Prefeitura Municipal de Ponta Porã. Secretaria Municipal de Assistência Social e do Trabalho

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3 Prefeitura Municipal de Ponta Porã Secretaria Municipal de Assistência Social e do Trabalho Secretária Municipal de Assistência Social e do Trabalho Doralice Nunes Alcântara Secretária Adjunta Vera Lucia Oliveira de Souza Coordenadora Geral da Proteção Social Básica Maria Aparecida Scalon Coordenadora do CRAS Coophafronteira Carme dos Santos Coordenadora do CRAS Marambaia Kamila Francisco Perez Coordenadora do CREAS Cremilde Alves Magalhães Coordenação do Serviço de Acolhimento Institucional Dalva de Oliveira Accioli Secretaria de Assistência Social e do Trabalho de Ponta Porã Rua Baltazar Saldanha S/N - Horto Florestal Bairro da Saudade - Ponta Porã - MS Fixo: Fax: Celular:

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5 ANÁLISE E REFLEXÃO DA IMPLEMENTAÇÃO DA POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL EM PONTA PORÃ - MS. RESUMO Implementar a política de assistência social na perspectiva do SUAS é um desafio, cuja concretude depende de um conjunto de ações com a participação dos diversos atores. É preciso romper o olhar tradicional, ultrapassar os limites, ter coragem e avançar na tentativa de mudar o processo de violação que perpassa a vida dos usuários que buscam os serviços e benefícios da política de Assistência Social. O documento apresentado é uma iniciativa da gestora municipal, inspirada na necessidade da troca de experiências e contribuir na formulação de estratégias para efetivação da política de assistência social. A construção do documento permitiu fazer uma viajem no tempo e identificar os agentes de transformação que fizeram e fazem parte dessa construção, bem como as ousadias e iniciativas necessárias nesse processo de construção. CONHECENDO UM POUCO A HISTORIA DA FRONTEIRA A cidade de Ponta Porã faz exemplo na gestão da política de Assistência Social na tentativa de concretizar as orientações e reordenamentos dos serviços propostos a partir do SUAS. Já é possível colher os frutos desse difícil exercício, identificar sinais do comprometimento e da coragem de uma equipe de agentes público na luta pela garantia do direito dos usuários. Em outras palavras, nesta cidade os trabalhadores se uniram em uma jornada ampla para que a garantia de direito saísse do papel para fazer parte da vida dos cidadãos. A prática é embasada nas orientações do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, nas orientações da Secretaria de Assistência Social Estado e nos embasamentos legais, respeitando a realidade local, com a peculiaridade territorial e cultural da fronteira, onde dois países são divididos por uma única rua que geograficamente unifica a população provocando inevitavelmente o intercambio. Nesse período, vários reordenamentos foram feitos, com a clareza de que diante do alto grau de vulnerabilidade da maioria da população usuária as ações se tornavam insuficientes e ineficazes. 5

6 Foi necessário aprender a lidar com o sentimento de impotência profissional frente a uma problemática extensa e desigual que afeta a vida dos indivíduos e famílias e que parecem ultrapassar os limites de uma política pública. O documento reafirma a importância do profissional propositivo, criativo, disposto a refazer a prática na tentativa de contribuir para a superação dos desafios que dificulta a efetivação da Política de Assistência Social, sinaliza ainda, a importância de uma gestão comprometida e competente, disposta a romper situações burocráticas e desafiadoras. É na verdade a contextualização do trabalho árduo de uma equipe de trabalhadores ciente da necessidade de romper paradigmas e adequar as políticas públicas como dever do Estado e direito do usuário. Ilustra-se aqui a experiência de um trabalho árduo que iniciou em 2006 período marcado pela efetivação do SUAS. Um período marcado por desafios, frustrações e sofrimento, mas de uma vontade de fazer ainda maior. 6

