Portugal Seguro. Estratégia de Segurança para 2009

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1 Portugal Seguro Estratégia de Segurança para 2009 Minhas Senhoras e meus Senhores, Em 2008, apresentámos, pela primeira vez, uma estratégia anual que incluiu medidas destinadas a reforçar o sentimento de segurança, garantir a paz pública e prevenir e reprimir a criminalidade. Fizemo-lo por saber que não basta descrever ou analisar a realidade. Cabe-nos, na verdade, definir e executar as políticas que melhor contribuam para tornar Portugal um país mais seguro e, consequentemente, mais livre. As medidas tomadas estão a dar resultados que se projectam no futuro. Todavia, podemos dizer, desde já, que respeitámos os nossos compromissos e que essas medidas se estão a revelar acertadas. No ano passado, assistimos a um notável incremento da actividade policial, que se manifestou no aumento das acções preventivas e repressivas, dos efectivos utilizados e do grau de eficácia atingido. Também prometemos que passaríamos a apresentar, anualmente, uma estratégia actualizada, que compreenda novas medidas. O que não significa que se revogue a estratégia anterior mas, simplesmente, que ela é objecto de balanço e actualização para enfrentar os fenómenos da criminalidade e, em geral, quaisquer ameaças à segurança, incluindo os riscos múltiplos no âmbito da protecção civil. 1

2 O nosso diagnóstico actual é congruente com o que apresentámos em Tal como então referimos, as sociedades modernas, democráticas, abertas e globalizadas - como a portuguesa - enfrentam uma criminalidade violenta e grave. Combatê-la constitui a nossa primeira prioridade. Os crimes cometidos com violência, sobretudo com recurso a armas, são os mais lesivos para os cidadãos e para a comunidade no seu todo. Para responder a estas ameaças e reforçar a segurança, a nossa estratégia identifica as seguintes orientações fundamentais: reforçar o dispositivo; aprofundar o policiamento de proximidade; desenvolver a segurança comunitária; intensificar o controlo de fronteiras; implementar a reforma da segurança interna; apostar nas novas tecnologias; e diversificar a capacidade de resposta do sistema de protecção e socorro. Para prosseguir estas orientações, as medidas para 2009 são: 1. Reforço do Efectivo Policial À semelhança do que fizemos no ano transacto, também em 2009 lançaremos dois novos concursos para a admissão de mais elementos nas Forças de Segurança (Guarda Nacional Republicana e Polícia de Segurança Pública). Entretanto, na sequência dos concursos lançados em 2008, as Forças serão reforçadas, a partir de Outubro de 2009, com os cerca de elementos (1.000 em cada uma) que estão a iniciar a formação. Durante o ano em curso, serão ainda incorporados mais 39 oficiais na GNR e 37 oficiais na PSP. 2

3 2. Valorização dos Recursos Humanos No ano de 2009, vão ser aprovados os novos estatutos dos militares da GNR e do pessoal policial da PSP. Trata-se de diplomas fundamentais para a dignificação das carreiras, que estão a ser objecto de um vasto e enriquecedor conjunto de audições prévias. Continuará, ao longo deste ano, a desenvolver-se o esforço de melhoramento da formação inicial e contínua das Forças e dos Serviços de Segurança, para aumentar a sua capacidade de resposta a incidentes tácticopoliciais e de investigação criminal. 3. Investimento em Infra-estruturas de Segurança e Protecção Civil Na execução da Lei de Programação, continuaremos a construir e reabilitar instalações, melhorando as condições de trabalho da Guarda Nacional Republicana e da Polícia de Segurança Pública. O investimento ascenderá a 25 milhões de euros e concluiremos, pelo menos, 11 novos Quartéis ou Esquadras. No âmbito da protecção civil, serão concluídos 4 novos Quartéis de Bombeiros, entre o ano de 2009 e o primeiro trimestre de Ainda em 2009, estamos prontos para arrancar com obras em 47 Quartéis, realizando um investimento de 32 milhões de euros. 4. Modernização de Equipamentos de Segurança e Protecção Civil Prosseguiremos o reequipamento das Forças de Segurança, privilegiando o reforço da sua capacidade para enfrentar a criminalidade violenta. Assim, distribuiremos à Guarda Nacional Republicana e à Polícia de Segurança 3

