PROGRAMA NACIONAL DE CRÉDITO FUNDIÁRIO MANUAL DE OPERAÇÕES

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1 Ministério do Desenvolvimento Agrário Secretaria de Reordenamento Agrário PROGRAMA NACIONAL DE CRÉDITO FUNDIÁRIO Consolidação da Agricultura Familiar (incluindo o Nossa Primeira Terra) MANUAL DE OPERAÇÕES Novembro de 2005 (Aprovado pelo Comitê Permanente do Fundo de Terras e de Reordenamento Agrário do CONDRAF em 30 de março de 2004, alterado conforme: - aprovação do Comitê do Fundo de Terras em 26 de abril de 2005; - Resolução Nº 5, de 16 de novembro de 2005, publicado no DOU em 18 de novembro de 2005; - e Resolução Nº 6 de 18 de novembro de 2005, publicado no DOU em 24 de novembro de 2005). 1

2 ÍNDICE 1. APRESENTAÇÃO GLOSSÁRIO DESCRIÇÃO GERAL DO PROGRAMA ANTECEDENTES OBJETIVO, ABRANGÊNCIA E METAS DO PROGRAMA NO NÍVEL NACIONAL Objetivos e meios de ação do Programa Área de atuação do Programa Metas A PARTICIPAÇÃO DE ESTADOS, MUNICÍPIOS E SOCIEDADE CIVIL O PROGRAMA NACIONAL DE CRÉDITO FUNDIÁRIO E OS OUTROS PROGRAMAS DE DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO A ADMINISTRAÇÃO DO PROGRAMA NO NÍVEL NACIONAL E ESTADUAL CONVÊNIOS ENTRE MDA E ESTADOS O PLANO ANUAL DE APLICAÇÃO DE RECURSOS DO FUNDO DE TERRAS E DA REFORMA AGRÁRIA OS PLANOS ESTADUAIS DE IMPLEMENTAÇÃO DO PROGRAMA (PEIP) O que são e o que contêm os Planos Estaduais de Implementação Quem elabora e quem aprova os PEIP OS PLANOS OPERATIVOS ANUAIS (POA) O SISTEMA DE INFORMAÇÕES GERENCIAIS (SIG) MONITORAMENTO, SUPERVISÃO E AVALIAÇÃO DO PROGRAMA Monitoramento e supervisão Avaliação de impactos CRITÉRIOS DE ELEGIBILIDADE E CONDIÇÕES DE FINANCIAMENTO OS BENEFICIÁRIOS IMÓVEIS PASSÍVEIS DE AQUISIÇÃO COM FINANCIAMENTO DO PROGRAMA OS INVESTIMENTOS BÁSICOS PARA ESTRUTURAÇÃO DAS UNIDADES PRODUTIVAS CONDIÇÕES DE FINANCIAMENTO EXECUÇÃO DO PROGRAMA NOS ESTADOS CAMPANHA DE DISSEMINAÇÃO E DIVULGAÇÃO ELABORAÇÃO, ANÁLISE E APROVAÇÃO DAS PROPOSTAS DE FINANCIAMENTO Mobilização, identificação dos imóveis e início das negociações de preço Elaboração da proposta de financiamento A proposta de financiamento Parecer do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável Análise das propostas de financiamento pela UTE Análise das Propostas de Financiamento pelos CEDRS CONTRATAÇÃO DO FINANCIAMENTO E EXECUÇÃO DO PROJETO Liberação do financiamento Elaboração e análise dos Sub-projetos de Investimentos Básicos Liberação dos recursos e execução dos Projetos Complementares CAPACITAÇÃO, ASSISTÊNCIA E ASSESSORAMENTO TÉCNICO Dos princípios da capacitação e do assessoramento técnico A habilitação e remuneração dos prestadores de serviços de assessoramento técnico ACESSO A OUTRAS FONTES DE FINANCIAMENTO SUBSTITUIÇÃO DE BENEFICIÁRIOS ALIENAÇÃO OU TRANSFERÊNCIA DO FINANCIAMENTO OU DOS BENS FINANCIADOS O PAPEL DAS DIFERENTES INSTITUIÇÕES E INSTÂNCIAS ENVOLVIDAS MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO (MDA) CONSELHO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO RURAL SUSTENTÁVEL (CONDRAF) COMITÊ PERMANENTE DO FUNDO DE TERRAS E DE REORDENAMENTO AGRÁRIO (VINCULADO AO CONDRAF) DEPARTAMENTO DE CRÉDITO FUNDIÁRIO DA SRA/MDA CONSELHO ESTADUAL DE DESENVOLVIMENTO RURAL SUSTENTÁVEL (CEDRS) UNIDADE TÉCNICA ESTADUAL (UTE) CONSELHOS MUNICIPAIS DE DESENVOLVIMENTO RURAL SUSTENTÁVEL (CMDRS)

3 7.9. CONTAG E ORGANIZAÇÕES SINDICAIS DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS RURAIS E DA AGRICULTURA FAMILIAR REDE DE APOIO (TÉCNICOS E INSTITUIÇÕES) AGENTES FINANCEIROS...36 ANEXO 01 NOSSA PRIMEIRA TERRA...37 ANEXO 02 RESOLUÇÃO DO CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL ANEXO 03 PROCEDIMENTOS PARA CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS E PARA COMPRAS COM RECURSOS DO PROGRAMA

