das massas camponesas russas. O gandhismo é o mesmo em relação às massas populares na Índia. Quanto mais sincero se mostra Gandhi pessoalmente, mais útil será para os amos disciplinarem as massas. O apoio que presta a burguesia à resistência pacífica ante o imperialismo é só uma condição preliminar para sua resistência sangrenta ante as massas revolucionárias. (Tarefas e perigos da revolução na Índia, publicada em 12 de julho de 1930 para o jornal The Militant), O imperialismo transformou o movimento negro supostamente pacifista norte-americano numa espécie de patrimônio da humanidade e num exemplo muito conveniente a ser seguido: o de não resistir contra as armas da repressão. Hoje, os EUA celebram até mesmo o Dia de Martin Luther King, a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz, em 1964, um sincero agradecimento do imperialismo por ele ter condicionado um movimento revolucionário em lei e um freio de contenção de uma mobilização revolucionária.

15 20 DE JULHO DE 2008 CAUSA OPERÁRIA JUVENTUDE 15 USP Repressão Reitoria persegue de forma sorrateira os estudantes Em mais uma demonstração de sua covardia, reitoria da USP entra na justiça durante as férias para que entidades paguem cerca de 345 mil reais pela ocupação. A tentativa é intimidar o amplo movimento dos estudantes que se levantou contra a destruição da universidade pública A burocracia universitária, aproveitando o momento em que o movimento se acalmou com a derrota e traição da burocracia estudantil e entra na justiça contra a entidade estudantil e dos trabalhadores da USP. No período de recesso, com sua tradicional covardia política, típica dos governos burgueses e seus subordinados em todo o mundo, a reitora Suely Vilela e a burocracia universitária entraram na Justiça e em processo querem cobrar R$ 345,1 mil do DCE (Diretório Central dos Estudantes) e do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) por supostos prejuízos causados com a ocupação da reitoria em maio-junho de A reportagem consultou o processo movido pela USP -que tem oito volumes. Só a reforma de infra-estrutura (parte elétrica, hidráulica e pintura) do prédio da reitoria foi orçada em R$ 86,3 mil, segundo documento da Coesf (Coordenadoria de Espaço Físico da USP). Reparos nas salas da pró-reitoria de graduação e reposição de materiais custaram R$ 10,7 mil; dez computadores foram danificados ou furtados, ainda conforme o processo. Na ação, constam ainda gastos de R$ 2.752,42 relacionados a telefonemas. (Folha de S. Paulo 18/7/2008). São apenas documentos baseados em relatos da reitoria, pois os estudantes não puderam sequer fazer a vistoria do prédio, que foi feita apenas pelos funcionários da reitoria acompanhados pela polícia. O fato é que a reitoria sabe que tem uma verdadeira bomba-relógio nas mãos. O movimento dos estudantes em 2007 mostrou sua força, que estava adormecia há pelo menos 20 anos, e apenas não foi vitorioso e derrotou completamente o governo Serra com uma mudança na estrutura de poder interno na universidade, porque os representantes do governo no movimento estudantil, a burocracia estudantil (PT-PCdoB- Psol-PSTU) traíram o novo movimento. A intenção da reitoria agora é alertar as entidades, que tem suas direções alinhadas com o regime interno da universidade, para que impeçam que o movimento volte a se organizar e impor um clima de caça às bruxas. Uma evidente perseguição política PRIVATIZAÇÃO DO ENSINO No Brasil, educação é para quem pode pagar O aumento crescente das instituições de ensino pagas vem se fortalecendo numa política de privilégios do governo Lula para os grandes capitalistas da educação, que controlam o ensino do Brasil, restringindo ainda mais o acesso a ela. A educação vive hoje um boom sem precedentes, mas impulsionado pela expansão da rede particular financiada com dinheiro público pelo governo. Com as facilidades fornecidas pelo governo, que está promovendo um verdadeiro sucateamento do ensino público, as redes Anhanguera Educacional, Estácio de Sá, Kroton Educacional e o Sistema Educacional de Ensino se tornaram um dos maiores grupos empreendedores no ensino universitário, inclusive com capitais abertos na bolsa de valores. A rede de faculdades Anhanguera Educacional acaba de comprar mais uma instituição - o Centro de Ensino Superior de Rondonópolis. Com essa aquisição, o grupo chega a 140 mil estudantes, atingindo vários estados. A Unip (Universidade Paulista) é hoje, uma das universidades que mais cresce no País. Não que esse crescimento seja qualitativo, mas pelo contrário, o aumento das mini faculdades Unips demonstra um processo contínuo de sucateamento do ensino. A Unip abrange mais de 150 mil alunos e tem um faturamento anual de cerca de R$ 1 bilhão. A universidade tem o mesmo perfil da Universidade Phoenix, uma rede de ensino americana que é um dos maiores negócios do grupo de educação Apollo. O grupo já esteve no Brasil em 2001 e 2006, quando fez uma joint venture com o grupo educacional Pitágoras, em Minas Gerais. Agora, o grupo quer comprar a rede Unip e dominar o ensino superior brasileiro. A Apollo tem outras três escolas de ensino superior nos EUA, em um total de estudantes, com um faturamento de US$ 2,7 bilhões. O aumento das pequenas e grandes instituições privadas de ensino, fazem parte de uma máfia que quer controlar e transformar a educação num vasto mercado de commodities simbólicas, cada vez mais distantes da função de uma verdadeira universidade, e por conseguinte, da classe trabalhadora. A política do governo Lula é de sucatear cada vez mais o ensino público. Esses tubarões do ensino contribuem para um estrangulamento financeiro da universidade pública, e para isso, recebem total apoio do governo, que facilita a criação destas instituições, dando, inclusive, apoio financeiro para isso, o que restringe ainda mais o acesso à universidade. No Paraná, por exemplo, das 160 instituições de ensino, 158 são pagas. Até 2006, o Inep havia A reitoria e toda a imprensa acusam os estudantes de terem cometido crimes como a depredação do patrimônio público, e principalmente o roubo de equipamentos da instituição, como computadores, monitores, entre outros aparatos eletrônicos. No entanto, não está em questão se os equipamentos efetivamente desapareceram ou não, pois é evidente para qualquer um com o mínimo de isenção sobre o caso, sabe que isto não possui qualquer relação com a ocupação em si. A ocupação foi um movimento de caráter político contra o ataque do governo Serra de retirar a autonomia universitária para pesquisa, administração e finanças. E ainda para confiar na reitora e na polícia contra o movimento estudantil seria preciso, em primeiro lugar, acreditar no absurdo de que nenhum furto ou roubo acontece na reitoria quando a reitora está no controle do prédio. Ou ainda que, a reitora estando ali, por exemplo, e tendo sido roubado dinheiro de um cofre, sua legitimidade política se perderia. É disso que se trata e é isso que querem fazer com o movimento estudantil. É preciso lembrar também, para desmascarar a farsa política montada, alguns fatos contribuem. Não há qualquer inventário ou qualquer relação de materiais presentes no prédio antes da ocupação que garanta a reitora afirmar que qualquer equipamento tenha sido efetivamente extraviado. Qualquer pessoa poderia roubar os equipamentos reclamados pela reitoria e a primeira suspeita deveria acompanhar justamente a própria, que se recusou a permitir a presença de uma comissão de estudantes que participaram do movimento para acompanhar os funcionários da reitoria e quem mais a instituição julgasse necessário na averiguação das dependências e seus equipamentos após a ocupação. A reitoria não é capaz de apresentar um parecer isento sobre quem quer que tenha retirado o quê da reitoria sem autorização. Não há qualquer prova concreta e até mesmo os policiais, que vistoriaram o prédio e os que se infiltraram durante o movimento e pessoas de confiança da reitoria ou qualquer um que estivesse mal-intencionado poderia ter roubado alguma coisa de dentro do prédio. Vale lembrar ainda a paupérrima qualificação moral das instituições públicas brasileiras, que em nada garante que os equipamentos reclamados pela reitoria, que podem vir a ser apresentados em uma lista ou licitação realizada, tenham sido de fato adquiridos antes que pudessem ser roubados. Principalmente num momento em queveio a público o escândalo da corrupção da burocracia universitária com o cartão corporativo. O que está em questão e é concreto, é que acima das calúnias da reitoria, do governo e da imprensa, é que a ocupação foi um movimento político, que colocou em xeque a autoridade do governo em destruir a universidade pública, e não uma atividade criminosa para tomar de assalto o patrimônio da reitoria, como querem agora demonstrar para atacar os estudantes. A história se repete Esta ação da direita se repete inúmeras vezes na história. A acusação de um movimento social de crime comum, na tentativa de ocultar os problemas políticos, que persistem acontece repetidamente. Esta tentativa de calar o movimento com processos judiciais e sindicâncias é um atentado contra os direitos políticos dos estudantes. Há pelo menos quatro processos judiciais contra os participantes do movimento e cerca de 40 estudantes da USP sendo processados. Querem com isso intimidar os estudantes em todo o País que se levantaram contra a destruição do ensino, seguindo o exemplo dos estudantes da USP. Exemplos desta ação policialesca não faltam. O imperialismo norte-americano cometeu inúmeros processos persecutórios como os que o FBI e a CIA realizaram contra as lideranças do movimento negro, desde os Panteras Negras a Martin Luther King, nas décadas de 60 e 70 nos EUA. Os militantes operários, os italianos Sacco e Vanzetti já na década de 20 nos EUA, também foram, de forma acintosa, acusados em um processo farsa, ficando conhecido em todo o mundo, e A ocupação foi um movimento de caráter político contra o ataque do governo Serra de retirar a autonomia universitária. registrado um aumento de 300% da quantidade de universidades particulares no Brasil, enquanto no mesmo período o número de instituições públicas aumentou apenas 11%. Quando começam a perder alunos com a alta dos preços das mensalidades, a máfia do ensino resolve o problema ofertando bolsas. É preferível dar bolsa a perder o aluno, disse o ex-reitor da Universidade Anhembi Morumbi, Gabriel Mario Rodrigues. Porém, as bolsas são oferecidas somente quando a turma está completa, ou seja, quando o número de alunos em sala é economicamente viável para a instituição. O crescimento do número de bolsas e descontos está completamente relacionado ao aumento das instituições privadas no País. As bolsas funcionam como uma estratégia para atrair estudantes no mercado cada vez mais concorrido do ensino superior privado. E quando a procura começa a perder para as universidades públicas, o governo oferece uma ajudinha. O ProUni é fruto do auxílio do governo aos grandes capitalistas do ensino. Ao invés de investir numa melhoria do ensino gratuito e ampliar o número de vagas nas universidades públicas, o governo incentiva a população a financiar essa máfia, dando ainda, o dinheiro público para as instituições privadas e isenções fiscais. A transformação do ensino e da educação num grande pólo comercial, a transformação da educação em mercadoria só apresenta resultados sofríveis em todos os quesitos, da formação acadêmica à produção científica. foram tragicamente perseguidos, presos e assassinados. Tentam agora, tanto a desmoralizada reitoria da USP quanto o governo Serra, transformar em crime um ato legítimo de luta política e social. Reitoria quer impedir nova mobilização Após o fracassado congresso que deveria ter discutido um novo estatuto para a universidade, a aprovação durante as férias de mudanças no estatuto feitas por uma comissão indicada pela reitora, estudantes sendo intimados para depor em processo judicial, Suely Vilela teme um novo e inevitável levante estudantil. Por isso, em um momento em que o movimento está mais calmo e durante as férias, a reitora se sente forte para aumentar a repressão. É necessário retomar a campanha para desmascarar a manobra totalitária da reitoria de reprimir e impedir a existência de um verdadeiro movimento estudantil na USP, por fora da burocracia estudantil que defenda de fato a universidade pública. Esse paradoxo (exuberância econômica versus baixa qualidade na formação dos alunos e precariedade do trabalho docente) é que precisa ser discutido por toda a sociedade, antes que o país perca a soberania que deve ter um dos setores de seu desenvolvimento (Sinpro-SP, 10/7/2008) O cerco é fechado para a população pobre que almeja cursar uma faculdade. São postos entre o vestibular, com inscrições de valores altíssimos e super concorridos e as faculdades fast-food, como as Unip de dois anos, com cursos de baixa qualidade. As privatizações de FHC tiveram forças ainda maiores de proteção no governo PT. Lula abriu caminho para os piores ataques à educação: o controle cada vez maior dos empresários sobre as necessidades e direitos da população. O ensino de qualidade é um privilégio de uma minoria, enquanto para a ampla maioria da juventude e trabalhadores, a educação não existe e nas raras vezes que se tem acesso, é da pior qualidade possível. A educação pública é uma das necessidades fundamentais de toda a juventude, e esta deve lutar pela estatização do ensino, ou seja, pelo fim do ensino pago, que são nada mais nada menos que verdadeiras indústrias de diplomas e pelo fim do controle de empresários sobre o futuro da educação e das necessidades dos trabalhadores. CAPITULAÇÃO DCE da USP defende repressão à ocupação A esquerda pequeno-burguesa no movimento estudantil dá mostras incríveis da sua capitulação diante da reitoria da USP. Em relação ao