Autos sob nº Natureza: Execução Penal Reeducando: Gilvan Ribeiro dos Santos Regime: Aberto. Meritíssimo Juiz.

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1 Autos sob nº Natureza: Execução Penal Reeducando: Gilvan Ribeiro dos Santos Regime: Aberto Meritíssimo Juiz. GILVAN RIBEIRO DOS SANTOS, devidamente qualificado nos autos em epígrafe, compareceu a esta Promotoria de Justiça na data do dia , informando que é reeducando, condenado nas iras do artigo 155, 4º, incisos I e IV, do Código Penal Brasileiro e que atualmente cumpre pena sob as regras do regime aberto. Asseverou o reeducando: (...) que é usuário da substâncias entorpecentes vulgarmente conhecida como crack há aproximadamente 05 (cinco) anos; que além do crack também já fez uso da substância denominada Cannabis Sativa Lineo, vulgarmente conhecida como maconha ; que faz uso da referida droga aproximadamente 04 ou 05 vezes por semana; ( ) que o declarante está disposto a se submeter a tratamento de drogadição, porque é uma vida que não compensa, que reconhece que precisa de ajuda para sair do mundo do vício. (Termo de Declarações em anexo). Foi disponibilizada uma vaga para o reeducando na Casa de Recuperação Gideões Associação de Reabilitação Gideões, localizada na Rua Alameda Azaleias, Qd. 23. Lt. 24, Sítio Recreio Bandeirantes, em Goiânia-GO, 1

2 conforme faz prova o documento em anexo. O cálculo de liquidação de penas lançado às fls. 171/172, indica que o reeducando faz jus ao benefício do livramento condicional. Pois bem. O artigo 83, do Código Penal, dispõe sobre a concessão do benefício do livramento condicional, exigindo o preenchimento dos seguintes requisitos: Art. 83. O juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena privativa de liberdade igual ou superior a 2 (dois) anos, desde que: I cumprida mais de um terço da pena se o condenado não for reincidente em crime doloso e tiver bons antecedentes; II cumprida mais da metade se o condenado for reincidente em crime doloso; III comprovado comportamento satisfatório durante a execução da pena, bom desempenho no trabalho que foi atribuído e aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto; IV tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo, o dano causado pela infração; V cumprido mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime hediondo, prática da tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, e terrorismo, se o apenado não for reincidente específico em crimes dessa natureza (grifo nosso). Analisando-se o cálculo de liquidação de penas acostado às fls. 171/172, constata-se que o reeducando já cumpriu dois terços da pena que 2

3 lhe foi imposta, preenchendo, assim, o requisito temporal disposto na norma mencionada. O livramento condicional representa uma antecipação provisória da liberdade, mediante o preenchimento de determinadas condições de ordem objetiva e subjetiva, arroladas no Código Penal em seu art. 83, incisos I a V e parágrafo único. Os requisitos objetivos versam sobre a natureza e quantidade da pena, sobre o seu parcial cumprimento e da reincidência específica em crimes hediondos. Já os subjetivos compreendem, entre outros, bons antecedentes, comportamento satisfatório durante o cumprimento da pena, prova de cessação da periculosidade e prova de trabalho honesto. Após detida análise dos documentos constantes dos autos, percebe-se que se encontram presentes os requisitos necessários à concessão do aludido benefício ao reeducando em alusão. Primeiramente, verifica-se que conforme a certidão de antecedentes criminais atualizada que segue em anexo, constata-se que não há nenhuma prática de novo delito, pelo reeducando, o qual está cumprindo integralmente as condições do regime aberto. No tocante ao requisito da comprovação de atividade lícita, convém registrar, que a inteligência desse pressuposto é no sentido de que o recuperando demonstre aptidão para prover sua própria subsistência mediante trabalho honesto, não sendo necessário que o condenado tenha emprego garantido no momento da concessão do benefício. 3

