Cadastro Ambiental Rural nos estados da Amazônia. Primeiro Relatório de Monitoramento

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1 Cadastro Ambiental Rural nos estados da Amazônia Primeiro Relatório de Monitoramento Abril de 2014

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3 Cadastro Ambiental Rural nos estados da Amazônia Primeiro Relatório de Monitoramento Abril de 2014

4 Ficha Técnica: Edição: Conservação Internacional Equipe Técnica: Patrícia Baião, Valmir Ortega, Mauro Oliveira Pires e Gabriela Savian Revisão: Jaime Gesisky Design: Código Plus

5 Sumário Lista de Siglas Introdução Os indicadores Principais achados Panorama geral do CAR nos estados da Amazônia Legal Os indicadores e a situação em cada estado ACRE AMAPÁ AMAZONAS MARANHÃO MATO GROSSO PARÁ RONDÔNIA RORAIMA TOCANTINS...39

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7 Lista de Siglas ABC Plano de Agricultura de Baixo Carbono ACT Acordo de Cooperação Técnica ADEPARA Agência de defesa Agropecuária do Estado do Amazonas ART Anotação de Responsabilidade Técnica ATER Assistência Técnica e Extensão Rural BNDES Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social CAR Cadastro Ambiental Rural CEMACT Conselho Estadual do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia CREA Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura DAP Declaração de Aptidão ao PRONAF EMATER Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural FAEA Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas FAEAC Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Acre FAPEAM Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas FEMARH Fundação Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (RO) FETACRE Federação dos Trabalhadores em Agricultura do Acre FIP Programa de Investimentos em Florestas (FIP, sigla em inglês) GTA Guia de Transporte Animal IBAMA Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ICMS Impostos sobre Circulação de Mercadorias e Serviços IDAM Instituto de desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas IEF Instituto Estadual de Florestas IMAC Instituto do Meio Ambiente do Acre IMAP Instituto do Meio Ambiente e de Ordenamento do Estado do Amapá INCRA Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária IPAAM Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas ITEAM Instituto de Terras no Amazonas ITERACRE Instituto de Terras do Acre ITERAIMA Instituto de Terras e Colonização de Roraima 7

8 ITERPA Instituto de Terras do Pará ITERTINS Instituto de Terras do Estado do Tocantins MMA Ministério do Meio Ambiente NATURATINS Instituto Natureza do Tocantins OEMA Órgão Estadual de Meio Ambiente PLANAPO Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica PMV Programa Municípios Verdes (PA) PNMC Política Nacional sobre Mudanças do Clima PPCDAM Plano de Ação para a Prevenção e o Controle do Desmatamento da Amazônia Legal PPCERRADO Plano de Ação para a Prevenção e o Controle do Desmatamento e das Queimadas do Bioma Cerrado PRA Programa de Regularização Ambiental RURALTINS Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins RURAP Instituto de Desenvolvimento Rural do Amapá SEAGRI Secretaria de Agricultura (RO) SEAPROF Secretaria de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar SEDAM Secretaria de Estado de Desenvolvimento Ambiental (RO) SEFA Secretaria da Fazenda (RO) SEMA Secretaria Estadual de Meio Ambiente SEMADES Secretaria do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (TO) SICAR Sistema de Cadastro Ambiental Rural SIMLAM Sistema Integrado de Monitoramento e Licenciamento Ambiental SMA Secretaria de Meio Ambiente (SP) TI Terra Indígena UC Unidade de Conservação UFLA Universidade Federal de Lavras 8