processo aberto pela reitoria da universidade na Justiça para cobrar R$ 345,1 mil de indenização do DCE (Diretório Central dos Estudantes) e do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), para pagar supostamente danos causados durante a ocupação da reitoria em maio do ano passado, que durou 51 dias. O estudante e diretor do DCE Vinícius de Castro Soares, expressando a opinião da entidade controlada pelo Psol, disse: Não acho que o prejuízo com a ocupação chegou a isso, concordando com o pagamento de indenização, restringindo-se a discordar do valor. Sendo óbvio que esse processo é uma pura invenção, sem qualquer conexão com os fatos acontecidos durante a ocupação, torna-se supérflua qualquer justificação diante essa falsa acusação. A colocação do DCE, entra no jogo da reitoria e assim assume uma posição defensiva, denotando toda uma concepção, um programa da esquerda pequeno-burguesa que está no centro entre eles, reformistas, defensores da conciliação de classes e as posições revolucionárias, realmente socialistas. Por detrás de uma aparente defesa do patrimônio público, simples moderação, bom senso, esta posição do Psol defende a repressão do movimento estudantil, enquanto movimento de luta pelos interesses da população,e por conseguinte da classe operária e, portanto, a defesa da repressão do Estado, enquanto instrumento de classe da burguesia, para subjugar a população oprimida. Ora, a ocupação que os estudantes bravamente realizaram por 51 dias, foi em defesa da universidade pública ante o golpe desferido pelo governador de São Paulo José Serra, que atacou a sua autonomia administrativa além de retirar ainda mais verba. Isto, enfrentando governo estadual, imprensa capitalista, reitoria etc., enfim, todo o aparato que a burguesia utiliza para preservar seu interesse de classe, e à revelia e contra a esquerda pequeno-burguesa como Psol, PSTU, LER-QI, além do mensalão PT, PCdoB e PMDB - que na época controlavam o DCE. Ou seja, os estudantes estavam defendendo de fato o patrimônio público, o interesse da população por uma educação de qualidade que a cada ano vem sendo destruída por medidas como aquela promulgada no início do ano passado. Agora, este Estado que ataca os direitos da população à educação procura reprimir outro direito democrático garantido de manifestação, procurando acuar o movimento estudantil em relação a futuras mobilizações contra a destruição da universidade tão quista pelos governos burgueses mais preocupados em transferir a riqueza nacional para banqueiros estrangeiros. Logo, conclui-se que a esquerda pequeno-burguesa, tão aficionada pela democracia enquanto valor supremo a ser defendido, cai nas suas próprias armadilhas e defende posições ultra-repressivas e autoritárias. Além disso, corrobora mais este obstáculo que a reitoria e governo procuram levantar contra novos levantes estudantis inevitáveis diante a situação calamitosa da educação não apenas superior, mas de conjunto. Embora isto pareça contraditório com a auto-propaganda do Psol, PSTU etc, qual seja, a de que são lutadores, que defendem a educação de qualidade e para todos, esta posição favorável à repressão do Estado contra o movimento estudantil é coerente com a posição social que estes ocupam na sociedade, e em particular no movimento estudantil, controlando o seu aparato burocrático. Durante a ocupação, que foi uma verdadeira mobilização de um grande conjunto de estudantes em defesa de seus interesses, essa esquerda foi completamente atropelada e perdeu o controle do movimento, buscando a todo custo freiá-lo, trai-lo, de modo a manter seus interesses próprios em contradição com o movimento. Fato esse comprovado pela defesa que estes fizeram do acordo com a reitoria que previa a punição dos estudantes. Agora que os estudantes estão paralisados, o Psol consegue manter o controle da entidade estudantil, que se restringe à participação de um pequeno grupo de amigos, utilizando-o para interesses burocráticos. De modo quase instintivo defendem a repressão do movimento estudantil, como única possibilidade de sobrevivência enquanto direção do mesmo, sabendo que em novas mobilizações, incluindo aí a experiência adquirida no ano passado pelos estudantes, correm enorme perigo de serem destronados completamente. UNIVERSIDADE BELAS-ARTES - SP Repressão: estudante é expulso por apresentar TCC pichando a faculdade Após apresentar seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) pichando as dependências do prédio da Faculdade Belas Artes, o estudante Rafael Guedes Augustaitiz, de 24 anos, foi expulso pela instituição por ter cometido suposto vandalismo. No dia 11 de junho, ele e um grupo de estudantes de Artes Visuais picharam o prédio da Belas Artes como parte de um trabalho artístico, mas o reitor Paulo Antonio Gomes Cardim decidiu expulsar o aluno, desconsiderando o conteúdo do trabalho. Além da retaliação acadêmica - uma decisão arbitrária tomada em plenas férias - o grupo de estudantes foram reprimidos pelos seguranças da faculdade e agredidos. A expulsão do estudante serve como mais um exemplo de repressão dentro das universidades, uma tendência nacional contra qualquer estudante que queira mudar a realidade do ensino brasileiro, completamente entregue aos parasitas da educação.

16 20 DE JULHO DE 2008 CAUSA OPERÁRIA TEORIA ANOS DE SEU NASCIMENTO Entrevista com Karl Marx, o fundador do socialismo moderno PELO JORNAL NORTE-AMERICANO THE CHICAGO TRIBUNE Esta entrevista com Karl Marx foi publicada pela primeira vez no jornal norte-americano The Chicago Tribune, em dezembro de 1878, a 130 anos atrás. Tendo permanecido inédita até recentemente quando foi descoberta por um pesquisador norte-americano. No momento da entrevista, Marx tem 70 anos de idade Londres, 18 de dezembro (1878). - Karl Marx, fundador do socialismo moderno, mora numa pequena casa em Haverstock Hill, bairro do noroeste de Londres. Banido em 1844 de sua pátria, a Alemanha, por ter propagado teorias revolucionárias, vive desde então no exílio. Retornou ao seu país em 1848, mas foi expulso dois meses depois de seu retorno. Marx estabeleceu-se, em seguida, em Paris, onde, já no ano seguinte, suas idéias políticas lhe valeram uma nova expulsão. Desde então, fez de Londres o seu quartel-general. Suas convicções não cessaram, desde o primeiro dia, de lhe criar dificuldades e, a julgar pelo aspecto de sua casa, elas não lhe proporcionaram grande conforto. Durante todo esse tempo, Marx pregou suas convicções com uma obstinação, indubitavelmente fundada na certeza que tem da justeza delas. Por mais que se possa ser contrário à difusão dessas idéias, é preciso admitir que a abnegação deste homem, atualmente em idade venerável, merece uma certa apreciação. Encontrei-me duas ou três vezes com o Dr. Marx, que me recebeu em sua biblioteca, sempre com um livro numa mão e um charuto na outra. Ele deve ter mais de setenta anos. É um homem solidamente constituído, de ombros largos e porte ereto. Tem a fronte do intelectual e os modos do judeu culto; sua cabeleira e sua barba são longas e grisalhas; sobrancelhas espessas sombreiam seus olhos negros e brilhantes. Nada inclinado à circunspecção, reserva aos estrangeiros em geral a melhor acolhida. Todavia, o venerando alemão, que recebe o visitante, não aceita dialogar com qualquer de seus compatriotas senão quando este lhe apresenta uma carta de recomendação. Assim que se adentra a biblioteca e Marx tenha ajustado seu monóculo, maneira de assumir a postura intelectual, abandona a reserva que até aí demonstrara. Então ele expõe, diante do visitante cativado, seu conhecimento dos homens e das coisas de todos os recantos do mundo. Ao longo da conversa, longe de se revelar um espírito limitado, toca em tantos assuntos quantos são os volumes dispostos sobre as prateleiras de sua biblioteca. Pode-se julgá-lo a partir dos livros que lê. O leitor terá uma idéia quando tiver dito o que me revelou uma rápida olhada as prateleiras: Shakespeare, Dickens, Thackeray, Molière, Racine, Montaigne, Bacon, Goethe, Voltaire, Paine; coleções administrativas (blue books) inglesas, americanas e francesas; obras políticas e filosóficas em russo, alemão, espanhol, italiano etc. Para minha grande surpresa, nossos colóquios me revelaram que Marx conhecia a fundo os problemas americanos dos últimos vinte anos. A singular justeza das críticas que dirigia ao nosso sistema legislativo, tanto o da União quanto o dos Estados, me deu a impressão de que possuía dados de fontes bem informadas. Contudo, esse saber não se limita a América, mas engloba, igualmente, toda Europa. Quando chega ao seu tema predileto, o socialismo, não se lança a tiradas melodramáticas que lhe são geralmente atribuídas. Atém-se a seus planos utópicos de emancipação do gênero humano com uma gravidade e uma energia que demonstram que está convencido de que suas teorias se realizarão um dia, no próximo, se não for neste século. O Dr. Karl Marx talvez seja conhecido na América, sobretudo por sua dupla qualidade de autor de O Capital e de fundador da Internacional, ou, pelo menos, como um de seus principais sustentáculos. A entrevista que segue esclarecerá o que ele pensa desta associação na sua forma atual. Eis aqui, antes de mais nada, alguns excertos dos estatutos publicados em 1871 aos cuidados do Conselho Geral, que permitem, a qualquer um, formar um juízo imparcial sobre o objeto e a finalidade da Internacional. Durante minha visita, assinalei ao Dr. Marx que J.C.Bancroft Davis havia juntado ao seu relatório oficial de 1877 um programa que me parecia ser, até o presente, a mais clara e concisa exposição dos objetivos do socialismo. Respondeu-me que esse programa fora extraído da ata do Congresso socialista de Gotha, realizado em maio de 1875, mas que a tradução estava repleta de equívocos. O Dr. Marx fez-me o favor de corrigi-la e transcrevo aqui o texto tal como me foi ditado: 1) Sufrágio universal, igual, direto, secreto e obrigatório para todos os cidadãos maiores de vinte anos e para todas as eleições gerais e comunais. O dia da eleição será um domingo ou um dia feriado. 2) Legislação popular direta. Guerra e a paz decididas pelo povo. 3) Nação Armada. Substitui ao do exército permanente pela milícia popular. 4) Supressão das leis de exceção, notadamente as leis sobre a imprensa, reuniões e associações; em geral, todas leis. 5) Instituição de tribunais populares. Gratuidade da justiça. 6) Educação geral e igual do povo pelo Estado. Obrigação escolar. Instrução gratuita em todos os estabelecimentos escolares. 7) Máxima extensão possível dos direitos e liberdade, no sentido das reivindicações acima citadas. 8) Imposto único e progressivo sobre a renda, para o Estado e as comunas, em lugar de todos os impostos indiretos, especialmente daqueles que sobrecarregam o povo. 9) Direito ilimitado de associação. 10) Jornada de trabalho correspondente às necessidades sociais. Proibição do trabalho aos domingos. 11) Interdição do trabalho das crianças, bem como do trabalho cuja natureza prejudique a saúde e seja ofensivo à moral da mulher. 12) Leis de proteção a vida e a saúde dos trabalhadores. Controle sanitário dos alojamentos operários. Fiscalização do trabalho nas usinas, fábricas e oficinas, bem como trabalho a domicílio, por funcionários eleitos pelos trabalhadores. Lei delimitando claramente as responsabilidades. 13) Regulamentação do trabalho nas prisões. A comunicação de Bancroft Davis contém ainda um décimo segundo artigo, o mais importante de todos, que reivindica: O estabelecimento de cooperativas socialistas de produção com a ajuda do Estado, sob o controle democrático da população trabalhadora. Quando pergunto ao Doktor por que ele omitiu este artigo, ele me responde: Marx - Na época do Congresso de Gotha, em 1875, havia uma cisão na social democracia. Os partidários de Lassalle formavam uma de suas alas; a outra havia adotado em geral o programa da Internacional e era chamada de partido dos eisenachianos. O décimo segundo artigo, de que estamos tratando aqui, não pertencia ao programa propriamente dito, mas fora inserido na introdução geral como uma concessão aos lassalianos. Não se voltou a falar dele depois disso. O senhor Davis não se refere ao fato de que este artigo foi introduzido no programa a título de compromisso, sem nenhuma importância particular. No entanto, enfatiza-o, com a maior seriedade, como se tratasse de um ponto fundamental. Tribune - Mas os socialistas não consideram, então, a passagem dos meios de trabalho a propriedade social coletiva como o grande objetivo do movimento? Marx - Certamente, dizemos que tal será o resultado do movimento. E, portanto, uma questão de tempo, de educação e do desenvolvimento de formas sociais superiores. Pergunta - Este programa é aplicável unicamente a Alemanha e a mais um ou dois outros países Marx - Extrair de um programa apenas essas conclusões seria desconhecer as atividades do movimento. Inúmeros pontos deste programa não têm a menor significação fora da Alemanha. A Espanha, a Rússia, a Inglaterra e a América do Norte têm seus próprios programas particulares, adaptados às suas próprias dificuldades. O único ponto comum é o objetivo final. Pergunta - E esse objetivo final é o poder operário? Marx - E a emancipação dos trabalhadores. Pergunta - Os socialistas europeus encaram com seriedade o movimento americano? Marx - Sim. Esse movimento é o resultado natural do desenvolvimento desse país. Tem-se dito que lá o movimento operário foi importado do estrangeiro. Quando, há uns cinqüenta anos, o movimento operário tinha dificuldades em abrir caminho na Inglaterra o mesmo foi presumido. E isso muito tempo antes de se falar em socialismo! Na América, o movimento operário adquiriu, a partir de 1857, uma importância maior. Foi quando os sindicatos locais tomaram impulso, na seqüência, uma central sindical reuniu as diversas