4 Entendimento contrário se apresentaria inviável nos dias atuais, face à dificuldade dos reeducandos ao acesso a emprego formal. No caso presente, verificou-se que além de preencher o requisito objetivo para a concessão do benefício, o reeducando vem cumprindo fielmente as condições estabelecidas por este juízo no tocante ao cumprimento de pena no Regime Aberto, nos termos da decisão de fls. 168/169 e de igual forma vem demonstrando bom comportamento, não havendo nada que a desabone, conforme certidão que segue em anexo. Conforme assinala MIRABETE, para a concessão do livramento, "é indispensável também que deve ficar comprovado que o condenado teve comportamento satisfatório durante a execução da pena. Não o tem o condenado punido a quem foram impostas sanções disciplinares por faltas graves, quem tenha tentado a fuga etc..." (in Código Penal Interpretado, 6ª ed. São Paulo: Ed. Atlas, 2008, p. 678). Portanto, percebe-se que o reeducando cumpriu com o requisito subjetivo, imprescindível para a concessão da medida. Por fim, em relação à necessidade de oitiva prévia do Conselho Penitenciário, registro que com as alterações feitas pela Lei /03 à Lei de Execuções Penais, especialmente em seus artigos 70 e 112, resta inequívoco não ser mais da competência do Conselho Penitenciário a elaboração de parecer técnico para a concessão de livramento condicional, sendo necessário para o deferimento de tal benefício, tão-somente o cumprimento do lapso temporal e o atestado de bom comportamento carcerário emitido pelo diretor do estabelecimento prisional, caso exista na Comarca estabelecimento adequado para o cumprimento 4

5 de pena no regime aberto e/ ou inexistindo, deve observar-se o fiel cumprimento das condições estabelecidas pelo juízo da Comarca para o cumprimento da pena. Nessa ótica, confira-se a intelecção jurisprudencial: EMENTA - TJMG: AGRAVO EM EXECUÇÃO - CONCESSÃO DO BENEFÍCIO DO LIVRAMENTO CONDICIONAL - REQUISITOS SUBJETIVOS PREENCHIDOS - PARECER DO CONSELHO PENITENCIÁRIO - DESNECESSIDADE - DIREITO SUBJETIVO DO APENADO - RECURSO DESPROVIDO. I - O livramento condicional é um direito público subjetivo de liberdade, de modo que, preenchidos os seus pressupostos objetivos e subjetivos, o juiz é obrigado a concedêlo. II - Com a nova redação ao art. 70, inciso I da LEP, não mais se exige manifestação prévia do Conselho Penitenciário para a concessão do benefício do livramento condicional, bastando a comprovação do bom comportamento carcerário do apenado. AGRAVO DE EXECUÇÃO PENAL N /001 - COMARCA DE RIBEIRÃO DAS NEVES - AGRAVANTE(S): MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADO MINAS GERAIS - AGRAVADO(A)(S): MAKENNE FERNANDES FRANÇA - RELATOR: EXMO. SR. DES. ADILSON LAMOUNIER; Data do Julgamento: 04/05/2010 Data da Publicação: 17/05/2010. Com base em tais considerações, o Ministério Público vislumbra-se que o reeducando preenche os requisitos de ordem subjetiva para a concessão do livramento condicional. Sabe-se que o livramento é um direito público subjetivo de liberdade, de modo que, preenchidos os seus pressupostos, o juiz é obrigado a concedê-lo. Ocorre, Excelência, que o reeducando compareceu a este Órgão Ministerial clamando por auxílio, pois é usuário de substâncias entorpecentes, aduzindo estar disposto a submeter-se a tratamento, buscando desesperadamente curar-se desta dependência que está lhe ocasionando danos irreparáveis. 5

6 Assim, diante do quadro de autodestruição em que o epigrafado se encontra imperiosa se faz sua internação em clínica especializada para tratamento de drogadição, eis que será mais proveitoso ao reeducando, pois não estará mais vulnerável às garras desta praga que vem se erigindo à condição de flagelo do século, bem como às tentações de cair novamente no erro, valendose dos crimes contra o patrimônio para sustentar o maldito vício. Afinal, assim como as autoridades constituídas têm o dever de combater duramente essa desgraça, de modo a proteger nossas crianças, adolescentes e jovens, bem como a sociedade em geral deste verdadeiro pesadelo de traficantes que levam famílias inteiras à ruína, temos também o dever e a responsabilidade de estender a mão, criando condições para que as vítimas deste mal sejam resgatadas e construam um projeto de vida que contemple uma ruptura com a trajetória de transgressões, reafirmando o vínculo familiar e reavivando os elos comunitários. Ademais, como órgãos encarregados na repressão do tráfico precisamos não só afugentar ou retirar de circulação a massa de traficantes de drogas, mas também unir forças às dezenas de pais aflitos que assistem imponentes os seus filhos desandarem para o caminho do vício, da desgraça, da destruição e juntos nos empenharmos a proporcionar que nossos jovens tenham um vida cheia de paz, segurança, refrigério e principalmente que estes sejam transformados e voltem ao convívio social. Afinal, esse não é o caráter da pretensão punitiva??? Por fim, por amor aos argumentos, curial destacar o disposto no artigo 116, da Lei de Execução Penal, indica que o juiz poderá modificar as condições estabelecidas, de ofício, a requerimento do MP, da 6