9 1. Introdução Este relatório faz parte do projeto Iniciativa de Observação, Verificação e Aprendizagem do Cadastro Ambiental Rural e da regularização ambiental Inovacar, executado desde 2013 pela Conservação Internacional (CI-Brasil), com o apoio da Climate Land Use Alliance CLUA. Focado na região Amazônica, o Inovacar tem como objetivos centrais: monitorar a implementação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) a fim de estimular a transparência e o controle social e promover a discussão e a troca de experiências que incentivem a regularização ambiental na região. Para estabelecer as bases do monitoramento, o Inovacar criou uma série de indicadores procurando retratar, nos estados amazônicos, a situação do CAR e a dos Programas de Regularização Ambiental (PRA), estabelecidos pela Lei federal Nº /2012. Para o cadastramento propriamente, os indicadores referem-se a aspectos institucionais; sistema de geotecnologias; estratégias de mobilização para o cadastramento e registro de informações. Antes de aplicá-los ao contexto da Amazônia, o projeto os testou junto às secretarias estaduais de meio ambiente da Bahia (SEMA/BA) e de São Paulo (SMA), que gentilmente atenderam ao pedido de informações e concederam as entrevistas. Após os ajustes, iniciamos a pesquisa nos nove estados da Amazônia Legal entre os meses de novembro de 2013 e janeiro de Na maioria dos casos, a equipe do Inovacar visitou os órgãos estaduais de meio ambiente (OEMA) e entrevistou os técnicos dos setores responsáveis pelo CAR. Quando não foi possível o contato pessoal, usamos telefone e Skype para realizar as entrevistas. Registre-se que a anuência dos dirigentes e a pronta colaboração dos técnicos dos referidos órgãos ambientais foram fundamentais para a obtenção das informações. Assim, este relatório reflete a situação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) nos estados amazônicos e tem por base as informações declaradas pelos OEMA à época das entrevistas. Como trata-se de um processo em curso, é possível que alguns dos aspectos aqui mencionados tenham evoluído. Por ser o primeiro levantamento sistemático publicado após a Lei Nº /2012 ter tornado obrigatório o registro de todos os imóveis rurais no sistema do CAR, pode-se dizer que este relatório retrata o ponto de partida (baseline) do CAR na Amazônia. Sua importância reside no fato de que o relatório irá favorecer futuros acompanhamentos e análises. 9

10 Recomenda-se, porém, cautela na comparação da situação entre os estados, pois cada um partiu de um estágio próprio. Mato Grosso, Pará e mesmo Rondônia já contavam com o CAR na sua política ambiental, enquanto outros sequer começaram a esboçar os primeiros passos. Para melhor compreensão do assunto, sugere-se a leitura do estudo O Cadastro Ambiental Rural na Amazônia, elaborado para o Inovacar, disponível em documentos. Com o presente relatório, o Inovacar procura oferecer à sociedade brasileira e aos gestores públicos subsídios que contribuam para a consolidação do processo de regularização ambiental dos imóveis rurais não apenas na Amazônia. 10

11 2. Os indicadores Criados para facilitar a compreensão dos diferentes aspectos do CAR nos estados, os indicadores foram agrupados da seguinte forma: I. Quanto aos aspectos institucionais 1. Legislação Estadual e Regulamentos 2. Recursos financeiros destinados ao CAR 3. Recursos humanos destinados o CAR 4. Instância colegiada para gestão do CAR 5. Cursos de capacitação 6. Infraestrutura (espaço físico, equipamentos etc.) específica para o CAR 7. Acordos de Cooperação Técnica entre órgãos governamentais II. Quanto aos sistemas de informação e geotecnologias 8. Sistema de Informações para o CAR 9. Automatização do sistema 10. Transparência e acesso público das informações 11.Imagens de satélite 12. Bases temáticas III. Quanto às estratégias para o cadastramento 13. Estratégia de mobilização social para a agricultura familiar e pequenos produtores 14. Estratégia de mobilização social para populações tradicionais e quilombolas 15. Definição de áreas prioritárias para o cadastramento 16. Campanhas de sensibilização e atendimento IV. Quanto ao registro das Informações 17. Imóveis rurais do estado 18. Número de registros de CAR e Número de CAR validados 19. Quem pode inserir a documentação 20. Documentação necessária exigência de ART 21. Cobrança de taxa de inscrição 22. Avaliação dos registros pelo OEMA 23. Priorização para a validação dos registros 24. Integração do CAR a outros procedimentos ambientais 11