7 CONSELHO GESTOR NA SECRETARIA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E TRABALHO DE PONTA PORÃ Maria Aparecida Scalon 1 Ao elaborar o presente artigo quero dar minha contribuição como trabalhadora da área na assistência social. Inicialmente como assistente social/coordenadora do Centro de Referência da Assistência Social e atualmente como coordenadora da Proteção Social Básica, não tenho a pretensão de elaborar um artigo cientifico, mas de colaborar com a Política de Assistência Social no município de Ponta Porã. Quando pensamos em gestão visualizamos decisões isoladas de gerenciamento e nós trabalhadores da área da assistência social temos dificuldade de ser partícipes das decisões que é de uma política devidamente instituída e de responsabilidade de todos, principalmente dos trabalhadores dessa política. Na instituição do Conselho Gestor na Secretaria de Assistência Social e Trabalho de Ponta Porã, tivemos a recriação muitas vezes desse conselho. Foinos cobrado que fossem elencadas as dificuldades para que o conselho se efetivasse. Ao apontar as dificuldades faz-se necessário colocar a inexperiência dos trabalhadores da Assistência Social na gestão, além dos projetos passarem por avaliação, discussão, adequações, mudanças podendo até ser rejeitado pelo conselho, ainda traz desconforto. O financiamento das ações percebo que é nossa maior dificuldade. O Conselho Gestor está em construção, trabalhamos com as dificuldades citadas, crescemos conseguimos nos organizar, já temos calendário de reuniões, os projetos necessitam estar nos s dos membros do conselho gestor com trinta dias de antecedência para analise, e o autor do projeto levar 1 Assistente Social, Coordenadora Geral do Serviço de Proteção Básica. 7

8 POSTs DE UMA - Ganhamos! -E agora! Preciso aprender como trabalhar neste meio. -Minha professora é 10! Anoto tudo o que ela diz. -Acho que será piorzinho do que imaginei. -Definitivamente não sou bem-vinda... Vai pelo Prefeito e pela Primeira-Dama seja feita a Vontade do -Socorro! -Se elss(as) não me ajudarem eu não consigo. Precisam entender a importância que cada um tem para o trabalho acontecer. E agora fazer o quê? - Vamos implantar esta Política, com a sorte de começarmos junto (Governo Federal, Estado e -Nossa Senhora, é difícil entender esta sopa de letrinhas! -Pensar na cultura fronteiriça como instrumento de resgate da auto-estima do povo lindo deste: Começo de Brasil!O que significa COEGEMAS? Vou pedir assessoria técnica... -Analisemos nossa realidade, a partir dos técnicos efetivos da -Duas horas diária de leitura já não é mais o suficiente. Nunca vi tanto documento... -Vamos romper drasticamente com o que é praticado e não representa a Política de Assistência Social. -Opção Radical pelo Direito do -A Receita é: Todos com cuidado e objetivos de Proteção Social Básica somado ao comprometimento e a sensibilidade de Proteção Social Especial! -Preciso estimular esta equipe. Aumentar a confiança e a estima. -Pensemos em atividades para formação pessoal, além da capacitação técnica. -Um centro para atendimento do usuário na Secretaria? Abrigo para crianças numa casa sem quintal? Vamos mudar isso... Mas como fazer, Jesus? 8

9 até o setor financeiro da secretaria para verificar a fonte dos recursos, e, se há recursos para execução do projeto. Vale ressaltar que mesmo o projeto sendo aprovado no Conselho Gestor, acontece de projetos serem reavaliados, algumas questões não foram devidamente analisadas, aí é que verificamos a necessidade da participação/contribuição de todos. As discussões fazem-nos aprimorar na elaboração dos projetos, ter conhecimento por todo universo onde o projeto será desenvolvido, tendo como positivo o retorno ao Conselho Gestor e que não cabe mais amadorismo. Há necessidade de nos aprimorarmos no planejamento, pensarmos na viabilidade das ações e no financiamento. Porque coloco como positivos itens acima, porque abre para discussões mais amplas, nos aprimoramos no planejamento, pensamos em conjunto na viabilidade das ações, que chegara até o usuário da Política da Assistência Social com maior qualidade e o mais importante conseguimos visualizar a ação final do projeto que e o impacto nas famílias. Estamos ampliando a participação no Conselho Gestor para além da equipe técnica e coordenadores. Ainda temos um longo caminho a percorrer e coloco como sugestão o acompanhamento dos projetos pelo Conselho Gestor. Afirmo que os embates e debates enriquecem a participação, agrega e divide opiniões, mas o mais importante é que enriquece o processo democrático. 9

