Programa de Pós Graduação em Educação da FCT/UNESP, Presidente Prudente, SP.

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1 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 18 a 22 de outubro, INTERVENÇÃO EM ARTE COM O AUXÍLIO DO SOFTWARE PHOTOSHOP Denise Penna Quintanilha Programa de Pós Graduação em Educação da FCT/UNESP, Presidente Prudente, SP. Resumo A pesquisa intitulada Intervenção em Arte com o auxílio do software Photoshop teve como objetivo verificar se conceitos utilizados numa leitura de imagem como cor, luz e textura, poderiam ser mais facilmente aprendidos pelos alunos com o uso do software Photoshop. Para tanto foi proposta uma atividade de Intervenção na obra A dama com o arminho de Leonardo da Vinci. O que revelou grande mudança de atitude durante a realização desta pesquisa foi a maior desenvoltura dos alunos ao serem solicitados a ler um outro quadro, desconhecido deles, sem nenhuma orientação. Podemos considerar, portanto, que a tecnologia colocada de maneira correta dentro da educação, na visão construcionista mostrada por Papert apoiado no modelo Construtivista de Piaget,(PAPERT, 1994) pode, e muito, ajudar na formação de conceitos inclusive na área de Arte. Palavras chave: arte educação, tecnologias, formação de conceitos. INTRODUÇÃO Antes de relatarmos a pesquisa realizada, torna se necessária a definição do conceito de Intervenção em Arte para que o leitor possa compreender o sentido exato do termo e como ele será usado neste trabalho. Intervir significa modificar intencionalmente, e em Arte, o termo Intervenção pode ser usado para um procedimento de transformação de um ambiente ou de uma obra já existente. Nós, aqui, usaremos o termo Intervenção como modificação proposital, livre e criativa de uma obra já existente. Mas por que a escolha do computador para uma atividade de Intervenção? O uso do computador no ambiente escolar tem sido nas últimas décadas, centro de atenção, não só de educadores, mas de todos os envolvidos em discussões sobre a escola e sobre os atuais objetivos da educação na sociedade. Entretanto, o uso das tecnologias pode servir como forma de mudança de paradigmas educacionais ou simplesmente como forma de perpetuação dos modelos já adotados. O computador na escola pode usado com duas finalidades: o computador como máquina de ensinar e como ferramenta educacional (VALENTE, 1993). Quando usado como máquina de ensinar, o computador dá as instruções e o aluno somente obedece. Isso nada tem de diferente do modelo tradicional de ensino que segue o esquema: apresentação do conhecimento pelo professor exercício de fixação desse conhecimento executado pelo aluno.

2 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 18 a 22 de outubro, Já num ensino onde o computador é usado como ferramenta educacional, o aluno toma as decisões e constrói seu próprio pensamento. O programa apresenta ferramentas de ação e as decisões de uso ficam a cargo do aluno. Segundo Papert, o aprendiz é livre para propor e resolver qualquer projeto que tenha interesse (PAPERT, 1999, p. 63). O aluno se torna epistemólogo do pensamento, tomando decisões e escolhendo caminhos que a máquina deve obedecer. Esta utilização do computador e dos softwares educacionais, não se limita apenas à sua concepção, mas é determinada pelo uso que o professor faz deles, aumentam se ou diminuem se essas possibilidades de construção do conhecimento. Dentro dessa perspectiva de uso do computador como tecnologia a serviço do conhecimento artístico, desenvolvemos a pesquisa Intervenção em Arte com o auxílio do software Photoshop. OBJETIVOS O objetivo principal foi o de verificar se conceitos utilizados numa leitura de imagem como cor, luz e textura, poderiam ser mais facilmente aprendidos pelos alunos com o uso do software Photoshop. Para tanto foi proposta uma atividade de Intervenção na obra A dama com o arminho de Leonardo da Vinci. METODOLOGIA A metodologia adotada foi dividida em duas etapas: a) intervenção prática numa sala de aula para a elaboração da proposta e observação dos resultados. b) Entrevista com 10 alunos participantes da atividade prática para melhor acompanhamento dos resultados. A pesquisa foi realizada no Colégio Objetivo de Presidente Prudente. O público alvo foi uma classe de 8º ano com 29 alunos, com idade entre 12 e 13 anos. Esta escola foi escolhida pela disponibilidade do laboratório de informática e pela grande colaboração oferecida pela diretora e pelo professor de informática que gentilmente esteve presente durante a realização da atividade. O software Adobe Photoshop CS5 foi instalado nas máquinas a partir do site da própria empresa, que disponibiliza o seu uso gratuito para teste.

