O PROCESSO DE REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA NO BRASIL E AS MODIFICAÇÕES DA ECONOMIA GOIANA PÓS DÉCADA DE 1960.

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1 O PROCESSO DE REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA NO BRASIL E AS MODIFICAÇÕES DA ECONOMIA GOIANA PÓS DÉCADA DE Glauber Lopes Xavier 1, 3 ; César Augustus Labre Lemos de Freitas 2, 3. 1 Voluntário Iniciação Científica PVIC/UEG 2 Pesquisador - Orientador 3 Curso de Ciências Econômicas, Unidade Universitária de Ciências Sócio-Econômicas e Humanas, UEG. RESUMO: Após a década de 1960, a economia goiana passou por inúmeras transformações, modificando a configuração de sua estrutura produtiva. É nesse contexto que determinados estados do Brasil, sobretudo à região metropolitana de São Paulo, passam por movimentos de desconcentração produtiva ainda que em setores isolados e dependentes de intensiva força de trabalho, enquanto outras unidades federativas, como Goiás, criam programas de renúncia fiscal proporcionando a implantação de muitas empresas em seus territórios. Esses programas evidenciam as políticas regionais que visam, prioritariamente, a busca frenética por maior participação na riqueza total do país via investimentos em setores que representem vantagem comparativa de cada unidade federativa. Palavras-Chaves: Reestruturação Produtiva. Economia Regional. Guerra Fiscal. Introdução O presente trabalho elucida a dinâmica produtiva do estado de Goiás pós década de 1960 e as modificações em sua economia a partir da prática governamental de incentivos fiscais. Nesse contexto, a região metropolitana de São Paulo, eixo dinâmico da economia brasileira, perdia parte de sua participação na produtividade total do país. Os movimentos de desconcentração produtiva atuaram reduzindo o quantitativo de empresas de determinados setores, de modo que houvesse deslocamentos para localidades que oferecessem fatores de produção mais baratos, tais como localização (terra) e força de trabalho, bem como novos mercados consumidores. 1

2 Material e Métodos: Área de estudo A dinâmica da economia goiana no contexto nacional e as modificações em sua estrutura produtiva pós década de Material Foram empregadas na condução deste trabalho cinco referências sobre o assunto. Métodos O método utilizado neste trabalho foi a Pesquisa Bibliográfica. Resultados e discussão Embora a região metropolitana de São Paulo tenha sido a região mais prejudicada pelos movimentos de desconcentração produtiva, setores com menor demanda por trabalho humano e com maiores investimentos em P&D, como a indústria metal-mecânica, eletroeletrônica e indústrias químicas, continuaram altamente concentradas em São Paulo a despeito de setores com menor utilização de capital. As conseqüências deste processo foram: PASCHOAL (2001, pág.5). I) a convergência de renda entre os estados brasileiros, sendo que as regiões mais pobres apresentaram maiores taxas de crescimento da renda; II) a perda relativa de importância da área metropolitana de São Paulo, o que coincide com a queda de sua participação na produção industrial do país, durante a década de Goiás, durante esse processo, tinha baixa densidade demográfica, sendo pequeno o uso de capital. Assim, suas potencialidades eram pouco exploradas. Após a década de 1960, iniciou-se a implantação de alguns programas com a finalidade de estimular um modelo produtivo moderno no que tange a agricultura e proporcionar a inserção efetiva do estado no processo de desconcentração industrial. Nesse momento foi crucial a integração do norte do estado pela Amazônia Legal bem como a incorporação do centro-sul nas discussões da Comissão de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), parte que até então era de responsabilidade da Superintendência de desenvolvimento do Centro-Oeste (SUDECO). Segundo PASCHOAL (2001, pág. 23): 2

3 Esses programas fortaleceram o processo de desconcentração regional, ocorrido ao longo das décadas de 60 e 80. Ambos foram responsáveis por imprimir um novo padrão de colonização à região, menos intensivo em trabalho e mais dependente de capital. A partir daí, a região passou a incorporar o novo modelo produtivo agrícola que se desenvolvia no país, estando, pois, articulada ao processo de expansão da fronteira goiana. A partir do início dos anos 1980, ao ser fragilizado como articulador exclusivo de políticas regionais, o Estado reformula suas medidas de amparo à economia local e passa a executar programas de caráter regional com o objetivo de atrair indústrias via incentivos fiscais e financeiros, embora desvinculado de qualquer projeto nacional. O que sucede, portanto, é uma importante hipótese levantada por Benko (1996) de uma desregionalização da hierarquia urbana. Logo, o lugar e o potencial econômico da cidade capitalista dependem cada vez menos do papel de metrópole regional que ela pode desempenhar e cada vez mais de suas funções de comando transregionais. Em Goiás é criado, em 1984, o Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás FOMENTAR, visando primordialmente à atração de indústrias para o estado concomitante a um movimento de desconcentração econômica dentro do próprio estado por meio de estímulo a investimentos. Seus objetivos estavam assentados, segundo PASCHOAL (2001, pág. 36), no: I) incremento das atividades industriais no estado, por meio de projetos de implantação e de expansão de matrizes industriais, preferencialmente as do ramo da agroindústria. II) no apoio técnico e financeiro das atividades ligadas aos setores de micros, pequenas, médias e de grandes empresas, desde que consideradas de alta relevância para o desenvolvimento sócio-econômico do estado de Goiás. É notório, pois, que as políticas de incentivos fiscais implementadas em Goiás nos últimos 20 anos atraíram diversas indústrias de variados segmentos e se consolidaram como as de maior intensividade entre àquelas até então adotadas. 3

