RELATÓRIO DO PROJETO > DEZEMBRO DE Estudo de caso Conflitos em torno do direito à moradia na região central de São Paulo

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1 RELATÓRIO DO PROJETO > DEZEMBRO DE 2005 Estudo de caso Conflitos em torno do direito à moradia na região central de São Paulo

2 2 CONFLITOS EM TORNO DO DIREITO À MORADIA NA REGIÃO CENTRAL DE SÃO PAULO Ana Claudia Chaves Teixeira Mestre em Ciência Política, coordenadora do Projeto de Participação Cidadã do Instituto Pólis Francisco de Assis Comaru Engenheiro civil, doutor em saúde pública, membro da equipe técnica do Instituto Pólis (Núcleo de Urbanismo) Renato Cymbalista Doutorando em Arquitetura e Urbanismo, coordenador do Núcleo de Urbanismo do Instituto Pólis Weber Sutti Arquiteto, pesquisador do Instituto Polis. Por mais de três séculos após sua fundação em 1554, a cidade de São Paulo correspondeu ao território situado entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí, na chamada colina histórica da cidade. A partir de meados do século XIX, com o aumento do papel estratégico da cidade e da importância das conexões com o Porto de Santos e com o vasto interior paulista, São Paulo passou por um gigantesco crescimento em área e população. A região que por séculos abrigou o conjunto da cidade foi assumindo cada vez mais a identidade de centro histórico. Com o crescimento, a região central apresentou funções específicas no contexto da cidade: acolheu o glamour dos cafés, teatros e cinemas; os bairros nobres das elites em Campos Elísios e Higienópolis, inaugurando o crescimento da parte rica da cidade no cone sudoeste; os equipamentos terciários como as sedes de bancos, a Bolsa de Valores, as funções governamentais da cidade e do estado, e também, em algumas partes, as faces por vezes explícitas, outras invisíveis da pobreza e da moradia superdensa do operariado nas vilas e nos cortiços. Foi também na área central que se instalou grande parte da população de rua da cidade. O Centro da cidade não se constituiu como território homogêneo e foi historicamente dividido em sub-regiões. A partir da década de 1940, o chamado triângulo histórico da cidade, região circunscrita pelas ruas Direita, XV de Novembro e São Bento, perdia as funções residenciais e assumia cada vez mais as funções terciárias, sediando os setores financeiro e administrativo da cidade. Parte do comércio elegante, assim como a ocupação vertical da elite e da classe média, se redirecionou para a região do outro lado do Vale do Anhangabaú, constituindo o chamado Centro Novo, na região da Praça Ramos de Azevedo, Praça da República, Rua Barão de Itapetininga e Avenida São Luiz. Embora fosse um espaço hierarquizado em alguns subterritórios, o Centro de São Paulo foi durante grande parte do século XX um espaço de convivência entre todas as classes sociais da cidade, coexistindo (não sem conflitos) sedes de grandes empresas, vendedores ambulantes, luxuosos edifícios residenciais, a vida religiosa,

3 3 equipamentos culturais como faculdades e bibliotecas, edifícios superpovoados de quitinetes, o aparato administrativo governamental, a bolsa de Valores, a Justiça e os profissionais liberais. A segregação na cidade mudou de escala a partir da década de 1960, quando setores das elites transferiram parte das atividades de serviços e comerciais para a região da Avenida Paulista, acompanhando o deslocamento, que já vinha ocorrendo há décadas, das atividades residenciais para essa região. Aos poucos, profissionais liberais, sedes de bancos e empresas transnacionais se instalam na região da Paulista, acompanhados de investimentos públicos em qualidade urbanística que buscavam afirmar a nova centralidade e a imagem de cidade moderna e dinâmica. A nova centralidade terciária também atendia às demandas crescentes por estacionamentos e leito carroçável relacionadas à escolha das elites e classes médias de São Paulo pelo transporte individual, que já congestionava as estreitas ruas do Centro antigo. 1 Ao mesmo tempo em que uma sociabilidade elegante para os negócios da cidade era reproduzida na Avenida Paulista, a estratégia do poder público em relação aos sistemas de transporte e viário transformava-se. Até 1965, a prioridade da prefeitura foi a de abrir definitivamente o tecido da região à circulação do automóvel, com o alargamento de vias, compondo um sistema de avenidas radiais e perimetrais, que integrava o Centro antigo à sua área de expansão o Centro novo da cidade, do outro lado do Vale do Anhangabaú. À medida que reforçavam o papel de centralidade hegemônica da região central da cidade, essas intervenções vinham acompanhadas de um sistema de espaços públicos e da monumentalização da arquitetura edificada nos eixos principais. A partir de 1965, as intervenções viárias assumiram caráter distinto. Uma série de grandes obras viárias como pontes, viadutos e vias elevadas transformaram o Centro da cidade em nó articulador de toda a acessibilidade metropolitana. Se por um lado essas grandes intervenções revelam a necessidade de atender à demanda por leito carroçável de uma São Paulo que priorizava o automóvel (o número de automóveis multiplicou por dez entre 1960 e 1980), por outro lado a nova acessibilidade e a degradação espacial resultantes dessas intervenções potencializaram a fuga das atividades de maior prestígio para o quadrante sudoeste da cidade (Nakano, Campos Neto e Rolnik, 2004, p ). Em relação ao transporte público, desde a década de 1940 a prefeitura investe na implantação de uma gigantesca rede de ônibus na cidade. A região central é até hoje ponto final das linhas radiais, que foram progressivamente ocupando partes das praças e parques da região com terminais Praça da Bandeira, Praça Pedro Lessa, Parque Dom Pedro, Praça Princesa Isabel. A partir da década de 1980, foram implementados corredores de ônibus em vias segregadas, que também têm como foco a região central. 1 Para tentar adaptar-se a esse modelo, o Centro de São Paulo teve, via de regra, o comprometimento de espaços públicos e equipamentos sociais para a expansão viária. Como exemplos, temos a Praça da República, o Parque Dom Pedro II, dentre outros.

4 4 No entanto, trata-se de uma rede deficiente, que freqüentemente exige transbordos a pé e gera grandes fluxos de pedestres em alguns pontos. Para responder aos grandes fluxos de pedestres, a prefeitura construiu na década de 1970 um sistema de calçadões nas vias que apresentavam incompatibilidades de convivência entre pedestres e veículos, e também nos espaços com dificuldades de conexão com o sistema viário principal, constituindo uma rede de calçadões de cerca de 7km (Nakano, Campos Neto e Rolnik, 2004, p. 136). A implementação dos calçadões significou também o aumento dos desequilíbrios no uso dos espaços convertidos: ruas superlotadas durante o dia e abandonadas à noite, potencializando o esvaziamento para os usos de habitação. As dificuldades de acesso por táxi e automóvel já foram também relacionadas à perda de estabelecimentos comerciais e escritórios (Urbs, 2002 b, p. 26). Atualmente, está em discussão a abertura parcial dos calçadões para os automóveis. A migração das elites na cidade não se deteve na Avenida Paulista: novas (e ainda mais segregadas) centralidades foram constituídas na Avenida Brigadeiro Faria Lima, Berrini e Marginal Pinheiros, esvaziando ainda mais as áreas centrais das funções de elite. O abandono das elites permitiu, em certa medida, uma apropriação cada vez mais popular das partes do Centro antes vetadas aos segmentos mais pobres. Essa apropriação significou ao mesmo tempo causa e efeito da fuga das elites, desejosas de diferenciação social e procurando manter distâncias cada vez maiores da convivência com os mais pobres. Em alguns casos resultou na busca de produtos imobiliários como condomínios e loteamentos fechados, algumas vezes a grandes distâncias do Centro ou até mesmo em outros municípios. Em São Paulo, Alphaville é a expressão maior desse modelo. Apesar da valorização dos bairros do cone sudoeste da cidade, o Centro manteve o alto valor de preço do solo, principalmente devido às possibilidades de uso comercial do nível térreo dos edifícios. 2 A região sedia, até hoje, o maior índice de empregos de toda a cidade. Por outro lado, o empobrecimento do conjunto da população da cidade desde a década de 1980 significou dificuldade de acesso generalizado das classes média, média-baixa e baixa à moradia nos locais com maior infra-estrutura da cidade, impedindo que parte significativa dos imóveis desocupados pelos setores mais ricos fossem ocupados pelos mais pobres. Em relação aos equipamentos públicos, a saída das elites das áreas centrais da cidade deu-se em paralelo a um processo mais amplo de abandono de equipamentos públicos e sistemas públicos de saúde e educação não-universitária. A mudança na demanda significou em muitos casos a queda dos padrões de atendimento de equipamentos que anteriormente atendiam às classes médias e elites da cidade. O abandono das áreas centrais pelas elites, entretanto, nunca foi total. Principalmente pelo fato de o valor simbólico e histórico das áreas centrais não ser reprodutível em outras áreas. No início da década de 1990, com uma construção 2 Apenas no fim da década de 1960 o centro deixa de ser o metro quadrado mais caro da cidade, posto assumido pela Avenida Paulista. Hoje em dia a Paulista divide este status mercadológico com a região da Faria Lima e Berrini e outras áreas do quadrante sudoeste. No entanto, o centro nunca teve uma baixa no seu valor do solo, que apenas se manteve estável gerando outro paradoxo que é quem pode pagar não quer morar e quem quer morar, não pode pagar.

5 5 dos grandes proprietários, ganha força a idéia de que o Centro precisava de uma revitalização, significando uma iniciativa de retorno de uma sociabilidade de classe média e de elite às áreas centrais. No ano de 1991 é fundada a Associação Viva o Centro, a partir da explicitação dos interesses de proprietários, comerciantes, empresários, mas sobretudo do setor bancário e financeiro, com claros interesses em materializar a valorização, a reelitização, por meio de uma agenda em torno da recuperação do Centro para as atividades da classe média e da elite da cidade. A Associação Viva o Centro tem como maior patrocinador o Bank Boston, em cujas dependências está localizada a sua sede desde a fundação. 3 A Associação Viva o Centro (AVC) tem historicamente se posicionado a favor do aumento de acessibilidade de automóveis nos calçadões do Centro histórico, seletivos aos empresários e executivos; pelo embelezamento superficial e generalizado de praças e monumentos; pela priorização do uso do Centro para o turismo e para os turistas e pelo aumento do policiamento ostensivo. Do ponto de vista dos setores populares, além de tradicional local de trabalho e de circulação, partes das regiões centrais da cidade historicamente constituíramse como local de moradia, principalmente nos cortiços. Esses se disseminaram como tipologia padrão de moradia das classes operárias, trabalhadoras e dos pobres, nos locais menos valorizados e desinteressantes para as atividades comerciais ou degradados pela saída das classes mais altas. As lutas sociais na região central de São Paulo têm origens bastante antigas, remontando às reações às políticas higienistas do início do século XX. A agenda dos direitos humanos, no entanto, chega aos setores populares de forma mais sistemática com a organização de movimentos de luta por moradia e movimentos de moradores de cortiços, a partir dos anos A Associação dos Trabalhadores e dos Quintais e Cortiços da Região da Mooca são exemplos da resistência e luta por melhores condições de vida nos distritos centrais desde os anos Além dos moradores de rua, há outros usos populares da região como o comércio ambulante popular, grupos de cultura popular, feiras de artesanato e regionais, movimentos de moradia, cooperativas de reciclagem (os carroceiros), entre outros. 4 Os grupos localizados de moradores que lutam contra despejos e por outros direitos foram agregando-se em articulações mais amplas. Uma das primeiras foi a Unificação das Lutas de Cortiços (ULC) que nasceu em Em 1997, a partir de uma dissidência da ULC, foi fundado outro movimento, o Fórum dos Cortiços. No ano seguinte, outra dissidência da ULC e é criado o Movimento de Moradia do Centro (MMC). No ano 2000, a partir do Fórum dos Cortiços, nasce o Movimento dos Sem-Teto do Centro (MSTC). Desde então surgiram outros movimentos menores que também lutam pelo direito à moradia digna no Centro de São Paulo. 3 Ver anexo 2, das associadas à Associação Viva o Centro. 4 Não se trata aqui de defender que o Centro deva pertencer somente às camadas populares, muito menos aceitar as condições totalmente impróprias com as quais são forçados a conviver, por exemplo, os moradores de rua, dos cortiços, os ambulantes que se sujeitam a precaríssimas condições como forma de sobrevivência.