3 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 18 a 22 de outubro, A atividade teve início com a leitura coletiva da obra A dama com arminho. Com auxílio do data show, a imagem foi projetada, e a leitura foi feita de forma coletiva, analisando se estilo, cores, fundo, luz etc. Em seguida, também com o auxílio do data show, foi apresentado o software Adobe Photoshop e o uso de suas ferramentas principais de recorte da figura para composição em camadas, e uso das ferramentas do menu principal. O objetivo era deixar que os alunos explorassem livremente o software para descobrirem seus próprios caminhos e soluções. Após o trabalho de intervenção, para saber se os conceitos de cor, luz e textura haviam sido realmente aprendidos pelos alunos, mais dois procedimentos foram realizados: uma entrevista com um grupo menor de estudantes que haviam participado da atividade de Intervenção e a leitura de um novo quadro por esses alunos, desta vez sem a minha orientação, diferentemente da leitura coletiva feita no início da atividade. Os alunos foram escolhidos aleatoriamente. A única preocupação foi a de que os 10 alunos entrevistados tivessem participado de grupos diferentes durante a atividade de Intervenção. RESULTADOS A seguir, apresentamos o resultado dos trabalhos realizados pelos grupos, e a análise das Intervenções e das entrevistas realizadas.

4 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 18 a 22 de outubro, INTERVENÇÃO REALIZADA PELOS GRUPOS NA OBRA: DAMA COM ARMINHO Dama com Arminho, Leonardo da Vinci óleo sobre madeira - 54,8 X 40,3 cm Museu Czartoryski, Cracóvia, Polônia. Disponível em Grupo 1 Grupo2 Grupo 3 Grupo 4 Grupo 5 Grupo 6 Grupo 7 Grupo 8 Grupo 9 Grupo 10 Grupo 11 No relato oral, todos os alunos conseguiram observar os principais conceitos usados na leitura de um quadro.

5 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 18 a 22 de outubro, Observações bastante minuciosas foram feitas, principalmente em relação ao quadro do grupo 3, sobre o qual um aluno observou que ao ser invertida a figura, a luz também deveria ser invertida. Detalhes pequenos, como a estrela no cabelo da moça colocada pelo grupo 3, (oito respostas) ou os detalhes enfeitando o arminho e as unhas pintadas feito pelo grupo 11 (16 respostas) foram observados com facilidade. O que revelou mudança de atitude durante a realização desta pesquisa foi a maior desenvoltura dos alunos ao serem solicitados a ler outro quadro, desconhecido deles, sem nenhuma orientação. O quadro apresentado foi: Senhora com sua serva segurando uma carta, de Veermer. Por ser um nome muito preciso, não foi dito aos alunos, já que isso poderia direcionar a observação. O objetivo dessa atividade foi o de observar se houve melhora na leitura feita por eles de uma obra, o nível de observação referente ao uso da cor, luz e textura e a quantidade ou não de detalhes citados. Ao lerem o quadro, os alunos conseguiram não só descrever a cena mas inferir sobre ela, tirando conclusões sobre a imagem apresentada. Algumas observações feitas: Ela não é pobre. Tem um colar meio de rainha. A outra deve ser a conselheira, porque não usa umas roupas muito extravagantes. Outros conseguiram observar detalhes que, segundo eles mesmos, não observavam antes da atividade Intervenção. Eles colocaram bem a luz vinda de cá e eles usaram bem a sombra. O cabelo delas está com um pouco de sombra, a manga dela também. Tem um foco de luz vindo aqui e o fundo está bem escuro. Quando você via um quadro antes, olhava essas características? Nem prestava atenção. O que mais chamou minha atenção, como pesquisadora, foi o encantamento dos alunos ao observar o novo quadro. Um dos alunos fez a seguinte observação: A luz vem da direita, de baixo para cima. Não tem fundo. Não mexeram no fundo Esse quadro não foi mexido. Ele é original. Nossa. Parece que foi mexido

