PRÊMIO INTERAÇÕES ESTÉTICAS RESIDÊNCIAS ARTÍSTICAS EM PONTOS DE CULTURA

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1 CENTRO DE PROGRAMAS INTEGRADOS CEPIN COMUNICAÇÃO, INFORMAÇÃO E DADOS CID PRÊMIO INTERAÇÕES ESTÉTICAS RESIDÊNCIAS ARTÍSTICAS EM PONTOS DE CULTURA Edições 28/29 ESTATÍSTICAS ELABORAÇÃO: MARCELO GRUMAN E ANDRÉ BEZERRA (CID/CEPIN)

2 A Funarte lançou, através da Portaria nº.157 de 28 de agosto de 28, a primeira edição do Edital do Prêmio Interações Estéticas Residências Artísticas em Pontos de Cultura. O Prêmio, parceria com a Secretaria de Programas e Projetos Culturais SPPC - do Ministério da Cultura, que objetiva, conforme o item 1.2 do Edital, apoiar o intercâmbio cultural e estético entre artistas do campo da Arte Contemporânea e a rede de Pontos de Cultura por meio da realização de projetos de residências artísticas, potencializando aquelas instituições como espaço de experimentação e de reflexão crítica. A seleção foi dividida em seis categorias regionais (regiões norte, centro-oeste, nordeste, região sul, região sudeste e abrangência nacional), distribuindo um total de 93 premiados de todo o país. Os Pontos de Culturas são a ação prioritária do Programa Cultura Viva, que contempla iniciativas culturais envolvendo as comunidades em atividades de arte, cultura, cidadania e economia solidária. Tais organizações são selecionadas através de edital público, e passam a receber recursos do Governo Federal para potencializarem seu trabalho, seja na compra de instrumentos, figurinos, equipamentos multimídia, seja na contratação de profissionais para cursos e oficinas, produção de espetáculos e eventos culturais. Os Pontos de Cultura ficam responsáveis por articular e impulsionar as ações já existentes nas comunidades e, com a quantia de R$185 mil, divididos em cinco parcelas semestrais, investe conforme o projeto apresentado. Parte do incentivo recebido na primeira parcela, no valor mínimo de R$2 mil, é utilizada para aquisição de equipamento multimídia em software livre, composto por microcomputador, miniestúdio para gravação de CD, câmera digital, ilha de edição etc.. O Ponto de Cultura não tem um modelo único, nem de instalações físicas, nem de programação ou atividade. Atualmente, existem mais de 84 deles espalhados por todo o país, conforme distribuição abaixo 9 : 9 Os números foram colhidos no seguinte endereço eletrônico: pontos/. Acesso em 16 de julho de 29.

3 Estados Número de Pontos de Cultura Acre 14 Alagoas 23 Amapá 5 Amazonas 6 Bahia 7 Ceará 41 Distrito Federal 18 Espírito Santo 8 Goiás 16 Maranhão 19 Mato Grosso 15 Mato Grosso do Sul 13 Minas Gerais 74 Pará 2 Paraíba 22 Paraná 35 Pernambuco 44 Piauí 33 Rio de Janeiro 71 Rio Grande do Norte 15 Rio Grande do Sul 35 Rondônia 8 Roraima 18 Santa Catarina 18 São Paulo 17 Sergipe 6 Tocantins 7

4 Número de Pontos de Cultura, por região e estados: Norte Total de Pontos de Cultura: A região concentra 11% do total de Pontos de Cultura do país, especialmente nos estados do Amapá (23), Pará (2) e Roraima (18). Nordeste Total de Pontos de Cultura: Rio Grande do Norte Piauí Pernambuco Paraíba Maranhão Ceará Bahia Alagoas Sergipe O nordeste responde por 32% dos Pontos de Cultura do país, sendo que apenas quatro estados (Bahia, Pernambuco, Ceará e Piauí) concentram quase 7% (273) dos existentes da região.

5 Centro-Oeste Total de Pontos de Cultura: Distrito Federal 13 Mato Grosso do Sul Mato Grosso Goiás O Centro-Oeste é a região com o menor número de Pontos de Cultura dentre todas as regiões do país: 62, ou 7,3% do total. A divisão pelos estados é bastante homogênea, variando entre 13, no Mato Grosso do Sul, e 18, no Distrito Federal. Sudeste Total de Pontos de Cultura: Espírito Santo Minas Gerais Rio de Janeiro São Paulo O Sudeste é o outro extremo, ou seja, concentra o maior número de Pontos de Cultura do país, alcançando 323, ou 38,3% do total. O estado de São Paulo, sozinho, responde por mais da metade dentro da região, seguido de longe por Minas Gerais e Rio de Janeiro, que apresentam números semelhantes.