10 PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL CREAS CENTRO DE REFERENCIA ESPECIALIZADO DA ASSISTENCIA SOCIAL Vera Lúcia Oliveira de Souza 2 Falar da minha atuação profissional na Política de Assistência Social em Ponta Porã é trazer a tona uma história de sucessos e desafios, é mais do que nunca comprovar a possibilidade de construir uma equipe sensível, ética e comprometida na luta constante pela garantia de direito dos usuários. Ingressei na equipe da SAST dia 10 de julho de 2006 como assistente social do programa sentinela em transição para o CREAS, prestando serviços aos usuários e famílias com direitos violados em decorrência de abuso e exploração sexual. Foi um período rico em crescimento pessoal e profissional, em que muitas vezes misturava sentimentos de impotência ao mesmo tempo de gratificação. Poder acolher alguém fragilizado e com sentimento de desproteção traz uma satisfação profissional quase que inexplicável. Vivi momentos fortes, alguns com sucesso, outros com frustrações por não conseguir atingir o meu objetivo que era o de garantir proteção da criança e do adolescente. Por entender que minha função de assistente social é o de contribuir na garantia de direito de crianças desassistidas pela família encarei alguns conflitos e tive muita dificuldade de visualizar as parcerias. Vivi inúmeros conflitos no atendimento crianças/adolescentes, o olhar frio e descompromissado de agentes públicos que na verdade teriam que ser parceiro. Eu tinha muita dificuldade de entender o comportamento dos policiais, pois pareciam estar sempre prontos a punir a criança e o adolescente. Eles também não tinham um olhar positivo com relação a minha atuação, o que acabava dificultando o meu trabalho. 2 Assistente Social, Coordenadora Geral de Proteção Especial e Secretária Adjunta da SAST. 10

11 Nessas situações, a secretária me chamava para conversar e fazia reflexões no sentido de me convencer que esses profissionais têm um olhar do ponto de vista de sua atribuição, ou seja, que o policial jamais teria o meu olhar, defesa que aos poucos foi contribuindo na minha atuação, me permitindo fazer parcerias. Passei então a atuar na tentativa de sensibilizar a rede por meio de palestras, fóruns de discussão ou atendimento individual, pois sozinha, não seria possível. Hoje vejo resultados, percebi que foi diminuindo as queixas dos adolescentes com relação a policiais, eu fui menos acionada para esclarecimento no poder judiciário e promotoria da infância e adolescência, sinalizando então o resultado da mudança de estratégia. Aos poucos fui ocupando meu espaço profissional no município e principalmente para a secretária de assistência social com seu comprometimento e sensibilidade em atender as famílias. Alguns meses depois fui convidada a assumir a coordenação do CREAS com o difícil desafio de implantar os seus serviços. Pra mim foi um susto, porque não me via coordenando uma equipe e nem deixando de ser assistente social, pois me imaginava afastada dos usuários, cuidando da administração de um programa, coisa que não aconteceu. Em conversa coloquei todas as minhas angustias a secretária que cuidadosamente e muito observadora, já percebia meus anseios. Com relação as minhas dificuldades de coordenar, valorizou minha vontade de fazer e deu-me a liberdade de errar e recomeçar quantas vezes eu precisasse, com muita clareza de que o SUAS estava nascendo e que a tarefa de fazer seria de cada município com sua realidade. Em poucas horas me vi com um poder imenso de transformar, fazer com que aquela equipe tornasse a mais fortalecida, sensível e coesa na defesa dos usuários, porque isso era o que me angustiava. Meu principal objetivo era garantir a qualidade do atendimento, por um ano trabalhei incansável sem conseguir me afastar. Aos poucos começamos a colher os frutos, percebi que a equipe passou a assumir a mesma causa, não tínhamos problemas, qualquer hora que os chamasse, estavam prontos a atender porque o nosso objetivo era o usuário. Quando a gente não conseguia encaminhar o 11