6 6 Os movimentos de moradia da região central articulam-se em níveis mais abrangente com movimentos maiores de luta por moradia. Assim, por exemplo, a ULC, o MMC e o Fórum dos Cortiços congregam-se na União dos Movimentos de Moradia de São Paulo (UMM) fundado em 1985, que por sua vez faz parte da União Nacional dos Movimentos de Moradia. Já o MSTC saiu recentemente da UMM e participou da criação da articulação da Frente de Luta por Moradia (FLM). Os movimentos locais ligados a UMM participam de articulações locais, regionais e nacionais de entidades e movimentos como o Fórum Centro Vivo, formado em 1999, a Articulação Estadual pelo Direito a Cidade e o Fórum Nacional da Reforma Urbana. Todos os movimentos, redes e articulações alinham-se no campo de elaboração, defesa e luta pela Reforma Urbana nas cidades do Brasil, e tem como referência central de luta o direito à moradia digna. Na segunda metade da década de 1990, os movimentos organizados de luta por moradia começaram a despertar para a existência e importância do significativo parque edificado e desocupado da região. Iniciam então um movimento de luta pela ocupação desses imóveis, e começam a exigir políticas públicas que respondam a essa demanda. Em contrapartida, começam a ser combatidos como se fossem geradores de uma suposta perda de vida do Centro de São Paulo. Ao mesmo tempo, grandes projetos, geralmente públicos e na vertente de cultura, buscam valorizar o Centro e expulsar os moradores atuais. É essa a base do conflito estudado por este texto: dois grupos sociais e dois discursos disputando as ações do poder público para as áreas centrais. Por um lado, uma visão que busca recuperar o território perdido pelas elites no Centro da cidade. Por outro, segmentos populares que desejam ocupar um vácuo deixado pela fuga de atividades e moradores do Centro, e pressionar por ações públicas que possam viabilizar que isso ocorra em condições melhores e sob a moldura de uma política pública deliberada. Dentro desse contexto, optamos por nos debruçar sobre os conflitos na região central, com foco na temática habitacional e na especulação imobiliária alimentada por essa disputa. Vamos analisar o papel dos governos federal, estadual e municipal nos conflitos do Centro, bem como o papel da sociedade civil. Procuraremos examinar dois estudos de caso: do edifício da Rua do Ouvidor, número 63 uma ocupação do Movimento de Moradia do Centro e caso particular que explicita as contradições que envolvem o conflito habitacional no Centro de São Paulo, e o estudo sobre o Projeto do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para o Centro, que aponta interesses e projetos múltiplos sobre a mesma região. Do ponto de vista da cidade de São Paulo, o repovoamento do Centro e das áreas com infra-estrutura da cidade pela população de baixa renda é uma disputa que tem conseqüências para toda a região metropolitana. Enquanto existem na cidade cerca de 400 mil imóveis desocupados, seguem sendo ocupadas pela população de baixa renda, por inexistência de alternativas, as áreas de mananciais, serras, beiras de córrego, periferias longínquas. Reverter o processo de esvaziamento das áreas providas de infra-estrutura, portanto, poderia reverter a urbanização periférica, ambientalmente predatória e segregadora, padrão na Região Metropolitana de São Paulo. Pela perspectiva da problemática em questão, a abrangência do conflito pode ser considerada de escala nacional. Todas as maio-

7 7 res cidades do país, inclusive cidades médias, têm suas áreas centrais despovoadas, principalmente por causa dos altos preços da terra, do empobrecimento da população, da dinâmica do mercado imobiliário e da ausência de atuação do estado por meio de políticas urbanas e fundiárias. Da mesma forma, é muito presente o projeto de recuperação de centros históricos para atividades culturais e usos de elites. O encaminhamento do conflito em São Paulo e a acomodação das forças em disputa reforçarão um dos dois projetos para os centros históricos no país. É importante ressaltar a existência de vários outros conflitos presentes na área central, que fazem parte da disputa mais ampla a respeito de quem, e com qual respaldo do poder público, deve ocupar essa parte da cidade por exemplo, conflitos envolvendo os vendedores ambulantes, os catadores de materiais recicláveis, os grupos de teatro popular e de teatro de rua. Papel e atuação dos governos A pergunta que perseguimos ao analisar o papel dos governos nos conflitos em torno do Centro é: para o poder público, quem deve ocupar e usar o Centro da cidade? A expectativa de uma resposta única e genérica foi logo abortada. No lugar de uma resposta que dá um sentido geral para as intervenções públicas no Centro de São Paulo, surge um agregado de proposições dos governos federal, estadual e municipal, que varia desde planos e projetos globais, mas jamais efetivados, até conjuntos de intervenções reais e poderosas, nunca explicitados como partes de um todo. Sem descartar a fragmentação ou falta de direção das intervenções estatais, os vários sentidos apontados são também, de certa forma, conseqüência da estrutura federativa brasileira pós 1988, que dá autonomia à União, aos estados e municípios para realizarem suas intervenções. No caso da política urbana, a autonomia produz algumas áreas de sobreposições e sombreamentos nas competências estadual e municipal na condução das políticas públicas. Para dar maior legibilidade aos vários sentidos das intervenções públicas no Centro de São Paulo, recorreremos à divisão federativa e administrativa vigente, separando os projetos do governo federal, estadual e municipal. Como era de se esperar, a esfera municipal é aquela que mais se ocupou com projetos e intervenções específicas para a área central da cidade, razão pela qual subdividimos a seção que trata das intervenções municipais em três vertentes: investimentos, regulação e planos e projetos. Governo federal Não se pode afirmar que o Centro de São Paulo foi objeto de atenção específica por parte do governo federal de forma prioritária, nem em relação à alocação de investimentos. Se compararmos com a grande quantidade de equipamentos federais existente no Rio de Janeiro, por exemplo, ou mesmo levando em conta a forte presença das universidades federais nas áreas centrais das diversas capitais brasileiras, a presença de equipamentos públicos federais no Centro de São Paulo é reduzida. Ainda assim, é no Centro que se encontra a maior densidade de órgãos públicos federais. No entanto, nos últimos anos, verifica-se certa priorização na região central para a instalação de equipamentos do governo federal. A Caixa Econômica Federal tem o projeto de centralizar suas atividades na região da Sé, saindo da Avenida

8 8 Paulista, além da crescente presença de equipamentos culturais pertencentes ao governo federal na área. Por exemplo, o conjunto da Caixa Econômica Federal será também um centro cultural, em abril de 2001 foi inaugurado o Centro Cultural Banco do Brasil. Está também previsto para a área o Centro Cultural dos Correios, na Avenida São João, cujo projeto data de 1996 e cujas obras arrastamse há anos. Soma-se a isso o já existente centro cultural da Fundação Nacional da Arte (Funarte), nos Campos Elíseos. 5 Excetuando-se os investimentos pontuais, pouco se pode dizer de uma estratégia global do governo federal para as regiões centrais das cidades, que ocorrem mais relacionadas à idéia de preservação de patrimônio histórico e arquitetônico do que propriamente a uma compreensão global a respeito do Centro das cidades e a uma opção política pela intervenção. Na década de 1990 articulou-se um programa federal especificamente focado na intervenção em centros históricos o Programa Monumenta, com recursos do BID, que contemplava o município de São Paulo em seu desenho inicial. Tratase de um programa de operação complexa, pois pressupõe a cooperação entre os governos federal, estadual e municipal. No caso de São Paulo, as ações do Programa Monumenta são de escala restrita, concentram-se na região da Luz e relacionam-se, principalmente, à restauração de edifícios de interesse histórico. 6 Também na década de 1990 foi construído pela Caixa Econômica Federal o Programa de Arrendamento Residencial (PAR), orientado para a faixa de renda de 3 a 6 salários mínimos e baseado na aquisição de imóvel por arrendamento residencial durante 15 anos, ao cabo dos quais o morador tem a opção de compra do imóvel descontando o montante já desembolsado. Embora não seja especificamente voltado para a moradia nas áreas centrais, o PAR tem sido utilizado em São Paulo para a construção de moradia nas áreas centrais. O conjunto da Caixa Econômica Federal na Sé terá 26 unidades habitacionais de um e dois dormitórios viabilizadas pelo PAR. Em 2003, o governo federal instituiu o seu programa de requalificação de áreas centrais, alocado na Secretaria de Programas Urbanos do Ministério das Cidades. Em São Paulo, a principal ação do programa é iniciar o processo que viabilize empreendimentos de habitação de interesse social em imóveis de propriedade da União nas áreas centrais, não utilizados para atividades operacionais. Para isso, foi construído um grupo de trabalho com o Ministério das Cidades, a Secretaria de Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS o principal proprietário de edifícios do governo federal na região central), que fez um levantamento dos edifícios existentes e procura construir projetos habitacionais para eles. Nove desses edifícios estão em processo de estudo de viabilidade pela Caixa Econômica Federal para realizar empreendimentos do PAR, para uma faixa de renda de 3 a 6 salários mínimos. 7 Outros edifícios, com maiores dificuldades jurídicas de repasse dos imóveis, estão em estudos para outros tipos de empreendimentos. A principal dificuldade é o fato de o INSS nunca ter feito esse tipo de operação. 5 Todavia não se compara aos equipamentos existentes no Rio de Janeiro, que possui uma densidade muito maior de equipamentos federais, que pese o fato do Rio de Janeiro já ter sido a capital federal. 6 O site do programa é <www.monumenta.gov.br>. 7 Segundo a coordenadora do programa, Margareth Uemura, em 25 de julho de 2005.