6 Sul Total de Pontos de Cultura: Santa Catarina Rio Grande do Sul Paraná A região sul é a segunda com menos Pontos de Cultura, atrás do Centro-Oeste: 88, ou 1,4% do total. Observamos que os estados do Rio Grande do Sul e do Paraná apresentam a mesma quantidade de Pontos de Cultura (35), o dobro da apresentada por Santa Catarina (18). O Programa Cultura Viva, através dos Pontos de Cultura, estimula o acesso aos meios de formação, criação, difusão e fruição cultural, cujos parceiros imediatos são agentes culturais, artistas, professores, militantes sociais que percebem a cultura não somente como linguagem artística, mas também como direitos, comportamento e economia. No texto de apresentação do Cultura Viva, o Secretário de Programas e Projetos Culturais, Célio Turino, conclamou a todos a descobrir o Brasil: Precisamos desesconder o Brasil, mostrá-lo para nós mesmos e para o mundo. Precisamos entender o Brasil: em lugar de conceitos rígidos, noções líquidas; em lugar da reta, a curva. Precisamos fundir-nos como Brasil, tomar um banho em suas águas, que são muitas. Precisamos conhecer mais os fenômenos em ebulição e construir conceitos que se modelem em contato com a realidade viva. Para compreender o Brasil, precisamos nos transformar em poetas. Precisamos transformar o Brasil 1. A diversidade cultural ( tomar um banho em suas águas, que são muitas ) foi uma das bandeiras internacionais que o ex-ministro da Cultura do Brasil, Gilberto Gil, defendeu em reuniões de organismos multilaterais como uma política afirmativa que propõe garantias às culturas existentes. Tal ação gerou uma presença importante na 1 O texto está disponível em va. Acesso em 16 de julho de 29.

7 redação final e aprovação do texto da Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, reafirmação da diversidade como direito dos povos, instrumento de diálogo entre identidades. Barbalho (27) observa que, no primeiro governo de Lula, iniciado em 23, a atuação do Ministério da Cultura é pautada pela pluralização da questão identitária. Nos documentos e falas oficiais faz-se uso no plural de palavras como política, identidade e cultura: as políticas públicas, as identidades nacionais e as culturas brasileiras. A diversidade não se torna uma síntese, como no recurso à mestiçagem durante a era Vargas e na lógica integradora dos governos militares, nem se reduz à diversidade de ofertas em um mercado cultural globalizado. Segundo o atual presidente da Funarte, Sergio Mamberti, o Estado brasileiro deve dispor de recursos financeiros para o fomento e implantação de políticas públicas capazes de incrementar o acesso à criação dos bens culturais e o direito à informação, convertendo a cultura num poderoso veículo de inclusão social. É fundamental transformá-la em cidadania cultural (MAMBERTI, 23, p. 17). Trata-se do reconhecimento do outro como contra-sujeito, portanto, dotado de um rosto, uma (s) identidade (s), parte integrante da sociedade culturalmente diversa e plural. Ser cidadão é ter direito não só a uma vida socialmente digna, como culturalmente satisfatória. Reconhece-se, ainda, que a identidade brasileira não é unívoca e que a cidadania também se constrói a partir do respeito às formas como os indivíduos se vêem e, mais ainda, querem ser vistos pelos outros. Ser parte do povo brasileiro não é incompatível com o pertencimento a outra coletividade: O conceito de diversidade cultural nos permite perceber que as identidades culturais brasileiras não são um conjunto monolítico e único. Ao contrário, podemos e devemos reconhecer e valorizar as nossas diferenças culturais, como fator para a coexistência harmoniosa das várias formas possíveis de brasilidade. Como o respeito a eventuais diferenças entre os indivíduos e grupos humanos é condição da cidadania, devemos tratar com carinho e eficácia da promoção da convivência harmoniosa, dos diálogos e dos intercâmbios entre os brasileiros expressos através das diversas linguagens e expressões culturais, para a superação da violência e da intolerância entre indivíduos e grupos sociais em nosso país. (MAMBERTI, 25, p. 14)