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13 3. Principais achados Falta de estratégia A primeira constatação deste relatório é que não foi identificado durante a pesquisa qualquer documento, seja da esfera federal ou dos governos estaduais que diga qual é a estratégia, plano ou equivalente para a implantação da nova lei florestal (Nº /2012). Passados quase dois anos de sua publicação, o governo federal principal negociador no Congresso Nacional e responsável por sua sanção não dispõe de uma estratégia clara e acessível ao público. Curiosamente, essa ausência contrasta com a tradição recente da política ambiental que fez questão de tornar públicos seus diversos planos, como o de combate ao desmatamento (PPCDAM e PPCerrado), de mudanças climáticas (PNMC, Plano ABC e demais planos setoriais) ou como o da agroecologia e produção orgânica (PLANAPO). Sem orientação estratégica do nível federal, a sociedade civil permanece impossibilitada de debatê-la e de cobrar as medidas necessárias para a regularização ambiental. Por outro lado, é importante registrar os esforços de aquisição de imagens e de criação do Sistema de Cadastro Ambiental Rural (SICAR) feitos pelo Ministério do Meio Ambiente, bem como a criação da linha de apoio ao CAR no Fundo Amazônia, por meio do BNDES. Embora importantes, tais esforços não são suficientes e não conjugam entre si uma estratégia articulada e coordenada. Foco excessivo na inscrição dos registros e não em todo o processo de regularização ambiental Até o momento, a maioria dos estados não estabeleceu os instrumentos necessários para o efetivo cumprimento de todas as exigências da nova legislação, como a instituição dos programas de regularização ambiental (PRA), o funcionamento das cotas de reservas ambientais e os incentivos econômicos. Enquanto isso, há um enfoque na fase de inscrição dos imóveis no sistema de registro ambiental. O governo federal, igualmente centrado no registro ambiental, também não apresentou suas propostas de regulamentação da lei, induzindo os estados a aguardarem seu posicionamento. 13

14 Para além do CAR, se não houver significativa energia do aparato público direcionada a todas as fases do processo de regularização ambiental, a recuperação dos passivos ambientais e a valorização da floresta serão promessas não cumpridas. Tal como define a lei, o registro no CAR deve ser visto apenas como a porta de entrada para o longo processo de adequação ambiental, a exigir apoio aos produtores, o monitoramento e a fiscalização dos compromissos pactuados. Compasso de espera Outra constatação é que o atraso na regulamentação federal da nova lei favorece àqueles que comodamente permanecem em compasso de espera. A maioria dos estados aguarda a regulamentação federal especialmente quanto ao início do prazo de registro do CAR para tomar as providências. Como muitos aspectos dependem dessa regulamentação federal e o prazo de inscrição não está correndo, a sensação de que a nova lei ainda não precisa ser implementada favorece a percepção de insegurança, quando não a de impunidade dos ilícitos ambientais. Na região amazônica, onde encontra-se a maior floresta tropical do planeta, a nova lei florestal ainda não está em pleno vigor Passados quase dois anos de sanção presidencial à lei florestal, a regularização ambiental na Amazônia como no resto do país ainda é uma miragem. Conforme se verá mais adiante, em boa parte dos indicadores abaixo comentados, essa é a situação geral. Destacadamente, os estados que aderiram ao uso do SICAR federal aguardam definições gerais para a normatização interna. Assim, aspectos estratégicos como nível de transparência pública, grau de sobreposição de polígonos e automatização de rotina dos sistemas seguem indefinidos. O fato é preocupante e pode resultar em prejuízos na aplicação da lei, além de aumentar os riscos de sobrecarga de trabalho e de perda de qualidade do processo quando começar a contagem do exíguo prazo de cadastramento. 14

15 4. Panorama geral do CAR nos estados da Amazônia Legal 4.1 Quanto aos aspectos institucionais do CAR Após a publicação da Lei federal N o /12, na Amazônia Legal, apenas os estados do Acre, Rondônia e Tocantins atualizaram sua normatização florestal. N o Acre, o CAR foi instituído por meio da Lei N o 2.693, de 17 de janeiro de 2013, e regulamentado pelo Decreto N o 6.344, de 9 de setembro de Em Rondônia, o Decreto N o , de 25 de junho de 2013, reconheceu o CAR como um dos instrumentos para a regularização ambiental. O estado do Tocantins alterou o seu programa TO-LEGAL, por meio da Lei N o 2.713, de 9 de maio de Embora não esteja totalmente alinhada com a norma federal, a lei estadual do Amazonas (Nº 3.635), sancionada ainda em 2011, incorpora parte de seus elementos. O Pará está discutindo seu regramento, embora o CAR já apareça em sua normatização desde 2006/2007. O Mato Grosso começou em 2013 a rever sua legislação mas sem a participação da sociedade civil 1.Os demais estados amazônicos ainda não começaram a adequar suas normas florestais. Quanto à instituição dos Programas de Regularização Ambiental (PRA), apenas o Acre e Rondônia possuem legislação específica, o que não significa que estejam em implementação. Em relação aos recursos financeiros destinados especificamente ao CAR, apenas os estados do Amazonas, Pará e Rondônia afirmam destinar recursos próprios. Acre, Rondônia, Tocantins, Maranhão e Pará obtiveram recursos do Fundo Amazônia/BNDES para essa finalidade, enquanto o Amapá, o Amazonas, o Mato Grosso e Roraima ainda preparam ou aguardam aprovação de seus projetos. Enquanto não começa o prazo de inscrição no sistema do CAR, a falta de rubrica orçamentária específica para esta finalidade não é obrigatoriamente um problema, mas não deixa de sinalizar o compromisso do orçamento estadual com essa agenda. Como era de se esperar, em razão de o prazo de inscrição não ter começado, nenhum estado afirmou possuir recursos humanos exclusivamente dedicados às tarefas do CAR. Os poucos servidores da área ambiental estadual dividem o tempo com outras atribuições. A maior parte dos órgãos estaduais afirma que contratará empresas de serviços para o cadastramento dos imóveis, sendo que os estados do Amazonas, Maranhão e Roraima 1 Pires, M.O; Ortega, V.G. O Cadastro Ambiental Rural na Amazônia. Brasília: Conservação Internacional, p. Disponível em 15