9 9 Governo do Estado Diferentemente da estratégia do governo federal, as intervenções do governo do estado para o Centro de São Paulo revelam que a região tem se tornado uma prioridade crescente de intervenção pública. Enquanto nas esferas municipal e federal a regra dos últimos anos foi a troca de partidos e de projetos políticos no poder, o governo do estado de São Paulo é ocupado desde o início da década de 1990 pelo mesmo partido (Partido da Social Democracia Brasileira PSDB). O fato atribui mais clareza ao sentido das intervenções, que poderíamos classificar como uma estratégia elitista para o Centro. Dividimos essas intervenções em três vertentes principais: 1. O governo do estado elegeu o Centro da cidade como um de seus principais focos de investimento em equipamentos culturais, em muitos momentos maiores que os investimentos em habitação e de atendimentos básicos. São exemplos desses investimentos nos últimos dez anos: a construção da Sala São Paulo; a restauração do Teatro São Pedro; a reforma da Pinacoteca do estado e do Museu de Arte Sacra; a reforma do antigo edifício do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), cedido às atividades da Pinacoteca do estado; o antigo Hotel Piratininga, transformado no centro de estudos musicais Tom Jobim. A reforma da Pinacoteca do estado foi acompanhada pela renovação do Jardim da Luz, que tem tido seu acesso mais selecionado e vigiado. Além da reforma, a Estação da Luz ganhará um centro cultural da língua portuguesa financiado em parceria com a iniciativa privada. A instalação dos equipamentos culturais revela também uma hierarquização interna aos territórios do Centro pelo governo do estado. Enquanto o Centro velho e a região da Luz vêm acolhendo quase todos os equipamentos culturais mencionados acima, outras regiões, que talvez possam ser chamadas de periferias do Centro ( os distritos do Brás, Liberdade, Campos Elíseos e Liberdade), recebem investimentos destinados às camadas populares, como os restaurantes populares (Urbs, 2002 a, p. 11). Vale ressaltar que a maior parte desses equipamentos culturais é totalmente impermeável ao público popular residente no Centro e não há nenhuma campanha ou ação do governo do estado para que se interfira nessa relação. É comum que as pessoas cheguem à Sala São Paulo em seu automóvel, assistam ao espetáculo e vão embora sem o menor contato com o bairro, o que contribui para maior segregação e uma espécie de museificação, com o objetivo apenas de valorização imobiliária, e não humana, das regiões em questão. 2. Outro grande aporte na região é a construção da linha quatro do metrô que conectará o Centro à rica região sudoeste da cidade. A nova linha vai transformar a estação da Luz no maior ponto de transbordo de transporte de massa da cidade, com conexões para as linhas de trem urbano. A malha já existente de trem urbano, reformada pelo governo do estado, busca qualidade e facilita sua integração com o metrô nas estações Brás, Barra Funda e Luz. 3. Quanto aos órgãos administrativos, o governo do estado seguiu a tendência e, em 2003, comprou oito prédios na área central, nas ruas Boa Vista e XV de Novembro, destinados a acolher as secretarias de Habitação, Transportes Metropolitanos e Emprego e Relações do Trabalho, além de cinco empresas estaduais: Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU), Metrô,

10 10 Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) e Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S.A. (Emplasa), e um segundo gabinete do governador nos Campos Elísios. Em parte, na busca da redução dos custos de aluguel, em parte para contribuir com a recuperação do Centro, o governo do estado vem concentrando crescentemente os órgãos da administração pública na região (Urbs, 2003, p. 42). Na questão habitacional, o governo do estado não foca sua atuação no Centro, a exceção do Programa de Atuação de Cortiços (PAC) que teve início em meados da década de 1990 através de financiamento do BID e foi regulamentado por decreto em O programa demorou a sair do papel e somente a partir de 2003 começou a ser efetivado. Até fevereiro de 2005, 277 unidades habitacionais foram construídas na capital, e 704 encontravam-se em construção. 9 Porém, a maior linha de atendimento dentro do programa é a ajuda de custo, em torno de R$ 2.500,00 por família em situação de emergência. Após o recebimento da ajuda de custo, a família é considerada atendida em sua demanda habitacional. Governo municipal É na esfera municipal que se revelam com mais clareza os distintos projetos políticos para o Centro de São Paulo: tanto o lugar que a cidade, direta ou indiretamente, proposital ou inadvertidamente, reservou para o seu centro nas últimas décadas, quanto, mais recentemente, as divergências e contradições referentes à disputa em relação ao projeto da prefeitura para o Centro. Essas disputas refletem compromissos dos projetos também divergentes que distintos atores da sociedade civil e dos setores privados explicitaram para o Centro nos últimos anos. INVESTIMENTOS E PROJETOS Mesmo levando em conta o deslocamento das elites rumo ao sudoeste, o Centro da cidade jamais deixou de representar região prioritária para os investimentos da prefeitura em qualificação dos espaços públicos da cidade, nem sempre bem sucedidos em relação aos resultados esperados. A gestão de Luíza Erundina (Partido dos Trabalhadores PT ) marcou o amadurecimento de um discurso que pregava a volta dos equipamentos do governo municipal para o Centro. Em 1991, o gabinete da prefeita, antes no parque do Ibirapuera, foi transferido para o Palácio das Indústrias. A ação pretendia simbolizar a volta do poder público para o Centro da cidade. Na década seguinte, diversas secretarias municipais voltaram ao Centro. A prefeita Marta Suplicy prosseguiu o movimento, com a mudança das secretarias de Saúde, Assistência Social, Cultura, entre outras. A Orquestra Sinfônica Municipal, a Orquestra Municipal de Repertório, o Balé da Cidade, as escolas de Música e de Bailado e a administração do Teatro Municipal também se mudaram para o Largo do Paissandu, em um edifício inteiramente reconvertido para atividades culturais. 8 Decreto de junho de 1998 do governo do Estado 9 Segundo informação do portal do governo do estado de São Paulo: <http://www.saopaulo.sp.gov.br/acoes/cdhu.htm>

11 11 Em 2002, a sede da prefeitura municipal foi novamente transferida, desta vez para a porção mais nobre do Centro de São Paulo um edifício debruçado sobre o Vale do Anhangabaú. Em janeiro de 2004, das 21 secretarias municipais, 15 encontravam-se instaladas no Centro, representando economia de 4,8 milhões ao ano aos cofres públicos e trazendo a gestão municipal para o região (Urbs, 2004, p. 24). Outros investimentos nos espaços públicos a serem considerados, entre 1991 e 2002, foram as reurbanizações do Largo São Bento, do Pátio do Colégio, da Praça Ramos de Azevedo, da Praça Patriarca, dos viadutos do Chá e Santa Ifigênia. Vários desses projetos realizaram-se em parceria com a iniciativa privada. Sobre a questão habitacional é fundamental compreender que a região central perdeu cerca de 40% de sua população desde a década de 1980, e atualmente apresenta as mais altas taxas de desocupação de imóveis da cidade. Foi no início da década de 1990 que a prefeitura iniciou ações para viabilizar projetos públicos de habitação de interesse social na região. Pela primeira vez na história da cidade, inicia-se uma pequena, porém importante produção de habitação de interesse social para os moradores de cortiços. Dois projetos verticalizados demandados pela ULC, os conjuntos Madre de Deus da Mooca (45 unidades) e Celso Garcia no Brás (182 unidades), foram produzidos pelo sistema de mutirão com autogestão. Durante a gestão Maluf/Pitta, a produção de moradia em áreas centrais foi interrompida em prol de projetos em áreas com maior visibilidade, e as sobras dos mutirões paralisadas ou retardadas. Na campanha de 2000, a então candidata Marta Suplicy estabeleceu como compromisso a construção de habitação de interesse social nas áreas centrais, em resposta a uma demanda já amadurecida nos setores técnicos e populares. Somente dois anos após as eleições os resultados do programa começaram a aparecer (Cardoso, 2004, p ). O Programam Morar no Centro subdividiu-se em três subprogramas: Programa de Arrendamento Residencial (PAR), utilizando o sistema de financiamento da Caixa Econômica Federal; Locação Social; e Programa de Reabilitação Integrada do Habitat (PRIH). Em janeiro de 2004, segundo a prefeita, o Programa Morar no Centro beneficiava famílias (Urbs, 2004, p. 24). Quanto ao Programa de Locação Social, grande inovação no panorama municipal, destaca-se o Parque do Gato, com 270 unidades residenciais. Outros terrenos em áreas centrais, próximas ao metrô Belém, ao metrô Bresser e à Avenida São João, e na Vila dos Idosos (no bairro do Pari), foram comprados pela prefeitura para a construção de locações sociais, mas as unidades habitacionais não foram entregues até o fim do mandato da Prefeita. 10 Outro programa importante é o Bolsa-Aluguel, concebido para atender a necessidades emergenciais de famílias com baixos rendimentos. Consiste em subsídios de até 300 reais por mês, por até 30 meses, renováveis por mais 30. Outra modalidade do Bolsa-Aluguel é a garantia da prefeitura municipal como fiadora do locatário em caso de inadimplência. O programa chegou a beneficiar mais de famílias como, por exemplo, parte das unidades da Favela do Gato e os 10 Segundo informação do portal Vermelho <www.vermelho.org.br>, acessado em 27 de julho de 2005.

12 12 ex-moradores do Edifício São Vito, desocupado em 2004 para futuro empreendimento habitacional. O PRIH, um dos programas mais importantes da gestão, consistia em intervenções localizadas nas áreas de habitação e condições urbanas em 10 perímetros selecionados no Centro da cidade. Dentro desse programa o perímetro do Glicério foi escolhido como um projeto piloto, mesmo assim não chegou a ser implementado. Ao assumir a prefeitura, o prefeito José Serra demonstrou total falta de sensibilidade para a questão da habitação no Centro. Segundo Sidnei Euzébio, coordenador da ULC, a revitalização da Praça Coronel Fernando Prestes, próxima à estação de metrô Tiradentes, vai custar R$ 3 milhões para a cidade. Enquanto isso, famílias de bairros nos arredores são despejadas por não receberem Bolsa- Aluguel da prefeitura. 11 Os programas habitacionais do Centro foram, via de regra, interrompidos, assim como os equipamentos sociais de atendimento à população de rua (inclusive crianças) estão sendo retirados da região central. Regulação do uso do solo O Centro de São Paulo foi historicamente uma das regiões agraciadas com os maiores coeficientes de aproveitamento para a construção, o dobro da área permitida para a maior parte da cidade (Nakano, Campos Neto e Rolnik, 2004, p. 141). O Centro da cidade foi a primeira área a se verticalizar, mas desde a década de 1960 o mercado imobiliário vem perdendo o interesse em investir nas áreas centrais. Em contrapartida, investe em outras centralidades como a Avenida Paulista, a Faria Lima e a Marginal Pinheiros para imóveis comerciais, e os bairros do quadrante sudoeste para edifícios residenciais (Somekh, 1997). Atualmente, poucos são aqueles que exercem os potenciais construtivos permitidos, ainda que existam muitas áreas não-verticalizadas no Centro. Em 1991, foi aprovada a Operação Urbana Anhangabaú, que buscava atrair investimentos privados para a região, principalmente por meio da venda de potencial construtivo. Enfrentando o desinteresse do mercado imobiliário, a Operação Urbana não teve resultados significativos. Em 1996, foi substituída pela Operação Urbana Centro, utilizada prioritariamente para a transferência de potencial construtivo de edifícios do Centro para outras regiões, principalmente em casos de recuperação de patrimônio histórico. Na verdade, mais do que expressar o interesse por investir no Centro, a transferência de potencial construtivo aumenta ainda mais o desequilíbrio da região em relação a outras centralidades, pois os direitos construtivos adquiridos são exercidos em geral nas áreas mais dinâmicas da cidade do ponto de vista imobiliário (Nakano, Campos Neto e Rolnik, 2004, p. 144). Outra iniciativa foi a Lei de Fachadas, instituída em 1997 e destinada a preservar a paisagem do Centro, que concede a isenção do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para imóveis que tenham suas fachadas restauradas. Esse instrumento é utilizado principalmente por corporações cuja intenção é produzir uma imagem positiva sobre sua inserção na cidade. 11 Segundo informação do portal Vermelho <www.vermelho.org.br>, acessado em 27 de julho de 2005.