4 1. APRESENTAÇÃO O presente Manual de Operações é um documento de referência e orientação, contendo detalhamento dos princípios, normas, diretrizes e procedimentos operacionais a serem observados na implementação na linha de Consolidação da Agricultura Familiar do Programa Nacional de Credito Fundiário. Este Manual se aplica em particular nos estados em que não há a possibilidade de implantação do Projeto de Crédito Fundiário e Combate à Pobreza Rural, com recursos do Acordo de Empréstimo BIRD 7037-BR. Nestes estados, estes princípios, normas e diretrizes e procedimentos operacionais se aplicam integralmente, também, ao Projeto Nossa Primeira Terra, voltado para os jovens, cujas especificidades estão detalhadas no Anexo 1 deste manual. O Manual de Operações é parte integral do conjunto de normas previstas no Decreto 4.892/2003, que regulamenta a Lei Complementar 93/98, que criou o Fundo de Terras e da Reforma Agrária. Também constituem o conjunto normativo do Programa a Resolução 3.231, de 31 de agosto de 2004, e o Regulamento do Fundo de Terras e da Reforma Agrária, aprovado em 10 de março pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável CONDRAF. O Manual poderá ser modificado ou atualizado de tempos em tempos, incorporando as experiências adquiridas durante o processo de implementação, as avaliações e as propostas apresentadas pelas instituições públicas e privadas envolvidas com a implementação do Projeto. Estas modificações devem ser aprovadas pelo Comitê Permanente do Fundo de Terras e de Reordenamento Agrário, vinculado ao CONDRAF. Este Manual é único e comum a todos os Estados participantes do Programa. Entretanto, adaptações poderão ser feitas para acomodar algumas características singulares de cada um dos Estados participantes, vedadas modificações que impliquem alterações nas diretrizes, normas e princípios fundamentais do Programa. O Manual se destina, em primeiro lugar, a todos os atores (ver Capítulo 3.3 e 7) envolvidos na implementação do Programa. Mais amplamente, ele se destina à sociedade em geral, assegurando maior transparência ao Programa. Uma versão simplificada, com linguagem adequada, será disponibilizada para uso dos beneficiários potenciais do Programa. Além deste manual, fazem parte também do conjunto de normas operacionais do Programa: ü a versão completa do Manual do Sistema de Informações Gerenciais (SIG) do Programa, que detalha os procedimentos para utilização deste sistema; ü os formulários e as instruções de preenchimento dos diferentes documentos necessários à execução do Programa. Em razão do volume e do caráter das informações ali contidas, estes documentos serão apresentados em separado. Aqui são resumidas somente as suas partes mais importantes. 4

5 2. GLOSSÁRIO OBSERVAÇÃO: Para evitar repetições desnecessárias, este Glossário não inclui os termos técnicos, siglas, conceitos, nomes ou instituições cuja definição encontra-se no escopo do Manual de Operações. AGRICULTORES FAMILIARES Produtores rurais, inclusive as mulheres e os jovens, cujos estabelecimentos sejam caracterizados pelo regime familiar de trabalho, conforme definido na regulamentação do Programa Nacional do Fortalecimento da Agricultura Familiar - PRONAF. ARRENDATÁRIO Trabalhador ou trabalhadora rural, beneficiário potencial ou efetivo do Projeto, que mediante contrato verbal ou escrito, explora ou explorou, no todo ou em parte, um imóvel rural, pagando aluguel a seu detentor a qualquer título. ASSALARIADO Trabalhador ou trabalhadora rural, beneficiário potencial ou efetivo do Projeto, que executa atividades de natureza temporária ou contínua num imóvel rural mediante contrato de trabalho, escrito ou verbal. ASSOCIAÇÃO Grupamento legalmente constituído sob a forma de associação civil, cooperativa, consórcio ou condomínio constituídos para apresentação conjunta de proposta de financiamento ou a execução de projetos conjuntos; BENEFICIÁRIO Qualquer grupamento ou pessoa física que responda aos critérios de elegibilidade do Programa Nacional de Crédito Fundiário, cuja Proposta de Financiamento tenha sido aprovada pelas instâncias decisórias do Programa, conforme previsto neste manual. BENEFICIÁRIO POTENCIAL Qualquer trabalhador ou trabalhadora sem terra, com acesso precário a terra ou minifundiários, organizado ou não em associação, que preencham aos critérios de elegibilidade do Programa Nacional de Crédito Fundiário. DCF/MDA Departamento de Crédito Fundiário Subordinado à Secretária de Reordenamento Agrário do Ministério do Desenvolvimento Agrário SRA/MDA, responsável pela coordenação, supervisão e implementação do Projeto no nível nacional. 5

6 DIARISTA Trabalhador ou trabalhadora rural que executa atividades de natureza temporária num imóvel rural, em geral mediante contrato verbal, e cujo pagamento se dá sob a forma de diárias. FOREIRO Trabalhador ou trabalhadora rural que tem o domínio útil de um imóvel rural pagando foro ao proprietário. IMÓVEL PRETENDIDO Imóvel rural selecionado pelos beneficiários para compra através de financiamento do Programa Nacional de Crédito Fundiário. MEEIRO Parceiro ou parceira (ver adiante) que paga ao detentor do imóvel 50% dos frutos ou produtos da exploração do mesmo (a meia ). MINIFUNDIÁRIO, PROPRIETÁRIO MINIFUNDIÁRIO Proprietário ou proprietária de imóvel que não atinja a dimensão da propriedade familiar. MORADOR Trabalhador ou trabalhadora rural que teve ou tem moradia habitual dentro de um imóvel rural por liberalidade de seu detentor, sem pagamento de foro, taxas de parceria ou de arrendamento, podendo ou não manter, neste imóvel, atividades agropecuárias; PARCEIRO Trabalhador ou trabalhadora rural que explora ou explorou a terra, mediante contrato escrito ou verbal com o detentor de imóvel rural a qualquer título, a quem paga uma percentagem dos frutos ou produtos desta exploração. Nesta categoria incluem-se os meeiros, que pagam a meia (50% da produção). POSSEIRO Trabalhador ou trabalhadora rural que explorou ou explora imóvel, detendo sua posse e uso, mas não sendo seu proprietário ou proprietária legal. SIB - SUB-PROJETOS DE INVESTIMENTOS BÁSICOS Projetos de investimentos básicos formulados pelos beneficiários do Programa e destinados à estruturação das unidades produtivas adquiridas com financiamento do fundo de terras. Os SIBs serão parte integrante do projeto a ser implantado pelos beneficiários com os recursos do financiamento do Fundo de Terras, conforme as normas e diretrizes definidas no Regulamento Operativo do Fundo de Terras e da Reforma Agrária, em Resolução do Conselho Monetário Nacional e neste Manual. 6