12 usuário e isso acontecia com freqüência, nos uníamos para proteger, todos abraçavam a causa, desde o vigia até a pessoa da limpeza. Essa experiência fortaleceu a necessidade de continuar trabalhando vinte quatro horas por dia como fazia o sentinela e deu argumento para nossa gestora aumentar o quadro de funcionários do programa e conquistar um espaço maior. Identificamos que não seria possível fazer atendimento a pessoa em situação de rua sem acolhimento temporário e a rede não dispunha do serviço, começamos então acolhe-los no próprio programa que contava com dormitórios. Fato esse muito criticado pelo Estado por meio da SETAS e questionado pelo MDS. Sentíamos-nos pressionados, muitas vezes tive a preocupação de estar errando e permitindo tecnicamente que minha gestora errasse também, mas ela sempre reforçava a tranqüilidade de que estaríamos no caminho certo e que uma vez argumentado tecnicamente arcaria com as conseqüências. Fomos destaques no Brasil, pois vários municípios buscavam nossa experiência e tivemos a grata satisfação de ter o reconhecimento do MDS por meio da visita ao município, trabalho divulgado na revista. Os atendimentos aos usuários que chegam ao CREAS são complexos e quase sempre sem respostas imediatas, com grande probabilidade de frustrar o profissional. Ao mesmo tempo em que o coordenador exige, ele precisa cuidar da equipe. Instituímos então uma comissão para cuidar dos momentos especiais vividos pelos membros da equipe. Essa comissão teria a função de ligar para averiguar motivos de faltas, preparar confraternizações para celebrar nascimento de filhos, casamentos de colegas, aniversários, despedidas de quem saem da equipe, festas típicas e até café comunitário para comemorar as ações consideradas com êxito. Implantamos ainda a formação continuada, com o objetivo de fortalecê-los, prepará-los e sensibilizá-los para os atendimentos. Essa formação acontece mensalmente sob a responsabilidade de um grupo de profissionais, preferencialmente dois. O tema a ser discutido é distribuído com antecedência. A tarefa do restante da equipe é a de participar, receber os colegas ministrantes 12

13 com respeito, instigar o sentimento de admiração por aquilo que temos de bom na própria equipe, tarefa cumprida sem sacrifício. Todas as reuniões de formação foi marcada pelo empenho dos expositores, pelo interesse e envolvimento dos demais membros da equipe. Lembro-me com alegria e muita motivação a capacitação dos vigias Osmair e Renato e as nossas auxiliares de serviços gerais Fátima e Georgina. O grupo que denominamos nossos anjos por cuidarem da nossa segurança e bem estar. Eles estudaram muito, explanaram e provocaram reflexão na equipe com relação a suas respectivas funções, reforçando assim a relevância de seu papel e ampliando o respeito dos colegas. A valorização contribuiu na qualidade do serviço desses profissionais. Todos os funcionários têm orgulho em compor a equipe. Formamos multiplicadores, pois percebemos que quem passa por lá adquire um olhar diferenciado e quem chega se contagia com o envolvimento e o comprometimento da equipe. Minha experiência na formação dessa equipe me motiva a continuar, me faz ter a certeza de que é possível romper os entraves da política pública, identificar parceiros e contribuir para uma sociedade melhor a partir do direito constituído. A confiança da equipe do CREAS e da gestora com relação ao meu trabalho, veio de encontro com meu projeto profissional e me motivou ir além. Tornei-me referencia na política da criança em Ponta Porã e em conseqüência recebi um convite para dar suporte técnico no abrigo Seu Felix, serviço de acolhimento institucional para adolescentes, posteriormente passei a intervir informalmente no abrigo municipal com a visão de que temos muito que avançar na política da criança e sabia que poderia contribuir. Em 2008 a secretária oficializou minha assessoria técnica naquela instituição e de uma forma mais confortável continuei o trabalho, sempre com o desafio de sensibilizar e envolver a equipe no atendimento da criança. Apliquei várias estratégias de sensibilização as quais consigo perceber frutos. Em janeiro desse ano (2011) assumi a Coordenação da Proteção Social Especial, onde dou suporte e orientação em todos os serviços com intervenção nas instituições governamentais. Senti-me valorizada profissionalmente, pois a 13