13 13 Em 2002, já na gestão de Marta Suplicy, foi aprovado o novo Plano Diretor para a cidade, que expressa intenções bastante diferentes para o Centro. Ele divide a cidade em duas macrozonas: de Proteção Ambiental e de Estruturação e Qualificação Urbana, esta última destinada a acomodar a ocupação urbana do município. A macrozona de Estruturação e Qualificação Urbana, por sua vez, divide-se em quatro macroáreas: Reestruturação e Requalificação Urbana; Urbanização Consolidada; Urbanização em Consolidação e Urbanização e Qualificação. A área central do município encontra-se inserida na macroárea de Reestruturação e Requalificação, definida como área que passa atualmente por processos de esvaziamento populacional e desocupação dos imóveis, embora seja bem dotada de infra-estrutura e acessibilidade e apresente alta taxa de emprego. O Plano Diretor tem como objetivos de intervenção nessa macroárea a reversão do esvaziamento habitacional através do estímulo ao uso habitacional de interesse social e da intensificação da promoção imobiliária; a melhoria da qualidade dos espaços públicos e do meio ambiente; o estímulo às atividades de comércio e serviços; a preservação e reabilitação do patrimônio arquitetônico e a reorganização da infra-estrutura e do transporte coletivo. 12 A principal inovação do Plano Diretor foi a instituição das Zonas Especiais de Interesse Social 3 (Zeis 3), definidas como: [...] áreas com predominância de terrenos ou edificações subutilizados, conforme estabelecido nesta lei, adequados à urbanização, onde haja interesse público, expresso por meio desta lei, ou dos planos regionais ou de lei específica, em promover a recuperação urbanística, a regularização fundiária, a produção de Habitações de Interesse Social (HIS) ou de mercado popular (HMP), e melhorar as condições habitacionais da população moradora. 13 O instrumento das Zeis surge na década de 1980, e vem sendo aplicado e transformado desde então, sempre com o intuito de garantir a permanência e a oferta de terras com infra-estruturas para a moradia de baixa renda nas cidades brasileiras (Mourad, 2000). Mesmo sendo a primeira vez que esse tipo de zoneamento é instituído na cidade, é necessário ressaltar que se trata de um processo repleto de concessões por parte dos setores populares. A maior parte das Zeis 3 é proposta nas partes mais degradadas do Centro, que já são historicamente ocupadas por moradia de baixa renda. Em comparação, poucas são as Zeis marcadas nas partes mais nobres do Centro. Outra questão é o fato de ser também possível construir HMP nas Zeis 3. Trata-se de habitação de mercado popular, para a faixa de renda de até 16 salários mínimos, ou seja, cerca de R$ de renda familiar em julho de O instrumento, que originalmente se propunha a garantir a oferta de terras para a habitação de interesse social, não necessariamente garante isso. 12 Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo Lei , de 13 de setembro de 2002, art Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo Lei , de 13 de setembro de 2002, art. 171.

14 14 Embora governos federal, estadual e municipal tenham passado na década de 1990 por orientações políticas distintas, é possível identificar atitudes comuns às três esferas de governo, que perpassam as nuanças partidárias. Parece ser consenso entre os gestores públicos que o Centro da cidade é também, por vocação, o centro administrativo. Também parece consensual a iniciativa de reforçar o seu caráter de centro simbólico, por meio de investimentos em qualificação da paisagem e dos espaços públicos, zeladoria urbana e implantação de equipamentos culturais. A tentativa de alavancar a participação de empreendimentos e capital privado é também uma constante desde a década de O ponto básico que diferencia as ações de alguns governos é o da Habitação de Interesse Social. Para os governos sem tradição de interlocução com movimentos populares organizados a temática não se transforma em política pública. A orientação, mesmo que implícita, parece ser a de que os pobres têm outro lugar em seu projeto de cidade, longe do glamour, do centro simbólico, administrativo e de decisão. Para governos mais comprometidos com os segmentos populares, como as duas gestões petistas e o governo Lula, a temática é bem mais presente. Cabe dizer que a idéia de habitação social nas áreas centrais é mais presente no discurso do que nas ações desses governos. Tampouco desaparecem as formulações baseadas nos empreendimentos âncora e na gentrificação. Ocorre que em alguns governos específicos há a negociação e a composição de interesses, em outros, nem isso. Os conflitos ficam evidentes nas falas de Marco Antônio Ramos de Almeida, presidente da Diretoria Executiva da Associação Viva o Centro, e de Paulo Teixeira, vereador de São Paulo e ex-secretário municipal de Habitação: A ampliação do uso residencial do Centro é um imperativo da estratégia de requalificação de áreas centrais, não podendo ser considerada uma ação de política habitacional. À parte as limitações de ordem técnica e econômica do retrofit e conversão para o uso residencial de imóveis comerciais ociosos e as decorrentes da sua localização em áreas fortemente ocupadas por atividades de comércio e serviços, há que considerar que, no caso de São Paulo, essa ocupação em nenhuma hipótese alcançará a escala que a torne relevante como política de moradia. Também as limitações da oferta de imóveis para reciclar e de terrenos para construir jamais permitirão uma produção em massa de residências no centro paulistano. Um programa bem sucedido de uso residencial do centro será importante por seu significado simbólico, não como atendimento à esmagadora demanda por moradia na cidade. (Almeida, 2002) Desenvolver uma política habitacional no Centro de São Paulo é uma oportunidade de combinar a produção de moradias com a preservação do patrimônio e da identidade cultural e social da região, que tem como características a convivência de pessoas de diferentes faixas de renda e a mistura do uso residencial com atividades comerciais e de serviços. Por essa razão, ao se articular a política habitacional com o conjunto de intervenções, públicas e privadas, voltadas à reabilitação da região

15 15 central e ao seu repovoamento, uma das principais preocupações é garantir que as pessoas que hoje moram e trabalham no Centro possam ser beneficiadas pelo processo, mediante programas que garantam sua permanência. 14 Caracterização e papel de diferentes atores da sociedade civil Os atores da sociedade civil envolvidos nos diversos conflitos, e que disputam a região central, são inúmeros. No entanto, identificam-se diferenças importantes na forma e no grau de organização e articulação, nos interesses que defendem, nos princípios, nas práticas e no público representado. Não é possível esgotar aqui a análise dos atores sociais e econômicos da região central, mas apenas situar muito brevemente elementos de suas origens, composições, tendências, de seus valores e comportamentos, tendo como pano de fundo a conjuntura atual das ações do poder público. Vamos nos ater àqueles atores que possuem interesses claramente identificáveis, com distintas visões e que disputam projetos para o Centro. Obviamente que, no tecido social, econômico e cultural complexo que compõe o Centro da cidade identifica-se um espectro bastante amplo com centenas de atores e interesses. Os diferentes atores que analisamos têm, historicamente, defendido interesses próprios, de forma isolada ou articulados em grupos, redes ou coalizões. Esses atores sempre recorreram às suas articulações, redes e coalizões quando necessitavam jogar maior peso numa disputa específica (por meio, por exemplo, de sindicatos, federações, associações, articulações de movimentos etc.) Nesse sentido, um novo elemento surgiu a partir dos anos 1990, quando foram criadas articulações ou coalizões mais amplas, a partir de atores já em cena, especificamente para lutar, advogar e defender interesses e projetos para a região central de São Paulo. Em 1991 foi fundada a Associação Viva o Centro (AVC) com o propósito de articular diferentes atores com interesses na revitalização ou requalificação do Centro da cidade. Segundo informações da própria AVC, a entidade tem como objetivo: [...] o desenvolvimento da área central de São Paulo, em seus aspectos urbanísticos, culturais, funcionais, sociais e econômicos, de forma a transformá-la num grande, forte e eficiente Centro Metropolitano, que contribua eficazmente para o equilíbrio econômico e social da metrópole, para o pleno acesso à cidadania e o bem-estar por toda a população. A AVC reuniu inicialmente o setor empresarial dos bancos, comércio e serviços localizados na região. Constitui-se assim, uma coalizão ampla de diferentes atores que advogam pela revitalização do Centro. Segundo sua Diretoria Executiva é uma entidade dedicada única e exclusivamente ao processo de recuperação do centro (Almeida, 2005). 14 Paulo Teixeira na introdução do Programa Morar no Centro, março de 2004.

16 16 A AVC defende publicamente (por meio da Revista Urbs que edita, do seu site na Internet, de boletins, seminários, conselhos em que participa e outros espaços da esfera pública instituída) interesses que aparecem como bandeiras históricas, tais como: melhoria do serviço de limpeza pública (intensificação da zeladoria urbana), iluminação pública de melhor qualidade, maior acessibilidade dos automóveis à região central (especialmente uso seletivo de automóveis nos calçadões do centro histórico para executivos de empresas e bancos), retirada e destinação de outros espaços da cidade para os vendedores ambulantes da economia informal (denominam de disciplinamento do uso do espaço público) e incentivo aos investimentos públicos e privados em grandes equipamentos de uso cultural. Recentemente, a AVC defendeu a requalificação do Pólo Luz Santa Ifigênia (região popularmente conhecida por Cracolândia, onde a prefeitura realizou, no primeiro semestre de 2005, ações muito controversas de limpeza física segundo muitos atores, limpeza social sendo acusada por entidades diversas de violação dos direitos humanos dos que freqüentam, vivem e trabalham na região, expulsando e agredindo a população excluída, com uso de força policial, sem oferecer alternativas concretas de inclusão social por meio de políticas públicas). A Associação propõe também uma readequação do sistema viário no Vale do Anhangabaú (com maior liberdade para circulação de veículos, a exemplo do defendido para alguns calçadões do centro histórico); construção de garagens subterrâneas (que estimulariam e facilitariam o uso do transporte individual no Centro); implantação de um sistema territorializado de zeladoria urbana, segurança e fiscalização, entre outros. Os atores que integram a AVC representam empresas, bancos, federações, sindicatos patronais, associações comerciais e empresariais. A AVC possui ainda um Programa de Ações Locais que, segundo a própria Associação, possui milhares de representantes de empresas e organizações, além de moradores do Centro. Levantamento realizado em julho de 2005 no seu site na Internet, revela que a AVC possui 124 associados, entre os quais, instituições de caráter e área de atuação financeira: sete bancos nacionais privados; estatais e multinacionais; três associações de bancos; a Bolsa de Valores de São Paulo e a Bolsa de Mercadorias & Futuros nada menos que o coração do mercado financeiro e de investimentos do Brasil. Entre outros associados, ligados ao setor patronal e empresarial podemos citar instituições de peso considerável na economia da cidade, do estado e do nosso país, tais como: Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban), Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Federação de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Estado de São Paulo, Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio), Federação Interestadual das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi). Participam também a Associação Nacional das Corretoras de Valores, Câmbio e Mercadorias (Ancor) e a Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi). Chama a atenção o número de órgãos do governo do estado de São Paulo associados à AVC: Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo; Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo (Emplasa), Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU), Escola Estadual de São Paulo, Polícia Civil do Estado de São Paulo (Delegacia de Turismo Deatur); Polícia Militar do Estado de São Paulo (7 o BPM-M); Secretaria de Estado da Educação;