6 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 18 a 22 de outubro, Por quê? Porque tem bastante luz nas duas mulheres. Ficou bem legal Outro comentou: A textura parece que é de verdade, foi bem pintado esse quadro. Quando questionados sobre se depois da atividade estava mais fácil a leitura de um novo quadro, a resposta foi unânine: 100% dos alunos afirmaram que agora seriam capazes de observar detalhes que antes não eram percebidos. Algumas opiniões mais interessantes foram: Depois dessa atividade, fica mais fácil observar outro quadro? Fica, porque quando a gente mexeu no programa, teve que prestar mais atenção nos detalhes para ver como ia fazer uma mudança. Então você presta mais atenção nos mínimos detalhes. Antes eu olhava só para ver se era pintura ou desenho, se era legal ou não. E agora?você acha que vai mudar o seu jeito de ver um quadro? Acho que sim. Eu não repararia se não soubesse o que é um foco de luz. Eu nem repararia que aqui tem um foco de luz. Finalmente, o que os alunos mais gostaram da atividade foi a oportunidade de mexer num software diferente, do qual só tinham ouvido falar. O aprendizado de conceitos importantes para a leitura da imagem, como luz e textura, e a possibilidade de poder usar esse novo conhecimento em outras situações, como mudança em fotos, também foram mencionados por eles. CONCLUSÃO A pesquisa: Intervenção em Arte com o auxílio do software Photoshop teve o objetivo de verificar se conceitos como cor, luz e textura, utilizados na leitura de uma obra de arte, poderiam ser mais facilmente aprendidos com o uso da tecnologia. Após a realização da atividade e das entrevistas com os alunos, pudemos verificar que essa aprendizagem ocorreu. Os alunos mostraram se motivados, gostaram de ter participado da atividade e demonstraram grande melhora em relação ao início da atividade quando ao fazerem a leitura do quadro A dama com o arminho, mostraram se indecisos e com um nível pequeno de observação. Detalhes importantes só foram observados com a minha orientação, e os conceitos aqui pesquisados, como cor, luz e textura, pareciam ainda vagos para os alunos, apesar de a leitura de quadros não ser uma proposta nova para eles, pois já haviam feito isso nas aulas de artes em outras oportunidades.

7 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 18 a 22 de outubro, O encantamento ao lerem o segundo quadro, mostrou que a arte pode ser melhor apreciada quando melhor entendida. Isso não só acarreta a aprendizagem de um conceito, o aprofundamento da relação do aluno com a própria arte. Ao ler uma obra de arte, o aluno também lê o mundo. No modelo educacional Construcionista proposto por Papert (1994), apoiado no modelo Construtivista de Piaget, as novas tecnologias (principalmente o computador) são usadas para a construção do conhecimento pelo próprio educando, desde que tenha um ambiente favorável para isso. Podemos considerar, portanto, que a tecnologia colocada de maneira correta dentro da educação pode, e muito, ajudar na formação de conceitos inclusive na área de Arte. Usar o computador apenas como banco de imagens não significa que os alunos irão relacionar se com a arte de maneira produtiva (PIMENTEL, 2008, p. 115). A elaboração de atividades nas quais o aluno possa tomar decisões, ser criativo e construir conceitos pode valer se da tecnologia para a melhoria da qualidade do ensino na escola. REFERÊNCIAS PAPERT, S. Inovadores e conservadores. In:. A máquina das crianças Repensando a escola na era da informática. Porto Alegre: Artes médicas, 1994, cap.1. p PIMENTEL, Lucia Gouvêa, Tecnologias contemporâneas e o ensino da arte. In: BARBOSA, A.M. Inquietações e mudanças no ensino da arte. São Paulo: Cortez. 2008, cap.10. p VALENTE, J. A. Diferentes usos do computador na educação. In: VALENTE, J. A. (org) Repensando a educação. Campinas, SP: Unicamp, 1993, cap. 1. P VALENTE, J. A. Análise dos diferente tipos de software usados na educação. In: VALENTE, J. A. (org), O computador na sociedade do conhecimento. Campinas,SP: Unicamp/Nied, 1999, cap. 4. p

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