16 mencionaram que pretendem estender a futura contratação de serviços para as etapas de análise e validação dos registros. Quanto aos aspectos de infraestrutura dedicada ao CAR, os estados informaram que ainda não têm espaço físico e equipamentos exclusivos para as rotinas referentes a esse instrumento da política ambiental. Ou seja, a infraestrutura é compartilhada com outros procedimentos dos órgãos mesmo nos estados do Mato Grosso, Pará e Rondônia em que o CAR não é novidade. Até o momento, nenhum estado possui balcões de atendimento exclusivos para recepção/ auxílio ao registro. Na maioria dos casos, aguardam a liberação de recursos do Fundo Amazônia para essa finalidade. Com base nas informações levantadas junto aos estados, não é possível dizer que existe uma ampla estratégia de capacitação dos diferentes segmentos sociais, tanto do setor governamental quanto dos proprietários, posseiros e da sociedade civil para a aplicação do CAR. Há iniciativas pontuais de capacitação de técnicos dos OEMA, do órgão de assistência técnica (ATER) e, quando muito, das secretarias municipais de meio ambiente. Aqueles estados que já contam com projetos no Fundo Amazônia aguardam liberação de recursos para essa finalidade. Por outro lado, muitos estados participaram das capacitações oferecidas pelo Ministério do Meio Ambiente, embora as consideram insuficientes em razão da demanda com que os órgãos terão que lidar. Todos os estados firmaram acordos de cooperação técnica (ACT) com o MMA para a regularização ambiental. E o Pará destaca-se como a unidade da federação em que o CAR vem sendo usado para outras políticas públicas (a esse respeito ver em Pires e Ortega, 2013 ), sendo um dos critérios para a repartição dos recursos do ICMS ecológico e como suporte para o processo de regularização fundiária dos municípios. 4.2 Quanto a sistema e geotecnologias Apenas os estados em que o CAR já era obrigatório (Mato Grosso, Pará e Rondônia) possuem sistema de informação para essa finalidade, denominado Sistema Integrado de Monitoramento e Licenciamento Ambiental (SIMLAM). Não está claro, porém, se tal sistema terá continuidade, pois nos últimos meses aumentaram os rumores de que os governos desses estados preferem migrar para o sistema federal, o SICAR. Se isso ocorrer, é provável que ficarão superadas as dificuldades de integração entre os sistemas anteriormente relatadas para esta pesquisa, embora permaneça a dúvida sobre o destino dos registros realizados no atual sistema. À exceção do Tocantins, os demais afirmaram que aderiram ao uso do SICAR federal, sendo que alguns preveem também a customização e a criação de módulos próprios, como disseram o Acre e o Amazonas. O Tocantins informou que está prestes a finalizar a elaboração de seu SIGCAR. No SIMLAM do Mato Grosso e do Pará, não há a funcionalidade off-line para a elaboração do 16