categorias profissionais, depois do que surgiu a União Nacional dos Trabalhadores. Esses progressos cronológicos demonstram que o socialismo nasceu na América, sem apoio estrangeiro, pura e simplesmente da concentração do capital e das mudanças ocorridas nas relações entre operários e patrões. Pergunta - O que o socialismo conseguiu até hoje? Marx - Duas coisas: os socialistas demonstraram que, em toda parte, uma luta geral opõe o Capital ao Trabalho, em suma, demonstraram seu caráter cosmopolita. Em conseqüência, procuraram efetivar um acordo entre os trabalhadores de diversos países. Este acordo é tanto mais necessário visto que os capitalistas se tornam cada vez mais cosmopolitas. Não é somente na América, mas também na Inglaterra, França e Alemanha, que trabalhadores estrangeiros são empregados para serem utilizados contra os trabalhadores do próprio país. Criaram-se, imediatamente, vínculos internacionais entre os trabalhadores de diversos países. Eis o que provou que o socialismo não era unicamente um problema local, mas, antes, um problema internacional, que deve ser resolvido pela ação igualmente internacional dos trabalhadores. A classe operária põe-se espontaneamente em movimento, sem saber para onde o movimento a conduzirá. Os socialistas não criaram o movimento, mas explicaram aos operários seu caráter e seus objetivos. Pergunta - Quer dizer, a derrubada da ordem social dominante? Marx - Neste sistema, o capital e a terra são propriedades dos empresários, enquanto o operário não possui nada além de sua força de trabalho, que é constrangido a vender como uma mercadoria. Afirmamos que este sistema não constitui nada mais do que uma fase histórica, que ele desaparecerá e cederá lugar a uma ordem social superior. Notamos por toda parte a existência de uma sociedade dividida (em classes). O antagonismo entre essas duas classes caminha, lado a lado, com o desenvolvimento dos recursos industriais nos países civilizados. Do ponto de vista socialista, os meios para transformar revolucionariamente a fase histórica presente já existem. Em numerosos países, organizações políticas tomaram impulso a partir dos sindicatos. Na América, é evidente, hoje, a necessidade de um partido operário independente. Os trabalhadores não podem mais confiar nos políticos. Os especuladores e as cliques se apoderaram dos órgãos legislativos e a política tornou-se uma profissão. Não é somente o caso da América, mas aí o povo é mais resoluto do que na Europa; as coisas amadurecem mais rápido; não se faz rodeios e se vai direto aos fatos. Pergunta - Como o senhor explica o rápido crescimento do partido socialista na Alemanha? Marx - O atual partido socialista teve um nascimento tardio. Os socialistas alemães não tiveram de romper com os sistemas utópicos, que alcançaram certa importância na França e na Inglaterra. Os alemães, mais do que os outros povos, são inclinados à teoria e tiraram outras conclusões práticas das experiências anteriores. Não esquecer, acima de tudo, que na Alemanha, ao contrário dos outros países, o capitalismo moderno é coisa completamente nova. Coloca, na ordemdo-dia, questões já um tanto quanto esquecidas na França e na Inglaterra. As novas forças políticas, às quais os povos desses países se submeteram, encontraram em face delas, na Alemanha, uma classe operária já convicta das teorias socialistas. Assim, os trabalhadores puderam formar um partido político independente, quase simultaneamente à instalação da indústria moderna (em seu país). Eles têm seus próprios representantes no Parlamento. Como não existe nenhum partido de oposição à política governamental, este papel recai sobre o partido operário. Retraçar aqui a história do partido levaria demasiado longe, mas posso dizer o seguinte: se a burguesia alemã não fosse composta pelos maiores poltrões, ao contrário das burguesias americana e inglesa, ela de há muito teria-se oposto politicamente ao regime. Pergunta - Quantos lassalianos existem nas fileiras da Internacional? Marx - Enquanto partido, os lassalianos não existem. É claro, podem ser encontrados, entre nós, alguns adeptos, mas apenas um pequeno número. Anteriormente, Lassalle fazia uso dos nossos princípios gerais. Quando lançou seu movimento, depois do período de reação que se seguiu a 1848, acreditava que o melhor meio de reanimar o movimento operário consistiam pregar a cooperativa operária de produção. Ele queria, desse modo, estimular os trabalhadores à ação; era, a seus olhos, um simples meio de atingir o objetivo real do movimento. Possuo cartas de Lassalle que vão nesse sentido. Pergunta - Era então, de certa forma, uma panacéia. Marx - Exatamente. Ele procurou Bismarck para lhe expor suas intenções. E Bismarck encorajou as aspirações de Lassalle de todas as maneiras concebíveis. Pergunta - O que Bismarck tinha em mente? Marx - Ele queria jogar a classe operária contra a burguesia oriunda da Revolução de Pergunta - Diz-se que o senhor é a cabeça e o guia do movimento socialista e que da sua casa, o senhor puxa todos os cordéis das organizações, revoluções etc., verdade? Marx - Eu sei disso. É uma coisa absurda, mas que tem seus aspectos cômicos. Assim, dois meses antes do atentado de Hödel, Bismarck queixou-se, na Norddeutsche Zeitung, da aliança que eu teria estabelecido com o superior dos jesuítas, Beck; teria sido por culpa nossa que ele não pudera encetar o movimento socialista. Pergunta - Mas é mesmo a vossa Associação Internacional de Londres que dirige o movimento? Marx - A Internacional teve sua utilidade, mas seu tempo expirou e ela deixou de existir. Ela teve sua atividade, dirigiu o movimento. Mas o crescimento do movimento socialista no curso dos últimos anos, a tornou supérflua. Em diversos países surgiram jornais, que mantém relações recíprocas. Este é o único vínculo que os partidos de diversos países conservam entre si. A Internacional foi criada, antes de tudo, como objetivo de reunir os trabalhadores e de lhes mostrar que valia a pena congregar suas diversas nacionalidades no interior de uma organização. Mas os interessados partidos operários não são idênticos nos diversos países. O espectro de um chefe da Internacional, sediado em Londres, é uma pura e simples invenção. Entretanto, é exato que demos instruções às organizações operárias, na época em que a associação das Seções Internacionais estava solidamente estabelecida. Desse modo, fomos obrigados a excluir algumas seções de Nova Iorque, entre outras, aquela na qual figurava em primeiro plano a senhora Woodhull. Isto aconteceu em Havia numerosos políticos norteamericanos que teriam, deliberadamente, feito do movimento um negócio pessoal. Não quero citar nomes: os socialistas americanos conhecem muito bem. Pergunta - Atribui-se ao senhor, como a seus partidários, Dr. Marx, toda sorte de propósitos incendiários contra a religião. Com toda certeza, o senhor teria com prazer a eliminação radical deste sistema. Marx - Não ignoramos que é insensato tomar medidas violentas contra a religião. Segundo nossas concepções, a religião desaparecerá na medida que o socialismo se fortalecer. A evolução social vai, infalivelmente, favorecer esse desaparecimento, no qual cabe à educação um papel importante. Pergunta - Recentemente, em uma conferência, o pastor Joseph Cook, de Boston, enfatizava que seria preciso dizer a Karl Marx que uma reforma do trabalho é realizável, sem revolução sangrenta, nos Estados Unidos e na Grã- Bretanha, talvez também na França, mas que na Alemanha e na Rússia, assim como na Itália e na Áustria, será preciso derramar sangue para isso. Marx - Já ouvi falar do senhor Cook. Ele não conhece grande coisa de socialismo. É desnecessário ser socialista para observar e prever que revoluções sangrentas se produzirão na Rússia, na Alemanha, na Áustria e talvez na Itália, se os italianos continuarem a progredir na direção em que se encontram atualmente. Nesses países, acontecimentos comparáveis aos da Revolução Francesa poderiam efetivamente se produzir. Trata-se, neste caso, de uma evidência que salta aos olhos de qualquer um que esteja informado sobre a situação política. Mas essas revoluções serão feitas pela maioria. As revoluções não serão mais feitas por um partido, mas por toda a nação. Pergunta - O referido religioso citou uma passagem de uma carta que o senhor teria enviado em 1871 aos comuneiros parisienses, na qual se lê: Hoje somos três milhões ou mais. Mas, em vinte anos, nós seremos cinqüenta ou talvez cem milhões. Então, o mundo nos pertencerá uma vez que não apenas Paris, Lyon e Marselha, mas também Berlim, Munique, Dresden, Londres, Liverpool, Manchester, Bruxelas, São Petersburgo e Nova Iorque, em suma, o mundo inteiro, sublevar-se-á contra o odioso capital. Em face dessas novas insurreições, jamais vistas pela história até agora, o passado se dissipará como um pesadelo apavorante: o incêndio popular, lavrando em cem lugares ao mesmo tempo, aniquilará até mesmo a lembrança do passado. Doutor, admite ter escrito estas linhas? Marx - Nem uma única palavra! Jamais escrevi semelhantes absurdos melodramáticos. Reflito maduramente aquilo que escrevo. Isto foi forjado, e apareceu no Figaro com a minha assinatura. Naquele momento, fizeram circular centenas de cartas desse gênero. Escrevi ao Times de Londres para declará-las falsas. Mas se quisesse desmentir tudo o que se diz e se escreve a meu respeito, seria necessário empregar vinte secretárias. Pergunta - Mas, mesmo assim, o senhor escreveu em favor da Comuna de Paris? Marx - De certo que o fiz, em face do que fora dito a respeito nos editoriais. Todavia, alguns correspondentes parisienses desmentiram bastante, na imprensa inglesa, as alegações daqueles editoriais relativos a dissipações etc. A Comuna não executou mais do que umas sessenta pessoas, aproximadamente. O Marechal Mac Mahon e seu exército de carniceiros mataram mais de sessenta mil. Nenhum movimento desse gênero foi tão caluniado quanto a Comuna. Pergunta - Os socialistas consideram o assassinato e derramamento de sangue como necessários à realização de seus princípios? Marx - Nenhum grande movimento nasceu sem derramamento de sangue. Os Estados Unidos da América não adquiriram sua independência senão pelo derramamento de sangue. Napoleão III conquistou a França através de atos sangrentos e foi vencido da mesma maneira. A Itália, Inglaterra, Alemanha e os outros países fornecem uma pletora de exemplos do mesmo gênero. Quanto ao homicídio político, não é uma novidade pelo que se sabe. Orsini, sem dúvida, tentou matar Napoleão III, mas os reis mataram mais homens do que ninguém. Os jesuítas mataram, e os puritanos de Cromwell mataram. Tudo isso se passou muito antes de que se tivesse ouvido falar dos socialistas. Hoje, no entanto, se lhes atribui responsabilidade de todo atentado contra os reis e os homens de Estado. A morte do imperador da Alemanha seria, agora, particularmente deplorada pelos socialistas: ele é muito útil em seu posto, e Bismarck fez mais por nosso movimento do que qualquer outro homem de Estado, pois impeliu as coisas para o extremo. Pergunta - O que pensa de Bismarck? Marx - Antes de sua queda, tinha-se Napoleão III por gênio; depois ele foi chamado de louco. Acontecerá o mesmo com Bismarck. Sob pretexto de unificar a Alemanha, ele se pôs a edificar um regime despótico. Quem não vê onde ele quer chegar? Suas manobras mais recentes não são nada mais do que um golpe de estado travestido, mas Bismarck fracassará. Os socialistas alemães e franceses protestaram contra a guerra de 1870, mostrando que se tratava de uma guerra puramente dinástica. Em seus manifestos, advertiram ao povo alemão que, se ele permitisse a transformação da pretensa guerra de defesa em guerra de conquista, seria punido pela instauração de um despotismo militar e pela opressão brutal das massas trabalhadoras. Naquela época, o partido social democrata da Alemanha realizou reuniões e publicou manifestos nos quais se pronunciava em favor de uma paz honrosa com a França. O governo prussiano desencadeou imediatamente as perseguições contra o partido e muitos de seus dirigentes foram presos. Apesar disso, seus deputados, eles e somente eles, no Reichstag, ousaram protestar com a maior veemência contra a anexação pela força de uma província francesa. Bismarck, entretanto, impôs sua política pela violência e falouse do gênio de Bismarck. A guerra estava terminada e, como ele não podia fazer novas conquistas, mas devia fabricar idéias originais, faliu lamentavelmente. O povo perdeu a fé que tinha nele e sua popularidade está em declínio. Com ajuda de uma pseudoconstituição e com vistas a realizar seus planos militares e de unificação, impôs pesados impostos ao povo, a um ponto que o povo não aceita mais, e ele tenta agora fazê-lo aceitar sem constituição. A fim de poder continuar a sangrá-lo a seu gosto, pôs-se a agitar o espectro do socialismo e fez o todo o possível para provocar uma sublevação popular. Pergunta - O senhor recebe, regularmente, relatórios de Berlim? Marx - Sim, sou muito bem informado pelos meus amigos. Berlim está perfeitamente tranqüila e Bismarck decepcionado. Ele interditou a permanência de quarenta e oito dirigentes, entre os quais os Deputados Hassehnann e Fritzsche, bem como a Rackow, Baumann e Auer da Freie Presse. Estes homens exortaram o povo berlinense a manter a calma e Bismarck o sabe. Também sabe muito bem que, em Berlim, operários estão à beira de morrer de fome. Ele conta firmemente com que, afastados os dirigentes, produzir-seão os motins que darão o sinal para um banho de sangue. Então, poderia algemar todo o Império alemão e dar livre curso à sua cara política militarista; não haveria mais limites para a elevação dos impostos. Até o presente, nenhuma desordem aconteceu e Bismarck, desolado, se apercebe de que é a si próprio que deve censurar diante de todos os homens de estado.