14 secretária me deu como missão ampliar o meu olhar sensível em todos os espaços da secretaria. Em julho desse mesmo ano assumi a secretaria adjunta. Não tem sido uma tarefa fácil, é um momento de grandes desafios, mas numa perspectiva grande de poder cumprir minha responsabilidade profissional em uma gestão que no meu ponto de vista é diferenciado e que muito nos permite avançar para que o direito do usuário saia do papel. Vivemos grandes frustrações, mas por outro lado somo as forças com profissionais compromissados e com vontade de fazer. Na secretaria adjunta não tenho muitas experiências a relatar, mas já tenho a amostra de que seja possível avançar, romper os desafios de um sistema capitalista desigual e de entraves burocráticos que dificultam a implementação da assistência social como política pública. A elaboração do documento me permitiu fazer uma analise da realidade profissional na política de assistência social e perceber o grande paradoxo que permeia o nosso cotidiano. Ao mesmo tempo, a importância de sermos profissionais propositivos, sensíveis e compromissados com uma luta que nem sempre é uma tarefa fácil. Mas que, temos a clareza de que o resultado do trabalho depende de um conjunto de ações incluindo com relevância do modelo de gestão da secretária e da parceria dos demais atores compromissados com a política de assistência. Tenho a clareza de que se fossemos diferentes não seria possível avançar, pois foi necessário criar algumas estratégias, buscar alternativas que estimulem o prazer de trabalhar, com o mesmo entusiasmo em todos os atendimentos. 14

15 PROTEÇÃO SOCIAL BÁSICA CRAS CENTRO DE REFERÊNCIA DA ASSISTÊNCIA SOCIAL Carme dos Santos 3 Iniciei meu trabalho dentro da Secretaria de Assistência Social e do Trabalho como educadora social no Projovem. Trabalhar com adolescentes em transformação, os quais estão passando de crianças para adultos, não somente na altura, no peso, capacidade fisica, forma de ser, mastambém na evolução de sua personalidade ede suas capacidades mentais, poder conhecê-los e participar ativamente desteprocesso foi uma experiencia extraordinária. O trabalho com os adolescentes foi sempre baseado no respeito, confiança, compreensão e na escuta o que foi extremamente positivo para algumas mudanças,nas quais consegui amenizar suas angústias e suas dificuldades. Acolher estes adolescentes, ajudá-los na prevenção de possíveis situações de risco, possibilitar o convívio em grupo para que desenvolvam suas habilidades e instigar o conhecimento propiciando a esses jovens informações para sua formação como cidadão e fortalecer seu convívio familiar, comunitário e sua autoestima foi uma aprendizagem como pessoa e como profissional. Posteriormente o trabalho de educadora social dentro do CRAS- Centro de Referencia da Assistencial Social com as famílias dos projetos obtive resultados que podem ser descritos a partir de duas visões: a formação das crianças e o fortalecimento do vínculo familiar e comunitário. Durante as atividades realizadas no projeto, participei de reuniões com as mães, observando assim que as mesmas passaram a preocupar-se mais com o rendimento dos seus filhos na escola e a importância da participação de cada uma delas na vida dos mesmos. Nos encontros abordei temas como comportamento das crianças dentro do projeto e em casa, rendimento escolar e bordado das camisetas no qual como 3 Psicóloga, Coordenadora do CRAS Coopha. 15

16 @SASTFRONTEIRA -Fronteira: não uma linha que divide, mas um espaço que une dois povos... -Hoje conheci o Secretário de Estado de Assistência Social. -Mais sopa de letrinhas. -Resgate do Feminino, vamos fazer tecelagem, nanduti e cestaria! -COEGEMAS, Secretaria de Finanças, vamos lá! - -Meu Deus, proteja nossas crianças e quem luta pelo direito delas! - O amigo virou IRMÃO! -Copa do Mundo... Como vocês trabalham o tema, e ainda mais envolvendo a temática das drogas? -Violência Sexual contra criança e adolescente, tai uma realidade que eu preferia não vivenciar... Viva o Sentinela! Deus abençoe a rede de proteção dos direitos da criança e do adolescente! Viva o -Ano de Conferências, nunca discutiu tanto sem entender nada! - O chefe do Irmão disse: Isso tá parecendo Igreja, quando não é Encontro é Seminário! -No meio de tanta confusão, teve até briga de índio e otras cositas, mas, deu tudo certo e ainda encontrei um amigo, que veio acompanhado de uma moça linda e um rapaz feliz! Fiz o que podia para acolher com o calor -Conferência Estadual, espaço de avaliação, construção e muita... muita discussão, no sentido literal da palavra. Eita povo! -Senhor do Céu e da Terra, como faço para esta equipe planejar o que quer realizar e realizar o que foi planejado? -Pronto, agora eles já sabem o que querem fazer, só não tem noção do quanto custa. Dá-lhe PLORDICOCO! -PLANEJAR, ORGANIZAR, DIRIGIR, COORDENAR E CONTROLAR! Viva a Administração na Política da Assistência -Povo de Deus! Nós podemos não resolver tudo... Mas fazemos à diferença na vida do nosso povo... - Tomei uma decisão: vou trabalhar sem dinheiro! -Coordenadora do Abrigo por 90 dias... Experiência única. -Ué é prá gritar? Ou prá falar baixo? A importância do 16