17 cadastro e posterior envio (upload) dos dados gerados. Em lugares em que o acesso à internet é precário, quando existente, trata-se de um dispositivo útil. Por isso, a EMATER do Pará está desenvolvendo com recursos do Ministério do Meio Ambiente um software denominado SIGA, que terá as funcionalidades de desenhador geográfico do imóvel e de pré-registro dos dados em modo off-line a serem usadas junto ao seu público beneficiário, ou seja, os agricultores familiares paraenses. Em Rondônia, há um aplicativo com função off-line, mas disponível apenas aos responsáveis técnicos cadastrados no OEMA. A entrada dos dados no SICAR federal, ao qual vários estados aderiram, deve ocorrer pelo módulo off-line (pré-registro), e depois envio dos dados (upload). Os sistemas do Mato Grosso, Pará e Rondônia possuem, além do registro, os módulos de análise e validação dos dados, sendo que Rondônia informou ter também módulo para o monitoramento. O estado de Tocantins afirmou que seu futuro sistema contará com as funções de registro (online e off-line), análise, validação e monitoramento. No caso do SICAR federal, não está claro se os estados terão à disposição estes módulos, ou se deverão promover individualmente a customização do sistema para essa finalidade e, assim, gastar mais recursos púbicos. Quanto ao grau de automatização de rotinas dos sistemas entendido aqui como a possibilidade de aplicação de filtros ou mecanismos que realizem verificações automáticas, agilizando a identificação de erros e inconsistências e a análise dos dados o relato dos estados não é claro. Aqueles que aderiram ao SICAR federal não sabem informar quão automatizado será tal sistema. A automatização depende de elaboração de bases temáticas (cobertura vegetal, hidrografia, malha viária, UCs, TIs, assentamentos da reforma agrária etc.) ou cartográficas, e até mesmo da resolução e acurácia das imagens de satélite. O problema é que para alguns mosaicos de imagens de satélite, a qualidade prometida não foi entregue, contendo vazios e presença de nuvens. Por isso, no caso do Tocantins, o órgão ambiental informou que está relacionando-se com a empresa fornecedora das imagens ao MMA para solucionar os problemas identificados. Disse ainda que pretende melhorar suas bases temáticas. Em relação à sobreposição dos polígonos dos imóveis rurais, a maior parte dos estados ainda não definiu tolerância aceitável. Apenas o Mato Grosso informou que sua tolerância de sobreposição já é limitada até 120 metros, sendo que, para o manejo florestal essa tolerância cai para dez metros. Maranhão, Pará e Tocantins cogitam aceitar até cinco por cento da área sobreposta no caso de propriedades particulares. Essa decisão, entretanto, deve ser parte da regulamentação federal, ao menos no caso dos estados que aderiram ao SICAR. Com relação à transparência pública, não está igualmente claro o grau que será conferido pelos estados que aderiram ao SICAR, pois dependem da regulamentação do governo federal. Por outro lado, os estados que possuem sistema próprio e em funcionamento permitem acesso 17

18 público às informações registradas, variando porém quanto ao uso de diferentes filtros: por situação cadastral, município, nome, CPF e CNPJ dos proprietários. Rondônia destaca-se como o estado com o mais amplo acesso às informações. Quanto às imagens de satélite, todos os estados receberam aquelas compradas pelo MMA referentes ao ano de 2011 e que deverão ser complementadas pelas de 2012, conforme previsto. Com os futuros recursos do Fundo Amazônia, a maioria dos estados espera obter imagens de alta resolução para a fase de análise e validação dos cadastros. O problema refere-se ao marco temporal de 22 de junho de 2008, mencionado na lei florestal. Somente Mato Grosso, Pará e Rondônia informaram ter imagens (SPOT) de 2008 ou de Os demais possuem apenas a série histórica do satélite LANDSAT, cuja resolução é tida como insuficiente para análises sofisticadas, especialmente no caso de APP. É interessante observar que todos os estados afirmaram possuir bases temáticas disponíveis para o registro e análise. Porém, sabe-se que, em alguns casos, a escala dessas bases é insuficiente ou as informações estão desatualizadas. 4.3 Quanto às estratégia para o cadastramento Para mobilizar os proprietários de imóveis rurais para o devido registro dos imóveis no CAR, grande parte dos estados espera contar com parcerias com prefeituras municipais, órgãos de ATER (com ampla capilaridade junto aos agricultores familiares) e sindicatos representativos, sobretudo no caso do Acre, Amazonas, Pará e Rondônia. Para as populações tradicionais e quilombolas, a maioria dos estados diz que irá atendê-las dentro da estratégia geral referente aos imóveis rurais com área menor que quatro módulos fiscais. Vale lembrar que no SICAR está prevista uma entrada específica para a inserção das informações dos imóveis desse público. Para a fase de inscrição propriamente dita, os estados relatam que acionarão os escritórios regionais do OEMA. Também deverão ser instalados balcões de atendimento nos municípios e nos demais parceiros (órgãos públicos, entidades civis e de classe). A maioria dos estados definiu as áreas com maior concentração de desmatamentos como prioritárias para a mobilização e o cadastramento, apenas o Mato Grosso não tem oficialmente uma definição sobre esse ponto. Para a popularização do CAR, Rondônia é o único estado que já iniciou campanhas massivas de propaganda, dispondo inclusive de um serviço telefônico gratuito (0800). 4.4 Quanto ao registro das Informações A tabela abaixo apresenta o número de imóveis rurais estimados em cada estado da Amazônia Legal, bem como o número de registros no CAR. Revela, assim, a complexidade do trabalho de cadastramento, pois mesmo nos estados em que o CAR já está em vigor (MT, PA e RO) observa-se uma baixa proporção de registros validados, destacadamente no Pará. 18