17 20 DE JULHO DE 2008 CAUSA OPERÁRIA INTERNACIONAL 17 CRISE EM DARFUR PETRÓLEO E ARMAS Qual o interesse por trás da campanha contra o genocídio em Darfur? Sob a desculpa de que é preciso derrubar mais um governo anti-democrático e de orientação islâmica extremista, os EUA fomentam uma guerra civil interminável para tentar se apoderar do petróleo sudanês O promotor-chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luis Moreno-Ocampo, solicitou na segunda-feira (14) uma ordem de prisão contra o presidente do Sudão, Omar Al-Bashir, por genocídio, crimes de guerra contra a humanidade por causa do conflito em Darfur, no Oeste do País, que já causou a morte de pelo menos 300 mil pessoas. Este é o terceiro chefe de Estado acusado pelo TPI - após o sérvio Slobodan Milosevic, já falecido, e o liberiano Charles Taylor - e o primeiro a ser acusado em pleno exercício. O relatório enviado pelo promotor-chefe será avaliado pelo restante do corpo de juizes que decidirá em menos de seis semanas se indicam o presidente sudanês. O governo de Cartum, por sua vez, já respondeu que não reconhece a acusação e nem o TPI, chamando Moreno-Ocampo de criminoso. Disse também que as acusações têm como único objetivo minar os diálogos de paz e estimular a desordem e a violência no País. O Sudão já recusou entregar no ano passado dois membros do governo acusados pelo TPI, o ministro de Assuntos Humanitários, Ahmad Harun, e o líder de uma das milícias árabes, Ali Kushayb. A ONU disse temer possíveis retaliações contra suas tropas e a União Africana, a Unamid (Força Mista de Manutenção da Paz das Nações Unidas e União Africana) por parte de grupos aliados ao governo. Por isso suas atividades foram suspensas em todo País. A missão conta ao todo com nove mil soldados, muito abaixo dos 26 mil exigidos pela União Européia e EUA. No domingo (13), milhares de manifestantes marcharam em Cartum em apoio ao presidente Bashir e contra a decisão do promotor. O início do conflito O conflito em Darfur começou em meados de 2003 e estima-se que mais de 300 mil pessoas tenham sido mortas, além de mais de dois milhões terem abandonado suas casas. Quem mata e expulsa estas pessoas? Quem paga por estas mortes? O mais informado poderia dizer sem dúvida que os responsáveis por esta matança são as milícias pró-governo, como os janjaweed, que praticam todo o tipo de atrocidades contra a população que vive em Darfur. Porém, por trás destes grupos estão aqueles que mais falam em direitos humanos para tentar convencer todo mundo de que é preciso derrubar mais um governo anti-democrático e extremista islâmico. Se a verdade vir à tona, é fácil entender os motivos do genocídio: Petróleo. A compreensão se torna ainda mais clara se atentarmos ao fato de que o Sudão está localizado bem em cima de um oceano de petróleo. Quem está mais interessado por todo esse petróleo? Os EUA e suas companhias. Darfur é uma província semiárida, no Oeste do Sudão, maior país do continente africano. Mapa mostra bloco de concessões para a exploração de petróleo e gás no Sudão e oleoduto que parte do Sul até o Mar Vermelho. O País é dividido etnicamente por uma maioria árabe, mas em Darfur a maioria da população é negra, de origem centro-africana. Disputas territoriais pelo controle dos recursos naturais, como o petróleo, e de terras, envolvendo nômades e fazendeiros, estão na origem do conflito. No decorrer da guerra, dois grupos que se opõem ao governo se uniram e formaram o Fronte de Redenção Nacional, liderado pelo ex-governador de Darfur, Ahmed Diraige. A partir de 2003 milícias criadas pelo governo passaram a reprimir os grupos de oposição escondidos em Darfur, mas esta repressão veio sob a forma de uma campanha de extermínio étnico na região. A estimativa mais aproximada de mortes até hoje chega a cerca de 300 mil, mas devido à inacessibilidade de organismos chegarem até os locais, é impossível saber o número exato de vítimas e refugiados. Somente em 2006, depois de famílias inteiras serem dizimadas, mulheres sem estupradas e jovens mutilados, um tratado de paz foi assinado com a mediação da União Africana. O governo sudanês apoiou oficialmente o acordo, mas somente uma facção aliada assinou o tratado. Ficara estabelecido que o governo desarmaria os janjaweed, mas nunca nada foi feito. Mais à frente descobriremos por quê. Antes do início do conflito Com o apoio dos seus títeres em outros países africanos, os EUA treinaram e financiaram vários grupos de oposição ao governo sudanês, como o Exército de Libertação Popular do Sudão (SPLA), liderado pelo já morto John Garang. Este recebeu em rígido treinamento militar na escola das Forças Especiais dos EUA em Fort Benning, Georgia. Além deste grupo há também o Movimento Justiça pela Igualdade (JEM). Tal como fez durante muitas décadas na América Latina - e certamente ainda faz hoje - os EUA treinaram e treinam militares africanos em suas bases através do Programa Internacional de Educação Militar e Treinamento (IMET), onde estão alunos vindos do Chade, Etiópia, Eritréia, Camarões e da República Centro- Africana, todos vizinhos do Sudão. Os EUA querem voltar a ter o controle total sobre as jazidas africanas. As grandes companhias norte-americanas já tiveram acesso ao petróleo do Sudão quando em 1979, Jafaar Nimeiry, presidente Sudão entre 1971 e 1985, rompeu com a política da União Soviética e deu a concessão para a Chevron. Naquela época havia um embaixador norte-americano da ONU que viria a se tornar presidente dos EUA: George H. W. Bush, pai do atual presidente. Ele havia informado pessoalmente ao presidente sudanês sobre fotos tiradas por satélites que indicavam a presença de muito petróleo no Sudão, na região de Darfur. Começava então a chamada Segunda Guerra civil do Sudão, em Foram tantos atentados e assassinatos que a Chevron foi praticamente expulsa pelas milícias em 1984, até que em 1992 vendeu sua concessão, dando oportunidade para a China tentar a sorte. Desde 1999 a China explora as concessões petrolíferas que eram da Chevron. O ouro negro do continente negro A África está no centro dos interesses do imperialismo em todos os sentidos. Politicamente, economicamente e militarmente o continente negro é controlado pelo imperialismo norte-americano e europeu, na qual se apoderam de todos os recursos naturais, além de ser uma importante base na sua campanha de guerra ao terrorismo. Na verdade, o suposto combate ao terrorismo esconde uma guerra suja pelo petróleo africano, assim como a ocupação do Iraque e as atuais ameaças ao Irã. Até 2015, os EUA querem que 75% de sua importação petrolífera venha diretamente da África, uma alternativa ao petróleo vindo da América Latina e Oriente Médio, as duas regiões mais instáveis do mundo. A recente descoberta de petróleo no Chade, também palco de graves distúrbios, incluindo uma tentativa de golpe de Estado neste ano, reforçou o interesse do imperialismo por novas perfurações. Só o Chade possui uma reserva de 1,5 bilhão de barris de petróleo. Em Darfur, se seguirmos a linha da crise também chegaremos ao petróleo. O Sudão é disputado por várias forças que querem se apropriar dos seus recursos naturais. A força destes grupos e sua capacidade de destruição vêm do dinheiro enviado pelo imperialismo, principalmente pelos EUA, maior interessado no ouro negro. A missão formada pela ONU e pela União Africana é apenas um biombo que esconde uma ocupação militar em favor dos interesses do imperialismo. Estes interesses não incluem apenas o petróleo, mas também a venda de armas, muitas armas. Um estudo elaborado pela Organização Não-Governamental Oxfam International mostrou que apenas o custo das guerras na África supera todo o dinheiro destinado ao desenvolvimento do continente. O custo das guerras na África entre 1990 e 2005 foi de US$ 284 bilhões, o equivalente a toda a ajuda destinada ao desenvolvimento do continente no mesmo período. Esta ajuda não inclui apenas doações, mas também empréstimos dos países imperialistas aos países africanos. Estes números contabilizam apenas a venda de armas no mercado legal, pois clandestinamente os investimentos são muito maiores. Em 15 anos, pelo menos 23 conflitos produzidos pelo imperialismo foram suficientes para O conflito em Darfur, no Oeste do Sudão, que já causou a morte de pelo menos 300 mil pessoas. reduzir em 15% o PIB (Produto Interno Bruto) africano por ano, isto é, US$ 18 bilhões por ano. Os principais países que financiam este fiel retrato do capitalismo são os EUA, Reino Unido, Rússia, Alemanha e China. Só os EUA venderam aos países africanos mais de 10 bilhões de euros e é o maior exportador de armas para a África, seguindo da Rússia (quatro bilhões) e Reino Unido (2,3 bilhões). Toda esta quantia não leva em consideração as armas que entram no continente através de contrabando. No páreo pelo petróleo africano A companhia petrolífera chinesa CNPC (China National Petroleum Corporation) é atualmente a maior investidora estrangeira no Sudão, com mais de US$ 5 bilhões investidos nos campos petrolíferos do País. De 1999 para cá, por exemplo, a China investiu cerca de US$ 15 bilhões. Não por acaso são donos de 50% da maior refinaria do Sudão, localizada perto da capital em parceria com o governo. A CNPC construiu um oleoduto que começa nos blocos de concessão até um porto no Mar Vermelho, de onde o petróleo é carregado por navios tanques até a China. O Sudão produz por dia 500 mil barris de petróleo por dia, dos quais entre 65% e 80% pertencem à China. Os campos petrolíferos estão concentrados justamente na região do conflito. Portanto, quando é difícil e confuso de entender a origem e o motivo de tantas guerras no Oriente Médio e, neste caso, em Darfur, pense no petróleo e chegará facilmente à resposta. As disputas em Darfur começaram a partir do momento em que os EUA passaram a financiar milícia contra o governo para incentivar as disputas étnicas, a divisão do País e, dessa forma, justificar uma ocupação militar. Ou seja, uma verdadeira ameaça à hegemonia chinesa. Há entre a região entre o Sudão e o Chade - exatamente em Darfur - uma intrínseca disputa pelo petróleo, onde a China é a detentora e os EUA querem se apossar. Não por acaso a crise em Darfur começou no mesmo ano em que o Iraque foi invadido. Trata-se da sede insaciável do imperialismo norteamericano por petróleo. Se por um lado os EUA se apóiam na força militar e guerra suja, por outro, patrocinam uma campanha de propaganda de massas sobre a questão de Darfur. São eles os maiores interessados em denunciar o genocídio na região. É curioso destacar que na época do genocídio em Ruanda, onde algo em torno de 500 mil a 1 milhão de pessoas tenham sido mortas em alguns meses de 1994, os EUA recusavam-se em reconhecer que se tratava de um genocídio, pois estavam em posição desfavorável. Agora que necessitam de novos poços petrolíferos, querem derrubar o governo do Sudão e botar no lugar um títere. A França também está prestando seus serviços no Chade, país vizinho ao Sudão, onde o poder na ex-colônia francesa vive permanentemente ameaçado por milícias financiadas diretamente por Nicolas Sarkozy. É por isso que o governo sudanês sempre recusou a presença das supostas tropas de paz, pois sabe que permitir isso é o mesmo que concordar com a sua deposição. NOTAS Nepal: 118 presos em manifestação pró-tibete Na última sexta-feira (18), centenas de pessoas, em sua maioria tibetanos, realizaram manifestação na capital do Nepal reivindicando independência do Tibete em relação à China. A polícia local prendeu 118 manifestantes. Eles queimaram um retrato do presidente chinês, Hu Jintao, nas proximidades na embaixada chinesa. Cerca de 20 mil tibetanos moram no Nepal. A maioria deles refugiados após um levante no Tibete contra a burocracia chinesa em Ataque fere 30 pessoas na Índia Na sexta-feira (18), um ônibus foi atingido por uma granada na Caxemira, na Índia, ferindo pelo menos 30 pessoas. A polícia local suspeitou que o ataque foi realizado por militantes separatistas, embora, nenhuma organização tenha assumido ainda a responsabilidade por tal. O alvo da granada era uma patrulha de segurança da cidade de Banihal, capital da Caxemira. Ontem, outro ataque foi realizado na região de Awantipora, matando uma pessoa e ferindo outra. Na próxima semana, diplomatas da Índia e do Paquistão se reunirão para as negociações sobre a questão. 15 afegãos são mortos pelos EUA O exército norte-americano realizou uma ofensiva com bombardeios no Oeste no Afeganistão e matou pelo menos 15 supostos militantes do Taleban na região de Zerko, no distrito de Shidand. Ao mesmo tempo, forças armadas da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico do Norte) mataram Bismullah Akhund, destacado líder do Taleban, na província de Helmand, no sul afegão. Tribunal espanhol proíbe realização de plebiscito para independência do País Basco O Tribunal Constitucional espanhol proibiu, na quintafeira (17), a realização de um plebiscito no País Basco sobre as relações com a Espanha que estava marcado para o dia 25 de outubro, e havia sido aprovado enquanto lei pelo parlamento basco. O tribunal aceitou os recursos apresentados pelo governo espanhol e pelo Partido Popular (PP) apresentados dois dias após a publicação do Diário Oficial do País Basco que convocava a consulta popular. O Tribunal Constitucional ainda terá um prazo de cinco meses para ratificar ou não a decisão que foi unânime. Segundo a idéia apresentada pelo presidente do País Basco, Juan José Ibarretxe, essa consulta popular a ser realizada em outubro seria apenas o primeiro passo para um plebiscito de autodeterminação em União Européia diz que ampliará embargo contra Zimbábue Na quinta-feira (17), um grupo de diplomatas da União Européia declararam que ampliarão as sanções contra o Zimbábue. A União Européia não reconheceu a reeleição de Mugabe nas eleições realizadas no mês passado. O atual embargo europeu inclui proibição de envio de armas, emissão de vistos, congelamento de bens de oficiais do governo, incluindo Mugabe. A ampliação prevista para ser aprovada na próxima semana incluirá restrições de viagens, congelamento de bens de mais colaboradores do presidente Mugabe, além de banimento das atividades de companhias de Zimbábue na Europa. Novo atentado no noroeste do Iraque Numa nova explosão de um carro-bomba no Noroeste do Iraque, pelo menos 13 pessoas morreram e 34 ficaram feridas na terça-feira (15). O atentado ocorreu no bairro de Al-Talia, no centro da cidade de Tal Afar, a cerca de 60 quilômetros ao oeste de Mossul, capital da província de Ninawa. A explosão atingiu destruiu grande número de carros e casas e o número de mortos podem aumentar. A cidade de Tal Afar é de maioria da população turcomana, foi palco de um dos piores Adquira as publicações das Edições Causa Operária O CARÁTER POLÍTICO E IDEOLÓGICO DO PARTIDO DO SOCIALISMO E LIBERDADE Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operára e editor do jornal Causa Operária LIVRARIA DO PCO: Avenida Miguel Stéfano, nº 349 Saúde, telefone ou na página do partido: org.br atentados desde a derrubada de Saddam Hussein, em Exército iraniano irá fabricar aviões de combate O Exército iraniano anunciou na terça-feira (15) a fabricação de aviões de combate com tecnologia mais avançadas e acrescentou que a força aérea realizará manobras no Golfo Pérsico, similares àquelas realizadas pelos Guardiões da Revolução Islâmica, tropa de elite do regime aiatolás. O anúncio foi feito pelo comandante da Força Aérea iraniana, general-de-brigada Ahmad Mighani, que apenas acrescentou que os aviões não poderão ser detectados por radares. Sobre as manobras realizadas pelos guardiões, Mighani declarou: Os exercícios dos Guardiões mostraram aos inimigos a potência e a capacidade desta força militar (...), nós também mostraremos aos inimigos que cortaremos suas mãos se pensarem em atacar o Irã.