17 17 Secretaria de Estado da Justiça e Defesa da Cidadania; Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos; Tribunal de Justiça de São Paulo. Como contraponto à AVC há outro conjunto de atores que se caracterizam mais claramente pela identificação com causas populares. Defendem a democratização e popularização do Centro; o acesso aos equipamentos públicos e sociais; a inclusão socioeconômica e espacial na região central; a não-expulsão e nãogentrificação; o acesso à moradia, emprego, infra-estrutura e serviços públicos de boa qualidade. Enfim, defendem a reforma urbana da região central. Assim, no final dos anos 1990, por iniciativa de entidades e pessoas ligadas a universidades, movimentos populares de moradia, organizações não-governamentais (de habitação, direitos humanos, segurança alimentar etc.), sindicatos, grupos de teatro, professores, estudantes e lideranças populares, entre outros, foi criado o Fórum Centro Vivo (FCV), espaço de articulação e diálogo desses atores. O FCV também possui bandeiras históricas importantes que passam pela inclusão social, econômica e cultural da população de baixa renda; democratização de todos os espaços da região; promoção da cidadania de grupos tradicionalmente excluídos; valorização do espaço público aberto e de livre acesso a todos; produção de habitação de interesse social adequada aos grupos mais pobres dos movimentos de moradia, de modo a evitar a expulsão para as periferias longínquas da metrópole (gentrificação). Essas bandeiras são defendidas, por meio das entidades e dos movimentos, em seminários, espaços públicos, conselhos de representação, manifestações, atos públicos populares, debates, publicações, jornais, pesquisas acadêmicas e apresentações dos grupos de teatros nas praças e espaços públicos do Centro. Entre os participantes do FCV encontram-se organizações não-governamentais, como o Instituto Pólis, o Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, o Centro de Trabalhos para o Ambiente Habitado (Usina), a União de Mulheres de São Paulo, a Ação da Cidadania, o Instituto Brasileiro de Administração Pública (Ibap); diversos movimentos sociais de luta por moradia (ULC; Movimento de Moradia do Centro MMC, Fórum dos Cortiços, MSTC, Movimento de Moradia da Região Central MMRC, Comunas Urbana, Marcha Mundial de Mulheres, Frente de Lutas por Moradia FLM; União dos Movimentos de Moradia-SP UMM, entre outros), Movimentos dos Ambulantes de São Paulo, Central dos Movimentos Populares (CMP), Fórum da População em Situação de Rua, Grupos de Teatro de Rua (como Tablado de Arruar e Teatro de Narradores), universidades e laboratórios de universidades como Universidade Mackenzie, e o Laboratório de Habitação e Assentamentos Humanos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (LabHab da FAUUSP), Grêmio dos Estudantes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (GFAU) da USP, Escritório Piloto do Grêmio Politécnico (EP) da USP; sindicatos como Sindicato dos Ambulantes de São Paulo e Sindicato da Economia Informal da Central Única de Trabalhadores (CUT), constituindo-se cerca de 41 diferentes entidades entre organizações não-governamentais, movimentos, sindicatos, laboratórios, centros acadêmicos e universidades Para conhecer a lista completa das entidades participantes do Fórum Centro Vivo, ver o Anexo I.

18 18 É importante frisar que, certamente, além desses, existem outros atores que possuem e defendem interesses para o centro da cidade (de proprietários e investidores a militantes populares). Entretanto, identificamos essas duas articulações de importância central e que foram instituídas com o claro propósito de propor transformações, disputar e influir nas políticas públicas e nos investimentos da região: a Associação Viva o Centro e o Fórum Centro Vivo. Em uma análise mais qualitativa desses atores, podem-se notar diferenças muito importantes, muitas vezes antagônicas e contrárias. Se essas diferenças são visíveis nos textos e documentos produzidos, elas ganham cores mais forte nos discursos e nas práticas e formas de atuação, de advocacia e articulação. Para contextualizar e exemplificar, o Centro de São Paulo passa, em 2005, por um intenso processo dirigido de elitização, glamorização e limpeza patrocinado pelos poderes públicos municipal, com apoio do poder público estadual e de decisões importantes do poder judiciário. Tanto o discurso como as ações oficiais têm objetivos de limpeza física, acompanhado de limpeza social, da população mais vulnerável. Assistimos atualmente ao gradeamento (fechamento) de parte de praças públicas (Praça da República e Praça da Sé), bem como ação bastante repressiva das Polícias Militar e Civil e da Guarda Civil Metropolitana junto aos vendedores ambulantes e trabalhadores da economia informal. Entidades dos Direitos Humanos e a imprensa mostraram e denunciaram recentemente que as crianças e adolescentes de rua foram, em diversas situações, retiradas das ruas com uso de força policial (o que é proibido pela lei federal do Estatuto da Criança e do Adolescente ECA). O poder judiciário, em poucos meses, decretou diversos mandados de reintegração de posse e despejo dos moradores dos cortiços onde moram os mais pobres e ocupações dos movimentos organizados de moradia. A prefeitura, por meio da Secretaria da Habitação, interrompeu diversos programas habitacionais importantes que estavam em andamento no ano de 2004, como Bolsa-Aluguel e o Programa de Locação Social, voltados ao atendimento das famílias com renda inferior a três salários mínimos. O Programa Perímetros de Reabilitação Integrada do Habitat (PRIHs) também foi interrompido, o que é preocupante pela intervenção estratégica em territórios com alta densidade de população excluída, degradados e com potencial para reabilitação em áreas de Zeis. O Programa Ação Centro, que conta com financiamento de aproximadamente US$100 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), possui o Conselho Ação Centro, paritário (no qual o FCV e a AVC têm assento), que deveria realizar reuniões bimensais, mas que, neste ano de 2005, ainda não convocou nenhuma. Diversas ações do governo atual mostram tendência à terceirização e à privatização, interrupção do processo de descentralização administrativa nas áreas da saúde e educação, bem como interrupção, fechamento ou pouca atenção e valorização das instâncias e mecanismos de participação e controle social instituídos e vigentes (conselhos, comissões e comitês municipais). Nota-se que a AVC não se posicionou diante das graves e visíveis violações que acontecem no Centro, apesar de citar no seu sítio na Internet a preocupação com a cidadania, a democracia, com o desenvolvimento econômico e social e com o atendimento da população em situação de rua. Ao contrário, mostra-se satisfeita, desde que no conjunto das ações suas prioridades e sua pauta sejam incluídas.

19 19 Mas a satisfação não é plena o Centro, apesar de tudo, ainda contém certo grau de popularização, como a presença dos vendedores ambulantes nas praças e calçadas. Por essa conjuntura, os integrantes do FCV têm se reunido e discutido formas efetivas e articuladas de resistência, organização e denúncia local, regional e internacional das violações dos direitos humanos patrocinadas pelo estado, pela prefeitura e pelos proprietários. Isso acontece especialmente nas reintegrações de posses e despejos forçados de ocupações dos movimentos de moradia (ocupados por milhares de sem-teto pobres, cuja maioria é de mulheres, crianças e idosos), quando a polícia age com muita violência, promovendo agressões físicas e prisões. O quadro das articulações e da organização dos atores sociais e econômicos da região central nos permite concluir, ao menos por enquanto, que se a disputa e a luta pelo Centro sempre existiu na história da cidade, atualmente os atores estão mais organizados e pró-ativos, de ambos os lados. Entretanto, há um gigantesco desequilíbrio de poder econômico e político entre as partes fato que, aliás, também foi regra no passado. Estudos de caso: dois conflitos em torno da moradia na área central O PROJETO BID AÇÃO CENTRO Histórico Durante o processo de renegociação da dívida pública do município de São Paulo com o governo federal, que se iniciou no ano de 1997 e foi finalizado em 2000, São Paulo que de acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal não possuía capacidade de endividamento foi autorizado a levar adiante a excepcionalidade ao limite da dívida somente para dois aportes futuros: um para a integração do sistema de transportes públicos e outro, de US$ 100,4 milhões oriundos do BID, para investir em um processo de revitalização do Centro, projeto que já estava em negociação pelo então prefeito Celso Pitta. Uma coalizão de interesses em relação aos desígnios da área central já se vinha delineando desde os anos Isso pode ser identificado através das obras da gestão Luíza Erundina ( ), da constituição da Associação Viva o Centro (1991) e do próprio Programa e Comissão PROCENTRO, justificando a excepcionalidade para o financiamento deste projeto. Entretanto a gestão de Celso Pitta não priorizou a viabilização do empréstimo. (Silva, 2004, p. 31) A partir da eleição de Marta Suplicy (2001) foi estabelecido como prioridade do governo buscar os recursos provenientes do BID. A formulação de uma política específica para essa região da cidade abarcou três itens interligados, porém distintos: a) a constituição de um novo arranjo institucional de gestão e de promoção do desenvolvimento econômico da Área Central; b) a implantação do programa de reabilitação do centro, posteriormente denominado Ação Centro; e c) a reestruturação da legislação tributária e urbanística dessa região. (Silva, 2004, p. 29)

20 20 Dessa forma, o programa Ação Centro foi estruturado nos primeiros anos da gestão Marta Suplicy, negociado com o BID durante longo tempo e assinado somente em junho de Durante esse período ocorreram diversas mudanças administrativas para a realização do programa. A transferência do órgão gestor do programa (o Procentro) da Secretaria Municipal de Habitação (SeHab) para a Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), que depois resultou na substituição da Coordenadoria Procentro pelo Fórum de Desenvolvimento Social e Econômico do Centro de São Paulo, é um bom exemplo. Essas mudanças demonstram a prioridade com que foi tratado o assunto pela gestão municipal, e o esforço de viabilizar recursos para investimento em São Paulo, financeiramente sufocado pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Concepção do programa O projeto é, ao mesmo tempo, espelho e alvo de muitas disputas que ocorrem no Centro de São Paulo. O papel do poder público local fundamental para a viabilização do programa e para a definição, no decorrer do longo processo de negociação com o BID, de seus rumos - é intenso em disputas e revelador de grandes contradições. Em uma primeira proposta de intervenção no Centro a referência foi o documento Reconstruir o Centro, elaborado ainda na campanha eleitoral: [...] as ações propostas se espraiavam por uma área bastante vasta, coincidindo com a própria área da então Administração Regional da Sé [além da atual subprefeitura da Sé os distritos do Pari e Brás]. À medida que a negociação com a instituição financeira foi evoluindo e por orientação dela própria, houve uma focalização das ações de forma a obter efeitos de sinergia. As ações vastamente pulverizadas corriam o risco de não se potencializarem umas às outras e o programa diluir-se por uma área por demais vasta. (Silva, 2004, p. 28) Essa visão é questionável, uma vez que as ações pulverizadas podem trabalhar no intuito de diminuir as segregações intra-urbanas. Porém, as ações geram menos impacto nas áreas escolhidas e dão sentido à posição descrita abaixo: Através da visão dos gestores do banco, que sempre querem que haja recuperação dos custos ; [...] o indicador de sucesso é a valorização imobiliária; defendem sistemas não subsidiados; querem que o projeto se pague, caso contrário o banco não financia [...]. A imposição da racionalidade da recuperação de custos nos projetos começa na etapa preliminar de sua formulação e na escolha de indicadores que serão utilizados para avaliar a taxa de retorno de cada intervenção. Uma das gestoras descreve como a lógica financeira do banco é transportada para a dos projetos: Os cálculos são de economistas, baseados nos interesses dos bancos. Na realidade, não fazem uma análise sociológica das intervenções, mas uma análise bancária. [...] Sempre afirmamos que os indicadores de ganhos econômicos eram contrários aos indicadores sociais. Enquanto o banco quer reduzir a população pobre no centro,