7 autoridade administrativa ou do condenado, desde que as circunstâncias assim o recomendem. Nesta esteira, vislumbra-se a compatibilidade do pedido com os objetivos da pena e a sua procedência em face da exegese da norma, posto que o objetivo teleológico da Lei de Execução Penal, além de efetivar as disposições da sentença, é proporcionar condições para a harmônica integração social do condenado, sendo que a atividade laborativa destaca-se como meio para a essa recuperação e ressocialização. A propósito, o magistério de Guilherme de Souza Nucci, segundo o qual Podem ser modificadas essas condições, de ofício, a requerimento do Ministério Público, da autoridade administrativa ou do próprio condenado, desde que seja recomendável (art. 116, LEP). (Manual de Processo Penal e Execução Penal, 5ª. Ed., Revista dos Tribunais, p. 1039). Desse modo, é salutar concordar com a solicitação mencionada, mormente considerando que não ocasionará a exclusão das funções retributiva e aflitiva que também caracterizam a pena. A propósito: EMENTA: AGRAVO EM EXECUÇÃO. FUGA DA CASA DO ALBERGADO. RECUPERANDO SOB EFEITO DE CRACK. RETORNO ESPONTÂNEO. TRATAMENTO DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA. INTERNAÇÃO EM INSTITUIÇÃO ESPECIALIZADA. PEDIDO DE REGRESSÃO DE REGIME INDEFERIDO. DECISÃO CORRETA. PRINCÍPIO DA 7

8 PROPORCIONALIDADE. Restando demonstrado que o recuperando estava sob efeito de crack quando empreendeu fuga da Casa do Albergado, ficando fora do estabelecimento por um curto intervalo de tempo e retornando espontaneamente, bem como que ele se submeterá a tratamento para livrar-se da dependência química, mediante internação em instituição especializada, correta a decisão que indefere o pedido de regressão de regime formulado pelo Ministério Público, em atenção ao princípio da proporcionalidade, o qual norteia o artigo 57, caput, da Lei de Execução Penal. RECURSO DE AGRAVO N /001 - RELATOR: EXMO. SR. DES. DELMIVAL DE ALMEIDA CAMPOS Djul ) - grifei. Promotora de Justiça, REQUER: Ante o exposto, o MINISTÉRIO PÚBLICO, por sua a) a CONCESSÃO do LIVRAMENTO CONDICIONAL ao reeducando GILVAN RIBEIRO DOS SANTOS, nos termos e condições do artigo 131 e seguintes, da Lei 7.210/84. b) AUTORIZAÇÃO para que o reeducando passe a cumprir a reprimenda corporal contra si imposta, devidamente internado em clínica especializada para tratamento de drogadição, que deverá ser cumprida na Casa de Recuperação Gideões Associação de Reabilitação Gideões, localizada na Rua Alameda Azaleias, Qd. 23. Lt. 24, Sítio Recreio Bandeirantes, em Goiânia-GO, a ser cumprida pelo prazo equivalente à efetiva conclusão do tratamento. c) que Vossa Excelência determine que o tratamento seja custeado pelo Conselho da Comunidade da Comarca de São Miguel do Araguaia/GO, entidade esta que possui a valorosa missão de colaborar com o bem estar e recuperação de reeducandos, nos termos do que foi decidido pelo Sodalício Tribunal de Justiça do 8

9 Estado de Goiás, nos autos tombados sob n.º /2009 que culminou na instalação do dito Conselho; São Miguel do Araguaia/GO, de março de Cristina Emília França Malta Promotora de Justiça 9

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