17 testemunho na prática sócio-educativa. educadora participei ativamente aprendendo com elas o bordado ponto a ponto, bordando minha própria camiseta. A confecção dos uniformes da banda também contou com a participação das mães. Durante as oficinas de bordado e de costura as mães me relatavam a satisfação de estarem aprendendo e de que o momento era muito prazeroso. Nas minhas visitas domiciliares, as famílias foram acompanhadas devido ao não comparecimento das mães as reuniões, por falta dos filhos aos ensaios, por pequenos acidentes ocorridos dentro do projeto, por problemas de comportamento e para verificar a realidade vivida por estas crianças em seus lares. Durante as visitas era observada a necessidade da família, dificuldades de trabalho, alimentação e muitas foram beneficiadas com ajuda de alimentos e encaminhadas aos programas existentes na rede sócio-assistencial. O não comparecimento das mães as reuniões geraram muitas visitas, pois as mesmas tinham muita resistência em participar. Como educadora realizei todo um trabalho para que elas não desistissem, ressaltando a importância de cada uma delas no incentivo e apoio aos filhos na participação do projeto. O trabalho nesse período com as famílias e as crianças dos projetos foi muito satisfatório, o vínculo foi fortalecido a cada atividade, a cada dia, a cada encontro. Em seguida assumi a coordenação do CRAS-Marambaia outro momento único. Conhecer os riscos, as vulnerabilidades sociais das pessoas sujeitos do território propensas a perderem os vínculos sociais, familiares e afetivos e encontrar atitudes para a garantia dos seus direitos. Durante o trabalho como coordenadora o desafio como profissional de transformar ou amenizar positivamente as situações de vulnerabilidade existente no território e possibilitar o acesso aos serviços e benefícios públicos articulando com a rede intersetorial estabelecendo conexões positivas do usuário à rede de serviços públicos como saúde, educação, conselho tutelar, agentes comunitários de saúde, os CEINF s, escolas estaduais e municipais, conselho tutelar, 17

18 Ministério Público, serviços de segurança pública, FUNCESPP e demais agentes que tem a preocupação iminente com a região. O trabalho na coordenação como facilitadora de estratégias para o bom funcionamento dos serviços como orientações e cadastramento do Programa Bolsa Família - PBF; orientações e encaminhamentos de Benefício de Prestação Continuada BPC; atendimentos e solicitação de Benefícios Eventuais (auxílio natalidade, auxílio funeral, complementação alimentar, auxílio passagem, documentação); cadastro habitacional e encaminhamentos para prioridade; atendimento e solicitação de passe livre; inscrições para projetos desenvolvidos pelo CRAS; encaminhamento de relatórios mensais à Secretaria Municipal de Assistência Social e do Trabalho SMAST- bem como os diversos projetos socioeducativos entre eles Projeto Acordes, Peti /Projovem, conviver, Arte de Ponta, foram bastante proveitosos tendo com o objetivo principal o fortalecimento de vínculos comunitários e familiares. Os resultados positivos alcançados durante este período foram devidos uma análise sistemática e uma ferramenta chamada diálogo com a Gestora Doralice Nunes Alcântara e com toda a equipe. Dificuldades e limitações foram encontradas, no entanto o esforço pessoal juntamente com a Secretaria de Assistência Social e do Trabalho o atendimento ao usuário foi realizado sem que houvesse prejuízo aos mesmos. Atualmente frente à coordenação do CRAS-Coopha oferecendo o mesmo trabalho e a mesma dedicação. 18