4 Pública mais novas armas de 9 milímetros e coletes antibalísticos. Vamos dotar as corporações de bombeiros de 95 novas viaturas de combate a incêndios, o que representa um investimento de 13 milhões de euros. O Comando Nacional de Operações de Socorro passará a dispor de um Centro Táctico de Comando móvel, constituído por 7 viaturas. Serão também adquiridas 9 novas viaturas para os Bombeiros Canarinhos. A Protecção Civil passará a contar com um centro móvel de apoio a desalojados, de vital importância para acorrer a catástrofes ou grandes desastres, com capacidade para receber pessoas. 5. Recurso às Novas Tecnologias Continuaremos a investir em tecnologias de informação ao serviço da segurança, através de meios avançados de comunicação. Assim, colocaremos ao serviço da acção operacional das Forças e dos Serviços de Segurança a Rede Nacional de Segurança Interna (RNSI) e o Sistema Integrado de Vigilância, Comando e Controlo da Costa Portuguesa (SIVICC). A utilização dos meios informáticos será aprofundada, nomeadamente, através do Projecto-Piloto Polícia Automático (Leitura Automática de Matrículas mediante sistemas de vídeo em viaturas policiais) e do Programa Polícia em Movimento - apetrechando as Forças de Segurança com computadores portáteis, câmaras fotográficas e terminais de pagamento. No quadro do SIMPLEX 2009, vamos criar, em parceria com outros Ministérios, o Portal de Segurança, com indicações práticas para o 4

5 reforço da segurança individual e colectiva. Deste modo, será dinamizada a interacção entre as Forças de Segurança e a comunidade. 6. Desenvolvimento do Policiamento de Proximidade A acção das Forças de Segurança vai continuar a centrar-se na aposta firme em programas de policiamento de proximidade. Neste contexto, aprofundaremos os programas orientados para a protecção de vítimas especialmente indefesas (como as crianças, as pessoas idosas e as vítimas de maus-tratos e de violência doméstica), para a segurança de estruturas públicas ou de elevada relevância social (designadamente, os tribunais, as escolas e os estabelecimentos de saúde) e para o controlo de fontes de perigo sobretudo as armas de fogo. Reforçaremos as parcerias com associações e empresas que se dedicam à segurança ou representam áreas de risco. Assim, será aprofundada a articulação entre a Guarda Nacional Republicana e a Polícia de Segurança Pública e as empresas de segurança privada, através da gestão de alertas e da interconexão a centrais de alarme. Nas zonas de risco, intensificaremos o patrulhamento policial, com recurso às unidades especiais das Forças de Segurança. Em simultâneo, continuaremos a desenvolver acções de prevenção da criminalidade, destinadas, nomeadamente, a apreender armas ilegais. Para prevenir e dissuadir precocemente o início de carreiras criminosas, lançaremos um programa contra a delinquência juvenil, orientado para combater a violência, a incivilidade e o vandalismo grupais, sobretudo nas grandes áreas urbanas. Lançaremos o Projecto Cidadão Responsável, destinado a sensibilizar as pessoas para o valor da segurança individual e comunitária, estimular a 5