21 21 porque não consome, é altamente subsidiada e está no limite da sobrevivência, nós queremos mantê-la. Para o banco, isso é irracional, não aumenta a arrecadação. (Arantes, 2004, p. 156) A partir da pesquisa de Arantes, outra característica da concepção do projeto fica evidente, principalmente quando entrevista uma gestora do programa: [...] o banco conversa e tem reuniões com os empresários sem que estejamos presentes. Quando indagamos se o banco recuaria caso uma importante associação empresarial estivesse insatisfeita com o programa, respondeu que sim, com certeza. Nas nossas reuniões [com a sociedade civil] essa associação é apenas mais uma interlocutora, mas para o banco ela é a principal referência. Os empresários, diz, apoiaram a proposta do BID de concentrar intervenções no centro histórico-financeiro e influenciaram diretamente na decisão sobre alguns investimentos, especialmente os de zeladoria urbana. (Arantes, 2004, p. 155) Por fim, temos a definição do conjunto de ações na qual o cenário de repovoamento do centro com construção de habitações populares, que poderia ser claramente identificado com a gestão da prefeita Marta Suplicy, foi recusado pelo banco. A taxa de retorno era de apenas 4% ao ano, três vezes menor que o custo mínimo do capital. O cenário selecionado (e altamente recomendado pelo BID) era o de melhor custo-eficiência, [com] projetos de recuperação urbana abrangendo iluminação, segurança e zeladoria urbana (os mais reivindicados pelos empresários) [que] tiveram a maior taxa de retorno, estimada em 35,5% ao ano (Procentro apud Arantes,2004, p. 68). O poder público, seguindo a cartilha de financiamento do BID, assume um papel secundário dentro desse processo de recuperação do Centro e coordena os seus investimentos dentro da lógica da iniciativa privada, pela qual o principal indicador é o da valorização imobiliária, que pode gerar os maiores retornos através de maior arrecadação de impostos. Ou, nas palavras da economista Silvia Schor, responsável pela construção da metodologia dos indicadores pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da USP: Se você olhar o propósito do projeto, a definição é muito clara: o poder público está se propondo a transformar um conjunto de condições da área central pra que os agentes privados respondam a essas novas condições. E essa é a resultante, quer dizer, a criação das condições e a resposta dos agentes privados, na verdade constituem o processo, a matéria-prima desse processo de desenvolvimento econômico e social Silvia Schor no Café com Centro debate com o Fórum Centro Vivo em julho de 2004.

22 22 Desenhos de Gestão De acordo com exigência contratual do BID, era necessária a existência de um conselho com participação da sociedade civil para monitoramento dos investimentos a serem executados através do empréstimo. Nesse sentido, a Emurb, por meio de reestruturação institucional, criou a Agência de Desenvolvimento do Centro, o Fórum de Desenvolvimento Social e Econômico do Centro de São Paulo e a Coordenação Executiva Ação Centro. A missão da primeira é a de constituir-se num agente facilitador e de fomento tanto das atividades econômicas já existentes no Centro quanto de novas atividades que venham dinamizar a economia local, o segundo tem mais um caráter representativo e deliberativo e o terceiro possui um perfil mais operativo (Silva, 2004, p. 31). O Fórum de Desenvolvimento Social e Econômico do Centro de São Paulo é composto pelos órgãos públicos e entidades da sociedade civil já representados na Comissão Procentro; pelos membros da Comissão Executiva da Operação Urbana Centro; pelos membros do Conselho do Programa de Incentivos Seletivos; e por todos os conselheiros que compõem o Conselho do Orçamento Participativo da Subprefeitura Sé, do Conselho Municipal da Habitação e do Conselho Municipal de Política Urbana. Através do fórum foram realizadas duas séries de reuniões temáticas, mas as deliberações e as definições nunca ocorreram através dele. Já a Coordenação Executiva só se reuniu entre junho e dezembro de 2004 em reuniões quinzenais, sempre com uma composição provisória que não conseguiu encaminhar e efetivar a eleição, ou mesmo os critérios, de uma Coordenação efetiva. Boa parte do trabalho da comissão era de deliberações sobre programas de incentivo para a região central, o que por vezes desfocava o objetivo maior da Coordenação que seria o acompanhamento operativo do programa. Uma questão discutida no Fórum Centro Vivo é a criação pela Emurb de outro conselho para o monitoramento e acompanhamento do programa Ação Centro em vez de reforçar a estrutura participativa já existente na gestão municipal (Conselho Municipal de Habitação, Conselho Municipal de Política Urbana etc.). Um dos argumentos utilizados foi que o recorte territorial do programa (apenas distritos Sé e República) era único. Porém, a interpretação foi a de que a Emurb (e a Associação Viva o Centro) queria maior controle sobre os recursos, saída possibilitada pela indicação de uma coordenação provisória. Projetos O programa estava estruturado em cinco eixos: 1. Reversão da desvalorização imobiliária e recuperação da função residencial; 2. Transformação do perfil econômico e social; 3. Recuperação do ambiente urbano; 4. Transporte e circulação; 5. Fortalecimento institucional do município. Segundo Arantes (2004, p. 150), entretanto, o embate entre técnicos da prefeitura de São Paulo e do banco teve como principal ponto de discórdia a questão habitacional e, especificamente, o programa de locação social destinado à população de baixa renda (com menos de 3 salários mínimos). A prefeitura pretendia criar um importante estoque público de habitações na área central, para atender as famílias excluídas de outros programas (inclusive do PAC-BID) por insuficiência de renda. O banco teria se oposto do início ao fim, afirmando que não aceitaria um grande volume de subsídios e que as experiências de parques estatais

23 23 de habitações fracassaram mundialmente. O BID apoiava, por sua vez, que os recursos fossem utilizados para atrair a classe média a morar no centro propuseram pagar 10 mil reais de subsídio direto a quem eles chamavam os pioneiros. [...] Helena Mena Barreto afirma, contudo, que a locação social só foi aprovada pelo BID com a condição de constar no contrato como um projeto experimental, com um limite máximo de 1,6 mil unidades habitacionais. Foi acertado com o BID, segundo ela, atender os moradores da região, sem atrair novos habitantes: Eles estão supondo que a população de baixa renda não vai aumentar. Isso reduz, se não posterga, a ambição inicial da administração petista, manifesta em seu programa de governo, de repovoar a área central. O acordo de ambas as partes teve expressão numérica: o contrato indica que os gastos em habitação (empréstimo mais contrapartida) serão de apenas 16% do total de investimentos diretos. Observando-se o plano de investimentos do projeto, percebe-se que somando os três programas claramente de vertente sociais (1.1.3 Morar no Centro; Regularização do comércio informal; e, Atenção a grupos vulneráveis) temos o montante de apenas 25,26% de todo o investimento. Vale ressaltar que assim como tais programas de vertente sociais serão palco de disputas para que se efetivem como propostas de transformação da realidade paulistana, não podemos negar que o restante das obras também possuem vertente social, pois buscam a melhoria do espaço público e de gestão. Porém, a grande questão é: o projeto buscará a valorização fundiária ou o uso social do parque edificado? RUA DO OUVIDOR, 63 Histórico O prédio da Rua do Ouvidor, 63 foi construído por particulares na década de 1940, e em 24 de janeiro de 1950 foi desapropriado pelo governo do estado de São Paulo. Desde então foi ocupado por diversos órgãos estaduais, sendo a Secretaria de Estado de Cultura a última a fazê-lo. Na década de 1990 o estado optou por desocupar o prédio, que permaneceu fechado e sem uso até Em dezembro deste ano, o prédio foi ocupado pelo Movimento de Moradia do Centro para pressionar o governo na implementação de uma política habitacional no Centro da cidade. O governo do estado, através da Procuradoria Geral do Estado, entrou com pedido-liminar de reintegração de posse no mesmo mês, alegando que o edifício não oferecia segurança para seus ocupantes e a ele faltava infra-estrutura mínima (água e luz). Essa liminar foi concedida no próprio mês de dezembro de 1997, mas nunca foi cumprida. Em 1999 foi realizado, no prédio da Rua do Ouvidor, um laboratório de projeto integrado e participativo para requalificação de cortiço, 18 promovido pelo Escritório Piloto da Escola Politécnica da USP e a Escola Politécnica de Torino. 17 A exceção de um zelador e sua família que durante todo esse período moraram no prédio. 18 Essa experiência foi publicada em 2002 pela FAUUSP e hoje encontra-se em segunda edição pela editora AnnaBlume (ver Santos et al., 2002).

24 24 Nesse laboratório, que contou com a participação de mais de 130 pessoas entre estudantes, professores universitários, pesquisadores e moradores, foi elaborada uma proposta física para a reconversão do edifício em moradia popular demonstrando a viabilidade técnica e financeira da proposta. 19 A partir de 2003, a Assessoria Técnica Integra e alguns participantes do Laboratório começaram a acompanhar o aprofundamento da proposta técnica e as negociações para a viabilização do projeto, que, à época, havia alcançado certa repercussão. Na gestão Marta Suplicy o projeto não conseguiu ser viabilizado por programas municipais. As negociações com Secretaria de Estado de Cultura para a venda do imóvel não progrediram e os encaminhamentos com a Caixa Econômica Federal, para viabilizar o projeto do Programa de Arrendamento Residencial, não foram priorizados para o edifício. Único, porém importante, ganho institucional nesse período é a demarcação do prédio da Rua do Ouvidor como Zona de Interesse Social no Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo de Em 2005, quando José Serra (PSDB) assume a gestão da cidade de São Paulo, todas as ocupações dos movimentos de moradia organizados do Centro de São Paulo ficam ameaçadas por liminares de reintegração de posse. 20 Os procedimentos para as suas efetivações são rapidamente encaminhados, em ação casada, a um projeto de limpeza social no Centro da cidade ao arrepio do Plano Diretor Municipal que determina que a maioria dessas áreas sujeitas à reintegração se destinem à habitação de interesse social. Conflito O conflito principal envolve os movimentos organizados de luta por moradia e o poder público, que não assume o projeto anterior de fixar a população de baixa renda nas áreas centrais. A postura atual da prefeitura é a de enfrentamento com os movimentos e de utilização de canais jurídicos para desalojar ocupações já existentes, além da paralisação de novos projetos e da regulamentação que poderia garantir a oferta de novas unidades habitacionais para a baixa renda. Em um movimento que parece articulado, o governo do estado promoveu ações de despejo de seus imóveis e, em paralelo, a Justiça emitiu um mandado de prisão para uma das principais lideranças de moradia da área central, dias antes da notificação de reintegração de posse. Explicita-se nesse momento um embate entre a função social da propriedade, o direito à moradia e à cidade e o projeto de valorização do Centro, o patrimonialismo, e a responsabilidade do estado em garantir a segurança das pessoas que ocupam um imóvel de sua propriedade (razão alegada na liminar de reintegração de posse). 19 Ressalvamos aqui todas as precariedades dos programas governamentais para áreas centrais de grandes cidades já mencionadas na primeira parte deste trabalho. 20 Via de regra, esses processos são despertados pelo Ministério Público que aciona o estado, com imposição de multa caso não atenda à sua responsabilidade de zelar por seu patrimônio. O que leva o estado a retomar processos de reintegração já existentes.