18 20 DE JULHO DE 2008 CAUSA OPERÁRIA INTERNACIONAL 18 IMPERIALISMO: O FIM DA LINHA O Tet afegão Ataque surpresa contra uma base militar expulsou soldados norte-americanos e afegãos. Ao menos nove soldados foram mortos e resistência só recuou com a chegada dos aviões da coalizão Os últimos meses mostraram a enorme popularidade em torno da resistência afegã contra a presença do imperialismo e nenhum oficial norte-americano acredita que possa ainda haver uma vitória da coalizão no futuro. As tropas esperam apenas pelo dia em que o Talebã conseguirá romper o cerco em Cabul. Os acontecimentos de domingo (13) comprovam esta tese. Neste dia, soldados do Exército dos EUA e do Afeganistão abandonaram uma base instalada na remota aldeia de Wanat, na província de Nuristão, após serem atacados por mais de 200 insurgentes afegãos. Nove soldados norte-americanos morreram e 15 ficaram feridos até que um ataque aéreo forçou os rebeldes a recuarem. O povoado, no entanto, foi tomado pela insurgência. O ataque aconteceu apenas três dias depois que a base fora inaugurada, forçando as tropas norte-americanas a abandonarem definitivamente a base na terça-feira (15). Segundo Ghoolam Farouq, oficial de alto escalão da policia local, mais de 50 agentes foram destacados para garantir a segurança da base no lugar dos soldados norte-americanos, mas a base situada numa região montanhosa próxima à fronteira com o Paquistão continua vaga. A expulsão dos soldados de sua própria base remete à crise da ocupação do Vietnã em 68, quando os guerrilheiros realizaram uma série de ataques surpresa contra alvos norte-americanos. Crise permanente No dia 7 de outubro de 2001, há quase sete anos atrás, EUA e Reino Unido iniciaram no Afeganistão a chamada Liberdade Duradoura, que tinha como objetivo destruir ou capturar membros da Al-Qaeda responsáveis pelos ataques de 11 de setembro, além de derrubar o regime talebã, que apoiava a Al-Qaeda. Vale ressaltar que as duas organizações foram criadas pelos EUA para combater a presença das tropas soviéticas na guerra contra o Afeganistão em A Força Internacional de Assistência à Segurança (ISAF), um corpo com cerca de 34 mil soldados de diversos países, foi criada em 20 de dezembro de 2001 após a queda do Talebã para supostamente dar estabilidade ao novo regime indicado a dedo por Washington. Mas após sucessivos fracassos, em agosto de 2003, a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) passou a comandar a ocupação e coordenar a ISAF. Quase sete anos depois, as tropas nunca estiveram em situação tão ruim. Longe dos objetivos Em artigo publicado pelo jornal espanhol El Pais no ano passado, o general José Enrique de Ayala, ex-segundo-chefe da 1ª Divisão Multinacional Centro- Sul no Iraque, afirma que a guerra não tem uma solução militar a longo prazo e que os cerca de 34 mil efetivos da ISAF só servem para ganhar tempo. Segundo Ayala, os países imperialistas têm fundamentalmente duas preocupações: primeiro, impedir que o Talebã volte ao poder e estabeleça um regime islâmico, ou seja, um regime nacionalista de oposição ao imperialismo que se torne sede da luta promovida pela Al-Qaeda. Segundo, formar um Estado forte e um regime pró-imperialista relativamente estável, uma ditadura com aparência democrática e com o apoio de determinados setores das classes dominantes. Ao longo destes quase sete anos de ocupação, as duas tarefas foram igualmente fracassadas. O general afirmou também que nem a ISAF e nem a OTAN podem controlar o Afeganistão: A URSS não dominou o Afeganistão com 100 mil soldados. A ISAF só dispõe agora de 34 mil (El Pais, 7/10/ 2007). Perdidos na guerra Em janeiro de 2006, a Conferência de Londres aprovou um projeto de reconstrução e estabilização do Afeganistão até Este plano está longe de ser colocado em prática, pois nem mesmo as necessidades mais básicas estão sendo controladas. A infraestrutura afegã vai de mal a pior. A maioria das províncias não tem acesso adequado à água potável e nem eletricidade. Grande parte da população fora de Cabul vive do cultivo do ópio, principal meio de subsistência dos afegãos. Segundo dados da ONU, a produção de ópio no País neste ano O ataque aconteceu apenas três dias depois que a base fora inaugurada, forçando as tropas norte-americanas a abandonarem definitivamente a base. está prevista para atingir 93% da produção mundial, isto é, oito mil toneladas. Parte desta produção é bastante consumida pelos soldados da ISAF, principalmente os soldados norte-americanos, acusados de assassinar um de seus colegas por saber demais. Assim, o regime político que, no mundo, mais utiliza a luta contra as drogas, na realidade, a luta contra o tráfico, como uma arma de dominação e agressão política, revela-se o maior produtor de drogas do planeta. Os altíssimos custos militares impedem que os países se encorajem e enviem mais efetivos. Só em Kosovo, compara Ayala, a OTAN enviou ao menos 50 mil soldados em seu período mais crítico. Kosovo é 60 vezes menor que o Afeganistão e com uma população 15 vezes menor. Proporcionalmente, seriam necessários pelo menos 300 mil ou 400 mil soldados para conseguir estabilizar o País. Quem estaria disposto a pagar por isso? As tropas estrangeiras se encontram na mesma situação que no Iraque. Se deixarem o País, o governo cairá imediatamente e o Talebã retornará ao poder. Outra alternativa seria continuar no País e ver a situação se deteriorar aos poucos, o que já está afetando os governos aliados e o próprio imperialismo. ORIENTE MÉDIO ACORDO Em momento histórico, Líbano e Israel trocam prisioneiros O governo de Israel e a organização xiita libanesa Hezbollah oficializaram na quarta-feira (16) a esperada troca de cadáveres e prisioneiros anunciado no fim de semana. Enquanto o Hezbollah entregava os restos mortais dos soldados israelenses Ehud Goldwasser e Eldad Regev, seqüestrados há dois anos, Israel cumpria parte do acordo entregando 200 militantes mortos e cinco prisioneiros. A troca de prisioneiros e corpos entre Israel e Hezbollah começou nas primeiras horas do dia com a entrega dos caixões onde estavam os dois soldados seqüestrados na fronteira libano-israelense em julho de 2006, fato que originou a invasão de Israel e o bombardeio no Sul do Líbano. Entregamos ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha os dois soldados israelenses que foram capturados pela resistência islâmica em 12 de julho de 2006, disse o porta-voz do Hezbollah, Wafik safa (Agências internacionais, 16/7/ 2008). A troca foi aprovada na terça-feira (15) pela maioria do Executivo israelense e está sendo mediada pela Cruz Vermelha Internacional e por um representante designado pelas Nações Unidas, o alemão Gerhard Conrad. Assim que os corpos foram identificados como sendo mesmo de Regev e Goldwasser, Israel entregou cinco prisioneiros, últimos libaneses ainda sob custódia israelense, presos durante os 34 dias de guerra contra o Líbano. Eles deixaram suas celas durante a madrugada e foram encaminhados até a fronteira, onde esperavam o Hezbollah cumprir sua parte. Feito isso e comprovada a identidade dos corpos, os cinco puderam cruzar a fronteira. Entre os ex-prisioneiros de guerra está Samir Kantar, condenado a cinco penas de prisão perpétua e 47 anos adicionais de prisão pela morte de quatro pessoas em um ataque a Israel realizado em Os outros são Khodor Zaidan, Maher Kourani, Mohammed Srour e Hussein Suleiman. Eles foram recebidos no Líbano como heróis em uma celebração organizada pelo Hezbollah que incluiu até um desfile militar. Uma multidão participou do ato com bandeiras e cores do partido. Além deles, foram entregues também os corpos de quase 200 pessoas, entre elas o de Dalal almagrebi, uma mulher combatente do Fatah. O Hezbollah chamou a operação de troca como Radwan, em homenagem a Imad Moughniyah, codinome Hajj Radwan, ex-comandante do grupo assassinado na Síria em fevereiro deste ano. O comandante do Hezbollah no Sul do Líbano, Nabil Kaouk, considerou a decisão de Israel, contrária a opinião do serviço de inteligência, como uma derrota. Jornais locais consideraram a troca como o último capítulo da guerra de De fato, a troca pode ser considerada uma grande derrota para Israel. Em julho de 2006, mais de mil libaneses foram mortos pelos bombardeios israelenses no Sul do País. A invasão teve como um dos pretextos uma tentativa de resgate dos dois soldados israelenses que, no entanto, só no dia da troca se soube do paradeiro deles. Ao mesmo tempo, uma trégua com o grupo palestino Hamas está em vigor, apesar de sua fragilidade, enquanto que EUA e Israel fecham o cerco contra o Irã. Quais são as perspectivas do imperialismo e seu principal aliado diante de uma possível invasão do Irã na medida em que Israel enfrenta neste momento sua pior desmoralização política? O curioso é que tanto Israel como o imperialismo são obrigados a reconhecer a legitimidade do Hezbollah e do Hamas, considerados dois grupos terroristas, o que para eles significa sem direito a qualquer negociação diplomática. A crise do regime político israelense expressa a crise do próprio imperialismo. CAMPO DE CONCENTRAÇÃO EM GUANTÁNAMO Perdi meus olhos, perdi meus pés, perdi tudo Os advogados de um jovem detido na base militar norteamericana de Guantánamo, em Cuba, divulgaram na terça-feira (15) seqüências de um vídeo chocante de seu interrogatório gravado secretamente através do duto de ar da sala de interrogatório. O vídeo mostra Omar Khadr, um canadense de 15 anos acusado de matar um soldado norte-americano no Afeganistão, chorando durante um longo interrogatório feito por agentes do Serviço de Inteligência e Segurança do Canadá (CSIS, em inglês). Esta é a primeira vez que um interrogatório em Guantánamo é divulgado. As gravações feitas em fevereiro de 2003 registraram sete horas e meia de interrogatório feito ao longo de quatro dias. Os primeiros 10 minutos de fita foram divulgados inicialmente na Internet e uma versão completa foi publicada pelos advogados de Khadr. Nas imagens, Khadr chora compulsivamente e arranca seus próprios cabelos em sinal de desespero. Em um determinado momento, um dos interrogadores tenta acalmar Khadr, que está claramente desesperado, dizendo que entende que isso é estressante. Quando Khadr afirma que eles não estão ajudando no seu caso, um outro interrogador responde: Não podemos fazer nada por você. O vídeo não chega a mostrar golpes ou maus tratos físicos, mas o jovem mostra aos seus interrogadores marcas de tortura. Ele levanta sua camiseta laranja e mostra feridas no braço e na barriga, ao qual um interrogador responde: Não sou médico, Omar Khadr, nascido em 19 de setembro de 1986 na cidade de Toronto, no Canadá, hoje tem 21 anos e continua atrás das grades. mas acho que conseguirá um bom seguro médico. Em um outro momento ele grita: Me mata, mata!. Ele chora diante dos agentes e diz: Perdi meus olhos, perdi meus pés, perdi tudo, lamenta enquanto leva as mãos na cabeça. O agente, sentado em frente dele contesta: Não, você tem seus olhos e seus pés estão no final de suas pernas. Você sabe. Em seguida os agentes saem da sala. Dizem que vão sair por alguns minutos: Relaxe um pouco. Vamos comer algo e logo começaremos de novo. Quando Khadr fica sozinho na sala, começa a soluçar e pedir ajuda: Me ajuda...me ajuda.... Omar Khadr, nascido em 19 de setembro de 1986 na cidade de Toronto, no Canadá, hoje tem 21 anos e continua atrás das grades. Ele foi preso no Afeganistão em junho 2002 acusado de ter matado um soldado norteamericano com uma granada durante um combate. Foi preso quando tinha apenas 15 anos e permaneceu os últimos seis anos de sua vida confinado na base militar de Guantánamo. Em fevereiro de 2008, o Pentágono, acidentalmente liberou documentos que revelam que, apesar de que Khadr estava presente durante o tiroteio, não existe evidência alguma de que tenha sido ele quem lançou a granada. Oficiais militares declararam que foi uma outra pessoa que atirou a granada antes de