ÁREAS DAS DIFICULDADES: Escrita RESUMO

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1 ÁREAS DAS DIFICULDADES: Escrita Mara E. Pacheco Magalhães Solange Araújo Dias Lopes Terezinha de Jesus Verli de Matos Aglae Castro da Silva Schlorke RESUMO Ler e escrever, portanto, são conhecimentos que não podem ser reduzidos a alguns de seus aspectos, como dominar letras, decodificá-las, traçá-las, etc. Seu aprendizado implica também conhecer as várias funções que a linguagem escrita pode ter em termos sociais, as muitas e variadas formas como pode ser usada. A escrita pode ser interpretada de muitas formas ou em diferentes graus. Palavras-chave: escrita, aprendizagem, dificuldade. Ler e escrever, portanto, são conhecimentos que não podem ser reduzidos a alguns de seus aspectos, como dominar letras, decodificá-las, traçá-las, etc. Seu aprendizado implica também conhecer as várias funções que a linguagem escrita pode ter em termos sociais, as muitas e variadas formas como pode ser usada. A escrita pode ser interpretada de muitas formas ou em diferentes graus. p. 11 e 12 A escrita é uma das áreas complexas e abrangentes no que diz respeito a aprendizagem.tanto a leitura quanto a escrita estão diretamente vinculadas a alfabetização, adquirindo deste modo caráter de aprendizagem formal, onde o objetivo é compreender melhor as dificuldades de aprendizagem na escrita, visando intervenções adequadas que propiciarão o melhor desenvolvimento dos alunos portadores de D.A. Para conceituar a escrita, foram utilizados os estudiosos: FERREIRO (1992) e CAGLIARI (1995). Para conceituar D A no processo de aquisição da Escrita. Definir a escrita não consiste em tarefa fácil, pois ao contrário do que possa parecer, estas são áreas complexas e abrangentes. São vários os sentidos que podem ser atribuídos às idéias de escrita, podendo estes, serem restritos ou amplos. Em termos escolares, tanto a leitura quanto a escrita estão diretamente vinculadas a alfabetização,adquirindo deste modo caráter de aprendizagem formal.

2 No sentido restrito, são encontradas definições simplistas tais como: Escrita ato de representar através de sinais gráficos (letras) palavras e idéias, ou domínio da função simbólica convencional. No entanto, pesquisadores de renome tais como Emília Ferreiro, Ana Teberoski, Luiz Carlos Cagliari, entre outros, já provaram através de pesquisas e estudos a complexidade que envolve ambos os processos. (...) eu digo escrita entendendo que não falo somente de produção de marcas gráficas por parte das crianças; também falo de interpretação dessas marcas gráficas. (...) algo que também supõe conhecimento acerca deste objeto tão complexo a língua escrita, que se apresenta em uma multiplicidade de usos sociais (FERREIRO, 1992, p. 79). Para a autora, a escrita é um processo de construção e reconstrução de um saber construído, e neste processo a criança elabora hipóteses sobre a escrita, que vão sendo problematizadas, caminhando assim para a alfabetização formal. Tanto a escrita quanto a leitura, consiste em atividade bastante intricada. Ler é uma atividade extremamente complexa e envolve problemas não só semânticos, culturais, ideológicos, filosóficos, mas até fonéticos (CAGLIARI, 1995, p. 149). A leitura é a realização do objetivo da escrita. Quem escreve, escreve para ser lido. O objetivo da escrita, (...) é a leitura (Ibidem). Sendo assim, é notória a importância tanto da escrita quanto da leitura no desenvolvimento intelectual do ser humano. Quanto à dificuldade de aprendizagem no processo de aquisição da leitura encontramos a dislexia. A dislexia é a dificuldade com a identificação dos símbolos gráficos desde o início da alfabetização, acarretando fracassos futuros na leitura e escrita. Foram desenvolvidos diversos programas para curar a dislexia. Não há um só tratamento que seja adequado a todas as pessoas. Contudo, a maioria dos tratamentos enfatiza a assimilação de fonemas, o desenvolvimento do vocabulário, a melhoria da compreensão e influência na leitura. Esses tratamentos ajudam o disléxico a reconhecer sons, sílabas, palavras e, por fim frases. É aconselhável que a criança disléxica leia em voz alta com um adulto para que ele possa corrigi-la. Quanto à dificuldade de aprendizagem no processo de aquisição da escrita, encontramos a disgrafia; a disortografia e os erros de formulação e sintaxe. A disgrafia é a