25 25 A questão dos direitos é bastante relevante, pois toda a construção que fundamenta o zoneamento de interesse social e a função social da propriedade relaciona-se ao conceito do direito à cidade, luta do campo democrático, que envolve a resistência aos despejos forçados e a democratização da regulação urbanística. O Brasil vem, inclusive, protagonizando internacionalmente, a partir de atores dos movimentos de moradia nas áreas centrais, a carta mundial pelo direito à cidade e a Relatoria Nacional pelo Direito à Moradia da ONU, que dedicou algumas de suas atividades às visitas e interlocuções com os movimentos de moradia nas áreas centrais em O processo de negociação Com o processo de reintegração de posse em andamento a partir de abril de 2005 foi acionada uma ampla rede, chamada de Grupo de Emergência, de atores sociais que atuam pela reforma urbana e pelo direito à moradia para garantir os direitos das 90 famílias moradoras do edifício da Rua do Ouvidor, um dos grandes símbolos da luta por moradia popular no Centro de São Paulo. Esses atores pertencem aos Movimentos Sociais (MMC, UMM e CMP), às Assessorias (Casa Assessoria Técnica e Integra Cooperativa), às ONGs (Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, Instituto Pólis, Cohre Américas). Além deles, há parlamentares (vereadores Paulo Teixeira e Soninha PT, deputados estaduais Mário Reali, Maria Lúcia Prandi e Ítalo Cardoso PT, e o senador Eduardo Suplicy PT) e outras organizações. O intuito dessa articulação é o de buscar canais de negociação com as três esferas de governo, com o ministério público estadual e o judiciário. Nesse processo, que durou menos de um mês (de 15 de abril a 13 de maio de 2005), foram realizadas mais de 30 reuniões com os órgãos envolvidos em busca de uma solução para a situação, além do acompanhamento jurídico. A proposta inicial era de saída imediata das famílias que receberiam uma ajuda de custo de R$ 2.500,00 através do programa PAC-BID da CDHU. As famílias, após o recebimento dessa quantia, seriam consideradas atendidas em sua demanda habitacional. Por uma questão metodológica tentaremos descrever, mesmo que superficialmente, o papel e a postura de cada agente público envolvido nesse processo frente às demandas e pressões do Grupo de Emergência: Ministério Público Estadual: Começou o processo ao acionar o estado de São Paulo a retomar a posse do imóvel, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. Notase que na sentença não havia nenhuma obrigatoriedade do estado atender a demanda habitacional dessa população. Quando acessado no final do processo de negociação (vale ressaltar a dificuldade de acesso a esse agente, bem como a falta de informação sobre como o processo havia sido encaminhado internamente) mostrou-se irredutível da retomada do imóvel pelo estado devido sua total falta de segurança, porém sensível ao processo em curso flexibilizando a multa e permitindo margem maior para a negociação. Secretaria de Habitação do Município de São Paulo: Procurada na tentativa de garantir o direito à moradia das famílias com atendimento em programas habitacionais como o Bolsa- Aluguel e Locação Social. Nunca estabeleceu um diálogo sobre o caso, sempre alegando falta de verba e se eximindo da responsabilidade de poder público municipal. Ficou evidente, pela negativa do diálogo, a

26 26 falta de compromisso da gestão, em especial da SeHab, com os movimentos sociais organizados e com os projetos de repovoamento do centro até então em curso. Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU): Por ser órgão estadual, sempre teve protagonismo no conflito, até mesmo porque vários de seus técnicos já haviam, em momentos passados, discutido possibilidades habitacionais para os moradores da Rua do Ouvidor. No entanto, até a intervenção da Casa Civil do estado e o compromisso da Caixa Econômica Federal em intervir no prédio, a CDHU era irredutível no oferecimento da ajuda de custo, que, como sabemos, é totalmente insuficiente para resolver a questão habitacional. Após a intervenção da Casa Civil e da conversa triangulada entre Procuradoria Geral do Estado, Ministério Público Estadual e 2ª Vara Cível, que possibilitou um prazo maior para parte das famílias, acenou com a possibilidade de atendimento com carta de crédito para as famílias que possuíam renda suficiente. Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo (SEC): Primeira procurada para discutir a questão, pois é a proprietária do prédio. Deixou claro desde o princípio que a questão não estava ao seu alcance, bem como não caberia a ela a definição sobre o patrimônio do estado. Soma-se a essas não-posições o fato de o governador fazer uma reforma no secretariado, incluindo essa pasta, no meio do período de negociação. Casa Civil do Governo do Estado de São Paulo: Foi o órgão que centralizou o processo de reintegração a certa altura da negociação. O fato demonstra a importância simbólica e/ou estratégica da questão frente ao governo do estado e, principalmente, aos agentes da sociedade civil que atuaram diretamente e indiretamente na negociação propiciando grande repercussão, mesmo que hermética (a grande mídia nunca foi alcançada), ao caso. Teve papel decisivo ao assumir a decisão política de saída negociada e intervir no processo na Procuradoria Geral do Estado, no Ministério Público e na CDHU (mudando a possibilidade de atendimento). Só interveio no processo após atuação direta de parlamentares, em especial do Senador Suplicy, com o governador do estado Geraldo Alckmin e o secretário da Casa Civil Arnaldo Madeira. Ministério das Cidades: Procurado no início, assumiu uma postura de distanciamento em relação ao conflito. Isso indica certa ambigüidade do governo Lula em relação aos movimentos populares organizados. Por um lado, abre canais de participação e co-gestão de políticas, como as Conferências e o Conselho das Cidades, e por outro, evita conflitos com outras esferas de governo com o receio de não conseguir gerir a solução para o conflito. No entanto, teve papel importante no diálogo indireto com outros atores, como a Caixa Econômica Federal. Caixa Econômica Federal: Foi de extrema importância para o processo, pois participou ativamente com os outros órgãos envolvidos, mesmo que em diversos momentos evitasse assumir responsabilidades diretas de viabilização de projeto, através do Programa de Arrendamento Residencial, para o prédio da Rua do Ouvidor. Solicitou às assessorias técnicas para que atendessem diversas demandas burocráticas bancárias para um projeto de reforma. Entretanto, ao final de um longo processo (praticamente todo o período de negociação), assumiu a posição de viabilização do projeto de reforma, ficando pendente a aquisição do edifício (devido a um grande custo de reforma e aos altos valores dos edifícios centrais, não haveria recurso para pagar o prédio em valores de mercado passando ao estado a necessidade de co-responsabilidade no projeto de repovoamento do Centro).

27 27 Procuradoria Geral do Estado: Coordenou o processo de reintegração de posse. Órgão com baixa permeabilidade à população, alegou, desde o princípio, que era vítima de um processo do Ministério Público Estadual e que nada poderia fazer se não fosse revertida sua posição de vítima. Participou da negociação no final do processo. Judiciário 11ª Vara Cível da Capital: Expediu o mandado de reintegração de posse em caráter liminar. Vale ressaltar que em todas as esferas, em menor ou maior escala, existem contradições internas e movimentos políticos. Essa dinâmica impossibilita a generalização de um único caráter para cada um dos órgãos citados. Soma-se a isso a disputa político-partidária polarizada entre PT (governo federal) e PSDB (município e estado) e um constante jogo de empurra entre esses atores (muitas vezes, até entre prefeitura e estado). Solução negociada e situação atual: julho 2005 Em 13 de maio de 2005, foi finalmente decidido entre o Grupo de Emergência, Procuradoria do Estado, Ministério Público Estadual e a Casa Civil do Estado de São Paulo que o prédio seria de fato desocupado o mais breve possível, mas a reintegração seria suspensa. A desocupação poderia ser feita de forma gradual as famílias que têm para onde ir sairiam imediatamente, as pessoas com condições de acessar programas habitacionais teriam mais tempo para encaminhar os processos para a CDHU (Cartas de Crédito) e para a CEF (em projetos de PAR) e os moradores sem nenhuma possibilidade teriam mais tempo para buscarem alternativas e negociações e, no limite, aceitarem a ajuda de custo da CDHU. O aumento de prazo também proporcionou mais tempo para a negociação com a CEF da viabilização de um projeto de PAR no edifício da Rua do Ouvidor. Atualmente, a execução de moradia popular na Rua do Ouvidor esbarra no governo do estado, proprietário do prédio. Vale lembrar que o dinheiro do PAR poderia ser complementado por verbas da prefeitura do município, o que não tem sido feito nesta nova gestão, alegando-se o alto custo da terra nas áreas centrais de São Paulo. Isso tem inviabilizado a execução desse programa no Centro. Podemos concluir que o caso explicitou como os diversos órgãos governamentais têm tratado situações de conflito: com distanciamento e tentando atribuir a responsabilidade a outros órgãos governamentais. Além disso, demonstrou que quando a pressão política é efetiva, os entraves técnicos criados pelos distanciamentos pretendidos são rapidamente retirados, com a mesma facilidade com que são recolocados frente a novos interesses governamentais. O processo de negociação continua, assim como a luta dos atores populares para a democratização do Centro e para a efetivação da Reforma Urbana, principalmente na tentativa de consolidar o direito à moradia no centro da cidade, garantido pelo atual Plano Diretor da cidade de São Paulo. Conclusão Este texto teve por objetivo analisar os conflitos na região central da cidade de São Paulo, com foco na temática habitacional. Apontamos as atuações e os projetos dos governos federal, estadual e municipal, bem como o papel de distintas formas de organização da sociedade civil. Para aprofundar esta análise, escolhe-

28 28 mos dois estudos de caso: os conflitos em torno da ocupação do edifício da Rua do Ouvidor, 63 e em torno do Projeto do BID para o Centro de São Paulo. Como afirmamos durante o texto, o Centro com seus equipamentos públicos e infra-estrutura é um território em disputa. A forma como cada um concebe o uso e a apropriação dessa região revela muito de cada concepção de desenvolvimento. Por isso, ao realizarmos este percurso, procuramos perceber qual concepção de desenvolvimento cada um dos envolvidos tinha, identificando até que ponto essa concepção de desenvolvimento incorporava o direito à cidade e à cidadania, entendida como a participação dos habitantes das cidades na condução de seus destinos. O direito à cidade inclui ainda o direito à terra, aos meios de subsistência, à moradia, ao saneamento ambiental, à saúde, à educação, ao transporte público, à alimentação, ao trabalho, ao lazer e à informação. Inclui o respeito às minorias, à pluralidade étnica, sexual e cultural e ao usufruto de um espaço culturalmente rico e diversificado, sem distinções de gênero, etnia, raça, linguagem e crenças. 21 A tradução do direito à cidade para os conflitos em torno do Centro de São Paulo significa a defesa de que a região seja usufruída pelos setores de baixa renda (incluindo o direito de viver no Centro), revertendo o padrão histórico no qual as classes populares são deslocadas para as regiões mais longínquas e sem infra-estrutura das cidades. Comparando-se o governo Marta Suplicy ao Governo Serra é possível identificar dois projetos distintos para o Centro, ainda que não possamos chamar nenhum dos dois de inteiramente progressista ou popular. O primeiro procurou incorporar, de alguma forma, o direito à cidade, ao fazer uma mediação (ou acomodação dos conflitos), levando em conta distintos interesses presentes na sociedade. Na prática, a acomodação não significou um combate radical à desigualdade, como pudemos ver no caso do projeto BID, mas certamente foi uma concepção que considerou que há distintos interesses na sociedade e que é preciso dialogar com eles. Evidentemente que esse diálogo gera contradições, como no caso do BID, em que o preço da terra revela interesses irreconciliáveis que necessitariam de uma clara tomada de posição por parte da prefeitura. Já o governo Serra optou por dialogar preferencialmente com um tipo de interesse, ao ouvir os setores de classes média e alta e tomá-los como únicos representantes da sociedade civil. Esse projeto entende que o Centro deva ser ocupado pelos setores comerciais, administrativos, pela cultura como museificação, e para isso, é preciso fazer uma verdadeira limpeza social. O modelo vai ao encontro de setores privados que querem lucros imobiliários imediatos através da valorização da terra, expulsão da população de baixa renda para as áreas mais remotas da cidade, e a geração de empregos também de baixa renda, especificamente na construção civil. Esse é o processo que vivemos neste momento em São Paulo. Na prática, significa um conjunto violento de reintegrações de posse, verdadeiras batalhas, que se transformam em notícias nos grandes meios de comunicação. Só neste ano, destacam-se as reintegrações da Prestes Maia, Tenente Pena, Paula Souza e Plínio Ramos. 21 Veja o site do Fórum Nacional de Reforma Urbana (www.forumreformaurbana.org.br).

