CICLO CREF4/SP DO CONHECIMENTO

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1 Publicação Oficial do Conselho Regional de Educação Física da 4ª Região - CREF4/SP Ano XII nº 29 ABRIL 2011 Rua Líbero Badaró, 377-3º andar Centro São Paulo/SP CICLO CREF4/SP DO CONHECIMENTO começa em maio superação histórias de profissionais saúde transtorno mental e atividade física oportunidade Olimpíadas 2016 graduação ex-atletas estão na universidade ética fechamento de 2010

2 processos Resultados Processos Éticos Disciplinares PED A Comissão de Ética Profissional CEP, após deferimento da Diretoria e homologação do Plenário do CREF4/SP, informa que: PED nº 0030/10 A. L. M. M. foi condenado à pena de advertência escrita sem pagamento de multa, por exercer a profissão com a Cédula de Identidade Profissional vencida, infringido o artigo 6º, inciso XXI e artigo 9º, inciso VI, do Código de Ética Profissional, tendo ocorrido o trânsito em julgado em 03/01/2011. PED nº 0032/10 R. L. S. foi condenado à pena de advertência escrita sem pagamento de multa, por exercer a profissão com a Cédula de Identidade Profissional vencida, infringido o artigo 6º, inciso XXI e artigo 9º, inciso VI, do Código de Ética Profissional, tendo ocorrido o trânsito em julgado em 03/01/2011. Processos Administrativos PA A Comissão Especial de Processos Administrativos CEPA, após análise dos autos e deferimento da Diretoria e homologação do Plenário do CREF4/SP, informa que: PA nº 0001/09 R. A. A. C. Acatou, por unanimidade, o parecer conclusivo da Relatora e opinou pela improcedência da denúncia, tendo em vista que todas as provas carreadas aos autos efetivam a possibilidade de regularidade dos dados e muito mais, evidenciam a condição que possui o ora acusado para o desenvolvimento de atividades pertinentes aos Profissionais de Educação Física. PA nº. 0003/09 P. D. C. Acatou, por unanimidade, o parecer conclusivo do Relator e opinou que seja anulado o registro profissional PED nº 0006/10 A. P. L. foi condenado à pena de advertência escrita sem pagamento de multa, pela conduta de conivência com o exercício ilegal da profissão, infringido o artigo 4º, inciso VII, artigo 6º, incisos III e XV, artigo 7º, incisos IV, VII e VIII e artigo 9º, inciso VI, do Código de Ética Profissional, tendo ocorrido o trânsito em julgado em 04/02/2011. PED nº 0072/09 D. A. F. O. foi condenado à pena de advertência escrita sem pagamento de multa, pela conduta de conivência com o exercício ilegal da profissão, infringido o artigo 6º, inciso XV, artigo 7º, incisos IV, V e VIII, artigo 9º, incisos VI e VIII, do Código de Ética Profissional, tendo ocorrido o trânsito em julgado em 31/01/2011. do Sr. P. D. C., noticiando as autoridades competentes acerca da prática do crime de falsificação de documentos, tendo em vista que o certificado de conclusão do curso de Educação Física (Licenciatura Plena) apresentado pelo Denunciado, quando do seu pedido de registro, considerando as informações prestadas pelo Instituto de Ensino Superior, é falso, o que desconfigura o atendimento dos requisitos exigidos pela Lei nº 9.696/98 para a concessão de registro como Profissional de Educação Física junto ao Sistema CONFEF/CREFs. Para Entender Melhor Não basta exercer a Profissão, também é preciso entender os princípios que a norteiam. O Profissional de Educação Física deve conhecer o conteúdo do Código de Ética Profissional e basear suas ações em boas normas de conduta que nele estão estabelecidas Art. 4º, do Capítulo II, dos Princípios O e Diretrizes, estabelece que o exercício profissional em Educação Física deve pautarse em princípios, entre eles, [inciso VII] a prestação, sempre, do melhor serviço, a um número cada vez maior de pessoas, com competência, responsabilidade e honestidade. O Art. 6º, do Capítulo III, trata das responsabilidades e dos deveres do Profissional de Educação Física. Dentre eles, temos que o mesmo deve [inciso III] assegurar a seus beneficiários um serviço profissional seguro, competente e atualizado, prestado