7 TRABALHADORES POR EMPREITA Trabalhador ou trabalhadora rural que executa um conjunto pré-estabelecido de atividades, de natureza temporária, num imóvel rural (a empreita ), em geral mediante contrato verbal, cuja remuneração é estabelecida de forma fixa para o conjunto da atividade. TRABALHADOR RURAL Trabalhador e trabalhadora (inclusive jovens) que tem como ocupação principal o trabalho nas atividades agrícolas, sob qualquer forma (homens ou mulheres agricultores familiares, arrendatários, meeiros, parceiros, agregados, posseiros, assalariados permanentes, assalariados temporários, bóias-frias, diaristas, trabalhadores por empreita etc); TRABALHADOR SEM TERRA Trabalhador e trabalhadora que não dispõe da posse nem do domínio de imóvel para a execução de atividades produtivas agropecuária. Incluem-se nesta categoria os assalariados, os homens e mulheres diaristas e trabalhadores por empreita, bem como os moradores. UTE Unidade Técnica Estadual Unidade organizada por órgão de nível estadual conveniado com o MDA, participante do Programa Nacional de Crédito Fundiário e responsável pela coordenação, supervisão e implementação do Programa no nível estadual. UTR Unidade Técnica Regional Unidade Técnica de abrangência micro-regional ou territorial, participante do Programa Nacional de Crédito Fundiário e responsável por atividades específicas na implementação do Programa no nível territorial, e organizada seja pelo órgão de nível estadual conveniado com o MDA, seja por associações de municípios, consórcios ou agências de desenvolvimento territorial ou outra forma de articulação institucional de nível territorial. 7

8 3. DESCRIÇÃO GERAL DO PROGRAMA 3.1. Antecedentes O Programa Nacional de Crédito Fundiário e Consolidação da Agricultura Familiar é uma iniciativa do Governo Federal e conta com a ativa participação dos beneficiários e suas comunidades, do movimento social organizado e dos governos estaduais e municipais. Buscando aperfeiçoar o desenho de projetos anteriores, o projeto avança na descentralização, atribui mais poderes aos Conselhos de Desenvolvimento Rural Sustentável e abre espaço para uma participação mais ampla dos movimentos sociais organizados em sua execução Objetivo, abrangência e metas do Programa no nível Nacional Objetivos e meios de ação do Programa O objetivo central do Programa é de contribuir para a redução da pobreza rural e para a melhoria da qualidade de vida, mediante o acesso a terra e o aumento de renda dos trabalhadores rurais sem terra ou com pouca terra. O acesso a terra se dará por meio do financiamento da aquisição de terras e dos investimentos necessários à estruturação das unidades produtivas constituídas pelas comunidades e famílias beneficiárias. Este financiamento é reembolsável pelos beneficiários. Os recursos destinados para este fim poderão ser inteiramente providos pelo Governo Federal, por meio do Fundo de Terras e da Reforma Agrária, ou contar com contrapartidas dos próprios beneficiários, de estados e municípios ou de outras fontes. O Programa buscará também contribuir, indiretamente, para a redução das desigualdades sociais, de gênero, geração e etnia Área de atuação do Programa Este Programa poderá contemplar todos os estados que firmarem com o MDA Convênios ou Termos de Cooperação para a sua implementação Metas Pretende-se assentar, com o Programa Nacional de Crédito Fundiário, famílias no período A distribuição anual e regional desta meta é definida pelo Comitê Permanente do Fundo de Terras e de Reordenamento Agrário, vinculado ao CONDRAF, em conjunto com os Conselhos Estaduais, e consta nos Planos Anuais de Aplicação de Recursos do Fundo de Terras e nos Planos Estaduais de Implementação do Programa, bem como nos Planos Operativos Anuais que são aprovados anualmente pelos Conselhos Estaduais A participação de Estados, Municípios e Sociedade Civil A execução do Programa se dá de forma descentralizada, através da assinatura de convênios de parceria com os Estados participantes. O Programa apóia-se, em primeiro lugar, na participação dos principais beneficiários do Programa: os trabalhadores e trabalhadoras sem terra, minifundiárias ou minifundiários e suas organizações comunitárias. São estes trabalhadores ou estas organizações que elaboram as propostas de financiamento (para aquisição de terras e investimentos básicos) e asseguram a sua implementação. 8

9 O Programa apóia-se, também, nos Conselhos de Desenvolvimento Rural Sustentável, em todos os níveis da Federação. Os Conselhos Municipais de Desenvolvimento Rural Sustentável (CMDRS) verificam a elegibilidade dos beneficiários e opinam sobre todas as propostas iniciais de financiamento, constituindo, assim, a primeira instância consultiva e de monitoramento do Programa. Os Estados participantes, principais encarregados da execução do Programa, definem os Planos de Implementação do Programa, que contêm as diretrizes básicas, as áreas prioritárias e a estratégia de ação no Estado, bem como as metas anuais para cada área. Os Conselhos Estaduais de Desenvolvimento Rural Sustentável são as instâncias decisórias estaduais, pois a eles compete aprovar estes Planos, bem como analisar e aprovar cada proposta de financiamento e cada operação de compra e venda. Em cada Estado participante, uma Unidade Técnica Estadual, órgão executor do Programa no Estado, assegura a tramitação e monitora a execução das propostas de financiamento. Os Estados podem também contar com a participação dos órgãos estaduais de terras, notadamente para a verificação da elegibilidade dos imóveis selecionados para aquisição pelos beneficiários e dos preços inicialmente acordados entre as partes (beneficiários e vendedores). Poderão também participar, como parceiros do Programa, as associações ou consórcios de municípios, bem como as agências territoriais de desenvolvimento e outras formas institucionais de articulação para o desenvolvimento territorial. Nestes casos, as parcerias com a sociedade civil e o papel deliberativo dos Conselhos Territoriais ou Regionais de Desenvolvimento Rural também deverão ser observados e previstos nos convênios estabelecidos entre o MDA, a associação de município e os governos estaduais. Em nível nacional, compete ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (CONDRAF) estabelecer as diretrizes globais e as metas anuais do Programa, contidas no Plano Nacional de Implementação do Programa, bem como assegurar a harmonia entre este Plano e os Planos Estaduais e avaliar a execução do Programa como um todo. A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), que teve participação decisiva na concepção e elaboração do Programa é parceira na sua gestão e execução. Participam também do Programa outras organizações da sociedade civil, como a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar - FETRAF SUL e a União Nacional das Escolas Família Agrícola - UNEFAB. A participação das Federações de Trabalhadores e Trabalhadoras da Agricultura e na Agricultura Familiar e de seus sindicatos está também assegurada através dos Conselhos de Desenvolvimento Rural Sustentável dos quais participam. Procura-se, assim, em toda a concepção e operacionalização do Programa, garantir a descentralização, a participação dos trabalhadores e suas organizações, uma maior integração com outros instrumentos de política de desenvolvimento sustentável e o desenvolvimento local no meio rural. O Programa deverá, também, levar em conta, no processo de preparação, de análise e de aprovação das propostas submetidas pelas comunidades, as questões de gênero, raça, etnia e geração, bem como aquelas de conservação e proteção ao meio ambiente. Deverá, em particular, ser assegurado às mulheres: ü apoio para a documentação como cidadãs e trabalhadoras rurais. ü participação efetiva na assinatura dos contratos de financiamento e de compra dos imóveis, não somente como cônjuges, mas também como co-beneficiárias principais; ü participação efetiva nas associações e em suas instâncias deliberativas e diretivas; ü a titulação conjunta do lote, quando realizado o desmembramento do imóvel; 9