8 No Programa Cultural para o Desenvolvimento do Brasil, de 26, o Ministério da Cultura toma a cultura em três dimensões para a construção de políticas públicas: cultura como expressão simbólica (estética e antropológica); como direito e cidadania de todos os brasileiros e como economia e produção de desenvolvimento. É como expressão simbólica que o ex ministro Gilberto Gil fala do do-in antropológico promovido por políticas, programas e ações: Massagear pontos vitais mas momentaneamente adormecidos do corpo cultural do país. Avivar o velho e atiçar o novo, porque a cultura brasileira não pode ser pensada fora desse jogo, dessa dialética permanente entre a tradição e a invenção, numa encruzilhada de matrizes milenares e informações e tecnologias de ponta. (MINISTÉRIO DA CULTURA, 26:7) Entramos na seara da cidadania cultural, expressão que diz respeito à superação das desigualdades, ao reconhecimento das diferenças reais existentes entre os sujeitos em suas dimensões social e cultural. A idéia de cidadania cultural se insere numa perspectiva democrática e toma os indivíduos não como consumidores e contribuintes, mas os considera como sujeitos políticos. A cultura é vista como direito dos cidadãos, e nessa medida eles têm o direito à informação, ao debate e à reflexão; o direito de produzir cultura; o direito de usufruir os bens da cultura; o direito à invenção de novos significados culturais; o direito à formação cultural e artística; o direito à experimentação e ao trabalho cultural crítico e transformador. Ao valorizar as múltiplas práticas e demandas culturais, o Estado permite a expressão da diversidade cultural: Este MinC recusou-se a ser apenas uma caixa de repasse de verbas para uma clientela preferencial. Não substituiu nem se deixou substituir pelo mercado. (...) O desmonte do balcão de negócios só se completa com a qualificação dos agentes culturais, fazendo com que o sistema se auto-regule por meio da incorporação e adesão aos procedimentos transparentes, impessoais e democráticos e dos critérios que dão especificidade às políticas públicas. (MINISTÉRIO DA CULTURA, 26:14) Para que a sociedade brasileira se transforme numa verdadeira democracia cultural, garantindo a diversidade e o pluralismo, o respeito entre as inúmeras

9 identidades que compõem o mosaico cultural nacional, é importante resgatar o papel do Estado, promotor e estimulador do desenvolvimento cultural da sociedade. Não se trata de intervencionismo estatal, segundo a cartilha do velho modelo estatizante, nas palavras do ex secretário executivo do MinC e atual ministro da cultura, Juca Ferreira, mas para clarear caminhos, abrir clareiras e abrigar. Criar, fazer e definir obras, temas e estilos é papel dos artistas e dos que produzem cultura. Escolher o que ver, ouvir e sentir é papel do público. Criar condições de acesso, produção, difusão, preservação e livre circulação, regular as economias da cultura para evitar monopólios, exclusões e ações predatórias, democratizar o acesso aos bens e serviços culturais, isso é papel do Estado. (MINISTÉRIO DA CULTURA, 26:9) Ainda de acordo com o documento elaborado pelo Ministério da Cultura, a acessibilidade tem sido a palavra-chave em torno da qual as ações governamentais são construídas, focalizando as demandas e as necessidades do conjunto da sociedade a partir do conceito estruturante de diversidade cultural. Em oposição ao oficialismo de uma única visão celebra-se a: amplidão territorial, geográfica e simbólica da cultura, uma forma vital que não se resume às linguagens e atividades artísticas, mas que através delas envolve valores, posturas, hábitos, identidades comuns e diversas, conceitos, saberes e fazeres múltiplos. Uma cultura que junta artes, modos de civilizações, tradições comunitárias, assentamentos humanos, encantamentos míticos e rituais, turismo cultural e hospitalidade, e os faz convir ao mesmo tempo. (MINISTÉRIO DA CULTURA, 26:17) Os Pontos de Cultura apresentam uma alternativa seja ao dirigismo estatal, seja ao dirigismo mercadológico. A idéia, conforme o Secretario da SPPC, é a de que a troca, a instigação e o questionamento, elementos essenciais para o desenvolvimento da cultura, aconteçam num contato horizontal entre os Pontos, sem relação de hierarquia ou superioridade entre culturas. Um Ponto auxiliando o outro. (...) Uma troca entre iguais que aprendem entre si e se respeitem na diferença 11. A diversidade não implica 11 Idem.