ser assassinada. Os cerca de 400 combatentes inimigos que estão em Guantánamo estão sob a tutela do imperialismo norteamericano. Lá estão isolados do mundo, sem acusação formal e sem direito a um advogado. Não são suspeitos de terrorismo, como afirmam os EUA. São simplesmente cidadãos que cumpriam suas rotinas em meio à ocupação estrangeira do Afeganistão. No entanto, estas pessoas são submetidas a todo tipo de tortura e abuso. A base estava praticamente abandonada até pouco antes dos EUA decidirem invadir o Afeganistão em Desde estão se tornou um verdadeiro campo de concentração. Este centro de tortura, assim como muitas outras prisões clandestinas da CIA instaladas nos lugares mais remotos do mundo, devem ser fechadas e todos os responsáveis pelas torturas julgados e condenados, a começar pelo presidente norte-americano, George W. Bush. Petróleo Rumo aos US$ 200? Até o ano passado havia ainda aqueles que insistiam em dizer que o aumento do preço do petróleo mais cedo ou mais iria se estabilizar. Hoje a pergunta que está na boca de todos é: quanto vai aumentar? Ou então, até quando? A situação é muito pior do que a burguesia procura apresentar. A história do petróleo já viveu duas grandes crises. A primeira foi em 1973, desencadeada com a Guerra do Yom Kippur, quando os produtores árabes suspenderam as exportações aos EUA em boicote à política do imperialismo de apoiar Israel no conflito. A segunda crise ocorreu em 1978, às vésperas da Revolução Iraniana que derrubou o governo títere dos EUA. Poderíamos dizer com acerto que estamos vivendo neste momento a terceira crise do petróleo, embora para não criar alarde, o imperialismo procure disfarçar ao máximo. Em 1973, o barril atingiu seu ápice custando US$ 42, enquanto que em 1978 o preço chegou a US$ 80. Na nossa terceira crise, o preço chega aos US$ até o fechamento desta edição, pois a qualquer momento pode bater um novo recorde. No intervalo de 30 anos que nos separa da segunda crise, o petróleo só veio aumentando desenfreadamente. O petróleo aumentou mais de dez vezes em relação ao preço da cotação de dez anos atrás. Em julho de 1998, o barril era negociado a US$ 15, segundo dados da Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA, na sigla em inglês). Hoje, repetindo, o preço chega aos US$ 147! Em dois anos, no mínimo, estima-se que o petróleo chegue aos US$ 200 por causa da alta demanda e da baixa oferta. Acreditamos que a atual crise de energia pode estar chegando a um pico, à medida que um crescimento inadequado da oferta se torna aparente. A possibilidade de chegarmos a ficar entre US$ 150 e US$ 200 por barril parece cada vez mais provável no período dos próximos seis a 24 meses, diz o comunicado do banco norte-americano de investimentos Goldman Sachs (Folha de S. Paulo, 6/5/ 2008). A expectativa também foi confirmada pelo presidente da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), Chakib Khelil. Para ele, o problema não é a baixa oferta, mas a desvalorização do dólar. Em entrevista para o jornal argelino El Moudhajid, Khelil disse que os preços estão altos tanto pelo fato da recessão nos Estados Unidos quanto pela crise econômica que tem atingido diversos países. A situação tem efeito na desvalorização do dólar. A cada vez que o dólar cai 1%, o preço do barril sobe US$ 4, e viceversa. Se não fossem problemas geopolíticos e a queda do dólar, os preços do petróleo não esta- riam neste nível, disse (El Moudhajid, 26/6/2008). Para piorar o clima de incertezas, a Agência Internacional da Energia, Associação para o Estudo do Pico do Petróleo fez uma revelação nada animadora. O pico de produção do petróleo irá ser alcançado entre 2020 e Até lá quanto vai custar o barril? A produção mundial atualmente é de 85 milhões de barris diários, contra uma procura de 87 milhões. Até 2030 esta procura será pelo menos 60% maior, ou seja, 140 milhões de barris diários. No entanto, apenas 117 milhões de barris serão produzidos até lá. Esta é ainda a previsão mais otimista, pois muitos analistas acreditam que não será possível ultrapassar os 100 milhões em produção diária. É por isso que o imperialismo não só procura por mais jazidas, como também, e principal, as rouba. É o caso da invasão do Iraque e, quem sabe, do Irã. Dois dos maiores produtores de petróleo do mundo. Trata-se de uma busca desesperada por petróleo, principalmente por parte dos EUA, o maior importador e consumidor do petróleo do mundo. A crise é tão colossal que o medo dos US$ 200 pode a qualquer momento virar coisa do passado. O presidente do Instituto francês do Petróleo (IFP), Olivier Appert, considerou nesta semana que não acha impossível que o barril chegue a US$ 300 dólares. ADQUIRA BIBLIOTECA SOCIALISTA MINI R$ 3,00 LIVRARIA DO PCO: Avenida Miguel Estéfano, nº 349 Saúde, telefone ou na página do partido: org.br

19 20 DE JULHO DE 2008 CAUSA OPERÁRIA INTERNACIONAL 19 ARGENTINA: REGIME ESGOTADO Até tu, Cobos? O principal aliado do governo, o vice-presidente e líder no Senado, Julio Cobos, desempatou a votação sobre o aumento de impostos sobre a exportação agrícola e recebeu todo peso da crise em suas costas. Embora seja maioria na Câmara e do Senado, por que o governo não conseguiu se garantir? Até antes da votação que se estendeu madrugada adentro na Câmara Alta sobre o projeto das retenções móveis, o governo argentino estava confiante de que iria aprovar o Decreto 125, lei que estabelece o aumento dos impostos sobre exportação taxados com base na variação dos preços internacionais. Desde o dia 11 de março, quando a Casa Rosada anunciou o aumento dos impostos, uma guerra entre o governo e grandes produtores agropecuários levou a Argentina para a sua pior crise política desde 2001, quando mobilizações populares derrubaram o então presidente Fernando de La Rúa. A crise completou na quarta-feira (16) 127 dias. Durante este período, os ruralistas fizeram quatro locautes, bloqueando as principais estradas do País e provocando o desabastecimento de alimentos nos supermercados das cidades. O governo esperava aprovar a lei por apenas dois votos de diferença, mas a presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, e seu marido, o expresidente Néstor Kirchner - também presidente do Partido Justicialista (PJ), a maior bancada no Congresso - sofreram na madrugada uma derrota monumental e perderam a votação no Senado. Após 17 horas de debates, a votação do projeto terminou num empate técnico. O voto de Minerva e o golpe fatal veio de quem menos se esperava: do vice-presidente, Julio Cobos, que também é presidente do Senado e aliado dos K (de Kirchner). Depois que governo e oposição chegaram à meianoite com o mesmo número de votos, 36 senadores cada um, de um total de 72, o último voto dependia dele e sua decisão inclinou a balança para o Não, recebendo todo peso da crise sobre suas costas. Antes de declarar seu voto disse: Este é o dia mais difícil de minha vida. Na Câmara dos Deputados, onde o governo conta com ampla maioria - assim como no Senado - a lei havia sido aprovada por uma pequena margem de apenas sete votos. A oposição acusou o governo de ter comprado votos a seu favor. Em um dado momento da votação, quando o governo vencia, panelaços em apoio à oligarquia do campo saíram às ruas de Buenos Aires vindos dos bairros mais nobres. Na terça-feira (15), milhares de manifestantes se concentraram em frente ao Congresso Nacional argentino, atendendo ao pedido do governo de dar apoio à lei que aumenta a taxa sobre a exportação agrícola. Uma outra manifestação impulsionada pelos ruralistas aconteceu paralelamente na capital, no bairro de Palermo, a vinte minutos do centro. A batalha entre os patrões do campo e o governo demonstra a polarização da burguesia e a divisão do regime, ou seja, uma crise de poder. Cristina Kirchner está na presidência desde dezembro e ainda tem pela frente mais três anos e meio. Até lá o futuro é incerto, mas a surpresa que o governo viu com o voto de seu vice-presidente mostrou com toda clareza que o kirchnerismo não têm a menor condição de mobilizar o povo contra esta ofensiva da direita. Tu quoque, Brute, fili mi? A frase proferida em latim pelo conquistador romano Júlio César ao seu filho adotivo, o mais insuspeito conspirador de sua morte, pode ser remetida à atual crise argentina. O principal aliado do governo, Julio Cobos, derrubou o Decreto 125 e legitimou as reivindicações da burguesia rural. No entanto, como seria a Argentina se o PRISÕES CLANDESTINAS E TORTURA A democracia de Bush Quando o mundo se escandalizou com as imagens de tortura e abusos de prisioneiros na prisão iraquiana de Abu Ghraib pelos soldados norte-americanos em 2004, foi revelado sem nenhuma maquiagem o verdadeiro funcionamento da democracia defendida pelo imperialismo e seus súditos. O governo dos EUA coordenava um programa internacional de torturas aos seus prisioneiros que nenhum próximo governo pode dissolver. Nas eleições presidenciais deste ano, se o republicano John McCain - que disse já ter sido torturado no Vietnã - vencer, o programa e o financiamento de prisões clandestinas nos lugares mais remotos do mundo se manterá. Se o democrata Barack Obama vencer...o programa de tortura também continuará. O governo Bush aprofundou as raízes da tortura e conseguiu até mesmo que seus prisioneiros estrangeiros pudessem ser torturados à vontade, à revelia da Convenção de Genebra, por mais hipócrita que esta convenção possa parecer. Após as denúncias sobre Abu Ghraib, a Casa Branca viu que o projeto fosse aprovado? Nestes 127 dias de batalha entre a direita ruralista e o governo antipovo dos Kirchner, nenhum dos dois setores mobilizou os trabalhadores e suas organizações. A direita só consegue mobilizar panelaços de uma minoria da classe média agrária e urbana. Não têm nenhuma força popular e só conseguem avançar porque podem comprar muitos políticos e, o fator mais importante de todos, exploram a completa impopularidade do governo. Cristina Kirchner, em sete meses de poder, conta com apenas 20% de aprovação. Seu governo tentou dar continuidade à política levada por Néstor Kirchner, mas fracassou muito antes do previsto. Diante de tantos ataques contra os trabalhadores da cidade e do campo, privatizações, arrocho salarial, desemprego, repressão, somada a uma altíssima taxa de inflação, o governo não tem nenhuma base popular para derrotar a direita, por isso levou a batalha para o Executivo, para as instituições decadentes e desmoralizadas da burguesia. O legado dos Kirchner representa o fim da linha para o regime burguês e o completo impasse de um regime cada vez mais dividido. Seu governo sempre foi um bloqueio para a mobilização dos trabalhadores. Implosão do regime A disputa arraigada entre o governo e a oligarquia decorre de um ponto específico, que é o aumento dos impostos, mas no que diz respeito aos ataques contra os trabalhadores, sempre estiveram solidamente unidos para explorar o povo. Ambos setores defendem com unhas e dentes a manutenção da propriedade privada, o monopólio do campo e o modelo escravocrata contra os trabalhadores do campo. Esta política de exploração, da manutenção da miséria e do desemprego mantém a disputa isolada, ao passo que está corroendo todo o Congresso Nacional. Incapaz de mobilizar as massas contra o latifúndio, a crise explodiu nas mãos do Estado. O governo não tem força para impedir o avanço da direita e lançou seu projeto de lei à própria sorte, como se fosse um plebiscito realizado somente entre os parlamentares. O governo tentou definir a Tanto o governo como os patrões do campo não podem mobilizar a população, por isso o regime está implodindo caldo havia entornado. O então secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, entrou rapidamente em cena para defender que os abusos não passavam de casos isolados e que os responsáveis deveriam ser punidos. Até mesmo agradeceu em rede nacional o bom soldado que denunciou na imprensa as imagens da tortura, fazendo questão