10 ü estímulos à inclusão na lista dos Subprojetos de Investimentos Básicos ou Comunitários (SIBs), de projetos voltados para as demandas das mulheres ou executados pelas mulheres; Os projetos deverão respeitar a legislação ambiental e buscar, sempre que necessário, contribuir para a recuperação dos passivos e a melhoria das condições ambientais existentes no imóvel ou na região. Para a juventude rural, criamos uma ação específica, o Nossa Primeira Terra, focada nos jovens de 18 a 24 anos, que possibilitará a inserção dos jovens na economia, dando-lhes oportunidade de trabalho no campo e apoio para seus projetos produtivos ou de assistência técnica, bem como oportunidades de formação e de apoio à inovação tecnológica. Esta ação obedecerá aos mesmos princípios, regras, normas e procedimentos do Programa. Esta ação, junto com o PRONAF Jovem, estão integradas no conjunto de políticas de juventude do governo federal O Programa Nacional de Crédito Fundiário e os outros programas de Desenvolvimento Agrário O Programa Nacional de Crédito Fundiário é parte do Programa Nacional de Reforma Agrária e constitui um mecanismo complementar de acesso à terra. Através do financiamento da compra de terras e dos investimentos básicos necessários à estruturação das novas unidades produtivas constituídas, o Programa permite a incorporação, ao programa de Reforma Agrária, de áreas que não poderiam ser contempladas por outros mecanismos, em particular propriedades com áreas inferiores a 15 módulos fiscais ou propriedades produtivas. Os beneficiários do Programa são parte integrante da Reforma Agrária e têm, como os beneficiários dos demais programas, acesso às políticas de financiamento e de apoio previstos nos programas do MDA. 4. A ADMINISTRAÇÃO DO PROGRAMA NO NÍVEL NACIONAL E ESTADUAL 4.1. Convênios entre MDA e Estados A implementação descentralizada do Programa supõe a assinatura de convênios entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário e os Estados participantes do Programa. Estes convênios são um pré-requisito para o início da implementação do Programa em cada Estado. Estes convênios definirão as contrapartidas a serem asseguradas pelo governo estadual, não somente para a execução do Programa no estado. Estes convênios deverão também prever as ações complementares do governo estadual e governos municipais em matéria de políticas públicas e investimentos em infra-estrutura básica necessários para assegurar a viabilidade dos projetos financiados, tais como estradas de acesso aos imóveis, eletrificação, moradia, assistência técnica, etc. A participação dos governos estaduais e municipais deverá assegurar uma contrapartida correspondentes a no mínimo de 10% do volume total de recursos destinados aos investimentos básicos das propostas de financiamento. Serão privilegiados, na distribuição de recursos do Programa, os Estados e Municípios que isentarem os beneficiários dos custos, das taxas ou dos impostos de compra e transferência dos imóveis. 10

11 4.2. O Plano Anual de Aplicação de Recursos do Fundo de Terras e da Reforma Agrária O Ministério do Desenvolvimento Agrário elabora, por meio da Secretaria de Reordenamento Agrário, anualmente, um Plano Anual de Aplicação de Recursos do Fundo de Terras e da Reforma Agrária, que deve ser aprovado pelo Comitê Permanente do Fundo de Terra e de Reordenamento Agrário, contendo: os objetivos; ü as diretrizes; ü as estratégias de implantação do Programa; ü as metas globais e regionais para cada linha de financiamento do Programa; ü indicações sobre os montantes e as origens dos recursos a serem aplicados; ü a distribuição dos recursos por Grande Região. Cabe também ao Comitê Permanente do Fundo de Terra, acompanhar a execução deste plano ao longo do ano Os Planos Estaduais de Implementação do Programa (PEIP) O que são e o que contêm os Planos Estaduais de Implementação Cada Estado participante prepara um Plano Estadual de Implementação do Programa (PEIP), para um período de três anos. O PEIP deve indicar, em particular: ü um diagnóstico do meio rural, da questão fundiária e da agricultura familiar no estado, incluindo um dimensionamento da demanda e do potencial do mercado de terras estadual; ü a estratégia de implementação do Programa no nível estadual, as parcerias com os diversos órgãos envolvidos e suas atribuições respectivas; ü o plano de difusão do Programa no Estado; ü as articulações entre este Programa e os demais projetos de desenvolvimento local e agrário existentes, bem como com os programas de investimentos em infra-estrutura (moradia, eletrificação, estradas, etc) e as políticas sociais; ü os resultados esperados; ü uma descrição e uma quantificação das metas a serem atingidas em cada ano; ü os montantes e as origens dos recursos a serem aplicados; ü os recursos de contrapartida disponibilizados pelo Estado, Municípios ou comunidades. Este Plano deve buscar integrar os diferentes instrumentos de desenvolvimento agrário e estabelecer as bases de programas de desenvolvimento dos territórios rurais. Para tanto, o PEIP deve indicar de preferência baseando-se em um zoneamento agroecológico do Estado os territórios ou as áreas prioritárias para implementação do Programa. Para a escolha destes territórios ou áreas, o Estado participante deve levar em conta os seguintes critérios: 11