com o máximo de seu conhecimento, habilidade e experiência; [inciso XV] cumprir e fazer cumprir os preceitos éticos e legais da Profissão e [inciso XXI] que o profissional deve manter-se em dia com as obrigações estabelecidas no Estatuto do CONFEF. O Art. 7º, do mesmo capítulo, fala que no desempenho das suas funções, é vedado ao Profissional de Educação Física, [inciso IV] exercer a Profissão quando impedido, ou facilitar, por qualquer meio, o seu exercício por pessoa não habilitada ou impedida; [inciso V] concorrer, no exercício da Profissão, para a realização de ato contrário à lei ou destinado a fraudá-la; [inciso VII] interromper a prestação de serviços sem justa causa e sem notificação prévia ao beneficiário e [inciso VIII] transferir, para pessoa não habilitada ou impedida, a responsabilidade por ele assumida pela prestação de serviços profissionais. Já o Art. 9º discorre sobre as normas de conduta que o Profissional de Educação Física deverá observar no relacionamento com os órgãos e entidades representativos da classe. No seu inciso VI diz que ele deve zelar pelo cumprimento do Código de Ética Profissional e no inciso VIII, que deve acatar as deliberações emanadas do Sistema CONFEF/CREFs. A íntegra do Código de Ética Profissional está disponível no portal do CREF4/SP 2 Conselho Regional de Educação Física da 4ª Região

3 palavra do presidente Profissionais, De acordo com o que está no Artigo 4º do Estatuto, o CREF4/SP tem por finalidade, entre outras coisas: promover os deveres e defender os direitos dos Profissionais de Educação Física e das Pessoas Jurídicas que nele estejam registrados; defender a sociedade, zelando pelos serviços profissionais oferecidos; fiscalizar o exercício profissional em sua área de abrangência, adotando providências indispensáveis à realização dos objetivos institucionais; estimular a exação no exercício profissional, zelando pelo prestígio e bom nome dos que o exercem; estimular, apoiar e promover o aperfeiçoamento, a especialização e a atualização de Profissionais de Educação Física registrados em sua área de abrangência; deliberar sobre o registro e fiscalização de Pessoas Jurídicas prestadoras de serviços nas áreas das atividades físicas, esportivas, recreativas e similares. Fazendo valer a sua finalidade, o CREF4/SP iniciará um projeto piloto com o Ciclo CREF4/SP do Conhecimento. Já definimos os três primeiros profissionais especializados nos temas escolhidos marketing esportivo, pilates e terceira idade para oferecer o que há de melhor para os registrados no CREF4/SP e solicitando apenas a colaboração de 2 kg de alimento não perecível para doação a uma entidade filantrópica. Aproveite! Lembrando sempre da importância para a saúde da população que nossa profissão tem, entrevistamos Profissionais que fazem trabalhos relevantes com pessoas que apresentam transtornos mentais. Buscamos também cases de Profissionais que superaram suas deficiências e continuam atuando na área com responsabilidade e ética. E, ainda, conversamos com alguns atletas e ex-atletas, hoje cursando uma universidade na área de Educação Física, reconhecem o valor do conhecimento como ponto forte para despertar a confiança da sociedade. Com a ética não pode existir vacilo. É através dela que poderemos conseguir grandes oportunidades dentro da profissão, como comentam Roberto Saad na apresentação dos trabalhos realizados em 2010 pela Comissão de Ética Profissional e nas informações que Ricardo Prado nos fornece sobre as oportunidades que a Olimpíada 2016 nos trará. Estamos trabalhando com afinco para melhor atendê-lo. Boa leitura. Flavio Delmanto Presidente expediente Revista CREF de São Paulo Publicação oficial do Conselho Regional de Educação Física da 4ª Região - CREF4/SP Diretoria Presidente... Flavio Delmanto 1º Vice-Presidente...Vlademir Fernandes 2º Vice-Presidente... Márcio Tadashi Ishizaki 1º Secretário...Roberto Jorge Saad 2º Secretário...Georgios Stylianos Hatzidakis 1º Tesoureiro... Marcelo Vasques Casati 2º