de entregá-lo aos assassinos do U.S. Army. Foi denunciado algum tempo depois que o vice-presidente Dick Cheney, a então assessora de Segurança Nacional Condoleezza Rice, o ex-secretário de Estado Colin Powell e outros altos funcionários diretamente ligados à equipe de George W. Bush avaliaram e autorizaram pessoalmente o uso de técnicas de tortura entre 2002 e Este grupo da morte reunia-se periodicamente com o ex-procurador-geral, John Ashcroft, o diretor da CIA (Agência Central de Inteligência), George Tenet, e claro, o próprio Donald Rumsfeld, na qual simulavam apresentações sobre diferentes técnicas de tortura em sessões realizadas em plena Casa Branca. A tortura é a lei soberana sustentada com unhas e dentes - facas, afogamentos, privação do sono, socos e chutes - pelo imperialismo. Para Washington, aplicar o que chamam de métodos severos de interrogatório pode ser justificado contra suspeitos de terrorismo. Hoje os terroristas são os árabes, amanhã será o movimento operário internacional. Os EUA contam com uma vasta experiência em dar palestras, demonstrações e cursos sobre as técnicas de tortura mais eficientes para exportação para as ditaduras militares do mundo inteiro. Está tudo no manual Kubark Counterintelligence Interrogation July 1963, preparado especificamente para os vietcongs, e também no manual Human Resource Exploitation Training Manual 1983, preparado especialmente para ser aplicado na América Central, como na Nicarágua, El Salvador e Honduras. Há um extenso material escrito sobre torturas desenvolvido por especialistas da CIA e pelos Boinas Verdes. Fato curioso é que a ditadura militar brasileira também ajudou na elaboração de programas de tortura para os EUA. A tortura está neste exato momento sendo aplicada por cerca de 300 mil soldados norte-americanos em mais de 140 países. A Assembléia Parlamentar batalha nas instituições e fracassou. Tanto o governo como os patrões do campo não podem mobilizar a população, por isso o regime está implodindo. Nem um nem outro tem capacidade de organizar uma luta nacional, pois ambos são inimigos dos trabalhadores da cidade e do campo. Ambos defendem os mesmos interesses de classe. Somente os trabalhadores podem dar uma resposta para a crise, através da mobilização independente e revolucionária, contra o governo e contra a oposição de fachada dos ruralistas, reivindicando seus próprios interesses de classe contra a exploração, contra o latifúndio, contra a burguesia e por um governo dos trabalhadores da cidade e do campo. do Conselho da Europa (Pace) e chefe das investigações sobre as atividades da Agência Central de Inteligência (CIA) na Europa, o suíço Dick Marty, denunciaram que os EUA seqüestram pessoas na Europa e as levam clandestinamente para a prisão militar de Guantánamo ou para outras prisões em outros países para serem lá torturadas. Dados indicam pelo menos 100 pessoas presas pela CIA só na Europa. Há também, segundo estas denúncias, provas irrefutáveis da existência de prisões clandestinas dentro da Europa. Na base militar de Guantánamo, o símbolo do campo de concentração do imperialismo, é público quem são os cerca de 400 prisioneiros presos sem qualquer acusação formal e nenhum direito jurídico. Estão algemados nas mãos e nos pés, unidos por uma corrente curta que os obriga a caminhar em posição submissa. Boca, nariz e ouvidos são cobertos. Os cinco sentidos de um ser humano são privados pela política nazista do governo norte-americano. O imediato fechamento das prisões clandestinas da CIA está na ordem-do-dia. A existência destas masmorras revela a verdadeira democracia levada pelo imperialismo ao mundo todo, ou seja, a censura, violência, privação, dor e mentira. COLÔMBIA: OPERAÇÃO XEQUE-MATE Guerrilheiros responsáveis pelos reféns afirmam que foram enganados e que não receberam dinheiro A agência latino-americana de notícias Telesur entrevistou Rodolfo Ríos, advogado dos dois guerrilheiros capturados durante a operação militar que libertou 15 pessoas no dia 2 de julho. Ele explicou que um suposto jornalista da Telesur deu sua confiança a Gerardo César, que acreditou que a operação se tratava de uma ação humanitária. Gerardo Aquilar, codinome César, disse ao advogado que durante a operação foi simulada a presença de uma equipe da Telesur para confundir as FARC. No local onde aterrizou o helicóptero, desceram várias pessoas, uns vestiam camisetas de Che Guevara, outros com emblemas da Cruz Vermelha Colombiana e da Cruz Vermelha Internacional. Ríos fez esta mesma denúncia para a Caracol TV, mas a imprensa nacional procurou não fazer alarde. Ao se encontrar com César pela primeira vez, o advogado disse que ele não especificou se as pessoas presentes usavam roupas ou microfones identificados com o logo da Telesur, mas simplesmente se apresentavam sendo membros do noticiário. Gerardo Aquilar e Alexander Farfán foram presos pelas Forças Armadas da Colômbia durante a operação que libertaram os reféns na selva colombiana. Nós consideramos que é obrigação da Procuradoria- Geral da Nação dar-lhes a disposição de um juiz de controle de garantias, dando cumprimento à lei 906 que se encontra vigente em todo território nacional. A Procuradoria violou este direito e colocou eles à disposição da lei 600, uma lei As FARC emitiram um comunicado na sexta-feira (11), divulgado pela Agência Bolivariana de Imprensa (ABP, em espanhol), em que consideram que a operação Jaque (Xeque-Mate) que libertou 15 reféns, entre eles Ingrid Betancourt, três soldados norteamericanos e vários policiais colombianos, foi uma fuga e não um resgate, como afirma o governo colombiano. A fuga foi atribuída, segundo o comunicado, a uma traição dos guerrilheiros encarregados de vigiar os seqüestrados. Não insinuam tanto que podem ter sido comprados, mas enganados. No entanto, acusam os carcereiros Gerardo Aguilar, codinome César; e Alexander Farfán Suárez, codinome Enrique Gafas de trair seu compromisso revolucionário. Leia, na íntegra, o comunicado: 1. A fuga dos 15 prisioneiros de guerra, na quarta-feira do dia 2 de julho, foi conseqüência direta da depreciável conduta de César e Enrique, que traíram seu compromisso revolucionário e a confiança que foram depositadas neles. 2. Independente de um episódio como o sucedido, inerente a qualquer confronto político e militar onde se apresentam vitórias e revezes, mantemos vigente nossa polí- obsoleta, disse Ríos (Agência de notícias venezuelana Mundial, 12/7/2008). O governo dos EUA solicitou a extradição dos dois guerrilheiros como supostos responsáveis pelo seqüestro de três soldados norte-americanos que estavam em poder das FARC. Sobre isso, o advogado disse: Em primeiro lugar, os acontecimentos se consumaram em território colombiano e em segundo lugar não se trata de seqüestrados. Ríos denunciou que os soldados são agentes norte-americanos encobertos que estavam dentro do território colombiano executando ações puramente militares ou de inteligência militar (idem). Eram, portanto, prisioneiros de guerra capturados após a derrubada de um avião que realizava operações de inteligência militar em uma zona onde estavam as FARC. Os guerrilheiros, portanto, não devem ser julgados como seqüestradores, como querem os governos da Colômbia e dos EUA, mas devem ser julgados - pelo menos do ponto de vista legal da própria burguesia - dentro do direito internacional ou o direito de guerra, pois passa de um conflito interno a um conflito internacional. Finalmente, César disse ao advogado que não recebeu dinheiro para libertação dos 15 reféns, como havia indicado a emissora suíça Radio Suisse Romande. O que me os guerrilheiros me disseram é que houve uma interceptação das comunicações eletrônicas, dos rádios, dos telefones que comunicavam às diferentes frentes e os diferentes dirigentes das FARC. Isso que teria permitido a operação ser executada e enganado os dois guerrilheiros. FARC dizem que operação foi fuga e não resgate tica por concretizar acordos humanitários que logrem o intercâmbio e ademais protejam a população civil dos efeitos do conflito. De persistir no resgate como única via, o governo deve assumir todas as conseqüências de sua temerária e aventureira decisão. 3. A luta para libertar nossos membros e demais combatentes políticos presos sempre estará na ordem do dia no conjunto das unidades farquianas, especialmente em sua direção. A todos eles levamos na mente e no coração. 4. O caminho para conquistar as transformações revolucionárias, em nenhuma parte do mundo nem em nenhum momento da história foi fácil, pelo contrário, e por isso nosso compromisso aumenta diante de cada nova dificuldade. 5. A paz que requer a Colômbia deve ser resultado de acordos que beneficia as maiorias. Não vai ser a paz dos sepulcros sustentada sobre a corrupção, o terror de Estado, felonia e a traição. As causas pelas quais lutam as FARC- EP seguem vivas, o presente é de luta e o futuro é nosso. Secretariado do Estado Maior Central das FARC-EP Montanhas da Colômbia, 5 de julho de 2008 Terror de estado Grampos, escutas e quebra de sigilo: o que preocupa o imperialismo? O governo norte-americano acaba de se presentear com um dispositivo que permite a todas as companhias telefônicas interceptarem conversas telefônicas à revelia de qualquer mandato judicial. Mais: outros países na Europa também estão fazendo o mesmo No último dia nove, o candidato democrata à presidência dos EUA, Barack Obama retornou ao Senado para votar favoravelmente um projeto apresentado pelo governo Bush, que terminou por ser aprovado. A lei, proposta pelo governo Bush, dá imunidade às empresas que realizarem grampos sem mandato judicial, isentando mesmo aquelas que o tiverem feito antes de sua aprovação. É uma decorrência da série de medidas tomadas contra as liberdades democráticas pelo governo Bush após os atentados de 11 de setembro de Com a elasticidade emprestada às disposições do Ato Patriótico de 2001, os grampos telefônicos e interceptação de mensagens de correio eletrônico deixaram, pelo menos formalmente, de ser de uso restrito do Departamento de Justiça norte-americano, para que as agências de inteligência do governo norteamericano como a CIA e o FBI e demais forças policiais tenham à sua disposição estes métodos, ampliando o número de pessoas que poderiam ser afetadas pela espionagem legalizada. Não foram só os EUA que adotaram leis legalizando a espionagem. Em junho, os governo do Reino Unido e da Suécia discutiram medidas semelhantes. O governo de Gordon Brown estudava criar um banco de dados com informações colhidas de gravações de conversas telefônicas e mensagens de correio eletrônico. A Suécia, por sua vez, chegou a aprovar uma lei semelhante à norte-americana, segundo a qual o Departamento de Inteligência não precisa mais de autorização de um tribunal para interceptar qualquer tipo de comunicação via Internet ou telefone realizada para o exterior. A idéia de se elevar uma fronteira, ou muralha, eletrônica em torno a seus países já foi discutida por este jornal quando, recentemente, o alto comando das Forças Armadas divulgou seu projeto de guerra eletrônica, em que pretende constituir um sistema capaz de inutilizar o acesso à Internet de qualquer computador em qualquer lugar do mundo. As defesas estratégicas do imperialismo mundial tentam impor aos meios tecnológicos mais atuais a mesma vigilância que postos avançados, muralhas, grades, torres de controle e outras dependências mantém sobre uma zona militarizada em combate, ou mais precisamente, um campo de concentração. Nem tanto pela quantidade ou qualidade das informações que podem obter com a espionagem generalizada, o imperialismo precisa ter à sua disposição o poder de provocar medo e intimidar a população com a possibilidade de espionar. A insegurança dos governos imperialistas aumenta na mesma medida em que se desenvolve a enorme crise social e econômica que ameaça hoje de forma direta o próprio coração do sistema capitalista mundial, os EUA.