19 Tabela 1. Estimativa de imóveis rurais e número de registro de CAR nos estados da Amazônia À exceção do Mato Grosso, os demais estados amazônicos não exigem anotação de responsabilidade técnica (ART) para o registro dos imóveis rurais inferiores a quatro módulos fiscais. Os estados do Acre, Amapá e Tocantins informaram que também não a solicitarão para propriedades incluídas neste caso. Vale ressaltar que no SICAR federal também não se exige a ART, independente do tamanho do imóvel. No Pará, a ART é uma exigência para imóveis acima de quatro módulos, enquanto que em Rondônia isso foi flexibilizado recentemente. A documentação necessária para o registro dos dados é padrão em todos os estados: identificação do proprietário, comprovação de propriedade, croqui ou arquivo com polígonos (shapefile). Para as áreas maiores que quatro módulos fiscais, além dessa documentação, a expectativa dos estados é de que seja obrigatória também a apresentação de planta georreferenciada do imóvel e memorial descritivo. Entretanto, convém lembrar que nos casos dos estados que aderiram ao uso do SICAR, isso carece de normatização federal. Após a inserção dos dados nos sistemas em que o CAR já está em vigor (MT, PA, RO), emite-se o recibo de inscrição. No Mato Grosso, cobra-se uma taxa para as áreas acima de 150 hectares, mas no Pará e Rondônia não. Quanto à análise dos cadastros, os estados mencionaram que irão fazê-la mediante verificação documental e informações de imagens de satélite. Em alguns estados, prevê-se o trabalho de campo, normalmente por amostragem, para checagem de inconsistências. Nos estados do Amazonas, Mato Grosso, Pará e Tocantins, a solicitação de licenciamento ambiental constitui critério de priorização para a fase de análise e validação. No Acre, a prioridade será para os imóveis rurais multados ou menores que módulos fiscais. Amapá, Maranhão e Roraima ainda não definiram critérios de prioridade de análise. Rondônia informou que observará a ordem de inscrição, mas terão prioridade os casos de embargo e manejo, assim como as solicitações do Ministério Público. Nos estados de Mato Grosso, Pará e Rondônia, o CAR está integrado a outros procedimentos dos órgãos ambientais, sendo este o primeiro passo para o licenciamento e outras autorizações. 19

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21 5. A situação dos estados amazônicos e os indicadores 5.1 ACRE Aspectos Institucionais O Acre instituiu o CAR por meio da Lei N o de 17 de janeiro de 2013 e o regulamentou pelo Decreto N o 6.344, de 9 de setembro de Embora já tenha formalmente instituído o PRA, ele não foi regulamentado. Apesar de não dispor de recurso orçamentário próprio para o CAR, a SEMA/AC conseguiu aprovar um projeto para esse fim no Fundo Amazônia no valor de R$ 17 milhões. De acordo com a informação prestada, dos 100 servidores da SEMA/AC, cerca de 30 estão de algum modo envolvidos com o CAR. O estado prevê a contratação de empresa privada para a atividade de cadastramento. Estão previstos ainda cursos de capacitação para os servidores da SEMA/AC e do Instituto de Meio Ambiente do Acre (IMAC), bem como para facilitadores e lideranças para apoiar o cadastramento. O Decreto estadual N o 6.344/13, em seu artigo 2 o, estabelece instâncias colegiadas para tratar do CAR, sendo uma delas o Conselho Estadual de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia (CEMACT), de caráter consultivo e deliberativo, com a função de normatização do assunto em matérias técnico-ambientais. Em relação à infraestrutura, como não há um espaço próprio para as atividades do CAR, elas serão desenvolvidas nas instalações já existentes nos órgãos. Conforme informado pela SEMA/ AC, será implantado escritório central para cadastramento, análise e validação dos registros, em Rio Branco. Foram firmados acordos de cooperação entre SEMA/AC, o IMAC, o MMA, o INTERACRE e o IBAMA para a integração do CAR com o SICAR, a regularização fundiária e o compartilhamento de informações entre os cadastros e as multas ambientais. 21