Tesoureiro...Antonio Lourival Lourenço Conselheiros Andréa Ferreira Barros Vidal...CREF G/SP Antonio Carlos Pereira... CREF G/SP Antonio Lourival Lourenço... CREF G/SP Bruno Alessandro Alves Galati... CREF G/SP Edivaldo Góis Junior... CREF G/SP Elisabete Cati de Medeiros... CREF G/SP Flavio Delmanto... CREF G/SP Georgios Stylianos Hatzidakis... CREF G/SP Hudson Ventura Teixeira... CREF G/SP Humberto Aparecido Panzetti... CREF G/SP João Omar Gambini...CREF G/SP José Medalha... CREF G/SP Marcelo Vasques Casati... CREF G/SP Márcio Tadashi Ishizaki... CREF G/SP Margareth Anderáos...CREF G/SP Mário Augusto Charro... CREF G/SP Nelson Gil de Oliveira...CREF G/SP Nelson Leme da Silva Júnior... CREF G/SP Nestor Soares Publio...CREF G/SP Pedro Roberto Pereira de Souza... CREF G/SP Roberto Jorge Saad... CREF G/SP Solange Guerra Bueno...CREF G/SP Tadeu Corrêa... CREF G/SP Vlademir Fernandes...CREF G/SP Walter Giro Giordano...CREF G/SP William Urizzi de Lima... CREF G/SP Comissão Editorial Andrea Ferreira Barros Vidal, Flavio Delmanto, Márcio Tadashi Ishizaki, Pedro Roberto Pereira de Souza, Vlademir Fernandes e Walter Giro Giordano sumário PROCESSOS superação ATUAÇÃO OLIMPÍADAS GRADUAÇÃO novidade ÉTICA ATUALIZAÇÃO ACONTECE UNIDADE MÓVEL EM AÇÃO HOMENAGEM ATENÇÃO/ALERTA CREF RESPONDE registro pessoa física colação de grau benefícios FINANCEIRO Produção Editorial CSG Comunicação Jornalismo: Célia Gennari - MTB /SP CREF G/SP Diagramação: Eliana C. Fugihara Kroes Fotografia: César Viégas - MTB /SP Impressão Gráfica ESDEVA Periodicidade: Trimestral Tiragem: exemplares Distribuição: Gratuita errata Página 6, da Edição 28, matéria sob o título Educação Física mobiliza 11 municípios São José dos Campos A supervisora de Esportes e Recreação da Secretaria Municipal de Educação de Jacareí, Myriam Ramos Gonçalves (CREF G/SP) esteve presente no I Fórum Paulista de Sustentabilidade da Educação Física e do Esporte na Escola, que aconteceu em São José dos Campos. Segundo o conselheiro João Omar Gambini, por conta de um erro na transcrição da lista manual de inscrições para a digital, houve um equívoco de atribuição de cargo, função e resultado. O CREF4/SP pede desculpas pelo equívoco e espera contar com a presença da Sra. Myriam nos próximos eventos. A participação nos eventos do CREF4/SP dos Profissionais de Educação Física que atuam em secretarias municipais de educação, esportes e recreação é motivo de muita satisfação. CREF4/SP Atendimento: de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas Rua Líbero Badaró, 377 3º andar Centro São Paulo SP Telefax: revista CREF4/sp nº 29 ABRIL 2011 ano xii 3

4 superação SUPERAR É PRECISO Depois de um imprevisto na vida, conviver com as dificuldades e ainda sorrir, não é para qualquer um. Na Educação Física, temos algumas histórias de superação que valem a pena serem conhecidas. São Profissionais que, por um momento, pensaram em desistir, mas seguiram em frente, apesar das adversidades e, hoje, conseguem falar de seus problemas de forma suave e trabalhar com dedicação seguindo em frente Cleuton Nunes é formado em Educação Física. Iniciou seu curso na Unisantana (SP) em 1997 e terminou na FEFISO em Sorocaba (SP), no ano de Já era provisionado em artes marciais, Tae Kwon Do do qual é instrutor e foi atleta, quando resolveu fazer a faculdade para aprofundar mais os seus conhecimentos. Durante o curso, ele percebeu o quanto podia fazer na área encontrando um novo horizonte profissional. Apaixonouse pela ginástica aeróbica e viu que podia fazer ainda mais. No entanto, na melhor fase de sua carreira, com viagem certa para Nova Zelândia e muitas convenções marcadas pelo Brasil, aconteceu o acidente que modificou de forma brutal os seus planos: teve de autorizar a amputação das suas pernas, entrou em coma e, por 40 dias, lutou pela sua vida. Cleuton teve infecção generalizada, 100% de parada renal e fez 21 dias de hemodiálise. Acordou sem um norte e totalmente modificado, com apenas uma pergunta na sua cabeça: E agora, o que vou fazer da