12 i.incidência de pobreza no meio rural e a população por ela afetada (público-meta potencial do Programa), levando-se em consideração os critérios utilizados nos programas do governo federal; ii.a existência de mobilização e da organização das populações ou de articulações e de planos de desenvolvimento elaborados por estas populações nos territórios rurais; iii.disponibilidade de imóveis rurais passíveis de serem adquiridos pelos beneficiários potenciais do Programa; e iv.dinâmica do sistema agrário local e mercado de terras. Caso julgue-se necessário, novos territórios ou áreas prioritárias podem ser agregados e outras excluídas durante a execução do Programa, mediante acordo entre a Secretaria de Reordenamento Agrário e as Unidades Técnicas Estaduais, com a aprovação dos Conselhos Estaduais de Desenvolvimento Rural Sustentável. Para cada território ou área prioritária, o Plano deve também conter: ü informações sucintas sobre suas características, seus problemas e seus potenciais, em particular sobre a importância da agricultura familiar, as características agroecológicas e a dinâmica do sistema agrário, o nível de vida da população rural, a importância de eventuais conflitos agrários etc; ü as diretrizes e os eixos para o desenvolvimento do território, em particular as interações entre as diversas ações de desenvolvimento agrário; ü um dimensionamento da demanda por terra e uma caracterização do públicometa; ü a estratégia de atuação da UTE, incluindo as parcerias estabelecidas em cada zona, às atribuições dos diferentes órgãos envolvidos na execução do Programa; ü as articulações entre o Programa e as demais políticas de desenvolvimento local; ü uma descrição e uma quantificação das metas regionais, que terão caráter apenas indicativo. As ações de difusão incluídas no Plano devem considerar a participação, em sua elaboração e execução, da sociedade civil organizada, em particular das organizações do movimento sindical de trabalhadores e trabalhadoras rurais e da agricultura familiar. Também no nível dos territórios incluídos no plano deverá haver participação efetiva da sociedade civil. O plano deve também buscar integrar as demandas locais e as sugestões apresentadas por municípios, Conselhos Municipais de Desenvolvimento Rural Sustentável, organizações do movimento sindical de trabalhadores e trabalhadoras rurais e da agricultura familiar, bem como da sociedade civil. Os Estados e as associações de municípios participantes do Programa deverão constituir, no âmbito destes conselhos, uma Câmara Técnica ou Comitê Temático para o Programa de Crédito Fundiário que terá como atribuições principais analisar previamente os planos e as propostas de financiamento, bem como acompanhar a execução do Programa em sua esfera de atuação. Esta Câmara ou Comitê deverá assegurar a participação, paritária e contemplar a representatividade e a diversidade das organizações representativas das organizações dos beneficiários e do setor familiar Quem elabora e quem aprova os PEIP A elaboração dos Planos Estaduais de Implementação do Programa supõe uma harmonização entre as metas de cada Estado participante e as metas nacionais do Programa, bem como uma 12

13 adequação destas metas com os recursos previstos para o Programa. Cabe ao Departamento de Crédito Fundiário - DCF/MDA, em conjunto com as UTE, coordenar os esforços neste sentido e mediar os entendimentos necessários entre os diferentes órgãos envolvidos. O PEIP tem a seguinte tramitação: Ø A UTE elabora o PEIP, considerando todas as demandas locais apresentadas pela sociedade civil organizada, e o encaminha ao Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável; Ø CEDRS analisa e aprova o PEIP; Ø PEIP é encaminhado ao DCF/MDA para análise e aprovação; Ø acompanhamento e o monitoramento da execução dos PEIP são realizados pelo DCF/MDA, pelas organizações dos agricultores familiares e pelos CEDRS. Em caso de não aprovação do PEIP ou de suas revisões pelo CEDRS ou pelo DCF/MDA, poderá haver recurso ao Comitê Permanente do Fundo de Terras e de Reordenamento Agrário ou, em caso extremo, ao CONDRAF, por parte de qualquer dos interessados na sua implementação Os Planos Operativos Anuais (POA) Anualmente, cada estado participante elabora, a partir do PEIP e considerando todas as demandas locais apresentadas pela sociedade civil organizada, um Plano Operativo, que quantifica as metas e os recursos a serem utilizados no ano seguinte, inclusive recursos de contrapartida do estados eventualmente alocados ao Programa. Os POA devem ser condizentes com o Plano Anual de Aplicação de Recursos do Fundo de Terras. Cabe ao DCF/MDA, em conjunto com as UTE, coordenar os esforços de harmonização neste sentido. O POA de cada Estado participante tem a seguinte tramitação: Ø A UTE elabora o POA; Ø O Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável (CEDRS) aprova o POA; Ø O POA é encaminhado ao DCF/MDA, para consolidação no nível nacional e aprovação; Ø O DCF/MDA dá continuidade à sua tramitação até a liberação dos recursos para os estados participantes; Ø Ao longo do ano, o DCF/MDA, as organizações dos agricultores familiares e o CEDRS acompanham e monitoram a execução do POA, verificando a devida utilização dos recursos e o cumprimento das metas estabelecidas. Em caso de não aprovação do POA pelo CEDRS ou pelo DCF/MDA, poderá haver recurso ao Comitê Permanente do Fundo de Terras e de Reordenamento Agrário e, em caso extremo, ao CONDRAF, por parte de qualquer dos interessados na sua implementação O Sistema de Informações Gerenciais (SIG) Para o gerenciamento e o monitoramento do Programa, o Departamento de Crédito Fundiário dispõe de um Sistema de Informações Gerenciais (SIG) informatizado, que deve assegurar: ü a automação do gerenciamento do Programa em todos os seus aspectos (execução financeira, estabelecimento e acompanhamento de convênios e Planos Estaduais, tramitação das propostas de financiamento apresentadas pelos beneficiários e sua implementação); 13