29 29 Estamos aqui frente a duas abordagens distintas de desenvolvimento: uma delas incorpora (ainda que em situação de desigualdade) os pobres nas estratégias de renovação urbana; a outra dá total primazia às forças econômicas de elite como motor da requalificação urbanística. Esperava-se que o governo federal, especialmente com a criação do Ministério das Cidades, atuasse nos conflitos das áreas centrais das cidades, expressando claramente um modelo de desenvolvimento que incluísse o direito à cidade, a partir de duas formas concretas: no caso de São Paulo, muitas propriedades que poderiam se transformar em moradia no Centro são do governo federal, como edifícios de propriedade do INSS. Exemplarmente, o governo federal poderia transformar esses edifícios em moradia popular; poderia também, em médio prazo, investir numa política para as regiões metropolitanas do país, o que incluiria uma política de ocupação dos centros urbanos. A Conferência das Cidades que acontece neste ano (2005) prevê que haverá a construção de uma política nacional de desenvolvimento urbano para as regiões metropolitanas. Infelizmente, depois da queda do ministro Olívio Dutra, o futuro dessa política ainda está incerto. Podemos dizer que a pouca incidência do governo federal nos conflitos do Centro são reflexo da falta de um modelo de desenvolvimento que incorpore o direito à cidade, não apenas no plano das intenções, mas com ações e principalmente recursos públicos. Essa quase omissão reforça, mesmo que não intencionalmente, o projeto de expulsão das classes populares do Centro e de limpeza social operado pelo atual governo municipal. Referências bibliográficas ALMEIDA, Marco Antônio Ramos de. Panorama. Urbs, São Paulo, n. 37, abr./maio Estratégia de requalificação ou política habitacional?. Urbs, São Paulo, ano VI, n. 26, maio/jun ARANTES, Pedro Fiori. O ajuste urbano: as políticas do Banco Mundial e do BID para as cidades latino-americanas Dissertação (Mestrado) Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), Universidade de São Paulo (USP), São Paulo. MOURAD, Laila Nazem. Democratização do acesso à terra em Diadema Dissertação (Mestrado) Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, PUC-Campinas, Campinas. NAKANO, Kazuo; CAMPOS NETO, Cândido Malta; ROLNIK, Raquel. Dinâmicas dos subespaços da área central de São Paulo. In: COMIN, Álvaro Augusto; SOMEKH, Nadia (Coords.). Caminhos para o centro: estratégias de desenvolvimento para a região central de São Paulo. São Paulo: Cebrap, URBS. Revalorizar São Paulo para os próximos 450 anos. Urbs, São Paulo, ano VIII, n. 33, jan./fev Poder público no centro. Urbs, São Paulo, ano VII, n. 32, out./nov Calçadão urgente. Urbs, São Paulo, ano VI, n. 27, jul./ ago b.

30 30. Bom prato na 25 de março. Urbs, ano VI, n. 26, maio/ jun a. SILVA, Luís Octávio da. Decadência e reabilitação do centro de São Paulo. In:. (Org.). Ação para o centro de São Paulo. São Paulo: Cebrap, (CD-ROM). SOMEKH, Nádia. A cidade vertical e o urbanismo modernizador. São Paulo: Edusp, 1997.

31 31 ANEXO 1. Entidades que compõem o Fórum Centro Vivo Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida São Paulo Associação Comunitária da Região Central Associação das Bancas de Jornal Brigada Nacional de Defesa Civil Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos participante da elaboração do Projeto (2003). Central dos Movimentos Populares (CMP) União dos Movimentos de Moradia de São Paulo (UMM-São Paulo) Comitê Pró-Conselho de Representantes Comunas Urbanas MMM Escola da Cidade Escritório Piloto do Grêmio Politécnico da Universidade de São Paulo. Fórum da População de Rua da Região Central SP Fórum dos Cortiços Grêmio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo Grêmio Politécnico da Universidade de São Paulo Grupo XIX de Teatro Instituto Brasileiro de Administração Pública Integra Cooperativa Laboratório de Habitação e Assentamentos Humanos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo LabHab Líder dos Ambulantes da 25 de Março Movimento de Luta por Moradia e Emprego MLME - Movimento de Moradia do Centro MMC Movimento de Moradia da Região Central MMRC Movimento Nacional de Luta por Moradia MNLM Movimento Ambientalista Movimento de Ambulantes de São Paulo Movimento dos Sem-Teto do Centro MSTC Olhar Periférico Olinda Prudência Instituto de Estudos, Formação e Assessoria em Políticas Sociais Pólis Sindicato dos Mototaxistas SindMoto Sindicato dos Trabalhadores da Economia Informal da Central Única dos Trabalhadores Sintein Tablado de Arruar Teatro de Narradores Teatro União Olho Vivo União dos Movimentos de Moradia de São Paulo UMM-SP União de Mulheres de São Paulo participante da elaboração do Projeto (2003). Universidade Mackenzie Usina Verso Cooperativa

32 32 ANEXO 2. Lista das entidades e grupos associados à Associação Viva o Centro 22 Administração e Representações Telles Agromont Administração de Bens e Participações Agropecuária Juruá Associação Brasileira das Empresas de Leasing - Abel Associação Brasileira de Bancos - ABBC Associação Brasileira de Bancos Internacionais - ABBI Associação Brasileira de Designers de Interiores Associação Brasileira de Empresas de Serviços Especiais de Engenharia Associação Brasileira de Gastronomia, Hospitalidade e Turismo - Abresi Associação Brasileira de Pedestres - Abraspe Associação Brasileira dos Fotógrafos Associação Cristã de Moços de São Paulo - ACM Associação das Empresas Distribuidoras de Valores - Adeval Associação de Comerciantes, Empresários e Liberais do Centro de São Paulo - Acelcesp Associação dos Advogados de São Paulo - AASP Associação dos Antigos Alunos do Ginásio do Estado - AAAGE Associação dos Bancos no Estado de São Paulo - Assobesp Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil - ADVB Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo Associação dos Lojistas da Florêncio de Abreu - Alfa Associação dos Oficiais de Justiça do Estado de São Paulo Associação Nacional das Corretoras de Valores, Câmbio e Mercadorias - Ancor Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento - Acrefi Associação Vida Positiva - Prevenção e Cidadania Banco ABN AMRO Real Banco do Brasil Banco do Estado de São Paulo - Banespa Banco Itaú Banco Itaú BBA Banco Nossa Caixa BankBoston Bolsa de Mercadorias & Futuros - BM&F Bolsa de Valores de São Paulo - Bovespa Caixa Econômica Federal Câmara Interbancária de Pagamentos - CIP Cartório Medeiros Casa da Bóia Casas Bahia Celso Figueiredo Filho Central de Outdoor Centro Acadêmico XI de Agosto Centro de Estudos das Sociedades de Advogados Cesa 22 Fonte: <www.vivaocentro.org.br>.

33 33 Centro Universitário Belas Artes Chocolates Kopenhagen Cia Brasileira de Alumínio - CBA Cia Central de Importação e Exportação - Concentral Cia do Metropolitano de São Paulo - Metrô Cia Paulista de Trens Metropolitanos - CPTM Círcolo Italiano - San Paolo Colégio de São Bento de São Paulo Condomínio Edifício Mercantil Finasa Congregação Israelita de São Paulo/Templo Beth-El Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo CVC Turismo Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo - Emplasa Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo - EMTU Escola Estadual de São Paulo Escritório Fralino Sica Estapar Estacionamentos Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo Federação Brasileira das Associações de Bancos - Febraban Federação das Indústrias do Estado de São Paulo - FiespP Federação de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Estado de São Paulo Federação do Comércio do Estado de São Paulo - Fecomércio Federação Interestadual das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento - FenacrefiI Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo - FESPSP Grupo Lund de Editoras Associadas Grupo TMS Hilton São Paulo Igreja do Beato Anchieta Inspetoria Salesiana de São Paulo Instituto dos Arquitetos do Brasil - IAB/SP Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo Instituto Martius-Staden Instituto Paulista de Ensino e Pesquisa Intarco Projetos e Consultoria International Police Association Ituana Agropecuária José Eduardo Loureiro José Rodolpho Perazzolo Just Traduções Klabin Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo Logos Engenharia Luigi Bertolli Machado, Meyer, Sendacz e Ópice - Advogados Mosteiro de São Bento de São Paulo Museu da Cidade de São Paulo

34 34 Museu Pe. Anchieta Nova Ação Brindes Ordem dos Advogados do Brasil - OAB/SP Papelaria Formosa Paróquia Nossa Senhora da Consolação Pellegrino e Associados Engenharia de Avaliações Pinheiro Neto - Advogados Pioneer Corretora de Câmbio Polícia Civil do Estado de São Paulo - Deatur Polícia Militar do Estado de São Paulo (7º BPM-M) PricewaterhouseCoopers Auditores Independentes Rotary Club de São Paulo - República São Paulo Convention & Visitors Bureau Savoy Imobiliária Construtora Secretaria de Estado da Educação Secretaria de Estado da Justiça e Defesa da Cidadania Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos Serasa Serviço Social do Comércio - Sesc Carmo Sindicato das Sociedades de Advogados dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de São Paulo Sindicato dos Empregados no Comércio de São Paulo Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo,Osasco e Região Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo - Apeoesp Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva - Sinaenco Amigos de Vila Buarque, Santa Cecília, Higienópolis e Pacaembu Sonia Marques Dobler - Advogados Superintendência do Trabalho Artesanal nas Comunidades de São Paulo - Sutaco Theatro Municipal de São Paulo Terraço Itália Restaurante Tozzini, Freire, Teixeira e Silva Advogados Tribunal de Justiça de São Paulo Trides Cia. Imobiliária Administradora Universidade Anhembi Morumbi

35 UM PROJETO APOIO

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