minha vida? Sem encontrar resposta, tentou o suicídio por duas vezes. E demorou, exatamente, 4 meses para aceitar sua nova configuração. Hoje, Cleuton Nunes vive para trazer benefícios a quem necessita. Na vida de Cleuton a Educação Física é solução. Se eu não tivesse em alta atividade teria falecido no local do acidente, disse. Ele costuma dizer que treinou sua outra vida inteira para aquele momento do acidente, que mudou seu destino. Divertido, Cleuton afirmou que não mudou nada, apenas está baixinho. Faço tudo que fazia antes, só não pulo, ainda. O esportista comentou que melhorou sua capacidade de coaching (instrução), pois mais de 70% dos movimentos do dia a dia são provenientes das pernas e como ele possui apenas uma parte delas, para suprir a deficiência, trabalha muito as sensações para que os alunos executem os movimentos propostos. Sua superação foi possível graças ao apoio fundamental de sua filha, família, amigos e, principalmente, por sua alegria de viver. Como sempre foi piadista, começou a brincar com sua própria situação, até para que ninguém se sentisse constrangido ao encontrá-lo. Antes do acidente, Cleuton possuía uma performance no Fitness e execução surpreendentes: saltava mais de dois metros, usava pesos superelevados, chutava muito alto no combat e dançava nas aulas de street e ritmos. Fotos: César Viégas Viva todos os momentos da sua vida intensamente, pois tudo passa. Da alegria a dor, tudo passa. Eu escolhi seguir em frente Cleuton Nunes 4 Conselho Regional de Educação Física da 4ª Região

5 superação Dificuldades Hoje, a maior barreira para Cleuton é a aquisição das próteses que são caras e não dão acessibilidade ao bolso de muitos que se encontram nas mesmas condições. Outra, é o preconceito, que muitas vezes ocorre pela falta de informação da sociedade. Ele acredita que a iniciativa deve partir do próprio deficiente. É preciso deixar de ser coitado para ser vencedor e o Profissional de Educação Física tem um papel primordial em tudo isto, pois é a partir de suas orientações que surgem o treinamento específico e motivante para a prática esportiva. Na minha nova vida vejo a atividade física como propulsor da inclusão na vida normal, desabafou. A rotina diária do Profissional Cleuton é fazer fisioterapia, treinar paracanoagem e trabalhar. Atualmente, além de personal trainner, ocupa um cargo mais administrativo na coordenação de treinamentos para professores. A sua relação com os alunos é como qualquer outra. Procura mostrar que não há diferença, a não ser a imposta por eles, profissional ou pessoalmente, acreditando que há limite. Ele costuma dizer que, no momento, vive uma vida sem pernas e, o tempo todo, uma vida sem limites. OPORTUNIDADES PARA TODOS Eliana Regina dos Santos, 35 anos, apresentou o TCC Estratégias de um professor cego, na aplicabilidade das suas aulas de Educação Física para o ensino superior, na conclusão do curso de Licenciatura em Educação Física pela Universidade de Guarulhos em O professor a quem ela se refere é Ivan de Oliveira Freitas, 38 anos, orientador do trabalho. O que eles têm em comum? Eliana tem apenas 10% de visão. A recém-formada não teve somente que se superar, teve de superar também todos os prognósticos contrários dos médicos, medos da família e preconceito da sociedade. Eliana tem a forma mais grave da retinose pigmentar, uma doença genética, que só ataca mulheres e acarreta a degeneração da retina. Como destrói os bastonetes e os cones, não possibilita a percepção do claro, do escuro e das cores. O diagnóstico veio quando ela tinha entre 3 e 4 anos e a indicação médica foi para ela ficar em casa, pois ficaria cega em breve. Casei com 17 anos e tenho 3 filhos. Podia cuidar da casa, das crianças, mas não podia trabalhar. De repente me vi com 32 anos e, ainda, com algum percentual de visão. Resolvi reagir, explicou. Na sua terceira tentativa, em 2007, ingressou na universidade, onde enfrentou dificuldades, pois não havia adaptação alguma para deficientes visuais. Para conseguir