14 ü a elaboração de relatórios gerenciais e de informações agregadas ou detalhadas sobre a execução do Programa; ü o monitoramento das transações de terras, através da disponibilização, para o público interessado, de informações tais como, dentre outras, preços de terras aferidos por outras instituições, preços médios obtidos no Programa, características dos imóveis adquiridos, valores médios dos financiamentos obtidos pelas famílias, tipo e montante dos projetos de investimentos complementares; ü a disponibilização, para o público interessado, de informações sobre as metas e à execução do Programa. Este sistema, disponível na internet, deve ser alimentado pelas UTE. Desta forma, o sistema assegura transparência ao Programa em todas as etapas e em todas as instâncias de execução, desde a apresentação das propostas iniciais pelos beneficiários até a execução financeira em nível nacional Monitoramento, supervisão e avaliação do Programa Monitoramento e supervisão O Programa será objeto de um esforço constante de monitoramento e supervisão. O Programa deverá, também, assegurar um sistema de supervisão e de monitoramento a ser implementado diretamente pelas organizações do movimento social que, a exemplo da CONTAG, participam do Programa, bem como facilitar meios e acesso às informações disponíveis. Caberá as UTEs supervisionar a execução dos Sub-projetos de Investimentos Básicos - SIBs, conforme diretrizes e periodicidade mínima a serem definidas pelo DCF/MDA. Esta supervisão é condição para a liberação das parcelas dos SIBs para os beneficiários. Também será responsabilidade das UTEs monitorar os resultados do Programa e alimentar o sistema de monitoramento a ser implementado pelo DCF/MDA. Este sistema deverá, em particular, permitir conhecer a evolução dos projetos financiados e os resultados imediatos do Programa, em particular no que diz respeito a: Ø execução dos SIBs (qualidade, ritmo); Ø aos indicadores de resultados dos projetos, em particular dos SIBs e dos projetos produtivos (resultados imediatos nas condições de vida das famílias); Ø no caso de projetos associativos, a organização da associação, seu nível de autonomia, o nível de participação dos beneficiários na vida e nas decisões da associação; Ø os apoios recebidos pelos beneficiários e sua capacidade de articulação com os poderes públicos e as organizações não governamentais locais; Ø o desenvolvimento da produção e os resultados econômicos alcançados; Ø desistências, substituições de beneficiários, agregação de novos membros às famílias ou às associações; Ø problemas eventualmente enfrentados pelos beneficiários, bem como as conquistas e os êxitos alcançados; Ø a qualidade e a periodicidade da prestação de serviços de assistência técnica. Caberá ao DCF/MDA supervisionar a execução do Programa pela UTE, buscando, em particular, verificar: 14

15 Ø A observância das normas do manual, inclusive as supervisões dos projetos financiados; Ø A qualidade da avaliação técnica realizada pela UTE a respeito das propostas de financiamento; Ø A correta manutenção da documentação relativa às propostas de financiamento e sub-projetos de investimentos comunitários; Ø A efetiva participação do movimento sindical e da sociedade civil na execução do Programa; Ø A agilidade da tramitação das propostas e o tempo de espera para o atendimento das demandas formuladas pelas associações; Ø A complementaridade entre o Programa e as demais políticas de desenvolvimento agrário e territorial; Ø O funcionamento do Conselho Estadual e o seu envolvimento no Programa; Ø O atendimento das famílias quanto ao PRONAF A e outros programas de fortalecimento da agricultura familiar. Caberá, também, ao DCF/MDA, supervisionar por amostragem, os projetos financiados, bem como monitorar a execução do Programa sobre os seus diversos aspectos, em particular: Ø As ações de capacitação realizadas pelas UTEs, seus parceiros ou pelos técnicos ou instituições prestadoras de serviço; Ø As vistorias e supervisões realizadas pelos estados Ø As ações de divulgação do programa; Ø Aos convênios estabelecidos pelas UTEs com outras entidades Avaliação de impactos Periodicamente, em nível nacional, o Programa deve ser objeto de estudos e avaliação externa e independente. Estes estudos têm por objetivo: ü avaliar a execução do Programa, do ponto de vista físico, financeiro e institucional; ü avaliar os impactos sociais, financeiros, econômicos e ambientais do Programa, comparando o nível e as condições de vida do público beneficiário com os das populações rurais que não foram beneficiadas; ü propor as adequações sugeridas por estas avaliações. O processo de avaliação deverá assegurar a participação efetiva do movimento sindical de trabalhadores e trabalhadoras rurais e da agricultura familiar, bem como das demais organizações da sociedade civil, inclusive na fase de formulação de metodologia. A metodologia adotada para esta avaliação deve: ü assegurar a participação efetiva e a possibilidade de utilização dos dados por parte do movimento sindical dos trabalhadores e trabalhadoras rurais e da agricultura familiar e das demais organizações da sociedade civil; ü garantir a homogeneidade e a uniformidade na coleta e no tratamento dos dados, de forma a permitir avaliações de âmbito nacional; ü incluir um controle de qualidade tanto na coleta dos dados quanto na elaboração dos relatórios analíticos por parte de consultores contratados pelo 15

16 DCF/MDA e das organizações do movimento sindical de trabalhadores e trabalhadoras rurais e da agricultura familiar. As instituições contratadas devem ser idôneas e ter capacidade técnica para realizar os estudos dentro dos moldes metodológicos definidos nacionalmente. Os relatórios dos estudos de avaliação são submetidos, durante a sua elaboração e ao seu término, a consultores ad hoc contratados pelo DCF/MDA. Aprovados por estes consultores, os relatórios são submetidos ao Comitê Permanente do Fundo de Terras e de Reordenamento Agrário e ao CONDRAF. Após serão divulgados e entregue cópias a todos os conselheiros participantes do conselho. Tão logo aprovados pelos consultores ad hoc e pelo CONDRAF, estes relatórios deverão ser divulgados. Avaliações e estudos complementares podem ser sugeridos pelas organizações do movimento sindical dos trabalhadores e trabalhadoras rurais e da agricultura familiar, bem como da sociedade civil. Recursos do Programa podem ser reservados para este fim, devendo as instituições contratadas obedecer às mesmas regras de idoneidade e capacidade técnica previstas para as avaliações. Estes estudos devem também ser submetido à apreciação do Conselho Nacional ou do Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável, conforme o caso. 5. CRITÉRIOS DE ELEGIBILIDADE E CONDIÇÕES DE FINANCIAMENTO 5.1. Os beneficiários Podem ser beneficiados pelo Programa os homens e as mulheres pertencentes às seguintes categorias de trabalhadores: ØTrabalhadores rurais sem terra (assalariados permanentes ou temporários, diaristas, etc); ØPequenos produtores rurais com acesso precário a terra (arrendatários, parceiros, meeiros, agregados, posseiros, etc); ØProprietários de minifúndios, ou seja, proprietários de imóveis cuja área não alcance a dimensão da propriedade familiar, assim definida no inciso II do art. 4º da Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964, e seja comprovadamente insuficiente para gerar renda capaz de lhes proporcionar o próprio sustento e o de suas famílias. Os jovens estão incluídos em todas estas categorias, bem como os idosos, exceto os funcionários públicos inativos e os trabalhadores de mais de 65 (sessenta e cinco) anos. Os Conselhos Estaduais poderão aprovar a participação de beneficiários com mais de 65 anos, assegurando-se de que isto não comprometerá a capacidade de implantação do projeto e de pagamento dos financiamentos. Estes trabalhadores podem ser beneficiados desde que: ØTenham renda bruta familiar anual inferior a R$ (quinze mil reais) e patrimônio inferior a R$ (trinta mil reais). Entende-se por renda bruta familiar a renda disponível para o beneficiário depois de deduzidos, no caso dos produtores rurais familiares, os custos de produção. São excluídos deste cálculo os membros da família aposentados rurais, desde que não beneficiários diretos do Programa, bem como os filhos adultos que, morando sob o mesmo teto, constituíram sua própria família; ØNão tenham sido beneficiários de quaisquer outros programas de reforma agrária (federal, estadual, municipal), incluídos os de crédito fundiário; 16