3 falta de habilidade motora para transpor através da escrita o que captou no plano visual ou mental, a criança apresenta lentidão no traçado e letras ilegíveis.é uma desordem resultante de um distúrbio de integração visual-motora. Isso acontece devido a uma incapacidade de recordar a grafia da letra. Também conhecido como letra feia. A criança com esse tipo de dificuldade não possui deficiência visual nem motora, e tão pouco qualquer comprometimento intelectual ou neurológico. No entanto não consegue transmitir informações visuais ao sistema motor. Alguns estudos atribuem a causa destas dificuldades à fatores sociais, outros a fatores emocionais, e alguns, ainda, a atrasos no desenvolvimento psicomotor. As principais características são: lentidão na escrita; letra ilegível; escrita desorganizada; traços irregulares( ou muito fortes que chegam a marcar o papel ou muito leves); desorganização geral na folha por não possuir orientação espacial; desorganização do texto, pois não conservam a margem parando muito antes ou ultrapassando, quando este último acontece, tende a amontoar letras na borda da folha; desorganização das letras: letras retocadas, hastes mal feitas, atrofiadas omissão de letras, palavras, números, formas distorcidas, movimentos contrários a escrita( um s ao invés do 5, por exemplo); desorganização das formas: tamanho muito pequeno ou muito grande, escrita alongada ou comprida; liga as letras de forma inadequada e com espaçamento irregular. O disgráfico não apresenta características isoladas, mas um conjunto de algumas destas citadas. Podemos encontrar dois tipos de disgrafia: Disgrafia motora (discaligrafia), onde a criança consegue falar e ler, mas encontra dificuldades na coordenação motora fina para escrever as letras, palavras e números, ou seja, vê a figura gráfica, mas não consegue fazer os movimentos pra escrever. Disgrafia perceptiva: não consegue fazer a relação entre o sistema simbólico e as grafias que representam o sons, as palavras e frases. Possui as características da dislexia sendo que esta está associada à leitura e a disgrafia à escrita. O tratamento requer uma estimulação lingüística global e um atendimento individualizado complementar a escola. Os pais e professores devem evitar repreender a criança. Os professores devem reforçar o aluno de forma positiva sempre que conseguir realizar uma conquista, na avaliação escolar dar mais ênfase à expressão oral, evitar o uso de canetas vermelhas na correção dos cadernos e provas, conscientizar o aluno de seu problema e ajuda-lo de forma positiva. A disortografia é a incapacidade para transcrever corretamente a linguagem oral; caracteriza-se pelas trocas ortográficas e confusões com as letras. Esta dificuldade não implica

4 a diminuição da qualidade do traçado das letras. Essas trocas são normais nas primeiras séries do primeiro grau, porque a relação entre a palavra impressa e os sons ainda não está totalmente dominada. Porém, após estas séries, se as trocas ortográficas persistirem repentinamente, é importante que o professor esteja atento já que pode se tratar de uma disortografia. Os principais erros que uma criança com disortografia costuma apresentar são: Confusão de letras( trocas auditivas:consoante surdas por sonoras: f/v, faca/vaca, etc.), vogais nasais por orais: na/a, en/i, on/o, um/u; confusão de sílabas com tonacidade semelhante: cantarão/ cantaram; confusão de letras ( trocas visuais: simétricas: b/d, p/q, semelhantes: e/a, b/h, f/t, confusão de palavras com configurações semelhantes, exemplo cópia pedreiro em lugar de padeiro) Os erros de formulação e sintaxe é quando a pessoa apesar de ler fluentemente, apresentar oralidade perfeita, copiar e compreender textos, a criança apresenta grande dificuldade para elaborar sua própria escrita. Geralmente omite palavras, ordena confusamente as palavras, usa incorretamente verbos e pronomes e utiliza a pontuação de forma inadequada. Devido à complexidade causal das D.A., muitas vezes sendo resultado da combinação de vários fatores, fica clara a dificuldade de diagnóstico certeiro. (...) deve ficar claro que a aprendizagem da leitura e da escrita é um processo complexo que envolve vários sistemas e habilidades (lingüísticas, perceptuais, motoras, cognitivas) e, não se pode esperar, portanto, que um determinado fator seja o único responsável pela dificuldade para aprender (Ibidem, p. 31). Ser professor de alunos bons consiste em tarefa relativamente fácil, mas e quando o docente depara-se com alunos com D.A.? O que fazer? Como agir? Qual deve ser a postura e as atitudes diante de tal situação? O papel do professor no processo de aprendizagem é indiscutivelmente decisivo, suas atitudes, concepções e intervenções, serão fatores determinantes no sucesso ou fracasso escolar de seus alunos. Cabe ao professor duas tarefas básicas diante das D.A., o diagnóstico ou detecção seguida de intervenção adequada. No contato diário com os alunos, muito rapidamente o professor começa a perceber entre eles aqueles que apresentam dificuldades, a partir desta detecção a atitude correta deve ser o encaminhamento do aluno em questão a um psicopedagogo, que deverá avaliar as

5 habilidades perceptivas, motoras, lingüísticas e cognitivas do mesmo e ainda os fatores emocionais e os próprios atos de ler e escrever. Sugestões de Atividades: 1. Escritas de frases de acordo com situações propostas; 2. Escrita de frases, respondendo a perguntas pessoais; 3. Produção de pequeno texto, envolvendo uma receita simples; 4. Escolha de um objeto e descrição do mesmo, com apoio de um roteiro; 5. Produção de um texto a partir de uma seqüência lógica, com apoio de um roteiro; 6. Elaboração de frases; 7. Identificação e escrita das palavras do aspecto ortográfico em estudo; 8. Formação de palavras a partir de sílabas em destaque; 9. Cópias ou complementação de frases com substituição de palavras ou expressões destacadas por outras por outras de igual sentido ou significado; 10. Identificação dos personagens do texto através de questões escritas. Referências bibliográficas CAGLIARI, L. C. Alfabetização e Lingüística. 8. ed. São Paulo: Scipione, Alfabetizando sem o Bá Bé Bi Bó Bu. São Paulo: Scipione, CURY, A. J. Pais brilhantes, Professores fascinantes. 6. ed. Rio de Janeiro: Sextante, FERREIRO, E. Com todas as letras. Tradução de Maria Zilda da Cunha Lopes; retradução e cotejo de textos Sandra Trabucco Valenzuela. São Paulo: Cortez, 1992.

6 JOSÉ, E. A. ; COELHO, M. T. Problemas de Aprendizagem. 3. ed. São Paulo: Ática, MORAIS, A. M. P. Distúrbios da Aprendizagem. Uma abordagem psicopedagógica. 9. ed. São Paulo: Edicon, SMITH, C. STRICK, L. Dificuldade de Aprendizagem de A a Z: Um guia completo para pais e educadores. Tradução de Dayse Batista. Porto Alegre: Artmed, 2001.

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