achar a minha sala, naqueles corredores escuros, tinha de contar o número de portas, contou. Somente com a entrada do Prof. Ivan, foram instalados piso tátil e corrimões. Entrei na universidade por causa do meu amor pela dança e para dar aula para deficientes, mas durante o curso mudei de foco, pois me apaixonei pela anatomia, explicou feliz e com planos. Quero terminar o Bacharelado e fazer pós-graduação em anatomia e poder estudar como o deficiente visual aprende. Na faculdade, contou com a colaboração de muitos, diretora, professores e todos da sua turma que também aprendiam e colaboravam com sua adaptação. Com o devido cuidado, pois não pode levar batida na cabeça, participou de todas as aulas práticas e não se intimidou com as provas orais. No dia da colação de grau provou para ela e para todos e, especialmente, mostrou para seus filhos, que um deficiente visual pode fazer tudo o que ele quer. Só não pode dirigir, brincou. Hoje, feliz e realizada, consegue ajudar as pessoas com a sua experiência. Eu tenho materiais adaptados, digito no computador, uso leitor de tela, lente, óculos [um ampliador que coloco para ver a tela do computador] e no dia a dia na minha casa não uso nada. Uso todos os artifícios que posso para viver bem, concluiu. Durante o curso superior, percebi que as pessoas desistem na primeira dificuldade que encontram. Está errado! O Profissional de Educação Física tem que se dedicar mais. Eu fui contra tudo que era normal e provei que, com um pouco de ajuda, tudo é possível Eliana Regina dos Santos revista CREF4/sp nº 29 ABRIL 2011 ano xii 5

6 superação O MELHOR EXEMPLO Ivan de Oliveira Freitas, 39 anos, nasceu com deficiência parcial. Tinha glaucoma e catarata e após três cirurgias acabou perdendo totalmente a visão, pois com apenas 7 anos de idade, teve também, descolamento de retina. Diante da situação foi estudar no Instituto de Cegos Padre Chico e depois na E.E. Caetano de Campos. Joga futebol desde os 12 anos, esporte que lhe rendeu vários títulos. Quando tinha entre 15 e 16 anos, seu técnico o convidou para conversar com alunos de uma escola. Ao se deparar com as dúvidas das crianças sobre os deficientes e a prática esportiva, decidiu fazer o curso de Educação Física. Parei para pensar até onde vai nossa capacidade, limitação e qual é nosso potencial, esclareceu. Então, iniciou sua busca por universidades e de algumas recebeu o retorno de que não tinham estrutura para tê-lo como aluno. A Universidade Camilo Castelo Branco, de Itaquera (SP) o recebeu e por lá ele ficou de 1995 a 1998, quando se formou. Desde 1997 ele atua na área. Hoje, Ivan tem duas pós-graduações Educação Especial e Psicopedagogia e está cursando a terceira em Gestão Pública, Esporte e Lazer. Um exemplo de superação! Além de lecionar na UNG Universidade de Guarulhos trabalha no Centro Recreativo Esportivo Especial Luiz Bonício, da Secretaria de Esporte de São Bernardo do Campo, conhecido como CREEBA Clube Recreativo e Esportivo do Bairro Assunção, além de ser presidente da APADV Associação dos Pais e Amigos dos Deficientes Visuais (SBC/SP). Ivan é o segundo cego no Brasil a fazer o curso de Educação Física. Um aluno de Curitiba, é o pioneiro a ultrapassar essa fronteira. Hoje, outros já se aventuraram pelo mesmo caminho como Eliana Regina dos Santos. Segundo Ivan, a inclusão social existe, apesar de muitas vezes forçada por legislações. Às vezes é preciso obrigar. Para ele, mais importante do as leis, é olhar o deficiente pelo potencial e não pela limitação, que é o que a sociedade sempre faz. O experiente Ivan explicou que para superar a situação de estar deficiente é preciso que o próprio deficiente supere seus preconceitos com ele mesmo, com a deficiência e com as perguntas que vão surgir no dia a dia. É preciso ter consciência de que e, seu contexto social vai ter facilidades e dificuldades. Mas quem de nós não tem dificuldades? Não é só o deficiente, lembra. Tudo vai depender do valor que se dá para essa dificuldade. Para ele, o trabalho da