17 ØNão sejam funcionários em órgãos públicos, autarquias, órgãos paraestatais federais, estaduais, municipais, ou não estejam investidos de funções parafiscais ou de cargos eletivos; ØEstejam dispostos a assumir o compromisso de tomar e posteriormente pagar empréstimo para a aquisição de terras e de contribuir com 10% dos custos dos investimentos básicos; ØAssumam o compromisso de explorar efetivamente e diretamente o imóvel em regime de trabalho familiar, bem como residir no imóvel ou em local próximo; ØTenham, no mínimo, nos últimos 15 anos, 5 anos de experiência com a exploração agropecuária, contado o tempo de escolaridade; ØNão tenham sido, nos últimos três anos, contados a partir da data de apresentação do pedido de amparo ao Programa de Crédito Fundiário, proprietário de imóvel rural com área superior à de uma propriedade familiar; ØNão seja promitente comprador ou possuidor de direito de ação e herança em imóvel rural. Também podem ser beneficiados pelo programa os jovens de 16 (dezesseis) anos, desde que devidamente emancipados, com averbação no cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais. O prazo de experiência previsto acima compreende o trabalho na atividade rural exercido até a data do pedido de empréstimo ao Fundo de Terras e da Reforma Agrária, praticada como autônomo, empregado, como integrante do grupo familiar ou como aluno de escola técnica agrícola, inclusive similares. Poderão ser definidos, nos Planos Estaduais de Implantação do Programa, públicos prioritários para o programa, bem como critérios mais restritivos, em função das prioridades definidas no Plano ou do perfil específico da demanda identificada no estado. O enquadramento nas condições de elegibilidade citado acima poderá ser comprovado por uma autodeclaração dos candidatos ao programa, desde que devidamente aprovada pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável, ou Conselho similar, do qual devem fazer parte as organizações sindicais de trabalhadores, na forma estabelecida neste manual de operações. Em caso de dúvida no que diz respeito à experiência, à classificação como trabalhador rural ou agricultor familiar e à renda, uma carta de aptidão expedida pelo Sindicato de Trabalhadores Rurais é comprobatória da obediência destes critérios de elegibilidade. 5.2.Imóveis passíveis de aquisição com financiamento do Programa A compra dos imóveis escolhidos pelos beneficiários pode ser financiada, desde que: ØOs imóveis não sejam passíveis de desapropriação, por qualquer dos motivos previstos em lei (imóveis improdutivos de mais de 15 módulos fiscais ou os imóveis passíveis de desapropriação por outros motivos previstos em lei); ØA área resultante de (eventual) divisão futura do imóvel entre os beneficiários não seja inferior à área mínima de fracionamento da região onde o imóvel se situar, exceto nos casos em que o imóvel se destinar à complementação de área por parte de um proprietário minifundista; ØO proprietário possua título legal e legítimo de propriedade e de posse do imóvel e disponham de documentação que comprove ancianidade ininterrupta igual ou superior a vinte anos, respeitando, quando houver, a legislação estadual de terras, e em caso de dúvida fundada, declaração expressa do Estado da situação do imóvel, afirmando se questiona ou pretende questionar o domínio do imóvel; 17

18 ØNão incidam gravames de qualquer ordem que possam impedir a transferência legal do imóvel para os compradores (beneficiários); ØNão tenham sido objeto de transação nos últimos dois anos, com exceção dos oriundos de espólio, de extinção de condomínios ou nos casos excepcionais aprovados pelo Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável em que ficar comprovado que a transação não foi efetuada para evitar desapropriações ou com fins especulativos; ØNão se situem em reservas indígenas, em áreas ocupadas por quilombos ou em áreas protegidas por legislação ambiental (Parques, Estações Ecológicas, Reservas Ecológicas ou Biológicas, Áreas de Interesse Ecológico, Áreas de Proteção Ambiental e outros tipos de Unidades de Conservação) ou não confinem com as referidas áreas, exceto nas zonas de uso permitido e compatível com a propriedade particular das áreas de proteção ambiental e de outras unidades de conservação de uso sustentável; ØApresentem condições que permita o seu uso sustentável, sejam elas existentes ou que possam ser implantadas com o apoio ou o financiamento do Programa; ØO preço do imóvel seja condizente com os preços praticados no mercado local e compatível com o tipo de exploração pretendido pelos beneficiários. A criação de qualquer excepcionalidade a estes critérios de elegibilidade deverá ser precedida de estudos e avaliações conjuntas envolvendo Ministério do Desenvolvimento Agrário, organizações sindicais parceiras e Estados participantes e submetidas à aprovação do Comitê Permanente do Fundo de Terras e de Reordenamento Agrário. As aquisições decorrentes destas excepcionalidades deverão ser, em qualquer caso, submetidas e aprovadas pelo Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável. 5.3.Os investimentos básicos para estruturação das unidades produtivas A proposta de financiamento apresentada pelos beneficiários pode incluir, além dos custos da aquisição de terras, os custos relativos aos Subprojetos de Investimentos Básicos - SIB necessários à estruturação das unidades produtivas constituídas. Os subprojetos devem constar na lista de investimentos prioritários, apresentados pelo beneficiário na proposta de financiamento, ou ter sido posteriormente aprovados pela UTE, por solicitação do beneficiário. Conforme definido na resolução do Conselho Monetário Nacional e no Regulamento Operativo do Fundo de Terras, são considerados investimentos básicos os investimentos, dentre outros: Øos investimentos em infraestrutura básica, tais como construção ou reforma de residência, disponibilização de água para consumo humano e animal, rede de eletrificação, abertura ou recuperação de acessos internos; Øos investimentos em infraestrutura produtiva, tais como a construção ou reforma de cercas, a formação de pastos, a construção de instalações para as criações, para a produção agrícola ou extrativista e para o processamento dos produtos; Øa sistematização das áreas para plantio, as obras de contenção de erosão, conservação de solos ou correção da fertilidade; Øos investimentos necessários para a convivência com a seca, tais como a construção de cisternas, de barragens sucessivas, superficiais ou subterrâneas ou outras formas de contenção ou manejo dos recursos hídricos, culturas ou criações que constituam fontes complementares de alimentação animal ou humana ou de renda que reduzam os impactos da estiagem; 18