4 Ainda assim, a criação do FOMENTAR não foi suficiente para que o Estado obtivesse desempenho econômico superior ao de seus vizinhos da região Centro-Oeste. Uma das explicações para esse fenômeno pode estar na deficiência estrutural de Goiás, insuficiente para suportar o crescimento econômico. Outra explicação se apóia na possível ineficácia do estado ao implementar suas políticas de desenvolvimento regional em comparação aos outros estados. BORGES (2004, pág. 32) aponta claramente esses fatores: Uma explicação para esse fenômeno pode estar no fato de que o dinamismo da economia local não depende apenas da concessão farta de incentivos fiscais, mas, também, da existência de uma infra-estrutura básica adequada, como boas estradas, energia elétrica suficiente, nível de instrução elevado, mão de obra qualificada, localização estratégica, abundância de matérias-primas, tamanho do mercado consumidor e nível de renda da população. Outra explicação, é que talvez os outros estados da região tenham sido mais eficazes na implementação de suas políticas de desenvolvimento regional, incluindo aí a concessão de incentivos ficais. Entretanto, a resultante desse sistema marcado eminentemente pela guerra fiscal, foi a inalterabilidade qualitativa da distribuição espacial da indústria no território brasileiro, evidenciando uma espécie de aglutinação do processo de desconcentração industrial no país. Durante os anos 90, em decorrência do vertiginoso aumento populacional, a demanda por serviços em Goiás se elevou significativamente e a expansão da fronteira agrícola proporcionou o crescimento das indústrias ligadas ao processo de modernização da agricultura. Em termos de exportações, o estado tornou-se mais competitivo, embora a maioria das indústrias tenha destinado sua produção para o mercado interno. BORGES (2004) A referida análise mostra que, assim como durante a década de 80, nos anos 90 ocorre um movimento de reconcentração industrial em direção ao polígono formado pela região centro-sul do país. Nesse momento, ocorre efetivo crescimento das cidades médias, possuidoras de grande dinamismo e potencial de crescimento industrial, no interior desse polígono. 4

5 Esse movimento se solidifica a partir das reformas impostas pelo mercado na década de 90, tais como abertura comercial, privatizações de estatais e desregulamentação dos mercados. Assim, Goiás bem como os demais estados da federação, torna-se responsável exclusivo pela implementação de políticas regionais que valorizem suas vantagens comparativas diante da ausência de políticas nacionais de integração regional. Conclusões A partir da noção de como se deu o processo de desconcentração da atividade produtiva no Brasil, se observa que, no caso do estado de Goiás, esse movimento promoveu modificações isoladas. Reforçou ainda mais a concentração produtiva no próprio estado em determinados cortes regionais, além de ter atraído indústrias cuja produção é destinada, em sua maioria, para o mercado interno. Ao promover programas de atração da atividade industrial tendo como nortes incentivos fiscais e subsídios, Goiás adotou um modelo de crescimento concentrador de renda e que resultou em sério problema relacionado à renúncia fiscal. Ademais, o processo de desconcentração produtiva não permitiu que setores que detêm atividades com alta tecnologia e demandantes de alto volume de capital se reconcentrassem em outras unidades federativas do país senão em seu eixo dinâmico histórico, o centro-sul do país, notadamente o estado de São Paulo. 5

6 Referências Bibliográficas Benko, G. Economia, Espaço e Globalização na aurora do século XXI. São Paulo: HUCITEC Borges, E. B. Et al. Ensaios sobre Economia Regional Goiana. Anápolis: UEG Paschoal, Júlio A. R. O papel do Fomentar no processo de estruturação industrial em Goiás Universidade Federal de Uberlândia (Dissertação de Mestrado), Pocchman, Márcio. Reestruturação Produtiva: perspectivas de desenvolvimento local com inclusão social. Petrópolis: Vozes,

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