19 ASSISTÊNCIA SOCIAL DIREITO DE TODOS QUE DELA NECESSITEM Andréia Cristina Tofaneli 4 Iniciei meu trabalho como Assistente Social na Secretaria Municipal de Assistência Social em dezembro de dois mil e sete, atuando como assistente social no CREAS Centro de Referência Especializado de Assistência Social onde realizava atendimento a famílias e indivíduos que se encontravam com seus direitos violados, tais como criança/adolescentes, mulheres, idoso, pessoas com deficiências vítimas de violência. Durante o meu trabalho no CREAS pude observar as mudanças que ocorreram na Política de Assistência Social após a criação do SUAS Sistema Único da Assistência Social, onde a assistência social passou a ser reconhecida como direito de todos, e com a divisão dos níveis de proteção passou a ser mais especifico o atendimento as famílias de acordo com o grau de vulnerabilidade vivenciado. O atendimento as famílias no CREAS é um desafio constante, pois são vários os tipos de serviços que são oferecidos pelo programa, mas com o mesmo objetivo o de fortalecer as famílias e indivíduos a buscarem novas alternativas de vida. Aprendi durante esse período de trabalho no CREAS a importância que o trabalho da Assistente Social tem no decorrer do atendimento/orientações com as famílias, pois se você não pode deixar que seus valores/costumes interfiram no seu trabalho, já que cada família tem o seu modo de pensar, seus medos e anseios que são únicos. Neste período pude perceber que uma das coisas fundamental no trabalho com as famílias é a articulação e união entre a equipe no intuito de atingir o mesmo objetivo que é o fortalecimento da família atendida pelo programa, seja na Proteção Social Básica, seja na Proteção Social Especial. 4 Assistente Social, do CRAS Coopha e Secretária Executiva do Conselho Municipal de Assistência Social. 19

20 Outro fator relevante é a sensibilidade da equipe exercitada cotidianamente e que muitas vezes não é uma tarefa fácil, exige comprometimento profissional e envolvimento no trabalho, sem deixar que a diversidade vivenciada nos atendimentos interfira no seu trabalho. Em abril de 2010 passei a trabalhar no CRAS Centro de Referência de Assistência Social, onde o trabalho não deixa de ser desafiante, mas em outra ótica, no fortalecimento das famílias a melhorar sua qualidade de vida, fortalecendo vínculos familiares e comunitários, respeitando as peculiaridades de cada território, não esquecendo que vivemos em uma linha de fronteira, com famílias brasileiras vivendo em território paraguaio e famílias paraguaias vivendo em território brasileiro. Ser profissional da política de assistência social significa que posso exercitar o meu Código de Ética profissional, construindo um projeto profissional com sem discriminação por questões de classes, gêneros, etnia, opção sexual e condição física. 20

21 DO IMPORTANTE TRABALHO DE EDUCADORA SOCIAL ATE AS CONQUISTAS COM A PSICOLOGIA Gisele de Oliveira Guarniéri 5 Este artigo visa descrever a minha experiência de trabalho na Secretária Municipal de Assistencial Social e do Trabalho da cidade de Ponta Porã- MS, especificamente o inicia da prática como Psicóloga do CRAS Centro de Referência da Assistência Social, levando em consideração todas as experiências vivenciadas anteriormente como educadora social do CREAS Centro de Referência Especializado da Assistência Social, na qual pude provar diversos sentimentos e emoções, que vão de frustrações até momentos inesquecíveis de satisfação e certeza de trabalho realizado. Para isto será feito um relato das atividades desempenhadas nas respectivas funções, considerando os aspectos emotivos que são envolvidos no processo do trabalho. O EDUCADOR SOCIAL NO CREAS Após a plena alegria e satisfação da festa de formatura, do orgulho em ter uma formação acadêmica e de possuir o titulo tão sonhado de Psicóloga, surgem as angustias e incertezas quanto ao futuro profissional, e aquele emprego desejado se torna um desafio. Entrar no mercado de trabalho não é uma tarefa fácil, mas exige dedicação e amor pela profissão escolhida. E foi na Secretaria Municipal de Assistência Social e do Trabalho que se pude dar entrada ao mercado de trabalho. O inicio do trabalho como educadora social no CREAS de Ponta Porã trouxe vários questionamentos. De imediato estava diante de uma profissão desconhecida, aparentemente sem relação alguma com a psicologia. Mero engano. Já na primeira semana desempenhado a brilhante função de educadora sentiu que estava no local certo de trabalho e com o público-alvo que sempre me identifiquei: pessoas ou famílias em situação de vulnerabilidade, que estão com 5 Psicóloga do CRAS Coopha. 21

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