Eliana Regina tem de ser mostrado para falar para a sociedade que é possível principalmente na Educação Física uma área muito visual. A visão corresponde, aproximadamente, a 80% da capacidade perceptiva do indivíduo, mas há outros sentidos que também fazem parte do corpo e que devem ser explorados e utilizados com mais frequência. O Profissional de Educação Física, mais do que outro qualquer, tem a obrigação de atender bem a pessoa com deficiência, porque ele interfere diretamente na sua vida cotidiana e não pode, em hipótese alguma deixá-lo de fora das práticas, alertou o Professor Ivan. Procurem ver a capacidade, as possibilidades e o potencial da pessoa deficiente. Estudamos para descobrir talentos e explorar as potencialidades Ivan de Oliveira Freitas 6 Conselho Regional de Educação Física da 4ª Região

7 superação o normal é ter atitude Superação é a palavra-chave da Atitude Paradesportiva, uma organização não governamental, criada no final de 2009 por seis sócios fundadores. Entre eles, Profissionais de Educação Física experientes no trabalho com deficientes físicos, como Rita de Cássia Vieira dos Santos, diretora de esportes da entidade. A Atitude tem como principal foco incluir todas as pessoas com deficiência e, também trabalhar todas as modalidades do paradesporto, a fim de formar atletas paraolímpicos. Hoje, oferecem, gratuitamente, basquetebol, natação e atividade física, para todas as idades. Sendo que o único requisito para participar é ter alguma deficiência física. As atividades físicas acontecem todas as manhãs de sábado, na quadra do Colégio Global (SP), que apóia o projeto, com objetivo de promover horas de boa convivência, socialização, desenvolvimento motor, cognitivo e afetivo. Primeiro os tratamos como pessoas munidas de potencial para atingir seus objetivos, depois promovemos a oportunidade para que desenvolvam suas capacidades, informou Rita de Cássia. A limitação não está na deficiência, mas sim na ausência de autoestima e de oportunidade Rita de Cássia Vieira dos Santos Nas cadeiras de rodas, alunos e parentes, em pé, professores e fundadores Esporte como sinônimo de inclusão As pessoas que frequentam o projeto da Atitude Paradesportiva estão lidando com a deficiência de um jeito positivo. Aliás, para participar do projeto é preciso assumir que é deficiente, explicou Aline Mayumi Kimura, psicóloga da entidade. CREF de São Paulo - Como lidar com as perdas? Aline Kimura Com uma boa elaboração dos fatos. É preciso pensar nas possibilidades e ter consciência de suas limitações. Na Atitude tem aluno que nunca jogou basquete, mas que com a deficiência descobriu um supertalento, ou seja, a deficiência virou uma oportunidade. Sem elaborar o luto por ter adquirido a deficiência não se consegue chegar à aceitação. Com clareza as ações começam a ser baseadas no que se é capaz de fazer. Como lidar com a deficiência? As fases da vida são pertinentes a todos, com ou sem deficiência. A independência e a autonomia, mesmo que sejam adaptadas, são importantes. Autonomia também de pensamento. O trabalho conjunto com a família, que fica mais tempo com o deficiente, é essencial. Mas, a família ou o cuidador, não pode querer mandar no deficiente. O que a atividade física, psicologicamente, pode proporcionar? Quando se adquire uma deficiência a imagem que criamos de nós mesmos tem que ser adaptada. Para o cadeirante, por exemplo, tudo tem que ser refeito, inclusive o modo de olhar para as pessoas, pois a sua posição visual mudou. A atividade física ajuda na elaboração dessa autoimagem e também desperta para uma nova noção do corpo. A prática coletiva, como o basquete, trabalha o relacionamento com o grupo, com o time, ou seja, a sociabilidade e remonta a autoestima. Além disso, praticar atividade física trás a sensação de bem-estar, tira o deficiente do esquema só de tratamento, de falar em doença e o leva para o lazer e a descontração. Como seguir em frente após um acidente? É um momento de reflexão: o que consigo, gosto ou sou capaz de fazer, apesar do acidente. Pensar na possibilidade do esporte adaptado e investir em outra profissão, quando não houver outra solução. De qualquer forma, é possível superar, cada um no seu tempo. Ser deficiente não é ser triste Aline Mayumi Kimura Para conhecer mais, acesse: Atenção: Na próxima edição da Revista CREF4/SP outros cases de superação serão publicados, também com sugestões adequadas para os Profissionais de Educação Física trabalharem com a inclusão, uma realidade nos nossos tempos. revista CREF4/sp nº 29 ABRIL 2011 ano xii 7