19 Øos investimentos para recuperação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente ou de eventuais passivos ambientais existentes anteriormente à aquisição do imóvel; Øos investimentos comunitários necessários ao bom funcionamento do projeto e à melhoria da qualidade de vida da comunidade beneficiária, incluindo a formação de fundos de poupança ou de aval, de fundos rotativos ou a aquisição de cotas parte em cooperativas de crédito ou outras formas de associativismo; Øa manutenção da família durante até os 6 primeiros meses do projeto; Øaté R$ 720,00(setecentos e vinte reais) para a contratação, pelos trabalhadores ou suas associações e cooperativas, do assessoramento técnico, em particular para a implantação da proposta de financiamento, conforme estabelecido nos manuais de operações; Ødos custos de apoio à elaboração da proposta de financiamento e de capacitação inicial dos beneficiários, na forma estabelecida nos manuais de operações do programa. Não poderão ser financiados, com recursos do Programa: ØConstruções de instalações ou prédios destinados a práticas religiosas, de qualquer confissão; ØConstruções de prédios destinados a órgãos públicos; ØAquisição de gado para engorda na pecuária de corte; O beneficiário ou a associação deve assegurar uma contrapartida mínima de pelo menos 10% do valor dos SIBs, podendo esta contrapartida ser fornecida em mão de obra, materiais, serviços, equipamentos, dinheiro ou outra forma de contribuição para a implantação dos SIBs Condições de financiamento A aquisição de terras e os investimentos básicos são realizados mediante financiamento bancário que obedece aos termos e condições definidas em Resolução do Conselho Monetário Nacional (Resolução CMN nº 3.231, de 31 de agosto de 2.004), que consta no Anexo 2 deste manual. O financiamento poderá incluir, na forma do Regulamento Operativo do Fundo de Terras e respeitada a Resolução do Conselho Monetário Nacional, os custos diretos da transação do imóvel adquirido, tais como: Øcustos de medição, topografia, demarcação interna das áreas de reserva legal e de preservação permanente e, eventualmente, das parcelas e lotes; Ødespesas e taxas cartorárias de transação e registro do imóvel; Øos impostos de transação e de registro do imóvel rural adquirido; Øos custos eventualmente decorrentes da aprovação das áreas de reserva legal e de preservação permanente, bem como de eventuais autorizações ambientais; São de responsabilidade do vendedor do imóvel os custos relativos à comprovação da propriedade e registro do imóvel, bem como a todas as certidões necessárias à aprovação e à assinatura do contrato de financiamento. Em caso de projeto associativo, quando houver desistência de algum(ns) beneficiário(s), a associação deverá realizar a sua substituição e submeter o(s) substituto(s) aos mesmos trâmites de análise de elegibilidade dos participantes do programa (parecer do CMDRS e da UTE). O CEDRS deverá examinar os casos em que esta substituição não ocorrer, podendo determinar à associação a substituição dos beneficiários desistentes, ou, mediante parecer fundamentado, aprovar exceções justificadas. Caso a não substituição seja aprovada, deverá obrigatoriamente haver retificação do instrumento de crédito, com correção, quando for o caso, das condições de financiamento. 19

20 Em caso de projeto associativo, tanto a propriedade quanto os investimentos básicos serão de propriedade da associação, até que seja quitado o financiamento ou até que aja a transferência deste financiamento para os beneficiários individuais. Nos casos de compra, por uma associação, de vários imóveis destinados à exploração individualizada por seus membros, caberá à associação estabelecer em Ata ou no seu Regimento Interno ou no seu Estatuto, a forma de repartição dos direitos e dos compromissos entre seus membros. A UTE e o Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável deverão, nestes casos, verificar se, além do teto de financiamento global para a associação, está sendo respeitado o teto de financiamento por família fixado pelo Conselho Monetário Nacional". 6. EXECUÇÃO DO PROGRAMA NOS ESTADOS 6.2.Campanha de disseminação e divulgação Cada Estado participante do Programa deve realizar, em consonância com o Plano Estadual de Implantação do Programa, um amplo esforço de informação e capacitação dos diferentes agentes que podem contribuir na implementação do Programa, bem como dos beneficiários potenciais do Programa. A elaboração deste plano de difusão do Programa deve contar com a participação efetiva das organizações sindicais nos Estados, bem como de outras organizações da sociedade civil envolvida no Programa. Para orientar a elaboração deste plano de difusão por parte dos Estados, caberá à Unidade Técnica elaborar um Termo de Referência comum, com a participação destas organizações. As ações de divulgação do Programa devem também levar em conta a participação das organizações sindicais dos trabalhadores e trabalhadoras rurais e da agricultura familiar, que têm um papel ativo na divulgação do programa, bem como na mobilização e na informação dos beneficiários potenciais. A campanha de disseminação e divulgação deve apoiar-se em meios de comunicação adequados (folhetos, cartilhas, difusão dos manuais, realização de reuniões e cursos, rádio, entre outros) e ter os seguintes objetivos: Ø assegurar um amplo e profundo domínio dos objetivos e das regras do Programa por parte de todas as pessoas e instituições envolvidas na sua implantação, em particular as lideranças do movimento sindical de trabalhadores e trabalhadoras rurais e da agricultura familiar, bem como os técnicos dos órgãos governamentais ou não governamentais envolvidos; Ø assegurar informação ampla ao público-meta do Programa, sobre a sua existência e suas regras básicas; Ø assegurar, à população interessada em ser beneficiada pelo Programa, informações mais profundas e detalhadas sobre suas regras, em particular sobre as condições de financiamento, o processo de negociação do preço da terra, os investimentos comunitários e os aspectos legais. Cabe lembrar que os beneficiários do Programa podem também contribuir em sua divulgação. Para tanto, os órgãos encarregados devem assegurar aos beneficiários a mais ampla e precisa informação sobre o seu projeto (montante de financiamento, valor estimado das parcelas no momento da assinatura do contrato, volume disponível para investimentos comunitários, subprojetos comunitários indicados, formas de obter informações sobre a tramitação do projeto). Sugere-se que cada beneficiário receba estas informações em uma cartilha com linguagem popular. 20

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