6 adopção de medidas de autoprotecção e promover a cooperação entre a comunidade e as Forças e os Serviços de Segurança. 7. Estabelecimento de Parcerias com as Autarquias Desenvolveremos a segurança comunitária, celebrando, em 2009, novos contratos locais de segurança com, pelo menos, 10 municípios de diferentes distritos. Continuaremos, por outro lado, a executar os dois contratos já celebrados. Iremos impulsionar, junto aos municípios - que foram contemplados por um aumento de receitas em matéria de fiscalização de contra-ordenações - a criação de novas polícias municipais, no quadro do regime simplificado aprovado em Sempre em colaboração com os municípios, estenderemos os programas de vídeo-vigilância a zonas em que se façam sentir especiais necessidades de prevenção criminal. No domínio da protecção civil, constituiremos 86 novas Equipas de Intervenção Permanente em 2009 e aceitaremos candidaturas para a constituição de mais 70 em 2010, dando execução ao protocolo celebrado entre a Autoridade Nacional de Protecção Civil, a Associação Nacional de Municípios Portugueses e a Liga dos Bombeiros Portugueses. 8. Consolidação da Reforma da Segurança Interna Para responder de forma adequada, proporcional e eficaz à criminalidade violenta e grave, começará a ser executada a Nova Lei das Armas, que prevê a detenção, a aplicabilidade da prisão preventiva e a agravação das 6

7 penas nos casos de crimes de detenção de arma proibida e de crimes cometidos com recurso a arma. Será aprovada a Lei do Sistema Integrado de Informação Criminal, para garantir a partilha de informação entre órgãos de polícia criminal, de acordo com os princípios da necessidade, da competência e da disponibilidade, mas sempre com salvaguarda dos regimes do segredo de justiça e do segredo de Estado. 9. Constituição de Equipas Conjuntas de Combate ao Crime Serão criadas, através do Gabinete Coordenador de Segurança, equipas mistas, compostas por elementos das Forças e dos Serviços de Segurança, especialmente vocacionadas para prevenir e reprimir fenómenos criminais violentos e graves. Estas equipas permitirão aprofundar a articulação e a coordenação entre as Forças e os Serviços de Segurança, possibilitando, além disso, uma luta mais eficaz contra uma criminalidade com elevado grau de mobilidade e versatilidade. 10. Criação da Rede Nacional de Prevenção da Criminalidade Será instituído um forum multidisciplinar que terá por objecto o estudo e a análise das tendências nacionais e internacionais em matéria de evolução da criminalidade. Este forum servirá para apoiar o Ministério da Administração Interna e o Gabinete Coordenador de Segurança na definição de Estratégias Plurianuais de Redução da Criminalidade. A Rede será composta por elementos das Forças e dos Serviços de Segurança, representantes dos Ministérios e demais entidades públicas 7

8 competentes em matéria de prevenção e combate ao crime, peritos técnicos e científicos, personalidades do mundo académico e representantes de diversos sectores da sociedade civil. 11. Reforço do Controlo Fronteiriço Com vista a reforçar o controlo fronteiriço, poremos em prática o Sistema Integrado de Controlo de Fronteiras, que compreenderá os novos Centros de Cooperação Policial e Aduaneira. Neste contexto, consolidaremos também o controlo automático de passageiros através do sistema RAPID, que já estendemos, no início deste ano, a todos os aeroportos internacionais portugueses. Dando expressão à cooperação entre o Sistema de Segurança Interna e as Forças Armadas, será intensificada a acção do Centro Nacional Coordenador Marítimo. A Guarda Nacional Republicana e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras continuarão a contribuir para que este órgão de articulação entre as autoridades que intervêm nos espaços marítimos sob jurisdição nacional amplie a sua capacidade de resposta. As Forças e os Serviços de Segurança irão intensificar, no decurso de 2009, as acções conjuntas de controlo nas fronteiras aéreas, terrestres e marítimas. 12. Combate à Imigração Ilegal e ao Tráfico de Pessoas Prosseguindo os nossos esforços em matéria de combate à imigração ilegal e ao tráfico de pessoas, criaremos, na área de Lisboa, em parceria com a Organização Internacional para as Migrações, o Serviço Jesuíta de Apoio aos Refugiados e os Irmãos de São João de Deus, um segundo centro de 8