8 atuação PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA AUXILIA NO Atualmente, a maioria das instituições trabalha com equipes multiprofissionais no atendimento aos seus internos e semi-internos. E, dentro dessas equipes, o Profissional de Educação Física vem ganhando espaço e se destacando pela vivência e estudo de caso, conseguindo excelentes resultados nas esferas biopsicossociais. Mesmo assim, a atividade física ainda não consta como obrigatória para o funcionamento de um hospital psiquiátrico. No entanto, crentes do seu poder no auxílio do equilíbrio mental dos pacientes, Maria Aparecida Gomes Chaves (CREF G/SP), em Franca, e Osvaldo Hakio Takeda (CREF G/SP), em Tanto no Hospital de Franca quanto no do IPq é possível encontrar todo tipo de transtorno mental e dependência química. As doenças mais comuns são Esquizofrenia, TAB Transtorno Afetivo Bipolar, Depressão, TOC Transtorno Obsessivo-Compulsivo, Transtornos de Personalidade e também Alcoolismo e Dependências de Múltiplas Drogas. No Hospital Dia-Adulto do IPq a predominância é de esquizofrênicos. São Paulo, desenvolvem trabalhos na área há aproximadamente 18 anos. No início, foi um trabalho experimental, sem conhecimento científico específico, mas hoje os profissionais podem ser considerados profundos conhecedores da ação da atividade física no tratamento das pessoas que vivem com transtornos mentais. Os dois fazem parte de uma minoria que atua nessa área. Como não há publicações a respeito e poucos interessados em incentivar pesquisas, o trabalho deles é uma referência para quem se interessa pelo assunto. Cada um, em sua região, e com o auxílio da equipe multiprofissional dos referidos hospitais, foi criando e aprimorando estratégias e atividades físicas para os pacientes. Ambos têm em comum o apoio e o reconhecimento da direção dos hospitais onde trabalham como Profissionais de Educação Física, bem como o retorno e o progresso dos pacientes em função do trabalho conjunto da equipe multiprofissional. A responsabilidade deles é igual a de todos os integrantes da equipe. Além da prática da atividade física, participam de reuniões semanais e contam sempre com auxiliar e técnico de enfermagem, assistente social, psicólogo e/ou médico, acompanhando as reações dos pacientes que, em sua maioria, são imprevisíveis. Objetivos alcançados Segundo Maria Aparecida, que conta com o auxílio de Elaine Barbosa Franchini (CREF G/SP), o bem-estar do paciente após a atividade foi apenas um dos objetivos que conseguiram alcançar, pois a prática da atividade física através das várias atividades desenvolvidas ginásticas, atividades rítmicas, competitivas, recreativas, esportivas, oficina de teatro, coordenação motora, jogos de salão, entre tantas outras é muito mais abrangente. Trabalhamos o aspecto social, cognitivo, afetivo e cuidamos da autoestima para a ressocialização do paciente, devolvendo-o ou não para a sociedade, destacou. Osvaldo Takeda concorda que os benefícios são muitos, mas ressaltou que a atuação da equipe deve ser coerente, procurando potencializar a parte saudável e melhorar as áreas prejudicadas. Os objetivos são a autonomia e a inclusão social, dentro da possibilidade de cada um, explicou. Para ele, é fantástico poder lidar com o paciente com transtorno mental, tendo a Educação Física como instrumento e estratégia para mobilizar afeto, aspectos social, cognitivo e motor. O Profissional deve saber que ele pode ir além da parte funcional. Depende dele estar aberto para ter um contato afetivo com o paciente. A partir daí Em 1992, Maria Aparecida Gomes Chaves teve a oportunidade de ingressar no Hospital Psiquiátrico Allan Kardec de Franca. A realidade que ela encontrou no local era bem diferente dos dias atuais tinha quarto com grade e as contenções eram com camisa de força. Arquivo pessoal 8 Conselho Regional de Educação Física da 4ª Região