10 em aceitação incondicional dos modos de vida do outro, mas na compreensão que o outro tem suas razões para se comportar de tal ou qual maneira, de acreditar nisto ou naquilo, ainda que eu não considere a melhor maneira de se comportar ou de pensar. É o respeito à diferença. Ademais, o contato estimula a criatividade. Como bem disse o antropólogo Lévi-Strauss: As grandes épocas criadoras foram aquelas em que a comunicação se tornara suficiente para que parceiros afastados se estimulassem, sem que, no entanto, fosse excessivamente freqüente e rápida para que obstáculos, tão indispensáveis entre os indivíduos como entre os grupos, se reduzissem, a ponto de trocas demasiado fáceis virem igualar e confundir a sua diversidade (LÉVI-STRAUSS, 1986, p. 48). O Edital do Prêmio Interações Estéticas Residências Artísticas em Pontos de Cultura incentiva a troca de experiências entre artistas individuais e Pontos de Cultura por eles selecionados no ato da inscrição. É uma oportunidade de enriquecimento simbólico de um e outro, absorvendo e reinterpretando visões de mundo a princípio antagônicos e indissolúveis, como água e azeite. A seguir, apresentamos os seus principais resultados A sistematização dos dados da primeira edição foi realizada pela servidora Ana Teresa Vasconcelos, do Centro de Programas Integrados CEPIN, a quem agradecemos.

11 Gráfico 1. Distribuição dos inscritos, por região do país Norte Nordeste Centro- Oeste Sudeste Sul Abrangência Nacional À exceção do centro-oeste, todas as regiões do país registraram aumento no número de inscritos na segunda edição do Prêmio Interações Estéticas em comparação com a primeira. O número de proponentes do sudeste triplicou, e os inscritos na categoria abrangência nacional quadruplicaram. Gráfico 2. Distribuição dos inscritos, por estados da federação segundo a região 2.1 Região Norte Os dados da região norte mostram que dois estados não foram representados, Acre e Amapá. Na edição de 29, apenas o estado do Pará foi representado.

12 2.2 Região Nordeste À exceção da Bahia e do Ceará, todos os estados da região nordeste apresentaram queda ou mantiveram o número de inscritos no Prêmio Interações Estéticas entre as duas edições. Alagoas, inclusive, não foi representado em Região Sul Paraná Santa Catar ina Rio Grande do Sul Os estados do Paraná e o Rio Grande do Sul apresentaram a maior parte dos projetos da região, e apresentaram um pequeno aumento neste número na edição de 29. O estado de Santa Catarina, por sua vez, não foi representado na segunda edição.

13 2.4 Região Sudeste Rio de Janeiro São Paulo Minas Gerais Espírito Santo Os quatro estados da região sudeste apresentaram aumento no número de inscritos entre a primeira e a segunda edições do Prêmio Interações Estéticas. Rio de Janeiro e São Paulo concentram a maior parte dos projetos concorrentes. 2.5 Região Centro-Oeste Distrito Federal Mato Grosso Mato Grosso do Sul Goiás Na região centro-oeste, apenas o estado de Goiás participou da segunda edição do Prêmio Interações Estéticas.

14 Gráfico 3. Distribuição percentual dos inscritos, por região do país ,8 8,5 17,6 1,6 59,1 7,4 37,2 8,5 15,4,5 5,5 7, Norte Nordeste Centro- Oeste Sudeste Sul Abrangência Nacional Gráfico 4. Distribuição percentual dos inscritos, por estado da federação segundo a região do país Norte Total de inscritos: ,6 27/29 13 Exclui-se deste item, portanto, a categoria abrangência nacional.

15 4.2 Nordeste Total de inscritos: ,3 3, ,6 3,3 3,3 27/ Centro-Oeste Total de inscritos: ,5 37,5 Goiás Distrito Federal 12,5 12,5 Mato Grosso Mato Grosso do Sul 4.4 Sudeste Total de inscritos: ,7 4 32,3 2 Rio de Janeiro São Paulo 13,3 Minas Gerais 3,5 Espírito Santo

16 4.5 Sul Total de inscritos: ,3 61,1 2 5,5 Paraná Rio Grande do Sul Santa Catarina Referências bibliográficas BARBALHO, A. Políticas culturais no Brasil: identidade e diversidade sem diferença. Trabalho apresentado no III ENECULT Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura, realizado entre os dias 23 a 25 de maio de 27, na Faculdade de Comunicação/UFBA, Salvador, BA. LEVI-STRAUSS, C. O olhar distanciado. Lisboa: Edições 7, MAMBERTI, S. Por uma cultura democrática. In: BRANT, Leonardo (org). Políticas culturais. São Paulo: Manole, v. MINISTÉRIO DA CULTURA. Programa cultural para o desenvolvimento do Brasil. Brasília, novembro de 26.

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