9 acolhimento para a instalação temporária dos cidadãos estrangeiros sujeitos a afastamento do território nacional. Continuaremos a desenvolver os meios tecnológicos e informacionais avançados para combater a fraude documental, o auxílio à imigração ilegal e o tráfico de pessoas. Assim, para reforçar a segurança dos documentos de identificação e de viagem, iremos introduzir no Passaporte Electrónico Português novos dados biométricos como o registo de impressões digitais. Iniciaremos, de igual modo, a emissão de títulos de residência sob formato electrónico, que oferece maiores garantias de segurança. 13. Aprovação da Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária Em 2008, fomos premiados pela União Europeia pelos enormes progressos registados na área da segurança rodoviária. Com o objectivo de colocar Portugal entre os Estados da União com mais baixas taxas de sinistralidade rodoviária, aprovaremos, em 2009, uma Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária. Esta Estratégia será composta por 10 objectivos estratégicos e 30 objectivos operacionais, dos quais quero agora destacar o controlo automático de velocidade, através do desenvolvimento da Rede Nacional de Radares, e os programas de fiscalização de álcool, substâncias psicotrópicas e excesso de velocidade. 14. Aprovação da Directiva Operacional Permanente Multi-riscos Iremos aprovar a Directiva Operacional Permanente, que garante a coordenação e a articulação do Dispositivo Integrado de Operações de Protecção e Socorro. Esta directiva deverá assegurar, em permanência a 9

10 nível nacional, distrital e municipal, uma resposta operacional adequada à probabilidade de ocorrência de sinistros e à sua gravidade. Para ampliar a capacidade de resposta a tais sinistros, vamos reforçar a Força Especial de Bombeiros Canarinhos, em 2009, com mais 40 bombeiros profissionais. 15. Expansão das Bases de Meios Aéreos do MAI Procederemos, por último, à consolidação da Rede de Bases Permanentes do Ministério da Administração Interna com a criação de uma terceira base em Ponte de Sôr, que se juntará às que estão sediadas em Santa Comba Dão e em Loulé. Deste modo, aumentaremos a capacidade de utilização dos meios aéreos da Empresa de Meios Aéreos (EMA) por parte de todas as Forças e Serviços de Segurança e de Protecção Civil, assegurando o apoio aéreo a missões de segurança e protecção civil no território nacional. Estas são as principais medidas previstas para A nossa estratégia de segurança inspira-se no Programa do XVII Governo Constitucional, que estamos a cumprir na íntegra. Apresentamos esta estratégia convictos de que a segurança é, em simultâneo, um direito fundamental dos cidadãos, uma obrigação essencial do Estado de Direito, um parâmetro obrigatório de avaliação da qualidade da Democracia e um factor decisivo de desenvolvimento económico e coesão social. O MAI nunca enjeita responsabilidades na sua missão de garantir a segurança dos portugueses. Mas sabemos que o nosso êxito depende de uma vasta congregação de esforços: Governo, Regiões, Autarquias, Forças 10

11 e Serviços de Segurança e de Protecção Civil e sociedade civil em geral. Todos somos, afinal, agentes de segurança e estamos irmanados na nobre missão de defender a comunidade. A preservação da segurança e a luta contra o crime constituem tarefas complexas, que envolvem a conjugação de múltiplos agentes e de políticas públicas de natureza muito variada. É preciso conhecer, prevenir e combater as causas de crimes, acidentes e catástrofes - sejam económicas, sociais ou civilizacionais - sem descurar nunca as consequências, a que fazemos frente dia após dia. Em nome do MAI e do Governo, quero manifestar, por último, o meu reconhecimento a todos os agentes das Forças e dos Serviços de Segurança, dos órgãos de polícia criminal e da protecção civil pela forma voluntariosa, empenhada e proficiente como têm cumprido a sua nobre missão. Posso dizer-vos que todos os cidadãos responsáveis estão solidários convosco neste esforço incessante para garantir um Portugal Seguro. Lisboa, 10 de Fevereiro de 2009 Rui Pereira (Ministro da Administração Interna) 11

Minhas senhoras e meus senhores.

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