9 atuação EQUILÍBRIO MENTAL DE PACIENTES é possível conseguir muita coisa. A atividade aeróbia faz liberar endorfinas, serotoninas e deixa o paciente feliz, com uma melhor autoestima e motivado para voltar a praticar uma atividade física lá fora, ou, simplesmente, buscar melhor qualidade de vida. Mas, com esse grupo especial, nem sempre o planejamento é colocado em prática. Por várias vezes, Maria Aparecida planejou e teve de mudar a aula. Ela contou que para o grupo de pacientes moradores, por exemplo, alguns anos atrás, ela podia fazer atividades mais complexas e, atualmente, como eles estão mais envelhecidos, as atividades estão limitadas. Prevenção e preconceito Na vivência dos dois profissionais e no conhecimento de tantos casos que chegam até eles a conclusão é a mesma: a prevenção. Para Takeda, é na escola que tudo pode ser observado e tratado, evitando que o indivíduo chegue ao ponto de ter uma crise emocional sem possibilidade de retorno. No Hospital Dia-Adulto do IPq fazemos, em equipe, o controle da doença e temos um maior número de curas, afirmou. O Profissional de Educação Física tem um papel extremamente importante pela proximidade física que tem com seus alunos. E Maria Aparecida sabe bem disso, porque também é professora concursada da rede estadual de ensino da cidade de Franca. Para Maria Aparecida e Osvaldo, muito do que vêem nos hospitais em que trabalham é fruto de falta de limites ou de uma educação muito reprimida. Por isso, os valores que adquirem nas funções que desempenham levam para suas vidas pessoais, mesmo lidando diariamente com o preconceito. A sociedade tem preconceito até com quem trabalha num lugar como esse, desabafou Maria Aparecida. Por isso, indo na contramão do preconceito, ela desenvolveu um projeto na escola onde leciona, que promove visitas anuais de algumas turmas ao hospital e trabalha questões como saúde mental, prevenção de uso de drogas, o trato com o idoso, entre outras. Professores de outras disciplinas também vão com os alunos e, depois, trabalham os temas de acordo com suas matérias. HD Hospital Dia, no momento, é o que há de mais moderno em psiquiatria. Os pacientes chegam cedo no HD, passam por vários atendimentos e atividades durante o dia e retornam para suas casas à tarde. Osvaldo Hakio Takeda, formado em 1988, iniciou sua carreira em Saúde Mental no antigo Hospital Psiquiátrico de Vila Mariana. Em 1997, ingressou no IPq HCFMUSP para trabalhar no Hospital Dia Adulto. O comportamento das pessoas é muito rico em informação e deve ser observado com atenção pelo Profissional de Educação Física. Só assim a atividade física será desenvolvida adequadamente. Aqui no IPq não temos rotina. Temos de pensar e repensar a nossa metodologia de trabalho diariamente e procurar descobrir e desenvolver as habilidades de todos. Mas fora daqui, em outras áreas de atuação, não deve ser diferente. Deve-se pensar em prevenção Osvaldo Hakio Takeda IMPORTANTE Para se trabalhar com esses grupos é importante ter jogo de cintura, porque o paciente é instável. O dependente químico, por exemplo, é sedutor (no sentido de querer convencer todos sobre as coisas que ele acredita). Se o profissional conseguir se manter firme na ética e no conhecimento da doença, saberá lidar com a situação. Caso contrário, entrará no jogo do paciente e poderá colocar o tratamento a perder. César Viégas TrabalhAMOS com o que há de melhor no paciente, que é a vida e a alegria (apesar do sofrimento e da dor mental). Maria Aparecida Gomes Chaves revista CREF4/sp nº 29 ABRIL 2011 ano xii 9

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