20 20 DE JULHO DE 2008 CAUSA OPERÁRIA CULTURA 20 Os músicos nacionalistas russos do século XIX eram uma expressão típica do processo de tomada de consciência nacional da burguesia e das classes intermediárias como senhoras de seu próprio destino. Mentalidade que levou à emancipação dos servos na Rússia em Esse nacionalismo foi também uma reação à dominação econômica das potências imperialistas da Europa Ocidental, e à urgente necessidade de emancipação. Já o processo de reaproximação cultural efetuado na virada do século pelos artistas russos correspondia exatamente à conclusão desse processo, mas agora, tendo situado a cultura nacional em seu devido lugar, buscavam uma convergência sintética de suas expressões mais avançadas. Igor Stravinski não só foi a maior expressão desse movimento na música russa, mas também no âmbito mundial. Soube absorver como ninguém mais, tanto a coloração tão característica dos compositores russos, quanto as mais agressivas inovações de Debussi, Ravel e Schöenberg. Nascido em 1882, o compositor cresceu entre uma burguesia russa altamente culta. Seus anos de formação correspondem principalmente aos anos entre as revoluções de 1905 e Em meio ao refluxo do movimento operário, permaneceu longa data imerso entre a densa e angustiada música de Mussorgski e Tchaikovski, as poesias simbolistas de Block e Akhmatova e a dramaturgia tchekhoviana de Stanislavski. Para ele, representou um imenso alívio a abertura cultural promovida pelo grupo Mundo da Arte, que regularmente organizava apresentações das músicas mais modernas das capitais européias. Chamou-lhe especial atenção o frescor das audaciosas composições do francês Claude Debussi. Descoberto por Diaghilev em um de seus concertos em São Petersburgo, foi em Paris, trabalhando com os balés que encontrou seus maiores êxitos. Durante toda a sua vida Stravinski parece ter estado permanentemente imerso entre os problemas de forma e estilo que suas influências, tão diversas, lhe apresentavam. Sem nunca ter conseguido resolver essas contradições, sua vida é pautada pelas mais curiosas metamorfoses de estilo. Stravinski e a revolução do balé moderno Desde sua origem como um movimento nacionalista em meados do século XIX, a música russa, em suas expressões mais espetaculares, como as óperas nacionais e as grandes temporadas de balé, expressará, desde cedo, o aflorar da nova consciência revolucionária refletida na produção desses artistas, até sua metamorfose decisiva com os movimentos modernistas que dominaram a Rússia revolucionária de 1917 Ao longo de toda a vida, passou por ao menos três fases mais claramente demarcáveis. Em seu período inicial, até 1922, emergiu um gênio prodigioso, com uma inspiração calcada na cultura russa. Concebeu nesse período algumas das maiores obras primas de sua carreira, sobretudo, os balés, Pássaro de Fogo, Petruchka, A Sagração da Primavera e O Casamento. A fase seguinte, até 1953 corresponde ao seu chamado período neoclássico, definida por um resgate e releitura dos mestres do século XVIII além de criativas sínteses modernistas, destacam-se nesse período, Polichinelo, Sinfonia dos Salmos e Orfeu. Nesta fase, Stravinski experimenta inclusive fusões com o jazz e as operetas de music-hall. Em sua metamorfose final, mais conservadora, é definida não só pela sua adesão ao serialismo atonal desenvolvido pela escola vienense, já quando esta havia se tornado um novo academicismo, mas também corresponde à sua conversão ao catolicismo. Em todos esses sucessivos períodos criativos, ele procura sempre reordenar cada uma das influências a fim de indicarlhes novos rumos e perspectivas de desenvolvimento. Em sua estréia nos balés, obteve grande sucesso com Pássaro de Fogo, em No ano seguinte, a companhia de Diaghilev monta Petruchka, sua segunda obra-prima. Um insólito teatro de marionetes, onde se coordenavam virtuosismos espantosos, canções folclóricas, músicas de taberna e estribilhos desconcertantes. A composição surgiu a partir de uma visão de Stravinski. Ele vislumbrou uma enorme marionete subitamente desenfreada que, com as suas cascatas de arpejos diabólicos, desesperava a paciência da orquestra. Aquelas primorosas inovações, que mesclavam politonalismos com polirritmias, em timbres extremamente diferenciados, ia diretamente ao encontro da ânsia por novidades em que vivia o público daqueles anos. Em 1913, estréia outro de seus bailados, A Sagração da Primavera, verdadeiro marco da história do balé. Conta a história, que em sua estréia, a apresentação causou tal escândalo que uma boa parte do público deixou o teatro antes do final do primeiro ato, e os que permaneceram, protestavam, gritavam e faziam tal arruaça, que pouco se pode ouvir da música. O que os revoltou mais que tudo, foi a selvageria do enredo e a bizarra coreografia realizada pelos bailarinos. A peça, baseada em uma crença de cultos pagãos milenares, fazia parte das tradições mais primitivas da velha Rússia. O primeiro ato era dedicado à Adoração da Terra e o segundo ao Sacrifício de uma virgem ao deus da Primavera. Para representar esses ritos pagãos, os bailarinos adotaram posturas nunca vistas antes no mundo do balé. Dançavam com os pés virados para dentro, os joelhos dobrados, os braços em movimentos rijos e angulosos, em completa oposição aos preceitos mais básicos do balé. Desde sua estréia, músicos modernos, como Ravel e Debussi, que compareceram à apresentação, souberam reconhecer no jovem Stravinski seu impressionante gênio criativo. Pouquíssimas vezes na história da música havia saído da mente de alguém tão jovem um conjunto de composições tão sofisticadas. Essa frutífera parceria com Diaghilev origina esses que são considerados os trabalhos mais inovadores de sua carreira. Suas brilhantes orquestrações ofuscavam até mesmo os melhores coros de Korsakov. Conquistando centenas de adeptos em todo o mundo, Stravinski abre caminho também, de maneira decisiva, para a nova geraçã o de músicos russos que, sem hesitação, percorrerão a trilha indicada pelo seu modernismo. Prokofiev: surge um novo clássico russo Quase dez anos mais jovem que Stravinski, Serguei Prokofiev foi também aluno de Rimski- Korsakov, o que define a continuidade da tradição musical a que ele pertence. Após completar sua formação musical, viaja, em 1914, para o Ocidente sedento por novas influências. Lá, absorve com grande interesse os mais variados estilos e inovações musicais européias, tanto em Debussi quanto em Chopin, Liszt e Haidin, sem nunca perder os laços que o ligam tanto a Mussorgski quanto a Tchaikovski. Sua música será sempre de grande apelo popular, sem com isso cair em arranjos banais ou previsíveis. Apesar de não ter desenvolvido nunca nenhuma inovação essencial para a música como o fez Stravinski, seu trabalho é de altíssima qualidade. Utilizando ao máximo as ferramentas expressivas que sua época lhe disponibilizou, Prokofiev aprimorou uma personalidade musical que consegue imporse o suficiente para não ser confundida com nenhuma outra. Um traço marcante de sua arte é a rejeição aos virtuosismos formais que caracterizavam as obras modernistas, privilegiando, ao contrário uma veia mais lírica. Após esgotar-se seu interesse pela música ocidental européia, regressa à Rússia em Surpreende-se, contudo, com as mudanças ocorridas no País, e acaba vendo-se encurralado pela burocracia estatal que havia se instalado na direção da União Soviética. Prokofiev não se enquadrava minimamente nos novos preceitos stalinistas para a música. Seu primeiro embate é com os teóricos do jdanovismo, adeptos de uma concepção artística desastrosa, que em linhas gerais, definia diretrizes para toda a produção artística da União Soviética. Segundo eles, somente a música vocal poderia ser admitida para a educação da classe operária, particularmente textos que devidamente exaltassem a burocracia e mais meia dúzia de assuntos que os stalinistas considerassem úteis para a perpetuação de sua dominação no aparelho do estado. Formalmente, também apenas melodias simples, que pudessem ser cantaroladas pelos operários após os concertos, é que eram consideradas boas e belas, caso contrário, recebiam o rótulo de formalistas ou decadentistas, e banidas do repertório dos teatros estatais stalinistas. Essa iniciativa grotesca correspondia a condenar o desenvolvimento da música enquanto expressão artística, sendo relegada novamente a um primitivismo há séculos superado pela cultura burguesa. Resistindo a esse controle brutal, a continuidade do trabalho de Prokofiev foi possível, sobretudo, devido ao grande ecletismo de sua obra. A música no cinema soviético Uma revolução artística em Parte IV Atransformação da música, da ópera e do balé no período da Revolução Russa Os compositores modernistas Igor Stravinski, Dimitri Shostakovitch e Sergei Prokofiev Dentre seus trabalhos mais espetaculares, destacam-se sua ópera mais importante, a grandiosa Guerra e Paz, baseada no célebre romance de Leon Tolstoi; os balés criados para a companhia de Diaghilev, cujas realizações mais famosas são Romeu e Julieta e Cinderela ; e seus concertos para piano, desvinculados da tradição nacionalista. Sem, contudo, desprezar essa tradição, assume esse aspecto de suas influências em diversos trabalhos, sobretudo na trilha composta especialmente para o filme Alexander Nevski, de Seguei Eisenstein, uma cantata do mesmo nome que em seu tom épico grandiloqüente, faz lembrar alguns dos melhores trechos da ópera capital de Borodin, O Príncipe Igor. O cinema inclusive foi um terreno de intensa experimentação sonora desde seu surgimento, mas o uso de composições criadas especialmente para um filme era uma novidade para a época. Prokofiev iniciou uma viva parceria criativa com Eisenstein ao final dos anos 30. Com ele, criou uma revolucionária linguagem sonora específica para essa nova ferramenta artística. O primeiro fruto dessa parceria foi a composição Alexander Nevski, Cantata para mezzo-soprano, coral e orquestra, um verdadeiro marco na história do cinema pelo conceito que inaugurava. Além desse projeto, Prokofiev participou ainda da primeira e a segunda parte do épico Ivan, O Terrível. Estas produções representam um dos modelos mais impressionantes da integração sonora em uma película. Prokofiev compôs essa trilha levando em consideração a intenção expressiva de cada cena, analisando os fotogramas um a um durante o processo de criação da música. Ele expressava, em termos musicais, as relações entre cada uma das imagens, o peso do plano, a carga emocional contida nele, isoladamente e inserida na seqüência, e até mesmo uma tradução sonora da teoria dos contrapontos de imagens por justaposição, desenvolvida por Eisenstein. Era uma síntese perfeita entre som e imagem, recurso até os dias de hoje subutilizado no cinema, mas que foi explorado de maneira ainda mais sólida e sistemática pelo talentoso compositor Dimitri Shostakovitch, uma geração mais jovem que a dele. Shostakovitch: uma expressão típica da Revolução Russa Conhecido no Ocidente, sobretudo pelo ciclo das suas poderosas 15 sinfonias e quartetos, Shostakovitch teve também uma importância capital para o cinema soviético de sua geração. Nascido em 1906, viveu seus anos de formação musical entre o período. Seus estudos só se concluíram em 1925, um ano após a morte de Lênin. O período corresponde justamente à ofensiva da contra-revolução que se consolidaria no poder do Estado a partir da década de 30. Nos últimos anos da década de 1920, porém os artistas modernistas ainda desfrutavam de relativa liberdade de atuação. No terreno musical, isso permitia que o estado ainda financiasse concertos de músicos modernos vindos do exterior, tais como Debussi, Schoënberg, Bartók, Hindersmith e Stravinski, que nessa época residia em Paris. Essa abertura permitiu a Shostakovitch aperfeiçoar-se, atualizando seus conhecimentos ao que existia de mais inovador em termos de estruturas de composição. Juntamente com o clima de frenético intercâmbio criativo entre artistas das mais diversas vanguardas artísticas que atuavam no período, tais como Maiakovski e os demais poetas futuristas, Meierhold e seu teatro biomecânico, El Lissitski e o grupo construtivista, além do cinema revolucionário de Eisenstein e Dziga Vertov, entre outros. Sob essas influências, Shostakovitch compõe, em 1928, a inovadora ópera O Nariz, baseada em um conto satírico de Gogól. Pelas suas experimentações modernistas, o grupo de artistas sectários que compunham a Associação Proletária de Compositores Russos acusou o compositor de decadentista burguês, acusação padrão para todos aqueles que não aceitassem se subordinar à receita stalinista para as artes. Sua segunda ópera, uma tragédia intitulada Lady MacBeth do distrito de Lesskov, teve uma recepção mais dura e acabou censurada pela burocracia, sob a alegação de sua música ser excessivamente formalista e ocidentalizada. Na verdade se tratava da fusão modernista dos diversos estilos com que o compositor entrou em contato, o mesmo processo realizado tanto por Stravinski, quanto por Prokofiev. Os embates contra o stalinismo Para se ter uma idéia do efeito pernicioso dessa crítica ignorante, onde ela conseguiu penetrar de fato, gerou uma música de um folclorismo mal digerido, leviano, e caricatural das teorias desenvolvidas pelos talentosíssimos músicos das gerações anteriores, de Glinka a Korsakov. Shostakovitch, por outro lado, reconhecendo o valor de verdadeiros criadores de tradições nacionais na União Soviética, tais como Janácek, Bartók, de Falla ou o próprio Stravinski, conseguiu articular me maneira muito mais sólida e profunda, toda a diversidade de estilos folclóricos nacionais soviéticos, realizando por sua vez, música de grande valor dentro da tradição erudita. Sua carreira é marcada do começo ao fim por uma feroz luta conta as absurdas teorias stalinistas, em outras palavras, uma luta ferrenha de resistência à contra-revolução que havia tomado de assalto o Estado, e se expressava, nas artes, através do realismo socialista. A música de Shostakovitch era, por seu turno, uma verdadeira expressão da revolução, da mesma maneira que o próprio músico era um fervoroso defensor de suas conquistas. Sua segunda sinfonia intitulava-se simplesmente Outubro, uma ode de exaltação ao movimento revolucionário de 1917, que levou a classe trabalhadora efetivamente ao poder pela primeira vez na história da humanidade. Entre suas mais brilhantes realizações, estão também a Sinfonia nº 7 Leningrado ; a ainda pouco conhecida Sinfonia nº 10, e a grandiosa Sinfonia nº 13 com coros. Também merecem destaque seu quinteto para piano e cordas, e suas muito pouco conhecidas composições realizadas especialmente para o cinema. Durante sua trajetória, Shostakovitch criou trilhas sonoras para 35 filmes, um dos maiores e mais abrangentes trabalhos de composição para a sétima arte. Com a evolução do cinema soviético, sua estética diferia radicalmente daquela adotada pelo cinema norte-americano, com cortes freqüentes, angulosos, rápidos, sugerindo novos ritmos e significados para a narrativa do filme. A música que surge a partir desse cinema também acompanha suas teorias, alcançando sua máxima expressão na parceria Prokofiev Eisenstein. A música de Shostakovitch, entretanto é a que marca algumas das obras mais emblemáticas do cinema soviético. Trechos de suas sinfonias foram sobrepostas artificialmente tanto sobre o filme Outubro, quanto sobre O Encouraçado Potenkim, ambos de Eisenstein. Desta maneira, os dois clássicos passaram a ser conhecidos pelo público moderno com essa trilha sonora remendada aos filmes. Apesar de excepcionais, não tem a mesma ligação orgânica que havia nos trabalhos de Prokofiev. Entretanto, Shostakovitch posteriormente realizou um excelente trabalho compondo especialmente para o cinema. Entre sua vasta produção, vale a pena citar os filmes realizados em parceria com o cineasta Grigori Kozintzev e suas duas obras máximas, as adaptações shakespearianas para Hamlet e Rei Lear, verdadeiros clássicos, ambos da década de Shostakovitch é hoje considerado o principal músico do período soviético, durante sua trajetória recebeu diversas condecorações, todas, contudo, apenas a partir da década de 1950, após a morte de Stálin.

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