22 Sistema / Geotecnologia Conforme comentado anteriormente, o Acre aderiu ao SICAR federal e mantém diálogo com a UFLA para o desenvolvimento de um sistema próprio para análise e validação dos cadastros. Por enquanto, como o SICAR federal ainda não está recebendo os dados, o estado conta apenas com a funcionalidade de pré-registro no módulo off-line. As definições sobre automatização, transparência e acesso público aguardam posição do governo federal. Em relação às imagens de satélite, o estado possui aquelas fornecidas pelo MMA, do ano de 2011, e as da série histórica do satélite Landsat, inclusive de Além destas, o estado informou que prevê a aquisição de imagens de 2014, 2015 e 2016 para o monitoramento APPs e RLs. Informou ainda que dispõe de bases temáticas de cobertura vegetal, hidrografia, malha viária, UCs, TIs e assentamentos. Estratégia para o cadastramento Para mobilização social em torno do cadastramento dos imóveis rurais menores que quatro módulos fiscais, a SEMA/AC firmou parceria com a SEAPROF (órgão de assistência técnica), a FETACRE e o INCRA. Para os imóveis de médio e grande portes, foi firmado acordo com Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Acre (FAEAC). O estado informou ainda que tanto a SEMA/AC quanto o IMAC realizarão, se necessário, o atendimento em regime de mutirão. Os cadastradores a serem contratados atuarão nos municípios com maior número de imóveis rurais. Também deverão fazer a denominada busca ativa para as áreas com vazios de imagens de satélite. Para as populações tradicionais e quilombolas ainda não foi definida estratégia distinta da que será utilizada para a agricultura familiar. Com relação à prioridade para a mobilização e o cadastramento, o governo selecionou os municípios com maiores índices de desmatamento, a capital e os imóveis rurais com multas ambientais. O estado informou ainda que para o atendimento ao público serão utilizados a sede da SEMA e do IMAC, localizadas em Rio Branco, e os cinco escritórios do IMAC no interior. Além disso, espera-se instalar em Rio Branco outros postos nas centrais de atendimento denominadas OCA e que reúnem diversos órgãos públicos num único local espalhadas. Foi informado ainda que estão previstos dois balcões juntos à Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Acre (FETACRE) e um na FAEAC. Ainda, 12 postos de atendimentos serão instalados em municípios do interior do estado. Estão previstas ações de comunicação, com inserções no rádio e na TV, distribuição de material impresso e atendimento telefônico pelo serviço gratuito (0800), além do escritório itinerante (CAR Móvel). 22

23 Registro das Informações O estado estima um total de aproximadamente 30 mil imóveis rurais a serem registrados, sendo que 24 mil com área menor que quatro módulos fiscais, na maioria enquadrados como agricultura familiar. Segundo a SEMA, cerca de registros similares ao CAR estão incluídos no Sistema Estadual de Informações Ambientais (SEIAM) realizados mediante parceria piloto com o MMA em três municípios (Acrelândia, Plácido de Castro e Senador Guiomard). É possível que esses registros migrem para o SICAR/AC, mas provavelmente apenas os dados dos polígonos da área total dos imóveis rurais em função de incompatibilidade de sistemas e regras. Como o Acre aderiu ao SICAR federal, as definições gerais ainda carecem de decisão. De acordo com as informações coletadas, não está prevista a exigência de anotação de responsabilidade técnica (ART) para o registro, independente do tamanho da propriedade. Quando for possível realizar a inscrição, deverão ser apresentados os documentos pessoais e do imóvel. Não está prevista a cobrança de taxa. Na etapa de análise dos cadastros, a avaliação dos documentos submetidos e a verificação dos dados ambientais deverá ocorrer sem visitas ao campo. 23

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